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DIA DE

COOPERAR 2017

O papel das cooperativas por um mundo mais sustentรกvel


Flora Egécia

editorial

Ninguém deve ficar para trás Márcio Lopes de Freitas (*)

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um de seus livros, o sociólogo espanhol Manuel Castells afirma que a ação das pessoas pode mudar as regras das estruturas sociais, inclusive as que levam à exclusão. Do mesmo modo, acreditamos que o momento em que estamos, que tende a aumentar as desigualdades, pode e deve ser mudado por um conjunto de valores e práticas. Estamos falando do cooperativismo, modelo no qual acreditamos e pelo qual lutamos, de modo a aumentar a autonomia dos cidadãos, dando a esse mundo um sentido mais ético e humano. Este foi o propósito do Dia Internacional do Cooperativismo de 2017, comemorado em 1º de julho. Em celebração à data, o cooperativismo brasileiro realizou em todo o país mais uma edição do Dia de Cooperar (Dia C), um programa realizado pelas cooperativas brasileiras para estimular a responsabilidade social e a cooperação, por meio do trabalho voluntário e do engajamento dos cooperados. Alinhado ao lema da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) deste ano, Cooperativas garantem que ninguém fique para trás, o Dia C reforçou a necessidade de apresentar alternativas ao aumento das desigualdades – que não são apenas de renda, mas de todas as formas – em todo o país. O Dia C já se transformou em um grande movimento nacional de projetos estruturados e iniciativas voluntárias com o objetivo de fortalecer o cooperativismo, tornando-o um instrumento efetivo de transformação de realidades no Brasil. No Dia C de 2017, mais de mil cooperativas desenvolveram 1231 iniciativas com a mobilização de 120 mil voluntários. Essas atividades foram realizadas em 1081 cidades espalhadas por to-

dos os estados e no Distrito Federal. Em todo o país, foram beneficiadas mais de 2 milhões de pessoas. Em meio a números tão significativos, vamos mostrar, nesta publicação, algumas histórias que revelam o poder transformador das cooperativas. São iniciativas que surgem da própria essência da cooperativa que tem, por princípio, a busca pelo bem-estar da comunidade em seu entorno. E como o cooperativismo sempre buscou uma sociedade mais sustentável, vamos mostrar como os projetos desenvolvidos ao longo do Dia C contribuem para o alcance das metas estabelecidas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) para um mundo mais justo e menos desigual, da qual o Brasil também é signatário. Portanto, nesta época em que as desigualdades voltam a ameaçar as pessoas no mundo todo, é fundamental lembrar que o modelo cooperativista é uma das principais alternativas a esta situação. Nossos princípios e valores nos distinguem de outras formas de organizações empresariais e produzem resultados como organizações empreendedoras e de autogestão. Somos um modelo de negócios que equilibra o econômico e o social, a produtividade e a sustentabilidade. (*) Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).


expediente

Revista do Dia de Cooperar

Edição ano 2017

CONSELHO NACIONAL Márcio Lopes de Freitas – Presidente REPRESENTANTES OCB REGIÃO CENTRO-OESTE Celso Ramos Regis — Titular / Márcia Ionne Ramos Behnke — Suplente REGIÃO NORTE E NORDESTE Ricardo Benedito Khouri — Titular / Malaquias Ancelmo de Oliveira — Suplente REGIÃO SUDESTE Ronaldo Ernesto Scucato — Titular / Carlos André Santos de Oliveira — Suplente REGIÃO SUL Luiz Vicente Suzin — Titular / Leonardo Boesche — Suplente CONSELHEIROS REPRESENTANTES DOS EMPREGADOS EM COOPERATIVAS João Edilson de Oliveira — Titular / Luizita Fonseca Leite Pina — Suplente REPRESENTANTES DO EXECUTIVO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Najara Flauzino Ferro — Titular MINISTÉRIO DA FAZENDA Aumara Bastos Feu Alvim de Souza — Titular / Andréia Lúcia Araújo da Cruz de Carvalho — Suplente MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/MINISTÉRIO DA FAZENDA Dênio Aparecido Ramos - Titular / Alex Pereira Freitas — Suplente MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO Carla Silva Simões — Titular / Roberta Carolina Rios Bosco Soares — Suplente MINISTÉRIO DO TRABALHO Natalino Oldakoski — Titular / Ricardo Costa Gonçalves — Suplente CONSELHO FISCAL REPRESENTANTES DA OCB José Arilo Carneiro Pereira – Titular / André Pacelli Bezerra Viana — Titular / Jeferson Adonias Smaniotto — Suplente / Ary Célio de Oliveira – Suplente CONSELHEIROS REPRESENTANTES DOS EMPREGADOS EM COOPERATIVAS Evaristo Lunz Gomes — Titular REPRESENTANTES DO EXECUTIVO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Pedro Alves Corrêa Neto — Titular / Thiago Vinicius Pinheiro da Silva — Suplente MINISTÉRIO DA FAZENDA Ricardo da Costa Nunes — Titular / Luciana Maria Rocha Moreira — Suplente MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/MINISTÉRIO DA FAZENDA Benedito Adalberto Brunca — Titular / Emanuel de Araújo Dantas — Suplente PROJETO E SUPERVISÃO GERENTE DE COMUNICAÇÃO Daniela Lemke ANALISTA DE COMUNICAÇÃO Gisele Daemon James SISTEMA OCB No Brasil, o movimento cooperativista é representado oficialmente pelo Sistema OCB, composto por três entidades complementares: • Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) – órgão de representação sindical das cooperativas, composto também por federações e sindicatos. • Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) – entidade representativa do cooperativismo no país, responsável pela promoção, fomento e defesa do sistema cooperativista em todas as instâncias políticas e institucionais, no Brasil e no exterior. • Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) – integrante do “Sistema S”, responsável pela formação profissional, pela promoção social e pelo monitoramento das cooperativas brasileiras.

Esta é uma publicação produzida com recursos do Sescoop

PRODUÇÃO Ex-Libris Comunicação Integrada SGAS 910, Conjunto B, Lote 74, Bloco A, Sala 206 CEP: 70390-020 – Brasília – Distrito Federal Telefone: +55 (61) 3033-6088 E-mail: brasilia@libris.com.br JORNALISTARESPONSÁVEL Jayme Brener - MTb - 19.289 EDIÇÃO Cláudio Camargo COORDENAÇÃO EDITORIAL Guilherme Costa REDAÇÃO Jamile Rodrigues PROJETO GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO, REVISÃO E ARTEFINAL Regina Beer ARTE E EDIÇÃO DE IMAGENS Jonathan Oliveira APOIO TÉCNICO Gerfesson Silva, Ricardo Martins, Carlos Guilherme Alencar e José Maciel REPORTAGEM Agnes Cavalcante (AC); Patrícia Pacífico e Thayne Magalhães (AL); Milena Soares (AM); Élder Abreu (AP); Thiago Dias (BA); Tarcísio Matos (CE); Gerfesson Silva e Gabriela Lima (DF); Vinicius Nascimento (ES); Eduardo Pinheiro (GO); Juliana da Silva (MA); Vitor Cruz (MG); Ana Brito (MS); Marianna Peres (MT); Wesley Santos (PA); João Lopes (PE); Nayara Felizardo (PI); Marcia Boroski (PR); Cristina Santos (RJ); Priscila Adélia (RN); Sara Alcântara (RO); Dennis Martins e Valéria Oliveira (RR); Analice Azevedo (RS); Lilian Fonseca (SE); Fabiana Berleze (SC); Edmir Nogueira (SP); Ananda Muniz (TO). FOTOGRAFIA Gilberto Carvalho (AC), Itawi Albuquerque (AL), Ingrid Anne Freire (AM), Wendel Paixão (Amapá), Ana Lee (BA), Rafael Coutinho (CE), Jonathan Oliveira (DF), Yzamara Belo (ES), Jason Magalhães (GO), Kleber Salviati (MA), Paulo Fonseca (MG), Claudinei Rodrigues (MS), Otmar Oliveira (MT), Cecília Heine (PA), Dayse Euzébio (PB), Marcílio Jorge (PE), Juliana Eulália (PI), Albari Rosa (PR), Bruno Lopes (RJ), Leiriany Pessoa (RN), Rafael Anacleto (RO), Laudinei Sampaio (RR), Donaldo Hadlich (RS), Samanta Saverdoli (SC), César de Oliveira (SE), Tuane Fernandes (SP) e Walisson Rabelo (TO). TIRAGEM 2 mil exemplares IMPRESSÃO Teixeira Gráfica A revista Dia de Cooperar 2017 é uma publicação do Sistema OCB, de responsabilidade do Sescoop, distribuída gratuitamente. Endereço: Setor de Autarquias Sul – SAUS Qd. 4 Bloco “I” – CEP 70070-936 – Brasília-DF (Brasil) • Tel.: +55 (61) 3217-2119 e-mail: revistasabercooperar@sescoop.coop.br


Ana Lee


Sumario 8 27

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Projeto leva alimentação saudável a famílias no Maranhão

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Cooperativas promovem saúde de ponta

Cooperativa no Pará incentiva população a produzir energia renovável

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Proteção social para pôr fim ao trabalho infantil

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Cooperativa do ramo infraestrutura fornece energia acessível

Unimed de Lins comemora resultados da sustentabilidade

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Reflorestar para deter a perda da biodiversidade

O modelo econômico das cooperativas na luta contra a desigualdade

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Cooperativa de Angra dos Reis supera tempos difíceis e viabiliza projetos de responsabilidade social

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Cooperativas apostam no ensino para mudar vidas

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Time de basquete de paratletas recebe tratamento odontológico gratuito

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Em Porto Velho, o cooperativismo apoia a ressocialização de detentos

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Do lixo ao reconhecimento

Áreas de risco se transformam em belas praças com o apoio de cooperativas

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Gestão eficiente da água para assegurar o consumo

Tratamento de resíduos faz parte das preocupações das cooperativas

Entrevista - Rodrigo Gouveia, diretor de Política da Aliança Cooperativa Internacional (ACI)

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Erradicação da Pobreza

Ana Lee

O modelo econômico das cooperativas na luta contra a desigualdade

Crianças do Instituto Nossa Senhora da Aurora beneficiadas pela cooperativa Uniodonto lhéus (BA)

Como o cooperativismo auxilia na erradicação da pobreza

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cooperativismo é uma filosofia ancestral, remontando a costumes praticados há séculos em diversas partes do mundo. Desde seus primórdios, a ideia se desenvolveu, se solidificou e se espalhou, com mais de um bilhão de clientes e membros em 100 países, segundo o Censo Global do Cooperativismo de 2014, realizado

pela ONU (Organização das Nações Unidas). O levantamento também informou que há 2,6 milhões de cooperativas no planeta. Essa expansão tomou forma ainda mais concreta em 2016, quando a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) declarou o

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cooperativismo patrimônio intangível da humanidade. A indicação foi realizada por um dos países membros, a Alemanha, que apontou como as cooperativas “se esforçam por um desenvolvimento mais justo dos processos de globalização”.

po de profissionais articulou um modelo que foi capaz de fornecer à classe trabalhadora habitação de qualidade. A iniciativa culminou na Lei Nacional de Habitação Uruguaia (Lei Nacional de Vivienda), de 1968, voltada para a melhora da qualidade de vida.

Essa decisão leva em conta outro dado importante do estudo realizado pela ONU. Empreendimentos cooperativos no mundo todo contribuem para a criação de mais de 12,6 milhões de postos de trabalho, sem contar os gerados pelas 982,4 mil cooperativas agrícolas na China, que não apresentavam dados disponíveis na época da pesquisa.

Já na Europa, merecem destaque casos como o das cooperativas finlandesas, que representam 79% do mercado agrário e 35% do sistema bancário. O jornal britânico The Guardian abordou o tema, citando os empreendimentos cooperativos do país como “uma força dominante na economia da nação” e destacando que há mais cooperados do que habitantes: cada pessoa é membro de duas cooperativas, em média.

ODS 1. Meta 1.3 Dados oficiais divulgados pela ONU

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Dados como esses evidenciam como cooperativas de diferentes partes do mundo auxiliam na construção de sociedades mais justas e igualitárias. É assim que o modelo econômico cooperativista está alinhado aos Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU.

Implementar, em nível nacional, medidas e sistemas de proteção social adequados, para todos, incluindo pisos e até 2030 atingir a cobertura substancial dos pobres e vulneráveis.

Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os seus lugares. ODS 1. Dados oficiais divulgados pela ONU

A história do cooperativismo no mundo é repleta de exemplos autoexplicativos. Na década de 1960, em meio a uma profunda crise econômica no Uruguai, teve início uma experiência de habitação social que apresentou efeitos notáveis. Embora a indústria da construção estivesse paralisada, um gru-

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O Projeto Meu Solo, uma iniciativa da Cooperativa de Desenvolvimento Agrícola (Coodeagri), de Lucas do Rio Verde (MT), atende produtores familiares. Eles que tiveram o solo das propriedades coletado para análises e diagnóstico das necessidades para uma melhor produção e produtividade.

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No Brasil, o número de empreendimentos cooperativos ultrapassa 6,6 mil, com atividades distribuídas em 13 ramos, como saúde, habitação, crédito, transporte e infraestrutura. Outras estatísticas mostram o impacto efetivo do cooperativismo no âmbito nacional: há mais de 13,2 milhões de associados no país (6,3% da população), sendo que, somando-se as famílias desses cooperados, a estimativa é que o movimento agregue 25,4% da população brasileira.

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Já na Finlândia, a cultura do cooperativismo remonta ao século XIX, com algumas organizações na ativa desde 1899. O princípio, segundo o cientista vencedor do Prêmio Nobel Artturi Ilmari Virtanen, é que a economia de seu país é baseada na mutualidade. Além de mercados mais comuns, as cooperativas finlandesas operam em áreas como energia e telecomunicações.

Cooperativas pernambucanas socorreram as vítimas das fortes chuvas na cidade de Barreiros

Um dos benefícios mais importantes do cooperativismo se refere à geração de trabalho, que no Brasil chega a mais de 376 mil empregos formais. No Dia Internacional das Cooperativas de 2016, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou essa responsabilidade: “acreditamos que [as cooperativas] possam dar contribuições significativas para os ODS em termos de geração de emprego, erradicação da pobreza, redução da fome e da desigualdade”, disse.

Em sua fala, o dirigente declarou que as cooperativas contribuem para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável “no seu dia a dia, em seu jeito de produzir ou de prestar seus serviços, valorizando sempre as dimensões econômica, social e ambiental, plantando as sementes para um futuro melhor, pautado em ética, transparência e atenção às pessoas”.

Essa posição está refletida na mensagem do Dia Internacional do Cooperativismo de 2017: “Cooperativas garantem que ninguém fique para trás.” O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, participou da cerimônia, realizada no dia 14 de julho em Nova York.

Sempre firmes nos objetivos de realizar transformações no âmbito social, as cooperativas configuram uma força notável e global na busca pelo desenvolvimento igualitário, oferecendo caminhos para alcançar o objetivo da ONU, de erradicar a pobreza até 2030. •

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Fome Zero e Agricultura Sustentável

Juliana da Silva

Projeto leva alimentação sustentável a famílias no Maranhão

Voluntárias separam o que é saudável para consumo

Há 17 anos, cerca de 300 famílias de uma das regiões mais pobres do Brasil se beneficiam do trabalho da cooperativa Cohortifruti

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M aranhão -

Muito antes da implantação de projetos governamentais de grande alcance para a erradicação da fome, a Cooperativa dos Hortifrutigranjeiros (Cohortifrut), localizada em São Luís, no Maranhão, lançou uma iniciativa que garante a alimentação sustentável de 300 famílias carentes. Trata-se do projeto Cooperar, mantido há 17 anos pela cooperativa, que administra a Central de Abastecimento do Estado (Ceasa).

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O Cooperar aproveita frutas,verduras e legumes que não são comercializados, mas que ainda podem ser consumidos, para montar cestas que alimentam famílias ameaçadas pela fome. O projeto é um exemplo do compromisso das cooperativas brasileiras com o ODS 2, que tem como premissa acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, ao promover a agricultura sustentável. Rosa Maria Rosa, hoje voluntária do projeto, se recorda da época mais difícil de sua vida, quando ia à Ceasa buscar alimentos no lixo. “Era tão sofrido ficar debaixo do sol, com fome e sede procurando comida...”, diz. De lá para cá, muita coisa mudou, ela descobriu o Cooperar, tornou-se beneficiária e, há cinco anos, também é voluntária. “Quando entrei no projeto, fiquei forte. Percebi que as pessoas podem mudar o mundo se quiserem e, por isso, me tornei voluntária’’. O projeto Cooperar é estruturado para atender até 20 famílias, diariamente. Os voluntários visitam os boxes para recolher alimentos doados pelos cooperados e os levam à sede do projeto. Lá, outros voluntários separam e higienizam as frutas, verduras e legumes, montando as cestas para serem distribuídas. Segundo a coordenadora do projeto, Katilene Moraes, os voluntários ajudam e também são ajudados. É uma rede de cooperação que beneficia a todos. “Cada pessoa aqui tem uma carência, que não é só financeira, e o trabalho também funciona como uma terapia. Já tivemos voluntários com início de depressão, que encontraram no Cooperar

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Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas – em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças –, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano. ODS 2. Meta 2.1 - Dados oficiais divulgados pela ONU

um incentivo para desenvolver uma nova atividade, conversar e fazer amigos.” diz Katilene. No Maranhão, um dos estados com maior índice de pobreza do país, iniciativas como a do projeto Cooperar são fundamentais para proteger a população mais vulnerável

#vemcooperar


e erradicar a fome. Juntamente com empresas alimentícias locais, o Cooperar é parceiro do recém-lançado Banco de Alimentos de São Luís, que vai distribuir alimentos in natura e processados a entidades e pessoas ameaçadas pela fome. Raimunda Braga, dona de casa, conheceu o projeto por meio de uma amiga e valoriza o apoio recebido, já que o orçamento familiar é sempre apertado. “É uma ajuda maravilhosa! Lá em casa somos eu, minha filha e quatro netos. Então, eu economizo o dinheiro que iria gastar na feira e compro outras coisas de que meus netos precisam.”

#vemcooperar

ODS 2. Meta 2.c Dados oficiais divulgados pela ONU

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Milton Gadelha, atual presidente da Cohortifrut, diz que sempre se preocupou em ajudar o próximo e, ao observar as sobras de alimentos que não eram vendidos e as famílias que buscavam restos de legumes, frutas e verduras no lixo, teve a ideia de criar o projeto Cooperar. “Aprendi desde pequeno, na minha casa, que comida não se estraga e que quem tem fome tem pressa. Então, atender a estas famílias é uma alegria incrível. Somos um grupo ainda pequeno, mas que contribui para alcançar a segurança alimentar de muitas famílias”, afirma Milton. •

Adotar medidas para garantir o funcionamento adequado dos mercados de commodities de alimentos e seus derivados, e facilitar o acesso oportuno à informação de mercado, inclusive sobre as reservas de alimentos, a fim de ajudar a limitar a volatilidade extrema dos preços dos alimentos.

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Saúde e Bem-estar

Foto cedida pelo Sicoob

Cooperativas promovem saúde de ponta

O espaço de Pediatria do Hospital Domingos Martins, após reforma

Pessoas em situação de vulnerabilidade contam com serviços importantes para uma vida mais tranquila em município

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spírito Santo - Desde 2015, o Sicoob de Domingos Martins/ES, a Cooperativa de Transportes Serra Verde (Coop-Serve) e a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram) “adotam” a ala pediátrica do Hospital e Maternidade Dr. Arthur Gerhardt, de Domingos Martins, região serrana do estado. As cooperativas desenvolvem no hospital o projeto Saúde em Ação e entre as iniciativas já realizadas estão reformas e melhorias no espaço infantil, além de um acompanhamento quinzenal, visando apoiar o atendimento médico de qualidade para mais de mil crianças. #vemcooperar


Wilma Barth, gerente de agência do Sicoob e uma das gestoras do projeto, considera que a a maior conquista é contar com novos voluntários a cada ano. ‘‘Tudo começou quando visitamos a ala da pediatria e percebemos a situação difícil em que se encontrava. Em pouco tempo reunimos cooperados, arregaçamos as mangas e o trabalho começou. Ainda há muito o que ser feito, mas nossa meta é conquistar mais voluntários para continuarmos a fazer cada vez mais’’, comenta Wilma. Além da reforma da pediatria, a ala de tratamento infantil ganhou novas cores, o estacionamento na frente do hospital foi aumentado e o espaço de convivência, restaurado. “Desde as reformas, os pacientes atendidos na enfermaria têm demostrado mais vontade de viver. Essas crianças se

sentem acolhidas quando estão em um espaço preparado para elas. Isso significa muito para nós. A medicina comprova que as chances de recuperação são maiores quando você coloca um sorriso no rosto do paciente”, comenta Marcelo Coutinho, superintendente do hospital. Uma das beneficiárias é Cleonice Bandeira, mãe de um bebê de oito meses que ficou internado várias semanas no hospital. “A reforma evitou que eu levasse meu filho a outra cidade. Aqui, agora ele tem o que precisa não apenas em atendimento, mas também em acolhimento. Anos atrás isso seria’’impossível’’, conta Cleonice, satisfeita.

Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades. Objetivo 3. Dados oficiais divulgados pela ONU

E as obras não param por aí. Em 2018, as cooperativas se preparam para trocar a iluminação e os leitos da ala pediátrica.

Há 20 anos, a Uniodonto Goiânia leva sorrisos a crianças carentes

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oiás - O projeto Sorriso leva preven-

ção e manutenção da saúde dentária gratuitamente a crianças, adultos e idosos há 20 anos, e envolve ainda a orientação para práticas saudáveis e a doação de kits de higiene. Segundo Karla Rúbia, dentista cooperada da Uniodonto Goiânia, o projeto é fundamental para promover a inclusão. “Dificilmente as pessoas beneficiadas teriam acesso a informações e serviços como esses se não fosse o trabalho voluntário. São famílias que, muitas vezes, compartilham o uso de uma única escova de dentes”, rela-

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ta. A iniciativa já beneficiou mais de 100 mil pessoas ao longo de sua trajetória. Viviane Miguel, coordenadora de Odontologia Preventiva da Uniodonto Goiânia, lembra que o atendimento beneficia principalmente comunidades e municípios de difícil acesso, onde a disponibilidade a serviços odontológico é menor. “Encontramos, nessas duas décadas, um índice alto, principalmente de crianças, que precisam de tratamento. De cada dez crianças beneficiadas pelo projeto, pelo menos oito precisam de tratamento intensivo e ficam conosco até

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que todo o procedimento seja realizado”, comenta.

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Apenas em um ano, 2016, o projeto Sorriso realizou 67 ações que beneficiaram cerca de 9.800 pessoas, de todas as faixas etárias. Em 2017, só no primeiro semestre foram atendidas mais de 3.500 pessoas. João Paulo Alves, dentista voluntário da iniciativa, relata a experiência: “O que nos motiva é garantir acesso à saúde bucal para quem não pode pagar por isso e não o consegue via serviço público. Estar aqui é dedicar algumas horas a quem precisa de cuidados médicos. Sorriso é coisa séria e aumentar o número de pessoas atendidas prova a importância das nossas ações continuadas”.

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ernambuco – A Unimed Recife garante, há oito anos, o atendimento em saúde para as crianças e adolescentes da Organização Não Governamental Orquestra Criança Cidadã. A cooperativa oferece, entre outras especialidades, atenção em Pediatria, Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, além de assistência odontológica. Maria de Lourdes Araújo, presidente da cooperativa, observa que “o objetivo do cooperativismo é ajudar na construção da felicidade das pessoas. É evidente que um projeto como este apoia muita gente na superação de dificuldades e faz com que todos se sintam verdadeiramente abraçados’’, relata.

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Voluntário do projeto Sorriso auxilia criança na escovação correta

Atingir a cobertura universal de saúde, incluindo a proteção do risco financeiro, o acesso a serviços de saúde essenciais de qualidade e o acesso a medicamentos e vacinas essenciais seguros, eficazes, de qualidade e a preços acessíveis para todos. ODS 3. Meta 3.8. Dados oficiais divulgados pela ONU

#vemcooperar


Para o regente Edoque Souza, que atua há sete anos como professor na ONG, “a importância desse suporte é imensa quando falamos em sociabilização e profissionalização, pois a cooperativa assegura a saúde completa dos jovens. Já tivemos alunos que precisaram passar por cirurgias que não conseguiriam custear se tivessem que pagar por conta própria”, afirma. A Orquestra Criança Cidadã tem um vasto histórico, incluindo performances diante de personalidades como o papa Francisco.

o tratamento. Desde casos mais simples, como as cáries, até complicações na formação, que podem implicar em cirurgias”. E o intuito é continuar. Como o Lar de amparo às vítimas é rotativo, as crianças passam pouco tempo no local e há sempre um novo trabalho para proporcionar novos sorrisos. “É notável a mudança. Logo depois dos tratamentos e das orientações, é possível ver nos olhos das crianças uma ponta de esperança”, finaliza a presidente. •

M ato Grosso do Sul

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adã Cid ça ian Cr ra st

- a Uniodonto Dourados mostra um exemplo de responsabilidade social para a promoção da saúde. A cooperativa realiza, na capital sul-mato-grossense, o projeto Sorriso Feliz. Os voluntários atuam no amparo de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, atendidas no Lar Ebenézer. A parceria surgiu logo após uma ação pontual, em que a cooperativa percebeu a oportunidade de criar um projeto perene em prol da comunidade. Desde então, os atendimentos regulares e o acompanhamento são feitos nos consultórios dos cooperados. Segundo a presidente da Uniodonto Dourados, Sandra Araújo, inicialmente, foram feitos exames para identificar a prioridade de cada atendido. “As crianças recebem todo

Para garantir que as crianças e adolescentes da Orquestra Cidadã possam ter uma vida saudável, a Unimed Recife tem custeado planos de saúde para todos os jovens músicos #vemcooperar

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Educação de Qualidade

Cooperativas apostam no ensino para mudar vidas Paulo Fonseca

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Criança em atendimento no projeto Sicoob de Olho no Futuro

Bolsas de estudo, acompanhamento especial em escolas parceiras e exames oftalmológicos estão entre os projetos que promovem oportunidades na fase escolar

M inas Gerais -

Olhar para a lousa e não conseguir enxergar o que estava escrito era a realidade de muitos alunos do município de Carlos Chagas, em Minas Gerais. Com o baixo rendimento escolar, as dúvidas dos familiares aumentavam e mesmo com acompanhamento, os estudantes continuavam apresentando dificuldades. Isso chamou a atenção de cooperados do Sicoob Carlos Chagas, que decidiram trocar a festa de 25 anos da cooperativa por uma ação social de grande impacto. Foi assim que surgiu o projeto Sicoob de Olho no Futuro, idealizado entre a cooperativa de crédito e as Secretarias Municipal e Estadu-

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#vemcooperar


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al de Saúde, e que proporciona exames oftalmológicos gratuitos para alunos da rede pública, com até dez anos de idade.

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O projeto já superou 1.400 crianças atendidas. Desse total, cerca de 300 foram encaminhadas para consultas com especialistas e 84 receberam óculos doados pelo Sicoob.

Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e profissionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo. ODS 4. Meta 4.4 Dados oficiais divulgados pela ONU

A iniciativa foi tão bem recebida que o projeto ganhou ampliação para outros cinco municípios da região. Marilia Coutinho, coordenadora do Sicoob de Olho no Futuro, explica que as ações realizadas beneficiaram famílias sem recursos para garantir o tratamento das crianças. “Havia casos de meninos que já usavam óculos há muito tempo, o grau aumentou, mas os pais não tinham condições de comprar lentes novas. Nossa meta é alcançar mais cinco mil crianças nos próximos meses”, afirma. O projeto também alcançou as crianças da aldeia Maxacali, no município de Bertópolis, a 654 km da capital mineira, Belo Horizonte. Foram 297 índios atendidos e todos aqueles que necessitaram de óculos e acompanhamento oftalmológico tiveram o encaminhamento adequado.

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Criança da aldeia indígena Maxacali recebendo cuidados oftalmológicos

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istrito Federal -

João Felipe Fernandes, 16 anos, cursa o 2o ano do Ensino Médio e teve seu contato inicial com a língua inglesa nas aulas regulares da escola. Porém, isso nunca foi suficiente para que João realmente aprendesse a escrever e falar inglês além do nível básico. E a renda de sua família não permitia que ele pagasse um curso particular. Foi então que sua mãe encontrou, na internet, a oportunidade de alavancar os conhecimentos do filho. Ela entrou no site da Cooperativa de Ensino de Língua Estrangeira Moderna (Cooplem Idiomas) e percebeu que João Felipe se encaixava no edital do programa de bolsas de estudo de inglês para alunos carentes. João foi um dos alunos selecionados para a primeira turma do programa e, apesar de ainda não ter decidido qual profissão seguir, se destaca como um dos melhores estudantes. Sua meta é concluir o curso e realizar um intercâmbio daqui a alguns anos, para pôr em prática e aperfeiçoar seu inglês. Segundo ele, a bolsa traz a chance de um futuro profissional melhor, diferente daquilo que seus pais viveram. “Sou muito grato pela oportunidade que a Cooplem está me dando. Tenho consciência da importância de falar inglês, hoje em dia, e graças à cooperativa, esse curso vai abrir muitas portas para meu futuro profissional, independentemente da área que eu escolha”, afirma João.

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Márcia Behnke, presidente da Cooplem Idiomas, relembra o que levou a cooperativa a dar início ao programa de bolsas de estudo. “Nossa missão é tornar o mundo um local melhor. Quando garantimos o ensino para jovens que não teriam condições de arcar financeiramente com ele, mostramos que o futuro pode ser diferente e que qualquer um pode se destacar no mercado de trabalho, quando bem preparado’’.

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araíba - O cuidado com a educação dos pequenos é parte do cotidiano de diversas cooperativas paraibanas. A Cooperativa Agropecuária do Cariri (Coapecal), por exemplo, une educação ambiental e combate à evasão escolar, a partir de conceitos como reciclagem e reuso de materiais normalmente descartados. A cooperativa apoia quatro escolas (uma em Barra de Santana, uma em Caturité e duas no Boqueirão), com quase 400 crianças e dezenas de professores envolvidos. “Temos muito orgulho do que fazemos por aqui. Já tivemos crianças premiadas no Prêmio de Redação realizado pelo Sescoop Nacional e, durante dois anos, fomos até Brasília receber o prêmio de Honra ao Mérito por nosso trabalho aqui no Cariri”, narra, entusiasmada, Andrea Carolina, cooperada da Coapecal.

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Dineide Cabral, mãe de um aluno do Boqueirão, comenta que o filho tinha dificuldades na aprendizagem e, graças ao projeto, já participa das atividades em grupo com maior concentração. ‘‘A partir da produção de brinquedos com material reciclado, o Manoel já ensina a todos o que pode e o que não pode ser jogado fora. Ele tem consciência de que preservar é importante para todos e isso me enche de orgulho’’, afirma. Da ys e

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O programa abre inscrições, via edital, para adolescentes do Distrito Federal a partir de 15 anos de idade, que comprovem baixa renda familiar. Ao final do processo, 18 alunos são selecionados para montar uma turma nova de nível básico e recebem o material didático, doado pela Editora Oxford. Todos os professores que participam do programa são voluntários e as aulas são ministradas em Ceilândia, região administrativa do DF.

Cooperativismo estimula a preservação do meio ambiente e o combate à evasão escolar na Paraíba

Até 2030, eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profissional para os mais vulneráveis, incluindo as pessoas com deficiência, povos indígenas e as crianças em situação de vulnerabilidade. ODS 4. META 4.5 Dados oficiais divulgados pela ONU

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O jovem Alex Santos, 21 anos, tem uma rotina agitada. Ele mora em Aracaju (SE), trabalha como técnico de segurança eletrônica e está se preparando para ingressar no Ensino Superior. Mas o destino de Alex poderia ter um rumo diferente – e talvez menos feliz –, se, há seis anos, ele não tivesse vivenciado uma experiência que mudaria a sua vida. Alex foi uma das muitas crianças e adolescentes que passaram pelo projeto Amiguinhos – Educação, Cidadania e Inclusão Social. O programa existe desde 2004 no con#vemcooperar


junto Almirante Tamandaré, região da capital sergipana conhecida pelos altos índices de violência, e conta com o apoio das cooperativas Unimed Sergipe e do Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi Aracaju. Semanalmente, a Unimed mobiliza uma assistente social para realizar intervenções na comunidade por meio de entrevistas, diagnóstico social, acompanhamento individual e em grupo, palestras, oficinas e dinâmicas. A cooperativa oferece, ainda, uniformes para os alunos, monitores, voluntários e coordenadores do projeto.

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#vemcooperar

Com o tempo, o número de assistidos foi aumentando e os agentes da polícia que iniciaram as atividades na região perceberam a necessidade de selar parcerias com outros setores da sociedade, com foco na educação, cidadania e prevenção primária para a continuidade das ações. •

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Já a cooperativa Sicredi Aracaju, que atua no ramo de serviços de crédito, está lado a lado com o Amiguinhos desde 2015, repassando recursos financeiros e materiais. A cooperativa também fornece suporte administrativo e financeiro para a promoção dos eventos do projeto. O diretor presidente do Sicredi, Jorge Vianna, acredita que o apoio da cooperativa vem possibilitando uma série de melhorias estruturais no Amiguinhos, como a ampliação da capacidade de atendimento e a inclusão de novas atividades socioeducativas. “Enquanto cooperativista, entendo que as pessoas são a essência e

Segundo Rosemary Carvalho, presidente do Instituto Amigos da Inclusão Social, que coordena o projeto, a iniciativa surgiu quando crianças da comunidade procuraram por agentes da Polícia Comunitária em busca de ajuda para as lições da escola. Os policiais perceberam a necessidade de oferecer um apoio maior, além da assistência primária. “Essa comunidade é classificada como uma região de risco e os pequenos vivem em situação de vulnerabilidade. Muitos pais, inclusive, estão envolvidos com drogas e prostituição. A proposta foi trazer reforço escolar para as crianças nos turnos em que elas não estivessem em aula. Quanto menos elas ficam nas ruas, menos contato têm com os focos de marginalidade”, conta Rosemary.

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A diretora presidente da Unimed Sergipe, Denise Tavares, orgulha-se em lembrar que a Polícia Militar, por meio de levantamento realizado entre 2010 e 2014 pela central do Disque Denúncia, não registrou ato infracional na área de atuação do projeto. “Conquistamos resultados que nos enchem de orgulho; há assistidos pelo projeto que hoje estão cursando o Ensino Superior ou servindo ao Exército. É gratificante saber que cooperamos para melhorar a vida dessas crianças e adolescentes em situação de pobreza e risco social”, explica Denise.

o verdadeiro valor das cooperativas. Compreender, solidarizar-nos e despender esforços para minimizar as desigualdades sociais é a nossa obrigação como cooperativas e como cidadãos, cooperando para construir, juntos, um futuro melhor”, acredita Vianna.

Alunos do projeto Amiguinhos na Celebração do Dia de Cooperar, em Sergipe

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Igualdade de Gênero

Bruno Lopes

Do lixo ao reconhecimento

Evelin Marcele, presidente da CoopFuturo

Presidente de cooperativa carioca de reciclagem de lixo ganha prêmio da ONU de melhor gestão e empoderamento feminino

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io de Janeiro - Oportunidade que veio do lixo. É assim que a ex-catadora Evelin de Brito, 39 anos, analisa o rumo que sua vida tomou. Ela vivia abaixo da linha da pobreza, alimentando-se de restos de comida descartados dos galpões do Mercado São Sebastião, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Um dia, sua mãe, que criava duas filhas por ali, descobriu que poderia tirar algo mais do lugar. E foi desse “algo mais” que Evelin construiu uma nova vida e ajudou a mudar a vida de tantas outras pessoas. Hoje, ela é exemplo

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#vemcooperar


de superação e empoderamento não só para os 43 associados que fazem parte da CoopFuturo, cooperativa de reciclagem de lixo que Evelin criou, mas também para a ONU. Recentemente, Evelin ganhou um prêmio da ONU Mulheres, entidade que incentiva o empoderamento e a gestão feminina em cooperativas. A conquista do prêmio começou com uma visita de integrantes da ONU Mulheres ao Rio de Janeiro, para visitar diversas cooperativas. Eles conversaram com os cooperados e também com os gestores para saber o tipo de gestão da entidade. ‘’Não foi apenas a Evelin que conquistou o prêmio. Foi o grupo todo. Sem eles não haveria CoopFuturo, não haveria gestão”, conta a fundadora, que complementa: “todos os dias faço meu melhor para realizar um trabalho de qualidade, que represente a diferença na vida das pessoas. Pratico uma gestão democrática, aberta e que gera confiança. Isso faz com que eles acreditem em mim à frente do projeto e, como consequência, as coisas boas vêm para todos”. Mãe de uma técnica de enfermagem pediátrica de 24 anos, de um judoca e estudante de Gastronomia de 17 anos, e de um rapazinho de oito anos, que ela adotou ainda bebê, Evelin diz que se sente vitoriosa com as conquistas até aqui, mas que ainda há muito a fazer. Agora, ela quer disseminar sua forma de gestão e acredita que o prêmio significa uma nova porta aberta. Ela sonha alto: quer fazer palestras em empresas e cooperativas. “O prêmio vai nos dar a oportunidade de fazer com que mais pessoas entendam como uma mulher consegue coordenar 43 cooperados com sucesso. Como é trabalhar com 190 toneladas de material reciclável

#vemcooperar

Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública. ODS 5. Meta 5.5 Dados oficiais divulgados pela ONU

por mês, investir no desenvolvimento de novos produtos, correr atrás de compradores e conseguir garantir remuneração justa para cada cooperado”. A CoopFuturo trabalha com o material da coleta seletiva da Companhia de Lixo Urbano (Comlurb), mas também firmou parceria com diversas entidades do Rio de Janeiro. “São 190 toneladas por mês que deixam de ser despejadas em aterros sanitários. Isso economiza energia e matéria prima. Gera trabalho, renda e dignidade para quem está com a gente”, comemora Evelin. Recebemos toneladas de materiais que, após selecionados, seguem para a linha de produção. Atualmente, a cooperativa fabrica vassouras com garrafas pet, bijuterias de madeira e coco, sofás de pallets, pufes de pneus, entre outras peças, de acordo com a demanda de clientes. •

Realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso à propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, serviços financeiros, herança e os recursos naturais, de acordo com as leis nacionais. ODS 5. Meta 5.a Dados oficiais divulgados pela ONU

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Água Potável e Saneamento

Jornal Fato Novo. Foto cedida pela CERTAJA

Gestão eficiente da água para assegurar o consumo

Representantes da cooperativa Certaja Desenvolvimento exibem lixo retirado do Rio Taquari

Cooperativas mudam vidas ao promover projetos de cuidado em margens de rios

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O gráfico João Rolim, 64 anos, nasceu e cresceu nas proximidades do Rio Taquari, que banha dez municípios da região. Motivado pelas boas lembranças de sua infância na cidade de Taquari, às margens do rio, e cansado de tanta poluição à sua volta, há cerca de 30 anos fundou a Patrulha Ecológica, cujo principal objetivo é realizar a limpeza e preservar o local. “Eu não aguentava mais ver o rio morrendo a

#vemcooperar


Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente. ODS 6. Meta 6.3 Dados oficiais divulgados pela ONU

cada dia que passava. Foi então que decidi fazer algo para mudar aquela realidade”, conta. O grupo, formado por voluntários, realiza mutirões de limpeza e conta com o apoio de empresas, instituições e também da comunidade. É nesta história de luta pela vida do Rio Taquari, que a cooperativa Certaja Desenvolvimento entra em cena. O trabalho coordenado pela Patrulha Ecológica passou a fazer parte da Semana Interna de Meio Ambiente da Cooperativa em 2010 e foi incorporada ao Dia C – Dia de Cooperar, cinco anos depois. Leandro Vargas, engenheiro ambiental da Certaja, diz que a proposta é trabalhar com a comunidade taquariense evidenciando a importância das águas do rio para o município. “O objetivo é executar a responsabilidade social, colocando em prática os valores e princípios cooperativistas por meio de ações voluntárias. Precisamos nos conscientizar sobre este assunto tão importante para nós, evitando jogar lixo nas margens”, reforça. A Bacia Hidrográfica Taquari-Antas está localizada no Nordeste do Rio Grande do Sul e é responsável pelo abastecimento público e industrial da região, além de irrigação, geração de energia, recebimento de esgoto do-

#vemcooperar

méstico, pesca, lazer, drenagem e suporte à pecuária. É, também, um importante meio de transporte. “Como bom taquariense, ainda tenho o sonho de poder ver um rio com águas limpas e peixes dourados, como antigamente. Por isso, sigo firme e forte nessa luta”, afirma João Rolim. Mesmo sabendo de todas as dificuldades para que seu sonho se realize, uma das principais preocupações do voluntário é não deixar que o Rio Taquari se torne totalmente poluído, como já aconteceu com outros rios no estado. Segundo ele, desde que os mutirões começaram a ser realizados, a poluição das águas do Taquari e suas margens foi reduzida consideravelmente.

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Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos. ODS 6. Meta 6.6 Dados retirados do documento oficial da ONU

Ainda no Sul do país, duas outras cooperativas se destacam pela preocupação com o meio ambiente. Em Meleiro (SC), o projeto Nilo: Águas Limpas busca a recuperação e preservação ambiental do Rio Manoel Alves. O trabalho de pesquisa, descontaminação e reflorestamento ocorre em parceria com multinacionais, instituições

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elas, o controle da erosão do solo por meio de estruturas físicas e barreiras vegetais de contenção, e a minimização de contaminação química e biológica para evitar as perdas de água pela transpiração das plantas. “Este projeto tem o objetivo de sensibilizar as pessoas sobre a importância de proteger as nascentes e as áreas ambientais degradadas, por meio do isolamento e do plantio de árvores”, narra Wolni José Walter, presidente do Sicoob Credija. “O cooperativismo tem na sua essência o compromisso com a sustentabilidade e a sobrevivência das pessoas”, conclui. •

governamentais e escolas parceiras das cooperativas. “Temos o objetivo de contribuir para o reflorestamento da mata ciliar do rio e essas parcerias conquistadas possibilitam educar a população e destacar a necessidade de preservação e respeito ao meio ambiente” observa Arlindo Manenti, presidente da Cooperativa Regional Agropecuária do Sul Catarinense (Coopersulca).

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Já nas cidades de Jacinto Machado, Morro da Fumaça, Sombrio, Praia Grande e Santa Rosa do Sul, também em Santa Catarina, as áreas ambientais degradadas e nascentes de rios vêm sendo as principais beneficiadas pelo projeto ambiental desenvolvido pelo Sicoob Credija. Em seu primeiro ano, a iniciativa já realizou a distribuição e o replantio de mais de 20 mil mudas. O trabalho também inclui ações de recuperação e conservação de nascentes. Entre

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Sicoob Credija incentiva que crianças da região também realizem o plantio de árvores nativas

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Energia Limpa e Acessível

Foto cedida pela Coober

Cooperativa no Pará incentiva população a produzir energia renovável

Microusina da Coober

Cooperativa é a primeira no Brasil a se especializar em energia renovável #vemcooperar

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oi com o propósito de conscientizar a população de Paragominas, a 30 km de Belém, capital do Pará, que nasceu a Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (Coober), em 2016. O que motivou a criação da cooperativa foi fazer com que o local produzisse sua própria energia elétrica, de

fonte limpa, sem agredir à natureza. A micro usina solar nasceu após uma viagem de Raphael Vale, presidente da cooperativa, à Alemanha, junto com outros cooperados. Lá eles puderam conhecer como funcionam as usinas de energia renovável e voltaram ao Brasil com o intuito de implantar o projeto.

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Até 2030, aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global. ODS 7. Meta 7.7 Dados oficiais divulgados pela ONU

‘‘Utilizamos o que aprendemos na viagem como referência para aplicar aqui no Brasil. Há mais de 800 cooperativas de energia funcionando na Alemanha e, dessas, cerca de 700 são de energia renovável. Com isso, pudemos ver que, apesar das dificuldades, era realmente possível desenvolver uma cooperativa como essa no Norte do Brasil. E fizemos isso”, comemora Vale. Segundo o presidente da Coober, “fazer as pessoas quererem consumir energia limpa sempre foi nosso objetivo. A partir desse desejo, colocamos o projeto em prática, começamos a divulgá-lo na região e estamos tendo boa receptividade”, comenta. A Coober é a primeira cooperativa de energia renovável do Brasil e seu trabalho vem obtendo destaque em âmbito nacional. O que atesta esse reconhecimento são os conFo to c

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Representantes da cooperativa exibem uma das placas de energia solar fotovoltaica

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vites que os cooperados têm recebido para falar da usina em vários estados. “A cooperativa já instalou 288 placas fotovoltaicas e produz mais de 10 mil kW/h por mês. Toda a energia gerada pela Coober é injetada no sistema Centrais Elétricas do Pará (Celpa). Os cooperados ganham descontos em suas contas mensais. A proposta é incentivar a população a produzir sua própria energia renovável, gerar benefícios no valor da conta e não prejudicar o meio ambiente.

Até 2030, reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisa e a tecnologias de energia limpa, incluindo energias renováveis, eficiência energética e tecnologias de combustíveis fósseis avançadas e mais limpas, e promover o investimento em infraestrutura de energia e em tecnologias de energia limpa. ODS 7. Meta 7.a Dados oficiais divulgados pela ONU

Desde a criação, a cooperativa tem apoio da Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV) e trabalha em parceria com o Ministério das Cidades (por meio do programa Probiogás) e da agência alemã para cooperação e desenvolvimento (GIZ), além de contar com o respaldo do Governo do Estado do Pará e da Prefeitura Municipal de Paragominas. •

#vemcooperar


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Trabalho decente e crescimento econômico

Gilberto Carvalho

Proteção social para pôr fim ao trabalho infantil

Crianças se divertem durante a celebração do Dia C em Rio Branco (AC)

Cooperativa apoia projeto que mantém crianças em segurança para que pais possam trabalhar

#vemcooperar

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Promover o crescimento econômico de forma inclusiva vai muito além de simplesmente oferecer empregos com condições dignas de trabalho. Essa missão também traz a responsabilidade de não permitir que crianças e adolescentes sejam condicionados ao trabalho infantil. De acordo com esse objetivo, as cooperativas do Acre desenvolveram um projeto que vem permitindo que mais de 150 crianças do estado

tenham abrigo enquanto os pais trabalham. Desde 2015, o Sicoob Credisul/Rio Branco incentiva seus funcionários a contribuírem com uma porcentagem do salário para que famílias que não podem arcar com custos de educação e de creches possam contar com um espaço destinado às crianças. Desta forma, os pequenos contam com um abrigo saudável, que atende às suas necessidades no período de trabalho dos pais. Dia de Cooperar 2017

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Tudo começou quando Solange Lins, delegada do Sicoob Credisul, realizou uma visita à creche Pequena Thayslla Jairine Lopes, que coincidentemente estava passando por um momento delicado. A instituição vinha funcionando na sala da casa da professora Maria José Lopes e atendia cerca de 30 crianças, filhos de empregadas domésticas e de mulheres em situação de risco. Ao perceber o desespero da professora por não ter comida para todos, Solange se comoveu. “Ela estava muito abatida, sem saber como continuar a manter o espaço. Naquele momento me lembrei do desejo da cooperativa, de apoiar um projeto desse tipo e saí de lá com a meta de levar todos para conhecerem as crianças e o espaço’’, comenta Solange.

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ODS 8. Meta 8.7 Dados oficiais divulgados pela ONU

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A pequena sala na casa de dona Mazé hoje é uma creche moderna, com vários cômodos. Com as melhorias e a ampliação, o número de crianças matriculadas cresceu de 30 para 150. O Sicoob Credisul continua apoiando a casa por meio de voluntários, além de contribuir para a alimentação das crianças.

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O agradecimento à cooperativa vem de quem iniciou o espaço comunitário, dona Mazé, que conta como a creche começou, há 17 anos. ‘‘O nome Pequena Thayslla Jairine Lopes é uma homenagem à minha neta, que faleceu aos sete anos, vítima de um câncer. A partir daquele momento, percebi que outras crianças precisavam de apoio e então abri as portas de minha casa para que

Após as reformas e o acompanhamento das atividades da creche, o Sicoob Credisul buscou apoio da Uniodonto, para levar atendimento odontológico às crianças. Em breve, as crianças atendidas pela instituição devem começar a receber visitas semanais dos dentistas.

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Os dias foram passando, até que Solange conseguiu que todos os cooperados visitassem o local. Eles decidiram que aquela era a iniciativa que deveria receber seu apoio. “Após a visita, todos entenderam que deveríamos fazer algo e rápido! Caso o local fosse fechado, aquelas crianças iriam para as ruas e seriam forçadas a trabalhar, de alguma maneira. Além de serem expostas a situações de risco, a fome nos preocupava”. Com o apoio de cooperados e voluntários, a reforma da creche começou. Inicialmente, a estrutura do local foi refeita, um novo telhado foi instalado, veio a pintura e, então, a nova mobília.

Tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas.

mães não precisassem levar seus filhos a locais de risco’’, comenta Mazé. ‘‘O apoio da cooperativa influenciou bastante em nosso crescimento. Podemos atender mais crianças porque há estrutura, educação e comida para todos. Muitas vidas foram mudadas aqui”, celebra.

Crianças atendidas na creche Pequena Thayslla Jairine Lopes #vemcooperar


Cooperativas paulistas unem forças para alcançar ODS

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A cooperativa já repassou valores consideráveis para a Federação das Apaes do Estado de São Paulo por meio da campanha Troco do Bem, no qual os associados podem deixar o troco para a instituição. “Nosso objetivo é unir quem quer doar com uma instituição idônea”, explica Luciana Benteo, #vemcooperar

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Desde 2007, a cooperativa realiza duas vezes por semana o programa Saúde e Qualidade de Vida em 18 unidades da rede, que contando com a participação de 900 pessoas. A Coop tem ainda um ciclo de palestras gratuitas para cooperados e não cooperados com oficinas e cursos de culinária, artesanato, qualidade e beleza que possibilitam o aprendizado, além da oportunidade de gerar renda com novos conhecimentos. Já o programa Escola vai à Coop promove visita de alunos de escolas públicas e particulares, orientando o futuro consumidor sobre consumo consciente, cooperativismo e alimentação saudável.

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A semente dos objetivos preconizados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável também se multiplica entre as cooperativas paulistas. Os projetos idealizados no estado contribuem para a preservação do meio ambiente, para o desenvolvimento econômico sustentável e para a melhoria da qualidade de vida da população. A maior cooperativa de consumo da América, a Coop, mantém ações constantes nas 40 unidades de supermercados, 12 drogarias de rua e três postos de combustível em dez municípios paulistas onde está presente. Projetos se dividem entre ações de saúde, educação e geração de renda

analista de Responsabilidade Social da Coop. Ela revela que a cooperativa tem outras iniciativas e que a proposta é sempre buscar o desenvolvimento da comunidade: “Temos há muito tempo esses programas”, completa.

Falando em saúde, atividades comunitárias fazem parte do calendário da Unimed de Andradina, interior do estado. A cooperativa conta com vários... programas na área de medicina preventiva, como grupo de gestantes, grupo de obesidade, com oficinas e palestras. Além disso, um grupo de atenção aos portadores de diabetes recebeu uma programação especial, que começou com o Dia C. A cooperativa também atende os trabalhadores de usinas de cana de açúcar na região onde está instalada. Os colaboradores da cooperativa realizam um trabalho de orientação para esse público. “Estamos cada vez mais convergindo para alcançar os ODS”, conta Natália Celestini, secretária executiva da Unimed Andradina. • Dia de Cooperar 2017

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Conquistas do Dia C em 2017

ENGAJOU MAIS DE 120 MIL VOLUNTÁRIOS

1563 COOPERATIVAS DOS 13 RAMOS TRANSFORMARAM VIDAS

1.081 MUNICÍPIOS DE TODOS OS ESTADOS RECEBENDO AÇÕES


1231 INICIATIVAS PONTUAIS DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL 409 PROJETOS CONTINUOS TRANSFORMAM A REALIDADE DAS COMUNIDADES

MAIS DE 2 MILHÕES DE PESSOAS BENEFICIADAS


Indústria, inovação e infraestrutura

Cooperativa sul catarinense une a comunidade em projeto de impacto socioambiental Foto cedida pela Coopera

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A Coopera foi considerada pela ANEEL como tendo uma das tarifas

Com atuação no ramo infraestrutura, a Coopera realiza ações de cultura, educação e sustentabilidade

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A Cooper a ti va Pi one i r a d e E l et r i f i c a ç ã o (Coopera), com sede em Forquilhinha, no sul do estado de Santa Catarina, trabalha no ramo infraestrutura há 59 anos. Em 2017, foi considerada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) como detentora de uma das tarifas mais baratas do Brasil. Além da sede, a cooperativa atende também os municípios de Criciú-

ma e Nova Veneza. A instituição também é conhecida por se preocupar com o bem-estar da população, por meio da realização contínua de projetos e ações pautadas na responsabilidade social. Recentemente, a Coopera recebeu, pelo quarto ano consecutivo, o Prêmio de Responsabilidade Social da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc).

#vemcooperar


Desenvolver infraestrutura de qualidade, confiável, sustentável e resiliente, incluindo infraestrutura regional e transfronteiriça, para apoiar o desenvolvimento econômico e o bem-estar humano, com foco no acesso equitativo e a preços acessíveis para todos. ODS 9. Meta 9.1 Dados oficiais divulgados pela ONU

Um dos projetos mais consolidados da cooperativa é o Cooperação em Rede, como explica Josimar Jacques, coordenadora de cooperativismo da Coopera. “É com esse projeto que conseguimos juntar, em média, 300 pessoas por reunião. Contamos com apoio de escolas e associações de moradores para a realização de workshops e eventos. O objetivo é intensificar as atividades voltadas à cooperação e ao voluntariado na região. Além disso, é uma forma de mostrar ao cooperado e à população a importância de unir cooperativa e comunidade em uma só agenda”, comenta.

Em 2018, a Coopera pretende selecionar mais projetos concebidos durantes as reuniões e colocá-los em prática. O foco também será na mobilização pela internet. A ideia é que, por meio do site da cooperativa, as pessoas possam dar sugestões de ações, cadastrando-as no portal. Assim, quem não pode comparecer às reuniões também participa e contribui com o projeto. •

Aumentar o acesso das pequenas indústrias e outras empresas, particularmente em países em desenvolvimento, aos serviços financeiros, incluindo crédito acessível e sua integração em cadeias de valor e mercados ODS 9. Meta 9.3 - Dados oficiais divulgados pela ONU Fo to

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Com essa iniciativa, a cooperativa tem mobilizado jovens e adultos e conseguido implantar seu principal objetivo, ensinar os princípios e valores do cooperativismo. “Com essa união, podemos ver todos trabalhando e se mobilizando. Cada vez mais os cooperados se tornam voluntários. A comunidade tem despertado o interesse em saber mais sobre o cooperativismo. Acredito que estamos conseguindo ensinar os nossos princípios para eles”, finaliza Josimar Jacques.

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No Cooperação em Rede, a participação popular é muito importante. As reuniões são realizadas de acordo com a necessidade local e todos podem dar sugestões de ações em prol da comunidade. Três projetos nascidos nestes encontros estão sendo executados atualmente. O primeiro, GT Educação, realiza encontros para debater sobre o cenário educacional da região. O Catavento Coletivo Cultural leva atividades didáticas como teatro, cinema, pintura, a pontos estratégicos da Forquilhinha. Já o Artérias Verdes trabalha para recuperar as matas ciliares do município.

“Geralmente, os encontros têm duração de dois dias. Dessa forma, todos podem dar suas sugestões e podemos discutir maneiras para implementá-las”, complementa Josimar. Segundo ela, os grupos de trabalho que já existem estão percebendo uma grande aceitação e participação popular.

Em 2018, a Coopera pretende selecionar mais projetos concebidos durante o Cooperação em Rede Dia de Cooperar 2017

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Redução das desigualdades

Foto cedida pela time Os Tigres

Sorrisos de gratidão: paratletas recebem tratamento odontológico gratuito

Time de basquete Os Tigres possui integrantes entre 18 e 49 anos

Projetos de inclusão social reduzem as diferenças sociais

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io Grande do Norte - Há mais de seis anos, as vidas de diversos paratletas de Natal foram mudadas com apoio da Uniodonto Natal. Os integrantes do Clube de Basquete Paraolímpico Os Tigres recebem, com apoio da cooperativa, serviços de odontologia especializada e personalizada para atletas e comissão técnica da

equipe. Atualmente, os jogadores disputam a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Basquete em Cadeira de Rodas. A parceria da cooperativa com a equipe teve início em janeiro de 2012, inicialmente com 13 paratletas, todos inscritos em um plano da cooperativa sem nenhum custo e sem

#vemcooperar


limite para utilização. “Nosso compromisso é resgatar o sorriso. Poder oferecer a esses paratletas uma saúde bucal de qualidade, pois o time é formado por pessoas de baixa renda, que não apresentam condições de pagar um tratamento ou algum plano odontológico”, conta Otomar da Cunha, presidente da Uniodonto Natal. A responsabilidade social, para a cooperativa, vai muito além dos tratamentos realizados dentro dos consultórios. Otomar acredita que o sentimento nutrido a cada atendimento é um combustível que alegra e impulsiona a equipe da cooperativa a continuar agindo em prol da redução de desigualdades “Temos a oportunidade de reduzir o sofrimento e ajudar quem necessita. Os dentistas e colaboradores fazem parte da preparação pessoal de cada paratleta. É essa alegria que faz a vida ser diferente e melhor’’, completa. O time é composto por paratletas de 18 a 48 anos e trabalha ,desde sua fundação, em 2010,com inclusão social de pessoas com deficiência no aparelho locomotor desde a sua fundação, em 2010. Homens amputados, com lesão medular e encurtamento de perna devido à algum acidente são exemplos de histórias que encontraram no basquete em cadeira de rodas um motivo para não ficarem parados. “Formamos um time vencedor fora das quadras, com verdadeiros guerreiros da vida. Mesmo com limitações locomotoras, buscamos sempre levantar a cabeça, dar um sorriso e seguir em frente”, relata o presidente da equipe, Diogo Braga, que já foi jogador. Atualmente, o time conta com 17 pessoas atendidas pelos serviços da Uniodonto. Para

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Diogo, a parceria com a cooperativa ilustra o quanto é benéfico poder conviver com pessoas dispostas a apoiar quem realmente precisa. “Acredito que o nosso sorriso para os dentistas é de infinita gratidão. Não só por ajudar pessoas sem condições de pagar um tratamento tão caro, mas por devolver a alegria no rosto e a vontade de viver para cada um dos paratletas e membros da equipe”, finaliza Braga.

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Na região de Santana, segunda cidade mais populosa do Estado do Amapá, a Cooperativa Dourada dos Produtores de Pescado do Município de Santana é destaque na produção de pescado. Ela realiza um projeto chamado Peixe Popular, que beneficia as famílias mais carentes das duas cidades, atingindo em média 1.500 pessoas. O programa é uma parceria da cooperativa com a Agência de Pesca do Estado do Amapá (Pescap), que cuida da parte logística e pontos de acesso. A ação conta com 30 colaboradores, acontece uma vez por mês e tem como objetivo oferecer às comunidades carentes dos municípios de Macapá e Santana acesso a um pescado de qualidade, por meio da comercialização do produto a preço de custo. Com isso, a cooperativa trabalha um mecanismo de combate à fome e à desigualdade social no estado do Amapá. Para Denei Paulista, coordenador Administrativo da cooperativa, o projeto significa muito mais do que apenas vender; é uma forma de combater fatores que afligem a população carente. “Não só com o projeto, mas com o trabalho que fazemos conse-

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Professora Elizete Alves e sua aluna Kessyla Alves

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oraima – Na tríplice fronteira Brasil/Venezuela/Guiana encontramos a pequena bailarina indígena Kessyla Alves, 12 anos. Desde cedo ela foi incentivada a participar do projeto de balé oferecido pela Cooperativa de Transporte Alternativo do Município de Bonfim (Coopbon). O modo desajeitado da pequena bailarina, que começou aos oito anos, trans-

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Denei também revela que, com a movimentação e comercialização de pescados, a cooperativa gera emprego e renda e aquece o mercado de Santana e Macapá. “Com o projeto, nossa cooperativa oferece emprego e oportunidade a muitas famílias. Algumas ficam em embarcações de pesca, outras na comercialização e traslado; oportunidade não falta. Com isso, eles acabam melhorando a situação financeira e movimentam o mercado da região”, finaliza.

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guimos ajudar as pessoas que precisam. O que uma pessoa com boa condição de vida consome, as pessoas da periferia de Macapá e Santana também têm acesso, por um preço menor. Temos algumas metas dentro do que realizamos na comunidade e uma delas é combater essa diferença social”, ressalta.

Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra. ODS 10. Meta 10.1 Dados oficiais divulgados pela ONU

formou-se em dom de, quem sabe, uma futura profissional da dança. Com o apoio da Cooperativa, a menina aprendeu ginástica rítmica, acrobática, nado sincronizado, fita, arco e ainda a linguagem de sinais (Libras), o que facilita contato com crianças surdas/ mudas. Por não poder comprar os acessórios para as atividades, ganhou sapatilhas profissionais e toda a vestimenta da Coopbon. O projeto atende a cerca de 50 bailarinas, todas com sonhos que puderam ser concretizados com apoio dos voluntários. “Investimos nesse sonho, conseguimos alcançar crianças do outro lado da fronteira e temos muitos outros projetos. Isso abre a visão de mundo das

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aproximar os alunos das duas instituições e potencializar os resultados, o projeto Na diferença somos todos iguais vem se destacando, ao ajudar a despertar a consciência cidadã e fomentar o espírito cooperativista. Para isso, funcionários e professores da cooperativa decidiram realizar um programa de doações voluntárias; os valores são revertidos para auxiliar na construção da nova sede da APAE. Segundo Jorgina Chaves, diretora pedagógica, a necessidade de formar uma associação com o objetivo de atender e orientar pais e alunos com deficiência revela que as minorias ainda enfrentam muitos obstáculos no Brasil. E o projeto pode ajudar a amenizar essas diferenças. “A iniciativa pode auxiliar a reduzir as dificuldades estruturais da APAE e provocar, nas próximas gerações, a vontade de mudar esse quadro social”, comenta Jorgina.

crianças. No contexto de cidade pequena, as pessoas se casam cedo; queremos evitar isso e apostar no futuro delas”, explica a presidente da Coopbon, Edilândia Soares.

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Uma das incentivadoras de Kessyla é a paulista Elizete Alves, 54 anos, professora de balé e voluntária da Cooperativa, que viu o talento a ser trabalhado naquela pequena cunhatã (nome indígena dado às meninas), com traços indígenas e afro-brasileiros. “Com a minha experiência, ensino às crianças do projeto a dança, ginástica e Libras. Meu prazer é ver a realização desses meninos e meninas, e promover inclusão”, ressalta a professora.

Ela observa, ainda, que ações como essa são de fundamental importância na formação do educando por lhe possibilitarem uma vivência de mundo mais ampla. “O contato com pessoas diferentes busca desenvolver o respeito mútuo, a solidariedade, a cooperação, a moral, a ética e o espírito de cidadania. São características essenciais para uma vida em sociedade”, ressalta. •

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ahia - Desde 2012, a Cooperativa de Ensino da Região de Irecê (Coperil), na Bahia, desenvolve projetos em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), para promover a cooperação e a educação. Como forma de #vemcooperar

Cooperil promoveu o Dia da Conscientização do Autismo na APAE de Irecê (BA) Dia de Cooperar 2017

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Cidades e comunidades sustentáveis

Foto cedida por Unimed Sertão Central

Áreas de risco se transformam em belas praças com apoio de cooperativas

Praça mantida com o apoio de cooperativas

Reformas garantem a segurança de quem utiliza os espaços

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Ter saúde é bem mais do que realizar consultas, exames e tomar medicamentos. É conquistar qualidade de vida, formada de pedrinha em pedrinha, expandindo-se a cada muda plantada e a cada árvore regada na esperança de um mundo melhor. Por isso, a Unimed Ceará, em parceria com o Governo Municipal de Quixeramobim, no Sertão Central cearense, está ajudando a revitalizar a Via Paisagística Edmilson Correia de Vasconcelos.

A primeira parte, já concluída, apresenta um espaço renovado com três ilhas gramadas, iluminação reforçada e seis bancos para descanso. Além disso, foi feito o plantio de mudas de árvores e a ocupação de um dos canteiros, com a plantação de palmeiras Havaí, em um espaço de 596m². Ao redor das ilhas, 12 árvores de quatro espécies: ipê rosa, pau brasil, castanhola e trapiá, todas identificadas, para que os transeuntes possam conhecer melhorar a flora da região.

#vemcooperar


O objetivo central do projeto é promover a integração social entre as famílias da cidade, transformando o local em espaço com condições de alojar aulas de dança, futebol, vôlei, academia de ginástica ao ar livre, entre outras atividades. A Via Paisagística fica às margens do Rio Quixeramobim, que faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Jaguaribe e banha sete municípios: Mombaça, Piquet Carneiro, Senador Pompeu, Quixeramobim, Banabuiú, Jaguaretama e Morada Nova. Walmir Pontes, presidente da Unimed Sertão Central, afirma que a parceria é fundamental para a melhoria da qualidade de vida da população local. E que a tradição cooperativista de compromisso comunitário faz a diferença. “Minha homenagem a todos que, com carinho e dedicação, estão trabalhando para tornar nossa cidade mais bela e acolhedora. Toda grande caminhada começa com o primeiro passo. Começamos agora, e tudo depende de todos nós. Há muito que fazer ainda para tornarmos nossa cidade e nosso mundo mais humanos, sensíveis, correspondendo aos anseios da gente.”

Até 2030, proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência ODS 11. Meta 11.7 Dados oficiais divulgados pela ONU

#vemcooperar

A escritora Terezinha Oliveira, nascida em Quixeramobim, é uma das muitas pessoas beneficiadas com a revitalização do espaço. “É um ponto muito importante da cidade. Além de cartão postal é um local histórico, por onde passa o rio que deu vida à Quixeramobim. A requalificação cria uma área para a população respirar, preservar a natureza e utilizar o espaço para o bem comum, gerando a sensação de pertencimento, animando as pessoas de todas as idades”, diz.

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A partir do sonho de um jovem, a comunidade de Pedro Afonso, na região central do Tocantins, viu uma ideia se tornar um espaço público ideal para práticas saudáveis. A Praça Ecológica foi o primeiro passo do projeto Amigos do Meio Ambiente (AMA), idealizado pelo professor Fabrício de Sousa, da rede pública do município. Em 2010, em uma área que funcionava como lixão, o professor reuniu o primeiro grupo de voluntários e, anos depois, deu o pontapé inicial no projeto que se tornaria referência para todo o estado. “Por meio da mobilização popular, começamos limpando o local. Depois, passamos à arrecadação de materiais reutilizáveis, como pneus e garrafas pet. Mais tarde, arrecadamos plantas para começar o plantio na área”, lembra. O professor também foi em busca de parceiros e encontrou na Cooperativa Agroindustrial de Pedro Afonso (Coapa) apoio para o projeto. O resultado foi uma parceria que se estendeu além da Praça Ecológica e já dura sete anos. Para a agente

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de Desenvolvimento Humano da Coapa, Maria Silvana Ramos, o AMA contribui muito para o bem estar da comunidade. “O projeto tem objetivos nobres, como tirar os jovens das ruas e trabalhar noções de educação ambiental. A cooperativa se sente realizada em apoiar as causas do grupo, porque um dos nossos valores é contribuir com a comunidade em que estamos inseridos”, diz.

As cooperativas do Piauí também estão preocupadas com os espaços públicos coletivos. A Cooperativa Educacional Nova Vida (Coenv), localizada na região do Grande Dirceu, desenvolve diversas ações sociais levando em consideração os princípios do cooperativismo. Há dois anos, a Coenv adotou uma praça abandonada ao lado da escola e mudou completamente o local.

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Além de incentivar a consciência ambiental, o projeto se propõe a promover transformações sociais. As atividades de coleta e separação do material reciclável se transformam em uma alternativa de geração de renda para jovens da comunidade. João Lucas Bucar tem apenas 16 anos e, além de voluntário, é também beneficiário do AMA. “Eu e todos do grupo temos a missão de recolher o lixo, separar o material reciclável, além de cuidar da praça, já que outras pessoas precisam dela para suas atividades. Acredito que isso é realmente desenvolver a responsabilidade socioambiental. Interligar todos os conceitos de transformação para mudar tanto a vida das pessoas, como o meio ambiente.”

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Em Pedro Afonso (TO), em uma área que funcionava como lixão, a Praça Ecológica foi o primeiro passo do Projeto Amigos do Meio Ambiente (AMA)

Kátia Gomes, sócia-presidente da Coenv, destaca que a ideia trouxe excelentes resultados para quem frequenta o espaço, já que a praça atende a alunos, pais e moradores. “Além de tirarmos o lixo, uma paisagista nos ajudou a plantar flores e preservar os bambus que já existiam no lugar”, conta. A paisagem causa um grande impacto positivo: os troncos das árvores e alguns pneus foram cuidadosamente pintados pelos alunos, formando uma área ideal

#vemcooperar


para brincadeiras e para as rodas de leitura promovidas pela escola. “Hoje existe um rodízio de vizinhos que cuidam da limpeza diária da praça”, explica Kátia. Uma dessas pessoas é Iraci de Souza, moradora da comunidade há 37 anos. “Minhas filhas eram pequenas e já brincavam nessa praça quando só havia mato. Agora são os netos que se beneficiam. Gosto de levá-los para brincar de bicicleta por lá. A recuperação que a Coenv fez do espaço ajudou muito”, afirma.

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Do outro lado da cidade, no bairro Mocambinho, é a Cooperativa Educacional de Teresina, o Colégio CET, que desenvolve projetos comprometidos com o desenvolvimento socioambiental. Segundo Joseane Moreira, coordenadora da escola, quatro praças já foram adotadas pelos professores e alunos. “A gente faz a limpeza, o plantio de árvores e a coleta de lixo. Esse é só o início do projeto: queremos ainda implantar a coleta seletiva”, afirma.

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ODS 11. Meta 11.3 Dados oficiais divulgados pela ONU

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Até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e as capacidades para o planejamento e a gestão de assentamentos humanos participativos, integrados e sustentáveis, em todos os países.

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A Coenv adotou uma praça abandonada ao lado da escola e mudou completamente o local

O CET também desenvolve projetos de leitura itinerante. “Levamos livros em carrinhos de mão até a praça, para que as crianças da comunidade possam ler. É bonito ver as pessoas se aproximando quando são convidadas para ouvir as histórias. A comunidade fica surpresa”, conta Joseane. Mas a cooperativa quer mais e está se reunindo com a Associação de Moradores do Mocambinho para viabilizar a reforma do Ginásio Pato Preto, um dos principais espaços do bairro para a prática esportiva. •

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Consumo e produção responsável

Foto cedida pela Coop-Acamdaf

Tratamento de resíduos faz parte das preocupações das cooperativas

Limpeza em margens de rios

Em Manaus, voluntários reciclam materiais coletados para preservar áreas ambientais

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Duas vezes por semana, 20 voluntários da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Coop-Acamdaf) percorrem as margens da marina e do igarapé do Gigante para recolher o lixo acumulado ao redor do local. A atividade faz parte do projeto Amigos do Gigante, que apoia a preservação das margens do rio. A cooperativa ainda disponibiliza gaiolas para que o lixo recolhido seja depositado, separado e destinado a empresas de reciclagem.

Até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso. ODS 12. Meta 12.5 Dados oficiais divulgados pela ONU

Segundo Adônis de Souza, presidente da cooperativa, o objetivo do projeto vai além da limpeza. ‘‘O Amigos do Gigante funciona

#vemcooperar


Parceiro Socioambiental pelo trabalho, tornando o Amigos do Gigante um programa reconhecido também pelo Governo do Estado.

para conscientizar a comunidade local sobre a necessidade de se preservar o ambiente e, mais do que isso, de que os resíduos podem ser reciclados para benefício de todos”. Adônis conta que, depois de começar a realizar a atividade, os moradores têm se sensibilizado e contribuído. “Nosso trabalho está ganhando força. A população nos procura para oferecer ajuda. Agora é mostrar para todos que, com pequenas atitudes, é possível promover o desenvolvimento sustentável’’, finaliza. Fo to

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Propondo incentivar o consumo consciente e outras práticas sustentáveis, a Cooperativa de Transporte de Turismo Ambiental e Base Comunitária Solinegro vem realizando um projeto de reaproveitamento de óleo de cozinha. O material, procedente de 18 comunidades ribeirinhas, é transformado em sabonetes artesanais, que são vendidos na região. Com o dinheiro recolhido, diversas melhorias são feitas no município, o que beneficia cerca de 200 famílias.

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O projeto recebe suporte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) da Prefeitura de Manaus. Em 2016, a Coop-Acamdaf recebeu o Certificado de

Para expandir a arrecadação, a cooperativa pretende distribuir os recipientes aos comerciantes da região. “A intenção é fazer com que todos participem e nos ajudem a manter o meio ambiente limpo. Ensiná-los que é possível reaproveitar muitas coisas que jogamos fora e transformar locais, tornando-os mais seguros para viver”, finaliza Júlio César. •

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ODS 12. Meta 12.8 Dados oficiais divulgados pela ONU

A iniciativa surgiu em uma gincana ambiental realizada na comunidade. O objetivo da competição era incentivar as pessoas a ajudarem na limpeza das margens do Rio Negro, onde o acúmulo de lixo era grande. “Além do lixo na margem dos rios, detectamos um alto depósito de óleo em lugares inapropriados. Então, criamos um recipiente que foi distribuído entre as famílias da região, para colocarem o óleo usado e entregarem, quando cheio”, explica Júlio César.

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Até 2030, garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza.

O material recolhido é levado para a base da cooperativa, onde é feita a transformação em sabonete artesanal. A Solinegro destina os recursos arrecadados reformando casas e espaços públicos nas comunidades ribeirinhas. “Em resumo, trabalhamos para melhorar as condições de vida das pessoas e estamos conseguindo ajudar muita gente”, ressalta Júlio César dos Santos, cooperado e representante do projeto.

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Ação contra a mudança global do clima

Unimed de Lins comemora resultados da sustentabilidade

Em um ano de implementação, a Unimed Lins já mensura os resultados do programa

Cooperativa adotou a metodologia 5S para promover maior consciência dos colaboradores sobre a responsabilidade no ambiente de trabalho

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ooperar com o meio ambiente é o pensamento dos colaboradores da Unimed Lins, no estado de São Paulo, desde o final de 2016. As cinco unidades da cooperativa decidiram dar mais um passo rumo à sustentabilidade e adotaram o projeto Cooperativa Sustentável, que é um exercício dos hospitais Unimed, em todo o território nacional, promovendo a redução de desperdícios e estimulando a intercooperação. A ideia do projeto ainda é incrementada por uma filosofia japonesa, a 5S, que busca promover, na consciência e na responsabilidade dos colaboradores, disciplina, segurança e produtividade no ambiente

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#vemcooperar


de trabalho. Segundo Ana Lúcia de Andrade, gestora de Responsabilidade Socioambiental da Unimed Lins, era preciso colocar em prática esse novo pensamento dentro da cooperativa. “Quando trabalhamos em um ambiente agradável, a rotina flui de uma maneira melhor e somos estimulados a fazer o melhor em nnosso cotidiano”, explica.

Melhorar a educação, aumentar a conscientização e a capacidade humana e institucional sobre mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce da mudança do clima. ODS 13. Meta 13.3 Dados oficiais divulgados pela ONU

Em um ano de implementação, os resultados já puderam ser mensurados na Unimed de Lins. No mês de novembro, à área responsável pela sustentabilidade da cooperativa realizou uma reunião e apresentou à Diretoria da cooperativa alguns resultados. Houve redução de 16,95% no uso de copos descartáveis, 24,3 kg de cartões e/ou carteirinhas foram recolhidos e repassados à Coopersol. Para Ana Lúcia, a expectativa agora é que o projeto ganhe multiplicadores dessas ações. A gestora explica que o importante foi dar o primeiro passo, pôr a ideia em prática e depois incrementar e buscar novos avanços. “Com os resultados até o momento, a gente percebeu que houve um entendimento dos colaboradores. Agora é preciso que façamos novas ações úteis e que possibilitem que a Unimed Lins continue sendo uma cooperativa sustentável”, finaliza. •

Promover mecanismos para a criação de capacidades para o planejamento relacionado à mudança do clima e à gestão eficaz, nos países menos desenvolvidos, inclusive com foco em mulheres, jovens, comunidades locais e marginalizadas. ODS 13. Meta 13.b Dados oficiais divulgados pela ONU

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As ações exigiram novos hábitos dos 300 colaboradores da cooperativa. Ao invés de copos descartáveis, agora é aconselhado o uso de canecas para beberem agua ou café. As lâmpadas fluorescentes, gradualmente, estão sendo substituídas por lâmpadas de LED, que duram mais e garantem economia de energia elétrica. As torneiras e os mictórios dos banheiros da unidade ganharam sensores para reduzir os gastos com água. O simples ato de apagar as luzes no horário de almoço, ao fim do expediente, desligar os monitores, estabilizadores, impressoras, bebedouros e aparelhos de ar-condicionado ao sair da sala também foram adotados. As unidades ainda fazem a separação apropriada do lixo, seguindo a Lei 12.305/10, que trata da destinação de resíduos sólidos no Brasil.

ou pode também ser destinado a uma caixa e armazenado. As unidades recolhem carteirinhas/cartões vencidos e os armazenam. Ao fim de um determinado período, todas as caixas são pesadas e repassadas, numa intercooperação, para a Cooperativa de Recicladores de Lins (Coopersol) que faz o tratamento mais assertivo do lixo.

Todo papel que não é utilizado após algumas impressões se torna um bloco de anotação

#vemcooperar

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Vida na água

Cooperativa supera tempos difíceis e viabiliza projetos socioambientais

Semanalmente, a cooperativa realiza a doação de 20kg de pescados para a Associação Pestalozzi de Angra dos Reis

Propescar mantém colaboração com entidades sociais da cidade fluminense

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io de Janeiro - Com o objetivo de fornecer transporte rodoviário para tudo o que foi pescado, para a cidade do Rio de Janeiro, um grupo de sete pessoas fundou, em maio de 1967, a Cooperativa de Produtores da Pesca de Angra dos Reis (Propescar). Hoje, 50 anos após os primeiros passos, a entidade permanece na ativa e celebra conquistas em meio às crises por que já passou e desenvolve projetos de responsabilidade social.

Nos melhores anos de sua história, a cooperativa chegou a fazer parte do programa Peixão da Economia. Entre a década de 70 e 80, foram abertos estabelecimentos de vendas em Brasília e em diversos bairros do Rio de Janeiro, além de uma fábrica de gelo em Niterói e de uma indústria de congelamento no bairro carioca de Bonsucesso. A frota da cooperativa chegou a ter 49 veículos e, dentro da estrutura, a Propescar contou

#vemcooperar


ainda com açougue, farmácia, loja de equipamentos para pesca e um minimercado. “Tudo foi feito pensando na melhor maneira de ajudar os nossos cooperados”, lembra Rute Santos, que trabalha há mais de 40 anos na cooperativa. Em 1985, uma repentina baixa na produção dos pescados e a liberação da pesca predatória resultaram na saída de vários associados do quadro da cooperativa. “Muita gente começou a produzir seu próprio pescado e houve um período bem ruim para as finanças”, conta Wilson dos Reis, diretor Comercial da cooperativa. Como resultado, houve redução da frota de veículos e encerramento de atividades fora do município de Angra dos Reis. A retenção de gastos ocorreu até o ano de 1994, quando uma troca na Diretoria da entidade permitiu enxergar novos caminhos.

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ODS 14. Meta 14.2 Dados oficiais divulgados pela ONU

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Hoje, a atuação da cooperativa se limita ao município de Angra dos Reis, distante 150km da capital carioca. Ainda assim, a operação da cooperativa abrange, de forma direta, 27 pessoas e mais de 400 de forma indireta. A atual frota tem apenas três veículos e a sede da cooperativa tem posto fixo no cais de Angra dos Reis. “Apesar de tudo que aconteceu, saímos mais fortes e agora estamos em um período de retomada da pesca. Por seguirem a mesma linha de pensamento, os pescadores cooperados também vêm junto nesse processo”, acrescenta Wilson.

Até 2020, gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar impactos adversos significativos, inclusive por meio do reforço da sua capacidade de resiliência, e tomar medidas para a sua restauração, a fim de assegurar oceanos saudáveis e produtivos.

Semanalmente, a cooperativa realiza a doação de 20 kg de pescados para a Associação Pestalozzi de Angra dos Reis, onde são atendidas dezenas de crianças com diversos tipos de deficiência. Outro evento que acontece anualmente, em parceria com a prefeitura da cidade, é a realização comemorativa do Dia do Pescador, em 29 de junho, e que arrecada alimentos para outra instituição da cidade. Em 2017, a ação reuniu mais de 200 pessoas e prestigiou o Lar dos Velhinhos São Vicente de Paula.

Proporcionar o acesso dos pescadores artesanais de pequena escala aos recursos marinhos e mercados. ODS 14. Meta 14.b Dados oficiais divulgados pela ONU

Com a mudança na Diretoria da cooperativa, Wilson acredita ainda que os cooperados que permanecem ao lado da entidade compartilham do mesmo sentimento e pensamentos. A busca pela sustentabilidade, a preservação dos ecossistemas e por a responsabilidade social são algumas das premissas que têm gerado, no cais de Angra dos Reis, um esforço para a manutenção dos serviços da cooperativa. “Se mantivermos bons ventos na atividade, boas coisas serão recebidas”, finaliza Wilson dos Reis. •

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Vida terrestre

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Reflorestar para deter a perda da biodiversidade

Cooperados da Coopaal e Coopeapis realizam o plantio de mudas de árvores nativas

Cooperativas adotam práticas sustentáveis para revitalizar nascentes e cuidar do solo

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Associados da Cooperativa Agropecuária de Alagoas (Coopaal) se reuniram no Dia de Cooperar 2017 e viajaram cerca de 300 km até chegar à zona rural do município de Piranhas, onde contribuíram com o plantio de mudas de árvores nativas em parceria com a Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Derivados Apícolas em Alagoas (Coopeapis).

Somente este ano, o agricultor Jair Nobre, cooperado da Coopaal, ajudou a plantar 900 mudas de árvores nativas em torno de nascentes dos municípios alagoanos de Piranhas e Flexeiras. “Se todos os agricultores tivessem a consciência de recuperar as matas e não somente destruí-las para plantar e criar gado, não estaríamos sofrendo com as mudanças no clima. Com o reflorestamento,

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teremos mais vida, mais plantas, mais animais e mais água. É nossa obrigação cuidar do meio ambiente”, diz.

Até 2020, promover a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar substancialmente o florestamento e o reflorestamento globalmente. ODS 15. Meta 15.2 Dados oficiais divulgados pela ONU

dobrar, mesmo sem temporada de chuvas. E essa foi só a primeira boa surpresa. “Percebi que, após a revitalização, começaram a crescer plantas nativas próximo à nascente. O projeto fez uma coisa muito importante: trouxe mais vida para dentro da minha casa e, consequentemente, para o rio’’. Uma das participantes do projeto é Sarajane Cordeiro. Ela é voluntária no B Jovem, programa que agrupa pessoas de 15 a 35 anos de idade, e que desenvolve o Renascer. Sarajane diz compreender que, por meio da revitalização, o agricultor deixa de ser alguém que apenas degrada o meio ambiente e passa a ser quem também o proteFo to

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#vemcooperar

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Se no Nordeste do país, as cooperativas estão empenhadas com os ODS, no Sul não é diferente. Isidoro Durau, agricultor no interior do Paraná, conheceu o projeto Renascer, da cooperativa Bom Jesus, em 2014, e propôs a nascente localizada dentro de sua propriedade para revitalização. Com o apoio dos voluntários da cooperativa, ele assistiu ao volume d´água

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O ODS 15 se refere a essa necessidade: proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e a perda de biodiversidade. Paulo Agra, presidente da Coopaal, acrescenta que a finalidade das cooperativas é reflorestar pelo menos seis nascentes. “Plantamos mudas em quatro Áreas de Preservação Permanente (APP) e queremos aumentar esse número nos próximos meses’’, diz.

Tomar medidas urgentes e significativas para reduzir a degradação de habitats naturais, deter a perda de biodiversidade e, até 2020, proteger e evitar a extinção de espécies ameaçadas. ODS 15. Meta 15.5 Dados oficiais divulgados pela ONU

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natural do jenipapo, fruta que também pode dar sucos, doces etc. Assim como o energético caroço do açaí – de onde se preparam creme, vinhos e outras guloseimas - e a árvore do jatobá, cujo óleo, fervido, serve para fins medicinais. Pois todas essas espécies estão ameaçadas pelas queimadas, desmatamento e extração descontrolada.

ge, além de criar autonomia quanto à própria produção de água potável. Em 2017, o grupo recebeu mais quatro solicitações para revitalização de nascentes, fruto do impacto positivo do projeto. “Quando os agricultores nos procuram, significa que acreditam na importância da causa”, explica a voluntária.

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Alvino Morais, presidente da Coopai, convocou uma reunião com professores, pais e alunos, com o intuito de envolver e conscientizar curumins e cunhatãs para o replantio. “Acreditamos em nossa cooperativa e nas ações positivas que podemos gerar para todos nós. Começamos pelos pequenos e terminamos pelos adultos”, defende Alvino. Entre as crianças voluntárias está Lucas Rademak, de nove anos, filho de agricultores locais. “Mesmo muito jovem, eu entendo que meu trabalho é importante para preservar a nossa biodiversidade e não deixar que as espécies ameaçadas entrem em extin-

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Replantio para preservar a tradição e a natureza

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oraima - Outro exemplo vem do Norte do país. Na Comunidade Ilha da Etnia Macuxi, a 60 km de Boa Vista, 50 crianças em idade escolar participam do Projeto Ambiental do Replantio de Árvores Nativas, com objetivo de repor a floresta, desenvolvido pela Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais Indígenas (Coopai), desde 2015. Na tradição indígena, a cobertura das casas típicas é feita com palha de buriti, árvore abundante na região. Dos saberes medicinais repassados pelos ancestrais se extrai o óleo da copaíba, usado como remédio caseiro; para a pintura corporal, a tinta preta

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Até 2030, combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo. ODS 15. Meta 15.3 Dados oficiais divulgados pela ONU #vemcooperar


ção’’, comenta o pequeno. Todas as crianças da reserva participam do projeto, que já plantou mais de três mil mudas nativas.

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Já no Estado Mato Grosso, a qualidade na produção de legumes, hortaliças e laticínios no município de Lucas do Rio Verde, 360 km ao norte de Cuiabá, a capital, só se tornou sustentável após análises elaboradas pela Cooperativa de Desenvolvimento Agrícola (Coodeagri). O projeto Meu Solo atendeu, em um primeiro momento, a 15 produtores familiares que tiveram o solo de suas propriedades coletado para análises e diagnóstico do que deveria ser melhorado. O chacareiro Celito Trevisan foi um dos primeiros beneficiados pelo projeto e conta que, em 23 anos de trabalho, nunca havia recebido assistência técnica de tal qualidade. “Na primeira visita técnica, os profissionais avaliaram os nutrientes do solo, o que revelou a carência de micronutrientes e também a necessidade urgente de corrigir as áreas plantadas, por meio da adição de calcário”, comenta. Como o produtor rural desconhecia as necessidades da terra, era complicado saber como torná-las mais produtivas e melhorar sua renda. ‘‘O projeto resolveu esse problema. Lucas do Rio Verde é conhecida no país como uma grande produtora de grãos, de soja e milho, mas os pequenos produtores, que de fato colocam comida na mesa da população diariamente, estavam esquecidos. Com apoio da cooperativa, passei a ter maior variedade e melhor qualidade de hortifrutigranjeiros e de cana-de-açúcar, a partir da qual produzo e vendo o melaço”, diz. O presidente da Cooperativa, José Henrique Hasse, conta que foi procurado por chacareiros para que a Coodeagri pudesse contribuir com assistência técnica. A partir de parcerias importantes, foi possível não apenas apontar os problemas, mas também contribuir com soluções. “Soluções que não #vemcooperar

Voluntária mirim participa de celebração em plantio de mudas em município do Mato Grosso

beneficiaram apenas os pequenos produtores. Em conjunto decidimos que parte da nova produção seria doada ao Rotary, um dos nossos parceiros, que repassaria a entidades filantrópicas. E a prefeitura se comprometeu a adquirir a produção para a merenda escolar”, explica Hasse. Dando continuidade ao trabalho, os produtores receberam doação de calcário para corrigir o solo. “Com as análises, cada um dos produtores conheceu as particularidades de sua terra e passou a cultivar de forma mais racional, otimizada e sustentável. Tanto para o meio ambiente, ao fornecer à terra exatamente o que ela precisa, como para sua receita, já que agora compra insumos em forma de mutirão, ampliando o poder de barganha de todos”, conclui o presidente da Coodeagri. •

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Paz, Justiça e Instituições Eficazes

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Em Porto Velho, o cooperativismo apoia a ressocialização de detentos

Maria de Deus, vice-presidente da Cootama e uma das idealizadoras do projeto, exibe os resultados dos projetos com os apenados

Projeto realizado no sistema prisional garante profissão aos presos 54

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ondônia - Buscando quebrar paradigmas com a oferta de trabalho de qualidade para detentos do sistema prisional de Rondônia, a Cooperativa de Trabalho Multidisciplinar de Desenvolvimento da Amazônia (Cootama), em parceria com o Governo do Estado, desenvolve projetos de ressocialização dos presos por meio do reuso de materiais recicláveis, que geram renda.

A cooperativa ministra, em presídios femininos e masculinos, cursos de pintura em tela, confecção de panos de prato, tapeçaria e reciclagem de pneus. O projeto tem como objetivo principal ensinar uma profissão aos detentos. É assim que Sabrina de Oliveira, reeducanda do sistema semiaberto, consegue manter a #vemcooperar


mãe e os três filhos, graças à remuneração que recebe por seu trabalho de pinturas em tela e panos de prato. Sabrina conta que passou quatro anos presa, tempo em que mudou sua visão e começou a estudar e costurar. ‘‘Quando soube do projeto da Cootama, tive a oportunidade de fazer o curso, de seis meses. “Hoje, tenho um objetivo diferente na minha vida, que é ser uma pessoa de bem porque aprendi a trabalhar e vencer na vida”, garante.

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à Justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. ODS 16. Dados oficiais divulgados pela ONU

Os trabalhos realizados são expostos para venda no galpão da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, em Porto Velho, e atraem muita gente. Maria Castorini veio da cidade de Rolim de Moura a passeio e elogiou o projeto. “São artes lindas. É um trabalho muito bom, que ajuda na reinserção deles na comunidade. Sei que, quando eles são reinseridos e se sentem parte novamente de um ciclo social, os índices de crimes diminuem”, afirma.

que o preso sai com diploma de marginalidade. Vemos todos os dias exemplos de superação e demonstrações de que esse preconceito está errado”, reforça. O projeto 3R – Ressocialização, Reutilização e Reciclagem – foi idealizado para garantir dignidade aos presos. Sabrina de Oliveira, que está prestes a concluir a pena e tirar a tornozeleira, conta que as expectativas são as melhores. “Quero me empenhar mais ainda no meu trabalho, não perder esse foco. Vou continuar a trabalhar, fazer meus estudos, melhorar minha vida, ser uma pessoa diferente e provar que a ressocialização do preso importa”, diz. • Ar

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#vemcooperar

A ação foi desenvolvida nos presídios Ênio Pinheiro e Urso Branco, em Porto Velho, com apenados que participam da fabricação de peças feitas com pneus e outros produtos

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Segundo a presidente da Cootama, Dulce Braga, esse trabalho traz muitos benefícios, como a redução de pena. Além de poder ajudar a família, uma vez que, fazendo parte da cooperativa, eles também recebem um salário para ensinar outros presos. “Os detentos produzem os materiais e isso retorna para eles. A ressocialização é responsabilidade de todos e precisamos mudar o estereótipo criado em torno do sistema prisional, de dizer

Arqui vo D ia C

Fortalecer as instituições nacionais relevantes, inclusive por meio da cooperação internacional, para a construção de capacidades em todos os níveis, em particular nos países em desenvolvimento, para a prevenção da violência e o combate ao terrorismo e ao crime. ODS 16. Meta 16.8 Dados oficiais divulgados pela ONU

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O fortalecimento da parceria global para o desenvolvimento sustentável

ACI

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As cooperativas brasileiras têm sido, em minha opinião, um excelente exemplo de como os movimentos cooperativos nacionais podem contribuir com o desenvolvimento internacional

Entrevista

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bjetivos e metas provam como é possível diminuir índices alarmantes de desiguldade social e mudar a atual situação do meio ambiente. Os projetos apresentados nesta revista provam como as cooperativas de todo o Brasil estão engajadas nesta luta. O ODS 17 aponta a importância do forlatecimento de parcerias para que o desenvolvimento aconteça. Para falar mais sobre esse objetivo e sobre o trabalho das cooperativas, conversamos com Rodrigo Gouveia, diretor de Política da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) desde janeiro de 2014. Anteriormente foi Secretário Geral da Euro Coop, Comunidade Europeia de Cooperativas de Consumo (2006 - 2013) e trabalha para o movimento cooperativo desde 1997. Na qualidade de diretor da ACI, ele é responsável pela advocacia e representação do movimento coope-

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rativo junto das instituições globais como o G20, a ONU e junto às suas agências. Os ODS tratam, em suas metas, do fortalecimento da parceria global para o desenvolvimento. Que avaliação o Sr. faz do papel atual das cooperativas brasileiras neste cenário e o que ainda deve ser feito? As cooperativas brasileiras têm sido, em minha opinião, um excelente exemplo de como os movimentos cooperativos nacionais podem contribuir com o desenvolvimento internacional. No que toca à ACI, as cooperativas brasileiras têm sido parceiras e apoiadoras em diversos projetos internacionais que consideramos de importância estratégica para o desenvolvimento do cooperativismo no mundo. Para citar um #vemcooperar


exemplo, e muitos outros poderiam ser dados, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) tem sido, desde o início, patrocinadora do nosso Monitor Cooperativo Internacional, que mede a importância econômica e social das cooperativas no mundo e é uma ferramenta indispensável para os nossos esforços de promoção do cooperativismo. Também no que diz respeito às parcerias com organismos públicos, as cooperativas brasileiras têm apoiado fortemente a ACI em diversos momentos. Por exemplo, a OCB tem nos apoiado muito nos contatos com o Governo brasileiro no âmbito das Nações Unidas, nas discussões sobre a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em termos de futuro, creio que ainda há algum trabalho a fazer em termos de divulgação internacional das boas práticas do cooperativismo brasileiro. Existe muita informação, com muito valor, sobre a atuação das cooperativas no Brasil, da qual outros países poderiam beneficiar e que, por vezes, não se encontra acessível devido, por exemplo, a ser exclusivamente em português. No tocante às finanças, os ODS remetem bastante ao apoio a países menos desenvolvidos. Já existem exemplos de cooperativas que apoiam no alcance desta meta? Sim, existem diversos exemplos de cooperativas que apoiam países menos desenvolvidos, incluindo apoio às cooperativas brasileiras e destas a outros países. É importante notar que um dos princípios cooperativos é a cooperação entre cooperativas, e isso se desenvolve quer a nível nacional, quer internacional. Para além disso, devido à sua natureza, o apoio das cooperativas não se limita a investimentos de capital ou econômico, mas #vemcooperar

é muito mais abrangente, incluindo aspectos como o apoio ao desenvolvimento de pessoas, troca de conhecimento, formação profissional, educação, fortalecimento institucional e outros. Um exemplo desta colaboração é um projeto de desenvolvimento cooperativo entre a associação alemã de cooperativas (DGRV) e diversas cooperativas agrícolas no Sul do Brasil para melhoramento da sua eficiência econômica e de recursos humanos. No que diz respeito ao apoio das cooperativas brasileiras a outros países, é importante destacar o papel que a OCB tem tido na gestão e fortalecimento da Organização Cooperativista dos Países de Língua Portuguesa (OCPLP), onde diversos projetos, sobretudo na área da formação profissional, têm sido implementados. Falando em tecnologia, o Sr. pode citar algum caso de inovação que tenha sido desenvolvido e disseminado global ou localmente por uma cooperativa?

Promover o desenvolvimento, a transferência, a disseminação e a difusão de tecnologias ambientalmente corretas para os países em desenvolvimento, em condições favoráveis, inclusive em condições concessionais e preferenciais, conforme mutuamente acordado. ODS 17. Meta 17.7 Dados oficiais divulgados pela ONU

Um projeto tecnológico que considero muito interessante chama-se Midata (www.midata.coop). Trata-se de uma cooperativa que recolhe os dados informáticos relativos à saúde dos seus membros e gere esses dados em termos da sua disponibilização a empresas que fazem pesquisa e desenvolvimento na área da saúde. Os membros da cooperativa, em vez de darem os seus dados a empresas, muitas vezes sem sequer terem conhecimento disso e sem serem pagos por isso, entregam os seus dados à cooperativa e eles próprios podem gerir quais dados, como e com quem os vão partilhar. Para além disso, recebem um dividendo correspondente à sua parte dos lucros da cooperativa. Dia de Cooperar 2017

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Esta cooperativa começou na Suíça, mas, aos poucos, está se expandindo a outros países da Europa Central. No que se refere ao comércio, de que forma as cooperativas brasileiras têm ajudado a promover uma comercialização de bens e serviços livre, justa e que respeita os princípios de concorrência, do cuidado com o meio ambiente e com as condições dignas de trabalho? As cooperativas brasileiras atuam de acordo com os valores e princípios do cooperativismo, que incluem, entre outros, o interesse pela comunidade, a igualdade, democracia, solidariedade e equidade. Esta atuação, em relação aos seus membros, seus trabalhadores, seus clientes e à sociedade em geral, através da comercialização dos seus produtos, é um fator contributivo de uma sociedade mais justa e humana. Uma das principais características das cooperativas é que a riqueza que é criada através das suas atividades econômicas é totalmente compartida com os membros, os trabalhadores e a sociedade, e não é distribuída apenas a um número limitado de acionistas como acontece outros tipos de empresas. Para além desse papel de distribuição equitativa de riqueza e, também, ao contrário de outros tipos de empresas, as cooperativas não têm como objetivo maximizar o lucro, mas sim satisfazer as necessidades e aspirações dos seus membros, com respeito pelos trabalhadores, pelo meio ambiente e pelas comunidades onde estão inseridas. É por isso que a contribuição das cooperativas brasileiras é importante e fundamental para o Brasil.

a sociedade do trabalho que desenvolvem em prol das comunidades? De que maneiras a ACI, por exemplo, mensura os impactos do cooperativismo em prol da Agenda 2030? A melhor maneira de prestar contas perante a sociedade é através da divulgação e promoção das suas iniciativas. É fundamental que as cooperativas sejam mais ativas em termos de comunicação, incluindo as novas redes sociais, para que as pessoas tenham um melhor conhecimento da sua atuação. É também importante que as cooperativas partilhem as suas atividades com os organismos públicos e os incentivem a melhorar as políticas de promoção do cooperativismo. Creio que momentos de celebração do cooperativismo, como é o caso do Dia C no Brasil, são fundamentais para aumentar o conhecimento das populações. No caso da ACI, para além de muitas outras iniciativas de promoção, foi desenvolvida uma plataforma em linha chamada Cooperativas para 2030 (www.coopsfor2030.coop), que está disponível em português graças ao apoio da OCB, onde cooperativas de todo mundo podem partilhar as suas experiencias, conhecer melhor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e assumir compromissos para a sua implementação. Todos os anos a ACI publicará um relatório sobre o progresso dos compromissos assumidos pelas cooperativas. Esse relatório será divulgado publicamente e entregue às Nações Unidas por ocasião do Dia Mundial das Cooperativas. •

Até 2020, reforçar o apoio à capacitação para os países em desenvolvimento, inclusive para os países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares em desenvolvimento, para aumentar significativamente a disponibilidade de dados de alta qualidade, atuais e confiáveis, desagregados por renda, gênero, idade, raça, etnia, status migratório, deficiência, localização geográfica e outras características relevantes em contexto. ODS 17. Meta 17.8 Dados oficiais divulgados pela ONU

O Sr. poderia citar exemplos de como as cooperativas podem prestar contas para

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Contribuição para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)* 260

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* Ao relatar seus projetos, as cooperativas participantes responderam a quais ODS as iniciativas do Dia C estão atreladas. Cada projeto pode contribuir com mais de um ODS.


Revista Dia de Cooperar 2017  

Histórias que inspiram você a fazer parte do futuro. Venha com a gente!

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