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d e P E R N A M B U C O - Recife, terça-feira, 4 de junho de 2013 DIARIOd

ARTHUR DE SOUZA/ESP.DP/D.A PRESS

Recife d’água

O canal do Cavouco, na Zona Oeste do Recife, deverá servir como projeto-piloto de renaturalização, liberando a calha e as margens para que volte ao desenho original

Canais de volta às origens Renaturalização dos cursos d’água é tendência mundial que pode chegar ao Recife ANA CLÁUDIA DOLORES // anadolores.pe@dabr.com.br

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s canais do futuro deverão ser como no princípio: apenas riachos. A tendência mundial de renaturalizar os cursos d’água, liberando a calha e as margens para que o desenho original volte a dominar, pode chegar ao Recife através do Plano Diretor de Drenagem (PDDR). O canal do Cavouco, que nasce na Várzea, Zona Oeste, deve servir como piloto para essa experiência. Além do oficial, entidades civis também estão apresentando projetos para que a cidade passe a valorizar mais suas águas. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo em Pernambuco (CAU-PE) desenvolveu o conceito Water Tree, ou Árvore de Água, que propõe que as bordas dos rios e canais sejam transformadas em parques naturais integrando toda a cidade. A nova forma de enxergar os cursos d’água partiu de uma percepção de urbanistas de todo o mundo de que era preciso abrir mais espaços verdes para a infiltração da chuva e, ao mesmo tempo, devolver às cidades suas áreas

naturais. Em Seul, na Coreia do Sul, uma via expressa elevada que cortava o centro foi retirada para que o canal, que estava debaixo de de-la, voltasse a fazer parte da paisagem já renaturalizado. Casos semelhantes ocorreram na França e na Espanha. No Brasil, Minas Gerais e São Paulo também estão adotando a técnica. “Visitamos essas cidades brasileiras e vimos que estão evoluindo para a renaturalização dos cursos d’água. De fato, o canal revestido acaba sendo um canhão hidráulico”, disse o presidente da Emlurb, Antonio Barbosa. “O canal do Cavouco tem um curso que pode favorecer esse processo de retorno às origens. Estamos estudando essa possibilidade com a empresa que está elaborando o plano diretor”, completou.

Geografia

A proposta da Water Tree, do CAUPE, é, justamente, promover essa requalificação das bordas aproveitando, ou desvendando, uma geografia que o Recife já possui. “Urbanizar não é só revestir e colocar ruas e calçadas nas laterais. Com a renaturalização, os riachos seriam preservados e ainda seriam criados espaços públicos, com ruas afastadas dos leitos e casas livres de enchentes”, defendeu o conselheiro do CAU-PE, Luiz Vieira. Segundo o conceito desenvol-

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vido pelo CAU-PE em parceria com arquitetos holandeses, alguns canais, como o de Setúbal, na Zona Sul, não precisariam sequer passar por esse processo por já estarem adequados para o entorno, mas apenas terem suas águas despoluídas, assim como todos os cursos d’água da cidade. Nas bordas dos canais, seriam criados parques de portes variados que valorizariam a vegetação natural e a relação com as águas e a comunidade. “Não seria um parque cheio de construções, mas com paisagismo e espaços naturais de convivência”, detalhou o presidente do CAU-PE, Roberto Montezuma. Em Sítio dos Pintos, Zona Norte, moradores que vivem perto do córrego da Fortuna já compreenderam a importância de manter os cursos d’água em seu estágio natural e formaram uma rede de voluntários para cuidar desse recurso. “Depois que a gente se uniu, nunca mais sofri com alagamentos na minha casa”, disse o pedreiro Clóvis José Guilherme.

canais estão sendo revestidos com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Drenagem), no valor de R$ 8,7 milhões. Um dos canais que recebeu investimentos do PAC foi o do Jordão, na Zona Sul. Por conta do revestimento de concreto em toda a sua extensão, ele conseguiu dar vazão à última chuva forte da cidade, em 17 de maio. A Avenida Maria Irene, tradicional ponto de alagamento, pela primeira vez, não ficou inundada. “Saí de casa com a certeza que encontraria

Muito lixo nas margens do canal do Jordão (acima). Já o de Setúbal é tido como de solução fácil, apenas precisando ser despoluído

Pelo projeto, nas bordas dos canais seriam criados parques que integrariam população e vegetação” Roberto Montezuma, presidente do CAU-PE BERNARDO DANTAS/DP/D.A PRESS

Revestir é opção Com quase todos os canais invadidos por ocupações irregulares e poluídos com lixo e esgoto, o Recife precisa investir em soluções mais rápidas para garantir condições mínimas de urbanização de seus cursos d’água e, com isso, ajudar a resolver os alagamentos nos dias de chuva intensa. É por isso que, apesar de defender a renaturalização dos canais, a Prefeitura do Recife ainda deverá executar projetos de revestimento de riachos na capital que já haviam sido contratados. Atualmente, 16

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meu armazém submerso e fiquei surpreso coma rua seca. O canal realmente suportou toda aquela água”, testemunhou o comerciante José Anselmo Santana, 42 anos. O Plano Diretor de Drenagem do Recife, que deve ficar pronto em março de 2014, vai sugerir que toda a rede receba tratamento urbanístico adequado, o que inclui os rios. Algumas ações que demandam um volume maior de recursos já começaram a ser desenvolvidas, como a dragagem dos rios Capibaribe e Beberibe.

O comerciante José Anselmo Santana comemora fim dos alagamentos após revestimento de concreto no canal do Jordão

Foz diario 04 06 13  
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Canais de volta às origens

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