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Informação da Câmara Municipal de Alcochete FEVEREIRO 2012 | Número 5 | Distribuição Gratuita www.cm-alcochete.pt

alcochete

35 ANOS DE PODER LOCAL EM GRANDE PLANO COM PRESIDENTES DE JUNTA DO CONCELHO › PÁGINAS 8 E 9

ALCOCHETE COMEMOROU 114 ANOS DA RESTAURAÇÃO DO CONCELHO › PÁGINA 10

MAIOR INVESTIMENTO DE SEMPRE É NA EDUCAÇÃO › PÁGINAS 4 E 5


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete EXPOSIÇÃO “LITERACIA FINANCEIRA – EDUCAÇÃO+ De 28 de Fevereiro a 1 de Março, a Câmara Municipal apresenta, na Biblioteca de Alcochete, a exposição “Literacia Financeira – Educação +”, resultante de um projecto conjunto da Caixa Geral de Depósitos e da Universidade de Aveiro. Com conteúdos interactivos, dirigidos a jovens dos 7 aos 17 anos, esta exposição auxilia os jovens na gestão das suas finanças e apresenta sugestões sobre como fazer escolhas ou optar por decisões mais acertadas. No dia 27 de Fevereiro, às 15h00, no Auditório da Escola Secundária de Alcochete, realiza-se também uma conferência sobre Educação Financeira dirigida a gestores escolares e professores.

SÍNTESE

IDOSOS PARTICIPAM EM ATELIÊ OCUPACIONAL DE AGRICULTURA Desde Setembro de 2011, e a decorrer no Pinhal das Areias, o ateliê ocupacional dedicado à agricultura promovido pela Câmara Municipal é o pretexto para reunir os utentes do Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia que, desta forma lúdica e prática, partilham conhecimentos e desenvolvem algumas das técnicas aprendidas ao longo da vida. Após preparação do terreno, os participantes já plantaram alguns produtos hortícolas. O ateliê ocupacional de agricultura, dirigido a todos os Centros de Dia do Concelho, é uma iniciativa que contribui para o aumento da auto-estima e do bem-estar, físico e mental, da população sénior do Concelho.

MAFALDA ARNAUTH ACTUA EM ALCOCHETE EM MARÇO No próximo dia 10 de Março, às 21h30, no Fórum Cultural de Alcochete, Mafalda Arnauth apresenta-nos “O Mar Fala de Ti – História de um Encontro”. Mais do que um conjunto de temas, este concerto “conta-nos” a história do seu encontro com o músico argentino Ramón Maschio. Uma história sobre uma amizade que nasceu na música e que cedo transpôs as fonteiras que os separavam. Para além das criações musicais conjuntas, são as suas visões pessoais da vida, dos sentimentos e das emoções que trazem uma dimensão única a este concerto. Em Alcochete, Mafalda Arnauth (voz) e Ramón Maschio (guitarra clássica) surgem acompanhados por um convidado: o jovem pianista Hélder Godinho.

CONTACTOS ÚTEIS Câmara Municipal de Alcochete – 212 348 600 | Comunicação de Avarias, Roturas e Entupimentos 919 561 411 Serviço Municipal de Protecção Civil – 912 143 999 | Canil Municipal – 914 432 270 | Cemitério – 212 348 638 Posto de Turismo – 212 348 655 | Bombeiros Voluntários de Alcochete – 212 340 229 ou 212 340 557 | Guarda Nacional Republicana – 212 348 071 | Centro de Saúde de Alcochete – 212 349 320 | Extensão de Saúde em Samouco – 212 329 600 Extensão de Saúde em São Francisco – 212 314 471 | Farmácia Nunes – 212 341 562 | Farmácia Cavaquinha – 212 348 350 Farmácia Póvoas – 212 301 245 | Central de Táxis Alcochete – 212 340 040 | Central de Táxis Samouco e Freeport – 212 321 775 | Transportes Sul do Tejo – 211 126 200 | Transtejo – 210 422 400.

FICHA TÉCNICA Inalcochete PERIODICIDADE Bimestral | PROPRIEDADE Câmara Municipal de Alcochete | MORADA Largo de São João 2894-001 Alcochete Telef.: 212 348 600 DIRECTOR Luís Miguel Carraça Franco, Presidente da Câmara Municipal de Alcochete | EDIÇÃO SCI – Sector de Comunicação e Imagem COORDENAÇÃO DE REDACÇÃO Susana Nascimento REDACÇÃO Íngride Nogueira, Micaela Ferreira, Rosa Monteiro | FOTOGRAFIA SCI | PAGINAÇÃO CJORGE – Design & Comunicação e Rafael Rodrigues/SCI | IMPRESSÃO Empresa Gráfica FUNCHALENSE | DEPÓSITO LEGAL 327832/11 | REDACÇÃO E FOTOGRAFIA SCI – Sector de Comunicação e Imagem Telef.: 212 348 658 | dmc.sci@cm-alcochete.pt | TIRAGEM 10 000 | ISSN 2182-3227 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

CAMPANHA COASTWATCH Alcochete associa-se, mais uma vez, à Campanha Coastwatch, um projecto de âmbito europeu, dirigido ao público escolar e à população em geral, que visa a monitorização e caracterização ambiental do litoral. “Proteger, promover e sensibilizar” é o lema desta 22.ª campanha nacional que será desenvolvida até ao final de Março de 2012. Em Alcochete, estão definidos quatro percursos no Sítio das Hortas, na Vila de Alcochete, nas Salinas de Samouco e na Praia Fluvial de Samouco. Durante a campanha, os participantes vão proceder à observação e identificação das espécies e dos materiais arrastados pela maré. Os resultados serão posteriormente divulgados.

EXPOSIÇÃO“OLHARES SOBRE O IMATERIAL” De 24 de Março a 21 de Abril, a Biblioteca de Alcochete apresenta ao público a exposição “Olhares sobre o Imaterial” numa parceria com a Comissão Nacional da Unesco. Um conjunto de fotografias ilustram, artística e simbolicamente, o património imaterial. A complementar esta mostra realizam-se, no dia 30 de Março, às 15h00, na Biblioteca de Alcochete, duas palestras a cargo da Dra. Anna-Paula Ormeche, que vai contextualizar o trabalho da UNESCO, das Comissões Nacionais e das Redes, e da Dra. Clara Cabral que vai abordar a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete ALCOCHET’AVENTURA Os adeptos do programa Alcochet’Aventura podem consultar o calendário de passeios agendados para 2012, através de um simples clique no site da Câmara Municipal. Até Dezembro estão programadas quinze iniciativas desportivas, desde passeios pedestres, percursos de BTT e passeios de canoagem. Com níveis de dificuldade diferenciados, os passeios permitem aos participantes um contacto com a Natureza.

EDITORIAL

Dedicação à causa pública para um futuro mais harmonioso

Caros (as) Munícipes,

A situação social e económica do País agrava-se progressivamente fruto das erradas opções que têm vindo a ser tomadas. Chagas sociais, como os salários em atraso e o desemprego, regressaram de forma assustadora, atingindo valores impressionantes de 14% no País, afectando, hoje, 1,2 milhões de portugueses, condenando-os ao endividamento, à subsistência económica e à pobreza. Por isso, neste momento, a minha preocupação vai para a situação de muitos Alcochetanos que vêem o seu emprego e as suas condições de vida a piorar. Consideramos, por isso, inadiável arrepiar caminho, construir uma alternativa e um novo rumo para o País, a Europa e o Mundo! É urgente substituir o pessimismo pela esperança e confiança; a resignação pela vontade e acção; de trocar a espera passiva de um sempre ansiado empurrão da economia europeia pela reestruturação activa da economia nacional e substituir a política do défice público pela política do primado da economia e da inovação. Portugal precisa de recuperar o caminho do crescimento, do desenvolvimento e da confiança! No entanto, o futuro próximo não se afigura risonho e coloca-nos grandes exigências colectivas: capacidade para resistir, determinação e vontade para prosseguir no caminho do progresso, apesar do quadro descrito. Nesse sentido, o Município de Alcochete tem vindo a preparar-se para estes novos desafios, com tudo o que isso implica de planeamento, trabalho colectivo, dedicação e empenho na causa pública. Somos forçados a redefinir as nossas prioridades, a reprogramar os nossos investimentos, a proceder a uma gestão financeira mais exigente e mais rigorosa, sem descurar a dimensão social da nossa vida colectiva e sem abandonar os nossos objectivos estratégicos. Em paralelo, temos vindo a dialoLUÍS MIGUEL CARRAÇA FRANCO gar activamente com todos os agentes culPresidente da Câmara Municipal de Alcochete turais, sociais, educativos e desportivos, apelando à sua compreensão para a graviEstamos certos que os próximos tempos não vão ser dade da situação que vivemos, e desenvolvendo novas soluções e abrindo novos cafáceis, no entanto reafirmamos a confiança no Futuro minhos para superar este período difícil. do nosso Concelho. Em especial na nossa Juventude Uma das prioridades no quadro da nossa e na vontade inquebrantável da nossa população para intervenção foi, desde sempre e continuasuperar estes desafios, aliada da exigência e determinação rá a ser, concedida ao sector da Educação com o desígnio de valorizar o Sistema Lopara lutar e resistir contra os atentados que ameaçam cal de Conhecimento e a sua inserção Reo nosso devir coletivo e nos pretendem colocar num gional. E assim, no passado mês de Janeipercurso de retrocesso civilizacional. ro, honrámos e cumprimos um dos nossos compromissos, com a inauguração do “ Centro Escolar de São Francisco”, o maior investimento alguma vez concretizado no Concelho de Alcochete, consubstanciando, deste modo, políticas e projectos ao serviço da nossa Juventude. Este trabalho, a exemplo de outros, fruto da actividade e investimento da Autarquia constitui o exemplo de como é importante o Poder Local para a vida das populações, na sua relação de proximidade, na resolução de problemas concretos e na evidência da importância do investimento público para a dinamização da actividade económica local e no contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações. Por isso, este ano, conferimos uma especial atenção e prestamos tributo ao papel relevantíssimo do “Poder Local” na nossa sociedade e, por esse motivo, na Sessão Solene da passagem de mais um Aniversário, o 114.º da Restauração do Concelho, homenageámos as três Juntas de Freguesia do Concelho de Alcochete. Também por estas razões, vemos com “apreensão” a anunciada “reforma administrativa” que não tem em conta, a dimensão histórica e o contributo indelével do Poder Local na construção da democracia e no desenvolvimento do nosso País. Estamos certos que os próximos tempos não vão ser fáceis, no entanto reafirmamos a confiança no Futuro do nosso Concelho. Em especial na nossa Juventude e na vontade inquebrantável da nossa população para superar estes desafios, aliada da exigência e determinação para lutar e resistir contra os atentados que ameaçam o nosso devir coletivo e nos pretendem colocar num percurso de retrocesso civilizacional. Pela nossa parte, continuaremos a trabalhar com a plena dedicação à causa pública e tudo faremos para desenvolver a actividade municipal e prosseguir os objectivos preconizados, com uma gestão democrática e participada, envolvendo os cidadãos, os trabalhadores da Autarquia e todos os agentes de desenvolvimento do Concelho, procurando alcançar um futuro harmonioso e o desenvolvimento sustentado do Concelho de Alcochete!


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete

FOCO

CIRCULAÇÃO RODOVIÁRIA SERÁ ALTERADA A circulação rodoviária junto ao Centro Escolar de São Francisco vai sofrer alterações que visam assegurar as indispensáveis condições de segurança no acesso ao mesmo. Neste sentido existirá um troço de sentido único de circulação, em frente ao Centro Escolar, reservado aos utentes deste equipamento, passando o tráfego proveniente de Alcochete e Montijo a realizar-se pela Av. do Corvo Marinho. Ao nível do estacionamento será criada uma zona junto ao Centro Escolar que terá 21 lugares, em que um deles está destinado a pessoas com mobilidade reduzida, sendo que 17 lugares de estacionamento já foram criados junto a este equipamento escolar. Esta intervenção integra a demolição de uma das faixas, ao nível dos pavimentos e lancis, a definição de novos alinhamentos do arruamento e estacionamento, a pavimentação de lugares de estacionamento, em betão betuminoso, e passeios em calçada, a execução de passadeiras, a execução de sinalização horizontal e instalação de sinalização vertical, e ainda a reformulação dos separadores e da sinalização na Av. do Corvo Marinho.

EDUCAÇÃO MAIOR INVESTIMENTO DE SEMPRE DA AUTARQUIA

Centro Escolar de São Francisco tem capacidade para 300 crianças Maior investimento alguma vez efectuado pela Câmara Municipal, o Centro Escolar de São Francisco garante uma educação de qualidade às crianças do Concelho e traduz a concretização de uma prioridade definida pelo Executivo Municipal, no âmbito da requalificação do parque escolar. O Centro Escolar de São Francisco foi inaugurado no passado dia 21 de Janeiro, naquele que foi um dia importante para a freguesia e para o Concelho, testemunhada por autarcas, directores e representantes das escolas, presidentes e representantes das associações de pais, alunos e encarregados de educação e a população em geral. Constituído por um núcleo para o Pré-escolar e outro para o 1.º Ciclo do Ensino Básico, o Centro Escolar de São Francisco está dotado das

melhores condições técnicas e pedagógicas e equipado com mobiliário adequado às exigências educativas, que permite que as crianças da freguesia e do Concelho tenham acesso a uma educação de qualidade. Com capacidade para acolher 300 crianças o Centro Escolar integra oito salas para o Ensino Básico, qua-

tro para o Pré-escolar, um refeitório com cozinha, um ginásio/sala polivalente, uma sala de recursos que integrará uma biblioteca e um espaço informático, salas para profes-

sores e educadores e instalações de apoio. Durante a inauguração, o Presidente da Câmara referiu que, com a construção deste Centro Escolar, concretiza um compromisso assumido na área da Educação enquanto vector estratégico de desenvolvimento do Concelho.

“Decidimos desenvolver políticas educativas municipais que conferissem ao concelho de Alcochete os instrumentos necessários ao nosso desenvolvimento”, acrescentou Luís Miguel Franco. Foi com emoção que o Presidente da Junta de Freguesia de São Fran-


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inFOCO

cisco se dirigiu ao imenso público, que lotou a capacidade da sala polivalente, referindo que este equipamento escolar vai beneficiar a freguesia de São Francisco mas também a população do Concelho. “Esta é uma obra muito grande, realizada com muito sacrifício e queria dar os parabéns ao Presidente da Câmara, que foi das poucas pessoas que sempre acreditou que este equipamento seria uma realidade”. Presente na cerimónia de inauguração a Presidente da CCDR-LVT manifestou grande contentamento pela concretização deste equipamento escolar no concelho de Alcochete: “A construção de equipamentos educativos (no âmbito do financiamento regional associado ao QREN) foi de facto uma aposta fortíssima”. “É possível com estes instrumentos financeiros fazer a regulação de assimetrias existentes, pois nós queremos que a região seja equilibrada e que não esteja mais forte na margem norte em relação à margem sul”, sublinhou Teresa Almeida. Após o descerramento da placa de inauguração teve início uma visita ao Centro Escolar orientada pelo Vereador da Educação, Paulo Alves Machado, que explicou aos presentes as valências do equipamento.

SALA DO NÚCLEO PRÉ-ESCOLAR

Pais e filhos, professores e educadores percorreram o novo Centro Escolar de São Francisco com grande interesse e alguma ansiedade, por parte dos jovens alunos, que queriam mostrar a sua nova escola. O Centro Escolar entrou em funcionamento, no início do 2.º período escolar e acolhe diariamente as crianças que frequentam o ensino público da localidade. Entusiasmo não falta aos jovens alunos e professores que encontram nesta escola, que também é deles, as condições ideais para aprender. MAIOR INVESTIMENTO DE SEMPRE DA CÂMARA MUNICIPAL O Centro Escolar de São Francisco foi objecto de um investimento na ordem dos 4 milhões de euros, que corresponde à construção do edifício, aquisição de equipamentos e mobiliário, mas também à concepção de projectos e ao valor comercial dos terrenos. Um investimento avultado mas justificado pela necessária requalificação do parque escolar, perante a sobrelotação e desdobramento de horários existente nas escolas do Concelho, corrigindo desta forma as assimetrias existentes

“O esforço financeiro da Câmara Municipal é o mais substancial, apesar das comparticipações, quer de fundos comunitários, quer do Programa de Alargamento da Rede Pré-escolar”, enfatiza Luís Miguel Franco. Este novo equipamento escolar beneficiou de uma comparticipação financeira, na ordem dos 800 mil euros, ao abrigo do Programa de Alargamento da Rede Pré-escolar, no que se refere ao Núcleo do Préescolar, e no âmbito de uma candidatura ao PORLisboa, no que se refere ao Núcleo do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A premente requalificação do parque escolar impeliu o Executivo Municipal à concretização do maior investimento de sempre efectuado pela Câmara Municipal, em todas as áreas, cumprindo desta forma mais um compromisso eleitoral assumido com a população do Concelho. Neste sentido a Câmara Municipal tem desenvolvido e implementado políticas educativas no Município, com o objectivo de assegurar no concelho de Alcochete as condições necessárias de desenvolvimento nos domínios da educação, ciência e cultura. “Temos o sentimento de dever cumprido e da concretização de um so-

CEN TRO ESCOLAR INVESTIMENTO GLOBAL DA CMA NA ORDEM DOS

€4 000 000,00 COMPARTICIPAÇÕES NA ORDEM DOS

€800 000,00

nho, ainda que o percurso tenha tido algumas vicissitudes, e que inclusivamente tenha suscitado em algumas pessoas dúvidas sobre a sua concretização. Mas nós na Câmara Municipal sempre nos mantivemos firmes na concretização daquele investimento, que veio em muito requalificar o nosso parque escolar”, sublinhou o Presidente da Câmara.

SALA DO NÚCLEO DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO

E acrescentou: “Por estar localizado na freguesia de São Francisco este equipamento escolar tem claramente uma dimensão que vai permitir servir todo o Concelho e acolher as crianças de todo o Concelho, e não somente as crianças que residem em São Francisco”. “Esta escola foi pensada, concebida e concretizada principalmente para as crianças que dela vão usufruir”, concluiu Luís Miguel Franco. Apesar da redução de meios e recursos financeiros disponíveis, o Executivo Municipal pretende continuar a desenvolver os instrumentos de planeamento, no que concerne à actualização do Plano Estratégico de Educação. Quanto à requalificação do parque escolar a Câmara Municipal mantém outro objectivo, relacionado com a construção do Centro Escolar da Quebrada, na freguesia de Alcochete. Apesar da crise económica que assola o país, e que consequentemente tem impacto no Concelho, a Autarquia pretende concluir os projectos de execução para a construção desse Centro Escolar e com a comissão directiva do QREN aferir da possibilidade de reprogramação da sua concretização.


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete

LOCAL

AUTARQUIA ESTÁ A AUMENTAR ÁREAS PARA ESTACIONAMENTO No sentido de aumentar o estacionamento na vila de Alcochete, a Câmara Municipal requalificou em Janeiro duas áreas: uma, no Largo de São João, a outra na Rua Dr. Luís Cebola, que ascendem a €9 923,09. No Largo de São João, o passeio sul foi requalificado, por administração directa, com a delimitação de quatro lugares para a praça dos táxis, três lugares para estacionamento automóvel e um para cargas e descargas, intervenção realizada numa área com 440 m2. Também na Rua Dr. Luís Cebola foram criados 12 lugares para dar resposta às necessidades dos automobilistas numa área com elevado tráfego rodoviário por se situar junto à Escola Secundária. Em Fevereiro, os serviços municipais estão a realizar obras para aumentar o estacionamento na Rua dos Descobrimentos.

BANCO DE AJUDAS TÉCNICAS

Municípes podem requisitar equipamentos a custo zero Para dar resposta à crescente procura de ajudas técnicas, a Rede Social de Alcochete definiu como prioridade, no seu Plano de Acção, a criação de um banco que possibilita o empréstimo gratuito de equipamentos que melhoram a qualidade de vida de cidadãos com deficiência ou mobilidade reduzida. De forma a facilitar os processos de reabilitação ou garantir uma melhor qualidade de vida diária da população mais idosa, a Câmara Municipal em conjunto com parceiros sociais criaram

AUTARQUIA REFORÇA SINALIZAÇÃO HORIZONTAL NO CONCELHO A Câmara Municipal adjudicou uma empreitada para reforçar a sinalização horizontal nas três freguesias do Concelho. Pinturas e repinturas de marcas longitudinais e transversais estão incluídas neste conjunto de acções que totalizam um custo de €15.342,86 e que vão ser realizadas durante o ano 2012. Em São Francisco está prevista a pintura de passadeiras na Alameda Júlio Dinis e na Rua Futebol Clube de São Francisco. Já na freguesia de Samouco, a segurança rodoviária será reforçada com a pintura de passadeiras nas Praças da República e José Coelho, na Rua do Norte, assim como na Rua Dr. Manuel da Cruz Júnior onde toda a sinalização será remodelada. Em Alcochete, existe um conjunto de espaços públicos contemplados nesta empreitada: Na Avenida Euro 2004 será reforçado o eixo longitudinal, tal como na Rua dos Rosmaninhos e na Rua dos Alecrins. Na Rua do Láparo, junto aos serviços municipais, a pintura de passadeiras será reforçada e ainda, entre este arruamento e a Avenida Alto do Chafariz, serão pintadas as marcas transversais. Na Avenida Combatentes da Grande Guerra vão ser pintadas novas passadeiras e ainda na malha urbana da Vila de Alcochete, na Avenida da Revolução, no troço compreendido entre a Rua Dr. Ciprião Figueiredo e a Rua Carlos Manuel Rodrigues Francisco toda a sinalização horizontal existente será alvo de intervenção.

um Banco de Ajudas Técnicas que permite o empréstimo gratuito de equipamentos necessários para repouso, apoio à mobilidade ou à prática de cuidados de higiene. Durante o período de recuperação do seu problema de saúde, os munícipes podem assim requisitar equipamentos como cadeiras e bancos de banho, camas, cadeiras de rodas, andarilhos, canadianas, entre outros. Os interessados em solicitar Ajudas Técnicas têm que preencher o formulário disponível no Centro de Saúde, na Santa Casa da Misericórdia, no Centro Comunitário Cais do Sal ou na Câmara Municipal, no Sector de Desenvolvimento Social e Saúde.

O Banco de Ajudas Técnicas é um projecto social, que visa minimizar o problema de aquisição destes equipamentos, criado no âmbito da Rede Social de Alcochete. Para que o Banco de Ajudas Técnicas seja uma resposta social eficaz, é fundamental o contributo de todos. Para tal, está a decorrer uma campanha solidária para a angariação de equipamentos, dirigida não só à comunidade, mas também, a instituições e empresas do sector privado. Os equipamentos, que posteriormente serão emprestados a pessoas mais carenciadas, podem ser entregues na Santa Casa da Misericórdia, no Centro de Saúde de Alcochete ou no Sector da Desenvolvimento Social e Saúde da Santa Casa da Misericórdia.

SAIBA MAIS QUEM PODE SOLICITAR O APOIO DO BANCO DE AJUDAS TÉCNICAS? › Quem reside no Concelho de Alcochete › Quem seja portador de incapacidade/ deficiência ou que por motivos de perda de autonomia física careça de ajudas técnicas › Quem tenha rendimentos mensais iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional em vigor à data do pedido (este critério pode ser substituído em função de uma análise sócio económica que justifique)

Reuniões de Câmara descentralizadas têm início em São Francisco No sentido de promover um mais rápido e fácil acesso à informação e envolver os cidadãos na gestão autárquica, a Câmara Municipal prossegue no ano de 2012 com a realização reuniões públicas descentralizadas em cinco locais distintos do concelho, para além das reuniões que decorrem no edifício dos Paços do Concelho. Para permitir e incentivar a participação da comunidade, as reuniões descentralizadas, que têm tido êxito na concretização de uma políti-

REGUESIAS / LOCALIDADES São Francisco Samouco Valbom Passil Fonte da Senhora

1.º SEMESTRE 29 de Fevereiro 28 de Março 23 de Maio 6 de Junho 20 de Junho

ca de maior proximidade, realizam-se sempre às 21h00 e vão decorrer nas sedes das Juntas de Freguesia de Samouco e de São Francisco e

2.º SEMESTRE 18 de Julho 29 de Agosto 26 de Setembro 24 de Outubro 22 de Novembro

LOCAL Junta de Freguesia Junta de Freguesia Vulcanense Futebol Clube Centro Comunitário do Passil Delegação da Junta de Freguesia

nos lugares do Passil, Fonte da Senhora e Valbom, áreas estas que pertencem à Freguesia de Alcochete.


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete REGULAMENTO DE RESÍDUOS URBANOS ESTÁ EM CONSULTA PÚBLICA O Regulamento do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos e Limpeza Pública do Município de Alcochete está em consulta pública desde 31 de Janeiro, último, por um período de 30 dias úteis. Neste Regulamento, que será aplicado em toda a área do Município de Alcochete, estão definidas as regras que respeitam à recolha e transporte de resíduos urbanos indiferenciados e de resíduos de construção e demolição, assim como como à limpeza urbana. Os interessados podem remeter as suas sugestões à Câmara Municipal, por escrito, dirigidas ao Presidente da Câmara Municipal até ao término do período de apreciação pública, para a morada Largo de São João, 2890-001 Alcochete, ou por fax: 212 348 690 ou através do endereço electrónico: geral@cm-alcochete.pt. O Regulamento do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos e Limpeza Pública do Município de Alcochete pode ser consultado na Divisão de Ambiente e Espaços Verdes, situado no Estaleiro Municipal/ Serviços Operacionais e em www.cm-alcochete.pt.

Reformulação da rede de transportes penaliza utentes O documento final de reformulação e simplificação da rede de transportes na Área Metropolitana de Lisboa, apresentado pelo Governo, penaliza os utentes dos transportes públicos do concelho de Alcochete. Quem o afirma é o vereador da Rede Viária, José Luís Alfélua que considera que “no concelho de Alcochete a população é penalizada no trajecto para Lisboa, quer os utentes que utilizam os TST, quer os utentes que utilizam as carreiras fluviais da Transtejo”. Apesar de registar algumas contribuições apresentadas pelos Municípios da AML, o documento final avança com a redução e eliminação de carreiras, o aumento do custo dos bilhetes e dos passes. “Estas medidas vão inevitavelmente reduzir o estímulo à utilização dos transportes públicos, incentivando o transporte particular, com todas as consequências financeiras, ambientais e de mobilidade que acarretam”, sublinhou o Vereador José Luís Alfélua. Para o Executivo Municipal este documento não reflecte as preocupações e reivindicações ao nível da oferta de transportes públicos e da simplificação do tarifário, entretanto manifestadas em reuniões da Junta Metropolitana de Lisboa e posteriormente remetidas ao Governo. Recorde-se que o primeiro estudo, apresentado à Junta Metropolitana de Lisboa, pelo Governo, em Outubro de 2011, foi rejeitado pelos Municípios da AML, pois não considerava os interesses dos utentes, iniciando-se então um processo de participação dos Muni-

ELIMINAÇÃO DE CARREIRAS PREJUDICA UTENTES NAS LIGAÇÕES A LISBOA

cípios, no sentido da integração das suas propostas no documento final. “Alguns dos contributos foram integrados. No que diz respeito aos transportes rodoviários houve uma melhoria, mas no que concerne à rede de transportes fluviais praticamente nada se alterou”, acrescentou o Vereador José Luís Alfélua. Assim, nas carreiras fluviais Montijo – Lisboa vão ser suprimidas duas carreiras nos dias

úteis, duas carreiras ao sábado e uma carreira ao Domingo, não estando ainda definida a reformulação dos horários. Mesmo perante a conjuntura actual e a necessidade de rentabilização dos meios e contenção na despesa, o Executivo Municipal considera que não é desta forma que se reajusta a rede de transportes, pois prejudica os utilizadores da mesma.

Regulamento do Cemitério de Alcochete em consulta pública Com o objectivo de actualizar as regras de utilização e funcionamento do Cemitério de Alcochete, a Câmara Municipal apresentou uma alteração ao Regulamento deste equipamento municipal, uma proposta que já foi aprovada, por unanimidade, em sessão pública de Câmara e encontra-se em consulta pública desde o passado dia 25 de Janeiro. Num prazo de trinta dias úteis, os munícipes interessados podem consultar este novo Regulamento, que se encontra disponível na Divisão de Ambiente e Espaço Verdes ou no Sector de Expediente Geral e de Apoio aos Órgãos Autárquicos da Autarquia e enviar, por escrito as suas sugestões, numa comunicação endereçada ao Presidente da Câmara Municipal. A proposta apresenta um conjunto de alterações referentes ao pagamento dos serviços cemiteriais, à utilização da Casa do Velório, à realização e aos horários de funerais e às exumações. Devido à demorada decomposição verificada

nos terrenos do Cemitério, propõe-se neste regulamento que o prazo mínimo de inumação passe de 3 para 6 anos, assim como são igualmente contempladas novas regras para o embelezamento das construções funerárias, para a realização de obras no interior do Cemitério,

para a ocupação de ossários e para o término das sepulturas perpétuas. Depois de terminado o prazo de consulta pública, a proposta de alteração ao Regulamento do Cemitério Municipal de Alcochete será remetido para apreciação em Assembleia Municipal.

inLOCAL

CÂMARA E ASSOCIAÇÕES ARTICULAM APOIOS PARA 2012 Em Janeiro, a Câmara Municipal reuniu com os representantes do Movimento Associativo do Concelho para, em conjunto, debaterem assuntos relacionados com os apoios a conceder durante a época 2011/ 2012 e as alterações previstas para o Regulamento de Apoio ao Movimento Associativo. Perante a actual conjuntura financeira, a Câmara Municipal é obrigada a reduzir os apoios financeiros que, até então, tem atribuido às colectividades e associações que desenvolvem actividade no Concelho. Consciente do trabalho que estas entidades concretizam em prol da comunidade, a Autarquia tem procurado encontrar soluções que colmatem a redução dos apoios financeiros. Neste sentido, foi apresentada aos dirigentes associativos a possibilidade de utilizarem os equipamentos municipais para a realização das suas iniciativas, com redução, ou em certos casos, com isenção de taxas de utilização, bem como o apoio na divulgação das suas actividades e na prestação de apoio técnico. O Centro de Estágio Albergue da Juventude, o Fórum Cultural, os Pavilhões Desportivos, os Campos de Futebol e de Ténis e a tradicional Embarcação Alcatejo são alguns dos equipamentos que estão, assim, à disposição do movimento associativo. Para serem concedidos estes apoios, a Câmara Municipal vai alterar um conjunto de regulamentos municipais. No regulamento da embarcação Alcatejo, por exemplo, passará a estar prevista uma viagem gratuita, por ano, para cada associação. Já no Centro de Estágio e Albergue da Juventude vão ser concedidas vinte dormidas gratuitas para cada associação e o Fórum Cultural poderá ser cedido duas vezes por ano a cada entidade, com cedência de bilheteira em horário normal, o que inclui os sábados até às 18h00. Os representantes associativos também apresentaram as suas preocupações ao Executivo Municipal, uma vez que em 2012, os apoios financeiros a atribuir ao movimento associativo do Concelho terão uma redução de cerca de 50%. Quanto à avaliação das candidaturas apresentadas para obtenção de apoios, será dada prioridade às actividades regulares, em detrimento das pontuais, bem como os apoios para inscrições e seguros, muito solicitados pelas associações que promovem modalidades desportivas.


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete

GRANDEPLANO

ENTREVISTA AOS TRÊS PRESIDENTES DE JUNTA DE FREGUESIA DO CONCELHO DE ALCOCHETE

PODER LOCAL DEMOCRÁTICO 35 ANOS AO SERVIÇO DA POPULAÇÃO Perante uma nova reforma administrativa para as Autarquias Locais, os Presidentes das três Juntas de Freguesia do Concelho reflectem sobre os 35 anos de Poder Local Democrático. 35 anos de participação colectiva, de serviço à comunidade e de conquistas que podem, nos dias de hoje, estar à beira de um retrocesso. Recentemente celebrámos os 35 anos do poder local democrático. Quais as recordações que tem das primeiras eleições autárquicas? Estêvão Boieiro (E.B.): As primeiras eleições autárquicas pós 25 de Abril foram para mim, e penso que para todos que as viveram, uma experiência inesquecível e indescritível. A emoção, a ansiedade, a expectativa eram sentimentos fortes e partilhados por todos. Antes da hora de votar já existiam filas enormes e as pessoas aguardavam que as portas se abrissem para escolher livremente os seus representantes nos órgãos de governação. António Almeirim (A.A.): As primeiras eleições decorreram na Escola Primária porque, nessa altura, não tínhamos estas instalações. Às 08h00, quando abriram as mesas de voto, estavam centenas de pessoas para exercer o seu direito de voto, tal não era a ânsia de liberdade e de participar na vida colectiva. Guardo como boa recordação o facto de ter sido eleito nesse dia. António Soares (A.S.): Na altura tinha 19 anos, portanto, as recordações são mínimas. Mas votei nas primeiras eleições autárquicas. Uma das recordações que tenho é que quando se deu o 25 de Abril de 1974, o nosso país tinha um elevado quadro de pobreza, de analfabetismo também… E com o 25 de Abril e as suas conquistas houve uma mudança, um desenvolvimento, um avanço para a nossa população. Nos anos subsequentes a 1976, os cidadãos tinham noção que estavam a assistir a uma mudança histórica, na qual também queriam participar. A vida colectiva sentia-se de uma forma diferente? E.B.: A vida colectiva passou a viver-se de forma mais participada e intensa. Obtivemos capacidade de refletir coletivamente sobre diversificadas matérias. Desde agricultores a estudantes todos sentiram necessidade de se associarem, eleger representantes, reivindicar. Formam-se associações de moradores, brigadas de alfabetização, comissões de trabalhadores e de estudantes, elegem-se delegados sindicais. Explode o desenvolvimento associativo.

A.A.: Era muito, sublinho, muito diferente. Eu referia há pouco a ânsia que sentíamos quando exercíamos o direito de voto, e sentia-se o mesmo quanto à vontade de participar na vida colectiva. As Assembleias de Freguesia eram qualquer coisa de extraordinário porque todas as pessoas apresentavam contributos. A.S.: Sim houve uma mudança de 180 graus! Até porque até 1974, não se realizavam eleições e se aconteciam era só para quem tinha direito a voto. E a partir desta data e mesmo em 1976 só não votou quem não quis, não foi porque não pudessem exercer esse direito. Recordo-me que São Francisco teve, nessa altura, uma Comissão de Moradores muito activa, que é um bom exemplo de como se sentia a vida colectiva. Muitas pessoas fizeram parte dessa Comissão e várias instalações foram feitas “a pulso” porque não existiam máquinas. O poder local democrático foi uma das principais conquistas alcançadas pela Revolução de Abril de 1974. E, na vossa opinião, quais as conquistas obtidas pela população com a implementação do poder local? E.B.: Considero que o poder local democrático foi, talvez, a maior conquista de Abril. Ao contrário do que era norma, este dá azo a que cada cidadão possa escolher quem melhor conhece e melhores opções fará para o desenvolvimento sustentado e equilibrado da sua terra. A.A.: O poder local democrático é, para mim, a maior das conquistas do 25 de Abril. A qualidade de vida melhorou tremendamente. As grandes transformações dão-se pelo 25 de Abril e depois o poder local democrático é uma conquista dessa data e as transformações são evidentes. A.S.: As pessoas ficaram a ganhar muito. Por exemplo, mesmo aqui em São Francisco, que só se tornou Freguesia em 1985, as pessoas estavam muito isoladas e graças às autarquias locais esta realidade mudou. Foi, sem dúvida, uma mais-valia para as populações. Os autarcas locais têm sido, ao longo destes 35 anos, a viva voz dos problemas sen-

tidos pelos cidadãos que representam. Esta é uma realidade que ainda se mantém? E.B.: Constato que, cada vez mais, as pessoas se me dirigem. Na rua, na Junta, em qualquer local colocam-me questões, partilham angústias e problemas. A maioria das vezes são matérias para as quais não tenho competências para resolver. Oiço-as e encaminho-as para serviços ou entidades específicas. Ainda há muita desinformação e nos últimos tempos assistimos a frequentes alterações ao nível dos pro-

cedimentos que baralham os cidadãos fazendo com que se percam no meio de tanta alteração e burocracia. A.A.: Eu tenho muitos exemplos quanto à proximidade. Sou Presidente de Junta de Freguesia, já cumpri vários mandatos e as pessoas conhecem-me. Raramente chego à Junta de manhã sem que não tenha sido abordado na rua. Quando dizemos que o primeiro patamar do poder local democrático são as Juntas de Freguesia é precisamente pela proximidade, sem

ESTÊVÃO BOIEIRO, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE ALCOCHETE

“O que está em marcha é um atentado ao poder local e a todos os que acreditam na democracia assente nas eleições livres e na representatividade”


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dúvida. E este contacto é também um sinal de que as pessoas acreditam em nós porque se os munícipes achassem que não tínhamos capacidade para resolver problemas nunca viriam ter com as Juntas. A.S.: Sim e eu vejo isso mesmo aqui na Junta de Freguesia de São Francisco. Ainda hoje é aqui que as pessoas “vêm bater à porta” com problemas de toda a natureza. E, de acordo com as nossas capacidades, tentamos resolver os problemas que vão surgindo ou reencaminhamos os mesmos quando ultrapassam as nossas competências. E penso que esta realidade é igual em todas as Juntas de Freguesia. Por ocasião do 114.º aniversário da Restauração do Concelho, a Câmara Municipal atribuiu a Medalha D. Manuel I às três Juntas de Freguesia do Concelho. Consideram que esta foi uma homenagem que veio em boa hora? E.B.: Foi oportuna porque vivemos um momento particularmente sensível no que às Freguesias diz respeito. O que está em marcha é um atentado ao poder local e a todos os que acreditam na democracia assente nas eleições livres e na representatividade. É mais uma acção que, a concretizar-se, terá um efeito perverso. E será o golpe final na desertificação do interior do País. Já fecharam escolas, correios, centros de saúde e agora fecham também Juntas de Freguesia? Pronto… fecham a aldeia definitivamente. A.A.: Enquanto uns pensam acabar com as Juntas de Freguesia, outros, como é o caso da Câmara Municipal de Alcochete, decidem distinguir o esforço e reconhecer o trabalho dessas mesmas Juntas de Freguesia. A.S.: Sim eu penso que é uma ideia muito feliz, numa altura em que se fala de agregação ou extinção de Freguesias, embora não tenha sido só agora que as Juntas de Freguesias merecessem ser reconhecidas. A atribuição da Medalha D. Manuel I vem, mais uma vez, reco-

nhecer e valorizar o trabalho que as Juntas de Freguesia desenvolvem em prol da população. É um reconhecimento do trabalho que nós prestamos à comunidade. Actualmente, as Autarquias Locais vêem a sua actividade muito condicionada devido ao estrangulamento financeiro… Como fazem a gestão dos recursos que têm ao seu dispor e das solicitações que chegam diariamente por parte dos munícipes? E.B: Os montantes que recebemos do Fundo de Financiamento de Freguesias foram sempre insuficientes para as competências que nos estão atribuídas na Lei. Esta é abrangente e igual para todas as freguesias, seja para uma do interior do País com 150 ou 200 habitantes, seja para outra com 40 ou 50 mil. Assim, vamos fazendo os possíveis e impossíveis para corresponder às expectativas de cada um. A.A.: Temos que recorrer e trazer para a Autarquia as nossas vivências e a nossa criatividade para tentar resolver as coisas. Por exemplo, a praia do Samouco que não tinha nada é, hoje, um espaço aprazível, com ginásio, balneários, chapéus de sol… Ora bem, podemme perguntar: “então mas como tiveram meios para fazer tudo aquilo?”. Muitos dos meios financeiros foi a Câmara Municipal que nos facultou e que nos possibilitou transformar a praia. E depois é a tal criatividade e fazermos aquilo que gostamos com o nosso próprio esforço, com a nossa própria mão-de-obra. Portanto, para combater a exiguidade de meios financeiros temos que ser, no mínimo, criativos. E depois dar também o nosso esforço. A.S.: É muito complicado. Tudo o que não implique custos, tentamos resolver. Quando envolve custos tem que haver uma retenção. Mas estas dificuldades sentem-se a nível nacional e as Juntas de Freguesia não fogem à regra. Vivemos bastantes dificuldades, como é do conhecimento de todos. Parece-me que não

há nenhuma Junta de Freguesia que se encontre de “boa saúde”, nem as Câmaras Municipais e nem o próprio Governo. Por outro lado, chegam-nos muitas solicitações. Pessoas que pedem ajuda à Junta de Freguesia para receber a reforma, para se deslocarem ao hospital, para marcarem uma consulta… É à Junta de Freguesia que as pessoas recorrem. Perante este cenário de crise, a atribuição de verbas por parte da Câmara Municipal no âmbito da descentralização de competências é fundamental para continuarem a prestar serviço à população? E.B.: Se existirem mais e melhores condições financeiras e meios podemos, certamente, prestar um melhor e mais diversificado serviço. Nós, Presidentes de Juntas, solicitámos aos vários Governos mais competências próprias, mais verbas e meios para que possamos implementar e intervir de forma directa na efectiva qualidade de vida dos nossos eleitores. E nunca obtivemos resposta. Algum deste desequilíbrio financeiro tem sido colmatado com a negociação e assinatura de protocolos de descentralização de competências com o Município. A.A.: Não vou falar em números, digo-lhe só que se a Câmara Municipal de Alcochete deixasse de participar financeiramente através da delegação de competências, a Junta de Freguesia teria que fechar as portas. A.S.: É mesmo fundamental porque se não houvesse essa descentralização de verbas por parte da Câmara Municipal não havia hipóteses de mantermos a “porta aberta” ou prestarmos qualquer tipo de serviço. Não conseguiríamos fazer face às despesas porque a Junta de Freguesia de São Francisco não tem receitas próprias. Portanto, recebemos as verbas da Câmara Municipal, através do protocolo que estabelecemos para a descentralização de competências, e o que recebemos do Estado é muito reduzido pois não dá sequer para pagar o ordenado de um funcionário.

No que respeita à reforma da Administração Local prevê-se a agregação ou a extinção de 1300 a 1400 freguesias e está contemplado um incentivo financeiro de 15% para as Freguesias que se agreguem… Qual a vossa opinião sobre esta Reforma? E.B.: O Documento Verde possui critérios desfasados da realidade de cada freguesia e não atinge metas economicistas. E o estímulo financeiro é um ardil. O bolo do OE não irá ser aumentado. Este é retirado do montante dos 0,10% que nos atribuem, o que significa que uns irão ter um pouco mais em detrimento de outros que terão menos, com claro prejuízo para as freguesias que não se agregarem. Mas cuidado… este incentivo é extensivo também à fusão de Municípios! A.A.: Só quem não conhece a nossa realidade minimamente é que se propõe acabar com Juntas de Freguesia. É também um engano, por parte do Sr.º Ministro Miguel Relvas, fazer a apologia de que acabar é o melhor. Mas melhor para quem? O que é que a população ganha com a extinção das Freguesias? Eu debruço-me sobre este assunto e não consigo encontrar uma única coisa que a população ganhe. Pelo contrário só vejo variadíssimas coisas que a população perde. Perde essa proximidade, perde a possibilidade de ir à sua Junta de Freguesia resolver as suas coisas. Esta decisão só pode vir de alguém a querer vingar-se do 25 de Abril. A.S.: Não concordo com essa forma de pensar, de maneira nenhuma. As Juntas de Freguesia fazem falta à população. Está provado que as Juntas de Freguesia são “uma gota de água no oceano” e, por isso, temos que trabalhar para melhorar e não extinguir Freguesias. A despesa que a Administração Central tem com as Juntas de Freguesia não tem impacto quase nenhum no seu orçamento. Por isso, é uma infeliz ideia e não é por aqui que o Estado vai poupar.

ANTÓNIO ALMEIRIM, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DO SAMOUCO

ANTÓNIO SOARES, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE SÃO FRANCISCO

“As grandes transformações dão-se pelo 25 de Abril e depois o poder local democrático é uma conquista dessa data e as transformações são evidentes”

“Está provado que as Juntas de Freguesia são “uma gota de água no oceano” e, por isso, temos que trabalhar para melhorar e não extinguir Freguesias”


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114 ANOS DE AUTONOMIA POLÍTICA E ADMINISTRATIVA

Restauração do Concelho

Em Janeiro, Alcochete comemorou e recordou mais uma vez o dia em que o Concelho recuperou a sua autonomia política e administrativa: o 15 de Janeiro de 1898. Mais do que um recuperar de memórias, as comemorações do 114.º aniversário da Restauração do Concelho são a celebração da identidade de um povo que tem orgulho na sua história. Na noite de 15 de Janeiro de 2012, a população da vila de Alcochete e a Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 saíram à rua tal como acontecera há 114 anos atrás. Nesta noite histórica, e como “manda” a tradição, o Hino da Restauração fez-se ouvir pelas ruas do Núcleo Antigo da Vila numa interpretação dos músicos da Banda da SIA que, anualmente, protagonizam a alegria e a euforia que foi sentida em 1898. “É com honra que temos a população connosco neste dia. Comemora-

mos hoje 114 anos da nossa independência política e administrativa depois de três anos agregados à Aldeia Galega (hoje Município do Montijo) e devemos perpetuar este momento para todo o sempre”, enfatizou o Presidente da Câmara Municipal, nos Paços do Concelho, depois da saudação e apresentação de cumprimentos às colectividades pela Banda da SIA. Numa noite em que foi exaltada a história e a identidade local, um “Viva Alcochete!” fez-se ouvir numa Galeria Municipal repleta de mu-

nícipes, autarcas e representantes do movimento associativo. E sendo a Restauração do Concelho uma das datas com mais significado para Alcochete, é também durante a Sessão Solene alusiva a esta efeméride que a Câmara Municipal distingue personalidades, colectivas ou singulares, que tenham enaltecido o Concelho através dos seus feitos. Na Sessão Solene que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no passado dia 22 de Janeiro, a Câmara Munici-

ENTREVISTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA Qual a opinião do Executivo Municipal sobre a nova Reforma Administrativa, tendo em conta que a mesma poderá trazer alterações consideráveis para a administração local? A Câmara Municipal (assim como a Assembleia Municipal) já tomou uma posição política sobre estas matérias, aprovando uma moção de rejeição destes planos e objetivos políticos do Governo. Consideramos que esta matéria necessita de ser esclarecida junto da população, razão pela qual pretendemos promover debates alargados, convidando também os responsáveis nacionais autárquicos dos diferentes partidos políticos. A Câmara Municipal está totalmente disponível para apresentar os seus contributos, no sentido de uma verdadeira Reforma Administrativa que prossiga os princípios estabelecidos na nossa Lei Fundamental de reforço da descentralização política, administrativa e financeira do Poder Local Democrático, a institucionalização das Regiões Administrativas e o aprofundamento de uma democracia participativa. Relativamente à nova Reforma para a Administração Local importa referir que o Governo considera que, no que diz respeito à organização administrativa do território, a existência de 308 Municípios e 4259 Freguesias no nosso País corresponde a uma realidade considerada desproporcional e exagerada. No entanto, esta realidade, quando comparada com outros países da Europa, evidencia que Portugal tem indicadores equilibrados nesta matéria. Dando corpo

ao entendimento que preconiza, o Governo avança para esta reorganização da Administração Local com um plano de consolidação que revê a reorganização e a redução significativa do número de Autarquias, propõe a fusão voluntária de Municípios, elimina a representação plural e democrática dos Executivos Camarários, estabelece critérios de extinção e agregação de Freguesias e desenvolve uma acção política assente nos quatro seguintes pilares: restruturação do sector empresarial local, reorganização do território, redefinição do modelo de gestão municipal, intermunicipal e de financiamento e reforço da democracia local. Ainda no que a esta matéria diz respeito, quais as principais linhas de força subjacentes a esta proposta de alteração ao Poder Local? Do que conhecemos das intenções do Governo sobre esta matéria é possível identificarmos como principais linhas de força o desvirtuamento do sistema eleitoral para as Autarquias Locais, através da eliminação da eleição directa das câmaras (a que acresce o reforço do poder absoluto unipessoal dos respetivos presidentes), a redução do número de eleitos nas Câmaras e Assembleias Municipais e a imposição de um regime de executivos homogéneos, acabando desta forma com as características plurais e democráticas hoje existentes. Assiste-se ainda a uma instituição de um regime de finanças locais que, assente na fiscalidade local, reduz os factores de coesão e elimina o princípio constitucional da justa repartição entre as Administrações

Central e Local, assim como a uma subversão do actual regime de atribuições e competências municipais, consubstanciada na sua transferência para estruturas “supra municipais” (ao arrepio de um verdadeiro processo de descentralização política como o que se verificaria se fossem instituídas as Regiões Administrativas) e à extinção de centenas de freguesias, eliminando a participação política e democrática das populações. De facto, o pacote legislativo que está em marcha traduz-se numa completa destruição de alguns dos princípios mais progressistas e avançados do Poder Local em Portugal. No que concerne à organização interna das Autarquias Locais, está previsto, no Orçamento de Estado para 2012, a redução de 15% do número de cargos de dirigentes municipais e de 3% no número de trabalhadores efectivos. Como se compreende, esta linha de actuação terá repercussões nefastas ao nível da empregabilidade e, consequentemente, ao nível das condições de vida da população. As Câmaras Municipais devem poder decidir acerca do que consideram ser o melhor organograma de funcionamento dos respectivos serviços, uma vez que estamos a falar de serviços prestados à população, ou seja, de serviço público, que deve ser crescentemente qualitativo. Ora, se a filosofia do Governo relativamente ao Poder Local vier a conhecer implementação, muito provavelmente, o serviço público perderá qualidade.

pal homenageou as três Juntas de Freguesia do Concelho com a atribuição da Medalha D. Manuel I, uma homenagem que se traduziu também, segundo o Presidente da Câmara Municipal, num “tributo ao papel relevantíssimo do Poder Local na nossa sociedade”, numa altura em que se celebra o 35.º aniversário da institucionalização do Poder Local Democrático mas também que se discute uma nova reforma administrativa. “Assim, realizamos uma vez mais esta cerimónia, não só para relembrar o momento histórico de recuperação da nossa autonomia política e territorial, mas, simultaneamente, para continuar a relembrar todos aqueles que, de forma determinada, ombrearam na luta pela afirmação da nossa identidade e pelo reforço do nosso sentir enquanto comunidade”, enfatizou Luís Miguel Franco na sua intervenção. E se o Poder Local teve um lugar de destaque nestas Comemorações, os trabalhadores que completaram trinta anos ao serviço da causa pública também não foram descurados. Com a atribuição da Medalha Municipal de Bons Serviços, a Câmara Municipal distinguiu os funcionários Filipe Sequeira, Estêvão Garrett e Idália Bernardo pelo profissionalismo e trabalho desempenhado em prol da comunidade local. Sobre a atribuição de Medalhas Municipais, o Presidente da Câmara explicou que: “este ano quisemos conferir uma especial atenção ao papel relevantíssimo do Poder Local na nossa sociedade, assim como à dimensão do trabalho e aos profissionais em funções públicas que são o rosto da nossa Administração Autárquica e a referência de cidadania e do serviço público”. Numa altura em que se exalta a História do Concelho e são engrandecidos os nomes daqueles que contribuem para um melhor futuro no Concelho, as críticas às medidas do Governo, que agravam as dificuldades sentidas por aqueles que desenvolvem actividade local, ganharam força nos discursos dos autarcas locais. Luís Miguel Franco enumerou um conjunto de medidas “absolutamente desastrosas para o país e para as condições de vida dos portugueses”. À Lei do Orçamento de Estado, aprovada para 2012, somam-se a grave recessão económica e social que se vive no país, as elevadas taxas de desemprego, a diminuição das funções sociais desempenhadas pelo Estado, a redução no investimento público e a diminuição nas transferências do Estado para as Autarquias. Por sua vez, os Presidentes das Juntas de Freguesia de Alcochete, de Samouco e de São Francisco manifestaram a sua discordância sobre a possibilidade de agregação de Freguesias prevista no Documento Verde da Reforma da Administração Local. Depois das intervenções oficiais, a Sessão Solene do 114.º Aniversário da Restauração do Concelho terminou com um momento musical proporcionado pelo Quarteto de Guitarras de Lisboa.


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UM ENSAIO BEM PORTUGUÊS NO FÓRUM CULTURAL DE ALCOCHETE

“Diz-me dEças” com António Machado e Philippe Leroux

apelo à memória, até porque um dos princípios inerentes à concepção da peça foi “há muito que se anda a dizer as mesmas coisas e a cometer os mesmos erros”. A.M.: Não é bem uma chamada de atenção, é mais um já viram que há 500 anos anda-se a dizer a mesma coisa e a coisa não muda, a cair nos mesmos erros e as pessoas não mudam e as coisas não mudam. A.G.P.: E atenção que não é só na política. A.M.: Esta não é uma peça completamente política, temos textos de política, mas temos textos de amor, sobre a sociedade… A.G.P.: Inclusivamente há um texto do Eça que serve para dizer que sempre houve gente chata, que curiosamente podem até salvar-nos a vida, como acontece nesse texto. A política tem um peso… mas parte é política e parte é social. P.L.: Actualmente, a política tem muito peso. Mas existe claramente uma comparação, no sentido de olha que interessante, dizem-se as mesmas coisas e estão a acontecer as mesmas coisas… Qual a reacção do público? A.M.: Ao princípio há alguma tensão porque não se percebe bem o que estamos a fazer, estamos a dizer frases, a inventar textos, a dizer que vamos construir uma peça e as pessoas também não sabem muito bem de que se trata, até perceberem que existe um fio condutor. E depois quando as frases são bombásticas ouve-se aquele frio… mas ouve-se também risos. P.L.: Muitas pessoas acham mesmo que há uma falha qualquer. Já aconteceu que algumas pessoas pensaram mesmo que é um ensaio, e questionaram sobre a data da estreia.

ACTORES E ENCENADOR REVELAM O QUE QUEREM DIZER EM “DIZ-ME DEÇAS”

Da autoria de António Gonçalves Pereira, o espectáculo “Diz-me dEças” iniciou uma digressão, por alguns palcos do país, a 24 de Fevereiro, no Fórum Cultural de Alcochete. Em palco António Machado e Philippe Leroux testaram e interpretaram textos de diferentes autores, com destaque para Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Camões, entre outros, num “ensaio”partilhado com o público, que se deixou envolver em momentos hilariantes, sérios e de surpresa perante a actualidade de alguns dos textos mais antigos. Quisemos saber o que o autor e os actores querem dizer em “Diz-me dEças”. Já dizia Eça de Queiroz que o “Riso é a mais útil forma de crítica, porque é a mais acessível à multidão”. É importante falar de coisas importantes de forma divertida? António Machado (A.M.): Eu acho que sim, sempre foi a forma mais subversiva de crítica. Philippe Leroux (P.L.): A mensagem chega mais facilmente às pessoas pura e simplesmente. É tão simples quanto isso. “Diz-me dEças” é uma comédia? A.M.: Eu acho que não é bem uma comédia, é uma peça de teatro, é um ensaio mas não é uma comédia. Tem momentos de comédia, tem mo-

mentos mais dramáticos e outros mais intensos. P.L.: No geral é uma peça de bom humor. Como é que se constrói esta peça, que é um ensaio com o público? António G. Pereira (A.G.P.): Começou com uma folha em branco em que as únicas anotações eram: isto é um ensaio, os actores estão neles próprios e eu não apareço. Isto em termos de encenação. Em termos de textos, começou por uma selecção de textos só de Eça de Queiroz, aliás os únicos textos completos, tirando os meus, são do Eça e temos também as citações a propósito desses textos, que ser-

vem de introdução e de ligação entre eles. Mas a base foi esta, uma folha em branco com três notinhas de encenação e com a ideia de pesquisar e escolher textos de Eça de Queiroz. Foi fácil fazer essa interligação entre os textos actuais com os textos mais antigos? A.G.P.: Espantosamente fácil e não só com os do Eça, mas também com o que o Camões disse há 500 anos e que o Grouxo Marx disse há 60 e que Karl Marx disse há 100. Existe alguma chamada de atenção ou “lição” que pretendam dar aos portugueses? Ou um

Consideram que o riso é o melhor remédio para combater esta tristeza e frustração que actualmente se sente em Portugal? A.M.: Eu acho que sim. É bom rir. Não é o riso parvo. Não é rir de uma forma inconsciente. Mas é bom para pelo menos andarmos bemdispostos. P.L.: E é uma maneira de nos conhecermos porque rimo-nos de nós próprios. Se for outra pessoa a rir de nós é diferente, não é agradável, mas quando nos identificamos com algo, como uma frase ou com alguma coisa que está a acontecer e nos rimos, estamos a rir de nós próprios. O espectáculo é sempre o mesmo em cada sala onde o vão representar ou há um espectáculo novo? P.L.: Os textos são sempre os mesmos e a linha condutora é sempre a mesma, mas há, de vez em quando, um espaço para podermos brincar e há também referência à cidade onde vamos. A.G.P.: Há um texto inicial que é feito de uma maneira surpreendente sobre a localidade onde se efectua a actuação. Em Alcochete pedimos ao Prof. José Hermano Saraiva que desse início ao espectáculo e nos contasse algumas histórias relacionadas com a localidade.

1.º Festival CAF envolveu participação de 300 crianças Trezentas crianças participaram na 1.ª edição do Festival CAF que decorreu no passado dia 14 de Janeiro, no Fórum Cultural de Alcochete, numa organização da Câmara Municipal. Familiares e profissionais da área da educação não faltaram a esta iniciativa dos alunos do

Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico que, no âmbito das actividades realizadas na Componente de Apoio à Família (CAF), protagonizaram actuações de dança, música, artes circenses, entre outras. Neste espectáculo, em que os “pequenos artistas” foram os gran-

des protagonistas, o Vereador da Educação, Paulo Alves Machado, destacou o trabalho que tem sido desenvolvido pelas educadoras em parceria com as técnicas da Câmara Municipal. “Esta CAF que a Câmara Municipal tem vindo a desenvolver já há alguns anos tem

sido, para nós, um grande esforço, mas realizado com muita satisfação. Quero dizer-vos que, ao longo dos anos, a articulação estabelecida com as técnicas da Autarquia tem sido uma mais-valia para o trabalho desenvolvido nos jardins-de-infância”, frisou.


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Informação da Câmara Municipal de Alcochete ASSOCIAÇÃO DE PESCADORES COMEMORA 7.º ANIVERSÁRIO A Associação de Pescadores de Alcochete comemora, no próximo dia 18 de Março, sete anos de existência e convida os sócios e amigos da colectividade a participar no jantar de aniversário que se realiza, a 31 de Março, no restaurante “O Âncora”em Alcochete. A 10 de Março a associação promove um convívio e uma actividade de pesca junto à Muralha, na Av. D. Manuel I, entre as 15h30 e as 19h00, seguindo-se um jantar de confraternização para todos os participantes.

MOVIMENTO

ENTREVISTA A JOSÉ MARIA TAVARES MARNECA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL RECREATIVA E DESPORTIVA DO RANCHO FOLCLÓRICO DE DANÇAS E CANTARES DO PASSIL

RANCHO FOLCLÓRICO DO PASSIL PROMOVE TRADIÇÕES RURAIS

Quantas pessoas integram o Rancho Folcórico de Danças e Cantares do Passil? Temos 42 elementos que residem na nossa Região, desde as Lagameças ao Penteado e Samora Correia. São pessoas, sobretudo os mais jovens, que vieram aos nossos ensaios, que gostaram do ambiente e que apreciam as nossas modas, que são rápidas.

Há mais de duas décadas que a Associação Cultural Recreativa e Desportiva do Rancho Folclórico de Danças e Cantares do Passil desenvolve a sua acção na promoção da cultura popular de uma zona que acolheu pessoas de vários pontos do País para trabalhos nas lezírias e nos arrozais da margem sul do Tejo. José Maria Tavares Marneca preside desde 2008 à Direcção desta Associação, uma experiência que o levou a gostar de folclore e a ter orgulho nas pessoas que fazem parte do rancho. A Associação Cultural Recreativa e Desportiva do Rancho Folclórico de Danças e Cantares do Passil festejou no dia 19 de Janeiro o seu 21.º aniversário. Quais as modas que dançam e cantam e qual a sua origem? A Associação festejou o seu 21.º aniversário mas o Rancho Folclórico vai festejar 25 anos em Junho porque quando esta colectividade foi oficialmente constituída, o Rancho já existia há mais de três anos com a professora Maria José, que formou o Rancho com os miúdos que andavam na escola do Passil. Na altura, o Presidente da Câmara, Sr. Miguel Boieiro, mandou construir o edifício no Passil (o actual Centro Comunitário) e como o Rancho não tinha condições para ensaiar na Escola, passou a ensaiar neste edifício e constituiu-se a colectividade. Na altura da sua criação, o Rancho dedicou-se à recolha de danças e cantares das populações que vinham de diversos pontos do País para trabalhar aqui nas lezírias e nos campos de arroz e que, a pouco a pouco, se foram estabelecendo nesta Região. Nessa altura, quem estava à frente do Rancho ia procurar essas pessoas para saber como é que eram as danças e os cantares depois de um dia de trabalho. Foi daí que surgiram as nossas modas. Temos, entre muitas outras modas, as seguintes: “Cavalo Sueste”, “Corridinho do Barrete Verde”, “Fado Marcado”, “Fandango”, “Fado Batido”, “Bailarico de Pancas”, “Flor de Girassol”, “Vira do Minho” e “Lezírias de Alcochete”. Quais as tradições e costumes da Região que procuram manter vivos? Procuramos manter vivas as profissões que antigamente davam trabalho a esta gente: o campino, a mondina e o salineiro, ou seja, profissões ligadas ao gado bravo, ao arroz e ao sal.

Quais as razões que levaram à criação do Rancho Folclórico no lugar do Passil? Pelo que sei, a missão primordial foi a ocupação dos tempos livres das crianças deste lugar por iniciativa da professora Maria José Lopes, que viu que as crianças não tinham nada para fazer quando saíam da escola e para as manter ocupadas e não irem para outros afazeres, criou um grupo de folclore. O traje é um elemento indissociável do folclore. Como é que os elementos do Rancho Folclórico do Passil se apresentam trajados nos espectáculos? Normalmente estão trajados da seguinte manei-

Os tocadores e cantadores são também elementos de destaque dos ranchos folclóricos. Como é que é assegurada a componente musical no vosso grupo? É assegurada por um cantador, uma cantadeira e três acordeonistas. Temos ainda os tocadores de vários instrumentos: bilha, matraca, reco-reco, pandeireta, cana, martelo, ferrinhos e maracas.

Quais as diferenças que se podem apontar quanto ao desempenho do Rancho Folclórico desde os primeiros anos da sua criação até à actualidade? Sou muito novo na Associação e não tenho essa percepção do antigamente e do que é agora, mas sei que tem vindo a evoluir porque passámos do traje único para trajes etnográficos que documentam a forma como os trabalhadores de várias profissões se vestiam nos seus trabalhos.

ra: os homens, como Campino de Gala, Campino de Trabalho, Viúvo, Corticeiro, Cocheiro, Lavrador; as mulheres, como Mondina Domingueira e de Trabalho, Traje rico, Traje Domingueiro, Viúva, Mulher do Campino… Queremos ainda acrescentar ao nosso Grupo o traje de Salineiro, que é uma aposta desta Direcção, uma vez que é uma profissão do nosso Concelho. As actividades da agricultura e da lezíria são muito marcantes no nosso Rancho Folclórico porque o Passil é uma zona rural, que fica perto da Herdade da Barroca d´Alva e de Rio Frio, das lezírias, e que também está perto do Rio Tejo e tudo isso faz com que os nossos trajes estejam ligados a estas vivências.

RANCHO FOLCLÓRICO DO PASSIL ANIMA FESTAS ANUAIS DO CONCELHO

Em que medida a comunidade local apoia e participa na vida do Rancho Folclórico? Para além de algumas famílias, que sempre nos apoiaram, a participação do resto da população não é como nós gostaríamos, com muita pena nossa. Penso que devia haver mais participação da população do Passil porque nós estamos com eles, fazemos tudo em prol deles, só que às vezes não sentimos o feedback dessa mesma população. É pena mas não podemos fazer mais nada. Quais os pontos altos da vida da colectividade ao longo do ano? Penso que são o aniversário da colectividade em Janeiro e o do Rancho em Junho e o Natal das Crianças, em que oferecemos brinquedos e lanche aos filhos dos sócios até aos 10 anos, mas temos várias actividades durante o ano, só que quero realçar estas três iniciativas. Como há muitas crianças carentes no Passil e muitas delas não têm um brinquedo no Natal, esta Direcção faz questão de há já três anos festejar esta data. O que representa o folclore para os elementos do Rancho de Danças e Cantares do Passil? É uma forma de divulgar a cultura do Concelho e as suas tradições e é também uma forma de convívio com grupos com outras tradições. Na essência, o folclore é uma escola das tradições do nosso País. O folclore faz-me feliz e tenho orgulho nas pessoas que fazem parte do rancho e com quem trabalho. Gosto das pessoas, da colectividade e também passei a gostar de folclore. Tudo isto me motiva, só é pena é que não haja outras pessoas que nos ajudem para que as coisas sejam melhores do que são, mas não é isso que me vai desmotivar de estar à frente da associação.


Fevereiro 2012 | inalcochete.13

Informação da Câmara Municipal de Alcochete CAÇADORES DE ALCOCHETE CELEBRAM 23 ANOS A Associação de Caçadores de Alcochete comemora, a 13 de Março, o 23.º Aniversário com um torneio de tiro aos pratos inter-sócios, que se realiza no dia 10 de Março, pelas 14h00, na Quinta da Carrasqueira. No dia 18 de Março, às 13h00, tem lugar no restaurante Moínho da Praia, em Samouco, o almoço de aniversário, durante o qual vão ser entregues os prémios do torneio de tiro aos pratos.

FUTEBOL CLUBE DE SÃO FRANCISCO ASSINALA 35 ANOS Durante o mês de Março o Futebol Clube de São Francisco assinala 35 anos de existência com um conjunto de actividades, com destaque para os torneios de matraquilhos, snooker e suéca, e o tradicional corte do bolo de aniversário, a 19 de Março, dia de aniversário da associação. Refiram-se ainda as participações das equipas de futsal, infantil e sénior, nos jogos a contar para os respectivos campeonatos distritais da modalidade.

ENTREVISTA A MARIA OTÍLIA D’AVÓ, PRESIDENTE DO GRUPO FOLCLÓRICO DE DANÇAS E CANTARES DA FONTE DA SENHORA

GRUPO DA FONTE DA SENHORA REFORÇA IDENTIDADE SOCIAL O Grupo Folclórico de Danças e Cantares da Fonte da Senhora festeja este ano um quarto de século na promoção do folclore da Região com a expectativa de ver o seu trabalho reconhecido pela Federação Portuguesa do Folclore. Dirigente associativa, cantadeira e grande impulsionadora do folclore, Maria Otília d´Avó conta como surgiu e qual tem sido a acção do Grupo na preservação e divulgação das tradições e usos da cultura popular.

O Grupo Folclórico de Danças e Cantares foi fundado em 1987, integrado no Grupo Desportivo da Fonte da Senhora e desde essa data destaca-se na preservação e divulgação do folclore. Quais as origens das vossas modas? Quando nascemos há 25 anos não tínhamos a noção do que era o folclore. Para nós, folclore era cantar, dançar e vestir uma roupa, a que se dá o nome de traje estereotipado. Seis anos depois da nossa fundação fizemos o levantamento de alguns trajes e modificámos o grupo para traje etnográfico, que fomos melhorando ao longo dos anos. Quando “nascemos” vieram aqui alguns idosos para nos dar umas modas, tanto a cantar como a dançar. Saliento o Ti Manuel dos Santos, de Rio Frio, pai do acordeonista fundador do nosso grupo, que veio aqui ensinar como é que se tocava e como é que se dançava algumas modas. Mas eu não tinha a noção que aquilo era um acto de recolha de uma moda ou de uma dança e nem temos testemunho disso mas permitiu-nos fazer um trabalho muito superior de pesquisa e recolha, tanto de trajes como de modas. É com isso que nós estamos a preparar o nosso processo de filiação na Federação Portuguesa de Folclore, da qual somos aderentes há uns cinco anos. E, este ano, já fiz quase que um ultimato à Federação de Folclore para terminarmos esta situação de sermos apenas sócios aderentes, porque temos sido vítimas de não haver conselheiros técnicos na nossa Região. Quais as tradições e os costumes que procuram manter vivos? As cantigas, os trajes, os usos e os costumes. Por exemplo, nos últimos anos, temos feito o levantamento de alguns quadros etnográficos. Um quadro etnográfico baseia-se numa tradição da nossa gente e tanto pode ser baseado no traba-

lho, na vivência de uma família, como numa tradição e a grande tradição que nós temos aqui é a romaria à Senhora da Atalaia. Temos tido grande êxito na representação de vários quadros etnográficos. O último quadro que representámos tem a ver com a vivência da ida à Vila ou à praça de trabalho, ao Montijo, que era assim que as pessoas daqui iam arranjar trabalho. Os elementos do Grupo Folclórico da Fonte da Senhora apresentam-se em palco trajados a rigor e só com adereços que pertencem ao nosso passado, porque estamos a representar os nossos antepassados e como tal temos que os honrar. É uma questão de opção e a nossa opção é representar o antigamente. Temos o traje da ida à romaria ou à festa da Atalaia, o da ida à feira do Pinhal Novo, o de senhora mais abastada, o de camponesa de domingar, o de mondina ou de mondadeira do arroz da Barroca d´Alva, o de salineiro, que é muito representativo de Alcochete e alguns trajes comuns da época. Nós situamo-nos nos finais do século XIX, princípios do século XX, portanto há muito trajes comuns que são representativos. A tocata é um elemento fundamental no folclore. Como é que se apresentam em palco? Temos três cantadeiras e os tocadores de acordeão, cana rachada, reco-reco, ferrinhos, bombo e viola. E depois temos os figurantes, pessoas que não dançam, só fazem representação com trajes de trabalho. O salineiro, a mondina e a senhora idosa, que fazia trabalhos de costura e renda e tomava conta das crianças, fazem parte da tocata como figurantes. No total, o Grupo Folclórico da Fonte da Senhora tem nove pares de adultos, seis a oito pares de infantis e a tocata com 13 pessoas. O Grupo

engloba várias idades, desde uma criança com três anos, que é o mais novinho, ao salineiro e à senhora idosa, pessoas com mais de 80 anos. Qual a evolução do Grupo Folclórico ao longo da sua existência? Nesta colectividade, o nosso Grupo Folclórico tem sido mesmo o número um. Quando o Grupo Desportivo da Fonte da Senhora nasceu há 29 anos tinha como finalidade o desporto, mas com o aparecimento do rancho folclórico, o desporto ficou muito apagado. O folclore tem tido um papel fundamental, faz a colectividade funcionar. Em que medida a comunidade local apoia a actividade do Grupo Folclórico? Dizer que a comunidade do nosso bairro apoia muito, estaria a mentir, mas também não dizem que não apoiam. Muitas vezes, quando fazemos actividades na nossa colectividade, se não vêm é porque não estão interessados, mas desde que não nos critiquem, já nos sentimos bem. Mas também sei ver que o nosso bairro está muito envelhecido, quase não há crianças, os filhos das pessoas que cá vivem casaram e foram morar para outros lados. Felizmente temos sempre muita adesão de pessoas do Montijo, do Pinhal Novo e de Alcochete e não nos sentimos desapoiados, temos sempre público em todos os espectáculos. Quais as iniciativas com mais destaque na colectividade? Posso salientar que, por exemplo, no ano passado, tivemos uma noite maravilhosa com uma mini revista que nós fizemos baseada na história da televisão, “A Caixa que Mudou o Mundo”,

inMOVIMENTO

no âmbito dos festejos do 25 de Abril. Foi um êxito. Realizamos, por norma, o nosso Festival de Folclore, que este ano vai ser a 12 de Maio, em que trazemos grupos de folclore de excelente qualidade e organizamos também o Baile da Pinha antes da Páscoa. Temos agora um grupo de sevilhanas, residente na colectividade que, quando fazem um encontro, a casa rebenta pelas costuras. Festejamos também os dois aniversários, o do Grupo Folclórico em Novembro e o da colectividade em Janeiro. Quais as origens do Grupo Folclórico de Danças e Cantares da Fonte da Senhora? Temos que recuar alguns anos antes de surgir o Grupo Desportivo da Fonte da Senhora. Existiam, na altura, alguns rapazes, ainda miúdos, que gostavam muito de futebol, de fazer algumas brincadeiras e começaram a fazer uns bailes no chaparral e no cruzamento ao pé do café Borralho. Daí começaram a surgir as danças de roda na rua e começou-se a falar de um rancho folclórico. Quando o grupo de jovens conseguiu formar a associação do Grupo Desportivo, a senhora Maria José Garrancho, que era Presidente da Junta de Freguesia de Alcochete, ofereceu um terreno para se construir a nossa sede e assim que a sede começou a tomar corpo, a ideia do rancho folclórico surgiu logo na nossa mente e foi assim que nasceu o rancho folclórico dentro do espírito do Grupo Desportivo da Fonte da Senhora. Como é que sentem e vivem o folclore? Ao contrário do que, muitas vezes, dizem em sentido depreciativo: “isto é tudo folclore”, o folclore é muito sério, representa as vivências, os usos e costumes, as tradições dos nossos antepassados, dos nossos avoengos e os ranchos são sérios, não deixam morrer algumas tradições e não deixam apagar a nossa identidade portuguesa. São eles que fazem as recriações, as representações, que falam de como eram antigamente as tradições. Portanto, o folclore é um assunto muito sério e temos que o respeitar e obedecer às suas regras.

ESTÃO DE PARABÉNS EM FEVEREIRO… Associação Gilteatro | 3 de Fevereiro de 1996 Centro Social de São Brás 3 de Fevereiro de 2002 Associação Equestre de Alcochete 8 de Fevereiro de 1995 Clube Taurino de Alcochete 18 de Fevereiro de 1998 Sport Clube de Samouco 25 de Fevereiro de 2005 EM MARÇO... Sociedade Recreativa de São Francisco 1 de Março de 1944 Associação de Caçadores de Alcochete 13 de Março de 1989 Associação de Pescadores de Alcochete 18 de Março de 2005 Futebol Clube de São Francisco 19 de Março de 1977 Associação Académica de Alcochete 23 de Março de 1994


14.inalcochete | Fevereiro 2012

Informação da Câmara Municipal de Alcochete

inPLURAL

A Assembleia Municipal reuniu em sessão ordinária a 28 de Dezembro de 2012, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, para deliberar sobre o Diagnóstico e Definição da Estratégia de Reabilitação e Valorização da Frente Ribeirinha do concelho de Alcochete: Alcochete, Porta do Estuário da Cidade das Duas Margens, a contracção do empréstimo no âmbito do Programa de Acção para a Regeneração da Frente Ribeirinha da vila de Alcochete, o Regulamento da Gestão e Funcionamento da Piscina Municipal de Alcochete, o Regulamento da Casa de Velório de Alcochete, o Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais do Município de Alcochete, os Protocolos de Descentralização de Competências da Câmara Municipal de Alcochete nas Juntas de Freguesia do Concelho, as Grandes Opções do Plano, Plano Plurianual de Investimentos, Actividades Mais Relevantes para os anos de 2012-2015, o Orçamento para o ano de 2012 e o Mapa de Pessoal para o ano de 2012. Além dos assuntos que constavam da Ordem do Dia, os deputados municipais abordaram diferentes assuntos que consideraram importantes.

Bancada da Coligação Democrática Unitária o período que antecedeu a Ordem do Dia, a deputada municipal Ana Brandão questionou sobre a transferência dos alunos para o Centro Escolar de São Francisco. O Executivo Municipal esclareceu a deputada municipal sobre a questão colocada. No período reservado aos Assuntos Relevantes para o Município o deputado municipal António Almeirim informou a Assembleia Municipal acerca das conclusões do 13º congresso da ANAFRE. No período de Discussão e Aprovação de Propostas de Moção os deputados municipais da CDU apresentaram duas moções. A moção “Documento Verde da Administração Local e Orçamento de Estado”, foi aprovada, por maioria, com 14 votos a favor da bancada da CDU, 2 votos contra da bancada do PSD e 7 abstenções da bancada do PS. O deputado municipal Fernando Leiria referiu que a moção da CDU é distinta da moção apresentada pela bancada do PSD, e enumerou algumas questões que considerou serem falsas nessa moção, nomeadamente, a racionalização na gestão territorial, a utilização de menos dinheiro e a centralização administrativa. Fernando Leiria considerou que este é o livro negro do Poder Local Democrático, que em Dezembro fez 35 anos. António Almeirim, membro da Assembleia Municipal advertiu que as Câmaras Municipais prestam contas em relação ao dinheiro que gastam e sublinhou que o Poder Local não foi o causador do actual estado deficitário em que o País se encontra. António Almeirim afirmou que a moção apresentada pela bancada da CDU é igual à da Câmara, pois a bancada orgulhosamente a subscreve. O deputado municipal justificou o seu voto desfavorável em relação à moção apresentada pela bancada do PSD, com a leitura de algumas das conclusões do 13º congresso da ANAFRE. A moção “Proposta de Saudação aos Trabalhadores”, foi aprovada, por maioria, com 14 votos a favor da bancada da CDU, sete abstenções da bancada do PS e dois votos contra da bancada do PSD, No que diz respeito às Matérias que constam na Ordem do Dia a proposta “Diagnóstico e Definição da Estratégia de Reabilitação e Valorização da Frente Ribeirinha do Concelho de Alcochete: Alcochete, Porta do Estuário da Cidade das Duas Margens” foi apresentada aos deputados municipais e depois de sujeita a discussão foi aprovada por unanimidade. A proposta “Autorização para a contracção de um empréstimo de médio e longo prazo no âmbito do Programa de Acção para a Regeneração da Frente Ribeirinha da vila de Alcochete” foi aprovada por maioria com 14 votos a favor da bancada da CDU, oito votos a favor da bancada do PS e dois votos contra da bancada do PSD. As propostas “Regulamento da Piscina Municipal de Alcochete”, “Regulamento da Casa de Velório de Alcochete”e “Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais do Município de Alcochete” foram aprovadas por unanimidade. A proposta “Protocolos de Descentralização de Competências da Câmara Municipal de Alcochete nas Juntas de Freguesia do Concelho” foi aprovada por maioria, com 14 votos a favor da bancada da CDU e oito da bancada do PS e a abstenção da bancada do PSD. Em relação a esta proposta António Almeirim, agradeceu as palavras do deputado municipal socialista Fernando Pinto endereçou um agradecimento à Câmara Municipal pelo reconhecimento que de facto têm do trabalho desenvolvido pela Junta de Freguesia, que refere ser um trabalho muito difícil. A proposta “ Grandes Opções do Plano, Plano Plurianual de Investimentos, Actividades Mais Relevantes para os anos de 2012-2015, Orçamento para o ano de 2012” foi aprovada, por maioria, com 14 votos a favor da bancada da CDU, oito votos contra da bancada do PS e dois votos contra do PSD. A proposta “Mapa de Pessoal para 2012” foi aprovada por maioria com 14 votos favoráveis da bancada da CDU, oito abstenções da bancada do PS e dois votos contra da bancada do PSD. Após a votação, a bancada da CDU apresentou uma declaração de voto. No período que antecede o encerramento da Sessão a deputada municipal Raquel Prazeres informou a Assembleia Municipal que não recebeu convocatória para as reuniões da CPCJ que se realizaram em Novembro, e manifestou o seu desagrado por esta situação. António Almeirim, mencionou ainda a existência de textos publicados na Comunicação Social, da autoria de militantes do PSD Alcochete sobre os assaltos na freguesia de Samouco, e referiu ainda o plenário, já realizado, sobre a possibilidade de agregação da freguesia de Samouco.

N

Bancada do Partido Socialista

Bancada do Partido Social Democrata

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ntes da Ordem do Dia o deputado municipal Francisco Giro questionou o Executivo Municipal sobre o plano de acção do CLAS para 2012. O Executivo Municipal respondeu à questão colocada. Durante o período destinado aos Assuntos Relevantes para o Município o deputado Francisco Giro mencionou um assunto que considera fundamental para uma reflexão da Assembleia Municipal, relacionado com a ausência dos elementos da bancada da CDU e do PSD nas reuniões, dos dias 13 e 20 de Outubro, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, referindo também a reunião que se realizou no dia 16 de Novembro com um técnico da Comissão Nacional das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. No período de Discussão e Aprovação de Propostas de Moção a bancada do PS apresentou duas moções. A Moção Voto de Congratulação “Prémio da Qualidade do Distrito de Setúbal – Rede de Bibliotecas de Alcochete”, que foi aprovada por unanimidade e a moção Voto de Pesar, por Vaclav Havel, “A Europa está mais pobre”, que foi rejeitada, com 14 votos contra da bancada da CDU, sete votos favoráveis da bancada do PS e dois votos favoráveis da bancada do PSD. A bancada socialista absteve-se nas votações das moções apresentadas pela bancada da CDU e pela bancada do PSD e apresentou uma declaração de voto, após a votação de cada uma das moções. Sobre o Livro Verde da Reforma da Administração Local, a deputada municipal Joana Roque Lino salientou que há questões com as quais os deputados municipais do PS não podem concordar na íntegra com o documento em causa, sobretudo na parte das freguesias que mantêm grande proximidade com os cidadãos e asseguram determinados serviços. A deputada referiu que a reforma é importante, assim como é importante considerar aspectos que podem ser melhorados, por exemplo, ao nível do sector empresarial local, ao nível da transferência sucessiva de competências para as Autarquias, e também ao nível eleitoral. No que concerne às matérias que constam na Ordem do Dia a bancada do PS votou favoravelmente a proposta “Diagnóstico e Definição da Estratégia de Reabilitação e Valorização da Frente Ribeirinha do Concelho de Alcochete: Alcochete, Porta do Estuário da Cidade das Duas Margens” e apresentou uma declaração de voto. Os deputados do Partido Socialista votaram favoravelmente a proposta “Autorização para a contracção de um empréstimo de médio e longo prazo no âmbito do Programa de Acção para a Regeneração da Frente Ribeirinha da vila de Alcochete. O deputado municipal Pedro Lavrado interrogou a Câmara Municipal sobre a existência de capacidade financeira e ainda se este empréstimo afecta a sustentabilidade financeira da Câmara. O Executivo Municipal respondeu à questão colocada. Após a votação a bancada do Partido Socialista apresentou uma declaração de voto. As propostas “Regulamento da Piscina Municipal de Alcochete”, “Regulamento da Casa de Velório de Alcochete”, “Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais do Município de Alcochete” e a proposta sobre “Protocolos de Descentralização de Competências da Câmara Municipal de Alcochete nas Juntas de Freguesia do Concelho” foram também aprovadas pela bancada socialista. Sobre a descentralização de competências da Câmara Municipal nas Juntas de Freguesia, o deputado Fernando Pinto referiu que entende a redução que a edilidade teve que preconizar nestes protocolos, na ordem dos 20%., assim como as dificuldades acrescidas que as três Juntas de Freguesia vão ter para desenvolver a sua actividade. A bancada socialista votou desfavoravelmente a proposta “Grandes Opções do Plano, Plano Plurianual de Investimentos, Actividades Mais Relevantes para os anos de 2012-2015, Orçamento para o ano de 2012” e absteve-se na a votação da proposta “Mapa de Pessoal para 2012”. O deputado Pedro Lavrado questionou o Executivo Municipal sobre os Documentos Previsionais, no que diz respeito às despesas correntes com instalações, limpeza e em higiene e em comunicações. Em relação às receitas, o deputado municipal referiu-se à ocupação de via pública e à execução de publicidade. Pedro Lavrado questionou se há empolamento nas taxas, multas e outras penalidades, ao prever um aumento de 139%, quase duas vezes e meia em relação àquilo que foi orçamentado o ano passado. Sobre esta matéria o deputado Fernando Pinto manifestou que esperava uma contenção no Orçamento, na medida em que este tem um aumento de 1,8%. Em termos de coesão social referiu que não identificou um valor que fosse atribuído ao realojamento de famílias ou comparticipação a famílias no âmbito do programa de recuperação de imóveis. E questionou o Executivo Municipal sobre a questão da receita ao nível do loteamento, sobre a despesa, relacionada com o subsídio de turno, a alimentação, a gasolina, a aquisição de serviços, as comunicações, os transportes, a vigilância e segurança, e no âmbito das receitas referiu-se ao saneamento, à instalação de ramais de ligação e contadores de água. O Executivo Municipal respondeu às questões colocadas. Após votação a bancada do Partido Socialista apresentou uma declaração de voto. No período de antes de encerrar a Sessão o deputado Francisco Giro interpelou o Executivo Municipal sobre o conteúdo da carta que foi endereçada ao senhor presidente da Câmara no âmbito do estatuto da oposição.

o período de Antes da Ordem do Dia, o deputado municipal, Luiz Batista, interpelou o Presidente da Câmara sobre a menção de que o PSD Alcochete era favorável à junção dos concelhos de Montijo e Alcochete. O deputado afirmou que em momento algum a Comissão Política do PSD de Alcochete se pronunciou nesse sentido, sublinhando que tal referência apenas foi feita num artigo de um militante do PSD publicado num jornal local. O Executivo Municipal esclareceu o deputado municipal sobre a questão colocada. Nesta reunião da Assembleia Municipal os deputados municipais do PSD apresentaram a Moção “Reformar para melhor e desenvolver o Poder Local”, que foi rejeitada, com 14 votos contra da bancada da CDU, sete abstenções da bancada do PS e dois votos a favor da bancada do PSD. Referindo-se à moção apresentada pela bancada da CDU, sobre esta temática, o deputado Luiz Batista afirmou ter dúvidas sobre se a moção apresentada, é da Câmara ou da CDU, na medida em que afirmou ter assistido à reunião de Câmara em que esta foi aprovada pelo Executivo Municipal. O deputado referiu que na grande maioria dos Municípios, há uma certa forma de despesismo, uma situação de descontrolo de dívida, que de facto é incomportável. E sublinha que ninguém pode ser Ministro das Finanças de um País onde há mais de 300 Municípios a gastar sem prestarem contas. No que concerne às matérias que constam na Ordem do Dia, a bancada do PSD votou desfavoravelmente a proposta sobre o “Diagnóstico e Definição da Estratégia de Reabilitação e Valorização da Frente Ribeirinha do Concelho de Alcochete: Alcochete, Porta do Estuário da Cidade das Duas Margens” e o deputado Luiz Batista referiu que este documento está muito bem elaborado e aponta de facto caminhos muito concretos para Alcochete, mas referiu um problema que é a relação deste documento com o Alcochete 2025, além das questões relacionadas com o NAL, a 3ª Travessia do Tejo e a possibilidade da Portela mais 1 e a interligação civil e militar, referindo-se ao aeroporto de Beja. O Executivo Municipal respondeu às questões colocadas. Após a votação a bancada do PSD apresentou uma declaração de voto. Os deputados sociais-democratas votaram desfavoravelmente a proposta “Autorização para a contracção de um empréstimo de médio e longo prazo no âmbito do Programa de Acção para a Regeneração da Frente Ribeirinha da vila de Alcochete”. A deputada social-democrata Raquel Saraiva interrogou o Executivo Municipal sobre a necessidade efectiva da contracção deste empréstimo. Luiz Batista fez incidir a sua intervenção noutra vertente deste empréstimo e nas condições, que foram propostas pela entidade bancária. O Executivo Municipal respondeu às questões colocadas. Após a votação a bancada do Partido Social Democrata apresentou uma declaração de voto. As propostas “Regulamento da Piscina Municipal de Alcochete”, “Regulamento da Casa de Velório de Alcochete”, “Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais do Município de Alcochete” foram aprovadas pela bancada do PSD. No que concerne à proposta sobre o Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais do Município de Alcochete, Luiz Batista mencionou uma cláusula referente às instituições que beneficiam de gratuitidade da água, propondo que para essas instituições fosse emitida uma factura pró-forma, em que os montantes de água fossem reflectidos como doação da Câmara a essas instituições. O Executivo Municipal respondeu à questão colocada. A bancada do PSD absteve-se na votação da proposta “Protocolos de Descentralização de Competências da Câmara Municipal de Alcochete nas Juntas de Freguesia do Concelho”. A bancada do PSD votou desfavoravelmente as propostas “Grandes Opções do Plano, Plano Plurianual de Investimentos, Actividades Mais Relevantes para os anos de 2012-2015, Orçamento para o ano de 2012” e “Mapa de Pessoal para 2012”. O deputado Luiz Batista perguntou ao Executivo Municipal qual vai ser o esforço de pagamento da dívida a fornecedores e como é que a Câmara pode apresentar tantos projectos, tantos planos, quando, no seu entender, é preciso ter o dever de pagar as dívidas. O Executivo Municipal respondeu às questões colocadas. Após a votação a bancada do PSD apresentou uma declaração de voto. No período de antes de encerrar a Sessão o deputado municipal Luiz Batista explicou qual a razão pela qual o PSD não esteve representado nas últimas reuniões da CPC e leu o que considerou ser uma mensagem de esperança para Alcochete.

As Moções e Declarações de Voto apresentadas pelos deputados municipais durante a sessão da Assembleia Municipal estão disponíveis em www.cm-alcochete.pt


Fevereiro 2012 | inalcochete.15

Informação da Câmara Municipal de Alcochete

inEMPRESARIAL

ENTREVISTA A JOAQUIM ALVES, PROPRIETÁRIO GERENTE DA QUINTA DAS MÉLIAS

Empresa aposta nos mercados de rua e no contacto directo com o consumidor Entusiasta da agricultura biológica e da naturopatia e um acérrimo contestatário dos transgénicos, Joaquim Alves produz na Quinta das Mélias, situada no Passil, na freguesia de Alcochete, uma grande diversidade de frutas e vegetais sem herbicidas. Por encomenda ou directamente na Quinta das Mélias, o consumidor pode criar o seu próprio “bio cabaz” com produtos sempre frescos e convenientemente embalados. Como descreve a Quinta das Mélias? A Quinta das Mélias é uma pequena empresa que nasceu em Outubro de 2010 e que veio dar seguimento ao trabalho desenvolvido na Urze, empresa que já não existe, em termos de entregas nos supermercados e nas lojas da especialidade, mas agora numa estrutura mais reduzida. A minha quinta principal está convertida à agricultura biológica desde 1989, mas neste momento são cultivados dois terrenos que perfazem 4,5 hectares. Actualmente temos 7 funcionários, um pomar com citrinos e uma estufa, mantemos a funcionar um armazém, 3 câmaras frigoríficas, efectuamos a limpeza e pesagem dos produtos que vêm do campo e embalamos os produtos para as superfícies comerciais.

cenoura… Aliás, sou o maior produtor de cenoura biológica, mesmo com as áreas que tenho para produção. O ano passado estragou-se muita cenoura e perdeu-se muito dinheiro mas vamos continuar a produzir. Este ano, vamos produzir também courgette, que normalmente não produzimos, couve portuguesa, couve roxa, ervilhas, favas, feijão-verde, pepino, pimentos verde e vermelho, tomate cereja e claro temos ainda a fruta, ou seja, os citrinos: clementina, tangerina encore, tangerina de Setúbal, tânjara, limão, laranja e toranja. Produzimos também amoras, tília, alecrim, marmelos e romãs. Mas em quantidade plantamos cebola, batata, cenoura, couves e alho francês e no Verão, em quantidade, temos ainda a melancia e o melão.

Porque optou por uma estrutura mais reduzida? Optei por uma estrutura mais reduzida porque os grandes grupos comerciais foram a causa da morte da Urze. Além dos pagamentos serem sempre atrasados, as percentagens exigidas eram incomportáveis e as exigências ao nível das instalações eram muito elevadas. Por isso eu reduzi a estrutura e aposto nos mercados de rua em Lisboa, Cascais, Oeiras, Algés e Amadora assegurando a distribuição dos meus produtos também em alguns supermercados. Eu tenho 20 anos de experiência nesta área com ligação aos hipermercados e supermercados, e eles esperam que as empresas se segurem com margens curtas.

Enquanto centro de distribuição também importa produtos de origem biológica? De onde? Importamos maçã e pêra, e quando não temos a nível nacional importamos alguma batata e cebola. O recurso ao estrangeiro é paliativo à falta de produtos a nível nacional. Normalmente vêm de Espanha, França, Alemanha, Holanda, Itália e às vezes vêm também produtos da África do Sul, como é o caso do abacate. Dos Camarões vem o gengibre, através do comércio justo. Tentamos sempre ajudar os produtores. Podíamos comprar gengibre três vezes mais barato na China mas preferimos comprar no comércio justo. Por vezes, importamos cebola certificada da Argentina, pois nós fazemos parte de um núcleo de certificação a nível mundial.

Actualmente, o que produz a Quinta das Mélias? Produzimos alface, alho francês, batata, cebola,

Quais são os principais requisitos da agricultura biológica? É necessário converter os terrenos para a agricultura biológica durante dois anos e só depois no terceiro ano é que se pode praticar agricultura biológica. Quando as terras estão em tratamentos intensivos e com químicos, os dois anos de transição servem para limpar a terra, apesar de haver alguns herbicidas que deixam resíduos na terra durante muitos anos. Aqui foi um pouco diferente porque o terreno já estava parado, mas mantive os dois anos de conversão. E quais são os benefícios? Os benefícios são claros em termos de saúde. Não utilizamos químicos de síntese, só o enxofre que é também um químico, mas não é de síntese, é um mineral. Utilizamos também a calda bordalesa que é feita com cal e sulfato de cobre. Mas temos de controlar as aplicações ao nível de cobre pois são metais pesados. Há agricultores convencionais que simplesmente colocam veneno na terra, herbicidas e adubos de fundo, adubos foliares, adubos de profundidade, adubos de superfície e outros. Por exemplo uma cultura de cenouras começa com químicos à nascença e acaba com químicos até ao adubo foliar, uns quantos dias antes da apanha, para ela ter uma rama verdinha. E quem anda a tentar proteger o ambiente, que é o meu caso, a minha quinta representa uma micro gota no oceano, não é respeitado. A agricultura biológica tem grandes benefícios ao nível da saúde e claro na preservação do planeta e do meio ambiente.

Que comentário faz em relação aos transgénicos? Esta história dos transgénicos é a maneira de alguns grupos económicos liderarem no mundo da alimentação. Muitas pessoas não sabem o que é o transgénico, pensam que é melhor para a rentabilidade, mas não, uma vez que na penúltima corrente molecular, eles colocam o “factor stop”. Ou seja, quando o produtor tem uma boa colheita e pensa em guardar algumas sementes para semear mais tarde, esta não vai funcionar e o produtor tem de ir comprar mais sementes às empresas que as produzem. E é aí que reside o grande negócio. O milho transgénico tem todos os tratamentos, que lhe dão resistência, tem a química toda feita, e claro que é nocivo para a saúde, porque tem alterações moleculares que são transmitidos ao nível celular às pessoas. A manipulação genética é muito complicada e acarreta muitos perigos para a saúde das pessoas e pouco se sabe sobre os efeitos secundários que pode causar. Mas nós que praticamos agricultura biológica temos uma ideia e os biólogos também sabem. Quando plantar batatas não vou aplicar químicos de síntese, mas é um risco. Podia produzir mais se eu aplicasse químicos. O ano passado não apliquei e metade das batatas estragaram-se, apanharam míldios e foi tudo para o lixo. Esse é um dos maiores riscos da agricultura biológica? As pessoas queixam-se do preço do produto, mas mais de metade do preço é o risco, porque nós podemos perder este ano a produção toda, mas temos de ter dinheiro para produzir para o ano. As pessoas que têm a ilusão de vender o produto biológico ao preço do convencional estão muito enganadas, pois não é sustentável. Em cada cultura qual é a percentagem de risco de perda? Na batata pode ser 100%. Se houver ataque de míldio e se a batata ainda não estiver numa evolução de vida a mais de metade pode perder-se toda a cultura. E o estrume também comporta custos elevadíssimos. Eu vou gastar 5 700 euros com composto, em granulado, em estrume compostado para a próxima plantação. Essa quantidade de composto dá para quê? Dá-me para fazer a seara das batatas. E talvez umas couves, mas representa logo metade do preço final. As pessoas não têm noção quando querem o produto ao mesmo preço do convencional. Há terras fortes que não precisam de tanto estrume como a minha. Se não colocar aqui matéria orgânica eu não apanho nada. Ao nível da certificação como é que se processa o controlo? Somos uma empresa certificada pela Certiplanet. Há vários controlos ao longo do ano, alguns com aviso prévio, outros de surpresa. Há um levantamento do que é feito, algumas amostras são mandadas para análise e é assim que tudo se processa. Neste momento a Quinta das Mélias é uma empresa certificada por essa entidade.


16.inalcochete | Fevereiro 2012

Informação da Câmara Municipal de Alcochete

ENCANTOS & PATRIMÓNIO

O Núcleo Sede do Museu Municipal de Alcochete, inaugurado em Agosto de 1988, surgiu da necessidade e da vontade de preservar e divulgar o património concelhio num período em que os surpreendentes e valiosos achados recolhidos na estação arqueológica de Porto dos Cacos vieram consolidar aquele propósito. Desde aquela data e quase a festejar as bodas de prata, o Núcleo Sede do Museu Municipal, instalado na Rua Dr. Ciprião de Figueiredo, na vila de Alcochete, funciona num edifício adaptado para servir como espaço museológico, actualmente com quatro salas destinadas à exposição permanente, uma sala para exposições temporárias e actividades do Serviço Educativo e um Centro de Documentação. Um pequeno jardim separa o edifício principal de duas construções anexas, uma para funcionamento dos serviços técnicos, outra, de reduzida dimensão, para arrumos e oficina, instalações que são exíguas para acolher o depósito do restante espólio, que se encontra em reserva, no antigo edifício do Centro de Saúde de Alcochete, situado no mesmo arruamento do Núcleo Sede.

Numa visita guiada ao Núcleo Sede, o visitante começa por aceder à área da recepção, local onde estão expostas e à venda livros, catálogos e postais, editados pela Câmara Municipal ou particulares, relacionados com Alcochete, e ainda as produções musicais das duas Bandas de Música e dos três ranchos folclóricos existentes no concelho. Como a apresentação das colecções obedeceu a critérios cronológicos, a primeira sala deste Núcleo é dedicada ao período do Neolítico com os artefactos que foram encontrados no Sítio da Conceição aquando das obras de construção da Ponte Vasco da Gama. Destaca-se ainda a exposição da Carta Arqueológica do Concelho de Alcochete, que serve também de introdução à temática da sala seguinte: a ocupação pelo império romano de um território que forma o concelho de Alcochete. Alguns enigmas estão ainda hoje por desvendar em relação aos dados obtidos nas escavações arqueológicas em Porto dos Cacos, que revelaram uma das mais importantes unidades de produção de ânforas em Portugal, nu-

MUSEU MUNICIPAL DE ALCOCHETE: NÚCLEO SEDE CONVIDA PARA UMA VIAGEM NA HISTÓRIA

ma zona rica em argila e madeira, outrora com acesso pelo rio, por onde saíam os produtos para todo o império. Uma necrópole que indicia a existência de um aglomerado populacional com alguma dimensão e um misterioso alinhamento de ânforas, fotografado e exposto no Núcleo Sede, redobra o nosso interesse nesta visita guiada. A nossa atenção passa depois para a vitrina onde estão expostos dois jarros e uma jarra do século XIV, provenientes de Granada, em Espanha, e encontrados no Largo do Troino, vistos como testemunho das vivências em Alcochete de gente abastada, circunstância que nos remete para a passagem e estadia da corte portuguesa na Vila. Está assim dado o mote para falarmos do significado do nascimento de D. Manuel I, O Venturoso em Alcochete. O monarca alcochetano está presente no Núcleo Sede através da exposição do Foral, atribuído por D. Manuel I a Alcochete e Aldeia Galega (Montijo), através dos pesos e medidas, símbolos da organização interna do País realizada no seu reinado, do fuste do Pelourinho e da réplica, em tamanho reduzido, da estátua do rei existente no Largo Marquês de Soydos.

SABIA QUE O Museu Municipal de Alcochete (MMA) tem um âmbito local e três núcleos de exposição permanente: o Sede, o de Arte Sacra e o do Sal. O MMA foi distinguido em 2007 com uma Menção Honrosa, no âmbito da 7.ª edição do Prémio da Qualidade em Serviços Públicos do Distrito de Setúbal, numa iniciativa da Associação de Municípios da Região de Setúbal. Em 2009 foi nomeado para o Prémio Boas Práticas no Sector Público, uma iniciativa da empresa Deloitte, em colaboração com o Diário Económico, o Instituto Nacional da Administração Pública e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Em 2010, o MMA obteve a certificação do seu Sistema de Gestão da Qualidade, segundo o referencial normativo NP EN ISO 9001:2008, atribuído pela EIC – Empresa Internacional de Certificação. Em 2011 passou a integrar a Rede Portuguesa de Museus, sinónimo do reconhecimento dos padrões de rigor e qualidade no exercício das funções museológicas.

SAIBA MAIS INDÚSTRIA DO FABRICO DE PNEUS EM DESTAQUE NO NÚCLEO SEDE De Fevereiro a Julho, na Sala de Exposições Temporárias do Núcleo Sede, visite a exposição “Memórias do Trabalho: a Indústria”, que apresenta como peça de destaque o Pneu. Através de um fragmento de um pneu Firestone podemos reviver o processo de construção da fábrica em Alcochete, que se inicia em 1858, as mudanças nas condições de vida da população, o método de fabrico dos pneus e o desaparecimento de uma unidade fabril que transformou profundamente o concelho de Alcochete.

O municipalismo sai reforçado com a exposição do Livro das Vereações, um documento com uma extraordinária importância que documenta a gestão e a administração do território nos distantes anos de 1421-1422, que permitiu aos especialistas saber da importância das salinas, da produção vinícola, da produção de gado e até das caçadas aos lobos, numa altura em que existia um vasto concelho chamado Santa Maria de Sabonha, com sede onde hoje existe o núcleo urbano de São Francisco. A etnografia local surge documentada na terceira sala do Núcleo Sede com a exposição de peças relativas à construção naval na zona ribeirinha de Alcochete, às embarcações tradicionais do Tejo, à produção agrícola nos campos e à mais antiga festividade, com origem numa promessa para vencer a adversidade: o Círio dos Marítimos de Alcochete. As tradições tauromáquicas, evidenciadas com os trajes dos dois grupos de Forcados de Alcochete, os Amadores do Aposento do Barrete Verde e os Amadores de Alcochete, e a produção de sal com a exposição de vários utensílios usados nesta safra, entre os quais vários tipos de pás e os pãezinhos de sal, são alguns dos elementos que destacamos na sala que dá acesso aos espaços reservados às exposições temporárias e ao Centro de Documentação. Contactos: Núcleo Sede do Museu Municipal Rua Dr. Ciprião de Figueiredo 2890-071 Alcochete Tel.: 212 348 653 E-mail: museu.municipal@cm-alcochete.pt Horário: Terça-feira – das 14h00 às 17h30 Quarta a Sexta-feira – das 10h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 Sábado – das 14h30 às 18h30 Domingo – das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h30


InAlcochete  

Informação da Câmara Municipal de Alcochete

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