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Flagra

Reforma Relâmpago Mariana Moreira

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Foto: Isabelle Glezer

uma reforma relâmpago, o novo LEPI da Escola de Direito foi inaugurado em meados de setembro. A instalação consiste num anexo da casa vizinha ao prédio do Direito: o Patronato de Assistência ao Imigrante Italiano. Antes, o LEPI encontrava-se em uma sala de aula no 7º andar. A reforma, realizada durante o período de aulas, chegou a fazer tanto barulho que uma turma teve que mudar de sala para que pudessem se fazer ouvir. ¤

Foto: Giorgia Nagalli

Início das obras barulhentas, em agosto.

O novo LEPI conta com 64 computadores e está em funcionamento desde 20 de setembro

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Editorial

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Expediente Edição

Isabelle Glezer – Editora -Chefe - 4˚ Direito belglezer@gmail.com

Redação

Daniela Funaro - 4º Direito danifunaro@hotmail.com

Felipe Yamada - 4˚ Economia

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João Lazzaro - 4˚ Economia jglazzaro@gmail.com

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Colunista

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Capa

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Impressão

Quality Gráfica

Tiragem

3000 exemplares

Incansável Imprensa

C

ertamente não por amor próprio, mas pela defesa de valores democráticos como a liberdade, a imprensa deu o que falar nestas eleições. Às vésperas do primeiro turno, denúncias de suborno, corrupção, quebra de sigilo fiscal, declarações infelizes de candidatos ou do próprio presidente da República culminaram no Manifesto em Defesa da Democracia, causando grande rebuliço nas bocas de urna. Um segundo turno inesperado e o fenômeno da “onda verde” comprovaram o papel denunciatório e reflexivo da imprensa nesta corrida presidencial. Neste microcosmo que é a FGV, a Gazeta Vargas não se exime da responsabilidade, enquanto imprensa, de investigar e relatar com fidelidade os acontecimentos dentro e fora da Fundação dignos de proposição de debates. Mas não é neutra. Nem deve ser. Não é informativo nem boletim de eventos, mas uma forma de expressão de alunos para alunos, professores e funcionários, tendo em consideração o público alvo, desde que mútuo o interesse. Ainda que o leitor possa por vezes imaginar, a Gazeta Vargas não tem como missão cultuar o ódio ao estereótipo do aluno geveniano, utilizando floreios e chavões para denunciar o celeuma com que episódios barulhentos ocorridos dentro e fora da Fundação são encarados pelo corpo discente. Mas não seria o próprio silêncio sobre a crise no DAGV, demissões na EAESP, Fórum de Economia ou as eleições presidenciais digno de nota? O “rótulo” a que tanto nos referimos faz menção aos olhos com que o mundo tem a prerrogativa de nos enxergar, baseado na única coisa que todos partilhamos: o significado da sigla estampada em nossos currículos, a serem enquadrados para encimar gordas poltronas nos escritórios Brasil afora. Para futuros empregadores,

excelência e competência; para pais e avós, orgulho; para colegas de outra faculdades, indiferença ou até rejeição. Se muito, o carimbo encantado da FGV nos ajudará a encontrar o primeiro estágio, e então nossa experiência profissional falará por si só. O que restará da FGV? Se, nos dizeres de Oscar Wilde, definir é limitar, optamos pela indefinição. O texto “Furada Cultural” publicado na edição #85, por exemplo, gerou certa revolta entre os alunos, tal que se pensasse que a Gazeta de fato enxergasse o aluno geveniano de forma generalizada e pejorativa. Mas sem julgamentos de valor ou verdades universais, o estereótipo nada mais é do que uma figura de linguagem hiperbólica utilizada para alertar sobre a apatia do aluno frente a temas que nos são caros. E esta indiferença não diz respeito só ao aluno, mas ao ambiente sócio-político em que estamos inseridos, no qual até mesmo em debates presidenciais muito se fala e pouco se diz. A Gazeta Vargas #86 buscou, em cada matéria, compreender os temas que inquietam o aluno o suficiente para criar seus próprios fóruns de discussão, dos quais a Gazeta nada mais é senão o registro. A pesquisa eleitoral realizada entre os alunos obteve resultados diversos de nossas expectativas. Trocas de ingressos entre entidades, jubilamento, papel da Academia em relação aos estudantes em período eleitoral – temas que impactam nossa realidade o suficiente para que se saia desta inércia velada. E ao contrário do que se denuncia tão categoricamente, o geveniano é plenamente capaz de se engajar nas batalhas em que acredita, como nos provaram os alunos do 6º semestre de Administração Pública, ao eliminar o estágio público obrigatório. Nem tudo está perdido. ¤

Isabelle Glezer

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A Gazeta Vargas não se responsabiliza por dados, informações e opiniões contidas em textos devidamente identificados e assinados por representantes de outras entidades estudantis, bem como nos textos publicados no Espaço Aberto submetidos e devidamente assinados por autor não presente no expediente desta edição. Todos os textos recebidos estão sujeitos a alterações de ordem léxico-gramatical e a sugestões de novos títulos. Por ser limitado o espaço de publicações, compete à Gazeta Vargas a escolha dos textos que melhor se enquadram na sua linha editorial, sendo recusados os textos muito destoantes acompanhados das devidas justificativas e eventuais sugestões de alterações. DIREITOS RESERVADOS — A Gazeta Vargas não autoriza reprodução de parte ou todo o conteúdo desta publicação.

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Cartas

Cartas à edição 85 Descompasso estrutural: “Furada Cultural”, uma furada de matéria A leitura da Gazeta Vargas é muito importante para um Aluno típico da FGV, é lugar-comum entre os alunos a existência de comentários acercas dos artigos da Magazine. No geral, a Gazeta é um órgão interessante, artigos pertinentes, entrevistas bem elaboradas e informações contundentes. Contudo, no último número, edição 85, uma matéria foi de especial balbúrdia e falta de coesão da Gazeta. Notava-se claramente um descompasso entre artigos sobre a “comercialização” do ambiente estudantil, a função da História e da tradição na estruturação da educação e por fim, um artigo de opinião de uma infantilidade absurda. Ao ler o artigo “Furada Cultural”, um sentimento de perplexidade corria minha mente: como é que algo tão estapafúrdio poderia, em nome de um louva-deus, invadir a revista Vargas? A incompreensão não cabe à natureza da opinião, afinal de contas, conceito pessoal é de natureza pessoalíssima e eu não sou, tampouco, um fã da Virada Cultural. Contudo, o desdém e a forma frívola com que as palavras são displicentemente dispostas no artigo torna o mesmo revoltante; o emprego de palavras como “plebe” traz à tona um sentimento antigo da aristocracia (vale lembrar que a aristocracia está toda morta e sua soberba é apenas ostentação pobre de uns poucos

sobrenomes), que é atípico das relações joviais contemporâneas. Incrivelmente, o ser de “sangue-azul” que escreveu o artigo continua em sua empreitada de menosprezar todo o resto da sociedade que não possui o seu potente I30, que convenhamos não representa grandes cócegas ao mundo AAA da sociedade. “Pegar o metrô sujo e cheio de gente feia” é um sacrilégio enorme para o autor do texto e ele atenta tanto a isso que até parece um sadismo, o coletivo cheio de gente suja e feia é o metrô ou trem que leva a doméstica pela manhã à casa do autor para dar-lhe de comer e lavar suas roupas cheias de grife, se não fosse o coletivo de “odores estranhos” talvez o autor do texto teria de virar-se com uma vassoura e o fogão para manter seu casebre limpo. A descrição que o autor faz do seu “amigo” é outrossim revoltante. Chama ao amigo de pseudo-alternativo da FAAP, realmente, os pseudo-intelectualóides são algo repulsivo na sociedade contemporânea, contudo, o “aristocrata”iludido e ignorante, é o outro extremo repulsivo da sociedade. É incrível como o senhor autor se vale de palavras tão ofídias para descrever seus “colegas” e o “meio” em que o autor se encontrava. Muito triste me parece o fato de haver gente desprepada como o senhor autor em uma universidade tal qual a FGV. A Fundação se recorda sempre de sua excelência em formar profissionais muito competentes e preparados. O melhor curso de Adm do país está se esquecendo da formação hu-

Altos e Baixos Em alta

»» Extinção do estágio público obrigatório »» Elevador no 1º andar »» Preços Gioconda

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Na mesma

mana e da cidadania que seus alunos carregam, desconheço a realidade do geveniano típico pois todas as pessoas com quem tive contato dentro desta instituição não precisam reafirmar a condição financeira que detêm, esta soberba está de escanteio destinada apenas àqueles que, sem segurança própria, tomam para si o dever de exibir-se, grandes pavões sem penas. A Cultura hoje assume formas diversas, tudo é cultura, e não só a erudição daqueles que leem Rouseeau, a cultura abrange desde o louva-deus de trinta pessoas à realidade de se frenquentar a Pink Elephant de todo dia. Ainda assim, aqueles que desconhecem a etnologia das palavras, continuam a valer-se dessas para emprego equivocado; portanto, fica aqui a dica para a Gazeta: selecionem melhor os seus artigos, não só a forma, mas também o conteúdo, já que o artigo “Furada Cultural” pode reter boa retórica, mas falta-lhe o respeito dos bons estudantes. - Sr. Não Compreendo Gazeta Vargas – Prezado Sr. Não Compreendo, A matéria “A Furada Cultural”, da autoria de Flavio Lima, publicada na edição #85, faz menção a um personagem hipotético e hiperbólico chamado Gevênio Padrão. O recurso utilizado teve como objetivo propor uma reflexão e discussão sobre o estereótipo do geveniano, tal que a narrativa e as opiniões publicadas não correspondem à opinião da Gazeta Vargas nem do autor. Esperava-se que expressões preconceituosas como “asquerosa plebe” ou seu “potente” i30 prateado imediatamente denunciassem seu gênero irônico.

Em baixa

»» Restrição ao Lounge Citibank

»» Alojas Economíadas

»» Economia Americana

»» Nicolas Sarkozy

»» Ficha Limpa

»» Dólar


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Curtas

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Curtas da Gazeta Vargas #86 FGV vai produzir o exame da OAB

Após sucessivas denúncias de irregularidades com o Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe), a Ordem dos Advogados do Brasil contratou a FGV Projetos para a elaboração do exame. A contratação estaria na mira do Ministério Público, dado que a FGV possui curso de Direito. Segundo nota divulgada no Estado de São Paulo, o promotor Maurício Lopes teria enviado denúncia ao MP Federal alegando conflito de interesses, enquanto o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, garante que os professores da FGV Direito foram proibidos de participar (direta ou indiretamente) da elaboração da prova.

Fórum de Economia Nos dias 30 e 31 de agosto ocorreu o 7º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas. Organizado pela Escola de Economia de São Paulo. O mais importante evento do calendário da EESP buscava “Estratégias de crescimento com estabilidade do novo governo”e abordou temas como equilíbrio no balanço de pagamentos, emergência da nova classe C, pré-sal e a concorrência chinesa. Grandes figurões da economia nacional, como Yoshiaki Nakano, Delfim Netto, Guido Mantega e Vera Thorstensen compareceram ao evento, organizado por Luis Carlos Bresser-Pereira. Em um dos paineis, João Sayad, ex-ministro do Planejamento, chegou a chamar atenção para a falta de pluralidade. Sayad observou que todos os expositores, selecionados por Bresser, seguiam sua linha de raciocínio, deixando pouco espaço para um genuíno debate. “O Brasil está padecendo de doença holandesa1”, “devemos implantar controles de capitais no país” ou “estamos na iminência de uma crise de balanço de pagamentos” foram chavões repetidos 1.  Desindustrialização causada por desequilíbrios cambiais devido à grande exportação de commodities.

à exaustão. Talvez o debate estivesse garantido se defensores de outras correntes, como Alexandre Schwartzman, tivessem sido convidados. Segundo Schwartzman, economista-chefe do banco Santander, estas correntes de pensamento econômico são pouco realistas: “apenas o uso de substâncias liberadas na Holanda poderia explicar o apreço incompreensível à tese da doença holandesa”, escreveu em seu blog2. Talvez, tal monotonia foi responsável pelo fato de os únicos assuntos entre os alunos da EESP referente ao fórum terem sido os deliciosos almoços e coffee-breaks; caso contrário, Nakano não precisaria ser acordado por Bresser com um delicado cutucão em um de seus recorrentes cochilos. Outros highlights do evento: uma inusitada panfletagem promovida por Eduardo Suplicy, promovendo seu projeto de Renda Básica de Cidadania dentro do Salão Nobre antes da abertura e o novo e educado apelido que Fernando de Holanda Barbosa ganhou: “Chicagão”.

Fiestas Aconteceu no dia 20 de agosto a quarta edição da Guinevère, festa realizada pelo Centro Acadêmico da Escola de Direito, que contou com seu tradicional traje sensual completo. Após “A Libertina”, “Segundas Intenções”, “A Trois”, e “Entre Quatro Paredes”, muito se especula sobre o futuro do subtítulo da festa. A Giovanna, em edição comemorativa de quinze anos, contou com a temática circense, com performances e decoração a caráter. O Diretório Acadêmico recebeu diversas reclamações pelo lapso de calendário que fez com que a festa fosse marcada no feriado religioso judaico de Yom Kippur (Dia do Perdão). 2.  Blog do Schwartzman: http://maovisivel.blogspot. com/2009/08/uma-tese-com-substancias.html#links

Em busca de um novo Rei

Foi publicado edital para processo seletivo do novo diretor da Escola de Direito de São Paulo. O documento, disponível no site da Direito GV, explica o processo de criação da Escola, sob os cuidados do Prof. Ary Oswaldo Mattos Filho, as metas e desafios de seu sucessor bem como o perfil esperado dos candidatos: “capacidade de liderança e experiência administrativa, preferencialmente em instituições de ensino; reconhecimento pela comunidade jurídica; integridade pessoal e profissional; espírito inovador”, dentre outros. O comitê de seleção será formado pelos atual diretor, Ary Oswaldo Mattos Filho, e pelos professores Carlos Ari Sundfeld, Gustavo Tepedino, Lindolpho de Carvalho Dias e Luciana Gross Cunha. A seleção conta com quatro fases, dentre as quais a apresentação de um Projeto de Gestão apresentando “uma análise crítica do status da educação jurídica no Brasil e no exterior e um plano de diretrizes para que a Direito GV seja uma instituição de referência nacional e internacional em educação e pesquisa jurídica.” O novo diretor deve começar suas atividades a partir do primeiro trimestre de 2011, com dedicação integral.

Elevador no Primeiro Andar Para a surpresa e alegria dos sedentários, o elevador da EAESP está funcionando normalmente desde o fim de agosto, parando no primeiro andar. Conforme depoimento do DA, o barulho dos alunos amontoados no segundo andar, onde fica a Secretaria de Graduação fez com que fosse feita uma reclamação à Diretoria de Operações, que prontamente alterou o funcionamento dos elevadores para que passassem a parar no 1º andar. Segundo S. Osvaldo, o elevador não parava no 1º andar há mais de 28 anos.

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Opinião

Daniel Fejgelman Rafael Jabur

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á quem pense que não é certo. Há quem ache que é bom para entidades e alunos. E há quem pense até a discussão é ridícula. Está presente em quase todas as festas universitárias e já se tornou praticamente uma instituição. Porém, não se vê algum debate sobre a necessidade de manutenção ou extinção. Por isso segue, inerte, acontecendo. Antes de discorrer sobre implicações e moral, é preciso delinear uma base para que não haja mal-entendidos.Assumimos que de nenhuma das partes envolvidas tem intenções perversas, de ganhos pessoais. As entidades são vistas, na esfera estudantil, como públicas – e devem, consequentemente, agir de forma a melhorar o ambiente para o alunato incorrendo nos menores custos possíveis. Além disso, devem prestar contas a seus representados (o que geralmente engloba todos os alunos). Partindo disso, pode-se questionar a importância dos meios para o fim a que se destina: trazer benefícios aos alunos através de uma maior aproximação (ou integração, para seus defensores) das entidades. Tal benefício é questionável, tanto a sua existência, quanto a sua magnitude. Mesmo assim, essa aproximação não assume apenas uma forma, pertencendo a integração a um conjunto – determinado pelos meios empregados. A concessão de ingressos por parte do Centro Acadêmico Direito GV para outras entidades como o Diretório Acadêmico (DAGV), a Atlética (AAAGV), Gazeta Vargas e a Atlética Acadêmica 22 de Agosto (Direito PUC) para Guinevère se enquadra nesse relacionamento via “doação” de ingressos entre entidades estudantis a fim de obter uma maior aproximação entre as partes.

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Integração

Para a diretoria do CA, a concessão dos convites para outras entidades ajuda a criar um maior vínculo com elas. É em eventos onde seja possível um maior contato direto e aberto entre membros de entidades que se pode concretizar propostas e conhecer as pessoas de uma forma mais clara. Dada a escassez de instrumentos disponíveis ao CA para promover uma maior aproximação com as outras escolas (como por exemplo a distância física), a oportunidade veio a calhar. O lugar onde ocorreria a festa contava com um camarote, o qual não contava com regalias, mas seria um espaço tranquilo, onde poderiam trocar ideias. E assim foi feito. Entidades consideradas parceiras estratégicas receberam, através do contato entre as diretorias, convites para a Guinevère. As reações foram diversas. A Gazeta Vargas, por exemplo, devolveu os convites. Já o DAGV decidiu inovar na postura e ordenou que os membros interessados na proposta do DA não entrassem de graça: deveriam esfetuar o pagamento do ingresso na porta para adquirir a pulseira do camarote. O medo de estar fazendo algo errado se daria, na visão dos membros da diretoria do CA, pelo contexto, ou seja, por tudo o que aconteceu com a última gestão do DAGV. Para o CA, não haveria problema algum nisso. Já era uma práxis adotada pelas entidades estudantis que promove maior contato entre elas. Além disso, o benefício obtido pelos alunos através das parcerias devido à maior aproximação entre as entidades compensaria o custo rateado entre os alunos. Com isso, pela normalidade e benefícios expressivos, não haveria necessidade consultar os alunos: um plebiscito ou informá-los de alguma forma. O ato da concessão de ingressos não é visto, pela diretoria do CA, como um problema. Portanto, lembrando que uma maior

Por outro lado... Então, qual seria o problema? Ele provém da determinação da forma pelo meio. A necessidade dessa prática é discutível. Mesmo que o ambiente festivo de alto nível alcoólico (não sejamos hipócritas) ajude na aproximação dos diretores e no surgimento de ideias, isso poderia ser conseguido de outra forma que não a concessão dos ingressos. Há ainda o custo simbólico. Apesar de o custo financeiro ser irrisório e, portanto, suplantado pelos hipotéticos resultados, ainda há a percepção de que, ao fazer parte de uma entidade (e com agravante no caso de dirigir uma) deve-se fazê-lo por engrandecimento da entidade e da faculdade, não para obter benefícios como ir a uma festa de graça. Por fim, essa prática leva à aproximação, mas que pode se dar de forma distorcida. Não que ela seja feita de má-fé atualmente, mas, no futuro, pode gerar malignas simbioses. Enfim, dada a base para a discussão, cabe a cada um refletir sobre ela e debater, para quando novas ocasiões surgirem a entidade aceite ou não. ¤

Imagem: Divulgação CA Direito

Pêlo em ovo?

aproximação com as outras entidades é uma das bandeiras da atual gestão do CA, não haveria nenhum problema moral. Pelo contrário, a prática se reverte em ganhos para todos, inclusive para os alunos.

Trocas entre quatro paredes


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Promenade

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Para Ti Cidade recebe a 8ª edição da Festa Literária Internacional

Isabelle Glezer

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Imagem: Isabelle Glezer

s aulas já haviam começado, mas enquanto centenas de gevenianos arrastavam-se do quentinho de suas cobertas às seis horas da manhã para a infeliz aula de cálculo numa gélida manhã na capital paulista, Paraty (RJ) calorosamente recebia a 8ª Festa Literária Internacional – FLIP – durante a primeira semana de agosto. O trade-off entre uma semana de aulas introdutórias sobre métodos avaliativos (durante as quais traçaríamos o perfil psicométrico dos novos

Paraty foi palco de deliciosas férias, ainda que artificialmente prolongadas. Afinal, não é qualquer dia que nos é dado o privilégio ignorar um pouco a realidade universitária e tomar parte em debates literários e sócio-políticos igualmente importantes, e, de quebra, degustar saborosas caipirinhas. Uma simpática banda de jazz tocava nas ruelas do centro, abarrotadas de turistas vindos de todos os cantos do Brasil e, atrevo dizer, do mundo. Palestras monstruosas ou de “grande escalão” como a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a perenidade de “Casa-Grande e Senzala”, do autor homenageado do ano, Gilberto Freyre, se mesclaram com espécies de talkshows, como a mesa da chilena Isabel Allende, questionada sobre qual atriz poderia retratá-la no cinema – a resposta: Penélope Cruz. Ferreira Gullar, lúcido e cômico,

Bilhete Premiado professores) e um frio siberiano pareceu simples, de tal modo que descemos a Rio-Santos com destino à charmosa cidade fluminense cujo centro histórico – tombado pela UNESCO – acolheu cerca de 20 mil literatos para uma série de vinte e cinco mesas de debate com verdadeiros ases da política, literatura e sociologia.

aparece para uma conferência lotada, fala sobre a vida, a arte, a poesia – aos quase 80 anos, foi tomado um senso de humor senil que o tornou mais inofensivo. Emociona com sua leitura e é ovacionado por dois minutos. Dá autógrafos por duas horas. Sir Salman Rushdie, autor do po-

lêmico “Os Versos Satânicos”, conversa com humor e naturalidade sobre sua condenação à morte pelo líder xiita iraniano Ruhollah Khomeini por incentivo à apostasia. E ainda alfineta seu entrevistador, Sílio Buccanera, pela inadequação de suas perguntas políticas: “fui convidado para falar sobre literatura, e seria bom se nos ativéssemos a isso”. O autor indiano também fala sobre sua cadeira de creative writing na universidade de Emory (Geórgia, EUA) e a questiona a impossibilidade de transmitir talento, ainda que haja ensino de técnica literária. Seus alunos, por exemplo, foram desafiados a escrever trezentas palavras sobre algo de extrema importante sem o uso de adjetivos. A iraniana Azar Nafisi e o israelense A. B. Yehoshua conversam calma e educadamente sobre literatura, mas não conseguem escapar das inevitáveis (e impertinentes) perguntas sobre política internacional. O debate entre os renomados autores fora desperdiçado, senão banalizado, com lugares-comuns do Oriente Médio como suas opiniões sobre Ahmadinejad, a proibição dos véus na França e os territórios ocupados na Cisjordânia – as quais far-se-iam necessariamente para qualquer iraniano ou israelense. Muito se especulou sobre o futuro do mais importante evento literário brasileiro, em especial com a participação decadente de romancistas, recorrendo a organização ao convite de grandes pensadores e ensaístas, os quais posicionaram-se com afinco em grandes debates políticos, sociológicos e religiosos. Aguardaremos ansiosamente pela próxima edição ano que vem, e pela chance efêmera de desfrutar da descontração da arte e da literatura, e de comer cocada do tabuleiro num fim de tarde como se não tivéssemos que voltar às aulas jamais. ¤

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Autonomia da vontade Porque o novo sistema de matrículas tem causado tanto rebuliço este semestre Isabelle Glezer Pedro Henrique Veloso Embora possa não parecer, o novo sistema de matrícula, a princípio, veio para ajudar os alunos. Mudanças estruturais necessariamente causam discórdia, e o sistema, imperfeito por excelência, promete ajudar a Secretaria, beneficiando assim todos os alunos de forma melhor que o sistema anterior. O processo, agora dividido em quatro fases - pré-matrícula, matrícula, remanejamento e aproveitamento - tem como objetivo simplificar a vida dos alunos e facilitar o acesso às salas e professores requeridos. O aluno que se esquecer da matrícula obrigatória recairá em estado de “Abandono de Matrícula”. Assim que os alunos, em posse de suas notas, escolhem suas DPs (sim, todos tem acesso aos horários das aulas!), matriculam-se para as disciplinas obrigatórias (apenas na própria sala), para as eletivas ou para trancar a faculdade. O ponto que causou mais frisson é o aproveitamento de vagas, verdadeiro banho de sangue tarantinesco. Quem queria pegar professor-estrela ou professor-várzea, corre riscos. Serão abertas as vagas a todos os alunos, por ordem de chegada. O problema: aqueles com conexão mais lenta ou temporariamente offline (achado raro embora possível) são imediatamente prejudicados em

É mais uma daquelas situações em que a única certeza é a dúvida 8

relação a matérias concorridas. Mas se para participar do aproveitamento você terá primeiro que abrir mão de sua vaga (parecido com o que acontecia anteriormente), é possível que você acabe sem a disciplina almejada nem com a sua anterior. E fim de papo. Nessas horas é bom ter todo cuidado com aquele ente abstrato e tenebroso que gere a vida em nossos tempos, “O Sistema”. Se ele cair ninguém sabe o que pode acontecer, a única certeza é que o caos se instalará. E quando ele voltar não se sabe se você terá conseguido ou não pode ser que digam que você não vai ter sua vaga e no final você a tenha. Ou pode acontecer o contrário. É mais uma daquelas situações em que a única certeza é a dúvida. Pelo menos é o que relatam os sobreviventes dessa experiência. Essa falta de parâmetro e transparência no caso de falha operacional é um ponto fundamental a ser melhorado nos próximos semestres. Quanto ao sigilo em relação aos professores, esse aparenta ter sido mantido com o objetivo de justamente reafirmar que o curso é substancialmente o mesmo, e que não há sentido em discriminar os professores, sendo todos igualmente capacitados a lecionar o mesmo curso, ressalvadas idiossincrasias metodológicas ou pessoais. Embora estas particularidades possam algumas vezes definir se o aluno será ou não aprovado, entende-se que todos os professores estão contratualmente obrigados a dar o mesmo curso, independente da metodologia utilizada. Evita-se, desta forma, que o aluno escolha o professor em vez do curso. Na realidade, somente a prática dirá se estamos diante de uma mudança verdadeiramente boa. O receio apriorístico em relação ao novo sistema se traduziria assim em conservadorismo cego,

segundo o qual “mudança” equivale a “ruim”. Vale mencionar que a coordenação encontra-se aberta a novas ideias e sugestões para trazer melhoras ao mesmo problema que vem ano, vai ano, está atormentando os alunos. Entretanto, cabe discutir a limitação imposta à autonomia do aluno com a implementação do novo sistema. Em princípio ainda não se provou que ganhamos em eficiência o que perdemos em liberdade de escolha – aparentemente, temos duas falhas: a nova matrícula pode ser ineficiente no sentido de não ter um critério adequado para definir qual aluno ficará com a eletiva (o que chegar antes), e assume-se que o estudante não tem maturidade o suficiente para escolher os professores com quem deseja estudar, seja por histórias ou por já conhecê-los, o que também pode ser prejudicial. É tão antiga quanto verdadeira a teoria de que “o professor faz a matéria”. Afinal, não é desde os tempos de colegial em que um excelente professor de física, seja por causa de um senso de humor impecável ou uma metodologia descomunal, fazia com que a classe toda se interessasse por termodinâmica? No caso em questão, parece que a escolha do docente pelo aluno implica necessariamente em personalismos: será escolhido sempre o mais engraçadinho ou aquele cujas avaliações são menos cruéis. Buscando eficiência e um melhor aproveitamento das vagas remanescentes, bem como uma certa justiça distributiva no método de racionamento das matérias mais concorridas, aparentemente estamos diante de uma mudança positiva. Entretanto, status de facebook ou tweets revoltados, assim como burburinhos de corredor, revelam que ajustes são necessários especialmente no caso de queda do onipresente e onipotente Sistema a fim de minimizar as imperfeições de sua existência. ¤


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Para casa agora eu vou... Felipe Yamada Henrique Sznirer

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odos sabem que as três escolas da FGV-SP destacam-se pelas altas exigências feitas sobre os alunos. Nem todos, porém, conhecem exatamente os meios utilizados por cada escola para alcançar este objetivo, os quais, apresentam marcantes diferenças entre um curso e outro. O sistema de jubilamento (eufemisticamente conhecido como exclusão do curso ou cancelamento de matrícula), por exemplo, funciona de maneira distinta nas graduações em Administração, Direito e Economia. No curso de Administração, o aluno pode ser temporária ou definitivamente jubilado. O temporário ocorre nas seguintes situações: reprovação por três vezes na mesma disciplina, média geral inferior a 6 em 3 semestres ou problemas disciplinares. Suspenso, o aluno fica afastado do curso durante um semestre. Já quando obtiver uma média geral inferior a 6,0 em quatro semestres letivos, for reprovado 4 vezes na mesma matéria ou ultrapassar o limite estipulado pela escola para concluir o curso (7 anos), a expulsão do aluno é definitiva. Para o coordenador do curso de Administração, André Samartini, o jubilamento funciona como incentivo negativo para que o aluno não se sinta tentado a acumular DPs e permanecer na faculdade indefinidamente. Este incentivo, entretanto, não surte efeito sozinho: “o aluno deve ser integralmente apoiado, devido a eventuais problemas externos à faculdade, para que possa colocar sua vida acadêmica em ordem”, afirma Samartini. No Direito, o aluno pode jubilar ou repetir o semestre. De acordo com o regulamento da EDESP, a reprovação em duas ou mais disciplinas obrigatórias

do mesmo semestre obriga o aluno a refazê-lo todo (incluindo as disciplinas em que foi aprovado!). Caso reprove de semestre mais de uma vez (sucessivos ou intercalados), uma DP, quatro ou mais disciplinas do currículo do Direito ou não alcance média geral igual ou superior a seis em mais de dois semestres, o aluno é compulsoriamente desligado do curso. Adriana Ancona, coordenadora da Escola de Direito, considera o jubilamento um complemento às altas exigências de excelência do curso. O edespiano funciona à base de incentivos fortes para permanecer na faculdade e se formar sem complicações maiores do que uma DP aqui e outra acolá, de modo seja bem recepcionado pelo mercado de trabalho. Ademais, por se tratar de um ambiente menor e mais facilmente controlado, o desempenho dos alunos é facilmente aferido – tanto que, embora haja repetentes, nunca houve jubilados. Já no curso de Economia, um aluno é excluído do curso se for reprovado em mais de três matérias num mesmo semestre, obtiver uma média geral abaixo de 6,0 por 2 semestres seguidos, reprovar duas vezes na mesma disciplina ou ultrapassar o limite de 7 anos para integralizar o currículo do curso. Os ingressantes de 2010 também estão sujeitos a uma nova regra: o limite de 6 reprovações no decorrer do curso. Nelson Marconi, coordenador da graduação em Economia, justifica o jubilamento como sendo uma regra que existe somente para desligar alunos que não estejam se dedicando o suficiente ao curso. Segundo Marconi, os aprovados no processo seletivo promovido pela escola são plenamente capazes de realizar o curso, e as regras atuais de exclusão são adequadas, balanceando corretamente as motivações e pressões. Por outro lado,

Imagem: Gabriela Szini

Um guia prático do jubilamento

Parara-tim-bum, Para-tim-bum a preocupação dos alunos com o jubilamento é visivelmente maior nesse curso do que nos outros. A fama de rigidez da EESP justifica-se pelo expressivo número de expulsões, sendo que já houve até mesmo um caso de “bi-jubilamento”, situação na qual o aluno jubilado retorna à faculdade (prática comum entre os economistas ”convidados a se retirar”) e passa novamente pelo “cancelamento de matrícula”, fato que questiona a adequação das regras atuais. Visivelmente, o jubilamento possui nas três escolas a mesma função: manter o rigor de dedicação do aluno. As diferenças são explicadas pelas características e demandas na formação de cada curso. Este instrumento, entretanto, não deve ser utilizado sozinho, pois pode produzir resultados como o repúdio ao curso. Enquanto as coordenações do Direito e a Administração afirmam que as regras devem, de fato, ser melhoradas; o coordenador do curso que apresenta maior rebuliço quanto ao jubilamento por parte dos alunos, entende que as regras em vigor estão “adequadas”. Sendo este um assunto tão polêmico entre os alunos da FGV-SP, cabem indagações: a manutenção de regras rígidas de exclusão de curso realmente é o melhor caminho para se forçar o estudo e a dedicação por parte dos alunos? Existe um balanceamento adequado entre essa forma de coerção e o fornecimento de incentivos positivos (como aulas interessantes e de boa qualidade)? Com a palavra, os alunos. ¤

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GAZETA VARGAS

Caras: na GV

Entrevista com

Eunice Oliveira Mariana Beira Pacetta

É

Fonte: Eunice Oliveira

preciso admitir: a EDESP ainda não conseguiu produzir personagens notórios. Enquanto vivemos numa espécie de vácuo de personalidades públicas, somos obrigados a acompanhar, cheios de dor de cotovelo, os colegas da EAESP gabaremse das suas figurinhas. Seu Osvaldo da biblioteca e Seu Antônio, o bedel, recentemente ganharam páginas reverentes desta revista. A Justiça, portanto, tinha que ser feita. Para tanto, foi preciso deixar o prédio da Escola de Direito e ir até a esquina da Rua Rocha para encontrar, em meio a máquinas de Xerox, uma persona para chamar de nossa: a Dona Eunice.

Dona Eunice: uma persona para chamar de nossa A Nice, como já ficou consagrada entre os alunos a Sra. Eunice Perez de Oliveira, com a ajuda do marido, Bida, toca desde 1995 a LPB, pequena copiadora cuja especialidade, há mais de cinco anos, tornou-se xerocar toda a profusão de textos jurídicos exigida pela escola de Direito. Como desde os primórdios a faculdade decidiu eximirse de tolerar entre seus muros violações à propriedade intelectual, recorremos à esquina das ruas Rocha e Itapeva para ficar a par de toda a leitura exigida.

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A ficha corrida da Nice é extensa e guarda algumas surpresas: nascida no interior do estado, em General Salgado, ela veio para São Paulo em 1979, então com 21 anos. Trabalho em uma agência bancária do Itaú nos anos 80, o país vivia um período conturbado. A Nova República sofria com um processo inflacionário descontrolado. Não tardou muito para que os trabalhadores reagissem: em 1985, os bancários organizaram uma greve geral, e a Nice prontamente aderiu à paralisação. A partir daí, a política sindical entrou de vez na sua vida, até que, em 1987, foi finalmente convidada a integrar o Sindicato dos Bancários. Assumiu a direção da região do Jabaquara e foi eleita para duas gestões. “Uma vida realmente muito boa, não faltava nunca o que fazer”, ela conclui, cheia de saudade. Em 1993, a maternidade dá uma nova guinada na sua trajetória. Nice abandonou sindicalismo e, logo em seguida, surgiu a ideia da loja de Xerox. No começo, a maior parte dos seus clientes era de mensalistas de escritórios. Até que, em 2005, os ventos mudam de rumo. A reforma de um antigo prédio da Rua Rocha atrai a atenção dos moradores, e no início daquele ano, quando a EDESP dá início às suas atividades, a D. Eunice é pega de surpresa. Uma horda de estudantes invade a LPB atrás de fotocópias e, desde então, quase 70% do seu faturamento mensal vem dos serviços prestados aos edespianos. Para compreender melhor a importância dessa mulher para o corpo de alunos, o seu currículo, sozinho, não é o bastante. É preciso ter idéia do que se passa nas tardes de “deus-nos-acuda” das sessões coletivas de Xerox. Na hora do aperto, no número 166 da R. Rocha, há gritos, empurra-empurra, tilintar de

moedas sobre o balcão, e quase nenhuma civilidade. A Dona Eunice é o centro gravitacional em torno do qual orbitam os edespianos, e de onde emana a pouca ordem em meio ao caos da odisséiaxerox. Ainda que lamentem a espera, os fins de tarde na LPB costumam render aos alunos bons momentos, e ninguém

Na hora do aperto, no número 166 da R. Rocha, há gritos, empurraempurra, tilintar de moedas sobre o balcão, e quase nenhuma civilidade pode negar que é nesse balcão que boa parte da nossa rotina acadêmica é planejada. Como não podia deixar de ser, nem tudo são flores no relacionamento com os estudantes. Há sempre quem reclame dos preços, das filas, das “pinduras” às vezes pagas e não “despinduradas”. D Eunice defende-se: para ela, sua relação com os alunos é excelente, com raras exceções. E se o tumulto de gente em alguma ocasião a fez atrapalhar-se com as pinduras, não poderia ter sido mais involuntário, garante. A afeição que os alunos dedicam à D. Eunice é indiscutível. Nos lares dos futuros bacharéis, o seu nome dispensa esclarecimentos. No ano passado, a primeira turma de formandos da EDESP reservou a ela um lugar especial na platéia durante a formatura, para que pudesse acompanhar o fim de um ciclo que durante cinco anos ajudou a construir. Escondida num pequeno galpão da Bela Vista, a Dona Eunice não veste uniforme nem crachá, mas é, oficialmente, a primeira figura de domínio público da Escola de Direito da FGV. ¤


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Caras: ex-GV

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Entrevista com

pessoas a serem felizes também. Atualmente, trabalha no Banco Mundial na área de Redução de Pobreza e Gestão Econômica, e está envolvido em uma pesquisa sobre os efeitos do Bolsa Família e o Empreendedorismo. Até hoje realiza pesquisas com professores e pesquisadores do CEPESP, inclusive recentemente teve artigo apresentado em seminário na Escola de Economia. Mesmo já tendo estudado muito até agora, Guilherme acredita que ainda não foi o suficiente, e que também tem pouca experiência, pois ainda há muitas perguntas de âmbito econômico sobre as quais não saberia dar uma resposta certa: “Quando você pensa que já fez tudo o que poderia fazer, percebe que ainda não fez nada, e que ainda há muito a ser estudado, e muitas experiências para se viver”, reflete. Pretende agora acompanhar o trabalho do Banco Mundial na África, bem como fazer um doutorado. Afirma que os jovens acham que sabem muito, mas que leva tempo para formar uma opinião válida sobre as coisas, e que é necessário paciência, pois o conhecimento é um processo vagaroso. “Os economistas querem sair dando opinião sobre tudo, e se sentem seguros para falar sobre as mais diferentes questões, com implicações seríssimas para políticas públicas, na maioria das vezes sem ter conhecimento de fato sobre o que estão falando”. Conta ainda que, em sua formatura, o professor Robert Nicol disse: “Economistas falam demais, falem o mínimo possível”. No filme O Equilibrista (Man On Wire, 2008), quinze anos antes da construção do World Trade Center em Nova York, um homem prepara-se para atravessá-las na corda bamba. Por mais que seja loucura andar sobre uma corda de aço a 400 metros de altura, o equilibrista levou anos se preparando para fazer algo significativo, e é assim que Guilherme se sente. Conta que sempre achou que fosse maluco porque há dez anos colocou na cabeça que queria trabalhar com questões ligadas ao desenvolvimento, mas quando viu o filme pensou: “Pô, pelo menos tem caras tão malucos quanto eu.” ¤

Guilherme Lichand “Na Corda Bamba”

“O

que eu enxergo é que a minha história profissional até aqui foi na verdade menos uma contribuição minha do que uma oportunidade para eu entender melhor quais são os próximos passos para que eu me capacite para em algum momento possa de fato contribuir de alguma forma para redução de pobreza, desenvolvimento...” foi o que Guilherme Lichand disse ao começar a entrevista para esta coluna. Ex-EditorChefe da Gazeta Vargas, Vice-Presidente de Economia do DA, assistente de pesquisa do CEPESP, (Centro de Política e Economia do Setor Público), foram algumas das atividades exercidas por ele dentro da Fundação Getúlio Vargas. Atualmente, dois anos depois de formado, mora em Brasília e trabalha no Banco Mundial. Até o seu terceiro ano do colegial, Guilherme não sabia bem que curso queria, mas uma feira de profissões no Colégio Bandeirantes com a presença do diretor da EESP, Yoshiaki Nakano expôs a proposta do curso, focada em questões nacionais, relacionadas à política e ao desenvolvimento, o que chamou sua atenção, fazendo com que prestasse o vestibular. Guilherme foi da primeira turma da EESP, e disse que depois de ser Vice-Presidente de Economia do DA, e também Editor-Chefe da Gazeta, participou do CEPESP, o que ele julga ter sido imprescindível para ele estar onde está agora: “No CEPESP realizávamos muitos estudos para o próprio Banco Mundial”. Além de utilizar muito conhecimento adquirido neste centro de pesquisas no Banco Mundial atualmente (como, por exemplo, tratar de questões acerca da origem do desenvolvimento e da corrupção), foi o que o ajudou a determinar qual área da Economia seguir: formulação de políticas públicas.

Guilherme diz que estas experiências que a faculdade lhe proporcionou lhe abriram muitas portas, e também que ele fez muitos amigos com isso. Segundo ele, na faculdade há muitas atividades interessantes quando a pessoa quer se envolver: entidades, centros de estudos e bons professores, então, para ele, é importante aproveitar essas experiências e oportunidades ao máximo: “Se você se contentar com o básico que te pedem, você acaba perdendo muito”. Ao terminar a faculdade, Guilherme decidiu que deveria estudar mais, e então prestou a prova da Anpec (Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em

Foto: Guilherme Lichand

Gabriela Szini

Sombra e água fresca Economia – que prepara um exame para quem deseja ingressar em mestrados de Economia), na qual esteve entre os dez primeiros colocados, junto com o seu colega de classe, Eduardo Jardim. Guilherme fez mestrado em Economia na PUC do Rio de Janeiro. Nesta etapa, já estava decidido que esta era a área em que queria atuar. Segundo Lichand, as pessoas estão no mundo por dois motivos: serem felizes e ajudarem outras pessoas a serem felizes. Pensou, portanto, em uma forma de maximizar esta felicidade. Isto é: está feliz em trabalhar em um grupo que tem por objetivo a redução de pobreza e desenvolvimento (frisa, ainda, que ainda que não tenha até agora feito de fato algo que contribuísse efetivamente para isso), e ao mesmo tempo se tiver sucesso nessa missão, irá ajudar as

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Eleições 2010

Duelo de Titãs Isabelle Glezer Rafael de Heredia

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m plena semana de provas e pouco divulgado, o debate organizado pelos professores Rosa Maria Vieira e Paulo Barsotti, tinha tudo para dar errado. Surpreendentemente, naquela quinta-feira ensolarada, cerca de oitenta alunos espremeram-se na pequena sala 703 ansiosos pelo bate-boca entre o ex-ministro e professor emérito da Fundação Luis Carlos Bresser Pereira e o sociólogo e professor emérito da FFLCH-USP Francisco “Chico” de Oliveira sobre o tema “Eleições e Questão Nacional”. Devido a uma falha de agenda, entretanto, implementou-se uma cordialidade às avessas: ao contrário da etiqueta acadêmica, o professor convidado não pôde iniciar o debate – o professor Bresser não pôde ficar para o evento, resumindo sua aparição a uma palestra de uma hora e meia que sequer tangenciou o tema a que foi convidado para debater, ouvir a fala do professor Chico de Oliveira ou até mesmo abrir cinco minutos para perguntas. Enquanto acreditava-se que Bresser teria sido convidado para debater com o professor Chico sobre eleições e a questão nacional, devido ao notório saber de ambos, assistimos ao monólogo de Bresser sobre nacionalismo e desenvolvimento. “Por que sermos nacionalistas?”, instiga Bresser, tentando estabelecer logo de início a ligação entre sua palestra e parte do tema sobre o qual foi convidado a se pronunciar. O exministro encara a plateia e prende a atenção de todos – seu discurso faz um longo apanhado histórico para explicar a essencialidade do nacionalismo ao desenvolvimento econômico.

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“Historicamente, o capitalismo se opõe ao imperialismo clássico”, explica. O capitalismo contribuiu para a formação dos Estados Nacionais – dentro de cujas fronteiras seriam compartilhadas as mesmas leis, costumes, o mesmo idioma – com o objetivo de competir militar e economicamente.

Desaprendam tudo que lhes ensinarem sobre administração. É sério, não estou fazendo piada nem provocação diante de pessoas que eu prezo muito. Inventem outra gramática – esta não serve para nada. É apenas o senso comum transformado em ciência

Os argumentos apresentados visam explicar o nacionalismo como o condição sine qua non para o desenvolvimento: “a História também mostra que é impossível que uma colônia se desenvolva economicamente enquanto estiver subordinada”. Índia e China são apresentadas como exemplos de que o forte nacionalismo instaurado após suas respectivas independências culminou em desenvolvimento, tal que hoje figuram países emergentes com maior potencial econômico.

Questão Nacional x Nacionalismo Bresser apresenta o nacionalismo como caminho para o desenvolvimento: “Percebam que a palavra nacionalismo oferece mais resistência do que o terno utilizado para o título deste seminário: ‘eleições e questão nacional’, quando na verdade ambos se referem ao mesmo fenômeno”. O nacionalismo a que se refere Bresser é puramente econômico. Trata-se da “obrigação do governo de defender fundamentalmente o trabalho, o conhecimento e o capital nacionais”, em contraposição ao nacionalismo étnico potencialmente xenofóbico que deu início às guerras modernas e genocídios na Europa e nos Bálcãs, por exemplo. Neste sentido, o nacional-desenvolvimentismo brasileiro, que foi de 1930 a 1975, teria ruído no início dos anos 80 com a crise financeira decorrente de altos índices de inflação. O aumento da dívida externa provocado pela súbita alta na taxa de juros, foi responsável pela queda do crescimento econômico no Brasil na chamada “década perdida”. Nas palavras de Bresser, a corrente neoliberalista (“liberalismo radical e profundamente reacionário”) pregada por Thatcher e Reagan nos anos 80 abominavam o nacionalismo, por se tratar de uma visão econômica retrógrada em contraste com o fenômeno real da globalização: “o nacionalismo era inaceitável, e o caminho para o desenvolvimento era a total liberdade de mercado, diziam eles”. A implementação do neoliberalismo no Brasil nesta época (e sua manutenção nos trinta anos seguintes) teria sido um desastre, causando um crescimento econômico baixíssimo, alta dos juros e o Plano Cruzado, o qual, na opinião do ex-ministro, teria sido “um fracasso político-econômico”. Para Bresser, assistimos recentemente ao fracasso das políticas neoliberais


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Eleições 2010

www.gazetavargas.org na América Latina e nos EUA , quando “o escorpião voltou-se contra si próprio em 2008”. Seu discurso é finalizado com uma comparação entre a nação imperial e a imperialista. Enquanto aquela é inerente à posição de riqueza e poder bélico, econômico, intelectual, entre

a qual era para ter sido um debate com o tema “Eleições e a Questão Nacional”. A defesa do nacionalismo econômico enquanto alternativa a todos os males do mundo é incrivelmente bem articulada – o professor não titubeia por sequer um segundo: fala com absoluta coerência e segurança. Entretanto, não traz à tona a questão das iminentes eleições, estabelecendo nexo de casualidade entre o nacionalismo e nossa ida às urnas em 3 de outubro.

“Chutando a Escada”, de Ha-Joon Chang

“Um estranho no ninho”

Chutando a escada: na teoria de Ha-Joong Chang, países desenvolvidos impedem o desenvolvimento dos emergentes outros; esta, refere-se ao interesse dos países ricos em impedir que os países pobres ou de renda média alcancem o pleno desenvolvimento. Nas palavras de Ha-Joon Chang, economista heterodoxo sul-coreano, os países desenvolvidos utilizariam políticas intervencionistas para enriquecer e, simultaneamente, impedir os países pobres de copiá-los, teoria por ele batizada “Chutando A Escada”. A tentativa de ensinar quatro séculos de história político-econômica em uma hora (a partir de simplificações que podem ser consideradas grotescas do ponto de vista do sociólogo convidado), é, antes de mais nada, impactante. A plateia aplaude o palestrantecelebridade com respeito e admiração. Mas o professor Bresser, na realidade, sequer tangenciou o tema da palestra,

Chico de Oliveira, pernambucano parrudo, de sotaque forte e barba espessa, cativou seus espectadores pelo bom humor e as alfinetadas feitas a Bresser, que se retirou assim que terminou de discursar. “Bresser, que não perde a mania de ser professor, falou tanto e não disse nada. As eleições, tema escolhido para o seminário, não têm nenhuma importância do ponto de vista da questão nacional”, afirma, entre risos tímidos dos alunos. “Sou um estranho no ninho. Não gosto de empresas. Odeio administração”. Demonstrando estar confortável num ambiente que em outras circunstâncias lhe seria hostil, o sociólogo definiu as eleições 2010 como “brochantes”. Para Oliveira, a questão nacional está resolvida – não entusiasma a população, sequer os próprios candidatos. A discussão eleitoral acaba girando em torno de “pegadinhas”, como por exemplo o escândalo envolvendo a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Mas não há grandes discórdias entre os candidatos em relação ao nacionalismo: todos estão no campo neoliberal. Basicamente, nenhum candidato quer nos convencer de que a questão nacional está pendente e precisando do seu voto para decidi-la. Por isso a campanha é tão desinteressante e não convoca ninguém. Todos estão igual-

mente satisfeitos com as escolhas que foram tomadas no período neoliberal, e, por isso, seus discursos são incrivelmente parecidos.

Doença Incurável Ao contrário do que afirma Bresser, Chico de Oliveira nega veementemente a queda do neoliberalismo com a crise de 2008: “o que entrou no lugar dele então?”, questiona inconformado. “Por acaso algum de vocês não quer se tornar diretor da Petrobras e ganhar um salário de R$ 100.000,00?”. Para Oliveira, nada o neoliberalismo não fracassou pois nenhuma visão tomou seu lugar – as pessoas são intrinsecamente auto-interessadas: “Todo mundo quer levar vantagem em tudo, e isso só acontece quando uma ideologia tornou-se o senso comum das pessoas. Essa é a vitória do senso comum”. Conforme uma famosa propaganda dos anos 70, afirma, “o bom do capitalismo é ser capitalista” – e esta foi uma forte vitória ideológica. “Bresser se esquece que foi ministro da administração de FHC e tentou, em detrimento de fundamentos caros a esta escola, organizar o estado segundo os padrões de uma empresa”. Na visão do sociólogo, este absurdo teórico, conceitual e prático, configura uma vitória do neoliberalismo: pressupor que uma organização tão complexa como um Estado não só pode ser organizado, e ademais, como uma empresa. Oliveira enxerga o Estado como caótico por excelência. Sendo “uma soma de interesses contraditórios”, jamais poderia ser organizado, e muito menos segundo os padrões ensinados em uma escola de administração.

Elogio da pobreza Para Oliveira, as eleições são profundamente desinteressantes. Declarando abertamente apoio ao candidato do PSOL Plínio de Arruda Sampaio, justifica-se: “Plínio é o meu Quixote:

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usa seu minuto como Enéas – é preciso restaurar em nossa sociedade a dimensão do conflito social”. O sociólogo entende que a compreensão de que o discurso do consenso não é o caminho para a eliminação das mais obscenas desigualdades, pois nada mais seria do que a continuidade da pobreza. Seu apoio ao PSOL também decorre de sua ojeriza pela chamada mentira neoliberalista, isto é, pelo “viveiro de ONGs” em que estamos inseridos, no qual é feito o elogio da pobreza. “Como se fossem encontradas beleza e qualidades na pobreza, o que é uma grande hipocrisia”. A seu ver, antes, a pobreza era um desafio a ser erradicado, e não uma beleza a ser contemplada. No mesmo sentido, admite que seu candidato está lá apenas para denunciar este falso consenso em que vivemos: “Cuidado com a sedução do

Quem é quem

Eleições 2010 discurso liberal: é melhor ser Quixote do que viver numa sociedade com essa obscenidade”, adverte. O desafio nestas eleições não guarda relação com a resolução da já pacificada “questão nacional”, mas sim com esclarecimentos sobre questões mais relevantes, como a funcionalização da pobreza. Ao final de sua fala, Chico de Oliveira se entusiasma e prende a atenção da plateia: “Desaprendam tudo que lhes ensinarem sobre administração. É sério, não estou fazendo piada nem provocação diante de pessoas que eu prezo muito. Inventem outra gramática – esta não serve para nada. É apenas o senso comum transformado em ciência”. “Alguns professores devem dizer a vocês que vão para a lousa e transformam em equações todas as platitudes da teoria da administração: desconfiem disto. A tarefa é fazer justamen-

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Luiz Carlos Bresser-Pereira • • •

Economista e cientista político Ministro da Fazenda durante o Governo Sarney Ministro da Administração Federal e da Ciência e Tecnologia durante o Governo FHC

Chico de Oliveira • • • •

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te o contrário: transformar em senso comum o que é ciência. Democratizar o acesso e o domínio do conhecimento, não como um fetiche, mas como a expansão da liberdade!”. Ainda que rejeite argumentativamente tudo em que teoricamente acreditemos, Chico de Oliveira é ferozmente aplaudido. Não se sabe se por educação, admiração ou concórdia. Teria sido seu discurso encarado como um grande espetáculo em vez de uma argumentação séria? Possivelmente a grande maioria segue discordando de suas principais ideias e ainda almeja chegar à diretoria da Petrobrás com um salário de R$ 100 mil. Mas não se pode negar que, embora a afronta direta a nossos valores possa não alterá-los, a provocação traz à tona a possibilidade reflexão, nem que seja para reafirmação. Uma sensação deveras revigorante. ¤

Sociólogo e professor doutor emérito da FFLCH-USP Trabalhou com Celso Furtado na SUDENE em 1959 Preso e torturado pelo DOPS durante a ditadura militar Contribuiu para a fundação do PSOL em 2004


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Boca de Urna: A política e os estudantes da FGV Gesley Fernandes João Lazzaro

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no passado a Gazeta Vargas realizou uma pesquisa, em sua edição #79, que abalou os alicerces do Busto Kennedy. Na ocasião, perguntas foram feitas acerca do pensamento dos alunos da FGV - diversos quesitos, como conhecimentos sobre a FGV, valores, histórico de vida e posicionamento político foram avaliados. Esse ano, às vésperas da eleição, perguntamo-nos novamente o que pensa quem senta nos bancos da Fundação acerca da política nacional.

Métodos estatísticos e objetivos Nossos pesquisadores resgataram suas pranchetas e foram aos corredores da Fundação novamente! Com as eleições próximas decidimos que era hora de repetir a experiência, mas agora, focamos no posicionamento político dos alunos. A pesquisa foi feita entre os dias 22 de setembro e 1 de outubro (sim, em plena semana de provas, mas, imediatamente antes do primeiro turno). Nosso rigor estatístico teve de ser reduzido - a amostra total foi de 162 alunos que nos fornece o grande erro máximo de 6,4% com 90% de significância, devido ao prazo imposto pelo primeiro turno e a dificuldade de coletá-los durante as provas. Mas, numa época em que sequer a Datafolha ou o Ibope foram capazes de prever o segundo turno, ela se tornou suficiente

para responder às nossas questões. A pesquisa foi feita com a intenção de comprovar ou derrubar alguns “preconceitos” sobre os alunos da Fundação. Praticamente em todas as suas edições, a Gazeta Vargas recebe algum texto de alguém reclamando que os colegas não possuem engajamento político, seria isso verdade? Os alunos da FGV vêem algum alinhamento político em sua instituição? É verdade que a FGV é um ninho de tucanos?

Alinhamento Político do corpo discente Vamos analisar os números da pesquisa. 41% dos alunos se declararam abertamente de direita, 47% de centro e apenas 11% são os representantes da esquerda. Interessante notar, que nenhum entrevistado que cursa Economia se declarou de esquerda. Outro fato curioso é que, no ano anterior, os futuros advogados da EDESP eram os que se consideravam mais à direita, hoje são os que mais se situam à esquerda (com impressionantes 17,4% esquerdistas!!!). Seria esta guinada do direito à esquerda fruto do surgimento de uma nova esquerda, supostamente representada por Marina Silva? José Garcez Ghirardi, coordenador de Metodologia da EDESP, foi convidado pela Gazeta Vargas a analisar alguns dos resultados obtidos. Para ele, os conceitos “direita” e “esquerda” estão confusos: “os alunos da FGV temem ser estereotipados, então se definem como centristas, a chamada posição do ‘bom senso’”. Tal atitude pode ser vista

como cautelosa, mas também uma alienação ao cotidiano político. Segundo Garcez, devemos poupar o chavão da “juventude alienada”, já que “até os próprios partidos perderam seus discursos essencialmente políticos”.

Percepção do posicionamento político da FGV Os professores da FGV são imparciais, aos olhos dos alunos, quando passam seus conhecimentos. Apesar de contar com nomes como de Suplicy, famoso senador do PT, ou Yoshiaki Nakano, foi secretário da Fazenda do governo Covas, quase 70% dos alunos entrevistados não acham que a FGV tem um alinhamento político claro. De duas uma, ou os professores se esforçam para manter a neutralidade perante os alunos ou a divergência interna é grande e não há como definir uma única corrente para a FGV. Porém, entre aqueles que acham que a Fundação possui um alinhamento, mais de 90% a enxergam na direita. Garcez diz que há uma certa semelhança entre os valores da FGV e seus alunos e, por isso, não perceberia as diferenças: algo como o sotaque, que só é admitido quando é diferente. O professor nota que o alinhamento em si não é ruim, o mal é quando esse não pode ser discutido. Aqui imaginamos se o alinhamento da FGV e dos estudantes é algo discutido ou não. Será que, por exemplo, a Escola de Economia ter em seu corpo docente Nakano e Bresser-Pereira tem algum significado?

Política? Pouco me importa... 30% dos alunos entrevistados sequer se consideram interessados por política. A proporção é semelhante nas três escolas. Mas cabe perguntar, ser interessado por política significa engajamento político? Apenas uma pessoa

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A pesquisa em números Alinhamento por Curso Os entrevistados dividiram-se entre centro e esquerda. No Direito encontra-se a maior proporção de esquerdistas: 17,39%. Curiosamente, nenhum estudante de Economia entrevistado declarou-se de esquerda.

A FGV possui alinhamento político claro?

Voto para Presidente

De acordo com a pesquisa realizada, Serra seria eleito em primeiro turno. Marina aparece em segundo lugar.

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www.gazetavargas.org entrevistada faz parte de alguma entidade política. E na nossa conversa com Garcez, esse nos lembrou que a percepção do estudante sobre o que é política pode estar equivocada, já que muitos dos temas cotidianos do aluno têm conotação política implícita, como trânsito, saúde ou segurança. Como diria Dom Pedro Casaldáliga “tudo é político, mesmo que o político não seja tudo”. Os estudantes provavelmente ao responder a pergunta, percebem a política como partidária, e não algo mais amplo, de grandes influências sua vida. Se considerar interessado já é um passo, é pressuposto que quem se interessa por algo já pode debater e questionar racionalmente e com algum embasamento. Logo, os alunos em geral não devem ser alienados, podem ter uma atitude relativamente passiva, mas não alienação. Mas, lembramos que 30% dos futuros líderes nacionais não estão nem aí para política e não acham que tal entediante assunto afeta suas vidas.

Voto Compulsório Ainda que o voto não fosse obrigatório, 90% dos entrevistados seguiriam votando. Sendo 82% daqueles que não votariam aqueles que não gostam de política. Sobram 18% de pessoas que gostam e não trocariam seu passeio dominical por uma rápida votação. Provavelmente estes são aqueles revoltados com o sistema e consideram tudo uma palhaçada. Pode ser que a percepção dos gevenianos sobre seus colegas não seja igual à opinião que cada um tem de si. 10% dos entrevistados disseram não ter nenhum colega interessado por política. 67% dos que têm amigos interessados no tema dizem que eles são poucos. Estes números nos mostram que os alunos gostam, compreendem e se interessam por política, mas, não o suficiente para convencer os outros disto.

A FGV pode até formar os grandes empresários nacionais, mas, dificilmente, outro expoente político, como Eduardo Suplicy, sairá de suas salas de aula.

E o vencedor é... Agora indo direto ao que interessa, perguntamo-nos quem os estudantes da FGV elegeria? Dessa forma, a pesquisa aponta algo interessante de se notar que há uma semana das eleições (do 1º turno), 60% não sabia em quem ia votar. E não apenas para cargos que geralmente não se dá muita atenção, como deputados e senadores, mas não haviam definido nenhum de seus candidatos. Para o cargo de governador, quem estuda nessa instituição seguiria o resultado das eleições e elegeria como governador, em 1º turno, Geraldo Alckmin. Mas aqui, ele se elegeria uma folga maior e não precisaria ter suado, como foi sua eleição em 1º turno (com 50,63%), aqui ele teria 65,33% dos votos. Em segundo lugar, temos o glorioso grupo daqueles que ainda não haviam decidido em quem votaria para o executivo estadual (estão inclusos neste grupo aqueles que não votam em São Paulo). Em terceiro lugar teríamos Skaf com grandes 6,83%. Imaginamos que tal posição de Skaf, que difere muito do resultado das eleições, se deva ao fato de que a “pirâmide” na qual ele morou por tanto tempo, ser tão próxima da FGV aqui no Trianon. Já Mercadante, que quase foi para o segundo turno, esta em quarto lugar com inexpressivos 4,35% dos votos, quase empatado com Fabio Feldmann com 3,73%. Agora para o cargo executivo mais importante do país, o sonho e o planejamento de toda a vida de José Serra se realizaria: eleito em 1º turno pelos estudantes da FGV, obteria 55,7% dos votos. É interessante notar a divergência da opinião dos estudantes da FGV da maioria da população brasileira, com-

provando a tendência eleitoral de sua classe social: segundo o Datafolha (na sua pesquisa de 02 de outubro, última feita antes das eleições do 1º turno), pessoas que tem sua renda familiar com mais de 10 salários mínimos, também colocariam José Serra em primeiro lugar com 38%. Outro ponto que notamos é que uma “onde verde” também existe entre quem senta nesses bancos da graduação: Marina Silva ficaria em segundo lugar com 24,84%. Mas realmente o que impressiona é um terceiro lugar dado a Plínio de Arruda Sampaio. Acreditamos que sua atuação como stand-up comedy, tenha impressionado os estudantes da fundação, e então teríamos Dilma Roussef, vencedora do 1º turno, em último lugar. Seria Plínio a FBK em escala nacional? Notamos que esses resultados representam, de fato, uma parcela muito pequena da realidade brasileira. Fica para pensar como e por que os estudantes da FGV, futuros dirigentes de multinacionais e da área pública, ou seja, com poder de decidir o rumo do Brasil, têm uma opinião política tão diversa da maioria do país. A pesquisa realizada nesta edição teve como objetivo desmistificar nossa própria imagem enquanto eleitores da FGV. Certamente, alguns dogmas foram reforçados, como a simples ligação entre a faixa de renda e a preferência pelos candidatos tucanos. Por outro lado, constatou-se uma significativa tendência ao centralismo político (tendendo para a direita, já que Serra e Alckmin eleger-se-iam em primeiro turno). De qualquer forma, não pode ser desconsiderado o fato de que não se trata de uma maioria esmagadora. Podemos não debater diariamente sobre projetos de lei, criminalidade, aborto, ensino público ou privatizações, mas as eleições são levadas a sério pela maioria dos estudantes desta Escola. Existe consciência política entre os gevenianos. ¤

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“Conversa Informal” Alunos da EDESP conversam com docentes sobre as eleições Isabelle Glezer

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Foto: José Cyrillo Neto

urante o almoço da quinta-feira anterior às eleições presidenciais, às 11:00 no 7º andar da Escola de Direito um apanhado de aproximadamente 70 alunos entre 1º e 3º ano compareceram ao evento intitulado “Conversa Informal”, promovido pelo Centro Acadêmico. A conversa, conduzida pelos professores José Garcez (Coordenador de Metodologia), Oscar Vilhena (Direitos Humanos), Dimitri Dimoulis (Direito Constitucional) e Rui Santos (Relações Internacionais),

um sucesso e teve grande importância para os docentes e alunos. Durante duas horas, pôde-se conversar informalmente sobre as temáticas do interesse dos alunos, que puderam questionar os convidados abertamente no ambiente pequeno e familiar da EDESP. O professor Oscar fez questão de parabenizar o Centro Acadêmico pela iniciativa, surpreendendo-se ao ver, pela primeira vez, alunos sentados no chão da escola: “é sinal de que estamos nos civilizando”, comenta, provocando risos.

Descontração com os professores da EDESP tinha o intuito de provocar o debate e responder às dúvidas dos alunos em relação às eleições. De início, deixaram claro de que não iriam fazer uma abordagem jurídica das eleições, mas tratava-se apenas de um debate político, de questões referente a cidadania. E por se tratar de um nicho tão pequeno, conversa foi, de fato, informal. Embora pudesse ter sido organizado com mais antecedência, o evento foi

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“O Vale Tudo da Imprensa” O professor Rui, começou a conversa com um provocativo vídeo introdutório extraído do blog de Miro Borges1, cujo título era “O Vale Tudo da Imprensa”. O vídeo indicava que houve distorção da fala de José Dirceu em discurso

1.  Uma trincheira na luta contra a ditadura midiática. Disponível em http://altamiroborges.blogspot. com/2010/09/jose-dirceu-e-o-vale-tudo-da-imprensa.html

ao Sindicato dos Petroleiros da Bahia pela mídia. Durante entrevista coletiva, o ex-ministro teria dito: “Gente do céu, como alguém pode afirmar que o problema do Brasil é o excesso de liberdade de imprensa? O problema do Brasil é...”, quando fora interrompido por um membro da plateia, que disse “O excesso!”. Dirceu, no vídeo, responde: “o excesso... Não, o excesso não. Não existe excesso de liberdade. Pra quem já viveu em ditadura não existe excesso de liberdade. Mas na verdade é o abuso do poder. O abuso do poder de informar, o monopólio, a negação do direito de resposta e do direito da imagem, que está na Constituição igualzinho à liberdade!”. Em seguida o vídeo mostra como a fala de Dirceu foi noticiada em jornais como a Folha e o Estado de São Paulo, fazendo menção à manipulação da informação pela mídia: “Dirceu vê mídia com ‘excesso de liberdade’”, dizia a manchete do Estado. Para o professor Rui, o que José Dirceu disse e o que foi noticiado foram coisas diferentes, e devemos prezar pela verdade, que também é considerada um valor democrático. “A imprensa, assim como a Igreja, as universidades, tem interesses – deve ser competitiva”, afirma o professor Oscar Vilhena. “O editorial do Estadão apoiando o Serra foi uma das coisas mais bonitas dessas eleições”, declara o professor, fazendo menção ao editorial publicado em 25 de setembro no Estado de S. Paulo. Ainda que discorde do conteúdo, o professor Oscar acredita que é melhor que o jornal declare quem apóia, para que as informações sejam devidamente filtradas. O professor grego Dimitri, por outro lado, julga ter ocorrido uma “ridicularização” do conceito de democracia: “O que a Folha e o Estado de S. Paulo entendem por democracia?”, questiona, “eles tem como democracia o conceito que está a favor de seus interesses, uma vez que não há conceito concreto de democracia”.


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Eleições 2010

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Mediocridade? “Tirando o Tiririca o que mais incomoda vocês nestas eleições?”, perguntou Fernando Ribeiro, presidente do Centro Acadêmico. Com bom humor e sarcasmo, o professor Dimitri Dimoulis respondeu que o candidato Tiririca não o incomoda – “muito pelo contrário, ele reflete a ideia do pluralismo e da democracia no horário eleitoral livre”, afirma. O candidato tem um limite de tempo para convencer o espectador, e irá abordar o eleitor de quatro formas possíveis: pela beleza, pelo ridículo, pela apatia ou dizendo algo esdrúxulo como “o Brasil precisa de bomba atômica”. Quanto aos presidenciáveis e o debate, percebe o mesmo padrão argumentativo entre os candidatos – todos valem-se de argumentos éticos ou técnicos, mas não políticos. O outro está “errado”, “despreparado” ou “mente”, mas não são debatidas opções políticas: “todos são expostos ao ridículo”, alega o professor Dimitri. Para o professor Rui Santos, o empobrecimento do debate político é fruto da invasão do marketing e dos mecanismos de publicidade das campanhas, tal que suas regras rígidas valorizem o produto em detrimento do nível do debate. O professor Garcez também entende que não houve debate político nestas eleições. A discussão política teria desaparecido no Brasil em virtude do consenso, baseado em certos indicadores, de que a economia vai bem, e o objetivo do voto se esvaiu. “Esta é uma postura perigosa. O objetivo não é apenas gerar uma boa economia, mas condições para uma vida política justa para todos”, adverte, atentando para a desvirtuação do debate político. “Se, para alguns, a eleição é uma palhaçada, o candidato palhaço é mais honesto que os outros”, instiga. “Será difícil encontrar outro presidente do nível intelectual de Fernando Henrique ou tão talentoso quanto Lula: daqui pra frente é só ladeira abaixo”, afirma o professor Oscar. Para ele, a

mediocridade do debate também se justifica pela pacificação econômica. “Mas não devemos ter complexo de vira-lata”, adverte, fazendo menção à mediocridade que também se verifica nas eleições da França e da Suíça, por exemplo, em que se discute a imigração. Um dos aspectos destas eleições que incomoda o professor Garcez é a desqualificação da diferença política com bases morais. Os partidos não conversam mais entre si, de tal forma que não há benefício da dúvida de que há um desenho melhor para o Brasil, diferente daquele que pensamos. Ao estigmatizar os partidos e presumir a má-fé, perdeuse a capacidade de discutir argumentos

por preconceitos. “O debate político está pobre, porque paira uma luz negativa e depreciativa sobre o porquê das pessoas sem refletir sobre o objeto”, lamentando o professor sobre a descrença de que pessoas honestas possam ter desenhos de Brasil diferentes. Garcez crê que a bonança econômica daria a parte da população a falsa sensação de que a política cumpriu seu papel na sociedade: “quando já têm a TV a cabo e o celular, a política acaba perdendo o sentido”, e perdeu-se a capacidade de desejar coisas diferentes. “Devemos entender que o mundo não está resolvido e que podemos desenhar outros sonhos”. ¤

Em quem vão votar:

José Garcez

Serra, Alckmin, Aloyisio, Young e PSDB para senadores. Vou votar no Serra, mesmo não estando 100% satisfeito com ele. O modelo de estado que o PSDB apóia é mais próximo que o meu e, a médio prazo, é melhor para o Brasil.

Não tem direito a voto, mas caso tivesse votaria: Dilma e PSOL Dilma porque é a melhor para os pobres. PSOL não vai resolver nada, mas serve como protesto

Dimitri Dimoulis Marina, Skaff, Young, Aloyisio, Alexandre Yousseff e Ricardo Simões Voto na Marina com toda a perspectiva de que ela perderá, mas com a esperança da construção de um desses discursos diferentes do que deve ser adotado

Oscar Vilhena Marina, Skaff, Marta, Carlos Giannazi (PSOL) Marina não vai ganhar mas é uma líder com visão de longo prazo

Rui Santos

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Contraponto

RETROSPECTIVA: BALANÇO NEGATIVO Alípio Ferreira

F

azer um balanço do governo Lula implica em escolher entre dois métodos de análise: o olhar dogmático (tanto o petista cego como o reacionário preconceituoso) ou o olhar crítico. Sob o olhar dogmático de alguns petistas de carteirinha, a origem humilde do presidente, a sua luta contra a ditadura e seu sofrimento terreno bastam para torná-lo um presidente acima de suspeitas e além do bem e do mal. Para alguns reacionários, a origem dele basta para colocá-lo na escória da política. Mas se encararmos esse oito anos de Lula com o olhar crítico que se espera de qualquer analista, é necessário um grande contorcionismo intelectual para atribuir uma nota boa a essa gestão. Vejamos por quê. O governo Lula se saiu bem na gestão da República e de seus projetos de governo? Não. O governo não era capaz de gastar nem perto do que era aprovado para alguns projetos (exemplo: lançou o PAC 2 tendo gastado ¼ do que fora previsto para o PAC 1). Seus ministros não conseguiam trabalhar juntos (exemplo: Marina Silva e Dilma Rousseff). Suas indicações políticas desleixadas causaram danos à imagem da República e à qualidade de serviços (exemplo: Erenice Guerra, politização de agências como a ANAC). O governo Lula se saiu bem na implementação das reformas necessárias? Não. Reformas absolutamente urgentes para a nação, como a tributária (acreditem, hoje em dia pobre paga mais imposto que rico no Brasil), previdenciária (de onde se vai passar

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a tirar dinheiro para cobrir o déficit?) e política (como corrigir as distorções de representação das unidades federativas na instância federal?) ficaram para outra ocasião. Lula desperdiçou um período de bonança econômica, popularidade exagerada junto à população e uma oposição mansa-atédemais, ou seja, a melhor chance de implementar essas reformas. O governo Lula se saiu bem na condução da política econômica? Não. É tentador atribuir a quem está no governo a autoria das mudanças que ocorrem na sociedade. Mas quase nunca é correto. No caso do crescimento econômico que o Brasil viu durante esses oitos anos, não há razão para crer que o governo do presidente Lula teve papel protagonista. Afinal, para haver crescimento, é necessário haver investimento em capital físico (o PAC deixou a desejar), educação (a educação básica no Brasil, pública e privada, é das piores do mundo), abertura de novos mercados (o Mercosul se desfacelou), redução da carga tributária (talvez a única derrota política do presidente foi a queda de um tributo, a CPMF), aumento da concorrência (BNDES estimulou a fusão de frigoríficos e empresas decelulose) entre outros. Se nenhuma dessas variáveis foi trabalhada pelo governo, não há saída senão concluir: o Brasil cresceu não devido, mas apesar do PT. Alguém há de dizer: “ah, pelo menos ele não mexeu na estabilidade macroeconômica que o antecessor deixou”. Pois tinha que ter mexido em muito! Se a inação é critério para avaliar um governo, ela deveria contar pontos negativos!

E é claro que o BNDES é necessário! Afinal, o País possui taxas de juros reais exorbitantemente altas, e a grande razão para tal anomalia são os vultosos gastos correntes da União, grande maioria dos quais não vão para investimento ou educação (que poderiam gerar crescimento econômico), e reduzem a poupança interna. Mas em período de crise global, com todo mundo dizendo que gastar é importante, o governo escolheu turbinar ainda mais seus gastos, reduzir IPI, dar crédito subsidiado via BNDES, e o Banco Central que se vire para conter a inflação. A ilusão de que as atitudes do governo resolveram problemas sociais vai longe. Ninguém vai negar a importância do Bolsa Família como instrumento de garantia de cidadania a milhões de cidadãos, mas o programa não ataca – ou o faz muito timidadamente – as fontes reais de desigualdade social: desigualdade da posse do capital, tanto físico como humano. O governo Lula prezou pela imagem do Brasil? Não. A política externa do governo Lula fracassou nas negociações da Rodada Doha, calou diante dos desmandes de Evo Morales e Rafael Correa e diante da deslealdade da Argentina com as tarifas de comércio. A Argentina, nosso parceiro no Mercosul, cobra tarifas mais altas a produtos brasileiros do que chineses. De fato, o Itamaraty de Celso Amorim assistiu caladinho ao desmantelamento do Mercosul, enquanto quiçá estudava como resolver a crise entre Índia e Paquistão. O governo Lula prezou pela ética e o respeito à coisa pública? Deixei essa pergunta por último, pois a resposta é óbvia, e o espaço acabou. Mas tendo em vista as recentes pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano, parece que isso não importa muito no Brasil...¤


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DO GOVERNO LULA POSITIVO Lula Maravilha Dilma Lá, Brasil tem 13 letras! (vocês vão ter que engoli-la) Tiago Tenuto

ex-aluno EESP/FGV omo avaliar se um governo foi bom? Em época de eleição, essa é uma pergunta crucial. Quando esse texto for publicado, as eleições já terão ocorrido e me pergunto se todos fizeram a devida reflexão. A julgar pelo que leio no Facebook , digo que não. So far, ainda não vi nenhuma análise consistente. Vi muita bravata. Posto isso, comecemos deixando uma coisa clara. Não jogo no time dos que dizem que o Lula recebeu uma herança maldita. Mas não posso ser ingênuo e acreditar que ele recebeu um navio de vento em popa... Ao final de 2002, o IPCA fechou acima de 12% (com meta de 3,5%) e taxa SELIC em 22%. Nos quatro anos seguintes (primeiro mandato inteiro, portanto), o IPCA fechou acima da meta mas sempre em trajetória convergente ao centro do objetivo. Ou seja, o primeiro mandato inteiro para “por a casa em ordem”. Mesmo assim, o PIB cresceu a uma média de 3,15%, com índice de desemprego caindo de 9,70% para 8,40% no período (2003-2006). Índice menor do que países Argentina, Colômbia, África do Sul e Turquia (Banco Mundial). Nos oito anos de governo Lula, o número de pessoas ocupadas com carteira assinada cresceu em 3 milhões!!! Ah... Mas é o cabide de emprego do governo Lula, que cria Ministérios a torto

C

e a direito – diriam os mais apressados. Cumpre ressaltar, no entanto, que no mesmo período, o setor privado responde 2,7 milhões de vagas (IpeaData). No quesito social, o Índice Gini mostrou uma clara melhoria: caiu 2 pontos e meio ao longo desses oito anos. O valor atual (55) é próximo do índice chileno (53,5) de acordo com dados do Banco Mundial. Inequivocamente, estamos vendo distribuição de renda como nunca na história desse país. Esse Bolsa Família nada mais é do que um Bolsa Esmola. Em 2009, de acordo com Marcelo Neri, pesquisador da FGV, a renda dos 40% mais pobres cresceu 3,15%, enquanto que a renda dos 10% mais ricos, 1,09%. De acordo com o Banco Mundial, em 2003, os 20% mais ricos detinham 61% da renda nacional e os 20% mais pobres 2,61%. Em 2007, os mais ricos tinham 58,7% (queda de 3,7% no período) e os mais pobres, 3% (crescimento de quase 16%!!!). Nunca antes na história desse país vimos números tão bons! Que vergonha dá ter um presidente analfabeto... Interessante ver que o nordestino-metalúrgico-analfabeto investuiu 16% dos gastos do governo em educação. Isso é 50% mais do que a média (11%) do segundo mandato do FHC (Banco Mundial, 2006). O ProUni foi uma revolução no ensino superior. Dados do Ministério da Educação mostram que os alunos do ProUni tiveram desempenho melhor do que seus pares não-bolsistas. Deixemos os números de lado, vamos à dialética. Não dizem por aí que ignorância é uma benção? Lula é um abençoado! Seu grande trunfo foi escolher algumas coisas que queria fazer

e fazê-las de fato. Como nos diz a teoria econômica, ceteris paribus, não dá para produzir mais tanques de guerra sem reduzir a produção de manteiga. E Lula parece que entendeu a mensagem. Não houve nenhum desvario no quesito estabilidade econômica. Lula jogou o jogo. Quis fazer política fiscal. Fez. Mas deixou a política monetária nas mãos do Banco Central. Quis dar aumento de salário mínimo acima da inflação, foi lá e deu. Mas vetou o fim do fator previdenciário. E por fim, a corrupção. Esse tema é delicado. O público alvo desse texto tem uma consciência político-econômica de no máximo 6 anos... Estão votando pela primeira vez, no máximo pela segunda. O governo Lula teve muitas denúncias de corrupção? Sim. Mas eu não vi nenhuma ingerência na Polícia Federal ou nenhum personagem com a alcunha de engavetador geral da República... Ah, mas de todas as denúncias, ninguém foi condenado – eu ouço por aí. Ok, me diz um criminoso de colarinho branco que está atrás das grades. Será que as raízes do Mensalão não estão na época em que se votou a emenda da reeleição? Se estamos falando do Lula, não podemos terminar sem fazer alguma alusão ao futebol. Às vezes, um time só é bom no papel. No atual Brasileirão, parece ser o caso do Grêmio: Victor, Douglas, Souza, Borges, Jonas. O Palmeiras com o seu time pífio foi lá e meteu 2x1 em pleno Olímpico no dia do aniversário do tricolor gaúcho. O PSDB tem uma seleção de intelectuais; o PT, um bando (de loucos) empiristas vão lá e fazem. Aqui está a diferença crucial: enquanto uns acham que o mundo está errado e são os modelos que estão certos, os outros sabem que o mundo pode até estar errado, mas é essa a realidade. Segue o jogo.¤

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Mi casa, su casa?

Será muito cedo para julgar se as intenções da casa do CA correspondem aos resultados alcançados? Ou muito tarde?

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Foto: Pipis Corp

A

Mariana Moreira

partir de abril, era esperado na Rua Itapeva um aumento do fluxo de gevenianos: com a nova sede do Centro Acadêmico estabelecida, os alunos puderam começar a desfrutar de uma casa totalmente reformada com direito a churrasqueira, beliches, pufes, televisão, e até mesmo cerveja. O espaço foi montado para suprir principalmente as necessidades dos alunos de Direito. A antiga sede do CA, no terceiro subsolo do prédio de direito (espaço cedido pela GV), contava com instalações pequenas, que não forneciam nenhuma comodidade aos futuros advogados em seu tempo livre. Pelo contrário, o andar possuía uma infra-estrutura quase precária: quando chovia às vezes era alagado. O antigo espaço atualmente está desativado. Conforme o presidente do CA, Fernando Ribeiro, a nova sede tem como principal finalidade fornecer aos estudantes de Direito um local onde ficar confortavelmente durante as suas atividades acadêmicas, seja para estudar, conversar, descansar, e até mesmo beber. Não é o que acontece. Com o projeto pronto, a casa inteiramente equipada, com uma boa infra-estrutura e com capacidade para atender as necessidades dos alunos, na maior parte do tempo, fica vazia. Nas ocasiões em que se presencia grande momento de alunos é devido a algum evento específico: churrasco para bixos, esquentas, festas juninas, os quais se tornaram incrivelmente populares entres os alunos. Apesar de bem sucedidos os eventos, é questionável se o espaço do CA está atendendo a sua função e utilidade. A diretoria do CA reconhece a baixa frequência dos alunos. Para o presidente: “é difícil criar uma cultura para alunos que

estão acostumados a vir para a faculdade, estudar, e voltar para casa”. É visível que a gestão atual está tendo dificuldades em tornar a casa um lugar atrativo para os estudantes de Direito irem no dia a dia, assim, o projeto está sendo alvo de fortes críticas. Grande parte dos alunos não utiliza o espaço, e, portanto, não conseguem enxergar os benefícios alegados pela diretoria, assim, é perfeitamente aceitável que

Quem foi ao CA deixou sua marca esses se sintam prejudicados com os gastos excessivos em um local que está agregando pouco às suas vidas universitárias. Além da distância, pequena mas decisiva, entre o prédio de Direito e a casa, a baixa quantidade de alunos que compõe a atual gestão do CA e a falta de divulgação do espaço são fatores que contribuem fortemente para a imagem negativa que vem se formando do projeto. Os seis colaboradores, sozinhos, não são capazes de administrar o local de maneira eficaz, fazendo com que a divulgação do espaço, necessária para acostumar os alunos à nova ideia, seja muitas vezes colocada em segundo plano. Para tentar solucionar este problema, foi criada a Diretoria Executiva, formada por três alunos engajados em promover eventos na casa enquanto a chapa se ocu-

paria com projetos de maior porte, o que tampouco se verificou. Assim, para tentar melhorar a imagem da casa, os membros do CA começaram a promover eventos em parceira com outras entidades buscando, dessa forma, aumentar a exposição do local, para que esse passe a ser mais frequentado não só pelos alunos de Direto, mas também pelos de Administração e Economia. Há um projeto para que a gloriosa bateria da GV passe a fazer suas rodas de samba na casa, seguindo o embalo da primeira (e única) Sexta Feira Santa realizada em parceria com a mesma. Além de eventos como churrascos, integração entre entidades, e Gin&Cana dos bixos. Mas a grande aposta do CA é o tempo. Eles acreditam que, com o aumento da divulgação do espaço, os alunos estarão cada vez mais expostos a ideia de tornar a ida a casa um hábito. Assim, a cada nova turma, o costume de frequentar o local aumentará, chegando a um limite em que as atuais visitas esporádicas se tornarão idas corriqueiras por todos os gevenianos. Esta é uma aposta arriscada, já que em quase um ano de funcionamento, percebemos que as expectativas, tanto da diretoria do CA, quanto aquelas mostradas na edição #83 da Gazeta Vargas, sobre a intenção de integrar os alunos das três escolas, foram frustradas, sendo que o CA é utilizado, no fim das contas, sempre pelas mesmas poucas pessoas. A casa do CA e seu inteiro funcionamento foi um sonho. Ela foi criada com intuito de que todos os estudantes sejam de Direito, Economia ou Administração, utilizassem-na cotidianamente. O seu papel é ser um lugar em que os alunos possam compartilhar daquilo que muitas vezes sentimos falta na GV: o espírito universitário. Hoje, devido à baixa frequência, é utilizada essencialmente como um espaço para festas. As ideias e os esforços que construíram e viabilizaram o projeto da casa do CA são notáveis, no entanto, é perceptível que a sua utilização não segue o seu principal propósito, deixando, assim, para cada um julgar se é um projeto que mostra sinais sucesso ou de fracasso. ¤


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Só pra não esquecer... a sexta, fui de malas prontas para a GV; eu era, com certeza, o bixo mais empolgado. Da aula já segui direto com a galera para já ir esquentando pro busão. Havia chegado o momento da minha primeira Economíadas. Irado! O ônibus saiu à noite e a viagem foi extremamente animada, regada a muita breja e jurupinga. Chegamos e fomos direto pro alojas, já no clima da cervejada de recepção. A galera curtiu muito ao som da banda (pena que eu não lembro o nome da banda... mas os caras mandavam bem!). O problema é que às 3 da manhã alguém (deve ter sido sem querer...) desligou o som e miou nossa cervejada. Mas tudo bem, em consideração aos atletas que tinham que jogar no dia seguinte. Após descansar um pouquinho (pouquinho mesmo, no total devo ter dormido umas 8 horas o feriado inteiro), acordei pra assistir ao primeiro jogo. Esse foi o primeiro de muitos jogos insanos da GV, que apesar de não ter ganho muitos, não deixou a desejar pela garra dos atletas e pela animação da torcida e bateria. Inclusive, não saímos de cabeça baixa em nenhum jogo... Nunca imaginei que eu fosse vestir tanto a camisa da minha faculdade: sabia de cor todas as musiquinhas e até as danças da Tatu-Bola (isso mesmo, 7 cervejas e 3 jurupingas depois eu estava até dançando...). Mas parte da culpa das minhas performances devo à bateria, que deixou todas as outras torcidas com inveja... Tive dificuldades em acompanhar os jogos. No começo achei que era excesso de álcool no sangue, mas percebi que na verdade a maioria dos jogos não tinha placar, e quando tinham estavam meio desregulados. Sussa... O esquema era confiar na vibração da torcida. Fui para a primeira balada da Liga, e curtimos muito. Tinham me falado que as

baladas da liga não são muito boas, pois são muito grandes e você nunca encontra quem gostaria. Discordei a princípio. Porém, depois da Giabólica, os parâmetros mudaram... Essa festa exclusiva da GV foi a mais irada, que orgulho! Open-bar a noite toda, com música de primeira e o pessoal unido, curtindo muito. Os shows na tenda foram irados também... Nas baladas da liga, no entanto, ocorreu um episódio que me marcou: às 8 da manhã (no pico da balada!) os seguran-

Foto: Isabelle Glezer

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Isabelle Glezer Thaís Canina

Certas coisas nunca mudam ças se viram obrigados a formar um cordão para expulsar todos (que dançavam loucamente) do local, alegando que era hora de dormir... Sacanagem, pô! Porém, pensando com mais calma, temos que relevar, pois acho que nós estávamos empolgados até demais, não é? Mas não é minha culpa que minha faculdade disponibilizou cerveja o dia todo, que a balada teve open-bar e que a nossa galera era a mais animada... Não é a toa que absolutamente do anda a galera das outras faculdades gritam o famoso: “só pra não esquecer, foda-se a GV!” (Inclusive nos jogos em que não participamos)... É... Às vezes é difícil ser da GV, viu... O pessoal não se conforma com a nossa tenda exclusiva! E quando as feanas nos avistam na balada pela pulseirinha e tentam nos agarrar a qualquer custo? O jeito é se fingir de louco e sair correndo mesmo... Bom, vou finalizar deixando aquele abraço a todos os atletas, que suaram muito a camisa pela GV. E já que contei

tudo sobre minhas experiências, quero dividir com vocês um sonho muito louco que tive lá... Ou será que foi realidade? Só sei que durante o jogo de futebol de campo (GV x FEA) o Jacaré caiu do céu no meio do campo (de paraquedas, olha isso!) deixando os feanos totalmente indignados. Pena que eu não lembro o resto... Se alguém souber, por favor, me conte!” O relato acima foi escrito por Beatriz Escobar e Marcela Viana, alunas de Administração, e publicado na Gazeta Vargas #52. Em 28 de outubro de 2004. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Este ano, os gevenianos com coragem e estômago o suficiente espremeram-se no alojamento disponibilizado pela Atlética, no qual haviam 6 chuveiros para 800 pessoas. Pelo lado positivo, a localização era boa e o café da manhã oferecido pelo Rockafé fez bastante sucesso aos que escolheram forrar o estômago antes de se afogar em álcool. O desempenho de nossos atletas não foi de todo ruim: o handebol masculino, assim como o futsal feminino, chegou à grande final, mas foi derrotado pelo Mackenzie. O basquete masculino manteve vantagem sobre o exército vermelho durante três quartos do jogo, mas sofreu uma devastadora virada. Por outro lado, vencemos o xadrez e, pasmem: melhor torcida! Detalhes à parte, a história praticamente se repete: em vez de Guaratinguetá, Americana. Em vez de Inimigos da HP, Molejão. Na Giabólica teve fogos de artifício e tocou Lady Gaga em vez de...Outkast? Em vez de ganhar no truco, levamos o ouro no xadrez. Mas a matrícula dos mackenzistas ainda é “fria”, as feanas ainda têm bigode e a ESPM ainda tenta nos convencer de que só existe um jacaré.¤

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Radiografia FGV

Isabelle Glezer Gesley Fernandes

“Devido a uma mobilização de vários alunos e a compreensão de muitos professores, a Comissão de Graduação irá debater nesta sexta-feira (dia 17 de Setembro) sobre a flexibilização do estágio público obrigatório. Se aprovada, tal medida representará o fim da necessidade injustificada dos alunos de administração pública de realizarem obrigatoriamente experiências de estágio na área pública com as quais não se identificam e das quais nada absorvem, com a simples finalidade de cumprir os 180 dias exigidos pelo regulamento de estágio da faculdade. Essa iniciativa partiu dos alunos e é do interesse de todos. Portanto, procurem os seus professores, peçam-lhes a sua compreensão e cobrem deles uma postura sobre esse assunto tão importante. É preciso que a faculdade saiba que nós alunos estamos motivados e interessados nessa discussão, e que não iremos ficar inertes.” Calor humano, alunos amontoados em pé tentando se fazer ouvir em frente à Sala da Diretoria. Quem passou pelo terceiro andar do prédio de Administração no fim de tarde do dia 17 de setembro poderia jurar de pés juntos que presenciou um acontecimento que certamente não ocorre com frequência na FGV. Carta enviada por Carlos Pignatari, vice acadêmico de AP

O começo Um movimento iniciado pelos alunos do 6º semestre do curso de Administração Pública conseguiu realizar feito do qual todos que aqui estudam deveriam se

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orgulhar: com um placar de 13 x 1 na Comissão de Graduação, foi extinta a obrigatoriedade do estágio público, para quem faz Administração Pública. Para tanto, mobilizaram-se através de panfletos, abaixo-assinados, conversas com os membros da Comissão de Graduação, com outros semestres de AP e correntes de email - mesmo com quase todos professores e até outros colegas lhes falando que de nada adiantaria, pois o era posto não dava para se alterar. Salvo a mobilização e participação do vice-acadêmico de AP, Carlos Pignatari, eleito para representar todos os estudantes na CG, esses

A mobilização dos aluno de AP

estudantes disseram que não ficaram na dependência do DAGV, podendo a atuação do Diretório Acadêmico ser considerada praticamente irrisória. Caio Occhini, presidente do Diretório Acadêmico, informou à Gazeta Vargas que o DAGV não par-

Foto: Fernando Aun

Protagonismo

ticipou ativamente da demanda pois a turma de AP já veio a eles com todo o trabalho pronto. André Nowill, estudante do 6º semestre de AP, informou que os alunos estariam inconformados com a disponibilidade, qualidade e aprendizado das vagas cedidas aos alunos de AP pela CECOP (apenas 3,24% das vagas são voltadas para a área pública). Desta forma, foi instaurada uma verdadeira revolução abolicionista do estágio público obrigatório, baseando seus argumentos em pesquisas qualitativas e quantitativas sobre o problema enfrentado. “A coordenação é muito mais do que um local para lamentações ou demandas pessoais, levando em consideração que sua principal incumbência é garantir

a qualidade acadêmica de nossos cursos”, afirma André: “Os alunos, em sua maioria, não dão a devida atenção esperada à avaliação dos professores ao fim de cada semestre, dificultando assim o aprimoramento das matérias e de seus professores”.


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Sou a favor de que façam um bom estágio, independente de que seja na área pública ou privada: o importante é aprender como as coisas funcionam na prática Fala que eu te escuto Francisco Aranha, coordenador da EAESP, relatou orgulhoso à Gazeta Vargas que a proposta dos alunos fora, de fato, bem encaminhada, problematizando a questão com informações precisas, pesquisas e evidências concretas fundamentando a reivindicação. “Foi um verdadeiro exemplo de participação acadêmica”, afirma, fazendo menção ao desinteresse dos alunos por questões acadêmicas inversamente proporcional ao interesse pela organização de festas. Pedagogicamente, o professor garante que a medida irá trazer benefícios a todos os alunos, já que o curso é pensado para formar administradores, independente da especialização em empresas ou na área pública. Segundo a coordenação, é melhor que os alunos tenham liberdade para escolher a área em que querem atuar, já que sequer o próprio mercado exige este estágio. A Coordenadoria de Estágio e Colocação Profissional (CECOP) estaria tendo dificuldades em encontrar um número de estágios bons e adequados para a demanda dos alunos, os quais acabavam forçados a trabalhar em uma determinada área

que não tinham interesse. “Não há possibilidade de esta medida aumentar a concorrência para vagas de AE”, explica Chico Aranha. “As poucas vagas de AP eram disputadas entre uma pequena parcela de alunos que não as desejavam. Agora, poderão fazer estágio em AE sem prejudicar a concorrência, por serem minoritários, deixando os bons estágios de AP para os alunos que realmente os desejavam”. Espera-se do leitor desavisado que questione prontamente a coerência da reivindicação, perguntando-se: “mas, qual sentido de abolir o estágio na área pública se os alunos estudam administração pública? Isso para mim é aluno de AP frustrado por não ter entrado em AE”; afinal, não é de hoje o problema de vestibulandos que matriculados no curso de sua segunda opção.

É preciso que a faculdade saiba que nós alunos estamos motivados e interessados nessa discussão, e que não iremos ficar inertes. O dado contra-intuitivo é de que a mudança foi trazida por estudantes que de fato querem trabalhar na área pública – muitos de seus colegas, entretanto, desejam trabalhar com empresas mas, forçados a estagiar na área pública, ocupando uma já escassa oferta de bons estágios disponíveis pela CECOP.

“Tempo Perdido” Segundo a coordenadora de estágios Christina Larroude Paula Leite, que trabalha com colocação profissional desde 1992, a mudan-

ça trazida pelos alunos de Administração Pública foi positiva, e reflete anos de insatisfação com os estágios disponíveis. Christina conta que era muito difícil encontrar bons estágios na área pública, devido à rotatividade do cargo público: “todas iniciativas acabavam não dando certo, pois os contratantes entravam em licença, mudavam de cargo ou mudava a gestão” . Desta forma, as boas oportunidades sempre dependiam de “padrinhos” ou profissionais que tivessem familiaridade com o curso, como o professor Clóvis Bueno de Azevedo (formado em Administração Pública na EAESP), Chefe de Gabinete da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo há alguns anos. Apenas gestores que conhecessem bem o curso sentiam-se inclinados a oferecer vagas de estágio em Administração Pública na FGV. “Aproximadamente 80% dos alunos consideravam os estágios uma perda de tempo. Cumpriam os 180 dias de tabela e logo procuravam outros estágios na área de empresas”. Christina enxerga uma distorção do principal objetivo do estágio: o aprendizado. Os alunos eram incumbidos de realizar tarefas mecânicas ou rotineiras, configurando uma verdadeira perda de tempo: “Sou a favor de que façam um bom estágio, independente de que seja na área pública ou privada: o importante é aprender como as coisas funcionam na prática”. Para Christina, haverá uma alocação mais eficiente das poucas vagas disponíveis, pois acredita serem poucos alunos que de fato querem estagiar na área pública, diminuindo a concorrência. “Se até a própria FUNDAP [Fundação de Desenvolvimento Administrativo, voltada para Administração Pública] passou a pedir estagiários de AE, não faz mais sentido o estágio público obrigatório”.

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Voto vencido

contar com 50 vagas anuais, os vestibulares serão separados e não haverá passagem de uma área para a outra. “Ademais, o novo curso deverá prover uma inserção sistemática profissional na área pública, seja no Estado, no terceiro setor, em organizações internacionais ou ONGs”, relata.

Foto: http:vocesa.abril.com.br

O único voto dissidente na Comissão de Graduação do dia 17 de setembro veio do departamento de Gestão Pública. A professora Maria Rita Loureiro Durand, chefe de departamento de Gestão Pública da Fundação, entrevistada pela Gazeta Vargas, informou que a deci-

Radiografia FGV

Agora quem escolhe é o aluno são do GEP de votar contra a flexibilização do estágio público obrigatório visava manter a coerência do curso. Para a professora, a área de Administração Pública na Escola deve ser repensada, pois a estrutura presente é inadequada ou insatisfatória para o corpo discente e docente do curso. Segundo a professora, esta insatisfação é consequência do ingresso na faculdade por segunda opção “muitos não têm vocação para a área pública, não gostam das cadeiras de AP e até mesmo os professores sentemse insatisfeitos diante do desinteresse dos alunos”. “Há um problema de recrutamento”, afirma a professora Durand. Problema este que será solucionado com a reestruturação do curso de Administração Pública e Governo, já formalmente requisitada ao MEC – no “novo curso”, que deve

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E agora? Uma análise mais profunda do problema enfrentado pelos estudantes de AP mostra uma tendência forte de migração do setor público para o privado. Quando o curso de Administração Pública da FGV era subsidiado pelo governo, o estágio público obrigatório fazia mais sentindo dentro do currículo. Atualmente, ambos cursos são pagos, numa proporção de 2 alunos de AE para cada de AP. As vagas disponíveis para estágio na área pública são significativamente menores. Uma queixa trazida pelos alunos e corroborada pela CECOP era a de que não há bons estágios na área pública disponíveis, o que configura um contra-senso, pois a administração pública, assim como o terceiro setor, está em busca profissionais nestas áreas, mas

acaba contratando administradores em geral, engenheiros, economistas. Podemos estar diante de um desencontro das curvas de oferta e demanda devido à escassez de informação: ainda que a FGV forme excelentes administradores públicos, as especificações do curso são pouco divulgadas no mercado, tal que pouco se saiba sobre a formação destes alunos. Christina Leite, coordenadora da CECOP, opina que de fato a FGV deveria investir mais na divulgação do curso, o qual considera desconhecido pela maioria dos potenciais empregadores. A nova mudança pode ser encarada de duas formas: por um lado, a escola corre o risco de formar administradores especializados na área pública sem qualquer experiência neste setor. Por outro, os alunos ficam livres para procurar estágios de qualidade, que lhes satisfaçam profissionalmente. Mas esta história deixa uma lição: se a causa é nobre, com um pouco de planejamento e boa-vontade, somos plenamente capazes de realizar mudanças, às quais a faculdade mostrou-se complacente, encarando com muito bons olhos a propositura e principalmente a forma como chegou a demanda: sem vandalismos. O poder não está nas mãos dos estudantes, mas certamente não devemos aceitar de antemão um quadro tido por todos como inalterável. Desde que não haja apatia e resignação pelos interessados, existe espaço para diálogo entre o corpo docente e discente na Fundação. ¤

Foi um verdadeiro exemplo de participação acadêmica


Debates: Administração

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A globalização não é mais o que costumava ser Antonio Gelis Filho

É professor da FGV-EAESP, Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos

“Mr. Deng’s China is entangled in an argument about whether a communist country can free its economy from the communist party grip without to some extent freeing its politics too. It can’t, but Mr. Deng daren’t say so […]” The Economist, 24/01/1987 

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ntre 1989 e 1991 o mundo mudou. Caía o muro de Berlim; os Estados-satélites da União Soviética abandonavam a cartilha econômica “comunista” e entregavam-se às dores e delícias do mercado de consumo. A própria União Soviética, antes tão assustadora para os ocidentais, ruía de forma espetacular. Era o fim da Guerra Fria e o início de um período de euforia para o mundo ocidental e particularmente para os Estados Unidos, aparentemente o grande vencedor da disputa pela hegemonia mundial que se desenrolava desde o final da Segunda Guerra Mundial. Mas em 1989 algo mais também acontecia: em Pequim, na Praça da Paz Celestial, milhares de estudantes manifestavam-se a favor de mudanças no país. A imprensa mundial cobria os fatos aguardando mais um colapso. O desenrolar da estória, porém, seria outro. O governo chinês reprimiu as manifestações e recusouse a adotar o “modelo ocidental”. Dos dois pilares desse modelo - economia de mercado e democracia eleitoral de caráter universal - adotaria apenas o primeiro, e ainda assim de uma ma-

neira peculiar. O partido comunista chinês desde então se mantém no poder, ainda que permitindo a iniciativa econômica individual. Entretanto, jamais abandonaria o controle do mercado, criando um modelo que ainda confunde os intérpretes ocidentais. Apesar disso, durante os anos 90 a China ainda era considerada como pouco mais do que apenas o último grande mercado a ser conquistado pelo ocidente. Acreditava-se que seria apenas uma questão de tempo até que sua população pressionasse o governo demandando mais liberdade, política e econômica. A China, acreditava-se, em breve aprenderia a se comportar da maneira “correta”. Enquanto isso, o ocidente embriagava-se com seu sucesso na Guerra Fria: Francis Fukuyama escrevia o best-seller “O Fim da História e o Último Homem”; Kenichi Ohmae escrevia outro, intitulado “O Fim do Estado-Nação”. Os EUA assumiam a condição de grande policial do mundo, intervindo em vários países. A era da globalização pós-Guerra Fria, guiada pelos princípios e objetivos ocidentais tinha início. Consultorias eram contratadas para ajudar países recém-saídos do comunismo a redigirem suas constituições de acordo com os cânones ocidentais. O Estado bom era o Estado privatizado. Foi um período que parece ter deixado marcas profundas no imaginário de parte da comunidade de negócios e economia do mundo ocidental, aparentemente ainda sempre em busca do “erro” que, se for corrigido, nos levará de volta àquele clima de hubris e de euforia. Mas o futuro chegaria, e chegaria muito diferente daquilo que era esperado. A hostilidade ao ocidente, mate-

rializada no radicalismo fundamentalista, criaria o 11 de setembro. A economia ocidental, entregue à orgia do crédito e das finanças mal conduzidas, entraria em colapso. A China, rebelde em relação às receitas econômicas e políticas do ocidente, emergiria de sua teimosia como potência. Visto de hoje, o passado sugere uma interpretação interessante: EUA e URSS “lutaram” a Guerra Fria, mas a vencedora foi a China. A globalização, criança prodígio da curta hegemonia absoluta dos EUA, ao chegar à adolescência assume o tradicional comportamento de contestação em relação aos pais, expresso através de formas de governo nacional, de governança empresarial, de comportamento político e econômico que geram um mundo muito diferente do que parecia desejar o dito consenso de Washington. Com tudo isso, como estamos nos preparando para essa globalização malcriada, indisciplinada e imprevisível? O que significa ter um global mindset hoje em dia? Os sonhos e ilusões dos anos 90 parecem ter morrido com a crise de 2008 e surge no horizonte um período de incertezas que promete ser longo. As antigas referências de sucesso empresarial e nacional, por sua vez, parecem estar perdendo parte de sua força, substituídas por novos modelos. A capacidade de compreender a evolução e as consequências dos eventos políticos e econômicos globais com uma mente aberta a novos conceitos torna-se então uma questão de sobrevivência, assim como a capacidade de aceitar as muitas incertezas de nossos tempos. Afinal de contas, nunca se sabe qual será o próximo muro – ou muralha – a cair. ¤

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Coluna de Tecnologia

iPhone X BlackBerry Daniel Fejgelman

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o dia 17 de outubro, começou a ser vendido, oficialmente, o iPhone 4 da Apple pelas operadoras brasileiras, dentre elas OI, TIM, Claro e Vivo que abrigaram filas enormes em shoppings e lojas de rua fazendo o primeiro lote recebido no Brasil se esgotar rapidamente. Tamanha aceitação nos faz esquecer que, no Brasil, temos o iPhone mais caro do mundo, mas claro que isso não foi nem considerado por nossos Apple maníacos.

com a antena, que perde sinal quando segurado de uma certa maneira. Junto do novo iPhone veio para o Brasil a família de novos iPods com várias alterações: o iPod nano foi reduzido a uma telinha multitouch de 1,5 polegadas, o iPod Shuffle voltou a ter botões e o iPod Touch incorporou o processador e tela do novo iPhone, além da câmera frontal para vídeo conferencias e a câmera traseira de 0,7 megapixels que filma em alta definição.

BlackBerry

O PlayBook tem uma tela de 7 polegadas (1024x600) touchscreen, processador dual core de 1GHz, 1GB de memória RAM, multitarefa, câmeras frontal (3MP) e traseira (5MP), filmagem em alta definição, porta USB e mini-HDMI e suporte a Adobe Flash. Com toda essa potência a RIM espera boas vendas, principalmente para executivos e que sejam criados muitos aplicativos para consagrar o tablet BlackBerry.

Google

O aparelho tem o mesmo peso e tamanho de tela que o modelo anterior, mas é no seu interior que se encontra a fórmula do sucesso. A carcaça de aço inoxidável abriga um processador de 1GHz semelhante ao do iPad e uma tela com 4 vezes mais pixel (denomidada retina display), que deixa tudo muito mais definido. Para complementar o conjunto da obra foi adicionada uma câmera frontal que permite fazer vídeo conferencias entre iPhones. A câmera traseira foi aperfeiçoada e, agora, tem 5 megapixels com flash de LED. Além do potente hardware, o iPhone 4 conta com a nova versão do iOS (seu sistema operacional) que permite a execução de tarefas simultâneas e traz otimizações para emails e serviços. Apesar de tudo, muitas pessoas deixaram de comprar essa nova versão do iPhone por problemas

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Do outro lado do mercado, a concorrência se agita e enquanto surgem vários adversários do iPhone, com o sistema Android da Google, a RIM (Research In Motion), produtora dos aparelhos BlackBerrs, anuncia um novo telefone para concorrer diretamente com essa classe de smartphones. O novo BlackBerry Torch conta com uma tela capacitiva (que dispensa caneta stilus ou duplo clique do BlackBerry Storm), novo sistema operacional BlackBerry 6, App World 2.0, câmera com flash de 5 megapixels e teclado qwerty slide). A tela de 3,2 polegadas permite explorar resolução de 480x320 e ganha clareza na visualização de fotos e textos além de contar com 4GB para armazenamento e um rápido processador de 624MHz. Além de smartphones a RIM entra no mercado de Tablets e lança o seu novo BlackBerry PlayBook que concorre diretamente com o iPad em quase todos os quesitos.

Dois anúncios importantes da Google saíram recentemente, o primeiro diz respeito à loja de aplicativos do sistema Android (de celulares e tablets) que nos permitirá comprar aplicativos no Brasil, o que antes não era possível. O usuário que desejar comprar aplicativos deverá criar uma conta no Google Checkout e cadastrar um cartão de crédito internacional. O segundo anúncio diz respeito ao Google Street View que agora funciona no Brasil e conta com 51 cidades exploráveis. O Street View é um programa associado ao Google Maps que permite fazer um passeio virtual pelas ruas em 360 graus. ¤


Seu Espaço - Crônica

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Comunicação Viral e as Redes Sociais Pedro Beraldo

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ste texto pretende pôr em perspectiva alguns fatos significativos da história da internet, que culminaram no que hoje é chamado de Comunicação Viral. Mas o que é Comunicação Viral? Recentemente cunhado, o termo se refere à forma de comunicação cuja dinâmica replica a da introdução de um vírus num sistema - a saber, disseminação abrangente, veloz e fora de controle. Vamos dar uma repassada em alguns fatos importantes estruturais que possibilitaram o advento de fato de uma comunicação viral propriamente entre usuários da internet. No começo da internet, como os mortais comuns a conhecem (portanto, da Web), o Todo eram páginas monocromáticas que vez ou outra se arriscavam a inserir figuras em resolução péssima. Dois fatores foram chave no processo da internet sair deste estado primitivo. Um deles foi o advento dos Mecanismos de Busca, e o outro foi a popularização de sites de hospedagem gratuita. Havia espaço para que conteúdo fosse disponibilizado, e este tinha como ser encontrado. No entanto, a verdade era que nesta época, a sofisticação dos mecanismos de busca era tão pouca, que as buscas demoravam vários segundos para serem processadas. Além disso, os sites tinham de ser sugeridos individual e manualmente. Em outras palavras, apesar da facilidade de “publicação”, a publicação era difícil. Era um grande desafio obter efetiva

abrangência para seu conteúdo num espaço de tempo razoável. Numa onda paralela apareceram os sistemas de comunicação instantânea (Chat) como o mIRC e o ICQ. Estes mecanismos não advieram diretamente da idéia de Comunicação Viral, mas da real vontade do internauta se comunicar de maneira instantânea com outros internautas. Notávamos, nesta época, o surgimento das chamadas “correntes” - sempre com utilidade prática duvidosa, e não obstante tão presentes - ora por email, ora através destas plataformas de comunicação instantânea. Estava feito então o rascunho da Comunicação Viral. E ninguém sabia, porque não tinha nome. O que nos interessa, nesta discussão, é que o conteúdo destas mensagens ia de usuário para usuário, de forma abrangente, veloz, e fora de controle, já nesta época. O início da década de 2000 viu a popularização do conceito “Blog” (abreviação de “Web Log”, literalmente “Diário na Web”). O grande expoente dessa geração foi o Blogger, que inovou permitindo que qualquer ponto de um blog fosse facilmente acessível através de um link permanente (permalink) e intuitivo. É fácil negligenciar detalhes como estes, mas o fato é que passou a ser extremamente descomplicado publicar conteúdo frequentemente, ao mesmo tempo em que ficou fácil (de verdade, agora!) tornar este conteúdo acessível para a comunidade. Além disso, surgiu espaço para a comunidade interagir e contribuir com igual facilidade.

Redes sociais como o Orkut e o YouTube aceleraram este processo, havendo forte intersecção entre conteúdos publicados em cada uma destas plataformas, uma fazendo referência à outra e enriquecendo o conteúdo publicado. Um vídeo aparece no YouTube e é comentado em um Blog. Alguém que frequenta o Blog manda para os conhecidos na lista de e-mail. Em seguida, quem recebe manda para um ou dois contatos no programa de mensagens instantâneas que costuma usar, e rapidamente o conteúdo se espalha. A onda mais recente é a do chamado microblogging (ex: Twitter), cuja limitação de tamanho numa mensagem permite que esta seja passada adiante, publicada no microblog de quem repassa e, desta forma, estendida aos usuários com quem se relaciona. Em um clique. O melhor exemplo de Comunicação Viral foi o recente e infame (?) “Cala boca Galvao”. Uma explosão de tweets com tão somente os dizeres “CALA BOCA GALVAO” tomou conta da rede, ganhando proporções mundiais, merecendo citação em jornais estrangeiros como o New York Times e El País, da Espanha. O fenômeno foi “agravado” pela produção de um vídeo que “parecia ter saído direto de um documentário da BBC” (N.Y.Times). Pretensamente, “CALA BOCA GALVAO” seria um tipo de saudação e cada retweet da expressão geraria receitas para a campanha em prol da ave “Silentium Galvanis” à beira da extinção. Há quem diga que o fenômeno foi “a maior piada interna da história” - foi como se toda a nação brasileira no Twitter fizesse a pegadinha ao mesmo tempo, ao passo que retweetavam freneticamente a expressão. Não se pode alegar inocência, pois qualquer lusófono seria naturalmente imune à piada. O fato é que 16 caracteres pararam o mundo por um dia. O que virá a seguir?¤

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Seu Espaço

GV: estilo de vida? Luiz Fernando Lockmann e Souza

Aluno do 3° Semestre Administração de Empresas criação e estabelecimento de um perfil não é algo se produz da noite para o dia; é exatamente o contrário. Há algum tempo já vem se fortalecendo a opinião dos próprios alunos quanto ao estilo de um geveniano característico, sendo sempre em tom de piada ou de critica. Mas a pergunta mais complicada não é simplesmente saber o que é o famoso perfil do aluno GV e sim como ele foi produzido e as conseqüências de tal fato no dia-dia. A FGV sempre gozou de um status único frente às outras instituições de ensino por todo o país. Tida por seus semelhantes como um híbrido posicionado exatamente ao meio entre instituições como FAAP de um lado e USP de outro, a Fundação conseguia, por diversas vezes não se fixar em um estigma por muito tempo. Durante todas as fases de sua história a FGV sempre se transformou conforme os interesses de sua época, condicionando alunos, professores e funcionários a um perfil designado. Contudo, uma Fundação em si pode criar um perfil para seus alunos? Tendo suas ressalvas, a afirmação é sim verdadeira. O estigma do aluno geveniano tornou-se conforme o passar do tempo muito parecido com outras instituições que os próprios alunos GV adoram criticar, estereotipar e principalmente humorizar. Ironicamente hoje o aluno geveniano é visto não só por si mesmo, mas principalmente pelo mercado de trabalho como um ser arrogante e prepotente, com pouco ou inexistente senso crítico da realidade em longo prazo. Em outras palavras o aluno tornou-se imediatista, sem qualquer visão de futuro além da tarefa pontual a si designada. Muitas mudanças advindas da alta administração vieram para sanar esse

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retrógrado problema. Mas as tentativas foram diversas vezes falhas e criaram marginalmente outro problema ainda maior em seus produtos: a alienação. Para não desvirtuar do objetivo do texto, retorno a questão central quanto à responsabilidade por essa criação não ser uma pergunta fácil de ser respondida. Para desmistificar a ideia da culpa das famosas Giovannas e Giocondas existe uma prova de inocência por questões cronológicas. As respectivas foram criadas essencialmente no começo da década de 90 (precisamente 1995 e 1989), década a qual os alunos GV mais tiveram aceitação dentro do mercado de trabalho além de grande prestígio frente a outras instituições de ensino. Portanto, criticar aspectos pontuais do aluno torna-se uma visão enviesada da realidade que pouco auxiliará na solução do problema em si. Sem devanear muito sobre a questão, a resposta para a culpa do perfil do aluno GV jaz no próprio nome que acabei de mencionar: aluno e GV. Esses dois atores sociais em larga escala são os responsáveis pela criação de um aluno com baixa intenção de confronto para questões que tangem a sua vida como um todo no longo prazo. Contudo, essa não foi a intenção nem da Mantenedora ou da EAESP; isso foi uma consequência de ações com objetivos de “fortalecer” o aluno frente à sociedade como um todo. Desde 2002 várias decisões autoritárias da FGV tolheram invariavelmente o poder de ação do aluno frente a questões acadêmicas. Isso rendeu, no longo prazo, uma acomodação do pensamento do aluno, já que frente a uma máquina burocrática poderosa e inviolável, seu poder de decisão tange, em sua cabeça, no limite o valor zero. Essa acomodação impulsionou o aluno a se fechar em uma redoma da pouca discussão, alienação, alegação total de inutilidades e aceitação da imutabilidade dos fatos.

Além disso, houve o fortalecimento da posição sobre qual seria a função de um aluno GV. A forma mais bem vista foi oferecer uma gama de possibilidades de introdução no meio acadêmico. A exigência de sempre estarem envolvidos em alguma espécie de projeto serviu para retirar todo o tempo do aluno para executar uma ação vital: refletir. Em resumo da ópera a FGV e as entidades burocráticas tornaram seus alunos dependentes de um numero gigantesco de atividades acadêmicas. Isso explicará o porquê de tantos surtos constantes durante diversos semestres de alunos para com a faculdade em si. Essa criação se ilustra tanto no cotidiano do aluno quanto em suas críticas, as quais, em sua maioria, são de baixo embasamento ou mal-direcionadas. O geveniano ou critica por criticar ou simplesmente só questiona assuntos que tangem o seu gosto imediatista. Um exemplo constante desta ilustração está nas repetidas críticas ao Diretório Acadêmico quanto a assuntos somente referentes à área de eventos. O DA é uma entidade que abrange uma série de focos alem da característica área de eventos e, portanto, criticá-lo somente quanto a uma área me parece no mínimo desestimulante. A crítica pela crítica tanto ao DA quanto a qualquer departamento perde totalmente qualquer credibilidade. Essas faltas foram as principais conseqüências de ações pouco discutidas para criar um Super-Aluno. Embasamento, credibilidade, pontos de vista tornaram-se, em minha opinião, terciários para as prioridades de um geveniano. A crítica deve advir de um ponto de vista formado e conter atributos que impulsionem discussões proveitosas. Aceitação completa da insignificância frente a um complexo tido como impenetrável é o primeiro passo para a acomodação. A FGV queria seu SuperAluno e em grande parcela conseguiu... Mas vai ter que aceitar todo o seu novo estilo de vida. ¤


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Crônica

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Confissões de uma entediada Ana Inevg

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uma quinta-feira quente e abafada, acabei de voltar do almoço no Portal e estou um pouco lenta, como se meus pés fossem de chumbo. Aula de Empreendedorismo. Sentei na quarta fileira da sala, terceira carteira da esquerda para a direita. Meu computador está ligado e carregado, e é em momentos como esse que eu agradeço a Fundação Getulio Vargas, de todo coração, por manter o acesso a internet desbloqueado. Quando a aula começou, eu tentei me enganar. Jurei solenemente para mim mesma, pela terceira vez nesta semana, que ia prestar atenção, e ia usar o computador somente para fazer anotações sobre a aula, permitindo-me somente pesquisar dados importantes. Ok, tenho dois cromossomos x. Multitasking está na minha genética. Quão desatenta uma pessoa pode ser para estar presente numa sala durante uma hora e quarenta e ainda assim não absorver sequer uma parte do que o meu professor está ensinando? Mas não existe luta contra a internet. Capitulei e mergulhei de cabeça. Minha vontade é de atualizar meu status no Facebook para “Céus, esta aula está um porre. Se não estivesse quase estourando de faltas e o professor não fizesse chamada no final da aula, eu não estaria aqui”, a qual é cuidadosamente refreada, a tempo de eu me lembrar de que sou amiga dos meus pais e até de alguns outros professores, e não ia pegar lá muito bem. Dou uma fuçada nas principais atualizações, aproveito para “curtir” aquelas mais sagazes, as fotos da fes-

ta de sábado. Faço uns dez quizzes: qual distúrbio mental eu sou? Qual Pokémon? Como vou morrer? Quanto tempo eu duraria num apocalipse de zumbis? Paro antes que entre em crise existencial. E já aproveito para confirmar presença na Gioconda e conferir quem também vai. Nenhuma notícia realmente interessante. Os mineiros chilenos emocionaram o mundo, fato. Logo veremos contratos milionários com editoras e produtoras cinematográficas para contar esta gloriosa história. Li em algum lugar no Twitter que, se este incidente tivesse ocorrido no Brasil, metade dos mineiros iria se candidatar a deputado federal, a outra metade iria para A Fazenda. Resisto bravamente a tentação de twittar sobre a aula chata e o tédio. Se estes eventos por si só já são maçantes, imagine então ler sobre eles? #ficaadica. Novamente, finjo para mim mesma que estou dando utilidade ao tempo e checo meu email rapidamente: cinco spams, trinta e cinco emails do grupo da sala, do qual considero sair todos os dias, já que ele é utilizado da seguinte forma: alguém manda uma informação relevante ou algum resumo que realmente parece uma bênção divina. Quinze infelizes respondem “vlwwwww” ou “arrasoooou!!!”, alguns fazem piadinhas infelizes (e os outros RIEM! VIA EMAIL!), outros acham belo travar discussões ou para mim, o apocalipse: votação. “Pessoal, qual é o melhor dia para o churrasco? Votem aí!”. Jura? Ainda não chegou surveymonkey na sua civilização? Google spreadsheets? 5 Sessões de Depilação a Laser em regiões a escolher, de R$1.250 por

R$312. Mix de Massagens + SPA das Mãos e Pés + vinhoterapia Facial, de R$270 por R$56,70. O interessante sobre os sites de compras coletivas é que você acha que está economizando, mas acaba aumentando seus gastos porque compra um monte de porcarias que não estaria interessada se não estivesse com desconto. “É, virginiana, não tem jeito. Se você não quer gastar nada, o lance é não sair de casa! Mas, se quiser só dar uma economizada, basta comer antes de sair. Só nisso, você já poupa uma boa grana!” (Horóscopo Capricho) A previsão de hoje tem dois problemas: o primeiro é o tempo que eu perdi lendo-a. Segundo, estou sendo chamada de pão-dura e gorda. Realmente, nenhum outro signo do zodíaco sofre problemas de contenção de despesas. Uma janela do MSN pula na minha tela, e eu elogio minha própria sagacidade de ter colocado o som no mudo antes de começar a aula: “O que você está fazendo?”, pergunta minha amiga sentada a quatro carteiras de mim. -Absolutamente nada. E vc? -Estou prestando atenção. -HAHAHAHAHAHAHAHAHA -Cara, que aula insuportável! Eis que minha amiga me envia um link para uma comunidade no orkut, rede social do período Cretáceo, intitulada “anão vestido de palhaço mata 8”. Maldita. Não consigo segurar o riso. Meu professor vira-se para mim pela primeira vez na aula e me olha muito feio. Antes que ele possa desconfiar de alguma coisa, finjo que engasguei e dou umas tossidas para disfarçar. Ele parece ter acreditado e se vira para o resto da classe novamente, e eu aproveito para fuzilar a cretina da minha amiga com os olhos. Enfim, vou embora dessa aula chata. Meu custo de oportunidade está alto demais. ¤

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Gazeta Herald

The Gazeta Herald Estereótipo do aluno geveniano causa inflamada discussão entre líderes mundiais

Boatos no mundo diplomático dizem que o recente mal estar entre Barack Obama, Ban Ki Moon, Dimitri Medvedev e Angela Merkel não foi causado por questões de déficit público, paridade cambial ou armamentos nucleares, mas pela divulgação de controverso texto em influente jornal universitário tupiniquim. Fontes ligadas à ONU dizem que antes do jantar oferecido em Nova York no encerramento da 65ª Assembleia da ONU, Obama teria indagado o Secretário-Geral das Nações Unidas sobre o motivo pelo qual a montadora sul-coreana Hyundai estar tentando ganhar a batalha pelos corações e mentes dos jovens brasileiros com seu potente modelo i30. Merkel, ao ouvir isto, teria demonstrado desprezo pelo automóvel sul-coreano e defendido que o Brasil estaria migrando para a órbita de influência da União Européia dado que os jovens do mais notório think-tank brasileiro, denominado FGV, preferem fazer um mochilão pela Europa a curtir as montanhas-russas de Orlando. Nesse instante, Medvedev teria esbravejado uma calorosa colocação afirmando que a preferência etílica dos golden boys gevenianos nas Giovannas e Giocondas continua a ser a famigerada Vodka. Passado o estranhamento inicial entre os estadistas, esses decidiram se reunir a fim de reconhecer a grandeza da garotada das ruas Itapeva e Rocha oferecendo assentos no Conselho de Segurança da ONU, com direito a veto, às comissões de formatura da FGV.

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Que atire a primeira pedra...

Após publicação de texto polêmico em influente jornal universitário, o estudante Flavio Lima é espancado por alunos da Fundação Getulio Vargas na casa noturna Pink Elephant. Seu i30 prata foi depredado no estacionamento da boate, a qual, quando questionada, informou não saber quem era o dono do automóvel. Temendo por sua segurança, Flavio contratou sete guarda-costas do Mossad. Em pronunciamento à Gazeta Herald, Flavio mostrou-se pouco incomodado com as críticas de que tem sido alvo, e aproveitou o ensejo para informar seu posicionamento a favor do apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi.

Conexão Total A Diretoria de Operações da Fundação Getulio Vargas fechou parceria com a empresa de telefones celulares Blackberry. Os aparelhos serão comercializados por R$ 900, e os planos de dados variam de R$ 200 a R$ 350. Segundo depoimento da DO, os alunos mobilizaram-se para reivindicar uma comunicação mais eficiente entre eles – utilizando, inclusive, os aplicativos de grupos do Blackberry Messenger – bem como prezar pela sustentabilidade, abolindo de uma vez por todas os bilhetes de papel. A DO garantiu que os aparelhos serão travados durante as provas, servindo apenas como calculadora científica.

Gourmet O restaurante Getulio, localizado no primeiro andar da Escola de

Administração de Empresas de São Paulo, foi visitado pelos representantes do Instituto Michelin, o qual faz a publicação do renomado Guia Gastronômico. O chef Alex Atala foi visto provando o tradicional “dogão da tarde”, fazendo benchmarking para seu restaurante D.O.M.. Segundo publicação do Guia, o restaurante Getulio teria recebido 2 de 3 estrelas possíveis, em virtude de não aceitar nenhum cartão de crédito ou débito.

A taça é nossa! Numa tentativa desesperada de trazer para casa alguma medalha das Economíadas, a AAAAAAGV negociou com a comissão organizadora dos jogos universitários a inclusão da Bocha rol de jogos da competição. Originário do antigo Império Romano, o esporte consiste em jogar bolas o mais perto possível de uma bola menor, vencendo o time que somar a menor distância. A Atlética informou que o time treinou incansavelmente durante meses para que enfim trouxesse o ouro para casa.

Sede de poder? Ao ficar sabendo da abertura de processo seletivo para a direção da Escola de Direito, o professor Yoshiaki Nakano decidiu colocar sua popularidade à prova da democracia e candidatar-se ao cargo de diretor da EDESP. Com extensa experiência em gestão das escolas da FGV, Nakano já exerceu simultaneamente os cargos de diretor e coordenador da graduação da Escola de Economia. Também já foi Ministro da Fazenda, secretário do exporte, técnico de informação e auxiliar de almoxarifado. Seu plano de gestão inclui a abolição do estágio e a obrigatoriedade da aprovação no exame da ordem para a colação de grau.


TUDOQUEVOCÊSEMPREQUISSABERSOBREAGAZETAVARGAS, MAS TINHA VERGONHA DE PERGUNTAR: Marque Verdadeiro ou Falso

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F

1) A Gazeta Vargas sai sempre na semana que vem. 2) A Gazeta Vargas possui uma sala de reuniões. 3) A frequência de utilização do aquário da Gazeta é aproximadamente sete vezes maior durante a madrugada do que à luz do dia. 4) A Gazeta Vargas existe há 12 anos. 5) A Gazeta já teve que ser impressa às pressas no Xerox do DAGV. 6) Existe na Gazeta um modelo no Excel baseado em probabilidades para precificar os anúncios das edições. 7) A Gazeta já foi uma publicação do DAGV. 8) Por ser uma entidade da FGV, a Gazeta recebe um repasse mensal de R$ 5 mil. 9) Uma vez prontos, os textos da Gazeta são enviados para a redação do Estado de São Paulo para que sejam diagramados na revista que o leitor conhece. 10) Os novos membros são selecionados por meio de um comitê, o qual avalia o desempenho dos candidatos em dinâmicas de grupo, entrevistas individuais, declaração de motivação e teste escrito. 1)Verdadeiro. Pergunte a qualquer membro2)Falso. A única sede fixa da Gazeta é o aquário, no qual cabem, espremidas, cinco pessoas. As reuniões semanais da Gazeta ocorrem no glorioso deck do Getulinho.3)Verdadeiro. Passe uma madrugada na FGV para conferir.4)Verdadeiro. A primeira edição da Gazeta Vargas data de 11 de agosto de 1998.5)Verdadeiro. Acredite se quiser.6)Verdadeiro. Novamente, acredite se quiser.7)Verdadeiro. Na edição #52 (outubro de 2004), sob a edição de Guilherme Lichand, a Gazeta Vargas declarou sua independência político-financeira do DAGV.8)Falso. A Gazeta Vargas além de não receber repasse algum da Fundação (sobrevive da venda de anúncios), não é considerada formalmente uma entidade perante a FGV.9)Falso. A Gazeta possui sua própria equipe de arte, incumbida de cuidar das imagens e diagramar os textos.10)Verdadeiro. Inscrições são abertas todo início de semestre.


Edição 86  

Gazeta Vargas #86

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