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Belo Horizonte, novembro de 2011

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www.gazetadalagoinha.com.br

ANO IV ­ EDIÇÃO 57 ­ JORNAL DE APOIO ÀS INICIATIVAS COMUNITÁRIAS ­ BELO HORIZONTE, NOVEMBRO DE 2011 ­ Distribuição Gratuita

OP Digital 2011:

é L a g o in h a n a c a b e ç a ! O que o Papai Noel dará de presente aos times mineiros. Confira na Charge do Deley. Pág. 18

Prosa com o compositor Lagoinha. Pág. 13

Cosméticos, Bijouterias, Presentes e Brinquedos. Tudo para o Natal!

Confira a estreia da Coluna do Savéia. Pág. 12

Direto de Brasília: Brenda Salles, nossa vereadora­ mirim. Pág. 2 Exposição do Museu Abílio Barreto mostra que o Bonfim é muito mais que um cemitério. Pág. 8

Distribuidora Trevo P r om oç ã o Á g u a M i n er a l 2 0 l i t r os R $ 5 , 00 o g a l ã o

Água Mineral Roda D'água A mais pura de Minas (31) 3421­9506 Rua Caxambu, 96 ­ Lagoinha


Belo Horizonte, novembro de 2011

EDITORIAL

É importante não confundir

Uma leitura atenta da descrição da obra de Requalificação do Complexo da Lagoinha no site do Orçamento Participativo Digital pode desfazer um equívoco? achar que a obra irá trazer sozinha a revitalização da Lagoinha. Revitalizar significa trazer vida nova ao bairro e não é somente uma obra que irá fazer isso. Ela é necessária e importante mas dependerá ainda de enfrentarmos outros problemas sociais com coragem, humanismo, solidariedade e determinação. A realidade do crack é inegável. A sujeira é inegável. A falta de segurança também. Mas estes problemas são poderão ser enfrentados a partir de uma visão humana sobre nossas relações com o meio, com outros e com valores de uma sociedade muito complexa. O ministro da saúde quer

oferecer verba para tratarmos nossos doentes. Parece uma decisão corajosa porque não esconde o problema, ao contrário, dá visibilidade a ele. Por trás de um rapaz ou moça sujo, esquálido existe uma família e existe um ser humano degradado pela vida. Existe um pai em aflição, uma mãe em oração, muitas saudades e lágrimas. Vamos dar uma chance aos nossos doentes. E dizemos "nossos" porque eles nos pertencem e não devemos escondê­los ou ignorá­los. Comece este debate na sua casa, com os amigos do bairros, pelos botecos. O que é necessário para revitalizar a Lagoinha? Então, rumo à Requalificação mas sem perder o rumo do barco que nos leva ao futuro. Alô, Lagoinha!

Uma vereadora mirim da Lagoinha em Brasília

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TELEFONES ÚTEIS AA Alcóolicos Anônimos ­ (31) 3224­ 7744

Aeroporto Carlos Prates ­ (31) 3462­ 6455

Aeroporto Confins ­ (31) 3689­2344

Aeroporto Pampulha ­ (31) 3490­2000 AGIT­Agência de Empregos ­ 0800­ 319­020

Auxílio à Lista ­ 102 Bombeiros ­ 193

CEASA 0800­315­859

_____________________ Brenda Salles, por e­mail O dia nem tinha amanhecido ainda e lá estávamos nós, os vereado­ res mirins escolhidos por suas escolas para ir a Brasília, todos reunidos na Pra­ ça da Estação esperando a van que nos levaria ao aeroporto. No caminho todos estavam bem animados e não viam a ho­ ra da tão esperada chegada a capital fe­ deral. Durante toda a viagem de avião nós nos divertimos muito. Quando chegamos ao aero­ porto de Brasília estávamos muito feli­ zes, embora estivesse chovendo. Ficamos esperando outra van que iria nos transportar durante toda a viagem. Quando ela finalmente chegou partimos rumo ao Congresso Nacional. Que emo­ ção! O objetivo dessa viagem foi reunir estudantes dos diferentes estados do país para participar de uma simula­ ção de audiência em que votaríamos três projetos de lei de autoria dos própri­ os alunos. São eles: 1 ­ DISQUE URGÊNCIAS E EMERGÊN­ CIAS Trata da criação de um siste­ ma unificado para o atendimento às emergências em todo o território nacio­ nal, visando facilitar o acesso da popula­ ção e, em especial de pessoas de idade e crianças que têm dificuldades em me­ morizar os vários números dos diversos serviços de socorro. 2 ­ A CIÊNCIA DOS IMPOSTOS

Todo brasileiro saberá o quando irá pagar de imposto quando comprarem qualquer tipo de produto, pois os percentuais irão estar discrimi­ nados nas notas ficais. 3 ­ AS CRIANÇAS NAVEGANDO NA POLÍTICA Todo site de órgão público deve ter uma página destinada às crian­ ças, com uma linguagem acessível a eles. Agora esses projetos irão pa­ ra as respectivas comissões e poderão virar lei! Não é o máximo? Quando a au­ diência terminou, lanchamos e fomos fa­ zer um passeio pelo Congresso. Nossa, como o Congresso é grande e bonito! Visitamos a chapelaria, o Salão Verde, o Salão Negro e o Salão Azul. Vimos os presentes que o Brasil ganhou de outros países e muito mais. Nessa visita à capital do Bra­ sil não poderíamos deixar de visitar os pontos turísticos. Mesmo a chuva atra­ palhando um pouco, pudemos, após o almoço, visitar a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida onde tira­ mos muitas fotos. Ao sairmos, a chuva já tinha passado e pudemos dar uma volta na Praça dos Três Poderes e final­ mente o Palácio da Alvorada com suas emas passeando pelo jardim. Depois desse longo passeio fomos para o aeroporto de Brasília onde pegamos o avião de volta para Belo Horizonte. Chegamos cansados, mas felizes e com a sensação de termos exercido com plenitude nossa cidadania!

CliDEC (31)3236­2100

CEMIG ­ 0800 310 196 COPASA ­ 195 Correios ­ 159

Corpo de Bombeiros ­ 193

CW­ Centro dc Valorização da Vida ­ (31)3334­4111

3444­1818 ou 141 Defesa Civil 199

DETRAN/ MG ­ (031)3236­3501/3525

Disque Direitos Humanos ­ 0800­311­ 119

Disque Ecologia

­ 1523

Disque PROCON ­ (31) 3277­ 4548/9503/4547 ou 1512 Disque Turismo ­ 1677

GAPA/MG ­ (31)3271­2126

MG Transplantes (Doação de órgãos) ­ (31) 32747181

Movimento das Donas de Casa e Consumidores ­ (31)3274­1033 Ibama ­ 0800­618­080 Polícia Civil ­ 197

Polícia Federal ­ (31)3330­5200 Polícia Militar ­ 190

Polícia Rodoviária Estadual ­ (31)2123­1901

Polícia Rodoviária Federal ­ (31 ) 3333­2999

Prefeitura Municipal ­ 156 Pronto Socorro ­ 192

Pronto Socorro (HPS João XXIII) ­ (31)3239­9200

Receita Federal ­ 0300­780­300 SENAC ­ 0800­724­4440

SINE­MG ­ (31)2123­2415

SOS Criança (Centro de Referência ­

Matrículas abertas com preço promocional para 201 2.

"Desejamos a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de saúde, paz, prosperidade e muita sorte"

CÉSAR ­ PINTOR IMOBILIÁRIO

(3 1 ) 8 56 7 ­ 51 2 3

Denúncia) ­0800 283 1244

Sudecap Disque Tapa­ buraco ­ (31)3277­8000


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Orçamento Participativo Digital 2011 : a hora e a vez da Lagoinha!

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Vicariato Episcopal para Ação Social e Política

De 21 de novembro a 11 de dezembro de 2011 , estão abertas as eleições do OP (Orçamento Participativo) Digital, que tem como objetivo, a ampliação da participação popular na gestão da cidade, permitindo aos cidadãos influenciar ou decidir sobre os orçamentos públicos. Uma das obras listadas para a votação, é a Requalificação do Complexo da Lagoinha - Rua Além Paraíba, rua Itapecerica e rua Bonfim - Bairro Lagoinha. Um dos bairros mais antigos da capital, a Lagoinha enfrenta diversos problemas sociais e urbanísticos, como o grande número de moradores em vulnerabilidade social, usuários de drogas, insegurança, imóveis deteriorados e descarte incorreto do lixo. A iniciativa surgiu a partir do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, através do Projeto Café com Prosa, que reúne moradores, comerciantes e empresas da região e entorno para discutir melhorias para a população. A partir destas discussões surgiram

às propostas da comunidade incluem ações de segurança pública como iluminação e câmeras do Olho Vivo, coleta seletiva, projetos sociais e capacitação profissional para moradores em situação de rua, atividades socioculturais para adolescentes voltadas à prevenção do uso de drogas, paisagismo e valorização do patrimônio, promoção de feiras e eventos culturais, entre outras. O processo de votação do OP (orçamento participativo) digital é aberto a qualquer cidadão maior de 1 6 anos, com domicílio eleitoral em Belo Horizonte. É necessário que a pessoa informe o número do título eleitoral e de outro documento ou dado pessoal. Para receber a confirmação de seu voto, o eleitor poderá informar seu email. Quem não tem acesso à internet poderá contar com o apoio de mais de 400 pontos públicos de votação espalhados por toda a cidade. Participe você também e colabore para a melhoria da Lagoinha!

Obras do Complexo da L a g o in h a e m 1 º lu g a r n o r e s u lt a d o p a r c ia l ( 0 4 / 1 2 / 2 0 1 1 , 2 2 :0 0 )


Glamour e decadência da boêmia Lagoinha Belo Horizonte, novembro de 2011

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Desbravada por italianos, área suburbana da Região Noroeste registra, há mais de 100 anos, momentos marcantes e distintos na vida de BH, preserva símbolos e clama por revitalização _______________________ Gustavo Werneck ­ Estado de Minas

Os imigrantes italianos fo­ ram os primeiros a chegar – e, na sequência, vieram gente do interior do estado e ex­escravos de fazen­ das mineiras. Enquanto trabalha­ vam na construção da nova capital, e mesmo depois de vê­la inaugura­ da em 12 de dezembro de 1897, as famílias foram se estabelecendo no Bairro Lagoinha, Região Noroeste da capital. No início da ocupação, dois rios, hoje canalizados, se en­ contravam nessa área e formavam uma lagoa, vindo daí o nome que fez história e se tornou lenda na ci­ dade, principalmente entre as déca­ das de 1930 e 1960, quando a zona boêmia se instalou e deu o que falar. Anos depois, o complexo de viadutos mudou a paisagem, ca­ sarões perderam o viço e a violên­ cia sentou praça, mas o local, resistente, guardou símbolos que ajudam a recompor a memória e a compreender melhor as nuances do tempo.

Momentos

A Lagoinha é o mais em­ blemático e antigo dos bairros “peri­ centrais” de Belo Horizonte – aqueles que surgiram fora da Aveni­ da do Contorno, na então área su­ burbana da cidade, conforme o projeto da comissão construtora chefiada pelo engenheiro Aarão Reis (1833­1936). Em mais de 100 anos, a região atravessou três mo­ mentos bem distintos e marcantes: familiar, zona boêmia e comercial. “Os pioneiros não podiam arcar com o preço das moradias no perí­ metro da Contorno, como faziam os funcionários públicos, então a solu­ ção foi viver do outro lado do Ribei­ rão Arrudas”, diz a coordenadora do projeto. Os estudantes já verifi­ caram que os primeiros tempos não foram nada fáceis. Para se ter uma ideia, o sistema de abasteci­ mento de água só entrou em opera­ ção em 1910, um contrassenso para uma região de nome tão sim­ bólico.

Feira de Amostra e Ginásio Paysandu, onde hoje funciona a Rodoviária de BH. Coleção José Góes (APCBH)

Agora, toda a trajetória da Lagoi­ nha está sendo recuperada por es­ tudantes do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni­BH), sob coor­ denação da professora, doutora em história da educação, Ana Cristina Pereira Lage. O ponto de partida para o projeto está no nascimento da instituição de ensino, cujas por­ tas foram abertas em março de 1964, num prédio da Avenida Antô­ nio Carlos. “Em 2014, a universida­ de vai completar os 50 anos. Então, nada melhor do que enten­ dermos essa região em que esta­ mos, seus problemas, suas comunidades, a vida dos morado­ res, enfim, os altos e baixos”, expli­ ca a professora. Para ampliar o raio de ação, foram incluídos na pesqui­ sa, além da Lagoinha, os bairros Bonfim e São Cristóvão e a Pedrei­ ra Prado Lopes.

Na década de 1930, mudanças na paisagem. A região se tornou palco da zona boêmia, atraindo prostíbu­ los, bares, bebedeiras sem fim, por­ res homéricos – vem dessa época o nome do famoso “copo lagoinha” –, cantores com seus violões e mui­ to folclore que atravessou o século. Conta­se que até a década de 1960, quando vigoraram as leis mui­ to próprias do desejo, as meninas de sociedade nem podiam passar pela região, então marcada pela vi­ da airada. Na Praça Vaz de Melo, por exemplo, gente de família só cir­ culava à luz do dia, pois, à noite, im­ perava a perdição (uma palavra bem retrô!). Mas, no fim das con­ tas, esse caldeirão de comporta­ mentos acabou fomentando a cultura da cidade e deixando um tur­ bilhão de casos e lembranças.

Cadê a loba?

Para se ter a dimensão do lugar e entender a história, vale muito caminhar pela Rua Itapeceri­ ca, que já teve mais glamour como polo de antiquários e venda de mó­ veis antigos, mas ainda pode ser considerada um dos ícones da re­ gião. Andando pela via pública, ve­ em­se vestígios da passagem dos italianos pelo bairro. Para homena­ gear o país natal, em 1930 foi cons­ truída, com projeto dos arquitetos Otaviano Lapertosa e João Abra­ mo, uma imponente residência, que ficou conhecida como Casa da Lo­ ba por ostentar o animal bem no al­ to da fachada. O bicho sumiu e, segundo vizinhos, duas águias de­ corativas também bateram asas; o projeto original foi todo desfigurado e o interior do prédio perdeu a for­ ma. Um caseiro revela que os pro­ prietários moram no Rio de Janeiro (RJ), e não permitem que a casa se­ ja fotografada por dentro. A Rua Além Paraíba tam­ bém tem marcas do passado e os estudantes foram a campo para re­ cuperar principalmente a memória oral, ouvindo velhos moradores. A cada olhar, a certeza de que a re­ gião foi muito maltratada pela admi­ nistração pública, que transformou a Lagoinha, com obras viárias, em um corredor entre o Centro, Pampu­ lha e Região Norte. “O nosso objeti­ vo é promover a conscientização da conservação do bairro e preser­ vação da memória”, diz Ana Lage. E é na memória de mui­ tos belo­horizontinos que ainda vi­ ve uma Lagoinha fértil em quintais, carinho dos avós e cheiro de interi­ or. O professor de história, também doutor na disciplina, Rogério Arru­ da, de 44 anos, conta que nasceu no vizinho Bairro Santo André e cos­ tumava visitar sempre os avós, nos fins de semana, na Lagoinha. “Ha­ via muita fruta no pé, o bairro da mi­ nha infância era um espaço de convívio, tinha comércio de secos e molhados. Eu vi tudo mudar”, recor­ da­se o professor, que estudou no Colégio São Cristóvão, conheceu o cinema que foi demolido e acompa­ nhou as alterações viárias, que de­ ram à região “uma cara de passagem”. Linha do tempo Década de 1890 –Imigrantes que vi­ eram trabalhar na construção de BH se estabelecem na região da La­ goinha

Aparelho ajuda cegos a identifi­ carem ônibus Inventado pelo morador da Lagoinha Dácio Pedro Simões

Dácio e seu aparelho revolucionário e generoso.

Um dispositivo desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Ge­ rais (UFMG) para auxiliar deficien­ tes visuais a identificarem linhas de ônibus será implantado em Ribei­ rão Preto (SP). A ideia já é realida­ de em Jaú (SP) desde 2010 e passa por teste também no Rio de Janeiro e Niterói (RJ).

“Em Belo Horizonte ain­ da não conseguimos fazer os con­ tatos”, disse o Prof. Julio César David Melo, do Laboratório de Sis­ temas Inteligentes de Escola de En­ genharia da UFMG. Segundo ele, as demandas estão sendo atendi­ das à medida que surgem. O equipamento ­ DPS

Lagoinha hoje, entrecortada pelo concreto e trânsito. Foto: Jair Amaral/DA Press

1910 – Entra em operação o siste­ ma de abastecimento de água na região 1930 – Floresce a zona boêmia, que tem seu auge nas décadas de 1950 e 1960 Década de 1940 – Abertura da Ave­ nida Antônio Carlos, ligando o Cen­ tro à Pampulha 1948 – Em 1º de maio, é inaugura­ do o Conjunto IAPI Década de 1980 – Prédio da Feira dos Produtores é demolido para dar lugar à estação do metrô 1996 – Criação da Área de Diretri­ zes Especiais (ADE) de Proteção do Patrimônio Cultural e Desenvolvi­ mento Econômico Década de 2000 – Tombamento mu­ nicipal de imóveis da Lagoinha 2004 –Começam as obras de alar­ gamento e duplicação da Avenida Antônio Carlos, que implicou, em 2008, demolição de imóveis e fe­ chamento de comércio

LUTA PELA PRESERVAÇÃO Em 1996 foi criada na La­ goinha, pela prefeitura, a Área de Diretrizes Especiais (ADE) de Prote­ ção do Patrimônio Cultural e Desen­ volvimento Econômico, e na década seguinte o Conselho Delibe­ rativo do Patrimônio Cultural Munici­ pal fez tombamentos de imóveis, informa a diretora de Patrimônio da PBH, Michele Arroyo. O IAPI tem proteção, tendo sido tombado em 2008. A coordenação do projeto do Uni­BH quer estimular a comunida­ de a votar no Orçamento Participati­ vo (OP) Digital (www.opdigital2011.pbh.gov.br) pa­ ra garantir a requalificação do espa­ ço urbano da Lagoinha.

favela e, como a Avenida Antônio Carlos estava sendo implantada em substituição à Avenida Pampu­ lha, a construção fez parte da mo­ dernização da região. As obras foram iniciadas em 1944, pelo en­ tão prefeito Juscelino Kubitschek (1902­1976). RUA ITAPECERICA Uma das principais vias públicas do Bairro Lagoinha, a Rua Itapece­ rica já foi importante polo de an­ tiquários e venda de móveis antigos. Hoje, ainda abriga resi­ dências que guardam o glamour de outros tempos, como o conjunto de residências na esquina da Rua Rio Novo. Moradores e visitantes po­ dem encontrar preciosidades em lojas de antiguidades. PEDREIRA PRADO LOPES O aglomerado tinha características bem diversas na época da constru­ ção de BH. Era uma fazenda per­ tencente a um homem chamado Prado Lopes, com uma pedreira de onde saiu material para a constru­ ção da cidade. A favelização trans­ formou a região em foco de violência CEMITÉRIO DO BONFIM Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), o Cemitério do Bonfim, o primeiro da capital, foi construído dentro de uma política higienista do fim do século 19, se­ gundo a qual os locais de sepulta­ mento deveriam ser longe do centro urbano e do entorno das igrejas.

DIVERSIDADE URBANA CONJUNTO IAPI Inaugurado em 1º de maio de 1948, o Conjunto IAPI (sigla de Ins­ tituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários) se tornou hoje Re­ sidencial São Cristóvão, no Bairro São Cristóvão. No lugar havia uma

2000 – funciona com transmissor, que fica com o deficiente visual, e um receptor no veículo. O cego pro­ grama o transmissor com as linhas de ônibus que precisa, ouvindo os números. No ponto, ele seleciona o ônibus que deseja e o aparelho transmite um código para os veícu­ los com o receptor. Além de os mo­ toristas identificarem o local onde o deficiente visual espera, quando o veículo para, o alto falante perto da porta da entrada informa o número da linha.

O aparelho foi criado pe­ lo aposentado Dácio Pedro Si­ mões, que presenciou um cego com dificuldades. Simões levou o dispositivo com radiofreqüência à UFMG em 2001 e a ideia foi de­ senvolvida por Melo. “Na próxima licitação das empresas de ônibus de Ribeirão Preto, os veículos vão ter que ofe­ recer este sistema”, disse o profes­ sor. Andrea Juste/O Tempo


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A casa das graças e milagres Antônio de Pádua Galvão ­ Economista e Psicanalista

Peregrinando pelo centro, rumo ao Café Nice, na Praça Sete, medito sobre o destino e desígnios do céu. Descobri dentro de mim, mas expresso fora, um caminho de devoção que nos conduz à espiritualidade. Tenho o costume de fa­ zer as orações, acender velas, pedir pa­ ra celebrar missas. Sou crente nos mistérios do Altíssimo. Quanto mais vi­ vo, mais inclino meu olhar para os céus, ajoelho e me curvo na busca es­ sencial. Nesta jornada peregrina pela cidade encontramos moradas da fé: capela de São Antônio, Igrejas São José, de Lour­ des, da Boa Viagem, Sagrado Coração de Jesus, das Dores, Santa Efigênia dos Militares, Nossa Senhora da Con­ ceição, São Cristóvão, São Francisco das Chagas e outros santuários no en­ torno da região central de BH. Toda procissão me emociona. Re­ cordo­me nitidamente de uma belíssima manifestação de religiosidade que pre­ senciei do alto do prédio do antigo Ban­ co do Progresso na Avenida Afonso Pena. De lá, vi uma enorme fila de de­ votos com velas nas mãos cantando: “No céu, no céu com a minha mãe esta­ rei”. Imediatamente lembrei­me das sa­ las das promessas. Quando entro na casa das graças, nesse ambiente de fé, sinto uma forte emoção. Chego a ficar arrepiado, pois me deparo com a ex­ pressão material da fé. É a certidão que confirma a existência do milagre e fica estampada na parede, nas mesas e de­ pendurada no alto. A comprovação da cura espiritual, física, mental e emocio­ nal. Tomado de respeito, olho vagarosa­ mente com humildade e assombro as fotos, bengalas, cadeiras de rodas, cha­ ve de casas, placas de carro, vestidos de noivas, braços e cabeças em cera, cartas de agradecimento, testemunhos de agradecimento e cura milagrosa. A sala dos milagres é um espaço da fé. Abriga a exposição de ex­votos. A

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(31) 9956­9161

PELA LAGOINHA 8

______________ Cristiane Borges

Painéis luminosos Já estão funcionando os dois painéis luminosos instalados na avenida Antônio Carlos pela Prefei­ tura de Belo Horizonte e BHTrans. De acordo com a BHTrans, os pai­ néis tem como função transmitir aos motoristas informações sobre caminhos alternativos, ocorrência de acidentes, retenções, inciden­ tes e, ainda, mensagens educati­ vas.

palavra “ex­voto” vem da expressão lati­ na ex­voto suscepto, que significa “por um voto alcançado”, “por uma promes­ sa feita”. A materialização do agradeci­ mento dos romeiros é uma maneira que o devoto encontra de tornar visível a aju­ da que recebeu de Deus, uma forma de gratidão. Um coração sensível lagrimeja de emoção ao sentir a mão que ampara e cuida na hora derradeira de aflição e de­ sespero. Neste instante a presença de Deus revela sua grandeza e misericór­ dia. A fé é uma graça que consolida a longa travessia durante a vida do pere­ grino. A fé é o oxigênio da alma. Exis­ tem devotos que nasceram com a fé. Outros vivem em oração para expandi­ la. Outros não tiveram a graça da fé. Eu considero­me um labutador na busca pela fé. Todos os dias macero para que meu coração se encha dessa graça, principalmente porque na juventude tive fé miúda, pensamento cartesiano e idei­ as revolucionárias. Nas minhas andanças percebo no cotidiano lampejos de devoção. Seja nos lares das famílias, nos escritórios, vejo os escapulários nos pescoços, fo­ tos e medalhinhas dos santinhos nas carteiras. Chama minha atenção os pe­

UMA PROPOSTA PARA A LAGOINHA?

quenos santuários e simbólicos gestos de devoção. Recordo­me da banca de jornal da Sandra, na Praça Sete. Den­ tro da banca do lado direito, bem no al­ to, suas imagens de proteção. Vejo ainda no Café Nice, discretamente afi­ xado na camisa do Tadeu, a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, mãe de todos os peregrinos na fé. No Bar do Marcinho, bem no alto observando a todos, imagens de santos protegem as famílias e fregueses de cada dia. Num debate acalorado na Câmara Municipal sobre a afirmação do estado laico, uma pessoa esculpida na des­ crença clamava para que retirassem os símbolos de fé do plenário. Neste dia, tomei a palavra e intercedi dizendo: “Não destrua nossos símbolos de fé, nossos totens. Não se mexe tão pro­ fundamente na alma de um povo. As­ sim, vocês destroem valores e a cultura de uma nação”. Imediatamente o silên­ cio impôs uma reflexão. E a graça da fé mantém se afixada no alto de nossas vidas. Deposite suas promessas na sa­ la das graças. A graça do coração de­ voto dos milagres dos santos e santas, mas, sobretudo, de Deus na sua infinita bondade e sabedoria.

Cada um no seu quadrado Nota 10 para a iniciativa da em­ presa Arc Compressores, na aveni­ da Antônio Carlos com a rua Adalberto Ferraz. A Arc pintou

seus muros de fachada de branco e delimitou um “espaço reservado aos grafiteiros”. Essa é uma atitu­ de de boa convivênia entre empre­ sa e localização/comunidade.

Muito mais que um cemitério

Ministro oferece verba para cracolândia

Ideia é que unidades funcionem 24 horas e tenham médicos, enfermeiros e psicólogos

O ministro da Saúde, Ale­ xandre Padilha, afirmou à Folha e ao UOL que repassará verba federal até o fim de 2011 para a Prefeitura de São Paulo implantar oito consultórios de rua para atendimento a usuários de drogas. A maioria desses postos móveis ficará na cracolândia. Os consultórios de rua se­ rão ocupados por médicos, enfermei­ ros e psicólogos. Funcionarão ininterruptamente, percorrendo locais onde há maior concentração de vicia­ dos. As equipes poderão, segundo o ministro, internar os dependentes quí­ micos para tratamento. "É como se fosse um trai­ ler, uma Kombi que fica 24 horas. Se o profissional de saúde avaliar que aquela pessoa corre risco de vida, nós temos protocolos claros da inter­ nação involuntária, inclusive defendi­ da pela Organização Mundial da Saúde", declara Alexandre Padilha. Há uma diferença, diz o mi­ nistro, entre internação involuntária e internação compulsória. No caso da primeira, que será adotada pelos con­ sultórios de rua em São Paulo, o reco­ lhimento do viciado se dá após uma

análise minuciosa de sua situação, sobretudo se a pessoa está correndo o risco de morrer. Internação compulsória é um procedimento mais drástico. Vicia­ dos que vivem na rua são recolhidos independentemente de correrem ris­ co iminente de morrer. O governo federal já patro­ cina esse tipo de experiência de con­ sultórios de rua em várias cidades. Em São Paulo, "eles tinham uma abordagem diferente, não tinham o instrumento do consultório, mas acei­ taram a proposta que nós fizemos", afirma Padilha. O ministro esteve no início do ano na região da cracolândia, à noite, para conhecer o cenário. A par­ tir daí, negociou com a prefeitura pau­ listana a implantação dos consultórios em São Paulo. Os médicos, enfermeiros, psicólogos são chamados de "agen­ tes redutores de danos". Ficam no lo­ cal onde estão os dependentes químicos e com possibilidade de fa­ zer pronto atendimento. O problema, diz o ministro, é a demanda por leitos nos casos em que for necessária a in­

______________ Da redação

ternação involuntária.

EPIDEMIA "Em relação ao crack nós temos que reconhecer que o SUS precisa se reorganizar para dar con­ ta dessa nova epidemia. O crack é uma epidemia", declara Padilha. Em São Paulo, serão montadas unidades de acolhimento. Segundo o ministro, serão "casas, onde a pessoa pode ficar internada por um período mais prolongado". A meta inicial é ter 20 uni­ dades na cidade de São Paulo, com 15 leitos cada. Ou seja, um total de 300 leitos. Da Folha de São Paulo ­ FERNAN­ DO RODRIGUES

O Cemitério do Bonfim é tema de uma exposição que acon­ tece no Museu Histórico Abílio Bar­ reto: Descobrindo o Bonfim: o cemitério como lugar na cidade dos vivos. Por meio de textos, fo­ tos e objetos, a mostra propõe uma reflexão do papel simbólico do Cemitério do Bonfim, como re­ gistro da memória e do imaginário da cidade, além do recinto onde se coloca a dor ou simplesmente o corpo sem vida.

A exposição mostra a beleza da arte que se encontra por trás dos muros do cemitério e traz exemplares de obras signifi­ cativas. Museu Histórico Abílio Barreto: Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim Visitação: terças, sextas, sába­ dos e domingos, das 10h às 17h. Quartas e quintas­feiras, das 10h às 21h. A entrada é gratuita.

Comunicamos que a ÓTICA já está funcionando no SINDICATO DOS TÊXTEIS. Rua Formiga, nº 11 4, Lagoinha. Temos consulta com médico oftalmologista dia 1 4/1 2/2011 ( 4º feira) no horário de 08:00 às 1 2:00h. Marque sua consulta pelo telefone: 3428-11 00


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Belo Horizonte, novembro de 2011

COMPRAS DE FIM DE ANO, DICAS IMPORTANTES

Antônio José Vital ­ Advogado, Especialista em Direito do Consumidor antoniovital01@ig.com.br

As festas de fim de ano se aproximam, o natal, considerada a me­ lhor data para o comércio, alimenta em todos a vontade de comprar, quase que indistintamente queremos comprar ao menos uma lembrancinha para as pes­ soas queridas. O pagamento do déci­ mo terceiro salário aumenta os valores circulantes na economia e, ávidos pelos reais, os comerciantes preparam estraté­ gias para atrair os consumidores. Eles estão preparados. E nós, os consumido­ res? Bom, para ajudar a responder de forma positiva a pergunta, seguem algu­ mas dicas importantes para que este momento de alegria não acabe no início de 2012. Primeira regra: não compre por impulso e não ultrapasse seu orça­ mento. Lembre­se: não basta a parcela caber no salário verifique outros gastos mensais e preparar­se para eventualida­ des com uma possível reserva é atitude prudente. Pesquise e procure antes de comprar, respeite seu orçamento, lem­ bre­se que o mês de janeiro traz o venci­ mento de vários impostos como IPTU e IPVA, de anuidades diversas, aproveite o pagamento do salário extra para pa­ gar dívidas pendentes é um bom presen­ te para si mesmo entrar o ano sem dívida. Faça primeiro a lista das dívi­ das e obrigações vencidas e a vencer a curto prazo, somente depois faça a lista dos presentes. Não custa repetir: pesqui­ se antes de comprar, pesquise antes mesmo de sair de casa, faça uma pes­ quisa de preços na internet . Pergunte o preço à vista e condições de parcelamento, pechinche. Segundo pas­ so. Concretizada a compra vale lem­ brar: as lojas apenas são obrigadas a trocar produtos com defeito. Trocas por número, cor ou modelo diferente é libe­ ralidade do fornecedor, entretanto, se a loja se dispõe a fazê­lo deve cumprir pois tem força contratual. Na compra de bens duráveis o código de defesa do consumidor im­ põe que o prazo de garantia é de 90 di­ as. Outra garantia é um incentivo do fabricante à compra de seu produto, co­ mo que dizendo que ele próprio confia no que produz, assim o produto deve vir

acompanhado de um documento que comprove esta extensão da garan­ tia.Cuidado com as famosas “garantias estendidas”, trata­se de espécie de se­ guro empurrado “goela abaixo” para o consumidor engolir não deve ter imposi­ ção e todas as cláusulas devem ser ex­ plicadas de forma clara e ostensiva, principalmente as de restrição de direi­ tos, na dúvida é melhor não contratar pois é comum elas se trasformarem em “dor de cabeça estendida” Não há como chamar aten­ ção do consumidor hoje em dia sem alertar para as compras pela internet, a modalidade tem crescido rapidamente e caído na preferência do consumidor brasileiro. A comodidade de comprar “na ponta dos dedos” sem sair do con­ forto de casa e podendo ter o mundo à sua escolha é atraente demais. Mas nem tudo é perfeito. Entre as principais reclamações estão o atraso na entrega, entrega de produto com defeito, dificul­ dade de contato com a empresa, co­ brança indevida e mau atendimento no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). O consumidor deve estar atento ao fazer uma compra pela inter­ net, principalmente durante o período de Natal, em que o volume de pedidos e a ocorrência de problemas na entrega são maiores. “Primeiro, o consumidor deve observar se está em um site segu­ ro, com uma chave de segurança nor­ malmente representada por um cadeado no pé do site”. E tentar evitar comprar em sites que tenham domínio fora do país, sem o ponto com ponto BR. As compras coletivas também atraem muito – são aquelas em que são apre­ sentadas ofertas de produtos e serviços com valores mais baixos que no merca­ do e cujas compras só se validam após a aquisição de cupons por um determi­ nado número de pessoas – o consumi­ dor deve observar os prazos dados para utilização ou entrega do produto ou do serviço adquirido. Nunca é de­ mais lembrar que o direito do consumi­ dor brasileiro permite a desistência da compra efetuada “fora do estabeleci­ mento comercial” até sete dias. No mais, vamos às compras com muita alegria e, principalmente responsabili­ dade. Feliz Festas a todos!

Betão, Pescador da Lagoinha 30 METROS DE LINHA E UMA GRANDE SURPRESA

Como mandava o figurino da época, as pescarias eram marcadas no bute­ co do Gaguinho (Evaldo) na Rua Além Paraíba na Lagoinha City, onde a tur­ ma se encontrava todos os dias para tomarmos aquele gole, jogar truco e até xadrez e o mais importante: pescar no seco relembrando as pescarias pas­ sadas. Sempre entre nós havia alguns da turma que, de acordo com o dia e o momento, poderia ir na pescaria. E não é que ficou marcada a pescaria pa­ ra o dia 25 de outubro? E a volta para o dia 1º onde se encerrava a pesca na Barra do Guaicuí no encontro do Rio das Velhas com o Velho Chico a bordo do Barco Trio­70. Barco aliás simples e objetivo que quando fechado servia de proteção e teto. Quando o teto era levantado fazia o papel de cobertura contra o sol e quando chovia o bicho pegava com as lonas amarradas: um verdadeiro “deus nos acuda”. Apesar

disto era ótimo: com caixa de gelo pra cinco barras, fogão de quatro bocas, quatro camas mas onde dormiam até 6 pessoas. Esse era o Trio­70: pronto pra que der e vier em temos de pesca­ ria. Reuniões para acertos e detalhes eram sempre regada a goles. Chega­ mos à beira do rio. Tudo legal. Barco arrumado pelo Santa Cruz (in memori­ an). Os dois motores zero bala. Tudo funcionando. Depois de tudo arruma­ do, no primeiro dia pescamos vários peixes. E o Marcão sempre falava: ­ te­ nho que trocar essa linha da carretilha. Só deve ter uns 30m. No segundo dia mais peixes. A ge­ ladeira tava bonita. No terceiro, lá pe­ las 11 horas da manhã falei: ­ Marcão, troca essa linha já que estamos pes­ cando no canal e de repente pode en­ trar um bom peixe e você vai ficar em dificuldade! Quando ele foi pegar a no­ va linha na caixa de pesca, não é que

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ADEUS AO AMIGO RORIS: CAMPEÃO NA VIDA

O Róris foi um grande ami­ go, desde a infância. Convivemos no IAPI, jogamos nossa pelada, nosso fu­ tebol. Um pouco mais velho do que eu, Róris jogou bola em vários times de várzea em Belo Horizonte, como no ti­ me do IAPI, o Industriários… também ti­ nham campeonatos internos entre os nove prédios do conjunto. O edifício 8 sempre se destacava e o Roris foi cam­ peão com a sua turma, o Toró, o Den­ tão, o Silvestre, o Dué (já falecido) e seu irmão Vânius (hoje Doutor Vânius). Ele era campeão de todos os tornei­ os… Róris jogou em vários times de várzea de Belo Horizonte, como o Real Madrid, Tremedal, Industriários, e jogou por muito tempo no juvenil do América, tendo chegado a jogar algu­ mas partir pelo profissional ao lado de Zuca, Noventa, Jair Bala, Ari, entre ou­ tros. Foi convocado várias vezes para a Seleção Mineira de Futebol Juvenil. Tinha um técnico que cha­ mava Biju que achava que o Róris se­ ria o segundo Tostão. Quando haviam as peladas no IAPI, Róris e Tostão não podiam jogar juntos, era um para um la­ do e um para outro. Os dois jogavam sempre separado. Era um jogaço, era como se fosse Messi de um lado e Nei­ mar de outro. Do Américo foi para o Cruzeiro, que também tinha muitos cra­ ques como o Tostão, o Evaldo… Logo ele recebeu um convite pra jogar no Santos e foi pra lá, ficou treinando, foi aprovado nos testes e até jogou junto com Pelé. Aí o pessoal mandou Róris para Belo Horizonte para que ele bus­ casse a papelada, os documentos, e deram a ele um prazo. Porém, quando Róris che­ gou aqui, ele escolheu ficar e deixar de ir para o Santos, por causa da namora­ da. Róris e Maria Eugênia namoraram

*02/10/1944 +22/11/2011

o peixe adivinhou em qual vara entrar, e qual foi? Justamente a do Marcão e levou com vontade, fazendo a vara be­ ber água. Marcão gritou: ­ Betão! Fica esperto, minha linha está acabando! Imediatamente fui e soltei a poita (ân­ cora). O Marcão, com o barco à deri­ va, começou trabalhar o peixe tentando recuperar um pouco de linha e conseguiu. Contudo, em determina­ do momento o peixe renovou as for­ ças, deu uma disparada, nadando

Roris no time do Industriários (IAPI) em destaque. O quarto, da esquerda para direita, sentado, está o Tostão. Em pé, em último, da esquerda para direito, seu irmão Itaibis como técnico, já falecido.

desde os doze anos, e ela tornou­se esposa dele. O casal teve dois filhos, Juliano e Geovana, Róris desistiu do fu­ tebol profissional e foi estudar. Fez en­ genharia e começou a trabalhar com outras coisas, mas nunca abandonou o futebol. Conviveu no Raposão (do Cru­ zeiro) e nunca deixou de jogar, todo do­ mingo. Não podemos esquecer que nosso amigo era um grande gozador e colocou apelidos em boa parte da

Seus maiores bens foram sua família e seus amigos, sua maior felicidade ver o sorriso nos rostos de sua espoo­ sa e filhos. Seu maior prazer o futebol, pelo qual pode desfrutar até os últimos dias de sua vida. Que a dor imensurá­ vel que seus familiares e amigos estão sentindo com sua inesperada partida possam ser amenizadas pela certeza que viveu intensamente, com dignida­ de, transmitindo a alegria e paixão aon­

mais que o barco à deriva e levou a li­ nha quase toda chegando quase no fi­ nal do carretel. Eu, o Carlão e o Sérgio começamos a gritar: ­ Ferra! Ferra pra ver se ele muda de direção! E não é que deu certo? O peixe mudou e come­ çou a subir o rio e nesse momento Mar­ cão recuperou quase a linha toda e o peixe também já mostrava cansaço. Com calma e mais umas duas corridas o peixe entregou os pontos. Carlão com o bicheiro na mão foi passar no peixe mas o danado deu uma guinada e o Carlão errou. Foi aquela confusão. Banho de água, gritaria para ter calma e quando Marcão ajeitou o bonitão de novo o Carlão deu a bicheirada certei­ ra e, com apoio do Sérgio, colocaram o peixe dentro do barco e foi um grito de guerra só Oh Oh Oh Oh Oh Goooo­ ooooooooooooole! Abraços, cumpri­ mentos! Marcão observou que deu sorte com pouca linha e o coschete es­ tava aberto na hora do peixe escapar. Pesamos o peixe: 35 quilos na pinta. No balanço geral foi uma excelente pescaria: seis surubins, piranhas, dou­ rados, pacus e outros. A pescaria foi marcante pelo ocorrido de pouca linha

população da Lagoinha. Quem não conhece Branca de Neve, Cu de Sapo, Coça­cu, Rato (seu irmão), Urubu (eu mesmo), Oreia ou Rubem Cigano, Pardal (o Binho), Buchecha, Botina e sua expressão mais popular para todo camarada: Pau­de­bosta. Seja no futebol, na família, com os amigos ou nas brincadeira Roris foi sempre campeão na vida. Homenagem de Creso Campos.

de quer que fosse. Roris, Pai, Marido, Irmão, Amigo e Homem no mais am­ plo e nobre sentido da palavra, que nesse momento de profunda dor, seu espírito e sua energia sempre positiva possam confortar os que aqui na terra permanecem. Que Jesus Cristo, ami­ gos e entes mais queridos possam re­ cebê­lo e abraçá­lo na vida eterna. Agradecimentos da Esposa, Filhos, Nora e Netos.

na carretilha e pegar um baita surubim de 35 quilos. Pescaria no Rio São Francisco – Barra do Guaicui­ l989 Companheiros Betão, Marcão, Car­ lão (in memorian) e Sérgio. P.S.: é com grande satisfação e emo­ ção que agradeço ao Creso Campos e à sua equipe por esta oportunidade de simplesmente ser um colaborador e contar aos amigos e amigas os cau­ sos (crônicas) que Deus me permitiu estar presente nas pescarias. Como é bom lembrar essas grandes emoções desses velhos tempos de todos aque­ les da turma que estiveram comigo nas beiras do Rio das Velhas, São Francisco e Paracatu. E aproveito desejar a todos aos leito­ res da Gazeta da Lagoinha um Feliz Natal e um Feliz ano novo e que em 2012, com a benção de Deus, continu­ emos a contar mais causos, UM ABRAÇO DO BETÃO PESCA­ DOR DA LAGOINHA (Roberto Matos) betao.lagoa@gmail.com


Belo Horizonte, novembro de 2011

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Com a palavra, Milton Kabutê!

Belo Horizonte, novembro de 2011

miltonkabute@gmail.com

ENCONTRO COM DOM WILSON NA PARÓQUIA SÃO CRISTOVÃO No último quetel no salão da Igreja. No salão todo ornadia 25 de novembro, foi celebrado o I mentado com uma belíssima Encontro Forânico dos Con- estrutura Dom Wilson abriu selhos Paroquiais da Região as festividades com músicas Episcopal de Nossa Senhora que animaram a festividade. da Conceição, encontro este Fazendo as honras da casa, realizado na Paróquia de passou de mesa em mesa São Cristovão; com a presença do Bispo Auxiliar de Belo Horizonte e responsável pela Região Episcopal, Dom Wilson Luis Angotti Filho. Com grande júbilo foi recebido pelo Padre da Igreja São Cristovão, Pe. Sebastião Diogo, juntamente com todo o clero da região episcopal e fiéis que participaram do encontro, com um pensamento de União e Fé entre as igrejas. Dom Wilson ao término da celebração abençoou e convidou a todos para uma confraternização, com um co-

Meu Natal era o seu Natal?

A palavra Natal era como um poder mágico nas memórias de todos os seres humanos, que viveram na Suíça, ou no interior das Minas Gerais onde o Espírito Natalino é como uma grande árvore plantada pelo Papa Nicolau, bem no centro do planeta terra. Esta árvore - fruto de sonhos - conhecida como Natal nos traz as mais lindas recordações de uma infância cheia de lugares reais e irreais fantásticos! Vou falar de um dos meus muitos Natais dos quais me lembro! Era mês de janeiro, mas a ansiedade para chegar dezembro pareciam eternas! Eram tantas as imaginações para pedir presentes que às vezes era como contar estrelas em noites iluminadas, tais como: Quero uma Bola! Porque sua bola era feita de meias velhas; uma boneca era feita retalhos, um carrinho, era feito de toco de pau, velocípede era feito de rodas de pau e até mesmo a sonhada bicicleta. Jamais ser adulto, ter um carro novo, um relógio de pulso e ir ao cinema de censura 1 8 anos. Quando estava próximo ao dia 24 de dezembro as atenções voltavam para o nascimento do Menino Jesus em Belém, e as confraternizações familiares com as tradicionais ceias Natalinas, recheadas de novas esperanças, de sonhos; uns tristes outros alegres, mas com um só objetivo mudar para melhor. As crianças, adultos e até mesmo os das melhores idades.

Chegou o dia 24 de Dezembro, começa o correcorre de todos e tudo: a meia noite, a santa Missa do Galo, celebrado pelo Pontífice Papa; a tradição de colocar o Menino nas Manjedouras dos presépios; colocar os sapatinhos na janela e finalmente esperar o dia amanhecer para ver os presentes os presentes deixados pelo Papai Noel e não esquecendo de sair para as ruas para mostrarem o presente ganho. Mas existem aqueles que não tem nada para mostrar porque nada havia ganho, sonhando em um dia ser igual aos outros. Também as estórias das descidas do Papai Noel pela chaminé para colocar os presentes de toda a família debaixo da árvore de Natal, que eram mesmo árvores de verdade enfeitadas com pe-

cumprimentando a todos os participantes do encontro. Muito feliz com a presença de todos os representantes das pastorais, párocos e demais fiéis. Tudo transcorreu em perfeita harmonia, começando pelas músicas de nossos jovens que muito abrilhantaram o encontro. Parabéns também a todos que contri-

daços de algodão, como se fossem neve, nossas imaginações viajavam por entre mundos de sonhos, onde éramos felizes e cheios de liberdade! Tudo isto durava meses na esperança de nunca ter fim. De repente um próximo Natal estava se aproximando e renovando os dias e as noites que nos ajudam a viver estas fantasias eternas de liberdade. As minhas imaginações estão sempre vivas de um Natal eterno dentro de mim sendo criança! Seu Natal também era assim?

buíram para o sucesso deste belíssimo coquetel, de maneira especial aos paroquianos da Igreja São Cristóvão e voluntários. A presença de todos os Párocos representando suas respectivas paróquias foi significativa e expressiva. Surpresa maior foi a ausência dos representantes do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, já que não havia ninguém de lá para o encontro com o bispo da região, Dom Wilson. Uma pena! Esta foi demais! Mas com muita alegria em seu coração Dom Wilson convida agora toda a Comunidade Paroquial para a Missa Solene que será presida pelo mesmo no próximo dia 08 de dezembro às 1 0 horas da manhã no Santuário de Nossa Senhora da Con-

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ceição, em comemoração ao dia da Padroeira do bairro da Lagoinha. Esperamos que toda a comunidade da Lagoinha e região compareça para realizarmos uma celebração digna em homenagem à Virgem Maria. A missa das 1 0 horas será o marco inicial para o Triênio do JUBILEU de 1 00 anos do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, que será realizado no ano de 201 4. Que Nossa Senhora da Conceição continue a abençoar todos os fiéis da nossa querida Belo Horizonte.

Prosa com o com­ positor Lagoinha

ENTÃO FELIZ NATAL! FELIZ 201 2!

O compositor e cantor Lagoinha fala de sua carreira e de muitos colegas das serestas, carnavais e das tradicionais noi­ tes nas ruas da Lagoinha e afir­ ma que Belo Horizonte jamais será como no passado. Fala também que os novos não que­ rem seguir os caminhos tradicio­ nais da boemia tão espelhada pela Lapa e as malandragens culturais dos compositores que a modernidade apagou. Mora­ dor do Bonfim por longos anos, local que ama, mas tem um lo­ cal muito especial para refletir sua carreira de sucesso, sua in­ fância, onde busca a paz e hos­ pitalidade na saudosa Itapaiaganga. Tão sonhada e cantada em verso e prosa, junta­ mente com parceiros de longas

datas, celebram uma das come­ morações mais populares: a re­ ligiosa Festa do Rosário de Itapaiaganga! Festeiro vitalício de coração representa a cultura da região e das festas religio­ sas, tradições dos antigos mo­ radores, que traz na simplicidade a força da fé de um povo forte na cultura e nas origens de suas raízes interiora­ nas. Perguntado ao compo­ sitor Lagoinha se a boemia, as serestas, os sambas poderiam voltar nesta Lagoinha Moderna, ele categoricamente afirma: La­ goinha só existiu uma nos bom tempos! Restam as saudades que jamais vão se apagar den­ tro de todos boêmios!


Melhor distribuição de renda no Brasil é uma ‘construção ideológica, planejada e articulada’

Belo Horizonte, novembro de 2011

________________________ Paulo Passarinho – Correio da Ci­ dadania

O Brasil é ­ e continua sendo ­ um dos países mais desi­ guais do mundo. Uma vexaminosa vergonha, caso os ricos do nosso país tivessem um mínimo de respei­ to pelo nosso povo, pela verdade e por um mínimo senso de justiça. Ao contrário, não somente os ricos, seus políticos e seus acadêmicos não possuem esses predicados, co­ mo fazem escola agora, junto a seg­ mentos da vida nacional que outrora se colocavam contra o espí­ rito predador e egoísta das classes dominantes nativas. Nos últimos anos, por ex­ emplo, com o amplo apoio da mídia dominante, generalizou­se a infor­ mação sobre uma suposta melhor distribuição de renda no Brasil. Com base em dados obtidos pelas PNAD’s – Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios, do IBGE –, difunde­se, sem maiores cuidados, que a distribuição de renda, desde 1995, vem melhorando no país, ano após ano, em particular de 2005 para cá. Tecnicamente, através do cálculo do coeficiente de Gini, a par­ tir desses dados das PNAD’s, de fa­ to é constatável uma melhor distribuição da renda. Contudo, es­ se tipo de resultado não correspon­ de inteiramente à realidade. Esta ponderação é importante, pelo fato, de amplo conhecimento de pesqui­ sadores e estudiosos da matéria, de os números das PNAD’s não captarem adequadamente os da­ dos de renda relativos aos ganhos dos capitalistas, rendimentos vincu­ lados à geração e pagamento de lu­ cros, juros e aluguéis. Essas pesquisas do IBGE registram de for­ ma adequada os rendimentos típi­ cos do mundo do trabalho – salários, diárias, pagamento de autônomos, trabalho por conta pró­

pria, entre outros. Portanto, estudos sobre a distribuição de renda, com base nos resultados das PNAD’s, não re­ velam uma parte importantíssima da repartição de rendas no país, justamente aquela apropriada pelos capitalistas. Em um país com uma es­ trutura tributária regressiva, onde a maior parte da arrecadação advém de tributos sobre o consumo e a produção (o que faz com que, pro­ porcionalmente aos ricos, os po­ bres paguem mais); onde a estrutura fiscal, de gastos públicos do Estado, privilegia as despesas fi­ nanceiras, com o pagamento de uma carga de juros alta e crescen­ te, ano após ano; e onde os servi­ ços públicos voltados à população são péssimos, desconsiderar a par­ cela da renda que fica com os capi­ talistas, em estudos sobre distribuição de renda no Brasil, é no mínimo curioso. Contudo, passou­se a considerar absolutamente trivial a informação sobre uma suposta me­ lhoria na distribuição de renda no Brasil, nos últimos anos. Chega­ mos ao ponto de passar como algo dado o “surgimento” de uma nova classe média, apenas existente nas planilhas de economistas domains­ tream, nas editorias de economia da mídia dominante e nas visões mercadológicas de publicitários. Brasileiros fazendo parte de famíli­ as com rendimentos acima de R$ 1.300,00 se viram, da noite para o dia, “promovidos” à almejada clas­ se média. O que objetivamente te­ mos experimentado é que, com os aumentos reais do valor do salário mínimo, o impacto desse reajuste na maior parte dos benefícios da Previdência – que hoje correspon­ dente ao valor do salário mínimo – e com a ampliação dos programas de transferência de renda aos mise­ ráveis, de fato, tivemos uma eleva­

"Para a saúde, é melhor fumar maconha!"

Foi o que eu ouvi, assus­ tado, de olhos esbugalhados, da boca do meu ex­sogro, o inesquecí­ vel doutor Garibaldi Machado, em sua residência, em Santo Ângelo, creio que em inícios de 1970. Na­ quele então, eu estudava História na UFRGS, envolvido na política acadêmica e extra­acadêmica, ca­ da vez mais reprimida pelo gover­ no militar. Após a refeição, comen­ távamos notícia dada pela grande imprensa sobre a pretensa desco­ berta em residência universitária, não sei se do Rio de Janeiro ou São Paulo, de “farto material sub­ versivo”, “revistas pornográficas” e “trouxinhas de maconha”. A mensa­ gem jornalística era direta – os es­ tudantes, além de “subversivos”, liam pornografia e eram “maconhei­

ros”. Pior, não podiam ser! Para a classe média de minha geração, jamais se pusera a questão de consumir ou não maco­ nha, vista como coisa de favelado e marginal, para não dizer mais. Apenas com a guerra do Vietnã e com “Easy Rider”, daquele mesmo ano, o velho baseado conheceria indiscutível promoção social entre a juventude nacional, sobretudo nos longos e pesados anos da paz policial que se impôs sobre a socie­ dade brasileira. Não fumávamos maconha, mas bebíamos nos fi­ nais de semana, sem qualquer re­ paro pelos mais velhos, quantidades impressionantes do péssimo whisky, rum, gim, cerveja então à nossa disposição. Momentos antes, sob o silêncio atento do doutor Garibaldi,

ção dos rendimentos dos mais pobres, da base da pirâmide popu­ lacional brasileira, diminuindo o es­ paço de diferença entre esses e os brasileiros de maior renda assalaria­ da, ou dependentes de rendimen­ tos do trabalho. Porém, podemos destacar, os ricos e super­ricos fi­ cam de fora dessa conta. Outra informação relevan­ te para esclarecer essa realidade pode ser obtida junto ao Dieese – Departamento Intersindical de Esta­ tística e Estudos Socioeconômicos. Esse órgão calcula mensalmente o valor que deveria corresponder ao

R$ 545,00. Esses valores nos dão a dimensão da distorção produzida para nos convencer sobre o supos­ to surgimento do que se chama de “nova classe média”. Na verdade, boa parte dos contemplados com esta nova designação possivelmen­ te sequer poderia estar sendo consi­ derada como pobre, ao menos sob os critérios do que poderíamos con­ siderar como o justo valor de um sa­ lário mínimo, digno desse nome. Reinaldo Gonçalves, pro­ fessor de economia da UFRJ, em recente estudo – Redução da Desi­ gualdade da Renda no Governo Lu­

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marginal na sua posição no ran­ king mundial dos países com maior grau de desigualdade, entre mea­ dos da última década do século XX e meados da primeira década do século XXI, saindo da 4ª posição da listamundial dos países mais desiguais para a 5ª posição. Por fim, por tudo isso, não é de se estranhar a informa­ ção divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvi­ mento (Pnud), com relação ao Índi­ ce de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011. Por esse cálculo, baseado em quatro critérios – es­ perança de vida, média de anos de escolaridade, anos de escolaridade esperados e renda nacional per ca­ pita –, o Brasil está em 84º lugar em uma lista de 187 países. No ano passado, estávamos na 73ª posição, entre 169 países. No âmbito da América Latina, o Brasil ocupa apenas o 20º lugar. Contudo, quando se incorpora a esse cálculo do IDH justamente o grau de desigualdade de renda, nosso país passa a ocupar apenas o 97º lugar, perdendo 13 posições.

salário mínimo, caso a cesta de consumo prevista para o seu atendi­ mento fosse respeitada – incluindo as despesas não somente com ali­ mentação, mas com habitação, transporte, saúde, lazer, entre ou­ tras, para uma família com dois adultos e duas crianças, de acordo com o decreto original de sua cria­ ção, em 1940. Por esse cálculo do salá­ rio mínimo necessário, o valor cor­ respondente deveria ser (agora, em outubro desse ano de 2011) de R$ 2.329,94. Este seria o valor – míni­ mo – para se assegurar a subsistên­ cia de uma família de quatro pessoas, o que implicaria uma ren­ da média familiar por pessoa de R$ 582,49. Valor, portanto, superior ao atual salário mínimo em vigor, de

começamos a discutir acalorada­ mente sobre o direito ou não ao consumo da maconha, contra o qual me levantei, peremptório. Um militante não podia e não devia bai­ xar a guarda e se expor às provo­ cações policiais e militares – propus creio que com plena razão. E para completar minha arrasado­ ra argumentação, fui mais longe. Lembrei o enorme mal que fazia para a saúde o consumo daquela droga. No momento preciso em que abandonava triunfante a pala­ vra e acendia com prazer mais um cigarro, sentado diante de mim, no outro extremo da mesa, o doutor Garibaldi abandonou seu silêncio reflexivo para bagunçar literalmen­ te meu coreto e registrar certamen­ te uma preocupação que era sua. – Maestri, se é questão de saúde, te recomendo fumar ma­ conha e deixar o cigarro! Bem para a saúde, certamente não faz, mas até hoje, em toda minha prática mé­ dica, jamais atendi alguém com

la – Análise Comparativa (junho/2011) –, coloca essa discus­ são em termos mais racionais e com o grau de seriedade que o as­ sunto merece. Entre as principais conclusões de seu trabalho, o pro­ fessor assinala que há tendência de queda da desigualdade da ren­ da no Brasil no Governo Lula. Entre­ tanto, a redução da desigualdade da renda é fenômeno praticamente generalizado na América Latina, no período 2003­08. Reinaldo lembra que, apesar desse avanço, Brasil., Honduras, Bolívia e Colômbia têm os mais elevados coeficientes de desigualdade na América Latina, que tem, na média, elevados coefi­ cientes de desigualdade pelos pa­ drões internacionais. Além disso, o Brasil experimenta melhora apenas

problema causado pela maconha. Quanto ao cigarro, se quiseres, va­ mos agora até a enfermaria do hos­ pital, onde diversos pacientes meus estão para morrer, devido ao cigarro. E para me espezinhar ainda mais, o doutor Garibaldi con­ cluiu: – Tenho um pobre paciente que enfia agora o cigarro no orifí­ cio da traqueotomia, sem conse­ guir abandonar o vício que o levará a morte em algumas semanas. Uma imagem terrível que me acom­ panha nesses já mais de quarenta anos, e me ajudou, bastante, a dei­ xar de fumar, alguns anos mais tar­ de, após enormes sacrifícios! Não me lembro se respondi ao pesado argumento, ou mudei de assunto, o que é bem mais possível. Médico do interior extre­ mamente conceituado, com am­ plas leituras e reflexões em ciências sociais, filosofia, literatura e direito, o velho, bom e solidário doutor Garibaldi primava por essas tiradas inusitadas, agudas e certei­

Fica clara, assim, mais uma vez, a construção ideológica, planejada e articulada, em curso no Brasil, por parte de governos, mídia dominan­ te, círculos acadêmicos e os parti­ dos da ordem. O objetivo é nos convencer sobre o suposto cami­ nho exitoso do modelo econômico dos bancos e das transnacionais. As reiteradas notícias e informa­ ções sobre a melhor distribuição de renda do Brasil têm a rigor ape­ nas uma meta: legitimar o modelo em curso, as políticas econômicas adotadas para a sua viabilização e a demonização de qualquer alter­ nativa que venha a ameaçar os grandes beneficiários da ordem atual. Paulo Passarinho é economista.

ras, pouco preocupadas com con­ venções e modismos. Certamente se estivés­ semos outra vez sentados naquela mesa, comentando as hipócritas justificativas da grande mídia e das autoridades públicas e univer­ sitárias sobre a invasão do cam­ pus da USP pela polícia militar, devido aos parcos baseados en­ contrados com três estudantes, certamente o saudoso doutor Gari­ baldi diria sem retenção: – Já que vão fazer essas violências com os meninos, deixem os baseados e retirem as carteiras de cigarro de­ les. Elas sim, matam! E concluiria, dialetica­ mente: – Mas o cigarro é um enor­ me negócio... Mário Maestri, 63, é historiador e professor do Cur­ so e do Programa de Pós­Gra­ duação em História da UPF. E­mail: maestri@via­rs.net


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Belo Horizonte, novembro de 2011

REFLEXÕES SOBRE A GREVE

Caros companheiros da Polícia Ci­ vil, Depois de quase 12 me­ ses de mobilização e quase 100 di­ as de greve, alternados em duas oportunidades, de maio a julho e do dia 4/11 a 1/12, podemos refletir que nas dezenas de reuniões e as­ sembleias gerais, se não saímos maiores, saímos mais fortes e nos­ sa luta mais reconhecida no contex­ to do serviço público e nas prioridades governamentais. A conquista de um reajus­ te, mesmo que parcelado, em cir­ cunstancias nas quais o governo alegava e relutava em não conce­ der, conseguimos mobilizar toda uma categoria por uma pauta que estava esquecida: valorização e mo­ dernização. Resgatamos bandeiras de dignidade e respeitabilidade de outros órgãos com relação ao nos­ so, que antes não eram considera­ das dentro de uma política imposta de integração entre as forças polici­ ais. Com a revogação da reso­ lução 148 conseguimos delimitar nosso espaço exclusivo de atua­ ção. Com a publicação do edita de concurso para Escrivães e Delega­ dos e o compromisso da realização de certame para Investigador, de­ monstrou­se a importância da voz de cobrança de um sindicato. a ela­ boração de um texto substitutivo de Lei Orgânica, com o apoio e con­ senso de outras entidades de clas­ se que representam os demais

seguimentos importantes da Polícia Civil, destaca a liderança e proativi­ dade de nosso sindicato. O “incomodo” administrati­ vo que causou a afixação de faixas e cartazes, demonstra que a verda­ de não pode ser escondida, mas sim denunciada e desnudada, co­ mo outros seguimentos do serviço público muito bem o fizeram, fazem e continuarão fazendo, como é o ca­ so dos trabalhadores do Tribunal de Justiça MG, em greve há mais 20 dias e o ato de afixarem carta­ zes alusivos a greve em todas as unidades do Estado, e principalmen­ te na sede do Poder Judiciário, não foi rechaçado pelos dirigentes do ór­ gão, que tampouco impediu que o atendimento a população continuas­ se a ser dispensado. Durante nossa mobiliza­ ção neste ano de 2011, no vácuo de nossa pauta, outras categorias se mobilizaram e também alcança­ ram parcialmente seus objetivos: PM, Saúde, Educação, Meio Ambi­ ente, Eletricitários, servidores da ALMG, servidores do MP, servido­ res do Judiciário. Porém, no soma­ tório das conquistas, tanto financeiras quanto institucionais, cremos termos dado um passo a frente, e ainda queremos e temos muito a percorrer. A greve é o maior e mais eficiente instrumento republicano de se reivindicar, pressionar e con­ quistar direitos omitidos ou nega­ dos, de uma categoria. De tão sagrado e legitimo que é, está pre­ visto no texto de nossa Carta Mag­ na, em seu art. 8º e 9º, não podendo o Poder Público nele inter­

A CURA REAL

____________________ Roberto Siqueira, por e­mail

Não trate apenas dos sintomas, tentando eliminá­los sem que a causa da enfermida­ de seja também extinta. A cura real somente acontece do interi­ or para o exterior. Sim, diga a seu médico que você tem dor no peito, mas diga também que sua dor é dor de tristeza, é dor de angústia.

Conte a seu médico que você tem azia, mas descu­ bra o motivo pelo qual você, com seu gênio, aumentam a produção de ácidos no estôma­ go. Relate que você tem diabe­ tes, no entanto, não se esqueça de dizer também que não está encontrando mais do­ çura em sua vida e que está muito difícil suportar o peso de suas frustrações. Mencione que você sofre de enxaqueca, toda­

ferir, salvo em caso de abuso. Po­ rém, esse direito que não pode ser suprimido, massacrado ou negado, também não deve ser banalizado, por isso é que somente a categoria pode definir a forma, o momento, a conveniência e a oportunidade de exercê­lo com liberdade e respon­ sabilidade. A direção do SIND­ POL/MG entende que no compito final, toda essa mobilização de 2011 foi positiva, não obstante os fatores alheios do cenário externo, que de certa forma interferiram nos resultados de nossas ações. Há ainda um longo caminho a percor­ rer. Com o envio do projeto para a ALMG no dia 18/12, urge uma ne­ cessidade de mobilizarmos muitos, de forma ainda mais organizada, acompanhando e participando ati­ vamente da tramitação e aprova­ ção dessa matéria na Casa Legislativa. Teremos ainda em 2012, ano eleitoral, grandes desafios no cenário nacional, onde travaremos uma batalha no Congresso junto às nossas Federações e Confedera­ ção, pela defesa radical de nossos direitos, como aposentadoria espe­ cial, Lei Orgânica nacional, dentre outros, que correm o risco de se­ rem alterados em nosso detrimen­ to. Neste ano de 2011 de­ mos apenas um passo, mas um passo firme, forte e decisivo para uma longa caminhada em 2012. A direção do SINDPOL/MG espera poder contar com você! A luta continua!

via confesse que padece com seu perfeccionismo, com a auto­ crítica, que é muito sensível à crítica alheia e demasiadamen­ te ansioso. Muitos querem se cu­ rar, mas poucos estão dispos­ tos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o cân­ cer do egoísmo. Não querem mudar de vida. Procuram a cu­ ra de um câncer, mas se recu­

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O SANTUÁRIO ESPERA POR VOCÊ ... VENHAM PARTICIPAR DO NOSSO CENTENÁRIO! _________________ Oscar Fernandes (Cacá) Lagoinha Viva!

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A igreja Nossa Senhora da Conceição, considerado marco do bairro da Lagoinha, inicia sua caminhada em rumo ao JUBILEU de 100 anos, que será celebrado no ano de 2014. No último dia 08 de novembro, a Igreja celebrou seus 97 anos de existência; consi­ derado o centro de referência espi­ ritual católica na Região da Lagoinha. Com uma bela história, o Santuário ao longo dos anos pas­ sou por inúmeras mudanças, em suas estruturas internas e exter­ nas, destacamos sempre os princí­ pios basilares de sua criação. Em 1991, o então Arcebispo e Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araujo proclamou a Igreja de Nossa Se­ nhora da Conceição da Lagoinha como Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição. A Associação dos Mora­ dores do Bairro Lagoinha e Adja­ centes – Lagoinha Viva ­ através do seu presidente Oscar Fernan­ des, nosso querido Cacá, fala de suas experiências vividas em su­ as atividades junto às Festas do Santuário, ressaltando a preocupa­ ção e cobrando a participação da Comunidade Paroquial junto à Igre­ ja. As festividades em hon­ ra a Virgem Imaculada iniciaram­ se no último dia 29 de novembro com as celebrações da Novena em preparação ao dia festivo. Du­ rante o período da novena contou com a participação das comunida­ des paroquiais e visitantes, que movimentaram o Santuário. A programação para o próximo dia 08 será iniciada a par­ tir das 05 horas da manhã, com a alvorada festiva, com toques de si­ nos e fogos. Durante o dia aconte­

sam a abrir mão de uma simples mágoa. Pretendem a desobstrução das artérias coro­ nárias, mas querem continuar com o peito fechado pelo ran­ cor e pela agressividade. Alme­ jam a cura de problemas oculares, todavia não retiram dos olhos a venda do criticismo e da maledicência. Pedem a so­ lução para a depressão, entre­ tanto, não abrem mão do orgulho ferido e do forte senti­ mento de decepção em relação a perdas experimentadas. Supli­ cam auxílio para os problemas de tireóide, mas não cuidam de suas frustrações e ressentimen­ tos, não levantam a voz para ex­ pressarem suas legítimas necessidades. Imploram a cura de um nódulo de mama, toda­ via, insistem em manter bloque­ ada a ternura e a afetividade por conta das feridas emocio­ nais do passado. Clamam pela intercessão divina, porém per­

cerá missa de duas em duas horas a partir das 06 horas da ma­ nhã. Estas missas serão celebra­ das pelo Pároco do Santuário. A missa solene de des­ taque durante o dia, será celebra­ da pelo Bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Wilson Luis Angotti Filho, responsável pelo Região Episco­ pal de Nossa Senhora da Concei­ ção, que será celebrada as 10 horas da manhã, acompanhado pela Corporação Musical de Nos­ sa Senhora da Conceição e pelo Coral da nossa querida Teresinha Brandão (filha do Sr. Manuelzi­ nho). A procissão com a Ima­ gem da Imaculada Conceição ini­ ciará após a missa das 18 horas, percorrendo as ruas Além Paraí­ ba, Turvo, Fagundes Valera, Pe­ dro Lessa, Formiga, Itapecerica e Adalberto Ferraz. Após a chegada da procissão acontecerá a benção à comunidade e aos participantes. A expectativa de público durante todo o dia 08 de dezem­ bro, que é feriado na Capital, está estimada em torno de 30.000 pes­ soas que passarão durante todo o dia pelo Santuário da Lagoinha. O presidente da Associ­ ação Lagoinha Viva juntamente os membros do Conselho Administra­ tivo e demais pessoas da Comuni­ dade, convidam a todos a participarem da Celebração em agradecimento a Nossa Senhora pelas bênçãos recebidas. O pedi­ do da coordenação da festa é que cada participante leve uma Rosa para Nossa Senhora, tais Rosas serão usadas no andor da ima­ gem. As doações de rosas deve­ rão ser entregues durante as missas da manhã no próprio San­ tuário. Maiores informações pe­ lo telefone do Santuário 3422­ 6966.

manecem surdos aos gritos de socorro que partem de pessoas muito próximas de si mesmos. Deus nos fala através de mil modos; a enfermidade é um deles e por certo, o princi­ pal recado que lhe chega da sabedoria divina é que está fal­ tando mais amor e harmonia em sua vida. Toda cura é sem­ pre uma autocura e o Evange­ lho de Jesus é a farmácia onde encontraremos os remédios que nos curam por dentro. Há dois mil anos esses remédios estão à nossa disposição. Quando nos decidiremos?


Belo Horizonte, novembro de 2011

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A NOVA BANCA DO IAPI

A antiga banca mudou­se para a Av. Antônio Carlos entre os edifícios 6 e 8.

Com novo visual, mais conforto e qualidade de produtos.

Apostilas, jornais, revistas, recargas de celular, balas, picolés a serviço de toda comunidade.

bancaiapi@gmail.com

3442­4396

Direção de Carlos e Vilma

Funcionamos todos os dias das 6 às 20 horas.

Faça­nos uma visita!


Todos querem ser rei

Belo Horizonte, novembro de 2011

Tostão

O jogo do Brasil contra o Gabão, em um horroroso gramado, um pântano, foi um desrespeito ao futebol brasileiro. Uma vergonha. Foi bom para a CBF, que faturou muito, e para o presidente do Gabão, que se divertiu com o poder. Neymar continua no Santos até 201 4. Não foi surpresa, por causa do Mundial no Brasil, da força do marketing, do momento econômico aqui e lá fora, do fato de ele ganhar aqui tanto ou mais do que na Europa, dos interesses do governo, da CBF, dos empresários, das televisões, do presidente do Santos um dirigente visionário - e, principalmente, pelo desejo de Neymar. Neymar gosta do Santos, da cidade, tem receio de não gostar de morar na Europa, quer ficar perto da família e também quer ser rei. Nada mais justo. Todos querem ser, pelo menos em algum momento. Os que di-

zem não querer sonham. No anúncio do "fico", estava escrito em sua camisa: "É bom ser rei". Ele já é no futebol brasileiro, sem chance de perder a coroa. No Real Madrid ou no Barcelona, correria risco de ser apenas um amigo do rei. Será bom para Neymar, para o Santos e para o futebol brasileiro. Fica apenas a dúvida se, no Real ou no Barcelona, ele, do ponto de vista apenas técnico, teria mais chances de evoluir. Penso que sim, sem ter certeza. O grande craque, o grande artista, em qualquer atividade, tem um compromisso com seu talento, com sua arte e com a busca da perfeição, mesmo sem nunca alcançá-la. Essa é a chama que Neymar não pode perder. É ela que faz um craque ter uma carreira longa e espetacular. A permanência de Neymar tem a ver com o entusiasmo que existe no país

e no futebol brasileiro. Parece até que foram resolvidos ou diminuíram bastante os graves problemas de violência, de saúde, de educação, de saneamento básico e de transporte. No IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é o mais importante, o Brasil está em 84º lugar, na 20ª posição da América Latina. Parece até que o Brasil é campeão do mundo, que tem vários jogadores entre os melhores do planeta e que o Brasileirão está repleto de craques. Confundem bom jogador com craque. A fortuna oferecida a Kleber, apenas um bom jogador, além de encrenqueiro, representa bem essa distorção. Os clubes fingem que estão ricos, e os bons jogadores, com a aprovação de parte da imprensa, fingem que são craques.

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2011 – O brasileirão que envergonhou Minas (II)

Flávio Domênico

É lamentável o que o torcedor mineiro passou no Campeonato Brasileiro de 2011. Um torneio, até certo ponto, equilibrado e cheio de possibilidades. Contudo, para Mi­ nas Gerais, não passou de uma edição ridícula e vergonhosa. Fim da competição: América rebaixa­ do, Atlético e Cruzeiro salvaram­ se, mas terminaram numa posição na qual ainda se sente o cheiro do rebaixamento. O América iniciou o Brasileirão vencendo sua primeira partida, ale­ grou o torcedor, mas o time volta­ ria a vencer novamente apenas na 15ª rodada. E assim, apesar de fa­ zer bons jogos, a segunda divisão chegou para o Coelho de forma rís­ pida e cruel. O Cruzeiro fez um primeiro tur­ no razoável, o Atlético ridículo. No segundo turno o Galo se encon­ trou e começou a tentar jogar co­ mo equipe. Já a Raposa se desmoronou durante o returno e amargou o fantasma do rebaixa­ mento até a última rodada. Não posso deixar de comentar o clássico final. Uma semana de tensão entre os jogadores, a torci­ da e a imprensa. Mas o último Cru­ zeiro x Atlético parecia um remake da final da Copa do Mundo de 1998. Naquela ocasião assistimos o Brasil perder de 3 x 0 para a França de forma estranha e vergo­ nhosa. Assim foi o tão esperado clássi­ co mineiro. O Cruzeiro entrando com tudo, vibrando e jogando com sua torcida contra o rebaixamento. O Atlético apático e totalmente per­

Twitter (@flaviodomenico)

dido em campo. O resultado histó­ rico de 6 x 1 para o time celeste é no mínimo curioso: um time joga­ va com menos três jogadores im­ portantes, risco de cair e goleou o outro praticamente que jogava com elenco titular e com força to­ tal. No domingo, às 21h20 um jor­ nal publicou que o presidente Ale­ xandre Kallil anunciou o cancelamento do prêmio de R$1 milhão que foi prometido aos joga­ dores pelo bizarro motivo de não terem deixado o Galo cair. Devido à vergonhosa derrota, perderam um prêmio que ganhariam por não disputar nada! Para próxima temporada espe­ ro que Galo, Raposa e Coelho aprendam de novo o que é jogar futebol. A nossa torcida agradece! Enfim, a vida segue! Desejo a todos os leitores e seus familiares um Feliz Natal! Vamos lembrar juntos que, o maior presente desta festa é o amor de Deus por nós na presença do Menino Jesus. Que o ano de 2012 seja repleto de ale­ gria, saúde e paz. Grande abraço e até o ano que vem! P.S.: Minha homenagem à uma pessoa muito querida que nos deixou neste domingo, minha cunhada Telma. Um exemplo de mãe, esposa, filha, irmã e amiga. Um exemplo de mulher. Deus esteja contigo e daí, juntinho ao Papai do Céu, reze por nós! Meu carinho à toda família, especialmente ao seu marido Anderson e à minha afilhada Ane Caroline.

Molecada mantendo a tradição da bola sob o comando do técnico Janderson Pereira Bento

Na primeira foto, com o uniforme preto e branco os garotos do sub­ 12 e abaixo, com uniforme preto e amarelo a turma do sub­18. Parabéns aos artilheiros do campeonato Cristóvão (sub­12) e Richard (sub­18). Faltou só a foto da turma do sub­15.

Indignado, Kalil condena 'desmobilização' do Galo e cancela bicho milionário

__________________________ Vicente Ribeiro ­ Superesportes

Depois da vexatória goleada sofrida para o Cruzeiro, por 6 a 1, nes­ te domingo, na Arena do Jacaré, no en­ cerramento do Campeonato Brasileiro, o Atlético foi duramente criticado pelo próprio presidente, Alexandre Kalil. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o mandatá­ rio condenou o comportamento apático dos jogadores e revelou que tinha re­ servado um ‘bicho’ milionário de um mi­ lhão de reais para o grupo, mas o pagamento foi imediatamente cancela­ do pelo dirigente. Alexandre Kalil disse que o grupo não manteve a mobilização para a partida final do campeonato, que po­ deria decretar o rebaixamento do Cru­ zeiro e garantir ao time alvinegro a

classificação para a Copa Sul­America­ na. O Galo acabou sofrendo uma humi­ lhação diante do maior rival e não cumpriu a última missão do ano. Mas o que deixou o presidente alvinegro indig­ nado foi a apatia da equipe no clássico. Kalil revelou que cancelou o pagamento de uma gratificação milioná­ ria que prometera ao grupo. “A torcida do Atlético não merece a vergonha que passou hoje (domingo). Eu cansei de prometer, de fazer. Eu tinha prometido um bicho de um milhão de reais, que está sendo cancelado. Eu dei o bicho e acabo de tomar”, disse o mandatário, que apontou um certo relaxamento do grupo depois de ter se livrado da amea­ ça de rebaixamento. “Fomos desmobilizados, fize­ mos festa durante a semana por ter­ mos saído do rebaixamento. Abandonamos o Campeonato Brasilei­

ro depois do jogo contra o Botafogo, quando saímos do rebaixamento. A tor­ cida do Atético pode brincar, falar, isso faz parte. Mas nós não. Tínhamos que estar mobilizados e agregados, saben­ do da importância da partida. O resul­ tado mostrou a vergonha da desmobilização do grupo do Atlético, e com a ciência da diretoria”, esbravejou. Polêmico, Alexandre Kalil sugeriu até mesmo uma ‘entrega’ dos jogadores para ajudar o arquirrival. “Dá a impressão, e até eu acho, que houve um acerto para entregar o jogo para o Cruzeiro, tamanha desmobilização e descompromisso. Eu me reuni com os jogadores e disse a eles que era o jogo mais importante da história do clube. Eu sou o mais envergonhado, não vou sair para a rua, pois tenho vergonha na cara”, afirmou.


Belo Horizonte, novembro de 2011

Confira aqui onde comer e beber bem nos restaurantes e bares da Lagoinha e regiรฃo!

Desejamos a todos um Feliz Natal e um Prรณspero Ano Novo

Temos linguiรงa caseira R$ 1 2,00 kg

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Belo Horizonte, novembro de 2011

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D e s e j a m o s a to d o s o s c l i e n te s e a m i g o s U M F E LI Z N ATAL E U M P RÓ S P E RO AN O N O VO !

PÃO DE QUEIJO DE LIQUIDIFICADOR INGREDIENTES

­ 3 xícaras (chá) de polvilho doce ­ 100g de queijo ralado ­ 3 ovos ­ 1/2 xícara (chá) de óleo ­ 1 xícara (chá) de leite ­ 1 colher (chá) de fermento em pó ­ sal a gosto MODO DE PREPARO

1. Bater tudo no liquidificador e por em forminhas untadas com óleo 2. Levar para assar

Gazeta da Lagoinha - Novembro 2011  

Jornal de apoio às iniciativas comunitárias do bairro Lagoinha - Belo Horizonte/MG