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Belo Horizonte, agosto de 2011

www.gazetadalagoinha.com.br

ANO IV - EDIÇÃO 54 - JORNAL DE APOIO ÀS INICIATIVAS COMUNITÁRIAS - BELO HORIZONTE, AGOSTO DE 2011 - Distribuição Gratuita

Os miseráveis do centro de BH. Pág.8


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"Só saio daqui para o Cemitério do Bonfim" um turco daqueles bens exigentes. Vou relatar um fato super engraçado: tinha apenas 12 anos quando minha saudosa mãe, a Sra. Anália Lopes da Cunha, pediu a esse turco um trabalho na Casa de Tecidos que ficava alguns metros do sobrado onde vivíamos. Certo dia Terezinha Lopes Alves – Moradora do Conj. IAPI – Ed. 04 desde 10/12/1955. Mais conhecida como Dona Tereza, uma jovem senhosuas grandes paixões: o Galo e o Conj. IAPI. Segredo da longevidade: Cozinhar com toucinho e rir muito. Só saio ra entrou na loja e de daqui para o Cemitério do Bonfim Meu nome é Terezinha Lopes imediato fui atendêAlves , viúva, mãe de 6 filhos, atleticala, perguntando: em que posso ajudar? na, do dia 26 de Março de 1932, nasciGostaria de ver o cetim para da em Abaeté –MG, moradora do Conj. o meu vestido de noiva, retirei a peça IAPI, Ed. 04 desde de 1955. para colocá-la sobre o balcão quando a Em 1944, com 12 anos, eu e mesma caiu e o tecido impecável foi se minha família deixamos nossa terra nadesenrolando prá fora da loja, o turco o tal, Abaeté – MG e mudamos para a Sr. Jorge, ficou desesperado e correndo Rua Bonfim Nº 06 – Praça Vaz de Melo atrás da peça de cetim, xingando co– Lagoinha – Belo Horizonte - MG. bras e lagartos até que a peça parou Lagoinha do Cine Paissandu em cima da linha do bonde. Fiquei muique além dos filmes e do ringue de luta lita nervosa e sem graça com medo de vre, era o lugar chique do sábado á noiperder o emprego. Pedi desculpas para te, da missa dominical na Igreja Nossa a noiva e para o Sr. Jorge que apesar Senhora da Conceição e da feira livre, do jeito sisudo e exigente tinha um bom resta muito pouco da Praça Vaz de Melo coração, tempos depois pedi pra sair de e esse pouco está preservado na janela lá e fui trabalhar na fábrica de Calçados em veneziana pintada de azul já desbotaBallesteros, onde permaneci por nove do no sobrado onde morei, todas as veanos e depois por mais 20 anos na fábrizes que vou ao cento da cidade olho cas de Calçados Della Croce e San Mapara o alto e vejo a mesma janela, bate rino até me aposentar. Foram tantas muita saudade! histórias, tantas emoções vividas, desTempos bons aqueles! Um gostos e dificuldades e que ficaria grandos meus irmãos, o José Vitoriano da Cude demais para ser publicada, mas que nha, trabalhava no Café Pateque e eu com certeza viveria tudo outra vez. Rena Casa de Tecidos Novo Horizonte de dação: Wanderson L. Alves – Dé (filho)


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Um futuro melhor para a Lagoinha! Por Fabiana de Carvalho Ferreiram proprietรกria do Restaurante Leve Sabor


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Os miseráveis e os pobres do centro de BH

Antônio de Pádua Galvão Economista e Psicanalista www.galvaoconsultoria.com.br (31) 9956-9161

O Centro de BH é o coração da cidade. É território essencial, ponto de travessia, instância de repouso e estação de trabalho. Não me canso de me encantar com as descobertas diárias, quando vejo a cada tempo um novo fragmento desta bela paisagem urbana. No centro é onde tudo principia. O início é a centralidade que irradiou para as bordas. Aqui vejo o movimento das coisas e das pessoas. Hoje quero descortinar a presença anônima e silenciosa que repousa nas esquinas, nos cantos e na beirada da vida. Quero ensaiar e descortinar o flagelo da miséria, pobreza e alienação. Há vários dias vem pulsando esta inquietação dentro de mim. Escuto os mendigos e os loucos pela vida afora. Fico pensando como eles se alimentam, tomam banho, trocam de roupa, dormem e fazem suas necessidades mais básicas. Como vivem os miseráveis de Belo Horizonte, que surgem como andarilhos esfarrapados ou zumbis de nossas vielas e ruas? Eles refletem uma parte doentia de nossa sociedade e da alma humana. O relento é a sua morada, os murmúrios do seu inconsciente, sua companhia. O silêncio é a condenação pelo anonimato. Queremos dar feição e afeição para estes degredados de um capitalismo brutal, competitivo, excludente e discriminatório. Quem não se lembra do senhor puxando um carrinho repleto de acessórios de cozinha e apetrechos? Ou do famoso Raulzito com seu fiel cachorro e sua viola sem corda, que outrora fora filiado a partido político e disputou eleição para vereador? Ou do gordão moreno da Lagoinha, apelidado de homem-rato, que fica seminu deitado no chão frio, somente de cueca? E tem ainda a mulher com seu vestido colorido e caminhado com sua altivez, como uma dama das camélias ou das passarelas da cidade. Quem não se lembra do velhinho e a velhinha do bairro da Serra que com dignidade recolhe cada tostão junto aos motoristas quando o sinal fecha? O senhor negro sentado no chão ao lado da cadeira de rodas com a mão para o alto pede esmola com a dignidade que impõe seu sacrifício de viver, bem ao lado do Othon Hotel. Tem ainda o senhor Israel que em sua cadeira de rodas, ao lado da Matriz da Boa Viagem e em frente ao Palácio da Justiça na rua Goiás, ergue sua mão pedindo justiça divina e moedas para sua subsistência. Quem não se lembra das senhoras e senhores pedintes da igreja São José e capela São Antônio? Ou ainda da senhora cega que com seu violão de uma corda só, que toca baixinho para

gritar pela sua dignidade sentada ali na Av. Afonso Pena deste do tempo da Inglesa Levi? E o senhor corcunda que fixa seus olhos no chão pelo peso do tempo e espera calmamente uns trocados para tocar a vida, ficando de frente do Instituto de Educação? Quem não se lembra do mendigo alcoólatra que ficava sentando no chão, se arrastando entre as ruas da Bahia e Carijós e amanheceu morto nos idos da década de 90? Recordo-me que por volta de 1975, jogando bola com meus amigos, a aparição repentina de uma mulher em extremo estado de pobreza e enlouquecida, gritava, xingava e levantava o vestido mostrando sua intimidade. O primeiro mendigo que lembro foi seu Brasilina, que enchia um carrinho de trecos, papéis, latas e saia rodando pela cidade. E o moreno Lelei que continua andando pela cidade, com sua calça surrada, o fecho aberto e cabelo desarrumado parecendo um hippie fora do seu tempo? Quem não se lembra do palhaço com seu nariz vermelho que entra no ônibus e faz seu anúncio de pedinte, dizendo que tem HIV? Quem não se recorda dos meninos de rua que embarcam no ônibus proclamando “Não estou aqui pra matar, nem pra roubar. Estou pedindo uma ajuda”? Na era dos bancos, durante a hiperinflação, nos indos da década de 90, no perímetro da Carijós com Espírito Santo, havia várias agências. Lembro nitidamente que num percurso de dois quarteirões ficavam aproximadamente quinze meninos e meninas de rua deitados no chão frio das calçadas. Que angústia aquilo que causava. Como podem no centro financeiro da capital, a riqueza circulando e gente sofrendo abandonada no relento? Ainda hoje vejo a movimentação dos mendigos, alcoólatras e drogados debaixo dos viadutos de Santa Tereza e nas mediações da Praça da Estação. Fiquei sabendo do caso do falso mendigo que ficava com a perna enrolada com panos manchados de vermelho. Passarem-se anos e ele permaneceu sentado, fazendo seu apelo e recolhendo alguns tostões. Até que um dia um homem caridoso quis ajudar cuidando das feridas e se deparou com um pedaço de bife enrolado na perna. Uma vergonha para a classe dos mendigos que pedem esmola honestamente. Até na mendicância aparece gente trapaceira. Afinal quem não tem uma história para contar sobre os abandonados a própria sorte, maltrapilhos e peregrinos na cidade? Quem de nós benevolentes passa por um pedinte e não sente um impulso de quer doar uma moeda para alimentar o desamparo? Fico meditando que tal-

Na célebre trama de Victor Hugo, Os Miseráveis, Jean Valjean, um pobre campesino, passa dezenove anos na prisão por ter furtado um pão quando perecia de fome durante o rigor do inverno. Ao se libertar, encontra todas as portas fechadas. Ilustração de Gustave Brion para o original "Os miseráveis" de Victor Hugo.

vez exista dentro de todos nós um mendigo, que faminto estende as mãos e pede uma lasca de apreço e uma moeda simbólica para aplacar a fome de afeto. Aqueles deserdados que rastejam na indigência e em cadeiras de rodas refletem uma parte obscura da nossa sociedade e do nosso ser. Nós não aceitamos esta condição de penúria e trabalhamos para não cair nesta agonia. Muitos de nós passamos a vida pedindo. Pedindo um pouco de tudo, moeda, pão, cobertor e olhar. São carências fundadas no abandono da infância. Na pobreza existe uma fina e crua verdade. Ninguém nasce pobre. Nascemos do sopro divino e pela a força da natureza. Existe um traço de afirmação e dignidade na pobreza. Saber pedir revela a condição de precariedade e a humanidade do despojamento. Na pobreza existe altivez para suportar a carga penosa da privação de bens. Para dar é preciso saber pedir. Ontem neguei uma esmola pela pressa da vida atribulada. Não gosto da ideia de dar esmola. Parece que ofende. Prefiro oferecer meus trocados, minhas moedas para a construção de uma capela, creche ou asilo. Não consigo viver com tanta desigualdade, dói em mim a indigência. Sinto-me ferido ao sentir a desigualdade e a indiferença excludentes. Muitos de nós passamos a vida mendigando uma moeda de atenção daqueles que mais amamos. Quem não passou por isto que atire a primeira moeda. Quem já não agonizou de esperança, na expectativa de um pouquinho de afeto? A nossa pobreza e indignidade é a nossa vergonha social. Nossos miseráveis são reflexos da nossa agonia e indiferença coleti-

Segundo semestre cheio de boas novidades Começamos o segundo semestre com boas notícias para toda comunidade! Fui convidado pela Prefeitura de Belo Horizonte para fazer parte do projeto Oficina de Planejamento Participativo e Regionalizado Ciclo A. O objetivo desta ação é sensibilizar e apresentar a proposta do processo de planejamento participativo regionalizado. Iremos através deste novo ciclo de participação comunitária discutir e aprovar projetos que irão trazer melhorias para nossa região. Ou seja: teremos uma voz ativa representando a comunidade e toda região da Lagoinha junto às autoridades municipais. Assim, estou aberto a propostas e sugestões que podem ser enviadas para meu email ( ca-junior@bol.com.br ). Sobre a pintura do IAPI é bom ressaltar que ela já contempla o maior edifício do nosso conjunto: o dez! Contudo, vale ressaltar que, algumas pessoas têm tentado de forma irresponsável atrapalhar não só a pintura, mas, toda a revitalização do conjunto IAPI, bem como próprio fechamento que está em andamento junto à prefeitura. Afirmo mais uma vez meu compromisso com todos os moradores do IAPI. Mesmo diante desta negatividade de minorias, daremos continuidade e lutaremos para finalizar a obra conforme apresentado pa-

vas. Aos pobres o açoite da indiferença. O assombro da vida lançada no piso frio da calçada. A miséria é um estado da República empobrecida. A miséria é um estado de alma e espírito. Errante, perdida e faminta de oportunidades. Todos nós somos portadores do mistério da pobreza. Nossos mendigos internos são agonizantes. Ninguém vive assim porque quer. Seus mecanismos inconscientes, a desestruturação familiar e a perversão social atuam de forma poderosa. No íntimo do ser miserável existe uma riqueza. Diamante bruto que precisa ser arrancado do fundo desta caverna escura, encarcerada de sujeira, vergonha e depressão. Incline seu olhar aos pedintes. Olhe para baixo e que busque a mão ansiosa pelo desejo da acolhida ou do pulso forte para soerguer. Escondido no meio-fio da vida fica deitado um talento adormecido pelas chagas. Diz o mendigo: “Não sou troço ou coisa. Sou gente faminta. Sou gente carente de coisas e sobras”. Quem não se lembra de um olhar pelas ruas aguardando no silêncio profundo um pedaço de pão, um prato de sopa, um café

ra todos os moradores. Pedimos que os moradores nos ajudem e participem ativamente conosco para que seja finalizada toda a obra e na certeza que outras excelentes melhorias virão por aí. Termino minha coluna mostrando que trabalho e honestidade geram frutos: iremos mobilizar toda comunidade para instalação de duas passarelas em nosso bairro. Uma em frente ao Conjunto IAPI, na rua Araribá; outra em frente ao mercado da Lagoinha. Com certeza essas duas passarelas irão trazer mais segurança para todas as famílias que frequentam nossa região! Vamos mobilizar moradores, igrejas e comércios locais para a viabilização desta passarela. A boa notícia é que o processo já começou! Termino artigo com outra novidade: até dezembro estaremos com o Supermercado BH instalado na av. Araribá na esquina com Antônio Carlos. Mais uma vitória da nossa luta como liderança comunitária! Conto sempre com o apoio de todos para transformar a Lagoinha num lugar cada vez melhor para se morar. Até a próxima!

Acesse nosso blog: iapibh.blogspot.com ou e-mail.: ca-junior@bol.com.br

com leite, um cobertor, mas, sobretudo, o olhar amoroso que ainda não veio na noite escura, para iluminar minha alma? Já fui pobre, vivi na pobreza. Senti tanta vergonha de não ter as coisas, que me encolhi em mim mesmo. Vim de família de aposentados morando no fundo. No fundo de aposentadoria, com quatro cômodos. A pobreza adoece o psiquismo. Sofremos silenciosamente de pobreza. Desenvolvemos fina melancolia ao ver o mundo neste estado de mal estar. Tudo enraíza profundamente no interior. Nada se perde no inconsciente. Cada naco de palavra, cada imagem da miséria e cada tostão furado. Tudo tem registro na alma. Por fim, achei dentro de mim a riqueza adormecida no silêncio e a palavra revelou o mais nobre tesouro para a vida. Aprendi que saramos de miséria com a mão do outro, com oportunidades e, sobretudo, com o companheirismo, solidariedade e compaixão. Até logo meu amigo pobre. Até breve, companheiro de fortuna e infortúnio. Fique nas mãos da divindade, tesouro da esperança.


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Companheiros Betão, Carlão (in memorian) Ricardão, Epifânio e Wilsão. Rio Paracatu, setembro de 1989.

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Cristiane Borges

(com informações da revista Época, de 22/08/11)


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POSICIONAMENTO DO SINDPOL/MG PERANTE A ILEGALIDADE DA RESOLUÇÃO CONJUNTA Nº 148, DE 30 DE AGOSTO DE 2011.

____________________________ Assessoria de Comunicação do SINDPOL/MG

O SINDPOL/MG, Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais, reprova de forma veemente a Resolução Conjunta 148, que é flagrantemente ilegal e inconstitucional, além de ser inadequada e antijurídica. Não é surpresa para o SINDPOL/MG que, mais uma vez, o Governo tente implantar à fórceps usurpação de função investigativa da Polícia Civil para a Polícia Militar com a publicação da Resolução Conjunta 148/2011. No passado foi com o Decreto 45.265/09 de iniciativa do então Secretário Maurício Campos Júnior, que conferia prerrogativas típicas da Polícia Judiciária para a PMMG e outros órgãos da Seds, iniciativa esta que foi sepultada após ADIN proposta pelo SINDPOL/MG naquela ocasião. A aludida resolução é frontalmente inconstitucional, pois transfere para pessoa inabilitada em direito, e sem legitimação ou competência legal, o ato de dizer o autuar, liberar ou não alguém que tenha praticado ou sido vítima de delito, haja vista que ela não se refere nem mesmo aos crimes de menor potencial ofensivo, aqueles passíveis de TCO, mas permite que os milicianos impeçam a lavratura do APFD nos casos de penas privativas de liberdade que não exceda 4 anos, ou seja, os casos em que seja cabível o arbitramento de fiança, usurpando funções dos Delegados e Juízes de Direito, e restringindo a atuação dos Delegados de Polícia apenas à lavratura de APFD nos casos em que não pode arbitrar fiança. A indigitada Resolução tenta revogar a Constituição Federal e o Código de Processo Penal, ao legislar em matéria processual penal e acabar com o instituto da fiança arbitrada pelo Delegado de Polícia, transferindo uma atribuição legal referente à competência institucional da análise jurídica e de tipificação do delito, à policia militar, que tem que se ater à prevenção do crime, e a preservação da or-

VALE A PENA VER DE NOVO Embora a obra de duplicação da avenida Antônio Carlos seja dada como concluída, há lugar como a esquina da rua Dimantina com a rua Borba Gato que é uma desordem consequente da obra: onde havia um imóvel é hoje uma "quebrada" que ainda preserva restos de tijolos, serve como esconderijo, banheiro, bota-fora e lugar de proliferação de ratos e baratas. Este descaso é um risco para a saúde pública e para a segurança da comunidade. (Redação e foto: Cristiane Borges)

dem pública.. Ademais, o artigo 308 do Código de Processo Penal apregoa que assim que um cidadão infrator for preso, ele deve ser apresentado imediatamente à Autoridade Policial, o Delegado de Polícia, que estiver mais próximo. Art. 308 . “Não havendo autoridade no lugar em que tiver efetuado a prisão, o preso será logo apresentado à do lugar mais próximo”. Assim, haja vista a flagrante ilegalidade da Resolução, o SINDPOL orienta a todos os Policiais Civis em especial aos colegas Delegados de Polícia, que acaso os milicianos cumpram essa Resolução, que os responsabilizem na forma da Lei, seja nas iras do art. 319 ou 351 do Código Penal, assim como entender e fundamentar, POIS ORDEM MANIFESTAMENTE ILEGAL NÃO DEVE SER CUMPRIDA. Lado outro, o SINDPOL estará se articulando para que seja revogada administrativamente e juridicamente com a interposição das medidas judiciais adequadas para anular essa aberração jurídica, além de denunciar à TODA imprensa os riscos sociais inerentes a sua aplicação. Por último, esclarecemos à Sociedade e ao Governo que o problema de efetivo da Polícia Civil só se resolve é com um redimensionamento dos nossos quadros, acompanhando o crescimento vegetativo da população (pois a PCMG temo mesmo efetivo dos anos 80), com concurso público e salários dignos, e não transferindo nossas atribuições de maneira ilegal para a polícia militar de forma improvisada, a fórceps, como vem tentando fazer sistematicamente e desde o início do governo Aécio Neves. O sucateamento da PCMG, promovido pelo atual governo, é proposital e doloso, e as suas sequelas já estão sendo sentidas por toda a sociedade, com o aumento epidêmico dos índices de criminalidade violenta em todo o estado. O problema da segurança pública de Minas Gerais é de gestão, investimento e competência.

SINDPOL/MG entra com ação no TJMG contra a Resolução Conjunta nº148. Na tarde desta sexta-feira 02 de setembro, a Direção do SINDPOL/MG protocolizou junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, uma ação direta de inconstitucionalidade questionando a Resolução Conjunta Nº 148 de 30 de agosto de 2011. Apenas para relembrar, citada resolução conjunta é frontalmente inconstitucional, pois transfere para pessoas inabilitadas em Direito e sem legitimação ou competência legal o ato de dizer o autuar, ou seja, liberar ou não alguém tenha praticado ou sido vítima de um delito, atribuição essa exclusiva da Polícia Judiciária. Diante disso a Direção do SINDPOL/MG esclarece a toda à sociedade mineira que o problema de efetivo da Polícia Civil somente se resolve com redimensionamento de seus quadros com a realização imediata de concurso público (pelo menos as mesmas 5 mil vagas que o Governador autorizou para a PMMG), pois a corporação encontra-se com o mesmo efetivo dos anos 80. Assim, apenas com concurso público, salários dignos e condições adequadas de trabalho que citada situação poderá ser resolvida e não transferindo de maneira ilegal e inconstitucional as atribuições da Polícia Judiciária para outras forças policiais como vem acontecendo. A Direção do SINDPOL/MG ainda salienta que já contactou a Direção da COBRAPOL ( Confederação Brasileira dos Servidores Policiais Civis), para que também em âmbito nacional tome todas as providências judiciais e administrativas cabíveis ao seu cargo, principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal, Ministério da Justiça, e Conselho Nacional de Segurança Pública um vez que tal improviso mineiro não deve prosperar por ser nocivo ao interesse da segurança pública em âmbito nacional.


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Gazeta da Lagoinha - Agosto 2011  

Jornal de apoio às iniciativas comunitárias do Bairro Lagoinha - Agosto 2011