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Fevereiro de 2012 • Edição nº2

Carros estacionados ao longo da rodovia estão sendo multados. Trechos de Maresias e Boiçucanga são os mais atingidos.

Helton Romano

Proibido estacionar

Fila de carros estacionados em Maresias: sujeitos à multa

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Fim das sacolas Maior supermercado da região retira sacolas plásticas dos caixas. Decisão divide opiniões dos consumidores.

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Folia de Momo Confira como estão os preparativos dos blocos de rua da Costa Sul e a programação completa do Carnaval 2012.

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Ricardo Faustino/PMSS

Concurso público: o sonho da estabilidade

Turistas aproveitam último sábado de janeiro na praia de Cambury

Prefeitura abre concurso para 118 vagas e milhares de pessoas sonham com os benefícios e a estabilidade do serviço público. Inscrições vão até o dia 17 e podem ser feitas, somente, de forma presen-

cial. Salários variam de R$ 700 a R$ 6 mil. Servidores entrevistados pela Gazeta da Costa lembram como entraram na Prefeitura, numa época em que a concorrência e a exigência eram menores. A reportagem aborda também o lado negativo do setor: trabalhar num ambiente político expõe, muitas vezes, o funcionário a perseguições das mais baixas. Pág. 3

Computadores desativados

Propaganda enganosa

Temporada fraca

Alunos do Sertão de Cambury não podem utilizar laboratório de informática. Rede elétrica não suporta consumo de energia e problema está há quase um ano sem solução.

Prefeitura divulga abastecimento semanal no Lobo Guará, mas caixa d’água ficou 3 meses vazia. Ruas precárias impedem acesso de caminhão de lixo, conforme prometido.

Proprietários e gerentes de hotéis e pousadas da Costa Sul fazem balanço da temporada. Para a maioria deles, o movimento ficou abaixo do esperado.

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Sobrevivemos

P

ara satisfação de muitos e desespero de alguns, a Gazeta da Costa sobreviveu às pressões sofridas e lança sua segunda edição com o apoio popular. Sinceramente, não imaginava que o jornal causaria tamanha repercussão. Foram diversas as manifestações de incentivo, parabenizando pelas matérias publicadas na primeira edição, que nos encheram de orgulho e mostraram que estamos no caminho certo. Leitores que, espontaneamente, me procuraram, seja pessoalmente ou pela Internet, para elogiar o conteúdo e sugerir novas pautas. Com muito esforço, conseguimos atingir nosso público alvo realizando uma distribuição estratégica nos bairros de Boiçucanga, Cambury, Maresias, Juquehy, Barra do Una e Barra do Sahy. Por outro lado, um jornal que se propõe a mostrar a realidade provoca a reação natural de pessoas ligadas à Prefeitura. E olha que das 16 páginas, apenas 5 faziam algum tipo de cobrança. Sendo assim, passei a ouvir recomendações de cuidado e ameaças. Presenciei até mesmo

uma cena bizarra de um chefe de divisão arrancando o jornal da mão de um leitor e jogando-o na churrasqueira. Mal sabia ele que ainda havia 2.999 unidades espalhadas pelas ruas. Deixo aqui minha solidariedade ao amigo João Paulo Carrilho, que saiu da direção do jornal por não se sentir à vontade para continuar com o projeto que ele próprio idealizou. É que, depois do lançamento do jornal, a Defesa Civil começou a visitar sua casa e ameaçar de embargo a obra. Pura coincidência. E é com a franqueza demonstrada neste editorial que pretendemos seguir com a Gazeta da Costa. Acreditando que a região da Costa Sul mereça ter um veículo de comunicação que possa servir como instrumento de cobrança às autoridades, além de valorizar os eventos e personagens dos bairros. Finalizo lembrando uma frase que disse a um diretor da Prefeitura: a parceria da Gazeta da Costa é com o povo! Helton Romano jornalista e editor responsável da Gazeta da Costa

Memória Caiçara

Resgate das tradições Nós, do Hotel Pousada Cavalo Marinho de Boiçucanga, viemos por meio deste e-mail agradecer e elogiar as ricas matérias feitas na primeira edição da Gazeta da Costa. O sr. José Carlos, proprietário da pousada, conhece Boiçucanga há 34 anos, fixando comércio devido ao encantamento do lugar, e pôde pessoalmente conhecer alguns dos saudosos citados no jornal, ficando muito emocionado com o resgate das tradições locais e com a lembrança dos antigos moradores, que tanto nos deixam saudades. É muito bom ler boas matérias. Esperamos que isso também seja um incentivo para dizer que estão fazendo a coisa certa. Parabéns pelo trabalho e muito sucesso! Hotel Pousada Cavalo Marinho Este é o espaço para você publicar sua opinião, crítica ou sugestão. Envie sua mensagem para a próxima edição: gazetadacosta@bol.com.br

Agenda Fevereiro 13 - Início das aulas nas escolas municipais 16 - Troféu de Canoagem (Mangue do Araçá) 17

- Término da inscrição para concurso público

19 - Banho da Dorotéia (Boiçucanga) 22 - Início das inscrições para oficinas culturais 25

- 1º Encontro Gospel de Verão (Local: Areião, a partir das 20h)

25 e 26 - Etapa de Futvôlei (Maresias) Praia de Camburizinho, não se sabe exatamente o ano. Antigamente, era muito comum acampar nas praias da Costa Sul. Essa prática passou a ser proibida a partir de uma lei municipal criada em 1992. Foto cedida por Leandro Inacio.

O Jornal Gazeta da Costa é uma publicação mensal de distribuição gratuita e abrangência em toda a Costa Sul de São Sebastião. Jornalista responsável: Helton Romano - MTB 48.099 Contato publicitário: Eudes Matos E-mail: gazetadacosta@bol.com.br CNPJ: 14.460.181/0001-43 Tiragem: 3 mil exemplares

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Datas Comemorativas 14 - Dia da Amizade 16 - Dia do Repórter 21 - Carnaval 22 - Cinzas 23 - Dia do Rotaryano 27 - Dia dos Idosos Gazeta da Costa


Concurso: o sonho da estabilidade Milhares de candidatos se preparam para disputar uma das 118 vagas abertas na Prefeitura

Bom salário, direito a benefícios e a segurança de não poder ser demitido sem justa causa. Esse é o sonho de todo trabalhador e o que atrai, cada vez mais pessoas, para o serviço público. Em São Sebastião, mais de 2 mil candidatos já se inscreveram para o concurso da Prefeitura. A professora Edina Santos da Silva, 51 anos, foi uma delas. “Leciono na rede estadual para alunos do ensino médio, mas queria mudar para pegar os pequenos”, justificou Edina, que dá aulas na Escola Sebastiana Bi�encourt, em Barra do Una. O pedreiro Antonio Cardoso, 49 anos, vai concorrer ao cargo de braçal. Atualmente, ele trabalha como balconista em um bar, mas reclama de não ter horário certo para sair. “Prefiro um emprego com horário fixo de expediente”, diz Cardoso, morador de Juquehy. Para Francisco Gomes de Melo, 47 anos, do bairro de Maresias, o concurso é a chance de permanecer na Prefeitura. Ele já ocupa um cargo comissionado, que não possui a mesma estabilidade do efetivo. “É a melhor opção de emprego na região”, define Melo, inscrito para

Ricardo Faustino/PMSS

Outros tempos

Servidores recuperam passarela em Juquehy

o cargo de servente de obras. “São poucas vagas para muita gente. Vou tentar, mas sei que é difícil”, completou. Este será o primeiro concurso de Joseandro Moreira, 28 anos, de Boiçucanga. Ele está desempregado desde que saiu da pousada onde trabalhava como vigia. Agora, Moreira busca um emprego que lhe dê estabilidade. “Na Prefeitura, o funcionário não é mandado embora. Tomara que dê certo”, comenta o candidato ao cargo de braçal.

Nem tudo são flores

Arquivo pessoal

Para Pádua, não há duvidas: os processos têm motivação política. “Por não concordar com atitudes do prefeito e do filho vereador, estou sendo perseguido”, acredita. Outro caso que chamou a atenção aconteceu em 2009, quando quatro professoras tiveram que responder a um processo administrativo. Elas teriam dado declarações à imprensa sobre a proibição dos professores se alimentarem da merenda.

Guarda civil: emprego ameaçado

Gazeta da Costa

Quando Julio dos Passos, 40 anos, prestou concurso para entrar na Prefeitura, em 1996, haviam quatro vagas para, apenas, dez inscritos no cargo de eletricista. “A concorrência era pequena e a não tinha tanta exigência de escolaridade”, declara. A prova trazia questões básicas de português e de conhecimentos gerais. “Qual clube havia sido campeão brasileiro no ano anterior foi uma das perguntas”, recorda Passos. O carpinteiro Antonio Carlos Bueno, 43 anos, trabalhava como garçom quando soube do concurso de 96. “Naquela época as pessoas não tinham interesse em trabalhar na Prefeitura, o salário não era tão bom. Eu mesmo nunca tive essa pretensão. Mas como garçom, já não estava mais compensando. Então, decidi fazer o concurso”, conta Bueno.

Desorganização

O prefeito não gostou da matéria e acusou as professoras de “não cumprir com o dever de lealdade à instituição que serve, configurando-se, isto, infração no Estatuto do Servidor”. Mais recentemente, um funcionário conseguiu ser reintegrado ao quadro da Prefeitura após uma ação judicial movida pelo sindicato da categoria. Ele havia sido demitido, no governo passado, sob acusação de faltas não justificadas. “Provamos que o funcionário teve atrasos, não faltas, por fazer parte da comissão de prevenção a acidentes. Na verdade, a gente acredita que a demissão aconteceu de forma política”, afirma o presidente do sindicato, Ivan Moreira. Ele aponta também condições inadequadas em diversos ambientes de trabalho. “A falta de estrutura muitas vezes dificulta a produtividade do servidor”, entende. Sobre o concurso, Moreira avalia que o número de vagas oferecidas ficou abaixo do esperado. “Não atende as necessidades do município e as reivindicações do sindicato. Temos muitos cargos ocupados por terceirizados que poderiam ser preenchidos por efetivos”, considera.

Helton Romano

Ser funcionário público tem uma série de benefícios, mas também há situações delicadas que colocam o servidor na mira de políticos. O guarda civil Renato de Pádua (foto) sabe bem disso. Ele está respondendo a três processos internos que podem ocasionar a sua exoneração. Em um deles, instaurado em setembro, Pádua foi acusado de não respeitar ordem superior. Três meses depois, a Justiça determinou a suspensão do processo por entender que o guarda agiu de forma correta.

As inscrições vão até o dia 17 e podem ser feitas na Regional Boiçucanga ou no Teatro Municipal. Há vagas para todos os níveis de escolaridade e a taxa de inscrição varia de R$ 27 a R$ 55, dependendo do cargo.

Fila para inscrição no concurso público

Candidatos que optaram em preencher o cadastro no primeiro dia de inscrições já tiveram que encarar a primeira prova: a da resistência. “Estou há mais de 5 horas na fila e ninguém aparece para dar uma satisfação”, reclamou o professor Ricardo de Souza, 29 anos, enquanto aguardava na entrada do teatro, único ponto de inscrição para quem mora na região central ou Costa Norte. Por volta das 17h, apenas três funcionários, com dois notebooks e uma impressora, atendiam os candidatos. No mesmo dia, uma audiência pública estava programada para o local, o que impediu que as pessoas pudessem ser atendidas no interior do teatro. “Achei ótimo não abrirem as inscrições pela Internet para proteger os moradores locais. Mas deveria ser mais organizado”, opinou a professora Carla Aguiar, 27 anos.

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Opiniões divididas Fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas no principal supermercado da Costa Sul divide consumidores O supermercado Extra retirou as sacolas plásticas que ficavam à disposição dos clientes nos caixas. Agora, o consumidor pode optar em adquirir sacolas retornáveis. A mais simples custa R$ 1,90, enquanto a outra, mais resistente, é vendida por R$ 4,90.

A Gazeta da Costa foi à unidade do Extra, em Boiçucanga, ouvir a opinião dos clientes sobre a nova medida. A empresária Gisele Ardanuy, 53 anos, aprovou. “Vai fazer falta para o lixinho do banheiro, mas é certo para preservar o planeta”, acredita. Para o recepcionista Leandro de Souza, 25 anos, “é a melhor coisa que fizeram”. O pedreiro Marcos França, 56 anos, classificou a medida como “uma excelente ideia”. “Evita que as pessoas joguem no meio da rua e que

para lidar com a imprensa.

Houve, também, quem reclamasse. “Achei uma afronta ao consumidor”, comentou a professora Valderis Lisos, 52 anos. Para a aposentada Sirlei Albuquerque, 74 anos, o preço da sacola retornável é “caro para quem ganha um salário mínimo”. Na opinião da secretária Márcia Serra, 32 anos, a justificativa de preservar o meio ambiente não cola. “Vamos ter que comprar saco de lixo do mesmo jeito”, afirma.

Já no supermercado Garça, em Cambury, as sacolas plásticas não foram abolidas, pelo menos, por enquanto. Segundo o subgerente Marcos Antonio da Conceição, o Garça também vai aderir à campanha, mas ainda não havia data prevista.

A reportagem tentou ainda ouvir o gerente da loja, identificado apenas como Evaldo. Mas ele se esquivou alegando que não podia dar declarações. Aliás, a presença da reportagem, que apenas colhia as opiniões dos clientes, parece ter incomodado alguns Consumidora utiliza sacola retornável. Obs: foto parcialmente censufuncionários, despreparados rada a pedido da funcionária do caixa que ameaçou processar o jornal

Até abril é de graça Diante da polêmica e repercussão em torno da nova medida adotada pelos supermercados, o Procon (orgão de defesa do consumidor) resolveu atuar. Para o Procon, os clientes necessitam de alternativas até a implantação total das mudanças.

menos cinco itens. Por um ano, os operadores de caixa dos supermercados deverão informar verbalmente aos consumidores, antes de passar os produtos pelo caixa, de que as sacolas descartáveis não serão mais fornecidas, para não serem surpreendidos.

Sendo assim, até o mês de abril, os supermercados são obrigados a disponibilizar embalagens gratuitas, visando o acondicionamento e transporte das mercadorias. Ainda segundo o Procon, todas as lojas deverão oferecer uma alternativa de sacola reutilizável com preço de até R$ 0,59.

Em caso de dúvidas, consulte o Procon de São Sebastião pelo telefone 3892-1639. O órgão atende na Rua Sebastião Silvestre Neves, nº 185 – Centro, de segunda a quinta feira, das 10h às 12h e das 13h30 às 16h.

No dia 15 de março (Dia do Consumidor), haverá distribuição gratuita de uma sacola reutilizável para o consumidor que adquirir pelo

Os moradores da Costa Sul podem se dirigir à Regional de Boiçucanga, na Avenida Walquir Vergani, nº 36, todas as quartas-feiras, das 10h às 12h e das 13h às 15h.

Helton Romano

Há também a opção em levar sacolas biodegradáveis, consideradas ecologicamente correta. Estas não estão visíveis ao consumidor, ficam escondidas nos caixas, mas quem solicitar pode levá-las ao custo de R$ 0,19 cada.

entupa bueiros”, observou.

Reunião esportiva Após a pausa das atividades no final do ano, todos os professores da Secretarias de Esportes participaram, no último dia 3, da primeira HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo) de 2012. Além das boas vindas aos mestres, a secretaria preparou-lhes uma novidade: a entrega de novos uniformes. Segundo William Ibanhez, chefe de divisão de Esportes, os uniformes servem para a identificação dos profissionais da secretaria nos eventos. Durante o evento foram pontuadas também as obras realizadas pela atual Administração, como a construção da primeira piscina de hidroginástica do município, de duas novas salas na secretaria, um portão e um muro no estádio, bem como a reforma do Centro de Apoio Educacional do Pontal. Outro assunto na pauta da reunião foi o planejamento de 2012. “Como o município é extenso, a comunicação fica difícil. Por isso a HTPC é importante para que os professores fiquem situados e conectados”, comentou o professor Ari Baldacin Lobo, de Boiçucanga. Os encontros são realizados uma vez por semana, na sede da secretaria.

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Gazeta da Costa


Helton Romano

No vermelho

São Sebastião demite mais do que contrata em 2011 O saldo do último ano foi negativo para o mercado de trabalho em São Sebastião. O número de demissões superou o de admissões, segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho, que considera somente os empregos com carteira assinada. Desde 2006 a cidade não apresentava um saldo negativo na geração de empregos formais. O setor que teve o pior desempenho foi o da construção civil, que fechou 439 postos de trabalho. Já o setor de serviços conseguiu se sal-

var criando 543 vagas de emprego. Este segmento abrange as agências bancárias, escritórios, consultórios, imobiliárias, condomínios, lan houses, pousadas, ativi- Trabalhador da construção civil em Maresias dades ligadas ao transporte, telefonia e consertos em geral, dentre outros.

Coral

Exposição ambiental Em um dos debates, foram citadas empresas que usam do Meio Ambiente para mover a indústria. Como modelo, foi mencionado o empreendimento de cosméticos

O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Hipólito, comentou sobre a ampliação do Porto e a duplicação da Rodovia dos Tamoios, além do contorno entre São Sebastião e Caraguatatuba. “Todas estas mudanças devem ser discutidas e avaliadas cuidadosamente”, frisou. Já a diretora de Turismo de São Sebastião, Telma Della Mônica, aponta o desconhecimento dos atrativos da cidade. “Somos considerados ‘Turismo de Sol e Praia’, mas as pessoas se esquecem que temos mais de 20 atrativos naturais na cidade. São trilhas e cachoeiras desconhecidas por turistas e moradores. As pessoas precisam conhecer para preservar”, acredita Telma.

Luciano Vieira/PMSS

Natura – também patrocinadora do evento – que utiliza árvores, frutas e flores, como componentes para seus produtos. Em contrapartida, investe em projetos de pesquisa, reflorestamento e em ONGs.

Participantes debatem preservação da Mata Atlântica

A Prefeitura abriu inscrições para o Coral Municipal “Maestro Sinésio Pinheiro”. Os interessados devem ser maiores de 16 anos e fazer o teste vocal, que acontece nos dias 15 e 29 de fevereiro, às 18h, no Teatro Municipal. O coral está sob a regência de Selma Boragian, arranjadora e regente do Coral USP (Universidade de São Paulo). Ela mesma quem fará o teste nos inscritos que, caso sejam aprovados, ensaiarão às terças e quintasfeiras, das 19h às 20h30, na própria secretaria. Não é necessário inscrição. O candidato pode chegar e fazer o teste direto.

Coral Municipal aceita novos integrantes

‘Palhaçaria’ em Boiçucanga Artistas circenses se apresentaram na Praça Por do Sol, entre os dias 25 a 29 de janeiro. Milhares de pessoas passaram pela tenda montada no local pela Cooperativa Brasileira de Circo. As apresentações animaram a plateia com uma série de atrações como equilibristas, malabaristas, contorcionistas, palhaços e mágicos.

Gazeta da Costa

O projeto denominado “Palhaçaria no Litoral’ contou com apoio da Prefeitura e de comerciantes locais, além das mães dos alunos das oficinas culturais de circo, respons á v e i s pelos alimentos ve n d i d o s Apresentação na Praça Por do Sol no evento.

Duda Hawaii/PMSS

A Cooperativa Brasileira de Circo realizou neste final de semana as últimas apresentações do projeto Palhaçaria no Litoral, em Boiçucanga, na Costa Sul do município.

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Luciano Vieira/PMSS

Ecoturismo e Sustentabilidade foram temas da exposição da Fundação SOS Mata Atlântica. Diversas atividades foram realizadas em um caminhão itinerante que ficou estacionado na Rua da Praia entre os dias 1º e 5 de fevereiro.


Temos vagas

Fotos: Helton Romano

Hoteleiros de Boiçucanga, Maresias, Barra do Sahy, Toque Toque Pequeno e Barra do Una fazem balanço da temporada A temporada de verão é a época mais aguardada para quem vive do Turismo, especialmente empresários do ramo de hospedagem e alimentação. Esse é o momento de ganhar dinheiro já que, no restante do ano, boa parte destes profissionais sofre para pagar as despesas e manter os estabelecimentos. Mas a temporada 2011/2012 não vai deixar saudades para a maioria dos hoteleiros ouvidos pela Gazeta da Costa. O movimento ficou abaixo da expectativa e, agora, resta torcer para que o Carnaval seja melhor. “Foi um Réveillon dos piores”, considera Cauê Lima, filho da proprietária da Pousada da Âncora, em Boiçucanga. “Ficamos com duas vagas. Em outros anos, lotava um mês antes”, revela. Para José Antonio Duarte, dono da Pousada Canto Verde, o calendário não ajudou. “Natal e Réveillon caíram no fim de semana e as pessoas não tiveram feriado”, comenta Duarte, que também ficou com vagas na virada do ano. “Isso nunca tinha acontecido”, declara o hoteleiro. O movimento também não agradou Graciano Santos Filho, que tem uma pousada em Barra do Sahy. Ele lembrou que a praia ficou

imprópria para banho e isso acaba assustando os turistas. “Tivemos que fazer descontos para conseguir alugar os apartamentos”, informa.

Mesas vazias em área externa de hotel de Boiçucanga em pleno sábado da temporada

Na Pousada Casarão, em Boiçucanga, durante o mês de janeiro, só lotou na primeira quinzena. “Foi fraco se comparar com o ano passado que lotou todos os dias”, diz a gerente Simone Nascimento. “A procura para o Carnaval está devagar, ainda temos muitas vagas. Nessa época, a gente já tinha lotado em outras temporadas”, completa Simone. Para funcionários das pousadas Cavalo Marinho e Morada das Ilhas, o mau tempo atrapalhou. “Muitos hóspedes desistiram de vir ou foram embora antes do previsto”, conta a recepcionista Natalia Santos Jesus. O mesmo ocorreu no Hotel Moby Dyck. “Antigamente as pessoas se arriscavam, mas hoje todos consultam a previsão do tempo antes de reservar”, afirma a gerente Claudia Jardim. “No Réveillon tivemos que quebrar pacote para poder alugar e não ter prejuízo.

Mesmo assim, não lotou”, acrescenta Claudia. No Hotel Canoa, em Barra do Una, a ocupação ficou bem abaixo da expectativa, segundo a gerente Monica Fuhrhausser. Além da chuva, ela cita as facilidades em viajar para o exterior. “Com o dólar baixo, muita gente está preferindo viajar para fora”, entende. A falta de opções de lazer foi apontada pelo proprietário da Pousada Aparas, em Toque Toque Pequeno. “Não tem nada para fazer, além da praia. O turista fica sem opção quando o tempo está ruim”, acredita Günter Meier. Para ele, o que também afasta o turista é o alto custo da alimentação. “Está caro. Os restaurantes aumentam muito os preços”, opina Meier. Já a gerente da Pousada Pé da Mata, em Maresias, fez um balanço positivo da temporada. “Ficou dentro da expectativa. Foi um bom mês de janeiro, apesar da chuva”, declara Ana Dure.

Ambulantes também reclamam A baixa ocupação de hotéis e pousadas reflete em diversas atividades ligadas ao Turismo. É o caso, por exemplo, dos ambulantes que vendem bebidas nas praias. “Ano passado, vendi 300 caixas de cerveja até o dia 10 de janeiro. Agora, já estamos no final do mês e eu só vendi umas 50”, relata Francisca Iraci Santos, que há 20 anos trabalha na praia de Cambury. Para Antonio Jacinto, conhecido como Ceará, não há duvidas sobre a atual temporada. “Foi péssima. A pior de todas”, afirma. Ele diz ter vendido 150 caixas de cerveja a menos em relação ao ano passado. “Agora, vamos depender dos feriados”, comenta o ambulante da praia de Boiçucanga. Francisca e Ceará reclamaram do mau tempo e da falta de atrativos turísticos.

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Em Barra do Sahy, os passeios de barco para As Ilhas também não tiveram a procura esperada. “Foi bem fraco. O tempo não ajudou e o pessoal não está gastando muito”, diz o barqueiro Haroldo Tavares. Já nos restaurantes consultados pela re-

Ambulante na praia de Cambury

portagem, os balanços foram divergentes. Os mais sofisticados ficaram satisfeitos com o movimento. “Estamos funcionando há quatro temporadas e esta foi a melhor”, garante o sushiman Eduardo Diniz, do Restaurante Sassá Sushi, em Juquehy. Ele atribui o sucesso ao investimento feito em propaganda. O dono do Restaurante Ogan, em Cambury, também comemora o movimento deste verão. “Tivemos crescimento em comparação com o ano passado”, declara Valmir Maldonado. Por outro lado, restaurantes que tem pratos econômicos como carro-chefe, registraram um movimento menor. “Foi 40% a menos do que no ano passado”, calcula Valéria Matos, do Restaurante Piracaê, em Boiçucanga. “A gente esperava que fosse bem melhor”, confirma Forlan dos Santos, do Restaurante do Dadinho, em Maresias.

Gazeta da Costa


Vai faltar tinta na caneta Fotos: Helton Romano

Diversos turistas voltaram para casa com um presente nada agradável recebido em São Sebastião. Isto porque, a Polícia Rodoviária (PR) resolveu multar os veículos estacionados ao longo da rodovia, alegando se tratar de acostamento. A decisão atinge, principalmente, os trechos urbanos de Maresias (Avenida Francisco Loup) e Boiçucanga (Avenida Walkir Vergani), onde a rodovia passa no meio dos bairros. Em Maresias, é comum ver uma extensa fila de carros, de turistas que vão à praia, estacionados no acostamento. O mesmo ocorre com quem frequenta a Praia Preta. “Já tem mais de três anos que frequento essa praia e fui pego de surpresa. Vou ter que ir embora”, disse o vendedor Ricardo Botine, em entrevista à TV Vanguarda, durante fiscalização da PR no dia 29 de janeiro. Além dos turistas, como ficam, por exemplo, os comércios situados na beira da rodovia sem um espaço para que o cliente possa parar o carro? O vendedor Fabiano Moreira Santos, 26 anos, por pouco não foi multado. Ele trabalha numa loja de calçados na Avenida Walkir Vergani. “Agora, não posso mais parar minha moto aqui porque a polícia estava multando todo mundo”, conta o vendedor. O mais contraditório é que, no local, há placas sinalizando a permissão para estacionar.

Carros sujeitos a multas na Avenida Walkir Vergani: punição contraria placa de sinalização

também estaria irregular? Para apresentar estes questionamentos, a Gazeta da Costa foi a Cubatão, na sede do DER (órgão responsável pela rodovia que corta toda a cidade).

500 a 600

No último domingo de janeiro, os alvos foram as motos estacionadas em frente ao Beira Praia Shopping, em Boiçucanga. “Tão metendo a caneta”, disse um vigilante do shopping. No local, também tem uma placa liberando o estacionamento. E os eventos que acontecem na Praça Por do Sol, quando até mesmo veículos da Prefeitura estacionam no acostamento? O ponto de táxi em frente ao shopping de Boiçucanga

autuações por estacionamento irregular na rodovia durante os finais de semana Na ocasião, uma comitiva sebastianense, formada pelo vereador PH, a secretária municipal Solange Ramos, membros do Conselho de Segurança (Conseg) da Costa Sul e assessoria do vereador Amilton Pacheco, esteve reunida com o diretor regional do DER, Orlando Morgado.

O mesmo sentimento foi compartilhado pela vice-presidente, Eder Ávila, que comentou sobre o efetivo reduzido da PR. “A PR só é presente na temporada. Fora de temporada, vamos ficar sem fiscalização”, acredita Eder, lembrando que os agentes de tráfego da Prefeitura não podem atuar na rodovia. A secretária Solange pediu que, ao menos, fossem colocadas placas indicando a proibição de estacionar. Já o vereador PH ainda reivindicou a liberação dos portais nas divisas da cidade, mas não obteve resposta positiva. PH lamentou a intransigência do órgão e lembrou que a Prefeitura arca com os custos de manutenção da rodovia como no recapeamento que está sendo executado na região central. Ele defende que município inicie o processo para assumir a administração da rodovia de Boracéia ao Canto do Mar.

Frustração

Representantes da Câmara, Prefeitura e sociedade civil tentam acordo com diretor do DER (ponta da mesa)

Gazeta da Costa

A reportagem foi impedida de acompanhar a reunião, mas conversou com os participantes ao saírem da sala. Segundo o presidente do Conseg, Aristides Petrella, as multas vão continuar sendo aplicadas pela PR. “A frustração é grande, mas é direito deles”, conformou-se Petrella.

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Lobo Guará

propaganda X realidade Fotos: Helton Romano

Nem tudo que reluz é ouro. A Prefeitura divulgou serviços que estariam acontecendo em um dos núcleos de Cambury. Mas a Gazeta da Costa desconfiou e descobriu que a realidade é bem diferente.

Em agosto do ano passado, a Prefeitura instalou uma caixa d’água no núcleo Lobo Guará, situado em Cambury. Assim como em grande parte da região, o local não conta com água potável, e o equipamento amenizava este problema. A Prefeitura publicou, em seu informativo, que a caixa com capacidade para 5 mil litros é abastecida, uma vez por semana, pelo caminhão-pipa. A reportagem da Gazeta da Costa visitou o Lobo Guará, no final de janeiro, para checar se o serviço estava funcionando conforme a divulgação oficial. “Isso é mentira. Ficamos três meses sem água”, revelou a dona de casa Luzinete Damasceno, 33 anos. Segundo ela, desde que o equipamento foi instalado, o caminhão-pipa não veio mais do que quatro vezes. M o radores contam que a caixa estava seca desde outubro, e que somente foi reabastecida na Caixa d’água no Lobo Guará semana anterior à visita da reportagem. Isto porque, uma moradora teria pedido aos funcionários do caminhãopipa que faziam o abastecimento na escola de Cambury. O que sobrou foi levado para o Lobo Guará. Antes, foi necessário realizar a limpeza já que a caixa estava suja e com larvas. Outra situação verificada pela Gazeta da Costa diz respeito à manutenção das ruas (veja no quadro acima). Ocorre que, há seis meses, a Prefeitura se reuniu com os moradores e prometeu melhorar as condições de tráfego. Desta forma, o caminhão de lixo poderia entrar no núcleo para realizar a coleta. A promessa chegou a ser noticiada pelo site da Prefeitura, mas a realidade é bem diferente.

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Ao lado, Prefeitura noticia que vai melhorar as condições das ruas do Lobo Guará para permitir o acesso do caminhão de lixo. Seis meses depois, ruas permanecem intransitáveis (acima) e moradores continuam tendo que levar o lixo até a entrada do núcleo.

Os moradores continuam tendo que carregar o lixo até a entrada do núcleo, na beira da rodovia, onde existe uma lixeira comunitária. As ruas permanecem enlameadas, algumas intransitáveis. Só não estão piores, graças aos

próprios moradores que espalham sobras de construções. “O povo paga IPTU, mas não vê melhorias”, lamenta o pedreiro Adelson da Silva Cruz, 42 anos, que também cobra energia elétrica para as cerca de 70 famílias do Lobo Guará.

“O prefeito vai fazer alguma coisa pela gente?” Por Helton Romano

Após colher as informações que precisava, me despedi dos moradores e caminhava para meu carro quando ouvi a voz de um menino perguntando: “O prefeito vai fazer alguma coisa pela gente?”. Olhei para trás e notei, naquele rosto, uma expressão de desânimo, de alguém que suplica por ajuda. Vinicius Bruno do Nascimento, 12 anos, segurava um carrinho de mão e, junto com outro adolescente, espalhava terra na rua onde mora. Mas a pergunta me pegou de surpresa. E a minha reposta, talvez, não tenha sido a mais adequada. Disse a ele que era difícil se esperar alguma coisa, mas que eu estava lá para ajudar a cobrar. Fui muito realista. Mas quando se fala com uma criança devemos passar uma mensagem de esperança. Não podemos lhes tirar o direito de sonhar e acreditar.

Perguntei o que ele gostaria que o prefeito fizesse. O menino pediu que não tivesse mais alagamentos. Ele lembrou o dia que saiu de sua casa pela janela, com a água no pescoço, e da mãe chorando, sem saber nadar. O outro adolescente, Alenilton Vieira dos Meninos ajudam na manutenção de rua Santos, 16 anos, sente falta de uma área de lazer. Com uma pá na mão, ele ajudava na manutenção da rua, consciente da ausência do Poder Público. “A comunidade é nossa família. Se a gente não cuidar, quem vai cuidar?”, declarou.

Gazeta da Costa


Helton Romano

Até quando? O laboratório de informática da escola do Sertão de Cambury está desativado há quase um ano. Os computadores foram instalados em março de 2011, mas a rede elétrica da escola não suporta o consumo das máquinas.

Computadores desativados na escola do Sertão de Cambury

Desde então, os alunos aguardam por uma solução para poderem ter acesso ao laboratório. Mesmo assim, a Prefeitura di-

vulgou ter levado informática a todas as escolas do Ensino Fundamental. Os computadores foram cedidos pelo Governo Federal numa parceria que atribui, à Prefeitura, a responsabilidade pelas instalações e pelo pagamentos dos monitores. Uma situação ainda pior é encontrada no bairro Canto do Mar, na Costa Norte. A diferença é que os computadores públicos foram instalados num centro comunitário há três anos. Mas o espaço, denominado de telecentro, nunca chegou a entrar em operação.

Prometeu, tem que cumprir Boa parte das promessas ditas em campanha eleitoral acaba se perdendo no tempo. Os administradores públicos, em geral, não possuem o hábito de planejar as ações a serem implantadas ao longo do mandato.

rante a campanha eleitoral em metas. Também é uma forma de obrigar o governante a planejar melhor a gestão pública”, defende PH.

Na tentativa de mudar esta realidade em São Sebastião, o vereador Paulo Henrique, o PH, propõe uma emenda à Lei Orgânica que obriga a apresentação de um plano de metas da gestão. A proposta deve ser votada até o fim do mês e, se aprovada, passa a valer para os próximos governos a partir de 2013. Celso Moraes/CMSS

De acordo com a emenda, o prefeito terá até 90 dias, após sua posse, para elaborar um plano contendo as prioridades, ações estratégicas, indicadores e metas para cada um dos setores da Administração. Todos os PH exibe folheto com itens devem estar compatíveis promessas do atual governo com o que foi prometido em campanha.

Leandro Saadi

Nos últimos três anos, 16 cidades brasileiras adotaram leis que exigem de seus prefeitos a apresentação de um plano de metas para a gestão. Em São Paulo, o plano serve como referência para avaliações da sociedade e da mídia Vista aérea do terreno escolhido para construção do hospital da Costa Sul sobre qualquer área da administração pública paulistana. Municípios dos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais também aderiram à exigência. Para que o plano de metas seja introduzido em São Sebastião, é necessário o aval de pelo menos sete vereadores. Por enquanto, além de PH, apenas Artur Balut, Dalton José e Amilton Pacheco assinaram o projeto.

PH considera que o plano fará com que a Prefeitura ganhe agilidade, podendo se adequar, por exemplo, aos diferentes cenários econômicos, sempre obedecendo às regras de transparência e responsabilidade com o dinheiro público. “A ideia, no curto prazo, é que os prefeitos transformem as promessas apresentadas du-

Gazeta da Costa

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Enfim, Vila Barreira é lembrada A Prefeitura iniciou algumas melhorias na via de acesso à Vila Barreira, localizada em Cambury. De acordo com o chefe de divisão Vanderlei de Matos, o local recebeu, aproximadamente, 350 metros de extensão de tubulação, na tentativa de melhorar o sistema de drenagem e assim evitar alagamentos em ocasiões de forte chuva. Outro serviço executado foi a colocação de agregado num total de 150 metros cúbicos ou 30 caminhões, segundo informa o diretor das Regionais, Giovani dos Santos. Para a moradora Sirlei da Guarda Matos, 42 anos, os serviços devem melhorar a situação da comunidade. “Quando chove muito, as três ruas ficam alagadas e temos muita dificuldade para sair de casa. Nossos filhos precisam ser carregados nas costas para irem à escola”, relata.

Ricardo Faustino/PMSS

JuquehyBarra do Una Também foram recuperados pontos críticos existentes no morro entre os bairros de Juquehy e Barra do Una. Segundo o chefe de divisão da Regional Juquehy, Jorge Paulo Pereira, foram despejados três caminhões de agregado, o que totaliza cerca de 21 metros cúbicos de material. Uma patrol e um rolo compressor fizeram o serviço com o auxílio de braçais.

Menino observa rolo compressor na Vila Barreira

Bases da GCM

Se liga, prefeito Ao lado, ponte que liga Barra do Sahy à Baleia. Madeiras quebradas colocam em risco a segurança dos pedestres. Abaixo, trecho de vala aberta na Rua do Chileno, no Areião. Os moradores Leone Félix e José Lirio da Cruz se queixam da retirada das manilhas que cobriam toda a extensão da vala. Desde então, aumentou a proliferação de insetos no local. Colabore com a seção “Se liga, prefeito”. Envie fotos dos problemas do seu bairro para o e-mail: gazetadacosta@bol.com.br. Relate a situação e informe seu nome completo. As fotos poderão ser publicadas na próxima edição. Helton Romano

Rosiane Teixeira

A Guarda Civil Municipal (GCM) deve ganhar, em breve, duas bases móveis e um microônibus para agilizar o andamento dos serviços. A equipe que estará à frente das unidades passará por cursos da Secretaria Nacional de Segurança Pública. De acordo com o sub-comandante, Edson Rosalvo, as bases vão oferecer mais um suporte à comunidade. “Com a base comunitária, a GCM estará nas escolas, em eventos de grandes portes e onde for preciso”, garante Rosalvo. O sub-comandante revelou que a intenção do prefeito é renovar o conceito de atendimento. “Estamos implantando uma nova filosofia de atuação. Queremos deixar a GCM nos moldes de uma Guarda Pacificadora e Comunitária”, afirma. Os cursos são oferecidos pelo Ministério da Justiça e busca aplicar técnicas de resolução de conflitos de forma pacífica. Além das duas bases, a GCM contará com um microônibus para transportar o efetivo para eventos de grande porte, cursos em outras cidades e atividades que exijam a presença da maioria da corporação.

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Teste da orelhinha: simples e fundamental Na maternidade do Hospital de Clínicas de São Sebastião, uma média de 120 bebês recém-nascidos realizam gratuitamente, a cada mês, o ‘Teste da Orelhinha’, um trabalho de fundamental importância, realizado pela equipe de fonoaudiólogos da Secretaria de Saúde, para detectar precocemente possíveis problemas auditivos. A TAN (Triagem Auditiva Neonatal), popularmente conhecida como “Teste da Orelhinha”, é atualmente o método mais eficaz para detectar problemas auditivos em recém-nascidos. Trata-se de um exame simples, rápido e indolor e que deve ser realizado preferencialmente na alta hospitalar em bebês com até 48 horas de vida. O objetivo do teste é identificar perdas auditivas ou que possam prejudicar o desenvolvimento normal da criança como no caso da neuropatia auditiva. Os primeiros seis meses de vida são decisivos para o desenvolvimento futuro da criança deficiente auditiva. A triagem auditiva deve ser realizada em todos os recém-nascidos, preferencialmente durante a internação na maternidade ou, na impossibilidade, até o primeiro mês de vida.

Como é feito O “Teste da Orelhinha” consiste na coloca-

ção de uma pequena sonda na orelha do bebê. Este aparelho emite sons de fraca intensidade que movimenta as células da cóclea (ou caracol = tubo ósseo enrolado em espiral). Se a cóclea estiver íntegra, a sonda capta o ruído gerado pelos movimentos destas células, indicando se o bebê ‘passou’ na triagem. O exame é realizado pelo fonoaudiólogo com o bebê dormindo, é indolor e não machuca, além de ser rápido.

de alta hospitalar pós-parto sem que o bebê tenha realizado o teste da orelhinha, basta procurar a recepção do hospital em até 30 dias de vida para agendá-lo gratuitamente. Se o bebê tiver mais de 30 dias, o agendamento deverá ser feito no Centro de Reabilitação pelo telefone 3891-4910. Milton Fagundes/PMSS

O resultado é informado à mãe e anotado imediatamente após a realização. As anotações também são feitas na carteirinha do recém-nascido. Se o bebê ‘falhar’ na triagem auditiva neonatal ou houver suspeita de deficiência auditiva a partir da triagem ou dos indicadores de fatores de risco, o bebê será encaminhado para avaliação no setor de audiologia do Centro de Reabilitação. Desde o início deste serviço na cidade, foram diagnosticados com surdez profunda nove crianças antes de completarem o primeiro ano de vida. Isto significa que este trabalho cria oportunidades mais adequadas para estas crianças de desenvolvimento de fala, linguagem, escolaridade e, futuramente, profissional. Ainda na maternidade municipal, no caso

Exame identifica problemas auditivos

Amigo do homem? Não na praia O agente de combate a endemias, Rodinei Caminho dos Santos, explica o que acontece com os animais abandonados. “São levados ao Centro de Controle de Zoonose, onde recebem tratamento e aguardam por um período de três dias a busca de um possível proprietário. Caso contrário, são disponibilizados para adoção.

De acordo com o fiscal Luís Carlos dos Santos, nos casos em que o proprietário do animal se recuse a retirar o animal da praia, a GCM (Guarda Civil Municipal) é acionada e o dono é multado.

De acordo com a moradora de Maresias, Wilma Maria Schultz, ações como essa deveriam ocorrer com mais freqüência na região “Sou contra a presença de animais na praia, pois transmitem doenças a todos”, comentou.

Helton Romano

Agentes da Prefeitura realizaram, no mês de janeiro, fiscalização contra a presença de cães nas praias. A Operação Praia 2012 atuou em diversos bairros da Costa Sul. Vale lembrar que desde 2002 existe uma lei municipal que proíbe a presença de animais nas praias, mas na prática ela nunca teve o efeito esperado.

Homem leva cachorro à praia de Boiçucanga

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Para a turista de Guarulhos, Maria Helena Gomes, que frequentava a praia com seu animal de estimação e foi abordada pelos agentes, a lei deveria ser aplicada apenas aos animais de rua. “Esses cães abandonados são os verdadeiros transmissores de doenças e não o meu animal, tratado, vacinado e muito bem cuidado”, desabafou a turista.

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Escolinhas esportivas Arnaldo Klajn/PMSS

Estão abertas as inscrições para as atividades esportivas oferecidas pela Prefeitura. Há modalidades para crianças a partir dos 6 anos e outras voltadas para jovens, adultos e terceira idade. É necessário comparecer aos locais das aulas para o preenchimento de uma ficha e entregar uma foto 3x4. Aqueles que já possuírem atestado médico devem apresentá-lo ao professor. Os demais deverão providenciá-lo posteriormente. No caso de menor de idade, o pai ou responsável também deve ir ao local para dar uma autorização.

Judô é uma das modalidades oferecidas em Boiçucanga

A Costa Sul conta com ginástica localizada em Paúba, no Centro de Convivência do bairro. Em Ma-

Oficinas culturais Os interessados em participar das oficinas culturais poderão efetuar suas inscrições a partir do dia 22 de fevereiro. As aulas são oferecidas para maiores de 12 anos, com exceção da turma Baby Class de ballet, destinado às crianças acima de seis anos. O início das oficinas está previsto para do dia 5 de março. As inscrições podem ser feitas na Secretaria de Cultura para as modalidades desenvolvidas na região central e na Costa Norte. Já os interessados da Costa Sul, podem se inscrever na Praça Pôr do Sol. Ambos os locais atenderão ao público de segunda a sexta-feira, em horário comercial. No ano passado, foram atendidas quase 3

mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Confira abaixo a lista de modalidades disponibilizadas pela Prefeitura:

Núcleo de Teatro:

Teatro – Jogo Teatral, Improvisação; Comunicação e Expressão; História do Teatro; Circo; Encenação; Encenação Popular e Gestão de Espaços Culturais.

Núcleo de Artes Visuais:

Fotografia; Pintura em Tela; Desenho Artístico; História em Quadrinhos e Grafite.

Núcleo de Música:

Cavaquinho; Cordas; Coral; Metais; Teoria Musical; Flauta; Sopro; Teclado; Percussão Erudita; Violão e Técnica Vocal.

Núcleo de Cultura Afro:

Capoeira; Samba de Roda; Maculelê e Puxada de Rede.

Núcleo de Dança:

Ballet; Jazz; Break Dance; Dança de Rua e Dança Contemporânea.

Núcleo de Cultura Popular:

Caxeta; Taboa; Cerâmica; Folia de Reis; Canoa e Danças Folclóricas.

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resias são oferecidas aulas de natação, voleibol, futsal (na Escola Edileuza Brasil) e futebol (no campo do Maresias Futebol Clube). No bairro de Boiçucanga acontecem as aulas de alongamento, ginástica localizada, futsal, basquetebol, voleibol e judô. Na praia da Baleia funciona o projeto ‘Bom na Escola, Bom no Surf’, com o professor Ari Lobo. Barra do Sahy possui aulas de ginástica localizada na sala da associação amigos do bairro. Já em Barra do Una, damas, tênis de mesa, xadrez, badminton, ginástica localizada, caminhada e alongamento acontecem no (CAE) Centro de Apoio Educacional.

Inscrições nos bairros - Paúba e Barra do Sahy: 9103-7456, com Elder - Maresias: 3865-5256, na Escola Edileuza Brasil - Boiçucanga e Baleia: 3865-3824, com Borracha - Barra do Una: professor Oscar Pereira no CAE do bairro ou na Secretaria de Esportes

Solidariedade Artesãos da Costa Sul, por meio da Secretaria de Cultura, fizeram uma doação, ao Fundo Social de Solidariedade, de aproximadamente 80 pacotes de fraldas geriátricas. A entrega ocorreu na Praça Pôr-do-Sol, em Boiçucanga, e envolveu artesãos dos bairros de Juquehy, Cambury, Boiçucanga e Maresias. O grupo que atua em Juquehy preferiu repassar um crédito no valor de R$ 680 que dá direito ao Fundo Social retirar material ortopédico numa clínica.“É muito bom ajudar quem precisa. A gente se autoajuda”, declara a artesã de Maresias, Aline Ferreira, 30 anos. Os artesãos tiveram o prazo das licenças prorrogadas de dezembro de 2011 para 31 de março de 2012. As autorizações para trabalhar foram entregues aos 56 profissionais da região. A secretária de Cultura, Marianita Bueno, disse que vai propor ao prefeito a criação de espaços destinados aos artesãos em Cambury, Barra do Sahy e Juquehy. No bairro de Boiçucanga, a Prefeitura promete criar o espaço a partir da reurbanização da orla da praia, nas imediações da Praça Por do Sol. Já em Maresias, a área fica na Praça Internacional do Surf, em parceria com a associação do bairro.

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Duda Hawaii/PMSS

Desafio aéreo em Maresias

Surfistas radicalizaram nas ondas de Maresias durante o Desafio Aéreo de Surf, realizado no último fim de semana de janeiro. Atletas de três Estados voaram em ondas de um metro e meio. O título ficou com Gustavo Araújo, de Ubatuba. Ele manteve a média de boas manobras faturando, assim, o campeonato com a nota 7.6, considerada acima da média. Já o favorito Ícaro Rodrigues, do Guarujá, não conseguiu pegar nenhuma onda durante os 30 minutos de bateria e saiu sem nenhuma manobra na decisão. O campeão do Desafio Aéreo de Surf recebeu o prêmio de R$ 6 mil. O valor, segundo o surfista, será investido em outro campeonato. “Vou embarcar para o Equador para competir e aprimorar minhas técnicas”, declarou Gustavo Araújo.

Circuito Praia Limpa Debaixo de um forte sol, a atleta sebastianense Tânia Aparecida Barbosa, 40 anos, venceu a prova de 5 quilômetros na categoria Feminino da 3ª Etapa do Circuito Praia Limpa de Corridas, em Juquehy. O evento atraiu centenas de corredores à praia no dia 22 de janeiro. A campeã completou o percurso com o tempo 22min22seg. “Só não corri nas edições anteriores por falta de apoio”, comentou a vencedora, que pratica a modalidade há 23 anos e trabalha em casa de família no bairro Pontal da Cruz, região central da cidade. Outra atleta que se deu bem foi Geisla Moraes, 25 anos, de Ilhabela. Ela venceu a prova de 10 quilômetros com o tempo de 45min38seg. “O que atrapalhou um pouco o ritmo foram os desníveis na rua”, avaliou a agente de saúde, referindo-se à esburacada Avenida Mãe Bernada.

Ainda no Feminino, São Sebastião conseguiu uma segunda colocação com Adriana Rustom Ferreira Cezar, moradora de Maresias e professora de Educação Física. Ela fez o tempo de 24min59seg. Já nas provas masculinas, os vencedores são representantes da Prefeitura de Cubatão: Elias de Oliveira (5 quilômetros) e Daniel Ricardo Damásio (10 quilômetros). “Correr na areia é meio complicado para adquirir e manter a velocidade”, declarou Damásio. O sebastianense Elizio de Moraes, 49 anos, morador de Juquehy, ficou na terceira posição da prova de 5 quilômetros com o tempo de 19min05seg. O evento é organizado pela Associação de Cultura e Esporte Social. A corrida foi realizada em dois tipos de terrenos: na areia da praia e na Avenida Mãe Bernarda. O circuito envolve sete cidades do litoral paulista. Ricardo Faustino/PMSS

Centenas de competidores invadiram a praia de Juquehy

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Pescador artesanal

Fotos: Helton Romano

uma espécie em extinção

Pescadores estão migrando para outras atividades e deixando de lado uma das características típicas da cultura caiçara Ainda está escuro e frio na praia de Boiçucanga quando Autamir de Matos, conhecido como Jururuca, se prepara para mais um dia de trabalho duro. Por volta das 6h, em pleno domingo – dia de descanso para a maioria das pessoas, mas não para quem vive, exclusivamente, da pesca artesanal – Jururuca já está em seu pequeno barco. O destino? Uma rede fundeada a 6 quilômetros de distância, deixada, estrategicamente, próxima à Ilha das Couves. O pescador, de 38 anos, desta vez vai sozinho, pois no dia anterior se desentendeu com o tio que costuma o acompanhar. Durante o percurso, ainda bocejando, Jururuca parece contemplar a natureza enquanto o sol nasce por detrás do morro. “Por mais que eu esteja acostumado com essa paisagem, é impossível não admirar”, confirma Jururuca. Meia hora depois o barco alcança o destino. É chegado o momento de colher sua única fonte de renda. Sem a ajuda do tio, o esforço é dobrado para puxar 600 metros de rede. Logo aparece o primeiro peixe: um bagre de aproximadamente 7 quilos. Animado, Jururuca segue confiante numa boa pescaria.

Pescador de Boiçucanga colhe o único peixe que veio na rede

Mas a rede trás apenas caranguejos e siris que são desenroscados e devolvidos ao mar. O bagre é o único peixe que vai voltar na bacia levada pelo pescador. Ele, porém, não se deixa abater. “Hoje foi ruim, mas é assim mesmo. Amanhã será melhor”, diz, com a esperança e sabedoria de quem está no ramo desde os 12 anos de idade. Entretanto, a escassez de peixe e a dificuldade em comercializá-lo, aliados a outros fatores, fizeram com que muitos colegas de Jururuca abandonassem a pesca. Hoje, nas

praias da Costa Sul, é cada vez mais raro encontrar quem exerça a atividade como único meio de subsistência. “O pescador artesanal é uma espécie em extinção”, acredita Valdimir de Oliveira, o Mímico, que viveu da pesca durante 11 anos. “Depois que tive meu filho, o dinheiro começou a faltar. Passei a sair para o mar mesmo em condições ruins, colocando em risco a minha segurança por necessidade”, lembra Mímico. Ao final do mês, o máximo que ele conseguia ganhar com a pesca era R$ 500.

Novos rumos A vida mudou para Mimico quando foi trabalhar como marinheiro particular em um iate clube de Barra do Una. Para fazer a manutenção e pilotar uma lancha de 35 pés, Mímico recebe um salário de R$ 1.750, com reajuste anual.

do fazer a laje da minha casa, mas o dinheiro não entra”, lamenta. “Antigamente, era uma fartura de peixe. Hoje, a gente tem que ir buscar mais longe, gastar mais combustível e pegar menos peixe”, completa Pimpe.

Esse foi o rumo seguido por diversos pescadores do local, que aproveitaram a expansão do turismo náutico na região para aposentar as redes de pesca. Somente no iate clube onde Mímico trabalha, há outros 10 marinheiros que migraram da pesca artesanal, levando consigo os conhecimentos de navegação, tempo e mar.

Além da dificuldade na captura, falta comprador. “Há 3 meses estou com peixe no freezer”, afirma Erick Teixeira de Oliveira, que consegue tirar de R$ 700 a R$ 800 para sustentar a esposa e os 3 filhos.

É o que deseja também o pescador Luiz Carlos dos Passos Filho, o Pimpe, 38 anos. “Para viver só da pesca, não dá mais. Estou há 5 anos tentan-

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Ele se queixa também das restrições à pesca e do rigor da fiscalização. Apesar dos problemas, Oliveira não pensa em mudar de atividade. “Minha mulher briga comigo para sair da pesca, mas é a minha paixão. Nasci na pesca e vou morrer na pesca”.

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Efeitos do desenvolvimento A pesca artesanal é uma das características marcantes da cultura caiçara. Durante décadas o caiçara da Costa Sul de São Sebastião se acostumou a tirar do mar o seu sustento. Ao longo dos anos, essa cultura era transmitida de geração para geração. O desenvolvimento urbano, impulsionado pela construção da Rodovia Rio-Santos no iní-

Pescadores preparam rede na praia de Boiçucanga

cio da década de 80, alterou o modo de vida dos caiçaras. Se antes eles se dedicavam exclusivamente à pesca, com a urbanização passaram a realizar, paralelamente, atividades vinculadas ao turismo, comércio e setor público. “A gente não tinha outra opção, mas agora as novas gerações não querem mais pescar”, diz Pedro Fernandes Filho, pescador aposentado de Toque Toque Grande. “Aqui, muitos largaram a pesca e viraram caseiros. Assim não precisam pagar luz, água...”, comenta o antigo pescador, de 72 anos. Seus dois filhos seguiram no mesmo ramo, sendo que, um deles, comanda o Departamento de Pesca da Prefeitura. “A gente percebe uma falta de interesse do pescador em se organizar para reivindicar melhorias”, declara Antonio Sérgio Fernandes. Ele admite a redução no número de pescadores, mas não acredita na ex-

tinção da profissão. “Sou insistente, caiçara e pescador. Acredito em tempos melhores”. Para não deixar a atividade morrer, Fernandes aposta em incentivos governamentais no custeio das despesas. “O pescador sai da profissão porque não vê outra saída. A partir do momento que tiver a oportunidade de viver daquilo, vai continuar pescando”, conclui.

Albatroz pega carona em barco de pesca

Centenário caiçara Arquivo pessoal

Agenor de Matos, ou simplesmente Maneco, é um dos últimos remanescentes da mais antiga geração de caiçaras da Costa Sul. No dia 11 de fevereiro, Maneco completou 100 anos de uma vida bem vivida no bairro de Boiçucanga. Com Lourdes de Farias Matos, esposa há 73 anos, Maneco formou uma família de dez filhos (três já falecidos), 12 netos e seis bisnetos. Assim como todo caiçara da região, ele atuava com a pesca e a lavoura no plantio de milho, café, mandioca, banana e canade-açúcar. Outra ocupação era a confecção Helton Romano

Ao lado, foto de poucos anos atrás, quando Maneco ainda construía canoas. Acima, junto à esposa Lourdes, dias antes do 100º aniversário

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de canoa de voga, pilão e remo. Maneco foi o responsável também pelo primeiro gerador do bairro. Em toda sua vida, Maneco nunca passou por uma única cirurgia. Uma das doenças que lhe atingiu, muito comum na época, foi a pneumonia. O tratamento foi realizado pelo seu irmão Hilarião de Matos, por meio da homeopatia. Apesar das dificuldades da época, dona Lourdes garante que Maneco preferia o tempo antigo. “Ele gostava daquela vida”, afirma. “Tudo mudou com a abertura da estrada. Veio coisa boa, mas também muita coisa ruim”, fala a esposa, aos 92 anos. A filha Ana Lídia de Matos, 59 anos, não esconde o amor pelo pai. “São esses momentos que eu estou cuidando do meu pai, lhe dando banho e comida, que vão ficar marcados na minha vida”, revela. Dentre as lições que teve com seu pai, Ana Lídia destaca o respeito às pessoas e a honestidade. Para o filho Arlindo de Matos, 73 anos, Maneco é um orgulho não só para a família, mas também para a comunidade caiçara. “Ele tem história. É o mais velho do bairro e foi uma pessoa muito atuante no crescimento de Boiçucanga. (Colaborou Ricardo Faustino)

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Quem não quer? Arquivo do Vai Quem Quer

Bloco ‘Vai Quem Quer’ promete agitar o carnaval da Costa Sul

Multidão faz a festa no Banho da Dorotéia em Boiçucanga

Os foliões da Costa Sul estão em contagem regressiva para o Carnaval deste ano, que tem como principais destaques os blocos da região. Criado nos anos 70, o ‘Vai Quem Quer’ anima o tradicional Banho da Dorotéia, em Boiçucanga. O presidente do bloco, Emerson da Silva, estima arrastar cerca de 7 mil pessoas para o desfile no domingo de Carnaval. Nos últimos anos, o bloco ganhou uma nova cara com a chegada de Iraê Abate. Ele trouxe na bagagem a experiência de 20 anos na Escola de Samba Tom Maior, da capital. Em 2010, Iraê passou a comandar a bateria do ‘Vai Quem Quer’, ampliando o repertório

Folia em Barra do Una Muita alegria e descontração devem marcar o Carnaval de Barra do Una. Já na sexta-feira, dia 17, homens se vestem de mulheres (e viceversa) para o Banho da Dorotéia, que ao longo dos anos vem atraindo um número cada vez maior de foliões.

festa. “Vamos fazer enfeites de rua, pedimos banheiros químicos e ambulância à Prefeitura, além da segurança da Polícia Militar e da Guarda Civil”, informa Áureo Madela. O Unidos do Cavuka sai do campo de futebol, por volta das 22h, rumo ao palco ao lado da igreja. O bloco tem total apoio do comércio local que ajuda na aquisição dos instrumentos.

Já nas noites dos dias 18 a 21, é a vez do Bloco Unidos do Cavuka embalar o Carnaval com as tradicionais marchinhas. O bloco foi criado em 2004 por um grupo de amigos e hoje conta com cerca de 300 componentes. Segundo um dos organizadores, todos os preparativos estão sendo realizados para a

Programação do Carnaval na Costa Sul Boiçucanga

17 a 21 - Baile de Carnaval na praia, a partir das 22h, exceto no dia 17 quando a folia começa as 19h30 com o Bloco Vai Quem Quer saindo da Praça da Alegria rumo ao palco 19 - Banho da Dorotéia, 14h, Praça da Alegria

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Bloco Unidos do Cavuka no Carnaval de Barra do Una

Barra do Una

17 - Banho da Dorotéia, concentração na Rua João dos Passos Bittencourt, a partir das 17h 18 a 21 - Baile de Carnaval na Praça da Igreja, a partir das 22h

Maresias

18 e 20 - DJ Shirley na Praça do Surf a partir das 22h

O sucesso foi tão grande que o simples bloco de rua passou a receber convites para se apresentar em badaladas danceterias como O Galeão e Banana’s. Para o Carnaval deste ano, Iraê promete novidades. “Temos duas paradas novas”, revela. Quem também não esconde a ansiedade é José Maia, o popular ‘Zé do Bico’. Ele é um dos puxadores de sambas-enredo que vão embalar os foliões na Dorotéia. “É um motivo de orgulho ser caiçara e participar de algo para valorizar o bairro, deixar o pessoal animado e ver aquela multidão no Carnaval”, destaca Zé do Bico. A concentração para o Banho da Dorotéia tem início às 14h, na Praça da Alegria. A saída está prevista para as 16h. Haverá premiação para as fantasias que se destacarem em três categorias: luxo, originalidade e criatividade.

Unidos do Paúba Ricardo Faustino/PMSS

A concentração acontece na Rua João dos Passos Bi�encourt, a partir das 17h. De lá o bloco segue pela Avenida Magno dos Passos Bi�encourt até o palco que será montado ao lado da igreja católica. “Todos estão convidados a participar dessa brincadeira que acontece num clima familiar e sem confusão”, declara Lourenço Bi�encourt, um dos organizadores.

de batidas e treinando os componentes. “Entrei de cabeça no bloco”, declara Iraê.

O Grêmio Recreativo Unidos do Paúba (Grup) pretende dar continuidade a uma história iniciada no verão de 1985, quando um maestro profissional conseguiu vários instrumentos de percussão e começou a realizar ensaios nos fins de tarde, no campo de futebol. “Certa vez participamos de um desfile no Carnaval de Maresias animando a festa de uma verdadeira multidão”, lembra Marcos David dos Santos, responsável pelo bloco. “A partir daí, a tradição foi perdendo força. A cada ano aumenta a dificuldade para conseguir recursos e investir nos instrumentos”, lamenta. Até o último dia 6, quando falou com a reportagem da Gazeta da Costa, Santos ainda não havia conseguido patrocinadores para o Carnaval deste ano. “Mandei ofício para a Secretaria de Cultura e Turismo, mas ainda não tivemos resposta”, revela. Mesmo assim, ele garantiu que o bloco desfila nos dias 18 e 20. A concentração começa às 22h, na praça da igreja. “Vai sair de um jeito ou de outro”, afirma Santos. Quem quiser colaborar pode entrar em contato pelo telefone (12) 9736-8731.

Gazeta da Costa

GAZETA DA COSTA  

Jornal mensal da Costa Sul de São Sebastião.

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