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Chamado dos xamãs Evento na Sibéria reuniu feiticeiros do mundo inteiro para curas espirituais © RIA NOVOSTI

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Este suplemento foi preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 29 de agosto de 2014. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Tolerância zero Polícia especializada detém e indicia desde portadores com 50 miligramas a gangues que infiltram toneladas de entorpecentes

Países se unem no combate a drogas Tráfico de cocaína da América Latina à Rússia aumenta ano a ano, mas droga não representa tanta ameaça como heroína. MARINA OBRAZKOVA GAZETA RUSSA

Em operação conjunta no início de agosto, as polícias de combate ao tráfico de drogas da Rússia e do Uruguai apreenderam mais de 70 quilos de drogas ilícitas, segundo informou o chefe do Serviço Federal de Controle de Drogas russo, Víktor Ivanov. Segundo ele, aumentou nos últimos anos a quantidade de substâncias psicotrópicas vindas da América Latina. A notícia veio na esteira da prisão, em julho, de um estudante argentino que portava 50 miligramas de maconha durante uma viagem a turismo por São Petersburgo. No país, o porte de drogas mesmo em porções mínimas para consumo próprio é considerado crime. Já a quadrilha detida em agosto enviava diariamente da América Latina para a Rússia cerca de 300 quilos de cocaína por meio de São Paulo e Frankfurt. Seu líder era um ex-funcionário do serviço de controle de drogas de São Petersburgo demitido em 2009. No total, ci nco pessoas foram indiciadas. Em 2013 foram apreendidos na Rússia mais de 600 quilos de cocaína de origem latino-americana. O preço da grama pode chegar a quase R$ 350 no país.

Defesa de fora para dentro Nos últimos anos, mudou o equilíbrio de poder dos grupos envolvidos na produção e tráfico de drogas na América Latina. Se antes a Colômbia estava no centro das

GETTY IMAGES/FOTOBANK

Polícias de países latino-americanos só conseguem interceptar 30% das drogas destinadas à Europa e aos Estados Unidos, o que levou a Rússia a iniciar treinamentos conjuntos

atenções, agora Bolívia e Peru também se destacam. Além disso, apenas 30% da droga destinada ao exterior é interceptada, enquanto os 70% restantes atingem seu destino: Estados Unidos e Europa, incluindo Rússia. Para melhorar esse quadro, em 2012 o serviço de controle de drogas russo organizou cursos de qualificação

Para Ivanov, a criação de um grupo de trabalho para o combate ao narcotráfico pelos países do Brics é um marco. No âmbito do projeto, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul irão combater a produção de narcóticos no Afeganistão. A eliminação da produção de drogas no Afeganistão e na América do Sul pode derru-

das unidades de narcóticos de países como Nicarágua e Peru. No total, foram treinados mais de 230 agentes. Paralelamente, o serviço russo colabora estreitamente com a polícia de vários países da região. Operações conjuntas são realizadas com Peru, Nicarágua, El Salvador, Honduras, Costa Rica e países do Caribe.

bar em 50% os lucros gerados com narcóticos no sistema financeiro mundial.

Afeganistão A principal ameaça na Rússia, porém, não está na cocaína, mas sim a heroína, proveniente sobretudo do Afeganistão. Impedir esse fluxo é uma tarefa muito mais árdua, já que o tráfico

de drogas para a Rússia está em expansão. “Uma imensa quantidade de drogas provenientes do Afeganistão entrou na Rússia durante a guerra no país. Após o início da guerra civil no Afeganistão, no final dos anos 1980, aumentou drasticamente o papel da região como um dos principais produtores e traficantes de dro-

gas. Números da ONU mostram que a produção de ópio e haxixe nas províncias controladas pelo Talibã aumentou mais de 20% nos últimos anos. Especialistas da ONU acreditam que três quartos da droga oriunda do Afeganistão chegam à Rússia e à Europa Ocidental através da CONTINUA NA PÁGINA 3

Crise País importou 60% de sua carne, 50% dos peixes e frutos do mar, 48% do queijo e 45% das nozes e frutas no ano passado

Enquanto a escassez de produtos ainda não é visível, aumento nos preços já foi detectado por consumidores e restaurantes na capital. KIRA TVERSKAIA ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Cozinheiros amadores e profissionais de Moscou passaram as últimas semanas batalhando para encontrar novos fornecedores de ingredientes para alguns de seus pratos mais populares depois que a Rússia proibiu a importação de uma série de alimentos frescos provenientes dos Estados Unidos, União Euro-

peia, Austrália e Noruega. A medida, implementada no início de agosto, proíbe a compra de carnes, peixes, mariscos, leite e derivados, legumes, frutas e nozes desses países. O diretor de operações da rede de lanchonetes American Diner Company de Moscou, Douglas Steele, disse que, por enquanto, a escassez de ingredientes não os atingiu, mas a empresa já se prepara para os possíveis efeitos. “Os produtos importados representam 20% dos itens do nosso cardápio. Seremos afetados sobretudo por pratos do cardápio que incluem queijos,

como nosso bacon blue burger, que leva queijo azul, nossa salada grega, com feta, a César, que tem Grana Padano, nosso cheddar americano, além de bacon de qualidade para nossos hambúrgueres. O salmão será um problema. Ainda não nos deparamos com a falta de ingredientes, mas vemos um aumento de preços que chega a 50% em alguns itens”, conta Steele. No ano passado, a Rússia importou cerca de US$ 1,3 bilhão em alimentos e produtos agrícolas. Mais de 60% da carne fresca e congelada vendida na Rússia é importada,

REUTERS

Consumidores são os mais afetados por sanções ao Ocidente

Queijos são um dos itens que mais atingirão os cardápios de restaurantes por sua especificidade

assim como 50% dos peixes e frutos do mar, 48% do queijo e 45% das nozes e frutas, de acordo com o jornal econômico russo “Vedomosti”.

O elo mais fraco Piotr, um DJ de Moscou, disse

que sentirá falta da carne marmoreio. “O queijo já está fora das prateleiras, os preços subiram. O embargo a alimentos é a coisa mais estúpida que eu já vi. Fui ao Toro Grill jantar na noite passada. Eles estavam sem peixe e não tinham

ideia de quando iam receber”, diz. Já o analista financeiro Nikolai está preocupado em ficar sem Nutella. “Temo que não verei mais Nutella no Ázbuka Vkusa [supermercado de produtos top de linha], o que será

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terrível. Honestamente, eu não sei o que vai acontecer com o Ázbuka Vkusa, já que tudo lá é importado”, diz. A estagiária de jornalismo Elizaveta também já viu um aumento nos preços. “O preço do café italiano que comprei ontem simplesmente dobrou”, conta, acrescentando não ter certeza se o aumento de preços é devido à indisponibilidade dos produtos ou à inescrupulosidade dos fornecedores. O diretor do Centro de Pesquisas de Política Econômica da Universidade Estatal de Moscou, Oleg Bucklemichev, chama de “soviética” a abordagem do governo russo, e diz que a Rússia é quem mais vai sofrer. “Não vamos punir ninguém e não vamos conseguir nada. Pequenos empresários baixarão suas portas, estamos perdendo de novo. A competição é o melhor ambiente para o desenvolvimento da nossa indústria. Eliminar a concorrência nunca trouxe resultados positivos”, afirma.

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