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Supermodel do bem Natália Vodiánova cria aplicativo para viciados em smartphone gerarem doações à caridade REUTERS

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ESTE SUPLEMENTO É ELABORADO E PUBLICADO PELO JORNAL ROSSIYSKAYA GAZETA (RÚSSIA), SEM PARTICIPAÇÃO DA REDAÇÃO DA FOLHA DE S.PAULO. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Guerra síria Com relações estremecidas desde pico da crise ucraniana em 2014, Washington e Moscou ainda podem se unir em coalizão

Inimigo comum pode aproximar País já concordou em se aliar à França na Síria, e há esperança de que discurso amaciado por parte dos Estados Unidos gere parceria. SERGUÊI STROKAN VLADÍMIR MIKHEEV

Empatia Mas o tom começou a mudar após a queda do voo russo que caiu no Sinai, matando todas as 224 pessoas a bordo. O presidente norte-americano Barack Obama demonstrou empatia com o povo russo, e a Rússia pediu ao FBI que participasse das investigações sobre a queda. Além disso, após os ataques em Paris, diplomatas norte-americanos e russos lideraram as 17 nações que se encontraram em Viena em 14 de novembro para acordar um plano de transição sírio.

EPA/VOSTOCK-PHOTO

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

O horror causado pelos ataques terroristas que deixaram 129 mortos em Paris em 13 de novembro, somado às explosões suicidas em Beirute e à queda de um avião comercial russo no Egito, jogou luz à necessidade de se estabelecer uma cooperação internacional para combater o terrorismo. As relações entre a Rússia e os Estados Unidos e seus aliados têm se enfraquecido desde meados de 2014, quando a guerra civil se intensificou no leste da Ucrânia e a Rússia integrou a Crimeia a seu território, levando a sanções e embargos. Ainda no mês passado, políticos russos e norte-americanos trocavam farpas sobre a luta contra o EI (Estado Islâmico) na Síria, com Moscou acusada de piorar a situação com seus bombardeios e afi rmando que os grupos rebeldes eram terroristas.

Em meados de novembro, presidente russo incumbiu forças aéreas de estabelecer contato com porta-aviões francês no país do Oriente Médio

“Os EUA e a Rússia poderão ampliar a cooperação se superarem diferenças na Síria”, disse Obama

Em uma clara indicação de que as coisas mudaram, Obama sentou-se com o presidente russo Vladímir Pútin em reunião paralela à cúpula do G20, na Turquia. “Disse-lhe então que com a mudança estratégica sendo feita por eles - focando o processo de Viena, onde eles têm sido construtivos ao tentar unir todas as partes, tentando executar uma transição

política com a qual todas as partes concordem, e focando novamente a atenção em enfrentar o EI - então há uma possibilidade enorme de cooperarmos”, declarou Obama na terça-feira (24).

Abertura russa O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov, disse diversas vezes que a Rússia está aberta a tra-

balhar com o Ocidente na luta contra o terrorismo. “Para toda a comunidade internacional, o objetivo é aumentar a eficiência da luta contra o terrorismo e, ao mesmo tempo, buscar uma solução política para os problemas na Síria, no Iêmen e em outros países da região”, declarou em meados do mês. Para o chefe do Centro de Estudos Estratégicos Leste-

-Oeste, Vladímir Sônikov, a possibilidade de se encontrar um ponto de convergência existe, principalmente porque a enxurrada de ataques recentes afetou uma ampla gama de pessoas. “Sempre que há brechas na segurança, o perigo do terrorismo cresce. A resposta de muitos governos estrangeiros quando do ocorrido no Egito mostra que eles entendem isso.

E esse tipo de coisa precisa ser tratada sem dar atenção a qualquer assunto espinhoso, como as diferenças entre Rússia e Estados Unidos ou Reino Unido em relação à crise ucraniana”, diz. O pesquisador-chefe do instituto britânico Chatham House, Jane Kinninmon, concorda. “A cooperação é imCONTINUA NA PÁGINA 3

Protesto Ministério dos Transportes isentará setor de multas até emenda

Aquecimento Reunião começa na segunda em Paris

Contra imposto, caminhoneiros russos bloqueiam estradas

Kremlin reforça apoio na Conferência do Clima

Russos se manifestam contra nova taxa que encarecerá produtos de 5% a 10%. Já no Brasil, greve do setor perde força após aumento de multas em meados do mês.

EVGENY KURSKOV / TASS

THE MOSCOW TIMES

Caminhoneiros russos bloquearam estradas de todo o país em novembro pedindo o cancelamento de um novo imposto sobre veículos com peso a partir de 12 toneladas que circulam pelas rodovias federais. Mais de 300 caminhões da categoria pararam o tráfego na rodovia federal R-245, em Novosibirsk, na Sibéria.

Demonstrações contra taxas se estenderam por todo o país

Protestos semelhantes ocorrem também perto de outras grandes cidades do país, como São Petersburgo, Iekaterinburgo e Irkutsk, e até na rodovia Moscou-Crimeia, em Belgorod, região na fronteira com a Ucrânia. Com o ato para demonstrar a insatisfação dos caminhoneiros, o Ministério dos Transportes da Federação Russa divulgou um comunicado informando que os caminhoneiros com veículos de peso superior a 12 toneladas estarão isentos de multas pela passagem por vias federais até a entrada em vigor de emenda à lei. “Os planos do governo de cobrar um novo imposto sobre caminhões com mais de 12 toneladas revoltaram não só a categoria, mas também produtores e proprietários das mercadorias que utilizam os ser viços de transporte”, disse o presidenCONTINUA NA PÁGINA 3

Pútin, Obama e Dilma estão entre nomes confirmados para a reunião que deve determinar política climática para os próximos anos. GLEB FIÔDOROV GAZETA RUSSA

Na Conferência do Clima em Paris, que se inicia na próxima segunda-feira (30), Moscou irá apoiar a adoção do acordo pré-definido para a COP21 que estabelece que, até o fi m do século, a temperatura média na Terra não poderá exceder 2° C além da verificada na era pré-industrial. O consenso sobre o assunto foi estabelecido durante a cúpula de líderes do G20, que se encerrou no dia 16, na Turquia. No texto fi nal do encontro, os países garantiram

estar determinados a adotar um protocolo ou instrumento com força legal nos termos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Em nota, o governo russo destaca que o país “superou as primeiras metas de redução de gases poluentes definidas no Protocolo de Kyoto”. “As emissões no setor de energia russo foram reduzidas em 37% nos últimos 20 anos. Além disso, o PIB russo teve um crescimento de quase 80% nos últimos 15 anos, enquanto o crescimento das emissões de gases, graças à modernização e à regulação, foi de apenas 12%”, lê-se no documento. O presidente Vladímir Pútin, que participará da cúpula, classificou as mu-

danças climáticas como “um dos problemas mais importantes enfrentados pela humanidade”.

Adaptação global A principal diferença entre o Protocolo de Kyoto e o acordo da COP21 é que a ênfase será colocada não nas emissões, mas nas formas de adaptação às alterações climáticas. “A questão não será o desenvolvimento de um plano para a redução das emissões de gases de efeito de estufa, mas os recursos e quanto tempo as principais economias do mundo darão aos países mais vulneráveis para a adaptação às mudanças climáticas”, diz Aleksêi Kokôrin, diretor do programa de energia da WWF na Rússia.

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81% acreditam que a gazetarussa.com.br fornece informações e análises que vão além da cobertura tradicional da mídia sobre o país 77% dizem que nossos projetos on-line são relevantes para todos - e não apenas a quem tem algum interesse especial pela Rússia * P e s q u i s a re a l i z a d a co m l e i to re s d a G a ze t a R u ss a e d o p ro j e to R BT H e m m a rço d e 2 0 1 5

U M P O N T O D E V I S TA B A L A N C E A D O S O B R E A R Ú S S I A

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Opinião

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

UM SEGUNDO 11 DE SETEMBRO ropeus, principalmente dos franceses, será o fechamento das fronteiras e o aumento de todas as medidas de segurança.

Gueórgui Bovt ANALISTA POLÍTICO

movimento terrorista internacional demonstrou coordenação para executar uma série de atentados em grandes áreas metropolitanas e em locais públicos abarrotados em Paris em 13 de novembro. Embora o porte de armas seja proibido no país, foram utilizados por esses não apenas explosivos, como fuzis Kalashnikov. Há pouco tempo, havia quem apontasse o dedo para os negligentes serviços de inteligência egípcios, que teriam permitido a instalação de artefatos explosivos a bordo do avião russo que caiu no país. Hoje, porém, prova-se que o mais bem preparado dos governos é impotente perante tal ameaça. Uma mudança para impedir esse tipo de situação é necessária em todas as esferas: social, política, econômica. Mas nem isso seria garantia de segurança. O atual sistema internacional de relações econômicas e políticas não contribui, infelizmente, para a erradicação do terrorismo. Nem em países específicos – muitas vezes, aqueles que se tornaram vítimas da “importação da democracia” –, nem em uma escala global. Enquanto o mundo inteiro se solidariza com os franceses, é preciso lembrar o apelo repetidamente ecoado pela união contra o terrorismo. Quantas vezes o clamor já foi feito desde 11 de se-

O

KONSTANTIN MALER

Crônica anunciada

tembro de 2001? E onde estão os resultados? Apa r e nt e me nt e, a A l Qaeda foi derrotada, e seu líder, morto. Mas, com a derrota, o terrorismo continua a brotar, com novas células e orientações ainda mais fanáticas e brutais. O Oriente Médio foi virado de cabeça para baixo. Em seu lugar, surge um semi-Estado terrorista onde, segundo planos utópicos, a democracia eleitoral deveria ter substituído a tirania de sápatras seculares como Sa-

Enquanto o mundo inteiro se solidariza com os franceses, é preciso lembrar o apelo repetidamente ecoado por uma união contra o terrorismo desde o 11 de setembro

O ESCÂNDALO DO DOPING, ESPORTES E POLÍTICA Vladímir Mikheev JORNALISTA

ddam Hussein e Bashar al-Assad.

O que esperar Já era óbvio que ataques terroristas em grande escala se desenrolariam em breve na Europa. Primeiro, foi o avião russo - que muitos diziam ser a vingança “contra a aventura de Pútin na Síria”. Então, apenas um dia antes de Paris, ocorreu um ataque duplo em um bairro xiita de Beirute que matou dezenas de pessoas. É evidente que, neste caso

cativa era a incursão soviética no Afeganistão um ano antes. Três anos depois, o presidente norte-americano Ronald Reagan ainda batizaria a União Soviética de “Império do Mal”, coroando um dos períodos mais tensos da Guerra Fria. A réplica de Moscou foi sua retirada dos Jogos Olímpicos de Verão de 1984, em Los Angeles, com 16 aliados soviéticos aderindo ao boicote.

Esporte x política escândalo do doping envolvendo medalhistas russos já resultou na punição dos atletas que fizeram uso de substâncias ilegais, mas também pode culminar com a proibição de que a Rússia participe das Olimpíadas do Rio em 2016. A Iaaf (da sigla em inglês, Associação Internacional de Federações de Atletismo) votou pela suspensão temporária da equipe russa de atletismo em todos os eventos esportivos por 22 votos contra u m . A p u n iç ã o é s e m precedentes. Assim, atletas que nunca fizeram uso de substâncias proibidas - e que são, obviamente, a maioria - estão privados de competir no Campeonato Mundial de Atletismo em Pista Coberta, decepcionando uma multidão de fãs. Sua participação nas Olimpíadas ainda poderá ocorrer, caso a suspensão seja levantada a tempo. Mas a questão também está ligada ao orgulho nacional russo. Uma superpotência esportiva, o país recentemente hospedou as Olimpíadas de Inverno de Sôtchi, em fevereiro de 2014, q u e c u s t a r a m U S $ 50 bilhões. “Em três meses iremos nos apresentar novamente à fe-

DMITRY DIVIN

O

deração internacional em conformidade com suas práticas. Esperamos que nosso time seja reintegrado”, disse o ministro dos Esportes da Rússia, Vitáli Mutko, mostrando determinação para reforçar o controle antidoping e se adequar às regras da Iaaf para sua equipe de atletismo poder estar no Rio de Janeiro em 2016.

Seletividade Embora os esforços para defender a integridade no esporte sejam louváveis, há quem levante questões sobre a condenação generalizada da Rússia. É preciso notar que as revelações divulgadas em 2014 no documentário de TV “Das Erste”, transmitido pelo canal alemão ZDF/ARD, e pelo jornal “The Times”, de Londres, sobre os “resultados de exames de sangue altamente sus-

peitos” faziam menção aos atletas “de todo o mundo”, sem qualquer foco específico nos russos. Pela mensagem da mídia ocidental, a Rússia, como nação, deve ser repreendida pelas supostas trapaças cometidas - com a conivência do governo, em um laboratório onde funcionários subornados acobertaram testes com os resultados desejados. O novo escândalo do doping russo chega para acrescentar mais um capítulo a um debate que já dura décadas sobre os limites entre esportes e política. No auge da Guerra Fria, houve tentativas de sabotar o esporte e relacioná-lo a uma agenda política de rivalidade entre superpotências. Um dos casos mais emblemáticos foi o boicote dos Estados Unidos às Olimpíadas de Moscou de 1980. A justifi-

Alguma das partes ganhou algo com essa estratégia? Não se sabe. O que é evidente é que o esporte foi prejudicado. “O boicote soviético foi uma decepção enorme, pois significou que os atletas estavam sendo duplamente punidos. Foi como o boicote dos EUA nos Jogos Olímpicos de 1980: os atletas foram os únicos penalizados”, disse, então, a vice-presidente do Comitê Organizador das Olimpíadas de Los A ngeles, A n ita DeFrantz. No caso de 1980, a Associação Olímpica Britânica ignorou a carta da premiê Margaret Thatcher pedindo a adesão ao boicote liderado pelos EUA. A associação votou pelo envio dos atletas britânicos a Moscou, inclusive nas modalidades em que esses mais se destacam, como a natação, o iatismo, a equitação e a esgrima. Passados 35 anos, a mensagem proferida pelo então presidente da associação, Denis Follows (1908-1983), ainda é poderosa: “O esporte deve ser conciliador, e não segregador”. Vladímir Mikheev é um jornalista moscovita. Foi repórter do jornal“Izvêstia”e colaborador da BBC.

concreto, tratou-se de uma vingança do EI (Estado Islâmico) ou de estrutura similar contra o grupo xiita Hezbollah, que luta ao lado de Assad na Síria. A comunidade internacional ficou balançada, mas a ressonância não foi, evidentemente, a mesma dos acontecimentos na França. Afinal, o que aconteceu foi “lá em Beirute”, na “periferia do mundo civilizado”. E praticamente não houve ressonância global quando, um dia antes dos ataques ter-

ror istas em Par is, u ma bomba explodiu em uma mesquita xiita no Iêmen. Agora, mais uma vez, constata-se que todos nós vivemos na linha de frente da luta contra o terror. E se os extremistas usam a Síria como motivo para os ataques, já que a França se uniu recentemente à coalizão contra o EI, não significa que Londres, que ainda não tomou parte na campan ha, esteja a salvo dos terroristas. A primeira reação dos eu-

Em recentes advertências relacionadas com o fluxo de refugiados do Oriente Médio chegou-se a dizer que, dentre o milhão de refugiados que chegaram à Europa, haveria quase 25 mil combatentes. O chefe da administração do Kremlin, Serguêi Ivanov, e o presidente Vladímir Pútin alertaram para o fato durante a sessão anual da Assembleia Geral da ONU, realiza há dois meses. O 11 de setembro se repetiu. E todos aqueles que se consideram parte do mundo civilizado devem compreender onde falhamos nos últimos 15 anos daquilo que cham a mo s de c ombat e ao terror. Mais do que isso, devemos criar novas formas de interação, mais especificamente entre a Rússia e o Ocidente. Agora, mais que nunca, é premente a necessidade de se colocar de lado as diferenças – relativas à questão síria ou à ucraniana, por incrível que pareça, já que essas provocaram uma política de “dois pesos e duas medidas”. Senão, seremos obrigados a reconhecer que os terroristas fanáticos, apesar de tudo, levam uma grande vantagem sobre nós: agem de um modo muito mais coeso e unido que todo o chamado “mundo civilizado”. Geórgui Bovt é membro do Conselho para a Política Externa e Defesa.

O MUNDO RUSSO EM CONSOLIDAÇÃO Serguêi Lavrov CHANCELER

comunidade russa no exterior chega a quase 30 milhões de pessoas e é a quarta maior diáspora no mundo. Sua formação começou no final do século 19, em meio a eventos decisivos na história nacional. Um marco importante nos últimos anos foi o 1º Congresso Mundial das Comunidades Russas, em 2001. Então, ainda estava viva na memória a queda da União Soviética, que levou à saída de mais de 25 milhões de cidadãos do país. Encontrar seu lugar em um novo cenário, preservar a identidade étnica e cultural, garantir a conservação dos laços com a pátria histórica – todas essas questões eram de grande importância para a maioria dos compatriotas. E a liderança do país respondeu a suas expectativas. O apoio à comunidade russa mundo afora é prioridade absoluta da política externa da Rússia e está registrada no Conceito de Política Externa do país. Como já confirmado pelo presidente Vladímir Pútin, continuaremos defendendo vigorosamente os direitos de nossos compatriotas, recorrendo a todos os meios disponíveis e previstos pelo direito internacional. O mundo russo é um recurso importante para o reforço do clima de confiança e compreensão nas relações entre

A

a Rússia e os países de residência dos nossos compatriotas. Continuamos explicando a nossos parceiros que a presença da diáspora russa em seus países é um fator importante para o reforço das relações bilaterais, mutuamente benéficas em diversas esferas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia coopera plenamente com a Fun-

Diásporas fortalecem as relações bilaterais e a luta contra a revisão histórica da Segunda Guerra

70 anos da vitória sobre a Alemanha nazista neste ano foi poderoso fator de unificação dação de Apoio e Defesa dos Direitos de Nossos Compatriotas no Exterior, criada em janeiro de 2013 e que provou ser um mecanismo popular na defesa de seus interesses legítimos e na neutralização das tentativas de discriminação, especialmente nos países do Báltico. Essa fundação oferece uma contribuição útil na luta contra a revisão histórica da 2ª Guerra Mundial, a glorificação dos nazistas e seus alia-

dos, bem como contra todas as formas de xenofobia, nacionalismo exacerbado e chauvinismo. As comemorações do 70º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista neste ano foi um poderoso fator de unificação das diásporas russas. Estamos sinceramente agradecidos pela contribuição desses grupos na organização de comemorações, por não terem esquecido as páginas heróicas de nossa história e se manterem unidos para defender a verdade sobre os acontecimentos daqueles anos. Outra iniciativa importante é a implementação do programa estatal para auxiliar no regresso voluntário de compatriotas que vivem no exterior. Por meio desse programa, mais de 367 mil pessoas já retor na ra m à Rússia. A crise ucraniana teve grande influência: devido à guerra ali desencadeada, já chegaram a nosso país 1,2 milhão de ucranianos. Para se ter ideia, parte desses cidadãos ucranianos compõe mais de metade do número total de compatriotas que se mudaram para a Rússia. Mas não pretendemos repousar sobre os louros já conquistados. Estou convencido de que, juntos, conseguiremos resolver com sucesso os desafios futuros e divulgar o enorme potencial do mundo russo. Serguêi Lavrov é ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa.

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Política e Sociedade

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

Defesa Para analistas, lançamentos na Síria podem ser demonstração de poder militar russo também a outras nações

Tecnologia fará frente a escudo dos EUA Moscou promete desenvolver armas de ataque capazes de neutralizar sistema de defesa antimíssil norte-americano no Leste Europeu.

Kalibr, o míssil lançado na mídia

ALEKSÊI TIMOFEITCHEV

EPA/VOSTOCK-PHOTO

tos recebidos pelas forças estratégicas russas foram os mísseis balísticos intercontinentais Yars (ICBM) SS-24, que até 2020 deverão ser a principal força nuclear terrestre russa. Diferentemente de seu antecessor Topol-M, que possuía apenas uma ogiva, o Yars possui três. Além disso, é menos vulnerável, ganha velocidade mais rapidamente, e suas ogivas são manobráveis na fase final do voo. Outro destaque do arsenal russo é o míssil balístico intercontinental Bulava, desenvolvido para disparos a partir de submarinos. Cada um

“O discurso do presidente mostra apenas o desejo de Moscou de manter a paridade estratégica com Washington”, afirma o diretor da Associação de Cientistas Políticos Militares, Vassíli Belozerov.

Mesmo com a implementação de forças estratégicas, país se diz contrário a corrida armamentista

Potências atuais

Discurso de Pútin não deve alterar relações bilaterais, pois apenas exprime desejo de paridade, diz analista

Segundo o presidente russo, a defesa do país já desenvolveu e testou, durante os últimos três anos, uma série de sistemas de defesa antimísseis para missões de combate. Esses, como diversos projetos russos, são mantidos em segredo de Estado. Nos últimos anos, porém, um dos principais armamen-

LEGION MEDIA

App de Vodiánova quer ajudar entidades a receber doações

GAZETA RUSSA

A top model e filantropa russa Natália Vodiánova acrescentou mais duas facetas a sua personalidade: agora ela é cofundadora de uma empresa de tecnologia e criadora de um aplicativo para a realização de pequenas doações que pretende “dar sentido” à existência conectada de pessoas que não podem imaginar suas vidas sem o smartphone.

Batizado de “Elbi”, o aplicativo permite que a geração Y (pessoas na faixa dos 15 aos 35 anos) faça pequenas doações para organizações fi lantrópicas do mundo inteiro, entre elas a Save the C h i ld r e n , a F u nd aç ão Walkabout, a Blue Skye Thinking e muitas outras. Enquanto quase 83% dos integrantes dessa geração possuem um smartphone, a grande maioria das organizações filantrópicas não têm uma estratégia na internet. “Elbi” chegou para preencher essa lacuna: ele não só facilita as doações com uma ferramenta digital simples de usar, mas dá sentido à ati-

líquido, o Sarmat, apelidado de “Satanás” devido a seu poder destrutivo, e que em breve deverá substituir o R-36M.

jetos como esse”, d iz o especialista militar Konstantin Bogdanov. Apesar da crise econômica que levou à queda do PIB russo, não deve haver dificuldade de alocar verbas para o desenvolvimento de novas a r mas nuclea res estratégicas. “As Forças Nucleares Estratégicas são uma prioridade incontestável. Preservar a estabilidade estratégica é objetivo claro do Ministério da Defesa e do governo”, disse à Gazeta Russa o especialista do Conselho Russo para Ass u nt o s I nt e r n ac ion a i s, Prokhor Trébin.

Sem crise Durante a reunião, as câmeras dos repórteres também captaram um slide nas mãos de um dos participantes indicando o desenvolvimento do chamado sistema multimissão oceânico Status-6 – uma espécie de míssil-torpedo com ogivas nucleares e lançamento a partir de submarinos. “Esse projeto não foi divulgado por acaso: as autoridades queriam trazer à tona pro-

Apesar disso, o sistema foi colocado em funcionamento e confirmou os piores receios. Grandes produtores e comerciantes de alimentos registraram uma interrupção de até 30% dos produtos. O representante russo dos empresários junto ao governo, Boris Titov, propôs que o país colocasse o sistema em regime de testes por um ano. Neste mês, caminhoneiros brasileiros também iniciaram uma greve, após não terem suas reivindicações atendidas pelo governo federal, mas o aumento de multas a motoristas obstruindo as vias no dia 11 enfraqueceu o movimento.

EVGENY KURSKOV / TASS

vidade on-line dessas pessoas, segundo os desenvolvedores do aplicativo. Os usuários do “Elbi” criam, por si próprios, o conteúdo do aplicativo. Eles podem escrever o abecedário para estudantes aprendendo o alfabeto em Uganda; mandar palavras de apoio a crianças em um hospital na Índia; ou inventar um “meme” engraçado para uma embalagem de sanduíche em Cambridge. Quando os usuários clicam no botão “Amor” para desenhos postados por outros usuários, isso gera pequenas doações, de cerca de um dólar, a diferentes entidades. Quanto melhor o conteúdo criado – seja ele uma fotografia, um desenho ou uma mensagem de melhoras -, mais “Amor” ele ganha, e mais dinheiro é arrecadado para a caridade. “Com ‘Elbi’, as pequenas ações de uma pessoa podem fazer uma grande diferença”, explicou Vodiánova à Gazeta Russa. O desenvolvedor web Lev Zviáguintsev concorda que o “Elbi” destaca-se entre os aplicativos existentes. “O app não só potencializa o engajamento social, mas também explora outra força humana poderosa: a da imaginação”, diz.

desses mísseis pode transportar 10 ogivas nucleares hipersônicas manobráveis de alvo individual, que podem mudar a altitude e a trajetória do voo. Para neutralizar o sistema de defesa antimíssil dos EUA, Moscou poderá incluir ainda o sistema tático-operacional de mísseis Iskander-M, equipado com ogivas nucleares, e os novos mísseis de cruzeiro Kalibr, cujo potencial foi recentemente demonstrado em campanha na Síria. O governo russo financia já há alguns anos projetos ligados ao potencial de dissuasão nuclear, entre eles um novo míssil pesado de combustível

Caminhoneiros em protesto

Supermodel cria aplicativo do bem

SVETLANA ARKHANGUELSKAIA

ticas de tais mísseis, porém, são mantidas em segredo de Estado, e o equipamento exportado pelo país tem poder reduzido. No mar Cáspio, os mísseis da KB Novator provaram atingir alvos a mais de 2.500 km de distância e ser equiparáveis aos norte-americanos Tomahawk.

O presidente norte-americano Barack Obama tem conversa paralela com seu homólogo russo, Vladímir Pútin, durante o G20

Existe amor Cada clique no coração rende doações

Já conhecida por filantropia, Vodiánova cria aplicativo e empresa de tecnologia para transformar vício em smartphone em caridade.

Em outubro, navios de guerra russos lançaram, a partir do mar Cáspio, um ataque com mísseis de cruzeiro contra alvos militares do EI (Estado Islâmico) na Síria, uma demonstração de poderio militar que visa a alertar também outras grandes nações. As características técnicas e tá-

Trabalhadores do setor e empresários pedem regime de testes de sistema de pagamentos CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

te da Associação Siberiana de Transportadoras, Viatcheslav Trunaiev, à agência Tass.

Segundo dados da associação, o imposto encareceria de 5% a 10% os produtos transportados. As transportadoras exigem a redução das

taxas e que o sistema seja testado em uma única região durante pelo menos seis meses antes de ser introduzido em território nacional.

Rússia e EUA podem se reaproximar após EI CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

pulsionada a todo tempo pela percepção de que se tem um inimigo em comum. Foi assim quando o Ocidente se aliou aos islamistas contra a Rússia no Afeganistão na década de 1980, em um tempo em que o comunismo era visto como a principal ameaça”, explica.

Sem discórdia? Mas criar uma aliança para derrotar o EI pode parecer

mais fácil no papel que na realidade. Principalmente porque Rússia e Estados Unidos ainda discordam em muitos pontos sobre o futuro da Síria. Na comunidade internacional, muitos veem a saída do presidente sírio Bashar al-Assad como condição primordial para seguir adiante. A Rússia, pelo contrário, acredita que o governo de Assad seja o único elemento que pode evitar o fracasso da Síria como Estado.

Mesmo com as divergências, a Rússia já concordou em se aliar à França na luta contra o EI. Além disso, o presidente francês François Hollande esteve em Moscou na quinta-feira (26) para negociações com seu homólogo russo. Os norte-americanos ainda não demonstram tanta força de vontade, mas estão chegando lá. “Acredito que haja a possibilidade de cooperação [com a Rússia]. Quanto antes acordarmos esse processo po-

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Em reunião sobre a defesa nacional, o presidente russo Vladímir Pútin declarou que o país fará frente aos planos dos EUA e da Otan de prosseguir com a implementação de um sistema global de defesa antimíssil “cuja verdadeira finalidade é neutralizar o potencial nuclear estratégico de outros países que possuem armas nucleares, sobretudo a Rússia”. O alerta segue-se a uma série de demonstrações de insatisfação desde 2001, quando os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o Tratado ABM (sobre Antimísseis Balísticos), de 1972. Desde então, diversos líderes russos já ressaltaram a necessidade de se desenvolver forças estratégicas em resposta à implementação do sistema de defesa de mísseis norte-americano. Mesmo assim, Moscou mantém seu posicionamento contrário a uma nova corrida armamentista. “O planeta sobreviveu a duas guerras mundiais. É óbvio que não podemos permitir, nem em pensamento, que algo desse tipo volte a acontecer”, disse o premiê Dmítri Medvedev ao jornal “Rossiyskaya Gazeta” em meados de novembro. Apesar de menos diplomático, o anúncio de Pútin não deve afetar as relações russo-americanas, que já atravessam o momento mais crítico do pós-Guerra Fria.

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País já concordou em se aliar à França na Síria

lítico, mais improvável será que ocorram eventos como os que aconteceram hoje”, disse Obama em encontro com Hollande na terça (24), quando um caça russo foi abatido na fronteira turco-síria.

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RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

Mostra Em segunda edição, festival de cinema do Mosfilm remonta história do estúdio

Filmes russo-soviéticos passeiam pela Cinemateca Entre títulos mais recentes está ‘O caminho para Berlim’ (2015)

Entre os destaques, mostra em São Paulo traz títulos de Karen Chakhnazarov, Serguêi Popov, Lev Kulechov, além de clássicos do humor como Leonid Gaidai e Ivan Piriev. IRINEU FRANCO PERPETUO ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

KINOPOISK.RU (3)

‘Lenin em 1918’ (1939), do mestre Mikhail Romm

© RIA NOVOSTI

São 11 filmes de dez diretores, cobrindo nove décadas de história, todos com entrada franca. A Cinemateca Brasileira abriga, de 3 a 9 de dezembro, a 2° Mostra de Cinema Mosfilm em SP, parceria da instituição com o Mosfilm e a CPC-Umes. Criado em 1923, o Mosfilm é um estúdio cuja história se confunde com a do cinema russo. Na época do fi m da URSS, tinha produzido mais de três mil filmes e conseguiu superar a crise dos anos 1990 para chegar aos d ias de hoje at ivo e atuante. “Hoje o Mosfilm é uma enorme planta industrial, o que permite filmar uma parte significativa dos filmes russos em sua base”, explica o historiador do cinema Andrêi Plakhov, 65, colunista do jornal “Kommersant” agraciado em 2014 com o Certificado de Honra da Presidência da Rússia. “Sua produção própria não é grande, mas a marca Mosfi lm conserva sua importância histórica, ligada ao período soviético, quando era o maior estúdio de pr o duç ão d a E u r op a”, completa. A mostra passeia pelas décadas de história do estúdio, dos anos 1920 até hoje. O período pós-sovié-

‘Braço de diamante’ (1968) é um dos maiores clássicos do humor soviético, cujas falas viraram expressões populares no país

Hoje, Mosfilm tem produção própria pequena, mas já foi o maior estúdio de produção da Europa

PLANETÁRIO Aberto a crianças acima dos quatro anos de idade, o planetário é sempre um lugar fascinante para os pequenos. Aqui, ainda mais, pois a capital russa gaba-se de ostentar a maior telona celeste da Europa. O universo ali se exibe em todo seu esplendor, da Antiguidade até os dias atuais, e os segredos da astronomia são revelados em experiências científicas.

tico está representado por duas realizações de Karen Chakhnazarov, 63, conhecido no Brasil por “Somos do Jazz” (1984) e “Cidade Zero” (1990), e que preside o Mosfi lm desde 1998. Dessa vez, o público que for à Cinemateca poderá travar contato com “A Filha Americana” (1995) e “A Cidade dos Ventos” (2008). Além disso, na abertura da mostra, será exibido o recentíssimo “O Caminho para Berlim”, de Serguêi Popov, baseado em escritos de Em-

manuil Kazakevitch (19131962) e Konstantin Símonov (1915-1979), e lançado em 2015 para celebrar os 70 anos da vitória russa na Segunda Guerra Mundial. Para Plakhov, o destaque fica com “Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolchev iques” (1924), de Lev Kulechov (1899-1970), com roteiro de Vsevolod Pudóvkin (18931953) – que, mais tarde, se tornaria um dos mais influentes diretores do cinema russo. Ele também julga

EXPERIMENTARIUM O “Experimentarium” moscovita é uma atração para crianças acima dos sete anos onde se pode não apenas tocar em todos objetos, mas também realizar diversos experimentos. A área de 2.000 m2 reserva mais de 200 objetos inspiradores - desde caminhões norteamericanos a protótipos de olho humano. experimentanium.ru/en

“curioso travar conhecimento com a tradição da comédia soviética, de ‘Tratoristas’ (1933), de Ivan Piriev (1901-1968), a ‘Braço de Diamante’ (1968), de Leonid Gaidai (1923-1993)”. A pesquisadora brasileira Neide Jallageas destaca ainda Grigóri Tchukhrai (1921-2001), celebrizado pelo drama de amor e guerra “A Balada do Soldado” (1959), e representado na mostra por “A Vida é Maravilhosa” (1979), coprodução soviético-italiana estrelada por

Para crítico russo, maior destaque é filme de 1924 de Kulechov

Giancarlo Giannini. “É um fi lme, até hoje, pouco visto no mundo inteiro, espécie de raridade. Muito bom que seja mostrado aqui”, diz. Editora-chefe da Kinoruss Edições e Cultura, e autora de dois livros sobre o cinema de Andrêi Tarkóvski (19321986) que se encontram em processo de revisão, Jallageas considera “de grande valia conhecer, estudar, estabelecer parâmetros críticos sobre o que foi realizado na Rússia e na ex-União Soviética para compreender a nossa própria

história e o período em que vivemos”. Em sua opinião, Gleb Panfílov, 81, talvez seja o “cineasta mais idiossincrático” da mostra, embora esse aspecto não se veja plenamente refletido no filme que foi selecionado: “Vassa” (1983), baseado em peça de Maksim Górki (1868-1936). Jallageas também enfatiza o “monstro sagrado” Mikhail Romm (1901-1971), mestre de Tarkóvski, Tengiz Abuladze, Vassíli Chukchin e Tchukhrai. De Romm, será exibido “Lênin em 1918”.

MUSEU ‘LUZES DE MOSCOU’ Com visitação pré-agendada em diversas línguas, o pequeno visitante acima dos seis anos pode aprender a fazer fogo com gravetos e manusear u centro de controle de iluminação um d rua que funcionou em Moscou de en 1940 e 1984. entre ognimos.ru og

PARQUE GÓRKI A área de lazer é uma das mais bem estruturadas do mundo, bem no centro de Moscou. Tem museu de arte contemporânea com oficinas, “Escola Verde” para crianças dos 4 aos 12 anos, e o clube familiar “Mama’s Place” para mamães com crianças.

planetarium-moscow.ru/en

park-gorkogo.com/en/

MUSEU MEMORIAL DA COSMONÁUTICA Os pequenos aspirantes a astronautas vão adorar o Museu Memorial da Cosmonáutica, que tem entrada restrita a maiores de 4 anos. O local tem um “Centro de Controle de Missões” real, simulador de helicóptero de resgate e até um simulador para conquistar a lua! Naves, trajes espaciais e assentos ejetáveis estão ações. entre ass atrações.

MOSKVARIUM KVARIUM Quase todas as espécies da fauna marinha estão representadas aqui em 80 aquários enormes. No aquário, pode-se ficar cara a cara com os mais perigosos habitantes das profundezas submarinas - e também com os mais inofensivos. Os shows trazem o talento das orcas, belugas, golfinhos, morsas e leões marinhos com todo seu vigor.

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moskvarium.ru/en

ZOOLÓGICO DE E MOSCOU titigo goss da go da Um dos mais antigos gura gu r do ra d em m Europa, foi inaugurado cup uppa um uumaa 1864. Hoje, ocupa ctaarees co ccom m área de 22 hectares 0 an nimai im maiis mais de 8.000 animais nddo. o de todo o mundo. moscowzoo.su

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Nova edição do "Rússia", 27 de novembro  
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