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Brics alinhados na Síria?

EDILSON RODRIGUES

De acordo com embaixador russo, países souberam de campanha na Síria com antecedência P.2

Produzido por

ESTE SUPLEMENTO É ELABORADO E PUBLICADO PELO JORNAL ROSSIYSKAYA GAZETA (RÚSSIA), SEM PARTICIPAÇÃO DA REDAÇÃO DA FOLHA DE S.PAULO. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Luto Acidente com avião russo que caiu no Egito causou a morte de 224 pessoas, entre elas 25 crianças

NOTAS BRICS Novo Banco seleciona projetos ALEKSEY KUDENKO / RIA NOVOSTI

O Novo Banco do Brics começou a selecionar projetos de produção prioritários que receberão financiamento no ano que vem, de acordo com o ministro da Indústria e Comércio da Federação Russa, Denis Manturov. Durante o pronunciamento, o ministro também propôs a criação de mecanismos para coordenar a promoção de produtos aos mercados de países do terceiro mundo. Marina Darmaros

Ciência ganha plataforma

ANATOLI MEDVED / RG

Reunidos em Moscou, os ministros das Ciências e da Tecnologia dos Brics criaram uma plataforma de trabalho com divisões temáticas para cada país: prevenção e redução de consequências de desastres naturais (Brasil), combate à poluição das águas (Rússia), tecnologias geoespaciais e sua aplicação (Índia), novas fontes energéticas e fontes de energia renovável (China) e astronomia (África do Sul). Ígor Rôzin

No aeroporto onde avião deveria ter aterrissado, aterrissado pessoas ainda depositam doces e brinquedos, brinquedos uma tradição russa para homenagear as crianças vitimadas

Aeronave levava casais celebrando aniversário de namoro, tripulantes... Mas também houve quem fugisse à sina e deixasse de embarcar. EKATERINA SINELSCHIKOVA GAZETA RUSSA

Na manhã daquele sábado (31), em São Petersburgo, o aeroporto Pulkovo começava a receber parentes e amigos dos passageiros. Na área de chegada, nem todos sabiam do ocorrido. A tela cinza de decolagens e aterrissagens do hall mostrava apenas que o voo 9268 estava atrasado. Os entes das vítimas já informados se afas-

tavam para chorar junto ao balcão de in for mações, inconsoláveis. Meia hora após o horário em que o avião deveria aterrissar, o voo sumiu da tela. Os familiares continuaram a discar freneticamente para os celulares dos acidentados. A esperança de que alguém atendesse não hav ia se dissipado.

25 crianças O Airbus A321 que caiu no final de outubro no Egito levava 224 pessoas, entre elas 25 crianças. O voo fretado retornava de um resort egípcio em Sharm el-Sheikh, com

destino a São Petersburgo, e era operado pela companhia Kogalimavia (conhecida como MetroJet). Entre os 217 passageiros, havia cidadãos russos, ucranianos e bielorrussos que, pouco antes da tragédia, postaram nas redes sociais fotos de suas férias maravilhosas no paraíso egípcio. “Urá! Vamos voar para onde é calor”, “O voo está atrasado, mas meu pensamento já está lá”, “Nunca pensei que o #Egito fosse provocar em mim tantas emoções positivas” foram algumas das mensagens que acompanhavam essas imagens.

‘A mais importante’ Antes de partir para o Egito, os pais da pequena Darina Gromova, de dez meses, fotografaram a menina mirando a pista de decolagem através do vidro do aeroporto. A mãe, Tatiana, publicou a imagem nas redes sociais com os dizeres: “A passageira mais importante”. Após o acidente, a foto tornou-se na Rússia um dos principais símbolos do acidente, compartilhada por quase um milhão de internautas. Tatiana e Aleksêi se casaram em agosto de 2014. Em seu vídeo de casamento, os

dois dançam uma valsa, enquanto a sogra de Tatiana enxuga as lágrimas de alegria. No dia do acidente, Tatiana ainda postou uma mensagem de agradecimento a Aleksêi: “Obrigada a meu marido por este ano, pela nossa fi lha, pelo cuidado e amor”.

anos, Valéria, 10, e a pequena Anastassia, 3. “Olá, São Petersburgo! Adeus, Egito! Estamos indo para casa!”, escreveu Olga em uma rede social. A viagem foi a primeira do casal ao exterior, em celebração ao aniversário de namoro e de casamento, ambos em outubro.

De volta para casa

Previsão

A numerosa família Chein também estava a bordo do voo 9268. Eles tiraram a última foto alguns minutos antes da decolagem para São Petersburgo, já dentro da aeronave: o casal Olga e Iúri e os filhos Guennádi, de 11

Embalada pelo hobby de quiromante nas horas vagas, a irmã de Olga Krilova leu sua mão, há seis meses, e viu que sua linha da vida ocupava menos da metade da palma. CONTINUA NA PÁGINA 2

Monopólio da internet na mira Na primeira reunião entre ministros das Comunicações dos Brics, realizada em outubro em Moscou, os chefes das pastas ressaltaram a necessidade de apoiar empresas de TI e abrir mercados entre os membros para desafiar o monopólio dos EUA. Em 2014, o número de usuários de internet nos Brics chegou a 1,2 bilhão, e parte dos recursos do Novo Banco deve ampliar a cooperação no setor. Paulo Paladino

Bilateral Presidente da Câmara brasileira afirma que levará na próxima semana ao Plenário acordo assinado no setor de defesa com país

Durante visita, delegação russa pediu novamente revisão de legislação brasileira para possibilitar negociações com país. PAULA BITTAR ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Na última terça-feira (10), uma comitiva chefiada pela presidente do Conselho da Federação (Senado) da Rússia,

Valentina Matvienko, foi recebida pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Congresso Nacional. Em um momento sensível na Câmara, a senadora russa realizou a visita em reciprocidade à efetuada em junho por Cunha e Calheiros.

No ano da presidência russa do Brics, os contatos parlamentares bilaterais têm se fortalecido em grande escala, mas poucas negociações têm sido colocadas na prática, como relembrou a senadora. “Acreditamos ser necessário aperfeiçoar a base jurídica e alinhar as normas legislativas para ratificar

documentos assinados pelos chefes de Estado e governos”, disse Matvienko. Em encontro ainda em setembro com Michel Temer na capital russa, ela pediu, mais uma vez, que o vice-presidente buscasse meios de efetivar as trocas comerciais bilaterais em moedas nacionais - ação CONTINUA NA PÁGINA 2

JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Cunha e Calheiros recebem Matvienko em Brasília

Visita da presidente do Senado russo se dá em momento sensível para política nacional

GAZETA RUSSA, FONTE CONFIÁVEL DE NOTÍCIAS 83% consideram a gazetarussa.com.br como fonte para novos pontos de vista de especialistas russos

81% acreditam que a gazetarussa.com.br fornece informações e análises que vão além da cobertura tradicional da mídia sobre o país 77% dizem que nossos projetos on-line são relevantes para todos - e não apenas a quem tem algum interesse especial pela Rússia * P e s q u i s a re a l i z a d a co m l e i to re s d a G a ze t a R u ss a e d o p ro j e to R BT H e m m a rço d e 2 0 1 5

U M P O N T O D E V I S TA B A L A N C E A D O S O B R E A R Ú S S I A

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Política e Sociedade

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culdades técnicas, determinadas pela legislação financeira e monetária dos dois países, que impede, por enquanto, sua realização. As perspectivas para essa transição são boas, na minha opinião. Esperar que isso aconteça amanhã é irreal, mas os trabalhos continuam sendo conduzidos.

ENTREVISTA SERGUÊI AKOPOV

Brasil sabia de intervenção russa na Síria, diz embaixador DIPLOMATA AFIRMA AINDA QUE PRESIDENTE BRASILEIRA CRITICOU WASHINGTON, E NÃO MOSCOU, EM VISITA À SUÉCIA.

Embaixador da Rússia no Brasil desde 2010, Serguêi Akopov, 61, fala com exclusividade à Gazeta Russa sobre a ameaça do EI (Estado Islâmico), parcerias bilaterais no setor espacial e crescimento do turismo entre os países. Moscou anunciou o envio de forças aéreas à Síria para impedir o avanço do EI ao país. O quanto isso ameaça a Rússia e os Brics? O movimento terrorista internacional - do qual faz parte não apenas o EI, mas também uma série de outros grupos - sem dúvida representa um grande perigo à Rússia. Milhares de cidadãos russos estão lutando ali e, claro, acredita-se que eles possam retornar à pátria. O movimento terrorista ameaça não apenas a Rússia, mas sim a humanidade. No caso do Brics, Índia e China, que estão localizadas geograficamente mais próximas à zona de conflito, também

O sr. poderia comentar as críticas realizadas quanto à operação militar russa na Síria por parte da presidente Dilma Rousseff, durante visita à Suécia? Infelizmente, a imprensa brasileira usa as informações das principais agências de notícias e tira as coisas do contexto. Analisando a entrevista da presidente com atenção, pode-se ver que, na realidade, ela não critica a Rússia. Pelo contrário, de maneira muito diplomática, quem ela critica são os países ocidentais e os EUA por suas ações no Oriente Médio, apesar de não citar concretamente nenhum país. Em primeiro lugar, as declarações da presidente de

que o problema não pode ser resolvido apenas por meios bélicos foi tirada do contexto. Em segundo, essa posição coincide com a russa. Sempre dissemos que a força, sozinha, não resolve nada. A Rússia realizou alguma consulta ou acordo com outros Brics antes do início das operações militares na Síria? Sim, a Federação da Rússia informou com antecedência os membros do Brics sobre o i n ício das operações militares.

Akopov sobre o EI: “É melhor aniquilar mal na Síria que esperar ele bater à porta”

Como anda a intensificação da parceria aeroespacial Brasil-Rússia anunciada já há alguns meses? O setor espacial é uma das áreas prioritárias de parceria entre Rússia e Brasil, e buscamos um modo de ampliar cooperação. Digo “buscamos” porque é um setor muito caro, que exige fortes investimentos financeiros. Na atualidade, ambos os nossos países sofrem uma série de dificuldades econômicas, e hoje faltam meios para avançar com esses programas.

IDADE: 61 FORMAÇÃO: RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Serguêi Akopov formou-se no Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou em 1976. Trabalhou no consulado russo na Costa Rica de 1976 a 1980, e no Chile, de 1990 a 1996. Desde 2010 é embaixador no Brasil, onde já havia servido de 1983 a 1988. De Brasília, responde também pelo Suriname.

Presidente do Senado russo visita Brasil CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

que não é possível atualmente devido à legislação brasileira. Calheiros também destacou a importância do alinhamento legislativo para o estreitamento das relações diplomáticas e comerciais entre as duas nações. Durante a reunião com ele, foi assinado um acordo de cooperação parlamentar. Segundo Calheiros, as duas Casas darão prioridade às matérias que já tramitam. “A presença da senadora significa que teremos desdobramentos mais efetivos na estratégica parceria do Brasil com a Rússia”, afirmou.

Defesa Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou que pretende levar ao Plenário, na próxima semana, um acordo de cooperação firma-

do com a Rússia no setor de defesa. O acordo foi assinado em Moscou em dezembro de 2012 e está sendo analisado como Projeto de Decreto Legislativo 205/15. O texto já foi aprovado pela Comissão de Relações Ex ter iores e de Defesa Nacional. Segundo Cunha, apesar de a agenda de integração ser efetuada pelo Executivo, os Parlamentos precisam ter ações conjuntas para estreitar os laços entre os governos. “O Brics é uma porta aberta para aprofundamento das relações, principalmente na cooperação e discussão sobre os problemas mundiais. Os legislativos têm que trabalhar juntos para ancorar as decisões políticas. Podemos motivar e facilitar ações de trocas entre os países”, afirmou Cunha.

O que o Brasil ganha com a instalação dessas estações em seu território? O sistema será usado não apenas com interesses bélicos, mas civis, e o Brasil está interessado em ter acesso a essa tecnologia. Além disso,

Continuidade da Cúpula Matvienko também recordou que um dos objetivos da visita ao Brasil é dar continuidade ao debate da 7° Cúpula dos Brics, ocorrida em julho na Rússia. “Voltamos a falar sobre a importância da cooperação em diversas áreas, como energética, agrícola, industrial, processamento de minérios, ciência, tecnologia e inovação, e sobre medidas mais concretas para aperfeiçoar o intercâmbio comercial”, disse. É a segunda vez que os representantes das Casas do Parlamento no Brasil se reúnem com Matvienko. Em junho, Cunha e Calheiros estiveram em Moscou com outros 13 deputados para participar do primeiro Fórum Parlamentar do Brics. Ao lado de Calheiros, Valentina Matvienko ressaltou que o Brasil é o principal parceiro da Rússia na América Latina. “Temos posições semelhantes sobre diversas questões internacionais. Assim, podemos direcionar nossos esforços para ações que atendam aos interesses de nossos países”, disse.

A educação também foi tratada no encontro, e Matvienko abordou a criação da Universidade do Brics. “O objetivo da rede universitária é selecionar as melhores práticas existentes nos sistemas de ensino dos cinco países. Por meio de um espaço educacional integrado, vamos formar especialistas e desenvolver mais pesquisas”, explicou. De acordo com a senadora, já foram definidas as dir e ç õ e s do s pr o g r a m a s educacionais. Já no comércio bilateral, a meta de atingir os 10 bilhões de dólares foi novamente tocada por Matvienko. “O que vai promover o aprofundamento da cooperação econômica entre os países do bloco é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. A parceria já se reflete nos números dos

Fugindo do dólar

DIVULGAÇÃO

As visitas oficiais bilaterais têm sido marcadas por uma tônica: a insistência dos russos em buscar realizar as trocas comerciais com o Brasil em moedas nacionais. Com a crise do rublo, as trocas em dólares tornam-se insustentáveis para o país, que viu o preço da moeda praticamente dobrar com a intensificação da crise ucraniana. Com a alta do dólar, o Brasil, que importa fertilizantes e tecnologia, também vê a ideia como atraente, mas não há perspectivas para sua realização no momento.

o uso concomitante de dois sistemas de navegação permite que o país seja mais independente. Durante visita a Moscou em setembro, o vice-presidente Michel Temer se esquivou um pouco do uso de moedas nacionais nas trocas comerciais, devido à legislação nacional, apesar de dizer apoiar a ideia. O sr. acredita que ela se concretize? O assunto é discutido já há alguns anos e hoje os acordos estão sendo conduzidos entre os bancos centrais de ambos os países. Apesar disso, há uma série de difi-

Em entrevista à Tass ao final da cúpula do Brics, Dilma disse que o país estava pronto a trocar experiências com a Rússia para organização da Copa e das Olimpíadas. Como tem se dado essa troca? A troca se dá tanto no âmbito ministerial, como no dos órgãos das forças de segurança, das organizações esportivas e dos comitês olímpicos. Existe um documento intergovernamental que regula a troca de experiências ainda no âmbito legislativo.

O último voo de Sharm el-Sheikh

últimos 10 anos. O intercâmbio comercial russo-brasileiro quase triplicou”, destacou Valentina Matvienko.

Educação e os US$ 10 bi

Calheiros assina acordo de cooperação parlamentar com a homóloga russa

Apesar de tudo, isso não significa que a cooperação tenha sido colocada no freezer. Dentre as iniciativas que já existem, está a cooperação com o Brasil no âmbito do sistema de navegação Glonass. O Brasil é o primeiro país da região a instalar uma estação concorrente e terá ainda outras.

RAIO-X

A pequena Darina Grômova, de apenas dez meses de idade, contempla a pista de voo antes de embarcar para o Egito. Foto tornou-se símbolo do desastre

FOTO DO ARQUIVO PESSOAL

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

estão expostas a um perigo crescente. A ameaça do terrorismo é a principal razão para o auxílio ao Exército do governo sírio. Hoje esse é o único meio de resolução do problema. É melhor aniquilar o mal por lá do que esperar que ele bata a sua porta.

EDILSON RODRIGUES

IVAN MOROZOV

Apesar de turistas russos não precisarem mais tirar visto para visitar o Brasil, o país não entrou para os 50 destinos mais populares desses. Há até agências falando na queda do volume de turistas russos ao Brasil em 2015. Em 2014, por sua vez, apenas 31 mil turistas brasileiros visitaram a Rússia. O que atrapalha o crescimento do fluxo de turismo entre os países? O volume de 31 mil turistas brasileiros pode não ser tão grande, mas tudo é relativo. Se compararmos os indicadores com os de cinco anos atrás, houve um salto, tanto no fluxo do Brasil à Rússia, quanto no da Rússia ao Brasil. Como os brasileiros nem sempre partem direto à Rússia, muitas vezes a visita a nosso país integra um tour por diversos países. Claro que as dificuldades econômicas tiveram um impacto negativo no turismo, sobretudo devido ao alto custo das passagens de avião. No que diz respeito aos turistas russos, por enquanto o Brasil não está na lista de destinos tradicionais entre os russos, mas é visível que os turistas russos vêm mais e mais para o Brasil, tanto para resorts como para as cidades. Há uma evolução sim, e ela está na cara.

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No auge dos 30, Olga mal tinha decolado para o Egito e já planejava a viagem seguinte, à China. Olga riu e não acreditou na previsão da irmã. Estava acompanhada do marido, Mikhail, e da fi lha de 10 anos a bordo do voo da MetroJet. A também balzaquiana Ekaterina Murachova, 32, ex-miss Pskov, deixou a filha Ksênia, 8, na Rússia. Viajou ao resort árabe acompanhada da mãe, para descansar, antes de celebrar o próprio aniversário. “Ela me disse que voltaria no dia 1°. Agora irei ao enterro dela”, conta Ksênia.

Mau pressentimento Com a voz trêmula, Anna, mulher do comissário de bordo Stanislav Sviridov, fala em frente às câmeras. “Ele tentou se encontrar na terra, mas disse que não conseguia viver sem aviões, que amava o céu”, conta. Quando Anna lhe pediu para escrever uma mensagem ao chegar, o comissário

Explosão de bomba ou do motor? Ainda não estão claras as causas do acidente com o avião russo no Egito. A equipe internacional de investigação e a comissão técnica se abstêm de divulgar hipóteses, e as autoridades britânicas fizeram declaração oficial sobre um possível atentado terrorista a bordo. A inteligência do país europeu chegou a fornecer dados a Moscou, segundo confirmou o porta-voz do presidente russo na segunda-feira (9).

A exemplo de Londres, a Rússia suspendeu todos os voos de Sharm el-Sheikh com destino ao país como “medida preventiva” e iniciou a evacuaçao de turistas russos no Egito. De acordo com uma fonte do Ministério dos Transportes russo, “quatro minutos antes de o avião desaparecer dos radares, a situação a bordo permanecia normal”. Mas quando o avião desapareceu, sons estranhos foram identificados, disse.

ainda brincou: “Você também é aeromoça, para que isso? Se acontecer algo ruim, você verá na TV”. Segundo a mulher, Stanislav, que deixou dois filhos, andava agitado nas sema nas a nter iores ao acidente, como se o estivesse prevendo. O ut r o c om i s s á r io de bordo, porém, se deixou levar totalmente pelo mau pressentimento. Oleg Ermakov deveria compor a tripulação do voo 9268, mas o

pai, que teve um pesadelo uma semana antes, advertiu: “Oleg, peça as contas”. Dias antes da tragédia, Oleg colocou a carta de demissão na mesa do chefe. Queria falar aos amigos, mas não tinha nada mais que um sonho paterno para justificar o perigo iminente. O silêncio incomum ainda toma o Pulkovo. A porta de entrada continua repleta de flores e doces - uma tradição russa para homenagear as crianças mortas.


Economia e Negócios

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Agricultura Perda do mercado russo levou a aumento da oferta interna e queda nos preços em toda a Europa

O gosto amargo do embargo à UE BRYAN MACDONALD GAZETA RUSSA

A crise da Ucrânia se tornou uma questão vital para os agricultores europeus. A guerra das sanções entre Rússia e União Europeia levou a um excesso de oferta de alimentos e à queda dos preços. Por outro lado, a integração da Ucrânia à UE poderia gerar nova concorrência. “Os agricultores não querem a Ucrânia na UE. Em primeiro lugar, eles têm trigo muito barato. Se o euro cair ainda mais e as taxas de juros subirem, haverá um colapso de todo o setor”, diz o agricultor irlandês John Ryan. No dia 3 de setembro, mil ha res de ag r icu ltores, acompanhados por 1.500 tratores, bloquearam as principais vias de Paris em protesto contra o aumento dos impostos e a imposição de padrões ambientais cada vez mais rigorosos, que, aliados à queda dos preços dos alimentos, derrubaram os rendimentos agrários. Após o episódio, o presidente francês François Hollande prometeu socorrê-los.

Efeito dominó O descontentamento se espalhou como erva daninha pela Europa. Ao longo da fronteira espanhola, em Santiago de Compostela, ocorreu manifestação semelhante apenas u ma sema na depois. Na Irlanda, os agricultores despejaram todo o leite à venda em supermercados locais para manifestar sua raiva. Em Bruxelas, produtores de regiões tão distantes como a Finlândia se reu-

niram para exigir u ma intervenção da UE. Logo, 500 milhões de euros foram alocados para medidas de socorro ao setor. Mesmo assim, Albert Jan Maat, líder da principal organização de agricultores da UE, a Copa-Cogeca, não ficou satisfeito. “Os produtores da UE perderam seu principal mercado de exportação, a Rússia, no valor de 5,5 bilhões de euros ao ano. Um pacote de ajuda de 500 milhões não irá compensar isso”, afirma.

FRASE

Phil Hogan COMISSÁRIO EUROPEU PARA A AGRICULTURA

"

A agricultura foi o único setor a sentir o baque resultante da política externa e da decisão russa. A Rússia é destino de 10% dos produtos lácteos do mundo, e a Europa era seu fornecedor número um.”

Resposta russa Os preços dos alimentos, principalmente leite, carne e legumes, caíram bastante neste ano. O motivo é simples: aumentou a oferta interna devido ao embargo alimentício imposto pela Rússia à UE, como resposta às sanções alavancadas pela crise ucraniana em 2014. A Rússia também sofre, e sua econom i a e s t á e m pr of u nd a recessão. Mas a jogada do Kremlin se revelou extremamente eficaz. No final de agosto, o comissário europeu para a agricultura, Phil Hogan, afirmou que são os agricultores locais que pagam pela política externa da UE. “O único setor a sentir o baque que a política externa e a decisão russa causaram foi a agricultura”, disse. Ele afirmou ainda que se estabeleceu uma “situação muito difícil”, porque a Rússia era destino “de 10% dos produtos lácteos do mundo” e “a Europa ocupava o primei ro luga r entre seu s fornecedores”. Em 2013, antes da disputa causada pela crise ucraniana, um terço das exportações de frutas frescas e verduras da UE tinha como destino a Rússia, assim como um quarto da carne bovina. Quase

NÚMEROS

1.500 tratores tomaram as ruas de Paris em setembro com produtores rurais franceses que protestavam contra a queda dos preços agrícolas

500 milhões de euros foram alocados por Bruxelas para salvar o setor de agricultura da União Europeia. Os lácteos tiveram a maior queda de preços.

5,5 bilhões de euros constituem a perda anual estimada da UE após o embargo russo aos produtos europeus.

GETTY IMAGES

Após sanções europeias, restrições russas a alimentos da UE estão inundando os mercados internos e arruinando produtores.

Produtores rurais franceses levam suas reclamações e 1.500 tratores às ruas de Paris

75% do repolho, 63% do tomate e 52% de todas as maçãs europeias vendidas no exterior rumavam ao gigante vizinho do leste. De 2003 a 2013, o comércio bilateral saltou dos 90 bilhões para os 325 bilhões de euros. Como resultado, cresceu a dependência de muitos exportadores europeus em relaçao à Rússia, o que se acen-

Rússia era destino de 10% dos lácteos, 75% do repolho, 63% do tomate e 52% das maçãs europeias

tuou ainda mais a partir da crise financeira de 2008.

Mudança de rumo? À medida que a crise ucraniana parece enfraquecer, surgem sinais de mudança por parte da União Europeia. O ministro da Agricultura francês, Stéphane Le Foll, visitou Moscou em outubro e pediu a seu homólogo, Alek-

sandr Tkatchov, a revogação dos embargos. O Kremlin fez objeção, afirmando que o passo seria dado apenas quando a UE cancelasse as sanções à Rússia. No dia seguinte, o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, fez um anúncio surpreendente.“Não podemos permitir que nossa

relação com a Rússia seja ditada por Washington”, afi rmou. A declaração foi interpretada como um ataque à política norte-americana de submissão da Europa à aplicação de sanções. Junker acrescentou ainda que o Ocidente tem que “tratar a Rússia como se deve” e dialogar com ela de igual para igual.

Energia Rosneft e Lukoil mostram indicadores positivos em rentabilidade e fluxo de caixa e ultrapassam gigantes como ExxonMobil e BP Além disso, elas poderão sofrer pressão de políticos em busca de corrigir o deficit orçamentário, já que o orçamento de 2016 tem gerado intenso debate. “Acreditamos que a manutenção dos baixos impostos pode tornar a crise superável às petrolíferas”, lê-se em relatório da consultoria moscovita Renaissance Capital. Os analistas da consultoria estimam que a economia russa possa sofrer uma contração de 4% neste ano. Os principais motivos são as sanções e a queda dos preços do petróleo, cujos lucros compõem quase metade da receita estatal. Em setembro, o primeiro-

Mesmo com crise, petrolíferas têm bons resultados DAVID MILLER ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Maior exportadora de energia do mundo, a Rússia viu seu orçamento despencar com a queda dos preços das commodities energéticas. Apesar disso, as petrolíferas russas estão ultrapassando seus concorrentes em diversos indicadores, entre eles o de fluxo de caixa livre e o de rentabilidade. Isso ocorre porque, em primeiro lugar, os impostos sobre as petrolíferas russas são maleáveis. Enquanto o Estado recebe grandes quantias em anos de preços elevados, quando esses caem, os

lucros das empresas não são tão castigados. Além disso, o rublo despencou junto com o preço do petróleo enquanto a Rússia entrava em recessão. Assim, por um lado, o rublo barato elevou a inflação e encareceu muitos dos produtos importados. Por outro, isso fez com que os exportadores de petróleo recebessem mais rublos pela venda cotada em dólares. “As petrolíferas russas têm tido os melhores desempenhos no setor energético global, superando produtores nos EUA, Europa e mercados emergentes”, lê-se em relatório de setembro dos analistas do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs. Os analistas acrescentam ainda que os preços das ações

das petrolíferas russas estão relativamente baixos e recomendam sua compra. No primeiro trimestre de 2015, duas das maiores produtoras nacionais, a estatal Rosneft e a empresa de capital aberto Lukoil, tiveram altas significativas nos lucros, em comparação ao mesmo período no ano anterior. Em critérios como fluxo de caixa e margens de lucro, a Rosneft e a Lukoil superaram a ExxonMobil, a BP e a Royal Dutch Shell.

A queda no preço do petróleo

Impostos e política Mas as petrolíferas russas também enfrentam riscos políticos. Algumas, como a Rosneft, foram listadas entre as pessoas físicas e jurídicas sancionadas por EUA e países europeus devido à crise ucraniana.

DPA/VOSTOCK-PHOTO

Taxação reduzida em tempos difíceis contribui para sucesso russo. Analistas destacam a performance da Bashneft e o valor agregado de suas ações.

-ministro russo, Dmítri Medvedev, já rejeitou pedidos de aumento do imposto sobre a commodity. Mas seu gabinete diz que o governo está considerando mais lentamente que antes a redução das taxas de exportação, medida que poderia levar a um aumento da carga fiscal.

Bashneft O relatório de setembro da Renassaince Capital apontou a Bashneft como destaque entre os produtores de petróleo cru russos. “A Bashneft oferece uma combinação atraente de crescimento de volume e rendimento do dividendo (dividend yield) - com rendimento médio de 10% nos próximos cinco anos - baseada em ativos líquidos de prospecção e extração. Ela poderá gerar retornos e taxas de crescimento acima do setor, enquanto negocia em pé de igualdade com o resto do setor.” Por outro lado, os analistas recomendam a venda de ações da maior empresa de capital aberto produtora de gás natural da Rússia, a Novatek. No relatório da Renassaince Capital lê-se que “a Novatek oferece pouco valor no macroambiente atual”.

Ranking Na contramão da Rússia, Brasil caiu 18 posições em estudo do Fórum Econômico Mundial e teve pior colocação entre os Brics

País sobe oito posições em competitividade Apesar do progresso russo, situação geopolítica e preço reduzido de commodities, sobretudo do petróleo, ameaçam sua evolução. PÁVEL RÍTSAR GAZETA RUSSA

A Rússia passou da 53ª para a 45ª posição no ranking anual de competitividade global do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Com

o salto de oito posições em relação a 2014 , o país ultrapassou as Ilhas Maurício, Filipinas, Turquia etc. “O atual avanço da Rússia está associado a alterações na metodologia de avaliação do mercado interno e à melhora de fatores relacionados com a eficiência dos mercados de bens e serviços, que ocorreram graças à diminuição de barreiras administrativas em

“Avanço da Rússia está associado à queda de países que estavam a sua frente e mudanças de metodologia na avaliação, além de queda em tarifas de importação”

algumas áreas”, explica o coordenador do ranking do WEF na Rússia, Aleksêi Prázdnitchnikh. Os autores do relatório também destacam melhorias na gestão de negócios e na concorrência interna no país. Além disso, após entrar para a OMC (Organização Mundial do Comércio), em 2012, a Rússia teve uma queda nas tarifas de importação, o

que gerou um efeito positivo, segundo o relatório. “Mas o crescimento também está relacionado, em parte, à deterioração da situação em países que antes estavam na frente da Rússia, c o m o a T u r q u i a”, d i z Prázdnitchnikh. As dimensões do mercado, indicadores macroeconômicos suficientemente estáveis, disponibilidade de recursos hu-

manos e infraestrutura básica também continuam sendo pontos fortes do país.

Freada e despencada O avanço russo pode, entretanto, ser freado pelo conflito geopolítico e pelos preços reduzidos das commodities. A Suíça permanece em primeiro lugar do ranking pelo sétimo ano consecutivo. Cingapura ocupa o segundo lugar

e Estados Unidos, o terceiro, seguidos por Alemanha e Holanda. A China permanece na 28ª posição desde 2014, enquanto o Brasil despencou 18 degraus, da 57ª para a 75ª posição. Os outros dois membros do Brics, África do Sul e Índia, também apresentaram indicadores superiores aos brasileiros, nas posições 49 e 55, respectivamente.


Em Foco

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RECEITA

Novos ares Com um número ainda modesto de profissionais, área começa a se renovar

Vatruchka, símbolo do calor do lar Anastassia Muzika GAZETA RUSSA

FERNANDO PASTORELLI

Quarteto tem destaque em nova safra de tradutores

A vatruchka é um pão doce recheado que compõe a antiga cozinha eslava, popular hoje não só na Rússia, na Ucrânia e na Bielorrússia, mas também na Polônia, na Bulgária e em outros países do Leste Europeu. De forma circular e arredondada, por vezes sua massa tem as bordas em formato de trança. Existem duas versões principais quanto à origem de seu nome. Uma delas diz que o nome viria de um de seus recheios mais tradicionais, o tvorog (espécie de ricota). Assim, este pãozinho que teria sido conhecido como “tvorojka”, com o tempo, teria tido seu nome alterado até chegar à atual “vatruchka”. Outra linha sustenta que os pãezinhos foram batizados usando-se a antiga palavra “vatra”, que significava “lareira”, “calor” (no sentido de “calor do lar”), “fogo”, “fo-

gueira”. A palavra já desapareceu do léxico russo, mas ainda pode ser encontrada nas línguas ucraniana e romena. Esta versão defende que a forma do pão simboliza o fogo que arde na lareira de nossa casa, o fogo dominado pelo homem. Dependendo do recheio, as vatruchkas podem ser doces (por exemplo, com tvorog adoçado, maçãs ou geleia) ou salgadas (recheadas com couve, carne, trigo ou tvorog com cebola frita). Hoje, é possível comprar vatruchkas, principalmente as tradicionais, com tvorog, em qualquer padaria na Rússia. No entanto, os russos ainda preferem as caseiras. Como o tvorog não é muito conhecido no Brasil, a Gazeta Russa propõe uma receita clássica, de vatruchka com recheio de maçã. Esta é, talvez, a mais popular entre os russos.

Ingredientes: Massa: • 400 g de farinha; • 1 ovo (opcional); • 250 ml de leite ; • 2 colheres de sopa de açúcar; • 50 g de manteiga; • 0,5 colher de chá de sal; • 7 a 10 g de fermento seco.

co de limão e adicione o açúcar e a canela. Derreta na frigideira 50 g de manteiga, adicione 2 colheres de sopa de mel e as maçãs cortadas. Deixe cozinhar por 10 a 15 minutos, até que as maçãs fiquem macias. Para fazer as vatruchkas, divida a massa em bolinhas do tamanho de um ovo de galinha. Deixe repousar por alguns minutos. Depois disso, a massa deve estar bem macia e flexível. Com as mãos, estique a massa em bolinhas até formar um pãozinho redondo de 9 cm de diâmetro. Mergulhe o fundo de um copo no meio dessa massa para definir o buraco onde posteriormente irá colocar o recheio. Unte uma assadeira com óleo, cubra com papel manteiga e distribua as vatruchkas nela. Besunte-as com a mistura de um ovo e uma colher de sopa de água. Em seguida, coloque o recheio. Não convém exagerar, ou as vatruchkas ficam planas. Além disso, tenha cuidado para não colocar muito melaço do recheio em cada uma das vatruchkas. Leve a assadeira com as vatruchkas ao forno previamente aquecido a 200 a 210 graus Celsius e asse por 25 a 30 minutos.

Da esq. para a dir., Lucas Simone, Cecília Rosas, Graziela Schneider e Francisco Araújo

Trintões - e trintinhas - já se destacam na tradução literária direta do russo, por muito tempo concentrada nas mãos de pioneiros. MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

Por trás do cabelo longo, que juntamente com uma barba e bigode enormes lhe conferem ar de viking metaleiro, Lucas Simone estampa as capas de alguns clássicos russos. Clássicos da literatura, claro. É que o rapaz é um dos mais proeminentes na nova geração de tradutores da língua. Aos 33 anos, a maior parte vividos na Vila Buarque, o doutorando da USP já verteu Górki, Dostoiévski e Chalamov para o português. Tudo começou quando, aos 15 anos, foi levado por uma tia à União Cultural Pela Amizade dos Povos, entidade fundada nos anos 1960 para servir de ponte com a URSS e ensinar o idioma russo. Os estudos foram continuados mais tarde com uma pesquisadora russa da USP, quando ele já cursava história ali. Foi ela, Tatiana Lárkina, que, algum tempo depois, apresentou-o à Editora Hedra, onde Lucas publicaria sua primeira tradução: “A velha Izerguil e outros contos”, de Maksim Górki. Dali para frente, verteria direto do russo diversos outros títulos, entre eles “Memórias do Subsolo”, de Fiódor Dostoiévski. “É um texto quadrado, cheio de arestas, e muito atual. Por isso usei uma linguagem muito contemporânea, que foi

o diferencial da minha versão”, explica.

Russos coloridos Trazer os russos para o leitor brasileiro é tarefa tão árdua que Graziela Schneider criou um método próprio para executá-la: colorindo o texto. Literalmente. Aos 37 anos, a tradutora e professora da UFRJ usa o recurso para ressaltar, por exemplo, as marcas de Nabokov, seu principal objeto de estudo: azul para a infinidade de palavras repetidas, roxo para sinônimos e assim por diante. “Meu ideal é que todas as palavras repetidas por Nabokov, conscientemente ou não, continuem repetidas em português”, explica. Foi já cursando letras na USP que Graziela se apaixonou pelo russo. “Meu entusiasmo aumentou quando passamos a ter aulas com uma cubana, quando a gente mal sabia o alfabeto, e ela já partiu para a conversação, aquele desconhecido”, conta. De lá para cá, já publicou traduções de Maiakóvski e Tolstói, e hoje continua a se debruçar sobre a obra de Nabokov. A tarefa é ingrata, já que as perspectivas para publicação são para daqui a 32 anos, quando cairão seus direitos autorais.

LORI/LEGION MEDIA

Títulos traduzidos pelo quarteto foram ao prelo pela 34, Hedra, Cosac Naify e Martins

O que vem por aí... Apesar do boom gerado a partir da publicação de ‘Crime e Castigo’, em 2001, ainda são raros os jovens vertendo literatura russa no Brasil. Enquanto o terreno, antes monopolizado pelos pio-

neiros, passa a ter habitués de uma nova geração, na faixa dos quarenta, como Denise Sales, Sônia Branco, Nivaldo dos Santos e Irineu Franco Perpétuo, já despontam os profissionais que

tos de Aleksandr Púchkin, o grande poeta nacional russo, que logo foram à prensa pela Hedra.

cada vez mais, e aquilo foi crescendo com a poesia moderna”, conta. Hoje no doutorado da USP, pesquisa a correspondência de Marina Tsvetáeva e Boris Pasternak, autores sobre os quais também se debruça na editora 34. Depois de Púchkin, Cecília publicou ainda traduções de contos de Turguênev, textos para a Antologia do Pensamento Crítico, Dostoiévski e tem no forno um dos volumes de Varlam Chalamov que estão saindo gradualmente pela 34.

“Quanto mais gente, melhor, tem mercado. E é maravilhoso ter várias traduções de uma obra”, diz Cecília

Mar de rosas O infortúnio dos direitos não é dividido com a brasiliense Cecília Rosas, 33, que passa mais tempo entre São Paulo e Buenos Aires que na cidade natal. Ainda durante o mestrado, a tradutora verteu con-

Filha de funcionários públicos, ela decidiu que queria trabalhar com línguas muito cedo, ainda lá pelos 12 anos. Mas o russo foi uma surpresa para ela mesma. “Comecei a me interessar

Pronto para debutar Também com um volume de

sucederão o quarteto da mais nova safra. “As promessas são muitas: Priscila Marques, Raquel Toledo, Paula Vasquez, Letícia Mei, Yulia Mikaelian, Mariana Reis...”, diz Cecília Rosas, da 34. Graziela Schneider, da UFRJ, aponta ainda para Daniela Mountian, da editora Kalinka.

Chalamov pronto para sair em janeiro de 2016 está o tradutor fortalezense Francisco Araújo, 37. Intérprete de Vladímir Sorokin na Flip de 2014, Francisco diz que o jargão da gulag representou um desafio maior que o estilo do escritor em si. “Chalamov é seco, tem frases curtas que é um equívoco juntar, como fazem muito os franceses e anglofalantes”, explica. Mestrando na USP, o tradutor também já verteu para o português “Vontade de Ferro”, de Nikolai Leskov, que está na esteira de lançamentos russos de 2016.

Recheio: • 6 maçãs médias; • 2 colheres de sopa de mel; • 50 g de manteiga; • Limão a gosto; • 100 g de açúcar; • Canela a gosto. Modo de preparo: Dissolva o fermento no leite morno e deixe repousar por alguns minutos. Em uma tigela, bata o ovo com a farinha, adicione a manteiga derretida, o açúcar e o sal, e mexa bem. À mistura obtida, adicione o leite com o fermento. Sove bem a massa e, em seguida, cubra-a com um pano e deixe fermentar durante uma hora e meia. Quando a massa crescer, mexa e a perfure para deixar sair todo o ar. Depois, espere até que ela volte a subir e então comece a montar as vatruchkas. Enquanto aguarda, prepare o recheio. Pique as maçãs em pedaços pequenos, regue com su-

Priátnogo appetita!

EXPEDIENTE

CALENDÁRIO CULTURA E NEGÓCIOS BAZAR RUSSO DE NATAL DE 11 A 13 DE DEZEMBRO, DAS 11H ÀS 18H, CATEDRAL ORTODOXA RUSSA SÃO NICOLAU, SÃO PAULO-SP

Com comida típica e artesanato russo, o bazar deste ano conta ainda com exposição de samovares. › www.facebook.com/catsaonicolau

CARTAZES SOVIÉTICOS NA GRANDE GUERRA PATRIÓTICA ATÉ 29 DE NOVEMBRO, TER. A DOM., DAS 9H ÀS 18H30, MUSEU NACIONAL, BRASÍLIA-DF

Com apoio da embaixada russa, exposição traz série com principais pôsteres produzidos na URSS durante a 2ª Guerra. › www.cultura.df.gov.br

ALMOÇO DANÇANTE DO CORAL MELODIA 29 DE NOVEMBRO, DOM., DAS 12H ÀS 18H, CLUBE KOLPINHAUS, SÃO PAULO-SP

O tradicional almoço de um dos grupos russos mais conhecidos do país tem apresentação do coral e solistas. Entrada: R$ 100. › www.facebook.com/coralrussomelodia

MAIS EM: www.gazetarussa.com.br

HEALTH DE 7 A 11 DE DEZEMBRO, EXPOCENTER, MOSCOU - RÚSSIA

Em sua nona edição, a feira anual exibe tecnologia médica e equipamento, medicamentos, e reúne profissionais do setor médico e farmacêutico, representantes e outros da indústria. › www.expocentr.ru

19° INTERPLASTICA INTERNATIONAL TRADE FAIR PLASTICS AND RUBBER DE 26 A 29 DE JANEIRO DE 2016, EXPOCENTER KRASNAIA PRESNIA, MOSCOU - RÚSSIA

O evento leva à capital russa mais de 21 mil fabricantes, designers e outros profissionais do setor. › www.interplastica.de

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