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5 maravilhas na lista da Unesco De mesquitas a florestas, país tem dezenas de belezas listadas como patrimônio da humanidade P.4 Produzido por

Este suplemento foi preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 14 de outubro de 2015. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Pesquisa Antes de país iniciar campanha aérea na Síria, metade dos russos se opunha a essa, contra os 72% que passaram a apoiá-la

Russos apoiam bombardeios contra o EI MARIA AZÁLINA GAZETA RUSSA

“Novo Afeganistão”

Apenas dois dias após encontro com seu homólogo norte-americano na Assembleia Geral da ONU, o presidente russo Vladímir Pútin recebeu permissão do Conselho da Federação (Senado russo) e iniciou, no próprio dia 30 de setembro, ataques aéreos contra posições do EI (Estado Islâmico) na Síria. Desde então, Estados Unidos e União Europeia vêm afirmando que Moscou está atacando posições da oposição síria não afiliada ao EI, mas sem apresentar provas. Apesar das acusações, o discurso de Pútin ganha apoio entre os russos. Dias antes do início das operações, a opinião dos cidadãos, de acordo com o maior instituto privado de pesquisas da Rússia, o Centro Levada, era contraditória: a maior parte era contra as incursões na Síria, mas não queria que a Rússia recebesse refugiados, e concordava que Moscou apoiasse o regime de Bashar al-Assad. Já em pesquisa do mesmo instituto entre 2 e 5 de outubro, os respondentes passaram a ver no EI uma ameaça que justifica ataques aéreos, tanto pela Rússia

Ainda contraditoriamente, apenas 47% disseram que a Rússia deveria apoiar Bashar al-Assad na luta contra o EI e a oposição, enquanto 46%

“Caminho da resolução política é o objetivo final das ações da Rússia”, diz porta-voz de Pútin Porção dos russos contrária à participação do país no conflito caiu para 14%, segundo Levada dos respondentes diziam que o conflito resultaria em um “novo Afeganistão” na Síria. “O Afeganistão vive uma guerra civil até hoje, e foi o movimento dos talibãs que abasteceu o planeta de radicais islâmicos, fundamentalistas e terroristas internacionais. Al Qaeda, Bin Laden, combatentes do Cáucaso do Norte: todos têm raiz afegã”, escreveu em um jornal russo o articulista Evguêni Kisse-

liov, que foi tradutor militar no país persa. O Kremlin, porém, afirma que a campanha é necessária justamente para fundamentar a resolução política da crise. “O caminho da resolução política é o objetivo final das ações da Rússia. Da mesma maneira, esse é o objetivo final e único de toda a comunidade internacional, e aqui há unanimidade absoluta”, anunciou o porta-voz do presidente, Dmítri Peskov. “Nossos parceiros europeus e norte-americanos dizem estar lutando contra o terrorismo, mas não vemos resultados concretos. Além disso, foi encerrado nos EUA o programa de preparação do chamado Exército Livre da Síria. O plano inicial era preparar 12 mil homens. Depois disseram que preparariam 6.000. No final, acabaram treinando um total de 60 combatentes, dos quais apenas quatro ou cinco lutam realmente contra o EI”, disse ainda o presidente Pútin durante entrevista ao canal estatal Rossiya-1 no domingo (11).

Recursos americanos O governo russo também tem rebatido as acusações dos EUA de que seu Exército está mirando a oposição moderada. Mas, em meio às declarações, alguns grupos de rebeldes pediram recursos de defesa antiaérea ao governo-norte americano, coCONTINUA NA PÁGINA 3

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(72%), como pela França (63%). A porção dos russos contrária à participação do país no conflito caiu para 14%, enquanto outros 14% não souberam responder. A pesquisa foi realizada com 1.600 russos, maiores de idade, em 46 unidades federativas do país.

Aprovação em pesquisa do Centro Levada ocorre menos de um mês depois de russos reprovarem ataques aéreos em estudo do mesmo instituto privado de opinião pública.

Pútin (esq.) e Obama (dir.) discutiram a situação na Síria apenas dois dias antes do início das operações russas no país

Futsal Evguêni Dorofeev teve que vender as próprias roupas para prolongar estadia no Brasil

Comércio Balança sai de commodities

Goleiro siberiano persegue sonho em Santa Catarina

Paraná estreita relações com país

‘Russo’ chegou sem contrato, no meio da temporada, e foi acolhido pelo São Lourenço, onde recebe alojamento e desconto na lanchonete.

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MARINA DARMAROS

O time catarinense São Lourenço Futsal tem um reforço incomum nesta temporada: um siberiano da cidadezinha de Ujur, quase 4.000 quilômetros a leste de Moscou. “O Catata, do Gazprom, que ajudou a me colocar no São Lourenço, porque ele é de lá” , contou à Gazeta Russa. O goleiro Evguêni Dorofeev, 26, con hecido como “Russo”, joga pelo time quase de graça: em troca, ganha apenas o alojamento e um des-

DIVULGAÇÃO

GAZETA RUSSA

‘Russo’ estudou na escola militar e passou por diversos times

conto na lanchonete do clube. Mas nem sempre foi assim. “Russo” passou sete anos em uma escola militar na Sibéria, onde nasceu. Lá, estudava, tocava barítono e trombone na banda militar e prat ic ava a lut a r u s sa “sambo”. Tinha tudo para se tornar um oficial do Exército, como aconteceu com a maioria de seus amigos. Mas sua paixão era outra: o futebol, que treinava três vezes por semana na escola militar, cujo time integrava. Para não ficar longe da bola, quando se formou no colegial, em 2007, ingressou na faculdade de educação física, aconselhado pelo treinador do time

do Exército, e assim se livrou do serviço militar. “Mais da metade dos meus amigos ingressaram nas forças armadas. Mas escolhi outra coisa”, diz. Também acabou deixando o ensino superior de lado quando foi convidado para integrar um time russo. Assim, depois de passar por inúmeros clubes amadores, “Russo” ingressou pela primeira vez em um clube profissional em 2009. Em 2012, quando finalizou um contrato, decidiu acionar as amizades que fez com jogadores brasileiros, arrumou as malas e partiu. Esta já é sua terceira passagem pelo Brasil. Voltou duas vezes para a Rússia, contratado por times profissionais de porte, como o Gazprom, mas as saudades da terra adotiva o trouxeram de volta. “Não está fácil. As coisas que trouxe comigo, não queria vendê-las, mas tive que me desfazer para comer. Meu sonho é mais caro que uma jaqueta ou um óculos”, diz.

Estado torna-se segundo na escala de importância no Brasil, atrás apenas de São Paulo. Governador visita Moscou na semana que vem. GUILHERME VOITCH ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Parceiros comerciais de longa data, Paraná e Rússia têm feito de 2015 um ano de aprofundamento das relações. A construção de um ambiente de negócio mais profícuo para a iniciativa privada passa pela ação conjunta de governantes e autoridades de ambos os lados. O primeiro passo foi dado em setembro, com a visita da comitiva liderada pela vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, à Rússia. Também em setembro, o governador Beto Richa reuniu-se em Bra-

sília com o embaixador russo no Brasil, Serguêi Pogóssovitch Akopov. Agora é a vez de Richa visitar a Rússia. A pauta se inicia na próxima segunda-feira (19) com uma visita da comitiva ao VneshEconomBank (VEB), banco de desenvolvimento russo. Na sequência, ocorre um encontro com representantes da Gazprom. Richa visita ainda a sede da produtora de fertilizantes Uralkáli e, por fim, a sede da empresa de aviação Irkut Corporation. “Desde meu primeiro dia de gestão, busco empreendedores, tanto nacionais como internacionais, para investirem no Paraná. A Rússia é um mercado potencial, com emCONTINUA NA PÁGINA 2

GAZETA RUSSA, FONTE CONFIÁVEL DE NOTÍCIAS 83% consideram a gazetarussa.com.br como fonte para novos pontos de vista de especialistas russos

81% acreditam que a gazetarussa.com.br fornece informações e análises que vão além da cobertura tradicional da mídia sobre o país 77% dizem que nossos projetos on-line são relevantes para todos - e não apenas a quem tem algum interesse especial pela Rússia * P e s q u i s a re a l i z a d a co m l e i to re s d a G a ze t a R u ss a e d o p ro j e to R BT H e m m a rço d e 2 0 1 5

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Opinião

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

ALVO CERTO ATÉ O INVERNO Aérea russa na Síria e terceiros, abastecidos por aqueles que hoje criticam o país.

Geórgui Bovt CIENTISTA POLÍTICO

Criticismo

início, em 30 de setembro, dos ataques da Força Aé rea russa às posições de fundamentalistas islâmicos na Síria já causou mais furor do que os milhares de ataques feitos pela coalizão liderada pelos EUA ao longo de vários meses. Desde então, o presidente francês François Hollande chegou a declarar que realizaria ações conjuntas com a Rússia em ataques ao EI (Estado Islâmico), enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Rússia desempenha papel importante na resolução da questão e que admite Assad como uma das partes do processo. Em contrapartida, o Reino Unido descreveu a operação da Rússia na Síria como “um grave erro”, e nos Estados Unidos já começou-se a falar sobre novas sanções contra Moscou. A Rússia está sendo criticada pelo fato de perpetrar ataques não apenas ao EI, mas também à chamada oposição síria moderada. Depois dos

DORMIDONT VISKAREV

O

primeiros bombardeios russos, sete países (Alemanha, França, Reino Unido, EUA, Arábia Saudita, Turquia e Qatar) expressaram publicamente preocupação sobre as

supostas mortes de civis. Curiosamente, após o recente ataque aéreo acidental da Força Aérea norte-americana ao hospital dos Médicos Sem Fronteiras, em Kunduz,

no Afeganistão, não houve nenhuma comoção pública por parte desses países. A “preocupação” de alguns países pelo apoio de Moscou ao governo de Bashar al-As-

sad no conflito sírio ameaça se transformar em uma verdadeira guerra de informação. No futuro, pode até se transformar em um confronto indireto entre a Força

Os EUA criticam a Rússia por “atingir as pessoas erradas”, ou seja, a oposição moderada. Mas mesmo em Washington evita-se chamar esses de “moderados”. Além disso, os assessores do Pentágono e da Casa Branca não dizem se as forças da coalizão liderada pelos EUA atacam formações fundamentalistas, como a frente al-Nusra, a Ahrar Al-Sham ou o Exército do Islã. A razão pela qual eles não gostam de tocar no assunto é que o país faz frente a tais grupos. Contando com apoio da Arábia Saudita, a Frente Islâmica e o Exército do Islã têm planos para construir um Estado islâmico na Síria sob a lei da sharia. Outra organização que até há pouco almejava o mesmo status de “moderada” é a Frente Síria dos Revolucionários, hoje aliada do EI. Nos EUA e na Europa, a oposição não é chamada de “moderada”, mas de Exército Livre da Síria (ELS). O ELS, porém, se desintegrou em meados deste ano, dando

Pável Gudev ANALISTA POLÍTICO

política externa dos Estados Unidos em relação ao Ártico está se tornando uma questão prioritária. Prova disso é a recente visita do presidente Barack Obama ao Alasca – a primeira de um líder norte-americ a no e m m a i s de me io século. O interesse do país pelo Ártico aumenta em termos doutrinais, conceituais e estrat ég ico s, e no pr i me i r o semestre de 2015 Washington iniciou seu mandato bianual na presidência do Conselho do Ártico. O Ártico em si é uma região marítima peculiar, e as águas do Oceano Ártico banham apenas cinco países. Mas muitas questões ligadas à região requerem coordenação regional e não podem ser resolvidas sem levar em conta

A

as posições de todos os países-membros do “quinteto do Ártico”. Para a Rússia, a intensificação da política norte-americana em relação ao Ártico é benéfica, pois representa uma nova área na qual Mos-

Atuação de países na região é benéfica, apesar de pontos de atrito encontrados por analistas cou e Washington podem cooperar produtivamente. Afinal de contas, os EUA não têm infraestrutura nem tecnologia para responder prontamente aos desafios e ameaças comuns na região. A parceria também facilita o monitoramento conjunto da implementação de atividades econômicas na região e a cooperação em operações de busca e salvamento, nas

respostas de emergência a derramamentos de petróleo e no controle de transportes. Por esses motivos, são de se estranhar os comentários alarmistas de alguns especialistas que consideram que o atraso dos Estados Unidos em relação à Rússia no desenvolvimento do potencial ártico seja um sério desafio para os norte-americanos. A renovação do potencial da Marinha russa, por exemplo, é imediatamente interpretada como uma preparação para o conflito armado, embora ocorra agora em uma escala muito mais modesta que nos tempos soviéticos. Os avanços da Rússia no Ártico não apresentam nenhuma ameaça de embate, mas a necessidade objetiva de prontidão para a descoberta e domínio ativo da região, que se torna cada vez mais necessária diante das mudanças climáticas. Observadores norte-americanos e oficiais ligados a

DMITRY DIVIN

ESTADOS UNIDOS E RÚSSIA LIGADOS (MAS NEM TANTO) PELO ÁRTICO

questões do Ártico – como o representante especial dos EUA para o Ártico, almirante Robert Papp, e o ex-embaixador dos EUA na Rússia, James Collins – veem o desenvolvimento de ações cola-

borativas na região como um novo marco nas relações bilaterais. A necessidade dessa cooperação bilateral é colocada ao mesmo nível da decisão conjunta em questões como

o Irã, a Coreia do Norte, a luta contra o terrorismo internacional e as metas de não proliferação nuclear. Espera-se que a criação de uma frente conjunta para enfrentar desafios e amea-

grau de rendimentos do Estado e das expor tações estagnou. O rublo, porém, continuou a se fortalecer em termos reais, remetendo aos cenários pré-crise de 1998 e 2008. A principal diferença, no entanto, é que a atual queda dos preços do petróleo é muito mais profunda do que em

1997, embora a economia russa esteja muito mais estável. Se os preços do petróleo recuperarem o valor de US$ 60 por barril rapidamente, a economia russa continuará abalada, mas, pelo menos, o fundo de reserva do país não será esgotado, e o PIB voltará a crescer. Mesmo assim, os fatores internos e externos dificultarão o crescimento da economia nacional. Entre os problemas domésticos, o mais importante é a insuficiente capitalização do sistema bancário, especialmente nas condições de intensa flutuação do rublo. Injetar dinheiro estatal para recuperar os empréstimos à economia é essencial. Outra barreira interna para a estabilidade econômica russa é o elevado nível da taxa de juros. Em meio a va-

Konstantin Koríschenko ECONOMISTA

mercado do petróleo está febril. Em agosto de 2014, o barril de petróleo tipo Brent custava mais de US$ 90; um ano depois, o preço caiu para US$ 45. Nessas condições, o orçamento russo, que depende majoritariamente das receitas de exportações, fica em situação difícil. O rublo cai e sobe propor-

O

cionalmente à diminuição e aumento dos preços do petróleo. Por isso, não é exagero dizer que o mercado e os consumidores no país estão vivendo em condições muito diferentes das dos últimos 10 anos. Muitos economistas e empresários passaram a afirmar que a crise de 2008 não passou, foi apenas inundada de dinheiro barato. O que vemos hoje é um retorno dos problemas que não foram resolvidos então.

A política de flexibilização quantitativa nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão não resolveu o endividamento excessivo e os riscos acumulados antes de 2007. Pelo contrário, só os colocou de lado e até agravou a situação. Ao longo dos anos, a Rússia, assim como outros países em desenvolvimento, sobreviveu a uma maré de “dinheiro quente”, ao crescimento da dívida externa privada e ao novo aumento das despesas

DMITRY DIVIN

O PETRÓLEO COMO A VELHA CAUSA DE UMA NOVA CRISE orçamentais no contexto de preços do petróleo acima dos US$ 100 por barril. Porém, a partir de 2013, o cenário começou a piorar. Os principais componentes do PIB russo se deterioraram drasticamente: a renda média real da população, o comércio e os investimentos em empresas caíram, enquanto o

origem a diversos pequenos grupos de combate independentes que entram, inclusive, em alianças táticas com o EI. Quem se atrever a armar esses grupos, deve ter em conta como os combatentes passam de uma estrutura a outra e entender que essas armas podem ir parar nas mãos do Estado Islâmico. Pode aumentar a pressão para que a Rússia abandone operações que reforçam a posição das tropas de Assad. Só a diplomacia mostrará o quanto será possível resistir a essa pressão, inclusive em relação ao destino do líder sírio e seu papel nas negociações. Em relação, exclusivamente, a questões tático-militares, considerando as perdas territoriais para os fundamentalistas na Síria, serão necessários pelo menos dois ou três meses para recuperar as posições com o apoio aéreo. E é preciso conseguir isso até o inverno, antes que comecem as tempestades de areia na região. Gueórgui Bovt é cientista político e membro do Conselho para Política Externa e Defesa.

ças no Ártico se torne a base de uma nova agenda russo-americana. A lg u n s prog ressos já foram alcançados ainda antes do confl ito na Ucrânia. Entre eles, cabe destacar a formação de um regime internacional de pesca na zona livre do Oceano Ártico. Outros projetos ainda, como a discussão de medidas para regulamentar o transporte marítimo no Estreito de Bering, foram iniciados recentemente. Infelizmente, a crise ucraniana afetou negativamente o desenvolvimento dessa cooperação: exercícios navais conjuntos foram suspensos, o encontro entre chefes do Estado-Maior foi esquecido, e a criação do Fórum de Segurança Costeira dos Estados do Ártico perdeu força. Nem mesmo o conflito armado na Ossétia do Sul, em 2008, levou a um agravamento tão sério da cooperação. A principal preocupação não está, portanto, na ameaça fantasiosa de um confronto armado, mas em que medida as tensões entre os países terão um impacto negativo na evolução da situação no Ártico. Pável Gudev é pesquisador -sênior na Academia de Ciências da Rússia.

riações significativas da moeda nacional, a diminuição da taxa básica de juros para estimular o crescimento econômico pode levar à fuga de capital. Quanto aos fatores externos, o mais expressivo, além do preço do petróleo, é o risco relacionado ao contexto nos EUA e na China. A desaceleração econômica chinesa gera alto risco de esfriamento da economia mundial e uma nova queda dos preços do petróleo. Paralelamente, o esperado – e constantemente adiado – início da “normalização” da política monetária dos Estados Unidos não ajuda a acelerar o crescimento da atividade econômica. Konstantin Koríschenko foi vice-presidente do Banco Central da Rússia.

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Política e Sociedade

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Paraná intensifica relações com país CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

tro de operações para atender Brasil e América Latina. O complexo funcionará na cidade de Maringá, terceira maior do Estado. Com 397 mil habitantes, Maringá investe para se tornar uma referência regional e nacional. “Estamos nos estruturando para receber investimentos no setor. Esse tipo de parceria com a Rússia tem tudo para gerar empregos de alta qualidade e trazer tecnologia de ponta para o Estado”, diz o prefeito de Maringá, Roberto Pupin.

FRASE

presas sólidas e capital suficiente, para intensificarmos nossas relações comerciais”, diz o governador. Atualmente, as exportações do Paraná para a Rússia concentram-se em alimentos e produtos agrícolas. No topo da lista estão açúcar, café solúvel, carne de frango, de porco e bovina. Neste ano, o Paraná já vendeu US$ 147 milhões para a Rússia. Por outro lado, a Rússia vende para o Paraná, basicamente, produtos químicos. As vendas russas para o Paraná bateram na casa dos US$ 233 milhões.

Beto Richa GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ

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Complementares A parceria comercial iniciou-se há pelo menos três décadas com a venda de café da empresa paranaense Cacique para a extinta URSS. “Há muito ainda a ser explorado nessa relação. Podemos ampliar o comércio de manufaturados e a presença dos produtos da nossa agroindústria”, diz Reinaldo Tockus, gerente de negócios exteriores da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná). “Existem áreas muito complementares. A Rússia tem uma grande necessidade por alimento, em especial proteínas animais, e o Paraná é especialista nisso”, afirma o diretor-superintendente da Agência Paraná Desenvolvimento, Adalberto Bueno, que integrará a comitiva do governador na Rússia. Por outro lado, explica, a Rússia domina certas tecnologias, com destaque para áreas como saúde, aviação e energia, que são interessan-

Concorrente da Boeing

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A viagem [à Rússia] tem dois objetivos para o desenvolvimento econômico do Paraná: atrair novos investimentos produtivos, que são vitais para nossa economia, e elevar a participação do Estado no comércio exterior. Estaremos na Gazprom, a maior exportadora de gás natural do mundo, na sede da produtora de fertilizantes Uralkáli e da empresa de aviação Irkut. Outro contato importante será com diretores do VneshEconomBank, o banco de desenvolvimento russo. A Rússia é um mercado potencial, com empresas sólidas e capital suficiente para intensificarmos nossas relações comerciais. “

Compra de aviões Irkut é uma das apostas para transformar Maringá, no norte do Estado, em centro tecnológico no setor aéreo

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Trocas ParanáRússia têm saído das commodities, mas apenas na mão da importação paranaense. Exportações do Estado ainda se limitam a alimentos

Em Brasília, embaixador russo (esq.) recebe governador do PR

energia nuclear russa, para a instalação de centros médicos oncológicos e desenvolvimento de novas tecnologias por imagens. Na mesma ocasião, firmou-se um acordo de transferência de tecnologia com a Unive r s id ade Nac ion a l de Pesquisa Nuclear de Moscou para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas no combate ao câncer de mama. Além disso, o governo do Estado e a fábrica de aviões Irkut fecharam uma parceria para implantar unidades de fabricação de peças e um cen-

tes para o Estado. Além disso, o Paraná seria um ponto de entrada privilegiado para toda América do Sul, um dos grandes interesses dos russos. Algumas parcerias comerciais e tecnológicas já estão em andamento. Na área da saúde, são três contratos. O Instituto de Tecnologia do Paraná e a empresa russa Biocad já são parceiros para a produção de medicamentos de combate ao câncer. Em setembro, durante a visita da vice-governadora também foi firmado um acordo com a Rosatom, empresa de

Faxina Dois governadores e mais de uma dezena de funcionários foram detidos em 2015

Prisão de autoridades é sem precedentes

Campanha aérea na Síria ganha apoio

rochavin, foi detido sob suspeita de receber propina, assim como três cúmplices. Hoje ele é réu em dois processos ligados a recepção de propinas, um no valor de US$ 5,6 milhões, e outro, de US$ 231 mil.

NÚMEROS

60 quilos de joias e 150 relógios de pulso com preços entre 30 mil e 1 milhão de dólares foram apreendidos no escândalo de Komi

EKATERINA SINELSCHIKOVA GAZETA RUSSA

5,6 milhões KOMMERSANT

de dólares teriam sido recebidos em propinas pelo governadors de Sakhalina em um dos esquemas do qual é acusado

Gaizer (esq.) foi preso com grande parte do governo de Komi

Siemens está envolvida em caso de suborno também na Rússia A subsidiária na Rússia da empresa alemã Siemens foi impedida de participar em licitações de 2009 a 2013 devido a envolvimento em um escândalo de corrupção no país. Para participar da realização de um projeto de transportes em Moscou, a companhia pagou propinas no valor de 3 milhões de dólares entre 2005 e 2006, de acordo com o canal Deutsche Welle. Em julho de 2009, a Siemens

assinou um acordo com o Banco Mundial admitindo o erro e concordou com o pagamento de 100 milhões de dólares durante 15 anos para apoiar a luta contra o estelionato e a corrupção. Então, o escândalo foi considerado “o maior da história da Alemanha”, segundo a agência Reuters. No Brasil, segundo a Justiça de Munique, as propinas teriam sido de, no mínimo, 8 milhões de euros.

de rublos (quase 15 milhões de dólares). O episódio da prisão de quase toda a chefia do governo da região causou sur-

presa - e deixou a república, literalmente, quase sem governo. O chefe de Komi tinha reputação de homem erudito

e figurou entre os cinco líderes regionais mais eficientes no ranking da organização pró-Kremlin Fundo para Desenvolvimento da Sociedade Civil. Viatcheslav Gaizer é governador de Komi desde 2010, quando foi indicado ao posto pelo então presidente Dmítri Medvedev. Foi reeleito em 2014 com quase 80% dos votos. É membro do Conselho Supremo e do partido governista Rússia Unida, do qual liderou a lista durante as eleições para o conselho legislativo. A prisão de Gaizer foi a segunda de um governador em exercício decretada neste ano na Rússia. No início de março, o governador da ilha Sakhalina, Aleksandr Kho-

A “faxina” política, porém, não teria nada de sistêmica. “Ela não tem nenhuma relação com a luta sistêmica contra a corrupção”, diz o vice-presidente do comitê anticorrupção da Duma de Estado, Dmítri Gorovtsov. O diretor da organização Transparência Internacional na Rússia, Anton Pominov, concorda. “Caso contrário, veríamos a continuidade de casos como o das propinas oferecidas por companhias como a Siemens [ver quadro ao lado], Daimler, Hewlett-Packard, Bio-Rad etc. As companhias são multadas, mas contra as autoridades que elas compraram, não acontece nada”, diz. Para ele, a legislação anticorrupção nos últimos anos avançou bastante. “Apesar de ser muito mais importante o quanto essa legislação é usada na prática”, afi rma. “Quase 80% dos julgamentos por recebimento de propina se referem a subornos de até 10 mil rublos [154 dólares]”, diz a professora de direito na Universidade Federal do Sul da Rússia, Anna Razogreeva. Além disso, a quantidade geral de crimes desse tipo caiu de 49.513, em 2012, para 32.060, em 2014. Entretanto, o número de condenações aumentou para 94%.

© DMITRY VINOGRADOV / RIA NOVOSTI

Nada sistêmico

Governantes são acusados de formação de quadrilha, estelionato e suborno. Mas analistas são céticos quanto a limpeza sistêmica.

Em meados de setembro, o governador da república de Komi, Viatcheslav Gaizer, foi preso sob suspeita de formação de quadrilha e estelionato junto ao vice-govern ador, o p or t a -v o z do Conselho Estatal, um ex-senador e um deputado da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia), além de mais de dez representantes da elite política da região. A prisão foi a maior de uma liderança regional em todo o período pós-soviético. De acordo com a procuradoria, o grupo de Gaizer se apoderou de propriedades estatais por mais de nove anos por meio de esquemas em que participavam companhias afi liadas a parentes dos réus. Em buscas, foram apreendidos mais de 60 quilos de joias, 150 relógios de pulso com preços que variam entre os 30 mil e 1 milhão de dólares e carimbos de pessoas jurídicas que participavam dos esquemas offshore, assim como documentos fi nanceiros para a legalização dos ativos de valor superior a um bilhão

O foco do projeto brasileiro são os MC-21, que têm capacidade de 150 a 212 passageiros e já estão em produção na cidade de Irkutsk. O modelo compete diretamente com os aviões comerciais Airbus A320 e Boeing 737. “O MC-21 tem alto desempenho de voo com menor consumo de combustível. Isso permite que as companhias aéreas obtenham um lucro três vezes maior e o retorno dos investimentos em metade do tempo gasto com outros aviões”, diz o vice-presidente da Irkut, Kirill Budaev. A expectativa agora fica por conta de negociações na área de energia. Para o presidente da Copel (Companhia Paranaense de Energia), Luiz Vianna, também presente na comitiva do governador, a passagem pela Rússia é fundamental para a prospecção de fornecedores de gás. “A Copel aposta neste setor já há alguns anos, com a compra de gás para geração de energia e distribuição“, diz.

Rússia iniciou ataques contra o EI no país em 30 de setembro CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

mo mísseis terra-ar, de acordo com o jornal “Washington Post”. Na segunda-feira (12), o canal CNN afirmou ainda que o país já teria enviado 12 toneladas de munições aos rebeldes da Coalizão Síria-Árabe, na província de Al-Hasakah, no norte do país. “Mas eles não irão entregar [mísseis terra-ar] Stinger à oposição moderada porque, nesse caso, A ssad receberia [armamentos correspondentes] S-300”, acredita o cientista político Andrêi Suchentsov. Para ele, os EUA e seus aliados não fornecerão sistemas de defesa aérea portáteis (Manpads, na sigla em inglês) nem outros meios de defesa aérea aos adversários do presidente Bashar al-Assad porque a Síria possui um papel

Além dos muros da Praça Vermelha gazetarussa.com.br/479461

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secundário nos planos dos norte-americanos. Além disso, Suchentsov relembra que, após a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, as autoridades norte-americanas tiveram que desembolsar consideráveis somas de dinheiro para comprar de volta os armamentos concedidos aos mujahidin, porque temiam seu uso contra o próprio país. Apesar de os analistas rejeitarem a ideia de fornecimento norte-americano, eles ressaltam que a Arábia Saudita e a Turquia já enviaram Manpads aos opositores sírios e que alguns desses sistemas podem também ter sido tomados na Líbia e no Iraque. “Porém, eles são ineficazes contra os modernos aviões de ataque, como o Su-34”, diz o professor da Escola Superior de Economia de Moscou Dmítri Ofitsêrki-Bélski.

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Joias ocultas De florestas virgens de Komi a complexos arquitetônicos como a mesquita Qol Sharif, em Kazan, país tem cenários pictóricos

Cinco maravilhas tombadas pela Unesco Muito além da Praça Vermelha e do museu Hermitage, Rússia tem uma infinidade de destinos, dos mais diversos, para oferecer. JOE CRESCENTE ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Dentre as dezenas de localidades pictóricas da Rússia que compõem a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), a Gazeta Russa selecionou cinco belezas imperdíveis para o leitor brasileiro na porção europeia do país:

Floresta Virgem de Komi Com quase 33 mil quilômetros quadrados, a floresta de Komi se localiza no extremo norte da Rússia europeia e entrou para a lista da Unesco em 1995. É a maior floresta do gênero no continente, e lá se podem avistar renas, visons, lebres e zibelinas passeando livremente pelas matas siberianas de abetos, larícios e espruces, em meio a pântanos, rios e lagos. Esta área é especialmente importante para os estudos de biodiversidade nas florestas de taiga e abrange a maior floresta protegida da Rússia e da Europa.

Kremlin de Kazan Erguido a mando de Ivan, o Terrível, para celebrar a vitória sobre os tártaros em 1552, o complexo histórico e arquitetônico do Kremlin de Kazan entrou para a lista da Unesco no ano 2000 e é o monumento mais oriental do país no rol da agência. Foi construído sobre as ruínas do castelo do inimigo derrotado e possui muitas edificações do século 16, entre elas a Catedral da Anunciação (1554-1562), que levou arenito no lugar de tijolos. A mesquita Qol Sharif, que faz parte do complexo, era a maior da Europa - exceto por Istambul - quando finalizada, em 2005. Seus altíssimos minaretes de cimo azul tornam a edificação visível a grandes distâncias, e sua capacidade total é de 6.000 fiéis. A Qol Sharif substituiu outro templo do gênero, destruído em 1552, quando as forças de Ivan, o Terrível, invadiram Kazan.

Bolgar O território russo mais recentemente tombado pela Unesco foi o complexo arqueológico de Bolgar, no Tatarstão, em 2014. Capital dos búlgaros do Volga, que reinaram ali a partir do século 8 (algumas fontes falam em século 7) até o século 15, Bolgar também foi a primeira capital da Horda de Ouro, no século 13, com a consolidação das forças mongóis na Europa, e decuplicou de tamanho nos anos seguintes.

nham mais de 5.000 anos de existência. A cidade é conhecida por muitos nomes em diferentes línguas - todos significando “portão”, já que essa região controlou o tráfego entre a Europa e o Oriente Médio por vários séculos. Como resultado de sua posição geográfica única, Derbent foi construída entre dois muros, alongando assim o comprimento da passagem relativamente estreita do mar para as montanhas. Muitas estruturas foram construídas ali durante o império Sassânida, a última dinastia persa antes do surgimento do Islã.

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Visons, lebres e zibelinas se espalham do Cáucaso por Komi, enquanto Montanhas As montanhas do Cáucaso leopardos-persas e Ocidental, parte da cordilheibisontes, no Cáucaso ra Grande Cáucaso, são a área Além de belezas naturais, marcos arquitetônicos como o Kremlin de Kazan integram a lista Pedro, o Grande, ordenou que suas ruínas fossem preservadas naquele que se acredita ter sido o primeiro ato oficial de preservação histórica na Rússia. As principais edificações de Bolgar hoje compreendem diversos antigos mausoléus e a Câmara Negra, uma estrutura do século 14 que, segundo a lenda, teria alojado a corte do cã (líder mongol). Hoje, Bolgar é um importante local de peregrinação para os tártaros. Nos tempos soviéticos, porém, era popular entre os muçulmanos de toda a URSS devido aos impedimentos que esses encontravam para realizar a peregrinação a Meca, e Bolgar era conhecida como o “pequeno haj”.

mais ocidental russa a entrar para a lista da Unesco, em 1999. Este monumento natural se estende do mar Negro até o pico mais alto da Europa, o Monte Elbrus, e começa a apenas 48 quilômetros de distância da cidade litorânea de Sôtchi. A Unesco a define como a última cordilheira europeia cuja exploração humana não resultou em impacto significativo. Seus habitats vão desde planícies a geleiras e exibem enormes abetos-do-cáucaso. Diversas espécies animais fascinantes também foram reintroduzidas ali nos últimos anos, incluindo o leopardo-persa e o bisonte-europeu. Além disso, há muitos outros animais originais desse local que ainda se preservam nesse território, incluindo o tur-caucasiano-ocidental (cabra de montanha), ursos, linces e javalis.

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1.Museu de Bolgar e Mesquita Branca 2. Catedral da Anunciação, Mesquita Qol Sharif e outros marcos de Kazan 3. Rio Ilitch, em Komi 4. Rio Paga, idem 5. Fortaleza de Derbent 6. Vista do Elbrus nas Montanhas do Cáucaso

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A cidadela de Derbent A cidadela, a cidade antiga e as edificações de Derbent entraram para o rol da agência da ONU em 2003. Localizada no ponto onde as montanhas do Cáucaso encontram o mar Cáspio, Derbent tem sido um importante corredor norte-sul desde o primeiro século a.C. Há quem afirme que a fundação da cidade remonta ao século 8 a.C., e acredita-se que algumas das estruturas que chegaram até nossos dias te-

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T R AV E L 2 M O S C O W. C O M

KREMLIN E PRAÇA VERMELHA O endereço mais famoso da Rússia tem portões majestosos, cúpulas imponentes, símbolos ornamentados, além de uma torre do relógio que parece ter saído de um conto de fadas. De encher os olhos! Centro do poder russo do século 13 até a fundação de São Petersburgo, no início do século 18, o Kremlin foi um importante centro religioso e residência de tsares russos.

A Catedral de São Basílio é provavelmente o símbolo mais reconhecível da Rússia, com suas cúpulas em forma de cebolas e rodopiantes listras coloridas indo em direção ao céu. A Praça Vermelha é considerada a principal praça de Moscou, já que, antigamente, as principais vias da capital se iniciavam nela.

MOSTEIRO DA TRINDADE Nos arredores de Moscou, Serguiev Possad é famosa pelo Mosteiro da Trindade, fundado no século 14 pelo monge Serguêi de Radonej. Entre os séculos 14 e 15, suas paredes se tornaram afrescos do celebrado pintor de ícones Andrêi Rubliov. Além disso, o mosteiro serviu como local de peregrinação do grão-príncipe Dmítri Donskôi, que foi buscar ali a benção divina antes da batalha de Kulikovo. Já em 1744, o local atingiu a mais elevada categoria eclesiástica, a “Lavra”.

IGREJA DA ASCENSÃO A edificação foi erguida em 1532 em uma propriedade do tsar que ficava próxima a Moscou para comemorar o nascimento do príncipe que viria a ser conhecido como Ivan, o Terrível. Foi a primeira estrutura eclesiástica na Rússia de pedra e com telhado ‘em forma de tenda’, ou seja, uma espiral poligonal, e teve enorme impacto na arquitetura ortodoxa. Hoje, Kolomenskoie está dentro dos limites da capital do país.

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CONVENTO NOVODEVICHY Fundado em 1520 pelo grão-duque Vassíli III, o convento tem seu interior conhecido pelos afrescos, considerados entre os mais belos da cidade. Entre as diversas igrejas que o complexo comporta, a Catedral de Smolensk, composta de cinco cúpulas e construída entre 1524 e1525, é a mais famosa. Hoje, o cemitério do convento abriga os restos de muitas figuras notáveis da história russa, entre elas, Anton Tchekhov, Serguêi Eisenstein e Boris Iéltsin.

Nova edição do "Rússia", 16 de outubro  
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