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O melhor da Gazeta Russa GAZETARUSSA.COM.BR

Às vésperas de Temer

NIKOLAY KOROLEV

Esperando vice brasileiro, chefe de órgão de cooperação fala sobre metas bilaterais P.4

Produzido por

Este suplemento é produzido e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 2 de setembro de 2015. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Paternalistas Pornografia LGBT, organizações de protesto ao governo e vídeos do grupo Pussy Riot seriam maiores ameaças a ser proibidas GETTY IMAGES

Censura na internet tem apoio popular

Enquanto observadores veem liberdade de expressão condenada por resultados, estudos paralelos apontam para apoio à censura em casos mais pontuais e contundentes, como a proibição de pornografia infantil na rede

Estudo conjunto de sociólogos russos e norteamericanos revela que 49% dos russos são favoráveis a censura na internet. EKATERINA SINELSCHIKOVA GAZETA RUSSA

internet. Quase 60% dos respondentes afirmaram ainda apoiar o desligamento total da internet no país em caso de ameaça nacional. “Do ponto de vista da aspiração social a uma rede livre, o resultado é decepcio-

Uma pesquisa realizada em parceria pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e o VTsIOM (Centro Nacional de Pesquisa da Opinião Pública da Rússia) revela que 49% dos russos concordam com a censura sobre publicações na

nante”, afirma o diretor do Centro para o Estudo das Comunicações Globais da Universidade da Pensilvânia, Monroe Price. De acordo com a pesquisa, o “conteúdo mais perigoso” a ser proibido seria a porno-

pelo instituto de pesquisa russo Centro Levada em outubro de 2014, quando 54% dos russos afirmavam aprovar a introdução da censura na internet. “Mas eles defendem a censura quando se trata, por

grafia LGBT (59%), os grupos em redes sociais ligados a organizações de protestos antigovernamentais (46%) e os vídeos da banda Pussy Riot (46%). Os dados coincidem com indicadores apresentados

exemplo, de pornografia infantil”, explica o analista do Levada, Denis Volkov. “Existe uma diferença substancial entre as opiniões de usuários da internet e aqueCONTINUA NA PÁGINA 3

Lucro na recessão Queda da moeda impulsiona exportações de automóveis

Petróleo Gigante russa intensifica presença no continente

Produtos ‘Made in Russia’ aliviam país de crise

Rosneft quer entrar em licitação no Brasil

GAZETA RUSSA

A profunda recessão em que se encontra a Rússia está influenciando em uma mudança nas estratégias de investidores, que agora buscam tirar proveito da moeda barata, usando-a como plataforma para engrenar as exportações. “A desvalorização do rublo em 2015 impulsionou nossas exportações, e estamos fa-

Redirecionando esforços Há apenas dois anos, multinacionais do mundo todo miravam o mercado russo. A economia local se recuperava da crise fi nanceira de 2008-2009 e os rendime ntos da popu lação aumentavam. O país tornava-se o maior mercado da Europa em diversos setores, do automobi-

Veículos, máquinas de lavar e outros produtos se beneficiam

lístico ao de produtos alimentícios para bebês. As montadoras norte-americanas Ford e General Motors, por exemplo, buscavam avidamente incrementar as fabricação dentro do país para atender à demanda local. Hoje, porém, o cenário mudou. A acentuada recessão causada pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções internacionais, agravada pela drástica desvalo-

rização da moeda nacional, forçou investidores a redesenharem suas estratégias. Alguns, como a GM, estão deixando o país. Mas outros, como a Ford, estão adaptando suas operações na Rússia: usam o país como base de fabricação de produtos para exportação, uma vez que a queda do preço do rublo torna sua mercadoria ali faCONTINUA NA PÁGINA 4

GAZETA RUSSA, FONTE CONFIÁVEL DE NOTÍCIAS 83% consideram a gazetarussa.com.br como fonte para novos pontos de vista de especialistas russos

81% acreditam que a gazetarussa.com.br fornece informações e análises que vão além da cobertura tradicional da mídia sobre o país 77% dizem que nossos projetos on-line são relevantes para todos - e não apenas a quem tem algum interesse especial pela Rússia * P e s q u i s a re a l i z a d a co m l e i to re s d a G a ze t a R u ss a e d o p ro j e to R BT H e m m a rço d e 2 0 1 5

A Rosneft Brasil, subsidiária da gigante energética russa Rosneft, anunciou ter efetuado sua inscrição para participar da 13ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios organizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), de acordo com comunicado da empresa. “Na 13ª Rodada de Licitações a ANP leiloará 10 bacias e blocos localizados em terra e offshore no país. Se deferida, a solicitação de inscrição, que deve ser aprovada pela ANP, permitirá que a empresa participe da rodada de licitação e permitirá o recebimento de dados geológicos sobre os terrenos leiloados”, lê-se no documento.

EPA/VOSTOCK-PHOTO

ALEKSÊI LOSSAN

zendo de tudo para aproveitar ao máximo essas condições”, diz o diretor da planta russa de fabricação de máquinas de lavar roupa da marca alemã BSH GmbH, Khakan Mandali.

RIA NOVOSTI

YEGOR ALEYEV / TASS

Produção designada a atender à crescente demanda local agora é reorientada para mercados estrangeiros.

Participação de estatal em concorrência para exploração de petróleo e gás segue nova estratégia da companhia para América Latina.

Companhia busca ativos de alto valor agregado no setor

A Rosneft também explica que a possível participação na licitação faz parte da nova estratégia internacional da empresa. Projetos desse tipo permitem que a empresa obtenha acesso a ativos de alta qualidade e mantenha uma política de investimento eficaz. No momento, a Rosneft se

U M P O N T O D E V I S TA B A L A N C E A D O S O B R E A R Ú S S I A

prepara para concluir a negociação referente à compra de 55% do capital acionário da PetroRio no Projeto Solimões, que garantirá o controle de 100% das ações pela russa e o estatuto de operadora do projeto de exploração de hidrocarbonetos na Bacia de Solimões, na região do rio Amazonas.

gazetarussa.com.br


Opinião

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

TURISMO, UM MERCADO COM POTENCIAL POR REALIZAR

UM YUAN FRACO AMEAÇA QUEM? Konstantin Koríschenko ECONOMISTA

enfraquecimento sig n ificativo do yuan desencadeou uma avalanche de explicações sobre a necessidade disso à China e o porquê de acontecer agora. Diversos motivos são apresentados para justificar a mudança abrupta no comportamento da moeda do país, que disputa o título de maior economia do mundo com os Estados Unidos. Em meados de 2014, algo semelhante ocorreu com a Rússia, e o Banco Central do país adotou o regime de câmbio flutuante para o rublo. Antes de mais nada, o passo dado pela China é uma conclusão lógica da evolução da economia local após a crise de 2008. As repetidas afirmações, no início da década de 2010, de que a crise havia terminado e o mundo voltaria para o caminho do crescimento eram otimistas demais. A taxa de crescimento do PIB mundial caiu de cerca de 5% para abaixo de 3%, e, por enquanto, não há muita perspectiva de recuperação de ritmos mais elevados. O refreamento da China é um reflexo da tendência global que agora se manifesta claramente na queda dos preços de commodities e na diminuição repentina do volume do comércio mundial e do transporte de mercadorias.

Maia Lomidze

O

Como o “modelo empresarial” do país, orientado para a exportação e a mão de obra barata, está perto de se esgotar, a liderança chinesa teve que decidir entre trocar de modelo ou procurar um novo estímulo de crescimento. Solução rápida, embora temporária, abalar a taxa de câmbio foi praticamente a única opção considerada pelo governo. A necessidade de desvalorizar o yuan vinha amadurecendo havia muito tempo. Comparado às moedas de outros exportadores, o yuan

S

IORSH

Exportação e custos

ANALISTA DE MERCADO TURÍSTICO

e há uma frase que resuma a condição do turismo russo, essa é: “Ele tem potencial”. Exceto por Moscou, São Petersburgo e Sôtchi, que já desenvolveram esse potencial, o turismo do restante desse enorme país está por evoluir - e, sim, tem potencial. O ano passado, talvez devido à situação geopolítica, foi um divisor de águas nesse setor. Pela primeira vez, o país está realmente fazendo algum esforço para materializar esse potencial e atrair turistas. As agências estatais de turismo russas iniciaram, pela primeira vez em 2014, o processo de criação de escritórios de representação turística no exterior. Então, Emirados Árabes e Alemanha ganharam escritórios do “Visit Russia”, e China, Finlândia e Itália devem ser os próximos. Em comparação, existem mais de 40 escritórios de representação de agências de turismo estrangeiras operando na Rússia. A popularidade de certos destinos turísticos estrangeiros entre os russos é significativamente influenciada pelo trabalho desses representantes.

Moeda chinesa demorou mais a agonizar que russa, que se rendeu a flutuação em 2014

Lançamento de papel-moeda na economia japonesa influenciou situação em Pequim

havia subido de 30% a 50% em relação ao período anterior à crise de 2008. Depois da turbulência econômica, a cotação das moedas russa e chinesa seguiu, inicialmente, o mesmo patamar. Mas, em 2013, o rublo começou gradualmente a enfraquecer e, em meio à queda do preço do petróleo e ao fortalecimento do dólar, passou para o regime de câmbio flutuante em 2014. Também ligado ao dólar, o yuan resistiu por algum tempo, mas as exportações continuaram caindo, levando o país a tomar essa difícil decisão.

Petróleo x indústria

Busca por acordos para trocas comerciais em moedas locais pode evitar essa situação

A maior diferença entre as exportações russas e chinesas é que as primeiras são compostas, sobretudo, de matérias-primas. Já as vendas chinesas ao e st ra ngei ro são extremamente diversificadas, indo desde bens de consumo a produtos i ndu st r ia i s complexos. Assim, as perspectivas de

recuperação do crescimento das exportações chinesas dependem diretamente da rapidez e do valor da desvalorização do yuan, enquanto a Rússia continua refém da dinâm ica de preço do petróleo. Até meados de 2011, a China, assim como seus principais concorrentes – Europa, Japão e Coreia –, encontravam-se mais ou menos no mesmo patamar. Porém, medidas internas impulsionadas por esses países, como a ativa impressão de moeda no Japão e na Europa, agravaram as condições para os exportadores chineses. A forte valorização do dólar desde o segundo semestre de 2014 conduziu a China a um final lógico: a desvalorização do yuan. A queda não ficou em torno de 3 a 5%. Para um alinhamento aceitável da situação, esse valor teve de ser puxado para os 20% a 30%. Esse acontecimento pode marcar o começo da transição para um regime liberal

da taxa de câmbio na China, e talvez uma política de yuan flutuante.

O próximo dilúvio Para a Rússia, mais importante que a taxa cambial chinesa são os acordos políticos, especialmente sobre o uso ativo de moedas nacionais. A ideia é que a volatilidade crescente do rublo e do yuan possa ser largamente compensada com mecanismos de garantia e financiamento por parte de fundos e bancos estatais. Todas essas ferramentas, quando utilizadas adequadamente, podem proteger os empresários russos e chineses das flutuações causadas por tempestades econômicas nesse mar de divisas. E, por mais paradoxo que possa parecer, o que havia de mais estável nesse mar, o dólar americano, pode vir a ser a principal vítima do próximo dilúvio.

Manter turistas e ampliar Se os planos para a abertura dos escritórios “Visit Russia” no exterior se concretizarem, pela primeira vez em quase 25 anos de um mercado de turismo no país, a Rússia poderá se apresentar como destino turístico. É difícil superestimar a importância desse passo, especialmente neste ano, quando manter – para não falar em aumentar – o número de turistas estrangeiros é um dos principais desafios do setor. O resfriamento das relações entre a Rússia e o Ocidente teve um grande impacto sobre a indústria russa do turismo e, consequentemente, sobre o número de turistas ocidentais no país. De acordo com operadores da área de turismo receptivo, o volume de vendas para viagens com origem nos Estados Unidos e países europeus caiu de 30% a 40% em 2014. A desvalorização do rublo, no entanto, teve um efeito positivo. Com os pacotes turísticos mais baratos para os estrangeiros, as diferenças políticas passaram para segundo plano, e os turistas consideraram o país como destino novamente. As previsões agora são de que a demanda pela Rússia permaneça no mesmo patamar que no ano passado. No clima político atual isso é, definitivamente, uma conquista.

Konstantin Koríschenko foi vice-presidente do Banco Central da Rússia.

Ígor Ivanov DIPLOMATA

acordo nuclear entre o Irã e o chamado P5+1 (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, acrescidos de Alemanha) é um dos acontecimentos positivos mais significativos da política mundial nos últimos tempos. Em função dele, o regime de não proliferação de armas nucleares está sendo reforçado, surgem oportunidades adicionais para a unificação de esforços das principais potências mundiais no Oriente Médio e em outras regiões em crise, e pode-se esperar uma reação positiva por parte dos mercados mundiais. O precedente iraniano estabelecido merece uma análise extremamente cuidadosa com a finalidade de aproveitar a experiência adquirida para a solução de outros problemas internacionais. Em primeiro lugar, vale des-

O

tacar que o acordo foi alcançado em meio a um cenário difícil nas relações entre a Rússia e o Ocidente. As partes conseguiram excluir esse fator do processo de negociação, evitar a desagregação do P5+1, preservar as posições comuns e chegar a um resultado bem-sucedido. Cabe lembrar que o objetivo proposto era claro e preciso e, portanto, não permitia abordagens arbitrárias e interpretações unilaterais. Além disso, o P5+1 e o Irã conseguiram, de um modo geral, isolar o processo de negociação da influência da política interna.

grama nuclear do Irã demonstrou mais uma vez a importância do diálogo russo-americano no cenário mundial. Foram justamente as ações bem afinadas da Rús-

Ações bem afinadas entre Rússia e EUA asseguraram sucesso de acordo. Já na Ucrânia, Quarteto da Normandia não se mostra capaz de cumprir acordos de Minsk

Mudanças Desde o início das negociações ocorreram trocas de presidentes e primeiros-ministros na maioria dos países participantes, assim como nas equipes de negociadores. No entanto, a vontade política e o foco na solução do problema, presentes em ambos os lados, acabaram vencendo. E o acordo referente ao pro-

sia e dos Estados Unidos que asseguraram, em grande parte, a obtenção do acordo. O exemplo iraniano mostra que Moscou e Washington continuam sendo os principais players no fortalecimento do regime de não proliferação de armas nucleares e de outros tipos de armas de destruição em massa.

Quarteto em crise O precedente iraniano merece análise e atenção especial com a continuidade da crise na Ucrânia. Infelizmente, somos obrigados a constatar que o chamado “Quarteto da Normandia” (composto pelos líderes de Rússia, Alemanha, Ucrânia e França), formato que foi adotado para a discussão da crise ucraniana, é claramente inferior ao P5+1. Isso porque, no caso ucraniano, nem todos os participantes dos acordos de Minsk demonstram a vontade política necessária para se chegar a um acordo. Aliás, os objetivos das negociações continuam pouco delineados, com exceção de questões táticas mais imediatas. Além disso, nem sempre os participantes do quarteto manifestam disposição de firmar um compromisso e levar em consideração os interesses mútuos. A guerra de propaganda entre a Rússia e o Ocidente não prevê um cessar-fogo, mesmo que temporário, durante o período de prepara-

ção e implementação dos acordos. Isso atrapalha seu andamento, pois a única saída para resolver o impasse ucraniano é melhorando o nível de cooperação dos principais players internacionais interessados na rápida superação da crise. Isso se aplica tanto à intensidade de trabalho do próprio mecanismo de negociação, quanto ao conjunto de questões discutidas e à composição de participantes das reuniões de Minsk. Também é preciso chegar a um amplo consenso internacional referente às etapas do processo de superação da crise pela Ucrânia e ao futuro desse país dentro do novo sistema de segurança europeu. E o Quarteto da Normandia, sozinho, não está sendo capaz de fazê-lo. Quem sabe, o precedente iraniano possa joga r lu z sobre e ssa discussão. Ígor Ivanov foi ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia entre 1998 e 2004.

Beleza não vê governo O lago Baikal, a península da Kamtchatka e a região de Altai aparecem como a terceira opção no ranking dos destinos russos preferidos do turista internacional - mas muito distantes da primeira, e atraindo viajantes mais aventureiros e ecoturistas. É importante que os turistas e especialistas do setor não se esqueçam que cenários políticos mudam, crises vêm e vão, mas as pessoas n ã o d e i x a m nu n c a d e viajar. É claro também que a imagem da Rússia criada a partir de sua política externa e interna e a Rússia que os turistas querem ver são coisas completamente diferentes. A beleza de São Petersburgo durante as Noites Brancas independe das posições políticas da Rússia. O brilho das águas do rio Volga ao entardecer, a dança do salmão rosa no mar de Okhotsk, próximo da ilha Sacalina, ou os depósitos de âmbar durante a maré baixa nas margens do mar Báltico, em Kaliningrado, são imagens poéticas e eternas na memória de quem as vê. Independem de quem está no poder, e nem se importam com isso. Uma caminhada ao longo dos bulevares da antiga Moscou ou uma excursão noturna aos locais retratados no romance de Mikhail Bulgakov “O Mestre e Margarita” são momentos que não se esquecem. Assim como Kazan, que apresenta a mescla ideal das culturas europeia, russa e islâmica, existem locais dignos de promoção em toda a Rússia: corridas de “snowmobile” em abril nas neves polares da região autônoma das populações indígenas Nenets, passeios de balão em Iaroslavl e o sono terapêutico nas colmeias do Altai. Não direi mais. O melhor será conferir tudo isso com seus próprios olhos. Maia Lomidze é diretora-executiva da Associação Russa de Operadores de Turismo.

KONSTANTIN MALER

RESOLUÇÃO A LA IRANIANA

Mas os pontos preferidos pelos turistas na Rússia quase não mudaram desde a queda da União Soviética. A maioria dos viajantes quer ver Moscou e São Petersburgo, cidades que são responsáveis por quase 90% de todo o tráfego turístico no país. As cidades do chamado “Anel de Ouro”, nos arredores de Moscou, também são destinos populares, assim como a viagem de trem na rota transiberiana - embora apenas 3% dos turistas a realize realmente.

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Política e Sociedade

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

Comportamento Acesso a um enorme fluxo de informações rompe barreira geográfica e dá origem a fãs incondicionais de vieses diversos no país

ARQUIVO PESSOAL

MARINA DARMAROS/GAZETA RUSSA

Moara mostra Pútin em calendário de ‘groupie política’ que ganhou de amiga russa

Encantamento de Caique pelo país nasceu quando ele adicionou um russo por engano no Skype

Loucos pela Rússia (sem pisar lá) Brad Pitt, New Kids On The Block, Spice Girls. Todo mundo já teve um amor platônico. Mas como amar um país inteiro sem conhecê-lo? MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

A Gazeta Russa escolheu três exemplares desse espécime já não tão raro, os “loucos pela Rússia”, e tentou entender como é possível ser apaixonado por um país sem conhecê-la de pertinho:

Ópera russo-amazônica

ARQUIVO PESSOAL

Para o diretor cênico Caetano Vilela, 46, tudo começou aos 19 anos. “Foi quando descobr i a impor tância de Meierhold para o teatro mundial. A obra dele não havia sido traduzida no Brasil, mas nossa companhia de teatro tinha xerox de textos dele em espanhol”, disse à Gazeta Russa. Já em 2006, a ópera “casou”, definitivamente, o artista com a cultura russa. “Em 2007, dirigi a ópera de Shostakovitch ‘Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk’ para o Festival Amazonas de Ópera, e então comecei a estudar o idioma

com a professora Aurora Bernardini, da USP”, conta. “Lady Macbeth” estreou em 2007 e ele parou os estudos do idioma, mas continuou a pesquisar sobre autores e compositores que gostaria de ter em seu repertório para o futuro: Mussorgsky, Prokofiev, Stravinski etc. Daí, partiu para o cinema, a literatura e demais gênios das artes do país. “Eisenstein, por exemplo, para mim é o maior cineasta de todos os tempos. A literatura então, nem se fala! Em meados dos anos 1990 começamos a ter os livros traduzidos direto do russo de forma brilhante, o que fez com que vários artistas adaptassem literatura russa para o palco.” Representante do Brasil na Quadrienal de Praga em 2015 pela direção e iluminação de Licht+Licht, agraciado com o prêmio Shell de Iluminação em 2011 pelo espetáculo “Dueto para Um” e com o prêmio Carlos Gomes de Música Erudita pela iluminação das óperas Ca Ira e Ariadne auf Naxos, entre outros, Vilela pretende ir até o final deste

Caetano saltou de Stanislávski para seu mentor, Meierhold, quando este nem era traduzido

ano visitar o país que tanto admira. “Nunca pisei na Rússia, mas não foi por minha culpa. Identifico-me muito com a cultura russa e isso me guiou nos meus estudos no teatro.”

Destruindo estereótipos Em 2012, trabalhando pela internet, o sergipano Caique Jr.,

29, foi adicionar um colega no Skype e, por um erro de digitação, acabou convidando um russo para ser seu amigo no aplicativo. Foi assim que se iniciou a improvável história de amor desse ex-estudante de publicidade pela Rússia. “Ele escrevia em russo e eu pensava: ‘Puxa, um alemão!’

Até que coloquei no Google e descobri que era russo”, conta rindo. Naquele dia, Caique entrou na webcam com seu novo amigo, bateu papo em inglês, tocou violão, conheceu seu irmão, os amigos, ouviu a língua russa e se apaixonou pelo povo do país. Depois disso, ele começou

a estudar a língua, criou a página “Amigos da Rússia” e conheceu uma centena de russos pela internet. Mas, até hoje, nunca viu um russo em carne e osso. Mesmo sendo filho de um bailarino, com uma família totalmente dedicada às artes, ele sempre sentiu certo preconceito quanto ao país em casa e nos círculos que frequenta. Para explicar o fenômeno, ele usa a influência norte-americana sobre a terra natal. “Até no filme novo dos X-Men eles d i zem: ‘Nossa ameaça antigamente eram a Rússia e a China; hoje, nossos inimigos são os mutantes’.” Para quebrar esse tipo de estereótipo, ele criou a página “Amigos da Rússia”. “A Rússia não é mais comunista, nem todo russo é bêbado”, explica. Neste mês, ele pretende fazer sua primeira visita ao país. “Quero ir para a Sibéria, não para Moscou. Para Tomsk ou Novosibirsk.”

‘Muso Surkov me fisgou’ Quem não conhece pessoal-

mente a devoradora - e espalhadora - de memes Moara Juliana, 30, pode pensar que ela é cientista política ou blogueira profissional - quando não está fazendo uma mistura dos dois ao criar posts cheios de humor no Twitter e no Facebook. Mas o veio político dessa diagramadora em atividade começou com seu interesse pela cena norte-americana, que a levou a conhecer uma “turminha” no Tumblr mais ligada à realidade russa, em 2012. “Comecei a ler alguns artigos e livros e perceber que TUDO da Rússia era interessante”, conta. “A política nos EUA é mais fácil de entender e de acompanhar. Na Rússia, você acaba dependendo do ponto de vista de quem relata, então a gente aprende que tem jornalista e blogueiro que é meio russófobo, tem os super pró-Pútin, tem o pessoal mais lúcido e imparcial... É legal entender as várias formas com que o Ocidente percebe a Rússia”, diz. Fã declarada - ou debochada? - do político Vladislav Surkov, ela diz que, de tanto assistir aos discursos dele e do premiê Dmítri Medvedev, aprendeu a amar o idioma e começou a estudá-lo em um curso no centro de São Paulo. “O ‘muso’ Surkov me fisgou... (Risos). Além dos motivos óbvios e fúteis de que ele é bonitão, me atraiu muito o papel dessa pessoa no cenário político russo de hoje... Ele é autodeclarado um dos criadores do que se chama de putinismo hoje... E, além de tudo, é uma figura: no escritório dele, mantinha uma foto de Obama e Tupac, estudou artes quando jovem, nasceu numa vilazinha bem pobre na Tchetchênia...”, explica. “Que fique claro aqui que n ã o s o u p r ó - P ú t i n !”, ressalta. Apesar de ter desejo de conhecer o país, ela não tem planos concretos para visitá-lo. “Quero ir, mas é bem caro”, diz.

Im(p)unidade Proposta de alteração em legislação isentaria policiais de investigação por atos praticados em serviço

Ampliação de poderes da polícia divide opiniões Se as alterações forem aprovadas, apenas disparos infringidos pela polícia contra mulheres grávidas passarão a ser ilegais. Além disso, os policiais poderão passar a usar armas de fogo

OLEG EGOROV ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

A proposta de emendas à legislação policial, conferindo poderes adicionais para revistas e disparos contra suspeitos, tem causado polêmica na sociedade russa. As emendas foram apresentadas pela Comissão de Segurança da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia), no início de julho. Devido às férias, porém, a votação do projeto só acontecerá quando o Parlamento se reunir novamente, em setembro.

“Se situação econômica se deteriorar, poderão ocorrer protestos, e lei permite repressão” em locais movimentados no caso de atos terroristas ou tomada de reféns. As emendas propostas à lei ainda dão aos policiais o direito de revistar cidadãos com base em suspeitas pessoais e sem mandato de busca, bem como de abrir ve-

ículos sem o consentimento dos proprietários. Pela proposta, os agentes da corporação também ficariam isentos de investigação por atos praticados durante serviço, se comprovado que esses não desrespeitam a legislação. Paralelamente, o projeto imputa responsabilidades adicionais sobre a polícia, como a prestação de primeiros socorros e o transporte de feridos para hospitais. Esses serviços, que já são prestados hoje, seriam complementados pela obrigação de comunicar os familiares sobre incidentes em um prazo máximo de 24 horas.

Lei da conveniência Assim que o texto do projeto de emenda à lei se tornou

© VLADIMIR PESNYA / RIA NOVOSTI

Com emenda, agentes da corporação poderiam disparar em locais de alta densidade populacional, impugnados apenas se atirassem contra grávidas.

Para especialistas, medida abriria brecha para agressões contra manifestantes oposicionistas

público, observadores expressaram preocupação com a possibilidade de a medida levar a um aumento nas violações dos direitos humanos. A ouvidora de direitos humanos na Rússia, Ella Pamfílova, convocou analistas independentes para avaliar as alterações. “A maneira com que o projeto de lei foi apresentado é muito perigosa, pois pode intensificar a violência”, afirma.

tando se preparar”, diz Babinets.

Compartilhando da mesma posição, o ativista de direitos humanos e especialista do Comitê Contra a Tortura, Serguêi Babinets, encara as alterações propostas como uma jogada do governo para autorizar o uso da força em eventuais protestos. “Se a situação socioeconômica continuar a se deteriorar, as pessoas poderão se indignar e sair às ruas em protesto. E é com essas emendas que o governo está ten-

Protegendo quem? Os autores do projeto garantem, contudo, que o objetivo das emendas é garantir a segurança dos cidadãos, incluindo os próprios policiais, que muitas vezes morrem ou são feridos em serviço. De acordo com estatísticas do Ministério do Interior russo, mais de 200 policiais e soldados morreram em ser-

viço ao longo de 2014, e quase 2.000 agentes ficaram feridos. Neste ano, o número de policiais e soldados mortos em serviço já chega a 33, e o de feridos, a 842. Para o advogado e coronel aposentado Evguêni Chernussov, as emendas são justificadas, levando-se em conta a crescente ameaça de atos terroristas. “É preciso permitir que a polícia use armas para prevenir atos terroristas e ataques a policiais. Ataques terror istas também são perpetrados por mulheres. Se uma ‘viúva negra’ está prestes a explodir, os policiais devem ter permissão para evitar isso”, explica. Chernussov destaca ainda que apenas agentes das forças especiais seriam autorizados a usar armas em locais com alta densidade populacional, já que “eles têm as habilidades necessárias para tal”. “Agentes policiais regulares não vão disparar sobre multidões. Essa psicologia existe na polícia desde os tempos soviéticos: um policial vai pensar dez vezes antes de usar sua arma, porque, se alguma coisa acontecer, ele será responsabilizado”, afirma.

Metade dos russos apoia censura na internet CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

les que não a utilizam. Para os últimos, a internet é fonte de uma estranha ameaça com a qual eles não sabem lidar e que, por isso, acham melhor ser proibida.”

Inconstitucional

dos na internet. Já em 2014, as agências do governo ganharam autonomia para bloquear extrajudicialmente páginas que divulgam protestos e ações consideradas extremistas.

Liberdade de expressão acuada

Dever do Estado?

ALYONA REPKINA

A prontidão dos respondentes em aceitar uma proibição total da internet é apenas hipotética, já que a censura é vedada pela Constituição do país. “A Rússia não pretende restringir o acesso à rede nem colocá-la

sob controle total”, garantiu repetidas vezes o presidente Vladímir Pútin. “Mesmo assi m, desde 2012, o número de iniciativas para bloquear recursos na internet não para de aumentar”, disse à Gazeta Russa a analista da Associação Russa para Comunicações Eletrônicas, Karen Kazarian. Há exatos três anos surgiu no país um mecanismo extrajudicial para bloqueio de sites e uma lista de recursos e endereços proibi-

Para a diretora de projetos estratégicos do Instituto de Pesquisas da Internet, Irina Levova, as tentativas de controle são naturais quando o gove r no sof re a meaças cibernéticas. “Essa é a obrigação de

qualquer Estado: garantir a segurança da infraestrutura básica e dos cidadãos”, afi rma Levova. Ela acredita, porém, que a maioria da população prefere ignorar as iniciativas restritivas quando elas não l hes d i zem respeito diretamente. O sociólogo Denis Volkov compartilha da opinião. “A maioria das pessoas simplesmente não relaciona essas medidas com tentativas de limitar o seu direito de acesso à informação”, afirma.


Economia e Negócios

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

ENTREVISTA SERGUÊI VASSILIEV

Negócios nem tão à parte assim ÀS VÉSPERAS DA VISITA DE MICHEL TEMER A MOSCOU, CHEFE DE ÓRGÃO RUSSO DE COOPERAÇÃO FALA SOBRE METAS BILATERAIS

Queda da moeda incrementa exportações do país CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

bricada mais competitiva nos mercados mundiais. A economia russa continua dominada pelas exportações energéticas, e o mais provável é que assim permaneça nos próximos anos. Mas agoras as autoridades russas colocam suas esperanças no redirecionamento da produção, que poderia ajudar o país a dei x a r de depe nde r de commodities.

Exportações dobradas A BSH GmbH planeja dobrar as exportações em 2015, segundo Mandali. A fábrica exportou 50 mil máquinas produzidas na Rússia apenas em 2014. Embora a maior parte dessas vendas seja destinada a países da antiga União Soviética (principalmente Armênia, Bielorrússia, Ca-

O embargo russo sobre alimentos provenientes dos EUA e da União Europeia levou a uma troca de fornecedores no país. Como isso afetou as relações entre Brasil e Rússia? Após a introdução do embargo, além do fornecimento tradicional de carne e derivados, o Brasil passou a exportar para a Rússia laticínios, sobretudo queijos. Em função das normas sanitárias e dos padrões russos, porém, a entrada de produtos brasileiros no mercado russo não se dá tão rapidamente.

O que se pode esperar da reunião da Comissão de Alto Nível e da Comissão Intergovernamental da Rússia em setembro? É um fato inédito, porque essas duas comissões nunca aconteceram simultaneamente. Além disso, estamos orga n i za ndo u m a mplo fórum de negócios do qual participará uma grande delegação dos círculos empresariais brasileiros. A última vez que nos reunimos nesse formato foi em 2012, quando a presidente Dilma visitou Moscou. No fórum serão discutidos três temas-chave: infraestrutura, inovação e agricultura. Estamos ansiosos pelo discurso do vice-presidente Michel Temer. Acredito que o fórum será um evento muito importante, que poderá acelerar o desenvolvimento de

zaquistão e Quirguistão), a empresa também almeja mercados europeus, incluindo Alemanha, França, Itália e países escandinavos. A joint venture da Ford no país, a Ford Sollers, também planeja exportar sua produção para a Europa. No ano passado, a fi lial russa já passou a fornecer os modelos Ford Focus e Ford EcoSport para seu vizinho Cazaquistão. Para otimizar os custos, a porção de componentes produzidos na Rússia foi aumentada de 40% para 85%. Em dezembro de 2015, a empresa inaugurará uma planta para fabricar 200 mil motores por ano para o Focus, o Fiesta e o EcoSport. No total, a Ford investirá quase US$ 1,5 bilhão no desenvolvimento de unidades de produção na Rússia.

E como se desenvolve a cooperação no setor financeiro? Entre os bancos comerciais, a cooperação não corresponde às expectativas. Nosso Banco de Desenvolvimento assinou o primeiro acordo com o BNDES em 2008, e temos um acordo de apoio ao

Empresas russas e brasileiras se queixam de diferenças nas legislações dos dois países. Por que isso acontece? Essas reclamações se devem, em primeiro lugar, à impossibilidade de se efetuar transações com as moedas nacionais. Existe uma discussão sobre esse tema há pelo menos seis anos. Em 2009, o presidente brasileiro do Conselho Empresarial Brasil-Rússia, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, esteve em Moscou para discutirmos o assunto. Logo ficou claro que o principal obstáculo é a conversão incompleta da moeda brasileira. Trata-se de uma característica histórica da legislação de câmbio brasileira, e é pouco provável que ela seja modificada em um futuro próximo. Já a legislação russa não impede transações em moedas nacionais. Quer dizer que não se deve esperar as trocas com uso de

moedas nacionais? O uso de moedas nacionais implica o início de conversões entre as contas em reais para exportadores russos e em rublos para os brasileiros. E, segundo a legislação brasileira, não se pode pagar pelo fornecimento de bens a partir de uma conta em rublos.

RAIO-X

Nascido em 1957, Serguêi Vassíliev recebeu título de doutor em Economia em 1979 e ocupou diversos postos públicos até alcançar o cargo de vice-ministro da Economia, que

exerceu de 1994 a 1997. Também foi vice-chefe de governo a partir de 1997 e presidente do conselho administrativo do Banco Internacional de Investimento. Hoje, além de liderar a ala russa do Conselho Empresarial Brasil-Rússia, é vice-presidente do Banco de Desenvolvimento do país (Vneshekonombank).

mento da cooperação em investimentos entre os Brics, inclusive entre Rússia e Brasil. É uma nova fonte de financiamento de grandes proje-

tos, sobretudo infraestruturais. Dentro de três a quatro anos, o Novo Banco de Desenvolvimento deve se tornar uma instituição fi nanceira muito forte.

IDADE: 56 ANOS FORMAÇÃO: DOUTOR EM ECONOMIA

Como o senhor vê a organização do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics e o que espera para o futuro dessa instituição? A criação desse mecanismo foi discutida diversas vezes nos fóruns de negócios dos Brics. A nova estrutura contribuirá para o desenvolvi-

Efeito inverso Aumento de imposto estimula venda ilegal

Cigarros falsificados invadem mercado Volume de produtos não registrados no país cresceu 60% após medidas e queda no número de fumantes ficou em apenas 1%. ALEKSÊI LOSSAN

Além de multinacionais, fábricas locais passam a vender mais

Dependente de petróleo As exportações russas ainda são compostas principalmente por matérias-primas e minerais, especialmente energéticos. O petróleo e o gás natural representaram 68% das exportações russas em 2013, segundo a U.S. Energ y I n for mation Administration. Além disso, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia, o volume de negócios do varejo russo desceu 8% no primeiro semestre de 2015, com uma queda de 7,7% na demanda por gêneros alimentícios e de 8,3% para outros bens. Já as vendas de carros no país caíram 35% entre janeiro e julho de 2015, segundo a Associação de Empresas Europeias na Rússia. Já a maior montadora

russa, a AvtoVAZ, tenta impulsionar as exportações do seu modelo mais popular contemporâneo, da marca Lada. Sua meta é exportar 100 mil desses veículos por ano. Estimativas da empresa de investimentos VTB Capital avaliam que as vendas internas da AvtoVAZ cairão 17% em 2015, chegando a 320 mil veículos por ano, enquanto as exportações devem subir 35%, alcançando os 70 mil veículos por ano. “Com a mão de obra mais barata, menores custos de produção e componentes a preços acessíveis em vários setores, as empresas podem oferecer produtos mais competitivos em nível internacional e no mercado local”, explica o analista-chefe da consultoria moscovita UFS IC, Iliá Balákirev.

GAZETA RUSSA

Um estudo do instituto de pesquisas de mercado TNS revelou que a entrada de cigarros falsificados cresceu 60% na Rússia desde a introdução, em junho de 2014, de uma lei nacional que proíbe a exposição do produto em lojas. No mesmo período, o volume de cigarros contrabandeados provenientes de países vizinhos aumentou 25%. “A proibição acabou jogando contra os interesses do Estado e dos consumidores. Só no ano passado, o orçamento federal perdeu mais de US$ 365 milhões em impostos e, até o fi nal do ano, deverá perder US$ 610 milhões”, afi rma o vice-presidente da Japan Tobacco International, Serguêi Kisseliov. O aumento dos impostos, que variam entre 14% e 43%, sobre o valor do maço de cigarros foi outro motivo que

© ALEKSANDR KONDRATYUK / RIA NOVOSTI

Quais são as principais atividades do Conselho Empresarial Rússia-Brasil e quais são as metas para os próximos anos? Dois órgãos coordenam as relações russo-brasileiras: a Comissão de Alto Nível, que é chefiada pelo primeiro-ministro da Rússia, Dmítri Medvedev, e pelo vice-pr e s ide nt e do Br a s i l , Michel Temer, e a Comissão Intergovernamental de Comércio e Cooperação Econômica. O conselho colabora com

O senhor poderia especificar quais são esses projetos? Sim, um deles é a participação da empresa Russian Railways na licitação para construção de ferrovias no Brasil. Além disso, há a participação da Inter Rao na construção de uma grande hidrelétrica na Amazônia e outros de grande porte.

investimento que, infelizmente, até agora não está ativo, pois não existem projetos que satisfaçam as condições necessárias. Mas é importante notar que todos os projetos de empresas russas no Brasil e vice-versa podem receber apoio por esse acordo.

DIVULGAÇÃO

GAZETA RUSSA

Presidente russo do Conselho Empresarial Brasil-Rússia desde 2009 e vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da Rússia, Serguêi Vassíliev comanda, junto ao governo russo, a organização da Comissão de Alto Nível, chefiada pelo primeiro-ministro russo Dmítri Medvedev e pelo vice-presidente Michel Temer, e da Comissão Intergovernamental de Comércio e Cooperação Econômica, que ocorrem na capital russa entre 14 e 16 de setembro. Em entrevista à Gazeta Russa, ele fala sobre os acordos esperados para os eventos e os êxitos alcançados durante a presidência do órgão de cooperação bilateral:

u m a s é r ie de pr oje t o s russo-brasileiros.

o trabalho desses órgãos e, em paralelo, presta auxílio político a empresas russas no Brasil e organiza fóruns de negócios. Dois desses já foram realizados na Rússia, e outros dois, no Brasil. O conselho também acompanha diversos eventos especializados, tais como a visita da delegação brasileira de cooperação técnico-científica à Rússia e o Fórum de Energia no Rio de Janeiro, entre outros.

MIKHAIL DZHAPARIDZE / TASS

DMÍTRI GOLUB

País também proibe fumo em locais fechados desde 2014

impulsionou as vendas ilegais.Para o analista da consultoria de investimentos Finam, Timur Nigmatúllin, a queda de poder aquisitivo da população também justifica o volume de produtos falsificados no mercado. Em 2014, foram registrados os primeiros casos de fornecimento ilegal da China. “Antes, os chineses contrabandeavam esse produto só para a Europa ocidental, onde os preços são mais altos”, explica Kisseliov. Ainda segundo os dados do TNS, nos últimos cinco anos, a porção de produtos falsificados no mercado de tabaco

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russo aumentou 14 vezes, de 0,1% para 1,4%.

Sem ex-fumantes Além do aumento no contrabando, o número de fumantes se mostrou quase estável, apesar das medidas para refreá-lo. Outro estudo, realizado pelo Centro de Estudos de Opinião Pública da Rússia (VTsIOM), mostra que, depois de a proibição de expor cigarros entrar em vigor, apenas 1% dos russos deixaram de fumar. Em 2014, também foi introduzida a proibição do fumo em restaurantes e outros estabelecimentos públicos.

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