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A revolução das bicicletas © VLADIMIR ASTAPKOVICH / RIA NOVOSTI

Cicloativismo invade não apenas capital, mas regiões improváveis, como a Sibéria P.3

Produzido por

Este suplemento é produzido e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 19 de agosto de 2015. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Deslancha? Informação foi divulgada por construtor responsável pelos foguetes dias após ruptura de cooperação entre Brasília e Kiev

Brasil e Rússia podem lançar Angará Países negociam criação de complexo de lançamentos da família de porta-foguetes no Brasil. Transação beneficiaria ambos os países: Alcântara avançaria e Rússia poderia lançar mais carga da linha do Equador. Segundo especialista, possível acordo se assemelha ao celebrado com a Coreia do Sul. CONTINUA NA PÁGINA 3

© VITALY BELOUSOV / RIA NOVOSTI

Fé Profusão de novos templos e influência política geram insatisfação

Embargo Decreto determina eliminação de produtos

Interferência religiosa no Estado afasta fiéis

Alimentos destruídos já somam 871 toneladas documentos que garantiam a penetração no país desses alimentos, proibidos desde agosto de 2014, quando Moscou começou a embargar produtos originários dos Estados Unidos e União Europeia como resposta às sanções impostas por esses à Rússia devido à crise ucraniana. Foi o caso das 114 toneladas de carne suína destruídas na cidade de Samara, à beira do Volga, que foram importadas com documentos brasileiros - mas provinham da União Europeia.

Gêneros alimentícios confiscados são europeus e norte-americanos e foram proibidos de entrar no país após sanções contra Rússia. ALEKSÊI LOSSAN, MARIA AZÁLINA

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

GAZETA RUSSA

Uma pesquisa divulgada em julho pelo Centro Nacional de Pesquisa de Opinião Pública (VTsIOM) revela que apenas 36% dos russos aprovam a disseminação de crenças religiosas. Em 1990, ainda durante a URSS, esse índice ultrapassava a marca dos 60%. O levantamento também apontou que 23% dos entrevistados veem a propagação da fé como “prejudicial para a sociedade”. Há 25 anos, a opinião era sustentada por menos de 5% dos russos. “A Igreja interfere cada vez mais na vida privada do russo. Não existe diálogo com a sociedade, e isso está deixando as pessoas apreensivas e preocupadas”, afirma Elena Babitch, líder do movimento “São Petersburgo - Capital Espiritual”, criado para “desenvolver o potencial espiritual” e “fortalecer os valores morais” na sociedade, de acordo com o

Após entrada em vigor, no dia 6, do decreto presidencial que determina a destruição de produtos alimentícios europeus e norte-americanos embargados pela Rússia, o país interceptou e aniquilou 871 toneladas desses gêneros em apenas nove dias, de acordo com a agência fitossanitária Rosselkhoznadzor. “No momento, já foram apreendidas e destruídas 550 toneladas de alimentos de origem vegetal e 321 toneladas de origem animal”, lê-se em comunicado divulgado pelo órgão no dia 15. O documento ressalta ainda que, da produção detida, 576 quilos eram transportados em bagagens de mão, apesar de a proibição não se aplicar a mercadorias importadas por cidadãos russos para uso pessoal. Muitos dos produtos interceptados levavam certificados falsos de origem. Eram esses

© MIKHAIL MOKRUSHIN / RIA NOVOSTI

MARIA FEDORÍCHINA

Em 1990, 60% dos russos aprovavam a disseminação de religiões, contra os 23% de hoje

site da organização. “Hoje, a Igreja está mais empenhada em fazer negócios que em trabalhar com a população, está mais interessada por projetos financiados pelo Estado”, diz.

Estado e fiéis laicos Nos últimos anos, os russos começaram a fazer distinções entre os conceitos de “fé” e “Igreja”. Segundo o estudo do VTsIOM, 55% dos respondentes acreditam que a fé os ajuda

a viver, contra os 23% de 1990. “Há muito mais pessoas de fé, que acreditam em Deus, do que aquelas que frequentam as igrejas e cumprem os preceitos canônicos”, explica a psicóloga Elena Galítskaia. “A fé está dentro das pessoas, no coração, e as regras da Igreja são atributos externos. Por isso, não há nenhuma contradição em existir fiéis se opondo à Igreja ou a sua gestão”, completa.

A Rússia é, de acordo com sua Constituição, um país laico. No início de agosto, porém, a Câmara de Auditoria - órgão parlamentar para o controle financeiro estatal - e a Igreja Ortodoxa Russa assinaram um acordo de cooperação no combate à corrupção. Recentemente, a Província Eclesiástica de São Petersburgo também pediu às autoriCONTINUAÇÃO NA PÁGINA 2

GAZETA RUSSA, FONTE CONFIÁVEL DE NOTÍCIAS 83% consideram a gazetarussa.com.br como fonte para novos pontos de vista de especialistas russos

81% acreditam que a gazetarussa.com.br fornece informações e análises que vão além da cobertura tradicional da mídia sobre o país 77% dizem que nossos projetos on-line são relevantes para todos - e não apenas a quem tem algum interesse especial pela Rússia * P e s q u i s a re a l i z a d a co m l e i to re s d a G a ze t a R u ss a e d o p ro j e to R BT H e m m a rço d e 2 0 1 5

res no país se colocaram a favor da nova medida, outros sugerem que os alimentos sejam doados, inclusive a pessoas na zona de conflito na Ucrânia. O analista da consultoria UFS IC, Iliá Balakirev, afirma que a destruição de produtos alimentares é uma prática comum em muitos países desenvolvidos. “Mas, em essência, o decreto ressalta a incapacidade de controlar completamente a importação de produtos previstos pelas sanções”, diz. Os dados do Serviço Fede-

Reações diversas Enquanto alguns observado-

CONTINUA NA PÁGINA 2

SERGEY MEDVEDEV / TASS

Pesquisa revela que relação dos russos com a Igreja Ortodoxa se deteriorou desde os últimos anos da União Soviética.

Dos produtos apreendidos, 576 kg vinham em malas de mão

U M P O N T O D E V I S TA B A L A N C E A D O S O B R E A R Ú S S I A

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Política e Sociedade

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Cicloativismo Movimento pela popularização de bicicletas cresce não apenas na capital, mas na Rússia Central e até na Sibéria Além disso, enquanto a bicicleta goza de popularidade em países asiáticos devido ao custo e, em países europeus, devido à facilidade, já que o trabalho e áreas de lazer ficam a distâncias geralmente inferiores a cinco quilômetros, na Rússia, a proibição de bicicletas no metrô ainda cria empecilho. A projeção soviética das cidades russas acaba tornando muito grande a distância entre o trabalho e as áreas de lazer e os bairros residenciais. “Percorrer de 10 a 20 quilômetros de bicicleta para ir dos bairros ao centro ainda é pesado, por isso as pessoas raramente usam a bicicleta como seu principal meio de transporte”, explica Trofímenko.

(Bem) abaixo de zero

Status x sustentabilidade

Número de bicicletas em Moscou aumentou de 1.500, em 2014, para pelo menos dois milhões, em 2015, de acordo com a prefeitura. ANASTASSIA MÁLTSEVA ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Para quem vive um inverno em que os termômetros ultrapassam os 25 graus positivos, pode parecer difícil de acreditar, mas a gélida Moscou, assim como São Paulo, começa a viver a revolução do cicloativismo. Um dos indícios dessa tendência é que a demanda por bicicletas na capital russa aumentou drasticamente nos últimos cinco anos. Hoje, Moscou conta com 150 pontos de aluguel, que deverão chegar a 300 até o final do ano. Além das agências de aluguel, a cidade tem 755 esta-

cionamentos para bicicletas, e ciclovias começam a aparecer em alguns bairros. “Pedalo há mais de três anos”, conta a engenheira balística Anna Konstantínova. “Tenho uma bicicleta com várias marchas e um cesto na frente para colocar minhas coisas. Para percorrer a distância de 5,5 quilômetros da minha casa até o trabalho, eu costumava gastar 40 minutos. Agora, com a bicicleta, preciso de apenas 25 minutos. Por isso, passei a ir de bicicleta para o trabalho mesmo durante o inverno.” Ela explica que pedala seguindo estritamente as regras de trânsito, ou seja, mantendo-se na pista da direita, e nunca a mais de um metro de distância da calçada. Segundo Anna, os carros mal estacionados dificultam a

vida dos ciclistas na cidade, já que atrapalham sua passagem. Outro fator que poderia ser melhorado é a quantidade de estacionamentos para ciclistas, que ainda é pequena.

dos ganham popularidade não só na capital, mas em São Petersburgo e na Rússia Central e Sibéria. “Quem adere são principalmente jovens e pessoas que se impor tam com o meio ambiente e um estilo de vida saudável”, diz o especialista.

Entre desafios do ciclista russo, está no metrô necessidade de mais Proibição A editora literária moscovita ciclovias e permissão Oksana Agápova vai de patide biciletas no metrô nete ao trabalho. Mas isso só “Por causa disso, temos que acorrentar nossas bicicletas a cercas e postes, o que ainda incomoda os pedestres”, diz. Segundo Konstantin Trofímenko, pesquisador sênior do Instituto de Política de Transportes da Escola Superior de Economia, os meios de transporte não motoriza-

acontece entre maio e setembro. “Quando a neve derrete, chego ao trabalho em um terço do tempo habitual: no inverno, levo 15 minutos a pé de casa até a estação de metrô, mas de patinete só preciso de 5”, conta. “Os engarrafamentos e os estacionamentos pagos tornam insustentável o uso de

carro. Por isso, para mim, esse é o melhor meio de transporte. No momento, ele supera até a bicicleta, porque é proibido entrar com ela no metrô”, explica. Segundo o criador do movimento em prol dos direitos dos transeuntes “União dos Pedestres”, Vladímir Sokolov, quando uma pessoa anda de patinete, ela ainda é considerada pedestre, por isso pode se deslocar pela calçada, o que torna esse meio m a i s s e g u r o do q u e a bicicleta. “Os ciclistas têm que ir pela rua ou ciclovia, se houver. Mas as ruas russas geralmente não são seguras. Os carros passam voando, a 80 quilômetros por hora, e ainda h á p o u c a s c i c l o v i a s ”, explica. Para Sokolov, um passo

REUTERS

Alguns russos já vão trabalhar diariamente de bicicleta, mesmo no inverno

NÚMEROS

US$ 9,4 mi foram investidos na construção de ciclovias desde 2011 em Moscou. Até 2016, 90 km de vias serão recapeadas e ganharão ciclovias

200 km de ciclovias já foram criadas na capital russa, mas grandes distâncias entre centro e bairros são difíceis com proibição no metrô

importante para que o movimento dos ciclistas possa se difundir na Rússia é a redução da velocidade máxima permitida em vias urbanas para 40 a 50 quilômetros por hora.

A urbanista Rada Konstantínova é cética quanto à possibilidade de que a bicicleta substitua os automóveis. Segundo ela, se a bicicleta conseguir desiludir 5% dos motoristas quanto à eficácia de seus automóveis até 2045 será uma vitória. “A maioria dos russos hoje tem medo de andar de bicicleta porque os carros passam a altíssimas velocidades, e muitos também ficam incomodados por ter que respirar a poluição dos carros, que não faz nada bem à saúde”, explica. O clima seria outra barreira. “Esses transportes alternativos na Rússia só são viáveis durante o calor. Não podemos esquecer que o inverno russo é tão frio e tem tanta neve que a única coisa que as pessoas querem é sair correndo para o metrô e para seus carros para não c on ge l a r o n a r i z”, d i z Konstantínova. Mas um fator pouco citado no atraso da ciclorrevolução no país é a ostentação do carro como símbolo de status. E, em uma cidade que reúne o maior número de bilionários do mundo, após décadas de privações, exibir um automóvel ainda é imp o r t a n t e p a r a m u it a s pessoas.

Mistura de religião e Decreto impõe eliminação de política desagrada alimentos dos EUA e da UE CONTINUAÇÃ DA PÁGINA 1 CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

Fé laica, sem contradição

43 %

18 %

23 %

NÚMERO

871 SERGEY MEDVEDEV / TASS

AP

dades que a Catedral de Santo Isaac, de propriedade do Estado, passe a ser de usufruto livre e ilimitado da Igreja Ortodoxa Russa. O pedido recebeu uma enxurrada de críticas de defensores do patrimônio público e de cidadãos temerosos quanto à possibilidade de que um dos principais símbolos da cidade venha a ter acesso restrito. “A catedral nunca pertenceu à Igreja, foi sempre propriedade do Estado, construída com dinheiro público. Temos medo de perdê-la como museu, como atração turísti- Padres ortodoxos caminham em frente ao Kremlin, em Moscou ca”, diz Babitch. Entre igrejas e capelas, Moscou possui mais de 1.000 Para russos, fé templos. As novas construções independe de religião, devem muito ao programa e Igreja está “mais “200 igrejas”, que tem por obempenhada em fazer jetivo garantir locais de culto a curta distância para toda negócios e receber a população da capital. capital do Estado”, Mas, de acordo com além de aniquilar o VTsIOM, 18% dos áreas de lazer para russos se opõem à construção de uma igreja construir templos perto de casa, mesmo são contra que essa seja da sua prótemplos de outras norte, havia um parque com pria religião, e 43% são religiões na vizinhança uma lagoa. “Era o único lugar contra a edificação de temonde dava para passear com plos que professem uma fé meus filhos e, no inverno, diferente da sua na a gente descia as colinas vizinhança. ali de trenó. Agora cer“As pessoas disveem a caram a área e vão conscordam da construpropagação da fé truir uma igreja”, conta. ção desenfreada de não querem como “prejudicial novas igrejas de sua para a sociedade” Segundo ele, os moraigrejas. Elas tomam própria religião dores da região chegaram o espaço de parques a registrar uma reclamação e locais de lazer, emjunto à prefeitura, mas não bora a cidade já tenha receberam resposta. muitas igrejas, e ficam às “Não entendo por que consmoscas, com pouquíssimas truir uma igreja bem no parpessoas nos cultos”, diz Flerte de Igreja com Estado se que. Sou um homem de fé e Babitch. manifesta desde apoio a canO moscovita Anton Vassi- didatos políticos até concessão não vejo problema em andar 15 minutos para chegar à igreliev, por exemplo, conta que de terrenos e edifícios ja mais próxima”, diz. em frente a sua casa, na zona

ral Aduaneiro, revelam que, durante o primeiro semestre de 2015, foram aprendidas mais de 550 toneladas de produtos incluídos na lista de embargos russa. Nesse período, as autoridades russas confiscaram 44,8 toneladas de produtos sancionados, números tímidos perto dos divulgados neste mês pelo Rosselkhoznadzor. Seguindo as novas diretivas, fiscais do Estado buscam produtos afetados pelo embargo não apenas nas fronteiras, mas em mercados e lojas de todo o país, que devem ser eliminados imediatamente após a apreensão. O processo de destruição deve ser registrado em foto e vídeo, além de ocorrer na presença de, no mínimo, duas tes-

Apreensões devem ser destruídas em presença de testemunhas

temunhas que não tenham conexão com os produtos.

Punição alimentícia Além de dividir os observadores, o decreto presidencial provocou diferentes reações na opinião pública. “Os russos nutrem grande

reverência em relação aos alimentos e ao trabalho de seus produtores. Para muitos, a destruição de alimentos em bom estado é um sacrilégio”, afirma a diretora do Centro de Política Agrícola, Natália Chagaida. “Seria melhor confiscar os

toneladas de alimentos embargados dos EUA e da União Europeia foram destruídas entre os dias 6 e 15 deste mês

produtos bons para consumo, punindo, assim, os fornecedores ou importadores que violarem a decisão do governo, e doá-los a escolas, orfanatos etc.”, acrescenta. Já o deputado do partido de centro-esquerda Rússia Justa, Andrêi Krutov, propôs que os alimentos abrangidos pelo embargo sejam enviados para Donbass, região ucraniana devastada pela guerra civil.

Novos russos Médicos, engenheiros e técnicos têm prioridade devido à demanda

74 profissões podem ter cidadania facilitada Decreto que simplifica obtenção de cidadania russa entrou em vigor no início do mês para suprir deficiências do mercado de trabalho. ROSSIYSKAYA GAZETA

Entrou em vigor na Rússia, em 7 de julho, um decreto do Ministério do Trabalho que prevê a facilitação na concessão de cidadania russa para estrangeiros e apátridas de determinadas profissões em demanda no país.

A lista, que inclui 74 especialidades, tem oportunidades sobretudo nas áreas de medicina e engenharia. Mas cargos de gestão e técnicos, como torneiros e mecânicos para maquinário de construção civil, também foram relacionados. “Há muitas vagas para esses profissionais atualmente. Quase 83% das pessoas que saem do ensino médio seguem os estudos no ensino superior. Por isso, há carência de pessoal técnico, operários espe-

cializados e de formandos do ensino profissionalizante”, diz Andrêi Korotaev, especialista em demografia e dinâmica macrossociológica. Já Vadim Novikov, membro do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento da Concorrência, acredita que a lista mostra a prioridade do governo em desenvolver a indústria pesada e média, b e m c omo o c omple xo militar-industrial. Para participar do procedimento simplificado é neces-

sário antes obter um visto específico cuja finalidade é o recebimento da cidadania russa. A necessidade de um ano de residência temporária no país, antes imprescindível para a concessão de residência definitiva, também foi dispensada. “Atualmente, falta qualificação a esses profissionais no nosso país, e são justamente os especialistas estrangeiros que terão a cidadania simplificada que ajudarão a recuperar o tempo perdido”, diz o diretor científico do Instituto de Economia, Política e Direito de Moscou, Nikolai Vôlguin. Especialistas dizem ainda que a lista poderá ser alterada de acordo com as demandas do mercado de trabalho no país.


Especial

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Novo capítulo Com a finalização de contrato para lançamento do ucraniano Cyclone 4, país entra em negociações com Moscou

Alcântara negocia lançamento de Angará de uma latitude próxima a zero torna Alcântara mais competitiva, já que a carga útil pode ser aumentada de 25% a 30% com o mesmo gasto de combustível que em um lançamento do Baikonur. Além disso, o futuro porta-foguetes Angará-A3 poderá ser usado na base de lançamentos Sea Launch, junto ao russo-ucraniano Zenit, de acordo com Medvedev. No início deste ano, divulgou-se que o Brasil poderia abrigar o projeto Sea Launch, que teve seus lançamentos suspensos em 2014.

Além de programa brasileiro avançar, acordo beneficiaria russos, já que lançamento da linha do Equador possibilita cargas até 30% maiores. MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

O construtor do Centro Khrúnitchev explica que o aperfeiçoamento do porta-foguetes Angará-5 para lançar naves espaciais tripuladas custará em torno de US$ 170 milhões, sem contar os investimentos necessários na infraestrutura terrestre. “Planejamos realizar em torno de 2021 o primeiro lançamento do porta-foguetes Angará-5, que poderá colocar cosmonautas em órbita. Os primeiros lançamentos não serão tripulados, já que é preciso confirmar a segurança desse porta-foguetes em lanç a me nt o s r e a i s”, d i s s e Medvedev. Ele também afirma que os custos dos lançamentos do Angará em 2025 será quase 20% abaixo dos do Proton-M. “É preciso ter em mente que o preço de custo para a preparação do Angará-5 irá diminuir com o aumento da quantidade de artigos fabricados”, explica.

Porta-foguete também deve ser usado no Sea Launch, cujo uso pelo Brasil já foi aventado

A Rússia planeja conduzir dez testes de lançamento com o Angará até 2020, de acordo com Aleksandr Medvedev, construtor responsável por esse veículo lançador no Centro Khrúnitchev, em Moscou. “Pretendemos realizar em 2021 o primeiro lançamento tripulado do porta-foguetes Angará-5, a partir da base de lançamentos Vostótchni”, explicou. Em dezembro do ano passado, o presidente russo Vladímir Pútin participou, por videoconferência, da cerimônia do primeiro

Benefícios mútuos “O Angará será uma decisão acertada do Brasil, que já tentou algumas vezes, sem sucesso, cooperações com a ucran ia n a Yu z h m a sh, de Dnipropetrovsk. Se tudo correr como o planejado, tanto a Rússia será beneficiada, ao lançar seus foguetes do cosmódromo brasileiro, como o

© RAMIL SITDIKOV / RIA NOVOSTI

Primeiro voo tripulado sai em 2021

lançamento experimental de um porta-foguete Angará A-5. Junto aos Soiuz-2, os lançadores da família Angará devem substituir diversos veículos já existentes considerados defasados.

Brasil, que irá para o espaço com seu próprio programa”, diz o professor de construção aeroespacial do Instituto Moscovita de Aviação Serguêi Filippenkov. Segundo ele, já é de praxe o Centro Khrúnitchev oferecer a família de foguetes Angará a clientes estrangeiros. “O primeiro contrato desse tipo foi fechado com a Coreia do Sul”, diz. Alcântara apresenta vantagens para os russos pois fica ainda mais próxima da linha do Equador que o cosmódromo de Kourou, na Guiana Francesa, usado pela agência espacial europeia. O lançamento de foguetes

ALYONA REPKINA

Aperfeiçoamento

© RAMIL SITDIKOV / RIA NOVOSTI

Rússia e Brasil estão conduzindo negociações para criar um complexo de lançamentos para o porta-foguetes Angará na base de Alcântara, no Maranhão, de acordo com Aleksandr Medvedev, construtor que está preparando esse equipamento no Centro Khrúnitchev, em Moscou. “Houve considerações e propostas para a construção de um complexo de lançamento separado para o Angará na base de Alcântara, no Brasil. Lançar da linha do Equador é uma alternativa interessante. Tem muita chance de gerar concorrência. Agora estão sendo conduzidas negociações”, disse Medvedev à agência Tass. A declaração foi feita logo após a oficialização pelo Brasil do término de um acordo com a Ucrânia para lançamento de foguetes Cyclone 4. Os prejuízos com o fim do acordo Brasil-Ucrânia podem chegar a R$ 1 bilhão.

Negócio espacial País receberá mais de um bilhão de dólares por lançamentos, que deverão tornar rede acessível no mundo todo

é tornar a rede mundial de computadores acessível a todo o planeta. Google e Facebook já haviam expressado desejo de desenvolver projetos do gênero, mas, com os novos passos, a OneWeb mostra-se mais próxima de realizá-lo.

Lançadores russos devem colocar objetos em órbita até 2019. OneWeb, Ariane Space, Airbus, Coca-Cola e grupo Virgin participam de projeto. VIKTÓRIA ZAVIÁLOVA GAZETA RUSSA

A companhia OneWeb e a operadora de serviços de lançamento Ariane Space pretendem colocar 648 microssatélites de comunicação em órbita ao redor da Terra até 2019. Parte significativa dos lançamentos será realizada com a ajuda dos foguetes russos Soiuz. O objetivo do projeto, do qual participam a Airbus, a Coca-Cola e o grupo Virgin,

Maior contrato da história O projeto da OneWeb prevê a criação de terminais especiais que funcionarão com baterias solares e receberão sinais transmitidos por meio de microssatélites. Além disso, a empresa planeja fornecer acesso à inter-

net móvel para navios, aviões, trens e até mesmo plataformas de petróleo. Parte dos satélites será colocada em órbita com a ajuda dos foguetes russos Soiuz, a partir dos cosmódromos de Kourou e Baikonur. De 2017 a 2018, a Rússia fornecerá 21 foguetes de lançamento. O presidente da Virgin Galactic, Richard Branson, prometeu disponibilizar mais 39 foguetes. De acordo com representantes da agência espacial russa Roscosmos, se a implementação do projeto for bem sucedida, o contrato prevê uma opção de no mínimo cinco lançamentos adi-

cionais realizados pelos foguetes Soiuz após 2020. “É o maior contrato da história da prestação de serviços de lançamento. A escolha do foguete lançador Soiuz é uma prova da alta competitividade da tecnologia espacial e de foguetes russa”, declarou o diretor-geral da agência, Ígor Komarov. Para ele, a celebração do acordo ressalta a necessidade urgente de se colocar em funcionamento o novo cosmódromo Vostótchni, atualmente em construção no Extremo Oriente da Rússia, na região de Amur. Ao todo, planeja-se a produção de 900 microssatélites

ALAMY/LEGION MEDIA

Com 648 microssatélites, Soiuz tornará Web mundial Contrato é o maior da história na prestação de serviços do tipo

será de US$ 500 mil, e seu peso, de menos de 150 kg. Esses números são muito menores que os dos satélites comuns, cujo preço, em média, é de cerca de US$ 250 milhões e o peso, de aproximadamente 5.000 kg.

de comunicação para o projeto, que garantirão acesso global à internet móvel. Os dez primeiros serão montados na fábrica da empresa Airbus Defence and Space (ADS), em Toulouse, e o restante, em uma joint venture da OneWeb com a ADS nos Estados Unidos, em sistema de produção em série. O custo de cada um deles

Foguetes confiáveis? A nova clientela não se intimidou nem pelas sanções,

nem pelos recentes fracassos da indústria de foguetes russa. Especialistas acreditam que o motivo é o porte do projeto. “Eles simplesmente não tinham outra escolha”, disse à Gazeta Russa o diretor do Instituto de Política Espacial, Ivan Moisséiev. “Em um prazo curtíssimo, eles precisam colocar em órbita um número muito grande de satélites, e os Soiuz são os foguetes mais famosos e maciços existentes atualmente no mercado.” Moisséiev lembra que um dos desastres mais recentes, no lançamento do satélite mexicano Mexsat-1, ocorreu devido a uma falha no veículo lançador Proton-M, e que os foguetes Soiuz se mantêm bastante confiáveis. “Claro que eles também tiveram alguns problemas, mas a Roscosmos provavelmente vai aperfeiçoá-los com alguma modificação”, disse.

Distante Astro seria alcançável voando à velocidade da luz por 60 gerações

Alta precisão Sistema contará com até seis novos satélites

Cientistas são céticos quanto vida em Kepler

Glonass terá maior exatidão no Ártico e na Rússia

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

A descoberta do Kepler-452b, em julho, pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, agitou a comunidade científica. Um terço dos exoplanetas planetas que orbitam estrelas que não sejam o Sol - tem condições de vida que se aproximam das da Terra. Mas este, o 1030º exoplaneta descoberto pelo homem, assemelha-se em tantos aspectos ao nosso planeta que já o apelidaram de “segunda Terra”. A órbita na qual gira o Ke-

REUTERS

ARAM TER-GAZARIAN

Um entre muitos

Planeta fica a 1,5 mil anos-luz de distância da Terra

pler-452b, sua idade (cerca de 6 bilhões de anos, ou seja, quase um bilhão e meio a mais que a Terra), a duração do ano (385 dias) e até mesmo a possível existência de água, tudo pode indicar a existência de vida no exoplaneta. O interesse despertado quanto ao novo planeta é ainda maior devido ao fato de

Mas os astrônomos russos afirmam que há muitos astros como esse, sobretudo Vênus e Marte. Para eles, é preciso primeiro analisar a atmosfera e outros parâmetros, antes de alardear a possível existência de vida no planeta. “Já se descobriram cerca de cem planetas com temperatura semelhante à da Terra, mas, aqui, o que é interessante é o tamanho. Além disso, existe a possibilidade de haver biosfera parecida com a nossa”, explica o diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais, Lev Zeliôni.

Sistema concorrente do GPS apontará objetos com precisão de 0,6 m. Melhoria foi impulsionada por dificuldades na Antártida. ITAR TASS

A agência espacial russa Roscosmos vai alocar US$ 7 milhões para melhorar a precisão do sistema de navegação por satélite Glonass na Rússia e no Ártico, segundo documento publicado no site de compras do Estado. “Juntamente com os demais receptores e transmissores do sistema Glonass, esse novo segmento irá localizar objetos no território da Rússia e do Ártico com uma precisão de 0,6 metro”, lê-se no documento. O projeto prevê a implantação de quatro a seis satéli-

GETTY IMAGES

que a estrela em torno da qual o Kepler-452b gira se parece com o Sol.

Dificuldade de observação é um dos principais problemas apontados por russos para comprovar possibilidade de existência de vida no planeta.

Segundo o pesquisador Aleksandr Baguirov, da Academia Russa de Ciências, muitos corpos celestes poderiam abrigar seres vivos. “A questão é saber se o planeta tem vida inteligente. Essa pergunta é bem mais difícil de se responder. Afinal, sequer sabemos como evoluiu nossa civilização”, diz. O desenvolvimento de vida em um planeta requer a existência de um satélite. A Lua cria as marés na Terra, graças às quais a vida pôde, em determinado momento, sair do oceano para terra fi rme e, a partir daí, evoluir. “Nos próximos anos um telescópio maior [que o Kepler] será construído, e só então poderemos examinar mais detalhadamente qual a situação da atmosfera e da água do Kepler-452b, apesar da dificuldade imposta pela distância do objeto”, diz o presidente do Conselho Científico da Academia Russa de Ciências, Nikolai Kardachev.

Projeto custará US$ 7 milhões à agência espacial Roscosmos

tes adicionais em órbitas inclinadas geoestacionárias. Essas órbitas têm inclinação entre as órbitas polares e equatoriais (geoestacionárias), com ângulo de quase 65 graus. De acordo com o documento, a operação foi motivada por problemas no desenvolvimento de satélites de alta precisão Glonass-K e dificuldades em

usar estações terrestres Glonass na Antártida. Em abril deste ano, cientistas de Krasnoiarsk e São Petersburgo haviam anunciado planos de instalar de quatro a sete novas estações do Glonass na Antártida até 2020. As estações se somariam às três já existentes no continente.


Em Foco

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Turismo Península enche os olhos de quem busca arquitetura diversificada e belezas naturais

RECEITA

Crimeia, um museu a céu aberto no paraíso

Tcheburek, o pastel dos guerreiros Anastassia Muzika SHUTTERSTOCK/LEGION-MEDIA

abandonados, porém pitorescos, como os campos de alfazema nas cercanias do povoado de Turguêniev, entre Simferopol e Sevastopol. A igreja de São Lucas encontra-se no local que costumava abrigar a aldeia grega de Laki, completamente destruída. Hoje, ainda são celebradas missas no espaço. A Pequena Jerusalém é um cantinho mais secreto, bem no coração de Evpatoria. Mesquitas, um templo armênio, uma igreja ortodoxa, sinagogas e mosteiros muçulmanos: tudo isso em um único lugar. No verão, a Karaímskaia, principal rua da cidade, transforma-se em um delicioso mercado e palco de festas regionais.

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No dialeto dos tártaros da Crimeia, a palavra “tcheburek” significa “pastel com carne”. Hoje, esse salgadinho em forma de lua (na versão mais tradicional, recheado com carne de borrego, o carneiro até um ano), já está difundido pela Rússia toda. O tcheburek ganhou popularidade no país durante a era soviética, por isso, muitas das lanchonetes especializadas nesse prato, as “tcheburetchnie”, são decoradas nostalgicamente à moda da época. Em diversas versões, o pastel é comum entre povos turcos e mongóis, e sua origem é motivo de controvérsia. Alguns afirmam que o tcheburek foi inventado pelo próprio imperador mongol Gengis Khan, ou alguém próximo a ele. Durante as longas e pesadas travessias que resultaram nas conquistas mongóis, os guerreiros necessitavam de comida nutritiva e quente. Então, eles teriam usado

as costas de seus escudos, despejando ali óleo, e colocado-os sobre o fogo, para fritar os primeiros tchebureks da história. Outra versão cheia de virilidade reza que o prato foi inventado pelos tártaros da Crimeia, grupo étnico formado pela mistura de mongóis e tártaros após a conquista das estepes da Crimeia pelas tropas da Horda Dourada no século 13. O que se sabe ao certo é que, pouco a pouco, a receita de tcheburek foi sofrendo alterações. Antes, por exemplo, usava-se gordura animal para fritá-los. Hoje, usa-se óleo de girassol. Já o recheio, costumava levar carne picada, e agora usa moída. Também surgiram variações para a massa, que passou a levar ovo e, por vezes, até vodca. E, claro, não dá para esquecer a enorme variedade de recheios que foram surgindo: hoje, pode-se encontrar tcheburek de carne bovina, suína, queijo, arroz, tomate, feijão, cogumelos... Sinal dos tempos!

Infraestrutura e serviços LORI/LEGION MEDIA

Palácio Vorontsóvski, em Alupka, foi construído no século 19 e nacionalizado após a revolução, abrigando museu a partir de 1921

Pouco explorada, península encanta pela imensidão azul dos mares Negro e de Azov, desfiladeiros, palácios e águas termais. SÓFIA RAIÉVSKAIA ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

A principal marca de “Tavrida”, como era chamada a Crimeia antigamente, é a diversidade arquitetônica. A península reúne grutas, muralhas e torres de fortalezas medievais, numerosos templos cristãos, mesquitas muçulmanas, sinagogas judaicas e mosteiros da Idade Média. Os nomes das cidades – Ialta, Simeiz, Partenit e Livadia etc. – também dizem muito da herança otomana e grega. Mesmo assim, a Crimeia contemporânea se dis-

tingue bastante, tanto da Europa, como da Turquia. A península ainda é um local pouco explorado por forasteiros. Até hoje, funciona ali a linha de ônibus elétricos intermunicipais mais longa do mundo, que totaliza 96 km e foi implantada em 1959. Com suas formas arredondadas e ar simpático, os ônibus parecem levar o turista para dentro dos filmes antigos. Ao longo de sua história, os balneários e belezas naturais fizeram da Crimeia o destino de férias preferido dos soviéticos. A península também foi um dos cenários cinematográficos mais ativos da União Soviética.

Atrações obrigatórias Conhecida como “cidade da

GETTY IMAGES

MIKHAIL POCHUEV / TASS

Crianças brincam à beira do mar Negro nas férias de julho

Forte Genovês, construção dos séculos 14 e 15, em Sudak

Local foi destino de férias predileto dos soviéticos e cenário cinematográfico ativo na URSS Turista na península não deve se pautar por luxo, mas pela natureza, arquitetura e preços acessíveis felicidade”, Ialta tem locais de agito e descanso, e é famosa pelas propriedades medicinais de suas estações termais. Além disso, é o centro da rede de transportes, de onde o turista pode facilmente pegar um

ônibus para qualquer outra localidade da península. Uma parada obrigatória são as praias de Massândrovski, com seu imperdível vinho homônimo. Os bondinhos, a fortaleza Ninho da Andorinha, os castelos de Diulber e Kitchkine, Vorntsovsk e Livadíski, o jardim botânico Nikítski e o parque florestal de Ialta são apenas alguns itens da longa lista de atrações. A pequena cidade de Simeiz, tranquila e limpíssima, também merece visita. A apenas meia hora de Ialta, ela preserva a beleza extraordinária de um parque dos anos 1930 e do penhasco Diva, em torno do qual foram encontradas ruínas de templos antigos. A península tem uma enorme quantidade de espaços

Desde que foi integrada à Rússia, a Crimeia encontra-se em um período de transição política e econômica, e ainda não passou por grandes obras de engenharia. Alguns prédios e ruas parecem mais abandonados, assim como os chamados “galinheiros”, isto é, casinhas simples e oferecidas para acomodar turistas. Mas a viagem vale pela natureza, pela arquitetura grandiosa e diversa, e pelos preços acessíveis. A passagem para Simferopol, onde fica o único aeroporto da península, custa entre R$ 140 e R$ 250, partindo de Moscou. Linhas Aéreas dos Urais, Aeroflot, Iaml, VIM-Avia e Transaero são algumas das companhias áreas que viajam para a região. Também é possível partir de São Petersburgo, Rostov-no-Don e Novosibirsk. As maiores cidades – Simferopol e Sevastopol têm ritmo intenso, e preços equiparáveis aos de Moscou. Se a intenção é respirar ar puro à beira-mar e curtir o silêncio, procure um cantinho no sul da península. Nessas cidades grandes, o preço médio de um apartamento de dois quartos fora da temporada é de R$ 55 por dia. Porém, durante a alta temporada, no meio do ano, os preços quadruplicam. Mas o visitante pode também procurar hospedagem em uma das tantas cidadezinhas mais calmas, como Partenit, Simeiz, Aluchita, Alupka, Gurzuf, Gaspra e Foros.

SHUTTERSTOCK/LEGION-MEDIA

Ingredientes: Massa: • 500 g de farinha; • Meia colher de chá de óleo vegetal; • 200 a 250 ml de água; • Uma pitada grande de sal. Recheio: • 300 g de carne de borrego picada (para o tradicional); • 150 g de cebola; • 4 a 6 colheres de sopa de água ou caldo de carne; • Salsinha (a gosto); • Sal; • Pimenta moída. Modo de preparo: Misture bem a farinha, o óleo vegetal e o sal. Despeje, aos poucos, a água na massa. Ela deve ficar espessa, podendo ser moldada como uma bola. Embrulhe-a em papel-filme e deixe descansar à temperatura ambiente por 40 a 60 minutos. Pique a cebola (ou passe pelo processador) e misture-a com a carne. Adicione sal, pimenta e ervas frescas picadas. Misture bem. Adicione um pouco da água

ou do caldo de carne à carne moída. Em seguida, cubra com filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos. Sove a massa, gire-a sobre a mesa até formar um rolo e corte em pedaços de aproximadamente 60 g. Em seguida enrole, formando bolinhas com cada um desses pedaços. Abra as bolinhas com o rolo para formar a massa fina de pastel. Em uma das metades do pastel (a 2 ou 3 cm da borda) coloque uma ou duas colheres de sopa de recheio. Em seguida, dobre para fechar, unindo as bordas e, sempre que possível, retirando o ar de dentro (caso contrário, ele pode inchar e estourar na fritura). Pressione as bordas do pastel com um garfo e retire o excesso de farinha. Frite em óleo vegetal na frigideira ou fritadeira, de preferência cobrindo o pastel com óleo. Depois de fritos, os tchebureks devem ser dispostos em papel-toalha para retirar o excesso de óleo. Priátnogo appetita!

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Inspirado na obra de Nikolai Gógol (1821-1881), o espetáculo trata das desventuras de Akáki Akákievitch, um escrevente de repartição pública de São Petersburgo que preci-

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