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Afinando o dom País é cada vez mais destino de músicos eruditos brasileiros em busca de especialização DIVULGAÇÃO

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Este suplemento é elaborado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 1º de junho de 2015. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Patriotas Clube defende Igreja e Estado

Energia Compra de ações de controle do projeto pode implicar em custos de US$ 23 bi para russa

Quem tem medo dos Lobos da Noite?

Rosneft reforça presença com Solimões

Tachado de ‘provocador’, grupo de motoqueiros próKremlin recebe subsídios estatais e foi incluído em lista de sanções impostas à Rússia.

GAZETA RUSSA

SHUTTERSTOCK/LEGION-MEDIA

Apesar da necessidade de investimento em infraestrutura básica para projeto, presença na bacia intensifica imagem internacional da companhia. ANNA KUTCHMA, VÍKTOR KUZMIN GAZETA RUSSA

A Rosneft e a PetroRio fecharam, no final de maio, um acordo de US$ 55 milhões que passará 55% do capital acionário e o controle do projeto

da bacia de gás do Solimões à petrolífera russa. Com o acordo, a empresa continuará os trabalhos de exploração geológica para a detecção de jazidas e na implementação de um projeto conjunto com a Petrobras para estudar a monetização d a s r e se r va s de gá s já comprovadas. Originalmente, o ajuste se baseava em possíveis reser-

vas de petróleo do Solimões. Mas até agora só se detectou gás ali. A constatação, porém, não deve ser de todo má, levando-se em conta a grande dependência brasileira de importações: em 2013, o país comprou mais de 35% da commodity consumida, inclusive na forma do caro GNL (gás natural liquefeito). Por outro lado, o petróleo representa mais de metade da

balança energética brasileira, enquanto o gás, menos de 10%. Isso significa que a probabilidade de substituição das importações e crescimento da demanda é elevada.

Presente de grego? O projeto Solimões apresenta uma série de obstáculos aos russos, de acordo com o analista da consultoria VTB24, Oleg Dúchkin.

A primeira delas é distância e a necessidade de se construir gasodutos. Há também as particularidades climáticas: de outubro a junho chove torrencialmente onde a bacia está localizada. Por fim, toda essa riqueza está em rochas basálticas. “Por isso, a Rosneft adquire a participação por um preço CONTINUA NA PÁGINA 3

Na véspera da comemoração do Dia da Vitória, em 9 de maio, os motoqueiros russos do clube Lobos da Noite tentaram atravessar a Europa para visitar locais significativos para a história da 2° Guerra Mundial. Mas não foi fácil fazê-lo: diversos países tentaram impedir sua passagem e tacharam a jornada de “provocação”. A reação pode estar ligada à aprovação dos motoqueiros pelo presidente Vladímir Pútin e seu envolvimento em atividades políticas. Considerada a mais antiga organização do gênero do país, os Lobos da Noite surgiram em 1989, encabeçados pelo médico e roqueiro Aleksandr Zaldostanov, o “Cirurgião”. O grupo tem uma hierarquia rígida e não aceita usuários de drogas, traficantes, criminosos, satanistas ou LGBTs. Enquanto a União Soviética ruía, seus integrantes se opunham às autoridades, mantinham a ordem em shows de rock e protegiam empresários. Sua principal tarefa, porém, era cultivar a “filosofia do homem livre”. Isso durou até o Ocidente cortar laços com o Cirurgião. “Andaram jogando areia nos nossos olhos, nos comprando com chicletes e jeans, mas quando a conversa tocava na democracia, nos diziam que isso era para idiotas”, diz o líder do Lobos da Noite. Hoje, o clube tem cerca de 5.000 membros, uma rede de filiais na Europa Oriental, e busca ativamente proteger as

© VALERY MELNIKOV / RIA NOVOSTI

EKATERINA SINELCHIKOVA

Organização recebeu R$ 3,4 mi do governo em 18 meses

bases do conservadorismo no país: a Igreja Ortodoxa Russa e o Estado. Assim, Cirugião e sua organização foram incluídos na lista das sanções antirrussas dos EUA e do Canadá, e o Serviço de Segurança ucraniano iniciou, em 19 de maio, um processo criminal contra o líder do clube por “Financiamento do terrorismo”. A alegação é que ele teria custeado as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, declaradas pela Ucrânia como formações terroristas.

Dividendos Não se sabe ao certo quando os Lobos da Noite começaram sua jornada pró-Kremlin, mas acredita-se que isso tenha ocorrido pela primeira vez em 2008, quando participaram de um show celebrando a vitória de Dmítri Medvedev nas eleições presidenciais. Já em 2009, o líder dos Lobos tinha ganhado fama suficiente para receber uma visita de Pútin, que lhe entregou uma bandeira do país. Em 2012, Cirurgião tornou-se um dos homens de confiança do presidente nas eleições. CONTINUA NA PÁGINA 2

Infantil Animação premiada com ‘Oscar do desenho animado’ passa a ser transmitida pela TV Cultura a partir do dia 8 de junho

‘Masha e o Urso’ estreia na TV aberta brasileira Animação tem canal em russo entre os cinco mais assistidos do YouTube, e já é transmitida pelo Boomerang e Cartoon Network no Brasil. MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

Mas a série já fazia sucesso entre internautas mirins ainda antes de ser traduzida para o português e transmitida na TV. Beatriz, por exemplo, é uma criança de apenas três anos que descobriu o programa há cerca de um ano com a mãe. “Quando minha filha tinha dois anos, eu estava procurando alguns vídeos educativos no YouTube e na barra lateral do site apareceu um ‘preview’ da Masha. Eu não tinha percebido, foi a Bia quem começou a gritar: ‘A nenê, eu quero ver a nenê’. Ela

DIVULGAÇÃO

No próximo dia 8 de junho, a animação “Masha e o Urso”, do estúdio russo Animaccord, estreia na TV aberta brasileira, transmitida pela TV Cultura. A história de uma amizade fora do comum entre uma menininha travessa e um grande - e um tanto mal humorado - urso é um fenôme-

no sem precedentes na Rússia e agora começa a conquistar outros países, chegando a receber o Kidscreen Awards, considerado o “Oscar do desenho animado”. O programa já estava disponível no Brasil, desde outubro, diariamente pelo canal Boomerang e aos finais de semana pelo Cartoon Network, e enfim entra na grade de canais abertos. “Pode ser que nos associemos a outros canais brasileiros também”, disse à Gazeta Russa o produtor do desenho, Dmítri Loveiko.

Desenho já fazia sucesso no país antes de tradução brasileira

ficou hipnotizada, encantada! A partir daí ela começou a pedir: ‘Mamãe, quero ver a nenê e o urso”, conta a professora e microempresária Luciana Teixeira, 36, mãe de Bia. Segundo Loveiko, os canais de TV são importantes, mas não são o único meio de comunicação dos criadores com os espectadores. “Já faz tempo que nosso canal ‘mashamedvedTV’ funciona no YouTube. Lá temos não só ‘Masha e o Urso’ em russo, mas também dois programas nossos com a prota-

gon i s t a M a s h a”, cont a Loveiko. Um desses é o “Máshini Skázki” (do russo, “Contos da Masha”), onde a personagem Masha conta as histórias da carochinha mais famosas do mundo. Já em “Máshini Strashílki” (“Horrores da Masha”), ela espanta todos os temores infantis. “Apesar de ser todo em russo, o canal está entre os cinco mais assistidos do YouTube no mundo inteiro. Em fevereiro, por exemplo, teve CONTINUA NA PÁGINA 4

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Política e Sociedade

RÚSSIA

AP

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ENTREVISTA MIKHAIL ULIANOV

“Nenhum evento estimula uso de armas nucleares” DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE NÃO PROLIFERAÇÃO DE ARMAS RUSSO FALA SOBRE DIFICULDADES NO DESARMAMENTO NUCLEAR.

Dos países-membros do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), 160 clamaram pela eliminação completa desse tipo de arma-

mento. Os Estados detentores de armas nucleares (EAN) são contra. É o começo do fim? Quando a maioria absoluta do TNP assina uma iniciativa sobre consequências humanitárias do uso de armas nucleares, é impossível ignorá-la. Mas não estamos de acordo com a iniciativa. Por que a questão não foi levantada em 2005 ou no final do século passado? Não aconteceu nada de extraordinário no mundo que incentivasse a discussão do tema. A iniciativa gera grandes expectativas na área do desarmamento nuclear, e isso pode realmente minar a base do TNP. Muitos países já afirmam que o TNP tem caráter discriminatório... Sim, eles dizem que, enquanto os outros se comprometem a não desenvolver esse tipo de armamento, as potências nucleares, em vez de se desarmarem, não têm nenhuma pressa em atender às aspirações da comunidade internacional no que diz respeito a um mundo não nuclear. Parece bastante lógico, não é? Sim, mas essas avaliações con-

Não temos informações sobre a vontade de Washington de discutir essa questão. Como se sabe, o diálogo sobre a questão da estabilidade estratégica por meio da Comissão Presidencial foi congelado. Em geral, as relações bilaterais atuais não ajudam a reiniciar as negociações.

trastam com a realidade: durante os últimos 25 anos, os americanos e os russos reduziram as armas nucleares táticas em aproximadamente 85%. Desde 2005, o número de ogivas caiu para um terço. É um ritmo lento? O processo de desarmamento nuclear não está desacelerando? A situação envolvendo desarmamento nuclear é realmente complexa. Até 5 de feverei ro de 2018, r ussos e americanos terão que chegar aos níveis citados no último Start [da sigla em inglês, Tratado de Redução de Armas Estratégicas]. O que acontecerá depois? Não existe uma resposta, a situação na área da estabilidade estratégica é muito incerta. Agora, ninguém provavelmente pode responder à pergunta sobre a ratificação de um novo acordo sobre a redução de armas estratégicas de ataque. Da agenda russa, pelo menos, essa questão não consta.

RAIO-X

Você acredita que a probabilidade de um conflito nuclear está aumentando? Não. Não aconteceu nada de tão extraordinário que possa incentivar o uso de armas nucleares. Os americanos e outros países estão bem cientes de sua responsabilidade. De acordo com o Artigo 14º do Tratado Start, a intensificação de sistemas de defesa antiaérea pode ser considerada como motivo para que um país se retire do tratado. Por que a Rússia ainda não se retirou? Em novembro de 2011, o então presidente russo Dmítri Medvedev declarou que o país poderia rever sua posição sobre o tratado caso o novo sistema ameaçasse sua segurança. Isso não aconteceu até agora. O sistema americano ainda está em fase inicial de preparação.

Existem chances de continuar o diálogo com os Estados Unidos sobre a questão da defesa antimíssil?

Mikhail Ulianov

Os participantes da conferência em Nova York acusaram a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário... Essas questões devem ser resolvidas por via diplomática. Acreditamos que a polêmica sobre esse tema na conferência de exame do TNP seja despropositada.

KOMMERSANT

O ano de 2015 deverá ser decisivo para o desarmamento nuclear. Em agosto, completam-se 70 anos dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA, e diversos eventos relembrarão essas trágicas páginas da história mundial. Além disso, é também em 2015 que se celebram os 45 anos desde que as cinco primeiras potências nucleares - China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia - chegaram a um acordo quanto ao Artigo 6° do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), sobre a realização de negociações de boa fé para a eliminação de seus arsenais nucleares. Enviado à conferência quinquenal de exame do TNP, realizada em Nova York entre abril e maio, o diretor do Departamento de Não Proliferação de Armas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Mikhail Ulianov, falou sobre o assunto:

FUNÇÃO: DIPLOMATA IDADE: 57 ANOS

E a parte russa acusou os Estados Unidos de violar o tratado com a construção e uso de drones de ataque... Os drones de ataque americanos se enquadram na categoria de mísseis de médio e curto alcance, independentemente de suas funções. Antes

Funcionário do Ministério dos Negócios Exteriores da Rússia desde 1980, Ulianov chefiou, em 2006, a delegação do país em Viena para negociações sobre segurança. Assumiu a diretoria do Departamento de Não Proliferação de Armas em 2014.

de produzir os drones, os colegas americanos poderiam conversar com a Rússia, propor alterações ao tratado... Mas eles optaram pelo caminho da violação dos artigos. Isso significa que você admite a possibilidade de introduzir alterações ao tratado? O tratado não exclui essa possibilidade. Qualquer lado pode introduzir alterações, mas apenas com o consentimento da outra parte. Mas a Rússia não tem nenhuma intenção de propor quaisquer alterações ao tratado. Kommersant Ksênia Baigárova

Motoqueiros ganham apoio do Kremlin Nos últimos anos, os Lobos da Noite atuaram em diferentes frentes, desde a organização de um enorme show nacion a l i st a e m 2010 e m Sevastopol, que teve até a presença de Pútin montado em uma Harley, a um campeonato de motocross “em apoio ao Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa e dos valores tradicionais da civilização russa” após a ruidosa apresentação das Pussy Riot na Catedral de Cristo Salvador, em 2012. Foram eles também que defenderam o prédio da administração de Sevastopol durante os protestos realizados por pró-europeus na Ucrânia, em janeiro de 2014. E, com seu apoio à integração da Crimeia à Rússia, o clube acabou in-

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FRASE

milhões

de rublos, ou R$ 3,4 milhões, foram os subsídios estatais dedicados ao clube Lobos da Noite e a estruturas ligadas a seu líder em 18 meses.

cluído na lista de sanções ocidentais contra o país. Menos de um mês depois de entrar para o rol, Cirurgião fundou, junto a outros partidários de suas ideias, o movimento russo “Antimaidan”, que visa a reprimir protestos contra o governo. “O fato de eles receberem subsídios significa que sua atividade é considerada pelo Estado como consolidadora da nação e útil aos interesses nacionais”, diz o cientista político Leonid Poliakov. Motoqueiros de outros grupos, porém, não se sentem confortáveis com as ações dos

Aleksandr Zaldostanov

Andrêi Kuraiev

FUNDADOR DO “LOBOS DA NOITE”

PROFESSOR DA ACADEMIA DE TEOLOGIA

PAVEL SMERTIN / TASS

Prestação de serviços

NÚMEROS

REUTERS

“Desde então, seu projeto tem sido mais que apenas um clube de motoqueiros. O objetivo é claro: receber dividendos políticos, públicos e, principalmente, financeiros”, disse à Gazeta Russa o analista político Aleksêi Vorobiov. A organização recebeu subsídios para realizar shows de grandes proporções e “projetos sociais”. Com o capital obtido, em maio passado os Lobos da Noite alugaram um terreno de 266 hectares em Sevastopol. E ainda tiveram um desconto substancial, pagando apenas 0,01% do valor do terreno: 1,4 milhão de rublos (cerca de R$ 86 mil). Só no início de maio, porém, que os números vieram à tona. A Fundação Para a Luta Contra a Corrupção, do oposicionista Aleksêi Naválni, calcula que, desde meados de 2013, os Lobos da Noite e outras estruturas ligadas a seu líder receberam do Estado 56 milhões de rublos (R$ 3,4 milhões) . O próprio Cirurgião confir-

ma os dados. “É isso mesmo. Mas lutamos 25 anos por nossas ideias sem nenhum subsídio. E, se vamos falar em valores, posso ir logo dizendo que não recebemos o suficiente. Precisamos de mais.”

EPA/VOSTOCK-PHOTO

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Ideologia do clube entra em conflito com as de outros no país

A volta de Sevastopol começou em 2009, quando o presidente me entregou a bandeira nacional e, depois, fizemos ali o primeiro show de motos patriótico.”

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Lobos. “Não é a atividade política em si que irrita, mas a especulação em volta do patriotismo”, diz Grigóri Kudriavtsev, do clube Shtrafbat [“Batalhão Penal”]. “Eles tentam transformar as corridas quase em comícios, homenageando o Dia da Vitória e outros acontecimentos nacionais. E quem não quer tomar parte,

segundo eles, é porque está contra o sistema.” Para o cientista político Ígor Mintusov, os Lobos da Noite encorajam a classe política russa na atualidade. “Valores conservadores, patriotismo exacerbado, antiocidentalismo e simpatia por Stálin são seus principais pontos”, diz.

Os Lobos da Noite são peregrinos do século 21. O peregrino é um refugiado de si mesmo que se assustou com o que acontece em casa, no sofá, em frente à TV.”

Direitos humanos geram debate no país De acordo com novo relatório, russos acreditam que direitos civis sejam mais respeitados, mas dão pouca importância a esses. EKATERINA SINELSCHIKOVA GAZETA RUSSA

No início de maio, a chefe da Comissão para Promoção da Sociedade Civil na Rússia, Ella Pamfílova, apresentou um relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no país. A principal conclusão do es-

tudo é que a opinião pública difere significativamente da dos defensores dos direitos humanos. Com base nos dados do documento, os direitos civis são prioritários para apenas 39% dos entrevistados, os políticos, para 9%, e os socioeconômicos arrebanham a maioria dos russos: 52%. Além disso, uma pesquisa da Fundação Opinião Pública, por exemplo, mostra que 45% dos entrevistados acreditam que a situação dos

direitos humanos melhorou nos últimos anos, e apenas 14%, que houve piora. Mas ativistas falam em um agravamento da situação nessa esfera. A ouvidoria para os direitos humanos da Rússia recebeu 59 mil queixas durante 2014, um aumento de mais de 40% em relação ao ano anterior. Já as reclamações de russos cujos direitos foram violados no exterior, aumentaram 30%. Ainda segundo o docu-

mento, cerca de 60% das pessoas que solicitaram ajuda disseram ter tido seus problemas resolvidos, pelo menos parcialmente.

© ANDREY STENIN / RIA NOVOSTI

Contraposição Enquanto sociedade civil acredita em melhoria, ativistas dizem que liberdades básicas são cerceadas

Ouvidoria para direitos humanos russa: 59 mil queixas em 2014

Menos otimistas Apesar dos dados apresentados pelo relatório, o diretor da Secretaria de Moscou para Direitos Humanos, Aleksandr Brod, acredita que situação na Rússia seja problemática. “Não há melhora ou piora. Mas, pelo menos, discutem-

-se mais questões de direitos humanos em diferentes áreas”, disse à Gazeta Russa. Já Liudmila Aleksêieva, presidente do grupo Helsinque de Moscou, a mais antiga organização de direitos humanos do país, é mais cética. “A Duma (Câmara dos

Deputados na Rússia) aprova o tempo todo leis que restringem os direitos dos cidadãos e entra m em contradição com a Constituição”, diz. Ela cita como exemplo a chamada “lei antigay”, aprovada em 2013, e a medida

contra insultos a crenças religiosas que, segundo ela, foi “formulada de maneira vaga e é usada pelas autoridades para cercear a liberdade criativa, como aconteceu com a apresentação da ópera Tannhäuser, de Wagner, em Novosibirsk”. A peça foi retirada do repertório por causa de protestos em massa, e o diretor do espetáculo e o diretor do teatro fora m levados a julgamento. Recentemente, as organizações internacionais de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e a Human Rights Watch também apresentaram relatórios pouco otimistas sobre o setor, concentrando-se em um possível cerceamento da sociedade civil russa.


Economia e Negócios

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OPINIÃO

Rosneft reforça posição na América Latina

torno da produção futura do projeto foram infladas por estudos geofísicos e geológicos, além de poços perfurados, mas apenas um poço até agora apresentou vazão de gás razoável, sendo os demais considerados secos. Mas há indícios de “tight gas” (como o “shale gas”, a ser explorado mediante técnicas de fratura de rocha) no Solimões. Outra perspectiva é trabalho conjunto de exploração (e, quem sabe, de transporte de gás) com a Petrobras em blocos da Rosneft limítrofes com um campo de gás da estatal brasileira ainda não desenvolvido. Seja como for, os blocos da Rosneft têm agora prazos curtos para cumprir as obrigações assumidas de exploração. Além disso, para o porte da Rosneft, trata-se de um projeto pequeno (a produção de óleo de Urucu, por exemplo, é de 55 mil b/d ou 0,5% da produção da Rosneft) que talvez não se justifique só por razões econômicas. Por fim, é digno de nota o fato de uma estatal estrangeira ter permissão para prospectar hidrocarbonetos em área tão extensa, o que, em muitos outros países, não seria possível.

Dez anos de Solimões Carlos Serapião ECONOMISTA

m outubro de 2005, a empresa argentina Oil M&S, em sociedade com parceiro brasileiro, adquiriu 21 blocos exploratórios na Bacia do Solimões, no Estado do Amazonas, pelo bônus de a s si n at u r a t ot a l de R$ 420.200,00. Na mesma bacia, na província de Urucu, a Petrobras já produzia óleo leve, condensado e gás natural havia anos, sendo tal província a maior produtora de gás natural em terra do país e a terceira maior de óleo. Desde o início, as perspectivas para a Oil M&S no Solimões, cujos blocos tinham área total de 48.445 km2 (para comparação, o Estado do Rio de Janeiro tem área de 43.700 km2), eram de óleo leve e gás natural. Mas boa parte das áreas com tais indícios eram bem mais distantes de Manaus do que Urucu, além de estarem espalhadas por uma região de floresta equatorial. Os custos de exploração e produção seriam, portanto,

E

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relativamente baixo. Por enquanto, são mais visíveis as vantagens políticas que as comerciais da participação russa na economia brasileira”, diz. O investimento estimado para o projeto é de US$ 9,2 bilhões, e a construção de gasodutos está na casa dos US$ 14 bilhões. “A eficácia econômica dos projetos é questionável: os custos de desenvolvimento do setor upstream [de extração direta e processamento primário] na Rússia são menores”, diz Elizaveta Belúguina, da consultoria FBS. “Por outro lado, a Rosneft quer se posicionar como uma petrolífera integrada, de classe mundial”, completa. O empreendimento no Brasil, em conjunto com outros projetos de grandes proporções na Venezuela, ajudaria a companhia russa a reforçar sua posição no mercado energético da América Latina.

mais elevados do que a média nacional em terra e apresentariam desafios ambientais complexos. Outro problema que se colocou desde o começo foi a monetização do gás lá eventualmente existente, pela ausência de infraestrutura de transporte e pela grande distância de centros consumidores relevantes.

Na última década, projeto passou por diversas mãos a preços entre R$ 400 mil e US$ 2 bilhões Em março de 2010, a Oil M&S deixou o Brasil, vendendo sua parte à sócia Petra Energia. Depois de passar por diversas mãos durante uma década, a preços entre R$ 400 mil e US$ 2 bilhões, o projeto Solimões ainda não entrou em produção e agora vale US$ 122 milhões, 16 vezes menos do que seu topo e 400 vezes mais que seu fundo. Nesses dez anos, as expectativas em

Carlos Serapião Jr. é economista e trabalhou na indústria do petróleo russa.

Atravessando fronteiras

Para Brasil, passar ações foi ‘negócio da China’

Além disso, na fase de exploração, o equipamento e a experiência das empresas envolvidas na perfuração de poços na Venezuela será de extrema importância. E na fase da produção também será possível otimizar o transpor te e substitu i r matérias-primas. Quanto ao Brasil, ele só terá a ganhar com projetos conjuntos com a Rosneft, tanto econômica como politicamente. Em primeiro lugar, o país receberá investimento na extração e na infraestrutura, já que se espera a construção de um gasoduto a partir de depósitos remotos. Em segundo, a exploração de novos campos no âmbito do projeto permitirá que o Brasil reduza a dependência das importações de gás natural da Bolívia. Em terceiro, existe a possibilidade de que países como Cuba e China se tornem novos mercados para os hidrocarbonetos brasileiros. Nos últimos tempos, a Rússia tem reorientado suas exportações de hidrocarbonetos do mercado europeu para o chinês, assim como a Venezuela. E o Brasil poderá ser o próximo.

Natália Lebedeva ECONOMISTA

olimões é um projeto considerado de alto risco: 95% dos recursos são de gás natural, mas ainda existem chances de se encontrar algum campo de petróleo de grandes dimensões ali. Mas por que a empresa se dedica à América do Sul em um período tão difícil? A capitalização da Rosneft passou de US$ 96 bilhões, em 2013, para US$ 35,6 bilhões, entre 15 e 16 de dezembro de 2014, após a desvalorização do rublo. Além disso, suas dívidas estão em cerca de US$ 60 bilhões. A aquisição de 55% das ações do projeto Solimões permite à gigante russa seguir seu próprio gráfico de investimentos. Isso é muito importante diante das dificuldades financeiras da empresa. O status de operador permite direcionar os hidrocarbonetos obtidos para áreas econômica ou politicamente mais rentáveis para a empresa.

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A Rosneft está envolvida com a PDVSA (Petróleos de Venezuela) em cinco projetos petrolíferos no país latino-amer ic a n o. S u a s r e s e r v a s geológicas de petróleo são estimadas em um total de 20,5 bilhões de toneladas. “Isso ultrapassa todas as reservas atuais da Rosneft,”, diz Dúchin. A porcentagem da Rosneft na Venezuela, porém, é bastante baixa: de 9% a 10% das reservas. Mas a participação em projetos como esses permite à empresa garantir seu futuro a longo prazo, mesmo com as dificuldades que enfrenta na exploração de reservas no Ártico. Ainda na semana passada, o presidente da Rosneft, Ígor Sétchin, encontrou-se em Caracas com o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ao final das negociações, anunciou-se que em 2019 o volume de investimentos da companhia russa no país chegará aos US$ 14 bilhões. A Rosneft também poderá aumentar sua porção na joint venture com a PDVSA, PetroMonagas, de 16,7% para 40%. “Os mercados latino-americanos de commodities estão entre os poucos que continuam a crescer”, explicou à Gazeta Russa o diretor da agência de avaliações RusRating, Anton Tabakh. Além disso, embora os EUA

O presidente da Rosneft, Ígor Sétchin

“A Rosneft adquire a participação por um preço relativamente baixo, mas, por enquanto, são mais visíveis as vantagens políticas que as comerciais da participação russa”

sejam líderes na produção de óleo cru, verifica-se um desequilíbrio em muitos tipos de derivados do petróleo. Mas Tabakh acredita que o projeto Solimões tenha gerado interesse na Rosneft principalmente devido à possibilidade que abre de diversificação das atividades da empresa. “No Brasil, as condições de produção são outras, e o fornecimento é realizado nos mercados latino-americanos, que têm tido crescimento bastante rápido”, diz.

O rápido aumento da produção e a descoberta de grandes campos offshore poderão transformar o Brasil em um dos maiores produtores de petróleo do mundo, de acordo com a agência norte-americana EIA (da sigla em inglês, “Administração de Informação Energética”). Segundo essa, as reservas de hidrocarbonetos do país chegam a 13,2 bilhões de barris, perdendo na América do Sul, em termos de volume, apenas para a Venezuela.

Certamente, a compra tem também um componente político. O Brasil não impôs sanções à Rússia e a cooperação bilateral e no âmbito do grupo Brics lhes permite uma defesa mútua de interesses no cenário mundial, sobretudo no setor de petróleo e gás.

País receberá investimento em extração e infraestrutura, e poderá direcionar exportação à Ásia Os projetos da Rosneft na Venezuela, onde se produzem 160 mil barris de petróleo por dia, e a eventual descoberta de um novo campo petrolífero na Bacia do Solimões poderão ter um impacto significativo não apenas sobre os preços regionais, mas globais. E Rússia, Brasil e Venezuela têm grande interesse em aumentar os preços de commodities energéticas.

Natália Lebedeva é diretora da consultoria Miraville Group.

Mudanças Vice-premiê anuncia futuro pacote de reformas

Estudo global revela militarização da economia russa

Governo aposta em liberalização

Participação mundial do país em gastos militares chegou aos 4,8% em 2014, atrás apenas de EUA e China.

da economia soviética. Porém, a queda dos preços do petróleo obrigou as autoridades russas a cortar os gastos militares, que foram reduzidas em 5% em 2015.

ALEKSÊI LOSSAN GAZETA RUSSA

Fatia do PIB

De acordo com relatório do Sipri (da sigla em inglês, “Instituto de Pesquisas para a Paz de Estocolmo”), a participação mundial da Rússia em gastos militares atingiu 4,8% em 2014. O país ocupa o terceiro lugar no ranking, após os EUA (34%) e a China (12%). No ano passado, os gastos militares russos aumentaram 8,1% em comparação com 2013 e atingiram os US$ 84,5 bilhões – o que equivale a 4,5% do PIB russo. “Devido à situação econômica atual, nada pode justificar essas despesas militares”, diz o pesquisador da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública da Rússia, Vassíli Zatsépin. O economista acredita que a militarização do orçamento pode levar a uma nova corrida armamentista - uma das principais razões do colapso

O volume de despesas militares é frequentemente definido não pela participação do país no mercado mundial de armas, mas pela relação entre gastos militares e o PIB. Por essa fórmula, a Rússia também encabeça o ranking.

A média mundial de gastos no setor é de cerca de 2,4% do PIB. Por exigência da Otan, por exemplo, os países-membros da aliança são obrigados a destinar pelo menos 2% do PIB nacional para despesas militares. Mas somente quatro membros, um deles os Estados Unidos, seguem o estatuto. No ano passado, os EUA gastaram US$ 610 bilhões (3,5% do PIB) em armas, enquanto a China, US$ 216 bilhões (2,2% do PIB).

De acordo com as estimativas do Sipri, os gastos militares russos no setor atingiram 4,5% do PIB. Porém, segundo dados oficiais do país, essas despesas são de 4,8%, o dobro da média mundial.

Com conteúdo ainda não divulgado, plano de reformas estruturais recebeu amplo apoio de autoridades e empresários russos.

Corrupção e ditaduras O relatório do Sipri mostra que, em 2014, os EUA e países da Europa Ocidental cortaram gastos militares. Mas a redução foi compensada pelo aumento dos gastos no Leste Europeu, Ásia, Oceania, África e Oriente Médio. “Em muitos casos, porém, o crescimento dos gastos militares é resultado da corrupção, de interesses pessoais e de u m gover no autocrático”, explica o chefe do departamento de despesas militares do Sipri, Sam Perlo-Freeman.

ALEKSÊI LOSSAN GAZETA RUSSA

As economias mais militarizadas do mundo

ALYONA REPKINA

Durante uma coletiva de imprensa realizada recentemente na Escola Superior de Economia, o vice-premiê russo Ígor Chuvalov declarou que as autoridades russas estão prontas para anunciar um “ambicioso programa de liberalização econômica”. Segundo ele, para sair da crise, a economia do país precisa passar por reformas estruturais. “A complexidade dos desafios impõe altos requisitos para o Estado e a necessidade de coordenação entre todos os ramos do governo”, disse. O vice-premiê acredita que com as mudanças será possível atrair mais investimentos e aumentar a eficiência das empresas públicas responsáveis pelo desenvolvimento da indústria. Durante a coletiva, o diretor do Sberbank, Guêrman Gref, o chefe da União de Industriais e Empresários, Aleksandr Chôkhin, e reitores das maiores faculdades

de economia do país também falaram sobre a necessidade premente do país de reformas estruturais para salvar a economia nacional. “Não devemos impor produtos não competitivos, temos que apoiar a produção eficiente, especialmente porque agora a cotação do rublo permite fazer isso”, disse o reitor da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública, Vladímir Mau. “Para desenvolver a economia, é preciso melhorar a administração pública, a aplicação da lei e o ambiente empresarial”, completa.

Produtividade Já o diretor científico da Escola Superior de Economia, Evguêni Iássin, ressaltou a necessidade de se priorizar o aumento da produtividade. “Nos anos 90, concluiu-se a transformação da economia planificada para a economia de mercado. Na década de 2000, iniciou-se a fase de crescimento e de recuperação, baseada nos altos preços do petróleo. Hoje, inicia-se uma nova fase, na qual é impossível garantir rápido crescimento econômico sem investimentos estrangeiros.

EPA/VOSTOCK-PHOTO

1° lugar Porção do PIB dedicada ao setor é o dobro da média mundial

Chuvalov: programa de liberalização deve ser “ambicioso”

Para atrair esse capital, porém, as reformas estruturais são indispensáveis”, disse. Para o diretor do Sberbank e ex-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Guêrman Gref, um dos problemas estruturais da economia russa é o baixo nível de educação do país. “Para mudar, é preciso investir um montante significativo, que deverá dar retorno apenas dentro de um período de cerca de seis anos. O governo não pode se responsabilizar por tudo, e os cidadãos devem perceber o valor da educação”, afirma.


Em Foco

RÚSSIA O melhor da Gazeta Russa gazetarussa.com.br

RECEITA

Além-fronteira Vida cultural efervescente e tradição na área atraem cada vez mais estrangeiros

Pôntchiki, a ‘junk food’ soviética

Músicos eruditos brasileiros afinam o dom na Rússia

Anna Kharzeeva ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

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Wendell Kettle, 39, foi aceito pela Royal Academy, em Londres, mas optou pelo doutorado em regência no Conservatório Rímski-Korssakov, em São Petersburgo

Com ou sem subsídio, artistas buscam cada vez mais conservatórios de Moscou e São Petersburgo para se especializar.

FRASE

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MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

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to de sódio; · canela a gosto; · 100 g de manteiga ou óleo (para fritar).

Luiz Gustavo Carvalho (esq.) e Pablo Rossi (dir.) foram discípulos da russo-georgiana Elisso Virssaladze em Moscou

Quando artistas como Pablo Rossi vêm para cá e se destacam no mercado, despertam interesse de outros” Média de brasileiros buscando se aprimorar no país tem sido de até dez por ano

gazetarussa.com.br/30509

e achei que não teria um professor tão célebre”, conta Rossi. O jovem pianista, que concluiu bacharelado e mestrado no Conservatório Tchaikovsky, já atuou como solista frente à Orquestra de Câmara do Kremlin. “Quando artistas como Pablo Rossi vêm estudar na Rússia e se destacam no mercado, é claro que despertam interesse em outros estudantes brasileiros”, diz o chefe do setor cultural da embaixada do Brasil em Moscou, Igor Germano. Segundo ele, embora não existam números oficiais, a média de brasileiros que buscam aprimoramento no país tem sido de até dez músicos ao ano. O pianista mineiro Luiz

Gustavo Carvalho, 31, foi outro discípulo de Virssaladze, entre 2006 e 2009.“A influência da personalidade dela vai muito além de interpretação e técnica pianística. Ela é dona de uma cult u ra si ng u la r”, a f i r m a Carvalho.

cia Wendell Kettle, 39, tem uma bolsa da Capes para estudar no Conservatório Musical de São Petersburgo Rímski-Korssakov. Aceito também pela Royal Academy of Music, em Londres, Kettle acabou optando pela instituição russa. A vida cultural efervescente das grandes cidades do país e sua longa tradição nesse tipo de música estão entre os principais atrativos de alunos internacionais. “É muito importante estar em uma cidade que recebe gigantes da música, orquestras sinfônicas. Acho que, em toda a história mundial, o músico não se formou sentado ao seu piano ou trancado em uma sala com seu violino”, diz Rossi.

Bolsas e vida cultural Para auxiliá-lo fi nanceiramente, Rossi contou com o mecenato do empresário Roberto Baumgart, além de uma bolsa concedida pelo Estado de Santa Catarina. O caso de Almeida, do Theatro Municipal, foi diferente. “Como tirei uma licença remunerada por dois meses, foi como se o próprio teatro tivesse me dado uma bolsa.” Já o doutorando em regên-

Animação estreia na TV Cultura CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

Qualidade de cinema A ideia de reunir o formato de série de TV com a qualidade de uma animação longa metragem pertence ao autor e diretor de arte do projeto ‘Masha e o Ur so’, Oleg Kuzovkov. “Apesar de todas as dificuldades para realizá-lo, ele deu certo e se tornou o primeiro projeto de animação russa popular também fora da Rússia”, diz Loveiko. A mãe de Bia confirma a afirmação do produtor, mas adiciona que, além da beleza que encantou sua filha, a obra a ajuda a reforçar princípios

LORI/LEGION MEDIA

mais de 308 milhões de visualizações. Na nossa página no Facebook também temos 3,5 milhões de assinaturas, e mais de 80% das avaliações e comentários estão em outras línguas, e não em russo”, diz o produtor. Para a mãe de Bia, não há problemas em assistir ao programa sem dublagem. “Confio na capacidade que a Bia tem de entender o contexto. Sempre estimulei o contato com outras línguas e amei saber que o desenho era russo, pois quebraria a imposição do inglês como segunda língua. Pessoalmente, gosto que não tenha dublagem e não seja em português, justamente para

que ela possa se familiarizar com outras culturas”, diz Luciana.

básicos de educação. “Por exemplo, quando o urso colocou a Masha de castigo num cantinho em um dos episódios, minha filha olhou para mim imediatamente e disse: ‘Não pode desobedecer, não é, mamãe?’ Acredito que se eles

continuarem a fazer esse desenho com atenção e cuidado, ele terá vida longa e chegará cada vez mais a crianças de outros países”, diz. A animação já é transmitida , dublada e legendada, nas TVs de praticamente todos os

países da Europa, além de Coreia, China, Tailândia e Indonésia. “Gosto que não tenha legendas. Eu me surpreendi quando a Bia começou a dizer ‘mishka’ [do russo, ‘ursinho’], que é o jeito que a Masha chama o urso. Percebo que ela tenta reproduzir algumas palavras e repete sem parar”, diz Luciana. Enquanto ainda não assiste à Masha em português na TV, Bia continua fissurada na amiguinha 3D russa, que continua a acompanhar pela internet e buscar pela cidade. “Outro dia ela foi ao zoológico. Na área do urso ficou procurando e veio me perguntar onde estava a nenê”, conta a mãe.

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Quando a ópera Eugene Onéguin, de Tchaikovsky, estreou no Theatro Municipal no último dia 30 de maio, o alto nível técnico e musical do espetáculo não foi motivo de surpresa. A montagem em São Paulo do libreto de John Cranko, baseado no romance homônimo de Aleksandr Púchkin, reúne grandes nomes russos e de outros países da ex-URSS. Para participar da produção, o pianista preparador do espetáculo, Paulo Almeida, por exemplo, decidiu viajar a Moscou, onde fez uma especialização de três meses no Conservatório Tchaikovsky. “Quando soube que faríamos uma das minhas óperas prediletas, pensei: tenho que aprender isso direito, direto da fonte”, disse à Gazeta Russa. Mas Almeida não foi pioneiro na busca por aperfeiçoamento na Rússia. Em 2006, aos 17 anos,o pianista Pablo Rossi partiu para Moscou para estudar com a russo-georgiana Elisso Virssaladze, uma das principais tutoras de músicos eruditos brasileiros no país. “Não imaginei que estudaria com ela, pois eu era muito jovem

tersburgo], não me recordo de comer doces lá e, além disso, faz 58 anos desde a última vez que estive na cidade... Lembro-me de quando estive por lá com minha mãe... Estavam preparando o desfile de comemoração do 250º aniversário da cidade e apresentaram os líderes: Malenkov, Molotov, Kaganovitch e o ‘maria vai com as outras’ do Chepilov. Aí, de repente, houve um atraso no início das festividades, pois os líderes foram declarados do ‘grupo antipartido’. Depois eles foram readmitidos, mas já sob o governo de um novo líder, o Khruchov.” São Petersburgo preservou mais a tradição russa dos cafés e padarias do que Moscou. Lá pode-se tomar um café comendo pôntchiki de pé em mesas altas, tradicionais nas padarias russas. Ali ainda funciona o famoso estabelecimento Sever na principal via da cidade, a avenida Névski. Para quem quer sentir o gostinho dos pôntchiki sem ter que percorrer uma distância tão grande, segue minha receita:

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Em toda história mundial, o músico não se formou trancado em uma sala com seu piano ou com seu violino. A escola russa valoriza o preparo humanista do aluno, que ele conheça literatura, artes em geral, frequente concertos, balés... E Moscou vive arte!”

Já preparei muita comida saudável para a Gazeta Russa: gretchka, sopa borsch, saladas... A meu ver, a dieta soviética era, em geral, bem saudável. Havia abundância de trigo, sopas, suco de mirtilo vermelho... Mas existia também “junk food” na dieta soviética, representada pela mortadela de Bolonha, maionese, doces e pôntchiki, espécie de donuts russos. Na Rússia, há dois tipos de pôntchiki: os que têm orifício no meio e os que não. As rosquinhas sem orifício também podem ser recheadas. Em Moscou, existem até mesmo padarias especializadas nessas rosquinhas. Falando sobre o assunto com minha avó, escutei uma história muito interessante dela: “Em Moscou há muitas ‘pontchetchnie’ [as padarias especializadas nas rosquinhas] espalhadas pela cidade, e a gente gostava de visitá-las de vez em quando. Quanto a Leningrado [atual São Pe-

Ingredientes: · 1 ½ xícara de farinha; · 2 colheres de sopa de açúcar; · 1 colher de sopa de manteiga; · 1 ovo; · ½ xícara de leite; · ½ colher de chá de bicarbona-

CALENDÁRIOS EUGENE ONÉGIN

BALÉ DO TEATRO BOLSHOI: “SPARTACUS” E “GISELLE”

6, 7 E 9 DE JUNHO (SÁB., DOM., E TER.), ÀS 20H, 18H E 20H, RESPECTIVAMENTE, THEATRO MUNICIPAL, SÃO PAULO - SP

DE 24 A 28 DE JUNHO, HORÁRIOS A CONFERIR, TEATRO BRADESCO, SÃO PAULO-SP

A ópera conta a história de um jovem russo entediado com sua vida de aristocrata. No elenco, destacam-se o barítono ucraniano Andrêi Bondarenko, no papel principal, a soprano russa Svetlana Aksiônova, que interpreta Tatiana, e o tenor brasileiro Fernando Portari.

Reconhecido mundialmente pelo estilo que associa performances fortes e coloridas com atletismo e expressividade dramática, o Balé do Teatro Bolshoi retorna ao Brasil após um hiato de 15 anos com 12 apresentações no país. Para maiores informações, confira o site:

› www.theatromunicipal.org,br

› www.dellarte.com.br

EXPEDIENTE WWW.RBTH.COM, WWW.GAZETARUSSA.COM.BR E-MAIL: BR@RBTH.RU TEL.: +7 (495) 775 3114 FAX: +7 (495) 775 3114 ENDEREÇO DA SEDE: RUA PRAVDY, 24, BLOCO 4, 7º ANDAR, MOSCOU, RÚSSIA - 125993 EDITOR-CHEFE: EVGUÊNI ABOV; EDITOR-CHEFE EXECUTIVO: PÁVEL GOLUB; EDITOR: DMÍTRI GOLUB; SUBEDITOR: MARINA DARMAROS; EDITOR-ASSISTENTE: ANASTASSIA MUZIKA; REVISOR: PAULO PALADINO DIRETOR DE ARTE: ANDRÊI CHIMÁRSKI; EDITOR DE FOTO: ANDRÊI ZAITSEV; CHEFE DA SEÇÃO DE PRÉ-IMPRESSÃO: MILLA DOMOGÁTSKAIA; PAGINADOR: MARIA OSCHÉPKOVA PARA A PUBLICAÇÃO DE MATERIAL PUBLICITÁRIO NO SUPLEMENTO, CONTATE JÚLIA GOLIKOVA, DIRETORA DA SEÇÃO PUBLICITÁRIA: SALES@RBTH.RU © COPYRIGHT 2015 – FSFI ROSSIYSKAYA GAZETA. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS PRESIDENTE DO CONSELHO: ALEKSANDR GORBENKO (ROSSIYSKAYA GAZETA); DIRETOR-GERAL: PÁVEL NEGÓITSA; EDITOR-CHEFE: VLADISLAV FRÓNIN É EXPRESSAMENTE PROIBIDA A REPRODUÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO OU RETRANSMISSÃO DE QUALQUER PARTE DO CONTEÚDO DESTA PUBLICAÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO ESCRITA DA ROSSIYSKAYA GAZETA. PARA OBTER AUTORIZAÇÃO DE CÓPIA OU REIMPRESSÃO DE QUALQUER ARTIGO OU FOTO, FAVOR SOLICITAR PELO TELEFONE +7 (495) 775 3114 OU E-MAIL BR@RBTH.RU

O SUPLEMENTO “RÚSSIA” FAZ PARTE DO PROJETO INTERNACIONAL RUSSIA BEYOND THE HEADLINES (RBTH), QUE É SUBSIDIADO PELO JORNAL RUSSO ROSSIYSKAYA GAZETA. A PRODUÇÃO DO SUPLEMENTO NÃO ENVOLVE A EQUIPE EDITORIAL DA FOLHA DE S.PAULO. O RBTH É FINANCIADO TANTO POR RECEITAS DE PUBLICIDADE E PATROCÍNIO, COMO POR SUBSÍDIOS DE AGÊNCIAS GOVERNAMENTAIS RUSSAS. NOSSA LINHA EDITORIAL É INDEPENDENTE. O OBJETIVO É APRESENTAR, POR MEIO DE CONTEÚDO DE QUALIDADE E OPINIÕES, UMA GAMA DE PERSPECTIVAS SOBRE A RÚSSIA E O MUNDO. ATUANDO DESDE 2007, TEMOS O COMPROMISSO DE MANTER OS MAIS ALTOS PADRÕES EDITORIAIS E APRESENTAR O MELHOR DO JORNALISMO RUSSO. POR ISSO, ACREDITAMOS PREENCHER UMA IMPORTANTE LACUNA NA COBERTURA MIDIÁTICA INTERNACIONAL. ESCREVA UM E-MAIL PARA BR@RBTH.RU CASO TENHA PERGUNTAS OU COMENTÁRIOS SOBRE A NOSSA ESTRUTURA CORPORATIVA E/OU EDITORIAL. A FOLHA DE S.PAULO É PUBLICADA PELA EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S.A., ALAMEDA BARÃO DE LIMEIRA, 425, SÃO PAULO-SP, BRASIL, TEL: +55 11 3224-3222 O SUPLEMENTO “RÚSSIA” É DISTRIBUÍDO NA GRANDE SÃO PAULO, COM CIRCULAÇÃO DE 95.992 EXEMPLARES (IVC MARÇO 2015)

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Ec

Modo de preparo: Misture a farinha e o bicarbonato de sódio. Adicione um pouco de canela em pó e peneire. Em uma tigela à parte, coloque o açúcar, a manteiga e o ovo. Misture bem. Adicione lentamente o leite. Aos poucos, despeje a mistura do ovo sobre a da farinha. Sove a massa. Com a ajuda de um rolo, estique a massa até ficar com 0,5 cm de espessura. Corte em círculos. Retire o centro de cada círculo, criando um formato de anel. Frite na manteiga quente. Polvilhe as rosquinhas com açúcar de confeiteiro antes de servir.

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OS 10 MELHORES ICOS DESTINOS ECOLÓGICOS NO MAIOR PAÍS DO MUNDO /27481 gazetarussa.com.br/27481

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QUÍMICA CIENTISTAS DESCOBREM NOVOS COMPOSTOS QUÍMICOS ANÁLOGOS AO DNA E AO RNA

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Ti TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

RÚSSIA E EUA TRABALHARÃO JUNTOS EM NOVA ESTAÇÃO ESPACIAL

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Confira a nova edição do suplemento Rússia de 5 de junho

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