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1989, o ano que mudou o mundo

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Há 25 anos, findava a Guerra Fria e a Alemanha se reunificava com a derrubada do Muro de Berlim Nesta edição

Produzido por

Este suplemento é preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia) sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 7 de novembro de 2014. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

ENTREVISTA MIKHAIL GORBATCHOV

Contra todos (os muros) NO ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM, PRIMEIRO PRESIDENTE SOVIÉTICO FALA À GAZETA RUSSA SOBRE BARREIRAS ATUAIS E DO PASSADO MAKSIM KORCHUNOV GAZETA RUSSA

Na noite de 9 de novembro de 1989, começava a ser colocada abaixo uma das barreiras mais cruéis construídas pelo homem. O Muro de Berlim não apenas dividiu famílias, como também motivou a perseguição e até mortes daqueles que tentassem transpô-lo. Para relembrar um dos principais acontecimentos do século 20, a Gazeta Russa falou com o ex-presidente soviético e ex-secretário-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbatchov: Em meados de 1989, durante uma coletiva após conversações em Bona com o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, jornalistas lhe perguntaram como estava a questão do muro, ao que o senhor respondeu: “Nada é eterno. (...) O muro poderá deixar de existir quando desaparecerem as premissas que o criaram. Não vejo grande problema nisso”. Qual era sua expectativa então? Certamente, nem eu nem Helmut Kohl esperávamos, no verão de 1989, que tudo acontecesse tão rápido. Não esperávamos a queda do muro para novembro. Aliás, nós dois reconhecemos isso posteriormente. Não tenho a pretensão de ser profeta. A história acelera seu movimento. Ela pune aqueles que se atrasam. Mas pune ainda mais aqueles que tentam embaraçar seu caminho. Seria um grande erro ficar agarrado à Cortina de Ferro. Por isso, de nossa parte, não houve pressão sobre o governo da RDA [República Democrática Alemã]. Quando os acontecimentos começaram a se desenvolver a uma velocidade inesperada, a classe governante soviética decidiu, por unanimidade – gostaria de deixar isso bem claro –, não interferir nos processos internos que estavam acontecendo na RDA. Decidimos que nossas tropas não iriam deixar suas guarnições. Até hoje tenho certeza de que tomamos a decisão correta. O que permitiu superar a divisão da Alemanha? O papel decisivo na reunificação da Alemanha pertence aos próprios alemães. Quero dizer, não só às manifestações em apoio à unidade, mas também ao fato de que, nas décadas do pós-guerra, os alemães, tanto do lado oriental, como do ocidental, mostraram que haviam aprendido com o passado e que se podia confiar neles. Quanto ao fato de a reunificação ter sido pacífica, de o processo não ter levado a uma crise internacional, acho que a União Soviética teve papel crucial. E nós, a liderança do país, sabíamos que os russos e que todos os povos da União Soviética entendiam o desejo dos alemães de viver em um Estado único e democrático. Além da URSS, os outros participantes do processo de resolução definitiva da questão alemã também demonstraram muita prudência e responsabilidade. Refiro-me aos países aliados, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Agora, já não é segredo que [o ex-presidente francês] François Mitterrand e [a ex-premiê do Reino Unido] Margaret Thatcher tinham fortes dúvidas quanto ao ritmo da reunificação. Afinal, a guerra deixou marcas profundas. Mas quando todos os aspectos desse processo foram resolvidos, eles assinaram os documentos que puseram fim à Guerra Fria. Com a participação de diversos Estados, a solução da questão alemã foi um exemplo da alta responsabilidade e competência dos governantes de então. Até que ponto os governos atuais são capazes de resolver problemas pacificamente, e como mudaram suas abordagens aos desafios geopolíticos? A reunificação da Alemanha não foi um fenômeno isolado, mas parte do processo do fim da Guerra Fria. Seu caminho foi aberto pelas iniciativas de reestruturação [perestroika] e democratização pelas quais nosso país passava. Sem isso, a Europa poderia ter continuado dividida e “congelada” por décadas. E tenho certeza de que teria sido muito mais difícil sair desse impasse.

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Não tenho a pretensão de ser profeta. A história acelera seu movimento. Ela pune aqueles que se atrasam. Mas pune ainda mais aqueles que tentam embaraçar seu caminho. Seria um grande erro ficar agarrado à Cortina de Ferro.”

DANILA GOLOVKIN

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