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Hermitage é eleito melhor museu da Europa e ultrapassa Louvre e D’Orsay, entre outros P.3

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Este suplemento é preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia) sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 10 de outubro de 2014. Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Extremismo Estado Islâmico ganhou atenção mundial ao divulgar vídeos de jornalistas internacionais decapitados na Síria

Contra todos (e vice-versa) Rússia não se opõe a campanha iniciada pelos EUA contra Estado Islâmico (EI), mas requer que essa seja direcionada ao alvo certo.

Compromisso com curdos no combate ao EI é justificado para evitar tropas americanas

GUEVORG MIRZAIAN, NIKOLAI SURKOV

O Oriente Médio vive uma situação extremamente rara para a região: surgiu um inimigo comum a todos. “O EI é uma séria ameaça para a segurança de todos, até mesmo para países da região que têm hostilidades entre si. Os adversários Irã e Arábia Saudita dizem isso abertamente, a Jordânia e a Turquia admitem-no de modo menos acentuado, enquanto o Iraque e a Síria já estão, no geral, em guerra com o EI”, diz a analista política Tatiana Tiukaeva. “O grupo tem uma ideologia muito radical, que se contrapõe a todos os Estados sun it a s c o m obj e t iv o d e conquista do poder no mundo muçulmano. Para o xiita Irã, o grupo sunita EI é também um inimigo por definição: seguidores fieis da história do conflito entre xiitas e sunitas na região, seus militantes aniquilam maciçamente os xiitas no seu território.” Assim, os Estados Unidos obtiveram a oportunidade única de construir uma ampla coalizão de países para combater o EI, fato que já foi relembrado repetidas vezes pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry e pelo presidente Barack Obama. CONTINUA NA PÁGINA 2

GETTY IMAGES/FOTOBANK

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Bilateral Primeiros embarques brasileiros devem ocorrer ainda em 2014 Diversificação da pauta

Mercado lácteo se agita com demanda para exportar Além de cinco marcas do Brasil autorizadas pelos russos, outras já estão aguardando concordância entre os dois governos. GIOVANNI LORENZON ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Simplificação A Rússia abriu mão de algumas exigências imediatas e adequou o Certificado Sanitário Internacional. “O Brasil não precisará do documento de Zona Livre de Brucelose e Tuberculose, mas mantiveram as regulamentações quanto às condições físico-químicas, microbiológicas e de embalagem”, diz Costa. “Eles sabem que o Brasil está livre de problemas sanitários há muito tempo”, diz o presidente do Sindileite de São Paulo, Carlos Humberto Mendes. O Estado representado por Mendes é um dos que mais tem a ganhar com a nova janela na Eurásia, pois concentra muitas processadoras.

AP

Os embargos russos a fornecedores europeus e americanos está levando as indústrias lácteas brasileiras a tentar fechar suas primeiras exportações ao país até o final do ano. Ao contrário das carnes, cujas portas estão abertas, os derivados de leite só passaram a ter chances na Rússia nas últimas semanas. Itambé, Tirolez, Polenghi, Confepar e Brasil Foods (BRF) já estão habilitadas, liberadas a toque de caixa pelo Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária). Cerca de dez novas companhias deverão ser autorizadas nos próximos dias, assim que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento concluir a

análise dos documentos e condições de qualidade e enviar os ofícios à Rússia, segundo Marcelo Costa, diretor-executivo da Associação Brasileira de Laticínios, também con he cida como Viva Lácteos.

Brasil teve necessidade de certificados abolida pela Rússia

Destino inverso O Brasil é um importador líquido (importa mais que exporta) de lácteos desde 2008, quando as vendas externas nacionais atingiram um ápice de US$ 540 milhões. Em 2013, a balança comercial teve um déficit de US$ 478,3 milhões: enquanto importou US$ 595,2 milhões (159,1 mil toneladas), exportou apenas

US$ 116,9 milhões (42,4 mil toneladas). Mas, segundo Costa, a questão não tem importância, já que as importações, em litros, representaram apenas 3,2% da produção nacional - que não vem acompanhando o alto consumo interno dos últimos anos. Além disso, existe pressão para que os produtores evitem o excesso de oferta.

Em 2014, a resposta no campo é mais positiva, “especialmente pelo crescimento dos Estados do Sul”, explica Mendes. Também se verificam melhores preços pagos ao produtor e estagnação no consumo interno. Além disso, a oferta de importados vem caindo. De janeiro a agosto houve uma queda de 21,2%, chegando aos US$ 291,4 milhões, e de 33,6% em volume, totalizando-se 69,2 mil toneladas, em comparação com o mesmo período no ano anterior. Agora, as exportações da indústria láctea brasileira podem se tornar mais diversificadas, tanto em produtos, quanto em destinos. Até então, a pauta era dominada pelo leite em pó (em torno de 70%), queijos e creme de leite (concentrado e não concentrado), e alcançava basicamente países em desenvolvimento A aposta da Viva Lácteos está nos queijos, manteigas e soro (usado sobretudo na produção de iogurte). A Polenghi e a Tirolez, por exemplo, são exclusivamente focadas em queijos e outros itens pasteurizados. “A demanda russa veio na hora certa, pois temos mais leite para processar e uma

indústria apta em qualidade e variedade”, diz o presidente do Sindileite. Mendes também compara a situação dos lácteos à das carnes nacionais, que, há 20 anos, não tinham posição relevante no mercado mundial.

Manteiga e ativos A maior beneficiária da mudança de ventos no mercado russo será a mineira Itambé, líder tradicional nos embarques internacionais brasileiros. Terceira maior indústria láctea do país, com faturamento de US$ 2 bilhões em 2013, ela detém 50% das exportações, com leite em pó integral e leite condensado no topo das vendas externas. A manteiga da Itambé já está sendo negociada com os russos, em fase mais adiantada que o leite em pó, de acordo com o diretor de gestão e relações institucionais da empresa, Ricardo Cotta. Os contatos começaram antes me s mo d a aut or i z aç ão oficial. Nesse cenário, o mercado se deparou com uma situação curiosa: a gigante BRF vendeu sua área de lácteos à francesa Lactalis, dona da Parmalat, mas o processo de transferência dos ativos ainda não foi concluído.

Sob pressão, economia do país recua Intensificação de sanções por parte dos EUA e da UE já afeta crescimento econômico e inflação russa. DAVID MILLER, SAM SKOVE ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

A economia russa está enfrentando crescentes turbulências com inflação, queda dos preços do petróleo e deflação do rublo. Nos primeiros sete meses do ano, o crescimento econômico foi de cerca de 0,7%, já que a manufatura foi ampliada, de acordo com estatísticas do governo. Mas há a crença de que as piores consequências das sanções ainda não chegaram. Ainda no final de agosto, o chefe do departamento de planejamento no Ministério da Economia russo, Oleg Zasov, disse a agências de notícias nacionais que “a economia está perto da recessão”. Estados Unidos e Europa acometeram a Rússia com sucessivas rodadas de sanções neste ano à medida que o conflito na Ucrânia foi ganhando maiores proporções. CONTINUA NA PÁGINA 3

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