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Ironia do destino

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Cientista queria acabar com a fome, mas morreu de inanição em gulag P.4

Produzido por

Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Este suplemento é preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redação da Folha de S.Paulo. Concluído em 15 de agosto de 2014.

Sanções Estados Unidos e União Europeia travam batalha contra Rússia no campo econômico para tentar conter crise ucraniana

Guerra moderna é econômica Prejuízos causados por proibição de importações europeias serão da ordem de 12 bilhões de euros. Produtos devem encarecer de 5 a 10%. ALEKSÊI LOSSAN, MARINA DARMAROS GAZETA RUSSA

Tudo começou com a reintegração da Crimeia, ainda em março deste ano. Depois de um referendo em que 96% da população da península se disse a favor da união à Rússia e da efetivação de sua reintegração, União Europeia e Estados Unidos reforçaram suas acusações de que o país interferia na soberania ucraniana e ameaçaram aumentar as sanções contra ele. Durante meses, enquanto no leste ucraniano parte da população se rebelava contra a Ucrânia, as intimidações não tiveram eco na vida real. Mas a queda de um avião civil da Malaysia Airlines na região separatista em 17 de julho mudou o cenário. Depois de ucranianos e separatistas pró-Rússia se acusarem mutuamente pela queda da aeronave sem provas definitivas por semanas, as potências ocidentais finalmente levaram a cabo suas ameaças. Ainda no final de julho, União Europeia, Estados Unidos e Japão listaram pessoas e empresas russas que seriam sancionadas. As empresas foram escolhidas a dedo: todas tinham alguma relação com a Crimeia. A corporação Alm a z-A nt e i, por exemplo,produz equipamentos de defesa antiaérea para a proteção da península. A companhia aérea de baixo custo Dobrolet faz voos de Moscou para a capital da Crimeia, Simferopol, e o Banco Comercial Nacional da Rússia, que se tornou um grande player no mercado financeiro da península. O Japão, por sua vez, impôs sanções contra 40

© RIA NOVOSTI/ ALEKSEY NIKOLSKYI

Fim da brincadeira

Depois de sofrer sanções mais duras da UE e EUA, Rússia embargou produtos alimentícios como resposta. Importações deverão ser substituídas por países latino-americanos e asiáticos

pessoas e duas empresas responsáveis pela exploração e transporte de gás na península, a Chernomorneftegaz e a petrolífera Teodósia. As sanções provocaram perdas. A Dobrolet, por exemplo, teve que encerrar seu funcionamento depois da proibição de que empresas europeias fizessem voos combinados com

os da companhia. Todos os bens da Dobrolet na UE também serão congelados em breve. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento também se recusou a financiar novos projetos na Rússia. “Só em 2013, o banco investiu US$ 2,5 bilhões em projetos russos”, conta o analista

impacto. Três bancos russos foram incluídos na lista de sanções dos EUA: o Banco de Moscou, o VTB e Banco Russo da Agricultura.

de macroeconomia, Vassíli Ukhárski. Entre seus projetos mais recentes na Rússia estão o financiamento de equipamentos agrícolas John Deere, assim como a renovação de sistemas de energia e de abastecimento de água. Mas as sanções setoriais contra bancos e petrolíferas foram as que tiveram maior

Euro-obrigações Os empréstimos a pessoas jurídicas ligadas a esses bancos e às próprias instituições foram proibidos. Em seguida,

o Conselho da União Europeia aprovou medidas semelhantes contra os bancos Sberbank, VTB, Gazprombank, Banco para o Desenvolvimento e Assuntos Econômicos Exteriores e Banco Russo da Agricultura. A esses, foi proibida a venda de ações e obrigações na Europa. De acordo com a agên-

cia financeira Cbonds, no momento, o VTB dispõe de euro-obrigações denominadas em várias moedas que somam o equivalente a US$ 16 bilhões, o Banco Russo da Agricultura, US$ 8 bilhões, e o Banco de Moscou, US$ 1,5 bilhão. CONTINUA NA PÁGINA 3

Comércio bilateral Duas das maiores exibições russas de alimentos em setembro acontecem em boa hora para produtores brasileiros

Em exibições, Brasil tenta substituir fornecedores GIOVANNI LORENZON ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Com avisos públicos de que o Brasil substituirá boa parte dos fornecedores embargados em resposta às sanções impostas à Rússia devido à crise ucraniana, a World Food Moscow, que ocorre de 15 a 18 de setembro, e a United Coffee and Tee Industry Event, de 15 a 16 de setembro, servirão de vitrines para

potenciais players no cobiçado mercado do Leste Europeu. Do maior produtor mundial de carnes, JBS, ao microprodutor de café Camocim, cerca de 25 companhias estão arrumando as malas. Inicialmente, estavam previstas apenas as participações dos setores de carnes e café, por meio de suas entidades de classe. Mas diante dos interesses por frutas, legumes e mesmo laticínios, haverá maior diversidade no estande exclusivo do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

“Os russos são exigentes nas questões sanitárias, portanto, temos que mostrar que estamos aptos a aumentar nossos volumes”, diz o diretor financeiro do frigorífico Frisa, Marcos Coutinho. A empresa do Espírito Santo exporta há cinco anos para a Rússia e, junto a outros produtores de carne bovina, em 2013 embarcou 303 mil toneladas ao país, o equivalente a US$ 1,2 bilhão. Com esse volume, os russos ficaram na segunda posição entre os maiores compradores do Brasil. A Frisa participou com US$ 80 milhões,

em um mercado dominado por grandes produtores. A empresa vai compartilhar o estande da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) com os frigoríficos Barra Mansa, Frigol, Cooperfrigu, Frialto e os já conhecidos por seu grande porte JBS, Marfrig e Minerva.

Em alta Produtores de suínos e de frangos têm as melhores expectativas, já que são os negócios em que o Brasil mais perdeu nos últimos anos. Os primeiros exportaram 134 mil

RUSLAN SUKHUSHIN

Empresas apresentarão seus produtos para mostrar que podem ajudar a suprir a Rússia com o embargo a americanos e europeus.

País aposta em carnes, laticínios e cafés ‘gourmet’ em feiras

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toneladas em 2013, pouco mais da metade dos anos anteriores, e os segundos caíram de 142 mil toneladas, em 2010, para 65 mil, no ano passado. O Frigorífico Pif Paf, de Minas Gerais, é um dos que apresentarão durante a feira seus produtos avícolas. “Íamos mesmo sem saber das novas possibilidades de exportação”, conta o gerente de marketing da empresa, Rogério Valério. Já na exibição United Coffee and Tee, os cafeicultores do brasileiros estão de olho na possibilidade de ampliação do boicote russo, que pode atingir os reexportadores europeus que entram no país com café torrefado. Um grupo de produtores ‘gourmets’ estará presente, com destaque para a Fazenda Camocim, que com apenas 28 hectares produz um arábica orgânico feito de grãos ingeridos e expelidos pelo pássaro jacu.

b r. r b t h .co m

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