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Um canal para chamar de seu Projeto conjunto com a China construirá hidrovia na Nicarágua ligando Pacífico e Atlântico. P.3 Produzido por

Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), La Nacion (Argentina) e outros.

Este suplemento foi preparado e publicado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (Rússia), sem participação da redacão da Folha de S.Paulo. Concluído em 27 de junho de 2014.

Guinada a Leste Enquanto crise ucraniana deteriorou relações do país com potências ocidentais, efeito contrário se verifica com a China Estreitamento de relações tem como pano de fundo ações em longo prazo. Em 13 anos, balança comercial bilateral mais que duplicou. VASSÍLI KACHIN RUSSIA DIRECT

Muitos fatores foram apresentados como pivô para uma guinada da Rússia para a Ásia, sobretudo o fortalecimento de sua relação econômica com a China. Mas, embora os sinais dessa aproximação já fossem observados nos anos anteriores, foi a crise ucraniana que finalmente empurrou os dois países para o mesmo lado. O que não se sabe ainda é qual será o impacto do desenrolar econômico recente – como o acordo de US$ 400 bilhões para fornecimento de gás entre a Gazprom e a China National Petrolium Corporation (CNPC) – sobre a política externa russa na região da Ásia-Pacífico. Ao longo da crise ucraniana, a China teve o cuidado de não manifestar apoio direto a qualquer lado. Mas, apesar da falta de declarações oficiais do país, a iniciativa chinesa de estabelecer laços mais próximos e práticos com Kremlin, bem como sua cobertura midiática da situação ucraniana, não deixam dúvidas de que Pequ i m si mpati za com Moscou.

Panorama

REUTERS

(Re)Orientando-se

Outras nações dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm expressado diferentes graus de apoio à posição da Rússia e condenado as sanções contra Moscou. Mas Brasil, Índia e África do Sul não têm balanças comerciais muito desenvolvidas com o país e, assim, é limitada sua capacidade de fornecer um real apoio no caso de pressão econômica. Mesmo antes da crise atual, o papel de Pequim na política e economia russa já crescia ininterruptamente. A visita do presidente russo Vladímir Pútin à China em maio passado marcou uma “nova etapa nas relações, parceria global e cooperação estratégica” entre os dois países, lê-se na declaração pós-reunião. Isso significa não só uma

cooperação política e militar mais profunda, mas também uma aceleração da guinada para a China nas exportações de commodities russas, a remoção de restrições informais sobre o investimento estratégico chinês na Rússia, e a expansão da cooperação na esfera de alta tecnologia. Paralelamente, o futuro das relações de Moscou com o Ocidente permanece incerto. Enquanto a União Europeia implementa medidas sistemáticas para reduzir sua dependência energética da Rússia, esta vem acelerando a construção de infraestrutura para iniciar as exportações de gás para o Oriente. Além disso, diante da ameaça de ter cortados os laços com os parceiros e fornecedores europeus, indústrias de alta tecnologia russas começaram a buscar contratos na China para substituir os acordos antes estabelecidos com a Europa.

Centro de gravidade O principal temor russo gerado no contexto atual é o da monopolização de suas relações exteriores pela China. Os chineses são negociadores difíceis, e a dependência total do mercado chinês, onde grandes empresas estatais dominam o setor de commodities, não é de interesse da Rússia. No caso de novas sanções contra a Rússia, com o possível apoio de parceiros dos EUA no Oriente - como Japão e Coreia do Sul - Moscou não terá a quem recorrer a não ser Pequim. Como resultado, acredita-se que nos próximos meses a Rússia fortalecerá parcerias com outras economias promissoras, sobretudo na Ásia. A ideia de transferir o centro de gravidade das relações políticas e econômicas da Rússia para o Oriente se torna cada vez mais popular entre políticos russos nos últimos anos. Durante a maior parte de sua história, incluindo a era pós-soviética, a Rússia foi sobretudo exportadora de matérias-primas para um mercado único, o da Europa Ocidental e Central. Em 2013, a UE foi responsável por mais de 49% do volume de comérCONTINUA NA PÁGINA 2

Comportamento Atuando há décadas no país, representantes não têm apoio oficial do governo, mas recebem até condecorações em Moscou

No Brasil, imigrantes divulgam cultura russa ALEX SOLNIK ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Não havia como resistir à lábia de um brasileiro simpático e falante que apareceu de uma hora para outra na Rússia, nos primórdios do século 20, cantando em verso e prosa o Rio Grande do Sul. Propagandista por natureza, ele fazia os russos acreditarem que sua terra natal era praticamente uma Eldorado, uma terra prometida onde haveria de tudo em abundância - caça, pesca, terras férteis -, além de um maravilhoso clima tropical. Dentre os que caíram no canto da sereia estava a fa-

mília Zabolotsky. Ao pisarem, em 1911, em Campina das Missões, cidade fundada por imigrantes russos em 1909, Ivan Zabolotsky, seus pais e seu irmão perceberam que nem tudo correspondia à descrição daquele gaúcho desconhecido. Mas resolveram ficar, já que estavam lá. E não se arrependeram. A terra era de primeira – nisso o propagandista não os enganara. Tiveram êxito plantando, a duras penas, culturas que recompensaram seus esforços, tais como soja, milho, trigo, cevada e centeio. E a família cresceu.

Condecorado em Moscou Caberia ao filho de Ivan, que no Brasil virou João, a missão de perpetuar a cultura russa na nova terra de seus pais. Nascido em 1956, Jacin-

trabalho inestimável, Jacinto recebeu, em maio de 2010, em Moscou, a Medalha e Ordem de São Sérgio de Radonej do Santíssimo Patriarca de Moscou e toda Rússia. Advogado e escritor, Zabolotsky é autor de um livro sobre a imigração russa no Brasil que foi traduzido para o russo. Ele é um daqueles fi lhos imigrantes que “saíram da Rússia, mas a Rússia não saiu deles”.

VANESSA CORREA DA SILVA

Exilados e descendentes levam canto, costumes e danças aos brasileiros, suprindo ausência de centros de cultura russa no país.

Substitutos to Anatólio Zabolotsky, criou, em julho de 1992, a Associação Cultural Russa Volga do Brasil, que deu origem ao Grupo Folclórico Russo Troyka. O grupo tem, desde então,

divulgado a cultura russa dentro e fora do Brasil, em mais de 500 shows nos principais festivais, eventos e feiras locais, regionais, nacionais e internacionais. Em reconhecimento a seu

Por meio de associações culturais em atividade em São Paulo, Rio, Brasília, Campina das Missões e Recife – que suprem a ausência de centros de cultura russos - os imigrantes russos e seus descendentes matam as saudades do país natal, ao mesmo

tempo em que mostram a Rússia aos brasileiros e participam da vida política russa, ainda que a milhares de quilômetros. Em março deste ano, por exemplo, Zabolotsky elaborou uma moção de apoio à integração da Crimeia pelo governo da Rússia e a apresentou formalmente à Conferência dos Compatriotas Russos do Brasil, em 29 de março. O documento foi aprovado por unanimidade e encaminhado ao cônsul-geral da Rússia em São Paulo, Konstantin Kámenev, e ao governo russo.

Canto lírico Nascida na Bielorrússia, Galina Chevtchuk é engenheira tecnóloga formada em Odessa, onde se casou com o brasileiro e tradutor jura-

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mentado Miguel Szewczuk. Chegou ao Brasil em 1964 acompanhando o marido, que decidiu retornar a São Paulo. Galina aprendeu a falar português, mas não esqueceu suas raízes. Assumiu desde logo missões diplomáticas voluntárias, como a de presidente do Coral Russo Melodia e presidente do Conselho Coordenador dos Compatriotas Russos do Brasil. “O coral foi fundado em 1989 por profissionais de canto lírico, cantores amantes da música coral, alguns formados na ex-União Soviética, em Harbin [na China], na ex-Iugoslavia e em outros países da Europa”, conta. Atualmente, os 28 cantores interpretam repertório de 70 músicas sob a batuta de CONTINUA NA PÁGINA 4

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