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QUARTA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2013

O melhor da

gazetarussa.com.br

PRODUZIDO POR RUSSIA BEYOND THE HEADLINES

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Brasileiros na Rússia

A guerra do potássio

Número de turistas aumentou com o fim do visto, mas ainda falta divulgação

Disputa entre Bielorrússia e Rússia derruba preços no mercado mundial e leva a prisão de CEO

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P.3 PHOTOSHOT/VOSTOCK-PHOTO

Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), Folha de S.Paulo (Brasil), The Economic Times (Índia), La Nacion (Argentina), Süddeutsche Zeitung (Alemanha), The Yomiuri Shimbun (Japão) e outros grandes diários internacionais

NOTAS

Crise síria Fabricante russa afirma ter suspendido fornecimento diante de instabilidade na região

Em meio a polêmica, país anuncia satélites árticos

Sistema S-300 pode fazer frente a ataque da Otan

A Rússia está desenvolvendo um novo sistema de vigilância por satélite sobre o Ártico. O anúncio ocorreu enquanto 30 ativistas do Greenpeace, entre eles a brasileira Ana Paula Alminhana, corriam risco de pegar até 15 anos de prisão por “pirataria”, depois de tentarem subir em uma plataforma de petróleo da Gazprom para protestar contra os danos ambientais causados pela companhia estatal na região. “O projeto já está elaborado e os investimentos estão sendo alocados. Um sistema de dois satélites do tipo ‘Môlnia’ irá posibilitar o monitoramento contínuo e de qualidade do Ártico”, disse o chefe do Serviço Federal Russo de Hidrometeorologia e Monitoramento Ambiental, Aleksandr Frolov, no terceiro Fórum Internacional “Ártico, Território do Diálogo”, em Salekhard, no Extremo Oriente russo. Frolov sugeriu que outros países participassem do projeto. Maria Azálina

100 mil mulas traficam droga afegã para Rússia

REUTERS

ITAR-TASS

Mísseis S-300 Favorit foram projetados para proteger instalações militares contra ameaças aéreas. IVAN NIKOLÁIEV GAZETA RUSSA

Mísseis russos S-300 podem já estar a postos para defender o regime de Bashar al-Assad na Síria, representando sérios problemas a qualquer

ação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Os sistemas russos S-300 são altamente móveis e capazes de atingir diversos alvos simultaneamente, característica essencial no combate a ataques de aeronaves e mísseis em grande escala. Durante a última cúpula do G20 em São Petersburgo, o presidente russo Vladímir

Pútin declarou a jornalistas que já está ajudando o país árabe, enviando para lá armamento. De acordo com o jornal inglês “Daily Telegraph”, alguns componentes do escudo de defesa S-300 já foram entregues à Síria, embora o jornal afirme não estar claro se o sistema completo foi fornecido. Apesar de um relatório cor-

porativo lançado há cerca de dois meses pela fabricante de armas MMZ Avangard indicar que a companhia não forneceria mais o equipamento até pelo menos junho de 2014 devido à situação instável da região, um ex-comandante das Forças Aéreas da Rússia declarou o contrário à agência Interfax no final de agosto.

“Os sistemas de defesa aéreos sírios podem responder apropriadamente a ataques dos Estados Unidos e de seus aliados da coalizão anti-Síria. Hoje, Damasco tem aproximadamente mil sistemas de mísseis de defesa aérea e mais de 5.000 armas de defesa aérea diversas”, disse.

Segundo jornal inglês, componentes do sistema já foram entregues, mas não se sabe se todos eles

The Moscow News CONTINUA NA PÁGINA 2

Grãos País importa produto sul-americano desde a década de 1980

Superação Clima dificulta treinos

Café brasileiro busca espaço no país do chá

Rússia é bicampeã de futebol de areia

os anos 90 e, tendo grande experiência de trabalho com empresas russas, acho que o mercado aqui tem grandes perspectivas para os produtores brasileiros”, disse à Gazeta Russa o gerente da Apex em Moscou, Almir Américo.

Briga entre diferentes

Pela primeira vez em trinta anos, produtores brasileiros se reúnem em Moscou para analisar o mercado russo. ANNA TROFÍMOVA GAZETA RUSSA

ALAMY/LEGION MEDIA

No último dia 17, a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), em parceria com RusTeaCoffee Association, realizou um seminário sobre o mercado russo de café na Feira Anual World Food Expo, em Moscou. O evento foi o primeiro do gênero no país, embora as importações de café brasileiro tenham um longo histórico. “Moro em Moscou desde

Cafeteria na Rússia: mercado pode crescer

Tradicionalmente, os russos costumam preferir o chá ao café. Assim, o maior concorrente do café no mercado russo não são produtores de café, estrangeiros ou locais, mas os fabricantes de chá, de preço mais acessível. Mesmo assim, na década de 1980, quando o país começou a fazer grandes compras de commodities estrangei ras, os produtores brasileiros de café entraram rapidamente na corrida pelo mercado russo. Na época, as marcas Cacique e Pelé eram as mais populares. Com a queda do regime soviético, as importações deixaram de ser centralizadas, CONTINUA NA PÁGINA 3

Quase 1.900 grupos criminosos organizados e 150 grandes cartéis na Ásia Central estão traficando drogas ilícitas do Afeganistão para a Rússia, informou o chefe do Serviço Federal de Controle de Drogas da Rússia, Víktor Ivanov. Segundo ele, as quadrilhas de drogas empregam cerca de 20 mil membros ativos e utilizam em torno de 100 mil “mulas” para transportar as drogas para a Rússia. A Rússia tem hoje cerca de 1,5 milhão de usuários de heroína, dos quais quase 30 mil morrem de overdose todos os anos. De acordo com dados do Relatório Mundial sobre Drogas lançado pela ONU em 2013, o Afeganistão continua a liderar a produção mundial de heroína.

Federação de Futebol de Praia foi criada há apenas 8 anos e já rendeu dois títulos ao país. Clima de Moscou possibilita 3 a 4 meses de jogos ao ano. ILIÁ TRISVIÁTSKI ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

No último sábado (28), a Rússia goleou a Espanha por 5 a 1 na Copa do Mundo de Futebol de Areia Fifa 2013, realizada no Taiti, e tornou-se bicampeã mundial na categoria. Favorito desde o início do campeonato, o país gelado, mais conhecido pela neve que pelas praias – que existem, sim, no sul –, ganhou dos brasileiros na final por 12 a 8 em 2011, na Itália. “As principais vantagens da equipe são a coletividade, o grande ritmo de jogo e o bom preparo físico e mental”, diz o goleiro russo

Andrêi Bukhlítski. “Em algum momento, deixamos de temer os brasileiros. Eles achavam que continuariam dando seus shows por mais alguns anos, mas qualquer hegemonia acaba, mais cedo ou mais tarde.” A Rússia pode não ter condições climáticas favoráveis para a modalidade. E nem mesmo no sul do país o esporte pode ser jogado durante o ano inteiro. Em Moscou, sede do tricampeão nacional Lokomotiv, as condições meteorológicas permitem a prática do esporte apenas por três ou quatro meses por ano, no máximo, o que torna ainda mais surpreendente o prog resso russo. A Federação de Futebol de P ra ia da Rú ssia foi CONTINUA NA PÁGINA 2

Corredor de maratona é 1,5 vezes mais rápido do que trânsito de Moscou Especialistas do Yandex.probki, serviço que rastreia o congestionamento das vias na capital, compararam os resultados dos melhores competidores da 1° Maratona de Moscou, realizada em meados de setembro, com os de trabalhadores que voltavam para casa de carro em uma sexta-feira à noite de 2012 que registrou os piores índices de congestionamento do ano. Os resultados mostraram que, enquanto os maratonistas levaram cerca de 2 horas e 19 minutos para concluir os 42 km do percurso, os motoristas gastaram quase seis horas para percorrer a mesma distância naquela data. The Moscow News

16 de outubro

Próxima edição


Política e Sociedade

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Turismo Número de visitantes na Rússia saltou de 10.640 em 2009 para 27.180 em 2012

Brasileiros visitam mais o país, mas ainda falta divulgação Comunicação precária mesmo em aeroportos e hotéis, onde funcionários falam pouco inglês, está entre as principais dificuldades dos turistas. VANESSA CORRÊA DA SILVA

GETTY IMAGES/FOTOBANK

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ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Ainda vista por muitos como um lugar exótico, a Rússia vem sendo cada vez mais escolhida como destino de férias por brasileiros. Estimativas da Embratur, órgão ligado ao Ministério do Turismo, mostram que o número de viajantes do Brasil que visitaram o país na última década passou de 10.829 em 2005 para 22.675 em 2011. Segundo a Rosturism, agência federal de turismo da Rússia, o país recebeu 27.180 em 2012, contra 10.640 visitantes em 2009, ano anterior à entrada em vigor do acordo de isenção do visto para viagens de turismo entre os dois países. Para Gustavo Nunes Leal, dono da Tchayka, uma das únicas agências do Brasil especializada em viagens para a Rússia, esse número tem potencial para aumentar ainda mais.

Para turistas brasileiros, diferenças de idioma dificultam a aproximação

“A Rússia é uma tendência forte para o turismo da Europa. Sua economia em expansão tem permitido o surgimento de novas opções de hospedagem de alto padrão, além de restaurantes e lojas de prestígio mundial.”

“A força de atração da Rússia é muito forte. São muitas as referências que o brasileiro tem do país, e a distância ‘psicológica’ entre os dois países diminui a cada ano”, diz. Tomas Perez, presidente da operadora especializada em viagens de alto padrão Teresa Perez Tours, tem opinião semelhante.

Parcela modesta Comparada a outros países,

a Rússia ainda recebe uma parcela muito modesta dos turistas brasileiros. A CVC, uma das maiores operadoras de viagem do Brasil, embarca apenas cerca de 600 brasileiros por ano para a Rússia, seja com a venda de passagens aéreas e diárias em hotéis, seja por meio de pacotes de viagens.

País do inverno é bicampeão na areia

De acordo com as estimativas da Embratur, o número de brasileiros que viajaram à França, por exemplo, foi superior a 402 mil em 2011 e, para os Estados Unidos, ultrapassou 1,5 milhão. “A região é pouco divulgada pelo governo aos brasileiros. Quem embarca para a Rússia geralmente já viajou para muitos destinos antes de se aventurar por lá, principalmente pela distância e pela dificuldade da língua”, diz o gerente de produtos da CVC para a Europa, Oriente e Ásia, Rodrigo Tobias. O idioma russo é apontado como um dos principais obstáculos pelos turistas em viagem ao país, já que tem um alfabeto diferente, o cirílico, e raiz eslava, muito distante do neolatino português. Para amenizar o problema, a jornalista Paula Fazzio, 25, procurou se familiarizar com o alfabeto cirílico antes de visitar o país com uma amiga, em julho passado. “Pesquisei bastante antes de ir para lá. Foi importante para conseguir ler os nomes das estações de metrô em Moscou, por exemplo, mas o entendimento mesmo era muito pequeno”, diz. Ela conta que chegou de madrugada, e os metrôs e ônibus não funcionavam, por isso teve muita dificuldade para chega r ao hotel que hav ia reservado. “No balcão de informações oficial do aeroporto ninguém falava inglês. Fiquei cerca de duas horas tentando falar em mímica com os taxistas, negociando os preços, que variavam muito”, relata Paula.

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criada há oito anos, e o primeiro campeonato nacional foi realizado em 2005. Em 2007, a seleção nacional foi convocada pela primeira vez para levar o bronze na Liga Europa. No início, ex-jogadores de peso no futebol de campo da Rússia desempenhavam papel principal: Aleksandr Mostovôi, Serguêi Kiriakov, Valéri Kárpin, Iúri Nikíforov e Nikolai Písarev. Mais tarde, Pisarev se tornou treinador principal da seleção nacional, entregando depois o comando do time a Mikhail Likhatchiov, bicampeão mundial. “Acho que a distância de seis anos entre o surgimento do futebol de praia na Rússia e seu sucesso no cenário internacional é um intervalo bastante grande”, diz o ex-jogador do Spartak Moscou e do espanhol Celta de Vigo, Aleksandr Mostovôi. “Apesar de a Rússia não ser um país de praias, os russos gostam de futebol e há muitos jogadores no país. Portanto, não me admira que a seleção russa atue tão bem em torneiros internacionais”, completa.

Segunda fase Após a primeira onda de jogadores provenientes do futebol de campo, esportistas treinados diretamente nessa modalidade assumiram a liderança das areias nacionais. “Tive alguns problemas quando comecei a jogar futebol de praia. Essa modali-

Síria pode já ter recebido mísseis

Inadimplência Em abril, o presidente russo já havia suspendido o fornecimento de armamentos. Uma fonte da indústria militar russa declarou ao jornal “Kommersant” que a interrupção aconteceu devido à falta de pagamento pela Síria. O sistema S-300PMU2 Fa-

A CAVALO R$ 6 por um passeio de pônei ou cavalo Pode-se andar a cavalo na capital pelo parque Izmáilovski, tanto montando como na carruagem. Os passeios acontecem às sextas, sábados, domingos e feriados, das 11h às 12h, saindo da zona central e setentrional do parque. Mais informações:

www.izmailovsky-park.ru (em russo)

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FATOS SOBRE O S-300

Prestígio crescente A maior parte dos jogos oficiais da seleção russa é transmitida pelo canal de televisão Rossia-2 e goza de grande audiência. Em 2013, o torneio nacional contou com 9 clubes (quatro de Moscou e os demais de São Petersburgo, Saratov, Samara, Volgogrado e Iaroslavl). O título nacional foi disputado de maio a agosto em Moscou, Volgogrado e Samara. No sul da Rússia, em cidades como Krasnodar ou Sôtchi, onde a modalidade pode ser praticada durante seis ou sete meses por ano, não há nenhum clube de futebol de areia. Além disso, para realizar os jogos da Liga Europeia em casa, a Federação Russa de Futebol de Areia colaborou com a organização dos torneios do Grand Slam de vôlei de praia, com a qual revezava o espaço das competições. Neste ano, a capital ganhou um centro de esportes de praia às margens do rio Moscou, no norte da cidade.

Quando a União Soviética entrou em colapso, aproximadamente 3.000 lançadores de diferentes versões do S-300 foram implantados em toda a Rússia.

Os SAM S-300 nunca foram usados em operações militares reais, mas exercícios sugerem que sejam altamente eficazes.

A história do sistema S-300

Um sistema terra-ar com alcance de 100 quilômetros começou a ser desenvolvido pela União Soviética no final dos anos 1960 devido ao risco crescente de ataques realizados por unidades aéreas. O projeto tornou-se prioritário após o míssil de cru-

A fim de estudar o S-300, os EUA compraram alguns de seus componentes nos anos 1990. Sua tecnologia também tem sido usada pela Coreia do Sul.

zeiro lançado do ar ALKM ser introduzido na URSS, enquanto o Ocidente trabalhava no SAM Patriot. Posteriormente chamado de S-300, o sistema de defesa antiaérea é o principal da Rússia desde 1975.

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O país árabe já estaria em posse de sistemas S-200, BukM1-2, Buk-M2E, Pantsir-S1E Neva e S-125M Pechora. O ex-oficial não confirma, entretanto, a existência dos S-300 em terras sírias. “A Rússia não entregou esses sistemas aos sírios no passado, o que foi confirmado por altos oficiais, mas a Bielorrússia ou a China poderiam tê-lo feito entre 2010 e 2011”, completa.

vorit é uma versão projetada para defender pontos estratégicos de importância militar contra ameaças aéreas. Ele possui uma área máxima de combate de 200 quilômetros e é mais eficiente contra alvos furtivos em baixas altitudes e em ambientes de difícil rádio interferência. Para analistas militares russos, o S-300 Favorit tem grande potencial de exportação, pois seria o sistema de defesa aérea mais universal criado até hoje. Segundo eles, os S-300 superam seu homólogo norte-americano MIM104 Patriot em muitas características cruciais. Versões modificadas do S-300 são usadas na Rússia, Eslováquia, Bulgária, Croácia, Grécia, China, Vietnã, Venezuela, Argélia e em vários países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

ITAR-TASS

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dade tem pouco a ver com o futebol de campo. Talvez a técnica de chutes seja a mesma. No mais, tudo é diferente. Não há dribles nem fintas ou combinações longas”, diz Mostovôi. Os principais nomes no atual time russo são o goleiro Andrêi Bukhlítski, apelidado de “Homem da Areia”, e o fixo Iliá Leonov, capitão da seleção e melhor jogador da Copa do Mundo de 2011. Leonov é também capitão do Lokomotiv Moscou, tricampeão russo.

Equipes da Rússia e do Brasil já se enfrentaram várias vezes

DE BICICLETA R$ 60 o aluguel da bicicleta

DE TRÓLEBUS R$ 6 a excursão de uma hora

O aluguel de bicicletas em Moscou não é uma raridade, mas verdadeiras excursões sobre magrelas surgiram na cidade há pouco tempo. Alguns clubes de ciclistas amadores organizam os mais diversos passeios, como os concursos VeloQuest, que incluem missões a cumprir e verdadeiras aventuras nas zonas próximas ao cento histórico da capital. Mais informações:

Na avenida circular Sadôvoe Koltsô, no interior da qual se situa o centro histórico da cidade, um trólebus diferenciado circula com artistas executando canções populares ao som de violas. Após o concerto, os cartazes, amplificadores de som e microfones são retirados, e o “Trólebus Azul” volta à normalidade e regressa ao parque. Mais informações:

www.moscowbiketours.com (em inglês)

www.sin-troll.ru/route/ (em russo) ou +7 499 760 21 56 / +7 926 215 48 49

DE BONDE R$ 7,50 a viagem de 15 minutos ou aluguel de R$ 360/hora A história da linha “A”, que os moscovitas chamam carinhosamente de “Annuska”, iniciou-se em 1911, quando as ruas da capital foram cruzadas pela primeira vez por um bonde que passava pelo centro histórico. Com o passar dos anos, abriu-se até um café no interior do “Annuska”. Os velhos bondes, agora modernizados, fazem percursos diversos. O mais procurado é o que leva aos edifícios da era Stálin, no sudoeste da capital, e monumentos do Império Russo no centro histórico. Mais informações: www.tramvai-annushka.narod.ru/ routes.htm (em russo)

EM UM TREM RETRÔ R$ 50 a viagem É possível viajar num autêntico bonde a vapor pela Pequena Circular de Moscou. As excursões, feitas em um vagão puxado por uma máquina a vapor fabricada no final do séc. 19, partem da estação Ríjski Vokzál. Pelo trajeto avista-se o mosteiro Novodévitchi, o moderno complexo de negócios Moscow City, a torre de televisão de Ostánkino, o Centro Russo de Exposições (VDNKh) e o Jardim Botânico. As excursões costumam ser realizadas aos finais de semana, mas podem ser reservadas em outros dias pelo telefone +7 495 608 01 58. Mais informações: www.retropoezd.ru (em russo)

EN.TRAVEL2MOSCOW.COM/WHERE/VISIT/


Economia e Negócios

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Fertilizantes Russa Uralkali é maior produtora do mundo

Disputa de fabricantes de potássio derruba preços

Brasil viu preços “spot” desabarem de US$ 450 para US$ 370. Nova queda é esperada Troca de principal acionista para figura mais próxima ao Kremlin pode reatar laços entre países tal, Spencer Churchill, à Reuters. O surgimento entre os compradores de nomes como o de Vladímir Kogan, ex-oficial e banqueiro próximo ao presidente russo, pode indicar um futuro estreitamento nos laços entre as duas ex-repúblicas soviéticas.

Causas da discórdia Quando anunciou o fim do acordo com a Belaruskali e a interrupção de suas vendas conjuntas de fertilizante por meio da BPC, a Uralkali alterou também completament e s u a e s t r at ég ia de marketing. Se antes a empresa exportava preterindo o volume aos preços, quando saiu da joint venture passou a anunciar a

REUTERS

Rússia tem uma das maiores reservas de potássio do mundo e empresa mudou política para abaixar os preços

Quem produz e consome fertilizantes potássicos no mundo Os fertilizantes potássicos tiveram mercado estável nos últimos anos, com quatro países detendo as principais reservas mundiais de cloreto de potássio: Rússia, Bielorrússia, Alemanha e Canadá. As reservas Verkhnekámski, na Rússia, e a Saskatchewan, no Canadá, são as maiores do mundo. Juntas, somam 82,2% do cloreto de potássio do planeta. Consumo da commodity costuma aumentar de 3% a 4% ao ano e foi de 52 milhões de toneladas em 2012, quase 70% das quais fornecidas pela russo-bielorrussa BCP e pela canadense Cantonex.

Primeiras vitórias Com a iminente baixa nos preços, os fornecedores bielorrussos de potássio concordaram em baixar os valores de contratos já em curso, segundo informações de oficiais indianos reproduzidas pela Reuters. Além disso, um dos maiores mercados do produto, o Brasil viu os preços “spot” desabarem de US$ 450 para US$ 370 por tonelada – e eles podem cair ainda mais. Os importadores chineses também estão fazendo pressão sobre a exportadora de potássio canadense Canpotex, na esperança de chegar aos US$ 320 por tonelada. Importadores da Malásia e da Indonésia acompanham os acontecimentos na China e esperam chegar aos US$ 330 a US$ 340 por tonelada, contra o preço anterior ao colapso da BPC, que chegava aos US$ 420. Segundo fontes da Gazeta Russa, a Uralkali estaria atualmente em negociações para abastecer a China por US$ 325 a tonelada e a Índia a um preço pouco acima disso. Mas se os preços são aceitáveis para a Uralkali, para

Há pouco tempo, Uralkali e Belaruskali defendiam altos preços em detrimento do volume de vendas do potássio, determinando os valores mundiais da commodity, já que são os acordos feitos entre fornecedores e consumidores que fixam os valores do produto, que não é comercializado em bolsas. Apenas dois grandes consumidores fecham contratos longos: a China e a Índia (semestral e anual, respectivamente). Mas foi justamente a intenção da Bielorrússia de partir sozinha para o mercado que provo-

Energia Nova lei permitirá que empresas privadas exportem commodity

Monopólio de exportação de gás perto do fim

de gás natural liquefeito porque sempre teve monopólio sobre as exportações e apostava no gás transportado por gasodutos”, diz o analista do grupo financeiro IFD Kapital, Vitáli Kriukov. A liberalização do mercado de GNL foi idealizada pela empresa Novatek, em busca de financiamento para sua usina Iamal GNL, com previsão de lançamento para 2018. Cada uma de suas três unidades produtoras terá capacidade para 5 milhões de toneladas de gás liquefeito.

Na esteira da iniciativa

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Para manter posição no mercado, Gazprom terá que aumentar capacidade produtiva

Projeto de lei encaminhado à presidência pelo Ministério da Energia acabaria com monopólio de exportação da gigante estatal Gazprom. TATIANA LÍSSINA ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

O Ministério da Energia elaborou e encaminhou ao gabinete da presidência um projeto de lei que permitirá a exportação de GNL (gás natural liquefeito) por produtores independentes. A lei acabaria com o monopólio da gigante estatal Gazprom sobre a exportação de

GNL, vigente desde 2006. Se for aprovada, outros produtores poderão negociar a venda direta de gás, sem mediação da Gazprom, caso possuam licença para a construção de uma unidade de liquefação de gás, enviem o gás para liquefação em uma das unidades indicadas pelo governo ou tenham uma participação do Estado superior ou igual a 50%. Outra regra imposta pela medida será a de que o gás destinado à liquefação e exportação deverá ter origem em campos marítimos russos. Os

produtos obtidos do gás no âmbito dos acordos de produção partilhada também poderão ser exportados.

Incentivo à modernização Hoje a Rússia está muito atrasada em relação aos líderes do mercado de GNL, possuindo uma única unidade de liquefação de gás natural, a Sacalina-2, controlada pela Gazprom, com capacidade para 10,8 milhões de toneladas (cerca de 5% do mercado mundial de GNL). “A Gazprom não se interessou em investir na produção

muitos concorrentes europeus que têm custos de produção mais elevados, incluindo a Bieloruskali, o valor já está perto do crítico.

A guerra dos preços

Outra empresa que pretende exportar o GNL é a petrolífera Rosneft. Para tanto, ela deve construir, em conjunto com a ExxonMobil, uma unidade de liquefação de gás no Extremo Oriente russo com capacidade para 5 milhões de toneladas por ano, que deverá entrar em funcionamento em 2018. Para Kriukov, a medida é orientada a um número muito limitado de empresas, sobretudo às cor porações estatais. “Não está claro o que vai acontecer com o projeto Pechora GNL, da privada Alltech, que prevê a construção de unidades de GNL em duas jazidas de gás na Região Autônoma de Nenets, por exemplo”, diz Kriukov. Já o analista do banco Raiffeisen, Andrei Polischuk, acredita que a limitação do número de empresas no mercado seja um ponto positivo. “A entrada maciça de empresas criaria uma concorrência demasiadamente forte no mercado. Isso afetaria negativamente os preços no mercado interno e, portanto, teria impacto negativo nas receitas do orçamento”, diz.

cou preocupação por parte da canadense Canpotex, primeira a baixar, em 2013, o preço do fornecimento em 15%, forçando a joint venture BPC a ir pelo mesmo caminho. Após seis meses de negociações, a empresa assinou contratos para o fornecimento de um milhão de toneladas de potássio à China no primeiro semestre de 2013 a US$ 400/ton. Em seguida, a Uralkali tentou manter o preço antigo, mas, sem contratos com a China ou a Índia, foi forçada a baixar sua capacidade de produção em 16%, em 2012.

Resultado inesperado Após a prisão de Baumgertner, que estava no país para conversações com o premiê bielorrusso Mikhail Miasnikovitch, Minsk ainda apresentou uma queixa-crime contra Suleiman Kerimov e outros quatro executivos seniores da Uralkáli, pedindo sua busca pela Interpol. Com isso, a guerra do potássio passou para o nível político. Figuras públicas e empresários russos, incluindo o

chefe da Rosneft e ex-vice-premiê Ígor Sêtchin, assim como o diretor do Sberbank, Guérman Gref, visitaram Minsk em sinal de apoio ao aliado estratégico da Rússia. “Se a Uralkali e a Belaruskáli reatarem a parceria, a russa será forçada a rever novamente sua estratégia e reduzir sua capacidade de exploração”, diz o analista da IFC Metropol, Serguêi Fíltchenkov. O analista da Aforex, Narek Avakian, não acredita no restabelecimento dos laços anteriores. “Será difícil os ex-parceiros voltarem ao mesmo escopo e grau de entrosamento de trabalho que tinham anteriormente.”

Um lugar ao sol no país do chá CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

e a forte demanda de café fez com que os atores se multiplicassem. O mercado de café russo abriu suas portas para produtores estrangeiros e logo se estabeleceram os dois maiores fornecedores de café da Rússia: Nestlé Kuban e Kraft Foods Russia. De acordo com dados da Central de Negócios de Moscou, o café instantâneo sempre foi o preferido dos consumidores russos. Além disso, o consumo no país entre 2000 e 2008 apresentou crescimento de 8%. “Há várias razões para esse aumento, como mudança geral dos hábitos da população, o crescimento da renda, a melhoria da qualidade de vida, o marketing pesado e a política de impostos”, afi rma Américo.

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No início de setembro noticiou-se que Suleiman Kerimov, maior acionista da produtora de fer ti l i za ntes potássicos Uralkali 20ª empresário mais rico da Rússia no ranking da revista “Forbes”, estava vendendo sua participação na companhia, de 21,75%, avaliada em US$ 3,7 bilhões. Como resultado, as ações de diversos produtores de potássio norte-americanos e europeus subiram imediatamente, em meio a rumores de que a venda de Kerimov poderia significar o reinício das relações da Uralkali com a bielorrussa Belaruskali. Até julho passado, a Uralkali fazia parte de uma joint venture com a Belaruskali, a BPC (Belarus Potash Company), que controlava os preços mundiais do potássio – suas produções somadas representavam 50% do total mundial. Mas a saída da Uralkali e a possibilidade de queda dos preços em 25% criaram um enorme problema para a Bielorrússia, que tem 12% do orçamento baseado no comércio de fertilizantes. A derrocada das relações entre os países após o fim do acordo chegou a tal ponto que o diretor-geral da companhia russa, Vladislav Baumgertner, foi preso na capital bielorrussa, Minsk, em 26 de agosto, acusado de abuso de poder enquanto foi presidente da BPC. Quase um

exploração total de sua capacidade e uma queda nos preços para US$ 300 por tonelada – valor quase US$ 100 mais baixo que o praticado no final de julho. Além disso, a queda nas vendas da Belaruskali e a assinatura de um contrato para a Uralkali abastecer a China com 500 toneladas de potássio até o final do ano tornaram a situação ainda mais delicada.

Consumo de café na Rússia cresceu 8% entre 2000 e 2008

Importação russa de café em 2012

Mercado atual O presidente da Associação Rus Tea Coffee, Ramaz Chanturia, acredita que a principal tendência no mercado de café russo é a mudança de preferências e gostos da população. “Pouco a pouco os russos passam a escolher café natural no lugar do café solúvel”, afi rma Chanturia, cuja associação reúne 19 empresas russas de café e chá. Na Rússia atual, os principais concorrentes do mercado de café são duas empresas nacionais: a Nestle Kuban e a K raft Foods Russia. “Isso torna a entrada de

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mês depois, no dia 19 de setembro, o presidente bielorrusso Aleksandr Lukachenko afirmou que Baumgertner seria extraditado em breve, mas exigiu mudanças nos proprietários da Uralkali. “Parece que criaram uma novela para ganhar tempo e lançar essa jogada”, disse o analista da Paradigm Capi-

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Fim de joint venture com empresa bielorrussa levou a prisão de diretor da Uralkali e envolve relações políticas entre Rússia e país vizinho.

produtores estrangeiros para o mercado russo de café mais complicada”, afirma Chanturia. A produção local de café também se intensificou nos últimos anos, causando prejuízos aos grandes produtores estrangeiros, além de queda no custo – e na qualidade – do produto. “Nesse contexto, o melhor para as empresas brasileiras seria contribuir para o

capital social de uma companhia russa e fazer a torragem aqui”, diz o presidente da associação. Além disso, levando em conta o fato de que a demanda por café verde e pelo chamado “specialty coffee” tem aumentado, o Brasil, grande produtor desses produtos, tem grandes perspectivas. gazetarussa.com.br /21863


Em Foco

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Literatura Voluntários de 49 países, entre eles o Brasil, colaboraram na revisão das obras

RECEITA

Projeto vai oferecer 90 volumes de Tostói

Sopa aquece a úmida estação dos cogumelos Jennifer Eremeeva ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Site também terá informações biográficas, fotos e arquivos de áudio e de vídeo inéditos, além de obras do escritor na íntegra.

Obras mais publicadas do conde Lev Tolstói na Rússia são “Guerra e Paz” (abaixo) e “Anna Karênina”, enquanto livros que questionam a religiosidade, como “Minha fé” permanecem desconhecidos pelo grande público

VASSÍLI GUERÓSSIN

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ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

No 185° aniversário de Lev Tolstói, celebrado em 9 de setembro, os seguidores do escritor russo ganharam de presente o portal www.tolstoy.ru. Criado por uma parceria entre o Museu Estatal de Tolstói e a Casa Memorial Iásnaia Poliana, no local onde o escritor nasceu e morou toda a vida, o site oferece informações biográficas sobre o autor, fotos e arquivos de áudio e de vídeo inéditos, além de obras na íntegra. O projeto do acervo digital “Todas as obras de Tolstói a um clique”, que deverá ser composto por 90 volumes até sua conclusão, foi lançado em junho passado em colaboração com a empresa de softwares de linguística e digitalização ABBYY, que tem sede em Moscou. Até o momento, os três primeiros volumes da coleção já foram convertidos para os formatos PDF, fb2 e ePub. A digitalização das obras foi feita por voluntários de 252 cidades russas e 49 países, entre eles Brasil, Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Peru e Tailândia. Esse grupo internacional conseguiu finalizar a revisão de todos os 90 volumes, com um

total de 46 mil páginas, em apenas duas semanas. “Nós nunca imaginamos que teríamos a participação de um número de pessoas tão grande. Já estávamos até pre-

parados para enfrentar o trabalho sozinhos”, comemora Fecla Tolstaia, trineta do escritor, promotora do projeto e diretora do Departamento de Desenvolvimento do Museu

Estatal de Tolstói. A versão em inglês do site ainda está em construção, mas usando um tradutor agregado ao navegador, como o Google Translate, já é possível desfrutar dos filmes em preto e branco do começo do século feitos na propriedade do conde, e ainda explorar outras informações inéditas no site.

Legado da humanidade Por meio de seu testamento, o autor deixou suas obras como legado para toda a humanidade quando morreu, em 1910. Entre 1928 e 1950 saiu na União Soviética a coleção mais completa do escritor, quase metade dela composta por ca r tas e d iá r ios pessoais. Sua obra foi um sucesso em toda a União Soviética, e mesmo após o fim da URSS Tolstói continuou a ser considerado um gênio da literatura russa e mundial. “Olhando bem, porém, podemos perceber que na Rússia publicam-se apenas seus livros mais famosos, como ‘Guerra e Paz’ e ‘Anna Karênina’, enquanto cerca de 80% de suas obras são simplesmente ignoradas”, diz Galina Alekseeva, vice-diretora de assuntos científicos do Museu Iásnaia Poliana. Livros de Tolstói que questionam a religiosidade, como “Minha fé”, que causou sua excomunhão da Igreja Ortodoxa Russa, são desconhecidos pelo grande público.

Mimos De animais de estimação a nomes de ruas, site reunirá informações e fotos em 360 graus

Museu on-line terá presentes oferecidos aos líderes do país Entre oferendas consta até um elefante de carne e osso. Por lei, presidente só pode ficar com mimos de valor inferior a cinco salários mínimos. MARINA OBRAZKOVA

O Departamento de Patrimônio da Presidência da Rússia abriu uma licitação para o desenvolvimento de um acervo eletrônico de presentes oferecidos aos líderes do país, entre os quais constam relógios suíços, crocodilos de cristal e outras oferendas inusitadas como frascos de geleia e um elefante de carne e osso. O desenvolvimento do acervo virtual custará cerca de R$ 540 mil. O site terá duas seções: a primeira será composta por objetos oferecidos a dirigentes russos; a segunda, com mimos presenteados a líderes estrangeiros pela Rússia. Cada presente terá uma

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GAZETA RUSSA

Pútin abraça pastor belga presenteado por premiê búlgaro

Badulaques mais famosos oferecidos a Pútin incluem calendário erótico de universitárias

ficha técnica contendo dimensões, valor e peso, assim como a data e as circunstâncias em que foi recebido. As imagens dos presentes terão uma descrição detalhada e visualização em 360 graus.

Na fase inicial, o acervo só estará acessível aos funcionários do gabinete da Presidência. Porém, no futuro, o site será aberto ao público.

Regras rígidas Pelas leis vigentes, todos os presentes oferecidos ao presidente do país durante o mandado presidencial são de propriedade do Estado. Doações particulares são examinadas pelo Serviço Federal de Segurança Pessoal de Altos Funcionários (FSO, na sigla em russo) e devidamente inventariadas. Os presentes e doações são guardados na Biblioteca do Kremlin e em um depósito especial dentro da sede do governo. Por lei, o presidente só pode ficar com presentes de valor inferior a cinco salários mínimos (um total que soma menos de mil dólares). Se o presidente desejar aceitar um presente mais caro, tem pagar a diferença do valor máximo do próprio bolso. O presente mais famoso recebido por um líder russo foi o cão labrador Koni, oferecido a Pútin pelo então ministro para Situações de Emergência, Serguêi Choigu. Pútin também foi presenteado com uma cabra pelo ex-prefeito de Moscou, Iúri Lujkov, e com um filhote de elefante pelo rei do Butão. Do emir de Abu Dhabi, ganhou um cavalo

CALENDÁRIO CULTURA E NEGÓCIOS O CANTO DO CISNE

O REINO GELADO

ATÉ 6 DE OUTUBRO, SEX. E SÁB. ÀS 21H, DOM. ÀS 19H, TEATRO EVA HERTZ NO CONJUNTO NACIONAL, SÃO PAULO

13 DE OUTUBRO, ÀS 11H, CINESESC, SÃO PAULO

Em forma de monólogo, a comédia dramática de Anton Tchekhov conta a história de um ator embriagado que é esquecido no camarim.

Na animação russa de 2012, a pequena Gerda, uma jovem muito corajosa, encara todas as dificuldades para reaquecer os corações humanos após a Rainha da Neve cobrir o planeta com gelo e mandar destruir todos os artistas.

› www.teatroevahertz.com.br

› www.sescsp.org.br

FESTA DE ANIVERSÁRIO DA VILA ZELINA 27 DE OUTUBRO, DAS 10H ÀS 18H, RUA ARACATI-MIRIM, SÃO PAULO

A festa de rua aberta ao público celebra a fundação do bairro de Vila Zelina e o Dia do Imigrante do Leste Europeu com shows artísticos, grupos folclóricos, comidas e roupas típicas. › www.amoviza.org.br

árabe, e do presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaev, uma gazela-persa. Os presentes baseados em artefatos esportivos ganharam materiais nobres para presentear Pútin, que recebeu do ex-treinador da seleção russa de futebol, Gueórgui Iartsev, uma chuteira de ouro. Já o bilionário norte-americano Robert Kraft lhe presenteou com um anel de prata e diamantes, igual ao distribuído entre os vencedores da NFL, a liga que controla o ca mpeonato de f utebol americano.

Quadros e periguetes Entre as oferendas, há uma infinidade de quadros, atualmente guardados nos museus do Kremlin. Um deles, intitulado “Borboletas” e executado com minúsculas pedras coloridas, foi oferecido pelo ex-presidente chinês Jiang Zemin, e se encontra na Biblioteca do Kremlin. Em seu aniversário de 58 anos, Pútin ganhou das alunas da Faculdade de Jornalismo da Universidade Lomono s s ov d e M o s c ou u m calendário erótico com fotos das estudantes seminuas. Bem mais recatado, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, batizou uma rua da cidade de Belém com o nome de Vladímir Pútin.

MAIS EM: www.gazetarussa.com.br

FOOTBALL MARKET 2013 28 A 30 DE OUTUBRO, EXPOCENTRE NA KRASNOI PRESNE, MOSCOU RÚSSIA

Preparando terreno para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia, esta feira internacional especializada em futebol é patrocinada, em sua 14° edição, pela União Russa de Futebol e reunirá chefes de clubes profissionais, federações e ligas,

além de organizações políticas e associações, fabricantes de material esportivo, companhias dedicadas à construção, manutenção e serviços de estádios, organizadores de torneios esportivos, agências de marketing esportivo, produtores de coberturas esportivas e companhias de seguros, entre outros. › www.footballmarket.ru/en

Os russos, assim como os hobbits de J. R. R. Tolkien, são apaixonados por cogumelos. Nesta época do ano, que por lá é início de outono, eles sentem um despertar visceral de seus instintos caçadores mais primitivos. Munidos com bengalas e cestos de vime, seguem pela floresta a fim de coletar a safra de boletos, champignons e chanterelles dourados. Se você for passear por lá em uma noite de setembro, é muito provável que encontre esses cansados, porém vitoriosos, caçadores voltando para casa com seus cestos e baldes repletos de cogumelos. De onde vem essa paixão tão arraigada? Ela é universal: jovens e idosos, ricos e pobres, homens e mulheres, descola-

dos da cidade e trabalhadores do campo, ao longo dos séculos, desfrutam da caçada aos cogumelos, ou “gribalku”, com uma energia frenética. Essa animação vem da imprevisibilidade da busca: o fato de você nunca saber o que vai encontrar na próxima árvore de abeto. Vem da emoção da caçada como descrita por Vladímir Nabokov ao relatar a loucura de sua mãe por cogumelos em “Fala, Memória”: “Seu maior prazer estava na caça. (…) Enquanto ela me olhava surgindo entre as árvores molhadas, seu rosto mostrava uma expressão estranha e desanimada que podia parecer simples azar, mas eu conhecia aquela tensão, beatitude repleta de inveja do caçador bem-sucedido.”

Ingredientes:

pe a panela e ajuste o fogo para médio ou baixo. Refogue por 25 minutos, mexendo ocasionalmente até que os cogumelos liberem água e voltem a absorvê-la. Reserve.

LORI/LEGION MEDIA

• 6 colheres de sopa de manteiga • 4 xícaras de champignons brancos limpos e cortados em fatias finas • 2 xícaras de cogumelos boleto, champignon ou chanterelle limpos e cortados em cubos de um centímetro • 1 xícara de cogumelos desidratados lavados • 2 xícaras de vinho Marsala ou Madeira • 1 xícara de água quente • 1 cebola picada miudinha • 3 colheres de sopa de alho picado miudinho e amassado com 1 colher de chá de sal marinho • 2 colheres de sopa de extrato de tomate • 8 xícaras de caldo de galinha, cogumelos ou vegetais • 3 talos de aipo descascados e picados miudinho • 1 xícara de cevada crua • 2 batatas russet descascadas e cortadas em cubos • 2 cenouras grandes descascadas e cortadas em cubos • 1 colher de sopa de tomilho fresco • 3 colheres de sopa de shoyu • Sal e pimenta a gosto • Sour cream e tomilho fresco para decorar

3- Em uma panela de ferro grande, derreta a manteiga restante. Refogue com cuidado a cebola e o alho até que fiquem transparentes. Adicione o aipo, a cenoura, a batata e a cevada, e refogue por 5 a 7 minutos, até que os vegetais comecem a amolecer. 4- Adicione o extrato de tomate e o shoyu, mexendo sempre, até cobrir os legumes. Adicione os cogumelos cozidos e misture. 5- Forre uma peneira ou coador pequeno com um pano limpo ou papel toalha e, em seguida, coloque-a sobre uma bacia limpa. Use uma escumadeira para remover os cogumelos secos (agora hidratados) da mistura de vinho e água. Em seguida, coe cuidadosamente o líquido através da peneira forrada, para remover a parte arenosa da mistura. Adicione os cogumelos e o líquido coado na panela. Deixe ferver por 5 a 7 minutos, mexendo com uma colher de pau para que a mistura não grude no fundo.

Modo de preparo: 1- Lave os cogumelos desidratados em água fria, depois coloque-os em uma tigela rasa e cubra-os com vinho e água quente. Deixe repousar por 20 a 30 minutos. 2- Em uma panela de fundo grosso, derreta 3 colheres de sopa de manteiga. Adicione os champignons brancos fatiados. Misture com cuidado para que os cogumelos fiquem untados na manteiga; em seguida, tam-

6- Adicione o caldo, os cogumelos em cubos e o tomilho à mistura na panela. Tampe-a e deixe cozinhar por 25 minutos. O amido da cevada e as batatas devem engrossar a sopa consideravelmente. Adicione caldo para diluir a sopa até alcançar a consistência desejada. Ajuste os temperos a gosto, adicionando mais shoyu ou sal e pimenta. 7- Sirva em tigelas de sopa rasas, decorando com bastante sour cream e tomilho fresco.

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