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afrikancestral


introdução Pôr uma coleção na passarela, além de ser um grande desafio para um jovem estilista, pôde nos proporcionar o aprendizado necessário, para invadir o mercado de trabalho. Cada fase do processo requer pesquisa e referência, desde o conceito, passando pela produção das peças, promoção da imagem até a venda dos produtos. E nosso maior aprendizado foi que, informação e conhecimento são recursos indispensáveis para se diferenciar no mundo contemporâneo e no fashion bussines. Novos desafios são contínuos e o aprendizado é constante, exigindo do CRIADOR uma postura desafiadora ao mundo. E para o DESIGNER, é necessário ter a consciência e o compromisso no desenvolvimento dos nossos produtos, eles precisam possuir uma harmonia entre o conceito e a funcionalidade, além do caráter artístico, diferencial que o torna um ‘’objeto de desejo’’. Ansiamos que este trabalho de conclusão de curso, expresse verdadeiramente o que ele representa para nós; o nosso inicio, nosso primeiro desafio, o ponta-pé inicial nas nossas atividades, como estilistas e habitantes do ‘‘mundo da moda’’ . Desejosos da realização de uma coleção com excelência, pretendemos inicialmente expressar através do conceito dessa coleção, aspectos identitários e que fizessem referência à cultura mais particular de cada integrante da dupla. E a cor da pele se tornou um caráter preponderante, diante do tema que foi escolhido. Compartilhamos as nossas identidades, uma é Preta, o outro é Branco, e influenciamos um ao outro desde o inicio do curso e principalmente durante o desenvolvimento deste projeto.


afrikancestral A fotografia de Pierre Verger, a partir do ano de 1946, passou a refletir uma identidade negra. Essa cultura que encantou Pierre, nos contou uma fascinante história (através do seu olhar) nos inspirando para o desenvolvimento de uma coleção de moda balneário. A obra de Verger, deixa transparecer uma perfeita interação entre o branco e o negro. Entre ele e o povo preto que o abraçou. Um balé entre etnias, cada uma com sua imagem, ginga e movimento, mas separadas pela cor da pele. Afrikancestral é uma verdadeira experiência na Moda Resort, que promove o encontro da Alfaiataria e do Étnico, e promete levar para a passarela uma África Baiana, Pop e Monocromática.


conex達o


conceitual


«... o branco e o negro representam os dois pólos de um mundo, pólos em luta contínua, uma verdadeira concepção maniqueísta do mundo; a sorte está lançada, não nos esqueçamos: branco ou negro, eis a questão! Sou branco, quer dizer que tenho pra mim a beleza e a virtude, que nunca foram negras. Eu sou da cor do dia... Sou negro, realizo uma fusão total com o mundo, uma compreensão simpática com a terra, uma perda do meu eu no centro do cosmos: o branco, por mais inteligente que seja, não poderá compreender Armstrong e os cânticos do Congo, se sou negro não é por causa de uma maldição, mas porque, tendo estendido minha pele, pude captar todos os eflúvios cósmicos. Eu sou verdadeiramente uma gota de sol sob a terra... E avançamos num corpo a corpo com a própria brancura e com a própria negrura, em pleno drama narcisista, cada um enclausurado na sua particularidade, embora, de tempos em tempos, com alguns vislumbres, ameaçados contudo pelas origens». FANON, Frantz. Pele Negra, Máscaras Brancas.1. Salvador.Edufba.2008.p.56.


ancestralidade


Pierre Fatumbi Verger


Pierre Verger foi um fotógrafo francês, nascido em 1902, em uma família de situação financeira privilegiada, que a partir de 1932, com a morte de sua mãe, partiu em uma viagem a dois. Ele e sua Rolleiflex, visitaram diversos lugares ao redor do mundo, registrando as mais variadas culturas, pessoas e hábitos.

"A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes". Pierre Verger


Em 1946, enquanto a Europa vivia o pósguerra, em Salvador, tudo era tranqüilidade e foi aqui que Pierre aportou, sendo logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Era estratégia de Verger se inserir na cultura, obter os mesmos hábitos e freqüentar os mesmos lugares que aquele determinado povo. E em Salvador ele encontrou a maior lacuna para se inserir em uma sociedade que já quis fotografar desde então. A população o abraçou e lhe tornou cidadão honorário, lhe permitindo vastos registros artísticos de suas mais habituais rotinas, o povo baiano se tornou seu principal objeto de estudo, e então sua razão de viver.


identidade


Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo, os lugares mais simples. Os negros monopolizavam a cidade e também a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhe. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.


bahia | รกfrica | bahia 1946 | 1996


bahia

africa

Após sua arrebatadora paixão pela cidade de Salvador, seu povo e sua história. Verger decide investigar a fundo aquelas raízes. A Cultura ancestral da Bahia se tornou uma incógnita e a partir de então, razão de sua vida. Ele decide ir para África, registrar e pesquisar, tentando identificar as ligações entre aquelas nações.

As fotografias de Pierre que compreendem essa lacuna de tempo, de 1946 à 1996, mais precisamente, os registros do povo e do cotidiano, nos serviram de plataforma para pesquisa, determinando o conceito da coleção. As ligações África e Bahia nos chamaram a atenção, bem como a relação entre o homem branco (o olhar de Verger) e o homem negro (a cultura baiana observado).


fatumbi


Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, "nascido de novo graças ao Ifá", em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes, autoridades e acabou sendo iniciado como babalaô - um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Ifá - Oráculo dos Búzios


negra luz


Jamais o Negro poderia ser branco, mesmo que lutasse para ter os mesmos direitos e nunca um branco poderia tornar-se negro, tamanho seria o seu ultraje. Em 1946, a cor da pele ainda era uma questão de divergência e resistência para a sociedade global. Verger então contraria tudo e torna-se Fatumbi, um membro de excelência na cultura negra, um sacerdote iorubá, e a sua cor não foi determinante neste processo. Como fora possível, o trânsito entre as culturas dessas raças (’’cores’’), sendo gigantesco o abismo que existe entre elas? A resposta é simples. Não existem várias raças, apenas uma, a Raça Humana. Ela se multiplica em diferentes etnias, e para Verger, aspectos étnicos não lhe impediam de viver e adotar a África como sua nova cultura ancestral, que lhe deu um novo nome e uma posição de status e excelência, mesmo possuindo ele, a mesma cor que aqueles que oprimiram aquele povo por séculos. Essa relação estabelecida entre Verger ‘’o branco’’ e a África ‘’a preta’’ nos fascinou, tornando-se nossa principal inspiração e fonte de pesquisa. Comungar com a cultura negra, permitiu a Pierre Verger, uma nova identidade sendo inserido em seus mais particulares círculos, ciclos e rituais. Toda essa transição foi registrada, e essas fotografias nos forneceram o repertório necessário para a criação da coleção.


africanidade


Inspiração

construção


pesquisa


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composição


cartela de cor PANTONE BLACK C

Acreditamos que um diálogo contínuo entre o PRETO e o BRANCO, deveria permear toda a coleção formando um discurso cheio de propriedade e argumento na passarela. A união, intersecção, complementação ou um simples toque do preto no branco ou do branco no preto, um balé entre as cores, entre os corpos, entre as peles, entre almas. .

PANTONE WHITE


tecidos e estampas

malha

malha

tafetรก com elastano

malha

malha

tafetรก com elastano


organza cristal


A MARCA


AFRIKANCESTRAL PARTE 1