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O Espaço Profundo em que a Humanidade Caiu e o Tempo Desesperadamente Longo que Demoramos em Compreender 1. Espaço Profundo 2. Tempo Profundo 3. Quem Vive no ET Profundo 4. Muito Raso e Muito Fundo 5. Queda 6. De Início a Queda é uma Alegria 7. A Compreensão é um Choque 8. Barulho Bom 9. Rompimento com os Excessos 10. Depois do Fim

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Vitória, quarta-feira, 20 de maio de 2009. José Augusto Gava.

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Capítulo 1 Espaço Profundo A MIGRAÇÃO NO CONHECIMENTO ENQUANTO DOMÍNIO 1. Magia-Arte; 2. Teologia-Religião; começo do embate 3. Filosofia-Ideologia; 4. Ciência-Técnica; fim do confronto 5. Matemática. Em algum momento começou o choque entre a TR e a FI, do que a CT se aproveitou para firmar sua posição, algo de muito bem vindo naquelas condições de opressão, pois a humanidade vivia num torniquete muito apertado. O ESPAÇOTEMPO DE ANTES E DE AGORA ANTES AGORA o tempo ia até 4004 a.C. o tempo é de 13 bilhões de anos

o espaço tem raio de 13 o espaço era o do Velho bilhões de anos-luz desde o Mundo, depois o da Terra centro do Big Bang Em termos de tempo multiplicou (13.000.000.000/6.000 =) por mais de dois milhões; em termos de espaço o fator foi ainda maior, tanto em linha reta quanto muito mais em termos de volume. Isso supostamente nos tornou bem pequenos, ínfimos a ponto de surgir aquilo que denominei “racionalismo amebiano”; racionalismo é superafirmação da razão e como a Terra é um cisco os seres humanos são tão pequenos quanto as amebas, ou menores ainda, de modo que somos amebas pensantes, pelo menos os que raciocinam daquele jeito, entre os quais pessoas famosas, como já citei. Não é nada disso. Podemos ser pequenos perante o universo FÍSICO, inerte, ou até mesmo perante o universo QUÍMICO, mas não enquanto fenômeno biológico ou p.2 e muito menos enquanto raríssimo acontecimento psicológico-p.3. A EVOLUÇÃO ATÉ A HUMANIDADE 1. universo físico; 2. universo químico; 3. universo biológico; 4. universo p.2; 5. universo psicológico; 6. universo p.3; INTERFACE ATUAL 7. universo informacional;

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8. universo p.4; 9. universo cosmológico; 10. universo p.5; 11. universo dialógico; 12. universo p.6 NA FAIXA PSICOLÓGICA-P.3 HÁ DESDOBRAMENTOS (e cada um deles é uma ordem de potência ou de raridade-de-eventos, de “conjuminações”, como se dizia na minha terra) indivíduos PESSOAS famílias grupos empresas cidades-municípios AMBIENTES estados nações mundo (em processo de globalização) Contando que os próprios níveis físico-químico e biológico-p.2 são postos em 8 níveis, e que o extremo superior deste aparece fundido com o extremo inferior do psicológico-p.3, são no total 15 níveis de conjunções dos acasos ou fenomenologias ou (talvez, é preciso apreciar justamente) 1/1015 chances de dar certo, quer dizer, algo como 1/1.000.000.000.000.000 ou ainda menos. Então, em termos psicológicos-p.3 não somos insignificantes, pelo contrário, a Terra é riquíssima em eventos raros. É evidente que todo o plano físico-químico, dos primeiros quatro níveis, estão presentes em toda parte, de forma que deveríamos contar mesmo com (4 + 7 =) 11 níveis, enquanto distância a partir da base comum a todo o universo, pois o ET físico-químico já se apresentou pronto em toda parte. O SOL NA GALÁXIA (aparentemente é pouco, mas é o Sol da Terra)

A TERRA NO SOL (é a casa biológica-p.2 e psicológica-p.3)

da

organização

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Capítulo 2 Tempo Profundo Quão profundo é o tempo? Para o alto, proalto desde o segundo os 13 bilhões de anos são 1,23.1017 s; para o fundo, profundo, vai até o tempo de Planck, da ordem de 10-44 s. No total são (17 + 44 =) 61 ordens de grandeza, 1061. É disso que estamos falando, mas 44 (72 % da existência, neste caso a inferior) desses patamares não tocam a percepção do ser humano. E quantas para cima tocam? Bem poucas. A gente pensa poder compreender o universo, os superaglomerados, os aglomerados, as galáxias, as constelações e até o sistema solar, mas não compreende. Andei fazendo as contas sobre volumes, áreas e comprimentos do SS e me espantei. Na realidade nós compreendemos as dimensões da Terra e olhe lá, porque a maltratamos, o único ninho em que podemos viver! O TEMPO PROFUNDO REPENSANDO O TEMPO DA NATUREZA EM TRANSFORMAÇÃO Maíra Suertegaray Rossato1 Dirce Suertegaray2 Resumo: Este estudo discute algumas das abordagens analíticas atuais sobre formas e processos geomorfológicos. O trabalho concentra-se no conceito de tempo, particularmente sobre a escala geológica, discutindo-se sua periodização, e como a Geomorfologia é abordada nesta concepção. É, então, proposto a introdução de um novo período referente ao tempo histórico (i.e., o período desde o aparecimento do homem), o Quinário. O termo é aplicável aos depósitos sedimentares com material transformado pelo homem, ou seja, os depósitos tecnogênicos. Por fim, discute-se as novas concepções analíticas em Geomorfologia, direcionada para estudos da morfodinâmica, indicando a relação desta área do saber com as transformações do mundo e as novas exigências sobre o conhecimento da natureza. Palavras Chave: Geomorfologia, tempo geomorfológico, Quinário, depósitos tecnogênicos Abstract: This study discusses some of the present analytical approaches to geomorphological forms and processes. The works gives attention mainly to the concept of time, particularly at the geologic scale, discussing its subdivision, and how the Geomorphology is view under that concept. It is then proposed a new period to refer to the historic time (i.e.; from the mankind dawn onwards), the “Quinary”. This term is used mainly to refer to sedimentary deposits with man-transformed material, in other words, tecnogenic deposits. Finally, the new analytical concepts in Geomorphology are discussed focussing on morphodynamics studies, pointing out the relationship of this area of knowledge with world’s transformation and the new requirements for the understanding of nature. Key Words: Geomorphology, geomorphological time, Quinary, tecnogenic deposits

As primeiras concepções de tempo geológico ou tempo profundo surgiram no final do século XIII com JAMES HUTTON (1788) que rompe com a religião, dizendo que, ao contrário do que se pensava, os fatos geológicos estariam ligados a eventos catastróficos. A evolução da Terra se dá através de ciclos sucessivos de erosão e transporte, deposição e consolidação, e soerguimento, que se repetiam eterna e lentamente, sem ter fim. Com estas palavras HUTTON introduzia a noção de evolução 1 Mestranda

do Programa de Pós Graduação em Geociências/IG - UFRGS

lenta dos fenômenos e a teoria do tempo cíclico – geológico, negando a concepção de tempo linear (histórico). Este permite a identificação de uma direção e uma seqüência 4

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de acontecimentos distintos que podem ser individualizados, identificando seu início e seu fim, caracterizando a existência de um passado e um futuro (BERTÊ et al, 2000). A noção de tempo profundo foi sistematizada por CHARLES LYELL (1830) que afirmava que os processos passados não são visíveis, somente seus efeitos permanecem como provas de sua antigüidade e, para conhecê-los, é preciso comparar seus resultados com fenômenos modernos. Surge com LYELL a idéia da existência de sucessivas alterações climáticas, em que se aceita a singularidade de cada evento e utiliza-se este princípio para extrair do ciclo de tempo uma marca histórica (BERTÊ et al, 2000). A consolidação da idéia de tempo profundo permitiu definição dos limites do tempo geológico e do tempo geomorfológico. O primeiro abrange a origem da Terra, segundo sua gênese e constituição, e o segundo, as formas existentes na superfície, resultantes de processos endógenos e exógenos. Desta forma, fica claro que o tempo geomorfológico se insere em apenas uma parcela do tempo geológico: o Quaternário. Enquanto para os geólogos, a compreensão da evolução da história da Terra se dá num período de tempo mais extenso, os geomorfólogos se restringem ao Quaternário e aos eventos que marcaram a evolução do relevo terrestre: as glaciações. Tradicionalmente, o estudo do Quaternário não leva em consideração a atuação antrópica, não obstante, o estudo da superfície registra a sua influência. Com o intuito de compreender a magnitude da interferência humana no planeta, surge dentro da Geologia e da Geomorfologia, concepções mais atuais que consideram o homem como agente de transformação geológico-geomorfológica. Com a evolução humana e a constante transformação do ambiente, o pensar científico tomou outros rumos, apresenta diferentes perspectivas. Os homens passam a ser encarados como agentes atuantes na natureza, agentes que apropriam-se do meio natural e nele exercem transformações. A força antropogênica toma tais proporções que extrapola as dimensões planetárias, atingindo, até mesmo, as extra-planetárias. Desta forma, a atuação humana configura-se como elemento diferencial introduzido na compreensão do tempo geológico. A representação da sistematização da evolução do 2 Professora

Doutora Departamento de Geografia/IG - UFRGS

planeta, constituída pela escala geológica, ganha um novo período: o Quinário ou Tecnógeno. Este novo conceito introduzido em 1922 por PAVLOV objetiva romper com Quaternário clássico, no sentido de valorizar “o advento da atividade humana como processo de transformação do planeta em sua totalidade”(SUERTEGARAY, 1997). Esta ruptura se faz, porque, conforme ROHDE (1996), “o Quaternário seria o período do aparecimento do homem e o Quinário, o homem sobrepondo-se ativamente em relação à natureza.” Esta sobreposição se explica pelo fato de que “atividade humana passa a ser qualitativamente diferenciada da atividade biológica na modelagem da Biosfera, desencadeando processos (tecnogênicos) cujas intensidades superam em muito os processos naturais”(OLIVEIRA apud PELOGGIA, 1998). Este período teve origem há 10.000 anos, no início do Holoceno e testemunhou relevantes situações indicadoras do advento da atividade técnica do homem como força relevante na intervenção, apropriação e reconstrução da natureza: a Revolução Neolítica, Revolução Agrícola e Revolução Industrial. A partir de então, o homem passou a contribuir diretamente na evolução geológica do planeta através da transformação deste. Entre estas transformações tem-se, no âmbito da Geomorfologia, as feições denominadas de depósitos tecnogênicos.

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Estes constituem, segundo OLIVEIRA apud PELOGGIA (1998), depósitos resultantes da atividade humana, abrangendo depósitos construídos (aterros, corpos de rejeitos, etc.), depósitos induzidos, como os sedimentos que depositam-se em razão da erosão decorrente do uso do solo e depósitos modificados (depósitos naturais alterados tecnogenicamente por efluentes, adubos, etc.). Outra classificação desenvolvida diz respeito à caracterização do material constituinte do depósito. Foi criada por FLANNING & FLANNING (1989) e abrange os materiais úrbicos, gárbicos, espólicos e dragados. De acordo com FLANNING & FLANNING apud PELOGGIA (1998), os materiais úrbicos constituem “...detritos urbanos, materiais terrosos que contém artefatos manufaturados pelo homem moderno, freqüentemente em fragmentos, como tijolos, vidro, plástico, metais diversos, etc”. Os materiais gárbicos abrangem todo “...material detrítico com lixo orgânico de origem humana e que, apesar de conter artefatos em quantidades muito menores que a dos materiais úrbicos, são suficientemente ricos em matéria orgânica para gerar metano em condições anaeróbicas”. Materiais espólicos são “materiais terrosos escavados e redepositados por operações de terraplanagem e depósitos de assoreamento induzidos pela erosão acelerada. São materiais que contém muito pouca quantidade de artefatos”. Materiais dragados são compostos por “...materiais terrosos provenientes da dragagem de cursos d’água e comumente depositados em diques em cotas topográficas superiores às da planície aluvial.” CHEMECOV e TER-STEPANIAN apud PELOGGIA (1998), dizem que os “depósitos tecnogênicos são marcados por sua grande variedade, feições diferenciadas, diversidade de composição e grande variação de espessura. Caracterizam uma ‘classe genética independente’, embora possam ser traçadas analogias com depósitos naturais.” Estas feições são representativas da intervenção antropogênica e se originam do conjunto de processos por meio dos quais os homens atuam na produção econômica. São a representação do antropostoma que, conforme PASSERINI (1984), caracterizase como um “tapete, devido à associação de artefatos humanos e construções desenvolvidas como uma camada sobre a superfície terrestre.” Sua tendência é a evolução para o antropostoma total, considerando que, para os homens industriaisurbanos, a maioria das informações e experiências são supridas pelo próprio antropostoma, não se fazendo necessária a busca de contatos com o que está no seu exterior (ROHDE, 1996). Esta expansão só será contida quando a degradação dos meios naturais e escassez de recursos atingir dimensões preocupantes, em função do crescimento descontrolado das áreas urbanas. Esta nova etapa de controle e contenção dos depósitos oriundos da ação humana constituir-se-á num ponto relevante para a evolução da humanidade. As profundas modificações impressas pelo homem na natureza, que representam provas concretas da sua ascensão no decorrer da história evolutiva da Terra, são fundamentais para o novo modo de pensar e ver a ciência na sua fase contemporânea. Estes novos conceitos introduzidos, evidenciam a importância da atuação antrópica na construção do espaço geográfico, conferindo aos estudos dos fenômenos naturais um componente diferencial que agrega natureza e sociedade. No entanto, esta compreensão da abrangência das transformações ainda se apresenta de forma conflituosa, especialmente para os geólogos que interpretam o

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tempo profundo. Estes, em grande parte, não se permitem aceitar que se possa individualizar, na evolução da superfície terrestre, um período tão curto como o Quinário. No momento em que se reconhece a interferência antrópica sobre a superfície do planeta, admitindo a atuação do homem na produção e intensificação de processos naturais exógenos e até endógenos, introduz-se a questão da aceleração do tempo geomorfológico. A aceleração do tempo geomorfológico pela atividade humana constitui “as mudanças provocadas pela ação do homem na superfície terrestre e são comparáveis, em magnitude, às mudanças de origem natural” (SERGEEV apud OLIVEIRA, 1994) “desde que ele iniciou sua evolução cultural há 10.000 anos” (BRONOWSKI apud OLIVEIRA, 1994). Isto reflete a relevância antropogênica na construção, em muito pouco tempo, considerando idades geológicas, de depósitos sedimentares. Evidencia a aceleração de processos que “naturalmente” levam milhões de anos para se consolidarem. O Quinário como período geológico constitui a expressão do tempo que faz. Este tempo é representado pelas mudanças espaciais a partir de escalas temporais de reduzida dimensão. Essa aceleração do tempo diz respeito ao desenvolvimento da sociedade e do homem através do seu fazer técnico. “O tempo que faz não é mais o tempo das regularidades, da uniformidade dos processos. O tempo que faz é o tempo das irregularidades, dos episódios catastróficos, dos eventos esporádicos, dos ritmos e das variabilidades. É também um tempo que introduz no fazer da natureza a dimensão antropogênica, não levada em conta quando nos detemos a refletir na ótica do tempo que escoa.” (SUERTEGARAY, 2000). Os estudos a partir do tempo episódico, no âmbito da Geomorfologia, preocupam-se com a avaliação de áreas que apresentam vantagens competitivas, ou de outro lado, procuram identificar áreas inadequadas para a ocupação humana. Exatamente por esta razão que hoje se visualiza, enquanto prática, uma transformação significativa no campo da Geomorfologia e da Geografia Física, predominando trabalhos na perspectiva ambiental. Esta ênfase reflete a crescente densificação técnica da natureza, característica deste momento histórico, em virtude da necessidade, sempre presente, de reconhecer as formas e os processos naturais como constituintes fundamentais da base produtiva. Esta densificação técnica diz respeito, entre outras formas de pensá-la, por exemplo, aos prognósticos ambientais e suas medidas mitigadoras. Estas expressam o grau de apropriação e controle presentes, seja na exploração dos recursos naturais, seja na sua preservação. Esta realidade direciona o fazer científico. Este contexto direciona a Geografia. Novos conceitos são construídos e novas questões se impõem à discussão. Referência original ROSSATO, Maíra Suertegaray ; SUERTEGARAY, D. M. A. . Repensando o Tempo da Natureza em Transformação. Ágora (UNISC), Santa Cruz, v. 6, n. 2, p. 93-98, 2000. Referências Bibliográficas BERTÊ, A., TROLEIS, A. e SUERTEGARAY, D. M. A. (2000). O Tempo da Ação Humana e suas Transformações. In: Anais do III Simpósio de Geomorfologia. Vol. 1. Campinas: UNICAMP. OLIVEIRA, A. M. S. 1994. Depósitos Tecnogênicos e Assoreamento de Reservatórios, exemplo do Reservatório de Capivari, SP/PR. São Paulo: USP, Departamento de Geografia. 211p. (Tese de Doutoramento).

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PELOGGIA, A. (1998). O Homem e o Ambiente Geológico. São Paulo: Xamã. 271p. ROHDE, G. M. 1996. Epistemologia Ambiental: uma abordagem filosóficocientífica sobre a efetuação humana alopoiética. Porto Alegre: EDIPUCRS. 234p. SUERTEGARAY, D. M. A. 1997. Geomorfologia: novos conceitos e abordagens. In: Anais do VII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada e I Fórum Americano de Geografia Física Aplicada. Curitiba: Editora da Universidade Federal do Paraná. Pp. 24-29. . 1997. A Geografia no Contexto das Ciências. In: AGB. Boletim Gaúcho de Geografia. 22: 7-16. _________________________. 2000. Geomorfologia: da interpretação do relevo no tempo que escoa ao tempo que faz. In: Anais do III Simpósio de Geomorfologia. Campinas: UNICAMP. Nós compreendemos, se tanto, o metro, seus múltiplos imediatos e seus submúltiplos; o resto se torna apenas numérico. Que significa 1.000.000 de km? Embora isso não chegue a nenhum planeta (apenas passa da Lua), significa que andando a 6 km/h levaríamos 166,7 mil horas andando, coisa de sete mil dias, mais de 19 anos sem parar um segundo noite e dia. DUAS EXPULSÕES 1) PRISÃO INTERIOR (muito para dentro): até o advento da tecnociência vivíamos inapelavelmente dentro de nós, trancados pela religião tacanha; o ser humano era excessivo, centro de todo o universo: pequeno demais (supercomprimido)

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2) PRISÃO EXTERIOR (muito para fora): depois do domínio TC vivemos intransigentemente fora de nós, expostos à multiplicidade do universo: agora o ser humano é infinitesimal e nada significa perto das grandes dimensões: grande demais (superdilatado)

9 Duas extremizações, dois erros. Agora é preciso consertandar, consertar sem parar, consertar-e-andar. BUSCANDO O CENTRO NA CURVA DO SINO E O EIXO NO YIN/YANG (onde não há mutações daninhas) exaltação do centro

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no eixo de sustentação não há danos (isso nos diz que no olho do furacão não há crise)

O ser humano não vive nas grandes nem nas pequenas distâncias, vive em si enquanto PESSOA (indivíduo, família, grupo, empresa) e em volta de si enquanto AMBIENTE (cidade-município, estado, nação, mundo): não vai mais longe que isso nem no espaço nem no tempo. É como a pessoa que acredita na “velocidade do pensamento”, dizendo que pode pensar na rua e depois em Saturno, como se tivesse ido lá: não foi, ficou em sua ilusão.

Capítulo 3 Quem Vive no ET Profundo Quem vive propriamente no espaçotempo profundo? Você e eu, e todos, mas precisamos discernir do que estamos falando, pois existem os pares polares. O modelo diz “sim” e “não” AO MESMO TEMPO: sim, porque estamos de fato no ETP e não, porque de fato só ocupamos esta porçãozinha dele, a Terra. O ETP está LÁ LONGE LÁ FORA ou LÁ LONGE LÁ DENTRO e durante 99,999999 % do tempespaço não faz parte de nossas existências e não temos de nos preocupar com ele quase nada. CONTANDO ONDE VOCÊ ESTÁ NO TEMPO 1) UM ANO (12 meses) 2) UM MÊS (30 dias)

3) UM DIA (24 horas)

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4) UMA HORA (60 minutos)

5) UM MINUTO (60 segundos)

CONTANDO ONDE VOCÊ ESTÁ NO ESPAÇO 1) UM METRO 2) UM METRO QUADRADO

3) UM METRO CÚBICO

Você não está nas galáxias, nem em 10 mil anos: tudo isso é ilusão. Essa ideologia de agora encomprida-nos para nos diminuir à dimensão das amebas, enquanto a anterior diminuía-nos para dilatar-nos à dimensão de Deus e agora podemos dizer que ambos os movimentos foram ineficazes. ILUSÓRIAS DILATAÇÕES DO SER HUMANO DILATAÇÕES FIM DAS ILUSÕES espacial você não é um gigante, tem em torno de 175 cm temporal você não é um elfo nem em fantasia, não vive milhares de anos, morre no máximo em 120 anos, talvez metade disso monetária a maior parte dos seres humanos na Terra (98 %) será não-rica, porque os ricos, 2 % de todos, detém 50 % da riqueza total superforça e não existe nenhum super-herói, é propagação superpoderes da consciência; você não é indestrutível, não pode voar, não pode ver através das paredes, nem nada daquilo presença da você é um indivíduo (não é a coletividade que humanidade se espalhou por todo o planeta) super-saúde não passa de enrolo (uma pessoa de 30 anos pode estar andando na rua e capotar, morrer instantaneamente) expectativa É um engodo: a promessa hoje é de 80 anos de vida PARA QUEM NASÇA AGORA, mas para quem, como eu, nasceu em 1954, quando a esperança de vida era de 45 anos (em tese eu estaria sustentado até 1999 e não até 2034) – o 11

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governo, hoje, para atacar a aposentadoria diz que ela está comprometida pelas altas expectativas de vida, o que não é verdade. Aliás, nem está garantido que quem nasça hoje viva até 2090, pois como aconteceu na URSSRússia o fim do sistema significou a queda da expectativa, já que todos estamos sujeitos a crises sócio-econômicas. Tudo isso não passa de falsas promessas.

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Isto não passa de propaganda. hortifrutigranjeiros “orgânicos” (aliás, tudo é orgânico, seja envenenado ou natural), “manual”, “especialmente preparado para você”, plusvita (maisvida), “sem agrotóxicos” e toda essa patacoada da “vida saudável” que aumenta imediatamente o preço em 30 ou 50 % não passa mesmo de lorota vagabunda, superganância do campo capitalista (numerosíssimas promessas vazias, propaganda enganosa do capitalismo) orgânico

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Capítulo 4 Muito Raso e Muito Fundo O PONTO É ESTE

você empurrando sua esfera negra, sua alma indevassável (a menos que você fale) AS NOSSAS ILUSÕES COMUNITÁRIAS (o modelo mostrou que tudo é AO MESMO TEMPO verdadeiro e ilusório) CONJUNTO LIMITE ILUSÓRIO família grupo de indivíduos que, agora freqüentemente, se dissolve grupo empresa de famílias empresa cidade grupal cidade-município estado empresarial estado nação urbano-rural nação mundo nacional mundo inserção estelar Na família a cola é mínima, algo que só não é notícia (felizmente) para os muito jovens, que não vêem as brigas e dissensões. Não pense que as ilusões não são boas, pois são, elas nos ajudam a levar a vida até o fim. Contudo, é preciso vê-las, deparar com elas, desiludir-se para crescer.

Capítulo 5 Queda De dois modos a humanidade caiu: 1. ao apequenar-se (como antes); 2. ao agigantar-se (como agora). PROCURANDO O CENTRO NEM TANTO À VIVENDO NA AREIA NEM TANTO À ESQUERDA, NEM ONDE ÁGUA E TERRA DIREITA, NEM TANTO TANTO À TERRA SE ENCONTRAM AO MAR

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O jeito é voltar à dimensão-útil, aquela com que nascemos, aquela com que Deus-Natureza nos fez. Não há necessidade de ser maior ou menor, não há necessidade de angústia para ocupar nosso tempo. Nosso tempo é simultaneamente longo e curto: é de, digamos, 70 anos, que em anos são só 70, mas em dias são mais de 25 mil. Contando em notas grandes são apenas 70, mas contando em notas pequenas são mais de 25 mil. Depende de como você vê: pode ser uma dádiva ou uma maldição. A QUEDA DA HUMANIDADE

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Apesar dos avisos...

... continuamos rumo ao precipício.

metade do tempo caímos à o centro inexplorado metade do tempo caímos à esquerda no apequenamento direita no agigantamento a queda tende a continuar em espiral, movendo-se dialeticamente para a esquerda ou a direita, a menos que decidamos ficar no centro 14


Capítulo 6 De Início a Queda é uma Alegria Logo no começo a queda na esquerda ou na direita festa, porque há a liberdade de se ter muito de um Deve ter sido assim (ninguém nunca investigou o que acontecido psicologicamente com ele e ela) com Adão depois da queda, depois da perda do Paraíso. Suponhamos que você more apertadamente na cidade (o nome da casa agora é apartamento/apertamento) e vá para os grandes espaços rurais: de início tudo é diferente das ruas limitadíssimas da cidade, mas depois vem a solidão, se você não tiver nada a fazer. Não que o campo seja bom para pessoas jovens, é bom para pessoas ocupadas por si mesmas, que não ficam buscando ocupação no ambiente. Logo no começo quem cai de um edifício sente o vento do rosto e pode ser uma felicidade (e só não é porque a mente da pessoa sobrepõe-se ao corpo, aos sentidos e aos prazeres deles); para os lados do fim vem o pânico, como numa guerra, quando ela está terminando e traz a derrota. A QUEDA DE EDIFÍCIOS é uma lado. teria e Eva

Para os lados do fim não é bonito, para os lados do fim da festa sobram todos os restos de alegria a limpar, como no fim já iniciado da festa do capitalismo: quando o gordo alegre morre há um caixão pesado a carregar (não fica para o gordo alegre).

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Capítulo 7 A Compreensão é um Choque PARA QUEM VIVE VOANDO O MELHOR É CRIAR ASAS

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Enfim, estivemos em queda e agora é a hora de acordar para notar que estamos perto do chão: a infância humana acabou de vários modos e atualmente é preciso cuidar do próprio sustento. Como crianças indefesas, estiveram nos levando para lá e para o contrário de lá, mas agora precisamos seguir nosso próprio caminho. O tempo em que fomos apequenados (pela teologiareligião) foi de desde os primórdios (digamos, 12 mil anos desde a Glaciação) até 500 anos atrás; o tempo em que estivemos agigantados pela técnica-ciência foi de 500 anos; a relação foi de 12.000/500 = 24/1. Entrementes, a pressão da ciência foi muito maior (e mais eficaz), de forma que as pessoas passaram a sonhar com viagens a galáxias distantes, em vez de viver a galáxia próxima, a Terra.

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PARA QUEM MAL SAIU DA TERRA (a pretensão conquistar as galáxias é extraordinária)

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Em termos de diversidade na própria Terra somos uma em 30 milhões de espécies. Em termos de diversidade estelar o Sol é um de 400 bilhões de estrelas nesta Galáxia (Via Láctea), que é uma de 1 a 100 bilhões no universo. Em termos de área - em que você ocupa somente o seu metro quadrado - é um em 500.000.000.000.000 m2 (500 milhões de km2 da superfície da Terra, cada um dos quais com 1.000.000 m2). Em termos de volume os seus dois metros cúbicos são dois em (raio de 6.670.000 m) em 1,0.1019 m3. Tudo isso não é para te diminuir como antes, nem para te aumentar sem razão de ser, como agora, é para dar o justo tamanho e sugerir que você não deve pensar no grande demais nem no pequeno demais, nem participar dos debates dos “cachorros grandes”, porque eles podem estar errados. EM RESUMO

IDADE

DOIS ERROS

Antiga (de 12 mil até 476) DUAS PARA A COMPRESSÃO EXAGERADA Média (de 476 a 1453) Moderna (de 1453 a 1789) DUAS PARA A DILATAÇÃO EXAGERADA Contemporânea (de 1789 a 1991) RESUMINDO MAIS AINDA DIMENSÃO TEMPORAL DOS TIPO DE ERRO ANOS RELAÇÃO ERROS (~) de 12 mil até 1453 INVERSÃO INTERNA 10.500 21/1 de 1453 a 1991 INVERSÃO EXTERNA 500 Embora antes a pressão fosse muito maior e mais restritiva, agora há muito mais gente engolfada. Primeiro foi a flecha para dentro, que tornou a humanidade presa dos auto-impostos representantes de Deus, e agora é a flecha para fora, que tornou a humanidade presa dos autodesignados representantes da Natureza. A humanidade pode ser de Deus (criação, mas não o exagero do criacionismo), pode ser da Natureza (evolução, mas não a superafirmação do materialismo) e pode ser de ambos, de Deus-Natureza, ser do centro, estar-em-si, seremsi-serparasi, deixar de ser prisioneiro de tendências.

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Capítulo 8 Barulho Bom Existe barulho e existe barulho bom, como notou a Marisa Monte. Existe o som não-domesticado e o somdomesticado, a música. Podemos domesticar o som, já aprendemos a fazer isso durante os 12 mil anos de nossa aventura. BARULHINHO LEGAL (chama-se música)

A humanidade passou 21 em 22 tempos contida em demasia e um em 22 tempos alargada em excesso. Primeiro ficou olhando alucinadamente para dentro à procura de Deus e depois ficou obsessivamente olhando para fora à procura da Natureza, enquanto Deus-Natureza está em toda parte, como demonstrei sucessivamente no modelo, nos livros e nas cartilhas. Durante um tempo olhou demais para o interior e não para si; durante outro tempo olhou demais para o exterior, para os planetas desde Galileu e para as galáxias desde o Telescópio Hubble, esquecendo-se igualmente de si. CAIXÃO (nós cabemos nisso, quando morremos; e muitos de nós estão morrendo em vida devido aos ensinamentos errados) – mesmo os maiores dos seres humanos inflados de orgulho cabem numa caixa assim, num cofre, e de nada lhes vale tanta empáfia: o confinamento da fatuidade.

À parte a detestada e grotesca superafirmação (tanto para dentro quanto para fora), o barulho criado teve muito de bom, vindo das pessoas boas e suas boas obras. Primeiro nós caímos numa depressão e depois, correlatamente, dialeticamente, numa euforia expansiva tremenda e mal posta. Primeiro vivemos o falso inferno da 19

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superescuridão e agora o falso céu da superiluminação (iniciada com o iluminismo). Já é tempo de nos livrarmos dessa amarração pelos excessos.

Capítulo 9 Rompimento com os Excessos OS EXCESSOS CORRESPONDEM A TORNAR TODO O CORPO APENAS BRAÇO DIREITO OU BRAÇO ESQUERDO (o correto é os braços servirem ao corpo e não o contrário)

20 Você pode viver sem braços, mas é difícil pensar num braço vivendo sozinho; é melhor não dar muita liberdade nem à esquerda nem à direita. Não podemos funcionar bem sem os dois braços, mas dar-lhes o governo de tudo também é errado. Tornar cada um dos braços superpoderosos é errado. O corpo é central. Ele não é lateral à esquerda ou à direita.

Capítulo 10 Depois do Fim O que há depois do fim? Depois do fim do indivíduo há outros indivíduos (razão pela qual acredito na vida após a morte); depois do fim da humanidade outras racionalidades continuarão. Mas não estamos nesse fim, estamos no fim daquelas ilusões já vividas, a ilusão de que só havia interior (contra o quê batalharam antigamente os filósofos-ideólogos e os cientistas-técnicos) e a ilusão de que só há exterior (contra o quê puseram-se atualmente os mágicos-artistas e os teólogos-religiosos). 20


CABO DE GUERRA (a guerra é contra o centro) ESQUERDA CENTRO DIREITA Magia-Arte Filosofia-Ideologia Teologia-Religião Ciência-Técnica

Depois do fim há um recomeço. Novas ilusões, mas num patamar superior. Não ilusões como as das crianças, mas ilusões de adultos, nas quais há mais de compreensão. Vitória, quinta-feira, 11 de junho de 2009. José Augusto Gava.

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o espaco profundo