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Desconstruindo o Tempo 1. O Tempo 2. Desconstruindo 3. Desconstruindo o Ano 4. Desconstruindo Todo o Tempo 5. Ilusão Espaçotemporal 6. Espaçotempo da Ilusão 7. Graduação da Ilusão 8. Ilusão da Graduação 9. Temposofia 10. Tempo Rei

Vitória, quinta-feira, 10 de dezembro de 2009. José Augusto Gava.

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Capítulo 1 O Tempo O modelo dá as duas respostas: que o tempo existe e SIMULTANEAMENTE não existe. Existe para os racionais, não existe para i (ELI, Elea, Ele-Ela, Deus-Natureza). CALENDÁRIO DE 2009 & 2010 (anualmente reprisam o aprisionamento)

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no tempo:

Quanto mais elevado o racional menos ele acredita 7. iluminados; 6. santos/sábios; 5. estadistas; 4. pesquisadores; 3. profissionais; 2. lideranças; 1. povo. Mais baixo de todos, o povo acredita em tudo, inclusive no tempo. Os de baixo acreditam que o ano de 2010 “está lá”, já existe, mesmo se apenas como possibilidade, dizem os mais avançados. De fato, não há nada, há o espaçotempo de Planck. ESPAÇO E TEMPO DE PLANCK ESPAÇO DE PLANCK TEMPO DE PLANCK Comprimento de Planck Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Comprimento de Planck é um espaço de 1,6 × 10−35 m e corresponde à distância que a luz percorre durante um tempo de Planck. O comprimento de Planck desempenha uma função importante na física moderna, pois para comprimentos inferiores a este, tanto a mecanica quântica, como a relatividade geral deixam de conseguir descrever os comportamentos de particulas. Espaços inferiores ao comprimento de Planck têm sido alvo de exaustiva investigação na busca de uma teoria unificadora da relatividade com a mecânica quântica. Tempo de Planck Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Em física, o tempo de Planck, (t P ), é a unidade de tempo no sistema de unidades naturais, conhecidos como Unidades de Planck. Ele é o tempo requerido para que a luz viaje, no vácuo, uma distância de 1 comprimento de Planck.[1] A unidade recebe esse nome em referência a Max Planck, o primeiro a propô-la. O tempo de Planck é definido como: [2]

onde: é a constante de Planck reduzida G = constante gravitacional c = velocidade da luz no vácuo s é a unidade de tempo do sistema internacional, o segundo. Os dois dígitos entre parenteses denotam o erro padrão do valor estimado. Tempo de Planck é o tempo passado sobre o Big Bang a partir do qual as implicações da teoria da relatividade geral passaram a ser válidas. Este intervalo de tempo situa-se na ordem dos 10-43 s. Para regressões menores que o tempo de Planck é necessária uma teoria quântica da gravidade para explicar os fenômenos observados. Embora separado do instante inicial por uma fração ínfima de segundo, o Tempo de Planck não se confunde com o momento do Big Bang, porque a matéria energia passou por mudanças dramáticas naqueles pedaços infinitesimais de tempo que se sucedera a ocorrência da explosão inicial, que permitiu a expansão das 3 dimensões espaciais a que estamos acostumados a viver (altura x largura x profundidade) ao longo da 'linha do tempo'. 4


Referências ↑ Big Bang models back to Planck time. Universidade Estadual da Georgia (19 de junho de 2005). ↑ Valor CODATA: Tempo de Planck – The NIST Reference on Constants, Units, and Uncertainty. VERMELHO E PRETO (eu que coloquei assim para homenagear o Flamengo como a bandeira do espaçotempo)

Espaço e tempo formam um par polar opostocomplementar ligado pela luz, pela velocidade da luz no vácuo: L (V) = X (E) / T. O que há mesmo é X = 10-35 m, T =

10-44 s, L = 108 m/s. Todos nós pulsamos velozmente:

100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 vezes por segundo

- somos bem rápidos mesmo; E estamos minimamente confinados em: 1/100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 do metro

– somos bem pequenos MESMO. Tudo dentro de nós é tão rápido assim e tão minúsculo quanto. Nesse espaço e nesse tempo mínimos NÃO EXISTEM ESPAÇO E TEMPO, porque o medidor é menor que tudo. Então, o tempo e o espaço existem e não existem AO MESMO TEMPO, simultaneamente.

UM CONE DESDE AS PROFUNDEZAS ATÉ A CONSCIÊNCIA DE EXISTÊNCIA (é o que Krishnamurti chamou de “tempo psicológico”)

lá pelas profundezas de Planck tudo está parado

Como existe um contador dentro de nós, dizemos que a “passagem do tempo” é o fato de estarmos orientados PARA OS ACONTECIMENTOS dos fatos, a variedade posta pela variabilidade. PODEMOS DIZER QUE O TEMPO, SENDO RELATIVO, EXISTE INDIVIDUALMENTE SEGUNDO A CURVA DO SINO (para uns ele passa muito rápido, para outros passa devagar – tudo depende do contador, que pode ser afetado em razão de tristeza ou alegria) 5


muito lento muito rápido Ambos os grupos, pessoas muito rápidas e pessoas muito lentas sofrem, enquanto a média é partilhada por 95 % de todos, postos em torno da normalidade – uns sofrem mais e outros menos, exceto os perfeitamente centrados. Quando chega “primeiro de janeiro” as pessoas comemoram o “nascimento do Ano Novo” e em “trinta e um de dezembro” participam das festas de “fim de ano” quando “morre o Ano Velho”; apesar de todas essas comemorações, com toda certeza nada está lá, exceto a convenção e o espaçotempo de Planck.

Capítulo 2 Desconstruindo Já no seio da minha família e por favor do posto fiscal, onde ia ficar dois dias com seis em casa (roda de oito aros, descombinada da semana de 7 dias ia pulando um dia, de domingo a sábado e depois repetia) desaprendi a prestar atenção em sábados, domingos, feriados, festas de Natal e Ano Novo, o que levou ao comportamento “estranho” a que aderiram os meus filhos: sem comemorações, inclusive de aniversário (porque minha mãe não os comemorava). O POVO PRESO NOS SÁBADOS, DOMINGOS E FERIADOS

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FOI MAIS OU MENOS ASSIM, COM RELAÇÃO AO PENSAR DAS ELITES QUANTO AO ESPAÇO E AO TEMPO

SÁBADOS E DOMINGOS (são 52 paradas dessas por ano, constituindo 104 desaceleramentos; o sábado é um primeiro instante, o domingo aprofunda) sábados (52)

domingos (52)

104/365 = 28,5 %; com os 16 feriados, empurrando para dar (104 sábados/domingos + 16 feriados) 120 dias e teremos quase 1/3 do ano, 33,3 %. Em resumo, durante 104 dias do ano as pessoas são travadas para “gozar sábado e domingo”, além de 16 ou 17 dias de feriados, sem contar os “enforcamentos”. Por exemplo, segundo diz a piada, como 2014 vai ser a Copa do Mundo no Brasil e em 2016 as Olimpíadas no Rio de Janeiro, os cariocas pretendem “enforcar” 2015. Enfim, as pessoas são travadas 52 semanas por ano, fora as pouco mais de duas semanas de feriados. Por exemplo, este dia que escrevo é “quinta”, por convenção; amanhã é “sexta”, por convenção também, mas no fim do dia as pessoas tomam as atitudes correspondentes à espera do “sábado”, preparando seus corpos e tudo em volta. Novos hormônios, hormônios de sábado e domingo. O QUE EXISTE MESMO, DE FATO XP TP Inventamos em torno do espaçotempo de Planck “rumo ao passado” e “rumo ao futuro”. Não há nenhum futuro, o que quase todos concordam; nem há qualquer passado, do que quase todos discordam. Como já vimos, quando debati 8


muitas e muitas vezes a questão do espaçotempo, há muitas compreensões de que as pessoas devem se aproximar. É tudo muito lindo e muito incompreendido.

Capítulo 3 Desconstruindo o Ano Repetindo: o que existe é o mínimo dos mínimos, o menor que existe, o XT (P) , espaçotempo de Planck. Pulsando neste pontinstante imaginamos todo o resto para o suposto futuro e o suposto passado. Vamos caminhando nessa lâmina finíssima. LÃMINA DA NAVALHA TEMPORAL

Estamos equilibrados nessa fração de segundo. Os 13,7 bilhões de anos (x 365,25 dias/ano x 86.400 segundos/dia) fazem 4,3 x 1015 s; coloquemos 1016. Pois bem, há quase três vezes (44/16 = 2,75) esse tanto de degraus ou ordens de 10 nos pulsos básicos contidos num segundo (1044 pulsos/s). OS DIÂMETROS DOS FIOS DE TEMPO (são variados, um para cada universo)

NÃO EXISTE NENHUM ANO. 9


O que existe é o pulso-de-tempo e a dimensão-deespaço; os batimentos rapidíssimos é que existem de fato, naqueles espaços minúsculos. Zilhões de partículas imensamente pequenas batendo a ritmo enormemente célere. O conjunto ORIENTADO delas constitui tudo. De fato, elas apenas batem e como temos memória inventamos isso de “orientação temporal”, levando tal invenção a uma quantidade de paradoxos. Não existe nenhum vetor temporal, é um ponto; a memória cria esse pseudo-vetor temporal. Para trás não existe nenhum pulso, nem para frente: é tudo projeção de nossas mentes. O que existe, DE FATO, é o frêmito do pulso. Não há pulso-passado (que denominei anterioridade) nem pulso-futuro (que chamei de posterioridade) – só há, SEMPRE, PULSO-PRESENTE, atualidade. Nossas mentes, vibrando todos os quarks dela, todos os átomos, todas as moléculas no pulso-presente, torcem e distorcem seus estados e movimentos e a isso chamamos memória. Daí que o segundo, o minuto, a hora, o dia, a semana, o mês, o ano, o decênio, o milênio não passem de nomenclatura. Tudo invenção. Estamos plantados no aqui-e-agora, no que Clarice Lispector chamava de é-da-coisa, o É, a palavra mais importante da língua, dizia, aquela que caracteriza todas as coisas e é a menos estudada de todas.

Capítulo 4 Desconstruindo Todo o Tempo Enquanto o relógio bate, batem dentro dele as partículas que chamei de cê-bóla ©. O RELÓGIO SENDO BATIDO (vários mecanismos coadjutores do processo espacial de memorização do tempo) – todos eles são constituídos e micropartículas que “batem”, pulsam no tempo fundamental de Planck.

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Os relógios são elementos coadjuvantes da ilusão, não são os perpretadores mesmo; eles evitam que a ditadura pessoal chamada solapsismo diga o que está acontecendo no mundo – garantem que tenhamos fora de nós marcadores e micromarcadores datando até o micro-segundo e com os quais todos concordam. TODOS NÓS estamos pulsando sobre o tempo fundamental de Planck, que chamei outrora (antes de raciocinar sobre isso mais detalhadamente) de HORIZONTE DE SIMULTANEIDADES, HS. Para onde quer que você olhe, para quando quer que olhe NADA HÁ DE TEMPO, exceto o campartícula fundamental ©. Porém, com o espaço é diferente, o espaço existe mesmo. CONTUDO, O ESPAÇO É DUPLO 1. o espaço-oposição, quando há confronto e choque nos patamares, isto é, quando as partículas, chocando-se e opondo-se, constituem os degraus das pirâmides, conforme mostrado; 2. o espaço-descontínuo, o vazio que permite ao outro operar. Todas as paredes, todas as roupas, todas as divisões, montanhas, navios são notícias desse duplo, dessa dupla visão nossa. São interfaces. Todas as construções do universo são interfaces operacionais operativas ou operantes. Contudo, tal como falei outrora, ESSES ESPAÇOS NÃO SÃO VISÍVEIS. Eles existem e só eles existem, permitem a existência, mas não são visíveis. São invisíveis. Como a velocidade da luz é que nos traz notícia, o que vemos é o tempo, mesmo que com micro-defasagem no tempo, X/300.000.000 m/s = T X . Quando você olha para a divisória da sala você não a está vendo, ESTÁ VENDO A NOTÍCIA DELA, de quando ela existiu (agora já é comum dizer que não vemos as estrelas, que só vemos os tempos em que elas existiram, com o elas eram quando existiram; reduza as dimensões disso). Você não vê a divisória branca, vê notícias que ela enviou e que operaram dentro de seu cérebro, chegando a um ACORDO DE EXISTÊNCIA, uma crença. Contudo, a divisória está “tão 11


perto” que na velocidade da luz tudo parece muito consistente, tantas são as vezes em que as operações (luminosas e outras) ocorrem em um só segundo, quer dizer, nesse único segundo as operações dentro do seu cérebro são tantas que você confunde premência com existência. A premência te faz garantir que a divisória está lá, mas é garantia falsa, sem base teórica. CONCLUSÃO a) o espaço existe e é duplo, mas não é visível; b) o tempo, que não existe, é único (o não-tempo do multiverso não-finito, que completa o quadrado lógico, é outro, é possibilidade, não está aqui) e É NELE QUE EXISTIMOS – somos um compromisso do tempo. TUDO que nós falamos é sobre o tempo.

Capítulo 5 Ilusão Espaçotemporal DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ espaço vazio (em geral é espaço-de-oposição mostrado como escuro, mas (para a existência das está dentro de tudo) coisas; é incrível pensar que o amor só se faz devido a oposições)

tempo irreal

tempo real

Como se pode ver é uma dança. Os hindus dizem que é a “dança de Shiva”. Todo esses acordos estatísticos que vemos “pelo lado de cima”, onde estamos plantados como acordos-de-oposição, na realidade são excitadíssimos ESTADOS DE CHOQUES, choques contínuos brutais e intensos. AS INTERFACES QUE NOS CONSTITUEM

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Limites (como da casa acima) dizem respeito a não-ultrapassamento, a resistência. Paredes são feitas de tijolo ou de cimento ou do que for capaz de resistir a pressões humanas; não são feitas de celofane porque o ser humano ou a chuva ou os animais poderiam passar – contudo, isso não é muito diferente enquanto idéia de interface. É disso que se valem os construtores de cenários fictícios do teatro e do cinema para criarem ilusões. Como diz o modelo, o espaçotempo é AO MESMO TEMPO ilusão e realidade, é um acordo. JÁ ACORDO ASSIM (com idéias de divisórias; a pele é uma divisória, os ossos são divisórias em suas superfícies, as células também e tudo mais)

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Caminhamos entre reais-ilusões: é real, mas ao mesmo tempo é ilusão. O mundo é compartilhamento de reaisilusões. Não temos condição de saber EXATAMENTE o que está acontecendo; não vivemos de modo nenhum “na realidade”, vivemos um misto de reais-ilusões, uma tessitura, uma tramurdidura infinitamente complexa, e muito dinâmica, vibrante em todos os sentidos.

Capítulo 6 Espaçotempo da Ilusão A GRADUAÇÃO DAS ILUSÕES b) BIOLÓGICAS-P.2 (vitais): b.1. ilusões dos fungos (para estes tudo o que a humanidade fez nada significa – eles vivem em mundos de extração); b.2. ilusões das plantas; b.3. ilusões dos animais; b.4. ilusões dos primatas; c) PSICOLÓGICAS-P.3 (humanas): c.1. ilusões de quinto mundo; c.2. ilusões de quarto mundo; c.3. ilusões de terceiro mundo; c.4. ilusões de segundo mundo; c.5. ilusões de primeiro mundo. Evidentemente só podemos avançar quando vencemos as ilusões, por exemplo, a de que não se poderia criar o 14


“mais pesado do que o ar” ou o “tele-transmissor” (TV, Rádio, telefone) ou tantas outras. Pelas notícias que recebemos nos convencemos de certas coisas, construímos caminhos que autorizam ou desautorizam: são nossos alcances PESSOAIS (individuais, familiares, grupais, empresariais) ou AMBIENTAIS (urbanomunicipais, estaduais, nacionais ou mundiais). Do ponto de vista dos países de quinto mundo várias coisas de primeiro mundo não existem. O NOME DESSE CONVENCIMENTO É BIOGRAFIA (mapas imperfeitos do que fomos e fizemos, do que dissemos)

Biografias também são divisórias. São ofertas de palavras em troca da vida “verdadeira” que só i (ELI, Elea, Ele-Ela, Deus-Natureza) poderia mostrar realmente. Há na biografia todos os interesses pessoais e ambientais falados acima. Biografias são acordos, são reais-ilusões, são serviços/desserviços ao biografado e seu entorno. Embora no chamado “teatro da vida” não estejamos construindo cenários fictícios do mesmo tipo daqueles do teatro, há ilusão, há fabricação de ilusão. As mentiras, os ocultamentos, as conspirações, as dificuldades interpostas à espionagem industrial e até as “verdades” são ilusões. Pintura novinha pode ocultar qualquer propósito; do mesmo modo, pintura velha e desbotada pode esconder interior luxuoso. Falsificações inumeráveis são praticadas todos os dias em várias escalas de dedicação. 15


Os políticos ladrões estão mentindo a respeito de suas posses com a participação das esposas, dos filhos e dos amigos. Políticos do Legislativo, juízes do Judiciário, governantes do Executivo, empresários, trabalhadores – a grande generalidade das pessoas mente. A PRECISÃO DA ILUSÃO

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Enfim, vivemos todos e cada um segundo várias idéias impróprias de tempo e espaço – uns mais e outros menos. DOS MAIS AOS MENOS ILUDIDOS

mais iludidos 5ª pessoa

graus intermediários

menos iludidos 1ª pessoa

Capítulo 7 Graduação da Ilusão NADA DISSO EXISTE NO ‘PASSADO’ (está tudo dentro de nossas memórias no presente, na atualidade – e está deteriorando de um jeito ou de outro). Nenhuma dessas “linhas de tempo” mostra o passado, só o presente, nossas lembranças de outros presentes.

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Coloquei muitas, mas nada disso existe mesmo no passado, está tudo no presente – são várias escavações dentro de nossas cabeças, inclusive nossa cabeça-escrita, nossa cabeça-gravada e por todos os meios contida fisicamente. São reais-ilusões que os construtores de LT (linhas-do-tempo) criaram para iludir-se e aos outros.

Estamos literalmente vibrando no presente.

O presente está aberto, mas não há como fugir nem para o passado nem para o futuro. É inútil.

Capítulo 8 Ilusão da Graduação É inteligível que num mundo nomeadamente incompreensível nos fundamentos e largamente não compreendido apesar dos esforços valentes dos tecnocientistas e outros - tenhamos todos e cada um procurado no tempo (e no espaço) algum conforto frente ao esmagador sentimento de impropriedade da racionalidade, mesmo dilatada pelos ambientes. Procuramos multiplicar o tempo e o espaço visando nos confortar com margens muito mais largas. Dizer que o universo tem 13,7 bilhões de anos parece nos garantir longevidade, mas isso não é certo: de fato estamos apenas no pulso vibrante. NINGUÉM morre no longo ou no médio ou no curto prazo, morre no tempo de Planck – SEMPRE morremos em algum pulso de 10-35 s. Há um corte abrupto no pulso. Não há nenhum passado longo do qual tenhamos vindo, nem futuro dilatado para o qual iremos. A Vida está literalmente por um fio. 26


O FIO DA VIDA (vem daí a mitologia; estava tão errada assim, hem?)

ela

não

um fio com etapas simbólicas

O passado, tanto quanto o futuro, é uma escavação, exceto que o passado se dá sobre os presentesantecedentes e o futuro sobre os tempos-conseqüentes, aqueles tendo existido e estes não. 27


Quando os historiadores historiam, eles estão escavando, buscando na mina, na memória – que está toda no presente, seja físico-química, biológica-p.2 ou psicológica-p.3. Não estão tirando nada do passado, como não poderiam tirar nada do futuro, e pela simples razão de que passado e futuro não existem, só o presente. Então, os geo-historiadores MINERAM NO PRESENTE, eles escavam nas atualidades, no finíssimo fio; TODAS AS MEMÓRIAS estão constantemente morrendo e precisando ser reafirmadas. APARENTEMENTE MULTIPLICANDO O TEMPO (não se pode multiplicar, estamos sempre no 10-44 s) hora

minuto

segundo

nanosegundo

E é sobretudo engraçado que no TEMPO VERDADEIRO de Planck TUDO esteja parado, completamente imóvel. Porém, para cima, estamos cheios de ilusões relativas ao ocultamento de informações, o que se dá por não alcançarmos os espaços invisíveis, aqueles outros que estão lá, por exemplo, lá onde você está, que para você é aqui, sendo o meu aqui o seu lá. Estamos invariavelmente sendo enganados, em sã ou malsã consciência.

Capítulo 9 Temposofia TEMPO-REI (Gilberto Gil pede esclarecimentos com muito jeitinho, jeitinho baiano)

Tempo Rei Gilberto Gil

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Não me iludo Tudo permanecerá Do jeito que tem sido Transcorrendo Transformando Tempo e espaço navegando Todos os sentidos... Pães de Açúcar Corcovados Fustigados pela chuva E pelo eterno vento... Água mole Pedra dura Tanto bate Que não restará Nem pensamento... Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Transformai As velhas formas do viver

Ensinai-me Oh Pai! O que eu ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo Socorrei!... Pensamento! Mesmo o fundamento Singular do ser humano De um momento, para o outro Poderá não mais fundar Nem gregos, nem baianos... Mães zelosas Pais corujas Vejam como as águas De repente ficam sujas... Não se iludam Não me iludo Tudo agora mesmo Pode estar por um segundo... Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Transformai As velhas formas do viver Ensinai-me Oh Pai! O que eu, ainda não sei Mãe Senhora do Perpétuo Socorrei!...(2x) Certamente essas novas compreensões sobre o tempo e o espaço motivarão uma enormidade de novas aventuras teosóficas e um punhado de afirmações muito engraçadas. 29


INCAPAZ DE NÃO-RIR EU RIO (a temposofia instaurará novas discussões misteriosas)

um modelo do gerador

um modelo de geração 30


NO FUNDO, TÃO SIMPLES QUANTO ISTO NO PASSADO NÃO TEM TUDO ESTÁ NO FUTURO NÃO TEM NADA AQUI NADA

VAZIO (ilusão de que algo ficou para trás)

APONTA PARA UM PONTO PONTO FINAL

VAZIO (ilusão de que irá acontecer)

Assim como ficou colocado (em outras palavras) que se houver um Céu ele será materenergético (ao modo de i, ELI, Elea, Ele-Ela, Deus-Natureza), aqui estou pondo que ele é temporal (de um modo que ainda não sabemos como é) e está no presente (também não sabemos ONDE do presente). Entrementes, é claro que i não SE ilude. São os racionais que se iludem.

Capítulo 10 Tempo Rei Veja bem, em 197x, qualquer ano da década dos 1970 morávamos - vários camaradinhas e eu - na Rua 4, Casa 40, Goiabeiras II, Vitória. Já contei isso: estava sentado na soleira da casa do BNH quando olhei para baixo e não vi nada, era como se estivesse vendo direto pelo planeta até o outro lado da Terra. Pode ter sido tonteira, mas foi uma visão. Deve ter sido em torno de 1974, de modo que essa visão da inexistência do espaço já vai a caminho dos 40 anos. Quanto ao tempo, começou antes de papai comprar a casa em 1974 em Conceição da Barra, quando ainda alugávamos em 1973, de modo que tem mais ou menos o mesmo tempo. De lá para cá venho repetidamente abordando a questão de vários ângulos e posso dizer que com esse pensar estou livre do espaço e do tempo racional, tal como Krishamurti disse ser possível. Foi. Decerto somente i está verdadeiramente livre do tempo, mas pelo menos é um avanço. Vitória, terça-feira, 15 de dezembro de 2009. José Augusto Gava.

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desconstruindo o tempo