Issuu on Google+

As Quatro ou Mais Mortes de Didier

1. Didier 2. Morte 3. Mortes 4. Quatro ou Mais 5. A Primeira 6. E Mais 7 7. Corpo e Mente 8. Reenmentação 9. Genética da Reencarnação 10. Taboa Fina

Vitória, quinta-feira, 27 de agosto de 2009. José Augusto Gava.

1


Capítulo 1 Didier Quem é Didier? Eu não sei, escolhi um se é mesmo não saberia dizer de conheço ninguém com tal nome. PEÇA E SERÁS ATENDIDO quase tudo é possível):

nome que parece francês; pronto. Soa bem, mas não (agora, com a Internet, vários Didier

Capítulo 2 Morte O que é a morte? DOIS TIPOS BÁSICOS, POR ENQUANTO (dos seres) MORTES BIOLÓGICAS MORTES PSICOLÓGICAS 1. dos fungos; 5. dos seres humanos. 2. das plantas; 3. dos animais; 4. dos primatas; A morte é a cessação do auto-reprodutor, é o fim de sua capacidade de auto-reproduzir; assim, ela se estende para baixo rumo ao ADRN, o replicador biológico, e para cima rumo ao futuro dos novos-seres ciberinformáticos da terceira natureza. No ser humano na morte a mente morre de suas funções de auto-replicação psicológica, mas o corpo não morre logo, porque as células continuam por algum tempo em funcionamento, auto-reproduzindo-se em suas funções biológicas. AS MORTES PSICOLÓGICAS (as vidas-psicologias duram diferentes tempos) A) MORTES PESSOAIS • mortes individuais; • mortes familiares; • mortes grupais; • mortes empresariais; B) MORTES AMBIENTAIS: i. mortes urbano-municipais (para não dizer que fantasmas não existem há cidades fantasmas, do que poderia ser feito filme se ela fosse tomada como assombração que invade outras cidades); ii. mortes estaduais; iii. mortes nacionais; iv. mortes mundiais. 2


Carros, liquidificadores, computadores, montanhas não são auto-reprodutoras – então não morrem. Uma pessoa tetraplégica é auto-reprodutora (com seu par polar, pois o ser humano é dois-em-um, homulher); uma pessoa em coma morre (assim sendo, quem desliga os aparelhos comete assassinato).

Capítulo 3 Mortes De quantas mortes se podem morrer? Esta de cima é só uma. AS OUTRAS MORTES DE DIDIER (o modelo diz que são quatro, mais uma no centro, a absoluta) primeira No caso humano a biológica-p.2 e a psicológica-p.3 são uma e a mesma. Rompem-se as ligações elétricas no cérebro, dissolve-se sua química; as células são comidas pelos vermes, restando só os ossos, as cartilagens e alguns cabelos e depois mesmo esses desaparecem:

segunda

O esquecimento começa agora em caixão biodegradável. Como temos memória os seres humanos vão morrendo sucessivamente nas memórias: A) MEMÓRIAS AMBIENTAIS: a.8. memórias mundiais (naturalmente pouquíssimos são lembrados em todo o planeta: notavelmente Cristo vem sendo lembrado há dois milênios); a.7. memórias nacionais (Roberto Carlos é conhecido em todo o Brasil; demorará bastante para que todos o esqueçam); a.6. memórias estaduais (Jerônimo Monteiro é um caso do Espírito Santo, mas se não fosse haver uma cidade com seu nome quase todos já o teriam esquecido):

3


terceira

quarta quinta

a.5. memórias municipais-urbanas (Otinho era um doido que passeava por Vitória e “Seu João da Santa” carregava um santuário em Linhares); B) MEMÓRIAS PESSOAIS: b.4. memórias empresariais; b.3. memórias grupais; b.2. memórias familiares; b.1. memórias individuais. Quando o indivíduo morre, ele perde tudo que tinha, essencialmente a Chave MIC (memória, inteligência, controle); depois a família o esquece; a seguir o grupo e assim por diante. Quando o Sol explodir como supernova a Terra será incinerada pela expansão irreprimível da estrela, explosão devastadora. As moléculas serão vaporizadas em todos os planetas terrestróides mais próximos, por exemplo, o nosso, e as moléculas serão empurradas para além, onde formarão outras estrelas, conforme a Física vem mostrando. Pode acontecer de estrelas inteiras mergulharem num buraco negro, sendo separados irremediavelmente os átomos de seus planetas e de tudo mais do sistema.

Quando o universo porventura mergulhar no Grande Esmigalhamento ou de outra forma cessar de operar Didier terá sua quarta morte. Há (no modelo) uma quinta, que pode ocorrer a algum momento, junto com qualquer uma das acima: se i (ELI, Elea, Ele-Ela, DeusNatureza) dissolver a entidade como nãomerecedora de absorção (50 % serão dissolvidos). 4


Capítulo 4 Quatro ou Mais QUANTAS MORTES SÃO? (vi essas; e a quinta é uma proposição, enquanto as demais são teóricas)

1ª 3ª

2ª 4ª quinta

Evidentemente essa proposta exclui o que é chamado “reencarnação”, voltar à carne; é esta que devemos analisar para saber se os proponentes dela estão falando algo coerente ou situando-se no vazio dialógico. AS VÁRIAS FERRUGENS DO SER HUMANO 1) erros de cópia biológica (dizia-se que as células cerebrais não podiam ser substituídas, mas chegaram à conclusão de que parte pode); 2) erros de cópia química nos neurônios e eletromagnética nos axônios; 3) erros de interpretação relativos à linguagem; 4) erros advindos de impropriedade lógica (tudo isso parece com os quesitos de Bacon, os ídolos); 5) erros psicológicos (geo-históricos, de transferência espaçotemporal, relativos à incapacidade racional e aos defeitos inerentes da redução mental). De passagem quem foi mais longe na destruição dos ídolos (veja a questão dos ídolos em Bacon) foi Cristo, pois ele disse “venci a morte” (e a morte é a mentira definitiva na RC: morte = MENTIRA). Relativamente ao indivíduo há a questão do crescimento, da modificação das crenças, do perigo indivíduo que faz sumir informações empurrando-as ao esquecimento utilitário e tantas modificações possíveis que devo sugerir um volume alentado de investigação (ela não foi ainda realizada). É um tema filosófico candente: O QUE É SER HUMANO? O que permanece humano no ser, no evolver? A nuvem eletroquímica que é o cérebro modificase constantemente, segundo a segundo, dia a dia – o que segue igual? O que os interesses variadíssimos das pessoambientes mantém como equivalente numa vidapsicologia de 90 anos? Ou 30 ou 12? Seria muito interessante e fonte de muitas surpresas caso pudéssemos mapear. ALÉM DISSO, OS SENTIDOS SÃO EXTERNINTERNOS (a visão externa é feita através dos olhos, mas a visão interna é processada numa região do cérebro; no caso da “reencarnação” há olhos no corpo novo, mas o software/programa do ver 5


anterior vem do corpomente antigo, e deve se relacionar com eles: os olhos novos são compatíveis com os olhos velhos, os processos velhos caberiam nas regiões novas? Em todo caso haveria um retardo, um tempo de adaptação: a pessoa não poderia ver como o antigo corpo senão depois de um tempo considerável – seria como colocar um carro dentro do outro, motor e carroceria, tanto do maior para o menor quanto vice-versa) re-corpomentalização da visão ? RE-CM do paladar ? RE-CM do olfato ? RE-CM da audição ? RE-CM do tato ? SUPONHA QUE HAJA REENCARNAÇÃO (são projetos diferentes, tanto pessoal-interno quanto ambiental-externo) FUSCA CAMARO

Ou sobraria ou faltaria: imagine um tarimbado diplomata da ONU encarnando no interior do Piauí ou, pior ainda, um índio da selva amazônica que só soubesse sua língua encarnando em plena Assembléia Geral das Nações Unidas! O indivíduo é genético-ambiental, isto é, tanto dependemos de nosso hardware-máquina interno quanto de nossa implementação software-programa externo, quer dizer, COMO os ambientes nos programam, CONTRA NOSSA RESISTÊNCIA (como é sabido, a educação familiar e a educação externa são, ambas, domesticações ou forçamentos ou enquadramentos das vontades individuais: é preciso incutir as necessidades alheias como sendo do maior interesse do indivíduo). PROGRAMAÇÃO PSICOLÓGICA 1. programação psicanalítica ou figurativa; 2. programação psico-sintética ou dos objetivos; 3. programação econômica ou de produção; 4. programação sociológica ou de organização; 5. programação geo-histórica ou espaçotemporal. Para falar só de um, imaginemos que alguém dum cantão suíço reencarnasse na Amazônia como índio: o Sol 6


teria um trânsito aparente diferente, as temperaturas seriam distintas durante as estações, os alimentos seriam disparatadamente dessemelhantes e assim por diante. A cidade aonde se poderia ir seriam outras, os meios de transporte também, etc. A REENCARNAÇÃO DA PROTEÇÃO 1. o lar do reencarnado; 2. o armazenamento do reencarnado; 3. a saúde do reencarnado; 4. a segurança do reencarnado; 5. os transportes do reencarnado. Uns e outros não são os mesmos. Imagine as várias idades, os sexos, as competências, as raças, os países, as altitudes, as culturas, as formações educacionais, os valores e assim por diante: como emparelhar duas entidades diferentes? Ademais, seria possível um HABITANTE (chamemos assim o que já estava) mais novo ser afastado pelo INTRUSO mais velho? Para onde o H iria ao ser substituído pelo I? Morreria? E se um I novo invadisse um H velho? Teria experiência para ligar com o corpo e a mente velha? Espíritos ou programas mentais são comprimidos nalgum canto da mente? Como se pode ver são tantas as questões que devemos acreditar que a aceitação da reencarnação ocorre em virtude da falta de pensamento a respeito.

Capítulo 5 A Primeira... E como teria acontecido a primeiríssima das reencarnações HUMANAS? Em que momento da geo-história humana? Começou nos humanos ou vem de trás? Os primatas, os animais, as plantas e os fungos têm alma para terem começado o processo lá para trás? A primeira alga já teria desenvolvido a reencarnação? Como uma alma passa do etéreo a um cérebro plenamente funcional, mesmo que numa criança recémnascida? Lembremos que a criança, apesar de se dizer recém-nascida, foi construída durante nove meses (e, segundo o modelo, está viva desde que o espermatozóide uniu-se com o óvulo formando o terceiro, espermatóvulo); ela não surgiu do zero ao primeiro vagido fora do corpo da mãe. Didier, quando foi apresentado ao mundo já tinha nove meses de estrada, já vinha trabalhando faz tempo, já tinha uma geo-história em que seu corpo e sua mente se tornaram umbilicalmente ligados no útero de sua mãe. No entanto, a reencarnação é dada como verdadeira, é tida como efetiva, acontecimento sem explicação ou necessidade dela. A REENCARNAÇÃO GERAL 1. como magia-arte; 2. como teologia-religião (como podemos ver no espiritismo, são sempre espíritos elevados, são sábios respeitáveis, mas não santos ou iluminados: parece haver uma HIERARQUIA DAS REENCARNAÇÕES);

7


3. como filosofia-ideologia (só para ser impertinente: um senador reencarnado teria direito a sua vaga no senado?); 4. como ciência-técnica: 4.1. física-química das RE; 4.2. biologia-p.2 das RE; 4.3. psicologia-p.3 das RE; 4.4. informática-p.4 das RE; 4.5. cosmologia-p.5 das RE; 4.6. dialógica-p.6 das RE; 5. como matemática. Evidentemente tudo no reino mágico acontece por mágica, sem qualquer explicação: as pessoas aceitam as descrições mágicas (romances, livros de fantasia e de ficção científica) meramente por haver nas descrições elementos lingüísticos, por sermos viciados em uso da língua desde o nascimento ou até desde antes, visto que os barulhos do vozerio chegam residualmente aos fetos e embriões. Seria muito interessante, neste ponto da geohistória, passar as chamadas pseudociências (são, de fato, pseudoconhecimentos) pelos CRIVOS DO MODELO, isto é, pelas exigências ou quesitos do modelo pirâmide. Magia-Arte, Teologia-Religião, Filosofia-Ideologia são formas CORRELATAS da Ciência-Técnica e têm os mesmos patamares que estas – apenas são visões diferentes e motivações diversas. As idéias de reencarnação sobrevivem da falta de idéias, particularmente da falta de investigações; existem como favor do excesso hodierno de informações, cooptadas pelos que não pensam a fundo, pelos preguiçosos em raciocinar, pelos que trabalham demais e não têm tempo para isso, e também em razão de os ricos em tempo de ócio não se dedicarem a pesquisas & desenvolvimentos metódicos. No modelo há pelo menos três elementos: relativo (tese), absoluto (antítese) e relativabsoluto (síntese), que é o terceiro, a solução dos dois anteriores; o modelo diz que a morte tanto é relativa quanto é absoluta. A diferença do modelo é que ele postula uma solução para tal conflito racional, e é esta: a morte é absoluta para quem morre e é relativa para i (ELI, Elea, Ele-Ela, DeusNatureza); é verdadeira para os 50 % que morrem e falsa para os 50 % que i absorve ou absolve. Como TUDO (menos i) no universo é absoluto e TUDO nele é relativo (menos i), cada ser é absoluto, é uma construção única no universo em que se está e em todo o multiverso. Só há um de você: nunca existiu outro igual, não existe e não existirá. Só i poderia prover um absolutamente igual. Assim sendo, quando reencarnasse (carne) ou rementalizasse (mente), quando recorpomentalizasse o indivíduo DE MODO NENHUM seria o mesmo – eis porque a reencarnação fiel é uma fraude (assim como o espiritismo, essa superafirmação ou doença do espírito). Um ente não tem, por si mesmo, capacidade de firmar-se como o SI ou SOU, ele mesmo; nunca seria ele, seria sempre criatura em fragmentação, processo contínuo de fragmentar ou desagregar. Para ser inteiro, integral, todo mesmo absoluto, teria de ser i: aí seria Deus. Quando a morte ocorre, o ser-racional começa a fragmentar-se, seja como carne, seja como mente, seja como espírito. 8


E a pessoa pode realmente morrer mais de uma vez? A resposta no modelo é sim e não. Vejamos primeiro que das cinco mortes acima, só uma é efetiva, pois as outras quatro não passam de brincadeira minha para atrair sua atenção: as outras quatro são dissoluções e destas uma é reabsorção em i (se você for um dos 50 % de felizardos). Então, morte mesmo só tem uma. Como diz o povo, “só se morre uma vez”. Mas metade deve dissolver-se, ser apagada: o que acontece com a outra metade? Não podemos garantir nada, pois i é incognoscível além de qualquer racionalidade. Dado que o espaçotempo é apenas um teatro de i, não podemos dizer que não; contudo, isso é INALCANÇÁVEL, tornando os fenômenos de “possessão” e de “reencarnação” ainda mais notáveis e formidáveis, dignos de estudo. Os tecnocientistas não deveriam estar perdendo tempo em rejeitá-los completamente; deveriam estar vendo de outro ponto de vista.

Capítulo 6 ... e Mais 7 IMAGINE UMA FAMÍLIA COM QUATRO MEMBROS (veja um como faltante: suponha, abaixo, que seja o pai, situado na porção superior-direita; acima ficam pai e mãe, abaixo filho e filha)

Paie pai mãe filho e filha

Há coisas que caracteristicamente o pai de família faz, mas o intruso pode ir para uma família de pai morto (ou vivo). E por aí afora: pode ir para família sem outros filhos, com mais meninas, com mais garotos, com tios e tias, avôs e avós, amigos distintos – como se relacionar com esses todos? A reencarnação é uma prateoria claudicante, para dizer o mínimo: agora tenta escorar-se na tecnociência, como antes tentou fazê-lo na filoideologia (filosofiaideologia), quando esta era dominante. Contudo, podemos dizer que a morte acontece sucessivamente em termos de psicologia PORQUE só lentamente as memórias sobre o indivíduo vão desaparecendo, primeiro nas três outras pessoas, depois nos quatro ambientes. Evidentemente poucos são tão grandes quanto o mundo (mesmo hoje, passados quase dois mil e quinhentos anos Buda não foi esquecido); mais freqüentemente há só a memória familiar, que com a morte 9


de todos e cada um desaparece – quem se lembra de algum lavrador da Idade Média?

Capítulo 7 Corpo e Mente Se a gente pensar direitinho, o corpo humano (segundo Ciência Hoje na Internet) tem 100 trilhões de células, dos quais 100 bilhões (ou 1/1.000, um milésimo) são do cérebro (são células grandes, acredito). Com toda certeza há uma ZONA DE OBSCURECIMENTO do comando mental do corpo, abaixo da qual o cérebro não pode mais intervir (ou seja, grande parte do corpo passa ao largo dos comandos cerebrais), certa nebulosidade do TALVEZ; nosso corpo leva um tempão (nove meses) para emparelhar os dois superconjuntos, pareando o que é chamado CONTROLE com o campo de informações enquanto info-controle CORPOMENTAL; ora, vá que venha um sujeito de fora e tente administrar tudo isso: ele seria como um gerente intruso que chega de súbito e já quer controlar no mesmo dia a fábrica, sem os procedimentos de costume advindos do longo amadurecimento da convivência. ESQUEMATIZAÇÕES DA CÉLULA (na realidade cada uma tem milhares de organelas com centenas de milhares de operações, sei lá)

Não vai dar certo. Apesar de tudo, em todas as judiadas “pseudociências” existem verdades que os tecnocientistas devem pesquisar (e explicar). Um espírito intruso que entrasse não precisaria controlar os 100 trilhões de células do corpo nem os 100 bilhões de células da mente, mas pelo menos emparelhar suas demandas de hóspede com as do hospedeiro. Por exemplo, o hospedeiro está acostumado a ir ao cinema aos sábados em Copacabana, mas o hóspede que ir a Petrópolis. Ou se o hospedeiro for expulso: ainda ficará a necessidade de controlar órgãos que foram planejados para outras atividades, por exemplo, corpo de sedentário habitado 10


agora por halterofilista, de intelectual por um prático qualquer. Imagine uma reencarnação desde o útero: o velho espírito já está formado, mas não existe cérebro pronto para ele, pois o cérebro-hospedeiro está em formação e só ficará pronto daí a duas décadas de espera; sem falar das pessoas estranhas e ambientes desconhecidos em volta. Enfim, chega a ser risível (renderia boas comédias).

Capítulo 8 Reementação Agora pense nas complexidades da mente sempre em modificação (aliás, lá no etéreo a mente-fantasma continua a se desenvolver, fica estática, o quê?): a mente é fluída, os dados em processo de entrada-saída devem ser acomodados com a geo-história individual pregressa PONTO A PONTO. E são zilhões de fatos, compreensões, imagens em processo de degeneração e reconstrução. MESMO A MAIS SIMPLÓRIA DAS MENTES É UMA TEMPESTADE (os idiot-savant, os sábio-idiotas podem lembrar tantas coisas e realizar tantas operações PORQUE suas tempestades foram cristalizadas, quase não há mais nenhuma, a inteligência foi retirada)

Não se trata de colocar um cubo dentro de outro cubo, são 100 bilhões de pareamentos só para os neurônios, sem falar nas operações que se passam dentro, com até 100 mil portas cada um para entrada-saída de dados.

Capítulo 9 Genética da Reencarnação Como vimos no modelo, são várias as heranças (descontadas as físico-químicas, que vem lá de trás e estão fora do nosso alcance por enquanto). CONTANDO SÓ AS QUE CONHECEMOS 2. herança biológica-p.2 (ADRN); 11


3. herança psicológica-p.3 (cultura). OS DIVERSOS SISTEMAS PSICOLÓGICOS DO CORPO [o corpomente-etéreo deveria lembrar-se (mantendo-se ativo fora da matéria) da correspondência, sem esquecer que a pele é também um órgão]

Pense num “plano etéreo” que pudesse guardar em estoque espíritos “desencarnados”: há que ser espaçotempo etéreo com estreita correspondência com do mundo que conhecemos. Claro, o mundo que conhecemos pode estar dentro de um mundo que desconhecemos e TÃO MAIS AMPLO (como o da TV, do rádio e de tanta coisa mais estava MAIS ALÉM daquele da Antiguidade) que comporte as explicações. Porém, não é fácil explicar. Há de haver uma genética psicológica ou genética cultural de fitas de herança culturais que explique a contento. Não podemos é dizer que funciona “porque funciona” e ficar por isso mesmo. Se tivéssemos recebido um televisor funcional em 1710 diríamos que “opera porque opera” e ficaria desse jeito? Talvez haja aí qualquer coisa ou, como diria a Clarice Lispector, uma “matemática alta”; mas jogada assim à Bangu não dá. Queremos muito mais que isso. A lógica nos diz que a morte de Didier é uma só; que tudo que sucede depois são dissoluções. Então, se há manifestações aqui e acolá devem ser fenômenos de captação (esses, sim, extraordinariamente importantes) a entrar na classe dos hiperfenômenos - como os chamei - a teoria que absorve a prática.

Capítulo 10 Taboa Fina FOLHA EM BRANCO Tabula Rasa Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

12


John Locke Tabula rasa (do latim, "folha em branco"[1]) se refere à tese epistemológica que fundamenta a corrente filosófica chamada empirismo. O filósofo inglês John Locke (1632-1704), considerado o protagonista do empirismo, detalhou a teoria da Tabula rasa em seu livro, Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690). Para Locke, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro (i.e. o homem nasce como se fosse uma "folha em branco").[2] A teoria da tabula rasa não foi importante apenas do ponto de vista puramente filosófico - ao considerar todos os homens como intrinsecamente iguais, deu base filosófica para combater o status quo vigente, especalmente em relação à aristocracia e à nobreza.[carece de fontes?] Apesar de ser considerada ultrapassada pelas evidências científicas da influência genética no comportamento humano, a teoria da tabula rasa, em conjunto com a teoria do bom selvagem de Rousseau, continua sendo a base das políticas governamentais de educação de grande parte dos países ocidentais, incluindo o Brasil.[carece de fontes?] Observe-se que esta teoria da tabula rasa é considerada também como a fundação de outra corrente da filosofia e psicologia, o behaviorismo. Notas e referências 1. ↑ Tabula se refere a uma superfície de pedra para se escrever, Rasa, feminino de Rasus, significa apagado, i.e. "em branco" 2. ↑ O próprio livro citado Coloquei “taboa fina” em vez de “folha em branco” porque não acredito que o ser humano surja na vida totalmente vazio: além do ADRN há o ambiente, que a mãe transfere nos meses de gestação ou construção. Se com essa taboa fina de dados, essa lousa quase não escrita o ser humano surge, logo ele vai enchendo-a de milhões de coisas escritas por si a partir dos dados do ambiente. Mais do que alimentar-se de comidas o ser humano alimenta-se de informações. Empanturra-se mesmo. ESPERMATOZÓIDE E ÓVULO NO UNINDO-SE NO TERCEIRO, O ESPERMATÓVULO (isso ocorre logo no primeiro momento da união do primeiro com a segunda) primeiro (fogo) segundo (vela)

fecundação: primeiro encontra segunda (crepitação; está vivo) 13


Há muito acaso aí: como é que o espírito hóspede, tendo estado no limbo como “desencarnado” manteve-se biológica e culturalmente orgânico e a par da realidade e como, principalmente, fará a correspondência? Não é que não possa ser verdadeiro, é que precisamos de melhores explicações para aceitar qualquer coisa; e quanto mais estudos se fazem, quanto maior a sofisticação das explicações mais convincentes e abrangentes devem ser elas. O QUE CONCLUÍ E O QUE SUGIRO 1. Didier (como todos e cada um de nós – a menos que i queira o contrário) só pode morrer uma vez; o resto é dissolução; 2. pode ser que exista reencarnação, mas é difícil à bessa imaginar como; 3. a falta de explicações de hoje é plenamente insatisfatória; 4. sem explicação (elucidação permite a outros seguirem os traços) há chance de pilantragem, de apossamento do trabalho daqueles que são incultos e crédulos; 5. o governo deveria, por um lado, abrir frentes de pesquisa & desenvolvimento, e por outro usar os instrumentos legais para proibir o oportunismo neste (como em outros) setor (es); 6. os pesquisadores (cientistas) & desenvolvedores (técnicos) não devem se furtar à busca, porque com ela incapacitarão os bandidos e permitirão o desenvolvimento da humanidade nesta direção-sentido válida; 7. apenas mudando o modo de perguntar o assunto, ele fica supremamente interessante. Em resumo, embora a questão da morte não seja averiguada (se fosse levaria a muitos conhecimentos novos, inclusive na Físico-Química e Biologia-p.2) ela é muito interessante. Vitória, terça-feira, 08 de setembro de 2009. José Augusto Gava.

ANEXOS Capítulo 4 BACON E OS ENGANOS HUMANOS Francis Bacon (filósofo) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Francis Bacon

Francis Bacon, também referido como Bacon de Verulâmio (Londres, 22 de Janeiro de 1561 — Londres, 9 de abril de 1626) foi um político, filósofo e ensaísta inglês, barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio), visconde de 14


Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns. Sucessivamente, durante o reinado de Jaime I, desempenhou as funções de procurador-geral (1607), fiscal-geral (1613), guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). Neste mesmo ano, foi nomeado barão de Verulam e em 1621, barão de Saint Alban. Também em 1621, Bacon foi acusado de corrupção. Condenado ao pagamento de pesada multa, foi também proibido de exercer cargos públicos. Como filósofo, destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616). Filosofia

Frontispício da Instauratio magna, Londres, 1620 O pensamento filosófico de Bacon representa a tentativa de realizar aquilo que ele mesmo chamou de Instauratio magna (Grande restauração). A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, acabaria por apresentar um novo método que deveria superar e substituir o de Aristóteles. Esses tratados deveriam apresentar um modo específico de investigação dos fatos, passando, a seguir, para a investigação das leis e retornavam para o mundo dos fatos para nele promover as ações que se revelassem possíveis. Bacon desejava uma reforma completa do conhecimento. A tarefa era, obviamente, gigantesca e o filósofo produziu apenas certo número de tratados. Não obstante, a primeira parte da Instauratio foi concluída. A reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia anterior (especialmente a Escolástica), considerada estéril por não apresentar nenhum resultado prático para a vida do homem. O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, também é criticada. Demócrito, contudo, era tido em alta conta por Bacon, que o considerava mais importante que Platão e Aristóteles. 15


A ciência deve restabelecer o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas. A filosofia verdadeira não é apenas a ciência das coisas divinas e humanas. É também algo prático. Saber é poder. A mentalidade científica somente será alcançada através do expurgo de uma série de preconceitos por Bacon chamados ídolos. O conhecimento, o saber, é apenas um meio vigoroso e seguro de conquistar poder sobre a natureza. Classificação das ciências Preliminarmente, Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos: • a poesia ou ciência da imaginação; • história ou ciência da memória; • filosofia ou ciência da razão. A história é subdividida em natural e civil e a filosofia é subdividida em filosofia da natureza e em antropologia. Ídolos No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos: 1) Idola Tribus (ídolos da tribo). Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana. Astrologia, alquimia e cabala são exemplos dessas generalizações; 2) Idola Specus (ídolos da caverna). Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platônica; 3) Idola Fori (ídolos da vida pública). Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos; 4) Idola Theatri (ídolos da autoridade). Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro. O método O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos. Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e 16


variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia. O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão. Obras A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. De modo geral, pode ser dividida em três partes: jurídica, literária e filosófica. Obras jurídicas Figuram entre seus principais trabalhos jurídicos os seguintes títulos: The Elements of the common lawes of England (Elementos das leis comuns da Inglaterra), Cases of treason (Casos de traição), The Learned reading of Sir Francis Bacon upon the statute os uses (Douta leitura do código de costumes por Sir Francis Bacon). Obras literárias Sua obra literária fundamental são os Essays (Ensaios), publicados em 1597, 1612 e 1625 e cujo tema é familiar e prático. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os Essays tornaram-se tão famosos quanto os de Montaigne. Outros opúsculos, no âmbito literário: Colours of good and evil (Estandartes do bem e do mal), De sapientia veterum (Da sabedoria dos antigos). No âmbito histórico destaca-se History of Henry VII (História de Henrique VII) . Obras filosóficas As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico. Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo: 1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia

naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez; 2) Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não

incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés); 3) Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes: (a) Partitiones scientiarum (Classificação das 17


ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem; (b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum; (c) Phaenomena universi sive

Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e

experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos; (d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método; (e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido; (f) Philosophia secunda, sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa), seria o resultado final, oragnizado em um sistema de axiomas. Morte e legado de Bacon Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre o frio e a conservação. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de abril, vítima de uma Bronquite. Efetivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna sociologia do conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem Moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Essays são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna. A hipótese surgida no século XIX, que deseja atribuir a Bacon a autoria das peças de Shakespeare, é hoje considerada totalmente sem fundamento. Linha do tempo • 1558 — Morte de Maria I, que é sucedida por Elizabeth I. • 1561 — Nasce Francis Bacon. • 1564 — Nasce Galileu Galilei • 1576 — Bacon viaja para França. • 1582 — Giordano Bruno publica As sombras das idéias. • 1588 — Derrota da Invencível Armada. • 1596 — Nasce Descartes. • 1600 — Giordano Bruno é condenado e executado. • 1618 — Bacon é Lorde Chanceler e barão de Verulam. • 1623 — Nasce Blaise Pascal. • 1626 — Morte de Bacon. Francis Bacon

18


Francis Bacon- (1561-1626) nasceu no dia 22 de janeiro na York House, Londres, na casa de seu pai, Nicholas Bacon. Nicholas ocupou um cargo de importância no reinado de Elizabeth I. Bacon também participou ativamente da política. A mãe de Bacon foi Anne Cooke, também fazia parte da elite inglesa. Era uma mulher com cultura, que deu base cultural e teológica, para Bacon, estimulando nele o zelo, a dedicação e a severidade. Na Inglaterra havia acontecido a implantação do anglicanismo, religião oficial imposta por Henrique VIII. Essa reforma religiosa acarretou transformações políticas e sociais e assim surgiu uma pequena nobreza, a qual Bacon estava ligado. A Inglaterra estava próspera naqueles dias, pois tinham uma poderosa marinha militar e mercante que derrotara os espanhóis. Os piratas ingleses, apoiados pela rainha, saqueavam e navegavam pelo globo. Os Estados Unidos eram da Inglaterra. Bacon foi para o Trinity College com doze anos e ficou três anos. Foi aí que estudou filosofia, adquirindo antipatia e hostilidade pela filosofia precedente. Não identificava nela fins práticos e achou muitos erros. Critica Aristóteles. Apesar de ter formação escolástica, essa também não lhe agradou. Ele tinha idéias de transformar a filosofia em uma coisa fértil, iluminada e a favor do bem do homem. O homem já havia sofrido demais em nome dos dogmas religiosos. A importância da salvação espiritual e de Deus na formação da população haviam dominado os atos humanos por toda a Idade Média. Esse rigor havia sido criticado durante o Renascimento e Bacon o achava improdutivo. Era preciso uma filosofia a favor do avanço das ciências. Bacon era um entusiasta das novas invenções, como a bússola, a arma de pólvora e a imprensa. Em 1577 seu pai o mandou para a França, para trabalhar junto ao embaixador inglês na França, e assim Bacon iniciou a carreira diplomática. Na França, ficou sem os recursos paternos, o que o obrigou a arranjar sozinho os meios de sobrevivência. Quando tinha dezoito anos seu pai morreu. E Ele era um jovem acostumado aos luxos. Em 1583 foi eleito para o parlamento. Era um bom orador, que fazia com que os ouvintes ficassem presos às suas considerações. Em 1595 seu amigo conde d’Essex deu de presente para ele uma propriedade nas margens dos rios rio Tâmisa. Lá dedicou-se ao trabalho intelectual e redigiu os Ensaios. É um clássico, tem um estilo renascentista sagaz e poderoso, como é comum em toda a obra de Bacon. Aproxima-se do maquiavelismo. Seu amigo, Essex, armou uma conspiração para aprisionar a rainha Elizabeth, que o amara. Bacon o advertia, dizendo que estava em favor da rainha. Essex insistiu e foi preso. Bacon interviu junto à coroa. Essex temporariamente libertado invadiu Londres, incitando a população contra o trono. Foi preso e condenado por traição. Bacon, que havia se voltado contra ele irritado, teve um papel importante na acusação. Criou inimigos por causa disso. Já ocupava posição importante no governo inglês. Bacon era egoísta e tinha vontade de vencer. Subiu sucessivamente nos cargos da câmara e em 1613 chegou à presidência da câmara dos Pires. Mas nunca abandonou a filosofia. Ele dizia que sem filosofia não queria viver. No seu entusiasmo falava que a mente é o homem, e o conhecimento é a mente. Bacon, contrariamente aos estóicos, dizia que o corpo deve estar acostumado aos 19


excessos e restrições. Apesar de ser acusado de ateísmo acredita em Deus, pois ele diz que a estrutura universal tem uma mente. Ele opina sobre costumes como o casamento e o celibato, e nos assuntos triviais impõe sua marca original. Ele dá mais valor à amizade do que ao amor, mas a amizade seria uma ajuda para se subir na escala do poder. Acreditava em uma nação estado ampla, moderna e centralizada numa monarquia hereditária. Bacon tinha um projeto de um grande trabalho científico, A Grande Instauração, do qual Novo Órganon seria o prefácio. Esse Órganon trata-se de uma crítica ao Órganon de Aristóteles, de sua biologia e de seu método. Achava que as ciências estavam estacionárias. Primeiro em seu projeto escreveria a Introdução. Segundo classificaria as ciência. Existem as ciências da memória ( história ) as ciências da razão (filosofia) e ai ciências da imaginação (poesia). Em terceiro lugar descreveria seu novo método para a interpretação da natureza, que deveria estar a serviço do homem . Assim haveria uma desmitisficação do mundo. Em quarto se dedicaria à ciência natural e às investigações dos fenômenos da natureza. Quinto iria mostrar a escada do intelecto, na qual demonstraria como os escritores do passado deram as bases sobre as quais a sociedade estava apoiada. Em sexto lugar, escreveria as previsões sobre as conclusões que o seu novo método científico iria chegar. Pois não era ele que iria empregar seu método e sim os cientistas. A ciência é o caminho para a Utopia, que descreve em Nova Atlântida. Seu projeto consiste em aperfeiçoar a ciência, depois aperfeiçoar a ordem social, e por último conferir a soberania aos homens da ciência,, Na Nova Atlântida, o objetivo é lutar contra o sofrimento, a ignorância e a miséria e permitir ao império humano realizar tudo quanto lhe fosse possível. Bacon é contra o desperdício, dá grande importância à fisiologia e medicina, sendo que o médico deve ter o direito de praticar a eutanásia. Ele acha que não há nada além da ciência, as superstições são bobagens e os fenômenos psíquicos devem ser submetidos à um exame científico. O governo e a ciência devem estar ligados à filosofia.

É no Novo Órganon que Bacon dá vida à lógica. Para se estabelecer o progresso da ciências primeiro temos de destruir os ídolos. Um ídolo é um retrato considerado como se fosse uma realidade, um pensamento confundido com a coisa. Uma deturpação, um erro, que está arraigado na mente e nas atitudes humanas. Bacon nomeia quatro ídolos: primeiro os ídolos da tribo, são normais em toda a humanidade. O homem, sendo o padrão das coisas, faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade, sendo que pertencem apenas ao homem, e não ao universo. Bacon compara a mente aos espelhos côncavos e convexos que desfiguram a realidade. São muitos os ídolos da mente, que simplificam o mundo e causam superstições. A percepção do homem está moldada para reduzir o complexo ao simples, realçando o que lhe é favorável. É a inércia do espírito, e estaria presente na astronomia, na cabala e na astronomia. Segundo Bacon, pensamentos retratam o homem mais que o objeto. Deve-se ter muitos cuidados ao lidar com esses ídolos, pondo sob suspeita suas convicções. O segundo tipo de ídolo são os da caverna (uma alusão à alegoria da caverna de Platão), são os erros peculiares de 20


cada indivíduo, cada pessoa tem sua caverna ou toca particular que descolore e refrata a luz da natureza. É formada pela disposição do corpo e da mente. A tendência do indivíduo é ver tudo sob a luz de sua própria caverna. O terceiro tipo são os ídolos do mercado, nascidos do comércio e associações entre os homens. Implicam-se na ambigüidade de palavras que impostas segundo a compreensão da multidão. Da má disposição de palavras surge a obstrução da mente. Os homens usam as palavras para designar o que dizem ser realidade, mas não designam mais que abstrações em certos casos. Por último vem os ídolos do teatro, que tem suas origens nas doutrinas filosóficas influentes. Para Bacon os sistemas filosóficos não passam de peças teatrais, representadas num mundo irreal. São mais elegantes e compactas que a realidade. Bacon critica os clássicos gregos, chamando Aristóteles de o pior dos sofistas. Livres dos erros que são os problemas da humanidade, devese partir para a Grande Reconstrução. livres e despidos de preconceitos, como as crianças. Para passar de dominado a dominador da natureza o homem deve conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Bacon declara várias vezes que saber é poder. No seu método de investigação distingue a experiência simples da experiência escriturada. A simples aceita-se como se manifesta, é um acidente. São noções recolhidas quando se opera ao acaso. A segunda vem quando o investigador, que já está preparado, observa a experiência metodicamente e faz experimentos. Assim, o investigador tem enumerar todas as ocorrências e ausências do fenômeno. Depois deve comparar as ocorrências entre si. Então se observa na experiência a variação, a prolongação, a transferência, inversão, compulsão, união e mudança de condições. Então chega-se às instâncias prerrogativas, que forças as investigações em um sentido. As mais importantes dentre as vinte e sete são as solitárias, as imigrantes, as ostensivas, as analógicas e as cruciais. Bacon formula a teoria da indução, que serve para descrever minuciosamente os cuidados, técnicas e procedimentos para a investigação dos fenômenos naturais. O final de tudo isso seriam as formas das coisas. Muitos traços paralelos entre as teorias das formas de Bacon e a teoria das idéias de Platão. Bacon, aliás, achava que Platão era um teólogo idealista, que confundia a teologia com a filosofia. É uma metafísica da ciência. As formas pertencem ao mundo empírico, são a realidade por excelência, leis e causas dos fenômenos naturais. Quando se conhecerem as formas das coisas haverá matéria prima para a Utopia. Na Nova Atlântida, publicada dois anos antes da morte de Bacon, ele descreve uma ilha que, com a abundância de força juntada ao rigor científico e ao trabalho permite uma organização justa das estruturas sociais e econômicas. Seria governada pela Casa de Salomão, um santuário de sabedoria. Não há políticos. Bacon influenciou muitos filósofos com Hobbes e Locke, também ingleses. Chamado de arauto da ciência, primeiro dos modernos e último dos antigos, Bacon captou a transformação que a mente humana passava na sua época, e que evoluiu ainda mais depois. Propõe o domínio da natureza em favor do homem e assim vem acontecendo cada vez mais, a ponto de chegarmos à uma degradação ambiental alarmante. O homem, para Bacon, só deve prestar contas ao

21


Estado e à Deus. Se deus existe na natureza e dominamos ela, quem parará o homem? É o começo de um processo que tirou o mágico da mente humana em favor da razão e da transformação da matéria e culminou no capitalismo industrial. • Karl Popper – Lógica da Pesquisa Científica – Fichamento do cap. 1 (1) • CONSOLANDO O ESPECIALISTA – PAUL FEYERABEND (1) • Certas Semelhanças entre utopias (10) • Trabalho feminino – Crônica de Olavo Bilac (2) • Teoria da verdade em Leibniz: Necessidade e Contingência (1) • Spinoza – biografia e pensamentos (60) • Recenseamento – Crônica de Olavo Bilac (2) • Pré-Socráticos (231) • ORIGENS DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA – A filosofia contemporânea Ocidental – J. M Bochenski (6)

Capítulo 5

TEORIAS DA REENCARNAÇÃO, E CASOS (todas as citações são mágicas, intempestivas, não foram estudadas a fundo como filosofia ou ciência ou matemática) Reencarnação Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Reencarnação é uma idéia central de diversos sistemas filosóficos e religiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o autoaperfeiçoamento ou a anulação do carma. Características A reencarnação é um dos pontos fundamentais do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, do Hinduísmo, do Jainismo, da Teosofia, do Rosacrucianismo e da filosofia platônica. Existem vertentes místicas do Cristianismo como, por exemplo, o Cristianismo esotérico, que também admite a reencarnação. Há referência recentes a conceitos que poderiam lembrar a reencarnação na maior parte das religiões, incluindo religiões do Egito Antigo, religiões indígenas, entre outras. A crença na reencarnação também é parte da cultura popular ocidental, e sua representação é frequente em filmes de Hollywood. É comum no Ocidente a idéia de que o Budismo também pregue a reencarnação, supostamente porque o Budismo tenha se originado como uma religião independente do Hinduísmo. No entanto essa noção tem sido contestada por fontes budistas; para mais detalhes veja renascimento. Origens A crença na reencarnação tem suas origens nos primórdios da humanidade, nas culturas primitivas. De acordo com alguns estudiosos, a ideia se desenvolveu de duas crenças comuns que afirmam que: • Os seres humanos têm alma, que pode ser separada de seu corpo, temporariamente no sono, e permanentemente na morte; • As almas podem ser transferidas de um organismo para outro. Entre as tentativas de dar uma base "científica" a essa 22


crença, destaca-se o trabalho do Dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, Estados Unidos, que recolheu dados sobre mais de 2.000 casos em todo o mundo que evidenciariam a reencarnação. No Sri Lanka (país onde a crença é muito popular), os resultados foram bem expressivos. Segundo os dados levantados pelo Dr. Stevenson, os relatos de vidas passadas surgem geralmente aos dois anos de idade, desaparecendo com o desenvolvimento do cérebro. Uma constante aparece na proximidade familiar, embora haja casos sem nenhum relacionamento étnico ou cultural. Mortes na infância, de forma violenta, aparentam ser mais relatadas. A repressão para proteger a criança ou a ignorância do assunto faz com que sinais que indiquem um caso suspeito normalmente sejam esquecidos ou escondidos. Influências comportamentais (fragmentos de algum idioma, fobias, depressões etc) podem surgir, porém a associação peremptória desses fenômenos com encarnacões passadas continua a carecer de fundamentação científica consistente, sendo mais facilmente atribuíveis a outros fatores. Dentre os trabalhos desenvolvidos por Dr. Stevenson sobre a reencarnação, destaca-se a obra Vinte casos sugestivos de reencarnação. Reencarnação versus Metempsicose A transmigração das almas ou metempsicose é uma teoria diferente da reencarnação, seguida por alguns adeptos de ensinamentos místicos orientais, que propõe que o homem pode reencarnar de modo não-progressivo em animais, plantas ou minerais. Esta teoria não é aceita pelos adeptos do espiritismo kardecista, que a consideram incompatível com o conceito de evolução por vidas sucessivas. Reencarnação e Cristianismo Diversos estudiosos espíritas e espiritualistas defendem que, durante os seis primeiros séculos de nossa era, a reencarnação era um conceito admitido por muitos cristãos. De acordo com eles, numerosos Padres da Igreja ensinaram essa doutrina e apenas após o Segundo Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., é que a reencarnação foi proscrita na prática da igreja, apesar de tal decisão não ter constado dos anais do Concílio. Afirmam ainda que Orígenes (185-253 d.C.), que influenciou bastante a teologia cristã, defendeu a idéia da reencarnação,[1] além dos escritos de Gregório de Nisa (um Bispo da igreja Cristã no século IV) entre outros, e passagens do Novo Testamento, como Mateus 16:13-14 e 19:28 ("regeneração", grego 'pale-genesia' literalmente, renascimento) entre outras, são vistas por adeptos da reencarnação como evidência de que ela era doutrina aceita no Cristianismo primitivo. Entretanto, tais afirmativas carecem de fundamentação histórico-documental. Por isso, os teólogos cristãos não só se opõem à teoria da reencarnação, como, também, à idéia de que ela era admitida pelos cristãos primitivos. Argumentam que não há referências na Bíblia, nem citações de outros Padres da Igreja, e que as próprias afirmações de Orígenes e de Gregório de Nisa aduzidas pelos estudiosos espíritas e de outras crenças espiritualistas, não são por aqueles citadas senão para as refutarem. Por outro lado, com base na análise da atas conciliares do 23


Concílio de Constantinopla, constatam que os que ali se reuniram sequer citaram a doutrina da reencarnação - fosse para a afirmar ou para a rejeitar. Contra a reencarnação ainda cita-se Hebreus 9:27, o episódio dos dois ladrões na cruz, em Lucas 23:39-44 e parábola do rico e Lázaro, em Lucas 16:19-31. Desta sorte, as afirmações recentes que tendem a vincular a reencarnação à Bíblia, aos pais da Igreja ou aos Concílios, são destituídas de fundamentação histórico-documental. Não passam, na verdade, de mera tentativas de induzir o vulgo a algo que, historicamente, não pode ser provado. Tanto a Igreja Católica como os Protestantes em geral denunciam a crença na reencarnação como herética, baseando essa conclusão da própria Bíblia e dos Padres da Igreja defensores da Ortodoxia. O Cristianismo Esotérico, por outro lado, admite e endossa abertamente a reencarnação que é, inclusive, um dos pilares de sua doutrina. Entretanto, é bom ressaltar: tal esoterismo é obra recente, ainda que possa buscar alguma justificação nas opiniões de antigos gnósticos. Suas teses reencarnacionistas, portanto, independentemente de serem corretas ou não, não encontram apoio na tradição judaicocristã. Constituem, na verdade, importações de outras tradições, tal como o Hinduismo, por exemplo. Aliás, é oportuno dizer que existem atualmente defensores da idéia de que a reencarnação tinha adeptos no antigo judaismo. Mas eles enfrentam o mesmo problema: não existe qualquer fonte antiga confiável que ateste a crença na reencarnação no judaismo antigo. Não encontramos tais informações, por exemplo, nas obra de Filão de Alexandria (25 a. C. e 50 d. C.). Este autor, contemporâneo de Jesus, ocupou-se de aproximar a filosofia helenística da mentalidade judaica. Concebeu a encarnação do logos em personagens como Abraão, Isaque, Jacó, Moisés etc e a possibilidade de se incorporar a alma individual na grande alma universal. Mas, em momento algum noticiou a crença da reencarnação entre os judeus. Veja, e. g., sua obra intitulada “Vida de Moisés”, escrita por volta do ano 45 dC. Uma outra fonte a ser consultada seria Flávio Josefo, especialmente em sua obra “Antiguidades Judaicas”, escrita por volta dos anos + 90 dC. Nem nesta nem em nenhuma de suas obras obras menciona a presença da reencarnação entre os judeus. Estes são, apenas, exemplos de autores antigos que não mencionaram a presença da reencarnação no judaismo. Reencarnação e Ciência A crença na sobrevivência da consciência após a morte é comum e tem-se mantido por toda a história da humanidade. Quase todas as civilizações na história tem tido um sistema de crença relativo à vida após a morte. Cientificamente, entretanto, inexiste qualquer motivo para sustentar a hipótese. As investigações científicas sobre assuntos relacionados ao pós-morte remontam particularmente ao século XIX[2][3], e, embora continuem a ser motivo de intenso debate entre leigos, não mais despertam interesse sério na comunidade acadêmica. A objeção mais óbvia à reencarnação é que não há nenhum processo físico conhecido pelo qual uma personalidade pudesse sobreviver à morte e se deslocar para outro corpo. Mesmo adeptos da hipótese como Stevenson reconhecem esta limitação. 24


Outra objeção é que a maior parte das pessoas não relembram vidas prévias. Além disso, estatisticamente, cerca de um oitavo das pessoas que "lembram" de vidas prévias se lembrariam de ter sido camponeses chineses; mas, entre os que se "lembram", a maioria lembra de situações sociais menos triviais e mais interessantes. Alguns céticos explicam que as supostas evidências de reencarnação resultam de pensamento seletivo e falsas memórias comumente baseadas nos sistemas de crença e medos infantis dos que as relatam. Acrescenta-se, por último, que a reencarnação é, no fundo, objeto de crença dos fiéis de determinados segmentos religiosos, da mesma forma que o é a ressurreição em outros segmentos religiosos. A ciência, como se sabe, não se presta para provar ou não a reencarnação ou a ressurreição. E isto porque, entre outros argumentos, a ciência se faz sobre um determinado recorte da relidade que pode ser provado, demonstrado, testado etc. Ressureição e reencarnação são coisas que ultrapassam eventuais demonstrações, indo aportar nos mares da fé, da crença, o que não signfica necessariamente qualquer falta de mérito de qualquer uma delas, senão que se limitam ao campo da fé. Experiências de quase morte Estudos realizados em hospitais entre sobreviventes a paradas cardíacas aonde se observou o fenômeno conhecido como "experiência de quase-morte",[4] incluindo os do cardiologista holandês Pim Van Lommel,[5] demonstram achados que são compatíveis com fenômenos neurológicos causados pela hipóxia (falta de oxigênio no cérebro)[6][7][8] em pacientes nos quais a morte encefálica não foi comprovada,[9] por medicações como a quetamina[10] ou pela indução de hipóxia cerebral por alta gravidade,[11] incluindo visão em túnel, comunhão com entidades espirituais e saída do corpo, podendo ser considerados como alucinações. Cientistas e médicos relatam inúmeras experiências de quase-morte que sucederam em situações operatórias onde os pacientes estiveram em período de "inconsciência" (estado alterado de consciência, induzido por anestésicos que incluem a ketamina) ou reanimados após parada cardíaca, onde há redução da atividade cerebral, mas sem demonstração de ausência da mesma (mesmo a ausência de atividade eletroencefalográfica, ou eletroatividade, não é considerada fidedigna de ausência de atividade cerebral[12][13]). Mesmo assim, esses relatos anedóticos são freqüentemente utilizados como justificativa de que não seria possível que a experiência de quase morte fosse, portanto, originada em quaisquer funções biológicas ou quimíco-eléctricas[14] e de que a consciência sobreviveria à morte do corpo físico.[15] Relatos de casos Por outro lado, há pesquisa efetuada mundialmente pelo professor de psiquiatria norte-americano da Universidade de Virgínia Ian Stevenson, desde os anos 60, com mais de 2.500 relatos que sustentariam a reencarnação.[16][17][18] Aqui estão alguns exemplos ilustrativos: a criança pode mostrar um gosto (ou antipatia) por certos alimentos que a personalidade prévia (des)gostava. Contrária às crenças religiosas tradicionais da família, a criança repentinamente pode rejeitar estas crenças e estritamente seguir as práticas de outra religião coerente com as 25


crenças que a personalidade prévia possuía (p.ex., se a personalidade prévia era Hindu, a criança freqüentemente mostrará uma preferência para crenças Hindu e às vezes estritamente seguir práticas Hindus tal como não comer carne). Uma criança também pode rejeitar seus próprios pais, alegando que seus pais reais vivem na cidade natal da personalidade prévia. Algumas mostraram desejos evidentes de ir a esta cidade natal, seja por exigir que a família o levasse lá, ou por realmente fazer tentativas mal sucedidas para ir lá para encontrar-se com a família da personalidade prévia. Se a criança encontra-se com estes membros da família da personalidade prévia, ela às vezes pode declarar que é relacionada a eles num meio distinto (p.ex., se a criança encontra a filha da personalidade prévia, ela se dirigirá por seu nome específico e/ou declarar que “Você é minha filha.”). Algumas crianças podem mostrar um temor incomum de certos objetos ou lugares, particularmente se parecem estar relacionados em algum modo com a morte da personalidade prévia (p.ex., se a personalidade prévia foi morta por afogamento num lago, a criança mostrará um temor de água e/ou de lagos). Algumas crianças também podem empenhar numa brincadeira que imita a ocupação da personalidade prévia (p.ex., a criança monta uma loja de brincadeira se a personalidade previamente era comerciante, a criança finge esfregar e varrer ruas com vassouras ou galhos se a personalidade era um varredor de ruas, etc.) e/ou brinca com brinquedos que de certa maneira simbolicamente se encaixam com a vida da personalidade prévia (p.ex., a criança pode ter bonecas chamadas à maneira dos próprios filhos da personalidade). E num número raro de casos, a criança pode descrever ser um membro do sexo oposto. Em muitos casos, a criança pode exibir mais que somente um destes aspectos; casos em que dois ou mais mostrados acima parecem particularmente interessantes e algo argumenta contra a possibilidade baseado nas múltiplas correspondências entre o comportamento da personalidade da criança e o da personalidade prévia (para visões gerais interessantes de todos estes e outros aspectos, vide Stevenson, 2000, e Tucker, 2005). Os casos do tipo biológico incluem estruturas anatômicas incomuns presentes no corpo da criança (tais como marcas de nascimentos congênitas e defeitos de nascimento) que notavelmente correspondem com a localização de uma injúria, ferida, ou desmembramento ao corpo da personalidade prévia que pode ter contribuído com a sua morte. Em alguns casos bem interessantes, isto não é limitado a somente uma estrutura anatômica coincidente (que pode ocorrer apenas por puro acaso), mas estruturas múltiplas no corpo da criança, e às vezes vir juntas com memórias de renascimento (Pasricha, 1998; Stevenson, 1997; Tucker, 2005). Um avanço interessante com referência a estes casos é que seu número informado aumentou desde o livro de Stevenson (1997) sobre eles. Em um caso recente, Keil e Tucker (2000) descrevem uma longa marca de nascimento através da perna direita de um rapaz burmês que notavelmente correspondeu à localização de uma tira fixa de paraquedas. Isto é notável porque acreditou-se que o rapaz talvez fosse a reencarnação do primeiro marido da sua mãe, que era soldado que morreu num exercício de paraquedismo de noite aproximadamente três anos antes do 26


rapaz nascer. Escoriações menores foram notadas na perna direita do soldado (presumivelmente sofridas enquanto tornava-se apertadamente emaranhado nas tiras do páraquedas enquanto lutava por libertar-se para evitar de afogar-se depois que tinha aterrissado num lago) que corresponderam a marcas de amarras com corda na perna direita do rapaz, e o rapaz também pareceu mostrar memórias vagas de renascimento da morte trágica do soldado quando tinha 3 anos a 5 anos [p.ex., o rapaz falou sobre “vir do céu” (p. 1069), estar emaranhado em cordas, e morrer numa lagoa]. Semelhantemente, o Dr. Stevenson (2001) informou um caso envolvendo uma criança com marcas de nascimentos como cordas ao longo da coxa superior e tornozelos que pareciam corresponder aos locais onde uma corda foi amarrada no corpo da personalidade prévia dobrando-o após ter sido assassinada de modo que seu corpo pudesse ser liquidado arremessando-o para o fundo de um poço. Neste caso também a criança pareceu ter alguma memória da morte da personalidade e da disposição subseqüente do seu corpo. Mais recentemente, Pasricha et al. (2005) informaram 12 casos do tipo reencarnação em que deformações corpóreas foram achadas corresponderem com feridas ou desmembramentos ao corpo da personalidade prévia (8 casos envolvendo anomalias de pele tal como marcas e áreas enrugadas de pele, e 4 casos envolvendo membros do corpo mal formados ou faltantes). Como mencionado, enquanto o acaso pode desempenhar um papel na formação de marcas e defeitos de nascimento no corpo, múltiplos casos de correspondência parecem menos atribuíveis ao acaso e são assim mais interessantes. Note-se que a crença de que o corpo físico de alguém apresentaria marcas "explicáveis" por acontecimentos ocorridos em vidas passadas não se coaduna bem com a idéia costumeira, implícita na crença - não estudada - na reencarnação, de que corpo e alma são independentes. No entanto, ao explicarmos os narrativas levando-se em conta o Perispírito, veremos que os casos relatados representam fielmente a Doutrina espírita sistematizada cientificamente por Allan Kardec. Críticas Céticos criticam tais estudos de casos, por melhor descritos que sejam, por serem evidências anedóticas coletadas retrospectivamente, além de não eliminarem a possibilidade de fraude. De fato, normalmente não há controle contra a fraude, porém os reencarnacionistas apontam que existem características típicas de tais casos que seriam difíceis de serem fraudadas, tais como os defeitos e as marcas de nascimento, e as fobias demonstradas pelas crianças. No entanto, tais casos são descritos retrospectivamente - uma fobia específica, determinada marca de nascença ou preferências pessoais, são explicadas encontrando-se relatos de pessoas que morreram de determinada forma, tiveram algum tipo de lesão ou tinham determinadas preferências. Como qualquer fobia pode ser relacionada a alguma pessoa que já apresentou morte pelo objeto da mesma, não há nenhum local do corpo onde se possa ter uma marca de nascença que alguém não tenha se ferido e preferências pessoais não são exclusivas, para eles, tais relatos não teriam grande valor científico. Tais céticos são contestados pelos estudiosos da 27


reencarnação sob o argumento de que Relato de Casos Anedóticos não é a mesma coisa que Estudo de Casos. E simples Estudo de Casos não é a mesma coisa que Estudo de Casos com Tentativa de Controle de Variáveis Envolvidas e Tentativa de Avaliação Quantitativa. Os estudos CORT (Cases of Reincarnation Type – Casos do Tipo Reencarnação) não estariam incluídos na primeira categoria (que é a mais fraca), nem na segunda (de força mediana). Eles fariam parte do terceiro grupo, que possui força bem superior: Estudo de Casos com Tentativa de Controle de Variáveis Envolvidas e Tentativa de Avaliação Quantitativa. Recentemente, o cético Richard Wiseman tentou reproduzir as demais características dos CORTs por meios normais, sem sucesso.[carece de fontes?] Nas palavras do pesquisador Jim Tucker,[19] o estudo de Wiseman “demonstra que coincidência fracassa em explicar partes importantes dos casos, embora sua intenção tenha sido mostrar o oposto”. Tucker considera também que tal estudo demonstra que a fraude não pode ser aplicada aos casos resolvidos com registros escritos antes das verificações. Além disso, já foi possível fazer testes controlados numa minoria desses casos. Tucker cita dois desses casos no seu livro Life Before Life (2005): o de Gnanatilleka Baddewithana e o de Ma Choe Hnin Htet, e argumenta que tais casos enterrariam de vez as críticas dos céticos de que a fraude ou a coincidência seriam explicações razoáveis para os CORTs. Alguns críticos também argumentaram que casos de reencarnação não são particularmente interessantes por causa da possibilidade que eles podem ter sido embelezados quando a família da criança entra em contato com a família da personalidade prévia antes da documentação das memórias de renascimento da criança ter sido feita, aumentando a possibilidade que o câmbio de informação entre as duas famílias possa ser o responsável para as memórias detalhadas da criança, e não reencarnação (por fraude e/ou falsas memórias). Esta hipótese, embora plausível em alguns casos, foi rejeitada pelo outro avanço principal na pesquisa de reencarnação, o de localizar casos em que documentação é feita antes de tentar achar a família da personalidade prévia, o que não impede necessariamente fraudes ou simples coincidências. Embora seu número seja pequeno (apenas 33 dos 2.500 na coleção da Universidade de Virginia), tais casos parecem fornecer um argumento mais forte a favor da reencarnação. O Dr. Stevenson (1974) foi um dos primeiros a localizar casos como estes, e outros independentemente foram encontrados por Mills, Haraldsson, e Keil (1994), e mais recentemente por Keil e Tucker (2005). Literatura • Currie, Ian, A morte não existe: um século de pesquisas e descobertas sobre a morte. Trad. Anna Maria Dalle Luche. São Paulo: Mandarim, 1996. 340 pp. • Doore, Gary (Org.) e diversos autores, Vida depois da morte - A ciência na fronteira do mistério, Ésquilo, ISBN 972-8605-48-X, 2ª ed. Julho de 2005 • Heindel, Max, Conceito Rosacruz do Cosmos (Renascimento e a Lei de Conseqüência), 1909 • Heindel, Max, Os Mistérios Rosacruzes (O Problema da Vida e a sua Solução), 1911 • Moody, Raymond, Vida Depois da Vida 28


Stevenson, Ian, Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação e outros livros. • Weiss, Brian L., "Muitas Vidas, Muitos Mestres" Filmes relacionados à reencarnação • Audrey Rose (1977) • Birth (2004) • Dead Again (1991) • Kundun (1997) • Little Buddha (1993) • Om Shanti Om (2007) • On a Clear Day You Can See Forever (1970) • Reincarnation (2005) • Switch (1991) • Yesterday's Children (2000) • Minha Vida na Outra Vida (2000) Referências 1. ↑ Artigo sobre o Concílio de Constantinopla 2. ↑ Parnia S; Fenwick P Near death experiences in

cardiac arrest: visions of a dying brain or visions of a new science of consciousness. Resuscitation.

2002; 52(1):5-11 3. ↑ Neal Grossman, Prof., Indiana University and University of Illinois, United States, (2002) Who's

Afraid of Life After Death? Why NDE Evidence is Ignored, published at the Institute of Noetic

Sciences (IONS) 4. ↑ Parnia S; Waller DG; Yeates R; Fenwick P A

qualitative and quantitative study of the incidence, features and aetiology of near death experiences in cardiac arrest survivors. Resuscitation. 2001;

48(2):149-56 5. ↑ Lommel, Pim Van, Dr., (2001) Near-death experience

in survivors of cardiac arrest: a prospective study in the Netherlands, pdf

6. ↑ (em inglês)Woerlee, GM Darkness, Tunnels, and Light Skeptical Inquirer, maio 2004 7. ↑ Woerlee, G. M. (2005). Mortal Minds - The Biology of Near-Death Experiences. Prometheus. 8. ↑ Nelson KR; Mattingly M; Lee SA; Schmitt FA Does the

arousal system contribute to near death experience?

Neurology. 2006; 66(7):1003-9 9. ↑ Rothstein TL Recovery from near death following

cerebral anoxia: A case report demonstrating superiority of median somatosensory evoked potentials over EEG in predicting a favorable outcome after cardiopulmonary resuscitation. Resuscitation. 2004;

60(3):335-41 10. ↑ Jansen, K [1] 11. ↑ Dr. James E. Whinnery The Trigger of Gravity 12. ↑ Omkar N. Markand Pearls, Perils, and Pitfalls In the Use of the Electroencephalogram Semin Neurol 23(1):7-46, 2003 13. ↑ Rothstein TL Recovery from near death

following cerebral anoxia: A case report demonstrating superiority of median somatosensory evoked potentials over EEG in predicting a favorable outcome after cardiopulmonary resuscitation.

14.

Resuscitation. 2004; 60(3):335-41 ↑ Lommel, Pim Van, A Reply to Sherman - Medical Evidence for NDEs, 2003

29


15. ↑ David Fontana, Prof., Cardiff University and Liverpool John Moores University, UK, (Finland 2003) Does Mind Survive Physical Death?, pdf 16. ↑ Ian Stevenson, Prof., (1980) Twenty Cases

Suggestive of Reincarnation: Second Edition, Revised and Enlarged, University Press of Virginia, ISBN

0813908728 ↑ Ian Stevenson, Prof., (1997) Where Reincarnation and Biology Intersect, Praeger Paperback, ISBN 0275951898 18. ↑ Mary Roach Spook: Science Tackles the Afterlife W. W. Norton (2005) 19. ↑ Tucker, Jim B.(2005) Life Before Life: A Scientific Investigation of Children’s Memories of Previous Lives, St. Martin´s Press, ISBN 0312321376 Bibliografia • KARDEC, Allan. A Gênese. 17. ed. São Paulo : LAKE, 1994. (Cap. XI). • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 96. ed. Araras : IDE, 1995. • MIRANDA, Hermínio. A reencarnação na Bíblia. São Paulo : Pensamento, 1995. • NOVAES, Adenáuer Marcos. Reencarnação: processo educativo. Salvador : Fundação Lar hamonia, 1995. • TINOCO, Carlos Alberto. O modelo organizador biológico. Curitiba :Veja, 1982. • UBALDI, Pietro. A grande síntese. São Paulo : FUNDAPU, (cap LXXIV). Reencarnação 17.

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Reencarnação e Ressurreição. 4.Finalidade da Encarnação. 5. Justiça da Reencarnação. 6. Limites da Reencarnação. 7. Enfoque Científico. 8. Outros Tópicos. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃO O objetivo deste estudo é mostrar que a alma é imortal e ao corpo físico retorna quantas vezes for necessário. 2. CONCEITO Reencarnação significa a volta do Espírito à vida corpórea, mas num outro corpo, sem qualquer espécie de ligação com o antigo. Usa-se também o termo Palingenesia, proveniente de duas palavras gregas — Palin, de novo; genesis, nascimento. Metempsicose - do grego metempsykhosis, embora empregada no mesmo sentido da reencarnação, tem um significado diferente, pois supõe ser possível a transmigração das almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie. Ou seja, a alma que atingiu a fase humana poderia reencarnar em um animal. Plotino (205-270 a. C.) sugeriu que se substituísse por metensomatose, uma vez que haveria na realidade, mudança de corpo (soma) e não de alma (psykhe) (Andrade, 1984, p. 194 e 195) Ressurreição - do lat. ressurrectione - significa ato ou efeito de ressurgir, ressuscitar. Segundo o Catolicismo e o Protestantismo, retorno à vida num mesmo corpo. 3. REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO A confusão entre o conceito de ressurreição e o de reencarnação é porque os judeus tinham noções vagas e 30


incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo. Por isso, a reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição. Eles acreditavam que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o fato podia ocorrer. Eles designavam por ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente chama reencarnação. A ressurreição segundo a idéia vulgar é rejeitada pela Ciência. Se os despojos do corpo humano permanecessem homogêneos, embora dispersados e reduzidos a pó, ainda se conceberia a sua reunião em determinado tempo; mas as coisas não se passam assim, uma vez que os elementos desses corpos já estão dispersos e consumidos. Não se pode, portanto, racionalmente admitir a ressurreição, senão como figura simbolizando o fenômeno da reencarnação. O princípio da reencarnação funda-se, a seu turno, sobre a justiça divina e a revelação. Dessa forma, a lei de reencarnação elucida todas as anomalias e faz-nos compreender que Deus deixa sempre uma porta aberta ao arrependimento. E para isso, Deus, na sua infinita bondade, permite-nos encarnar tantas vezes quantas forem necessárias ao nosso aperfeiçoamento espiritual, utilizando-se deste e de outros orbes disseminados no espaço. (Kardec, 1984, cap. IV, it. 4, p. 59) 4. FINALIDADE DA ENCARNAÇÃO 1) Expiação — Expiar significa remir, resgatar, pagar. A expiação, em sentido restrito consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual. 2) Prova — Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito. A prova, às vezes, confundese com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. Trata-se freqüentemente de simples provas escolhidas pelo espírito para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova mas a prova nem sempre é uma expiação. 3) Missão — A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado. Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo. Há, assim, a missão dos pais, dos filhos, dos políticos etc. 4) Cooperação na Obra do Criador — Através do trabalho, os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação. 5) Ajudar a Desenvolver a Inteligência — a necessidade de progresso impele o Espírito às pesquisas científicas. Com isso a sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. É assim que o homem passa da selvageria à civilização. A encarnação ou reencarnação tem outras finalidades específicas para este ou aquele Espírito. Citam-se, por exemplo, o restabelecimento do equilíbrio mental e o refazimento do corpo espiritual. (FEESP, 1991, 7.ª Aula, p. 73 a 76) 5. JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia da justiça de Deus com respeito aos homens de condição moral inferior; a única que pode 31


explicar esperanças, nossos erros diz, e é o

o nosso futuro e fundamentar as nossas pois oferece-nos o meio de resgatarmos os através de novas provas. A razão assim nos que os Espíritos ensinam. (Kardec, 1995, pergunta 171) 6. LIMITES DA ENCARNAÇÃO A encarnação não tem, propriamente falando, limites nitidamente traçados, se se entende por isso o envoltório que constitui o corpo do Espírito, já que a materialidade desse envoltório diminui à medida que o Espírito se purifica. Nesse sentido, o limite máximo seria a completa depuração do Espírito, quando o perispírito estaria totalmente diáfano. Mas mesmo assim, há trabalho a realizar, pois podem vir em missões para ajudar os outros a progredirem. (Kardec, 1984, cap. IV, it. 24, p. 67 e 68) 7. ENFOQUE CIENTÍFICO O Dr. Ian Stevenson, Diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, conseguiu catalogar cerca de 2000 casos, tendo publicado cinco livros versando sobre esses relatos. Em um de seus livros, o 20 Casos Sugestivos de Reencarnação, reúne 7 casos na Índia, 3 no Ceilão, 2 no Brasil, 7 no Alasca e 1 no Líbano. O Método empregado pelo Dr. Ian Stevenson consiste em descobrir pessoas, principalmente crianças, que espontaneamente manifestem recordações. Na maioria dos casos espontâneos, os principais acontecimentos já ocorreram quando o investigador entra em cena. Possíveis ocorrência erros: 1) tradução; 2) os registros no ato da transcrição das testemunhas; 3) as observações quanto ao comportamento do entrevistado; 4) falhas de memória por parte das testemunhas 5) Além disso, embora acreditem na reencarnação, as pessoas envolvidas adotam atitudes bem diferentes. Existe uma crença generalizada de que a lembrança de vidas pretéritas condena à morte prematura, e muitas vezes os pais usam de medidas enérgicas e mesmo cruéis, para evitar que uma criança fale sobre uma vida anterior. Stevenson, em suas observações conclusivas, não opta com firmeza por nenhuma teoria como explanatória de todos os casos. Diz ele que alguns casos podem ser explicados melhor como sendo devido à fraude, à criptomnésia ou à percepção extra sensorial com personificação (talvez com misto de telepatia e retrocognição). Complementando diz: "Na medida em que nos preocupamos com a evidência da sobrevivência, não nos sentimos obrigados a supor que todo caso sugestivo de renascimento deve ser explicado como um caso de reencarnação. Nosso problema é antes, saber se há algum caso (ou mesmo somente um) em que nenhuma outra explicação pareça melhor do que a reencarnação, na explanação de todos os fatos. (Stevenson, 1971, p. 506) 8. OUTROS TÓPICOS O tema reencarnação, por ser amplo, comportaria vários outros tópicos, ou seja: planejamento da reencarnação, mapas cromossômicos, reencarnação na Bíblia, encarnação nos diferentes mundos etc. 9. CONCLUSÃO A reencarnação fundamenta todo o nosso desenvolvimento 32


moral e intelectual. Sem ela, a existência física perderia a perspectiva de uma vida futura, o que nos levaria ao materialismo; com ela, todo o sofrimento encontra a sua explicação lógica, reacendendo, assim, a esperança num futuro mais promissor. 10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ANDRADE, H. G. Espírito, Perispírito e Alma: Ensaio sobre o Modelo Organizador Biológico. São Paulo, Pensamento, 1984. AUTORES DIVERSOS. Curso Básico de Espiritismo (1.º Ano). 3. ed., São Paulo, FEESP, 1991. KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984. KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995. STEVENSON, I. 20 Casos Sugestivos de Reencarnação. São Paulo, Difusora Cultural, 1971. São Paulo, julho de 1999 Referências sobre o tema REENCARNAÇÃO. Enviada em 11/07/2007 por Washington Bacelar Sugestões e complementos podem ser enviadas para washingtonbacelar@yahoo.com.br 1. AMORIM, Deolindo. O Espiritismo e os problemas humanos. São Paulo : USE, cap. V – Reencarnação e desigualdades. 2. ANDREA, Jorge. Forças sexuais da alma. Ed. FON-FON. Cap. II (vórtices espirituais). 3. ANDREA, Jorge. Paligênese: a grande Lei. (????) Cap. Caminho da Libertação. 4. ANDREA, Jorge. Psicologia espírita. 5.ed. Petrópolis : LORENZ, 1991. vol 1. cap. transplantes. 5. DENIS, Leon. Depois da Morte. Rio de Janeiro : FEB. Cap. XLI. 6. DENIS, Leon. O problema do ser, do destino e da dor. Rio de Janeiro : FEB. 1993. Caps. XIII a XIX. 7. KARDEC, Allan. A Gênese. 17. ed. São Paulo : LAKE, 1994. cap. XI, Reencarnações 8. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. 244. ed. Araras, SP : IDE, 1999. cap. IV, XIV – item 8 e 9, XVII – item 11. 9. KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, 96. ed. Araras, SP : IDE, 1995. perg. 132 a 146, 166 a 222, 330 a 399, 686 a 649. 10. MIGUEL, Alfredo. A tese das vidas múltiplas. São Paulo : LAKE. (todo um estudo sobre esta tese). 11. MIRANDA, Hermínio. A reencarnação na Bíblia. São Paulo : Pensamento, 1995. 12. NOVAES, Adenáuer Marcos. Reencarnação: processo educativo. Salvador : Fundação Lar Harmonia, 1955. (esta obra apresenta um verdadeiro resumo das mais importantes pesquisas e pesquisadores deste tema). 13. PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. . Rio de Janeiro : FEB. Caps. Paligenesia; Fases da Reencarnação. 14. RAMOS, Agelisau N. P. A reencarnação na Bíblia. Recife : Companhia Editora de Pernambuco, 1985. 15. TINOCO, Carlos Alberto. O modelo organizador biológico. Curitiba : Veja, 1982. (esta obra apresenta um estudo profundo sobre a formação genética do ser humano, com variadas imagens comparativas e cálculos 33


matemáticos) UBALDI, Pietro. A grande síntese. São Paulo : FUNDAPU. Cap. LXXIV. 17. XAVIER, Francisco Cândido / Emmaneul. Emmanuel. Rio de Janeiro : FEB. cap. XXIV, respondendo às objeções. e Janeiro : FEB. Cap. XVII (fases da reencarnação), E outros. 18. XAVIER, Francisco Cândido / Emmaneul. Vida e sexo. Rio de Janeiro : FEB. Cap. X e XIV. 19. XAVIER, Francisco Cândido /André Luis. Missionários da Luz. Rio de Janeiro : FEB. (todo o processo reencarnatório é apresentado aqui emdatalhes surpreendentes. Valioso trabalho). 20. XAVIER, Francisco Cândido /Emmanuel e André Luis. Evolução em dois mundos. Rio de Janeiro : FEB. Cap. XIX. (e vários outros). 21. XAVIER, Francisco Cândido /Emmanuel e André Luis. Sexo e destino. Rio de Janeiro : FEB. Cap. IX e X. (como ocorrem as reencarnações coletivas, como as famílias são agregadas e preparadas para suas reencarnações). DIVALDO PEREIRA FRANCO 1. Antologia Espiritual – Diversos espíritos – Salvador : LEAL, 1994. cap. III – Reencarnação e progresso / Morte e ressurreição. 2. Atualidade do pensamento espírita – Vianna de Carvalho – Salvador : LEAL, variadas perguntas. 3. Dias Gloriosos – Joanna de ANGELIS – Salvador : LEAL, 2000. (Clonagem, transplantes, Criogenia, renascimento). 4. Enfoques Espíritas – Vianna de Carvalho – Salvador : LEAL, 1995. (Reencarnação: ato de justiça) 5. Estudos Espíritas – Joanna de Angelis – Rio de Janeiro : FEB, cap. 8. 6. Leis Morais da Vida – Joanna de Angelis – Salvador : LEAL, 1992. cap. IV. – afinidade e sintonia. 7. Luzes do Alvorecer – Diversos Espíritos – Salvador : LEAL, 2001. Mensagem 10, de Ivan Costa. 8. Momentos de Consciência – Joanna de Angelis. Salvador : LEAL. Cap. X. 9. Nas Fronteiras da loucura – Manoel Miranda – Salvador : LEAL, cap. 10. O homem integral. – Joanna de Angelis. Salvador : LEAL. cap. VIII. 11. Reflexões Espíritas – Vianna de Carvalho – Salvador : LEAL, cap. XII. 12. SOS família – Joanna de Ângelis – Salvador : LEAL, 1994. diversas mensagens. Com: CARNEIRO, Celeste Santos. A venerando Joanna de Ângelis. Salvador : LEAL, 1998. (apresenta algumas encarnações da Mentora Espiritual do Centro Espírita Caminho da redenção). Journal of Scientific Exploration, Vol. 17, No. 3, pp. 527-532, 2003 16.

O Dr. Ian Stevenson (1987, 1997), seus sócios e colegas independentes colecionaram uma impressionante base de dados dos assim chamados Casos do Tipo Reencarnação (CORTs). Um caso típico envolve uma criança jovem entre dois e quatro anos que espontaneamente faz observações sobre uma vida prévia que ela teria tido antes de seu 34


nascimento. Com muita freqüência, estas observações contêm informação paranormal sobre uma pessoa histórica que morreu antes da criança nascer e era desconhecida à família da criança antes dela ter começado a falar sobre sua vida prévia. A criança normalmente parece esquecer-se da maioria destas possíveis memórias pelo tempo em que ela tem 6 anos ou 7 ou quando começa seguindo uma educação formal na escola primária. Suas declarações tipicamente são acompanhadas por comportamento emotivo. A criança freqüentemente mostra habilidades paranormais relacionado a suas atividades na vida passada que ela reivindica lembrar-se. Em muitos casos, marcas de nascimento e defeitos de nascimento foram registrados e correspondiam especificamente à causa ou às circunstâncias de morte no fim da vida passada alegada. CORTs são informados em muitos países e culturas diferentes e não são confinados a contextos religiosos nem filosóficos em que o conceito de reencarnação geralmente é aceito. Este artigo em resumo apresenta três novos CORTs não resolvidos achados na Holanda (Rivas, 1998, 2000). Os casos foram investigados por várias equipes encabeçadas por mim mesmo, pertencentes à Fundação para o Estudo Científico da Reencarnação e à Fundação Athanasia. Minha intenção principal ao publicar estes casos é mostrar que a Holanda pode ser considerada um país em que ao menos alguns CORTs típicos ocorrem. Também, ao menos um e possivelmente todos estes CORTs holandeses não resolvidos parecem possuir características paranormais. Finalmente, alguns pais holandeses de crianças que reivindicam lembrar suas vidas prévias não acreditavam em reencarnação antes dos casos se desenvolverem, o que parece relevante para a interpretação destes CORTs. O Caso de Cerunne Na primavera de 2001, uma amiga minha, Senhora Anja Janssen de Nijmegen, contou-me que ela soube de um casal em Molenhoek que teve uma filha com memórias de uma vida prévia. Encontrei todos os membros de família, Christine Thijssen, Sirat Lutas, e suas quatro filhas, em maio de 2001. A minha equipe também entrevistou-os por telefone e fez a eles perguntas via correio (normal) em várias ocasiões em 2001 e 2002. A menina que reivindicou lembrarse de uma vida prévia foi chamada Cerunne e ela tinha sete anos quando eu encontrei-a pessoalmente. Ambos seus pais tinham alguma crença em reencarnação antes do caso se desenvolver, embora eles certamente não estivessem interessados em propagar tal crença. Durante minha investigação do caso, eles eram ambos muito acurados quanto a formulações precisas de suas declarações ainda que isto significasse que o caso pareceria mais fraco de um ponto de vista acadêmico. Também, o Sr. Bouts pareceu bastante ávido saber de minha motivação para conduzir a investigação antes que ele participasse nela. Finalmente, o pai de Cerunne admitiu que ele não valorizou a pesquisa acadêmica tanto quanto a meditação como um meio de achar a verdade. Assim, nós não temos nenhuma razão para supor que o caso foi fabricado para promover uma crença particular em reencarnação. Em vez disso, ambos os pais somente pareceram interessados em compartilhar suas experiências e 35


numa possível verificação das declarações da filha. É também importante anotar que Anja Janssen estava equivocada sobre a filha que teria tido memórias de uma vida prévia. Pensou que era Fanja, a filha jovem, que tinha somente três quando eu encontrei a família pela primeira vez. Se os pais de Cerunne tivessem composto uma história, é muito estranho que eles não tivessem escolhido Fanja como sua protagonista. A mãe de Cerunne, Christine Thijssen, teve um sonho no oitavo mês de sua gravidez com sua filha. Ela viu uma estranha xamã 'Pictic' por volta de quarenta anos, descalça e vestida em peles, que segurava chifres de veado na sua mão. Pareceu que esta mulher contava-lhe telepaticamente que ia dar à luz uma filha e que devia chamá-la "Deer" 1[1]. Christine não tinha feito um scan antes do sonho, de modo que ignorava o sexo de seu bebê por nascer. A mulher também contou que sua que a criança tinha tido uma vida passada difícil. Esta experiência fez os pais escolherem um nome Céltico para sua filha, Cerunne, que é derivado da divindade céltica Cerunnos ou Kernunnos que foi associada com o veado e com um mundo entre a morte e o renascimento. Durante os primeiros dois anos de sua vida, Cerunne era uma criança silenciosa mas muito rápida em seu desenvolvimento motor. Ela também tinha um aspecto de menino, tanto física quanto psicologicamente. Quando Cerunne tinha aproximadamente dois ou três anos de idade, ela espontaneamente contou a seus pais sobre uma vida prévia como um marinheiro (homem). Comentou sobre as ondas de uma piscina dizendo que viu ondas que eram muito mais altas, "tão altas quanto uma casa." Ela também contou-os que a vida no mar pode ser muito estranha. Às vezes há uma tempestade toda a noite e na manhã seguinte tudo estava completamente silencioso. Freqüentemente Cerunne desenhava um veleiro e ela reivindicava que veleiro em que o marinheiro tinha navegado se chamava Vurk. A bordo, ele teve muitas tarefas, incluindo observar o navio e o galhardete 2[2] e ficar no cronômetro 3[3], mas também preocupando-se com os passageiros. Ela também descreveu onde no navio os passageiros adultos e as crianças ficavam durante a noite, e determinado que eles não tinham camas nem redes, apenas um travesseiro e um cobertor. Urinavam em algum lugar no chão, já que não havia qualquer saneamento. Havia vacas mortas a bordo, que eles cortaram em pedaços de carne. Eles também comeram carne crua. Às vezes havia lutas com facas entre os marinheiros a bordo, mas disse que o marinheiro cuja vida ela reivindicou lembrar não suportava a grosseria ou a agressão. Também, houve um acidente em que um amigo seu caiu de um mastro e quebrou as suas costas. Havia um leme grande. Ela também 1[1]

‘Cervo’ ou ‘Veado’ em inglês (Nota do tradutor Vitor Moura Visoni).

2[2]

Uma bandeira longa, normalmente triangular, usada em navios para sinalizar ou para identificação. (Nota do tradutor Vitor Moura Visoni)

3[3]

Isso pode significar também qualquer período de tempo, normalmente quatro horas, em que o dia a bordo do navio é dividido e durante o qual uma parte da tripulação é designada a realizar tarefas. (Nota do tradutor Vitor Moura Visoni)

36


mencionou a palavra "moekille" (pronúncia holandesa), uma bengala pontuda que também foi usada como uma arma. Seu próprio nome quando era um marinheiro tinha sido Peer e ele era um homem magro com uma barba preta. O navio navegou a eles para Garoonya ou Karoonya (pronúncia inglesa) colher famílias pobres e as levar a um porto com palmeiras, numa ilha. Ela também mencionou o nome da Índia neste respeito. Havia montanhas ao fundo e só algumas lojas pequenas. As famílias pobres não eram escravas e elas eram bastante maltratadas. Às vezes o navio atracava ilegalmente. Na ilha Peer às vezes dormiu em barracas imundas, mas os habitantes eram muito amáveis, descontraídos e pacatos. Quando Cerunne tinha sete anos, suas memórias pareciam em grande parte intactas a seus pais, mas sentiu-se demais embaraçada para falar sobre elas com estranhos tais como eu. Confirmou, no entanto, que teve memórias de uma vida como Peer. Neste período, ela tinha acabado de contar a seus pais que Peer tinha ao menos 95 anos de idade quando morreu e tinha permanecido apto a maior parte de sua vida. Mencionou biscoitos secos que eles tinham comido a bordo o navio. Comentou: ‘Éramos homens saudáveis’. Uma habilidade notável que pode ser relacionada a suas memórias de uma vida como marinheiro era uma agilidade inata em escalar. Mostrou esta habilidade em uma idade muito jovem e nunca sofreu de medo de altura. Ela não podia nadar, no entanto, embora ela estivesse convencida que podia. De acordo com seus pais, ela também mostrou uma dureza incomum para as meninas de sua idade. A nossa equipe, liderada pelo historiador Pieter van Wezel, estabeleceu que no Século 19 e no início do 20 la Coruna (que é foneticamente bastante parecida com la Karoonya) era um porto importante para imigração às colônias espanholas às vezes referidas como las Índia incluindo Cuba, uma ilha com palmeiras. Os (brancos) imigrantes galegos eram então pobres que eram conhecidos como "Galician slaves” (escravos galegos). A palavra moekille pode ser relacionada a mak(h)ila ou makil(l), uma bengala pontuda originalmente vasca que também foi usada como uma arma. O makila tinha tornado-se conhecido na região galega de La Coruna pelas peregrinações a Santiago de Compostela. Os nomes Peers e Vurk podem com alguma imaginação serem vistos como deformidades do nome hispânico Pedro e do nome Barco ou Barca (navio). Estabelecemos que Vurk não é o nome de um navio escandinavo (ou holandês) e que como tal não quer dizer nem barco nem navio também. Em minha visão, estas características tomadas conjuntamente parecem sugerir um processo paranormal ao invés de criptomnésia ou fantasia infantil. Também parece haver um elo estranho entre o sonho de Christine sonho sobre a sacerdotisa xamã e La Coruna. A cidade de La Coruna, ou parte dela, originalmente foi fundada pelas pessoas célticas de Brigantes e conhecidas como Brigantia. Muitos elementos de cultura galega são derivados desta herança céltica. Além do mais, a divindade 37


que foi adorada em Brigantia, Briga, era uma deusa de fertilidade e portanto tematicamente relacionada a Kernunnos. O Caso de Kees Em fevereiro de 1997, a Fundação de Athanasia foi contatada por um Sra. Marja.M.V. que tem sido pedida pelo teólogo Dr. Joanne Klink (1994), autor de um importante livro sobre s CORTs holandeses, a contar-me sobre as memórias de seu filho sobre uma vida prévia. Escreveu-me que na idade de aproximadamente dois anos, seu filho Kees (pseudônimo) cantava repetidamente: "Meu coração parou de bater, então eu fui crescer na barriga e então o meu coração começou a bater outra vez!." Estava irradiando de alegria e jogou as suas mãos para cima no ar expressando seu prazer. Repetiu este ritual duas ou três vezes por semana durante meses seguidos. Somente quando tinha alcançado a idade de três anos e meio a quatro que pode formular o que ele quis dizer por esta exclamação enigmática. Mãe e filho estavam sentados juntos na cama dele quando ele contou-lhe o que tinha vivido antes. Se chamava Armand então, e não era muito velho quando ele morreu, mas não morreu muito jovem também. Para a surpresa de sua mãe, ele pronunciou o nome Armand com o som nasal, típico do francês. Teve uma namorada e eles estavam para se casar. Depois, Kees descreveu um campo de batalha em que ele foi ameaçado por altos, fortes e terríveis homens que ele denominou "he-men." Eles já tinham matado todos os seus amigos. Tinha sido atingido na barriga e segurava um revólver nas suas mãos. De repente ele foi atingido nas costas e o seu coração começou a bater num passo muito irregular. Ficou com medo. Kees contou a sua mãe que ele viu o inimigo se aproximar dele e atingindo-o uma segunda vez. Quando Kees tinha aproximadamente sete anos, adicionou alguns detalhes sobre o que aconteceu a ele depois que morreu. Um anjo foi até ele e levou-o a Deus que era pura bondade, a Grande Luz, e humor (sic). Era muito difícil para Kees descrever o outro reino e ele contou a sua mãe que isso não podia ser registrado num slide (sic). Havia uma cascata bela e flores e árvores com frutas deliciosas, melhor que qualquer doce no mundo. Kees resistiu quando os anjos depois de um longo tempo aconselharam-no a reencarnar. Não queria de modo algum retornar à terra. No entanto, os anjos garantiram-no que eles o ajudariam e que Deus teria adicionado que só dependia dele seguir uma vida boa (sic). Quando era uma criança jovem, Kees sofria de uma fobia severa de morrer, já que isso o lembrava da própria morte dolorosa. Seus pais tiveram algum esforço para convencê-lo que o processo de morrer que ele lembrou não é exatamente muito comum. Em 1997, Kees tinha 11 anos quando eu o entrevistei. Ele ainda tinha memórias nítidas de sua morte e mesmo adicionou um novo elemento ao registro de sua mãe. Lembrou que tinha perdido um bom amigo cuja esposa tinha morrido durante o trabalho e alegou que ele tinha cuidado de seu 38


filho. Ele também lembrou-se de que um anjo contou-lhe que este filho adotivo estava indo bem, de modo que ele não devia preocupar-se com ele. O Caso de Myriam R. Myriam R. era mulher de 31 anos quando nós a encontramos numa assim chamada 'extravagante feira paranormal' em 1996. Nascida em Leiden, ela reivindicou que quando criança com aproximadamente três ou quatro anos (i.e. ao redor de 1968) ela espontaneamente tinha observado que sua mãe prévia usava o mesmo tipo de vestido que sua mãe presente usava. Pediu que sua mãe jogasse-o fora já que ele a lembrou de sua desagradável vida passada num ambiente de como que desértico. Em sua vida prévia, ela tinha que cuidar de seus irmãos e irmãs e procurar alimento no deserto. Um dia, ela tinha que buscar alguma água num poço, e ela morreu numa tempestade de areia. Embora permaneçam inverificáveis, suas memórias eram bastante extensas. Por exemplo, Myriam lembrou a aparência de seus pais, uma casa de madeira com um alpendre, e o respeito que ela tinha por pessoas idosas. Um amigo meu, o Sr. Gerard M. permaneceu no Novo México por algum tempo como parte de um projeto social e ele impressionou-se com a história de Myriam. Declarou que isso o lembrou muito das condições de vida nos desertos deste estado. Os alpendres de madeira que Myriam tinha descrito seriam bastante comuns aí também. Gerard participou de nossa pesquisa durante uma visita ao lar do Myriam em Alphen aan den Rijn. Embora ele seja um católico e não acredite em reencarnação se, ele ficou impressionado com a falta de sensacionalismo da parte de Myriam. Havia meses entre as várias entrevistas que nós conduzimos com Myriam e sua história sempre continha os mesmos elementos. Logo depois que entrevistamos Myriam, nós também entramos em contato com mãe de Myriam que confirmou que ela de fato tinha contado-a sobre uma vida prévia quando tinha aproximadamente 3 ou 4 anos de idade. Não havia nenhuma discrepância entre seu testemunho e a história que Myriam contou-nos. Ela explicitamente confirmou que Myriam tinha aproximadamente três ou quatro anos de idade quando fez suas declarações; que comparou seu vestido ao de uma mãe prévia; que ela lhe contou sobre uma vida desagradável num deserto; que tinha que cuidar de seus irmãos e irmãs e procurar alimento; e que morreu numa tempestade de areia. À parte de suas memórias de uma vida prévia, Myriam também reivindica ter memórias de um período de intermissão depois de sua vida num ambiente desértico. Viu-se numa vida futura muito bela. Na vida presente, ela experimentou uma Experiência de Quase-Morte durante uma cesariana que lembrou-a fortemente destas memórias de um estado intermediário. É importante observar que seus pais católicos certamente não acreditavam em reencarnação quando Myriam contou-os sobre uma vida passada e que também nós não temos nenhuma razão para acreditar que Myriam embelezou sua história para atrair nossa atenção. 39


Discussão Os três casos clínicos eu em resumo apresentei neste artigo parecem 'clássicos' já que mostram a mesma estrutura básica como a maioria dos outros casos neste campo. Indiquei por que eu acredito que os casos não são baseados em tentativas de chamar a atenção ou de converter crenças sobre a reencarnação. Portanto, penso que é uma questão de parcimônia interpretar estes CORTs não resolvidos de um modo semelhante com outros casos clássicos. Também, as características aparentemente paranormais em ao menos um destes casos, o de Cerunne, parecem sugerir que a hipótese de reencarnação pode ser a interpretação bem apropriada deles. O caso de Cerunne pode parecer mais forte a este respeito que os outros dois casos, embora pareça mostrar a mesma estrutura básica também. A ocorrência de casos holandeses de crianças que reivindicam lembrar vidas prévias pode ser visto como evidência corroboradora do conceito de Casos do Tipo Reencarnação como algo transcultural, ou um fenômeno natural. Talvez a adição de CORTs holandeses à literatura sobre a pesquisa de reencarnação possa ser vista como a contribuição principal deste artigo. Além do mais, em dois dos CORTs há menção de experiências entre as vidas que bem pode ocorrer mais freqüentemente em casos holandeses. Também, todos os três indivíduos parecem reter suas memórias por mais tempo do que o a média de indivíduos de Casos do Tipo Reencarnação. Mais pesquisa é necessária para estabelecer se estas características podem ser típicas de casos holandeses (ou mais geralmente, de europeus) e se então, o que causa estas características específicas. Agradecimentos Eu gostaria de agradecer a Ian Stevenson, Joanne Klink, Anny Dirven, Gerard M., Pieter van Wezel, Hein van Dongen, Mary Rose Barrington, K.S. Rawat, Dieter Hassler, Jamuna Prasad, B. Shamsukha, Tom M. Jones, Hicham Karroue, Anja Janssen, e aos indivíduos e outros informantes nestes casos pelo seu apoio e cooperação. Referências Klink, J. (1994). Vroeger Toen Ik Groot Was. Vergaande Herinneringen van Kinderen. Baarn: Tem Have. Rivas, T. (1998). Kees: een Nederlands geval van herinneringen aan een vorige incarnatie met herinneringen aan een toestand tussen dood en geboorte. Spiegel der Parapsychologie, 36 (new edition), 1, 43-55. Rivas, T. (2000). Parapsychologisch Onderzoek naar Reincamatie en Leven na de Dood. Deventer: Ankh-Hermes. Stevenson, I. (1987). Children Who Remember Previous Lives: A Question of Reincarnation. Charlottesville: 40


University Press of Virginia. Stevenson, I. (1997). Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects. London/Westport: Praeger. Tópico: um caso EXPLICITO de REENCARNAÇÃO Postado em 08/03/2005 14:15:00 Dentre os muitos casos de reencarnação que tenho estudado, merece ser mencionado aqui o de um menino turco, de quatro anos de idade, que, de repente, começou a falar sobre sua vida anterior e descreveu-a com impressionantes detalhes. Quando levado ao local do seu nascimento anterior, não apenas localizou a casa em que morara a pessoa, com quem ele se associava, como reconheceu os parentes e amigos daquela pessoa. "- Estou cansado de morar aqui. Quero voltar para minha casa e meus filhos." Não se trata aqui do lamento de um velho, distante do lar, mas de uma criança - Ismail Altinklish. Ismail nasceu em 1956. Seu pai trabalhava como comerciante de secos e molhados na cidade de Adana, Turquia. Já na idade de um ano e oito meses, ele balbuciava a respeito de sua vida anterior. Ismail afirmava que, numa outra vida, ele tinha sido Abeit Suzulmus, homem que fora assassinado. O menino tinha uma cicatriz de nascimento na cabeça, a qual, segundo afirmação da mãe, persistiu até 1962. Abeit Suzulmus fora morto por uma pancada na cabeça. Abeit Suzulmus foi um próspero jardineiro que viveu em Bahchehe, distrito da cidade de Adana, Visto que sua primeira esposa, Hatice, não podia ser mãe, ele separou-se dela e casou-se outra vez. Teve muitos filhos com a segunda esposa, Sahida. Entretanto, Abeit continuou a dar assistência a Hatice, que vivia numa casa, na propriedade dele, perto daquela em que vivia com Sahida e seus filhos. Abeit Suzulmus empregara muitos trabalhadores de uma outra cidade em seu jardim. Certo dia, por razões ainda não esclarecidas, os trabalhadores levaram-no a um estábulo, onde o assassinaram, espancando-o com uma barra de ferro. Ouvindo os gritos, Sahida e duas de suas crianças se precipitaram para o local da cena. Os assassinos também is mataram, e fugiram. Uma semana depois os criminosos foram capturados, julgados e condenados. Ismail repetidamente pedia a seus pais que o deixassem visitar a casa de Abeit. A princípio recusaram, na esperança de que isso fizesse com que o menino esquecesse seus pedidos. Mais tarde, entretanto, a conselho de um amigo, Erol Erk, os pais acederam às solicitações do menino. Ismail, que na época tinha apenas três anos de idade, indicou a caminho para a casa de Abeit, que se situava aproximadanente mil e duzentos metros do local em que ele residia. Ao chegar, reconheceu, para espanto de. seus pais, que o acompanhavam, todas as pessoas.e objetos que foram familiares a Abeit. Subseqüentemente, uma das filhas de Abeit visitou Ismail. Após conversarem durante horas, ela ficou firmenente convencida de que ele era seu 41


pai renascido. Ismail pensava constantemente em sua antiga família. Isso tornou-se problema para os pais. Em certa ocasião, quando Mehemet Altiriklish, pai de Ismail, comprou algumas melancias, o menino quis a maior delas para dar à "sua" filha, Gulsarin. A recusa do pai levou Ismail a profundo choro. Na verdade, Mehemet não era homem rico e, naturalmente, não podia dar-se ao luxo de presentear a família anterior de seu filho. Às vezes, Ismail comportava-se como um adulto, e seus pais acreditavam ser ele dotado de uma inteligência superior à das outras crianças. Também diziam que ele, escondido, tomava raki, bebida turca de forte conteúdo alcoólico. Abeit também era conhecido como grande apreciador de raki. Um vendedor de sorvetes, de nome Mehmet, passou pela casa de Ismail. Quando este o viu, aproximou-se dele e perguntou-lhe se o reconhecia. O vendedor de sorvetes respondeu que não, então Ismail disse-lhe: "Você se esqueceu de mim. Sou Abeit. Antigamente, você vendia melancias e verduras." O homem concordou que ele estava certo e, depois de um longo papo com o menino, se convenceu de que estava diante de Abeit renascido. Quando Ismail percebeu que seu pai ia pagar alguns sorvetes que comprara, interferiu dizendo: "Não pague os sorvetes, pai. Ele ainda me deve dinheiro pelas melancias que lhe entreguei." Mehmet, então, confirmou que ele ainda estava em débito com Abeit. O caso de Ismail será uma fraude? Ou não? Várias considerações vêm-nos à mente. Primeiro, temos que considerar que o caso ocorreu numa família muçulmana e os muçulmanos não acreditam na reencarnação. Segundo, a família de Ismail nunca quis dar publicidade ao caso. Ao contrário, eles sempre a evitaram. Na verdade, Mehemet Altinklish sempre considerou todas as investigações como uma intrusão descabida em sua vida particular. Além disso, ele e sua família estão sempre preocupados com a possibilidade de o menino retornar à sua família anterior. Será possível que Mehemet Altinklish tenha feito uma trama com o menino para realizar uma fraude, visto que uma vez ele trabalhou para Abeit Suzulmus e conhecia muito a respeito da família dele? Esta hipótese pode ser descartada, porque, segundo informantes independentes, Mehemet não tinha conhecimento algum sobre os fatos mencionados por Ismail a respeito de Abeit. Nem tampouco a criptomnésia pode ser sugerida como uma explicação, porque ela não justifica as intensas emoções de Ismail ao reconhecer os membros da família Abeit. Dentre os muitos casos de reencarnação que tenho estudado, merece ser mencionado aqui o de um menino turco, de quatro anos de idade, que, de repente, começou a falar sobre sua vida anterior e descreveu-a com impressionantes detalhes. Quando levado ao local do seu nascimento anterior, não apenas localizou a casa em que morara a pessoa, com quem ele se associava, como reconheceu os parentes e amigos daquela pessoa. 42


"- Estou cansado de morar aqui. Quero voltar para minha casa e meus filhos." Não se trata aqui do lamento de um velho, distante do lar, mas de uma criança - Ismail Altinklish. Ismail nasceu em 1956. Seu pai trabalhava como comerciante de secos e molhados na cidade de Adana, Turquia. Já na idade de um ano e oito meses, ele balbuciava a respeito de sua vida anterior. Ismail afirmava que, numa outra vida, ele tinha sido Abeit Suzulmus, homem que fora assassinado. O menino tinha uma cicatriz de nascimento na cabeça, a qual, segundo afirmação da mãe, persistiu até 1962. Abeit Suzulmus fora morto por uma pancada na cabeça. Abeit Suzulmus foi um próspero jardineiro que viveu em Bahchehe, distrito da cidade de Adana, Visto que sua primeira esposa, Hatice, não podia ser mãe, ele separou-se dela e casou-se outra vez. Teve muitos filhos com a segunda esposa, Sahida. Entretanto, Abeit continuou a dar assistência a Hatice, que vivia numa casa, na propriedade dele, perto daquela em que vivia com Sahida e seus filhos. Abeit Suzulmus empregara muitos trabalhadores de uma outra cidade em seu jardim. Certo dia, por razões ainda não esclarecidas, os trabalhadores levaram-no a um estábulo, onde o assassinaram, espancando-o com uma barra de ferro. Ouvindo os gritos, Sahida e duas de suas crianças se precipitaram para o local da cena. Os assassinos também is mataram, e fugiram. Uma semana depois os criminosos foram capturados, julgados e condenados. Ismail repet OS CASOS DE REENCARNAÇÃO ANUNCIADOS ANTECIPADAMENTE Vimos nos capítulos precedentes que a lei das vidas sucessivas não se nos apresenta mais como simples teoria filosófica, visto que se pode apoiar em fatos experimentais, como os que se obtêm produzindo-se em pacientes apropriados a regressão da memória, que é levada além do nascimento atual. Essa memória latente, que repousa no subconsciente, pode, por vezes, remontar até a consciência normal e produzir os clarões de reminiscência, que levantam um véu no panorama do passado. Nas crianças-prodígio a ressurreição dos conhecimentos anteriores se manifesta com tanto brilho, que é impossível deixar de ver aí o despertar de conhecimentos pré-natais. Discuti as hipóteses lógícas às quaís poderíamos recorrer para explicar esses casos, sem fazer intervir a reencarnação; mostrei que elas eram insuficientes. Desejo, agora, passar em revista certo número de narrativas, nas quais os Espíritos, que deviam voltar, fizeram saber previamente, e de diferentes maneiras, a intenção de retomarem um corpo terrestre. Por vezes, essas afirmações foram acompanhadas de informes precisos, referentes ao sexo e às circunstâncias nas quais se produziria a volta ao mundo. Examinarei se será possível atribuir todas essas 43


narrativas a simples premonições ou se, pelo contrário, nelas se deve ver a intervenção de seres independentes dos médiuns. Essa prova resultará, em certos casos, da concordância que existe entre a predição que o Espírito faz do seu próximo retorno, entre nós, e, dado o renascimento, da lembrança que esse Espírito conserva de sua vida anterior. São esses diferentes aspectos do fenômeno, que vou passar agora em revista. Começo reproduzindo um artigo da "Revue Spirite" de 1875, página 330. Só a evidente sinceridade do narrador me leva a ter em conta o seu testemunho, porque a mãe, o que é lamentável, não se fez conhecer, e ignoramos se era espiritista. Como quer que seja, eis o fato: 1 - "NOVA PROVA DA REENCARNAÇÃO 27 de agosto de 1875 Sr. Leymarie. É com satisfação que venho trazer ao seu conhecimento uma nova prova, bem evidente, da lei da reencarnação. A 23 do corrente, estava em um ônibus com a Sra. Fagard. Seu marido, nosso amigo, não pôde achar lugar no imperial. Uma senhora jovem e distinta colocara-se perto de nós; tinha nos joelhos uma encantadora menina de 15 meses, alegre, jovial, que me estendia seus bracinhos róseos. Hesitava em tomá-la, porque receava desagradar a mãe, mas, vendo-lhe um sorriso aprovador, segurei a atraente menina. Era gentil e graciosa nessa idade as crianças são adoráveis e aquela tinha tanta amabilidade, que logo havia a disposição de estimá-la. Disse à senhora: - Não há dúvida de que deve adorá-la. - Ó senhor, amo-a muito. Depois, ela tem um duplo título a esse amor. Ficará espantado se eu lhe disser que é a segunda vez que sou mãe da mesma criança; minhas estranhas palavras são a expressão da verdade, porque não estou louca, nem alucinada, e não digo nada sem provas certas. Vou explicar-me. Possuia uma deliciosa filhinha, que a morte me arrebatou aos 5 anos e meio; em seus últimos momentos, esse anjinho, vendo-me as lágrimas e o profundo desespero, disse-me essas memoráveis palavras: "Mãezinha, não te aflijas assim, tem coragem; eu não parto para sempre, voltarei num domingo do mês de abril." Pois bem, no mês de abril e num domingo, pus no mundo a minha pequena Ninie, que o senhor tem a bondade de acariciar. Todos os que conheceram a primeira Ninie, a reconhecem na segunda. Ela só diz as palavras: papá, mamã, e na última semana, julgue a minha felicidade, a minha grande surpresa, abracei-a, pensando na outra, e lhe dizia: - És tu a Ninie? E ela respondeu: - Sim, sou eu. Posso duvidar, senhor? - Não, senhora; seria preciso uma grande teimosia para não compreender que foi o mesmo Espíríto que voltou a esse corpo encantador. Deus teve a bondade de preveni-la, eis tudo. Se os homens estudassem, compreenderiam esses fatos naturais e seu inestimável valor. Não lhe pude dar outras explicações, porque ela desceu; lamento não lhe haver pedido o nome e a morada. Esperemos que estas linhas lhe cheguem às mãos e que ela queira confirmar as minhas palavras, que afirmo, sob palavra de honra, serem a verdade. 44


Com todo respeito, seu servidor Floux Mary. Escragnolle Doria. 5, rue Vauvilliers, Plaily, Oise." É interessante, se é exata a narrativa, que a criança tivesse, antes de morrer, a premonição exata do dia em que voltaria de novo à sua cara mãezinha. Vejamos outros dois exemplos, em que o anúncio da reencarnação foi feito a duas pessoas diferentes. O caso me é assinalado por Warcollier, o autor de "La Telépathie", e o publiquei em minha "Revista Científica e Moral do Espiritismo". 2 - "UM DUPLO ANÚNCIO DE REENCARNAÇÃO Narrativa feita diretamente pela Sra. B ... , em julho de 1919, a Warcollier. A Sra. B... perdeu durante a guerra um filho, que estimava muito, e, alguns meses depois, o marido. Ficaram-lhe, ainda, outros filhos, dos quais uma filha casada. Ainda sob o golpe desses pesares sucessivos, contou-me o seguinte curioso caso de reencarnação, com o cunho da mais evidente sinceridade. - "Meu filho - disse-me a Sra. B. .. - era de rara inteligência, e tinha toda a atividade da juventude; estava nos 18 anos. Colaborava em jornais do seu partido politico, e se tornaria com isso uma personalidade notável. Alistado voluntariamente, no começo da guerra, ganhou rapidamente os galões de alferes, e distinguiu-se durante um ataque; foi mortalmente ferido e faleceu em uma aldeia da retaguarda, para onde o haviam transportado. Oito dias depois, recebi uma carta de um seu camarada, onde me comunicava que seu corpo fora posto num caixão e enterrado no cemitério da aldeia, e onde me seria fácil encontrá-lo, quando houvesse permissão para isso. Escrevi uma carta ao cura do lugar e recebi resposta, dizendo que meu filho tinha morrido como cristão, que ele lhe havia recolhido o último suspiro, e que viria ver-me em Paris, quando tivesse oportunidade. Alguns dias depois eu sonhava (a Sra. B ... é sujeita desde a mocidade a sonhos supranormais) que via uma estrada e um talude de caminho de ferro, inteiramente arenoso; aí me precipitei em terra, e, cavando o solo com as mãos, descobri não um ataúde, mas as pernas de um soldado. Fui cavando a areia, retirei o corpo até a cabeça, mas, chegando ao rosto, uma camada espessa impedia-me de o reconhecer; eu sabia, entretanto, que era o meu filho. Não estava enterrado num cemitério, haviam-me mentido. Recebi, mais tarde, a visita do sacerdote; suspeitei de sua boa-fé, porque ele não me pôde fornecer nenhum informe sobre meu filho, que lhe não tivesse dado eu mesma; contou-me coisas inteiramente falsas. Fiz, pois, inúmeras diligências nos Ministérios para que me permitissem ir à zona de guerra. No fim de um ano, pude chegar à aldeia, onde devia encontrar meu filho. Ele não estava no cemitério, mas logo reconheci o talude do caminho de ferro, inteiramente arenoso. Com o auxilio de dois coveiros, fiz cavar no local da minha visão. As pernas foram descobertas, em primeiro lugar, depois o corpo foi destacado da areia e, enfim, o rosto irreconhecivel sob sua máscara de terra. Revivi meu horrivel pesadelo. A identidade foi fácil de estabelecer pelos objetos pessoais que encontrei no 45


cadáver. Fi-lo pôr num caixão e enterrar no cemitério da aldeia. Alguns meses depois, sonhava com meu filho. Dizia-me ele: - Mamãe, não chores, eu vou voltar para junto de ti, mas na casa de minha irmã. Não compreendi o que ele queria dizer. Minha filha, casada havia alguns anos, nunca tivera filho, e entristecia-me por isso. Eu não pensava em reencarnação. Dois ou três dias depois, minha filha veio contar-me um sonho extraordinário: vira seu irmão voltar criança e brincar no seu próprio quarto! Pouco depois, estava grávida. Muitas vezes, em sonho, meu filho me falou da volta próxima, volta em que eu não podia crer. Enfim, um dia, sonhei pela última vez. Ele me deu a visão de um bebê recém-nascido, com cabelos pretos e traços perfeitamente distintos. Esperava-se o nascimento de um dia para outro: mas, foi precisamente naquele dia que o bebê do meu sonho nasceu em minhas mãos. Reconheci-o, sem dúvida possível. Não acrescentarei qualquer comentário à narrativa, porque desejo registrar apenas um caso verdadeiramente curioso, a fim de que não fique perdido." Devem, entretanto, ser notadas as impressões da Sra. B .... Ela crê que o neto tem para com ela atenções especiais; sua viva inteligência, a facilidade com que soletra o título dos jornais, leva-a a crer que é ele o seu filho reencarnado. Fiz-lhe numerosas perguntas para saber se ela era antes reencarnacionista. Garantiu-me que não, acrescentando que era católica de nascimento e por sua condição social, mas que, apesar de simpatizar com o clero e com o mundo católico, tornara-se absolutamente céptica, diga-se mesmo, ateista. Contou-me seu caso, com a esperança de que eu lhe pudesse fornecer esclarecimentos sobre a reencarnação, concepção perturbadora para ela. R. Warcollier Engenheiro Quimico Av. da República, 79 Courbevoie." Esse conto é interessante por mais de um titulo. A princípio, porque emana de pessoa que afirma nunca ter acreditado na reencarnação, o que suprime a hipótese de uma auto-sugestão. Em segundo lugar, é mais que provável que o caso nítido de clarividência, que permitiu à Sra. B. " encontrar o filho em circunstâncias idênticas à do sonho, fosse produzido pela ação medianimica do rapaz; além disso, a filha da Sra. B... viu o irmão voltar como criança, quando se lamentava por não ser mãe, e nada fazia prever uma próxima maternidade. Enfim, por muitas vezes, a mãe teve a visão, em sonho, de um bebê moreno, tal como ele veio ao mundo. Parece que esse conjunto de circunstâncias demonstra a ação do Espirito do filho da Sra. B ... , que preveniu a mãe e a irmã de seu retorno à Terra. Temos, agora, o relato de um oficial do Exército italiano, de forma alguma espiritista, e que só acreditou na volta da alma ao mundo, depois de tê-la verificado na própria família. Copio textualmente a descrição contida nos "Annales des Sciences Psychiques", página 60, fevereiro de 1912. 3 - "LEMBRANÇA DE UMA CANÇÃO APRENDIDA EM UMA VIDA PRECEDENTE A revista teosófica Ultra, de Roma, publica, em seu número 46


de 1912, a comunicação seguinte do Capitão F. Batista, de cuja honestidade e caráter sério se faz abonadora a aludida revista. "Em agosto de 1905, minha mulher, que estava grávida de 3 meses, foi testemunha, estando de cama, porém perfeitamente acordada, de uma aparição que a impressionou profundamente. Uma menina, que perdêramos havia três anos, apresenta-se subitamente diante dela, com aspecto alegre e infantil, dizendo, com voz suave, essas palavras: - "Mamãe, eu volto"; e antes que minha mulher tornasse a si da surpresa, a visão desapareceu. Quando entrei em casa e minha mulher, ainda comovida, me fez a descrição do estranho acontecimento, tive a impressão de que se tratava de uma alucinação; não quis tirar-lhe a convicção em que se achava, de um aviso da Providência, e lhe aquiesci imediatamente ao desejo de dar à futura filha o nome da irmãzinha morta: Blanche. Nesse momento, não só não tinha conhecimento nenhum do que aprendi mais tarde - muito tarde - acerca de Teosofia, como chamava louco a quem me falasse de reencarnação, persuadido que estava de que, uma vez morto, não se renasce mais. Seis meses depois, em 1906, minha mulher deu, felizmente, à luz, uma menina que em tudo se parecia com a irmã defunta, de quem tinha os grandes olhos negros, e os cabelos abundantes e anelados. Esta coincidência em nada abalou minha convicção materialista; minha mulher, porém, cheia de alegria pela graça recebida, convenceu-se de que o milagre se realizara, tanto mais quanto pusera ao mundo, por duas vezes, o mesmo pequeno ser. Essa criança tem hoje cerca de 6 anos, e, como sua irmãzinha defunta, viu-se nela um desenvolvimento precoce, tanto de sua inteligência, como de sua pessoa. Ambas, aos 7 meses já pronunciavam a palavra mamã, enquanto os outros filhos, também inteligentes, não o conseguiram antes dos 12 meses. Devo acrescentar que, quando era viva a primeira Blanche, tínhamos por criada uma certa Maria, suíça que só falava o francês. Havia ela importado de suas montanhas natais uma cantilena, espécie de berceuse, que devia seguramente ter saído da cabeça de Morfeu, tanto sua virtude soporífica agia instantaneamente em minha filhinha, quando Maria a cantava. Depois da morte da menina, Maria voltou para a pátria, e a canção, que tanto nos fazia recordar a criança perdida, sofreu em nossa casa pleno ostracismo. Passaram-se 9 anos, e a cantiga desaparecera-nos por completo da memória; um fato extraordinário, realmente, no-la veio lembrar. Há uma semana, achava-me, com minha mulher, na sala de jantar, junto ao quarto de dormir, quando ouvimos, como um eco longinquo, a famosa cantilena, e a voz partia do quarto, onde tínhamos deixado a filha adormecida. A princípio, comovidos e estupefatos, não tínhamos distinguido, nesse canto, a voz de nossa filha; mas, havendo-nos aproximado do quarto, de onde partia a voz, encontramos a criança, sentada na cama, cantando, com acento francês muito pronunciado, a berceuse, que nenhum de nós lhe havia ensinado. Minha mulher, sem se mostrar muito maravilhada, perguntou o que ela cantava. Com prontidão pasmosa, respondeu que cantava uma canção 47


francesa, apesar de não conhecer desse idioma senão alguns vocábulos, que aprendera da irmã. - Quem te ensinou esta bela cantiga? - perguntei. - Ninguém, eu a sei sozinha - respondeu a criança, e continuou o canto, alegremente, com ar de quem nunca cantara outra coisa na vida. O leitor tirará dai a conclusão que quiser; quanto a mim, os mortos voltam. Capitão Florindo Batista Roma, Via dello Statuto n.°· 32," A clara lembrança da canção que adormecera a primeira Blanche, revelou-se na segunda com um caráter tão preciso, que é impossível explicar esta reminiscência sem ser pela verdadeira recordação, por parte da menina, de uma particularidade de sua vida anterior. O capitão especifica que, depois de 9 anos, essa cantilena não mais fora cantada na casa; não houve qualquer sugestão dos pais, irmãos e irmãs; foi realmente uma prova de que a jovem Blanche tinha retomado o seu lugar no lar paterno. 4 - Reencarnações anunciadas nas sessões espíritas. ˜Um caso quase pessoal Tenho sob os olhos um venerável caderno, onde se relatam as comunicações obtidas no meado do século, por Page, um excelente amigo de meu pai, e que também foi meu. Essa preciosa coleção é um histórico das sessões realizadas em um Grupo Espírita, em Tours, desde 1860. Nota-se-lhe um caráter religioso, que dá às notas um valor moral do mais alto interesse. Desde as primeiras sessões, um Espírito de nome François manifestou-se; era leviano e ainda estava ligado às coisas materiais. Pouco a pouco, sob a influência de bons conselhos, emendou-se, e suas comunicações denotavam evolução moral muito acentuada. Francisco tinha uma individualidade verdadeiramente diferente da médium, a Srta. Maria Olivier, porque, muitas vezes, se manifestava em outras cidades com um caráter idêntico ao que tinha em Tours. Page casou-se com Maria Olivier em 1865. Transcrevo agora, textualmente, as notas do seu caderno: "A afeição que o amigo Francisco tinha por nós, principalmente por minha mulher, que era sua médium privilegiada, fez que ele, para progredir mais rapidamente e expiar as faltas cometidas em existências anteriores, manifestasse o desejo e a necessidade de reencarnar-se; escolheu, para sua família, aquela que tinha adotado em estado de Espírito. Anunciou-nos seus projetos a 24 de abril de 1865, em presença de nosso bom amigo Alexandre Delanne, que estava de passagem em nossa cidade. Disse que escolhera, para reencarnar-se, a Senhorita Maria, então minha noiva, e a mim; ao nosso bom amigo Rebondim, de Tours, para padrinho, e à nossa boa amiga, Sra. Delanne, para madrinha. Alexandre Delanne respondeu-lhe que, se suas predições se realizassem, a Sra. Delanne aceitaria, prazenteiramente, o título de madrinha; não declarou o sexo em que reencarnaria. Ficou aí a palestra com o amigo Francisco. Nosso casamento realizou-se a 5 de maio de 1865, um mês antes, por conseguinte, de haver Francisco feito a escolha dos pais e padrinhos. Um ano depois, veio Francisco trazer-nos suas despedidas, dizendo-nos que chegara o momento de começar nova existência; em seguida, invocaram-no em Tours, Clisson, 48


Halut, Paris, lugares onde já se tinha manifestado anteriormente, porém, ele nunca mais se comunicou; não havia duvidar: Francisco estava reencarnado. A 29 de janeiro de 1867, tivemos a alegria de ver nascer uma filha, à qual demos o nome de Ângela Maria Francisca; Francisca, como lembrança do nosso bom amigo; Ângela, como lembrança do nome do Espírito protetor de nossa madrinha, e Maria como lembrança de nossa cara mãe. O batismo foi a 27 de fevereiro do mesmo ano, e os padrinhos designados por Francisco levaram-no à pia batismal." Reproduzo, agora, os exemplos que citei em 1898, na memória apresentada ao Congresso Espírita de Londres. Eis uma ata feita em Lyon, segundo a qual um médium de íncorporação predisse o nascimento de uma criança do sexo feminino, e que, em conseqüência de fatos da vida passada, deveria apresentar uma cicatriz na fronte. Nasceu efetivamente uma menina com a marca anunciada. Recebemos de Lyon a ata seguinte, que temos o prazer de publicar, desde que conhecemos pessoalmente o autor. "A 8 de outubro de 1896, às 8 e meia da noite, é aberta a sessão. (Seguem-se os nomes dos presentes.) A sessão não deveria realizar-se, porque minha mulher estava com dores de parto. Como, porém, nos dissesse a parteira, que ainda havia muito tempo, fizemos a sessão assim mesmo. Começamos pelos trabalhos de escrita, e depois a médium, Senhora Vernay, recebeu um Espírito que procurava o irmão para levá-lo à genitora. - Ó meu Deus, talvez o matassem também - dizia ele. Perguntamos-lhe se se tratava de um crime. - Não - respondeu -, foi durante a batalha de Reichshoffen, que meu irmão desapareceu. Fizemo-lo reconhecer o estado em que se achava, isto é, que sua alma tinha deixado o corpo; e depois, ajudamo-o a procurar o irmão. Ele viu dois cadáveres, o do irmão Alfredo e o seu. - Os miseráveis - exclamou ele - feriram-no com uma bala na fronte. O médium acorda. Repentinamente, cai de novo em transe. Meus amigos - diz -, sou a mãe desses dois irmãos mortos em Reichshoffen; um deles, Alfredo, vai encarnar em sua casa, e eu serei o seu guia. Agradeci ao Espirito e lhe declarei que faria o que em mim coubesse para que ele fosse um homem. - Não - disse ela -, não será um homem. No dia seguinte, minha mulher punha no mundo uma criança do sexo feminino, à qual demos o nome de Emília. Tinha ela na fronte uma cicatriz do tamanho de um grão de trigo. São os seguintes os fatos observados na primeira infância da criança. Até 3 meses, quando eu imitava a trombeta de cavalaria, punha-se ela a chorar, sem poder ser consolada; brincando, toma sempre a posição a cavalo, imitando o movimento do cavaleiro em marcha. Tem agora dezessete meses e seu brinquedo favorito é o cavalo, que prefere às bonecas, mas na rua não se pode aproximar de um cavalo; grita, espantada. Seguem-se as assinaturas." o "Progres Spirite", em seu número de 20 de março de 1898, página 45, cita o relato de Engel, que reproduzo: "Lize-Seraing, 14 de março de 1898. Caro senhor e irmão. 49


Tenho a honra de transmitir-lhe alguns informes sobre uma reencarnação, anunciada pelo próprio Espirito, com particularidades que precedem a encarnação e a reencarnação. Tudo se passou em um lapso de 4 anos, com os detalhes preditos, a principio por meu filho mais velho, morto em 1874, e em seguida por minha filha, falecida em 1878, depois de quatro anos de sofrimento, que terminou em verdadeiro martírio. Foram estes os motivos da reencarnação: quando viva, ela tinha um ódio implacável do irmão, que a ofendera, e morrera com esse rancor. Apesar dos seus esforços, não conseguiu expulsá-lo. Vendo o erro profundo dos seus ressentimentos e desejando progredir, solicitou uma reencarnação no corpo de uma criança, que devia nascer em casa desse irmão, pai de família. Deus o consentiu, para que o Espirito arrependido pudesse evolucionar, e a criança teve por pai o irmão odiado, lá para o fim do ano de 1879. Estando um dia reunidos, minha esposa e eu, conversamos a respeito do anúncio feito pelo filho morto, de que Maria deveria nascer dentro em breve, e que conheceriamos essa reencarnação porque, em tal dia e em tal hora (5 da tarde), a nova mãe de Maria viria a nossa casa e as suas primeiras palavras seriam: - "Madrinha, eis seu afilhado", e o rapaz daria um grito alto, quando se achasse no regaço de sua primeira mãe. Dito e feito. Fora também predito, por meu defunto filho, que sua alma irmã, Maria, não viveria mais de quatro anos, e que, em seus últimos momentos, experimentaria terríveis sofrimentos; que só minha esposa poderia acalmá-la, magnetizando-a e orando. Fato extraordinário: minha mulher ia muitas vezes minorar-lhe os sofrimentos, e desde que aparecia na soleira da porta, cessavam-lhe os gritos, e com um sorriso filial estendia os braços. Deixava de chorar horas consecutivas, e logo que minha mulher saía do quarto recomeçava a gritar. O pai, um bom e poderoso magnetizador espírita, e que operou maravilhas em muitas ocasiões, não conseguia amenizar-lhe as dores. Eu produzia sobre aquele querubim os mesmos efeitos que minha mulher. Fomos, de novo, prevenidos de sua desencarnação por meu filho, e ela, sua irmã, dois ou três dias mais tarde, veio dizer-me: - Pierre Verly, aquela que foi sua filha Maria, está de novo livre, e também liberta de um terrível ódio contra seu último pai. E aconselhava-me a não nutrir ódio algum, porque, dizia ela, o ódio é a maior desgraça de uma alma; com ele, não há perdão. Meu filho Pedro e minha filha Maria eram dois adeptos, proofundos e sinceros, do Espiritismo. Outros fatos, não menos concludentes, sobre a existência das vidas anteriores, me são conhecidos. Meus defuntos filhos eram tão unidos pelos laços da amizade, que um não podia passar sem o outro. Quando meu filho estudava, era preciso que sua irmã lhe ficasse ao lado. Soubemos por poderosos médiuns, depois que eles morreram, que um número incalculável de anos os havia ligado como almas irmãs, e que nós, iniciados na doutrina, bem devíamos compreender a forte razão dessa amizade. 50


Posso afirmar, enfim, como conclusão, que muitas predições se realizaram inteiramente, o que é prova de que os Espíritos velam por nós e que Deus não separa aqueles a quem o amor uniu, nem abandona jamais os que nele confiam. Pierre Engel - Presid. da União Espírita de Liêge." Essa narrativa demonstra que os Espíritos voltam à Terra para melhorar. Não se trata mais de sonâmbulos, mas de médiuns tiptólogos ou escritores, de sorte que não cabe aqui a explicação pela clarividência, a menos que seja atribuída aos Espíritos desencarnados. Mas, ainda assim, apresenta-se outra dificuldade: é preciso supor que esses seres invisíveis nos enganam voluntariamente, que mentem cientificamente, para sustentar um erro. Tal conjetura me parece pouco razoável, quando se refere a Espíritos que deram prova, em muitas circunstâncias, de altas qualidades morais; prefiro admitir o que eles anunciam, e que se verifica, a crer num subterfúgio universal e inverossímil. (...) 5 - Alguns reparos Os fenômenos referentes ao aviso de uma futura reencarnação são já bastante numerosos para se imporem como realidade. Poderia multiplicá-las, se tomasse em conta todos os que me foram enviados; tive, porém, que eliminar alguns, não só por falta de espaço, como porque, apesar de apresentar caracteres evidentes de autenticidade, poderiam ser interpretados, ou por sugestões dos parentes, ou por transmissões do pensamento. Pode-se verificar que me esforcei por só citar exemplos em que aquelas interpretações parecem despidas de fundamento. Notar-se-á, com efeito, que, no primeiro caso, é a menina que anuncia à mãe sua próxima volta; de outra feita, o Espírito que deve voltar manifesta-se à primeira e à segunda mãe, independente uma da outra; o sexo e o aspecto físico do recém-nascido correspondem perfeitamente à imagem vista em sonho. No caso do Capitão Batista, a reminiscência da cantilena é uma demonstração evidente do despertar de uma lembrança, que dormia na subconsciência da criança. Esses casos espontâneos são de grande valor, pois os seus narradores não tinham nenhum conhecimento das leis da reencarnação. Nas sessões espíritas devemo-nos premunir contra as causas de erro, que resultariam da auto-sugestão dos médiuns. Se não chegamos, ainda, até aí, não será menos certo, para os que estudarem imparcialmente os exemplos citados, que há tal probabilidade a favor da palingenesia, que ela constitui uma prova moral de primeira ordem. Não há dúvida de que o futuro nos trará novas e decisivas confirmações, e a grande lei da reencarnação tomará lugar definitivo no domínio da Ciência. Gabriel Dellane

51


As Quatro ou Mais Mortes de Didier