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A Falência da Fécomércio Ltda. 1. Logo no Comércio de Tudo 2. Comércio da Fé Prostituta 3. Feira Livre no Tempo de Deus 4. A Defesa da Livre Iniciativa 5. Os Negócios de Deus 6. Olhando Deus 7. Bob’olhando 8. Com Lágrimas nos Olhos 9. A Justificativa da Fé 10. A Fé em Crise

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Vitória, terça-feira, 28 de abril de 2009. José Augusto Gava.

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Capítulo 1 Logo no Comércio de Tudo Todo aquele que vende algo recebido gratuitamente é um vendilhão, exceto se é herança, pois neste caso é trabalho de pai e mãe, trabalho anterior do filho (o próprio Jesus poderia supostamente tê-lo feito, por ser Filho); particularmente, vender a Fé geral é grave pecado, razão pela qual Cristo investiu contra os que estavam vendendo o que receberam grátis de i (ELI, Elea, Ele-Ela, Deus-Natureza). Durante todos os milênios e todos os séculos houve isso da venda da Fé, do comércio desbragado dela em todos os continentes, algo de profundamente vexatório ainda praticado hodiernamente pelos sacerdotes. A COBRANÇA de dízimo é errada, ao passo que a doação sem coação não é, quando algo é dado de coração, sem constrangimento ou compulsão. Evidentemente esses novos templos protestantes estão fazendo exatamente o que Cristo vergastou: industrializam e comercializam a crença. Os protestantes mais antigos são decentes, mas os novos fazem agora exatamente o que os protestantes originais criticavam na Igreja desde há 500 anos mas, dentro dela própria, há mais tempo, por exemplo com São Francisco há 800 anos Se não fazem pior. Agora eles praticam todo tipo de anomalia, e ficou pior do que antes: julgam-se capazes de ressuscitar os mortos, têm-se como íntimos de Deus, fazem “seções de descarrego” (elas não passam de gestual mágico da macumba), cobram peremptoriamente (aquilo que não se pode replicar, diminuir ou aumentar) o dízimo (10 % obrigatórios dos vencimentos e não doação espontânea), “tiram encostos” (mais macumba), processam “curas”, aceitam todo tipo de doação vultosa e assim por diante. Virou uma lástima. O LOGOTIPO DA FÉ (esse, diz o texto, é o de uma das primeiras igrejas, a de Tiago, irmão de Jesus, mas a de Jesus era só o peixe; Tiago ainda pensava submeter Jesus ao judaísmo,como se fosse uma evoluçãode cima para baixo e não um corte na geo-história)

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Nem era assim, era somente o peixe.

Capítulo 2 Comércio da Fé Prostituta Pessoas ignorantes de tudo na vida, não podendo ser político - pois nesse meio existem muitos enganadores que os reconheceriam -, põem-se a pregar, tornam-se pastores; vestem uma “cara santa”, prostram-se como se compungidos e montam sua barraca para comercializar a Fé. Então, podemos classificar também a Fé. FÉ D+ E FÉ DD+ DD++ D+ DD-gritarias, dedicação ausência descaso total, escândalos abandono

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Só o centro tem condições de ir ao fundo do fundo, assim mesmo no centro do centro, em D (+-), onde não excessos nem falta. A Fé prostituta, entregando-se a qualquer um sem nenhuma, e assim mesmo sendo paga por dar o alheio, não presta, é daninha, é coisa do demônio que, como diz o povo, “vai comendo pelas bordas” do prato quente. A fé prostituta vive de dar o que é de i e foi entregue gratuitamente ao ser humano PARA USUFRUTO apenas: quem vende o alheio é ladrão. Os ladrões-dafé - entre os quais já estiveram os padres e entre os quais se encontram agora os pastores (bem merecendo os protestantes dos protestantes) -, devem ser escorraçados de toda a Terra. Outro dia mesmo ouvi alguém fadizendo: “o pastor do Kaká” (o milionário jogador de futebol, agora na Europa) devia estar “todo feliz” com a venda do passe do rapaz porque iria pegar 10 % de milhões. AS VENDAS DE KAKÁ

Kaká é esse rapaz parecido com Elvis Presley. Daniel Perrone: O que você faria com R$ 9 milhões? BY JP - 03/06/09- 13:07(18) O sangue de Jesus tem poder! Segundo o Globoesporte, Kaká já é do Real Madrid. O clube merengue comprou os direitos federativos do craque do Milan e da seleção brasileira por cerca de R$ 180 milhões de reais e apresentará o astro como primeiro reforço para a temporada 2009/2010. Segundo o site, o anúncio da contratação deve ocorrer ainda nesta quarta-feira em uma coletiva internacional. O São Paulo, clube formador do atleta, deverá receber algo em torno de 5% do valor (cerca de R$ 9 milhões de reais) na negociação, de acordo com a Lei de Transferências Internacionais. Kaká foi revelado pelo clube, teve uma saída conturbada por causa da até então nova Lei Pelé e o presidente do Milan na época chegou a dizer que havia comprado o jogador a “preço de banana”. Enquanto o dinheiro não vem o Blog pergunta: SE VOCÊ FOSSE O PRESIDENTE DO SÃO PAULO, O QUE FARIA COM R$ 9 MILHÕES DE REAIS DA VENDA DE KAKÁ PARA O REAL MADRID? O São Paulo vai pegar nove milhões, mas o pastor vai pegar 18 milhões. Essa prostituição ofende. Seria interessante fazer um livro sobre as indecências dos pastores de hoje e dos padres de ontem, comparando os dois, mostrando a evolução da Igreja no caminho da purificação. Por outro lado, os padres pedófilos devem ser enxotados sem nenhuma consideração, despejados de suas prerrogativas, denunciados perante a lei e deixados ao abandono. 4

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Capítulo 3 Feira Livre no Tempo de Deus O TEMPLO DE JERUSALÉM (o primeiro construído pelos operários de Salomão, o segundo re-construído pelos trabalhadores do detestado Herodes) Salomão (900 a.C.)

Herodes (ano zero)

Foi no de Herodes que Jesus entrou. Esse templo era considerado o eixo do mundo, significando (supostamente) que o que fosse feito ali valeria para o mundo inteiro; Jesus, portanto, estava mandando uma mensagem ao espaçotempo da Terra e a todo o futuro: “não vendam a fé” em nenhum lugar do planeta. E nisso, como em tantas coisas mais, foi desobedecido. O tempo de Deus é - como não poderia deixar de ser pela lógica - o tempo todo; o espaço de Deus é pela mesma razão o espaço todo. Se não era praticável no templo não era para fazer em nenhum espaçotempo – deveria estar vedado, com tal mensagem central: “não vendam a Fé geral”. Não serviria só para ortodoxos, católicos e protestantes, mas PARA TODOS, como budistas, muçulmanos, hindus e todos mais, de todas as fés. Pois a Fé, a Fé geral é uma só em todos os universos, especialmente neste em todos os sistemas estelares; as fés particulares é que são escolhas distintas, embora todas elas sejam (sem o saberem os racionais) a mesma Fé. i não pode ser de uns e não de outros, é de todos. Pela liberdade e o querer é que as pessoas, os racionais, recusam a proximidade (isso é um direito), obtendo exatamente o distanciamento. A LIBERDADE HUMANA 1. Deus é tudo (como entre os animistas do princípio e os africanos de agora, segundo os quais tudo está animado; mas dizem isso do modo errado, acreditando ser o rio Deus no sentido de o rio manifestar os poderes de Deus; o rio também é i, só porque TUDO É); 2. Deus é multíplice (como entre os sumerianos, os egípcios antigos, os gregos antigos, muitos povos do mundo e atualmente os 5

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hinduístas; entrementes, i não se particiona, não é um pedaço na galáxia de Andrômeda e outro na galáxia do Rodamoinho – é o mesmo em toda parte e em toda parte do mesmo tamanho; contudo é certo ser todo deus uma parte, já que todas as partes e todos os todos são partes de i); 3. Deus é único (como entre os judeus, cristãos e islamitas; sim, é, mais i também é todas as manifestações, todos os acertos e erros dos racionais): 3.1. Jeová, Javé, D’us dos judeus; 3.2. Deus dos cristãos: 3.2.1. dos ortodoxos; 3.2.2. dos católicos; 3.2.3. dos protestantes; 3.2.4. dos evangélicos; 3.3. Alá dos ismamitas; 4. Deus não é (como entre os budistas, confucionistas, taoístas; de fato, i NÃO É do modo como os racionais podem dizer, porque todo dizer vai ser racional, isto é, incompleto). OS CEGOS TATEIAM Sábado, 24 de Maio de 2008 MENSAGEM: Os Cegos e o Elefante

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LIVRO: Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. AUTORES: Henry Mintzberg, Bruce Ahlstrand & Joseph Lampel. EDITORA: Bookman, 2000. (pág.12) Eram seis homens do Hindustão Inclinados para aprender muito, Que foram ver o Elefante (Embora todos fossem cegos) Que cada um, por observação, Poderia satisfazer sua mente. O Primeiro aproximou-se do Elefante, E aconteceu de chocar-se Contra seu amplo e forte lado. Imediatamente começou a gritar: “Deus me abençoe, mas o Elefante É semelhante a um muro”. O Segundo, pegando na presa, Gritou, “Oh! O que temos aqui Tão redondo, liso e pontiagudo? Para mim isto é muito claro 6


Esta maravilha de elefante É muito semelhante a uma lança!” O Terceiro aproximou-se do animal E aconteceu de pegar A sinuosa tromba com suas mãos. Assim, falou em voz alta: “Vejo”, disse ele, “o Elefante É muito parecido com uma cobra!” O Quarto esticou a mão, ansioso, E apalpou em torno do joelho. “Com o que este maravilhoso animal Se parece é muito fácil”, disse ele: “Está bem claro que o Elefante É muito semelhante a uma árvore!” O Quinto, por acaso, tocou a orelha, E disse: “Até um cego Pode dizer com o que ele se parece: Negue quem puder, Esta maravilha de Elefante É muito parecido com um leque!”

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O Sexto, mal havia começado A apalpar o animal, Pegou na cauda que balançava E veio ao seu alcance. “Vejo”, disse ele, “o Elefante é muito semelhante a uma corda!” E assim esses homens do Hindustão Discutiram por muito tempo, Cada um com sua opinião, Excessivamente rígida e forte. Embora cada um estivesse, em parte, certo, Todos estavam errados! AUTOR DA FÁBULA: John Godfrey Saxe (1816-1887). Os Cegos e o Elefante Janeiro 16, 2009

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Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio. Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros: – Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora. No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele. O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou: – Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes… – Que palermice! – disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. – Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra… – Ambos se enganam – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia… – Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. – Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante… – Vejam só! – Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. – Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele. E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou: – É assim que os homens se comportam perante a verdade. Religióes são assim, todos estão tentando descobrir um algo, pena que a maioria é tão afobada que não espera averiguar a parte que os outros estão tocando para tirar conclusões sobre o que é o todo (Deus). Quando a gente dialogicamente examina i, simultaneamente a totalidade-geral não-finita e finita (não-finita como Deus-Natureza que dá nascimento aos universos e finita enquanto universos nascidos), compreende estarem todos certos e errados ao mesmo tempo, pois cada linha seguida É UMA POSSIBILIDADE, é incompleta, não expressa a totalidade-geral, pela totalidade o limite exterior do geral e pela generalidade as frações do interior da totalidade, totalidade-generalidade nãofechada nem no tempo nem no espaço.

Capítulo 4 A Defesa da Livre Iniciativa Quando você quer levantar um edifício não sai contratando qualquer um, vai ao engenheiro ou ao arquiteto; não pede a um médico, nem a uma professora 8

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ou a um funcionário público, nem em geral faz de orelhada. Pessoas podem ser muito espertas e houve quem compusesse sinfonias aos quatro anos; a gente ouve falar de garotos no doutorado aos 11 anos, embora o tempo natural seja de (8 + 3 + 5 + 2 =) 18 anos mais os sete anos iniciais, 25 anos no mínimo. Há crianças emocionalmente talentosas que aos cinco anos já são excelentes intérpretes faciais-corporais, atores e atrizes-mirins como a Dakota Fanning, crianças fascinantes e absorventes, verdadeiros prodígios racionais ou emocionais. Entrementes, no geral, as pessoas têm um tempo próprio de amadurecimento. Se você não deseja aprender TODAS AS PROFISSÕES, nem mesmo uma grande quantidade delas ou apenas algumas tem de confiar na coletividade. Não vai tratar dentes com um jardineiro, nem pedir conselhos sobre agricultura a um oceanógrafo. A PROPRIEDADE DA FÉ (é apenas ideal, relativa a conceitos; cada qual vê i de um jeito) • setor mágico-artístico; • setor teológico-religioso; • setor filosófico-ideológico; • setor científico-técnico; • setor matemático. OS CINCO ELEMENTOS (pirâmide com esfera no centro)

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Do mesmo modo como você não pode abarcar todos os conhecimentos acima, dentro da Teologia geral e da Religião geral também não se pode conhecer tudo. 9


INTERMEDIÁRIOS (se a tarefa diligente deles dificilmente o mundo seria interpretável para a maioria; porém eles erram também; sem eles o mundo seria um caos, porque quase ningu)

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HIERARQUIA DA IGREJA

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A Hierarquia na Igreja Oriental A Igreja está alicerçada sobre uma rocha que desafia todos os tempos e esta rocha é o próprio Cristo, cabeça da Igreja. Ele mesmo fundou a Igreja, que é uma sociedade que tem como missão perpetuar sua vida e sua doutrina sobre a terra. Sendo que é uma sociedade orgânica surgiu a necessidade de organizá-la, nascendo assim as comunidades. No fim do século I terminou a época dos Apóstolos e assim se iniciou a época dos "Epíscopes" (bispos). No século" foram instituídos os Bispos para cada Igreja local. No século III a Igreja já estava melhor organizada, tendo em cada metrópole um Bispo. Com o crescimento cada vez maior e rápido das comunidades cristãs, principalmente após o Edito de Milão (3 I 3), quando Constantino estabeleceu a liberdade de religião, a Igreja sentiu necessidade de ter uma boa estrutura a fim de guardar todo o seu patrimônio espiritual. Patriarcas: No decorrer dos séculos IV e V, as divisões civis causaram também as divisões eclesiásticas, as metrópoles civis tornaram-se também metrópoles religiosas: Cesaréia na Palestina, Alexandria no Egito, Antioquia no Oriente... Dentro desta divisão e organização é que surgiu os "Patriarcas" para administrar 49 a Igreja que se desenvolvia rapidamente e que passou a ser a jurisdição máxima, dentro da Igreja Ritual Oriental. No fim do século IV a Igreja contava com cinco Patriarcados (Pentarquia): Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia, e Jerusalém. Em termo de jurisdição na tradição oriental, o Patriarca (Pai dos pais) é um bispo eleito em Sínodo, reconhecido pelo direito eclesiástico e a ele compete uma honra singular (singulari honore prosequendi sunt), com ampla jurisdição sobre seu Patriarcado50. O Patriarca possui uma sorte de "primado" que difusa de São Pedro, fazendo assim com que todas as outras Igrejas tenham seus sucessores sobre a Sé de Roma. Pedro em Jerusalém, Pedro em Antioquia, Pedro em Alexandria e Pedro em Roma. Lembramos que neste círculo de cidade "Petrina", Jerusalém é onde Pedro pela primeira vez exerceu e manifestou seu primado 51. Dessa forma, os Patriarcas participam de uma sorte de "primado petrino", pois foi Pedro quem fundou estes Patriarcados, e sendo de origem Petrina, as Sés Patriarcais herdaram não somente um primado, mas também uma participação e solicitude universal na Igreja Universal. Com o passar do tempo surgiram na Igreja outras Patriarcados conforme as necessidades: No século XVII, foram formados os Patriarcados de Babilônia na Mesopotâmia (traque); de Moscou (Nova Constantinopla e terceira Roma) na Rússia; No século XIX, surgiram diferentes Patriarcados nacionais na Europa Oriental, na medida em que os países se tornaram independentes; o último em data foi formado na África, o Patriarcado de Addis Abbeba (Etiópia), separado do Patriarcado de Alexandria em 1960. Catholikós: Nas antigas Igrejas (Mesopotâmia, Persa, Armênia e Geogiana) o respectivo Patriarca recebe o titulo de "Catholikós". O Catholikossato (palavra grega pronuncia: Casolicossato), é uma província eclesiástica como o Patriarcado e o seu titular é o Catholikós (pronuncia: Casolikós), titulo auferido aos chefes espirituais das antigas Igrejas da Mesopotâmia (Persa), Armênia e Geórgia. Nestas Igrejas, Catholikós possui o mesmo grau de Patriarca. 11

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Arcebispo Maior: O titulo de Arcebispo Maior na Igreja Ortodoxa é auferido a todos os dirigentes de uma Igreja autocéfala, quando por algum motivo não foi eleito um Patriarca. Na Igreja Católica Oriental, segundo o direito expresso no Motu próprio "Cleri Sanctitati" (1957), o Arcebispo Maior é unido a uma Sé Metropolitana que está fora de um Patriarcado determinado, e este é reconhecido pelo Pontífice Romano e pelo Concilio Ecumênico; o Arcebispo Maior possui direitos similares aos de um Patriarca. Cardeal Oriental: O Cardeal é um Prelado que na Igreja católica faz parte do Sagrado Colégio dos Cardeais. Estes são nomeados pelo Papa durante um consistório e são os mais altos dignitários da Igreja católica. Na origem os Cardeais eram simples auxiliares do Papa e eram escolhidos entre os sacerdotes e os diáconos da cidade de Roma. Depois do século XII eles constituíram o Sagrado Colégio e passaram a ser Conselheiros do Papa, tornando assim os colaboradores direto do Pontífice. Notamos que a evolução da importância do Cardeal, o auge foi durante a separação ente o Oriente e Ocidente. O título de Cardeal na hierarquia da Igreja Oriental católica é recente e foi decisão do Papa Paulo VI no consistório de fevereiro de 1965, com o Motu Próprio "Ad Purpuratorum Patrum Collegium"52. Nesse consistório foram nomeados Cardeais quase todos os Patriarcas das Igrejas Orientais Católicas, passando estes a ter um lugar especial no Sagrado Colégio dos Cardeais, no entanto, não foram escritos ao número do Prelado Romano e não possuem sede titular em Roma. Para os Patriarcas Orientais de tradição não-bizantina, o título de Cardeal representa uma grande honra. Mas em se tratando de ecumenismo, este título a um Patriarca é negativo, e inferior a dignidade Patriarcal, que tem origem Apostólica, enquanto o título de Cardeal tem uma origem recente e foi instituído pela Igreja Romana. Metropolita: Metropolita o mesmo que Arcebispo de uma metrópole (Arquidiocese), que tem jurisdição canônica sobre as outras Dioceses e Bispos. Eparca: Eparca o mesmo que Bispo. Na antiguidade Greco-romana, Eparquia significava prefeitura, província e o Eparca Prefeito. No direito Grego moderno, Eparquia significa distrito e no direito canônico oriental Eparquia (diocese) corresponde a uma circunscrição eclesiástica dirigida por um Eparca (Bispo). Ordinário: Título auferido a um Bispo da Igreja latina, que passa a ter jurisdição sobre os fiéis orientais católicos residentes fora do Patriarcado e que não possuem uma hierarquia formada no país de imigração. Os sacerdotes e os fiéis orientais católicos, neste caso fazem parte de um Ordinariato. Exarca: Os Exarcas são bispos que representam Patriarca. Os Exarcas tem jurisdição sobre o Exarcado Apostólico, que no direito canônico oriental corresponde a uma circunscrição eclesiástica que está fora do território Patriarcal e que não foi ainda constituído Eparquia (diocese) por motivo de um baixo número de fiéis ou outro motivo. Exarcado Apostólico corresponde à Administração Apostólica. O Exarca 12

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Apostólico é encarregado de missão, nomeado pelo Patriarca ou pelo Bispo e depende juridicamente da Sé Apostólica Romana e não do Patriarca ritual, apesar do mesmo participar do Sínodo de sua Igreja ritual (católico). Abuna: Palavra árabe que significa "Nosso pai", corresponde ao título de padre. Na Igreja Etíope (Rito Alexandrino) corresponde ao título de bispo. Arquimandrita: O título Arquimandrita, no passado correspondia ao Superior de um Mosteiro, sinônimo de Abade (Higúmeno). Atualmente é um título de honra eclesiástica auferido a um sacerdote conforme suas responsabilidades dentro da Igreja. Corresponde ao titulo de Monsenhor da Igreja latina. Protossincelo: Título honorífico auferido a um sacerdote da Igreja Oriental, e segundo o novo Direito Canônico Oriental, é o Vigário Geral da Diocese (cf. Cano 245-251). Notas: 49. A palavra "administração" não deve ser vista em sentido pejorativo; o principal objetivo da Igreja não é administrar, mas ela deve responder às necessidades do povo de Deus que faz parte da sociedade. Notamos aqui que na Igreja Oriental ortodoxa não existe uma autoridade máxima que corresponde a Igreja católica à pessoa do Papa de Roma. Contudo o Patriarca de Constantinopla recebe o titulo de "Patriarca Ecumênico", mas sua autoridade não sobressai, disciplinarmente à dos demais Patriarcas ortodoxos. Cada Patriarca Ortodoxo governa sua própria Igreja. 50. Motu próprio "Cleri sanctati" cânon 216 ao 314. 51. Quanto a Constantinopla, que não foi fundada por São Pedro ou por outro Apóstolo (apesar de reclamar da presença de André, irmão de Pedro), mas devido a sua importância durante a invasão árabe, possui o titulo de honra Patriarcal. O Patriarca Ecumênico de Constantinopla é um titulo de honra, mas não sobressai aos dos demais Patriarcas ortodoxos; pois nas Igrejas Orientais ortodoxas, cada Patriarca tem jurisdição sobre seus fiéis do Patriarcado e fora deste. Portanto o Patriarca de Constantinopla é um "Primus inter pares" com um primado de honra e não de direito. _______________________ Fonte: Katlab, Roberto - As Igrejas Orientais Católicas e Ortodoxas - Tradições Vivas - AM Edições Desde o começo passaram-se milhares de anos e desde Cristo dois mil; não é possível a ninguém, nem mesmo aos maiores gênios ler tudo que foi pensado nem meditar sobre tudo - quanto mais aos sem tempo e sem recursos. Porisso é apropriado ouvir. Não é adequado renunciar a si e a sua voz diante de i; ninguém pode sequer dar procuração de sua voz e se fazer representar por outrem perante i. Um padre não pode falar por ninguém diante de i, mas pode pedir com sua voz por essa pessoa. Cada um pode, seja de pé, sentado, ajoelhado ou deitado de costas ou de bruços, na posição do lótus ou dependurado de cabeça pra baixo, pode realmente de qualquer modo dirigir-se a i e será ouvido com ou sem cerimônias; ou pode ir a edifícios, sejam igrejas pobres ou ricas, pode ficar voltado para leste e o levantar do Sol ou para oeste e o por do Sol (o aparecimento dele num ou noutro horizonte 13

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conforme a rotação do planeta), pode descer a um poço, pode subir a uma montanha, pode jejuar, pode ficar num pedestal ou numa caverna, dá tudo na mesma, pois i não está ALÉM nem AQUÉM, i É E ESTÁ em tudo o tempo todo. Você NÃO PODE renunciar verdadeiramente, NEM SE QUISER; mas, se quiser, pode não ver, pode fechar os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, a pele – poder ficar sem sentidos, pode deixar de pensar, pode ocultar-se de i como Adão e Eva pensaram fazer e como Lúcifer Luz da Manhã fez: você pode renunciar (i respeitará isso). Então, você tem livre-, livre-querer, livre-arbítrio, pode fazer o que desejar de sua vida e pode até ofender os outros; mas há um pagamento, a memória, e isso você carregará para sempre com você. Você pode ser um pastor canalha roubando do povo, a ele vendendo o que não lhe pertence, pode ser um padre canalha zombando das crianças em seus corpos, pode ser um criminoso, pode ser tudo que quiser, pois a livre-iniciativa é isso: contudo, ficará em sua memória.

Capítulo 5 Os Negócios de Deus Em O Ouro de Silas medimos a distância que há dele para nós: 11 ordens de grandeza. DE SILAS A NÓS (nosso labrador Pink nose, nariz rosa) 1. biologia-p.2: 1.1. animais: 1.1.1. do tipo de Silas; 1.1.2. golfinhos, elefantes, baleias (têm cérebros maiores que os nossos); 1.2. primatas (especialmente chimpanzés e, depois, os hominídeos antes dos neanderthais e CRO-magnons); 2. psicologia-p.3: 2.1. indivíduos; 2.2. famílias; 2.3. grupos; 2.4. empresas; 2.5. cidades-municípios; 2.6. estados; 2.7. nações; 2.8. mundos (planetas na etapa seguinte, mas antes disso nações em processo de globalização; quer dizer, este nível já está ativo, mesmo incipiente). Do mesmo modo há uma distância até a MAIOR PERCEPÇÃO de DeusNatureza, porque a Prova de Godel nos diz que deve haver UM e somente UM elemento exterior que jamais poderá ser sabido (ele não é nem a Matemática nem a Dialógica, lógica-dialética, porque dessas sabemos, e sabemos usar) e que SE É, é-se em completude. DO MUNDO ATÉ DEUS EM TERMOS TECNOCIENTÍFICOS 3. psicologia-p.3; 14

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4. informática-p.4; 5. cosmologia-p.5; 6. dialógica-p.6 7. (a indevassável Bandeira de Elohim, como chamei). DE NÓS ATÉ DEUS EM TERMOS ESPAÇOTEMPORAIS (CADA PASSO lócus controlado e TOTALMENTE administrado) 1. mundo (o planeta em que o mundo se transformará quando acontecer o salto para fora, para o espaço circunvizinho); 2. sistema solar; 3. constelação (pode ter de umas poucas até milhares de estrelas); 4. galáxias (a contagem vai de um a 100 bilhões delas no universo); 5. aglomerados (cada qual poder conter de uma a milhares de galáxias); 6. superalomerados (podem ter milhões de galáxias, milhares de aglomerados); 7. universos (um deles pode conter muitos e muitos superaglomerados); 8. o metaverso (contendo não-finitos universos por toda parte e todo o tempo). São 11 (+ 10) passagens de Silas a nós na presente situação e “apenas 8” (+ 7) de nós até a visão mais completa possível de i, mas raciocine que os passos seguintes são inpossivelmente mais difíceis: “qualquer mundo” pode levar até onde a Terra nos trouxe, mesmo com grandes dificuldades postas nesses 3,8 bilhões de anos, porém passar os degraus seguintes é indescritivelmente mais complicado, pois como fazer para estar presente em milhares de estrelas? Ou sequer no sistema solar inteiro? Pois são ORDENS DE CRESCENTE COMPLEXIDADE, exponenciais como a Escala de Richter para medição da violência de terremotos:

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Escala de Richter Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. A escala de Richter quantifica a magnitude sísmica de um terremoto. História A escala de Richter foi desenvolvida em 1935 pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg, ambos membros do California Institute of Technology (Caltech), que estudavam sismos no sul da Califórnia, utilizando um equipamento específico - o sismógrafo Wood-Anderson. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, criaram um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas. A história não conservou o nome de Beno Gutenberg. No princípio, esta escala estava destinada a medir unicamente os tremores que se produziram na Califórnia (oeste dos Estados Unidos). Apesar do surgimento de vários outros tipos de escalas para medir terremotos, a escala Richter continua sendo largamente utilizada. Princípio É uma escala logarítmica: a magnitude de Richter corresponde ao logaritmo da medida da amplitude das ondas sísmicas de tipo P e S a 100 km do epicentro. A fórmula utilizada é M L = logA - logA 0 , onde A representa a amplitude máxima medida no sismógrafo e A 0 representa uma amplitude de referência. Assim, por exemplo, um sismo com magnitude 6 tem uma amplitude 10 vezes maior que um sismo de magnitude 5. Porém, o sismo de magnitude 6 liberta cerca de 31 vezes mais energia que o de magnitude 5. Um terremoto de menos de 3,5 graus é apenas registrado pelos sismógrafos. Um entre 3,5 e 5,4 já pode produzir danos. Um entre 5,5 e 6 provoca danos menores em edifícios bem construídos, mas pode causar maiores danos em outros. Já um terremoto entre 6,1 e 6,9 na escala Richter pode ser devastador numa zona de 100 km. Um entre 7 e 7,9 pode causar sérios danos numa grande superfície. Os terremotos acima de 8 podem provocar grandes danos em regiões localizadas a várias centenas de quilometros. Na origem, a escala Richter estava graduada de 0 a 9, já que terremotos mais fortes pareciam impossíveis na Califórnia. Mas teoricamente não existe limite superior ou inferior para a escala, se consideradas outras regiões do mundo. Por isso fala-se atualmente em "escala aberta" de Richter. A primeira escala Richter apontou o grau zero para o menor terremoto passível de medição pelos instrumentos existentes à época. Atualmente, no entanto, é possível a detecção de tremores ainda menores do que os associados ao grau zero, e ocorre a medição de terremotos de graus negativos na escala Richter. Inversamente, de acordo com o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, aconteceram três terremotos com magnitude maior do que 9 na escala Richter, desde que a medição começou a ser feita. Graduação Na realidade, os sismos de magnitude 9 são excepcionais e os efeitos das magnitudes superiores não são aqui descritos. O sismo mais intenso já registrado atingiu o valor de 9,5, e ocorreu a 22 de maio de 1960 no Chile. A magnitude é única para cada sismo, enquanto a intensidade das ondas sísmicas diminui conforme a distância das rochas atravessadas pelas ondas e as linhas de falha. 17

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Assim, embora cada terremoto tenha uma única magnitude, seus efeitos podem variar segundo a distância, as condições dos terrenos e das edificações, entre outros fatores.[1] Descrição

Magnitude

Efeitos

Frequência

Micro

< 2,0

Micro tremor de terra, não se sente[2].

~ 8000 por dia

Muito pequeno

2,0-2,9

Geralmente não se sente mas é detectado/registado.

~1000 por dia

Pequeno

3,0-3,9

Frequentemente sentido mas raramente causa danos.

~49000 por ano

4,0-4,9

Tremor notório de objetos no interior de habitações, ruídos de choque entre objetos. Danos importantes pouco comuns.

~ 6200 por ano

Moderado

5,0-5,9

Pode causar danos maiores em edifícios mal concebidos em zonas restritas. Provoca danos ligeiros nos edifícios bem construídos.

800 por ano

Forte

6,0-6,9

Pode ser destruidor em zonas num raio de até 180 quilômetros em áreas habitadas.

120 por ano

Grande

7,0-7,9

Pode provocar danos graves em zonas mais vastas.

18 por ano

Importante

8,0-8,9

Pode causar danos sérios em zonas num raio de centenas de quilômetros.

1 por ano

Excepcional

9,0-9,9

Devasta zonas num raio de milhares de quilómetros.

1 a cada 20 anos

Extremo

> 10,0

Poderia dividir a Terra ao meio.

Nunca registado (Desconhecido)

Ligeiro

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Magnitude e intensidade A escala de Richter não permite avaliar a intensidade sísmica de um sismo num local determinado e em particular em zonas urbanas. Para tal, utilizam-se escalas de intensidade tais como a escala de Mercalli. Notas e referências 1. ↑ Saiba mais sobre a escala Richter 2. ↑ Certos sismos de magnitude inferior a 2 podem contudo ser sentidos muito localmente se o epicentro for localizado exatamente sob as habitações e se se tratar de uma réplica. Certos sismos de magnitude próxima de zero, ou mesmo negativas, podem assim ser percebidos. Imagine algo partindo de 1: o seguinte é 10, o terceiro é 100 e assim por diante. Agora veja a ER (Escala de Richter): “Porém, o sismo de magnitude 6 liberta cerca de 31 vezes mais energia que o de magnitude 5”. 18


O primeiro seria 1, o segundo 31, o terceiro quase 1.000. Entretanto, na escala universal É MUITO MAIS QUE ISSO. Deus está infinitamente distante de nós e ao mesmo tempo completamente junto. Por um lado Deus está infinitamente distante, por outro a Natureza têm-nos noseu interior. Então, i está ao mesmo tempo dentro e fora de nós.

Capítulo 6 Olhando Deus Durante um tempo os filmes principalmente levantaram a tese (por exemplo, Stigmata, com Gabriel Byrne e Patricia Arquete, onde a sugestão era de haver um evangelho perdido dizendo não ser necessário Igreja – pois se Cristo mesmo a firmou sobre São Pedro!) de serem os padres supérfluos (a mesma tese dos protestantes) e a Igreja também. Evidentemente, hierarquias são criações humanas mas como montariam empresa destinada a racionais sem escritórios? Qualquer um pode em qualquer tempo e espaço olhar i (ELI, Elea, EleEla, Deus-Natureza) não-finito sem nem um intermediário sequer, e o ideal seria isso mesmo; na realidade, mesmo o indivíduo pensando só poder chegar a i através de intermediários portadores de mensagens (sejam padres, santos ou quaisquer outros, inclusive o santo padre, apenas um título honorífico) e intercessores, de fato i ouve APENAS o indivíduo e somente ele: o racional é que pensa estar precisando de uma estação de telefonia. Pois i É TUDO e ESTÁ EM TODA PARTE: é Natureza material e é Deus ideal. Não está no Céu distante ou no Paraíso insondável: está aqui, está aí, está acolá e está além, em tudo e por tudo. Está do seu lado quando acordado e quando dormindo, quando vive e quando morre, se deseja ou não que esteja; é o garantidor final do livre-arbítrio ou livre-querer. Não é o construtor de universos: i SE É o metaversoconjunto de nãofinitos universos; i SE É universos, todos os não-finitos, inumeráveis universos, inclusive este. Doutra parte não há espíritos do espiritismo (superafirmação dos espíritos e como tal, por sinal, doença psicológica coletiva), nem santos e orixás-exus do candomblé, nem deuses, nem nada mesmo: TUDO é partição de i, tudo é racionalização, visão limitada do racional. CONTUDO, é apropriado as pessoas terem guias espirituais para justamente não caírem nas perversões antigas. O islamismo está certo do seu jeito, com sua devoção ultra-restritiva, sua submissão – é a disposição deles. Mas os católicos não estão errados, porque olhar os santos é como olhar um retrato atual (antigamente eram estátuas, porque as pinturas custavam muito caras e só os imperadores e reis podiam pagá-las, ao passo que uma escultura, mesmo tosca, podia ser imitada em qualquer ponto do universo católico). Os guias espirituais não têm maior acesso que você ou qualquer um a i, nem esses daqui nem os ‘do outro mundo’; nem anjos, nem demônios, nem deuses, nem quaisquer uns – todos têm direito iguais. Entrementes, se todos forem atirar, nem todos acertarão o alvo, pois uns foram mais treinados que outros. Se você pedir ajuda a um guia espiritual deste ou do ‘outro mundo’ tudo que estará fazendo é declinar do seu direito - de se dirigir pessoal e diretamente - para encomendar 19

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postagem a outrem, quando poderia mandar diretamente. Além disso, não precisa ir a alguma distante agência do Correio Celestial nem na sua cidade nem no seu bairro, pois ela está dentro de você e dentro de qualquer um em qualquer ponto do universo, em qualquer átomo, em todo campartícula – já que tudo é Natureza-Deus. Posto isso (todos terem igual capacidade e direito de falar a Deus) qual a razão para ir a igrejas? É para compartilhar a fé, a crença, é para rezar socialmente. E a razão para consultar padres e a hierarquia da Igreja vem de eles terem acumulado dois mil anos de procura: quem tem uma escola operando 2.000 anos não pode ser desprezado. Talvez escolas novas sejam portadoras de novas e melhores pedagogias, como as protestantes e as recentíssimas evangélicas, talvez não sejam, talvez tenham se apoderado de outras mais antigas e abandonadas com impróprias e corrompedoras. Deus propriamente não muda, o que mudam são as percepções humanas, com a nossa capacidade de ver podendo se tornar cada vez mais apurada e pertinente, levando (de fato, quem sabe se sim ou se não é i) cada vez mais próximo de Deus,visto não podermos ficar mais próximos da Natureza por estarmos imersos nela. Santos não servem para interceder junto a Deus, mais do que você pode interceder; mas ter seus retratos, pensar neles, rezar por suas cartilhas, seguir seus exemplos de vida, comportar-se como eles, tomá-los como exemplos na parte santa de suas vidas, imitar as obras de caridade que fizeram ou ter estátuas suas para lembrar-se deles é sempre positivo. Adorar suas imagens, evidentemente, é errado. Usá-los como escudos também, seja a que título for. Podemos pensar isto: mesmo você tendo tanto direito quanto São Pedro de se dirigir a i, Jesus escolheu a ele e não a você ou a mim; estivesse ele lá como homem e Cristo também, se eles se escolhessem por sua presença geo-histórica ou se, em extremo, a divindade de Jesus colocou-os próximos e montou todo o cenário, pouco importa, o fato é que São Pedro teve um apreço especial; e por isso deve ser distinguido, sendo impróprio chamá-lo de Pedro, como se fosse qualquer. Se a herança é POTENCIALMENTE a mesma para todos e cada um, é verdade também haver pela Curva do Sino uma distribuição clara, cristalina: 50 % serão excluídos pelos seus gestos não-meritórios. De que jeito serão excluídos? Não serão absorvidos em i, voltarão à massa indistinta sem direito de coalescência como psicologias ou almas: não foi ninguém a levá-los a isso, eles é que mal o livre-arbítrio. Usaram pessimamente o patrimônio de sua herança, desconsideraram , e que direito têm de olhá-lo? Certamente não sabemos quais os critérios de i, porisso não sabemos (nem deveríamos) julgar, mas mesmo assim há a divisão 50/50.

Capítulo 7 Bob’olhando Quando éramos crianças os mais velhos brincavam com a gente balançando um ovo diante de nossos olhos e dizendo “bobolhando” (bobo-olhando), sendo o objetivo ver quando a criança perceberia tratar-se de brincadeira, quer dizer, quando decifraria o oculto. O título diz respeito a americanos chamados Bob, diminutivo de Willian no país mais esperto de nossos dias. 20

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A questão toda é a interferência dos EUA no mundo, mesmo neste momento de crise (que se aprofundará ainda mais): para onde Bob estiver olhando os outros olharão cedo ou tarde, pelo menos ainda em nossos tempos. Nem deveria ser assim (nem será), porque afinal de contas os EUA não são particularmente sábios, só são especialmente trabalhadores (justamente em virtude da religião). A CONFUSÃO RELIGIOSA DOS EUA AMEAÇA O MUNDO (eles fizeram muitas coisas boas e ruins)

21 Capítulo 8 Com Lágrimas nos Olhos Olhando a humanidade como se fosse uma esfera com 6,7 bilhões de flechas pequenas compondo outras maiores veremos as linhas-de-fé; esses vetores amplos espalham-se em total confusão e certamente não apontam o centro, i. As pessoas não conseguiram uma visão cristalina de i, nem esta que o modelo proporcionou enquanto princípio a ser aprimorado. ACHO QUE O UNIVERSO CHORA POR NÓS (somos uma espécie muito desencontrada)

No modelo é possível compreender a Fé geral, a Religião geral, a Teologia geral e várias coisas gerais; o modelo mostrou que nenhum de nós pode 21


estar completamente certo nem completamente errado; não pode ser completamente bom nem completamente ruim – consequentemente, não há como julgaros outros do modo final e correto de i, mas pelo menos podemos adiantar avanços em nosso tortuoso caminho racional.

Capítulo 9 A Justificativa da Fé Existe justificativa para a Fé? Sim, e perfeitamente válida. É feita a partir dos pares polares oposto-complementares: Fé e não-Fé, esta vazia, porque é o lado de Deus: ele não pode ter fé em si mesmo no sentido racional – ele SE É. A pessoa não pode dizer “acredito em mim mesmo” por isso ser tautologia: É LÓGICO QUE A PESSOA ACREDITA EM SI. Assim, existe somente a Fé. Essa Fé geral é a mesma fé de cada um: em cada um a fé já é a Fé geral. As pessoas não podem não ter fé, pois neste caso estariam identificadas a Deus, com ele sendo Deus. A não-Fé, portanto, é a não-Prova, a ausência de prova: as pessoas acreditam na ausência de prova. Desse modo a Fé toca 100 % dos racionais, mas uma parte destes acredita na ausência de provas: são os ateus e os agnósticos. Os ateus são os agnósticos que atingiram a convicção e não querem mais ouvir falar, de tanto terem sido apresentadas falsas provas. O agnóstico é um grau menor do ateu; o ateu é o final de carreira: só sob provas muito concretas ele volta a acreditar. Tais provas podem ser ideais, ou interiores (o idealista é uma pessoa completamente introjetada, fora dos outros, egoísta), ou materiais ou exteriores (o materialista é alguém completamente alienado, fora de si, altruísta). É da lógica o concreto ser ideal ou material: é ideal quando as provas interiores são impecavelmente encadeadas como na melhor matemática.

Capítulo 10 A Fé em Crise Como a Fé geral é racional ela partilha de todos os defeitos da racionalidade, por exemplo, a Fé entra em crise. OSCILAÇÃO DA FÉ

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Resulta disso que, se a Fé geral é onda e é cíclica, é previsível e matematicamente determinável: a física-matemática de ondas se aplica a ela, quando adequadamente elevada a fenômeno psicológico tornado hiperfenomênico ou enquadrado, quer dizer, determinado, modelado, matematizado. Se é fenômeno físico-químico, biológico-p.2, psicológico-p.3 é manipulável (segundo qualquer matemática alta); de fato, os sacertodes-psicólogos a manipulam empiricamente, através das tentativas e dos erros procurando conformações-de-resposta, gerando com isso saber que vêm acumulando no decorrer dos milênios. Usando os sentidos, razão-induzida, induções ou ilações e falácias os pastores das ovelhas podem conduzilas facilmente à tosquia. Agora, durante a Crise universal, tudo na Terra balançará, inclusive a Fé; os fiéis serão jogados uns contra os outros e a gritaria será imensa. Os sacerdotes realmente dedicados ao povo se manterão de pé, mas os vendilhões fugirão logo que começar a contração geral e acelerada, porque os dízimos escassearão, mas as dívidas do estilo de vida não. Os padres, sim, permanecerão fiéis ao povo, pois estão presos à hierarquia e ao exemplo, porém os pastores não, já que cada qual quer colocar igreja “sua”. Do mesmo modo como proliferaram com as chuvas abundantes os templos morrerão no primeiro sol causticante, ao cabo do processo o número deles reduzindo-se a quase nada, finalmente a religião de Cristo se centrando no Igreja. A Fécormécio é limitada nos propósitos e na sinceridade, porisso morrerá de inanição com a parcimônia das doações. Vendo ainda como potencialmente daninha a língua planetária da Igreja (o latim, que deve ser retomado), como preocupante a presença em todos os países, como inquietante a hierarquia de um chefe só (o Papa) acredito agora ser a melhor solução, apesar de tudo. Tudo que é comércio da Fé morrerá em todo lugar e as religiões ressurgirão em pureza, contribuindo para a correção da humanidade depois de todos esses séculos recentes de descaminhos. O Papa atual, ao término do sua vida, deve ser substituído por um representante mais jovem da faixa dos 40, mais aguerrido, batalhador da causa de Cristo que retome o crescimento da Igreja. Os templos evangélicos devem ser dissolvidos e os protestantes remanescentes devem procurar abrigo na Igreja, unindose todos os cristãos sob apenas uma denominação, a da concórdia. Vitória, segunda-feira, 29 de junho de 2009. José Augusto Gava.

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ANEXOS Capítulo 1 OS VENDILHÕES (os que vendem em vez de dar) VENDILHÕES DO TEMPLO Allan Kardec, no O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 26, intitulado "Dar de Graça o que de graça receber", no subtítulo "Vendilhões Expulsos do Templo", menciona o Evangelho de Mateus, 21:12-13 nos termos: , "Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas. ( ... ) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porrventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões". Allan Kardec explicita a parábola nos termos: "Jesus expulsou os vendilhões do templo, e assim condenou o tráfico das coisas santas, sob qualquer forma que seja. Deus não vende a sua benção". E ainda em João, 2:15 vemos que: "E, feito um açoite de cordéis, lançou fora do templo, também os bois e as ovelhas, espalhou o dinheiro dos mercadores e derrubou as mesas". Este Jesus de Nazaré, uma figura estóica, inconfundível, também utilizou uma linguagem causticante, atrevida e incisiva contra os sacerdotes fariseus do seu tempo: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas (Mateus, 23:14); "serpentes, raças de víboras" (Mateus, 23:33); "escribas e fariseus hipócritas, sois semelhantes aos sepulcros caiados, que aos homens parecem belos por fora e por dentro estão cheios de ossos mortos e de toda a asquerosidade" (Mateus, 22:27-28). Emmanuel desenvolve esta parábola enviando singular mensagem: "Muitos companheiros de convicção espírita costumam afirmar que estão imbuídos de Fé ardente" (ousamos acrescentar nas palavras de Emmanuel: Fé ardente tanto quanto os sacerdotes de Jerusalém!...) Emmanuel continua: "mas os inquisidores do passado que acendiam fogueiras pela imposição do 'crê ou morres', também a possuíam!", E completa assinalando Emmanuel: "Os companheiros da seara espírita, no entanto, sabem com Allan Kardec, que o espírita é chamado a usar confiança e zêlo, indulgência e bondade; pensamento e emoção; aliando equilíbrio e Fé raciocinada, na base da reforma intima com serviço incessante aos outros. Por esse motivo, efetuando a própria libertação e amparando a libertação dos semelhantes das cadeias mentais forjadas na Terra, em nome da 'santidade de superfície', o espírito verdadeiro é conhecido por seu devotamento ao bem de todas as criaturas e pela coragem com que dá testemunho de sua transformação moral". CONTEXTUAlIZAÇÃO Neste contexto de "vendilhões do templo" alertado por Jesus de Nazaré e "o tráfego das coisas santas sob qualquer forma que seja", "porque Deus não vende a sua benção", de acordo com a exemplificação de Allan Kardec e a sinalização de Emmanuel, com a "santidade de superfície" dos adeptos estamos, na atualidade, diante da hipervalorização do Misticismo Popular e do Cientificismo Vulgar. O chamado Misticismo Popular, tanto quanto ao Cientificismo Vulgar, argumentamos, conduzem os homens "concretos" a uma fuga da Realidade, transformando-os em homens "abstratos" necessariamente alienados, em que o poder econômico dos 24

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"vendilhões do templo" utilizam como higiene mental das populações oprimidas social e economicamente, para evitar grandes cataclismas sociais. Neste sentido, se observa, notadamente no Brasil, não se estaria numa "aldeiaglobal" mas, pelo contrário, num grande "sertão-de-Canudos". Por toda parte proliferam os "Antônio-Conselheiros", Estes novos "vendilhões do templo" possuidores de "santidade de superfície" atiram este pensamento excêntrico e/ou extravagante às massas humanas oprimidas, subnutridas, apaixonadas pelo maravilhoso e pelo insólito e mesmo por textos sólidos em pensamentos milenares. É que o ambiente sócio-cultural do povo brasileiro é propício não somente para o surgimento de novos "Antônios-Conselheiros", mas "profetas", "gurus", "missionários", "ministros", "guias-mestres" nascidos naturalmente das condições de incultura e necessitando de amparo para a saúde física. E isto não somente nas massas populares despreparados mas também nas massas intelectualmente bem preparadas. CONCLUSÃO Admite-se que o avanço científico da Sociedade mundial, bem como a falência das religiões ditas "tradicionais", devem ter favorecido a proliferação de místicos junto a estas populações que buscam uma segurança "divina", pelo Misticismo popular e/ou Cientificismo Vulgar. O escritor espírita Léon Denis, já no século 19 afirmava: "Produtos espontâneos e mórbidos de um meio impuro, eles desenvolvem-se e espalham-se quase por toda a parte. A ignorância da maioria do povo favorece e alimenta essa fonte de abusos". Convém, neste momento, salientar que na Doutrina Espírita não existe condições para o pensamento místico/mágico, alienante; nem tampouco se constitui um processo social de anestesia do povo, o chamado "ópio do povo". Na verdade, não existem dogmas de fé cega exteriorizada, mas a Doutrina Espírita, bem estudada e praticada, clama por uma postura crítica, consciente e não-alienada, buscando incessantemente o conhecimento, pela Ciência Oficial, pela reflexão filosófica e na explicitação religiosa dos seus princípios pela Fé raciocinada. Daí a essência cristã da Doutrina Espírita em refletir as palavras e atos de Jesus de Nazaré vivendo o Mundo e, de outro lado, a promessa evangélica de "O Consolador", que se cumpre de maneira simbólica. E é por esta razão que sua estrutura filosóficocientífica e notadamente religiosa não envelhece; seus valores morais e espirituais nunca perderam a razão de existir, bem como existe permanentemente a possibilidade de acompanhar o espírito crítico, consciente e moralizador da época em que vivemos. Este texto, "Vendilhões do Templo", procurou, na medida do possível, ser um pequeno exemplo da complexidade da questão. Dulcídio Dibo - Jornal O Semeador - abril/08 Jesus Expulsa os Vendilhões do Templo (2) Posted on Agosto 27, 2008 by jesusluzdomundo

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Marcos 11:15 E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Marcos 11:16 Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; Marcos 11:17 também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores. Expulsai os vendilhões do templo Gilda Carvalho gilda@puc-rio.br Ao chegar ao Templo e se deparar com a quantidade de vendedores que ali comercializavam mercadorias Jesus toma um chicote e expulsa os comerciantes daquele local sagrado. A atitude de Jesus, mais que seu impacto agressivo, demonstra o zelo pela casa do Senhor e também a dor por ver desvirtuada a destinação própria do lugar. O Templo deixava de ser o local sagrado para se tornar lugar de comércio e – pior – de exploração. As práticas religiosas perdiam, assim, o caráter místico ou sagrado para se tornarem fonte de jugo e humilhação. Com isso, alimentava-se um comércio espúrio e imoral. A atitude de Jesus vem, portanto, em resgate do verdadeiro sentido do espaço destinado à oração e ao encontro com Deus. A tradição cristã nos fala desse episódio como “a expulsão dos vendilhões do Templo”. E nos fala com propriedade. Segundo o dicionário Aurélio, vendilhão significa (em seu sentido figurado) aquele que trafica coisas de ordem moral. Essa era a prática dos vendedores que viviam do comércio do Templo. Ainda que apresentassem para comercialização mercadorias que seriam utilizadas nos cultos, o sentido da apresentação dos sacrifícios ao Senhor havia sido totalmente deturpado com o passar dos anos e com a interpretação errônea e maldosa da Lei. Assim, aquele comércio simbolizava o tráfico moral, a transmutação da idéia amorosa de um povo que se oferece ao Seu Deus e a Ele se apresenta com oblações para a idéia da exploração, onde as pessoas eram incitadas a comprar para que não fossem excluídas de seus pares. São Paulo nos ensina que somos templos do Espírito. Porém, nem sempre nossos corações são terrenos férteis para a mensagem de Deus, mas nele habitam o orgulho, a inveja, a raiva e o rancor, os vendilhões do mal que impedem que sejamos todos de Deus. Ao celebrarmos a festa da Dedicação da Basílica de Latrão, possamos deixar que Jesus tome do chicote e expulse de vez esses sentimentos que não deixam o amor florescer. Possamos não nos transformar em fontes exploradoras dos outros, excluindo-os de nosso convívio por não serem iguais a nós. Possamos fazer de nossos corações o templo sagrado, o santuário, o local por excelência do encontro verdadeiro com o Deus vivo. Para reflexão: Em sua prática inclusiva, Jesus manifestou historicamente a escolha de Deus por aqueles que foram condenados ao esquecimento. Igualmente, sua prática de solidariedade para com as pessoas com deficiência, em pleno contexto cultural e religioso do ‘puro-impuro’, fez de Jesus um ‘impuro’ por excelência; a cruz foi a culminância de uma vida inteira na contramão da mentalidade da época, mas em benefício da vida dos ‘malditos’ e ‘impuros’. 26

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(Texto-base CF 2006 – nº 181) Texto Bíblico: Jo 2, 13-22 Os “novos” vendilhões do Templo O programa de um famoso pastor estava começando. Eu, em frente a TV, observava negligentemente mais uma das repetitivas “atrações” do mundo gospel brasileiro. Nada de novo: músicas com letras parecidas, coreografias, show de luzes, em alguns momentos tive a ligeira sensação de que já tinha visto tal programação em outro lugar. Engano meu, o programa estava estreando naquele dia. Quando entrou o famoso pastor esperava que a mensagem fosse a salvação daquela espécie de “culto”. Mas, o “ungido” pregador leu um texto da Bíblia e depois apenas repetia as passagens lidas de forma emotiva e gritando...Algumas poucas pessoas choravam e por isso mesmo, a câmera fixava sempre nelas. Algo passou a me chamar a atenção no pastor: suas roupas e sua insistente informação de que era “doutor em divindades”. As roupas eram claramente de valor alto! Os sapatos não eram encontrados em qualquer sapataria do Brasil! Até hoje não sei o que é um “doutorado em divindades” (e nem sei se quero saber!). Em seguida, para não fugir do modelo dos programas evangélicos na TV brasileira, o amado pastor, olhando fixamente para câmera, e com o semblante de espiritual, pediu contribuições para o seu programa e para seu ministério que percorre o Brasil e o mundo. Logo depois, surge uma propaganda que me deixou, digamos, admirado! A propaganda de um culto de Adoração em determinada cidade, e o narrador anuncia alegremente: Você pode comprar o ingresso antecipadamente com desconto! Mas corra, é por tempo limitado! Aquele foi o sinal para que eu mudasse de canal e ficasse o dia todo angustiado e até mal humorado. Lembrei-me do episódio de Jesus e os vendilhões do Templo. Sempre imagino o rosto irado de Jesus ao chegar no Templo e encontrar vendedores e mercenários fazendo “negócios” com fiéis. Imagino Jesus derrubando bancas, chutando, literalmente, o “pau das barracas”. Não me lembro de outra passagem do Evangelho em que Jesus demonstrasse tanta raiva e indignação, nem mesmo com os irritantes fariseus. Ao que parece, para o Nosso Senhor, não havia nada pior do que a exploração da fé do povo. O que pensaria ou o quê pensa Jesus a respeito de nossas caríssimas, conferências, convenções, seminários e agora, até mesmo, culto de Adoração? O que pensaria ou o quê pensa o Nosso Senhor dos shows emotivos e piegas onde se cobram ingressos para oferecer aquilo que deveria ser de graça? No lugar de pastores de ovelhas encontramos gerentes de Marketing! Escravos da estatística! Olhos que enxergam números e não vidas! Novos vendilhões do Templo! Mercadores da fé! Transformaram a Igreja de Jesus em um covil de ladrões e salteadores! Está em vigor hoje as novas vendas de indulgências para se alcançar o Reino dos Céus! “Venham, é a lei do Mercado Gospel! É a lei da oferta e da procura!” O que dizer das mensagens pregadas? Onde estão as mensagens que dizem para amar os inimigos, oferecer a outra face, não julgais para não serem julgados, mas... Você está julgando, pastor! Sim, estou... Incluam-me nessa lista de desvio pastoral...Onde estão as mensagens de “buscar o Reino de Deus e sua justiça em primeiro lugar...” Chega de quebra de maldições, pois já foram quebradas no Calvário todas elas! Chega de promessas de bênção material! Chega de engano!!! Basta de vendas na porta do Templo! A Igreja do Senhor não é um circo e nem passarela de 27

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moda e de egos inflados! Estamos precisando urgentemente de mulheres cananéias que aceitam até mesmo as que migalhas caem da mesa, de centuriões romanos que bastam ter a fé na Palavra simplesmente, de Zaqueu e Mateus, que devolvem em dobro o que roubaram e largam tudo para seguir a Jesus...Estamos precisando de Bartimeu, que não se cansa de clamar por Jesus mesmo quando impedido pelos discípulos, de Paulo, que saiba viver e louvar ao Senhor em qualquer situação, na fartura e na escassez...Estamos precisando de meninos e meninas que tenham apenas cinco pães e dois peixes e ainda assim queiram partilhar... Não precisa mais do que isso. O Senhor precisa de Pastores de Ovelhas e não de Mercenários egocêntricos. Espero que esta mensagem sirva de alguma forma para edificar sua vida...pois ela vem de encontro com a minha. Pastor Antonio Carlos Soares dos Santos Igreja Metodista em Altamira, PA Iconografia Cristã Nosso propósito é apresentar a beleza e a sensibilidade de um dos ramos mais antigos da arte cristã: a Iconografia. O Ícone A palavra "ícone" deriva do grego "eikón", que significa genericamente "imagem". Grande parte dos ícones do mundo cristão antigo deriva diretamente da Sagrada Escritura ou pelo menos nela se inspira. Normalmente se trata de uma pintura executada sobre madeira, mediante uma técnica particular e seguindo uma tradição transmitida pelos séculos. É, pois, uma obra profundamente meditada e pacientemente elaborada por gerações de pintores. Jesus expulsa os Vendilhões do Templo

Fonte: http://www.byzantines.net/

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Brasil, onde se compra e se vende de Os vende-pátria também estão na tudo, até a honra. categoria (ou na falta de categoria). VENDA DE INDULGÊNCIAS NA IDADE MÉDIA E AGORA A VENDA DE INDULGÊNCIAS E A CORRUPÇÃO NA IGREJA CATÓLICA MEDIEVAL

Acreditava-se que Cristo em pessoa, a Virgem Maria e muitos santos tivessem ganhado, durante sua vida, um “superávit” de mérito que poderia ser distribuído entre os infiéis ou fiéis menos praticantes. Para se diminuir a culpa e a pena desses pecadores, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, durante fins da Idade Média Européia, passa a fazer “negócios” com essa “graça”, em troca claro, de parte do patrimônio dos desafortunados. Durante o Pontificado do Papa Leão X (1513 – 1521), essa prática atingiu o seu auge. Seque aqui, uma lista, isso mesmo, uma lista com alguns dos perdões previstos e seus respectivos valores ou pagamentos. 1. O eclesiástico que incorrer em pecado carnal, seja com freiras, primas, sobrinhas, afilhadas ou, enfim, com outra mulher qualquer, será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos. 2. Se o Eclesiástico, além do pecado de fornicação, pedir para ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deverá pagar 219 libras e 15 soldos. Mas tiver cometido pecado contra a natureza com crianças ou animais, e não com uma mulher, pagará apenas 131 libras e 15 soldos. 3. O Sacerdote que deflorar uma virgem pagará 2 libras e 8 soldos. 4. A Religiosa que quiser ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultaneamente ou sucessivamente, dentro ou fora do convento, pagará 131 libras e 15 soldos. 5. Os sacerdotes que quiserem viver em concubinato com seus parentes pagarão 76 libras e 1 soldo. 6. Para cada pecado de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo. 7. A mulher adúltera que pedir a absolvição para se ver livre de qualquer processo e ser dispensada para continuar com a relação ilícita pagará ao Papa 87 libras e e 3 soldos. Em um caso análogo, o marido pagará o mesmo montante; se tiverem cometido 29

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incesto com o próprio filho, acrescentar-se-ão 6 libras pela consciência. 8. A absolvição e a certeza de não ser perseguido por crime de roubo, furto ou incêndio custarão ao culpado 131 libras e 7 soldos. 9. A absolvição de homicídio simples cometido contra a pessoa de um leigo custará 15 libras, 4 soldos e 3 denários. 10. Se o assassino tiver matado dois ou mais homens em um único dia, pagará como se tivesse assassinado um só. A lista da “safadeza” é longa, segue com pelos menos 35 condições de pagamento. Para ler mais, consultar: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO – Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus. Autores: Jacopo Fo., Sergio Tomat e Laura Malucelli HISTÓRIA REFORMA RELIGIOSA E A CONTRA-REFORMA Objetivo: Mostrar o porquê do aparecimento de novas religiões, quais foram os motivos que levaram pessoas de importância, como reis e nobres a questionarem o poder da igreja. E também qual foi a reação da igreja ao surgimento de outras religiões. Pré-requisito: Ter lido a lição pensamento e cultura medieval, para poder entender as mudanças ocorridas na sociedade moderna. REFORMA RELIGIOSA A reforma religiosa, pode-se dizer que foi um movimento ou até mesmo uma revolução religiosa. Onde o poder total da igreja foi questionado, desafiado. Será que tudo que era dito pela igreja era verdadeiro? Deveria ser seguido cegamente, sem perguntas? Essa situação ocorreu durante o séc. XVI, onde novas religiões cristãs surgiram. A religião dominante começa a sofrer divisões. Esse aparecimento de novas religiões abalou a supremacia política e espiritual da igreja católica e a autoridade do Papa. Por isso o termo Reforma. Foi uma verdadeira reforma no lado mais importante de uma sociedade: o religioso. A “reforma” , ou seja, o surgimento de novas religiões, não passou despercebido para a igreja católica. A reação católica a reforma foi chamada de CONTRAREFORMA. Afinal uma instituição soberana não se deixaria vencer tão fácil.! Essas crises marcaram também a passagem do feudalismo para o capitalismo. Quando o império romano acabou, a igreja assumiu o papel público na educação, justiça e economia. Com todas essas funções seria lógico que nem todos concordariam com a união: estado e igreja. A reforma, na verdade serviu para ajustar a sociedade ao modelo capitalista. Moldá-la aos novos ideais e valores, além das transformações econômicas da Europa. QUAIS OS PRINCIPAIS MOTIVOS DA REFORMA?? Um motivo não foi só novas idéias. Mas a análise da conduta dos representantes da igreja. Muitos destes aproveitavam-se de seus cargos e do conceito popular de que eram intercessores dos homens perante Deus, para abusar dos seus privilégios, enriquecer e entrar na política. Toda essa má conduta serviu para estimular a divisão da religião. Outro motivo foi na formação das monarquias nacionais, onde a igreja passou a ser encarada como barreira ao progresso econômico. Porque a igreja possuía muitas 30

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propriedades em vários países, que na época pagavam tributo a Roma. Mas com a queda de Roma, as monarquias começaram a desenvolver-se e uma consciência nacional começou a surgir, fazendo que o poder do rei ficasse em oposição ao da igreja. Na economia, as teorias de condenação a usura, ou seja, a cobrança de juros, ia de encontro com a atividade bancária. Na conduta, houve uma crise moral, que serviu como motivo para a reforma. Já que “eles pregavam, mas eles próprios não praticavam”. Essa corrupção moral atingia a todos os nível clericais. Resumindo: a igreja deu motivos para uma divisão: vida sem regras, luxo do clero, venda de cargos, relíquias sagradas e indulgências( perdão papal pelos pecados). Houve também o aparecimento de heresias e a oposição dos humanistas. As heresias tinham idéias que eram contrárias a muitos dos ensinamentos da igreja. Além de atrair muitos adeptos que ansiavam por uma melhora. Os humanistas também passaram começaram a criticar as atitudes da igreja. Alguns destes foram: Erasmo de Roterdã, Thomas Morus, John Wyclif e John Huss. Os dois primeiros incentivavam uma reforma interna e depuração das práticas eclesiásticas. John Wyclif, um professor universitário, atacou o sistema eclesiástico, a opulência do clero e a venda de indulgências. Para ele a base da verdadeira fé era a Bíblia. Além disso ele pregava o confisco dos bens dos clérigos na Inglaterra e o voto de pobres por parte deles. John Huss era da universidade de praga, uniu à reforma religiosa o espírito de independência nacional do Sacro Império. Ele ganhou adeptos, mas ele foi preso, condenado e queimado na fogueira em 1415, pela decisão do concílio da Constança. Acabou se tornando herói e símbolo da liberdade política e religiosa. ONDE A REFORMA SE DESTACOU?? ALEMANHA a origem da reforma A Alemanha era uma região feudal e com comércio ao norte. Mas a igreja era dona de mais de um terço da região. Seus clérigos não tinham um bom comportamento e os nobres tinham interesses em suas terras. Esses fatores foram de importância para o desejo de autonomia em relação a Roma. Martinho Lutero, era Frade agostiniano (1483- 1546) e não concordava com muitas coisas do alto clero, entre elas: » o interesse sobre a economia e a riqueza feudal; » o péssimo comportamento dos clérigos, que abusavam do seu poder; » o afastamento da doutrina, dos textos sagrados; ele começou a se manifestar na universidade de Wittenberg, Saxônia. Os pontos altos de sua doutrina foram: » a salvação pela fé; » a bíblia pode ser interpretada livremente; » sacramentos importantes: batismo e eucaristia; » a única verdade é a Escritura Sagrada; » proibição do celibato clerical e o culto de imagens; » submissão ao estado; 31

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Claro que com essas idéias Martinho Lutero não passou despercebido. Em 1517, fixou as 95 Teses na porta da igreja . essas teses mostravam suas críticas e a nova doutrina. Em 1521, Lutero foi excomungado pelo Papa Leão X, por meio de uma Bula papal, onde havia a ameaça de heresia. Mas a resposta de Lutero foi bem prática: queimou a bula em praça pública! Lutero, mesmo perseguido, teve apoio da nobreza alemã. Que tinha forte interesse político e econômico na reforma. Visto que esta reforma liberaria os bens da igreja ao poder da nobreza. O luteranismo se expandiu rapidamente. Mesmo em paises fortemente católicos, como Espanha e Itália. Em 1530 , Lutero e o teólogo Filipe Melanchton escreveram a confissão de Augsburgo, base da doutrina luterana. Nesta época, um quarto da Antuérpia era luterana. Quando Carlos V, imperador Alemão , não quis oficializar o luteranismo, os príncipes fizeram uma confederação para protestar contra essa atitude. Por isso o nome PROTESTANTES, ou seja, os seguidores da nova doutrina cristã. Por volta de 1550, muitos alemães já eram luteranos. SUÍÇA A Suíça, era uma região de próspero comércio e livre do Sacro Império. A reforma protestante foi iniciada com Ulrich Zwinglio ( 1489-1531). Este era seguidor de Lutero. Suas pregações estimularam a guerra civil entre católicos e reformadores, onde ele próprio morreu. A guerra findou com a Paz de Kappel, onde cada região do país tinha autonomia religiosa. Depois, o francês João Calvino, chega a Suíça. Em 1536, publicou a obra INSTITUIÇÃO DA RELIGIÃO CRISTÃ. Ele pede proteção para os Huguenotes,ao rei Francisco I. Rapidamente suas pregações se espalharam e ele passou a ter controle sobre a vida política, religiosa e social das pessoas. Colocou uma censura tão rígida quanto à católica. Sua doutrina baseava-se em: » predestinação – o homem sendo dependente da vontade de Deus; » sacramentos – o batismo e a eucaristia; » condenação ao uso de imagens; Calvino pregava que a riqueza material através do trabalho era um sinal que a pessoa estava destinada à salvação. Por isso foi tão bem aceita entre os burgueses. INGLATERRA Na Inglaterra, foi o rei Henrique VIII que tomou a frente na revolução protestante. Essa tinha caráter político. O rei rompeu com a igreja por motivos pessoais. Ele queria divorciar-se de Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena. O motivo da separação: ele queria ter um herdeiro para o trono inglês. O papa negou a anulação do casamento, porque Catarina era aparentada de Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Logo o papa não queria ter problemas com Carlos que era seu aliado. Por isso Henrique VIII rompeu com a igreja em 1534. publicou pelo Parlamento o ATO DE SUPREMACIA. Esse documento o fazia chefe da igreja, que logo mais ficou conhecida como Anglicana. O Papa o excomungou , e ele com rei confiscou os bens da igreja católica na Inglaterra. 32

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Suas reformas só terminaram com Elisabeth I, sua filha com Ana Bolena. Na verdade , as bases do calvinismo estavam misturadas aos dogmas católicos. O resultado foi: a independência diante Roma, tendo um monarca como chefe da igreja e a continuidade de certos tipos católicos, como: a hierarquia eclesiástica. CONTRA-REFORMA Com a expansão do protestantismo na Europa, a igreja católica entrava em crise. Por isso foram necessários meios para frear a expansão reformista. Por isso o Papa Paulo III, em 1538, junto com um grupo religioso produziram um documento, onde se fazia uma auto-crítica aos interesses materiais da igreja e ao comportamento imoral de muitos clérigos. Em 1534, A Companhia de Jesus foi fundada, seu idealizador foi Ignácio de Loyola. Esta ordem religiosa tinha a semelhança de um exército. Por terem uma obediência sem igual aos seus superiores e uma rígida conduta moral, os “soldados de Cristo”, como eram chamados os jesuítas possibilitaram uma reorganização no comportamento clerical. O CONCÍLIO DE TRENTO Em 1545, o Papa Paulo III , querendo modificar a igreja, convocou os membros do alto clero para uma assembléia. Onde o objetivo desse concílio era resolver os problemas da fé e eliminar vários atritos que levaram muitos a entrarem nas religiões protestantes. Algumas das proibições foram: » a venda de indulgências; » a obrigatoriedade de se estudar em um seminário para se tornar um clérigo; » a venda de cargos do alto clero; Mas também foram reafirmados alguns dogmas: » a salvação só pode ser através da fé e boas obras; » celibato clerical; » indissolubilidade do casamento; » infalibilidade da Papa; » culto a virgem Maria e aos santos » manutenção da hierarquia eclesiástica; Foi neste Concílio que houve a reativação da Inquisição ou o tribunal do Santo ofício, para julgar e punir hereges, ou seja, aqueles que resolvessem questionar ou falar algo diferente dos dogmas católicos. Para silenciar essas vozes, a inquisição usava do terror . Com isso muitos foram condenados e executados. Também nesta época foi criado o INDEX- uma lista de livros proibidos pela santa Inquisição, isto serviu para atrapalhar o desenvolvimento cultural e científico. A contra- reforma foi mais atuante em Portugal e Espanha. Com foram estes países que deram início a expansão marítima, a fé católica através dos jesuítas, foi levada as colônias nas Américas central e sul , enquanto o protestantismo foi para a América do Norte pelos ingleses. Domingo, Maio 31, 2009 O Evangelho de Marcos Feliciano e a venda moderna de indulgências Renato vargens O pastor Marcos Feliciano lançou em seu site a campanha “O milagre vai acontecer.” Nele, o famoso pregador traz orientações práticas de como o milagre poderá 33

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acontecer, sendo que uma delas seria sacrificar o valor simbólico de R$ 7,00 (sete reais), que deverá será enviado através de depósito ou boleto bancário ou transferência eletrônica, para uma de suas contas bancárias. http://www.marcofeliciano.com.br/site2007/Campanha7DiasDeOracao.asp Pois é, infelizmente a cada dia somos surpreendidos com novos fatos que nos levam a mais profunda perplexidade. As praticas litúrgicas por parte da igreja evangélica brasileira fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média. Nessa perspectiva, as bênçãos de Deus não são frutos de sua maravilhosa graça, mais sim, conseqüências diretas de uma relação baseada na troca ou no toma-lá-dá-cá ou da comercialização das bênçãos de Deus. Por favor, responda sinceramente: Qual a diferença da oferta extorquida do povo sofrido nos dias atuais pra venda das indulgências da idade média? Qual a diferença dos utensílios vendidos no século XVI, para os que comercializados em nossos templos nos dias de hoje? Ora, vamos combinar uma coisa? Atrelar o milagre de Deus a uma oferta de R$ 7,00 no mínimo fere os princípios da moral e da decência. Sem a menor dúvida afirmo que o evangelho pregado pelos inquisidores do século XXI contrapõe-se em gênero, número e grau ao evangelho da salvação eterna. Acredito piamente que diante de tantas aberrações pregadas em nossos dias, o lema “Eclésia reformata, semper reformanda”, deveria ressoar em nossos ouvidos e corações, desafiando-nos à responsabilidade de continuamente caminharmos segundo a Palavra, sem nos deixarmos levar por ventos de doutrinas e movimentos que tentam transformar a Igreja de Cristo, num circo eclesiástico, nas mãos de líderes inescrupulosos, que manipulam o povo ao seu bel prazer, tudo isso em nome de Deus! Pense nisso! Renato Vargens Perguntas respondidas O que aconteceu com o protestantismo na atualidade? O protestantismo na Idade Moderna era tido como contestador dos dogmas da Igreja Católica e era principalmente contra a venda de indulgências e detentora das grandes porções de terra na Europa. Naquele tempo, o movimento protestante tinha a intenção de contestar e denunciar os crimes cometidos pela Igreja Católica Apostólica Romana, mas atualmente comete os erros dela (não todas as igrejas, pois algumas mantém ainda a tradição luterana, mas a grande maioria das existentes no Brasil). Por isso pergunto: O que aconteceu com o movimento de contestação e liberdade que teve a Igreja Protestante? Será que ela foi mal implantada no nosso país? Ou seus princípios foram mal compreendidos pelos que deveriam manter as tradições de solidariedade, fé, caridade, liberdade e verdade, além de demonstrar bons exemplos aos fiéis (algo que não se vê na atualidade)? Por favor, participem todos que puderem contribuir com suas opiniões. Obrigado. Me desculpe mas eu não consigo entender uma fé que se diz "protestante" quando Jesus Cristo é manso e humilde de coração. Ele contra nada protestou, nem contra seus carrascos. Ai vem um monge alcolatra no seculo 16 e começa essa disputa de mercado que tanto favoreceu ao capitalismo cujos males ai estão, pobreza, fome, analfabetismo, desemprego etc. São 500 anos de protesto que nem chegaram nas portas das Igreja de Cristo, guardada contra o inferno. 34

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Ai os srs na arrogancia que lhes é peculiar vêm falar de uma fé protestante. Bem, respondendo a sua pergunta, o protestantismo evolui para sua caracaterisitca mais sórdida qu ehoje se traduz pelo neo pentecostalismo, sub produto da estupidez e da ignorância, destino inevitável de quem faz de sua fé uma guerra e do mandato de amor de Jesus uma mentira. O Cristianismo Consumista O que significa cristianismo consumista? Geralmente é qualquer tentativa de edificar o Reino de Deus ou enaltecer o indivíduo cristão (ou atrair ao cristianismo o convertido em potencial) através de meios e métodos que apelem à carne, ou seja, ao enganoso e auto-serviente coração do homem. Isso começou no Jardim do Éden, quando Satanás manipulou Eva, a fim de desobedecer a Deus, achando que iria enriquecer a si mesma: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gênesis 3:1-6). Esse tipo de cristianismo está mais especificamente relacionado ao que acontece hoje, como um esforço de ajudar as igrejas cristãs a crescerem em números e a se tornarem mais efetivas, através da aplicação de princípios comerciais, estratégias de mercado e conceitos de gerenciamento. Ele caracteriza o jogo que está ocorrendo nas igrejas, jogo esse que deveria parecer excêntrico, quando não perturbador, a qualquer pessoa que tenha uma compreensão, tanto do “consumismo” como do “cristianismo”. E por que? Porque estes dois termos são antagônicos! O consumismo no sentido comercial é um conceito embasado na satisfação do cliente, sendo essa a chave para o sucesso de qualquer empresa comercial. O produto ou serviço deve ser adaptado aos desejos e conscientes necessidades do cliente, ou então não haverá lucro sustentável. O consumismo é importante, pois se não houver cliente também não haverá lucro e, portanto, nenhum negócio. Deus é quem governa no cristianismo bíblico. Ele fez Sua revelação à humanidade no sentido de observar: “... tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude” (2 Pedro 1:3). Falando de modo mais simples, o cristianismo engloba tudo que é necessário para a humanidade saber e fazer, a fim de se reconciliar com Deus, agradando-O diariamente, para depois ir viver com Ele, por toda a eternidade. Não se trata de esforço e, na verdade, não se relaciona a negócio, nem aos conceitos a este associados. Qualquer tentativa de entravar o cristianismo bíblico através de princípios comerciais é, no mínimo, acrescentar metodologias inúteis à Palavra de Deus. Pior ainda, esse tipo de tentativa rejeita a suficiência das Escrituras, favorecendo as obras da carne, extinguindo o Espírito Santo, sujeitando a pessoa aos enganos e, finalmente, à escravidão ao deus deste mundo. Em qualquer caso, isso conduz à 35

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destruição espiritual da igreja, com eternas conseqüências. O cristianismo consumista está no coração do movimento de crescimento da igreja (bem como nas seitas pseudocristãs). Muitas igrejas evangélicas têm-se entregue de todo o coração a uma tendência comercial objetivada, a princípio, no esforço de atrair os perdidos, os quais são vistos como clientes em potencial. Como os descrentes freqüentam a igreja, misturando-se aos novos e antigos membros, os conceitos de consumo se espalham, inevitavelmente, por toda a congregação. Esses conceitos, também, inevitavelmente, afetam a pregação, a música, os programas da EBD, etc., os quais, por sua vez, produzem uma superficialidade através de toda a congregação. Quase sempre a aproximação comercial tem dado resultado no sentido de se acrescentarem números à igreja. Dezenas de milhares de pastores, através dos USA, e milhares deles, internacionalmente, têm sido influenciados pelos ministérios de alto lucro, dispondo-se a colocar em prática suas variadas metodologias de marketing, a fim de ganharem almas e efetuarem o crescimento de suas igrejas. Será que essa é a maneira bíblica de ganhar almas e efetuar o crescimento da igreja? Para alguns cristãos bíblicos a resposta óbvia é NÃO! Mas para um crescente número dos que afirmam manter a Bíblia como sua fonte de autoridade e a todo-suficiente verdade divina, esse “não” tem conduzido a um “possivelmente”... “talvez”, ou “tenhamos cuidado para não jogar fora a água do banho junto com o bebê.” Ora, vamos examinar a água para ver se de fato existe ali dentro um bebê a ser resgatado. Será que o consumismo tem respaldo nas Escrituras? Será que Deus organizou o Seu Evangelho, a fim de gratificar os desejos mundanos da humanidade? Será que existem algumas coisas na Bíblia que deveriam ser estrategicamente evitadas, a fim de não se perderem alguns crentes “em potencial”? Será que a Palavra de Deus reflete uma preocupação no sentido de que os crentes deveriam manter o seu “negócio” em qualquer lugar, quando não sentirem que as suas necessidades não estão sendo satisfeitas? Será que a Bíblia nos manda tornar a verdade mais aceitável, alimentando com ela os perdidos de formas mais diluídas ou com entretenimentos? Será esse o evangelho que salva, após ter sido alterado para atrair os não cristãos? Se qualquer descrente, mesmo remotamente, achar que é assim, é provável que o pensamento mundano já tenha gravemente influenciado a sua compreensão da Bíblia. Certamente, os pastores deveriam saber melhor. Contudo, em muitos casos em que o consumismo tem infectado as suas igrejas, eles têm agido no sentido de implementálo. Os pastores a quem me refiro aqui, e estou bem a par deste assunto, são os que se consideram bíblicos e desejam sinceramente ver almas sendo salvas, desejando também cumprir a sua vocação ao ministério, de modo a agradar a Deus. Como poderia tal pastor de ovelhas se engajar no cristianismo consumista? O processo se desenvolve sempre de maneira sutil. Digamos que um pastor ame os membros de sua igreja e deseje vê-los felizes. Ele também deseja que eles cresçam espiritualmente e está buscando maneiras de acrescentar novas ovelhas ao seu rebanho. Quando surgem conflitos e as esperanças de crescimento não são atingidas, sempre são buscadas soluções para o problema em outras igrejas que, aparentemente, tenham tido sucesso em tais assuntos. Os remédios recomendados quase sempre envolvem alguma forma de acomodação. Por exemplo, um conflito muito comum, hoje em dia, dentro da igreja é a diferença de gostos na música, o qual geralmente é resolvido, quando os cultos são separados - um com hinos tradicionais e outro com cânticos contemporâneos. Como essa alteração 36

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parece satisfazer a maioria dos membros, muitos pastores são encorajados a acrescentar mais almas à sua igreja, combinando a atração pela música contemporânea dos buscadores sensíveis com mensagens (apelativas, mas não ameaçadoras), as quais são apresentadas em cultos convenientes e casuais, de sábado à noite. Programas inovadores são, então, formulados, a fim de irem ao encontro dos desejos dos que poderiam vir a se converter, motivando os raramente ativos na igreja, com ênfase especial sobre atividades de entretenimento, no sentido de atrair a juventude e conservá-la indo à igreja. Alguns pastores têm-me dito que eles, relutantemente, observam as idéias do mundo, a fim de competirem com o mundo e poderem alcançar os perdidos, livrando-os do mundo. Eles estão cônscios da ironia dessa aproximação, porém argumentam ser essa a única maneira de evitar que se preguem para bancos vazios. A pregação, por sua vez, é sempre abreviada e suplementada por vídeos, peças e produções musicais. Essa é uma trilha que, aparentemente inofensiva a princípio, no entanto conduz à estrada larga do cristianismo consumista. Embora simpatizemos com os pastores que se sentem compelidos (alguns até coagidos pela política da igreja) a resvalar por essa trilha bilateral, ela é pavimentada com comprometimentos bíblicos, os quais conduzem a um mortífero final espiritual. Esse empreendimento de crescimento da igreja não é tão novo no cristianismo. É uma crônica de se fazerem as cosias à maneira do homem, desprezando o modo de Deus. No século 4, o Imperador Constantino agiu de igual modo em estratégias de sucesso no “crescimento a igreja”. Ele professou ter-se tornado cristão e induziu metade do Império Romano a agir de igual modo. Essa era de compromissos feitos pelo Imperador (que se autonomeou “Vigário de Cristo” e “Bispo dos Bispos”, a fim de conseguir novos convertidos, pode ser caracterizada por Will Durant em sua “História do Cristianismo” (1). Outro historiador escreve: “Longe se ser uma fonte de melhoramento (sobre a perseguição que os cristãos sofriam antes), essa aliança [política] foi uma fonte de ‘maior perigo e tentação’ ... Indiscriminadamente incluindo as igrejas [de pagãos]... simplesmente jogou bem longe os marcos claros e morais que separavam a ‘igreja’ do ‘mundo’” (2). Um milênio mais tarde, Martinho “Lutero viu e sentiu uma Roma (religiosa) absolutamente entregue ao dinheiro, à luxúria e a outros males semelhantes” escreve Edwin Booth. “Ele ficou perplexo e incapaz de compreender isso” (3). Mesmo assim, ele e outros [reformadores] fizeram alguma coisa nesse sentido. A clara vocação da Reforma foi a “Solla Scriptura” e embora “somente a Escritura” não tenha sido inteiramente seguida, a Palavra de Deus e os seus caminhos foram restaurados como autoridade e regra de vida para os milhões, até então enganados pela devastadora acomodação à qual se havia entregado a Igreja Católica Romana. O cristianismo consumista jamais foi um caminho de mão única. Ele age como um “toma-lá-dá-cá”. Tetzel, o monge dominicano do século 16, foi um mestre manipulador na venda de indulgências. Por isso, o seu trabalho se tornou muito mais fácil ao “condescender” com as naturezas auto-servientes dos seus clientes católicos, [pois] tanto os ricos como os pobres se dispunham a pagar qualquer quantia, a fim de se livrarem das chamas do inferno e do purgatório. O protestantismo teve a sua própria cota, tanto de artistas espirituais defraudadores como de ingênuos dispostos a serem defraudados. Se Tetzel foi um instrumento para a construção da Catedral de São Pedro em Roma, os evangelistas da “saúde e 37

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prosperidade” mais ainda o foram, no século 20 (continuando a crescer muito, na atualidade), tendo ajudado na construção da Trinity Broadcasting Network, dentro da mais ampla rede de TV religiosa do mundo. Distorcendo e aderindo à doutrina bíblica da fé em um poder, qualquer pessoa pode usar esses falsos homens e mulheres para conseguir saúde e cura, os quais têm amealhado individualmente verdadeiras fortunas às expensas dos biblicamente fracos e iletrados, bem como daqueles “cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:19). Durante os últimos 50 anos, os mais susceptíveis aos esquemas dos charlatães foram os cristãos professam, que tinham afinidade com as experiências espirituais do que com a sã doutrina. Essas pessoas foram geralmente encontradas entre os pentecostais e os carismáticos. Muitos cristãos inteligentes e cônscios da doutrina se mostraram imunes aos avanços desse tipo de “fé sem efeito” pregada por Oral Roberts, ou ainda às exposições blasfemas do poder do Espírito Santo de um Benny Hinn, dois líderes entre uma hoste de outros promotores de “sinais e maravilhas”. Contudo, a ambição encontrou terreno fértil - ou melhor, um pântano mais profundo entre os que tradicionalmente têm incrementado o discernimento bíblico. Embora as metodologias sedutoras sejam levemente diferentes, a base de um efetivo engodo espiritual é o mesmo: nenhum cristão, quer seja evangélico ou outro, pode estar garantido, “porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 João 2:16). Além disso, a única salvaguarda contra esse tipo de engodo, que é a leitura e obediência à Palavra de Deus, no poder do Espírito Santo, está sendo sistematicamente diluída na igreja evangélica. A história da igreja tem demonstrado a necessidade do cristão se apegar à Palavra de Deus e quando isso é seguido, logo acontecem a santificação e a frutificação. Quando o cristianismo bíblico é adulterado (com a adição de métodos humanos) ou abandonado de vez, logo prevalecem as distorções humanas, conduzindo a igreja professa à anemia e à cegueira espiritual. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Provérbio 14:12). Também há uma correlação entre a profundidade da confiança de uma igreja nas Escrituras e a sua aceitação de crenças e práticas heréticas. Quando a igreja tem apenas um conhecimento superficial em relação ao discernimento bíblico, a capacidade dos seus membros de discernir entre o legítimo e o falso ensino é praticamente nula. O efeito letal do cristianismo consumista é o modo como ele faz a apresentação do evangelho da salvação, que é a única esperança de reconciliação do homem com Deus. Este é sempre um sutil apelo de venda, apresentando todas as coisas maravilhosas que Deus tem à disposição do homem: “Ele ama a todos e quer que todos passem a eternidade junto dEle e todos têm para Ele uma significação de valor infinito”. Isso passa a ser o motivo do sacrifício de Cristo na cruz [em vez dos pecados do homem corrupto]. Essa miscelânea de distorções da verdade com auto-indulgência é seguida por uma breve “oração do pecador”, a qual é repetida pelos que se deixaram persuadir a entregar uma tentadora oferta. Esse método tem-se tornado tão comum, que até mesmo alguns cristãos inteligentes dificilmente reconhecem qualquer problema, deixando de perceber quão mal orientados foram com relação ao fato de como uma pessoa é realmente salva. Como assim? Comecemos com alguém que é realmente salvo, e aja de modo errado. 38

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Toda pessoa nascida de novo pelo Espírito Santo possui um novo coração, repleto do amor de Deus por Ele e pelo próximo, bem como pelos Seus ensinos. Ele ou ela é nova criatura, embora ainda não perfeita nessas coisas, embora residindo em seu coração o desejo de agradar mais a Deus do que a si mesma. Um exemplo disso é encontrado em Lucas 7:36-50 envolvendo a mulher de reputação pecaminosa, a qual entrou em casa de Simão, o fariseu, à qual Jesus fora convidado para a ceia. Ela lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos, beijando-os repetidamente. Jesus declarou que ela amava muito por ter sido muito perdoada. Essas passagens ensinam como é essencial a convicção de pecado, quando se vai a Cristo. O fariseu com justiça própria e auto-serviente pouca ou nenhuma convicção tinha do pecado e, portanto, não recebeu perdão (Lucas 18:9-14). Por sua vez, a mulher não pensou em si mesma, nem no desdém com que era observada pelos convidados à ceia. Sua gratidão por Jesus querer perdoá-la dos seus pecados compeliu-a a morrer para si mesma e viver para Ele. Por sua vez, o evangelho, segundo o cristianismo consumista, sempre faz um apelo ao ego, enfatizando coisas (tanto verdadeiras como distorcidas) que vão ao encontro das necessidades sentidas pelos perdidos. Isso fica reduzido a um simples lampejo das doutrinas bíblicas que podem conduzir a uma convicção de pecado. Qual é o problema? Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, não os consumistas! [Como já foi dito], o consumismo foi apresentado ao homem no Jardim do Éden. Satanás tinha um conceito de auto-serviço que desejava vender a um cliente em potencial, que não tinha necessidade alguma, uma pessoa que vivia num ambiente perfeito, tudo possuindo, material e espiritualmente. Sua estratégia (comparável à estratégia em uso no século 20) era criar um desejo, onde não havia necessidade alguma, convencendo Eva, não de que ela carecia de alguma coisa, mas de que o que ela possuía não era suficiente. Além disso, num esforço de ganhar a competição, Satanás iniciou sua jogada colocando dúvida em relação ao mandamento divino e à conseqüente penalidade pela desobediência. Ao chamar Deus de mentiroso, sem dúvida o adversário abalou a confiança de Eva nEle: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?... Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:1,4,5). A fim de manchar o caráter do Senhor, a serpente usou o irresistível argumento de venda: “faça isso por você!” Sendo o consumismo sempre voltado para o lucro, ele deve incluir um comprador bem como um vendedor com tendência ao lucro. Certamente Eva teve os seus desejos atiçados, pois sem isso não poderia ter acontecido venda alguma: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gênesis 3:6). Foi então que nasceu dentro de Eva, de Adão e de todos os seus descendentes, o grito da alma do consumismo: “Como isso vai me trazer proveito?” O cristianismo consumista é uma mentalidade ou metodologia que tenta enriquecer os cristãos, tanto material como espiritualmente, além de atrair novos convertidos à fé, embora por caminhos e métodos que não se enquadram na Palavra de Deus, nem 39

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na obra do Espírito Santo. Quer seja ele apresentado sutil ou visivelmente, compreensível e ou incompreensivelmente, envolve sempre um apelo à decaída natureza humana. Além disso, o cristianismo consumista tem por objetivo agradar e glorificar o ego, em vez de agradar a Deus. A história está repleta de exemplos de consumismo e egoísmo humano. Vamos analisar rapidamente a história do povo escolhido de Deus, os judeus (Deuteronômio 4:2) e de sua igreja (Tito 2:14), como exemplos da parte do povo que deveria tê-Lo conhecido melhor. Sarai, a esposa de Abraão, tentou resolver o seu caso de esterilidade ao sugerir a sua própria maneira para a vinda do filho que Deus havia prometido a Abrão (Gênesis 16:2-3). O filho Ismael, nascido da escrava Agar, tem sido a causa do sofrimento dos judeus, hoje em dia. Séculos mais tarde, logo após terem os israelitas experimentado o livramento divino dos egípcios, através de meios extraordinários, eles fizeram um bezerro de ouro para ser adorado, a fim de gratificar as suas imediatas necessidades espirituais. A resposta de Deus a Moisés foi que “o povo se tinha corrompido” (Êxodo 32:4-7). Josué foi enganado ao fazer paz com os gibeonitas, contrariando a ordem divina, e sua presunção de fazer o bem ao seu povo foi em realidade uma ostensiva desobediência: “Então os homens de Israel tomaram da provisão deles e não pediram conselho ao SENHOR” (Josué 9:14). Todos o Livro de Juízes caracteriza o povo de Deus, durante aquele período de tempo, como possuidor de uma mentalidade consumista, pois “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25). Mais tarde, os olhos de Davi sobre Betsabá o levaram a satisfazer o seu desejo de luxúria, apesar do que isso iria representar em sua experiência com Deus. Os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento estão repletos de exemplos do cristianismo consumista. A objeção de Pedro ao que Jesus havia declarado que iria sofrer pela nossa salvação foi mais que um exemplo de simpatia carnal. Jesus logo entendeu que aquela era uma desobediência de natureza satânica (Mateus 16:21-23). Além disso, a resposta de Cristo a Pedro define tudo que se refere ao cristianismo consumista: “... Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (verso 23). Aos outros discípulos do Senhor foi dada a mentalidade de “como isso pode me trazer benefício”. Cegos pelo próprio interesse ao que Jesus lhes dissera a respeito dos seus iminentes sofrimento e morte, Tiago e João reagiram, buscando uma posição elevada em Seu Reino vindouro: “E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (Marcos 10:37). O Apóstolo Paulo censurou Pedro, o qual, junto com Barnabé, deu as costas aos gentios, a fim de agradar aos da circuncisão: “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14). Paulo identificou suas próprias lutas, bem como as nossas, diante de Deus: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não 40

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consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7:18-19). Em seguida, ele declarou a solução para o crente, em Romanos 8:1: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. O cristianismo consumista, quer manifestado nas igrejas primitivas, ou nas assembléias de hoje (desde as mega-igrejas até às reuniões de comunhão nas casas) está simplesmente fazendo as coisas à maneira humana e não à maneira divina. A história da igreja, desde o primeiro século, é uma triste crônica dos desvios dos verdadeiros e falsos cristãos da Palavra de Deus, fazendo o que lhes parece direito aos seus próprios olhos, embora fazendo-o em o “Nome de Cristo e para a Sua glória”. Embora com resultados espiritualmente devastadores, Deus tem sido fiel, misericordioso e longânimo com os Seus. À medida em que nos aproximamos da Segunda Vinda do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o cristianismo consumista vai transformar de tal maneira a igreja que esta se tornará chocante para os cristãos verdadeiros, a não ser, claro, que estes tenham sido paulatinamente endurecidos através de uma gradual aceitação de muitos dos apelos por “novos produtos e processos” [e propósitos], (ou seja, pelas formas de ensinos antibíblicos, práticas e adoração) que estão sendo “vendidos” hoje em dia. Após o Arrebatamento da Noiva de Cristo para estar junto a Ele (1 Tessalonicenses 4:16-18), uma igreja professa aqui permanecerá, por ter sido convencida a aceitar o Anticristo [na chamada “operação do erro”). Essa igreja apóstata ainda não é vista claramente, porém sua preparação tem estado em andamento por 2 mil anos e ela crescerá com grande intensidade, até o Arrebatamento dos cristãos realmente nascidos de novo. O engano daquele tempo será maior do que a humanidade jamais terá experimentado, incluindo o engodo de Hitler, com absoluto controle sobre a civilizada, tão altamente educada e tecnologicamente sofisticada Alemanha. Qual será a principal diferença? Esse engodo será mundial e mais espantosamente facilitado pelo próprio Deus: “Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2 Tessalonicenses 2:7-12). Esse poderoso engodo afetando os perdidos é comprável ao endurecimento do coração de Faraó. Ele não induzia ao pecado, mas mesmo assim permitia as circunstâncias para o desenvolvimento ao qual o seu maligno coração não conseguia resistir. Não há razão para se acreditar que somente “os que perecem” serão apanhados no último dia do engano. Conforme temos observado nas Escrituras, muitos heróis e heroínas da fé optaram, em determinados tempos, para que os seus próprios desejos vencessem o único antídoto divino contra o engodo espiritual: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, 41

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Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”. ( 2 Timóteo 3:1-8). Consideremos essas coisas à luz do que está acontecendo nas igrejas evangélicas de hoje. A psicologia humanista, com a sua ênfase no auto-amor e sua criação de outros tipos de egoísmos, tem-se tornado uma doutrina aceita e promovida entre os conselheiros pastorais e psicólogos “cristãos”. Os evangelistas da prosperidade têmse tornado insaciáveis contra o mandamento mais importante do Senhor, [Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento - Mateus 22:37], o qual foi entregue aos milhões de cristãos professos. As igrejas que buscam membros simpatizantes estão laborando no sentido de preencher os seus bancos com pessoas amantes do prazer, e ao mesmo tempo desencorajando (e em alguns casos até mesmo desprezando) os amantes de Deus. As “igrejas com propósito” (grifo da tradutora) têm fabricado formas de piedade, desprezando o poder das Escrituras e a liderança do Espírito Santo. A crescente adulteração das Escrituras Divinas, dando lugar a formas de subjetivas paráfrases e “traduções”, está criando uma resistência à verdade e uma anemia no discernimento espiritual. Afinal, com relação aos ingredientes da apostasia, lembremo-nos que os mágicos extasiaram aquela numerosa corte de Faraó com os seus milagres e práticas pagãs, mística presença e falsos sinais e maravilhas (Êxodo 7:11-12). Do mesmo modo, também, agora, estamos presenciando o entretenimento, o experimentalismo e o contemplativo misticismo [católico medieval] seduzindo multidões de igrejas, as quais antes se dedicavam à pregação e ao ensino da sã doutrina. Será que esse poderoso engodo não já penetrou na igreja evangélica? Se você acha que não, então vai ter dificuldade em encontrar outra explicação para a seguinte agenda e participação na Convenção Nacional de Pastores de 2005. Esse evento patrocinado pela Youth Specialities (Especialidades em Juventude - a organização evangélica mais influente na América para jovens pastores e líderes) e a Zondervan (publicadora de obras como “Uma Vida Com Propósito”, a Bíblia “The Message” (paralela à NVI) e produtora do DVD do filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, iniciou sua programação diária com a oração contemplativa (Vejam "Please Contemplate This", TBC, maio 2000), exercícios de yoga e alongamento. Emergentes liturgias embasadas nas igrejas Católica Romana e Ortodoxa, ritos e sacramentos foram introduzidos, inclusive a oportunidade de se fazer “oração do labirinto”. Esta última é uma oração meditativa, andando-se em círculos, algo copiado num desenho da Catedral de Chartres. Esse ritual místico data da Idade Média, tendo se tornado um substituto às jornadas feitas perigosamente à Terra Santa, quando a mesma foi controlada pelos muçulmanos, a qual consistia em percorrer a “via sacra” de Jesus. À medida em que os católicos caminhavam pelo labirinto, meditando sobre os sofrimentos de Cristo, eles imaginar estar obtendo as mesmas indulgências (o perdão que abrevia as penas do purgatório para a expiação dos pecados) como se estivessem fazendo a peregrinação. 42

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Os programas vespertinos da Convenção incluíam atos de comédia cristã. O “pintor de Jesus” (que pinta retratos de Jesus em menos de 20 minutos), a Igreja Tribal da Experiência com Tambores (Tribe Church Drumming Experience), a Discussão Sobre a Saúde Emocional Pessoal , um Pub emergente com música ao vivo [Pub é um tipo de bar, onde os londrinos costumam bater papo diante de uma bebida, depois do expediente - Mary Schultze], Cultos de Oração Contemplativa a Altas Horas (Late Night Contemplative Prayer Services), etc. A maior porcentagem de oradores era constituída de praticantes de formas místicas de oração e adoração (apresentadas como autênticas), sendo que o restante parecia defender, ou pelo menos encorajar, o desenvolvimento de novas metodologias e liturgias para a emergente cultura do século 21. Um dos tópicos tinha o título de “A New Theology for a New World” (Uma Nova Teologia para um Mundo Novo). A conferência, que aconteceu em dois lugares e atraiu milhares, apresentou muitos líderes eclesiásticos influentes, como Gordon MacDonald, Henry Cloud, Brennan Manning, Dallas Willard, Joseph Stowell, Howard Hendricks, Gary Thomas, Tony Compolo e Rick Warren. A Convenção 2005 promete ser mais do que a costumeira, com cristãos contemplativos e experimentais, líderes de igrejas emergentes, tais como Richard Foster, Calvin Miller, Philip Yancy, Rugh Haley Barton, Doug Pagitt e Dan Kimbal. A maior parte do cristianismo, segundo as Escrituras, avançará até se tornar uma igreja apóstata, à medida em que vai se aproximando a Volta de Cristo. Jesus disse aos seus discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Lucas 17:1). Em seguida, Ele fez esta pergunta: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8). A resposta óbvia é Não!!! Como é possível que isso aconteça? O essencial amor à verdade está sendo extinto, conforme 1 João 2:16: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”. A igreja professa, constituída de falsos e verdadeiros crentes, está se voltando gradualmente para a mundana filosofia hedonista, para a sua pseudociência, para a sua auto-orientada psicologia, para os seus métodos de negócios dirigidos ao consumismo, para o seu ecumenismo religioso e para a sua espiritualidade pagã. Ironicamente alguns têm se voltado para essas coisas com sinceridade, achando ser um meio de enriquecer e difundir o cristianismo. Contudo, o resultado é o cristianismo consumista em algumas e em todas as suas formas de auto-serviço, no qual “cada um faz o que parece bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25). Quanto aos sinais que poderão afetar adversamente a Sua Vinda, Jesus admoestou os Seus discípulos, dizendo: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mateus 24:4). Se já não estamos pertencendo à geração que está encarando o “grande engano”, em preparação para esse dia, será que haverá outra pior? Oremos para que o Seu Corpo de crentes cresça no amor pelo Seu Caminho, Sua Palavra e Sua Verdade! T. A. McMahon/Mary Schultze, outubro 2005 TBC - fevereiro/março, 2005 43

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Protestantes que antes eram contra a venda de indulgências, agora cobram o dízimo. Repetição do erro? Protestantes que outrora eram contra a venda de indulgências, não estariam agora,cometendo o mesmo erro com a cobrança do dízimo? Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta Logan, é o velho princípio do '' Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço ''. É até cômico ver que o principal motivo para Lutero se apartar da Igreja Romana era a venda de indulgências, e seus seguidores hoje fazendo aquilo que ele condenou com tanta veemência... Parece piada.

Capítulo 2 AS RELIGIÕES NO BRASIL E NO MUNDO Religiões no Brasil As principais religiões no Brasil e número de seguidores, crenças, tradições

Brasil: um país com grande diversidade religiosa Introdução O Brasil é um país que possui uma rica diversidade religiosa. Em função da miscigenação cultural, fruto dos vários processos imigratórios, encontramos em nosso país diversas religiões (cristã, islâmica, afro-brasileira, judaíca, etc). Por possuir um Estado Laico, o Brasil apresenta liberdade de culto religioso e também a separação entre Estado e Igreja. Principais religiões e crenças no Brasil e seus seguidores: (Fonte: IBGE - censo Demográfico de 2000.) Religião ou Crença

Nº de seguidores no Brasil

Igreja Católica Apostólica Romana

124.980.132

Igreja Católica Ortodoxa

38.060

Igreja Batista

3.162.691

Igreja Luterana

1.062.145

Igreja Presbiteriana

981.064

Igreja Metodista

340.963

Assembléia de Deus

8.418.140

Congregação Cristã do Brasil

2.489.113

Igreja Universal do Reino de Deus

2.101.887

Igreja do Evangelho Quadrangular

1.318.805

Igreja Deus é Amor

774.830

Outros Penteconstais / Neopentecostais

2.514.532

Igreja Adventista do Sétimo Dia

1.209.842

Testemunhas de Jeová

1.104.886

Mórmons

199.645

Espiritismo

2.262.401

Umbanda

397.431

44

% DOS CATÓLICOS (JAG)

44


Budismo

214.873

Candomblé

127.582

Igreja Messiânica

109.310

Judaísmo

86.825

Tradições esotéricas

58.445

Islamismo

27.239

Crenças Indígenas

17.088

Orientais (bahaísmo, hare krishna, hinduísmo, taoísmo, xintoísmo, seicho-no-iê)

52.507

Outras religiões

41.373

Sem declaração / não determinadas

741.601

Sem religião

12.492.403

A diversificação religiosa e a fuga da Igreja Católica 17/04 - Leandro Meireles Pinto, repórter Último SÃO PAULO – O Brasil se prepara para receber o papa Bento 16 em um momento em que a Igreja Católica registra a menor porcentagem de fiéis em relação ao total da população. Ainda que o Brasil seja considerado o maior país católico do mundo, os últimos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma queda da porcentagem de católicos e destacam o crescimento de evangélicos e pessoas que declararam não ter religião alguma no País. Em 1980, os católicos representavam 89,2% da população. No ano 2000, quando foi realizado o último censo do IBGE, apenas 73,8% dos brasileiros se declararam fiéis ao catolicismo. Já o percentual de evangélicos aumentou de 6,7% da população, em 1980, para 15,4%, em 2000. De acordo com a socióloga e professora da UFRRJ, Sílvia Fernandes, entre os fatores que explicam a queda proporcional do número de católicos, o principal é a intensificação do pluralismo. “Aumentou a oferta de igrejas e grupos religiosos recrutando fiéis, especialmente por meio de um discurso mais emocional, que vem de encontro às demandas subjetivas dos fiéis”, afirma. Segundo Sílvia, algumas igrejas de corte pentecostal sensibilizam a população em função da oferta de prosperidade, “mas esse elemento não atrai por si só. A dimensão do acolhimento, da emoção e de uma postura de grande inclusão afetiva dos fiéis são o que mais atraem os antigos católicos”, completa. A urbanização acelerada desde a década de 80 até os dias atuais, segundo o teólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Fernando Altemeyer, também contribuiu para a diversificação religiosa no País. “Na cidade, as alternativas religiosas são múltiplas e o catolicismo perdeu a hegemonia que tinha no campo rural”, afirma. “Além disso, a presença firme e combativa dos novos Religiosa reza em altar de igreja de grupos pentecostais, como a Universal e a Brasília Renascer, aparece como um sujeito importante e histórico nas grandes cidades”, diz. O cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 45

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(PUC-RJ), Cesar Romero Jacob, acrescenta ainda que “com as correntes migratórias, a pessoa é conquistada pelas novas religiões. Ela chega às periferias das grandes cidades e não encontra mais o suporte da Igreja Católica”, Periferia e áreas nobres Co-autor do “Atlas de Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil”, Jacob defende que as igrejas evangélicas foram mais ágeis ao se instalarem nas periferias e conseguiram conquistar os migrantes que chegavam com poucos recursos aos grandes centros urbanos. “O elemento de acolhimento foi muito importante nos ‘cinturões de miséria’ das grandes cidades”, afirma. Dados do “Atlas de Filiação Religiosa” mostram que a concentração de católicos continua alta – cerca de 80% - nas regiões de maior renda e escolaridade das capitais. “Não há propensão ao abandono do catolicismo nos bairros mais nobres, até porque a estrutura católica está montada nesses bairros”, afirma Jacob. Segundo o cientista político, as próprias escolas e universidades católicas, além das igrejas, ajudam a manter o índice de fiéis nestes bairros. (veja mapa) Na periferia das grandes cidades, no entanto, a situação se inverte. Os bairros de pior renda e baixa escolaridade apresentam um índice maior do que a média de evangélicos e pessoas que declaram não ter Jovens evangélicos participam de religião. “A periferia cresce em uma sermão velocidade que a Igreja Católica não conseguiu acompanhar. Os evangélicos, com o comando descentralizado, conseguiram atuar mais rapidamente nesses locais”, afirma Jacob. (veja mapa) Para o teólogo Fernando Altemeyer, a Igreja Católica está “correndo atrás do prejuízo”. “Os quadros da Igreja se reproduzem vagarosamente, porque ela está muito centrada na figura do padre, que precisa de sete ou oito anos para se formar. Assim, a renovação fica muito lenta se comparada com as outras religiões”, diz. Falta de fiéis Além de ter perdido fiéis para outras religiões, a Igreja Católica sofre ainda com a baixa participação de seus seguidores. “Há mais católicos do que evangélicos em todos os centros urbanos, mas as pesquisas do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) mostram que, de fato, os evangélicos são mais assíduos em sua religião”, afirma a professora Sílvia Fernandes. Segundo a pesquisadora, no catolicismo, aqueles que vão à missa semanalmente totalizam apenas 22,1% dos fiéis. Os que vão duas ou mais vezes por semana à Igreja, não necessariamente à missa, totalizam 10,4%. Apenas 7,6% dos católicos freqüentam a missa mais de uma vez por semana. Os evangélicos, por outro lado, costumam ir à igreja duas ou mais vezes por semana. “Os de corte pentecostal são ainda mais assíduos, pois 68% freqüentam duas ou mais vezes por semana”, afirma. De acordo com Sílvia Fernandes, essa presença causa a impressão de que há mais evangélicos do que católicos nas grandes cidades. Os “sem religião” Outro fenômeno observado nos últimos três levantamentos realizados pelo IBGE é a disparada no número de pessoas que afirmaram não pertencer a nenhum tipo de religião. Em 1980, apenas 1,6% da população dizia não ter religião. Em 2000, ano da 46

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última pesquisa do instituto, 7,3%, ou 12,5 milhões de pessoas declararam ser “sem religião”. Assim, esta categoria ocupa o terceiro lugar no Brasil, atrás apenas das religiões católica e evangélica.

Veja gráfico ampliado Segundo o perfil demográfico, compilado pelo IBGE, o número de pessoas “sem religião” aumentou fundamentalmente entre adolescentes, de 16 a 20 anos, e jovens adultos, de 21 a 30 anos, que abrangem todos os grupos de “raça ou cor”, com exceção dos brancos. “No Brasil, especialmente onde a sensibilidade religiosa é muito forte, a pessoa não quer mais ser comandada por um guru, um padre ou um pastor, especialmente a juventude”, afirma o professor Altemeyer. Segundo ele, o processo de abandono de grupos religiosos é muito grande, mas não só no catolicismo. “É um fenômeno mais global e abrange as religiões como um todo”, diz. Para a professora da UFRRJ, Sílvia Fernandes, vale ressaltar, porém, que o número de pessoas sem religião aumentou, mas não significa que o número de ateus ou pessoas que não acreditam em absolutamente nada seja maior. Ela destaca que, mais do que o crescimento do ateísmo, trata-se de um enfraquecimento das instituições religiosas. “A maioria dos ‘sem religião’ é composta por indivíduos que possuem religiosidade, fazem orações, muitos pautam suas vidas em crenças cristãs e poucos são os que não crêem em Deus”, afirma. A queda tem volta? Com o avanço das igrejas evangélicas e o aumento do número de pessoas que preferem não pertencer à religião alguma, a pergunta que fica é se a visita do papa e a canonização do Frei Galvão podem dar animo aos fiéis e aumentar o rebanho dos católicos. “Mais do que reunir e rezar uma missa para 100, 200 mil pessoas, o maior desafio da visita do papa é levar uma mensagem da Igreja Católica para as periferias”, afirma Jacob, acrescentando que a visita do papa não deve reverter o quadro de queda. “O papa João Paulo 2º, que era muito mais carismático, veio ao Brasil três vezes desde a década de 80 e isso não impediu que a Igreja tivesse perdido 15% dos fiéis neste período”, afirma. “A figura do papa sempre sensibiliza a população brasileira, mas não creio que reverta o processo de ‘descatolização’, já que a Igreja mantém posições rígidas no campo da doutrina moral” afirma a professora Sílvia Fernandes. “Não é o papa ou o Edir Macedo ou a Sônia Hernandes que faz a pessoa se converter. É claro que o carisma influencia, mas não é isso que motiva as pessoas a estarem na igreja”, finaliza Altemeyer. 47

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Os Mapas, Atores e Números da Diversidade Religiosa Cristã Brasileira: Católicos e Evangélicos entre 1940 e 2007 Leonildo Silveira Campos[*] [leocamps@uol.com.br / gipesp@metodista.br] Resumo Os dados estatísticos sobre o campo religioso brasileiro do fim do século XX indicavam tanto um enorme crescimento do Pentecostalismo como uma diminuição no número de católicos romanos. Assim, a discussão proposta neste artigo é a seguinte: poderemos prever que na próxima década o Brasil se tornaria um país pentecostal ou carismático? De qualquer modo os números apontam para um país que continuará cristão. Mesmo porque os cristãos eram 97,8% em 1940 e em 2000 eram somente 8.6 pontos percentuais a menor, o que não confirma a expectativa de um enorme processo de secularização e de abandono do Cristianismo, mas uma recomposição no interior do campo religioso. Palavras-chaves: Religião em números, Diversidade religiosa, Pluralismo Religioso, Pentecostais. Abstract The statistical data on the religious Brazilian field of the end the 20th century indicates both the enormous growth of Pentecostalism, as well the ongoing downfall in the number of Catholics. Thus the discussion proposed in this article: could we predict that in the next decades Brazil would become a Pentecostal or Charismatic country? Anyway the numbers point to a still Christian country. Even why between 1940 (97, 8 %) and 2000 (89, 2%) the fall in the number of Christians (8.6 percentage points) does not confirm a huge secularization process with the abandonment of the Christian faith, but rather a recomposition in the religious field. Keywords: Religion in numbers, Religious diversity, Religious pluralism, Pentecostals. Introdução O panorama das religiões cristãs no Brasil é complexo e multifacetado. Há discussões taxinômicas intermináveis a respeito das melhores formas de classificar, dividir e nominar os cristãos brasileiros. Por isso, elaborar um mapa com os números dessa realidade não deixa de ser uma tarefa complexa. Até porque, muitas vezes, as fronteiras são fluídas, se interpenetram e fogem ao rigor que uma mensuração aceita como norma de trabalho. Mesmo assim, que mensagem os números dos vários censos e pesquisas a respeito da religião nos transmitem sobre a diversidade e a pluralidade religiosa nas últimas décadas do século XX no Brasil? Que mapa esses números permitem desenhar para expressar a diversidade cristã naquele período? O que se pode afirmar sobre a perda numérica do Catolicismo e do pequeno crescimento do Protestantismo resultante da imigração ou de missões ao lado da explosão pentecostal? Será verdadeira a afirmação que a velocidade do crescimento pentecostal e carismático torna o país um forte candidato a uma hegemonia dessas expressões sobre o campo religioso? Estariam os números, particularmente dos que se declaram sem religião, indicando um permanente aumento no processo de secularização? Ou aqueles números indicam muito mais um processo de decomposição institucional e de desmontagem do sagrado instituído? Este artigo pretende refletir sobre algumas dessas perguntas e também relacionar o estado de pluralidade que se faz presente na atual diversidade religiosa visibilizada, 48

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não somente em números, mas também histórica, social e politicamente nos últimos setenta anos no país. Esse foi um período em que o Brasil rapidamente se industrializou e se urbanizou, desfazendo liames que pareciam solidamente edificados ao longo de cinco séculos de colonialismo português. Procuramos seguir as sugestões de Jean-Pierre Bastian de que é necessário separar, para uma boa discussão desse tema, os termos pluralidade, pluralização e pluralismo. Para Bastian “… pluralidad es un estado de diversificación; pluralización, el proceso de diversificación; y pluralismo, un grado de desarollo social donde predomina una real (y no formaljuridica) libertad real de culto y una cultura de la tolerancia reciproca” (2008: e-mail). Daí existir, ainda para Bastian, uma “… pluralidad sin pluralismo como ocurre frecuentemente en América Latina. Por ejemplo, en Chiapas, hay pluralidad, pero un agudo conflicto politico-religioso que hace que no se puede hablar de pluralismo aunque la diversificación o pluralidad religiosa vaya creciendo” (idem). Relacionar o estado, o processo e o grau de desenvolvimento de nossa diversidade religiosa implica na percepção de que a realidade está ligada não somente à urbanoindustrialização, mas também ao êxodo rural, à explosão de megalópoles e de metrópoles regionais, ao aumento da desigualdade social e ao surgimento de uma cultura mundializada. Esses são alguns dos fenômenos que possibilitaram atribuir à mídia um importante papel na reconstrução das teias de relacionamento entre indivíduos e grupos sociais num contexto adverso, complexo e pluralista. Relembremos também que as curvas de crescimento e de decrescimento religioso no Brasil tiveram como contexto fenômenos políticos, econômicos e sociais significativos, além da Segunda Guerra Mundial, da turbulência econômica pós-1929; das transformações políticas do período Vargas (1930-1945) marcadas pelo populismo e autoritarismo. Após o período desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, o país experimentou crises que levaram os militares para o exercício do poder político (1964). Esses militares voltariam aos quartéis somente 21 anos depois (1985). Porém, nos anos 80, os meios de comunicação de massa, rádio e televisão principalmente, se aproveitando do avanço da telefonia na década anterior e da unificação comunicacional do país, passaram a oferecer às pessoas novas maneiras de rearticulação do tradicional com o moderno. O campo religioso dificilmente iria sair sem profundas alterações diante de tantas mudanças experimentadas pela sociedade brasileira nessas seis décadas visibilizadas nos números dos censos de 1940 e o de 2000. A reconstrução para fins de comparação dessa trajetória de crescimento positivo dos evangélicos, dos sem religião e dos que se declaram partícipes de outras religiões de um lado; e do crescimento negativo de católicos de outro lado; podem ser percebidas nas tabelas e gráficos elaborados com números oriundos do Censo IBGE desde 1940 e de outras pesquisas realizadas vez ou outra. Por isso o quadro estatístico foi ampliado com dados oriundos de pesquisas como DataFolha (dados de 2007), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e investigadores norte-americanos. A pesquisa da FGV foi coordenada por Marcelo Neri (2007), que trabalhou com microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2003 (também do IBGE). Para contrastar os números de evangélicos levantados em diversos momentos e metodologias com os números do Catolicismo usamos estimativas de missionários protestantes, embora tenham sido geradas quase sempre com objetivos 49

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missiológicos ou apologéticos. Por isso, analisaremos no final deste artigo os números divulgados nos Estados Unidos como na pesquisa realizada por The Pew Forum on Religion & Public Life, intitulada Spirit and Power – A 10 Century Survey of Pentecostal, em 2006. Outros números apareceram no texto Moved by the Spirit: Pentecostal Power & Politics after 100 years, apresentados a um evento realizado na University of Southern Califórnia, Los Angeles, Califórnia. Essa mesma preocupação missiológica se tornou presente em estrategistas da Escola de Missões Mundiais, do Seminário Teológico Fuller (Pasadena, Califórnia), com mais força nos anos 1970 (READ; INELSON: 1973). Nessa escola, e em outras esferas eclesiásticas norte-americanas, proliferaram esforços para a geração de estratégias que pudessem levar o Protestantismo mais conservador a uma retomada do crescimento, particularmente na América Latina, onde os números se tornaram muito menos significativos com o avanço pentecostal. Em uma série cinco opúsculos de manuais, Read e Inelson (1974) seus autores, propunham “um estudo da dinâmica do crescimento da Igreja nas décadas de 1950 e 1960, e do seu enorme potencial para a de 70”. O primeiro volume era um convite à observação da distribuição regional do crescimento dos protestantes. O segundo chamava a atenção para uma análise denominacional desse crescimento. Já os terceiro e quarto eram uma proposta para o estabelecimento dos perfis do crescimento da igreja e de como tal metodologia poderia ser usada no que viria no quinto volume ser chamado de “como avaliar as igrejas”. Essas propostas têm encontrado apoio em entidades que procuram reunir e incentivas os evangélicos ao redor da missão, entendida como crescimento de igrejas. Entre outras há a SEPAL – Serviço de Evangelização para a América Latina (www.liderança.org). Quanto à origem cronológica dos números, optamos em trabalhar com um período de maior duração do que as duas últimas décadas do século XX. Assim, podemos notar que a Tabela 1 deste texto, embora tomando como ponto inicial os números do Censo de 1940, deve ser vista à luz de uma realidade que antecede a essa data. Isso nos possibilita uma comparação com os números das seis décadas posteriores com alguns dados do início do século XX. Todavia, foi graças aos números dos censos do IBGE de 1940 e 2000 que se pode perceber a queda na porcentagem de católicos de 95,2% da população para 73,9%; enquanto os evangélicos, que eram 2,6%, subiram para 15,6%; os sem religião saíram de uma pouco perceptível marca de 0,2% para atingir a dos 7,4%; enquanto os pertencentes a outras religiões, que eram 1,9%, se tornaram 3,5%, nesse mesmo período. 1 – A diversidade religiosa brasileira à luz dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Quando da publicação dos dados do IBGE referente ao Censo de 2000 houve um debate a respeito de suas formas de levantamento e interpretação dos dados relativos à religião. Clara Mafra (2004:153ss) discutiu alguns problemas relativos a tal questão em um estimulante artigo na revista Religião e Sociedade. Porém, se os dados do Censo de 2000 são importantes ferramentas para o estudo demográfico do Brasil, por outro lado eles já se encontram defasados na medida em que a década chega ao fim e nos aproximamos do final dessa primeira década do século XXI. Já existe uma razoável expectativa pelos números do próximo Censo. No entanto, algumas outras pesquisas surgiram depois do último Censo do IBGE. Os novos números confirmam ou modificam, embora levemente, aqueles números 50

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oficiais. Mas, um dos motivos da popularidade dos dados de 2000 talvez se deva a confirmação que ele fez da velocidade da queda do Catolicismo e do rápido crescimento dos evangélicos pentecostais nos nove anos anteriores e num período mais longo de seis décadas (Tabela 1 e Gráfico 1).

Os números dos Gráficos 1 e 4 tornam visível que o crescimento pentecostal foi inversamente proporcional ao decréscimo do Catolicismo e ao lento e quase vegetativo crescimento do Protestantismo histórico brasileiro, ao longo do século XX. Entendemos aqui por protestantes históricos aqueles grupos originários das missões norte-americanas e inglesas e os luteranos herdeiros, direta ou indiretamente, da Reforma protestante do século XVI. Nesse caso, são deixados de lado os pentecostais.

51 Esses números da diversidade religiosa brasileira, e o papel ocupado pelos evangélicos nesse cenário, a fortiori pelos pentecostais, ficam mais visíveis ainda se compararmos os números de vários censos do IBGE expostos, entre outros, nos Gráficos 1, 2 , 3 e 4.

Esses dados levantados pelo Censo do IBGE permitem uma visão de longa duração da dinâmica e da recomposição do campo religioso brasileiro. Por exemplo, em 51


números absolutos, os católicos no Censo de 1960, eram 65.235.595 (93,1%); em 1970, atingiram a cifra de 85.775.047 (91,8%). Houve, portanto, na década anterior (1960-70) um decréscimo de 1,3% a despeito do aumento no número absoluto de mais de 20,5 milhões de católicos. Por sua vez, os evangélicos, que eram 3.077.926 (4,3%), foram para 4.833.106 (5,2%), o que equivale a um aumento de 57% sobre os números de 1960. A população católica, que teve um acréscimo de 34,3% entre os anos 1950-60 em números absolutos, cresceu a uma taxa menor nos anos 1960, ou seja, de 31,4%. Os pertencentes a outras religiões caíram de 2,4% para 2,3% e os sem religião subiram de 0,5% para 0,8% da população. Já o Gráfico 3 mostra a evolução das outras religiões, dos “evangélicos”, e dos sem religião naquelas seis décadas. No entanto, os pertencentes a outras religiões não tiveram o mesmo crescimento apresentado pelos sem religião. Esse gráfico pode ser visto como uma confirmação da tese de que o acontecido foi muito mais uma ruptura com as formas institucionalizadas historicamente pelo Cristianismo do que a prova de uma explosão da secularização. Nesse caso, na sociedade brasileira, a despeito do aumento no número dos que se apresentam como sem religião, a secularização não tem se manifestado como um processo irreversível, irresistível e crescente, tal como acontece em muitas das sociedades ocidentais. Por outro lado, a possível revanche do sagrado também não permite uma postura de otimismo institucional por parte das igrejas históricas e tradicionais. Em outras palavras, embora a secularização não se manifeste com toda a sua força, não se pode descartar que ela provoca no mínimo alterações na estrutura e funcionamento do campo religioso brasileiro.

Os números do IBGE apontam para um crescimento contínuo e acelerado de expressões religiosas não católicas romanas ao longo do período, particularmente nos anos 1990. Por isso, é necessário analisar com maior atenção os resultados dos censos posteriores aos anos 1970, que são os de 1980, 1991 e 2000. Os números do Censo de 1980 apontaram para uma população católica de 105.860.063 (89%), que em 1970 era de 85.775.047 (91,8%), portanto, um avanço de 23% em números absolutos, mas uma queda de 2,8%. Os evangélicos passaram de 4.833.106 (5,2%) para 7.885.650 (6,6%) o que lhes dava um aumento de 63,1% em porcentagem sobre os números absolutos e 1.4 pontos percentuais. Os pertencentes a outras religiões aumentaram de 2,3% para 2,5%, enquanto os sem religião dobraram a sua participação, cuja percentagem saiu da faixa de 0,8% para 1,6%. O Censo de 1990 foi realizado apenas em 1991. Os católicos, que eram 105.860.063 (89%), se tornaram 122.365.302 (83,3%), um acréscimo de 11,5% em números absolutos, mas uma queda de 5.7 pontos percentuais. Os evangélicos saltaram de 7.885.650 (6,6%) para 13.157.094 (9%), um aumento de 52,7% em números 52

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absolutos. Os sem religião passaram de 1.953.085 para 6.946.077, um aumento recorde de 255,6%; enquanto os que afirmaram ser de outras religiões 2,5% subiram apenas 0.4%, atingindo 2,9%. O Censo de 2000 indica que os católicos, em números absolutos, saíram dos 122.365.302 (83,3%) e atingindo um total de 125.517.222 (73,9%), um aumento de apenas 3.151.920 ou de 2,5%, mas uma queda de 9.4 pontos percentuais. Os evangélicos dobraram em números absolutos, aumentando de 13.157.094 (9%) para 26.452.174 (15,6%). Em números absolutos, o aumento percentual foi de 101%. Já os sem religião atingiram a marca de 12.492.189, um acréscimo no período de 79,8%, muito abaixo da década anterior, porém significativo em números absolutos. As outras religiões também tiveram um excelente desempenho, pois subiram dos 2,8% para 3,5% da população do país. O Gráfico 4 ilustra bem a distribuição do espaço cristão compartilhado por católicos e evangélicos naquelas seis décadas. Podemos chamar aqui esse espaço cristão de subcampo religioso cristão para diferenciar do espaço de outras religiões ou dos sem religião. Fica bem claro quanto, nos anos 1990, a diferença entre ambos se tornou tão evidente. Notemos ainda que a última década do século não corresponde a 10 anos e sim a nove, pois o Censo no Brasil de 1990 somente aconteceu um ano depois.

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O Censo de 2000 marcou o final do século XX e o início do novo século. Naquele momento, os números divulgados pelo IBGE pareciam indicar que o país estava se tornando cada vez menos católico, mais evangélico por um lado, e mais secularizado de outro. Porém, o relatório do IBGE (2003:47) registrava: “... a diversidade religiosa brasileira tem crescido muito nas últimas décadas, e as informações censitárias permitiram identificar a maior pluralidade religiosa no Brasil (...)”, porém o “... Brasil continua sendo mais católico apostólico romano, entretanto, com um ritmo de crescimento pequeno (...)”. Ficou claro também com os dados levantados pelo IBGE o tamanho do prejuízo que o crescimento pentecostal provocou no número de católicos (conforme Gráfico 4). Porém, aumentou o número de evangélicos, e dentre eles houve um excepcional aumento no número de pentecostais, assim como daqueles que se declararam pertencentes aos grupos outras religiões ou sem religião. Mas, teria a sangria católica diminuído nos anos 2000? As pesquisas FGV (2007 com dados de 2003); as da DataFolha (de 2007); e a pesquisa de 2006 de The Pew Forum; as duas últimas realizadas com pessoas com mais de 15 anos de idade, indicam que a perda de fiéis católicos continua, a despeito do avanço da renovação carismática. No 53


entanto, essas mesmas pesquisas sugerem que o número dos sem religião parece ter diminuído. Isso talvez nos sugira que tais dados se referem mais ao contingente de pessoas desligadas das formas institucionalizadas da religião do que aos ateus ou aos sem religião. De qualquer forma, essa oscilação dos números da categoria dos sem religião nos encaminha para discussões que aparecem em debates como o ocorrido nas páginas da revista italiana Liberal, dos quais participaram intelectuais laicos como Umberto Eco e um cardeal da Igreja Católica, Carlo Maria Martini. Os resultados desse debate foram publicados no Brasil com o título Em que crêem os que não crêem? (ECO, MARTINI, 2006). Essa questão aparece também em pesquisas sobre o lugar da crença religiosa entre os intelectuais e professores universitários. Geraldo José de Paiva (2000) publicou as pesquisas que fez, a partir de uma perspectiva psicológica, entre os docentes da Universidade de São Paulo com o título A religião dos cientistas.

As tabelas 1 e 2, assim como os gráficos 1, 2, 3 e 4, sugerem ter havido um dinâmico trânsito no cenário religioso brasileiro ao longo daquelas décadas. Ressaltamos tal mobilidade e evolução em termo de porcentagem e de aumento em números absolutos de católicos, evangélicos e dos que se consideram sem religião. O número de católicos teve um acréscimo de 220,4% nesses 60 anos, enquanto os evangélicos aumentaram em 2.361% e os sem religião tiveram um estrondoso aumento de 14.204,6%. Seria uma sinalização de ter havido um aumento da secularização e da laicidade no país? Houve um aumento do trânsito religioso e milhões estariam num ponto de transição entre dois pontos, um de origem e outro de chegada? Vejamos, separadamente, a evolução de cada um desses grupos. Antônio Flávio Pierucci (2004:17), escrevendo sobre o panorama religioso brasileiro visualizado nos números do Censo IBGE 2000, concluiu que os últimos censos do século passado apontam, sem dúvida alguma, para a existência de trajetórias declinantes do Catolicismo, do Protestantismo tradicional e das religiões afrobrasileiras. Há, para ele, ao redor desses números, que continuam caindo, o estabelecimento de uma “rota de destradicionalização cultural do País” (2004: 27). O Gráfico 5 aponta para a intensidade com que esse fenômeno impactou o Catolicismo brasileiro. Ora esse impacto se torna ainda maior se levarmos em conta os números da FGV (2003) e da DataFolha (2007). Aliás, somos de parecer que a visita do Papa Bento XVI, em 2007, tem muito a ver com a divulgação desses números e com os esforços da Igreja Católica para adotar estratégias que visem deter o avanço pentecostal, das seitas e dos movimentos não-católicos. 54

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Notemos também, à luz da Tabela 2, elaborada com números absolutos, que o Catolicismo aumentou 23,9% nos anos 40; na década seguinte 34,3%; nos anos 60, 31,5%; caiu em 23,4% nos anos 70, em 15,6% nos anos 80, e apenas 2,6% nos anos 90. Houve uma perda católica de 21.3 pontos percentuais entre 1940 e 2000, o que pode visualmente ser observado no Gráfico 5 e 6. Porém, esse quadro de perda pode ainda ficar pior se levarmos em consideração os números de 2003 usados na pesquisa FGV (2007) que indica ter a porcentagem de fiéis católicos caído em 21.4 pontos até 2003 ou os números apresentados pela pesquisa DataFolha que aponta par uma perda de 31.2 entre 1940 e 2007.

A respeito das perdas do Catolicismo, vale a pena citar as observações feitas por César Romero Jacob et. alii. (2003: 15): “... se o número de pessoas [números absolutos] que se declaram católicas (...) está em constante crescimento no Brasil: 85,8 milhões em 1970; 105,9 em 1980, 122,3 em 1991 e 125,5 milhões em 2000”, de onde “vem a ideia de que a religião católica estaria atravessando uma grave crise no Brasil, se os resultados dos recenceamentos dos últimos 30 anos mostram o aumento dos números de fiéis?” A resposta a essa questão vem do fato de que é na 55

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proporcionalidade entre católicos e número total da população brasileira é que se pode perceber o tamanho do prejuízo.

Para explicar a situação do Catolicismo brasileiro, os autores do Atlas de Filiação Religiosa colocam duas hipóteses. A primeira delas vem da demografia, pois, como eles mesmos registram, o crescimento católico não seguiu a mesma velocidade e proporção do aumento da população do país. Uma segunda explicação vem da Sociologia da Religião, que aponta para um crescimento dos evangélicos, em especial dos pentecostais. A metodologia usada por Jacob et alii (2003) aproxima Demografia, Geografia e indicadores sociais, permitindo uma excelente percepção de que há uma ligação entre explosão populacional nas regiões metropolitanas, crescimento dos evangélicos, decréscimo católico e alterações nos indicadores sociais. Porém, como assinalam Renee de la Torre e Cristina Gutiérrez Zuñiga, coordenadoras do Atlas de la diversidad religiosa em México (2007:7ss), a diminuição no número de católicos necessita ser analisado também à luz das diversidades regionais do país, das perspectivas históricas, econômicas, sociológicas, antropológicas, geográficas e demográficas. Por outro lado, tais dados estariam refletindo os problemas econômicos, sociais e culturais existentes nas grandes metrópoles mais do que nos bolsões rurais, onde o Catolicismo continua hegemônico. Os textos de Jacob et. alii. propõem esse tipo de discussão, inclusive, no texto posterior (JACOB, et. alii. 2006) em que se analisam 18 capitais brasileiras, os aspectos demográficos foram combinados com indicadores sociais, produzindo assim, para deleite dos pesquisadores, quatrocentos mapas. Tal associação tem permitido aos pesquisadores brasileiros um aprofundamento da visão geo-social-religiosa da quase totalidade das capitais de estados e das áreas metropolitanas a elas associadas. Os evangélicos entre 1940 e 2000 nunca tiveram um crescimento médio abaixo dos 50% por década (Gráfico 7). Seus números foram, respectivamente, 62% nos anos 40; 76,7% na década de 50; 57% nos anos 60; 63,2% na década de 70; 66,8% nos anos 80 e 101% nos nove anos entre o Censo de 1991 e o de 2000. Somente nesses últimos nove anos do século XX eles saltaram de 13,1 milhões para 26,4 milhões, ganhando 13 pontos percentuais entre 1940 e 2000. Esses números se tornam mais significativos ainda se forem considerados os dados apresentados pela pesquisa FGV (dados de 2003) e o DataFolha (2007). 56

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Não se deve, no entanto, atribuir à totalidade dos evangélicos o crescimento observado. Pois, nas seis décadas anteriores ao ano 2000, houve uma inversão na proporção de pentecostais e evangélicos de missão (tradicionais ou históricos) na população de evangélicos brasileiros. Assim, os pentecostais, que se situavam entre 1930 e 1940 no rodapé das estatísticas, se tornaram hegemônicos dentro do campo evangélico ou protestante. Essa comparação entre evangélicos pentecostais e nãopentecostais aparece bem no Gráfico 8. Nele observamos que os pentecostais estimados em 9,5% em 1930, passaram a 77,86% em 2000. Pressupomos que os convertidos ao Pentecostalismo vieram inicialmente de meios evangélicos tradicionais e depois, com mais intensidade, do Catolicismo. Esses dados reaparecem em pesquisas não tão amplas geograficamente falando, realizadas pelo hoje infelizmente desativado Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais e publicadas em 2004 por Silvia Regina Alves Fernandes (FERNANDES 2004: 26 e 187). No texto que divulgou as pesquisas, assim como em artigo de Fernandes e Pitta (2006:120ss), pode-se observar que 23,5% de pessoas deixaram o Catolicismo. Desse total, 58,9% se converteram ao Pentecostalismo e somente 13,8% foram para as denominações protestantes históricas. Fernandes e Pitta (2006:131) apontam ainda para um dado muito interessante: 33,2% dos que se moveram na direção dos sem religião saíram do meio pentecostal, enquanto somente 23,1 % e 11,8% saíram, respectivamente, do Catolicismo. Esses números levantam mais uma outra hipótese para nossa reflexão: nem sempre o Pentecostalismo parece ser o ponto final de ex-católicos ou ex-protestantes históricos, que experimentaram a mobilidade religiosa em algum momento da vida. Mesmo assim, aquele mapeamento das rotas do trânsito religioso brasileiro como outros estudos em andamento permitem estabelecer uma relação estatística significativa entre as ofertas religiosas e a busca dos indivíduos em um novo contexto histórico e social. A participação dos pentecostais no rol dos evangélicos brasileiros não é um fenômeno tão significativo somente nos dias atuais. Por exemplo, os números de 1964, comparados com a situação em 1930, podem ser notados na Tabela 3. Nela observamos que entre os evangélicos de missão os números da expansão favoreceram os batistas, que estão divididos no Brasil, em tradicionais (Convenção Batista Brasileira) e carismáticos (Convenção Batista Nacional); os Batistas regulares, (fundamentalistas); e alguns grupos pequenos de batistas de origem russa, sueca e 57

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de outras procedências. Os luteranos participam do total com 18,32%; os presbiterianos (do Brasil, Independentes e Renovados) com 16,92%, sendo 10% considerados evangélicos de outras procedências.

Por outro lado, se compararmos os dados da Tabela 3 e do Gráfico 9, referentes aos evangélicos históricos ou de missão, com os números usados por Erasmo Braga & Kenneth Grobb, observaremos que os batistas sempre tiveram uma presença significativa entre os evangélicos. Eles apareciam com 30% em 1930 e 54,56% em 2000; os presbiterianos com 34% em 1930 e 16,92% em 2000; os luteranos, que eram 38,35% dos evangélicos em 1920, segundo Paulo M. Higgins (1923) passaram para 18,32%, em 2000. Os batistas, talvez pela sua agressiva maneira de fazer propaganda ou pela forma congregacional de organizar as suas congregações locais, obtiveram um melhor equilíbrio entre o governo local, o poder das associações estaduais, e o controle indireto e não intervencionista de uma Convenção nacional. Eles demonstraram, ao longo das décadas, um salto de quase 25 pontos. Assim, a participação pentecostal (Gráfico 9) no cenário evangélico brasileiro no final do século XX se tornou hegemônica. De cada quatro evangélicos, um era pentecostal.

No ano 2000, se excluirmos os adventistas, que não se consideram evangélicos e nem são por eles assim designados, temos uma forte presença batista na composição do subcampo religioso protestante histórico ou de missão no Brasil. No entanto, se incluirmos os luteranos, cuja classificação como Protestantismo de imigração ou de missão ainda é objeto de discussão e disputa, o quadro novamente se altera.

Deve-se ainda observar que o crescimento dos evangélicos não se deu de forma 58

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equilibrada pelo país. O Gráfico 11 visualiza a distribuição em porcentagem da Tabela 4. A Região Sul manteve a liderança nos anos 60 e 70, talvez devido à forte presença luterana. Porém, nos anos 80, 90, e nos três primeiros anos do novo século, o Sul foi superado pelos índices de crescimento evangélico da região Norte.

Foi significativo o aumento de evangélicos na região mais populosa e urbana do país, a Sudeste, onde praticamente eles dobraram seus números entre 1970 e 1991 e, novamente, entre 1991 e 2003. Segundo o IBGE, dos 17,7 milhões de pentecostais no Brasil, em 2000, 3,3 milhões de fiéis estavam nas duas maiores cidades do país: São Paulo e Rio de Janeiro. No município do Rio de Janeiro, conforme Jacob (2006:146), os pentecostais, que eram 6,5% da população em 1991, em 2000 já eram 11,3%. Nos demais municípios da região metropolitana, nessas mesmas datas, a percentagem era, respectivamente, 10,7% e 17,1%. Nos demais municípios da região metropolitana de São Paulo, em 1991 os pentecostais eram 8,1% e, em 2000, eram 15,6%. Os números de ambas as cidades indicam uma concentração maior de pentecostais nas regiões periféricas. O texto de Jacob et. alii. aponta para duas regiões da periferia de São Paulo onde tais índices foram de 18% e 30% da população. Os autores assim registram: “... em torno dos bairros com melhores condições de vida da cidade, tem-se um verdadeiro anel pentecostal” (2006: 161).

A Tabela 4 e o Gráfico 11 expressam bem a distribuição dos evangélicos nas diversas regiões do país ao longo de um período de 33 anos. Para isso, usamos dados do IBGE e de números divulgados por uma para-eclesiástica especializada em missões, SEPAL - Serviços para Evangelização da América Latina. Porém, por questão de espaço não foi possível incluir tabela ou gráfico que pudesse apontar para a força dos números do crescimento evangélico (mais pentecostal) nas regiões do Sudeste como um todo. No entanto, César Romero Jacob et. alii. (2003: 33ss) analisarem bem e de uma forma didática como se dão as relações da diversidade religiosa e fatores cronoespaciais envolventes nesse processo, em especial após os anos 1980. As regiões Norte e Centro-Oeste, devido às frentes migratórias, de ocupação da Amazônia e de regiões 59

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centrais do país nos anos 80 e 90, com mais força no Amapá, Acre, Rondônia, Goiás e Tocantins. Nessas regiões houve um enorme crescimento pentecostal. Por isso mesmo um estudo das micro-regiões, em especial do Norte e Centro-Oeste, oferece aos pesquisadores excelentes exemplos da relação entre migração e Pentecostalismo. A fertilidade da metodologia de Jacob et. alii. (2006) favorece a percepção das relações entre os indicadores demográficos, sociais e econômicos, em especial no Sudeste, mas também nas regiões metropolitanas das capitais brasileiras, onde o crescimento pentecostal apresenta fortes vínculos com a demografia e problemas decorrentes das taxas de urbanização. Fizemos (CAMPOS, 2006) investigações em um contexto de cidade-região (Grande ABC paulista) sobre as relações entre crescimento pentecostal e os índices sociais de pobreza, analfabetismo, violência, desemprego, desigualdade e exclusão social de um lado, e o crescimento do Pentecostalismo de outro. Os números apresentados no final da investigação se mostraram coerentes dentro da equação exploração desde a influência da sociologia marxista, isto é, onde há mais problemas sociais e econômicos, há maior presença de templos e de redes de templos pentecostais e neopentecostais. A diversificação religiosa provocou também, no interior do subcampo religioso evangélico, uma inversão na distribuição entre pentecostais e evangélicos tradicionais. É possível perceber pelo Gráfico 12 que o potencial de atração de cada Igreja pentecostal não é a mesma. Pesquisas mais focadas poderão ser feitas, a fim de se conhecer melhor as relações de classe social, de necessidades ou de aflições, com a conversão a esta ou aquela denominação. De qualquer maneira, o crescimento das igrejas pentecostais colocou no ranking, em primeiro lugar, a Assembleia de Deus, depois, a Congregação Cristã no Brasil, seguidas pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) e Igreja Pentecostal Deus é Amor. Além dessas há, também, um grupo de igrejas que formaram um Pentecostalismo pulverizado em centenas de igrejas e templos locais, que não formam grandes redes de templos, mas que têm uma participação de 15,85% no total de pentecostais recenseados em 2000.

Na Tabela 5 foi feita uma distribuição dos fiéis pentecostais brasileiras por sexo. Os números mostram a existência do seguinte ranking de igrejas nas quais o número de fiéis mulheres é maior: IURD (61,93%) e IEQ (58,68%). Nessas igrejas as mulheres estão acima da média de 56,54% do subcampo pentecostal e muito acima da média nacional de mulheres (50,79%) e de homens (49,21%). No entanto, a predominância de homens nos espaços de poder é significativa na IURD. Essa Igreja, que tem apenas 38,07% de homens, não abre praticamente nenhum espaço à participação das mulheres no ministério pastoral ou em funções-chave para a manutenção e reprodução do poder na Igreja. Elas prestam serviços religiosos apenas como 60

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obreiras, que na linguagem institucional, é apenas um espaço entre o nível de pastor auxiliar e fiel comum da Igreja, conforme registramos em outro texto (CAMPOS, 1997: 439ss). Todavia, os homens na condição de obreiros podem ser alçados à condição de pastor auxiliar. Já na Igreja do Evangelho Quadrangular acontece o contrário. Essa igreja, cuja fundadora foi Aimee McPherson (1890-1944) era uma mulher com uma significativa liderança carismática no meio pentecostal norte-americano desde 1912. Em 2007, cálculos da própria Igreja indicavam a existência de 15.023 membros do ministério que atuavam no Brasil. Desse total, 5.951 eram mulheres, ou seja, um percentual de 39,6%. Atribuímos a influência da fundadora como o fator mais importante na abertura de espaço para as mulheres no pastorado, mesmo no interior de uma cultura com forte preponderância masculina como é a brasileira.

Observações: Os dados assinalados com * se referem a porcentagens dentro dos evangélicos pentecostais e os assinalados ** se referem à participação no total de evangélicos brasileiros. A tabela 6 indica a quantidade de homens e mulheres nas igrejas pertencentes ao Protestantismo tradicional ou de missão. Nelas também as mulheres são majoritárias. Mas, com exceção dos luteranos, em todos os demais ramos do Protestantismo a percentagem de mulheres está acima da média nacional, que é de 50,79%. Somente em um dos ramos do Luteranismo, em dois dos ramos presbiterianos, entre metodistas e episcopais, é que as mulheres são admitidas ao ministério e possuem uma presença mais visível nos cargos-chave de suas respectivas denominações religiosas.

Já nas denominações protestantes em que as mulheres não são admitidas ao pastorado, ou sequer nas funções de presbítero ou diácono, como é o caso da Igreja Presbiteriana do Brasil, há mobilizações internas para que isso ocorra. Mas, curiosamente, quase sempre essa luta segue adiante sem a presença e a pressão das 61

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mulheres, que parecem ter assimilado a ideia machista atribuída ao Apóstolo Paulo, que aconselhava as mulheres aprender e permanecer caladas na Igreja (1 Tm 2.11). 2 - A mensuração da diversidade religiosa além dos dados do IBGE: FGV, DataFolha e Pew Forum Até aqui trabalhamos com dados do IBGE, diretamente transcritos por nós ou retrabalhados pela equipe de César Romero Jacob. Analisemos agora números oriundos de outras pesquisas que focalizaram especificamente os números do campo religioso cristão, em seus subcampos: Catolicismo, Protestantismo de missão (ou histórico) e os pentecostais. Veremos a seguir as pesquisas da FGV (Rio de Janeiro), da DataFolha (2007) e a pesquisa Spirit and Power realizada em 10 países, por The Pew Forum on Religion & Public Life em outubro de 2006. 2.1 – Os dados da pesquisa Economia das religiões (FGV-Rio de Janeiro) Em 2007 foi divulgada a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, coordenada por Marcelo Néri, intitulada Economia das religiões: Mudanças recentes. Nessa pesquisa, trabalhando com micro-dados referentes aos números da Pesquisa de Orçamentos Domiciliares (IBGE, POD 2003), os pesquisadores concluíram que “... pela primeira vez, em mais de um século, a proporção de católicos no Brasil parou de cair, mantendo-se surpreendentemente estável” nos primeiros três anos da nova década, “atingindo 73,79% em 2003” (NÉRI 2007: 4-5). Quanto aos evangélicos pentecostais, a pesquisa da FGV indicou uma percentagem de 17,9% em 2003. Já o grupo dos sem religião teria tido uma queda em relação ao Censo de 2000, de 7,4% para 5,1%. Segundo estimativa dos pesquisadores da FGV para 2007, os católicos seriam 129,75 milhões, em uma população de 188,7 milhões; os evangélicos 33,74 milhões, dos quais 23,57 milhões pentecostais e 10,17 milhões de evangélicos não-pentecostais. Néri et alii. afirmam ainda que: “... usando a população de hoje, 188,7 milhões, e a taxa de crescimento da proporção de 2000 a 2003 dos grandes grupos projetados para hoje (sem saturação) em 2006 teríamos 43,64 milhões de evangélicos no país, sendo 28,88 milhões de pentecostais, e 14,88 milhões de tradicionais”. (2007: 6) Mas será que a tendência de crescimento dos anos 1990 se repetiria na nova década? A abordagem dos pesquisadores da FGV consistiu em: “... relacionar a demanda por novas opções religiosas, leia-se aumento dos pentecostais e dos sem religião nos grupos mais afetados por choques econômicos e sociais adversos como as chamadas crises metropolitana e de desemprego, a onda de violência, favelização, informatização entre outras” (2007:7). O nicho onde o Pentecostalismo viceja, cresce e floresce, segundo Néri (FGV, 2007:7), se localiza entre os “grupos perdedores da crise econômica”, pois, “... os dados demonstram com clareza que a velha pobreza brasileira (...) continua católica, enquanto a nova pobreza (...) estaria migrando para as novas igrejas pentecostais e para os chamados segmentos sem religião” (os grifos são nossos). O estudo da FGV e suas estimativas para 2007 podem gerar, a partir dos dados colocados na Tabela 6, uma sensação de que os evangélicos estariam sob forte pressão do crescimento pentecostal. Em outras palavras, eles tendem ao crescimento na medida em que assimilarem as estratégias dos movimentos pentecostal e carismático. Porém, o comportamento da Igreja Católica estaria condenado, por força estatística, a repetir o fraco resultado da década anterior. 62

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Talvez falte aqui levar em consideração o esforço do episcopado, a Renovação Carismática e a possibilidade de reversão daquele fraco desempenho.

Na pesquisa da FGV aparecem também, com destaque, as dificuldades materiais que agem como forças propulsoras do crescimento pentecostal tais como desemprego, precarização das relações de trabalho, violência, favelização, informalização da economia e outros elementos considerados pelos pesquisadores como impacto da miséria. O resultado teria sido o surgimento de uma nova pobreza que migra para os pentecostais e sem religião, enquanto a velha pobreza era mais rural e católica. Os pesquisadores (NÉRI 2007: 9) valorizaram ainda a ligação weberiana entre religiosidade e ascensão econômica. Somos, no entanto, da opinião de que, com o aumento dos excluídos, é preciso também considerar a relação entre religiosidade e descenso, especialmente por causa da crise econômica. Há também um dado que chama a atenção, que é o estimulo desempenhado pela expansão do campo religioso na geração de novos empregos e ocupações (NÉRI, 2007:11). Pois novos trabalhadores encontram espaço de trabalho nas atividades das organizações religiosas entre 2000 e 2005. Naquele ano eram 1.766 e, cinco anos depois, 11.616, números que têm como fonte a RAIS/TEM. Porém, se considerarmos que pastor não é declarado no Brasil, juridicamente empregado, e nem as igrejas empregadoras, esses números são muitas vezes maior do que as RAIS indicam. A pesquisa toca em outros temas interessantes para a compreensão dos aspectos econômicos relacionados com a expansão dos evangélicos pentecostais no Brasil, em especial desde os anos 1990. Seus estudos oferecem excelentes pistas para o estudo da relação afiliação religiosa e classe social, questão de gênero, situação nas cidades, migração rural-urbana, crise metropolitana ou percepção da violência. As igrejas estariam também substituindo o Estado no atendimento, ainda que simbólico de necessidades básicas, enquanto, ainda segundo Néri (2007: 11) o “número de pessoas exercendo ofícios de natureza religiosa” demonstra que a religião está oferecendo ocupação para milhares de pessoas sem outras perspectivas de emprego. Além dessas questões pinçadas da pesquisa da FGV podemos acrescentar também a retomada que Néri faz da relação entre ética e religião. Para aquele pesquisador (NÉRI 2007: 34), é preciso relembrar que o Protestantismo tradicional liberou “... o cidadão da culpa de acumulação do capital privado”. Já os movimentos pentecostais “... liberaram a acumulação privada de capital através da igreja” (NÉRI, 2007: 34). Essa concentração de recursos nas mãos dos empreendedores religiosos criou condição para uma atuação agressiva no meio das comunicações sociais. Daí o marketing, a compra de emissoras de rádio e de televisão. Por outro lado, o Pentecostalismo “... estaria prosperando numa fase de descrença quanto a possibilidade individual de ascensão social e profissional” (NÉRI, 2007: 35). Todavia, é necessário ligar o crescimento da renda por meio da adoção de uma nova filiação religiosa com o acesso ao consumo. Processando os microdados dos Censos de 1991 e 2000, os 63

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pesquisadores atribuem aos evangélicos pentecostais a mais baixa renda per capita do país: R$ 206,42, contra R$ 358,75 dos evangélicos tradicionais e R$ 786,14 dos espíritas (NÉRI 2007: 38). 2.2 – Os dados da pesquisa DataFolha (2007) A DataFolha, empresa pertencente à Folha de S.Paulo, preparou uma pesquisa para aguardar a visita do Papa Bento XVI em 2007. Foram 5.700 pessoas entrevistadas, todas acima de 15 anos. Já o IBGE imputa escolha religiosa aos moradores de um domicílio mesmo aos que sejam menores de 15 anos. Essa pesquisa indicou que a Igreja Católica retomou a queda nos números, porém, agora em uma velocidade menor do que a dos anos 90.

A Tabela 8 também ajuda na percepção de alguns números interessantes quanto aos pentecostais. Por exemplo, os pentecostais são maioria dentro do campo evangélico na região Norte (cinco pontos acima da média nacional). É ali onde os evangélicos conseguem o maior índice no Brasil. No Sudoeste encontramos o menor índice de católicos (59%). Nessa região, de cada cem brasileiros, vinte são pentecostais e somente cinco são evangélicos tradicionais.

O declínio no número de católicos, segundo pesquisas da DataFolha, foi assim demonstrado: 74% (1996); 72% (1998); 70% (2002) e 64% (2007). Os articulistas divulgadores da pesquisa (Folha de S.Paulo, 6/5/07) escreveram que: “... os evangélicos representam 29% da população nas franjas das regiões metropolitanas (sete pontos acima da média nacional)”. Por sua vez, o Sudoeste tem 25% de evangélicos (sendo 20% pentecostais e 5% evangélicos tradicionais), contra 59% de católicos. Isso, contudo, observam os jornalistas, não significa que haja um aumento no número de materialistas e ateus, pois, 97% declaram crer em Deus; 93% que Jesus morreu e ressuscitou e, 86% que Maria deu à luz Jesus enquanto virgem. 64

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Para fins de comparação entre a pesquisa DataFolha (2007) e a do Censo 2000 quanto à distribuição dos evangélicos pelo país, o Gráfico 11 também ajuda. Pois nele, mais uma vez, aparecem as regiões Norte e Sudeste como as regiões com maior número de evangélicos e, obviamente, de pentecostais. Quanto às perguntas que a pesquisa DataFolha fez aos entrevistados escolhemos algumas delas apenas algumas, tão somente para mostrar o que ocorre quando a pesquisa se centra na motivação que levou o fiel a fazer o trânsito religioso, e não apenas constatar a sua ocorrência: “Há quanto tempo deixou de ser católico?” os pentecostais assim responderam: até 5 anos (35%); de 5 a 10 anos (28%); mais de 10 anos (32%). Dos que aderiram à nova religião há menos de 10 anos estão em primeiro lugar os solteiros (71%), depois os divorciados e casados (57%) e os viúvos (48%). Podemos também comparar os dados encontrados pela DataFolha com os números da pesquisa do CERIS (FERNANDES, 2004:21). Nela, a percentagem dos divorciados encontrada foi de 52,2% e dos separados judicialmente de 35,5% contra 21,8% dos solteiros. Seria o núcleo familiar sólido um empecilho à mudança de religião? Em outras palavras, o êxodo rural, a urbanoindustrialização, teria erodido a influência da tradição familiar sobre a afiliação religiosa das pessoas? Essas informações confirmam que a maior parte das adesões (63%) ao Pentecostalismo aconteceu há menos de 10 anos. Há outras perguntas da pesquisa DataFolha, como estas: “você costuma contribuir financeiramente para a sua religião?” Os pentecostais que responderam “sim” foram 89%, enquanto os católicos foram 75%. Todavia, os números não conseguem captar o significado do “dar dinheiro à religião”. Pois, católicos concebem o dízimo como sendo 1%, enquanto para os evangélicos o dízimo faz jus ao número 10%. No neopentecostalismo deve-se acrescentar o esquema do ut des da “Teologia da Prosperidade”, cujo sacrifício é visto como a oferta em dinheiro (não do supérfluo, mas do que é essencial) a fim de se conseguir melhores condições de realizar uma boa barganha com a divindade. A fidelidade aos cultos e rituais da própria Igreja é a menor entre os pentecostais (9%) se compararmos com os católicos (19%) ou evangélicos tradicionais (15%). Perguntados se “a Umbanda é coisa do demônio”, a resposta de concordância dos pentecostais foi de 83%, contra 53% dos católicos e 71% dos evangélicos nãopentecostais. A pergunta se “os evangélicos são enganados por seus pastores” somente 37% de pentecostais concordaram, contra 67% dos católicos e 47% dos evangélicos não-pentecostais. O reflexo da religião na mudança de hábitos e costumes também encontra nos pentecostais maior índice. A pergunta “você já mudou algum hábito ou deixou de fazer alguma coisa por causa de sua religião?” teve resposta positiva da seguinte forma: pentecostais (54%), evangélicos nãopentecostais (45%) e católicos (9%). 65

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2.3 – Os dados da pesquisa Spirit and Power – a 10 Country Survey of Pentecostal A pesquisa publicada em 2006 pelo The Pew Forum on Religion & Public Life recebeu o nome de Spirit and Power – a 10 Country Survey of Pentecostals e foi apoiada pela Templeton Foundation e não por alguma igreja ou agência missionária. A sua sede se situa em Washington DC e seus resultados podem ser encontrados no website www.pewforum.org. As partes principais dessa pesquisa foram discutidas com a participação do cientista social anglo-brasileiro Paul Freston em 24.04.2006 na University of Southern California, no Seminário Moved by the Spirit: Pentecostal Power & Politics after 100 years. O Brasil foi um dos dez países escolhidos para essa pesquisa sobre o Pentecostalismo, exatamente no ano em que se comemorava o centenário da aparição pública dos fenômenos pentecostais, em um velho templo da Igreja Metodista Africana, em Azusa Street, na cidade de Los Angeles. O relatório procurou focar as práticas, as crenças e a afiliação religiosa, bem como temas sociais e morais, a visão econômica e atuação política dos pentecostais nos vários países escolhidos para a investigação. Na metodologia foi privilegiada a dimensão demográfica e no Brasil a pesquisa foi feita por amostragem. Em uma parte inicial do relatório (PEW, 2006:4) os redatores do texto registraram os termos-chave usados na pesquisa deles e assim conceituados: “Pentecostais são os cristãos que pertencem a igrejas e denominações pentecostais, tais como as Assembleias de Deus, a Igreja de Deus em Cristo e a Igreja Universal do Reino de Deus”; “Carismáticos são outros cristãos, incluindo católicos, membros de igrejas protestantes históricas, mas que também se descrevem como ‘cristãos carismáticos’ ou ‘cristãos pentecostais’ ou falam em línguas no mínimo várias vezes por ano”; Já “reavivados é um termo guarda-chuva que se refere tanto a grupos pentecostais como carismáticos”. Entretanto, tais formas de classificação são mais apropriadas ao campo religioso norte-americano. Embora, no Brasil, haja avivados ou carismáticos que não abandonam as suas respectivas denominações religiosas e preferem continuar sendo presbiterianos, batistas ou metodistas avivados. Há, portanto, limites e desafios nessa tarefa de classificar, mensurar e compreender a forma de ser protestante, evangélica ou pentecostal entre nós. No Brasil a percentagem de pentecostais entre os protestantes foi de 72%, a de carismáticos 6% e os não-renovados 22%. O tamanho da população pentecostal no Brasil na amostra foi de 15% e dos carismáticos 34%. Os dados relativos à presença pentecostal no Protestantismo tradicional confirmam os números obtidos nas demais pesquisas. Há uma crescente pentecostalização do campo evangélico (protestante) brasileiro. A pesquisa classificou a amostra a partir de três afirmações a respeito de cura divina, revelação e exorcismo:

Uma questão foi apresentada para verificar a ligação entre Pentecostalismo e fundamentalismo. A questão proposta girava ao redor da afirmação que a Bíblia é a palavra de Deus para ser tomada literalmente. Os pentecostais responderam 66

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afirmativamente em 81%, os carismáticos 49%, e os outros cristãos, 65%. Seriam os carismáticos mais dados a uma leitura figurada e metafórica das escrituras? Nos EUA os outros cristãos atingiram apenas 37%, o que indica uma postura mais liberal em oposição aos pentecostais 76% mais fundamentalistas. Na análise das crenças, a concordância com a questão “a Bíblia foi escrita por homens e não é a palavra de Deus” alcançou os 2% entre os pentecostais, 7% entre os carismáticos e 12% entre os demais cristãos. Porém, a leitura literal da Bíblia não é a única característica do fundamentalismo e nem é tranquila a identificação entre ambos os grupos protestantes. Quanto ao interesse por questões sociais e políticas os resultados obtidos são importantes para os que estudam o abandono dos pentecostais à tradicional apatia por esse tipo de questões. A questão proposta se referia a se os grupos religiosos devem ou não emitir opiniões em questões sociais e políticas. Os pentecostais responderam afirmativamente em 65%, os carismáticos 61% e os demais cristãos, 53%. O posicionamento quanto a questão moral e social também foi testada. Mas, nesse caso, carismáticos e outros cristãos se aproximaram mais entre si e se distanciaram do conservadorismo pentecostal.

Uma surpresa ou uma confirmação do caráter neopentecostal do subcampo pentecostal brasileiro está no item da pesquisa que é muito caro às tradições pentecostais: falar em línguas. Uma parcela de 29% de pentecostais pratica semanalmente a glossolalia, enquanto 50% confessaram nunca falar em línguas. Já dentre os carismáticos somente 8% falam em línguas, enquanto 84% afirmam nunca praticar a glossolalia, já que no surgimento do movimento nos EUA, no início do século XX, o falar em línguas estranhas era tido como sinal visível do batismo com o Espírito Santo. Em outras palavras: a glossolalia perde espaço como forma de identificar o Pentecostalismo. Já a convivência dos pentecostais com o exorcismo é de 80%, enquanto os carismáticos é de 30%. Em relação ao receber ou interpretar profecias e revelações vindas de Deus, os pentecostais atingiram os 30%, enquanto carismáticos e outros cristãos ficaram, respectivamente, entre 6% e 5% deles. Mas, quando perguntados se recebem respostas as suas orações ou revelações divinas, as respostas podem ser assim tabuladas no que se refere ao Brasil:

A frequência a um templo, pelo menos uma vez por mês, foi um outro item mensurado na pesquisa. No Brasil, a resposta sim foi de 86% dos pentecostais, 32% dos carismáticos e outros cristãos. A piedade individual e diária teve resposta positiva em 83% dos pentecostais, 72% dos carismáticos e 62% dos demais cristãos. Já a leitura diária da Bíblia atinge níveis muito mais baixos: pentecostais 51%, 67

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carismáticos 13% e outros cristãos 10%. Essa questão também é muito curiosa, pois, os evangélicos no Brasil sempre foram considerados fiéis e diários leitores da Bíblia. Quanto ao compartilhar a fé com pessoas que não têm crenças como eles pelo menos uma vez por semana, alcançou as seguintes percentagens: pentecostais 68%, carismáticos 30% e outros cristãos 21%. A correspondência entre evangelho e saúde é bem aceita por pentecostais em 89%, por carismáticos 72% e outros cristãos em 80%; no que se relaciona a ligação evangelho e prosperidade, o índice em cada caso foi de 83% para os pentecostais, 61% para os carismáticos e 70% pra os demais cristãos. Quanto à afiliação prévia dos convertidos ao Pentecostalismo, as respostas foram as seguintes: 38% sempre pertenceram ao Pentecostalismo, enquanto 62% se converteram posteriormente.

Com relação à ligação entre a AIDS e a punição divina por pecados cometidos, os resultados confirmam a forte moralidade dos pentecostais, com 37% contra 23% dos carismáticos e 26% dos outros cristãos. Quanto ao aborto 91% dos pentecostais são contra, ao passo que esse índice cai para 76% entre os carismáticos e 82% para os demais cristãos. A negação para a mulher ser pastora obteve as seguintes percentagens: pentecostais 64%, 62% entre os carismáticos e 66% entre os outros cristãos. Quanto a afirmação que “uma mulher deve sempre obedecer ao seu marido” as respostas foram: 61% entre os pentecostais, 34% entre os carismáticos e 42 entre os demais cristãos. Novamente reaparece o patriarcalismo no meio pentecostal. Considerações finais Ao longo deste artigo procuramos seguir outros caminhos, além do estudo tradicional do campo religioso brasileiro, usando apenas uma metodologia qualitativa. Optamos pela análise dos números como forma de nos aproximar, não somente das mudanças que ocorrem com o Catolicismo e Protestantismo de missão - que perdem fiéis ou não crescem na mesma velocidade da população brasileira -, mas também como uma maneira de se mensurar a explosão pentecostal que está em andamento no Brasil a fortiori após os anos 1970. Tivemos por objetivo avançar um pouco além dos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e incluir os números da FGV (de 2003), do The Pew Forum (2006) e do DataFolha (de 2007). A última tabela, de número 13, permite uma ligeira visão das dificuldades que ainda cercam a mensuração e o registro de dados demográficos religiosos no Brasil. Há, a rigor, uma dança dos números. Porém, esses números, se cotejados com os dados do IBGE de 2000, apresentam algumas outras luzes sobre o fenômeno que procuramos analisar. Cabe ainda ressaltar que, com exceção do IBGE, todas as demais pesquisas trabalharam com respondentes acima de 15 anos de idade. Já na pesquisa do IBGE, embora ela se refira a uma quantidade muito maior de respondentes, há a atribuição de opção religiosa aos filhos menores de 15 anos pelos responsáveis pela moradia da família.

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Procuramos colocar em dois extremos o decréscimo católico romano e o contínuo crescimento tanto do Pentecostalismo mais tradicional (Congregação Cristã no Brasil e Assembleia de Deus) como também as novas formas de Pentecostalismo, que na falta de um melhor termo tem sido chamado pelos especialistas de neopentecostalismo. A visibilidade destes últimos, na mídia, no cotidiano da vida urbana e, especialmente na política estadual e federal, não pode ser compreendida levando-se em consideração apenas a metodologia que se usava para a análise do fenômeno religioso mais tradicional. Daí a necessidade de mais pesquisas do tipo religião em números. A questão colocada inicialmente, importante para muitos cientistas que estudam o fenômeno religioso, que é a previsibilidade do comportamento pentecostal nas próximas décadas, poderia ser melhor respondida por um especialista em análises estatísticas à luz dos dados colhidos nos censos de 1991 e 2000. Há um pressuposto que o Pentecostalismo cresce e viceja em ambientes regados por crises econômicas e de sentido para a vida das pessoas. Ora, o crescente processo é de internacionalização da economia; de globalização da cultura; de exclusão de uma enorme quantidade de pessoas e da impossibilidade do sistema acolher a todas em seu sistema econômico; não é impossível prognosticar que a opção pentecostal, neopentecostal e carismática continue a minar as instituições religiosas tradicionais que institucionalizaram as fórmulas de se resolver os problemas das massas. Por outro lado, não se pode deixar de lado não somente o crescimento da chamada incredulidade ou o número dos que dizem não ter religião alguma, a diversidade e a pluralidade dos sistemas religiosos exigem uma maior atenção dos pesquisadores. É inegável que se há um ressurgimento do religioso, embora dentro de novos moldes, há um crescente processo de secularização ou de desencantamento do mundo. Nesse novo contexto, a intervenção do sagrado sobre a vida cotidiana vai se tornando algo muito mais subjetivado do que institucionalizado. Realiza-se assim, também no Brasil, o que Marcel Gauchet afirmou a respeito da Europa: “O que sobrevive no presente da religião cristã já não tem nada a ver com a situação que decidiu o seu desenvolvimento; com as condições graças as quais se impôs e desenvolveu” (2005: 9). Seria, portanto, a explosão pentecostal em novas formatações, mais um sinal de que assistimos à inserção do cálculo racional, da lógica do mercado, da busca de resultados práticos e individuais quase sempre mágicos, no coração do próprio Cristianismo? Teria o Cristianismo protestante criado uma cobra que acabou por devorá-lo a partir de seu âmago? De qualquer forma, os números indicam, como registrou a pesquisa Forum 2006 Survey, no Brasil, de cada sete respondentes um é pentecostal; três em dez se identificaram como carismáticos; e para cada dez que se identificaram como protestantes, oito são pentecostais. Efetivamente, não se pode mais estudar o campo religioso brasileiro sem se levar a sério a carismatização do Catolicismo e a pentecostalização do Protestantismo histórico, nem a multiplicação 69

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de novos grupos pentecostais, alguns deles extremamente segmentados, pois se voltam para os surfistas, drogados, gays, apreciadores de rock, e assim por diante. Os números futuros, sem dúvida, irão refletir tais mudanças. Bibliografia BASTIAN, J.-P. 1997 «La dérégulation religieuse de l’Amérique Latine», Problèmes d’ Amerique Latine: La diversification du religieux en Amérique latine – a propos de l’expansion des pentecôtismes, Paris, n. 24, (Jan/Mar): 3-16. _____________. 1994 Protestantismos y modernidad latinoamericana: História de unas minorias religiosas activas en América Latina, Mexico, Fundo de Cultura Economica. BRAGA, E.; GRUBB, K. G. 1932 The Republic of Brazil – A Survay of the religious situation, New York, World Dominion Press. CAMARGO, C. P. F. 1973 Católicos, protestantes, espíritas, Petrópolis, Vozes. CAMPOS, L. S. 2006 “Indicadores sociais e afiliação religiosa no Grande ABC paulista”, Estudos de Religião, n.31 (Jun): pp154-193. ______________. 1997 Teatro, templo e mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal, Petrópolis-São Paulo, Vozes-Simpósio-Umesp. DATAFOLHA, 06/05/2007 “As religiões dos brasileiros”, Folha de S.Paulo, Caderno Especial. ECO, U.; MARTINI, C. M. 2006 Em que crêem os que não crêem?, Rio de Janeiro, Record. FERNANDES, S. R. A. (org.) 2004 Mudança de religião no Brasil: desvendando sentidos e motivações, Rio de Janeiro-São Paulo, CERIS-Palavra & Prece. ____________, S.R.A. e PITTA, M. 2006 “Mapeando as rotas do trânsito religioso no Brasil”, em Religião e Sociedade, n.26 (2), pp.121-154. GAUCHET, M. 2005 El desencantamiento del mundo – Una historia politica de la religión, Madrid, Editorial Trotta. HIGGIS, P. M. 1921 Almanaque evangélico para 1922, São Paulo, s.e. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2003 Censo Demográfico 2000 – Características gerais da população – resultados da amostra. Rio de Janeiro, IBGE. JACOB, C. R.; HEES, D. R.; VANIEZ, P.; BRUSTLEIN, Violette. 2006 Religião e sociedade em capitais brasileiras, Rio de Janeiro-São Paulo, CNBB-PUC-Rio-Loyola. ____________________________________________________________. 2003 Atlas da filiação religiosa e indicadores sociais no Brasil, Rio de Janeiro-São Paulo, CNBBPUC-Loyola. LA TORRE, R. e ZÚÑIGA, C. G. (Coord.) 2007 Atlas de la diversidad religiosa em México, Mexico-Tijuana, Colégio de Jalisco-Centro de investigación y Estudios Superiores en antropología Social. MAFRA, C. 2004 “Censo de religião: um instrumento descartável ou reciclável?”, em Religião e Sociedade, v.24 (2), pp. 152-159. NERI, M. (coord.) 2006 Economia das religiões: mudanças recentes, Rio de Janeiro, FGV. PAIVA, G. J. 2000 A religião dos cientistas – uma leitura psicológica, São Paulo, Loyola. PIERUCCI, A. F.; PRANDI, R. 1996 A realidade social das religiões no Brasil: Religião, sociedade e política, São Paulo, Hucitec. _______________. 2004 “Bye, bye, Brasil” – O declínio das religiões tradicionais no Censo 2000, Estudos Avançados, São Paulo, v. 18, n. 52, setembro-dezembro, pp. 1728. 70

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_______________. 2003 O desencantamento do mundo: Todos os passos do conceito em Max Weber, São Paulo, Editora 34. READ, W.; INESON, F. A. 1973 Brazil 1980: The Protestant Handbook, Morovia, CA, Mission Advanced Researcj & Communications Center. READ, W.; MONTERROSO, V.; JOHNSON, H. 1969 O crescimento da Igreja na América Latina, São Paulo, Mundo Cristão. READ, W. 1967 Fermento religioso nas massas do Brasil, São Bernardo do Campo, Imprensa Metodista. SANCHI, P. 1995 O campo religioso será ainda hoje o campo das religiões? In: HOONAERT, E. 1995 Historia da Igreja na América Latina e no Caribe (1945-1995) o debate metodológico, Petrópolis, Vozes, pp.81-131. THE PEW FORUM ON RELIGION & PUBLIC LIFE. 2006 Spirit and Power – A 10 Country Survey of Pentecostals, Washington, Pew Forum on Religion. WEBER, M. 2004 A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, edição de Antonio Flávio Pierucci, São Paulo, Companhia Das Letras. Recebido: 05/10/2008 Aceite final: 18/11/2008 Notas [*] Doutor em Ciências da Religião, professor titular da Universidade Metodista de São Paulo, lecionando nos Programas de Pós-Graduação em Ciências da Religião e Administração. SEJAM BEM VINDOS A NOSSA COMUNIDADE. Criamos esta comunidade com intuito de valorizar a nossa rica e antiga cultura. Nossa pais com 509 anos de existencia, acumulou uma grande Historia. Brasil Terra de Culturas e Religiões Diversas. Povo Brasileiro alegre, festivo, receptivo, caloroso, com certeza tudo isto veio através da grande misturas de costumes e culturas. Um grupo também criado, para combater o preconceito religioso, cultural e a intolerância Religiosa.

A preocupação com o meio ambiente, e preservação da natureza e das Culturas Afro-Brasileiras e Ameríndio. As antigas culturas Européias também aportaram no Brasil, costumes, culturas e religiões de Portugal, Itália da Península Ibero Celta também chegaram aqui, assim como os ciganos que aportaram no Brasil pela primeira vez no nordeste do Brasil. Paz e Luz a Todos. Sejam Bem Vindos. Vamos contribuir Por um Mundo Melhor 71

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Panorama e Análise dos Evangélicos - 2003 Lourenço Kraft Sepal - Departamento de Pesquisas - 06/2003 Deus está fazendo uma obra maravilhosa no Brasil! Durante os últimos 30 anos, a Igreja evangélica tem crescido pelo menos 2 vezes mais rapidamente do que a população. Este gráfico mostra a porcentagem de crescimento anual média dos evangélicos e da população do Brasil nas décadas de 80 e 90 de acordo com os censos do IBGE dos anos 1980, 1991 e 2000. Os evangélicos cresceram 2,5 vezes mais rapidamente do que a população do Brasil na de 80 e mais que 4 vezes acima da taxa de crescimento populacional na década de 90. Pode-se perceber que a Região Nordeste apresentou a maior taxa de crescimento dos evangélicos na última década. Este mapa mostra a taxa de crescimento anual média dos evangélicos em cada estado do Brasil durante os anos 90. Percebem-se as taxas de crescimento maiores nas regiões Norte e Nordeste. Hoje aproximadamente 17% dos brasileiros se identificam como evangélicos. Este gráfico mostra a porcentagem da população que se identificou como evangélica em cada região e em todo Brasil nos anos 1980, 1991 e 2002 (o valor para 2002 é uma projeção baseada no crescimento de 1991 a 2000). Houve um bom aumento na porcentagem de evangélicos em todas as regiões durante este período.No início do ano 2003, 30 milhões de brasileiros eram evangélicos. Este gráfico mostra o número total de evangélicos no Brasil baseado nos dados dos Censos. A parte verde é uma projeção do crescimento, se o ritmo de crescimento entre 1991 e 2000 continuar até o ano 2010. Se a igreja continuar a crescer nesta taxa, até o ano 2022 o Brasil se tornará 50% evangélico. Este mapa mostra a porcentagem dos habitantes em cada estado que se identificaram como evangélicos no ano 2002. Note que a Região Nordeste é a única região do Brasil que ainda possui estados que apresentaram uma porcentagem menor que 10%.Existem no Brasil aproximadamente 150 mil igrejas evangélicas de todos os tipos.

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Pesquisas de campo mostram que aproximadamente um terço dos evangélicos estão nas igrejas em um domingo típico. Visite www.brasil2010.org/regioes.html para ver alguns exemplos de pesquisas de campo recentes. Seguem algumas observações gerais sobre a Igreja Evangélica Brasileira de hoje: • As regiões urbanas têm experimentado maior crescimento que as áreas rurais • A igreja tem crescido mais entre os pobres do que entre os ricos • Vários grupos étnicos não foram ainda alcançados (tanto imigrantes quanto tribos indígenas) • As regiões Norte e Centro-Oeste têm a maior presença evangélica • As regiões Nordeste e Sul têm a menor presença • O Sudeste tem os grandes desafios que vêm com a urbanização e grandes concentrações de população • A Igreja Evangélica do Brasil não é bem distribuída. Em todas as cidades e áreas rurais pesquisadas, foram encontrados lugares com muitas igrejas e outros lugares com poucas igrejas. • O Brasil possui +/- uma igreja para cada 1.200 habitantes (a média das cidades pesquisadas em 2002 foi de 1.011) • Nas cidades pesquisadas no ano 2002, em um domingo típico, aproximadamente 6,5% da população do Brasil estava presente em uma igreja evangélica (a freqüência média das igrejas evangélicas no Brasil é de 70 pessoas). Note-se que esta porcentagem é muito menor que o número de pessoas que se identificam com evangélicos no censo, e indica um número alto de evangélicos não ativos nas igrejas. • Na década de 80, o grupo religioso que cresceu mais rapidamente foi o das pessoas sem religião ou sem declaração de religião. Nos anos 90 foram os evangélicos. Isto pode indicar que ser evangélico está se tornando uma opção mais aceitável dentro da sociedade brasileira. O que falta para alcançar o Brasil? • Implantar 100 mil igrejas novas • Identificar os lugares que ainda não foram alcançados • Motivar a igreja para plantar novas igrejas em lugares estratégicos

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Preparar líderes para as igrejas já existentes e para as que vão surgir Mobilizar missões para os grupos que não serão atingidos naturalmente LK 18-junho-03

A PROSTITUIÇÃO DA FÉ O meio evangélico é um campo fértil para a proliferação das seitas? Sim. Além dos aproveitadores e oportunistas que existem em qualquer meio, os evangélicos atuais têm uma aversão doentia à hierarquia, obediência e serviço uns aos outros. O que importa hoje é "ordenar", "determinar", "não aceitar", etc., enfim, todo um jargão que, no fundo, demonstra a vontade de não se sujeitar a nada nem a ninguém. Daí a não se sujeitar ao próprio Deus é só um pulinho... Você acha certo o que os evangélicos fizeram: invadiram um centro espírita e quebraram tudo? Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta Nenhum tipo de intolerância e arrogância é certo. Aqueles infelizes são doentes do espírito antes de qualquer coisa. Disseram que entraram no templo à procura do " demônio ". Entretanto esqueceram-se de procurar dentro de si mesmos o tal do " demônio ". Que lhes seja aplicado o rigor da lei. Se forem de menor idade, que os pais sejam responsabilizados pelos danos civis que praticaram, além de que a conduta é criminosa também. Acredito que até a denominação religiosa de que fazem parte deveria ser investigada no sentido de saber se estão disseminando em seus cultos tais práticas, porque aí, até os dirigentes da organização deveriam ser responsabilizados também se estiverem incitando condutas de intolerância religiosa e crime. 12/03/2007 'Té-logos' - consumismo e decadência da Igreja Caros pastores, bispos, apóstolos e ministros do "evangelho", a prudência me recomendava calar para aprender por um tempo, bem mais extenso do que aquele que me resta. Porém, antecipo esse tempo e ocupo a tribuna, tentando escrever sobre o evangelho, algo que os "profetas" (“homens de Deus”) deveriam se preocupar. Talvez aqui não seja o meu lugar para falar de algo tão simples e singular. Tenho a cátedra que muitos “magnatas do evangelho” já têm. Embora eu a tenha, não quero conquistá-la. Porque, para isso teria que compactuar com certas posturas e me enquadrar no esquema dos ladinos do evangelho. Alguns companheiros de Evangelho pediram-me, uma contribuição, escrever uma reflexão, menos por brilho natural, mais por vivência nesses assuntos que envolvem a historicidade do meio evangélico. Uma reflexão pautada numa trilogia. A primeira é que os teólogos não são mais teólogos. Estão mais para “té-logos”. Hoje, existe uma safra de teólogos fracos e alienados pensando que entendem de teologia. São homens bitolados na teologia da “Ilha da Fantasia”. Uma teologia que não produz vida e nem libertação. Esses teologastros preocupam-se cada vez mais em se locupletarem as custas da fé alheia. A maioria dos sermões pregados não passam de teologismos (pura heresia). Estou cansado de ouvir pastores, bispos e apóstolos pedirem dinheiro em troca de bênçãos. Pensam que podem 74

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barganhar com Deus. Muitos já estão teomaníacos. Precisam de ajuda psiquiátrica e do Deus desconhecido para serem curados e libertos. Por causa desses teologismos pregados por um grupo extenso de “té-logos”, o outro aspecto dessa trilogia é a inversão dos valores do Evangelho. As pessoas são tratadas como objeto. O ser humano é visto como um ser desprezível e sem valor. Nesse tipo de evangelho o ter é mais importante. Se ele não tem o que ofertar, ele não pode desfrutar da Graça de Deus. A tentação do mercado levou a igreja a distorcer os princípios básicos do evangelho que são, simplesmente, “amar a Deus sobre todas as coisas e o teu próximo como a ti mesmo”. O Evangelho de Jesus é centrado na totalidade do ser humano. O Evangelho de Jesus transcende a estrutura religiosa dos evangélicos e de qualquer grupo que se denomine cristão. A ética de Jesus é diferente da ética religiosa. Jesus não visava apenas o lado espiritual do homem, mas a sua libertação da opressão política, religiosa e econômica. O descalabro da Igreja fecha a trilogia. Não há unidade dentro do meio evangélico. Não há um enlace da fé evangélica. O que há, não passa de um exército diviso, cada um por si. Até mesmo as igrejas tradicionais estão perdendo o foco central do evangelho e estão descambando para o evangelho do lucro. A igreja hoje afronta a Deus e aos homens. Não há mais ética e tampouco pudor. Aqui no Nordeste é um absurdo as igrejas levantarem o ouro e o granito construindo templos ricos, enquanto o próximo não come. Templos são erguidos e a desigualdade social aumenta. Esse é um dos maiores pecados capitais da igreja: a bandalhice. Dizem que o pior cego é aquele que não ver. Mas só não enxerga o que a igreja está fazendo hoje quem não tem uma gota de sensibilidade para as questões de ordem social. Pouquíssimas estão envolvidas com esse trabalho. Perdoem-me por repetir um truísmo, mas o evangelho veio para conscientizar, libertar e salvar o homem de suas mazelas. Como disse no inicio, que a prudência me faria calar, mas seria uma iniqüidade ficar calado diante dos “té-logos”, do reducionismo do ser humano e da decadência da igreja (instituição), sem alertar sobre algo que é patente e visto por todos. Como um cristão, não posso ficar inerte a tanta aberração. O nosso irmão em Cristo Soren Kierkgaard estava certo quando escreveu: “Deus é sujeito, e não objeto, quando estabelece contato com o homem. Semelhantemente, quando nos ocorre pensar de outro ou de nós mesmos como se fossemos objetos, nós desumanizamos o ser humano. Devemos considerar o homem como sujeito, a saber, como centro de um processo de vontade, pensamento, esperança e paixão. O homem é alguém e não uma coisa”. Esse foi o exemplo deixado por Jesus em sua existência. Finalizo a nossa reflexão parafraseando o filósofo Nietzsche, quando ele disse que “a serpente que não pode mudar de pele morre”. O mesmo ocorre com aquelas mentes que se impedem de mudar de opinião e de postura, desfalecem. Que o Deus Eterno tenha misericórdia! Marcio Paulo Nobre Fortaleza - CE SOBRE AS RELIGIÕES QUARTA-FEIRA, 27 DE AGOSTO DE 2008 75

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Seitas e Religiões - apostilas

Amigos leitores do blog, há tempo venho postando para vocês algumas lições sobre Seitas e Religiões e para facilitar vossos estudos estou disponibilizando abaixo os links para vocês baixarem. Só um detalhe: essa lições foram compostas por diversos estudos que recebi por email, por outros tantos que consegui na internet e por vários trechos de livros em que pesquisei. Estou organizando melhor a bibliografia, em breve ela também estará na lista p/ vocês baixarem. Lição 1 Lição 1 - Conhecendo as Seitas e as Religiões Lição 2 Lição 2 - Islamismo Lição 3 Lição 3 - Testemunhas de Jeová Lição 4 Lição 4 - Mormonismo Lição 5 Lição 5 - Catolicismo (1) Mariolatria Lição 6 Lição 6 - Catolicismo (2) Doutrinas gerais Lição 7 Lição 7 - Budismo Lição 8 Lição 8 - Satanismo Lição 9 Lição 9 - Espiritismo Kardecista Lição 10 Estou fazendo uma revisão no texto deste lição. Em breve disponibilizo. Lição 11 Lição 11 - Maçonaria Lição 12 Lição 12 - Nova Era

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TERÇA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2007 76


Lição 1 - Conhecendo as Seitas e Religiões (Parte 2)

3. O QUE É RELIGIÃO? a) Características da Religião 1. Crença em seres sobrenaturais criadores do universo; 2. Distinção entre objetos sacros e profanos; 3. Ritos enfocados em objetos sagrados; 4. Código moral sancionado pelos deuses; 5. Sentimentos de temor reverente; 6. Oração e outras formas de comunicação; 7. Visão de mundo como um todo e o lugar que você ocupa; 8. Organização da vida do individuo baseada na visa acerca do mundo; 9. Grupo social unido por um mesmo pensamento religioso; b) Teologia e religião A Teologia pode ser definida como: as verdades fundamentais da Bíblia dispostas em forma sistemática, ou seja, é a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus e das Suas relações para com o homem. Trata de tudo quanto se relaciona com Deus e com os propósitos divinos. c) Qual é a conexão entre a teologia e a religião? A palavra “Religião” vem da palavra latina “ligare” que significa “ligar”; religião representa as atividades que “ligam” o homem a Deus numa determinada relação. A teologia é o conhecimento acerca de Deus. Assim a religião é a prática, enquanto a teologia é o conhecimento. A teologia deve coexistir na verdadeira experiência cristã; porém, na prática, as vezes, se acham distanciadas, de tal maneira que é possível ser teólogo sem ser verdadeiramente cristão, e por outro lado a pessoa pode ser verdadeiramente religiosa sem possuir um conhecimento sistemático doutrinário. “Se conheces estas coisas, serás feliz se as observas”, é a mensagem de Deus ao teólogo. “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Tm. 2:15), é a mensagem de Deus ao homem espiritual. d) O cristão e a religião Para, nós, cristãos, a religião se dá no seguinte processo:

4. CONSERVADOR OU RADICAL? É preciso fazer uma análise destes dois termos: conservador e radical, pois os mesmo servirão para uma melhor compreensão no estudo das seitas e religiões. CONSERVADOR: sub.m. - Aquele que é favorável à conservação da situação vigente ou tradições, opondo-se a reformas radicais; 77

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RADICAL: sub. – Aquele que propaga reformas ou mudanças na estrutura de um sistema, de uma doutrina, organização, etc. PODE O CRISTÃO SER CONSERVADOR E RADICAL AO MESMO TEMPO? O cristão deve ser CONSERVADOR quanto: a) A Palavra de Deus (I Tm 6:20); b) À Batalha na fé e à sua palavra (II Tm 1:14; Mt 5:37) O cristão deve ser RADICAL quanto: a) Ao Tradicionalismo (Mt 5:17) b) Ao Pecado (Mt 5:30) 5. A ESTRUTURA DAS RELIGIÕES Todas as religiões têm em comum a seguinte estrutura: a) Conceito dos historiadores – Conjunto de narrativas orais ou escritas, históricas ou mitológicas, que versam sobre a origem da comunidade religiosa em questão, relacionando-a com a origem do mundo e com os níveis supra terrestres de existência; b) Explicação sobre a existência do homem – Interpretação explicita ou implícita do lugar e propósito do homem no cosmos; c) Ritos – Conjunto de preceitos rituais, morais e sociais para consecução da finalidade de conhecer o mundo superior e obter alguma resposta material ou espiritual. d) Tradição – Sistema coerente de linguagem, símbolos pictóricos e gestuais que sintetizam os três primeiros itens e facilitam sua absorção pela memória da comunidade. Marcam o “estilo” da sua tradição espiritual; e) Conceito de Deus – O conceito de origem ou causa primeira, instauradora e reguladora do cosmos e identificada de algum modo com o “bem supremo” ou com a “verdade eterna e absoluta”. O grande problema é que está presente, sob diferentes formas, em todas as religiões. Em algumas, torna o aspecto de uma divindade personalizada ou intermediária, em outras palavras, resume-se a uma idéia metafísica abstrata. Embora fazem suas relações com o cosmos e o homem, são distantes a ponto de não haver possibilidade de comparações simétricas. 6. CONHECENDO AS RELIGIÕES DO MUNDO No mundo existem diversas religiões, por isso é bom que conheçamos algumas delas e como estão distribuídas percentualmente:

Lista das diversas religiões: ABRAÂMICAS Judaísmo: Fariseus, Saduceus, Essênios, Cabala. Islamismo: Xiita, Sunita (Wahhabismo), Kharijita ,Sufismo Cristianismo: Igreja Copta, Igreja Católica (Apostólica Romana, Greco-Católica Melquita, Greco-Católica Croata), Igreja Ortodoxa, Igreja Armênia, Igreja Ortodoxa 78

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Ucraniana, Igreja Ortodoxa Russa Unitarismo Protestantismo: Luteranismo, Calvinismo, Anglicanismo, Anabaptismo, Metodismo, Adventismo, Pentecostalismo, Neo-pentecostalismo. Cristianismo Esotérico: Catarismo, Gnosticismo, Rosacrucianismo, Maniqueísmo. Mormonismo Testemunhas de Jeová Quakers Fé Baha'ï Espiritismo Rastafári NÃO-ABRAÂMICAS: Zoroastrismo, Santo Daime, Seicho-no-ie, Siquismo, Igreja Messiânica Mundial, Umbanda. PAGÃS: Ásatrú, Wicca, Xamanismo, Candomblé, Batuque, Vodu, Druidismo. ORIENTAIS: Hinduísmo, Budismo, Jainismo, Taoísmo, Confucionismo, Seita dos essênios, Ayyavazhi, Seicho-No-Ie, Bramanismo, Cao Daí, Tenrikyo. AFRO-BRASILEIRAS: Babaçuê, Batuque, Candomblé, Culto aos Egungun, Culto de Ifá, Quimbanda, Macumba, Omoloko, Tambor-de-Mina, Umbanda, Xangô do Nordeste, Xambá. CONCLUSÃO O povo de Deus vive em constante batalha espiritual. O inimigo sempre trabalhou para desviar os crentes da vontade divina, induzindo-os a crenças falsas e práticas que desonram ao Criador. Por isso, devemos estar atentos quando um movimento religioso apresenta-se com persuasão e argumentos aparentemente convincentes. Trata-se, geralmente, de alguém que pretende mostrar-nos algo que não está de acordo com a Palavra de Deus. 02/04/2005

O catolicismo e as demais religiões no mundo da Folha Online O mundo de cerca de 1 bilhão de católicos apostólicos romanos. Confira abaixo o peso do catolicismo entre as principais religiões do mundo:

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ESCÂNDALOS PASTORÍS De onde vem toda a riqueza da maioria dos pastores das igrejas evangélicas? Terá vindo do árduo trabalho deles? Detalhes Adicionais Querida Vazinha... Usei em minha pergunta, para não generalizar "A MAIORIA DOS PASTORES" porque sei que existem os que realmente querem o bem de sua comunidade. Assim como também, mesmo não sendo católica, não generalizo os padres por causa do Papa. Quanto ao achar que os pastores são ricos através da Rede Globo, vc está errada. É só observar com que carro os pastores saem de suas imensas igrejas, as viagens que eles fazem, os programas que eles tem em exclusivas redes de TV....(precisa mais?) "...Estima-se que 99 por cento dos pastores não pertencem à congregação que pastoreiam. Eles são recrutados e contratados como qualquer empresa que procura um gerente. Eles permanecem desde que tenham êxito..." Paulo Coelho Paulo Coelho Riqueza no outro mundo O pastor gostava de pregar, em sua congregação, sobre a importância da pobreza. Segundo ele, o Evangelho dizia que as pessoas ricas neste mundo seriam condenadas à miséria depois da morte, e baseado neste argumento, pedia cada vez mais dinheiro aos fiéis. Certo dia, um membro de sua congregação pediu para encontrá-lo depois do ofício religioso. Assim que estavam a sós, disse o homem: “É verdade que aquele que é pobre neste mundo, será rico no Paraíso?” “Claro que sim”. “Como a igreja é rica, e eu sou pobre, estou precisando de 10 moedas de ouro. Quando for rico nos céus, eu pagarei minha dívida”. Sem hesitar, o pastor tirou 10 moedas de ouro do cofre da sacristia. Entretanto, antes entregá-las, perguntou: “O que pretende fazer com este dinheiro?” “Vou dar início a uma empresa”. O pastor tornou a colocar as moedas no cofre, dizendo: “como você é um homem capaz, trabalhará muito, terá lucro em sua empresa, vai terminar ficando rico. Conseqüentemente, será pobre depois de sua morte, e não terá como pagar seu débito; desta maneira, é melhor deixar as coisas como estão”. CAPÍTULO SETE O Panorama da Igreja no Século III Uma visão da Igreja moderna Deixem-me compartilhar uma parábola sobre um jovem que veio de um país estrangeiro para os Estados Unidos para freqüentar uma universidade. Não tinha nenhuma base religiosa, mas sentia haver um poder divino. Ele resolveu fazer uma pesquisa para encontrar uma religião verdadeira. Foi para a biblioteca universitária e leu do princípio ao fim os periódicos atuais. A investigação dele revelou que todos os periódicos e livros favoráveis à religião cristã tinham sido propositalmente afastados, inclusive a Bíblia que Deus inspirou. Estudou os filmes atuais que têm uma rápida abordagem religiosa e notou que os cristãos são retratados como ladrões ou mentalmente desarranjados. Leu os jornais e observou o que pensam a respeito do 80

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direito cristão radical. Assistiu televisão para ver se a programação o encorajaria moralmente e descobriu que a mesma promovia a licenciosidade e a promiscuidade. Observou o esforço geral para remover Deus da educação, do governo e de todos os lugares públicos, que o deixou com a impressão de que Deus é perigoso e que o público deve ser protegido dEle. Visitou o Mapplethorpe's art show e notou o insulto à arte religiosa financiado com fundos públicos! Quis assistir a um serviço religioso, folheou as páginas amarelas para achar uma igreja local. Achou a inscrição de centenas de igrejas com muitos nomes e atividades diferentes. Estava confuso, foi tentado a abandonar sua pesquisa, mas resolveu ir até o fim. Entrevistou muitos pastores com a seguinte pergunta, «Por que eu deveria freqüentar sua igreja?» Ao revisar as entrevistas com todos os pastores, ele concluiu que religião é uma coisa desesperadamente dividida e isso o deixou totalmente confuso. Cada igreja acredita que a igreja deles é a igreja certa para ele. «Como pode cada uma delas ser a igreja certa?», pensou. Depois que a pesquisa dele estava completa, ele revisou tudo novamente com muito cuidado e chegou à conclusão de que a visão daquela sociedade é que religião é apenas para estúpidos. Então concluiu, «é melhor fazer o que eu sinto ser correto. Tenho capacidade interior de tornar-me meu próprio Deus». Sua busca conduziu-o a um beco sem saída e ele terminou da mesma maneira como havia começado. Uma visão da Igreja primitiva. Agora vamos acompanhar uma visão honesta de como a sociedade encarava a igreja primitiva através desta carta escrita na antiguidade: «No que se refere a nações, línguas ou roupas, os cristãos não se distinguem do resto do gênero humano. Porque eles não vivem em cidades próprias, nem usam um idioma diferente, nem praticam uma vida estranha. O conhecimento que adquiriram não foi proclamado pelo pensamento e pelo esforço de homens inquietos; eles não são os campeões em uma doutrina humana, como são alguns homens. Mas quando se instalam tanto nas cidades gregas como bárbaras, seguem as costumes da terra, da roupa e da comida, e em outros assuntos da vida diária, contudo a condição de cidadania que eles exibem é maravilhosa e notavelmente estranha. Vivem em seus países, mas simplesmente como viajantes. Compartilham a vida de cidadãos, e acolhem grupos de estrangeiros. Toda terra estrangeira é para eles uma pátria, e toda pátria uma terra estrangeira. Eles se casam como todo mundo faz. Fazem nascer suas crianças mas não as descartam como alguns fazem. Oferecem uma mesa comum mas não uma cama comum. Existem na carne, mas não vivem pela carne. Gastam a existência deles na terra, mas a cidadania deles está no céu. Obedecem as leis estabelecidas, mas em suas próprias vidas superam essas leis. Amam todos os homens, e por todos são perseguidos. São desconhecidos, e são condenados. São postos à morte, e ganham vida nova. São pobres, e enriquecem a muitos. Falta-lhes tudo, e tudo tem em abundância. São desonrados, e a desonra deles se torna a glória deles. São insultados, e são justificados. São abusados, e eles abençoam. São ofendidos, e respondem o com honra. Fazem o bem, e são castigados como malfeitores; e no castigo deles eles se alegram como ganhassem vida nova com isso. Os judeus guerreiam contra eles como estranjeiros, e os gregos os perseguem; e por mais que eles sejam odiados não dão nenhum espaço à inimizade. Em uma palavra, assim como a alma está no corpo, os cristãos estão no mundo. A alma se espalha 81

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por todos os membros do corpo, e os cristãos através de todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não é o corpo. Os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo» (Carta a Diognetus, 5:1-17; 6:1-4). Deixe-me lhe contar outra parábola sobre um jovem que viveu no tempo de igreja primitiva e foi para Antioquia para estudar na universidade. Lá ele procurou encontrar a verdadeira religião. Claro que havia muito menos material para pesquisar por aqueles dias, mas aconteceu dele encontrar essa carta enviada a Diognetus. Aquela sociedade via assim aqueles que seguiam a Cristo como Salvador, uma visão mais positiva. Ele folheou as páginas amarelas para entrevistar a igreja local, e encontrou apenas uma que era chamada simplesmente de Igreja de Antioquia. Depois de entrevistar o ancião, este mostrou-lhe a igreja caseira onde morava. O ancião contoulhe a história de Cristo, as recompensas, e a cruz que agüentaria por servi-lo. Ficou óbvio a ele que Cristo era o único e verdadeiro Deus vivo, era quem estava procurando, aceitou-o como Deus e Salvador e seguiu-o pelos resto de sua vida. CONSIDERANDO AMBAS AS PARÁBOLAS As parábolas acima nos revelam claramente as diferenças entre as duas igrejas. Mil e setecentos anos separam uma da outra. Não é irreal considerar que desviamos do caminho de lá para cá. A igreja primitiva foi claramente planejada por Jesus. A igreja moderna foi claramente planejada pelo homem. Por maiores que tenham sido nossos esforços no passado, e por mais bem intencionados que sejam nossos esforços hoje, em geral, a igreja moderna está em uma espiral de evidente declínio em sua influência. O domingo pela manhã nas igrejas se tornou um espetáculo. O melhor espetáculo atrai mais gente. A maioria dos cristãos sabe deste declínio, mas não sabem por que ou o que fazer sobre isto. Quando eu pergunto aos cristãos se eles acham que a igreja moderna está preparada para a volta de Jesus, a resposta é sempre negativa. Quebra meu coração e me faz chorar pintar Cristo no topo de uma montanha olhando para baixo para sua igreja, lamentando, e dizendo, «Parem com isso! Olhem para o exemplo do passado, o plano que eu deixei com vocês em Minha Palavra, retorne a ele». Se Deus tivesse tanto interesse por edifícios bonitos, Ele não teria destruído o templo em 72 AD. Li recentemente que perguntaram a um homem se ele ia a igreja, e ele disse, “eu sou a igreja.” Deus abençoa as atividades quando os cristãos entram em comunhão. Quando nós derrubamos nossos rótulos e nos tornamos um corpo com um propósito, isso agrada a Deus, e Ele abençoa o esforço. O estabelecimento secular confunde-se com nossas realizações e com a influência de nossa cultura. Aquela velha pergunta, «o que temos que fazer para sermos salvos?», talvez devêssemos responder com outra, «o que temos que fazer para voltar ao plano original?» Vamos analizar o que foi que aconteceu que fez com que o cristinanismo se tornasse tão decadente. PASTORES MERCENÁRIOS Estima-se que 99 por cento dos pastores não pertencem à congregação que pastoreiam. Eles são recrutados e contratados como qualquer empresa que procura um gerente. Eles permanecem desde que tenham êxito. Chuck Swindal notou que normalmente o tempo de permanência de um ministro Batista é de 18 meses. A dor e emoção que envolvem a remoção e a contratação de um pastor é algo profundamente penoso. O processo freqüentemente divide as igrejas ao meio. Como podemos evangelizar quando nossa igreja local sofre tamanho impacto? É justo dizer que o fardo que este sistema coloca nas costas do pastor contratado e de sua família é 82

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horrível. Depois que a lua de mel termina, é quase impossível que cumpra todas as expectativas colocadas nele. É angustiante ver todos os pastores que vivem dilacerados nesse sistema falido. Este sistema às vezes é tão brutal que muitos deixam suas igrejas feridos, culpados e doentes. Vide João 10:12-16. Em contraste, o pastor da igreja caseira, se for o caso, nunca é contratado ou demitido. Ele sempre pertence à comunidade local e é um presente de Deus à congregação. Todos nós temos uma medida de pastor em nós, mas a ocupação principal do pastor da igreja caseira é cuidar das pessoas, não pregar. Não é de estranhar que nunca ouçamos uma mensagem sobre um tema como: «o perigo de um pastor mercenário». Talvez estejamos vivendo o tempo a que Jesus se refere no verso 16, onde ele pede para escutarmos Sua voz quando Ele profetiza, «haverá um rebanho e um pastor». Nós poderíamos dizer que a igreja primitiva era conforme sua profecia porque a única coisa que separava as igrejas caseiras era a distância entre elas e os nomes das cidades nas quais elas ficavam situadas. DENOMINAÇÕES COMO CONTROLE CORPORATIVO Não há nenhuma indicação no Novo Testamento a respeito de um controle governamental espiritual da igreja local exercido fora da cidade na qual está situada! Nesse domínio vemos a mão humana, interferindo, manobrando, manipulando e retirando o controle do Espírito Santo. O Espírito Santo é deixado de lado; e pacientemente espera exercer seu papel até que seja chamado. Enquanto isso a igreja paga afetuosamente com seus fundos todos os níveis corporativos do pessoal administrativo. Muito pouco desses fundos é direcionado para satisfazer as necessidades dos cristãos e dos vizinhos deles, ou para esforços missionários estrangeiros. Recentemente, no programa radiofônico de Larry Burkett foi citada uma pesquisa sobre a riqueza cristã. Noventa por cento (90%) de riqueza cristã mundial é gerada nos Estados Unidos. Noventa e sete por cento (97%) desse montante fica nos no Estados Unidos e apenas três (3%) vai para necessidades de missões estrangeiras. Quando olharmos para a parábola do Bom Samaritano, vemos a razão por que o vigário não ajudou o homem roubado e ferido; ele não pertencia à paróquia do vigário. Quanto ao bom samaritano, este viu naquela cena uma oportunidade para exercer seu conmpromisso divino, porque ele agiu impulsionado por um coração puro e compassivo e não por afligido pelo fanatismo e divisões religiosas, como era o caso do vigário. Denominações associam o corpo de Cristo de um modo prejudicial. Eles combinam pequenos blocos de cristãos em vários locais que por sua vez dividem a igreja local em muitas igrejas menores. Jesus disse, «Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir» (Marcos 3:25). Deus tem razão; divisões causam desconfiança e suspeita. Nossas comunidades sofrem porque nossa luz é ofuscada pelas divisões. Não podemos então responder à oportunidade que normalmente é nossa, de influenciar nossas comunidades moralmente como Deus espera. Este é um sistema falho e deveríamos ficar longe dele. Em contraste, a administração da igreja caseira é muito simples. Os anciões a vigiam, e eles normalmente são os donos da casa. Se houver dez igrejas caseiras na cidade, então haverá pelo menos dez anciões. É um privilégio ter mais que um ancião em uma igreja caseira. Na medida em que as igrejas caseiras se multiplicam, um dos anciões é escolhido como bispo ou supervisor para ajudar os anciões. Isto alivia o apóstolo e o libera para fundar 83

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igrejas em outras áreas. No Testamento Novo não encontramos hierarquia acima do bispo local de uma cidade. Este desígnio de igreja compacta dentro de uma cidade permite o Espírito Santo ter um controle ótimo enquanto Divino Guia Espiritual que é sua função. Com a igreja caseira não há nenhuma necessidade para invenções humanas, e para um controle sectário que mais adiante divide o corpo de Cristo, enfraquecendo-o. QUAL NOME DAR? Um nome parece ser uma boa idéia, mas ele também pode ser um fator de divisão na comunidade cristã local. O que será que Paulo queria dizer quando nos advertiu a não dar diferentes nomes a nossas igrejas? Vide 1 Coríntios 3:1-9. O que os coríntios estavam a ponto de fazer era estabelecer duas denominações, a Igreja de Paulo e a Igreja de Apolo. Paulo os reprovou nitidamente e os chamou de infantis e mundanos. Eles não despertaram nenhum orgulho em Paulo ou Apolo, pois esses dois homens se consideravam não mais do que servos. Todo louvor e glória pertencem a Deus. A profunda visão de Paulo permitiu-lhe ver o corpo de Cristo sendo dividido e enfraquecido, assim ele tentou parar aquilo imediatamente. E conseguiu. A prova disto é encontrada no Novo Testamento tanto que todas as igrejas eram chamadas apenas pelo nome da cidade na qual se situavam. Por exemplo, na Bíblia reconhecemos os nomes das igrejas como Igreja de Corinto, Igreja de Éfeso, Igreja da Filadélfia e assim sucessivamente. Eventualmente, sempre achamos um modo de nos diferenciarmos dos outros através de um nome. O problema é que divididos nos tornamos mais debilitados. Há um grande princípio do Senhor que vai no sentido de que se não chegamos a um acordo sofreremos pela quebra de companheirismo entre os irmãos. A idéia de que nossa denominação é a única que vai para o céu é uma idéia bem infantil. O Espírito Santo através de Paulo chamou essas divisões (denominações) de mundanas. Você concorda? Olhe para os frutos dessa divisão em sua cidade e diga-me: isso vem de Deus? Se a igreja em sua cidade não fosse dividida, imagine o quão poderosa seria contra o mal? Haveria menos crime, menos mães solteiras, menos evasão escolar, menos problemas de droga, menos abuso de crianças, menos violência doméstica e menos pessoas nas calçadas. Você poderia caminhar pelas ruas à noite sem medo. Se você esquecesse de tirar as chaves de seu carro, ainda estaria lá quando voltasse. A bondade prevaleceria e ajudar o vizinho a não seria uma coisa rara. As clínicas de aborto ficariam sem clientes. A santidade da vida humana prevaleceria. O amorpróprio positivo seria a a norma. A IGREJA MODERNA REVELA A VERDADEIRA TEMPERATURA Se tivessemos que destacar o assunto mais constrangedor de nossos dias para rever a posição das igrejas em geral com relação a ele. Esse assunto sem dúvida seria o aborto. Vide Mateus 5:13-16. 84

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A igreja norte-americana ficou dividida em seu posicionamento sobre a escravidão. O preço pago para resolver o assunto custou seiscentas mil vidas. A dor e o sofrimento das famílias separadas pela Guerra Civil é inexprimível. A igreja teve a oportunidade para ser o sal e a luz, para conduzir o país no caminho e na direção correta. A igreja poderia ter negociado um plano simples de transição, abandonando a escravidão de uma forma gradual. (NT) A igreja não pode ser passiva em assuntos que envolvem vida, liberdade, justiça e especialmente derramamento de sangue inocente. O ativismo é um elemento construtivo em nosso processo governamental. Foi com base nos princípios divinos inscritos em nossa Declaração de Independência e Constituição que desfrutamos a qualidade de vida que tivemos no passado. Vide Mateus 12:30 & 33, Provérbios 29:2. Estes versos na Bíblia descartam a noção de que a Igreja deva ser neutra e não possa ser responsável por influenciar a sociedade. Se as causas que conduzem ao aborto continuam é porque a igreja está dividida no assunto e não pode falar em uma só voz. O ato de levar a vida de uma criança que está por nascer nunca deveria tornar-se um procedimento legal em um país chamado «cristão». Porém, esta abominação poderia ter acabado em um tempo muito curto se houvesse um esforço único nesse sentido. Mas depois de 27 anos, a voz da igreja permanece ainda dividida, enquanto sua maior parte silencia. Foram levadas quarenta milhões de vidas inocentes, e o contador ainda continua funcionando. Todo filho de Deus precisa apoiar a vida de um modo ativo quando a oportunidade se apresenta, mesmo se César legalize o assassinato de crianças por nascer. Se você tem um problema com relação a este assunto isso deve ser solucionado à luz da vontade de Deus. Eu sinto que essa influencia cada vez menor da moderna igreja em nossa sociedade está diretamente relacionada à sua miserável falta de coragem em impedir a matança de inocentes crianças por nascer. Deus deu um duro aviso ao seu povo sobre a prática pagã da adoração de Molech, o deus do fogo, no Velho Testamento. Esta adoração requeria sacrifício humano, as vidas das crianças. Procure saber qual foi a vontade de Deus e verá como Ele reprovou e prometeu morte àqueles que sacrificam crianças a Molech. Vide Levítico 20:1-5. Muitos anos depois o profeta Jeremias recebeu a palavra do Deus relativa à cidade de Jerusalém que seria entregue nas mãos dos Caldeus. E em Jeremias 32:35 a razão é clara: eles sacrificaram seus filhos e filhas em adoração a Molech. Deus diz, «que nunca passou pela sua mente ou coração que eles chegassem a fazer tal abominação». Mas no mesmo capítulo Ele termina com a grande esperança de sermos chamados de volta desde que haja reverência e temor em nossos corações, para nosso próprio bem e para o bem de nossos filhos. No verso 41 lemos, «Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma». (NT) Entendemos que é importante acrescentar aqui que a Guerra Civil Americana obviamente não teve em seu eixo apenas a questão da escravidão, mas também, como toda guerra, importantes aspectos econômicos, políticos e principalmente morais. Acreditamos que se o cristianismo primitivo prevalecesse naquela época nos Estados Unidos, não haveria guerra civil e nem mesmo escravidão. 85

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Pastor usa nome de Jesus para fazer « merchan » de consórcio na TV. Assista quarta-feira, 29 de outubro de 2008 1 O pastor evangélico Marco Feliciano, do Ministério Tempo de Avivamento, usa o nome de Jesus para vender um consórcio de casa própria em seu programa na RedeTV!. (Fonte: Folha Online/UOL) - O consórcio é o GMF Consórcios, e o o pastor usa o seguinte slogan: “Você realiza, então, em nome de Jesus, o sonho da casa própria”, segundo a coluna Ooops!. Leia abaixo o texto da coluna Ooops!, de Ricardo Feltrin, colunista do UOL: ————————————– Se existe uma “vítima” da chamada Teologia da Prosperidade ela é a própria palavra escrita na Bíblia. Essa teoria (ou prática teológica) tem se disseminado de forma surpreendente, e é defendida por evangélicos que crêem –grosso modo– que Deus tem algum tipo de dívida para com o ser humano, ou que tem uma espécie de acordo (com ares de obrigação) de dar-lhe riqueza e felicidade caso a pessoa realmente tenha fé e o queira. A contrapartida geralmente é o fiel desembolsar alguma riqueza própria (dinheiro) em troca da riqueza maior futura. O pastor evangélico Marco Feliciano, do Ministério Tempo de Avivamento, leva a teoria às últimas consequências em site e em programa na Rede TV. Enquanto garante que Deus atenderá a todos os pedidos de “fiéis”, “perseverantes” ou “valentes”, ele aproveita e vende cursos de teologia, DVDs, CDs de músicas e camisetas. Até aí, ok, nada demais. Mas ele também usa o nome de Jesus em merchandisings. Segundos após realizar uma oração inflamada (que inclui palavras de língua desconhecida), pastor Feliciano ressurge como garoto-propaganda no mesmo cenário para vender um consórcio de casa própria, o GMF Consórcios. “Você realiza, então, em nome de Jesus, o sonho da casa própria”, diz o pastor. Bíblia, hermenêutica e edição Os pastores e bispos adeptos da teologia ou teoria da prosperidade fazem uso da hermenêutica na leitura da Bíblia para garantir que o que estão fazendo não viola as regras de Deus ou de Jesus. Trata-se de uma espécie de “edição” de conteúdo: cada um usa a Bíblia da forma que lhe interessa. Senão vejamos: a orientação divina para que os humanos não se percam em desejos materiais em detrimento ao amor por Deus está citada duas vezes, de forma muito semelhante, em dois diferentes Evangelhos. Em Lucas, 16:13, lê-se: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” Da mesma forma, em Mateus 6:24, está: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”. Por outro lado há outro trecho em Lucas , 11:9, que diz que ao pedir algo a Deus, o fiel simplesmente receberá o que deseja (de acordo com o merecimento e fé, pressupõem-se). Mas sem precisar fazer um carnê de desafio com uma igreja. Sem intermediários. “Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.” No caso do pastor do “merchan”, a porta começa com 86

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um consórcio para a casa própria. Ganhar dinheiro com igreja – dinheiro na igreja Para ganhar dinheiro na igreja é necessário um número elevado de fiéis, mas para a conquista desses fiéis é de fundamental importância algumas técnicas de convencimento. Atualmente uma das atividades mais lucrativas é a prática de atividades religiosas, por isso é constante a presença de muito dinheiro nas igrejas. As organizações religiosas não possuem fins lucrativos, mas infelizmente a sua finalidade está sendo desvirtuada e é utilizada para aquisição de lucro na igreja. Com o discurso de cobrir despesas e contribuição para ajudar o próximo que não possui condições financeiras, as instituições religiosas pedem dinheiro dos fiéis. A maioria dos pastores e padres possuem maior renda econômica que os verdadeiros fiéis, mas aqueles passam a idéia de que possuem aquele status por terem mais fé do que os outros e que Deus já o ajudou de maneira satisfatória. Na verdade a riqueza dos pastores ou padres são provenientes da contribuição dos fiéis e participantes das religiões, pois os pastores e padres não desempenham outras atividades econômicas e nem possuem emprego fixo ou eventual. Pr. João A. de Souza Filho Pastores Infiéis “... a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou...” (Nm 16.32). “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos!” (Ez 34.2). “Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará” (1 Co 3.13). “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Ap 12.9). É sempre importante fazer uma reflexão e um auto-exame checando os motivos que nos levam a fazer a obra de Deus. O que nos motiva? Nosso amor a Deus e a seu propósito eterno? Estamos agradando a Deus em vez de homens? Fazemos a obra sob o temor de Deus, ou trabalhamos visando nosso bem-estar pessoal, lucros financeiros e riquezas? Creio que a pergunta que os discípulos fizeram a Jesus é a chave para entendermos nossa motivação.“Que faremos para realizar as obras de Deus?” (Jo 6.28). Esta pergunta mostra as intenções dos discípulos: eles queriam saber como fazer a obra de Deus. No versículo anterior Jesus repreende o povo que o procurou não porque havia visto sinais, mas porque queriam mais comida, afinal, Jesus havia multiplicado os pães e peixes. “Vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres” (v 26 - NTLH). Ao longo desses anos ministeriais percebo que muitos jovens ministros anelam o ministério porque precisam de um emprego, querem sustento, fama e poder. Olham para os mais velhos e os vêem famosos, viajando, realizando conferências e querem começar pelo fim; esquecem que os pastores antigos estão onde estão porque foram fieis a Cristo desde o início de seu ministério. Quantos de nós, pastores antigos, dormimos em bancos duros de igrejas, viajamos horas e horas de ônibus, à cavalo, à pé, mal-alimentados, em jejuns, sem dinheiro para comer um prato feito e sendo perseguidos por amor a Jesus? Ouço o Senhor dizer a alguns jovens obreiros: vocês trabalham na minha obra porque querem sustento e não por amor a mim. Exatamente o que Jesus disse aos que o 87

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procuravam naquela época: queriam ser alimentados; queriam sustento. Em certas denominações há uma fila de obreiros esperando que uma igreja grande e importante precise de um novo pastor – chegam a torcer para que o velho oleiro morra logo – enquanto cidades inteiras e bairros pobres e populosos das grandes cidades não têm uma igreja de sua denominação. Mas, muitos jovens obreiros não querem começar uma obra a partir do zero, ganhando pessoas para Cristo e iniciando uma nova congregação: eles querem uma igreja pronta, porque estão no ministério e seguem a Jesus por causa da comida – seu sustento. Por outro lado pastores com mais tempo na obra de Deus loteiam entre si as cidades onde a igreja fica sem pastor, obviamente anelando sempre a maior igreja e se possível, a grande sede na capital do Estado. Também visando seu próprio bem-estar. Jovens e velhos ministros trabalham com ardor à busca de sustento e não do Cristo crucificado. Quando o Senhor lhes disse a verdade, isto é, de que o procuravam por causa da comida e não por causa dele, os discípulos perguntaram a Jesus: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”. Novamente erraram na pergunta. Queriam, então, fazer a obra de Deus. A resposta de Jesus passa despercebida da maioria dos leitores: “Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29). Existe uma grande distância entre querer fazer a obra de Deus e a resposta de Jesus. Jesus respondeu que para se fazer a obra de Deus basta nele crer. E a fé em Cristo é suficiente. Se o leitor estudar atentamente o texto de João 6 perceberá que Jesus passa a falar dele mesmo como pão. E que deveriam procurá-lo não pelo pão que perece, mas pelo pão que é eterno, isto é, o próprio Jesus. Tal qual instrumentista que aperta a cravelha de seu instrumento, o Senhor apertou o torniquete chamando os discípulos a um compromisso com ele; que vivessem dele, que se alimentassem dele, que suas motivações não deveriam ser o sustento nem a comida, mas o próprio Jesus. No final do capítulo 6 depois de “afinar” e de apertar com o povo sobre a real motivação que os levaram a encontrá-lo, eles foram abandonando a Jesus restando apenas os Doze. À pergunta de Jesus se estes não queriam também abandoná-lo, Pedro respondeu: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna...” (v 68). Linda a resposta de Pedro, mas errada! Pedro declara que Jesus tinha as palavras de vida eterna, quando na realidade a resposta certa seria: tu és a vida eterna! Muitos pastores trabalham para Jesus em troca da comida diária, quando deveriam trabalhar para ele pelo que ele é. Ele é tudo! Entre os de boa intenção no grupo de discípulos estava Judas que o havia de trair. Deveríamos sempre fazer uma avaliação de nosso ministério se estamos trabalhando para ele em troca de sustento, se a obra que estamos fazendo tem a aprovação divina ou se é fruto de uma motivação errada. Em fevereiro de 2009 completarei 45 anos de ministério – parece que foi ontem que Deus me chamou. Era a noite de 24 de fevereiro de 1964, as oito e meia da noite quando eu estava sozinho em meu quarto orando buscando a vontade Deus para minha vida. Eu tinha apenas 17 anos de idade. E optei por fazer um ministério sério, comprometido unicamente com Jesus Cristo. Tive mentores que me apontaram a trilha a seguir, mas ao longo da senda que percorri deparei-me com pastores de diversos matizes. Trabalhei com homens sérios e comprometidos com Cristo, mas tive que suportar líderes que descartavam seus obreiros, como se descarta um objeto; 88

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descartavam quaisquer pessoas cujo ministério lhes fizesse sombra. Obreiros que têm como alvo a fama e as riquezas, orgulhosos, traidores, roubadores, alguns adúlteros e outros efeminados. Mas também me deparei com homens sérios. Percebo que nos dias de hoje, mais que em anos anteriores, o dragão vem seduzindo os pastores, final, ele é o sedutor de todo mundo. Depois de seduzir os servos de Deus, o dragão abre sua boca e os engole. Quase todos os dias um pastor é seduzido e devorado pelas mandíbulas pontiagudas de Satanás que atrai para si pastores e líderes cuja motivação não é mais o Cristo crucificado, nem a santa causa, a igreja, mas o sustento pessoal e a oportunidade de enriquecimento. Não apenas os pastores caíram na armadilha do diabo; suas igrejas também. Os crentes lotam os templos em busca de prosperidade e riqueza - querem pão; e os pastores trabalham pela prosperidade e riquezas – também querem pão. O diabo é o sedutor dos pastores. Quantas pessoas foram seduzidas por ele no campo ministerial. Sim, porque o diabo não precisa ir muito longe para seduzir; ele o faz dentro da seara do Mestre. O enriquecimento ilícito, a facilidade de ganhar dinheiro, de ter mulheres e fama fazem parte da sedução do diabo nestes últimos dias. O dragão seduz os servos de Deus apresentando-se como um ser angelical cheio de luz com atrações ministeriais. A orientação de Jesus continua: Trabalhem não pela comida que perece. Esta declaração de Jesus nos catapulta ou nos arremete para uma vida de comunhão íntima com Cristo que deve ser prioridade do obreiro, antes da obra; antes de se fazer qualquer coisa. Cristo deve ter o primeiro lugar. É a partir desta premissa que a obra de Deus deve ser feita. Arguto que é o diabo traz para seu redil e fisga com facilidade os que também usam de astúcia no ministério, que são cativados pelo dinheiro, pela política, pelo sexo e pelo poder. Ínfidos e trucões muitos obreiros fazem da solércia seu estilo de vida. O assunto não se esgota aqui. Vou continuar a escrever sobre o tema.

Capítulo 6 GUIAS ESPIRITUAIS A Tarefa dos Guias Espirituais EXPLICANDO. . .

Mar 28

A TAREFA DOS GUIAS ESPIRITUAIS Os guias invisíveis do homem não poderão, de forma alguma, afastar as dificuldades materiais dos seus caminhos evolutivos sobre a face da Terra. O Espaço está cheio de incógnitas para todos os Espíritos. Se os encarnados sentem a existência de fluidos imponderáveis que ainda não podem compreender, os desencarnados estão marchando igualmente para a descoberta de outros segredos divinos que lhes preocupam a mente. Quando falamos, portanto, da influência do Evangelho nas grandes questões sociológicas da atualidade, apontamos às criaturas o corpo de leis, pelas quais devem nortear as suas vidas no planeta. O chefe de determinados serviços recebe regulamentos necessários dos seus superiores, que ele deverá pôr em prática na administração. Nossas atividades são de colaborar com os nossos irmãos no domínio do conhecimento desses códigos de justiça e de amor, a cuja base viverá a legislação 89

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do futuro. Os Espíritos não voltariam à Terra apenas para dizerem, aos seus companheiros, das beatitudes eternas nos planos divinos da imensidade. Todos os homens conhecem a fatalidade da morte e sabem que é inevitável a sua futura mudança para a vida espiritual. Todas as criaturas estão, assim, fadadas a conhecer aquilo que já conhecemos. Nossa palavra é para que a Terra vibre conosco nos ideais sublimes da fraternidade e da redenção espiritual. Se falamos dos mundos felizes, é para que o planeta terreno seja igualmente venturoso. Se dizemos do amor que enche a vida inteira da Criação Infinita, é para que o homem aprenda também a amar a vida e os seus semelhantes. Se discorremos acerca das condições aperfeiçoadas da existência em planos redimidos do Universo, é para que a Terra ponha em prática essas mesmas condições. Os códigos aplicados, em outras esferas mais adiantadas, baseados na solidariedade universal, deverão, por sua vez, merecer ai a atenção e os estudos precisos. O orbe terreno não está alheio ao concerto universal de todos os sóis e de todas as esferas que povoam o Ilimitado; parte integrante da infinita comunidade dos mundos, a Terra conhecerá as alegrias perfeitas da harmonia da vida. E a vida é sempre amor, luz, criação, movimento e poder. Os desvios e os excessos dos homens é que fizeram do vosso planeta a mansão triste das sombras e dos contrastes. Fluidos misteriosos ligam a Deus todas as belezas da sua criação perfeita e inimitável. Os homens terão, portanto, o seu quinhão de felicidade imorredoura, quando estiverem integrados na harmonia com o seu Criador. Os sóis mais remotos e mais distantes se unem ao vosso orbe de sombras, através de fluidos poderosos e intangíveis. Há uma lei de amor que reúne todas as esferas, no seio do éter universal, como existe essa força ignorada, de ordem moral, mantendo a coesão dos membros sociais, nas coletividades humanas. A Terra é, pois, componente da sociedade dos mundos. Assim como Marte ou Saturno já atingiram um estado mais avançado em conhecimentos, melhorando as condições de suas coletividades, o vosso orbe tem, igualmente, o dever de melhorar-se, avançando, pelo aperfeiçoamento das suas leis, para um estágio superior, no quadro universal. Os homens, portanto, não devem permanecer embevecidos, diante das nossas descrições. O essencial é meter mãos à obra, aperfeiçoando, cada qual, o seu próprio coração primeiramente, afinando-o com a lição de humildade e de amor do Evangelho, transformando em seguida os seus lares, as suas cidades e os seus países, a fim de que tudo na Terra respire a mesma felicidade e a mesma beleza dos orbes elevados, conforme as nossas narrativas do Infinito. - Emmanuel Dissertações Mediúnicas Sobre Importantes Questões Que Preocupam a Humanidade" Psicografia de Francisco Cândido Xavier Contato com os Guias Espirituais Afliges-te, porque ainda não lograste o contato psíquico com os teus guias espirituais. Reflexionas que buscaste a fé religiosa, abraçando a mediunidade, e, não obstante, tens a impressão que navegas sem rumo, padecendo conflitos e experimentando desânimo. Momentos surgem nos quais receias pela legitimidade do intercâmbio espiritual de 90

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que te fazes objeto. Anseias por informações precisas sobre o teu papel nas tarefas da mediunidade. Relacionas pessoas que te parecem menos equipadas, e, apesar disso, apresentam-se superprotegidas pelos Espíritos Nobres, assessoradas por Benfeitores Venerandos e Entidades outras, que na Terra deixaram nomes respeitáveis, famosos... Planejas desistir, acreditando que as tuas são faculdades atormentadas, sem credencial ou recurso capaz de registrar a proteção dos guias espirituais. * Tem, porém, cuidado e medita sem queixa. A mediunidade é instrumento de serviço em nome do amor de Deus, para apressar o progresso dos homens e facultar o intercâmbio com os Espíritos, deles recebendo a ajuda. Candidatas-te ao labor socorrista, como recurso saudável para te recuperares moralmente do passado delituoso, mediante cuja contribuição terias, também, as dores lenidas ou alteradas no seu organograma para a evolução. Honrado pelo trabalho de iluminação de consciência, estás colocado como veículo de bênçãos. Buscam-te os sofredores, porque são trazidos a ti pelos teus guias espirituais, que confiam na tua ductibilidade, no teu sentimento de amor. Porque não ouves os teus Benfeitores, não te creias abandonado, sem apoio. Tem paciência. Faze silêncio íntimo e entrega-te mais. Quando desdobrado parcialmente pelo sono, eles te confortam e instruem, fortalecem-te e programam as atividades para as quais renasceste. Se não o recordas conscientemente, ficam impressos nos teus registros psíquicos, esses salutares conúbios edificantes. Se aprofundares reflexão, perceberás quantas vezes eles já te falaram, socorreram e apoiaram nos momentos rudes das provações e dos testemunhos. Eles são discretos e agem sem alarde, não brindando recursos que induzam à vaidade, ao exibicionismo. Amparam em silêncio, instruem em calma, conduzem com afabilidade. * Quando vejas, na mediunidade, o campeonato das disputas humanas e o calafrio que provoca a presença de seres nobres do passado, aureolando com pompa terrestre a memória, que pretendem manter rutilante, acautela-te e desconfia. Importante não é o nome que firma ou enuncia uma mensagem, mas, sim, o seu conteúdo de qualidade e penetração benéfica. Desse modo, trabalha no anonimato e, consciente das responsabilidades que te dizem respeito, deixa que os teus guias espirituais zelosamente te guardem e conduzam, não te expondo no palco da insensatez, onde brilha por um dia e se apaga de imediato a vaidade humana. Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2 edição. Salvador, BA: LEAL. 1990.

Capítulo 7 91

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DISTRIBUIÇÃO DAS RELIGIÕES NO MUNDO E NOS EUA

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008 No Bom Caminho Luis Grave Rodrigues em 23/10/08 O gráfico aqui ao lado mostra a evolução da implantação das religiões (e das pessoas que não têm qualquer religião) na população dos Estados Unidos da América desde 1972 até 2006. O que este gráfico demonstra é que mesmo num país em que é particularmente feroz a influência dos lobbies religiosos tanto nos assuntos de Estado como na vida quotidiana de toda a gente, é perfeitamente notório o crescente número de americanos que se afirmam ateus ou agnósticos, como é inegável a progressiva diminuição do número de pessoas que preferem refugiar-se no sossegado conforto da irracionalidade da fé a queimar os seus neurónios a pensar racionalmente. Ao falar nisto era obviamente inevitável não deixar aqui o célebre lugar-comum: sim, «as sondagens valem o que valem!». Mas «valendo o que valem» todas as sondagens, seria bom que as pessoas meditassem nalguns números. É que nos países que temos por mais civilizacionalmente evoluídos e com um nível de vida sem qualquer possibilidade de comparação mesmo com os restantes países ocidentais, como sejam a Suécia, a Noruega ou a Dinamarca, a percentagem de pessoas que se afirmam ateias ascende a cerca de 80%. Na Europa continental, não é decerto por acaso que os países com níveis de desenvolvimento normalmente mais baixos – Portugal e a Espanha – sejam precisamente aqueles com mais influência histórica da Igreja Católica. Mesmo nos Estados Unidos da América, um fértil viveiro para fanáticos evangelistas, onde ainda perto de 80% das pessoas se afirmam teístas e onde metade destas acreditam piamente que Deus criou o mundo em 6 dias e para aí há coisa de 6 mil anos (e que pensam que os fósseis só existem porque Deus os 92

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espalhou pela Terra «para testar a nossa fé»), o que é facto é que a percentagem de ateus nos membros da Academia das Ciências Americana ascende a cerca de… 95%! São boas as notícias que demonstram que, mesmo que ainda pouco a pouco, vamos no bom caminho. E que provam claramente que neste mundo, onde as religiões são sempre sinónimo de ódio, de intolerância, de homofobia e de discriminação, é cada vez maior o número de pessoas que se libertam das grilhetas do primitivismo teológico que herdaram do nosso antepassado Neandertal. Dia Mundial da Religião No dia 21 de janeiro é comemorado o dia mundial da religião. A criação da data foi com o objetivo de promover a união de todas as religiões existentes no mundo, levando mais fé e esperança ao povo. A ideia entrou em vigor a partir de 1949, através da Assembleia Espiritual Nacional. A palavra religião vem do latim “religio,onis” e seu significado define-a como o conjunto de determinadas crenças e dogmas que levam o homem ao sagrado, onde cada uma apresenta suas práticas e ritos próprios, envolvendo ainda formas de comportamento e de cumprimento dos preceitos morais. O berço das religiões foi o Oriente Médio e a Ásia, onde nasceram as religiões monoteístas, que pregam a crença em um só Deus - como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Porém, aquilo que deveria servir de ligação e harmonia entre os homens, também se tornou grande fonte de conflitos, por abranger opiniões e concepções divergentes em relação à divindade, que aparecem envolvendo princípios éticos, filosóficos e metafísicos. Um exemplo disso foram as cruzadas, guerra entre cristãos e muçulmanos, que aconteceram entre os séculos VI e VIII, com o objetivo de impor o cristianismo no território onde se localizam Israel, Gaza e Cisjordânia, na época considerados Terra Santa. Dentre as principais religiões do mundo temos: - o Hinduísmo: surgiu na Índia em 1500 a.C e seu livro sagrado é o Vedas. É uma religião que apresenta vários deuses, mas os principais deles, que formam a sagrada trindade, são: Brahma – deus da criação, Vishnu – deus da preservação e Shiva – deus da destruição e da recriação. - o Budismo: também da Índia, surgiu em 600 a.C, a doutrina é fundamentada nos preceitos do príncipe Sidarta Gautama, o Buda. - o Judaísmo: advindo da Palestina (Israel), em meados do século XVII a.C. o livro sagrado é a Tanach, que contém os mandamentos do judaísmo, onde creem ser descendentes de Abraão. - o Islamismo, da Arábia Saudita, tem como livro sagrado o Corão, baseado na doutrina de Maomé, enviado de Allah para ditar os mandamentos. Para os muçulmanos, “Abraão, Moisés e Jesus foram profetas e receberam mensagens divinas” e não haverá outros profetas. - o Cristianismo se originou na região da atual Israel, antiga Palestina, no século I. Seu livro sagrado é a bíblia, dividida em velho e novo testamento, que apresenta a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo. - o Catolicismo surgiu no Oriente Médio onde fica o Vaticano, no século I e seu líder 93

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é o Papa. O livro sagrado dos católicos também é a bíblia, tendo como crença a Santíssima Trindade, através da relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A crença também é atribuída à santidade de Maria, mãe de Jesus e a todos os santos. O Brasil é o maior país católico do mundo, com quase cento e vinte e cinco milhões de fiéis, que traduzem 74% da população do país. Porém, com o surgimento das igrejas evangélicas ou neopentecostais, a diversidade das religiões tem aumentado, o Brasil é um país altamente religioso, abrangendo 95% da população. Além disso, o aumento das pessoas que não seguem religião alguma também tem crescido consideravelmente. No Brasil, as outras religiões somam apenas 5% da população, divididos entre espíritas, cultos afro-brasileiros, judeus e seguidores das doutrinas orientais. Por Jussara de Barros Graduada em Pedagogia Equipe Brasil Escola

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Domingo, 22 de Março de 2009 Mapa das religiões Um belo mapa das religiões do mundo. É sempre bom ter uma idéia de como as religiões se distribuem ao redor do mundo.

Postado por Maurilo & Vivian 94


Mapa das religiões nos EUA Posted on July 12, 2007

Por porcentagem da população que faz parte de alguma religião nos condados. Partes mais claras, menos religiosos, parte mais escuras, maior proporção deles. O mapa pode ser um tanto quando enganador, já que é baseado em estatísticas fornecidas pelas igrejas (Muitos participam de mega-igrejas, aonde esse cálculo é mais incerto), e não significa necessariamente de jeito nenhum grandes proporções de ateus. Conclusões curiosas:  Clark County, em Nevada, aonde se localiza Las Vegas, talvez a cidade mais pecaminosa dos EUA(Aonde não só o jogo, mas a prostituição é liberada) tem uma boa quantidade de religiosos.  O grande foco de religiosos não seria no sul, mas no Centro-Oeste, na linha que inclui Texas, Oklahoma, Missouri, Iowa, Dakota do Sul, Dakota do Norte. A parte costeira do Sul não é muito religiosa: a Flórida não tem muitas partes escuras, enquanto na região eles se concentram no Mississipi, Alabama, Tennessee, Kentucky e Arkansas, talvez alguns dos estados mais amigáveis aos democratas no Sul.  A Virgínia de Jerry Falwell é bem mais clara que se poderia imaginar.  O estado com partes mais claras é o Oregon, mais que a Califórnia, incluindo as cercanias de San Francisco. Provavelmente resultado da imigração hispânica na Califórnia.  O mapa também não segue linhas estritamente políticas. Illinois, por exemplo, tem cores bastante escuras. Em Ohio, a relação é inversa do que ocorreu nas últimas eleições, aonde democratas tiveram pior desempenho no sul, justamente a parte mais clara. Wisconsin e Minnesota, que votam nos democratas 95

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para presidente desde de 1992, tem áreas MUITO escuras. Sim, Minnesota de Walter Mondale(O ultra-liberal vice de Carter e candidato derrotado em 1984), Warren Burger(O Presidente da Suprema Corte quando esta liberou o aborto) e Hubert Humphrey, o liberal vice de Lyndon Johnson e candidato derrotado em 1968.  A Pensilvânia é bastante religiosa, o que inclui aí Pittsburgh e a Filadélfia, os dois grandes centros urbanos do Estado(Notem que os democratas ganham nesse estado por causa das cercanias dessas duas cidades). Nova York, de orientação bastante liberal, também não fica atrás. Mapa roubado do TimesOnline. Mapa da Religiosidade Fevereiro 15, 2009 · 2 Comentários Cheguei hoje ao blog do Coió Online, com todo respeito li seus posts sobre o cristianismo e senti muito temor por ele, mas quem sou eu para criticar o livre arbítrio. Dois posts me chocara, um sobre um trecho bíblico de Ezequiel e outro que ele denominou como o Kama Sutra da Universal. Acho que a tolerância religiosa e o respeito tinha que ser o primeiro pensamento das pessoas quando publicam algo sobre igrejas, pessoas religiosas… Mas nem somente de desrespeito vive o Coió. Amei um post que ele colocou sobre o Mapa Mundi da Religiosidade. Depois que o li, passei até a seguí-lo no twitter. Segue o Mapa e a tabela da religiosidade by Gallup.com:

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Mapa da Religiosidade no mundo O que talvez viesse a surpreender a todos é que sou contra a religiosidade pois eu não sigo o que prega uma religião e sim o que prega o meu único salvador Jesus Cristo. As religiões, todas elas, possuem falhas pois foram criadas pelo homem, o único que não possuiu falhas e vive até hoje é Jesus. Ele é “o único caminho a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por Ele”. Mas voltemos ao mapa… Me surpreende ver que tanto o Brasil quanto os Eua não fazem parte dos países que mais consideram a religião como importante em sua vida. Será que muitos são aqueles que pensam como eu ou tem aumentado o número de cristãos; sejam eles católicos, protestantes ou de qualquer denominação, desde que creiam em Cristo como Senhor e Salvador de sua vida; que não consideram mais estar no seio de uma igreja como importante? Ou será que as pessoas tem deixado Deus em segundo plano? 96


Segue a lista dos 11 mais e menos religiosos:

Sinceramente, sabe o que me faz lembrar quando vejo essas duas tabelas? O trecho que diz que a sabedoria de Deus é loucura aos homens. Na coluna dos menos religiosos tempos países com grandes índices de instrução como França, Dinamarca, República Tcheca, Japão… Enquanto nos onze mais religiosos figuram países com alto indíce de pobreza e sofrimento. Quanto mais sofremos mais nos apegamos a Deus? Será que não podemos nos apegar e ter intimidade com Ele, na alegria, prosperidade e felicidade? Fica aqui meu questionamento. Amanhã questionarei o fórum sobre Religião do Portal da Curiosidades. Que Deus nos abençõe rica e abundantemente!

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A Falência da Fécomércio Ltda.  

a fé prostituda expulsa do templo

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