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Observatório

Europa visita Marte

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em outubro. Nesse momento, começarão a funcionar os dois engenhos que compõem a missão: o orbitador Trace Gas Orbiter (TGO) e o módulo de aterragem Schiaparelli, assim batizado em honra do astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli, grande observador marciano do século XIX. O TGO ficará instalado numa órbita a 400 quilómetros acima da superfície e realizará uma análise pormenorizada da atmosfera, em busca de gases

que possam ter origem biológica, como o metano. O orbitador estudará também possíveis locais para fazer pousar o rover que a ESA lançará em 2018, e que será a segunda parte da missão ExoMars. Pelo seu lado, o módulo Schiaparelli (na imagem, a separar-se do TGO) testará as tecnologias concebidas para que o veículo pouse sem problemas, como o radar de altimetria e o sistema de travagem aerodinâmica.

Outro monstro

O

centro da nossa galáxia está ocupado por um gigantesco buraco negro, quatro milhões de vezes mais massivo do que o Sol, conhecido como Sagitário A*. Agora, uma equipa de investigadores coordenada pelo astrofísico Tomoharu Oka, da Universidade de Keiō (Japão), assegura ter dado com o rasto de outro destes objetos, que, na sua opinião, seria, além disso, o segundo maior da Via Láctea. A confirmar-se a sua existência, este buraco negro teria uma massa equivalente à de cem mil sóis, isto é, encontrar-se-ia entre os supermassivos, como o Sagitário A*, que ocupam o centro das galáxias, e os estelares, que se formam após o colapso de uma estrela de massa trinta vezes superior à solar. Para encontrar o objeto ainda sem nome, os cientistas utilizaram os radiotelescópios Nobeyama, no Japão, e ASTE, no Chile, e observaram a invulgar velocidade de dispersão de uma nuvem de gás próximo do centro da galáxia, que sugere que uma imensa força gravitacional, como a gerada por um buraco negro, estará a acelerar as suas moléculas.

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SUPER

Uma nuvem de gás situada a 200 anos-luz do núcleo da galáxia poderá ocultar um novo tipo de buraco negro de massa intermédia, o segundo maior da Via Láctea.

TOMOHARU OKA / KEIO UNIVERSITY

ESA

e tudo correr como previsto, a ESA enviará para marte, em meados de março, a primeira das duas sondas que integram a missão ExoMars, desenvolvida em colaboração com a agência espacial russa (FKA). Devido à posição relativa privilegiada que ocupam este ano a Terra e o planeta vermelho, a viagem durará apenas sete meses, pelo que a nave deverá alcançar o nosso vizinho planetário

Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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