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Novos papéis. O cliché do homem poderoso rodeado de beldades já não tem muito a ver com a realidade das novas gerações.

de um semestre. Inicialmente, as opiniões dos alunos coincidiam bastante sobre quais eram mais atraentes e quais poderiam revelar-se desejáveis como parceiros amorosos ou como bons colegas. Contudo, no fim do semestre, as primeiras impressões de muitos dos estudantes tinham-se modificado. A razão foi que os participantes se foram conhecendo melhor e, à medida que o faziam, iam alterando as suas ideias sobre o poder de atração dos colegas. O trabalho demonstra que as perceções podem mudar radicalmente quando iniciamos uma relação e nos abrimos com outra pessoa.

MULHERES DIFÍCEIS

mortais só consegue alcançar em sonhos. Contudo, as mulheres com uma cintura mais larga poderão beneficiar de certas vantagens face às de proporções mais estilizadas. É o que se deduz de um estudo realizado pela antropóloga Elizabeth Cashdan, da Universidade do Utah. Segundo os resultados obtidos, essas mulheres robustas possuem níveis mais elevados de testosterona e cortisol, o que poderá favorecê-las quando competem com as de cintura de vespa em situações de necessidade e poucos recursos. Curiosamente, uma análise às alterações sócio-económicas entre os anos 1960 e 2000 indicava que as modelos escolhidas pela revista Playboy tinham medidas mais volumosas durante os anos de recessão. Por outro lado, Urszula Marcinkowska, bióloga evolucionista da Universidade Jaguelónica de Cracóvia (Polónia), defende que as mulheres com características mais femininas são consideradas menos dominantes e, por conseguinte, menos capazes de competir numa situação de escassos recursos vitais. É a conclusão que se extrai do seu estudo, desenvolvido em 28 países, sobre as preferências dos homens por mulheres com aspeto mais ou menos feminino. Nas zonas menos desenvolvidas, onde a prioridade é a simples sobrevivência, os homens tinham tendência para escolher companheiras com características físicas um pouco mais másculas.

SEXO OCASIONAL

O género com maior tendência para manter relações sexuais sem compromisso tem sido o masculino, em grande parte por razões sociais, pois era muito mais arriscado para uma mulher fazê-lo. Todavia, elas gozam cada vez mais de independência económica e são donas do pró-

prio corpo. Essa reviravolta rumo à igualdade faz muitas mulheres entregarem-se sem problemas ao sexo ocasional ou fortuito. No entanto, há estudos a defender que o homem é mais promíscuo por natureza. Segundo um trabalho desenvolvido pela investigadora Lisa DeBruine em 2014, a familiaridade pode revelar-se atraente para as mulheres, e os homens desejam mais parceiras sexuais do que elas, o que é um indício do seu gosto pela novidade. Na experiência, mostrou-se aos participantes (83 mulheres e 63 homens), por duas vezes, os rostos das mesmas pessoas. Em ambas as ocasiões, pediam-lhes para avaliarem o seu poder de atração. Na segunda vez, as opiniões masculinas sobre a atração das mulheres sofreram uma significativa descida, o que demonstra o seu interesse pelo que é novo. Por sua vez, elas mostraram maior preferência pelas caras já conhecidas. Porém, tal tendência tem uma compensação: alguns psicólogos afirmam que calculamos, durante a adolescência, o nosso valor como possíveis parceiros, e é nessa altura que muitos homens se apercebem de que a promiscuidade não é uma opção tão desejável como se poderia pensar. Isso, aliado ao facto de que as mulheres são cada vez mais seletivas nas suas escolhas, e que as incertas circunstâncias laborais levam a partilhar a vida com alguém, fez a promiscuidade deixar de ser tão interessante como era há algum tempo.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Em 2014, Paul W. Eastwick e Lucy L. Hunt, da Universidade do Texas em Austin, estudaram a forma como 129 estudantes daquela instituição viam os seus colegas do sexo oposto. Para isso, ouviram as suas opiniões no início e no final

Entre as mulheres, é opinião generalizada de que não se pode facilitar demasiado a vida aos homens se se pretender que continuem interessados. Tal técnica pode funcionar em histórias que se sabe de antemão serem passageiras, mas não parece a melhor opção quando se pretende uma relação estável, pois pode criar desconfiança e até mal-estar mesmo antes de se iniciar a relação. Segundo um trabalho com 129 casais desenvolvido por Mónica Guzmán e Paula Contreras, da Escola de Psicologia da Universidade Católica do Norte, no Chile, as pessoas estáveis nos seus afetos e comportamentos proporcionam aos seus parceiros níveis mais elevados de satisfação. Significativamente, esses indivíduos eram os que tinham tido uma boa relação com os pais durante a infância. Do mesmo modo, um estudo com 133 casais heterossexuais dirigido por José L. Martínez-Álvarez, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Salamanca (Espanha), mostra que o vínculo afetivo e a qualidade da relação com os progenitores exerce um efeito decisivo sobre a futura personalidade dos filhos.

COMPROMISSO FIRME

Um estudo recente dos psicólogos Anthony Little, Lisa DeBruine e Benedict Jones mostra que as mulheres tendem a procurar companheiros mais dispostos a ter filhos e a criar laços familiares. Porém, isso é contestado por alguns especialistas. O desejo feminino de compromisso depende de muitos fatores, incluindo a religião e a situação económica do país em que se vive. O psicólogo Michael Price e a sua equipa da Universidade Brunel (Londres) descobriram uma relação, em ambos os sexos, entre a independência económica e a aceitação da promiscuidade. Os investigadores afirmam que a redução das diferenças e a emancipação da mulher tornam mais igualitários os comportamentos. Esse facto ajuda a explicar que as atuais britânicas tenham, em média, oito parceiros sexuais ao longo da vida, quase o dobro do que acontecia há apenas uma geração. R.G.

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Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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