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ENIGMAS DA CIÊNCIA: VIDA Momento de paz. Este poderia ser o cenário em que se começou a cozinhar a vida terrestre, há uns 4000 milhões de anos. Nessa altura, o bombardeamento de meteoritos acalmou e as crateras dos vulcões e dos impactos encheram-se de água.

O

s fósseis dos organismos vivos mais antigos que se conhecem foram encontrados no noroeste da Austrália e têm 3400 milhões de anos. Embora cientistas como o paleobiólogo Martin Brasier, recentemente falecido, tenham sugerido que tais estruturas poderiam ter sido formadas por simples processos físicos, é convicção generalizada que são obra de cianobactérias, um tipo de micróbios fotossin-

téticos que aproveitam a energia do Sol para obter hidrogénio da água, libertando oxigénio na atmosfera. Essa atividade metabólica teria transformado o nosso planeta. Como explica o bioquímico Nick Lane, do University College London, “o tipo de química que é necessária para dar origem à vida requer a ausência de oxigénio”, algo que caracterizou a atmosfera terrestre até ao aparecimento dos primeiros micróbios. Desde então, a possibili-

dade de outro ser orgânico poder emergir de um meio abiótico, inerte, ficou reduzida a zero. Todos os seres vivos que existem utilizam o mesmo alfabeto genético, baseado em apenas quatro “letras”: adenina (A), timina (T), guanina (G) e citosina (C). Esse livro de instruções não só consegue codificar a informação e determinar o metabolismo da célula como, também, transmitir essa informação à descendência. Repete sempre o mesmo trajeto: Interessante

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Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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