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Documento Para Pavel Kroupa, o campo de investigação da cosmologia está desvirtuado e é anticientífico.

Observações combinadas dos telescópios Hubble e Spitzer permitiram identificar Tanya, a galáxia mais antiga e distante que conhecemos. Formou-se apenas 400 milhões de anos após o Big Bang.

Matéria escura? Não existe...

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astrofísico Pavel Kroupa, nascido em 1963, de origem checa e nacionalidade australiana, dirige o grupo de investigação de Populações e Dinâmica Estelar da Universidade de Bona (Alemanha). Quando começou a estudar o problema da matéria escura, há cinco anos, apercebeu-se de que ela talvez nem sequer existisse. Que observações excluiriam a hipótese da matéria escura? Entre 90 e 95 por cento das galáxias têm forma de disco. Quando se calcula a velocidade do gás e das estrelas que se encontram longe dos centros galácticos, obtém-se sempre, basicamente, o mesmo valor, algo inexplicável pela teoria em voga. Em contrapartida, se aplicarmos a hipótese da dinâmica newtoniana modificada (MOND), uma lei alternativa de gravitação, a trajetória de rotação encaixa. Outro dos principais problemas reside no alinhamento das galáxias-satélite, ou anãs, em redor de grandes estruturas galácticas. Segundo a tese do halo de matéria escura, elas deviam estar distribuídas esfericamente, em todas as direções. Porém, as observações da Via Láctea e de Andrómeda não o corroboram. Contudo, talvez o argumento mais importante seja o proporcionado pela fricção dinâmica. Imaginemos uma ga-

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láxia como a Via Láctea, com um raio de 30 a 45 mil anos-luz de estrelas e gás. Segundo o modelo aceite, estaria rodeada por um enorme halo de matéria escura, de 450 mil anos-luz. Se uma galáxia anã, com o seu próprio halo, atravessar o círculo da maior, as suas partículas de matéria escura deslocar-se-iam, retirando-lhe energia. Não é isso que observamos. Quando comecei a estudar o assunto, apercebi-me de que a MOND oferece uma explicação satisfatória. A matéria escura, simplesmente, não existe. Nesse caso, porque é que a grande maioria dos cientistas rejeita essa solução? A priori, eu não estava a favor da matéria escura ou da teoria MOND. Não estava a favor nem contra. Em contrapartida, grande parte dos especialistas reagiu contra a MOND de maneira totalmente anticientífica: não só se negam a percebê-la como a rejeitam por completo. Isso demonstra que o campo da investigação cosmológica está desvirtuado, com cientistas que só trabalham para impor as suas opiniões, sem ligar aos factos. Por exemplo, é habitual a afirmação de que o Cúmulo Bala ou 1E 0657-56 (formado por dois cúmulos galácticos em colisão) prova a existência da matéria escura, quando se trata de uma dedução totalmente falsa.

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s cientistas sabem o que aconteceu no universo desde que este tinha apenas 10–35 segundos de idade. Nessa altura, a temperatura atingia os 1028 graus: era como se alguém tivesse tido a brilhante ideia de instalar uma sauna no inferno. Nessas condições, os fotões (transmissores da radiação eletromagnética) podiam transformar-se noutro tipo de partículas muito massivas, numa correlação entre energia e massa que é descrita na célebre equação de Einstein: E=mc2. Porém, mal nasciam, colidiam entre si e convertiam-se em fotões. Depois, a temperatura desceu a pique, o que permitiu que os quarks entrassem em cena. Caracterizados por se juntarem em trios, trata-se das partículas que formam dois velhos conhecidos: os protões e os neutrões. A realidade edificou-se sobre ambos. Transcorrera apenas um segundo na vida do universo. Nesse período de tempo, surgiram e caíram impérios. Enormes quantidades de partículas pereceram mais depressa do que os protagonistas de Guerra dos Tronos. Ninguém podia imaginar que, precisamente nesse momento, se produzisse uma encarniçada batalha: os eletrões, com carga negativa, colidiam com os seus gémeos de carga positiva, os positrões. Após o impacto, ambos desapareciam, emitindo um fotão. Porém, como

Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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