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Rápido e fiável: mostramos-lhe como se efetua uma compra, desde o gesto de tirar o telefone do bolso até ao momento em que o banco lança a despesa na nossa conta.

JOSÉ ANTONIO PEÑAS

Uma transação, passo a passo

BANCO

Transac. cod.

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Ao aproximar o telefone do terminal (o mesmo que se usa agora), abre-se a aplicação de carteira virtual, com a verba a pagar e os diferentes cartões de débito e de crédito disponíveis.

Selecionado o cartão com que se pretende pagar a conta, o telemóvel pede a confirmação da identidade. Alguns sistemas exigem impressão digital, noutros pode usar-se um PIN.

Verificada a identidade, o telefone envia um código único de transação, em vez do número do cartão ou outros dados pessoais, o que aumenta a segurança da operação.

OK

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O banco recebe o código da transação e gere-o como se se tratasse de um pagamento convencional. Alguns serviços incluem programas de desconto ou de fidelização.

O êxito dos sistemas dependerá de a experiência ser agradável tadas. O apoio das companhias Apple, Samsung e Google, que criaram plataformas exclusivas junto de grandes entidades financeiras e emissoras de cartões de crédito, poderá representar o reconhecimento definitivo do processo. O seu funcionamento é muito simples. O empregado regista a compra normalmente. Para pagarmos, aproximamos o telemóvel do terminal de pagamento. Abre-se automaticamente uma aplicação, a carteira digital, que permite escolher o cartão bancário. Feita a escolha, a operação é confirmada através da impressão digital ou introduzindo um código pessoal. O telemóvel envia o código necessário para a transação e o terminal transmite sinal ao banco para efetuar a transferência ou o débito no cartão de crédito.

AUMENTO DA SEGURANÇA

Além da comodidade de não ter de remexer a carteira à procura do dito cartão, este processo oferece uma vantagem importante relativamente às formas tradicionais de pagamento: o nosso dispositivo guarda uma réplica codificada do cartão de crédito ou débito, mas não os seus dados concretos: há apenas um número válido para cada pagamento. Trata-se de um pormenor fundamental, pois evita o risco de poderem intercetar ou duplicar o número do nosso cartão, ou o perigo de alguém com más intenções poder usar um leitor próximo para enganar o telemóvel. Hoje, por cada cem euros gastos com dinheiro de plástico,

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os bancos perdem quase cinco cêntimos em fraudes, número que acaba por se repercutir na nossa carteira, através das comissões cobradas pelo uso dos terminais. Uma espécie de carteira digital permite o acesso aos cartões armazenados no telemóvel. Ali, há espaço para muito mais do que as clássicas modalidades de pagamento por crédito ou débito: alguns sistemas são compatíveis com cartões de fidelização ou de oferta. A vantagem é que não é preciso selecioná-los por separado, pois os pontos acumulados, por exemplo, são acrescentados de forma automática à conta do utilizador.

A DUAS VELOCIDADES

Como afirmou, um dia, o norte-americano William Gibson, o futuro já chegou, só que não se encontra equitativamente distribuído. Este tipo de soluções, que ainda nos podem parecer algo de remoto, já funcionam diariamente no Japão e começam a acelerar nos Estados Unidos, onde as transações movimentaram mais de 3500 milhões de dólares. A Europa vai mais devagar, embora surjam novas iniciativas. O Apple Pay, o serviço da companhia da maçã, foi lançado no Reino Unido. Os utilizadores podem usar o seu iPhone não só para compras em lojas como para pagar os transportes públicos em Londres. A Visa confirmou que os seus cartões europeus serão também suportados pelo formato da Google, o Android Pay, que deverá chegar este ano. No que se refere a Portugal, há vários siste-

mas para efetuar pagamentos com telemóvel, nomeadamente o MB Way, o sistema da Seqr e o Meo Wallet, da PT. Por outro lado, verifica-se um crescente interesse por estas opções após a chegada dos cartões sem contacto: um cartão de débito ou crédito normal mas que inclui um chip de comunicação sem fios (NFC); quando se aproxima de um terminal que suporte esta tecnologia, a transação é automaticamente validada. O mesmo poderá ser feito através do telemóvel. Nos países onde estes serviços já são uma realidade, a reação do público tem sido boa, embora nem sempre estejam isentos de problemas. A Apple, por exemplo, conseguiu que quase 11% dos agregados norte-americanos

Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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