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Mãe extremosa. O fóssil Big Mama, encontrado em Ukhaa Tolgod (Mongólia) é de uma fêmea de dinossauro que morreu a chocar os ovos.

A mãe dinossauro Big Mama morreu a proteger o seu ninho fósseis muito bem preservados começavam a estabelecer esse parentesco com crescente força. Duas gotas acabaram por fazer trasbordar o copo: as impressões de penas e os ins­tan­tâ­neos de comportamentos típicos das aves. O fóssil batizado com o nome de Big Mama causou sensação. Trata-se de uma mamã dinossauro, encontrada na Mongólia, que morreu ipso facto, sepultada por uma duna, enquanto estava sentada num ninho sobre mais de vinte ovos. Dotada de um bico e de uma crista, tratava-se de uma versão maior (cerca de 3 metros de comprimento) do conhecido Oviraptor. O seu nome científico é Citipati osmolskae. De acordo com uma lenda, os citipatis foram dois monges tibetanos decapitados por um ladrão enquanto se encontravam em pleno transe da meditação. A Big Mama não tem a cabeça e parte do esqueleto, mas o que resta é inconfundível: grandes patas com três garras curvas estendem-se dos dois lados do corpo para proteger os ovos. Sabemos, hoje, que esses braços estavam, muito provavelmente, revestidos de penas, como acontece com as asas dos seus parentes próximos, as aves.

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PEGADAS INQUIETANTES

As pegadas fósseis têm grande interesse científico, nomeadamente se forem descobertas misturadas as de carnívoros com as de herbívoros. Em 1938, Roland Bird, do Museu Norte-Americano de História Natural, descobriu perto do rio Paluxy, no Texas, o que parecia ser uma cena de caça: pegadas de uma manada de saurópodes (herbívoros de pescoço comprido), presumivelmente perseguidos por um Acrocanthosaurus, terópode predador que parece correr junto de uma das presas e, a certa altura, saltar para abatê-la. Recentemente, porém, James Farlow, paleontólogo da Universidade Purdue (Estados Unidos), voltou a analisar o caso e crê que as pegadas mostram que os dinossauros estavam em movimento, mas não se pode afirmar que corriam nem que o caçador tivesse lançado um ataque. É possível que perseguisse os herbívoros, mas não podemos sabê-lo, segundo Farlow. Outro tipo de pegadas que intrigam os paleontólogos são as que refletem os saltos da evolução. Descendemos do macaco mas também (e muito antes) do peixe. A trans-

formação de barbatanas em patas produziu-se através das fascinantes transformações sofridas por alguns peixes carnívoros. Os especialistas estudam o processo com recurso a fósseis de transição, como o Panderichthys, que viveu há 380 milhões de anos, e o Tiktaalik (375 M.a.). Esses seres tinham barbatanas. Porém, em 2010, foi descoberto um fóssil revolucionário: antiquíssimos vestígios com 295 M.a. encontrados numa pedreira do sueste da Polónia. Trata-se das pegadas de vários animais com cerca de dois metros de comprimento. Não há barbatanas a arrastar-se, mas marcas de patas em que até se consegue distinguir os dedos. Provam que os primeiros vertebrados quadrúpedes (tetrápodes) começaram a caminhar fora de água quase 20 M.a. antes do que se pensava e que o fizeram, talvez, saindo do mar e aproveitando a maré baixa para se aventurar na praia e devorar animais moribundos ou cadáveres.

ORGIA DE TRILOBITES

As trilobites figuram entre os grandes líderes do registo fóssil e da história da evolução. Já foram descritas mais de 20 mil espécies e extraídos milhões de exemplares de numerosas jazidas nos cinco continentes (Portugal é particularmente rico). A classe Trilobita abrange o grupo mais diversificado de animais extintos,

Super Interessante Portugal N.215, marco 2016  
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