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Foto: Marina Camargo

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Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Municipal de São Caetano do Sul -DQHLUR de 201 - Ano  - Nº 31

Olhar diferente

Foto: Daniel Tossato

Combate à dengue é foco no ABC

Índices de casos da doença diminuiram na região, mas especialistas reforçam que a conscientização é o melhor caminho para prevenção Página 4

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Cidades

Política

Vivendo em duas rodas: V WLZVKHKLÄJPvUJPH Foto: Joca Oliveira

Repórter acompanha rotina de cadeirante e retrata obstáculos de um mundo não adaptado a todos Página 5 Foto: Louyse Denis

Esportes

Foto: Marina Camargo

Acreditando no voto, idosos vão às urnas

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Quando correr vai além da obrigação Foto: Bruno Cruz

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Cultura Página 3

Economia

Final de ano: boa época para quitar dívidas Ed_31_pg_1.indd 1

Escola de Teatro de Santo André busca novos talentos na região

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Universidade Municipal de

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Ano  - NÂş 31

SĂŁo Caetano do Sul - USCS

Olhar diferente

Como antecipado na última edição, agora o Olhar Social estå de cara nova. Repaginado, dinâmico e em forma de tablóide, o jornal conta mudanças gråficas que agregam mais facilidade ao leitor. Abordando assuntos importantes do ABC, a turma do 5º semestre de jornalismo que edita o jornal, buscaram matÊrias que abordam todas as classes sociais, alÊm de privilegiar a boa informação e textos que farão com que o leitor reflita, como Ê o caso da crônica de Rafael Revadam, que cita uma senhora solitåria aguardando o transporte coletivo em algum ponto da nossa região. Na årea da cultura, Louyse Denis conta as experiências de alunos e professores que freqßentam a Escola de Teatro. A matÊria cita tambÊm cursos, carreira e depoimentos de pessoas ligadas å atividade como RogÊrio Toscano, que fala sobre a importância de alunos e professores na atividade. Partindo para a política, jå que 2012 foi um ano de eleiçþes municipais, Daniel Tossato mostra histórias, depoimentos e a importância de personagens que, apesar de idosos e não precisarem, ainda exercem o direito de votar. Nas demais editorias, o novo modelo do Olhar Social tambÊm mostra assuntos importantes do nosso cotidiano, e conta com entrevistas e participação de especialistas em diversas åreas como por exemplo, na årea de economia onde Francisco Funcia deu opiniþes quanto ao futuro do segmento. Cidades e Esporte seguem no mesmo caminho. Com fåcil leitura e informaçþes detalhadas, a nova versão do Olhar Social chega para dar informaçþes e formar novas opiniþes.

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Fotografia: Marina Camargo

Editorial

Rapidinhas Thiago Lima

Ă reas de risco

Estão sobre monitoria do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) todos os municípios do ABC Paulista que possuem o mapeamento de riscos de deslizamentos, alagamentos e enxurradas. A prioridade do órgão Ê fornecer informaçþes sobre escorregamento de encostas, enxurradas e inundaçþes, alÊm de fornecer tambÊm informaçþes quanto a intensidade das chuvas e o nível dos rios e córregos.

Exemplo no trânsito

Ela espera a vida Rafael Revadam

Naquela noite de quinta-feira a mulher aguardava o fim de seu dia. Com o cansaço exposto em seu corpo e com a ajuda do ponto de ônibus a lhe suportar, ela esperava o trajeto final de sua rotina. O movimento daquela avenida era o mesmo de todos os dias. Um passar de carros apressados e pessoas exaustas construía junto com ela uma paisagem urbana, um retrato qualquer, contínuo e imperceptível a todos os envolvidos. Talvez seus pensamentos estivessem longe dali. Talvez sua mente desejasse uma boa refeição ou o conforto de seu lar. A roupa a ser usada no dia seguinte, a vizinha fofoqueira e as novidades da semana ou as armaçþes da vilã da novela das nove. Quem sabe? A mente viaja mesmo com o corpo em chão. E enquanto divagava entre o pensar e o aguardar de uma chegada, a mulher não percebia que estava vivendo uma metåfora. A metåfora do ônibus, da rotina, da vida. Tudo Ê caminho, algo que Ê predestinado. Às vezes sabemos a trilha a seguir, outras vezes somos pegos de surpresa. Às vezes se passa do ponto, outras se para no lugar. E enquanto o caminho Ê percorrido, pessoas entram e saem constantemente. Pessoas que ficam para sempre, pessoas que saem sem jamais voltar. Neste percurso podemos escolher se sentamos em nossa exclusão ou se permaneceremos em pÊ perante a multidão. Optamos pelas trilhas sonoras, pelas paradas, pelos avanços. A vida Ê como um ônibus. É o ato de parar, de construir um ciclo, um dia a dia. Cada horårio marcado, cada destino traçado. Ela espera a vida e a vida hå de continuar.

Jornal-laboratĂłrio do Curso de Jornalismo da Universidade Municipal de SĂŁo Caetano do Sul Novembro de 2012 - Ano 3 - NÂş 31

Com o intuito de orientar a população, a prefeitura de Santo AndrÊ, por meio do seu Departamento de Trânsito, estå instruindo adultos, jovens e crianças a fim de ensinar pråticas prudentes para o trânsito. As atividades são praticadas em uma mini cidade, que conta com elementos como faixas de travessia, semåforos, ciclovia e ponto de ônibus, alÊm de contar tambÊm com monitores capacitados para orientação.

Municipalização

Hå dois anos os clubes de São Caetano do Sul são administrados pela prefeitura. Os 14 clubes da cidade eram administrados em regime de comodato, ou seja, eram devolvidos å Prefeitura com um tempo prÊ determinado. Em 2010, com a aprovação da Câmara dos Vereadores, foi aprovada a lei que deu a administração municipal o direito de controle de gestão. Agora os clubes receberam sigla CER (Clube Esportivo e Recreativo).

Esporte ComunitĂĄrio

Com mais de 20 mil moradores sendo atendidos, o PEC (Programa Esportivo ComunitĂĄrio), promove atividades para o pĂşblico com variadas idades. Atividades como ginĂĄstica artĂ­stica, vĂ´lei, futebol, entre outras, sĂŁo praticadas pelo pĂşblico em geral, e divididas em mĂłdulos separando os freqĂźentadores por idade e atividade. O PEC possui vĂĄrias escolinhas distribuĂ­das pela cidade, e a prĂĄtica ĂŠ gratuita em qualquer unidade.

Enquanto isso, nos bastidores... Ilustração: Beatriz Paz

Universidade Municipal de SĂŁo Caetano do Sul - USCS !"#$%&'(Prof. Dr. Silvio Augusto Minciotti )&*+!"#$%&(,-.#/#0$&1$#2%("(3#/1/4"#&%' Prof. Ms. Marcos Sidnei Bassi; )&*+!"#$%&(-"(5&1-6178%' Prof. Ms. JosĂŠ TurĂ­bio de Oliveira; PrĂł-Reitor de ExtensĂŁo: Prof. Ms. Joaquim Celso Freire Silva; )&*+!"#$%&(-"()*0+5&1-6178%("()"096#01' Prof. Dr. Eduardo de Camargo Oliva; )&*+!"#$%&(-"(:-64178%(1(;#0$</4#1' Prof. Dr. Denis Donaire. ;#&"$%&#1(-"(=&"1(-"(>%.6/#4178%' Profa. Ms. Ana Claudia Govatto 5"0$%&(-%(>6&0%(-"(?%&/1@#0.%' Prof. Ms. FlĂĄvio Falciano Jornal Olhar Social :-#$%&1' Profa. Eloiza de Oliveira Frederico (Mtb 32.144) 3ODQHMDPHQWR*UĂ&#x20AC;Ă°FR Prof. Ms. Paulo Alves de Lima 3%$%A%&/1@#0.%' Profa. Mariana Meloni :96#B"(-"(C"4D1."/$%(-"0$1("-#78%' Daniel Tossato, Joca Oliveira, Rafael Revadam e Thiago Lima E%F%$#B%' Criação da AG - AgĂŞncia Experimental de Publicidade da USCS >%/$1$%' ajo@uscs.edu.br - Fone: 4239-3212 G.B&"008%'/40UKÂ&#x201A;Z[YPH.YmĂ&#x201E;JHL,KP[VYH-VUL! H#&1F".'L_LTWSHYLZ

  

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Economia

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Brasileiros devem quitar dívidas com 13º salário Saiba como fazer seu abono salarial render mais, dívidas como cartão de crédito devem ser priorizadas. Foto: Bruno Cruz

Bruno Cruz

Com tantas ofertas de crédito, manter as contas em dia se tornou uma missão nada fácil, e para analista de crédito de uma empresa de móveis e eletroeletrônicos em São Caetano do Sul, Andreia Sanches, isso não é diferente. Acabou se descontrolando ao comprar vários produtos por considerá-los de valor baixo, e com o crédito facilitado parcelava em várias vezes. Consumidora compulsiva,quando percebeu mais de 50 % da sua renda já estava comprometida com parcelas que considerava insignificante para seu orçamento. Daí em diante administrar os pagamentos em dia ficou cada vez mais difícil: “Descontrolei tive que fazer um empréstimo para pagar uma dívida e acabei tendo que reparcelar esse empréstimo”.

dentro do processo de expansão do crédito que o Brasil passou nos últimos 5 anos: “O volume de crédito em relação ao PIB praticamente dobrou chegando próximo a 50 % mas ainda é muito baixo perto de países mais desenvolvidos onde o crédito exerce um papel fundamental na dinâmica econômica”. Nós já podemos perceber que no Brasil o consumo foi muito importante para a manutenção da atividade econômica, e fez com que o país inclusive sofresse menos os impactos negativos da crise internacional que estamos vivendo.” Recentemente estamos assistindo um aumento na inadimplência mas não é nada assustador neste momento, até por que nossas instituições financeiras cumprem regras rígidas de reservas e previsões exatamente para evitar problemas operacionais. Segundo o economista Francisco

Comércio aquecido, com décimo terceiro no bolso dos brasileiros.

“Descontrolei, tive que fazer um empréstimo para pagar uma dívida e acabei tendo que reparcelar esse empréstimo”

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24,3%

Setembro/2011

Setembro/2011

Total de endividados

Dívidas ou contas em atraso

58,9%

19,1%

7,1%

Setembro/2012

Setembro/2012

Dívidas ou contas em atraso

Não terão condições de pagar

Setembro/2012 Total de endividados

Imagem divulgação: http://www.freeimages.co.uk/

Assim como Andreia a nova classe C está com dificuldades em manter suas contas em dia. Em 2010 a classe C se tornou a maior do Brasil com mais de 101 milhões de pessoas. No ano seguinte ganhou 2 milhões e 700 mil que deixaram as classes DE e AB, hoje representa 54 % da população, uma fatia significativa já que a renda familiar cresceu quase 8 % , e hoje a cada R$ 100,00 gastos no país R$ 44,00 saem dela. De olho neste mercado as empresas, acabaram facilitando o crédito e as pessoas se endividando cada vez mais. De acordo com o Economista Francisco Funcia da (USCS) Universidade Municipal de São Caetano do Sul, nos últimos meses se observou um aumento no índice inadimplência que é algo normal

8,0%

61,6%

Fonte: Pesquisa CNC/ Endividamento e inadimplência.

Setembro/2011 Não terão condições de pagar

“O volume de crédito em relação ao PIB praticamente dobrou" Funcia os inadimplentes devem utilizar o décimo terceiro para quitar suas dívidas. Com esse valor deve-se priorizar o pagamento das contas mais antigas ou as que possuem os juros mais altos, exemplo o cartão de crédito. Buscar ajuda da empresa procurando descontos para quitação do débito ou até mesmo um parcelamento do saldo devedor é uma ótima maneira de regularizar sua situação junto à empresa. As instituições financeiras aproveitam o momento e criam eventos sazonais que viabilizam o contato entre o cliente e a empresa credora, que geralmente acontecem nos grandes centros espalhados por todo o estado. Planejar para garantir a casa própria ou do desejado carro, são objetivos que podem ser traçados e alcançados com uma simples regra, nunca gastar mais do que ganha.

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Cidades

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Dengue ainda preocupa o ABC Ă?ndice da regiĂŁo diminui, mas especialistas advertem que prevenir ainda ĂŠ o melhor caminho. Por Lucas Panoni Foto: Lucas Panoni

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icar longe do risco da doença parece ser muito simples, nĂŁo deixar caixas dâ&#x20AC;&#x2122;ĂĄgua abertas, cobrir pneus armazenados, substituir por areia o pratinho de ĂĄgua do vaso de flores. Ou seja, nĂŁo deixar ĂĄgua parada. Mas se ĂŠ tĂŁo simples, por que ainda existe a preocupação com isso? Por que ainda nĂŁo virou uma rotina da população manter seus pertences fora do alcance do mosquito? Para diminuir os riscos, o secretĂĄrio de saĂşde de SĂŁo Bernardo do Campo, Arthur Chioro vĂŞ as campanhas como instrumento de combate ao mosquito Aedis Aegypti: â&#x20AC;&#x153;nĂŁo sĂł por propaganda institucional e pela imprensa; mas em mutirĂľes casa a casa; palestras em escolasâ&#x20AC;? afirma o secretĂĄrio. Mas a professora da escola municipal de educação bĂĄsica (EMEB) Deputado Odemir Furlan, CĂŠlia Cristina, nĂŁo vĂŞ estes resultados: â&#x20AC;&#x153;Ă s vezes, quando tem a proposta da prefeitura, a gente divulga os folhetos, a gente conversa com as crianças. Mas eu particularmente nunca vi nenhum trabalho que fizesse parte de um projeto da escolaâ&#x20AC;?. CĂŠlia Regina ainda diz que jĂĄ foi vĂ­tima de dengue, e que buscou ajuda no Centro de Tratamento de Zoonoses: â&#x20AC;&#x153;fui atrĂĄs da zoonose pra ver se eles vinham passar alguma coisa aqui, porque atĂŠ fiquei preocupada comigo e com as crianças, mas nĂŁo consegui

"A população poderia fazer a sua parte. As pessoas reclamam de coisas que elas mesmas poderiam estar fazendoâ&#x20AC;?.

nada nĂŁoâ&#x20AC;?, reclama a professora. Segundo dados recentes, os casos de dengue no Estado de SĂŁo Paulo vĂŞm diminuindo. Em agosto de 2012, o nĂşmero era de quase 20 mil, sendo 2.097 na regiĂŁo da Grande SĂŁo Paulo. Um obstĂĄculo para esse nĂşmero diminuir ainda mais, de acordo com Paulo Francisco Toledo, veterinĂĄrio do centro de zoonoses de SĂŁo Bernardo do Campo, ĂŠ a população: â&#x20AC;&#x153;as pessoas nĂŁo dĂŁo mais tanta importância, acham um problema sazonal. A população poderia fazer a sua parte. As pessoas reclamam de coisas que elas mesmas poderiam estar fazendoâ&#x20AC;?. Para Raimundo Nonato da Silva, um aposentado de 68 anos, isso nĂŁo ĂŠ mais um problema: â&#x20AC;&#x153;a dengue aqui nĂŁo tem, aqui ninguĂŠm deixa empoçar nada, nĂŁo deixa nada vazio...â&#x20AC;? Raimundo se refere aos recipientes que, se deixados vazios onde a ĂĄgua da chuva possa se acumular, viram focos de propagação da doença. O aposentado mora ĂĄs margens da represa Billings, no bairro Batistini, em SĂŁo Bernardo do Campo e conta que os agentes de saĂşde estĂŁo sempre averiguando as situaçþes das casas e orientando as pessoas. A prefeitura da cidade pode atĂŠ multar quem nĂŁo cumpre as obrigaçþes de prevenção. A multa ĂŠ aplicada quando o agente jĂĄ averiguou a casa do cidadĂŁo e jĂĄ o advertiu sobre seus erros. â&#x20AC;&#x153;ĂŠ um processo administrativo, pra provar que a prefeitura fez alguma coisaâ&#x20AC;?, afirma Paulo Francisco de Toledo. Foto: Lucas Panoni

Brasil produz mosquito transgĂŞnico pra ampliar o combate Ă  dengue A palavra â&#x20AC;&#x153;transgĂŞnicoâ&#x20AC;? sempre foi motivo de polĂŞmica quando abordada na mĂ­dia para discussĂľes sobre novos tipos de alimentos industrializados. Hoje em dia, a população estĂĄ mais familiarizada com isso, e atĂŠ consome produtos transgĂŞnicos em seu dia a dia. Dizemos que o produto ĂŠ transgĂŞnico quando ele ĂŠ tratado em laboratĂłrio, e alguns atributos genĂŠticos particulares sĂŁo alterados, para algum benefĂ­cio, seja ele no sistema de produção do alimento ou em seus prĂłprios nutrientes. O fato curioso ĂŠ a ciĂŞncia aplicar este recurso como mais uma arma para o combate de pragas como a dengue. Segundo o blog do MinistĂŠrio da SaĂşde, a empresa estatal Moscamed, situada em Juazeiro, no CearĂĄ, SURGX]PDFKRVWUDQVJrQLFRVGRPRVTXLWR$HGHV$HJ\SWHDWUDYpVGHDOWHUDo}HVJHQpWLFDVRLQVHWRĂ&#x20AC;FD estĂŠril, ou seja, perde a capacidade de copular. â&#x20AC;&#x153; Estes mosquitos, liberados no ambiente em quantidade duas vezes maior do que os mosquitos nĂŁo-estĂŠreis, vĂŁo atrair as fĂŞmeas para cĂłpula, mas sua prole nĂŁo serĂĄ capaz de atingir a fase adulta, o que deve reduzir a população de Aedes a tal nĂ­vel que controle a transmissĂŁo da dengueâ&#x20AC;? informa o blog. $H[SHULrQFLDDLQGDHVWiHPIDVHGHWHVWHVPDVR0LQLVWpULRHVWiFRQĂ&#x20AC;DQWHHSUHWHQGHLPSODQWDUD estratĂŠgia no Sistema Ă&#x161;nico de SaĂşde (SUS). Numa era de tecnologia avançada, nada mais justo que combater inimigos biolĂłgicos com armas genĂŠticas.

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Garrafas vazias devem ser armazenadas com a boca para baixo para evitar acĂşmulo de ĂĄgua. Orientação para prevenção nunca pGHPDLVPDVSDUHFHQmRVHUVXĂ&#x20AC;FLHQWH

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Cidades

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TrĂŞs cidades em duas rodas A vida na cidade pode ser fĂĄcil para todos, mas nĂŁo para quem precisa viver seu dia a dia em cima de uma cadeira de rodas. magine uma calçada cheia de pedras e paralelepĂ­pedos. Uma guia alta. A raiz de uma ĂĄrvore que cresceu errado e tomou conta do caminho dos pedestres. VocĂŞ simplesmente ultrapassa sem dificuldade nenhuma, afinal vocĂŞ tem duas pernas que te permitem isso, certo? NĂŁo. E se vocĂŞ tiver duas rodas? A situação muda e o simples se torna complicado. Esses sĂŁo alguns dos problemas que as pessoas com algum tipo de deficiĂŞncia fĂ­sica enfrentam. â&#x20AC;&#x153;Viver em duas rodas numa cidade que foi feita pra pessoas com duas pernas, ĂŠ um desafio diĂĄrioâ&#x20AC;?, conta Abner Bernardes de Siqueira, analista de fraude financeira e cadeirante hĂĄ 12 anos. Abner foi vĂ­tima de bala perdida quando tinha 10 anos enquanto brincava com os amigos na porta de casa, em Santo AndrĂŠ. As sequelas foram permanentes e ele teve que enfrentar os olhares, preconceitos e dificuldades de andar numa cadeira de rodas desde sua adolescĂŞncia. AlĂŠm disso, Abner encara um desafio todos os dias atĂŠ hoje: andar pela cidade. Em Santo AndrĂŠ, cidade

onde mora, ele conta o que jĂĄ viveu. â&#x20AC;&#x153;Semana passada, fiquei uma hora e meia esperando o Ă´nibus adaptado por que um deles havia quebrado. Acabei perdendo um compromisso importanteâ&#x20AC;?, comenta. Em SĂŁo Caetano, cidade onde trabalha, ele conta ter algumas dificuldades com as cal-

â&#x20AC;&#x153;Viver em duas rodas numa cidade que foi feita pra pessoas com duas pernas ĂŠ um desafio diĂĄrioâ&#x20AC;? çadas. â&#x20AC;&#x153;Principalmente de sexta-feira e fim de semana, as calçadas ficam cheia de cacos de vidro em frente dos estabelecimentosâ&#x20AC;?, diz ele. Esse ĂŠ um problema nĂŁo sĂł para cadeirantes e deficientes visuais, mas para toda população.

Alguns anos depois do acidente, Abner se diz acostumado com os olhares curiosos e atĂŠ mesmo com o preconceito de alguns. Ele conta que no começo chegava a ser insuportĂĄvel o preconceito embutido nos olhares de cada um que passava. No começo ele achava que era desprezo ou atĂŠ um olhar de julgamento, mas hoje diz que ĂŠ apenas um olhar de curiosidade e compaixĂŁo. Mas as existem exceçþes. â&#x20AC;&#x153;As pessoas nĂŁo tĂŞm paciĂŞncia. Ă&#x20AC;s vezes quando o elevador do Ă´nibus adaptado quebra ou entĂŁo dĂĄ algum problema, eu sempre ouço uns comentĂĄrios do tipo â&#x20AC;&#x2DC;por que ele pegou justo esse Ă´nibus? Estou atrasado pro trabalhoâ&#x20AC;&#x2122;, como se eu tambĂŠm nĂŁo precisasse trabalhar como qualquer outra pessoaâ&#x20AC;?, diz. Seu objetivo de vida ĂŠ ser um exemplo para quem o vĂŞ, por esse mesmo motivo ele dĂĄ palestras de motivação em Escolas e Universidades. â&#x20AC;&#x153;Eu nĂŁo quero que tenha sido tudo em vĂŁo. Quero que esse meu estado sirva de referĂŞncia para as pessoas, eu quero passar uma mensagem do tipo: se eu que estou numa cadeira de rodas consigo, vocĂŞ tambĂŠm consegueâ&#x20AC;?, finaliza.

Foto: Marina Camargo

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Marina Camargo

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Ilustração: Beatriz Paz

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SĂŁo Caetano

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Universidade Municipal de SĂŁo Caetano do Sul - USCS

Foto: Daniel Tossato

Arnaldo Medina, 74, mostra seu primeiro TĂ­tulo Eleitoral

O tempo e o voto Mesmo sem a obrigatoriedade, idosos ainda comparecem Ă s urnas Daniel Tossato

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voto no Brasil pra quem tem mais de 70 anos ĂŠ facultativo e o idoso que se encontra nessa idade participa do processo eleitoral se desejar. Arnaldo Medina votou a primeira vez no longĂ­nquo ano de 1958, ainda com 21 anos e depois disso nĂŁo parou mais. Hoje o idoso com 75 anos sempre exerce o poder do voto em todas as eleiçþes. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; um direito que tenho e o exercerei enquanto tiver condiçþes, se nĂŁo votar nĂŁo poderei reclamar como cidadĂŁo. Ă&#x2030; um direito que conquistei.â&#x20AC;? Medina ĂŠ um senhor que fala pausadamente, calmo, tranquilo e demonstra uma lucidez tamanha para sua idade. Apesar de saber que jĂĄ estĂĄ na melhor idade gostaria de estar trabalhando para poder complementar sua renda mensal e conseguir dar uma condição melhor a

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sua esposa, filho, nora e neto que moram junto com ele no pequeno apartamento. Ă&#x2030; esse sentimento que move o Arnaldo todas as eleiçþes, o de poder eleger pessoas que se importam realmente com o cidadĂŁo, em especial com o idoso. â&#x20AC;&#x153;Gosto de votar e quero votar. As pessoas acham que porque se ĂŠ idoso nĂŁo servimos mais pra nadaâ&#x20AC;? lamenta. O idoso ainda conta que passou pela Ditadura, perĂ­odo critico no Brasil onde o direito do voto era cerceado ao cidadĂŁo, de maneira tranquila e nĂŁo demonstra guardar rancor por nĂŁo ter a oportunidade eleger algum candidato na ĂŠpoca. â&#x20AC;&#x153;NĂŁo senti falta de votar, pois os polĂ­ticos exerciam esse ato no meu lugar e naquela ĂŠpoca nĂŁo passei tanta dificuldade quanto passo agora. NĂŁo tenho nada contra a Ditadura!â&#x20AC;? ressalta. Hoje em dia Arnaldo Medina

acredita que, diferente dele, o brasileiro nĂŁo leva o voto a serio e ĂŠ essa atitude que mais prejudica o Brasil segundo ele, â&#x20AC;&#x153;O brasileiro nĂŁo leva o voto a serio, no dia da eleição ainda nĂŁo sabe em quem vai votarâ&#x20AC;? critica. Quando chega o dia da eleição seu Arnaldo levanta cedo e ĂŠ sempre um dos primeiros a votar na sua sessĂŁo por nĂŁo gostar de encarar as filas. Depois de digitar os nĂşmeros de seu candidato na urna tem certeza que acabara de cumprir um dever. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; o sentimento de dever cumprido, me sinto bem, opinei a respeito do destino do Brasil, do estado e do meu municĂ­pio. Uma missĂŁo que Deus me deuâ&#x20AC;? exalta. Admirador de GetĂşlio Vargas, Medina deixa um recado para todos os eleitores. â&#x20AC;&#x153;NĂŁo votem brincando, votem de forma seria o voto ĂŠ a força que temos para mudar o paĂ­sâ&#x20AC;? deseja.

E os jovens? P

DUDRSURIHVVRUGHSROtWLFDHĂ&#x20AC;ORVRĂ&#x20AC;D-HVXV Garcia o idoso ainda corre Ă s urnas movidos pela convicção e pelo seu amadurecimento polĂ­tico â&#x20AC;&#x153;HĂĄ um compromisso maior, um amadurecimento polĂ­tico maior entre os idosos. Eles vĂŁo votar convictos de que a mudança ĂŠ possĂ­vel.â&#x20AC;? -HVXVFLWDTXHDGLWDGXUDSRGHWHULQĂ XHQFLDGR alguns idosos que viveram naaquela ĂŠpoca a votar, mas diz que isso nĂŁo ĂŠ o fator mais importante. â&#x20AC;&#x153;O Brasil viveu um perĂ­odo difĂ­cil durante a ditadura, mas ainda podia-se votar em deputados e senadores, isso amenizava um pouco a situaçãoâ&#x20AC;? explica. Lembramos que o voto, no Brasil, ĂŠ obrigatĂłrio a partir dos 18 anos de idade, mas pra quem tem 16 anos completos na data eleitoral tambĂŠm jĂĄ pode exercer o poder da escolha. Mas como os jovens lidam com essa quase obrigação? â&#x20AC;&#x153;O jovem ainda nĂŁo amadureceu o bastante para votar e nĂŁo consegue perceber a importância social que tem o ato de votarâ&#x20AC;?. O professor diz ainda que o voto ĂŠ sempre importante independente da sua idade â&#x20AC;&#x153;O voto ĂŠ sempre importante, devemos encarar as urnas de forma sĂŠria, nĂŁo importando qual sua idade, clasVHFRUHUHOLJLmRÂľĂ&#x20AC;QDOL]D

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Esportes

Universidade Municipal de SĂŁo Caetano do Sul - USCS

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Coletores de lixo transformam asfalto em pista Pra quem observa de fora são apenas algumas corridas recolhendo o lixo da cidade, mas para eles Ê a busca por apoio e realizaçþes

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mas cĂŁibras ou pequenas lesĂľes, mas ressalta que nunca pensou em largar as corridas. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; algo que toma conta da pessoa, uma lição que se tem todos os diasâ&#x20AC;?, justifica. Outro que sofre com os treinos ĂŠ o varredor JoĂŁo Paulo Loreira dos Santos, de 26 anos. Preocupado em

â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; algo que toma conta da pessoa, uma lição que se tem todos os diasâ&#x20AC;? conseguir resultados melhores, ele chega a treinar mais de duas vezes por semana com a ajuda de um treinador particular. O rapaz concorda que o serviço lhe ajuda no condicionamento fĂ­sico, mas admite que o cansaço atrapalha. â&#x20AC;&#x153;A gente sente, fica doendo quando vai correr, as pernas ficam doloridasâ&#x20AC;?, se queixa. Sem pensar em largar as corridas, JoĂŁo Paulo ainda espera mais incentivos do local onde trabalha. Ele diz que atĂŠ o momento sĂł ouviu

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educador fĂ­sico e especialista em fisiologia do exercĂ­cio Guilherme Rodrigues, alerta sobre os riscos dessas atividades sem acompanhamento profissional. â&#x20AC;&#x153;O trabalho desses profissionais jĂĄ gera muito desgaste e isso necessita de cuidados especiais na programação de treinamentosâ&#x20AC;?, explica. Para que o profissional nĂŁo se lesione, â&#x20AC;&#x153;as atividades devem ser equilibradas e precauçþes com as articulaçþes e sobrecarga muscular se tornam prioridadeâ&#x20AC;?, explica Rodrigues. JĂĄ sobre a importância de se alimentar bem, a nutricionista Dominique Horta Buim res-

salta que uma boa nutrição â&#x20AC;&#x153;melhora o desempenho, ajudando na resistĂŞncia, força, velocidade e tempoâ&#x20AC;?. Dominique explica que se a alimentação nĂŁo estiver adequada, â&#x20AC;&#x153;a pessoa pode apresentar fadiga, lesĂľes, gripes e outros problemas que vĂŁo atrapalhar as atividadesâ&#x20AC;?. Dominique conta que as recomendaçþes variam de acordo com as pessoas, mas avisa que de uma forma geral, uma nutrição saudĂĄvel e completa â&#x20AC;&#x153;precisa de frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijĂľes e intercalar os tipos de carnesâ&#x20AC;?.

promessas. â&#x20AC;&#x153;[Eles] disseram que iam ajudar, mas atĂŠ agora nĂŁo ajudaramâ&#x20AC;?, conta. O rapaz pensa que se houvesse algum apoio com inscriçþes, tĂŞnis e roupas, por mais simples que fossem â&#x20AC;&#x153;atĂŠ a procura de outros trabalhadores seria maiorâ&#x20AC;?. TambĂŠm sem qualquer tipo de suporte, o varredor Francisco Borges, JoĂŁo Paulo exibe algumas das conquistas de 36 anos, participa de menos provas atualmente. das ruas. â&#x20AC;&#x153;A gente sempre tem que Ao contrĂĄrio de Silva, Borges apelar pra algum salgado ou refriconta que foi o dinheiro que o geranteâ&#x20AC;?, admite. incentivou a correr, hĂĄ 12 anos. Sem os acompanhamentos proâ&#x20AC;&#x153;Era a necessidade, alguns prĂŞfissionais necessĂĄrios, Silva acredita mios iam de R$300 a R$1.200â&#x20AC;?, que na hora da competição uma lembra. coisa farĂĄ diferença. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; a força de Outro aspecto que passa despervontade que vai determinar a procebido nos profissionais ĂŠ a alimenvaâ&#x20AC;?, opina. Ele acrescenta que pelas tação. Sem dar muita atenção a dificuldades, o mais importante ĂŠ isso, o coletor Silva argumenta que terminar a corrida. â&#x20AC;&#x153;A vitĂłria jĂĄ ĂŠ nĂŁo tem como manter uma dieta concluir o percursoâ&#x20AC;?, garante. saudĂĄvel trabalhando na correria

Foto: Joca Oliveira

nis, suplementos, pagam inscriçþes de provas, atĂŠ mexem na escala de folga quando precisoâ&#x20AC;?, revela. O uilĂ´metros e quilĂ´metros de coletor fala que isso o ajuda e que, distância percorridos diaalgumas vezes, o desempenho ĂŠ tĂŁo riamente. Um preparo fĂ­sico e bom que consegue apoios externos, um poder de superação e força de como lojas de artigos esportivos, vontade que dĂŁo inveja a diversos equipes de corridas, entre outros. atletas. Uma coisa se pode afirmar, Como trabalha na maior parte os coletores e varredores de lixo jĂĄ do dia, nem sempre sobra tempo estĂŁo acostumados Ă s corridas. e disposição para treinar e, pelo Os motivos pra correr variam, nĂ­vel de comprometimento exigiuns buscam um orçamento maior do, acha difĂ­cil arranjar treinador. no fim do mĂŞs atravĂŠs das preâ&#x20AC;&#x153;Trabalho o dia inteiro pra depois miaçþes, enquanto outros estĂŁo fazer esforços fĂ­sicos agressivos. Fica correndo somente pelo prazer e complicado manter o ritmo diariafelicidade. mente por causa do desĂ&#x2030; o caso do coletor gaste do corpoâ&#x20AC;?, ressalta Fernando Beserra da Silva. Silva (ao lado), de 29 O coletor jĂĄ participou anos, que vĂŞ os prĂŞmios das provas mais simples, como consequĂŞncias da de cinco km, atĂŠ as mais corrida. â&#x20AC;&#x153;Era vontade de desgastantes, como a correr mesmo, esquecer Ultramaratona 24h dos a rotina do trabalho e o Fuzileiros Navais do Rio stress. Enquanto a gente de Janeiro, onde foi o corre, a mente se desliga terceiro colocado, cordo mundoâ&#x20AC;?, garante. Foto: Joca Oliveira rendo uma distância de Diferente de outros 205 km em 24 horas. coletores, o rapaz trabalha numa Com a demanda de exercĂ­cios, empresa que o incentiva a particiSilva fala que jĂĄ sofreu com algupar dos eventos. â&#x20AC;&#x153;Eles compram tĂŞJoca Oliveira

Das ruas ao pĂłdio: ex-coletor vira destaque

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ascido em PenĂĄpolis, interior de SĂŁo Paulo, Solonei Rocha da Silva jĂĄ havia corrido bastante antes de começar a correr pra valer. Isso porque o maratonista trabalhava como coletor de lixo antes de se tornar atleWDSURĂ&#x20AC;VVLRQDO+iTXDWURDQRVSUHFLVDQGRGHRXWUDVIRQWHVĂ&#x20AC;QDQFHLUDVR rapaz se inscreveu numa corrida em busca dos prĂŞmios em dinheiro. Mal sabia ele que esses passos seriam

RVSULPHLURVGHXPDQRYDYLGD+RMH com 30 anos, Solonei Silva Ê atleta do Esporte Clube Pinheiros e vive só do esporte. Referência do atletismo nacional, o ex-coletor tem no currículo uma coleção de títulos importantes, com destaque para as medalhas de ouro na Maratona dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no MÊxico e a Maratona Internacional de São Paulo, em 2012.

ANTES

DURANTE

DEPOIS

(de 30 a 60 minutos) Carboidratos de absorção lenta; Cereais integrais (pĂŁo/torrada integral, barra de cereais, aveia, granola); )UXWDV FRP Ă&#x20AC;EUDV DEDFD[L DPHL[D laranja, mamĂŁo, pĂŞra, pĂŞssego).

Em corridas com mais de UMA hora de duração; Carboidratos de absorção råpida; Bebidas de maltodextrina.

(de preferência atÊ 30 minutos) Proteínas como atum ou frango e carboidratos de absorção råpida; Suco de frutas com mel, pão branco ou batata.

Ilustraçþes: Divulgação www.vector.us

A alimentação adequada. O que consumir:

LEMBRE-SE: O hĂĄbito de ingerir lĂ­quidos deve ser adotado antes, durante e depois dessas atividades

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Cultura

Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS

Foto: Louyse Denis

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Mãos na massa, pés no palco, alunos e professores MHaLTKH,ZJVSHKL;LH[YV\THVÄJPUHKLL_WLYPvUJPHZ 3V\`ZL+LUPZ

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Explorar a arte de cada um, evidenciar o dom individualmente e coletivamente, é como os mestres trabalham com os atores em formação. projeto das peças. Foge do modelo de ensino clássico, onde os alunos apenas aprendem e os professores ensinam, é uma troca, onde o trabalho de todos tem a mesma importância. “O objetivo da escola é a experimentação, é uma verdadeira oficina que estimula o lado artístico dos alunos”, diz Rogério Toscano. Segundo ele, a ideia é formar atores, e não alunos de teatro. “As turmas participam de todas as fases de criação da peça, são responsáveis pelas pesquisas e desenvolvimento, portanto o comprometimento do aluno é muito cobrado.” Além dos núcleos de formação, a escola oferece outros cursos mais específicos: direção teatral, história do teatro, interpretação avançada, dramaturgia, máscaras, composição

dia do Fim do Mundo, com direção geral do Edgar Castro, e ainda participou de outros núcleos, pedagogia teatral, núcleo de história do teatro, núcleo de direção, núcleo de máscaras, e agora está finalizando sua trajetória na ELT com o núcleo de Sonoridades. Apesar de existir alguns profissionais conhecidos que já passaram por lá, como a Milena Toscano, atriz que já atuou em várias novelas e filmes, a escola não é voltada para a mídia, então os atores quando encerram suas atividades e cursos, seguem para o teatro profissional.

Para mais informações sobre cursos e inscrições, entrar em contato através do telefone (11) 4996-2164 ou pelo email: escolalivre@ig.com.br.

Segundo o Diário do Grande ABC, grafiteiros e aprendizes cobrem a área externa do prédio e revelam um pouco do que os alunos vivenciam dentro da escola. Foto: Louyse Denis

iberar as emoções, atuar com a alma, trabalhar na oficina da arte, é assim que a Escola Livre de Teatro de Santo André, localizada no bairro Santa Terezinha, explora os sentidos artísticos dos alunos, que trabalham em conjunto com seus mestres para desenvolver os projetos do início ao fim. É como um caldeirão, onde cada integrante joga suas ideias, experiências, emoções, e de lá sai um resultado mágico, pronto para ser apresentado nos palcos. Antônio Rogério Toscano, coordenador pedagógico, explica que o processo seletivo da escola é dividido em dois núcleos. O núcleo de formação de atores para alunos já com algum conhecimento na arte de atuar, com duração de quatro anos. E o núcleo de iniciação para quem não tem experiência alguma, com duração de um ano. A inscrição abre em Janeiro, os professores indicam alguns livros para maior conhecimento do aluno na área e são dadas algumas aulas práticas. Em Fevereiro os inscritos apresentam uma cena que é assistida pelos mestres da escola e é feita a seleção. As turmas são fechadas com uma média de 20 alunos. A escola funciona como uma oficina, onde aprendizes e professores trabalham juntos para a construção do trabalho, desenvolvendo pesquisas artísticas e elaborando todo o

cênica e sonoridades. O processo seletivo funciona como nos cursos de teatro, porém por ter uma procura menor, normalmente por atores com mais conhecimento, o ingresso é mais fácil. Os alunos pertencem a todas as classes sociais e o experimento e desenvolvimento parte deles mesmos, o que automaticamente abre a mente dos atores para um caminho social. “Os alunos são incentivados a conhecer os próprios ideais, e a explorar a arte e o que ela pode oferecer a sociedade”, é o que Rogério responde quando perguntamos sobre projetos sociais. Em um bate-papo com a aluna Alba Brito, pudemos evidenciar todas essas informações. “A ELT é muito importante para a minha formação tanto artística, como para a minha formação quanto ser humano. Dentro da ELT descobri muitos outros dons e pude experimentar todos eles, hoje, por exemplo, faço música, pois descobri a música na ELT com o querido Gustavo Kurlat. A busca de um teatro verdadeiro, coletivo, onde todos tem voz e vez. Foi na ELT que pude vivenciar isso mais verticalmente”. Ela ainda conta que fazer arte é entrar em contato consigo mesma, é lidar com sua matéria muitas vezes não-lapidada e com a matéria do outro.” Alba está na escola desde 2003, se formou no núcleo de formação do ator em 2006 com o espetáculo Acunteceu o Acuntecido - a comé-

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JORNAL OLHAR SOCIAL Edição 31