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FESTIVAL LATINO AMERICANO DE TEATRO

II Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro

Caderno de Resumos de 04 a 07 de maio Instituto de Arte da UFU

Universidade Federal de Uberlândia


Coordenação Geral da III Edição do Festival de Teatro Ruínas Circulares e do II Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro: Profa. Yaska Antunes Coordenação Científica do II Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro: Profa. Maria do P. Socorro Calixto Marques Comitê científico: Ana Maria Carneiro Dirce Helena Benevides de Carvalho Luis Humberto M.Arantes Mara Leal Maria do P. Socorro Calixto Marques Paulina Caon Rosemeire Gonçalves Yaska Antunes Coordenadores de Mesa: Ana Maria Carneiro Dirce Helena Benevides de Carvalho Irley Machado Luis Humberto M.Arantes Mara Leal Mariene Hundertmarck Perobelli Mário Piragibe Paulina Caon Rosemeire Gonçalves Vilma Campos Secretário: Diego Lage Agradecimentos: À Pro-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação À Coordenação do Curso de Graduação em Teatro  Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Artes Ao Prof. Dr. José Magno Queiroz Luz Aos professores do Curso de Música Aos professores do Curso de Teatro Ao Alex Dorjó

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Apresentação Prezados leitores/ espectadores , Certamente, voltamos a esse novo cenário de divulgação das investigações científicas e artísticas com um elenco bem maior e mais afiado. O fôlego para alcançar mais um degrau, evidentemente, nasceu das primeiras iniciativas ainda no ano de 2009, com a edição do Festival Latino Americano de Teatro e sua reedição em 2010, em cujo evento foi apresentado I Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro. Naquele momento, era grande a euforia e dinâmica dos congressistas, especialmente, alunos da graduação que pela primeira vez apresentavam seus trabalhos longe de refletores e aplausos. No entanto, nesse outro palco, as luzes foram tantas que, hoje, essa II edição do Seminário apresenta quase o dobro de participantes, sejam daqui da UFU ou de outras Instituições e grupos de teatro. O fato é que, somada à prática artística, os alunos do curso de teatro desejam falar e, especialmente, ouvir sugestões sobre suas atividades. Sugestões essas que não são mais apenas de orientadores ou colegas de pesquisa. Nesse ano, contamos com uma integração mais substancial e eloqüente e com um número maior de professores do Curso de Teatro, como se pode observar na programação. Esse fato vem revelar o quanto precisávamos de oxigênio renovado para que efetivássemos com mais maturidade e complexidade um evento que se pauta na investigação teatral, seja ela calcada na prática dos artistas, na pesquisa teórica ou em ambas. O Curso de teatro recebeu novos profissionais, portanto, novos olhares, ávidos por participarem dos eventos já existentes. Esses novos desejos renovaram outros latentes e pudemos realizar uma interlocução mais consistente e aberta entre várias frentes temáticas. Além disso, é possível entrever que quando um evento é importante para alunos e professores, acaba por corresponder a uma significativa sintonia entre os pares, pois é quando falamos de conhecimento e de aprendizagem no diálogo entre intelectuais e artistas. Quando do I Seminário, recebemos vinte e dois frutos, melhor dizendo, textos completos, número que consideramos razoável, tendo em vista a qualidade do material e do total de inscrições realizadas em 2010. E é pela satisfação de um trabalho realizado e também com o intuito de garantir sua assiduidade que, junto com esse caderno de resumos, publicamos também em Anais eletrônicos o material enviado no ano passado. Com certeza nesse ano, após o II Seminário, teremos um número ainda maior de publicações tornando esse evento em momento tradicional no Curso de Teatro da UFU, assim como outras reedições do Festival Latino Americano. Por fim, queremos agradecer a todos, e aqui não cabem todos os nomes porque seria tal qual a lista de chamada de várias turmas de alunos, professores, técnicos, e convidá-los para esse evento que, embora pequeno, traduz um pouco os trabalhos, desejos e conquistas de nosso Curso de Teatro . Maria do P. Socorro Calixto Marques Professora do Curso de Teatro Universidade Federal de Uberlândia

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Sumário da Programação

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Mesa 1 - Poéticas Teatrais na América Latina Coordenadora: Ana Carneiro Sala 01 – 05/05/2011 – 14h às 17h 1. A “Megera. Domada?” e o Teatro de Rua Laís Batista Costa Graduação/Iniciação Científica/UFU Autônomos de Teatro/ Trupe dos Truões Este estudo apresenta uma investigação sobre a linguagem do teatro de rua a partir de reflexões pautadas na experiência prática de montagem do espetáculo “A Megera. Domada?” desenvolvido em 2010 pela primeira turma de Bacharelado do Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia. O olhar sobre essa linguagem se dá na abordagem do processo criativo da dramaturgia, interpretação e encenação do espetáculo analisado, no qual reconheço vários elementos do teatro de rua, como por exemplo, o espaço como propositor da criação de cenas e da linguagem do ator; o desenvolvimento do roteiro enquanto orientador da dramaturgia e encenação; o ator como narrador e propositor do jogo aberto com o espectador; a existência de personagens tipo e de imagens que reforçam a característica visual e representam o tema do espetáculo.

2. Trupe Tamboril: a formatação de um grupo de teatro de rua e a relação direta com a cena urbana Maíra Rosa Peixoto Graduação/UFU Trupe Tamboril de Teatro Criado no ano de 2007 por artistas de rua que se utilizavam das técnicas de circo como forma de subsistência, a Trupe Tamboril nasce com um ideal: ocupar o espaço da cidade com uma arte que dialogue com as discussões pertinentes da nossa contemporaneidade. Se todo o teatro é político, como nos diz Augusto Boal, políticas também são as relações estabelecidas entre o ator e seu “publico”, entre a cidade e seus conflitos. Desta forma, criar uma poética que perpasse temas relevantes contemporaneamente, e experimentálos dentro de um fazer teatral de rua, é retomar a premissa maior de todo o teatro: sua comunhão. A relação direta com a cena urbana consolida para os processos de criação da Trupe Tamboril a formatação de um grupo engajado estética e politicamente.

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3. Para que a memória floresça: tintas [etno]graficas do Laboratório pedagógico do Yuyachkani Narciso Telles Professor Pesquisador/UFU/CNPq Coletivo Teatro da Margem As práticas em pedagogia do teatro na América Latina tem historicamente o espaços dos grupos como 'locus' destas atividades. As demonstrações técnicas, desenvolvidas pelos grupos latino americanos, têm ganhado evidência junto aos artistas que a utilizam com a intenção didática explícita ou não de apresentar seus procedimentos de criação e “treinamento”. Ao observar como o artista-docente maneja seu instrumento de trabalho, o aluno pode perceber, com mais clareza, as possibilidades de desenvolvimento de seu trabalho em cada atividade proposta. A presente comunicação busca realizar com as tintas da [etno]grafia artística a análise do laboratório pedagógico do Grupo Yuyachkani, ocorrido fevereiro de 2011em Lima e suas implicações na formação em Teatro na América Latina.

4. A Poética do TEATRO IMAGEN no Chile, há 35 anos de seus inícios. Paula Andrea González Rodríguez Pós-Graduação/ECA/USP Esta apresentação procura num âmbito geral, ampliar o debate em relação às diversas propostas Poéticas contestatórias geradas no Chile no período da ditadura militar chilena dentre os anos 1973-1989. Analisando em particular a proposta artístico pedagógica da Companhia chilena “Teatro Imagen”, visando considerar algumas das suas características particulares resgatadas por meio da análise historiográfica dos registros de seus processo criativos, depoimentos dos artistas envolvidos e registros de imprensa. 5. Melodrama e Teatro de Rua: diálogos possíveis nas relações corpo/voz de trabalho do ator Rebeca Linhares Maciel Graduanda em Teatro/Bolsa PINA/IARTE /UFU

Nesta comunicação, apresento algumas reflexões sobre a pesquisa “Melodrama e Teatro de Rua: diálogos possíveis nas relações corpo/voz do trabalho do ator”, realizada sob orientação da Profª Drª Ana Carneiro. O trabalho buscou responder a seguinte pergunta: como o trabalho de corpo/voz feito para o melodrama pode contribuir para o trabalho corporal e vocal do ator de teatro de rua? O que provoca esse interesse é

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a percepção, que nasceu em pesquisa anterior (2008), realizada sob orientação do Prof. Dr Paulo Merisio, de que o corpo trabalhado para o melodrama é amplo e aberto, características importantes para o corpo de um ator de teatro de rua. Depois do levantamento bibliográfico sobre teatro de rua e retomada da pesquisa acerca do melodrama, deu-se início ao trabalho prático desenvolvido com adolescentes de uma ONG no bairro Canaã, com vistas a montagem de espetáculo de teatro de rua.

6. A Estética Dialética na cena: o processo de criação de Bença do Bando de Teatro Olodum – Articulações na Brasilidade Transcultura Vinícius da Silva Lírio Pós-Graduando/PPGAC/UFBA Parte integrante da minha pesquisa de Mestrado, este estudo se volta para a apreciação da estética transcultural – ou de sincretismo cultural, como prefere chamar Patrice Pavis (2010) – do Bando de Teatro Olodum, abordando as fontes de pesquisa e elaboração ideológico-discursiva do grupo, em especial no processo de criação de Bença. Para tanto, foi desenvolvido um aporte epistemológico acerca dos universos culturais que permeiam tal processo, num campo de cruzamento cultural. Partiu-se da identificação das manifestações geradas pelos diálogos estabelecidos entre esses universos no processo mencionado. O produto das articulações aqui desenvolvidas revela a poética de um grupo em contato com diferentes dimensões do universo epistemológico da brasilidade e que, a partir disso, tem investido na renovação paradigmática da sua cena.

Mesa 2 - Dramaturgia e Memória Coordenadora: Irley Machado Sala 08 – 05/05/2011 – 14h às 17h 1. Revelações Estéticas: espaço, gente e teatro. Anderson Flores Universidade Estadual de Mato Grosso A “revelação estética” só seria possível a partir de um estudo básico do processo de colonização, dos componentes e do histórico do próprio grupo. A estética é a ciência da criação artística, do belo, ou filosofia da arte. A estética tem como temas principais a gênese da criação artística e da obra poética, a análise da linguagem artística, a conceituação dos valores estéticos, as relações entre forma e conteúdo, a função da arte na vida humana e a influência da técnica na expressão artística. Segundo BOSI, as palavras colonização, culto, cultura se aparentam pela raiz verbal comum. Colonização

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diz o processo pelo qual o conquistador ocupa e explora novas terras e domina os seus naturais. Culto remete à memória dos deuses e dos antepassados que vencedores e vencidos celebram. Cultura é não só a herança de valores, mas também o projeto de um convívio mais humano. A cada conceito responde uma dimensão temporal: o presente, o passado e o futuro.

2. Memória atoral de Grande Otelo em filmes brasileiros Camila Delfino da Silva Pós-Graduanda/ Mestrado em Artes/UFU Algumas mudanças ocorridas no século XX, baseadas no texto “Entre o palco e página” de Roger Chartier, influenciaram a arte teatral e suas formas de registro. Observamos, nesse contexto, o teatro como uma necessidade do homem. Chegamos ao artista Grande Otelo que deixa uma contribuição documental sobre sua vida e arte, relevante para os pesquisadores. 3. Uma abordagem sobre paradigmas nas Artes Cênicas e a relação entre o diretor/encenador e o texto dramático. Cristiane Barreto Pós-Graduanda/PPGAC/UFBA O texto aborda a análise da relação do diretor/encenador com o texto dramático, do final do século XIX, até a década atual. Também analisa, através dessa relação, as perspectivas estabelecidas ao longo desse período e os possíveis novos paradigmas nas Artes Cênicas diante do contexto abordado.

4. Sai despacho! Uma revista teatral do palhaço negro Benjamim de Oliveira: construção dramatúrgica e operações de hibridismo no circo-teatro brasileiro Daniel Marques da Silva Professor Pesquisador/ UFBA A presente comunicação pretende expor as estratégias e operações dramatúrgicas de Benjamim de Oliveira – palhaço, ator, autor teatral, cantor, ensaiador e diretor de companhia – principal responsável pela consolidação do circo-teatro brasileiro, por meio da descrição da revista Sai Despacho!, de sua autoria. A peça, datada de 1921, conta a visita da princesa infernal Diabelina ao Rio de Janeiro do início do século XX, em companhia do malandro Anacleto. Utilizando com propriedade convenções e elementos da revista teatral, Benjamim de Oliveira apresenta-se nesta peça como autor maduro e

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conhecedor de seu ofício, sobretudo por meio das intervenções que opera na estrutura tradicional da revista para adequá-la ao espaço do circo-teatro. 5. Da Tribuna às Artes: O Caso dos Irmãos Naves – um estudo sobre a construção dramatúrgica teatral a partir dos autos processuais do maior erro judiciário do Brasil. Eliene Rodrigues de Oliveira Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU Esta pesquisa pretende estudar o processo de criação do texto teatral a partir dos autos processuais de “O Caso dos Irmãos Naves”. Inspiradas neste fato jurídico (1930), foram criadas três obras artísticas intituladas com o mesmo nome: o livro de João Alamy Filho (1960); o filme de Jean Claude Bernardet e Luís Sérgio Person (1967) e o espetáculo teatral do Grupo EmCena dirigido por Thiago Scalia (2006). O livro que contém parte dos autos processuais foi o ponto de partida para a criação do roteiro do filme. Para a escritura textual do espetáculo, quais foram os elementos motivadores? Partindo do pressuposto de que a narrativa jurídica contida nos autos processuais também foi o material norteador para a escritura do texto teatral, tal pesquisa propõe um estudo comparativo entre este e o roteiro do filme, com o intuito de analisar como ambos foram concebidos. 6. Entre o real e a ficção: a denúncia de um cenário nacional na dramaturgia de Federico García Lorca Leandro de Jesus Malaquias Pós-Graduando/Mestrado em Artes/UFU Nessa comunicação, lançaremos as primeiras considerações feitas a respeito dos mitos e a obra La Casa de Bernarda Alba, finalizada trinta dias antes de García Lorca morrer assassinado, em 19 de agosto de 1936, pelas forças do governo franquista durante a Guerra Civil Espanhola. Nela, o poeta recorre ao simbolismo para realizar uma nova investida em sua dramaturgia. Bernarda Alba, personagem central do texto, é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas, sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem em uma caldeira de tensões prestes a explodir. O objetivo deste trabalho é revelar o cenário desalentador dos costumes de uma Espanha tradicional, presente no texto do poeta, cujos valores dominantes eram: o preconceito, a vingança, o fanatismo, o machismo, a tirania materna, a submissão feminina, enfim, toda uma gama de comportamentos humanos que denunciam o esclerosamento social no período. Fatores que paralisaram a Espanha durante grande parte do século XX.

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7. Reflexões sobre a peça teatral “El malefício de la mariposa”, de Garcia Lorca. Lenora Accioly Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU A obra de Garcia Lorca tem raízes nas lembranças de sua infância, vivida na região do rincão granadino de Fuente Vaqueros, onde nascera em 5 de Junho de 1898. Inspirado nestas lembranças, ele escreveu o primeiro texto que inaugurou sua carreira teatral: “El malefício de la mariposa”, causando polêmica na estréia ocorrida no Teatro Eslava de Madri, em Março de 1920. A proposta deste trabalho é fazer uma análise dos aspectos dramático-literários encontrados na obra, levantando não apenas os elementos de crítica social a ela ligados mas também aqueles considerados inovadores do teatro espanhol, sem deixar de analisar determinadas relações intratextuais entre texto e possibilidades cênicas.

Mesa 3 - O ensino de teatro em espaços não formais e o teatro aplicado Coordenadora: Rosimeire Gonçalves Sala 03 – 05/05/2011 – 14h às 17h 1. O processo colaborativo e a formação do ator na “Fanfalhaça: uma fanfarra de palhaços e palhaças” Jennifer Jacomini de Jesus Graduanda EBA/UFMG e Ricardo Carvalho de Figueiredo Professor Pesquisador/UFMG Corroborando com a idéia de que a criação compartilhada além de ser uma opção criativa e estética pode ainda ter um caráter pedagógico, este artigo realiza um estudo sobre a formação do ator no grupo teatral sob a dinâmica do processo colaborativo de criação e examina a vivência prática da construção artística no grupo belo-horizontino Fanfalhaça: uma fanfarra de palhaços e palhaças com a finalidade de reconhecer este coletivo como espaço de formação para os atores que dele participam. Esta vivência foi desenvolvida como aplicação prática da pesquisa O Processo Colaborativo na Formação do Artista-Investigador: Bacharelado em Interpretação e Licenciatura em Teatro, promovida pelo Programa Especial de Graduação da UFMG e teve orientação do Prof. Ms. Ricardo Carvalho de Figueiredo. UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - BRASIL

DE 30 DE ABRIL A 08 DE MAIO DE 2011 w w w. r u i n a s c i r c u l a r e s . c o m . b r

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2. A criação de dramaturgia para o “teatro aplicado” – Grupontapé de Teatro: uma experiência. Kátia Lourenço Alves Graduanda em Teatro/IARTE /UFU GruPontapé de Teatro Este artigo pretende discutir questões inerentes ao processo da criação de dramaturgia especificamente para o teatro aplicado, praticado pelo Grupontapé de Teatro, em empresas e eventos institucionais, desde o ano de 1994 até hoje. Pretende demonstrar historicamente a trajetória do pensamento desta criação e estabelecer um paralelo entre textos de teatro aplicado e outros textos teatrais, que dialogam conceitualmente com o ambiente do teatro aplicado.

3. Compromisso, Grupo, Aproveitamento do Erro e Diversão: por uma ideologia vital de trabalho para iniciação de atores e não-atores Luana Maftoum Proença Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU Se ideologias definidas fortalecem e potencializam ações de trabalho, uma ideologia pautada em compromisso, grupo, diversão e aproveitamento do “erro” pode desenvolver um organismo vital e eficaz de trabalho com teatro para atores e não-atores. A experiência dos três anos com a oficina de iniciação teatral da NO ATO Produções (Brasília-DF), o inspirador trabalho e argumentação de profissionais do teatro como Viola Spolin, Yoshi Oida, Peter Brook e Keith Johnstone, associados às práticas do técnico de vôlei Bernardinho, parecem fortalecer uma concepção de práticas pautadas em metas; da mesma forma o teatro embasado numa ideologia delimitada pode ser capaz de fortificar também profissionais de outras áreas do conhecimento, tanto individual quanto coletivamente.

4. A interação teatro-vídeo em práticas educativas no Instituto Guga Kuerten Raquel Guerra Doutoranda/UDESC O objeto de estudo trata das interações e intersecções artísticas entre o Teatro e a Mídia. O contexto narrado apresenta a comunidade do Saco Grande, Florianópolis – SC e descreve práticas de docência desenvolvidas com crianças e jovens entre 07 a 14 anos, que frequentam o Programa Campeões da Vida, do Instituto Guga Kuerten (IGK). As

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reflexões teóricas objetivam: delimitar o conceito de mídia-educação, investigar relações entre o teatro e a mídia, expor a proposta educativa do IGK e discutir o ensino do teatro em espaços de educação não formal. A problemática consiste em como aliar recursos/dispositivos de mídia ao ensino do teatro sem reduzir-se ao técnico/instrumental? Como a interação e a intersecção teatro e mídia podem resultar na construção de linguagens artísticas?

Mesa 4 - O ator – poéticas vocais e a cena contemporânea Coordenadora: Dirce Helena Carvalho Sala de Encenação – 05/05/2011 – 14h às 17h 1. Trilha sonora: uma encenação performativa Alessandra Ramos Massensini Graduanda em Teatro/IARTE /UFU Confraria do Cerrado Na demonstração cênica apresentarei cenas de Trilha Sonora, processo sob minha direção há mais de um ano e com estréia prevista para junho de 2011. Em cena, uma apresentadora de TV conta a vida da adolescente Sônia durante um programa de vídeo clipes. Inspirada em Valsa Nº 6 de Nelson Rodrigues, tem dramaturgia construída a partir de histórias vividas pelos envolvidos no processo. Memórias do grupo e personagens interpretados pela atriz se fundem num espetáculo intimista na relação ator-platéia, com quebra de algumas convenções teatrais e interação com outras formas de arte. Durante a demonstração falarei do processo que o grupo vivencia até então, apresentando uma reflexão sobre práticas da cena contemporânea cujo objetivo é “estabelecer um acontecimento único” que toque o público de forma pessoal.

2. O recurso vocal na poética teatral: as especificidades do trabalho vocal do ator ligado à fala e ao canto Luciene Aparecida de Andrade Graduanda em Teatro/IARTE/UFU Grupo de Teatro Ciranda de Cena O presente trabalho é resultado da pesquisa “O recurso vocal na poética teatral” (A pesquisa foi desenvolvida com fundos da FAPEMIG, no projeto PIBIC da Universidade Federal de Uberlândia, de Março 2009 à Fevereiro de 2010). Esta pesquisa, vinculada ao projeto docente “Vocabulário poético do ator: corporeidade da voz e dramaturgia do corpo”

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evidenciou a voz como foco de estudo e análise, percorrendo uma trajetória prática de levantamento e sistematização de procedimentos e conceitos sobre a vocalidade no trabalho do ator. Deste modo, o objetivo geral do trabalho foi o desenvolvimento de uma reflexão teórico/prática sobre procedimentos que atendam necessidades técnicas ligadas à questão vocal nas dimensões da fala e do canto, quando aplicados à cena teatral. 3. Em ReLaÇãO: Voz, E s p aço, Temmm - - - pó Marcella Prado Ferreira Graduanda em Teatro/IARTE /UFU Bolsista PIBIC/CNPq Coletivo Teatro da Margem Esse trabalho resultou da pesquisa intitulada Viewpoints Vocais: as possibilidades de expressão da voz em conexão com o trabalho físico, realizada sob concessão de bolsa de Iniciação Científica (CNPq/UFU) e vinculada ao projeto docente Aprender a Aprender: os Viewpoints como procedimentos de atuação e jogo. Abordo os aspectos vocais na cena teatral contemporânea, sob a perspectiva dos Viewpoints, conceitos pautados em aspectos temporais e espaciais, sempre num jogo de relação. Parti da experiência e estudo com os parâmetros básicos do som (como Frequência, Timbre e Intensidade) na ação vocal, com intuito de compreendê-los conceitualmente e, enquanto atrizpesquisadora, visando atingir maior consciência e domínio do meu instrumento corpovoz.

4. Dramaturgia do Corpo-Espaço: interferências e contágios do espaço cênico na poética do ator Maria Cláudia Santos Lopes Graduanda em Teatro/IARTE/UFU Bolsista PIBIC/CNPq A pesquisa em desenvolvimento tem como objetivo principal analisar a relação entre espaço-ator buscando um aprofundamento de conceitos referentes a espaço em áreas diferentes do conhecimento, e, sobretudo, tendo como foco o processo criativo experimentado no trabalho intitulado “Sete Sinais e Um Silêncio” realizado pelo Grupo de Pesquisa Práticas e Poéticas Vocais no período de 2009 e 2010, no qual partimos da materialização de um espaço simbólico inspirados por contos do Guimarães Rosa na forma de instalações.

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5. Da palavra escrita à fala poética: aspectos técnicos e estéticos do trabalho vocal do ator Renata Mendonça Sanchez Graduanda em Teatro/IARTE/UFU Grupo Giz de Teatro Outro: Cia. de Bolso A fala cotidiana, muitas vezes, na relação com a palavra, deixa de explorar todo o sentido, as imagens, as sensações, os significados que essas carregam enquanto possibilidade de expressão sonora e simbólica. A presente pesquisa aborda o percurso da construção da fala, na perspectiva da poética teatral, considerando a relação corpovoz enquanto potência de ampliação dos sentidos da palavra na fala. Neste sentido, “Da palavra escrita à fala poética” é uma pesquisa que se encontra no início e, por isso, reconhece a importância de compartilhá-la por meio de reflexões e discussões, como forma de problematizar a relação corpo e performance vocal. Mesa 5 - Pedagogias contemporâneas e a formação do professor-artista-pesquisador Coordenadora: Paulina Caon Sala de Encenação – 06/05/2011 – 14h às 17h 1. Teatro pós-dramático e o ensino do teatro: os “viewpoints” enquanto procedimentos de ensino e aprendizagem na construção da cena contemporânea no espaço escolar Adriana Moreira Silva Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU Coletivo Teatro da Margem A pesquisa propõe uma investigação acerca da contemporaneidade da cena teatral dentro do espaço escolar. A questão é pensar que novas visões sobre o teatro sugerem uma nova pedagogia do ensino e da aprendizagem em teatro nas escolas de educação básica. O teatro da contemporaneidade propõe aspectos que modificaram a construção estética da cena, tais como: a utilização do texto ou da palavra; a posição ocupada pelo espectador e pelo ator e a ocupação do espaço. Assim, é preciso pensar em práticas pedagógicas que dialoguem com essas propostas estéticas da cena pós-dramática. Os Viewpoints, trazidos para o teatro pela pesquisadora Anne Bogart, surgem como uma possibilidade de experimentação na qual essa prática pode contribuir na construção do conhecimento sobre o teatro contemporâneo.

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2. Colocar-se no lugar do outro? Biange Cabral Professora pesquisadora/UDESC e Wagner Monthero Mestrando/ UDESC Este estudo problematiza o objetivo pedagógico de levar o aluno a se colocar no lugar do outro através de uma experiência que promova uma empatia imaginária com outra cultura. Serão focalizados dois princípios subjacentes a tal perspectiva: 1) seja qual for a cultura vivenciada deve haver uma ‘humanidade universal’ que as aproxime; 2) uma cultura é entendida e justificada em termos de sua lógica interna e senso de ordem moral. A confrontação destes princípios com o entendimento de que o indivíduo está inevitavelmente atado às matrizes imaginativas de sua própria história e cultura (Geertz) será associada ao papel da memória no fenômeno da percepção (Bergson). A potencial contribuição desta associação será observada em face da configuração da arte performativa como depoimento pessoal.

3. A Formação do Preparador Corporal nas Artes Cênicas Joana Ribeiro da Silva Tavares Pós-doutoranda/ PPGAC – UNIRIO e Ake Daniel Marito Olsson-Forsberg Professor pesquisador convidado Faculdade Angel Vianna e Paris-8 A comunicação discute a formação do preparador corporal nas artes cênicas, através da análise do curso homônimo implantado na Escola e Faculdade Angel Vianna em 2008, no Rio de Janeiro. O trabalho corporal pioneiro de Klauss e Angel Vianna, realizado no teatro carioca desde os anos 60 e hoje reconhecido, entre outros, como “Conscientização do Movimento”, constitui o eixo central dessa formação e se articula com diversas técnicas corporais, complementadas por aulas teóricas. A questão maior o que propor ao corpo do ator - atravessa o curso e norteia a função do preparador corporal nos dias de hoje.

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4. A experiência estética na formação do artista-educador contemporâneo Mariene Hundertmarck Perobelli Professora pesquisadora/UFU Este trabalho apresenta reflexões e desafios acerca da formação de artistas-educadores na contemporaneidade. Busca, por meio de experiências estéticas, possibilitar uma educação sensível no processo de formação de artistas-educadores. Provocar deslizamentos do teatro contemporâneo para a educação. Ser ator/atriz-educador/a que se faz presente diante do outro em uma zona híbrida, em território de fronteiras e então ser território de passagem. Surge o desafio: como interligar o teatro pós-dramático e a educação? Seria possível fazer educação em territórios de fronteiras, apropriar-se da hibridez das artes contemporâneas no pedagógico, trazendo a estética do teatro contemporâneo para uma educação do sensível?

5. O que é, o que é o jogo? - Aproximações do Ensino de Teatro com o Ensino da Educação Física na Escola. Mônica Alves de Souza Graduanda/Univ. Estadual do Sudoeste da Bahia e Roberto Ives Abreu Schettini Professor Pesquisador/ Univ. Estadual do Sudoeste da Bahia Proponho com esta comunicação discutir a utilização do jogo como instrumento para promover uma educação holística do corpo. Na área de Educação Física há, no mais das vezes, um receio de que o jogo dê uma sensação de vagueza, pouco substanciosa, para o trabalho formal da educação corporal na escola. Criando aproximações entre o Ensino de Teatro e o Ensino da Educação Física, demonstro como é possível a utilização de jogos teatrais, dramáticos e coreográficos para uma educação corporal integral na infância. Discuto a ampliação da noção de jogo na Educação Física, que é sempre associada às práticas esportivas, para identificar como o seu ensino, ao se aproximar das pedagogias dos jogos no ensino de Teatro, pode trazer para o corpo do educando um modo mais expressivo e menos utilitário da consciência de si.

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6. Jogo e Criação: Política, Poética e Estética na Formação do Professor de Teatro Roberto Ives Abreu Schettini Doutorando/ PPGAC/ UFBA Pretendo discutir através desta comunicação a importância do jogo na experiência de composição estética na formação de educadores em Teatro. Para tanto desenvolvo junto a um grupo de pesquisa de licenciandos em artes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em Jequié – o Grupo de Pesquisa Olaria – uma investigação sobre o jogo como disparador de imagens, de ações cênicas e de cenas. Proponho, a estes educadores em formação, criações estéticas com autoria compartilhada através do jogo, explorando suas dimensões pedagógicas, inventivas e espetaculares. O objetivo central está em perceber como a utilização desta noção ampliada de jogo pode desenvolver a autonomia inventiva na autoralidade de discursos cênicos. A potencia expressiva do jogo é deslindada quando é tratado não apenas como uma série de atividades pré-expressivas no interior de processos de criação cênica, mas como uma ferramenta volátil que pode ser utilizada também como estratégia de composição e como o próprio espetáculo. O jogo entendido como um estado de presença, de criação e de espontaneidade, uma habilidade que quando desenvolvida impele o jogador a criar com autonomia. Neste sentido, é possível compreender como o jogo pode tornar-se imprescindível na formação de educadores que no futuro mediarão saberes da cena. 7. Romeu e Julieta no bairro Canaã: reflexões sobre o ensino do teatro com adolescentes de uma escola pública de Uberlândia Wellington Menegaz de Paula Pós-Graduando/PPGT/CEART/UDESC Grupo Athos de Teatro Neste artigo será analisada uma experiência que aconteceu no ano de 2005, com aproximadamente trinta adolescentes que faziam parte do Projeto de Teatro desenvolvido como atividade extracurricular da Escola Municipal Dr. Gladsen Guerra de Rezende, localizada no bairro Jardim Canaã do município de Uberlândia - Minas Gerais. A experiência se refere a um processo artístico desenvolvido na referida instituição de ensino, que deu origem ao espetáculo Romeu e Julieta na Terra Prometida. Esse processo será analisado com base teórica no ensino do teatro com adolescentes e em algumas idéias do sociólogo Henry A. Giroux, como o processo de desenvolver nos alunos o potencial reflexivo e a aquisição de capital cultural.

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Mesa 6 - Dramaturgia e Cena Contemporânea Coordenador: Mario Piragibe Sala 08 – 06/05/2011 – 14h às 17h 1. Escritas contemporâneas: a dramaturgia do diretor Alexandre Mauro Toledo Doutorando/ PUC-SP Companhia da Farsa/BH A palavra dramaturgia inspira na atualidade as maiores hesitações. Trata-se, pois, de um conceito plural, em que estariam englobados diversos aspectos da estruturação do espetáculo. Um verdadeiro conceito hidra conforme o define Ana Pais. Pensamos que o trabalho desenvolvido pelo diretor teatral, um trabalho que também chamamos de dramaturgia, é a própria essência desse conceito-hidra. A escrita da direção é multifacetada, refere-se tanto ao estabelecimento das condições para a criação do ator, quanto a adequação do texto escrito aos propósitos da encenação, da espacialização do texto à disposição dos vários elementos como cenários, figurinos, luz e objetos e cena. Uma escrita verdadeiramente múltipla para um conceito que possui vários braçosdefinições.

2. Grupo Espanca!: Arranjos Poéticos para uma Cena Contemporânea Aryadne Cristiny de Oliveira Amâncio Pós-Graduanda/ Mestrado em Artes/UFU A comunicação tem o intuito de revelar a relação do grupo Espanca! com as estruturas da palavra, do tempo e do espaço para a sua construção dramatúrgica, corroborando para uma concepção cênica moldada por arranjos contemporâneos em uma base tradicional do teatro. A pesquisa amplia um olhar sobre os caminhos do trabalho teatral mineiro em meio ao segundo milênio, evidenciando uma apropriação de elementos para uma construção poética da palavra para a cena teatral.

3. Elementos para entender o jogo da gramática narrativa atual José Manuel Lázaro Professor/Pesquisador/UNESP/SP A dramaturgia contemporânea reflete e experimenta, sendo atraída por uma nova

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utilização dos elementos que compõem a narração. O jogo transformador e renovador da linguagem narrativa está aberto. Isso se percebe em fábulas em que a narratividade vai do código mais distinguível o até a mais irreconhecível. A narrativa unificada e coesa não se sustenta mais. O texto teatral não se comunica sozinho ou de maneira aleatória. Ele interage com o receptor. Discutiremos alguns conceitos que servem como pontes que podem ajudar a entender o complexo jogo instaurado no universo da narrativa contemporânea, tais como em: A Advertência de Lyotard: crise das (meta)narrativas; O “híper”e “multi”: a realidade (des)representada; In-significado e não-significado: novas condições para o conteúdo.

4. Reação a uma obra literária para a construção da dramaturgia da cena – estudando o processo de criação de “O que ali se viu”. Verônica Gonçalves Veloso Professora/UNISO Coletivo Teatro Dodecafônico e Paulina Maria Caon Professora/UFU Coletivo Teatro Dodecafônico Pretende-se refletir sobre a idéia de reação a uma obra literária para a construção da dramaturgia da cena, a partir do estudo do processo de criação de “O que ali se viu”, encenação do Coletivo Teatro Dodecafônico. Além do estudo da obra original (os dois textos sobre Alice, de Lewis Carroll), o Coletivo coleciona referências diversas, elabora procedimentos de trabalho e fricciona elementos da obra com a realidade contemporânea. Em oposição à adaptação do texto literário para o texto dramático, reagir remete à transposição, à transformação e à montagem, no que se refere à linguagem audiovisual. A idéia de reação se constituiu a partir da experiência vivida coletivamente e não como pressuposto da encenação, tratando-se de um modo de operar na escritura da cena.

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Mesa 7 - Dramaturgia e Memória Coordenador: Luiz Humberto M. Arantes Sala 03 – 06/05/2011 – 14h às 17h 1. Pedreira das almas e Tadeusz Kantor: Dramaturgia e concepções de encenação Ana Carolina Coutinho Moreira Graduanda em Teatro/IARTE /UFU Partindo da obra Pedreira das Almas do dramaturgo brasileiro Jorge Andrade, percebeuse relações com a peça A Classe Morta do encenador polonês Tadeusz Kantor. Analisando os dois artistas, foi identificado um ponto em comum: a memória como recurso para a produção/criação de suas obra teatrais. A partir disso, foram feitas correlações entre elementos da obra dramatúrgica de Andrade e elementos da encenação de Tadeusz Kantor. Se em Andrade a memória se apresenta na forma de um tempo estagnado onde suas figuras são prisioneiras de um espaço por onde o tempo transita sem nenhuma alteração, levando a um universo ficcional repleto de corpos insepultos, nas encenações de Kantor nos deparamos com o mesmo tempo estagnado, onde o espaço também não se modifica. Vindo do momento entre guerras e influenciado por duas religiões, Kantor carrega em si uma dramaticidade calcada na diferença entre os homens e no terror da perda.

2. A rubrica na peça Mural Mulher, de João das Neves Breno Ferreira Maia Graduando em Teatro/IARTE /UFU A comunicação será apresentada a partir do artigo, ainda em construção, “A rubrica na peça Mural mulher de João das Neves. Logo, a apresentação versará sobre as indicações cênicas presentes no texto em análise e sobre como essas indicações desenham um projeto de direção do autor. Um dos principais apoios teóricos respalda-se no livro O parto de Godot e outras encenações imaginárias, de Luiz Fernando Ramos, autor que analisa historicamente a rubrica e enfoca principalmente a dramaturgia de Beckett e José Celso.

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3. As múltiplas faces do texto teatral gogoliano, O Inspetor Geral Heloisa Mafalda Benante Cacique Graduanda em História/UFU O presente trabalho propõe uma análise do texto escrito por Gógol em 1836, O Inspetor Geral. A dramaturgia apresentada no texto gogoliano rompia com os padrões cênicos utilizados na época, o chamado estilo “vaudeville”. A obra gogoliana tornou-se aclamada, e ao mesmo tempo criticada, pelo teor denunciativo de seu texto. O desdobramento desta análise se dará com a observação da remontagem da peça em 1926 pelo diretor de teatro estatal Vsevold E. Meyerhold.

4. O último carro de João das Neves: representações e imagens do Brasil contemporâneo Kátia Paranhos Professora/Pesquisadora CNPQ/História/UFU Esta comunicação aborda os sentidos do engajamento a partir das representações inscritas em O último carro de João das Neves. Nessa peça, avultam como temas a solidão e a decadência humana, a superexploração do trabalho humano e a morte prematura como horizonte permanente. Sobressaem, portanto, sujeitos sociais distintos, marcados pela tragédia individual e coletiva. Nesse sentido, João das Neves se notabilizou pelo engajamento político ou “legítimo”, como lembra Eric Hobsbawm noutro contexto, aliado à capacidade de lançar idéias, perguntas e desafios, em plena ditadura militar, no campo das artes, propondo então indagações que ecoam até os dias de hoje.

5. Concessões, imposições, negociações: o grupo teatral Tá na Rua e suas relações com a sociedade brasileira contemporânea Lígia Gomes Perini Pós-Graduação/Mestrado em História/UFU Este trabalho se propõe a oferecer pistas para se pensar o contexto vivenciado pelo teatro de rua no Brasil contemporâneo e, mais especificamente, sobre o grupo teatral Tá na Rua, o meu objeto de análise. Qual a relação entre a cultura oficial e o grupo? Quais os conflitos e diálogos os governos, a academia, as críticas e os próprios pares estabelecem com essa modalidade teatral? Qual o lugar que o Tá na Rua ocupa na sociedade brasileira? Esses são alguns questionamentos que coloco ao meu objeto de estudos e que pretendo discutir neste trabalho.

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6. Yuraiá: a escrita da leitura Maria do P. Socorro Calixto Marques Professora/Pesquisadora/Teatro/UFU Voltando ao início de minha pesquisa sobre o teatro de João Neves, não somente na cidade do Rio de Janeiro, mas em especial a produzida em Rio Branco, retomo a peça Yuraiá-o rio de nosso corpo, para apresentar e analisar como essa dramaturgia de João das Neves lê o universo amazônico e como ela se relaciona com as demais peças do autor produzidas no centro-sul do país. Esse percurso será trilhado a fim de se construir um perfil estético não somente de dramaturgia, mas também de uma possível direção. 7. O que o público brasileiro quer, é emoção: Dois perdidos numa noite suja de Plínio Marcos Poliana Lacerda da Silva Pós-Graduanda/ Mestrado em História/UFU O presente trabalho tem como objetivo analisar a peça teatral Dois perdidos numa noite suja, escrita em 1966, pelo dramaturgo Plínio Marcos, buscando compreender sua historicidade, o processo de sua criação, o enredo, seus personagens, os temas suscitados na obra, relacionando todos esses aspectos com as questões políticas, culturais e sociais do momento histórico em que foi produzida. Para isso, procuramos examinar os temas de engajamento, violência, marginalidade, miséria, solidão, inclusão social perversa do individual e do coletivo na sociedade capitalista. Pretende-se ainda, realizar uma reflexão sobre a época em que Plínio Marcos escreve sua obra, a sua trajetória, as vivências e experiências de vida em diferentes espaços e a relação deste autor com a censura e a ditadura militar. 8. Memória e Improviso nas Leituras Públicas de Charles Dickens Wilson Filho Ribeiro de Almeida Pós-Graduando/Letras/ UFU O escritor inglês Charles Dickens (1812-1870), de 1853 a 1870 apresentou cerca de 470 espetáculos de leituras públicas. O autor levava para o palco trechos de seus livros mais populares, que eram adaptados para apresentação performática, em que cada personagem era representada em suas particularidades de voz, gesto e expressão. As primeiras leituras foram executadas em eventos beneficentes. Mais tarde, Dickens decidiu apresentar espetáculos profissionais. Apesar de tratar-se nominalmente de uma leitura, e de o autor carregar o livro durante a apresentação, ele logo memorizou o conteúdo, usando o livro apenas como um objeto cênico. Nesta comunicação, será comentada a importância da memória para a composição dos espetáculos de leitura, em específico, das leituras do livro A Christmas Carol.

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Mesa 8 - O Ator e a Cena Contemporânea Coordenadora Vilma Campos Sala 01 – 06/05/2011 – 14h às 17h 1. Pesquisa discente: Teatro de rua na perspectiva do trabalho do ator Daiana Soares da Silva Graduanda em Teatro/IARTE /UFU Os processos culturais da tradição, quando incorporados ao teatro de rua, podem fortalecer essa linguagem, a qual se caracteriza principalmente por estabelecer distintas relações com as pessoas, concernente ao espaço social e geográfico em que elas inserem. A comunicação aqui apresentada dialoga com o levantamento teórico e audiovisual sobre grupos de Teatro de Rua de Minas Gerais que realizo como bolsista PIBEG e a experiência de atuação na peça “A Megera. Domada?”, relacionando o lugar da representação, as interferências que os espaços e o compartilhamento provocam. A fala explicitará o modo de como a prática colabora com a pesquisa discente e modifica o olhar do ator através do contato com o público.

2. Entre a permeabilidade e a rigidez – observações sobre a cena na de rua Eduardo Teffé (Eduardo de Almeida Santos) Graduando em Teoria Teatral/UNIRIO MGT OS COLORIDOS O presente trabalho pretende discutir aspectos da cena teatral de rua que acontece/aconteceu no Largo da Carioca (Rio de Janeiro) articulando e dialogando a teoria de interacionismo social com a visão de Peter Brook sobre o rústico e o sagrado. Estas observações permitem realizar um olhar sobre as poéticas de espaço, jogo e relação que acontecem entre transeuntes, artistas e vendedores perfomáticos da referida região. Discute também algumas relações estabelecidas pelo poder público e os “actuantes” da região.

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3. Corpo e Imagem no Teatro Contemporâneo: a iconoclastia da Societàs Raffaello Sanzio Melissa da Silva Ferreira Doutoranda em Teatro PPGT/UDESC Este artigo apresenta uma reflexão sobre as relações entre corpo, imagem e representação no teatro da companhia teatral italiana Socìetas Raffaello Sanzio. Discute-se como a tendência iconoclasta da companhia revela uma negação da representação e de suas implicações políticas e estéticas na sociedade contemporânea. A liberação da mediação das imagens que cotidianamente servem para construir a realidade (e que as artes da representação procuram imitar) é entendida como um procedimento estético que produz um teatro que age em todos os sentidos da percepção, situando, assim, a comunicação diretamente no corpo do ator e do espectador. 4. Corpo: O Que Realmente Importa? Nara Waldemar Keiserman Professora/Pesquisadora/UNIRIO Grupo de Pesquisa Artes do Movimento Iniciei recentemente o Projeto de Pesquisa institucional Corpo: o que realmente importa? A interrogação é a afirmação da imprevisibilidade dos resultados e da flexibilidade intuída para os procedimentos adotados. Investiga-se a aplicação de princípios do Fogo Sagrado (Mônica Oliveira), da Leitura Corporal (Nereida Fontes Vilela), da Linguagem Orgânica (Alex Fausti) e da Yoga Suksma Vyayama no trabalho do ator. O ponto de partida é o Movimento como acesso garantido à sensitividade e como fator de conexão entre os Corpos Físico, Emocional, Mental e Etérico, o que se assenta num sistema de crenças estabelecido. Tornar o ator uma presença potente, capaz de gerar em cena todo tipo de turbulência é o objetivo do trabalho - é a aposta, ou hipótese que está sendo testada.

5. Experimentações Clownescas em Beckett Priscila Genara Padilha Doutoranda/ UDESC Ateliê do Comediante Faço aqui a reflexão do processo de direção de um clown na montagem beckettiana, em que inicio trabalhando sobre mim mesma em um monólogo. Depois, dirigindo o trabalho

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de outra atriz, me sirvo apenas de Canção de Ninar de Beckett. A metodologia, depois de um período de laboratório, ganhou corpo e se definiu, já que assumi a figura do Monsieur Loyal e pude orientar o trabalho aplicando no treinamento clownesco exercícios de Lecoq e Gaulier, bem como procedimentos que desenvolvi em trabalhos anteriores. Durante o laboratório senti necessidade de me cercar de procedimentos préexpressivos de trabalho com o ator, para preparar o corpo da atriz. Para isso experimentei com ela exercícios de consciência corporal oriundos de métodos como Feldenkreins, Alexander e a Eutonia. 6. Técnica mista na montagem “As Lágrimas de Heráclito” Yaska Antunes (Fátima Antunes da Silva) Professora/Pesquisadora/UFU Über Theater 39 O presente artigo tem como objetivo refletir sobre o processo de criação da montagem “As Lágrimas de Heráclito”, baseado no texto do Padre Antônio Vieira, que teve sua estréia no dia 23 de março de 2011, detectando o tipo de relação estabelecido entre texto e cena, ou seja, entre dramaturgia e encenação, bem como a idéia de “técnica mista” que pode ser encontrada na estrutura dessa montagem. Além disso, discorre sobre as relações entre “representação” e “apresentação”, sobre o conflito central estabelecido na obra e sobre as linhas temáticas do trabalho. Mesa 9 - Cena Contemporânea: Atuação e Performance Coordenadora: Mara Leal Sala de Interpretação – 06/05/2011 – 14h às 18h 1. Virtualidade e Memória no Processo de Criação do Espetáculo rosmaninhos... Alan Carlos Monteiro Júnior Professor/ IFPB Coletivo UZUME Teatro Este trabalho reflete sobre os conceitos de “virtualidade” e “memória” em Pierre Lévy e Henry Bergson, junto às leituras de Renato Ferracini do LUME teatro, utilizados no processo de criação do espetáculo rosmaninhos.... Esta montagem foi dirigida por Alan Monteiro no coletivo UZUME teatro como parte de sua pesquisa de mestrado, originada a partir da adaptação do texto “Hamlet” de William Shakespeare através de experimentações das corporeidades e fisicidades contidas no folguedo do Cavalo Marinho ensinadas por Mestre Zequinha (Bayeux – PB). Possui orientação

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comunicação artística: o artista, a obra e o espectador. A artista abre o debate sobre o corpo na contemporaneidade abarcando diferentes áreas de conhecimento. Buscarse-á compreender a radicalização de suas proposições e a intensidade das contaminações que a artista realiza ao eleger o corpo como receptáculo de sua obra e suas possíveis reverberações no campo das artes cênicas. 4. O Banquete dos Heróis, pelo Coletivo de Performance Heróis do Cotidiano Gilson Moraes Motta Professor/UFRJ Coletivo de Performance Heróis do Cotidiano e Tania Alice Caplain Feix Professora/UNIRIO Coletivo de Performance Heróis do Cotidiano A comunicação consiste na apresentação dos fundamentos teóricos e do processo de criação da performance O BANQUETE DOS HERÓIS, realizada pelo COLETIVO DE PERFORMANCE HERÓIS DO COTIDIANO, seguida da exibição do vídeo (duração de 7’ 25”) das apresentações feitas na MOSTRA SESC DE ARTES SÃO PAULO 2010. Numa atualização do texto O BANQUETE, de Platão, os Heróis do Cotidiano realizam um banquete em espaço público, onde diferentes convivas falam sobre o Amor na contemporaneidade. Com base na “estética relacional”, a performance busca instaurar um espaço de convivência, onde aspectos da intimidade venham a ser postos em espaço público, gerando novas formas de sociabilidade. 5. O Corpo Esvaziado: Relações entre o Yoga, o Butoh e os Processos de Criação. Maria Julia Stella Martins Instituto Cultural Janela Aberta Esta comunicação apresenta o resultado de uma pesquisa prática e teórica acerca de um processo de criação em performance que traz como elementos básicos o Yoga e o Butoh. Deste entrecruzamento desenvolveu-se uma metodologia de criação que foi denominada de “corpo esvaziado”. Esta metodologia de criação busca produzir um “corpo esvaziado” capaz de cartografar fluxos energéticos e poéticos, estabelecendo uma relação gestual expressiva e comunicativa. Busca-se construir um corpo expressivo que é ao mesmo tempo cósmico e singular, que é ancestral e tecnológico, que reafirma e expande suas condições orgânicas, simbólicas e culturais; ressignificando sua relação com os objetos e com o meio no qual está inserido propondo novas matrize combinatórias.

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metodológica na apropriação do referido grupo teatral da técnica de mimeses corpórea desenvolvida pelo LUME Teatro (UNICAMP). Esta pesquisa propõe auxiliar o ator a descobrir e organizar ações na composição de seu corpo-em-arte.

2. Poéticas de vida, risco e morte no Teatro de Objetos: uma demonstração do experimento. Ana Carla Machado de Moraes Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU Teatro do Miúdo e Ana Cláudia Zumpano/ Letícia Alvares Ferreira/ Lucas de Carvalho Larcher Pinto Graduandos em Teatro/IARTE/UFU Teatro do Miúdo

A demonstração compartilha a pesquisa desenvolvida pela mestranda no programa de pós-graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia, destacando vida, risco e morte como possibilidades poéticas no Teatro de Objetos. As experiências compartilhadas têm sido realizadas no Laboratório Seres, criado pela pesquisadora, do qual participam três estudantes do curso de graduação em Teatro da mesma instituição. Explorar uma relação sensível e não utilitária entre sujeito e objeto está entre os desdobramentos da dramaturgia atual. O objeto na relação com o sujeito é presença, lugar de projeção e agente de transformação. Abordar essa relação poética potencial é o foco central deste estudo.

3. Contaminações: O corpo como receptáculo do efêmero na poética de Lygia Clark Dirce Helena Benevides de Carvalho Professora/UFU A presente comunicação versará sobre a poética de Lygia Clark (1920 – 1988), no momento em que a artista realiza a passagem do objeto de arte permanente para a imanência do ato com Caminhando, 1964. Aqui ocorre uma mudança paradoxal na trajetória da artista, onde há a desmistificação da obra de arte permanente e a transição da idéia da transcendência do objeto para a imanência do ato do espectador. Após Caminhando a artista faz a supressão do objeto transferente e elege o corpo como tema de sua obra subvertendo os três elementos da

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6. Artes Cênicas e Tecnologia: navegando além das fronteiras Mariana de Souza Montezel Graduanda em Teatro/PIBIC/UFU A tecnologia está em todos os lugares e cada vez mais presente na vida das pessoas. Por que então não pensarmos em tecnologia e arte? Muitos grupos de dança e teatro têm realizado criações envolvendo tecnologia, mas pouco se sabe a respeito dos seus processos de criação com as novas mídias. Quem são esses grupos no Brasil? Como a tecnologia aparece no processo criativo? Ela está presente no momento da criação, aparece como forma de registro ou está a serviço da divulgação? As abordagens das tecnologias nos trabalhos artísticos são múltiplas assim como são múltiplos os grupos que abordam esse tema. Portanto, esta pesquisa de iniciação científica (PIBIC) iniciada em 2011 visa investigar os grupos que trabalham na interface entre as artes cênicas e a tecnologia no Brasil. 7. A memória individual e coletiva como forma de criação artística da performance “Me conte um segredo e me de um beijo” Wesley dos Santos Melo Graduando em Teatro/PIBIC-CNPq/UFU Nesta comunicação apresentarei o percurso do processo de criação da performance “Me conte um segredo e me deixe um beijo” e seus desdobramentos até o momento. A performance faz parte de minha pesquisa de iniciação científica cujo objetivo é refletir sobre a importância da memória pessoal e coletiva para a criação de performances. A performance, performance art ou performance artística é circunstância da expressão artística interdisciplinar que – assim como o happening – pode aliar e unir teatro, música, poesia ou vídeo. É um trabalho que tem sua gênesis na segunda metade do século XX, mas suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda (dadaísmo, futurismo, Bauhaus, etc.) do início do século passado e uma de suas principais características é o forte caráter biográfico e, portanto, de utilização de memória pessoal como meio ou tema de performances. Pretende-se, para esta pesquisa, utilizar a auto-etnografia como uma ferramenta para análise dos processos de composição de performances que serão realizadas pelo pesquisador.

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Mesa 10 - Diálogos entre linguagens: teatro, música, artes visuais e dança Coordenadora: Mariene Hundertmarck Perobelli Sala de Encenação – 06/05/2011 – 14h às 17h 1. Parar para sentir, sentir para dançar: Percepções e o potencial criativo. Bruna Bellinazzi Peres Pós-Graduanda/Mestrado em Artes/UFU O artigo traz como foco de análise questões sobre o artista - criador que trabalha com o corpo e sua multiplicidade de possibilidade e potencial criativo. Ao problematizar a questão do saber sensível do corpo, pretende-se estabelecer parâmetros para uma reflexão sobre a forma cartesiana de se pensar as dualidades: razão/emoção e corpo/mente, indagando, assim, sobre quais os saberes necessários ao corpo para realizar movimentos, no contexto da expressão poética da dança. Deste modo, analisa a proposta de estimulação dos cinco sentidos da percepção para, através dessas sensibilizações, estudar possibilidades de ativação do potencial cognitivo e criativo de artistas-criadores. O trabalho estabelecerá diálogos conceituais com os conteúdos apresentados por António Damásio, Patrícia Leal, Helena Katz e Rudolf Laban. 2. La Casa - Hibridização na criação cênica. Élder Sereni Ildefonso Mestrando UNESP O artigo trata da análise da instalação coreográfica "20Hz" do “Projeto La Casa” da cidade de Monteviéu (UR), projeto que agrupa diferentes eixos temáticos para composição de intervenções, instalações, performances, vídeo-dança e espetáculos. Formada pelo encontro de artistas de diversas linhas de atuação (dança, teatro, música, ciências, arquitetura, figurino, fotografia e cinema), suas propostas cênicas procuram a interação entre as artes e espaços alternativos. O projeto aposta na criação artística como plataforma de transformação e recodificação social, com pretensão de que o sujeito/espectador relacione-se com o espaço por diversas maneiras, ampliando as percepções objetivas e subjetivas para situações sutis do cotidiano, que são muitas vezes imperceptíveis ao olhar desatento e viciado à dinâmica urbana.

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3. A música e a cena Hermilson do Nascimento Professor/pesquisador/ IARTE-Música/UFU e Yaska Antunes Professor/pesquisador/ IARTE-Teatro/UFU O presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar os diálogos possíveis entre a música e a cena. Em virtude de ser recente o encontro de professores advindos do teatro e da música com desejos de estabelecer interfaces profícuas entre as duas linguagens, esta apresentação se restringirá neste momento a relatar o desenvolvimento de projeto conjunto, bem como o estudo e pesquisa da bibliografia da área, as experiências existentes nesse campo bem como formas de interações possíveis da música de cena, da música na cena, da cena musical e música cênica. 4. Dança em campo expandido Laura S. Ribeiro Cascaes Doutoranda UDESC Este artigo pretende destacar processos artísticos contemporâneos em dança no intuito de enfatizar a importância da “dialogicidade” junto à reflexão das práticas discursivas presentes na integração de linguagens expressivas. Para tal, analisará aspectos de composições em dança que privilegiam o trânsito, a circulação entre as narrativas, que por sua vez, proporcionam a transposição e diluição das fronteiras entre os territórios da expressividade, desterritorializando certezas e colocando em foco lugares de diálogo, de presença.

5. Cultura Corporal, Rítmica e Musical na Tradição Popular Brasileira: consciência, ludicidade e educação estética Maria Aparecida de Souza Doutoranda UFBA Os recursos totais que envolvem o corpo, sua relação entre ritmo e cena são, nas práticas espetaculares dos brincantes pernambucanos, um modo sintético de conformação de habilidades. Da análise da estrutura corporal, rítmica e musical da ciranda e coco, manifestações populares de ampla expressão naquele estado, destaco sua relevância histórica e contribuição para uma educação estética, visando extrair dali as condições dramáticas para engendrar uma cena. É possível notar que nas brincadeiras que contam com palavras, rimas e versos, profusos são os neologismos e poesia crítica social forjadas na faia da relação comunal. Noto um laço identitário com os “griots” ou “dieli” africanos porque, cá como lá, as transformações criativas afluem no indivíduo e jorram na comunidade.

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6. Cenografia, arquitetura e urbanismo: um novo núcleo cultural em Juiz de Fora. Marília Costa Cunha Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e Carlos Eduardo R. Silveira (co-autor) Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora Juiz de Fora é uma cidade que possui uma vivência cultural bem presente no que se refere a teatros, eventos musicais e de dança, exposições artísticas, entre outros. Porém, todo este núcleo cultural se concentra na parte central da cidade, nos eixos e nas imediações da Avenida Rio Branco, Avenida Independência e Rua Santo Antônio. Sendo assim, esta pesquisa propõe a expansão deste núcleo para uma área de Juiz de Fora que abriga importantes conjuntos arquitetônicos históricos tombados, que merecem mais atenção e uso como estratégias de preservação destas construções. Assim, eles não serão perdidos ao longo do tempo devido à degradação natural e falta de manutenção. Aqui, o espaço cenográfico surge como elemento centralizador das intenções projetuais, unindo as linguagens artísticas: cenografia, arquitetura e urbanismo. 7. Vestígios da linguagem cinematográfica na escritura teatral. Myriam Pessoa Nogueira Doutoranda/ UFMG Este trabalho é o primeiro capítulo de uma tese, em que procuro vestígios da narrativa cinematográfica nos textos de dramaturgos. Traço também um panorama geral da influência do cinema no teatro, desde os primórdios do primeiro, com projeções, até peças multimídias contemporâneas. Portanto, a linguagem cinematográfica “dá luz” na direção, e, por fim, no texto. É um panorama mundial, mas traçando referências de trabalhos brasileiros.

8. Objetos Sólidos – Cacos de um corpo em queda. Priscilla Kelly Silva Vieira Graduanda em Teatro/IARTE/UFU Coletivo Teatro da Margem A demonstração técnica Objetos Sólidos – Cacos de um corpo em queda propõe a investigação corpórea a partir dos “viewpoints”, pontos de atenção inerentes ao movimento, que tem como princípios a relação e a percepção sensível e o modo como tal prática se relaciona com o processo de criação do espetáculo Objetos Sólidos.

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Orientações gerais 1. Da apresentação do trabalho a) A ordem dos nomes colocada nas mesas temáticas não corresponde à ordem de apresentação; b) A ordem das exposições será organizada pelo coordenador de mesa e apresentada quando do dia da apresentação; c) Cada participante inscrito ( a contar da ficha de inscrição) terá até 20 minutos para expor o trabalho; d) A entrega dos textos completos deverá ser efetivada dois meses depois após o dia da apresentação; 2. Regras para elaboração e envio dos trabalhos: 2.1 –Regras de submissão: - Enviar o arquivo do texto completo para o email mcalixtomarques@uol.com.br até 05 de julho de 2011. – O arquivo deve ser em fomato Doc ou Open Office (extensões aceitas: .doc; .docx). – Nomear os arquivos com o seu nome e sobrenome. Ex.: Luiz_Moura_resumo.doc / Eventuais dúvidas deverão ser encaminhadas para o email: mcalixtomarques@uol.com.br.

2.2 -Estrutura dos trabalhos: e) Cabeçalho, contendo: Título do trabalho, Nome do(a) autor(a); f) Nota de rodapé: Nome do(a) Orientador(a), Bolsa (quando houver), local de trabalho ou programa de estudo; g) Textos com até 20.000 caracteres; h) Referências bibliográficas (seguindo as normas da ABNT).

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2.3 -

Regras de Formatação:

i) Espaço entre linhas: 1,5 (Exceto cabeçalho, palavras-chave e Referências bibliográficas: espaço simples); Fonte: Times New Roman 12, citações longas e notas de rodapé: Times New Roman 10; Margens/Recuo: 3 cm esquerda e superior, 2 cm direita e inferior; Citações: citações curtas inseridas no corpo do texto, entre aspas; citações longas (acima de 3 linhas) em parágrafo independente, com 4cm de recuo, fonte 10 e espaçamento simples entre as linhas, sem aspas e , quando necessário, uso de colchetes; Parágrafo: Justificado, em uma única coluna; Referências: Inserir referências bibliográficas ao final do resumo expandido, em lista única. Inserir apenas as referências efetivamente mencionadas no corpo texto; Notas: rodapé no fim de página; Imagens e tabelas: Utilizar imagens em alta-resolução (300 dpi). j) Os textos que não atenderem às normas exigidas pelo Seminário serão desconsiderados. k) Caso o congressista desejar entregar o trabalho completo no dia da comunicação oral, deverá enviá-lo para o mesmo e-mail citado anteriormente: mcalixtomarques@uol.com.br.

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FESTIVAL LATINO AMERICANO DE TEATRO

Universidade Federal de Uberlândia Curso de Teatro Realização: Grupo de Estudos sobre Teatro na América Latina Grupo de Estudos de Textos e Cenas Curso de Teatro Universidade Federal de Uberlândia

Apoio:

www.ruinascirculares.com.br

Caderno de resumos  

caderno de resumos do festival Ruinas Circulares

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