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a S a n t C at a r i n a

tal N eção ossa Capi Col

Cristina Santos

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Cristina Santos

Florianópolis

No início, a Ilha de Santa Catarina era um importante ponto de parada e abastecimento dos navios europeus, antes de prosseguirem viagem. O primeiro povoamento surgiu muito tempo depois de sua descoberta,

a capital em uma ilha

localizando-se onde atualmente está a Praça XV de Novembro. Com um tímido crescimento populacional, Portugal corria sérios riscos de perder para a Espanha esse estratégico território. Então, chegaram centenas de famílias do arquipélago de Açores, para dar início às primeiras freguesias. Mas foi

Alexandre Viana

por meio da construção de uma ponte que a cidade adquiriu impulso para seu

ilustrações

crescimento. Rodeada por praias e por morros verdejantes, esta cidade repleta de

Pintura de Victor Meirelles Vista do Desterro ‒ atual Florianópolis, c. 1851 Óleo sobre tela, 78,2 x 120,0 cm

Florianópolis, a capital em uma ilha

Foto: Eduardo Marques

natureza é considerada uma das mais belas capitais do Brasil.

a S a n t C at a r i n a

tal N eção ossa Capi Col


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Hino de Florianópolis (Rancho do amor à Ilha) (Lei Municipal n. 871, de 8 de julho de 1968) Letra e música: Cláudio Alvim Barbosa (Zininho)

Brasão da cidade

Um pedacinho de terra, perdido no mar!... Num pedacinho de terra, beleza sem-par... Jamais a natureza reuniu tanta beleza jamais algum poeta teve tanto pra cantar! Num pedacinho de terra belezas sem-par! Ilha da moça faceira, da velha rendeira tradicional Ilha da velha figueira onde em tarde fagueira vou ler meu jornal.

Bandeira da cidade de Florianópolis

Tua lagoa formosa ternura de rosa poema ao luar, cristal onde a Lua vaidosa sestrosa, dengosa vem se espelhar... Florianópolis


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Cristina Santos

a S a n t C at a r i n a

Col

tal N eção ossa Capi

Florianópolis a capital em uma ilha

Alexandre Viana ilustrações 1a edição 2011


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Todos os que me conhecem se encantam com a beleza das minhas paisagens. Estou localizada no sul do Brasil, em uma ilha que guarda muitas histórias de um passado cheio de mistérios, conquistas e aventuras. Quanta coisa já aconteceu aqui! É um pouco dessa história que eu quero contar a vocês... Ela começa muito antes da chegada dos europeus, que vieram me colonizar. Naquela época, eu era totalmente coberta pela exuberante mata atlântica e cercada por restingas, dunas e manguezais. Os arqueólogos estimam que meus primeiros habitantes já estavam aqui desde quatro mil e quinhentos anos atrás e, por meio de suas pesquisas, tentam desvendar as pistas deixadas por esses povos. Entre elas, estão as enigmáticas inscrições rupestres presentes nas ilhas do Campeche e do Arvoredo e nas praias do Santinho e da Galheta. Outra pista são os artefatos feitos com pequenos pedaços de pedra. Os habitantes pré-coloniais iam até as grandes rochas localizadas nas praias e friccionavam e poliam pedaços de pedra, dando-lhes o formato que desejavam. Pacientemente esculpiam instrumentos cortantes e pontas de lança, úteis à sobrevivência, e até mesmo bonitos adornos com formas de animais. Nas praias dos Ingleses, Joaquina, Santinho e Matadeiro, há diversas concavidades nas grandes rochas perto do mar. Esses locais são chamados de oficinas líticas e, juntas, guardam um inestimável registro dessa atividade. Posteriormente, por volta do ano 1100, um novo povo começou a se estabelecer aqui, os índios Guarani. Eles me chamavam de Meiembipe, o que significa ‘‛montanha ao longo do mar’, porque esse é o meu formato, quando observada do continente. O povo Guarani estava por toda parte.

Oficina lítica no costão sul da Praia dos Ingleses.

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A s aldeias dos Guarani ficavam próximas das restingas e dos manguezais; perto delas, desenvolviam-se plantações de abóbora, milho, algodão, amendoim, inhame e mandioca. Com a mandioca, os índios faziam a farinha, que já existia desde aquela época. Com a argila, confeccionavam tigelas de cerâmica, em que cozinhavam o alimento. Os índios utilizavam o garapuvu, uma árvore de madeira leve e macia, para fabricar canoas, com as quais navegavam até outras partes da ilha. Também atravessavam o estreito canal de mar, que eles chamavam de Jureremirim, e iam até o continente. Se não me engano, foi em um desses passeios que eles avistaram ao longe o primeiro navio europeu. Eram os primeiros anos após o descobrimento do Brasil. Naquela época, de tempos em tempos, navios europeus navegavam pela costa catarinense, em direção sul, para explorar as riquezas na região do Rio da Prata. Até que, em 1514, os comerciantes portugueses d. Nuno Manoel e Cristóvão de Haro entraram em uma das baías e chamaram-me de Ilha dos Patos. Talvez bandos de gaivotas e de biguás, que ainda são facilmente observados nadando nas águas das baías, tenham sido o motivo da escolha do nome.

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Canoas de garapuvu, que ainda são utilizadas na Lagoa da Conceição.

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Poucos anos depois, em 1516, o espanhol João Dias Solis teve seu navio naufragado, ao entrar pela Baía Sul. Esse episódio fez que eu recebesse um novo nome, Baía de los Perdidos, e me tornasse conhecida pelos navegadores. Não demorou muito para que outros viajantes fizessem aqui breves paradas, reabastecendo-se, antes de navegar para novas descobertas em direção sul ou para as grandes circum-navegações. Com várias enseadas, eu me tornei um porto mais que seguro! Os índios começaram, então, a conviver com os viajantes europeus, que passaram a chamar os Guarani de carijós. Estes tratavam o homem branco com amabilidade e traziam diversos víveres para abastecimento dos navios, como cabaças cheias de mel, palmito, milho e farinha de mandioca. Também caçavam animais silvestres que não são mais encontrados aqui, como o bugio, o porco-queixada e o veado-mateiro. Pescavam peixes em abundância e mostravam onde encontrar água cristalina para beber. Em troca, ganhavam anzóis e outros artefatos que não conheciam. Árvores de madeiras nobres começaram a ser retiradas das florestas para recompor os navios maltratados pelo mar. Então, em 1526, um fato importante aconteceu. Quando tentava entrar com sua frota de navios pela Baía Sul, o italiano Sebastião Caboto perdeu um deles em um naufrágio. Com o auxílio dos carijós, ele e sua tripulação construíram outro barco. Caboto acabou ficando por quatro meses e deu-me um novo nome: Ilha de Santa Catarina. Não se sabe ao certo se este nome foi dado em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou a Catarina, esposa de Caboto.

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Continuei a presenciar a chegada e a partida dos mais diferentes navios que navegavam em direção sul ou retornavam de lá. E acabei me tornando um excelente ponto estratégico para abastecimento e recuperação das embarcações de diversas nacionalidades. Muitas vezes, náufragos e alguns tripulantes ficavam aqui. Depois iam embora, com a tripulação de outras embarcações, retornando a seus países. No fim do século XVI, eu já não sentia a presença das grandes aldeias do povo Guarani. Os viajantes, com suas necessidades de abastecimento, começaram a alterar os costumes e a ameaçar a tranquilidade dos índios. Além disso, havia a notícia de que bandeirantes vicentistas, vindos da capitania de São Vicente, percorriam longas distâncias em busca de índios para o trabalho escravo nos engenhos na Região Sudeste. Muitos fugiram para o interior do continente; outros foram capturados. Fiquei praticamente desabitada e quem passava pela costa avistava apenas poucas choupanas. Os pouquíssimos habitantes sobreviviam do escambo feito com os viajantes vindos de regiões distantes.

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Florianópolis, a capital em uma ilha