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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

FOTO: ÁLBUM DE FAMÍLIA

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Antologia poética homenageia Elicio Pontes Livro será lançado quinta-feira (17) Página 15

Ano VII - 324

Rombo da Previdência é invenção do governo Conclusão é da CPI do Senado após 4 meses de trabalho Páginas 4 e 5 e Editorial - Página 2

Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017

Passageiros do medo FOTO: DIVULGAÇÃO E ANTÔNIO SABINO (DETALHE)

Regularização de lotes causa discórdia em Vicente Pires Página 8

Obras na EPAR sepultam sonho do VLT para o aeroporto Chico Sant’Anna - Página 11

Superlotação vira problema menor. A cobradora Valdecira Oliveira (no detalhe) mostra como levou uma gravata dos ladrões

MP investiga farra dos crachás na Câmara Legislativa

Andar de ônibus no DF é um perigo. O crescimento do número de assaltos aterroriza passageiros e rodoviários. Apenas neste ano, foram 1.586 ocorrências, segundo a Secretaria de Segurança. Enquanto isso, a Justiça considera ilegal o aumento das tarifas

Pelaí - Página 3

Página 10, Pelaí - Página 3 e Editorial - Página 2


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br

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E D I T O R I A L

x p e d i e n t e

Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 99139-3991 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com Impressão Gráfica Jornal Brasília Agora Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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Reféns do medo Na página 10 desta edição, você lê reportagem sobre o aumento de assaltos a ônibus no Distrito Federal e algumas histórias sobre mais uma causa de enorme estresse nos rodoviários. O medo é geral. Um assaltante pode estar à espreita antes ou depois da roleta. Aqui, o retrato é ainda mais assustador: onde quer que esteja, o cidadão conviverá com medo de ser vítima de rou-

nTaguatinga Shopping

Não há dúvida de que a informação é mais um motivo para o sentimento de generalizada insegurança que toma conta de todos. Apenas em 2017, até o final de julho, foram 1.586 roubos em coletivos, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Significa dizer que a marginalidade mantém a população da capital da República refém do medo.

Dúvidas sobre a Previdência É preciso mesmo modificar as regras da Previdência Social, limitando direitos e benefícios dos trabalhadores, como prega o governo federal? Afinal, os cofres previdenciários estão ou não no limite da capacidade de cumprir seus compromissos? O modelo atual, de fato, exauriu-se? São perguntas com respostas distintas, a depender de quem as responda, como tem sido constatado nos últimos quatro meses durante as audiências na Comissão Parlamentar de Inquérito da Previdência Social, no Senado Federal. A CPI chegou à conclusão de que o problema não é falta de dinheiro. A questão é, numa só palavra, cor-

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nErramos Na edição 323, o artigo “A Taguatinga que perdemos” saiu sem a assinatura do diretor-geral do Jornal Satélite, Wílon Wander Lopes. Na edição 322, escrevemos que o Brasília Capital é o “único jornal” com circulação regular na cidade, além dos diários Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Na verdade, somos o “único semanário” com circulação regular.

bo e a dramática possibilidade até de perder a vida num latrocínio. Latrocínio – roubo com morte – como nomenclatura é o que menos importa para todos, incluindo os usuários de transporte coletivo. A deprimente crueza desta realidade está no risco constante que cada um corre todos os dias. Seja em casa ou na rua, de carro ou a pé, e, ultimamente, dentro de um ônibus.

Se fossem dois gays, os fiscalizadores da moral já estariam chamando-os de depravados, que isso vai contra os valores da família etc. André Santana, via Facebook Vi o vídeo! Está na cara que é encenação! Emerson Oliver, via Facebook Já vi no estacionamento! E os seguranças não fizeram nada! Patricia Helena Azevedo, via Facebook Comentários sobre o vídeo de um casal fazendo sexo no Tagua-

rupção. Mas suas excelências preferem chamar isso de desvio de recursos, má gestão e uso de dinheiro onde não deveria. Os senadores falam até em desrespeito à Constituição e má-fé do governo ao manter sob o manto do segredo as contas previdenciárias. De acordo com a CPI, foram R$ 2 trilhões desviados dos cofres da Previdência, 15 vezes mais do que o rombo anunciado. Como fontes das informações, a comissão aponta as autoridades no assunto ouvidas até agora. Então, não há outra saída. As contas da Previdência precisam ser divulgadas amplamente, de tal maneira que a sociedade possa ter

como reagir diante de informações diametralmente opostas. Como o governo não tem credibilidade para dar confiabilidade aos dados que apresenta, os cidadãos ficam atarantados. Confiar em quem? Uma realidade não escapa: a de que dificilmente exista alguma conta sob a responsabilidade de governos que estejam contabilmente ajustadas. Para os mais puristas, quando se fala em contabilidade, refere-se apenas e tão-somente a números fechados sem roubo, igualmente para usar apenas uma palavra. Tudo isso fortalece e amplia ainda mais aquelas interrogações iniciais.

a r t a s

tinga Shopping, que viralizou na página do Brasília Capital no Facebook. n2018 Transporte público, saúde, segurança, pagamento dos servidores, terceirizados sem receber salários. A população não tem mais como sobreviver. Até sede estamos passando com esse governo que não sabe administrar e ainda está pensando em 2018. Será que ele não enxerga? Que não vê que o DF não tem mais jei-

to? Espera o meu voto que você vai ver se vai ser reeleito. Valdemar Hilário, via Facebook O que o Izalci acha disso? Eu nunca votei na direita aqui no DF, mas diante do fracasso do Agnelo e do Rollemberg (apesar de não ter votado nele e sim nulo) se o Frejat se candidatar eu vou pensar seriamente em votar nele. Valdeci Borges, via Facebok Comentários sobre nota da coluna de Odir Ribeiro dando conta de que Rollemberg quer o apoio do PSDB nas próximas eleições.

nRaquel Dodge Negociata para varrer tudo para debaixo do tapete e na cara dura. Se fosse na época do PT já tinha um panelaço. Eduardo Von Schneider, via Facebok Temer está igual ao Maduro da Venezuela, fazendo tudo em beneficio próprio. José Ricardo Oliveira, via Facebook Sobre encontro de Raquel Dodge e Michel Temer fora da agenda oficial.


Brasilia Capital n Política n 3 n Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br

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o dia 22 de agosto, o Tribunal Regional do Trabalho, 5ª Região, da Bahia, divulgará o resultado da licitação para contratar empresa que ensinará magistrados e funcionários a fazer caminhadas e corridas. O edital do Pregão Eletrônico 051/17 foi publicado dia 7 no Diário da Justiça Eletrônico do TRT. O pregoeiro é Nivaldo Souza Magnavita Filho.

BERTOLUCCI

MP investiga farra dos crachás A farra dos crachás na Câmara Legislativa mostrada pelo Brasília Capital na edição 323 entrou no radar do Ministério Público. Dezenove deputados distribuíram 63 credenciais especiais para parentes e aliados. Uma das linhas de investigação dos promotores visa apurar se os crachás foram distribuídos a funcionários que prestam serviço aos gabinetes mas são remunerados com verba indenizatória. NEPOTISMO – A artimanha jurídica seria uma saída para contratar parentes driblando a lei do nepotismo. O crachá especial dá direito, entre outros benefícios, a acessar a garagem e áreas restritas do prédio. A investigação corre nos Ministérios Públicos de Contas (MPC-DF) e do Trabalho (MPT-DF).

DIVULGAÇÃO

Aumento ilegal A juíza Cristiana Torres, da 1ª Vara da Fazenda Pública, decidiu que é ilegal o aumento das passagens de metrô e ônibus no DF para até R$ 5. No entanto, a volta dos preços aos patamares anteriores só será autorizada pela Justiça após os trâmites cabíveis, o chamado transitado em julgado, no jargão jurídico. A ação foi popular foi proposta pelo deputado distrital Wasny De Roure (PT/foto). INSUFICIENTES – Na avaliação da juíza, o déficit orçamentário não deve ser transferido para os usuários do transporte público por se tratar de uma política pública. Ela considerou insuficientes os argumentos do governo para reajustar os preços. NOVO DECRETO – Com a ilegalidade decretada pela primeira instância, mesmo o governo recorrendo, a tendência, segundo juristas, é de que a decisão seja acatada pelo Judiciário, suspendendo o aumento. A saída para o GDF – que alega ser necessário o reajuste para recompor os custos do transporte público – será editar outro decreto, respeitando os passos previstos em Lei. Publicado no dia 31 de dezembro do ano passado, o reajuste das passagens pegou os brasilenses de surpresa. A Câmara Legislativa chegou a derrubar o decreto, mas não conseguiu evitar o aumento nos preços.

Israel, Telma, Celina e Bispo Renato: unidos por Águas Claras

Parabéns pra Telma Cerca de 100 convidados comemoraram, quinta-feira (10), o aniversário da deputada Telma Rufino (Pros). O almoço foi na Costelaria Boina, em Águas Claras. Entre moradores, empresários e assessores, compareceram os distritais Israel Batista (PV), Bispo Renato (PR), Celina Leão (PPS) e Lira (PHS), e o administrador da cidade, Valdeci Machado, indicado pela parlamentar.

Drácon já tramita no TJDFT Arquivado pela Câmara Legislativa, o processo de cassação dos deputados distritais envolvidos na Operação Drácon começou a tramitar no TJDFT na quinta-feira (10). Celina Leão (PPS), Raimundo Ribeiro (PPS/foto), Julio César (PRB), Cristiano Araújo (PSD) e Bispo Renato (PR) são acusados de cobrar propina em troca de emendas parlamentares. As defesas dos parlamentares entraram com embargos alegando que o processo seria ilegal. O recurso foi negado. DIVULGAÇÃO

ÁGUAS CLARAS – Ao agradecer a homenagem, organizada pelo jornalista João Carlos Bertolucci (Jornal Repórter Independente), Telma Rufino frisou que Águas Claras é uma das prioridades de seu mandato, destinando emendas para que o Governo realize as obras reivindicadas pela comunidade.

Sem brincadeira Pré-candidato ao Buriti, o deputado Izalci Lucas (PSDB) avalia que “a falta de capacidade do atual governador” ajuda os opositores. “Os últimos dois governadores do DF (Agnelo e Rollemberg) são servidores públicos e se elegeram sem a mínima noção o dia a dia do empresariado. Não dá para assumir o GDF para brincar”. PEGA NO COLO – Izalci não reconhece o protagonismo do GDF na aprovação da lei que permite Brasília conceder incentivos fiscais similares aos oferecidos por outros estados. “As coisas não acontecem da noite para o dia. Quando um empresário resolve montar sua empresa em Goiás, os caras o carregam no colo. Aqui é bem diferente”.

Difícil missão O portal Congresso em Foco premiará pela décima vez os melhores parlamentares do Brasil. Só concorrem políticos que não respondem a acusações no Supremo Tribunal Federal. O regulamento está publicado no congressoemfoco. uol.com.br. Os interessados podem sugerir alterações até 30 de setembro. A difícil missão de escolher os melhores terá o apoio de jornalistas, membros da sociedade civil e especialistas.


Brasília Capital n Política n 4 n Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br

Valdeci Rodrigues

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soma do dinheiro desviado da Previdência Social chega a mais de R$ 2 trilhões. A cifra é 15 vezes maior do que o déficit nas contas previdenciárias alegado pelo governo. O valor foi apurado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, chancelado e divulgado pelo presidente do colegiado, Paulo Paim (PT-RS). Os trabalhos da comissão, que começaram em abril, foram reiniciados na segunda-feira (7) e vão se estender por mais quatro meses. Paulo Paim frisa que o valor é resultado de números citados por especialistas e entidades de diversos setores da sociedade, incluindo fiscais da Previdência, que apresentaram “farta documentação comprovando que a soma dos desvios, das sonegações, das dívidas e da DRU (Desvinculação das Receitas da União) chegam a mais de R$ 2 trilhões, montante que poderia estar nas contas da Previdência”. HÁ DINHEIRO - “A missão da CPI é árdua e aos poucos está deixando claro para a sociedade que a Previdência não possui déficit algum”, afirma Paim. “A CPI está mostrando a verdade e provando que a Previdência é superavitária. É uma questão de gestão, de organização, de combate à sonegação, de fiscalização, de arrecadação e de não permitir desvios para outros fins”, acentua o senador. A Assessoria de Comunicação Social da CPI informa que entre as conclusões dos trabalhos até agora, com base nas audiências públicas, há divergências conceituais sobre as receitas tributárias que financiam a Previdência Social. E que o governo federal elabora a contabilidade previdenciária “a partir das próprias convicções e não baseado na Constituição Federal. Isso demonstra que o déficit defendido pelo governo contém incongruências técnicas”. A Assessoria de Comunicação do Ministério da Previdência responde destacando as razões da reforma: evolução populacional com mais pessoas em idade de aposentadoria e fragilidade financeira, exatamente o oposto do que divulga a CPI. De acordo com o ministério, “o déficit do RGPS (Regime Geral de Previdência Social) foi de R$ 86 bilhões em 2015. Estima-se que esse valor suba para R$ 152

O falso rombo da Previdência CPI do Senado garante que há dinheiro para aposentadorias e que reforma do sistema não é necessária

bilhões em 2016 e para R$ 181 bilhões em 2017”. Na semana de 14 a 18 de agosto, membros do ministério participarão de audiências públicas na CPI. A síntese do que foi apurado pela CPI da Previdência aponta ainda “que a legislação tem contradições e brechas que facilitam a sonegação e a discussão do débito tributário com a utilização de mecanismos processuais e de ordem legal”. De acordo com a CPI, existe “total impunidade em relação àqueles que cometem crimes contra a Previdência, como a sonegação e apropriação indébita”. A assessoria de comunicação fez um roteiro nas falhas das contas previdenciárias. FRAGILIDADE – Os números apresentados pelo governo “são frágeis, inconsistentes e sem critérios técnicos mais

“A CPI está provando que a Previdência é superavitária. É uma questão de gestão, de organização, de combate à sonegação, de fiscalização, de arrecadação e de não permitir desvios para outros fins” Paulo Paim

rigorosos”, de acordo com a CPI. O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, Vilson Antônio Romero, disse que há informações “forjadas pelo governo por meio de um resultado orçamentário artificial e negativo com a intenção de agravar o déficit e forçar a aprovação da reforma”. De acordo com os levantamentos da Anfip, de 2012 a 2015 houve uma sequência de superávits na Seguridade Social que somam R$ 220 bilhões. Por isso, houve a defesa de “auditoria independente nas contas da Previdência e a criação de mecanismos mais ágeis para a cobrança da dívida ativa. Os palestrantes chamam de falso o déficit da Previdência apresentado pelo governo, e ponderam que o sistema previdenciário é superavitário.


Brasília Capital n Política n 5 n Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br Brasília Capital n Cidades n 9 n Brasília, 5 a 11 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br DIVULGAÇÃO

Como evitar o déficit Houve unanimidade entre os convidados para audiências na CPI da Previdência Social em pregar a “revisão de isenções para entidades filantrópicas, o fim das desonerações das contribuições sobre a folha de pagamento das empresas, e a Desvinculação de Receitas da União (DRU) sobre o orçamento da Seguridade Social”. Argumentam que, “segundo levantamento da Anfip, a DRU retirou R$ 284,5 bilhões do orçamento da seguridade de 2012 a 2015”. Os convidados solicitam combates às fraudes na concessão, revisão sistemática dos benefícios, principalmente de incapacidade, necessidade de uma auditoria de fiscaliza-

ção mais rigorosa e recuperação da dívida como alguns meios viáveis para o futuro da aposentadoria dos brasileiros. “Sendo assim, é preciso melhorar os processos administrativos do INSS, com o objetivo de evitar a judicialização de problemas dos segurados”, de acordo com a assessoria. A CPI começou a funcionar em 26 de abril e funcionaria por 120 dias. Foi prorrogado por igual período. Foram ouvidas 87 pessoas. De devedores nas áreas de educação, frigoríficos, bancos, indústria e comércio, magistrados, Ministério Público, sociedade civil, trabalhadores, centrais sindicais, especialistas, professores e o governo federal.

Mobilização dos bancários do BRB garante vitória contra a Pelo 35/2016

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do DF votou e derrotou nesta legislatura a Proposta de Emenda à Lei Orgânica 35/2016. A votação foi nesta terça-feira (8). De autoria da deputada distrital Telma Rufino (PROS), a Pelo 35 pretendia desobrigar os servidores do GDF a terem de abrir conta corrente no BRB para receber o salário, abrindo margem para a precarização e privatização do banco. A proposta não levava em conta que já existe a portabilidade que garante que o servidor transfira, sem nenhum custo e automaticamente, todo e qualquer recurso seu para outra instituição financeira. Convocados pelo Sindicato, bancários e bancárias do BRB engrossaram o coro e acompanharam a votação que garantiu a inadmissibilidade do projeto. Os trabalhadores

assumiram um papel fundamental na luta pela manutenção do caráter público do BRB, sob ameaça caso a proposta fosse aprovada. Votaram e se manifestaram contra a Pelo 35 os deputados Prof. Reginaldo Veras (PDT), Prof. Israel Batista (PV), Júlio Cesar (PRB) e Chico Leite (Rede). Cristiano Severo, secretário-geral do Sindicato, avaliou que a participação dos funcionários juntamente com o Sindicato teve influência direta para a derrota do projeto na Comissão de Constituição e Justiça. “Nós, bancários, construímos hoje uma grande vitória contra esse projeto que demonstra a organização e força dos bancários e tem grande significado para marcar posição contra qualquer tentativa de sucateamento ou privatização do banco”, assegurou o dirigente sindical.


Brasília Capital n Política n 6 n Brasília, 12 a 18 de agosto de 2017 - bsbcapital.com.br

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combate a todo tipo de preconceito será a temática do Oitavo Concurso de Redação e Desenho do Sindicato dos Professores no Distrito Federal. Com esta preocupação, os estudantes da rede pública de ensino trabalharão o tema “O mundo tem lugar para todos”. O objetivo é despertar o debate sobre o respeito, o combate à intolerância e a importância de aceitar as diferenças. Os estudantes inscritos neste ano deverão apresentar redações ou desenhos que remetam à discussão sobre, por exemplo, motivos, consequências e soluções para este problema que nada mais é que o ato de julgar os valores e culturas com base nos padrões de uma ideologia própria e o fruto da não aceitação daquilo que é diferente. Dentre as inúmeras formas

Abertas inscrições para concurso de redação e desenho do Sinpro Podem participar alunos da rede pública. Professores também concorrem a prêmios de violência, o preconceito é a pior delas, pois acarreta conflitos e segregação entre os grupos que compõem a sociedade. Nesse sentido, caracteriza-se como uma ameaça à convivência pacífica, principalmente em relação às minorias étnicas, na medida em que se transmite através de gerações. As inscrições são gratuitas e estão abertas para estudantes da Educação Infantil, de 4

e 5 anos de idade, até o Ensino Médio. As redações e os desenhos poderão ser encaminhados até o dia 20 de outubro à sede ou às subsedes do sindicato, ou, ainda, às escolas e deixadas à disposição dos diretores do Sinpro, que irão buscá-las até a data-limite. Os prêmios serão distribuídos para estudantes vencedores e professores ou orientadores educacionais indicados pelos participantes. Dentre os

prêmios aos vencedores, estão Xbox, bicicletas, laptops e remuneração, de acordo com cada categoria. Os professores indicados ganharão vales-viagem e vales-presente. Os estudantes da Educação Infantil, do CEE e classes especiais, bem como os matriculados do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental/EJA expressarão sua opinião por meio de desenho. Os estudantes do 4º ao 9º ano do Ensino Funda-

mental/EJA e do Ensino Médio/ EJA, por sua vez, discutirão a temática na forma de redação. As inscrições devem ser feitas via internet para que o inscrito obtenha o código de participante, o qual será utilizado na Folha de Redação como único instrumento de identificação do trabalho. O Concurso de Redação do Sinpro faz parte da Campanha contra a Violência nas Escolas, uma iniciativa do sindicato, adotada em 2008, para ensejar, entre os estudantes da rede pública de ensino, a reflexão sobre as causas, as consequências e as soluções para a violência – um problema que afeta toda a sociedade. Para mais esclarecimentos, veja o regulamento do concurso no site www.sinprodf.org. br ou pelo telefone 61-33434236. No site também estão os links com todo o material necessário para a inscrição.


O racionamento de água já faz parte da vida da gente. E para enfrentar a seca, todos têm que fazer a sua parte. Precisamos da sua atitude. Do seu exemplo. Que você use a consciência e não desperdice. Agora, mais do que nunca, cada gota conta.

#useaconsciência. Não desperdice.

www.useaconsciencia.df.gov.br


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Regularização e discórdia Terracap dá prazo até 21 de agosto para interessados em comprar seus lotes em Vicente Pires. Associação contesta GABRIEL JABUR / AGÊNCIA BRASÍLIA

Gustavo Goes

rechaça a possibilidade de venda e afirmou que os imóveis devem ir a leilão. Segundo ele, a Terracap não conseguiu vender nenhum imóvel habitado que não fosse para o próprio ocupante. “Se colocar no leilão e não tiver comprador no primeiro lance, tem que colocar 50% abaixo do valor no segundo lote. Estão chantageando e ameaçando os moradores”, completou Gilberto Camargos.

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ermina na segunda-feira da próxima semana (21), o prazo para os moradores da gleba 3 de Vicente Pires cadastrarem seus imóveis na Terracap. É o primeiro passo para a regularização fundiária da região administrativa. Entretanto, se depender de alguns habitantes locais, a do GDF não sairá do papel. Esses moradores entraram com ações judiciais de usucapião – prescrição aquisitiva - e com provas de que os terrenos vendidos pela Terracap não pertencem ao Governo de Brasília. A Associação de Moradores da Vicente Pires (Amovipe) sustenta que 70% dos moradores da ex-Colônia Agrícola são contra a regularização “imposta” pelo GDF e que, portanto, não cadastrarão seus imóveis no programa. O presidente da entidade, Gilberto Camargos, garante que a regularização não sai no atual governo. “A área da Fazenda Vicente Pires (gleba 3) era de 1.162 alqueires e foram desapropriados apenas 400 alqueires. A Terracap recebeu isso. Porém, ela vendeu, dentro da fazenda, sem fazer demarcação da área comum, 670 alqueires. Isso é inadmissível. Eles já venderam mais do que tinham. Queremos uma demarcação e que eles comprovem”, disse. AUDIÊNCIA PÚBLICA – Foi realizada uma audiência pública na segunda-feira (7) para discutir a regularização. O presidente da Terracap, Júlio César Reis, o senador Hélio José

Gilberto Camargos (no detalhe), da Amovipe, critica regularização proposta pelo governo para a colônia agrícola que virou cidade

(PMDB-DF) e o deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) estavam presentes. Izalci, que é presidente da comissão mista que aprovou a MP 759/2016 – que dispõe sobre regularização fundiária urbana e rural – criticou a forma com que o

GDF vem conduzindo as negociações com os moradores. “Aprovei a emenda que permite ao ocupante enviar uma Proposta de Manifestação de Aquisição (PMA) para imóveis da União. A Terracap, no entanto, está aproveitando

o momento para lucrar com a venda. O GDF só pensa em arrecadar com os lotes. A Terracap é uma imobiliária que tem que ir ao banco para conseguir pagar a folha salarial dos funcionários”, disse Izalci. O presidente da Amovipe

Comércio apoia proposta do GDF Para o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Vicente Pires (Acivip), Reynaldo Taveira (foto), a regularização vai beneficiar os moradores, que há anos reivindicavam a ação do governo. “É importante o GDF se aproximar da população e atender seus anseios. Vicente Pires foi desenvolvida apenas por moradores e empresários, que fizeram a infraestrutura atual. Ruas foram pavimentadas com a ajuda de todos. Até equipamentos para

a rede elétrica foram doados”, lembra. O dirigente da Acivip acredita que o processo de regularização não será concluído no atual governo. Mas destaca que este primeiro passo dado pela gestão Rollemberg vai fomentar o comércio na cidade. “A regularização viabilizará ações do governo e novos projetos de desenvolvimento poderão ser formulados, nos moldes do Pró-DF, por exemplo”, completou Reynaldo Taveira.

TERRACAP – A assessoria de comunicação afirma que a Terracap não recebeu nenhuma notificação da ação movida pelos moradores. “Desde o início, quando da criação do projeto urbanístico e da emissão das licenças ambientais, a empresa vem mantendo um diálogo transparente com as associações que representam as pessoas que ali residem, realizando diversas reuniões com todos os moradores, inclusive mostrando a documentação necessária, comprovando a propriedade da Terracap”, diz a nota enviada ao Brasília Capital.

SERVIÇO O prazo para os moradores se cadastrarem vai até 21/8. O cadastro é obrigatório para quem quer ter direito aos descontos oferecidos pela Terracap, de acordo com as normas vigentes. Após o cadastro, a Terracap vai publicar um edital, com o valor de cada um dos lotes, convocando os moradores a exercer o direito a comprar diretamente da empresa. Ainda não há previsão para a publicação do edital.


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GDF transforma HRT em depósito de dores e aflições humanas A cada dia que passa, fica mais evidente que o problema do Sistema Único de Saúde do Distrito Federal (SUS-DF) é a incapacidade dos atuais gestores públicos. O cenário atual encontrado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no início de uma série de visitas, é uma das provas disso. A quantidade de pacientes espalhados pelos corredores da unidade é assustadora. Os médicos mal conseguem se deslocar entre uma e outra maca. As falhas, que parecem incorrigíveis para o atual governo, não param por aí. Além de exames, medicamentos, aparelhos e ambulâncias, faltam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e até vigilantes (que estão em greve), para atender toda a demanda. A situação foi relatada ao Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMéGutemberg Fialho, dico-DF), durante visita reapresidente do Sindicato dos lizada na última quarta-feira Médicos do DF e advogado

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ortadores de HIV/ Aids no Distrito Federal estão apreensivos com a falta de reagentes para avaliação e controle de carga viral, indispensáveis para monitorar a infecção, orientar o tratamento e ter como prever a evolução da doença. Há duas semanas, a ONG Amigos da Vida, com sede em Brasília, tornou público que havia um problema ainda mais grave: a falta do medicamento Lamivudina. Mas a sua distribuição já foi restabelecida. Uma enfermeira de uma das farmácias que atendem os pacientes confirmou ao Brasília Capital a falta de reagentes, atribuindo a situação à escassez de recursos no Governo de Brasília. Um cidadão recém-diagnosticado, também com a condição de não ser identificado, conta que teve de fazer os exames em clí-

(09). O primeiro pedido de cas no HRT é a cardiologia. socorro dos servidores da O hospital deveria ser refeunidade, no entanto, foi fei- rência no atendimento carto em uma denúncia escrita: diológico para as macror“Nossos pacientes são aten- regionais de Saúde Oeste didos de forma precária ou, (Ceilândia e Brazlândia) e até mesmo, deixam de ser Sudoeste do DF (Taguatinatendidos por absoluta falta ga, Samambaia e Recanto de profissionais e condições das Emas). No entanto, por de acolhimento”, narram os absoluta falta de gestão por profissionais no documen- parte da Secretaria de Saúto e asseguram que, por au- de (SES-DF), pacientes insência de estrutura e má ternados chegam a esperar mais de 70 gestão, é dias para seprovável rem submeque o nútidos à cirurmero de gia. Para um mortes simples eleevitáveis trocardiograaumente. ma, é preciso U m a encaminhar das áreSuperlotação no HRT os usuários as críti-

Susto nos portadores de HIV Rede pública no DF está sem produtos químicos para exames no tratamento dos doentes nica particular com auxílio da Amigos da Vida. “A agilidade permitiu que meu tratamento não fosse interrompido”, afirmou. SOCORRO – O presidente da ONG, Christiano Ramos, conta que recebeu muitos pedidos de ajuda e denúncias, e que a apreensão com a falta da Lamivudina foi assustadora. Sem o remédio pode haver

comprometimento do esquema terapêutico, tornando o vírus resistente à medicação. “Em 17 anos de atividade da Amigos da Vida, nunca houve falta de medicamentos para o HIV/Aids nas farmácias do Centro de Saúde 1 - Hospital Dia de Brasília. Esta situação é alarmante”, afirma Ramos. Os pacientes assistidos pela ONG, nestes casos, recorrem a laboratórios particulares parcei-

ros da organização. INFORMAÇÕES – De acordo com o Lab Tests Online, a carga viral é uma avaliação quantitativa do RNA do HIV e fornece informações usadas em conjunto com a contagem de linfócitos CD4. Manter a carga viral o mais baixa possível durante o máximo de tempo diminui as complicações, retarda a evolução da doença e prolonga a vida. Há vários métodos de ava-

do hospital para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). O caos na cardiologia do HRT chegou a tal ponto que, na tentativa de encontrar uma solução, a ideia é abdicar do título de “referência em cardiologia”. “Estamos exauridos, sobrecarregados, desmotivados e, sobretudo, esgotados”, desabafaram os servidores. “Esse mesmo abatimento é visível nos rostos dos pacientes amontoados em macas, cadeiras e até no chão do pronto-socorro do hospital. É desumano e vamos denunciar isso aos órgãos de fiscalização”, acusa o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

liar a carga viral. Não devem ser comparados resultados de métodos diferentes. A carga viral é pedida quando é feito o diagnóstico de infecção pelo HIV. Em geral, pede-se em conjunto com uma contagem de linfócitos CD4. Os resultados fornecem uma base para comparação futura e indicam se o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Quando o tratamento é iniciado, o médico pede uma carga viral em duas a oito semanas . O exame é feito a cada três ou quatro meses. A carga viral é relatada como o número de cópias do vírus em 1 mililitro de sangue. Alterações da carga viral são muito importantes. Contagens crescentes indicam piora da infecção ou resistência aos medicamentos, e contagens decrescentes indicam inibição da replicação viral e


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FOTOS: ANTÔNIO SABINO

Águas Claras mais limpa

Perigo a bordo Cresce número de assaltos a ônibus Gustavo Goes

N

a quinta-feira (10) à noite, dois adolescentes invadiram o ônibus em que Cleiber da Vitória Barros, 29 anos, trabalhava como cobrador. A dupla foi direto ao caixa e, antes que ele esboçasse qualquer reação, recebeu cinco facadas. Os golpes atingiram-no na cabeça e no ombro. O rodoviário foi levado para o Hospital Regional de Ceilândia. As lesões foram superficiais. Cleiber pôde voltar para casa. O terror vivido por Cleiber é cada dia mais frequente no sistema de transportes públicos do DF. A colega dele, Valdecira Oliveira, 60 anos, que durante 33 anos trabalhou como cobradora de ônibus em Brasília, já viveu momen-

tos difíceis. “É traumatizante. Eles abordam o motorista, depois o cobrador. Vêm com arma, faca e tudo que possa intimidar quem está dentro do ônibus”, conta. Segundo ela, nas três décadas dedicadas ao trabalho, “nunca corremos tanto risco quanto atualmente”. O perigo percebido por Valdecira e experimentado na pele por Cleiber é confirmado pelas estatísticas do governo. Foram 1.586 roubos a coletivos até o final de julho, um aumento de 6% em relação ao mesmo período de 2016. As informações são do balanço da Secretaria de Segurança Pública, divulgado na última semana. Em relação a 2015, o aumento foi de 28,5%. Valdecira recorda momentos de terror que viveu

Jorcelito José de Lemos, motorista

Lázaro Barbosa, motorista

dentro de um coletivo há dois anos. Os ladrões anunciaram o assalto e foram em sua direção. “Me deram uma gravata (faz o gesto com o próprio braço) e apontaram uma arma para o meu peito. Entreguei todo o dinheiro que tinha no bolso da camisa, mas eles sabiam que tinha mais na minha calça. Cheguei na delegacia passando mal”, disse. PRECAUÇÕES – O motorista Lázaro Barbosa afirma que, por medo de assalto, em determinadas situações evita pegar passageiros “estranhos” nas paradas. “Se eu cismar que o cara é ladrão, fico ‘veiaco’. Não paro quando desconfio de dois jovens vestidos com roupas com mensagens negativas ou alguém

Paulo Roberto Rodrigues, cobrador

Rodoviários e passageiros do Terminal de Taguatinga Sul recordam momentos de tensão dentro dos coletivos. Valdecira tem as marcas da violência no corpo

com terno bonito e sapato estranho. Já me apontaram arma e faca. Fui assaltado, até por um indivíduo com roupa de rodoviário”, conta. Vítima de cinco roubos, Paulo Roberto Rodrigues, 49 anos, é cobrador na mesma linha de Lázaro. Ele afirma que quando começou em seu primeiro emprego no transporte público, em 1990, a sensação de segurança era maior. Hoje, evita fazer viagens para locais onde esse tipo de crime é mais frequente, como Estrutural, Setor O, Recanto das Emas e Samambaia. Jorcelito José de Lemos, 48 anos, nunca presenciara um assalto dentro de ônibus. Entretanto, na terça-feira (8), quando voltava para casa, em Cidade Ocidental (GO), dois homens embarcaram próximo ao viaduto do Periquito, no Gama, e mandaram os passageiros entregar os celulares. “Acabou meu encanto”, desiludiu-se o rodoviário. *Os rapazes que feriram o cobrador Cleiber foram contidos pelos 20 passageiros do coletivo e levados pela Polícia Militar para a Delegacia da Criança e do Adolescente.

O programa Cidades Limpas chega a Águas Claras na quinta-feira (14). Em parceria com a Secretaria das Cidades, a Administração Regional desenvolverá ações de limpeza, conservação e revitalização dos espaços públicos da cidade. As atividades durarão até sexta-feira (25) da próxima semana. Serão feitos serviços de roçagem de mato, poda de árvores, retirada de entulho, desobstrução de bocas de lobo e remoção de carcaças de veículos. As demandas foram selecionadas pela administração com base em pedidos dos moradores. Uma das ações mais esperadas é a remoção de carcaças de automóveis. Levantamento preliminar da regional mapeou dezenas de carcaças espalhadas e comunicou aos donos para que providenciem a retirada. Caso a determinação não seja cumprida antes de segunda-feira (14), o Detran poderá recolher os veículos abandonados. Lançado em novembro do ano passado, o programa Cidades Limpas já passou pelo Gama, Itapoã, Paranoá, Estrutural, Planaltina, São Sebastião, Brazlândia (duas vezes), Ceilândia (duas vezes), Sobradinho II, Fercal, Vila Planalto e Guará. O objetivo é promover melhoria imediata no ambiente urbano. “Uma cidade limpa e bem cuidada aumenta a autoestima dos moradores, previne doenças e até afasta os criminosos”, avalia o administrador Valdeci Machado. Além da Secretaria das Cidades, da Administração de Águas Claras e do Detran, participam da ação a Agência de Fiscalização (Agefis), Codhab, CEB, Caesb, Novacap, Corpo de Bombeiros, SLU, Polícia Civil, e PM. Serviço Lançamento do Cidades Limpas em Águas Claras Segunda-feira (14 de agosto) 8h Praça Rouxinol (ao lado do Colégio Sigma)


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FOTOS: CHICO SANT’ANNA

Por Chico Sant’Anna

Epar (vista panorâmica) atravessa duas grandes áreas ambientalmente sensíveis

Bye bye, VLT do aeroporto O brasiliense voltará a viver transtornos no trânsito. Além da Saída Norte, onde são executadas as obras do Trecho de Triagem Norte (TTN), dentro de poucos dias a Saída Sul também vai ganhar obras por um período de um ano. Três anos depois de o GDF entregar a Estrada Parque Aeroporto, para receber o trânsito do BRT, haverá novas ampliações. Uma nova via de cada lado da EPAR (DF-47) permitirá o tráfego dos ônibus do BRT até o aeroporto, sepultando de vez projeto de interligar o terminal ao Plano Piloto com os modernos bondes elétricos do VLT. MEMÓRIA – Para a Copa do Mundo, um túnel foi construído sob o Bambolê da Dona Sarah a um custo de R$ 53 milhões. Uma hecatombe ambiental naquele que era o principal cartão de visita de Brasília. Além disso, em 2012, com o abandono do VLT para o aeroporto, o governo federal repassou R$ 100

milhões para as adaptações requeridas pelo BRT. A medida resultou ainda na eliminação do canteiro central da EPAR, onde existia uma alameda com 70 sibipirunas plantadas na década de 1960. Todas essas obras passadas, sem planejamento integrado e de longo prazo, obrigam agora a um novo remendo cobrado pela InfraAmerica, que reclama a falta de transporte eficiente conectando o aeroporto. O remendão custará agora mais R$ 18.176.585,20, recursos provenientes de financiamento da Caixa Econômica. A obra envolverá os 2,1 quilômetros entre o fim do Eixão Sul e o terminal do aeroporto. Novas faixas na lateral da via terão junto novos acessos tanto para quem trafega entre o Plano Piloto, bem como para os que se dirigem ou vem do Lago Sul e Park Way, Gama e Santa Maria. Também está prevista a instalação de nova sinalização e de ciclovia.

Alameda de sibipirunas foi destruida para dar lugar à via do BRT em 2014

Em busca do eleitorado

BRT na Epar faz contraponto com a vegetação

Empecilhos ambientais A ampliação será feita em um local complexo. Há redes subterrâneas de energia, telefonia e de fibra ótica e um duto da Petrobrás que leva combustível até o aeroporto. Além disso, a EPAR atravessa duas áreas ambientalmente sensíveis. De um lado a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) de Vida Silvestre do Riacho Fundo e, de outro, o início do Lago Sul, onde chegam o Riacho Fundo e o Córrego do Guará. Quando esse projeto foi iniciado, no governo Arruda, pontes foram erguidas sobre o Riacho Fundo, mas empecilhos ambientais impediram o alargamento das faixas entre o Riacho Fundo e o Aeroporto. No governo Agnelo, em janeiro de 2013, o Ibram concedeu a licença, na qual exige compensações ambientais mediante a execução e manutenção de aceiros em diversas Unidades de Conservação do DF.

Faixas exclusivas para ônibus O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, esclarece que a obra de alargamento da via possibilita a implantação de faixas exclusivas para o BRT, melhorando a conexão do aeroporto com o Terminal Asa Sul do metrô e com a Rodoviária do Plano Piloto ao aeroporto. “Em setembro de 2010, por determinação judicial, o contrato da obra do trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do aeroporto foi anulado e a obra paralisada. Dessa forma, considerando a demanda existente para o aeroporto, a secretaria de Mobilidade passou a adotar como solução de mobilidade para área por meio do aperfeiçoamento da estrutura de transporte coletivo existente para a região.”

As recentes propostas de uso e ocupação do solo, de introduzir atividades econômicas nas residências, bem como de um novo plano urbano para o Park Way, têm colocado a comunidade do bairro no campo oposto ao governador Rodrigo Rollemberg. Nessa semana, parece que ele resolveu dar um novo tratamento à comunidade, onde ele mesmo reside. Aproveitou o seminário Pensar Park Way, organizado pelos moradores, e não só se fez presente, como cinco de seus secretários lá estiveram. Não foram afastadas de todo as potenciais ameaças urbanísticas, mas Rollemberg falou em alto e bom som que não deseja adensar o Park Way e que o padrão de densidade demográfica atual do bairro é que o assegura ambientalmente. Prometeu, inclusive, avaliar a reivindicação da criação do Parque do Córrego Seco, como forma de proteger as nascentes desse tributário do Ribeirão do Gama. Os moradores ainda ouviram do secretário de Transporte a promessa de pôr em funcionamento ainda neste ano as quatro estações do BRT. Sem uso, desde que ficaram prontas, algumas delas estão servindo para tiro ao alvo, praticado por vândalos. Fabio Damasceno prometeu ainda um bicicletário público para que os usuários do BRT possam se locomover internamente no bairro. Tudo para este ano. É esperar para ver.

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress.com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com


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Por Odir Ribeiro

PSDC vira Democracia Cristã FOTOS: DIVULGAÇÃO

A onda de substituir siglas por nomes chegou ao Partido Social Democrata Cristão (PSDC), do eterno presidenciável José Maria Eymael. A mudança foi aprovada no Congresso Nacional da agremiação, realizado nos dias 4 e 5 passados, em Curitiba (PR). A legenda passa a chamar-se simplesmente Democracia Cristã. JUVENTUDE – O empresário brasiliense Sérgio Ferreira, vice-presidente da Democracia Cristã no DF, vai comandar a juventude nacional do partido. VOTO IMPRESSO – De volta a Brasília, Sérgio Ferreira já começou a trabalhar as duas principais bandeiras definidas no congresso do partido. A primeira é a defesa do voto impresso. A outra é o parlamentarismo. TRANSPARÊNCIA – “O voto impresso garante mais transparência na apuração das eleições, pois, hoje em dia, as

pessoas votam e não há como confirmar se o voto foi computado corretamente”, defende o líder da juventude. AGILIDADE – Quanto ao parlamentarismo, argumenta que esse sistema de governo “dá mais agilidade na aprovação de propostas. E, em uma eventual substituição do primeiro-ministro, o país não fica refém da crise política”. MAJORITÁRIA – Sobre a política no DF, Sérgio Ferreira diz que o partido pretende lançar candidatos a deputado distrital e federal, mas não descarta também a participação em alguma chapa majoritária. EFICIÊNCIA – “O importante é termos pessoas que queiram uma nova forma de fazer política, com ética e transparência. É fundamental elegermos pessoas comprometidas com uma gestão voltada para a eficiência”.

UM PASSARINHO ME CONTOU ...que todo mundo quer se lançar candidato a deputado distrital e que estão faltando vagas nos partidos para tantos interessados... ...que até os partidos nanicos estão sentindo esse interesse

súbito de algumas pessoas em ingressar na política... ...que para os partidos – nanicos e grandes – escolhem até mesmo as “buchas de canhão” a dedo. Embora pareça, as legendas não são tão bagunçadas assim...

Sérgio Ferreira (esq.) com José Maria Eymael: missão de comandar a juventude nacional da legenda

...que as “buchas de canhão” são aqueles candidatos que têm entre 500 e 2 mil votos. Assim funcionam os bastidores de uma eleição... ...que se as regras eleitorais mudarem mesmo em 2018 será praticamente o fim dos partidos nanicos. Essa é previsão... ...que o deputado federal Rogério Rosso (PSD) não estará no projeto de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg. Isso é fato... ...que o destino de Rosso é um grande mistério: está naquela posição de ficar só observando...

Editor do blog Rádio Corredor, que acompanha os bastidores da Câmara Legislativa e do Palácio do Buriti

Cristovam no Planalto A Executiva do PPS-DF lançou, segunda-feira (7), a pré-candidatura de Cristovam Buarque (foto) à Presidência da República. Prevaleceu o entendimento de que a militância local não pode ignorar mobilizações em prol do senador em vários estados. O assunto será debatido no congresso da legenda, em novembro. “Se o partido desejar, estou pronto para assumir a candidatura”, afirmou o senador.


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Depois da morte A única certeza da vida é a morte. Entretanto, poucos se interessam em estudar sobre o tema. Cada religião tem uma interpretação própria, mas os budistas tibetanos têm uma postura interessante. Por ocasião da morte dos seus familiares, eles cantam e acendem velas, para que a luz simbolize o caminho a ser iluminado e a alma possa seguir para sua nova pátria. Neste caso, a alma não sofre com a inconformação e lamúria dos encarna-

dos que aqui permanecem. Já o Espiritismo detalha em muitos livros o processo da morte. Entre tantos, o mais interessante está contido no livro “Obreiros da Vida Eterna”, da lavra de Chico Xavier. O espírito desliga-se do corpo e paira sobre ele na horizontal, ligado pelo cordão de prata. Então, a sujeira da alma, gerada por pensamentos e sentimentos ruins, passa parcialmente e lentamente para o cadáver pelo cordão de prata

Agosto, o mês da amamentação Amamentar é um ato de amor. O leite materno é o alimento mais completo para o bebê. É o primeiro alimento para a espécie humana. Ele oferece proteção imunológica e nutrientes essenciais, especialmente no início da vida, quando outros alimentos não podem ainda ser oferecidos para suprir nossa demanda de nutrientes. Estamos retornando a cultura da amamentação, o que considero uma grande vitória para nossa sociedade. O início da vida é fundamental para

a saúde humana. E a prática de amamentar, que é algo tão natural e necessário para nós, e estava sendo perdida. O aleitamento materno exclusivo deve acontecer até os seis meses. Porém, a partir daí ainda é recomendado manter o aleitamento junto com outros alimentos até pelo menos os dois anos de vida. Após dois anos, o aleitamento pode acontecer sem nenhum problema, e a interrupção da amamentação deve ser uma decisão da mãe e da criança.

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410 Ligue e participe: (61) 9 9881-3086 www.opovoeopoder.com.br

(cordão fluídico), até que espíritos especializados venham e façam o desligamento. Quanto tempo demora? Depende de como levou a vida. Quanto mais material e apegado, maior será a duração. Para onde vai depois? Depende de cada um. De 70% a 80%, segundo Chico Xavier, fica por aqui mesmo, sem entender o que se passa, e fugindo dos familiares e amigos que se aproximam para ajudá-lo, mas pouco a pouco, entenderá... Os demais 20% a 30% serão atraídos para regiões paradisíacas ou de sofrimento, de acordo com a Lei do Mérito e a Lei dos Semelhantes. Se for para regiões de sofrimento ficará até limpar a alma. Se se revoltar, ficará indefinidamente. Diferentemente de outras religiões que falam das regiões de sofrimen-

to como castigo para as almas, o Espiritismo refere-se a elas como regiões educativas, onde as almas expurgam seus miasmas doentios e refletem sobre a forma como viveram, ensinando ainda que as orações, a continuidade das boas obras deixadas pelo falecido, e as boas lembranças são incentivos para que se adaptem mais rapidamente às regiões onde vão viver e continuar seu processo de evolução. Há quem questione sobre a validade das orações. Ainda que não fizesse efeito sobre ele, faz sobre quem ora, porque é transformadora, melhorando a qualidade de suas energias.

Não existe leite fraco. Todo leite materno será suficiente para a criança

Podemos citar os benefícios da amamentação até para a sociedade como um todo, pois tornamos as crianças mais saudáveis, com menor risco de internação por doenças infecciosas e desnutrição, além de reduzir o lixo residual quando comparamos com a utilização de fórmulas em lata. Portanto, é inclusive um ato sustentável para o planeta. Um mito ainda frequente em nossa sociedade é se o leite materno é suficiente para nutrir as crianças, pois muitas vezes as mães são levadas a crer que o leite é fraco. Quero reforçar que isso é um mito! Não existe leite fraco. Todo leite materno será suficiente para a criança.

Os benefícios para a mãe incluem o vínculo afetivo, a volta ao peso normal (pré-gestacional) e volta do tamanho do útero ao tamanho normal. Para a criança, as vantagens são imensuráveis, pois, além do vínculo afetivo e a sensação de proteção, a amamentação fornece os nutrientes essenciais necessários para o seu bom desenvolvimento e crescimento, formação adequada da microbiota intestinal, além da proteção imunológica.

José Matos Professor e palestrante

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


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Saiba o que é derivação imprópria Ouvi, nesta semana, um novo sucesso do cancioneiro popular brasileiro: Sua Cara, interpretada por Anitta e Pabllo Vittar. Um trecho chamou a minha atenção: Você já tá querendo e eu também, / Mas é cheio de história e de porém. Quero que você olhe com carinho para a palavra “porém”. Habitualmente, classificaríamos esse vocábulo como uma conjunção adversativa. No contexto em que foi empregado, todavia, essa não é a análise morfológica correta. Você consegue perceber que tanto “de história” quanto “de porém” se ligam ao mesmo vocábulo

(“cheio”)? Essa conexão é estabelecida pela preposição “de”, nos dois casos. Por questões de paralelismo, se “história” é um substantivo, podemos afirmar, sem dúvidas, que “porém” também é. “Elias, mas eu aprendi desde cedo que ‘porém’ é uma conjunção!” Na maioria das vezes, realmente, essa é a classificação morfológica dessa palavra! Mas existe na nossa gramática um processo de formação de palavras conhecido como derivação imprópria. Por meio dela, uma palavra pode mudar de classificação morfológica, conforme a necessidade de quem elabora o texto. Por isso,

Nem o palhaço Biriba gostou Em apenas um mês, o poder Executivo liberou nada menos de R$ 2,1 bilhões em emendas parlamentares, sendo 82% desse valor destinados aos votantes na Câmara dos Deputados, enquanto o usufruto dos restantes 18% coube aos senhores senadores, na sessão parlamentar que avaliou no último dia 2 a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Michel Temer, por corrupção passiva. Muito embora o custo do Legislativo tenha representado cerca de R$ 1,16 milhão por hora aos cofres públicos, o presidente comemorou o resultado que lhe foi favorável “como uma vitória do Estado Democrático de Direito”.

Resumindo, aritmeticamente, não obstante as provas, o placar final absolveu Michel Temer por 263 X 227 votos do total de parlamentares que declararam seus sufrágios verbalmente. No circo armado desde o início da manhã daquela quarta-feira histórica, o desfile incluiu nada menos de 10 ministros que se licenciaram e retornaram à Câmara para barrar a denúncia feita pela PGR. Por sua vez, a oposição também comemorou os 227 votos obtidos – alguns dos quais seriam a favor de Temer, e que ficaram na lista dos “infiéis”, perseguidos posteriormente pelo Planalto. De tal maneira se desenrolaram as farsas dos pronunciamentos dos

vou dizer o que já falei diversas vezes: as análises gramaticais devem ser feitas dentro do texto, e não fora dele. Vamos entender a lógica dessa derivação imprópria na música: há duas pessoas que se querem, mas uma delas está impondo dificuldades, por meio de histórias e de adversidades. Em outras palavras, a pessoa que está cheia de histórias diz “eu te quero, porém hoje não tenho tempo/ porém estou cansado/ porém moro longe”. Por isso, trata-se de uma pessoa “cheia de porém”. E essa mudança de classe gramatical tem uma finalidade: estabelecer a rima entre “também” e “porém”. E mais: como essas duas palavras pertencem a classes gramaticais distintas (aquela é advérbio, e esta é substantivo), a rima é classificada como rica! Sabe quem fez uso de recurso semelhante? Djavan! Veja: Só dizer sim ou não, / Mas você adora um se.

“Os indícios contra o presidente Michel Temer eram muito fortes. Acho que ele tinha de entregar os pontos e pedir pra sair” parlamentares diante do microfone, que o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o Palhaço Tiririca, externou sua revolta ao declarar a sua concordância pela abertura de investigação contra Michel Temer. E adiantou que, embora seja campeão de votos (foi reelei-

A ideia foi a mesma: “se”, nesse verso, foi transformado em substantivo, com uma finalidade: expressar que alguém adora impor condições. É parecido com o que acontece na primeira música: “se hoje eu tivesse tempo/se eu não estivesse tão cansado/se eu não morasse longe, eu estaria com você!” Ou seja, nesse caso, sempre há uma condição que impede o enlace amoroso! Você agora percebe como é possível aprender língua portuguesa em qualquer contexto em que ela esteja presente? Não apenas os clássicos da literatura são instrumentos para isso. Os clássicos devem ser estudados, mas, principalmente, como ferramentas para se compreender o presente! Só assim, poderemos aprimorar o nosso futuro!

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

to com mais de 1 milhão de sufrágios) não vai se candidatar em 2018, porque “não tem jogo de cintura”. Sobre o processo da PGR, afirmou: - “Os indícios contra o presidente Michel Temer eram muito fortes. Acho que ele tinha de entregar os pontos e pedir pra sair”. E concluiu: - “Mas nada vai mudar. O sistema é esse, é toma lá, dá cá!”. Como espectador que acompanhou o julgamento de cartas marcadas pela transmissão ininterrupta da TV Globo (superando até mesmo o horário das novelas, pago a peso de ouro pelas empresas multinacionais), coube ao conhecido jornalista e escritor Millôr Fernandes caracterizar o referido espetáculo com o seguinte veredictum: - “O Congresso Nacional é o organismo perfeito; ele mesmo julga, ele mesmo condena, ele mesmo absolve!”. Fernando Pinto Jornalista e escritor


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Porque ler Elicio Pontes: Antologia Poética

Educador e poeta, o cearense Elicio Pontes deixou a marca de seu talento como professor da UnB e nas poesia. Nas horas vagas, ainda tocava violão e fazia músicas

Obra póstuma terá seleção de poemas dos quatro livros publicados pelo autor e muitos textos inéditos

A

obra póstuma “Porque ler Elicio Pontes: Antologia Poética” será lançada na quinta-feira (17), no Martinica Café (303 Norte), a partir das 19h30. A antologia foi organizada pela escritora Olívia Maria Maia e pela Avesgráficas Editora. A obra traz poesias dos quatro livros de Elício – escolhidos por amigos colaboradores – e textos inéditos, selecionados por sua companheira Olivia. O professor Elicio Pontes frequentou a vida cultural e os eventos literários de Brasília. Publicou Corpos Terrestre, Corpos Celestes (2001), Os Olhos do Tempo (2009), Metade de Mim é Verso (2011) e Eterno Finito (2014). Em suas obras, ele mergulha na memória de menino do sertão e em sua experiência humana. Elicio Pontes nasceu em Nova Russas, no Ceará. Dos 5 aos 13 anos viveu em Crateús, onde, com oito anos, lia cordéis para ouvintes analfabetos nas ruas mal iluminadas da cidade. E escrevia e lia cartas para outras pessoas, o que lhe rendia alguns mil-réis. Mudou-se para Fortaleza em busca de estu-

do e melhores condições de vida. Quando veio para Brasília, em 1971, trouxe na bagagem seu amor pela arte de ensinar, de cantar e de “poetar”. Faleceu em Brasília dia 24 de abril de 2016. Ele faz um “encontro profundo com trilhas e cicatrizes da vida. Sabia que amor é a palavra mais refinada de todas quantas foram ou serão inventadas. E que a poesia é desde sempre, e para sempre. Além das palavras. Além da finitude”, diz a professora Alexandra Rodrigues, da UnB. Cursou Pedagogia na Universidade Federal do Ceará, tornou-se mestre em Educação pela University of Southern California (EUA) e doutor pela Universidad Nacional de Educación a Distancia (Espanha). Na

Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), ingressou, recém-graduado, para recompor o quadro de professores. Lecionou, ali, por quase quatro décadas. Elicio foi um professor-poeta – e gostava que o vissem assim. Mas, nem só de sala de aula e de poesia se fez a história desse homem. Participou ativamente pela redemocratização da universidade e do País. Foi um dos fundadores da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

Serviço: Porque ler Elício Pontes: Antologia Poética Lançamento: dia 17 de agosto de 2017 Local: Martinica Café, 303 Norte Horário: 19h30

MI C R O C O NT O Luis Gabriel Souza

Aperta e corre! (...) Tocava a campainha e saía correndo. Ficava escondido nos becos que tinham na Ceilândia/DF, nos anos 90, e esperava o morador da casa aparecer. Pronto, não tinha ninguém no portão. Voltava, apertava a campainha de novo e se escondia no beco novamente. Se deu mal. O dono também se escondeu, grudou na camisa dele, levou até sua casa e quem ouviu o sermão foi a mãe da criança. Só lembro de ouvir os estalos do chinelo. Como era muito “escondido”, não consegui ver se a batida era no corpo ou no chão. Nunca mais teve campainha tocando na vizinhança. Coisa chata, silenciosa, sem emoção, sem barraco.


Jornal Brasília Capital 324  
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