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LA MIA BANDA DI CANE È UN ANIMALE

Gabriel        

Pardal


LA MIA  BANDA  DI  CANE  È  UN  ANIMALE   Gabriel  Pardal  

                  Editado  pela   NOMEDACOUSA     Revisado  por     Manoel  Mischima     Todos  os  direitos  reservados  à  Pardal,  Gabriel.    

   


Você conhece esse cara que acorda de manhã bem cedo, toma um banho quente, veste sua roupa bem passada, se perfuma, toma café com os filhos, leva o lixo para fora, cumprimenta os vizinhos, beija a mulher na boca, sai de carro, deixas as crianças na escola e vai para o trabalho torturar quem acorda diferente. O cara te faz rir e sem você saber vai te levando pro abismo.                      


Preso o homem que ameaçou postar na internet fotos sensuais de colega de trabalho.  

         


Tem uma coisa que não dá muito bem pra fazer. Você estica o braço assim, abre a mão um tanto assim, aí coloca a língua entre esse dedo e esse dedo, fica legal de olhos abertos, e se por acaso você beber, e quiser beber um pouco, pode ser uma taça de vinho, aí fica mais legal ainda porque dá pra ver que quando a pessoa bebeu, as cores das unhas ficam mais cintilantes, quer dizer, se o braço estiver bem esticado e tudo, e se o cabelo não for muito comprido, e se ninguém estiver torcendo para que a parada dê errado, aí então, dá pra fazer, e fazer muito bem, de modo que, bem feito, fica maravilhoso.

                 


O Ministério do Brasil adverte: Nascer faz mal à saúde.


Olá,   Eu  sei  que  você  veio  aqui  para  espionar  a  minha  vida.   Eu  sei  que  você  está  atrás  das  minhas  coisas  há  muito  tempo.   Que  você  fica  me  observando.  Ou  melhor,  fica  me  vigiando.   É  porque  você  é  um  merda  de  um  idiota,  seu  merda  idiota.   Eu  sei  que  você  tá  aí  agora.  Eu  sei  que  está.   Pois  que  fique  bem  claro  que  quando  você  acha  que  está   me  seguindo,  sou  eu  que  na  sua  frente  estou  seguindo  você.                            


Pin morreu   aos   15   anos   após   discutir   com   o   pai   à   respeito   do   seu   presente   de   natal.   Ele   tinha   pedido   uma   bicicleta,   mas   o   pai,   que   não   tinha   muito   dinheiro,   acabou   lhe   com-­‐   prando  um  revólver  de  plástico.  Pin  ficou  muito  chateado  e   os   dois   brigaram   na   noite   de   25   de   dezembro.   Pin   saiu   de   casa   atormentado   e   numa   esquina   aqui   perto   de   casa   apontou  a  arma  para  alguém  na  rua.  Um  policial  que  estava   fazendo   a   patrulha   naquela   noite  -­‐   por   não   ter   filhos  -­‐   atirou   em   Pin.   Morreu   antes   de   chegar   ao   hospital.   Seu   pai   processou  a  loja  de  brinquedos,  mas  não  ganhou  a  causa.  Pin   era  um  cara  legal.                    


A PÁGINA 14 SUMIU.


Aos 15 anos ele começou a achar que era um extraterrestre. Sua missão: abduzir a própria mãe. Leva-la para os seres superiores. A mãe é o surgimento do universo, dizia ele. Durante dias e meses só falou sobre isso. Na última semana não saiu do quarto dedicado a criar o plano perfeito. Madrugada 5 de abril de 1956 ele foi em passos lentos até o quarto da mãe cumprir com seu objetivo. Chegando lá pegou sua mãe trepando na cama com o boi da cara preta. Então voltou pro seu quarto e viu o dia amanhecer jogando video-game. Nunca mais veio com essa história de alienígena.


Tudo o que fiz foi tentar acabar com tudo que pudesse me lembrar você. Inclusive destruir os espelhos de casa. Até quando olhava para mim mesmo eu via você por fora e por dentro e por tudo. Tudo o que fiz foi acabar com tudo que me lembrava você. Quando na verdade ah não droga merda eu não acredito que merda que merdaquemerdaquemeiewrda veja não sei como não sei mesmo como na verdade eu ainda merda.


Mais uma noite os caras aparecendo aqui em casa com cerveja, vinho, também um uísque, salgadinho, cannabis, todas essas coisas. Depois de três caixas de cerveja, duas garrafas de vinho, e cinco baseados, ficamos todos chapados no sofá, na rede, na mesa, no chão, olhando pro teto sem conseguir conversar, sem acertar as palavras corretas ou lembrar nossos nomes. E mais uma vez eu perguntando: - Porra, mas pra quê a gente faz isso mesmo? Por quê? Qual a razão? - A gente faz isso pra ficar mongoloide. Amanhã vai ter tudo de novo.


ESTOU COM SAUDADES DA PÁGINA 14.

:(


Dm Dm/C Bb7M Deixe-me ir, preciso andar G#º Vou por aí a procurar A7 Dm C#º A7 Dm Rir pra não chorar Dm Dm/C Bb7M Deixe-me ir, preciso andar G#º Vou por aí a procurar A7 Dm Rir pra não chorar Em7/5 Gm7 Quero assistir ao sol nascer C7 Ver as águas dos rios correr F7M Ouvir os pássaros cantar C#º A7 Dm Eu quero nascer, quero viver Dm/C Bb7M Deixe-me ir preciso andar G#º Vou por aí a procurar A7 Dm C#º A7 Dm Rir pra não chorar Dm/C Bb7M Se alguém por mim perguntar G#º Diga que eu só vou voltar A7 Dm Quando eu me encontrar (repete "Quero assitir ao sol nascer...")


Gosto de fazer esse tipo de coisa em que de repente eu n達o resisto e deixo de exist


LA MIA  BANDA  DI  CANE  É  UN  ANIMALE    escrito  por  Gabriel  Pardal.       Mais  em     http://www.gabrielpardal.com         Rio  de  Janeiro,     Maio  2008  [versão  impressa]     Maio  2012  [versão  html]  


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LA MIA BANDA DI CANE È UN ANIMALE  

zine escrito por Gabriel Pardal www.gabrielpardal.com

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