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Queer News


EXPEDIENTE Esta publicação é uma obra com fins acadêmicos para desenvolvimento de técnicas e conteúdos trabalhados na disciplina de Produção Gráfica da Universidade do Estado de Minas Gerais - Unidade Passos, segundo semestre de 2017. O aluno/diagramador Gabriel de Aquino Marques Luiz, é o organizador de todo conteúdo e único responsável

Criação do Canal

Lançada em novembro de 2014, a série é protagonizada por jovens artistas cariocas que difundem a cultura drag e tem, como principal elemento condutor de narrativa, 13 episódios em linguagem documental, cada um apresentando uma queen em seu cotidiano. A cultura drag queen vai muito além da utilização de roupas extravagantes e maquiagem excessiva. A arte de adotar um figurino excêntrico e feminino é uma atitude revolucionária e política, de fundamental papel na discussão de construção e desconstrução de gêneros, quebra de preconceitos e estereótipos, alimentação da cultura pop e na relevância das temáticas da comunidade LGBT A série da diretora Bia Medeiros acompanha o dia a dia de 13 transformistas, abordando questões relativas a essa forma de arte performática. As protagonistas desse documentário são: Alma Negrot, Aretha Sadick, Aurora Boreallis, Azazel, Charlie, Chloe Van Damme, Danjah Patra, Maria Paju, Nataliya Goncharova, Natasha Fierce, Pandora Yume, Ravena Creole e Serena Signus. Cada episódio apresenta uma artista em seu dia a dia. Algumas se montam por hobby; outras por questões políticas; e há as que o fazem apenas por realização pessoal. A câmera segue os passos de seus retratados em casa, com a família e os amigos, ou indo para o trabalho, ainda em trajes convencionais, até o momento de transformação. A proposta do canal é mostrar a todos como vive uma Drag e o que está por trás da maquiagem, estimular discussões sobre o tema, difundir e esclarecer a cultura drag e criar um senso de família e comunidade em torno das atividades que propomos. Hoje o canal possui 51.075 inscritos e conta com mais de 300 vídeos, com variados quadros diversificados.

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Pandora

Yume

Pandora Yume entra na sala é um dos principais programas do canal, comandado por Pandora Yume. Ela invade espaços, convida pessoas, conversa sobre tudo e o que mais der na telha. Pandora Yume faz da sua montação o seu ato de resistência e contestação dos padrões de heteronormatividade. Desde o começo com o propósito de desconstrução, criou o Drag Attack, uma roda de discussão sobre gêneros não-binários e formas de expressão. Pandora vem de plutão exibir suas contestações sociais usando o corpo como bandeira política, para quebrar todo e qualquer machismo e LGBTfobia com o pé na porta.

k c a t t

A g a r D

O Drag Attack veio como inspiração para o canal, o projeto tira as drags de seu ambiente natural, como os clubs, e as leva para outros lugares. “Essas figuras em ambientes diferentes como bares, parques, shoppings etc. geram discussão e conversas, o que pode ser muito positivo”, conta Bia Medeiros, diretora do canal.

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Betina Polaroid Betina é a mais nova participante do projeto, criadora do quadro “Drag Photo Studio”, onde faz um bate papo com drags convidadas, montação, e um photoshoots. O tema da primeira temporada foi “Revisitar a infância”. Cada convidada leva para o programa a sua lembrança e realiza seus sonhos de criança. A drag queen Betina Polaroid é o alter ego do fotógrafo carioca Beto Pêgo, que há alguns anos vem registrando as personagens da cena LGBT da noite carioca e suas montações em festas como Drag-se, Priscilla, V de Viadão e Rebola. Beto sempre amou o universo drag, mas foi depois de começar a assistir o reality show Ru Paul's Drag Race que seu interesse pela cultura reacendeu. Percebeu que esta cena estava se renovando e crescendo muito por aqui, então resolveu começar a fotografar as festas drag do Rio de Janeiro. Logo depois surgiu também o interesse de estar em frente às câmeras e começou a se montar. Assim nasceu Betina Polaroid, que junto de sua Polaroid rosa da Barbie, registra as melhores montações da noite carioca.

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Programação do canal Pandora Yume entra na sala (semanal), Tudo na Vida de Ravena (semanal), Crisálida por Alma Negrot (quinzenal), Sadick Fashion Hit (por temporada) Lado D (por temporada), Carão com Performances musicais (segunda temporada em 2017), Lado D, tutoriais de maquiagem (segunda temporada em 2017), Drag Photo Studio (por temporada) e Drag-se, documentários que conduzem a programação acompanhando a vida de treze drags (13 episódios, online no canal, no Canal Brasil e Daily Motion).

eventos

Além dos quadros o Drag-se também organiza vários eventos com o instituto de levar a arte drag para o seu público e dessa forma conseguir uma maior visibilidade para o seu projeto. Até hoje já foram realizados 20 eventos, organizados pelo canal, contando a com a participação de suas componentes, realizando seu trabalho e abrem espaço para as novas artistas na cena noturna. O canal também promove algumas divulgações de eventos relacionado a cena LGBTQ.

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Casa de Criadores A Casa de Criadores é um evento lançador de novos estilistas da moda brasileira. Seguindo o calendário de lançamento de coleções (primavera/verão e outono/inverno) o evento acontece duas vezes por ano na cidade de São Paulo. No evento de 2017, a Drag Aretha Sadick, integrante do Drag-se, desfilou em dois dias do evento, que engloba uma grande diversidade de modelos. Sadick fez dois vídeos mostrando como foi a sua participação no evento e batendo um papo com alguns dos envolvidos. No dia 23 de abril de 2015 alguns integrantes do Drag-se foram convidadas a participar do lançamento da coleção T. Transcender, Transgredir, Transformar-se. São eles: Azazel, Aretha Sadick, Pandora Yume, Ravena Creole, Natasha Fiercce, Alma Negrot, Sirena Signus e Chloe Van, a coleção tem assinatura de Fernando Cozendey, um dos estilistas para quem Aretha desfilou.

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Drag

Quuen

A história da humanidade apresenta inúmeras passagens em que o ato de se vestir (montar) em drag, além de um posicionamento artístico e político, foi uma necessidade cênica imposta pela sociedade e pela moral vigente. Desde a Grécia clássica até os dias atuais, homens personificam a imagem feminina em diferentes aspectos, da maneira mais realista ao total estilizamento da forma. A drag queen sofreu metamorfoses reais tanto em sua estética como em sua função, mas nunca perdeu seu principal objetivo – a grande arte do estranhamento. O interesse sobre esse assunto surgiu a partir da percepção de que a linguagem da drag queen poderia se caracterizar como um território dramático para o ator, assim como o clown, o bufão e a commedia dell’arte. Todas essas formas teatrais surgem a partir de manifestações da vida cotidiana e posteriormente se tornam objetos de estudos, pensados como territórios dramáticos em questão de linguagem e estética. Muito pouco estudo se tem sobre a drag queen e sua caminhada pelas várias sociedades e séculos, e muito ainda se confunde em termos de conceitos e terminologias. No decorrer deste artigo, pretende-se sinalizar que a drag queen trata-se de uma construção de um personagem e não uma opção sexual; logo, configura-se como teatro ou performance. Em suma, o estudo se concentra em investigar o traço histórico do que constitui a visão ampliada do artista personificador do feminino e pretende apontar que, através da história, a drag queen sempre foi um elemento espetacular

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"Drag-se"  

Mini revista produzida com fins acadêmicos.

"Drag-se"  

Mini revista produzida com fins acadêmicos.

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