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CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, sábado, 18 de junho de 2011 • Cidades • 35

VIOLÊNCIA SEXUAL

Médico preso por abuso Gabriella Furquim/Esp. CB/D.A Press

Além de uma criança de 12 anos, o responsável pelas avaliações de estupro no IML de Luziânia é suspeito de violentar outros pacientes m médico da Secretaria de Segurança Pública de Goiás é suspeito de abusar de pacientes durante a realização de exames no Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia (GO). Uma das vítimas é uma criança de 12 anos. O homem, de 32 anos, acabou preso na quinta-feira por investigadores da 14ª Delegacia de Polícia, no Gama, unidade à frente das investigações. Com o acusado, os agentes recolheram fotos de outras garotas submetidas a avaliações de conjunção carnal (necessárias para a comprovação de estupro). Os investigadores chegaram a ele após ocorrência registrada pela mãe da menina. Ela flagrou mensagens do suspeito no celular da filha — em 26 de maio, a criança se submeteu a exames no IML de Luziânia por conta de um possível estupro no Novo Gama (GO). No dia seguinte ao procedimento, a mãe encontrou torpedos assinados pelo médico. “Ele dizia que estava com saudades, que queria ver ela de novo, que ela era linda”, contou o delegado-chefe da 14ª DP, Henrique Nogueira. “Ela (a vítima)

O que diz a lei Código Penal Artigo 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Pena: reclusão de 8 a 15 anos. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Artigo 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Pena: reclusão de 1 a 4 anos. Artigo 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso. Pena: reclusão de 1 a 3 anos.

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O acusado, que atende ainda em Samambaia e no Samu, negou que tenha trocado mensagens com a vítima

Acredito que ele tenha feito mais vítimas e que novos casos vão surgir com a divulgação. Fragilizadas, as vítimas acreditavam que ele era policial e que o abuso fazia parte do exame” Henrique Nogueira chefe da 14ª DP

descreveu o exame para a mãe, que desconfiou de certos procedimentos anormais. Pelo relato, ficou claro que o médico tinha cometido o abuso”, acrescentou. Com o apoio da polícia, a mulher manteve contato com ele. Na última quinta-feira, marcou um encontro. Ele chegou ao local combinado, um ponto de ônibus próximo ao Estádio Bezerrão, no Gama, com um presente para a garota. A polícia o surpreendeu e ainda encontrou um computador e um pen drive no carro do acusado. Os aparelhos continham fotos pornográficas. E ele acabou detido em flagrante. Segundo o delegado Nogueira, o material encontrado levou à

SISTEMA PENITENCIÁRIO

Detido agente suspeito de facilitar fuga de detentos Daniel Ferreira/CB/D.A Press

Após três meses de investigação, um agente penitenciário acabou preso na manhã de ontem acusado de envolvimento na fuga de seis presos de alta periculosidade de uma ala de segurança máxima da Penitenciária do Distrito Federal 2 (PDF 2), no Complexo da Papuda. Aroldo Abreu de Souza, 28 anos, conhecido como Ted, é suspeito de ter facilitado a saída dos detentos das celas. Ele entregou ao grupo, dias antes da madrugada de 27 de maio, duas serras metálicas. Em troca, recebeu R$ 15 mil dos criminosos. Até agora, três fugitivos foram recapturados. Aroldo foi detido ontem pela manhã em Samambaia por investigadores da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). Ele saía de casa para o trabalho. Além de cumprirem o mandado de prisão preventiva, os policiais foram autorizados pela Justiça a realizar buscas na casa do suspeito. Há indícios de que ele esteja envolvido com tráfico de drogas (maconha e

Delegado Yuri Fernandes: acusado responderá por dano e facilitação crack) na Papuda. Os agentes localizaram R$ 1,7 mil em espécie, um documento referente à compra de um imóvel e uma lista com nomes de presos, entre eles, os fugitivos da PDF 2 — as identificações dos foragidos estavam marcadas à caneta. Aroldo trabalhava na PDF 2 havia dois anos e recebia cerca de R$ 4 mil como agente penitenciário. Por ser servidor público, não

passava por revista. Ele foi aprovado em um concurso público e estava em período de estágio probatório. “Ele tem um carro Honda Civic. A mulher dele, que não trabalha, tem outro. Eles moram em uma boa casa. Tudo isso levantou suspeita. Esses indícios nos levaram a pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal dele”, disse o delegado-chefe da 30ª DP, Yuri Pereira Fernandes. Presos ouvidos pela polícia confirmam a informação de que Aroldo entrava com drogas na prisão. As investigações apontam que ele recebia R$ 20 mil por semana com a venda das substâncias aos criminosos. Aroldo irá responder por dano qualificado e por facilitação. Se condenado, pode ficar preso por até 8 anos. Ao Correio, ele alegou inocência. Informou ainda que o carro da família é 100% financiado e a mulher trabalha como comerciante. “As serras podem ter vindo da cantina ou das marmitas, pois muitas delas vêm com o nome dos presos e não são revistadas”, defendeu-se.

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» MARIANA LABOISSIÈRE

suspeita de que o médico do IML de Luziânia tenha violentado outras pacientes. “Acredito que ele tenha feito mais vítimas e que novos casos vão surgir. Fragilizadas, as vítimas acreditavam que ele era policial e que o abuso fazia parte do exame”, contou.

Pena de 22 anos O especialista foi apresentado à imprensa ontem, pela polícia. Limitou-se a dizer que apenas realizou os procedimentos necessários previstos em exames de conjunção carnal. E negou que tenha trocado mensagens de celular com a criança de 12 anos. Quanto às fotos encontradas no computador e

no pen drive dele, alegou que fotografar pacientes é um procedimento corriqueiro no IML. O delegado Nogueira informou que o detido trabalhava no IML de Luziânia desde o fim do ano passado. O médico também atendia no Posto de Saúde nº 4 de Samambaia e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no DF (Samu). Casado e pai de um bebê, o médico não tinha passagens na polícia. Ele responderá a processo por ter e armazenar imagens pornográficas de crianças e de adolescentes. Ele também será indiciado por assédio e por estupro de vulnerável (leia O que diz a lei). Somadas, as penas variam de 10 a 22 anos de cadeia.

Garota atacada na casa dos pais A 33ª Delegacia de Polícia, em Santa Maria, investiga o suposto estuprodeumameninade7anos. O ataque ocorreu na madrugada de ontem na casa da vítima. O acusado, 23 anos, é amigo da família. Ele prestou depoimento e, detido, acabou encaminhado para o Departamento de Polícia Especializada (DPE). O delegado Alberto Rodrigues, da 33ª DP, informou que o suspeito ficouembriagadonanoitedequinta-feira e pediu para dormir na residência do casal de amigos — que têm três filhos, dois meninos e uma menina. Durante a noite, ele entrou no quarto das crianças, tapou a boca da garota e a levou para onde estava acomodado. A mãe acordou e reparou que a filha havia sumido. Ela entrou no cômodo do hóspede, acendeu a luz e flagrou o jovem vestido apenas com uma camisa. A vítima estava assustada. A menina contou aos pais que o homem havia tirado a sua calcinha. “A criança não tem noção do que realmente aconteceu. Mas, mesmo com a luz apagada, ela narrou os fatos com riqueza de detalhes”, contou Rodrigues. Exame realizado no Instituto de Medicina Legal (IML) não apontou penetração. Mas a perícia encontrou sangue na perna da menina, que seria de um corte na mão do suposto abusador. “De acordo com a lei, qualquer ato libidinoso é considerado estupro, mesmo que não haja a consumação do ato sexual, como foi o caso”, explicou o delegado. O acusado deve ser indiciado por estupro, com pena que varia de 8 a 12 anos de prisão.

Médico preso por abuso  

Além de uma criança de 12 anos, o responsável pelas avaliações de estupro no IML de Luziânia é suspeito de violentar outros pacientes.

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