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UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa

Resumo

CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO Disciplina URBANISMO I Orientadora ANNA CRISTINA ANDRADE

RUA FELICIANO DOURADO

O presente estudo procurou compreender através da Leitura Urbana da Rua Feliciano Dourado, permitindo o inicio dos conhecimentos dos elementos urbanos, a fim de proceder a uma análise crítica e visual sobre a relação dos usuários com o espaço público, diagnosticando problemas e potencialidade da área, tendo como objetivo a elaboração de propostas de intervenção que proporcionem desenvolvimento social, cultural, e econômico.

Palavras-chaves: Torre, Urbanismo, Morfologia Urbana, Desenho Urbano.

Leitura Urbana

Daniele Silva Santos Débora Leal Paiva Gabriella Barbalho da Silva Matos Maria Ariadny Oliveira Jacianny Rayanny Lima

João Pessoa, 2013.

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Lista de figuras

Figura 1. Fotos feitas na Rua Feliciano Dourado durante as visitas feitas.............................5 Figura 2. Analise cromática em fotografias panorâmicas....................................................6 Figura 3. : Plano de João Pessoa por Nestor de Figueiredo, no ano de 1932.........................7 Figura 4. Plano do Rio de Janeiro por Alfred Agache, no ano de 1930 .................................7 Figura 5. Mapas comparativos dos anos de 1953, 1978 e 2010...............................................8 Figura 6. Mapa de localização da Rua Feliciano Dourado..................................................9 Figura 7. Percurso abordando certa declividade na rua em estudo. Entre a Av. Aragão e Melo e a Av. Juarez Távora...................................................................................................10 Figura 8. Percurso abordando certa declividade na rua em estudo. Entre as Ruas Maroquinha Ramos e a Av. Miguel Santa Cruz................................................................................10 Figura 9. Mapa classificando os tipos de pavimentação existente na Rua Feliciano Dourado, do Bairro da Torre..........................................................................................................11 Figura 10. Croqui para analise das calçadas da Rua Feliciano Dourado.............................12 Figura 11. Mapa com medidas de calçadas e sessões de rua..........................................13 Figura 12. Mapa com medidas de calçadas e sessões de rua...........................................14 Figura 13. Imagem retirada do livro ‘Morte e Vida de Grandes Cidades’, mostrando quadras pequenas e grandes.........................................................................................................15 Figura 14. Mapa de configuração de quadras e lotes......................................................15 Figura 15. Macrozoneamento do Plano Diretor de 1992: ZIS (Zona Institucional e de Serviços) e ZR2 (Zona Residencial 2) ........................................................................................16 Figura 16. Foto de trecho do ZIS (Zona Institucional e Serviços).......................................16 Figura 17. Foto de trecho do ZR2 (Zona Residencial 2)...................................................16 Figura 18. Mapa de uso e ocupação do solo..................................................................17 Figura 19. Croqui do vazio presente na rua. Espaço vazio, onde se localiza uma árvore de grande porte. ...........................................................................................................18

Figura 21. Mapa identificando os cheios e vazios. Podemos identificar a grande quantidade de casas geminadas, e poucos lotes vazios na Rua Feliciano Dourado........................................19 Figura 22. Exemplos de tipo e modelo......................................................................................20 Figura 23. Mapa que identifica as Tipologias Arquitetônicas presentes na rua.........................21 Figura 24. Relação de um morador com usuário ou vizinhança em uma edificação que possui permeabilidade visual e a falta de relação que o morador e usuário ou vizinhança tem com uma edificação que não possui permeabilidade visual......................................................................22 Figura 25. Desenho da primeira e da última quadra, respectivamente, realizados para estudos de fachadas e da variação de permeabilidade visual.................................................................22 Figura 26. Mapa mostrando os tipos de permeabilidade visual presentes na Rua Feliciano Dourado......................................................................................................................................23 Figura 27. Exemplos dos benefícios que a arborização presente na Rua Feliciano Dourado trás, 1 e 2: Beneficio Social, 3: Beneficio Ecológico e 4: Benefício Estético.............................24 Figura 28. Mapeamento de diversos equipamentos públicos encontrados na Rua Feliciano Dourado......................................................................................................................................25 Figura 29. Diferentes tipos de vias presentes da região...........................................................26 Figura 30. Canteiro de obras do Mercado da Torre, que interdita trecho da rua, que normalmente recebe grande fluxo de carros..............................................................................26 Figura 31. Obras na rede de águas pluviais, que causam transtorno nas proximidades do Mercado da Torre .................................................................................................................... ..26 Figura 32. Mapa identificando a direção dos fluxos e as principais avenidas que cortam a Rua Feliciano Dourado ................................................................................................................... ..27 Figura 33. Analise Serial da Rua Feliciano Dourado. Percurso feito pela ruela que liga a rua em estudo com a Rua José Severino Massa Spinelli......................................................................28 Figura 34. Análise Visual criada pelo grupo, da Rua Feliciano Dourado. Percebemos que a rua apresenta dois setores: o setor onde sua maioria é de comercio (até a Av. Rui Barbosa), e o setor onde sua maioria é habitacional (após Av. Rui Barbosa) .................................................29 Figura 35. Exemplo encontrado de observação direta e indireta. Dois senhores que jogam damas, todos os dias, no mesmo local.................................................................................... ..30

Figura 20. Croqui dos cheios presentes na rua. Diversidade de cobertas, de fachadas ......18 3


Figura 36. Resposta do questionário feito, no dia 27/09/2013, às 14h32min, ao entrevistado: Mario, de 53 anos. Na imagem ao lado, senhor Mario, que é vendedor de Paraíba Cap.........................................................................................................................30

Sumário

Figura 37. Análise de Comportamento Mental da Rua Feliciano Dourado. Nota-se a diferença de uso entre uma quadra e outra..................................................................................31

LISTA DE FIGURAS

Figura 38. Análise de Comportamento Mental da Rua Feliciano Dourado...........................32 Figura 39. Mapa mental feito pelo usuário de um lava-jato, chamado Will, de 24 anos. Podemos perceber como ele desenha os carros em cima da calçada, junto com os depósitos de lixo e escadas que invadem o espaço público. ...........................................................33 Figura 40. Comparação das respostas de dois entrevistados............................................33 Figura 41. Fachada da Escola Infantil Fonte Viva e as crianças da 2ª série..........................33 Figura 42. Mapa mental feito por Izabel Vitória, de 7 anos.................................................34 Figura 43. Mapa mental feito por Kelly, de 7 anos ............................................................34 Figura 44. Mapa mental feito por Ana Letícia, de 7 anos...................................................35 Figura 45. Mapa mental feito por Itamara, de 6 anos........................................................35 Figura 46. Mapa mental feito por Carollyne, de 6 anos......................................................36 Figura 47. Mapa mental feito por Valdir, de 17 anos..................................................36 Figura 48. Mapa identificando os elementos a serem mantidos na rua estudada..................37 Figura 49. Mapa identificando os elementos a serem introduzidos na rua estudada .............38 Figura 50. Mapa identificando os elementos de melhoria da rua em estudo........................39 Figura 51. Mapa identificando os elementos de erradicação da rua em estudo....................40 Figura 52. Mapa identificando os elementos de erradicação da rua em estudo....................41 Figura 53. Projeto de revitalização da Rua Santos Dumont, Maringá (PR) .........................42

RESUMO

INTRODUÇÃO 1. LEITURA DA RUA..........................................................................................6 1.1 Morfologia Urbana.................................................................................7 1.1.1 Identificação e Localização........................................................9 1.1.2 Topografia e Pavimentação.....................................................10 1.1.3 Ruas e Calçadas....................................................................12 1.1.4 Configuração de quadras e lotes..............................................15 1.1.5 Uso e Ocupação....................................................................16 1.1.6 Cheios e Vazios.....................................................................18 1.1.7 Tipologia Arquitetônica.............................................................20 1.1.8 Permeabilidade Visual.............................................................22 1.1.9 Infraestrutura.........................................................................24 1.1.10 Fluxos..................................................................................27 1.2 Análise Visual.....................................................................................29 1.3 Comportamento Ambiental....................................................................31 1.4 Percepção Ambiental...........................................................................34 2 CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS URBANOS......................................30 2.1 Elementos a serem mantidos.................................................................30 2.2 Elementos a serem introduzidos.............................................................30 2.3 Elementos de melhoria.........................................................................30 2.4 Elemento de erradicação......................................................................30 3 LINHAS DE ATUAÇÃO................................................................................30 3.1 Melhoria das calçadas e criação de áreas de estacionamento.....................30 3.2 Inserção de espaços públicos e associação dos moradores........................30 3.3 Inserção de equipamento de saúde (PSF), para a vizinhança.....................30 3.4 Remanejamentos dos comércios impróprios e inserção de Posto Policial....30 4 CONCLUSÃO..............................................................................................30

Figura 54. Croquis do projeto de intervenção paisagística para o concurso CNPE.................43 Figura 55. Projeto de UPA, para a cidade de Minas Gerais, do escritório Skylab...................44

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Figura 56. Projeto de revitalização do calçadão de Canoas (RS) .......................................45

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Introdução O referente trabalho apresentado foi desenvolvido através de estudos, produção de mapas e fotografias, dados estatísticos e de infraestrutura e traçado da rua. Uma leitura urbana em dimensão setorial, que compreende a menor porção da cidade, neste caso: a rua (LAMAS, 2004, pag. 37). Tomando como características básicas e singulares um espaço urbano especifico, sendo neste a Rua Feliciano Dourado, no bairro da Torre, localizado na zona norte da cidade de João Pessoa – PB. Paralela a Avenida José Américo de Almeida, a Rua Feliciano Dourado é um rua extensa, sendo cortada por duas das principais avenidas do bairro que são Avenida Barão de Mamanguape e a Avenida Rui Barbosa. A Torre apresenta planejamento de Nestor de Figueiredo do ano de 1932, se diferenciando dos demais bairros da capital por apresentar um traçado retilíneo e semicircular, que pode ser mais bem compreendido no decorrer do trabalho aqui apresentado (MOURA FILHA e LINS, 2008, pag. 3). A partir da obtenção dos diversos dados sobre rua nos aprofundamos neste estudo urbanístico, onde colhemos informações com os moradores e usuários através das visitas realizadas e das pesquisas bibliográficas. Podendo assim organizar estes dados colhidos com base nas categorias de Vicente Del Rio (2004, pag. 70): Analise Visual (leitura técnica do espaço urbano), Morfologia Urbana (leitura técnica com obtenção de diversas informações), Comportamento Ambiental (atuação de moradores e usuários no espaço urbano) e Percepção Ambiental (compreensão do morador e usuário do local). Com isso, o trabalho tem por objetivo a junção do máximo de informações possíveis para que possamos criar linhas de atuação no espaço urbano que valorizem questões culturais, sociais, urbanas, que sejam efetivas para os seus usuários.

Imagem 1 – Fotos feitas na Rua Feliciano Dourado durante as visitas feitas. Fonte: Acervo do grupo.

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1. Leitura da Rua:

Para que possamos produzir uma leitura urbana, precisamos entender detalhes do espaço onde a pesquisa será realizada. Dados estes que muitas vezes não podem ser percebido rapidamente em uma única visita, sendo preciso uma maior compreensão sobre a área e os elementos presentes nela. E tais características da região devem ser colhidas tanto em forma sensorial, como também em forma de dados. Sendo assim importante destacar que o Urbanismo é “o estudo de compreensão da cidade” (VIEITAS, 2010, pag. 2), sendo está uma das muitas disciplinas que englobam a leitura urbana.

Ao se desenvolver o método de Desenho Urbano foram criadas categorias analisadoras, para se compreender o espaço em estudo, tornando assim, o planejamento mais eficiente. São analisadas informações tanto sobre iluminação, quanto sobre usos e fluxos.

O principal método abordado por Del Rio (2004, pag. 67) e utilizado na produção deste trabalho é o Desenho Urbano. Esse método faz parte do processo de planejamento que lida com a qualidade do meio ambiente e na elaboração dos espaços a partir da necessidade de seus usuários, sendo principalmente utilizadas por cidades, mesmo que inconscientemente, já que as decisões tomadas afetam diretamente na qualidade do meio ambiente.

Morfologia urbana são os estudos sobre as modificações que o espaço urbano sofre com os desenvolvimentos das cidades e sua ligação com processo social.

Das várias propostas metodologias existentes sobre o Desenho Urbano DEL RIO (2004, pag. 70) listou quatro formas de se analisar um espaço, que são: Analise visual é a percepção visual que o técnico possui do ambiente

Percepção ambiental é a analise do espaço por seus usuários, e suas diferentes visões. Comportamento ambiental é a relação entre a população e o meio ambiente.

O Desenho Urbano pode ser descrito como o embasamento teórico na ação projetual, e veio da grande busca de entender como poderia acontecer a intervenção nas cidades reconstruídas na segunda guerra mundial (BRANDÃO, 2002, pag. 3). Já que nessa época os projetos traziam espaços justos e valorizados, porém naquele momento não respondiam a necessidade de seus usuários, gerando insatisfação sobre a sua qualidade entre todos os interessados. Junto com as criticas que foram levantadas neste período, ocorreu à criação e o desenvolvimento da teoria do Desenho Urbano, sendo ela feita em base nas pesquisas que relacionavam o ambiente construído com o comportamento social (BRANDÃO, 2002, pag. 3). E sobre este assunto Meyer (2006, pag. 4) comenta que:

Com as metodologias analisadoras listadas a cima, podemos desenvolver linhas de atuação, que abranja todo o espaço urbano presente na rua. Sendo elas importante para nos direcionar no estudo realizado, onde aplicamos a categorias, que auxiliaram na compreensão da área.

“Intervir no território criou para os urbanistas a necessidade de aperfeiçoar seus instrumentos de leitura e de interpretação do território. Esse encaminhamento, aparentemente simples, é uma verdadeira revolução na relação entre o urbanismo e o território, pois exige de saída que a atividade de projeto se inicie pela análise que definirá, da forma mais precisa e justificada possível, o trecho urbano que será objeto de intervenção.”

Com isso, podemos perceber a importância da inter-relação do Desenho Urbano com o Planejamento Urbano, já que ambos se complementam. Quando os métodos são trabalhados em conjuntos, podemos eliminar os problemas ocorridos nos séculos passados. Sobre essa afirmação, Del Rio (2004, pag. 57) cita que: “Não existe um momento exato para ‘começar a pensar em Desenho Urbano’, esta preocupação deve estar sempre presente na administração das cidades”. Sendo indescritível a necessidade de analisar o espaço urbano atual para a criação de qualquer intervenção, já que os usuários necessitam de áreas que os ajudam a criar vínculos com o espaço como um todo, e sobre isso Louis Kahn (PERULLI, 2012, pag. 176) comenta que: “O fundamento da Arquitetura coincide com a transformação dos espaços a serviço das instituições humanas”.

Figura 2: Analise cromática em fotografias panorâmicas. Percebemos a grande quantidade de verde presente na rua, e também cores vibrantes de fachadas. Fonte: Gabriella Barbalho, 04 de Outubro de 2013, às 14:57 hrs e às 14:42 hrs.

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1.1

Morfologia Urbana

Podemos entender a morfologia como uma ciência que possibilita através de estudos identificarmos elementos morfológicos que nos permitem compreender o desenho urbano existente. Estes também são responsáveis por nos explicar como se deu o processo de formação do traçado urbano a parti da evolução do tempo, (LAMAS, 2004, pag. 37). Estuda, portanto compreender através de pesquisas a formação, evolução e modificação do traçado urbano e dos elementos construídos. Essas pesquisas nos permitem intervir e criar novas áreas de acordo com a necessidade e o ponto de vista do usuário. Possibilitando que estas intervenções sejam inseridas e aceitas no desenho urbano já existente, de forma correta e útil para a população que ira utilizar estes equipamentos públicos, (DEL RIO, 2004, pag. 34).

Inserida no bairro da Torre, que apresentou um planejamento de Nestor de Figueiredo do ano de 1932, se diferenciando dos demais bairros da capital por apresentar um traçado retilíneo e semicircular. O arquiteto e Urbanista Nestor de Figueiredo tinha como influência a forte tendência da monumentalidade do espaço urbano, com grande aspecto cênico. (MOURA FILHA e LINS, 2008, pag. 3). Em certo período de sua carreira, Nestor chegou a trabalhar com o francês Alfred Agache, arquiteto e urbanista responsável pelo projeto urbanístico da cidade do Rio de Janeiro em 1930, e podemos ver claramente a influência de seus trabalhos no plano criado por Nestor Figueiredo em 1932 (Figura 3 e Figura 4).

Segundo Del Rio (2004, pag. 70), para compreender a Morfologia Urbana a alguns temas e elementos capazes de apresentar as lógicas evolutivas e estruturadoras da cidade: Crescimento: são os modos, as intensidades e direções; elementos geradores e reguladores, limites e superação de limites, modificação de estruturas, pontos de cristalização etc. Traçado e Parcelamento: consiste nos elementos ordenadores do espaço, estrutura fundiária, relações, distâncias, circulação e acessibilidade, entre outros elementos. Tipologias dos elementos urbanos: inclui o inventario e a categorização de tipologias arquitetônicas, de lotes e sua ocupação. Articulações: refere-se a elementos de hierarquias, domínios do público e privado, densidades, relações entre cheios e vazios etc.

Estes elementos citados anteriormente são objetos de leitura usados para nos auxiliar na compreensão e organização de informações, obtidas através de visitas decorrentes na rua em estudo, onde foi possível identificar elementos morfológicos que serão justificados de acordo com os conhecimentos adquiridos, no desenvolvimento adiante. No caso especifico do trabalho apresentado, através da Morfologia Urbana podemos identificar a evolução do traçado urbano da Rua Feliciano Dourado, e como essa evolução aconteceu, sendo esta informação imprescindível para compreendermos como o usuário se relaciona com o espaço urbano.

Figura 3: Plano de João Pessoa por Nestor de Figura 4: Plano do Rio de Janeiro por Alfred Figueiredo, no ano de 1932. Fonte: COUTINHO e Agache, no ano de 1930. Fonte: PINHEIRO, 2010. Editado pelo grupo. VIDAL, 2007. Editado pelo grupo.

No plano original, na área em forma de leque seria implantado o Centro Cívico de João Pessoa (MOURA FILHA e LINS, 2008, pag. 3), porém não foi realizado e o plano semicircular foi quebrado pela rua em estudo no decorrer de seu desenvolvimento, após a rua ultrapassar a Avenida Rui Barbosa em que era o limite sugerido no plano realizado por Nestor de Figueiredo, chegando ao encontro da Avenida José Américo de Almeida (Beira Rio), porém com o passar dos anos, essa ligação foi interrompida, quando a ruela foi inserida no espaço urbano. Podemos comprovar a seguinte informação através das pesquisas realizadas durante o estudo da presente rua (Figura 5).

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1.1 Morfologia Urbana

Escala dos mapas: 1:20,000

Figura 5: Mapas comparativos dos anos de 1953, 1978 e 2010. Percebesse a grande mudanรงa entre 1953 e 1978, aonde a rua ultrapassa seu limite anterior, a Avenida Rui Barbosa. Fonte: AGRA, 2006. Editado pelo grupo.

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1.2.1 Identificação e Localização O espaço urbano em estudo, Feliciano Dourado, é uma larga e extensa rua do bairro da Torre, inserido na região Norte da cidade de João Pessoa (PB), está localizada paralelamente a principal avenida que corta o bairro da Torre, sendo esta a Beira Rio que é comumente usada como a principal via alternativa de acesso do centro à praia. Apresenta toda sua extensão vertical de mão dupla começando na esquina da Rua Maroquinha Ramos

e terminando na Rua José Severino Massa Spinelli. Este Bairro possui população de 15.193 habitantes de acordo com o censo do IBGE de 2010, IDH de 0,13 (IBGE, 2000), Rendimento nominal médio de R$1.432,41 (IBGE, 2010), Taxa de alfabetização de 95,25% (IBGE, 2010), e 4,654 habitações (IBGE, 2010). Esses dados estatísticos nos auxiliaram a compreender a organização socioeconômica do bairro da Torre, onde a rua em estudo está inserida.

Figura 6: Mapa de localização da Rua Feliciano Dourado. Fonte: (PMJP).. Editado pelo grupo.

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1.2.2 Topografia e Pavimentação A topografia como ciência tem por objetivo identificar todas as características de uma determinada área através de levantamentos detalhados de um lugar, determinando as dimensões, variações altimetrias, etc. (FREITAS, 2011, pag. 1). Sendo fundamental na criação de elementos importantes dos espaços urbanos assim como a via pública. A pavimentação é um dos elementos fundamentais dos espaços urbanos, a ausência desse importante componente pode vir a gerar algumas precariedades, como o aumento da criminalidade e a falta de segurança devido a pouca utilização da rua como espaço de integração dos usuários. Não sendo o caso da rua em estudo por se tratar de um ambiente bem utilizado tanto pelos moradores como por clientes que frequentam os comércios que ali possui, sendo responsável por dar vida a este local, apesar de possuir uma carência em melhoria de pavimentos em algumas partes. Sendo interessante destacar que, por mais que a área após a Avenida Rui Barbosa apresente melhor pavimentação que os demais trechos da rua, ainda é a parte de menor trafego de carros, apresentando esta qualidade por ser realizada em um período recente após a evolução do seu traçado, em que possibilitou o avanço deste percurso para área em forma de leque entre o ano de 1978 a 2010. Diferentemente da área onde encontramos o pior tipo de pavimentação, em que também e onde se encontra o maior fluxo de veículos e pedestres. Esta por ser provavelmente pavimentada na época de 1953, já passou por certas intervenções, mas por se tratar de um elemento de grande fragilidade e ser sujeito a contínuas mudanças hoje se encontra bastante danificada. Através desses conhecimentos topográficos podemos identificar em trechos da rua a locação de casas que se adequaram a terrenos com certa declividade. Assim como as calçadas que se adequam a casas, mas não a declividade da rua. Se tornando um elemento inacessível, com sua composição em degraus, (Figura 7 e 8).

Figura 8: Percurso abordando certa declividade na rua em estudo. Entre as Ruas Maroquinha Ramos e a Av. Miguel Santa Cruz. Fonte: Maria Ariadny, 06 de Outubro de 2013.

Outro elemento identificado foi a ruela, que se encontra no final da rua em estudo, formada a partir do seu desenvolvimento, possuindo uma topografia com certa declividade podendo causar problemas no período de chuva para algumas residências que se encontram ali próximo com seu nível menor em relação ao nível da ruela estudada. A água atribuída das chuvas vem escoando a partir do percurso mostrado na figura 8 em direção a mesma onde foi implantado um bueiro pequeno para captar toda essa água, mas este equipamento visualmente parece ser insuficiente, havendo a possibilidade de inundações neste trecho.

Figura 7: Percurso abordando certa declividade na rua em estudo. Entre a Av. Aragão e Melo e a Av. Juarez Távora. Fonte: Maria Ariadny, 06 de Outubro de 2013.

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1.2.2 Topografia e Pavimentação

2 - Via arterial do Bairro da torre com uma melhor manutenção na sua pavimentação por se tratar de uma rua com bastante fluxo de carros interligando se entre a Av. Dom Pedro II a Av. Epitácio Pessoa. Fonte: Gabriella Barbalho 27/09/2013, ás 11h32min.

1 - Trecho da rua bastante danificado por ser utilizado principalmente por caminhões de cargas e descargas que abastecem os estabelecimentos comerciais do entorno. Fonte: Débora Leal, 20/09/2013, ás 09h30min.

4 – Via arterial onde possui uma melhor manutenção na sua pavimentação se interligando entre a Av. Dom Pedro II a Av. Epitácio Pessoa. Possibilitando qualidade de vida e desenvolvimento à comunidade, beneficiando a conquista e ocupação de regiões isoladas, promovendo ligações entre os centros e as periferias, e, ainda, auxilia na valorização de áreas. Jacianny Rayanny, 20/09/2013, ás 10h09min.

5 - Zona residencial onde a um pequeno fluxo de carros, estes podendo ser das próprias residências. Com um ponto da rua utilizado por caminhões para descargas de mercadorias na frente de um deposito. Este no momento não está interferindo no calçamento. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, ás 10h20min.

Escala do mapa: 1:3500

3 - Por este trecho da rua estar ao lado do mercado da torre, hoje interditado, mas antes desse acontecido era usado também como ponto de descargas de mercadorias por caminhões. Em que pode ser um dos motivos do calçamento estar bastante danificado. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, ás 10h02min.

6 - Local utilizado por caminhões para descargas de mercadorias em frente à floricultura na rua em estudo, com seu aceso principal pela Av. Beira Rio. Sem estar interferir no calçamento. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, ás 10h22min.

Figura 9: Mapa classificando os tipos de pavimentação existente na Rua Feliciano Dourado, do Bairro da Torre. Com seu percurso iniciando na Rua Maroquinha Ramos e finalizando na Rua Jose Severino Massa Spinelli. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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1.2.3 Calçadas e Ruas

Segundo Janes Jacobs (2001, pag. 44) as ruas e as calçadas, são os principais locais públicos de uma cidade, são os órgãos mais vitais. As ruas servem a diversos fins, como áreas de passeio ou para simples tráfego, como um cenário contínuos de grandes movimentos e acontecimentos, todos esses usos estão associados à circulação, e cada um é tão essencial quanto ela, para o desempenho adequado da cidade. Não a como obrigar os moradores a utilizarem as ruas sem um motivo, quanto mais atrativos existir nela, melhor, e como exemplos podemos citar lojas, restaurantes, supermercados, espaços públicos, entre outros. A rua nos revela tipos de apropriações, pois guarda em si um convívio diário. A segurança das ruas é eficaz quando as pessoas a utilizam espontaneamente e estão conscientes que nem sempre a o policiamento devido. Janes Jacobs (2001, pag. 32) fala que uma rua movimentada consegue garantir a segurança uma rua deserta não. A calçada é a via pública normalmente segregada, com um nível diferente exclusivo a circulação de pedestres. Ela por si só não significa nada, precisa do edifício ou outros usos para fazer sentido. A mesma faz parte dos elementos presentes na rua que servem para atender as necessidades dos pedestres, sendo responsável pela ligação entre os usuários e as edificações. Cada proprietário de imóveis é o responsável pelas caçadas que deve ser feita para o uso de todos, sem qualquer tipo de obstáculo, uma passagem livre que não ofereça perigo aos que a desfrutam. Segundo Lamas (2004, pag. 100): “A rua ou o traçado relaciona-se diretamente com a formação e crescimento da cidade de modo hierarquizado, em função da importância funcional da deslocação, percurso e da mobilidade de bens, pessoas e ideias”.

O mesmo se da às calçadas, quem também apresentam uma largura acessível, mais nem sempre são regular, com desníveis que dificulta o acesso de idosos e pessoas com mobilidade reduzida, além de ter o passeio interrompido por vegetação que cresce nas calçadas, e em algumas áreas por pessoas que se apropriam das mesmas para expor seus produtos. Ao observamos a rua em estudo analisamos as calçada e vimos que: - As quadras 1 e 2 apresentam o passeio com dimensão de 1,60m a 2,55m, uma largura agradável, porém com áreas que já foram tomada pela vegetação, carros que estão em cima das calçadas, comércios que se apossaram da área de passeio e outras, destruídas já que estão em um local de carga e descarga. - A quadra 3 é onde encontrasse o Mercado da Torre, que tem sua calçadas com uma área de 2,00m a 6,40m com o trajeto interrompido por barracas que fazem parte da feira e por carros que ficam estacionados na mesma. - As quadras 4 e 5 tem uma largura de 2,35m a 2,70m com desnível uma pouco mais alto que os demais, pois de acordo com os moradores da área, a elevação das calçadas é em consequência de inundação em dias de chuva. - As quadras 6, 7, 8, 9 apresentam suas calçadas com uma largura acessível entre 2,00m a 2,90m, porém não são regulares, tem alguns desníveis, atrapalham o passeio dos moradores por ser tomada de vegetação e outras por ser ocupadas por carros abandonados.

A Rua Feliciano Dourado tem uma largura acessível na faixa de 6,40m a 8,11m para a passagem de carros, suportando um grande tráfego nas duas direções. Entretanto a uma vasta quantidade tanto de veículos antigos e quanto de carros das pessoas que trabalham na redondeza parados na rua, todo esse volume vem prejudicando o acesso dos outros, com isso as vias acabam ficando pequenas e congestionando o trânsito do local. Esses veículos abandonados são de comércios locais e principalmente de oficinas que se localizam na área e acabam se apropriando da rua e calçadas para abriga seus automóveis. A falta de um espaço para estacionamento acaba afetando os moradores e pessoas que transitam pelo local, visto que eles precisam passar várias vezes pela rua por conta do grande excesso de veículos abandonado em alguns trechos da mesma, e também nas calçadas. Isso tudo faz com que alguns usuários do espaço a percebam menor.

Figura 10: Croqui para analise das calçadas da Rua Feliciano Dourado. Fonte: Jacianny Rayanny, 03/10/2013.

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1.2.3 Calçadas e Ruas

1 – Grande fluxo de carros parados na rua próxima ao mercado da torre. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h15min.

2 – Excesso de vegetação em cima da passagem dos pedestres. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h28min.

3 – Rampa e escada de acesso ao Mercado da Torre, não a espaço suficiente para passagem. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h47min.

4 – Calçada com boca de lobo, que não está protegida com gradil, que dificulta a passagem das pessoas. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h58min.

0 5 – Muita vegetação no canteiro da calçada. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h16min.

6 – calçada danificada com um carro estacionado bloqueando a passagem dos pedestres. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11h34min.

7 – carros estacionados em frente ao Mercado da Torre. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 09h37min.

Figura 11: Mapa com medidas de calçadas e ruas. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

8 – carro velho em cima da calçada que acaba dificultando a passagem de pedestres. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h01min.

Escala do mapa: 1:3500

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1.2.3 Calçadas e Ruas

1 – Carro parado na rua. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h14min.

5 – Carros sem uso parados na lateral de um terreno vazio. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/ 2013, às 10h11min.

2 – Calha de escorrimento d’água, feita na calçada, impedindo a passagem de muito. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h15min.

6 – Calçada da Floricultura tomada por vasos de plantas, impedindo a passagem dos usuários. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h21min.

3 – Calçadas com desnível dificultando o acesso de idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10$h56min.

7 – Carros estacionados próximo à Floricultura, mesmo o local apresentando sinalização. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h25min.

Figura 12: Mapa com medidas de calçadas e ruas. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

4 – Escola abndonada, com a calçada tomada de vegetação. Fonte: Jacianny Rayanny 20/09/2013, às 10h34min.

8 – Casa abandonada, com a calçada completamente sem manutenção, com muita vegetação em toda sua extensão. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 14h07min.

Escala do mapa: 1:3500

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1.2.4 Configuração de Quadras e Lotes

A Quadra é o conjunto de edificações interligadas, e esse espaço é definido pelo cruzamento de vias e dividido em partes chamadas de lotes. Segundo Janes Jacobs (2001, p. 189-200) as quadras são divididas em duas. Quadras curtas são aquelas que o usuário terá mais facilidade de se locomover de uma rua para outra, ou seja, ter oportunidade de virar a esquina frequentemente. Já as quadras longas as pessoas são mantidas afastadas do fluxo de usos cruzados, elas automaticamente separam as pessoas por trajetos que muitas vezes não se cruzam, de modo que bloqueia o uso de outras partes. Já o lote é uma parcela do solo para fins de edificação, é a parcela do terreno resultante da divisão do solo que tem frente para via pública. A forma do lote é relativa à forma do edifício e, consequentemente, da forma da cidade. As edificações da rua em estudo são configuradas de acordo com o lote. Sobre este assunto, Lamas (2004, pag. 86) comenta que: “O lote é principio essencial da relação dos edifícios com o terreno”.

Figura 13: Imagem retirada do livro ‘Morte e Vida de Grandes Cidades’, mostrando quadras pequenas e grandes. Fonte: Jacobs (2001, p. 198-199)

No caso estudado, a maioria de suas quadras é curta dando acesso direto a área de comércio e moradia. Considerando apenas uma quadra grande privando o trajeto que pouco se cruzam, por meios de sua via bloqueada, predominando também alguns comércios e moradias. Través de estudos realizados nas ruas pode-se fazer a descrição de cada quarteirão. - As quadras 1 e 2 são curtas com acesso fácil ao local. Seu plano é definido através do traçado das ruas, essas áreas são ocupadas por comercio e algumas residências. - A quadra 3 é onde se encontra toda área do Mercado da Torre, uma grande marco do bairro, por ser uma das maiores áreas de comércio. Considerada uma quadra curta que dá fácil acesso a todo o espaço. O mesmo se aos quarteirões 4 e 5, que também são quadras curta, com predominância de comércio . - As demais quadras são áreas residências com alguns comércios. Apresentando uma quadra grande que dificulta o acesso de pessoas de uma quadra a outra, e as demais sendo classificadas como quarteirões curtos seguindo o traçado retilíneo. As edificações da rua em estudo são definidas de acordo com o tamanho do lote, ao visitar o espaço podemos perceber que os moradores buscam aproveita o máximo do terreno, tendo em vista que o espaço para a implantação das edificações não é tão amplo. Em algumas áreas onde a maior quantidade de comércios, os lotes são normalmente maiores que em comparação com os residenciais, um exemplo é comparação entre a área servida ao Mercado da Torre, que ocupa todo quarteirão, e as pequenas oficinas instaladas em área residencial, que aproveitam ao máximo o espaço dos lotes.

Escala do mapa: 1:3500

Figura 14: Mapa de configuração de quadras e lotes. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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1.2.5 Uso e Ocupação

O uso e ocupação do solo pode ser explicado como um conjunto de atividades de uma população em relação ao ambiente urbano. (DEÁK, 2003, pag. 1) e segundo Perulli (2004, p. 176) “A terra carrega em seu próprio solo estável cercas e delimitações, marcos fronteiriços, muros, casas e outros edifícios.” Os usos estão diretamente ligado em como os elementos urbanos irão se comportar entre si e com a própria sociedade, onde cada tipo de uso terá uma necessidade urbana diferente, refletindo diretamente no Desenho Urbano. Sobre a questão apresentada, a rua em estudo está localizada está inserido em uma Zona de Adensável Prioritária (ZAP), listado no Plano Diretor de João Pessoa, que segundo a Secretária de Planejamento (SEPLAN, 2009, pag. 7) “é aquela onde a disponibilidade de infra-estrutura básica, a rede viária e o meio ambiente permitem a intensificação do uso e ocupação do solo” e podemos ver claramente o reflexo desse dado no desenvolvimento da rua estudada. Além de estar dentro da zona citada acima, se encaixa em mais dois Macrozoneamentos do Plano Direto de João Pessoa (SEPLAN, 2001, p. 190): ZIS (Zona Institucional e de Serviços) e ZR2 (Zona Residencial 2), que acentuam ainda mais as diferenças dadas pela própria Morfologia Urbana, delimitando a rua em dois setores (Figura 15).

Escala do mapa: 1:20,000

A distinção apresentada entre os dois setores da rua, além de ser caracterizado pelo Macrozoneamento de João Pessoa, leva consigo um significado histórico como apresentado anteriormente, na página 6. A nova sessão da rua criada na década de 60/70, agora localizada como Zona Residencial 2, apresenta uma leitura bastante diferenciada em comparação com o trecho de rua criada no plano inicial de Nestor de Figueiredo, não só pelos usos. As diferenças que podem ser vistas são tanto da qualidade da infraestrutura, quanto pela forma que seus usuários interagem com o meio urbano. Zona Institucional e de Serviços (ZIS) tem seu inicio na Rua Maroquinha Ramos até a Avenida Rui Barbosa, e em sua extensão, percebemos a grande densidade urbana e todos os problemas que ela traz. A área apresenta uso misto em boa parte de sua extensão, e em muitos trechos encontramos habitações unifamiliares que ocupam o mesmo espaço que os comércios da região, trazendo assim grande mistura de fluxo entre pedestres e veículos. Podemos caracterizar essa parte de rua como: Confusa. Em contraponto na Zona Residencial 2 (ZR2) é o trecho de rua da Avenida Rui Barbosa a Rua José Severino Massa Spinelli, e é o trecho da rua onde encontramos a maior concentração de habitações unifamiliares em comparação com a quantidade de comércios e usos mistos. Por não apresentar grande fluxo que a zona anterior, tem uma melhor infraestrutura, tanto com calçadas mais bem cuidados, como em ruas com bom calçamento. Por mais que rua esteja em uma localização privilegiada, paralela com a principal avenida do bairro, José Américo de Almeida, encontramos diversos terrenos e imóveis abandonados, sendo sua maioria imóveis pertencentes à herança de família, que não se propõe finalidade a esses espaços, criando uma área vaga que causa insegurança a todos que utilizam a rua.

Figura 15: Macrozoneamento do Plano Diretor de 1992: ZIS (Zona Institucional e de Serviços) e ZR2 (Zona Residencial 2). Fonte: Planod diretor - SEPLAN. Editado pelo grupo

Figura 16: Foto de trecho do ZIS (Zona Institucional e Serviços). Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/08/2013, às 09h51min.

Figura 17: Foto de trecho da ZR2 (Zona Residencial 2). Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/08/2013, às 10h52min.

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1.2.5 Uso e Ocupação

O uso comercial da calçada, com fiteiros. Fonte: Daniele Silva, dia 13/09/2013, às 10h52min.

Principal uso comercial da rua: Mercado da Torre. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 09h13min.

Terreno vazio que apresenta de frente para Avenida Beira Rio, segundo informações dos moradores, foi cercado recentemente Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 09h15min.

Bar de esquina, sendo o seu principal período de uso a noite e aos finais de semana. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h05min.

Terreno vazio ao lado Recanto do Picuí, que teve sua fachada recentemente demolida, já que era um local de uso de droga. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 08h52min.

Habitação unifamiliar mostrando características arquitetônicas de suas época, como o muro baixo e o telhado de telha canal. Fonte: Débora Leal, dia 04/10/2013, às 14h03min.

Terreno vazio fechado por tapumes, que era utilizado anteriormente por loja de carros. Sua calçada apresenta diversos carros estacionamentos em situação de abandono. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h10min.

Comércio abandonado, apresentando muito entulho em sua frente, e carros estacionados. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h29min.

Habitação de uso misto na floricultura Chacará Beira Rio. Fonte: Débora Leal, dia 04/10/2013, às 14h29mim.

Escala do mapa: 1:3500

Escola Infantil abandonada, que ocupada mais que a metade do quarteirão. Terreno apresenta vegetação alta, que segundo os moradores gera problema de saúde pública. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h34min.

Habitação de uso misto onde é comercializado alimentos. Fonte: Débora Leal, dia 04/10/2013, às 13h57min.

Figura 18: Mapa de uso e ocupação do solo. Podemos ver a diversidade urbana da rua estudada. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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1.2.6 Cheios e Vazios

Os cheios e vazios urbanos nos levam a perceber diversas características do espaço estudado e principalmente como seus usuários se relacionam com ele. Tanto os cheios quanto vazios são imprescindíveis para a leitura urbana, são elementos que criam experiências sensoriais diversas, quando relacionado com a ausência de pessoas e de construções. Por mais que os elementos de cheios e vazios sejam bastante concretos, sua consequência em relação com o espaço é muitas vezes ambígua e controvérsia (SOUSA, 2010, pag. 3). Afinal, um espaço vazio pode ser lido como um ambiente inseguro, e em outras situações, pelo fato dos próprios usuários darem uso a aquele vazio, ele já não é mais visto como um elemento de perigo. Por isso, é necessário um conhecimento profundo sobre a área, para tirarmos conclusões concretas sobre tal categoria analisadora. Sobre o assunto Clemente (2012, pag. 1) define que:

Em relação à Rua Feliciano Dourado, a falta dos logradouros e recuos tem como consequência a presença de muitas casas geminadas, como visto na figura 19 e 20, e também comprovado com o mapa da página 19. Na maioria dos casos encontrados, os espaços vazios estão localizados na parte frontal dos lotes, que são muitas vezes utilizados como garagens pelos moradores. Ao fazermos o percurso pela rua, foi aparente a forma como os cheios se sobressaem dos vazios, onde não há nenhum espaço de descanso, além das calçadas arborizadas. A presença da densidade urbana junto com a diversidade arquitetônica, com diferentes cores e tipos, demonstra como a área é enriquecedora no espaço urbano, porém causadora de grande impacto visual.

“Entende-se, aqui, o vazio urbano como o espaço (lote ou edifício) que não foi concebido como espaço livre público, localizado em área urbanizada, sem ocupação e/ou sem uso, e que, por sua improdutividade, tem uma “conotação negativa” no meio intraurbano, mas que traz consigo o caráter expectante, representando a possibilidade de transformação futura”.

Portanto, por mais que os espaços vazios apresentem a tal “conotação negativa”, citada por CLEMENTE, a expectativa da transformação do espaço é ainda mais importante para a continuidade urbana, afinal, a necessidade que haver áreas vazias principalmente em regiões densamente ocupada, como no caso em questão. Perulli (2004, pag. 177) diz que “o vazio tem têm o valor de pausas, de interrupções”. E são exatamente essas pausas que são necessárias na rua em estudo onde não encontramos espaços vazios que tenham serventia para os usuários da rua, sejam em forma de praças, bosques, ou simplesmente uma área transitória.

Figura 19: Croqui do vazio presente na rua. Espaço vazio, onde se localiza uma árvore de grande porte. Fonte: Gabriella Barbalho , dia 17 de Setembro de 2013.

Sobre os logradouros, as áreas residuais, Lamas (2004, pag. 98) define que:

“O logradouro constitui o espaço privado do lote não ocupado por construção, as traseiras, o espaço privado, separado do espaço público pelos contínuos edificados.O logradouro foi, também, na cidade tradicional, um resíduo, ou resultado dos acertos de loteamentos e de geometrias de ocupações do lote. Teve várias utilizações ao longo das épocas, desde a horta ou quintal. [...] É, em boa medida, na utilização do logradouro que se torna possível a evolução das malhas urbanas: densificação, reconstrução, ocupação”.

Figura 20: Croqui dos cheios presentes na rua. Diversidade de cobertas, de fachadas. Fonte: Gabriella Barbalho, 09 de Outubro de 2013.

Analisando a forma em que as edificações se inserem no lote, vemos que são poucos os vazios gerados, e esses são chamados de logradouros. Com o passar dos anos essa característica das casas foi deixada de lado, principalmente com o denso desenvolvimento das cidades, fazendo com que as construções ocupassem o máximo de espaço possível nos lotes. Perdeu-se a relação que se tinha entre a habitação e o espaço urbano.

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1.2.6 Cheios e Vazios

1 – 3 casas geminadas e sem recuos frontal. Percebe-se a grande densidade criada. Fonte: Gabriella Barbalho, dia 27/09/2013, às 11h38min.

4 – Terreno vazio, que apresenta aproximadamente 7m x 31m. Está cercado a pouco tempo, porém a vegetação toma toda sua área. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h15min.

2 – Volume composto pela área sem reforma do Mercado da Torre. Fonte: Gabriella Barbalho, dia 27/09/2013, às 11h31min.

3 – Galpões das lojas presentes na rua. Apresentam pé direito alto, e grandes portões, causando destaque na leitura da rua. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h15mn.

5 – Terreno vazio, com muito entulho e lixo em sua frente. Utilizado anteriormente por usuários de droga, teve sua fachada demolida, para inibir esse uso. Uma árvore de grande porte tá inserida no final do terreno. Fonte: Gabriella Barbalho, dia 11/10/2013, às 14h34min.

6 – Terreno vago, que anteriormente era utilizado por loja de automóveis. Único terreno que está protegido por tapumes metálicos, que impede o uso do espaço. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 10h09min.

Escala do mapa: 1:3500

Figura 21: Mapa identificando os cheios e vazios. Podemos identificar a grande quantidade de casas geminadas, e poucos lotes vazios na Rua Feliciano Dourado. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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1.2.7 Tipologia Arquitetônica

Tipologia é uma ciência que estuda os tipos, ou seja, estuda as diversas diferenças claras e conceptuais de formas básicas (ARAGÃO, 2009, pag. 5). Essa tipologia é bastante usada em nível de estudos organizados e amplos, definindo dessa forma diversas categorias.

Ao observar a tipologia arquitetônica da Rua Feliciano Dourado, pudemos identificar uma diversidade de exemplos dessa categoria. Esta diversidade de tipos está ilustrada nas fachadas dos edifícios pelos elementos arquitetônicos e técnicas construtivas dos diversos períodos pelos quais a rua em estudo passou durante o seu desenvolvimento.

Na área da arquitetura a tipologia se caracteriza por ser um estudo de tipos de elementos que formam uma linguagem arquitetônica que podem ser identificadas de acordo com a forma e a função, independentes da corrente arquitetônica a qual estes elementos pertencem. Os elementos arquitetônicos e as técnicas construtivas que se fazem presente no espaço urbano são pontos essenciais para composição de uma cidade, no caso deste trabalho, uma rua. (PEREIRA, 2012, pag. 3)

Com uma arquitetura recatada, a rua apresenta um uso misto entre edifícios de habitações e edifícios de comercio, mas esta variação não impediu que a mesma apresenta-se exemplos de tipo que juntos compõe o tecido urbano. Entre os vários exemplos que foram vistos no decorrer das visitas, falaremos dos que mais chamaram nossa atenção, que foram:

Para podermos realizar um estudo tipológico em um determinado local devemos primeiramente saber a diferença entre tipo e modelo. Quatremére De Quincy, em seu dicionário Historique de L’architecture, fez uma relação básica entre tipo e modelo (PEREIRA 2008, pag. 7):

“Definiu ‘tipo’ como a ‘ideia genérica, platônica, arquetípica’, como a forma básica de arquitetura, e ‘modelo’ como aquilo que se pode repetir com rigor, como um carimbo que possui uma serie de caracteres recorrentes.”

Com isso pudemos observar e diferenciar tipo e modelo. Na figura 22 destacamos exemplos de cada um destes. Como exemplo de tipo vemos os Casarões de Tira Dentes, Minas Gerais, (imagem 1) e o Casarão do Azulejo em João Pessoa (imagem 2), que possuem um flexibilidade no uso, mas possuem um tipo comum presente nos estilos das varandas, nos contornos das esquadrias. E como exemplo de modelo vemos conjunto habitacional popular em Avaré, São Paulo, (imagem 3) e em Mamanguape, Paraíba, (imagem 4) onde todas as edificações seguem o mesmo modelo.

Figura 22: Exemplos de tipo e modelo. Fonte 1: ABRIL, 2013. Fonte 2: CESAR, 2006. Fonte 3: BRANDI, 2002. Fonte 4: SECOM-PB, 2013. Editadas pelo grupo.

- O uso de grades: a maioria das edificações fazem uso de grades em suas fachadas, sejam estas como portão de entrada, como guarda-corpo das varandas ou como reforço de segurança nas esquadrias externas. Estas possuem uma diferença não só no uso mas também em sua composição, pois algumas possui uma composição mais aberta outras mais fechadas. - Uso de coberta aparente com uso de telha canal: a semelhança das cobertas é algo que possui uma grande facilidade de percepção por todos que observam. Sendo mais usada nos edifícios residenciais, estas cobertas são diferenciadas pela posição do caimento das águas, onde algumas possuem os caimentos para as frentes e para os fundos das residências e outras possuem o caimento para as laterais das residências. - Uso de coberta nos recuos frontais: notamos que as edificações sejam residenciais ou comerciais possuem um grande uso de cobertas nos recuos frontais, onde estas aparentam ser acrescentadas para que os usuários pudessem ter um melhor aproveitamento deste espaço. Estas cobertas se diferenciam pelos materiais, onde as principais são telha metálica e telha de fibrocimento e em alguns casos telha canal. Estes exemplos podem ser vistos na página seguinte, através nas imagens que estão identificados no mapa.

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1.2.7 Tipologia Arquitetônica

1 - Residências usam a coberta aparente com telha canal com caimento das águas para frente e para os fundos do terreno. Fonte: Débora Leal, 04/10/ 2013, às 14h53min.

5 - Uso de coberta no recuo frontal. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 13h42min.

2 - Residência faz uso de uma coberta no recuo frontal, para estacionamento. Fonte: Débora Leal 04/10/2013, às 14h48min.

6 - Residência faz uso de grade para o guarda corpo da varanda. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 13h56min.

3 - Residência utiliza o gradil como portão de entrada e como reforço de segurança nas esquadrias. Fonte: Débora Leal, em 04/10/2013, às 14h34min.

7 - Residência com coberta em telha canal utilizando três caimentos. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 13h57min.

Figura 23: Mapa que identifica as Tipologias Arquitetônicas presentes na rua. Fonte: SEPLAN. Editado pelo grupo.

4 - Uso de grade como portão de entrada da residência. Fonte: Débora Leal, em 04/10/2013, às 14h28min.

8 - Residência possui coberta aparente com telha canal, com caimento das águas para a lateral. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 14h06min

Escala do mapa: 1:3500

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2.8 Permeabilidade Visual

A permeabilidade visual é uma relação visual que se da através do interior com o exterior das edificações. Essa permeabilidade não só é dada pela utilização de materiais transparentes empregados na edificação, sendo o uso destes que aumentam a possibilidade de permeabilidade visual, criando um isolamento físico entre os espaços. Entre as diversas formas de ocasionar essa visibilidade também se encontra o uso de pilotis, os desníveis, o uso dos gradis (BARBOSA e PORTO, 2005, pag. 1).

Com isso, o que falar da permeabilidade visual da Rua Feliciano Dourado? Em uma variedade de modelos de edificações a permeabilidade visual é algo que possui uma grande diversidade. Podemos ver isso na figura 25, que são desenhos realizados para estudos das fachadas e da variação de visibilidade. 1

Sobre este assunto, SABOYA (2012, pag. 2), comenta que: “As características de permeabilidade visual entre a edificação e o espaço da rua estão relacionadas com a ocorrência de crimes, no sentido de que estes tendem a acontecer em locais caracterizados por formas arquitetônicas com menos permeabilidade (muros cegos ou com vegetação que impossibilita a visão, fachadas com poucas ou nenhuma janela e ruas com grande quantidade de terrenos vazios ou edificações abandonadas)”

É evidente que quando estamos em espaços urbanos com essas características nos sentimos inseguros, e nos questionamos de que se algo acontecer quem irá nos ajudar? Ou por quem chamaremos socorro? Se todos estão por trás de grandes muros cegos. Mas ainda existe a construção de edificações com muros cegos e altos, sem relação visual do interno e externo (SABOYA, 2012, pag. 2). As questões de permeabilidade visual ligada à segurança é algo que gera uma contradição, pois ao criar residências com muros altos e cegos e diminuírem a quantidade de aberturas para a rua, estes estão querendo criar uma suposta segurança e privacidade, suposta segurança por que o exterior das casas, no caso as calçadas e as ruas vão estar em risco, mas ao não realizarem isto e criarem uma permeabilidade visual entre a residência, calçada e rua acabam de alguma forma deixando suas casas inseguras, pois criaram uma visão do exterior para o que acontece dentro de suas casas. A permeabilidade visual não só tem uma relação com a questão da segurança para a residência e para o espaço urbano, possui uma relação também com a interação com a vizinha, e com a captação de luz natural e ventilação. (BARBOSA e PORTO, 2005, pag. 5) O uso dessa visibilidade varia de acordo com o local e com a relação que o morador tem com o espaço urbano e com os seus usuários, onde o morador dará espaço a suas preferências.

Figura 24: Relação de um morador com usuário ou vizinhança em uma edificação que possui permeabilidade visual e a falta de relação que o morador e usuário ou vizinhança tem com uma edificação que não possui permeabilidade visual. Fonte: Débora Leal, 12 de outubro de 2013.

2

Figura 25: Desenho da primeira e da última quadra, respectivamente, realizados para estudos de fachadas e da variação de permeabilidade visual. Fonte 1: DéboraLeal, 13 de outubro de 2013. Fonte 2: Gabriella Barbalho, 12 de outubro de 2013.

Com esses estudos de fachadas e da variedade de visibilidade que a rua possui entre o interior com o exterior, dividimos esta categoria em três pontos, onde as edificações serão caracterizadas com base no nível de permeabilidade visual que possuem. Onde algumas possuem uma relação de permeabilidade visual direta do interior com o exterior, outras possuem uma permeabilidade visual intermediaria e outras não possuem nenhum tipo permeabilidade visual. Permeabilidade Visual Direta: Caracteriza as edificações que possuem uma relação direta do interior com o exterior, onde se faz presente as edificações de uso residencial onde a maioria se localizam na Zona Residencial 2 (ZR2) a qual a rua faz parte. Permeabilidade Visual Intermediaria: Neste ponto caracterizamos alguns edifícios comerciais onde quando estão em horário de trabalho possuem uma permeabilidade visual e quando não estão no horário de trabalho não possuem nenhuma visibilidade. E neste ponto caracteriza-se também algumas casas onde ambas se distribuem nas duas zonas a qual a rua faz parte, que são a Zona Institucional e Serviços (ZIS) e a Zona Residencial 2 (ZR2), já citadas anteriormente. Nenhuma Permeabilidade Visual: Caracterizam-se as edificações que são completamente fechadas e que não possuem nenhum tipo de relação e de visibilidade do interior com o exterior. Neste encontra-se edificações tanto residenciais como comerciais, estando sua maioria presente na Zona Institucional e de Serviços (ZIS).

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2.8 Permeabilidade Visual

Elementos como muro baixo e grades, trazem visibilidade do exterior para ; residência. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h52min.

As esquadrias utilizadas na edificação não permitem que a mesma tenha interação e visibilidade do exterior. Fonte: Jacianny Rayanny, dia 20 de setembro de 2013, às 14h55min.

Residência possui interação de visibilidade com exterior apenas no pavimento superior. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h53min.

Ponto comercial rodeado de gradio, este proporciona a visibilidade do exterior do interior. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h36min.

Edificação comercial onde só possui relação interior com exterior quando esta em horário de trabalho que os portões ficam abertos. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h29min.

Edificação comercial, onde só possui permeabilidade visual quando esta em horário de expediente onde os portões ficam abertos e assim é possível ter visibilidade. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h23min.

Fachada composta por elementos como o muro alto e o portão de alumínio com uma composição totalmente preenchida deixam a residência sem nenhuma permeabilidade visual. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, as 14h21min.

Residência formada por nenhum tipo de permeabilidade visual. Fonte: Débora Leal, 04 de outubro de 2013, às 14h05min.

Residência que faz uso de grades e muro baixo proporcionando uma relação de visibilidade. Fonte: Débora Leal, às 14h10min,

Figura 26: Mapa mostrando os tipos de permeabilidade visual presentes na Rua Feliciano Dourado. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo. Escala do mapa: 1:3500

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1.2.9 Infraestrutura

A infraestrutura urbana pode ser entendida como um coplexo de equipamentos que juntos desenvolvem a função de prestar serviços à população e colaboram para o desenvolvimento do espaço urbano.

vés das sombras e do refresco de ar e benefício social, pois a sombra dessas árvores em alguns pontos da rua são pontos de encontro dos moradores e usuários.

Ferrari (2004, p. 1) considera infraestrutura urbana como: “conjunto de obras públicas e serviços de utilidade pública da cidade, que representa o capital fixo social urbana. Exemplo: vias urbanas, rede de água, rede de esgoto, rede telefônica, rede de gás, rede de energia elétrica, edifícios públicos e de utilidade pública e outros”.

Para caracterizar essa categoria na rua em estudo, utilizamos aspectos como iluminação pública, arborização e mobiliário urbano, que foram analisados no decorrer das visitas da rua. Iluminação publica: Sabemos que aqui se classifica o sistema de iluminação utilizado no período da noite e que está diretamente ligada à segurança das ruas e calçadas, embelezamento das áreas urbanas, valorização de edificações e paisagem, orientação de percursos e melhor aproveitamento das áreas de lazer. Analisando a iluminação publica da Rua Feliciano Dourado percebemos que os postes de iluminação estão presentes por toda a rua, sendo estes localizados apenas de um lado, possuindo uma distância entre um e outro de 18 a 22 metros. No decorrer da rua estão distribuídos 35 postes de iluminação, sendo que alguns pontos a iluminação esta barrada, pois cinco destes postes não estão funcionando e em outros pontos os postes estão localizados entre árvores de copas grandes que impedem a passagem completa da luz, ambos fazem com que a rua se encontre escura e sem segurança. Arborização: Definimos como arborização toda a vegetação que compõe o cenário urbano. As vegetações presentes na rua em estudo encontram-se plantadas no decorrer das calçadas e no interior dos terrenos e vão de pequeno a grande porte. Estas desenvolvem no meio urbano um papel importante na melhoria da qualidade de vida e principalmente no conforto ambiental que é algo de grande importância para nós já que o clima da nossa cidade nos faz ter a necessidade desse conforto. As árvores trazem tanto para população como para o espaço urbano uma serie de benefícios como: benefícios estéticos, ecológicos e sociais. Benefícios estéticos, pois a variação de cores, formas e distribuição que as árvores trazem quebram a monotonia encontrada no meio urbano, monotonia esta que se caracteriza pela pavimentação das ruas e calçadas, a alvenaria das edificações, entre outros. Ecológicos, pois a presença de vegetações principalmente a do porte encontrada na Rua Feliciano Dourado proporciona um alivio climático para os usuários atra-

Figura 27: Exemplos dos benefícios que a arborização presente na Rua Feliciano Dourado trás, 1 e 2: Beneficio Social, 3: Beneficio Ecológico e 4: Benefício Estético. Fonte: Débora Leal, 18 de outubro de 2013.

Mobiliário urbano: São todos os equipamentos instalados no espaço publico com o objetivo de atender as necessidades da população e cumprir funções importantes nas cidades. Em uma variedade de mobiliários podemos encontrar lixeiras, bancos, bicicletário, ponto de taxi, ponto de ônibus, orelhões, e entre outros. Estes estão sob responsabilidade de empresas e na sua maioria pela prefeitura da cidade. Entre os diversos equipamentos que se classificam como mobiliário urbano, na rua em estudo podemos encontrar: postes de iluminação, lixeiras, ponto de taxi e orelhão. Os postes de iluminação como já foi dito anteriormente estão dispostos por toda a rua; as lixeiras podem se dividir em três tipos: as que estão instaladas no mercado que foram instaladas pela Prefeitura da cidade, as que estão instaladas no decorrer das calçadas das residências e as improvisadas que são grandes reservatórios de ferro que se encontram na frente de alguns comércios e nas esquinas de algumas quadras; Ponto de Taxi e orelhão pode se encontrar dois de cada, na lateral do mercado e próximo à escola abandonada já localizada anteriormente. Com isso, identificamos no mapa a seguir toda a arborização, iluminação publica e mobiliário urbano presente na Rua Feliciano Dourado.

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1.2.9 Infraestrutura

Escala do mapa: 1:2000 Figura 28: Mapeamento de diversos equipamentos pĂşblicos encontrados na Rua Feliciano Dourado. Fonte: SEPLAN. Editado pelo grupo.

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1.2.10 Fluxos

Os fluxos urbanos são diversos, e podem esclarecer como se manifesta a relação das informações geradas pela cidade com a rua. E conforme isso ocorre se altera a forma como lemos a rua. Yoshinaga (2009, pag. 1) diz que os fluxos “são as movimentações que acontecem nas cidades, pelos meios de locomoção da população, para que as atividades sejam realizadas”, ou seja, sem os fluxos – a movimentação – o espaço fica estagnado, sem realizar as trocas de diversidades presentes em todos os espaços urbanos, e essa diferença podem ser causados pelos tipos de atividades que são desenvolvidas naquela região. Essa diversidade é bastante visível, principalmente na Rua Feliciano Dourado, uma vez que ao recebe a influência dos fluxos gerados pela Avenida Rui Barbosa e Avenida Barão de Mamanguape, e principalmente José Américo de Almeida – a Beira Rio, se tornando uma das ruas utilizadas como interligadora entre as grandes avenidas que circundam a redondeza. Muito deste fluxo é causado pelo fato das fachadas posteriores dos comércios localizados na Av. Beira Rio estarem voltadas para a rua em estudo, se tornando assim uma área de carga e descarga. Ou seja, o pouco fluxo recorrendo na rua, é causado pela própria Avenida Jose Américo de Almeida.

As formas de fluxos presentes em uma região estão ligadas a mobilidade urbana. Proeza e Campos (2010, p. 1) a definem como “a facilidade de deslocamentos de pessoas e bens no espaço urbano”. Ao levarmos em conta essa definição, podemos analisar questões como as consequências da falta e do excesso de fluxos em uma região, e suas interferências sobre fatores socioeconômicos. Durante o período de estudo da Rua Feliciano Dourado podemos destacar dois pontos que causam o impedimento de fluxos na região: O canteiro de obras do Mercado da Torre (Figura 30) e obras da rede de águas pluviais (Figura 31).

Considerando as vias presentes na região, o Detran (2011, pag. 1) classifica como: “Via Arterial: geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade. Via Coletora: aquela destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito dentro das

regiões da cidade”.

Figura 30: Canteiro de obras do Mercado da Torre, que interdita trecho da rua, que normalmente recebe grande fluxo de carros. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h38min.

Figura 31: Obras na rede de águas pluviais, que causam transtorno nas proximidades do Mercado da Torre. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h32min.

Figura 29: Diferentes tipos de vias presentes da região. Fonte: 1: Gabriella Barbalho, data 28/10/2012, às 16h11min. 2: Fonte: Débora Leal, data 04/10/2013, às 14h13min.

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1.2.10 Fluxos

2 – Avenida Caetano Filgueiras, via é apenas um mão, em direção a Avenida Júlia Freire. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h40min.

1 – Avenida Barão de Mamanguape, via arterial, que traz fluxo da principal avenida da cidade: Avenida Epitácio Pessoa. Fonte: Débora Leal, 1/09/2013, às 10h58min.

4 – Área interditado para realização de serviços da rede de águas pluviais, causando transtorno aos moradores, afinal toda a rua está suja e cheia de água. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h32min.

Figura 32: Mapa identificando a direção dos fluxos e as principais avenidas que cortam a Rua Feliciano Dourado. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

3 – Avenida Rui Barbosa, uma das vias mais importantes do bairro. Ela e a Avenida José Américo de Almeida são as únicas vias que passam ônibus. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h47min.

5 – Trecho interditado pelo canteiro de obras da reforma do mercado público, que segundo os comerciantes causa muitos problemas. A obra vem sendo feita desde Abril de 2011. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h51min.

Escala do mapa: 1:3500

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1.3

Análise Visual

A Análise Visual pode ser resumida como a análise intuitiva e de percepção (DEL RIO, 2004, p. 87), tomando como principio os elementos imediatos presentes no espaço urbano vivido, que resulta na percepção da área a ser estudada, e tais informações sensoriais geradas pelo técnico nos apresenta a primeira noção de como o ambiente urbano se comporta em conjunto com a cidade. (SCOCUGLIA, CHAVES e LINS, 2006, pag. 1).

Além dos elementos citados anteriormente, podemos destacar o caso da ruela (Figura 33) presente no final da rua em estudo. No primeiro contato que tivemos com esse espaço especifico, ficamos temerosas pelo o que poderíamos encontrar, porém ao vivenciarmos o espaço percebemos que era um espaço comum daquela rua, que não era uma área esquecida. Por mais que seja uma ruela estreita com 3,2m de largura, podemos ter a percepção do cuidado dedicado pelos seus moradores.

A análise visual está dividida em três formas geradoras de respostas emocionais do ambiente, citadas por Gordon Cullen (DEL RIO, 2004, pag. 87): Ótica: é a percepção que temos ao caminharmos no espaço urbano, onde identificamos a organização espacial e seus diversos elementos, e levando em conta a visão serial. Lugar: está relacionado com as experiências que o técnico vive e suas impressões sobre o local visitado, e tem como principal parte analisadora a os elementos imediatos de um espaço. Conteúdo: são informações e conhecimentos colhidos no espaço através de elementos como cor, escalas, texturas, estilos, caráter e unidade. DEL RIO (2004, p. 87) afirma que para a Análise Visual: “É a exploração do drama e dos efeitos emocionais, sentidos a partir de nossa experiência visual dos conjuntos edificados, algo que a solução meramente ‘científica’ é incapaz. Baseado em uma análise intuitiva e artística da paisagem urbana”.

Ou seja, quando caminhamos em um espaço pela primeira vez, temos que reparar em diversos elementos que compõem aquele espaço, podendo eles explicar como os usuários daquele espaço se comportam. É importante que estejamos abertos a perceber diversas características, que muitas vezes ficam longe do que nós conhecemos normalmente. Porém é uma experiência sensorial enriquecedora para o Desenho Urbano, afinal conhecemos as principais características presentes ali. No caso da rua em estudo, vários elementos chamaram atenção, principalmente os pontos onde encontramos grande diversidade urbana, uma das principais características do bairro da Torre. As principais características percebidas ao fazermos a Análise Visual foram o uso confuso de cores e texturas diversas, elementos construtivos que se repetem em muitas quadras, a presença de consumidores de várias regiões da cidade nos comércios da rua estudada e o grande fluxo de veículos que eles causam. Com essa percepção espacial podemos compreender dados importantes sobre as pessoas da rua e como a interação com o espaço corre naquela região.

Figura 33: Analise Serial da Rua Feliciano Dourado. Percurso feito pela ruela que liga a rua em estudo com a Rua José Severino Massa Spinelli. Fonte: Gabriella Barbalho, dia 30 de Setembro de 2013.

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1.3 Análise Visual

1 - Podemos observar bastante carros estacionados na rua, alguns em frente as oficinas e outros em frente as residências, po-dendo ser dos clientes ou funcionários dos comércios. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09:10 hrs.

8 - Grande movimento de carros na Avenida Rui Barbosa, via arterial do bairro da Torre. A partir desta avenida se encontra o maior desenvolvimento residencial da rua estudada, por estar em uma ZR2 (Zona Residencial 2). Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11:09 hrs.

2 - Foto tirada logo após percebemos a demolição da fachada do terreno vazio, que era utilizado como ponto de uso de drogas. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09:31 hrs.

9 - Trecho com grande presença de lojas automotivas utilizando a rua como estacionamento, também visto na figura 1. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11:06 hrs.

3 - Trecho da rua usado para estacionamento de carros e também de caminhões, que descarregam para abastecer os comércios da rua em estudo e os da Av. Beira Rio. Fonte: Débora Leal, 13/09/2013, às 10:30 hrs

10 - A floricultura chácara Beira Rio utiliza a rua em estudo tanto como local de carga e descarga como também utiliza os terrenos próximos para o cultivo das espécies. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10:22 hrs.

4 - Grande fluxo de carros na Avenida Barão de Mamanguape paralela a rua em estudo, que transitam pela Torre ou até mesmo os clientes que frequentam o mercado da Torre e os comércios das ruas do entorno. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11:32 hrs.

11 - Única escola/creche infantil privada da rua em estudo. Na área não encontramos nenhum outro estabelecimento educacional, público ou privado que atenda as crianças da rua. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10:24 hrs.

Figura 34: Análise Visual criada pelo grupo, da Rua Feliciano Dourado. Percebemos que a rua apresenta dois setores: o setor onde sua maioria é de comercio (até a Av. Rui Barbosa), e o setor onde sua maioria é habitacional (após Av. Rui Barbosa). Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

5 - Pelo fato do mercado estar em reforma e sua entrada principal estar na Av. Carneiro da Cunha, foi locado o canteiro de obras na rua em estudo causando transtorno para alguns moradores e vendedores. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09:51 hrs.

12 - Casa abandonada em um grande terreno, bem cuidada pela vizinhança para possibilitar maior segurança. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 10:49 hrs.

6 - Foi despertada a curiosidade pelo prédio, por ele apresentar poucas aberturas e não possuir porta de entrada aparente. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, ás 09:57 hrs.

13 - Escola privada abandonada em terreno que ocupa grande parte da quadra, ocasionando risco a população ao redor tanto por questões de segurança, quanto de saúde pública. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10:31 hrs.

7 - Habitação de uso misto que chama atenção pela presença de diversos elementos em conjunto, gerando ideia de confusão, como por exemplo, o guarda corpo em vidro escuro da escada que aparenta ser uma varanda. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09:53 hrs.

14 - Residência térrea atraio nosso olhar já que sua arquitetura e cor se diferencia das demais vistas na rua. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/08/2013, às 10:53 hrs.

15 – Ruela que faz ligação entre a rua em estudo com a rua José Severino Massa Spinelli. A mesmo fazia ligação com a Beira Rio, sendo esta ligação interrompida pelo desenvolvimento do bairro. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, ás 10:54 hrs.

Escala do mapa: 1:3500

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1.4

Comportamento Ambiental

Podemos definir como comportamento ambiental a forma que o usuário se relaciona com o espaço construído. Essa relação varia de acordo com o passar dos tempos e mudanças de costumes da sociedade, e essa variação nos ajuda a compreender o processo que ocorre em cada meio urbano. Isso se confirma a partir da segunda linha de pensamento dos pontos citados por Del Rio (2004, pag. 97) na sua teoria de Comportamento Ambiental, que defende “que a reação do ser humano é reflexo puro da situação que ele se encontra, buscando relações causaefeito mais diretas nos comportamentos ambientais”. Os estudos, pesquisas e analises desse comportamento ambiental podem ser caracterizadas como um hábito padrão ou típico, regras e propósito sociais, aspectos físicos específicos e aspectos temporais da ocorrência, obtendo assim dados que podem ser aplicados em outros campos de atuação como, por exemplo, na organização física ambiental das cidades, fazendo com que o resultado seja mais satisfatório já que o observador possui maior conhecimento das necessidades dos usuários. Esta categoria esta subdividida em dois pontos: observação direta e observação indireta. Sendo a direta quando o observador detecta o acontecimento na hora do ocorrido, para isso ele utiliza a posição do observador, os instrumentos de registro, o que observar como o que, quem, fazendo o que e com quem. E a observação indireta é obtida através das pistas e vestígios das ocorrências. (DEL RIO, 2004, pag. 100).

Por ser uma rua extensa, a Feliciano Dourado apresenta diversos tipos de comportamento, que podemos dividir em setores. Se analisarmos quadra por quadra podemos evidenciar que nos quarteirões onde há uma grande predominância de uso residencial, temos o comportamento dos moradores, que são hábitos criados há muito tempo e que até hoje refletem na forma como essas pessoas se relacionam com a rua. Já nas quadras onde o uso comercial é mais marcante, podemos ver setores onde os usuários que não moram nesta rua tomam certos espaços para si, sendo este denominado nesta pesquisa como comportamento do usuário. As principais quadras onde analisamos a maior quantidade de comportamento dos moradores são as primeiras e últimas. Nelas, pela pouquíssima quantidade de comercio marcante, podemos presenciar diversas pessoas em suas calçadas, em baixo de árvores, e conversando entre si, principalmente no horário da tarde, quando os moradores voltam para casa após o dia de trabalho. Foram nessas quadras que recebemos as respostas mais positivas sobre a forma como os moradores se relacionam, como visto na resposta de um entrevistado, na figura 37.

Figura 36: Resposta do questionário feito, no dia 27/09/2013, às 14h32min, ao entrevistado: Mario, de 53 anos. Na imagem ao lado, senhor Mario, que é vendedor de Paraíba Cap. Fonte 1: Maria Ariadny, dia 11/10/2013, às 15h05min.

Figura 35: Exemplo encontrado de observação direta e indireta. Dois senhores que jogam damas, todos os dias, no mesmo local, na calçada da fachada posterior do Mercado da Torre. Fonte 1: Gabriella Barbalho, dia 16/10/2013, às 16h20min. Fonte 2: Gabriella Barbalho, dia 11/10/2013, às 14h38min.

Já nas quadras mais centrais da rua, onde estão localizados, de forma mais concentrada, a grande maioria dos comércios, podemos ver uma maior influencia destes estabelecimentos nas ações de seus usuários, onde nomeamos atuação como: comportamento do usuário, que são tanto áreas definidas pelos próprios usuários para carga e descarga e para estacionamentos, ou até área onde usuários de drogas se instalam. Vemos claramente uma perda de interesse pelo espaço urbano, em comparação com a sessão se rua citada acima, sendo interessante destacar o ‘choque’ que podemos vivenciar ao fazermos o percurso na rua.

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1.4 Comportamento Ambiental

1 – Senhor que concerta bicicletas, utilizando a calçada da sua casa para fazer seu trabalho. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h12min

3 – Carga e descarga das lojas, da Avenida José Américo de Almeida. Não há hora para que esse tipo de serviço aconteça. Fonte: Débora Leal, 13/09/2013, às 10h30min.

1 – Calçada sendo utilizada para concertos de bicicletas. Vemos cadeiras debaixo da árvore. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11h38min.

3 – Usuários de drogas, que se alojaram na fachada posterior do Banco do Brasil. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h37min

Figura 37: Análise de Comportamento Mental da Rua Feliciano Dourado. Nota-se a diferença de uso entre uma quadra e outra.Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

2 – Pessoas sentadas debaixo de árvore, na calçada. Fonte: Maria Ariadny, 11/10/2013, às 14h30min.

4 – Senhores que sempre jogam damas na parte posterior do Mercado da Torre. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h42min.

2 – Desta vez, as mesmas pessoas utilizando a rua para jogar dominó. Vemos como eles se apropriam daquele espaço. Fonte: Gabriella Barbalho, 16/10/2013, às 16h32min.

4 – Tabuleiro de damas e cadeiras, utilizadas pelos senhores que jogam no Mercado da Torre, desta vez, na calçada. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h38min.

Escala do mapa: 1:3500

31


1.4 Comportamento Ambiental

6 – Senhor que sempre se senta na sombra da única árvore da quadra onde está localizado o Mercado da Torre. Fonte: Débora Leal, 04/10/2013, às 14h47min.

8 – Oficina de carros, que ocupa a calçada, e seu funcionário. Fonte: Maria Ariadny, 11/10/2013, às 14:48min.

7 – Bar de esquina, chamado Vire Mexe, que fica fechado ao dia. Fonte: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h43min.

6 – Senhor sentado a frente de sua loja, na quadra onde se localiza o Mercado da Torre. Fonte: Maria Ariadny, 11/10/2013, às 14h38min.

9 – Taxista, sentado num antigo ponto de taxi, na lateral da escola que hoje está abandonada. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10h34min.

Figura 38: Análise de Comportamento Mental da Rua Feliciano Dourado.Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

10 – Senhor que vende Paraiba Cap, sentando embaixo da árvore. Fonte: Maria Ariadny, 11/10/2013, às 15h05min.

7 – Mesmo bar de esquina, porém no período da noite, em seu funcionamento. Vemos muitos carros estacionados. Fonte: Jacianny Rayanny, 17/10/2013, às 19h38min.

11 – Senhor sentado na esquina da quadra. Fonte: Maria Ariadny, 11/10/2013, às 15h06min.

Escala do mapa: 1:3500

32


1.5

Percepção Ambiental

Percepção ambiental pode ser definida como a forma que o homem vê o ambiente onde vive. Cada indivíduo percebe, reage e responde de formas diferentes as ações que ocorrem no espaço urbano, junto com as expectativas que cada usuário tem do espaço ocupado. (SOUZA e PELISSARI, 2005, pag. 2). Ou seja, esse estudo é de fundamental importância para que possamos entender melhor as inter-relações que ocorrem entre o homem e o ambiente, junto com os julgamentos e insatisfações, essa análise se dá por informações simbólicas criadas por seus usuários. A afirmação citada acima, é confirmada com a seguinte citação de Noronha (2008, pag. 2): “As pessoas diferem em sua percepção, pois a compreensão da experiência perceptiva é diferente de indivíduo para indivíduo no tempo e no espaço. A motivação pessoal, as emoções, os valores, os objetivos, os interesses, as expectativas e outros estados mentais influenciam o que as pessoas percebem. Em suma, a percepção é um processo muito mais subjetivo do que se crê usualmente”.

As informações da percepção ambiental abordam informações diversas sobre o comportamento humano, o colocando como o resultante do processo que leva a compreensão de um espaço. Tal percepção influencia completamente na construção de um prédio, já que a relação que ocorre entre o ambiente interno e externo é fundamental para o funcionamento de um ambiente urbano. As relações afetivas criadas pelas relações que ocorrem no meio urbano são cruciais para a convivência. Em certas áreas que não ocorre tal relação, a percepção ambiental pode ser utilizada para avaliar a degradação de uma determinada região de uma cidade, muitas vezes sujeitas a especulação imobiliária. Com tais informações são colhidas em forma de questionários ou mapas mentais, que são desenhos feitos pelos usuários, onde eles retratam muitas vezes problemas que acontecem no espaço urbano, como visto na figura 39 e 40.

Figura 40: Comparação das respostas de dois entrevistados. Em vermelho, a resposta da senhora Elena de 63 anos. (Ver completo em anexo) Em verde, Roberto de 47 anos. (Ver completo em anexo)

Além de alguns mapas mentais colhidos com usuários e moradores da rua, tivemos a chance de fazer a atividade com crianças de 7-9 anos, que estudam na Escola Infantil Fonte Viva (Figura 41), a única escola da presente na Rua Feliciano Dourado, onde tivemos uma experiência que nos esclareceu diversas informações que tínhamos sobre o espaço urbano estudado. Com tal atividade percebemos como realmente acontece a interação dos usuários que usufruem da rua todos os dias para chegarem a escola. Nesses mapas mentais, podemos identificar elementos como, por exemplo, a arborização da Beira Rio, o hospital da Unimed, pequenos comércios. Ou seja, esses componentes urbanos são importantes para a memória dos usuários deste espaço.

Figura 41: Fachada da Escola Infantil Fonte Viva e as crianças da 2ª série. Fonte 1: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10h25min. Fonte 2: Gabriella Barbalho, 16/10/2013, às 14h26min. Figura 39: Mapa mental feito pelo usuário de um lava-jato, chamado Will, de 24 anos. Podemos perceber como ele desenha os carros em cima da calçada, junto com os depósitos de lixo e escadas que invadem o espaço público.

A seguir, analisamos os mapas mentais produzidos pelos usuários e moradores da rua, comparando os elementos representados com os citados por Lynch (1999). Tais elementos são: os Marcos, os Percursos, os Limites, os Distritos, os Setores e os Nós. 33


Análise dos Mapas Mentais feitos pelos usuários e moradores da Rua Feliciano Dourado:

Este mapa mental (figura 42) nos mostra o caminho percorrido todos os dias pela Izabel Vitória, de 7 anos, para chegar à escola. Saindo da Rua Agostinho Figueiredo a onde mora, esta bastante estreita assim como foi representada no desenho, chegando a uma rua larga onde ela identifica elementos diferentes como carro e moto. Ao analisar o mapa original do bairro identificamos que esta rua larga é a Av. Beira Rio sendo a que possui maior trânsito diferentemente das outras e foi lembrada provavelmente por enfrentar alguma dificuldade em atravessa-la. Já os equipamentos de lazer abordados não existem no espaço verdadeiro, que nos possibilitando identificar a falta de um espaço público próximo a sua casa, não sendo diferente da rua em estudo. Em seguida ela mostra o ponto comercial onde vende coco, em uma esquina que de acordo com a sequência se encontra na Rua Aragão e Melo, podendo ser a lanchonete que tem seu acesso para frente do hospital Unimed, após essa rua ela chega a Feliciano Dourado enxergando somente a escola sem representar outro elemento, se compararmos esta área com a que foi destacada os elementos de locomoção, esta representa o pouco fluxo de carros neste trecho, que não dificulta a sua passagem.

O mapa mental seguinte (figura 43), feito por Kelly, de 7 anos, nos apresenta diversos elementos presentes em seu percurso. Ao analisarmos o mapa do bairro, podemos identificar a larga rua desenhada por ela como sendo a Avenida Barão da Passagem. Do percurso feito por ela desde casa, desenhou dois prédios, um de dois pavimentos e outro que chamou de hospital, ao analisarmos o mapa do bairro, podemos realmente encontrar os elementos citados acima, principalmente o hospital (Unimed). Ela, por outro lado, não desenha a Av. Beira Rio, provavelmente porque passa pela Avenida em algum momento de baixo fluxo, não tendo o contato com a grande quantidade de veículos que circulam por ali. Para chegar até a escola, ela desenho uma baraquinha pequena, que podemos identificar como o fiteiro localizado ao lado da escola, muitas vezes fechado. Percebe-se que ao desenhar a rua, ela não desenha os carros, mas sim a sinalização presente nela, sendo um sinal de que ela utiliza a rua quando está vazia, provavelmente no inicio do dia. Ao analisarmos os elementos citados pela criança, podemos identificar, segundo os conhecimentos de Kevin Lynch (1999, pag. 57-73) o hospital como um Marco, o Percurso a Avenida Barão de Passagem, e o Limite sendo a escola.

Através dos conhecimentos de Kevin Lynch (1999, pag. 57-73) podemos destacar três elementos urbanos: o Percurso no caso da Av. Beira Rio, Marco que seria o local onde vende coco e o Limite que é a escola.

Figura 42: Mapa mental feito por Izabel Vitória, de 7 anos, estudante da Escola Infantil Fonte Vida.

Figura 43: Mapa mental feito por Kelly, de 7 anos, estudante da Escola Infantil Fonte Vida.

34


O mapa seguinte foi desenhado por Ana Letícia, de 7 anos, e ela nos mostra o percurso feito diariamente por ela até a escola, onde apresenta no desenho de início a sua residência e ao lado uma igreja, que podemos identificar, de acordo com o desenho e o mapa original do bairro, que a rua representada é Av. Nossa Senhora de Fátima, provavelmente a rua que essa criança mora. Onde, se localiza a igreja São Judas Tadeu e em sequência percorre a Av. Santa Júlia que se encontra em frente à mesma, ao chegar a Av. Beira Rio ela entra em uma das ruas a sua esquerda, chegando à escola.

O seguinte mapa mental, feito por Itamara de 6 anos, mostra o caminho percorrido pela criança de sua casa até a escola. Ao analisarmos o desenho, podemos perceber que até chegar ao seu destino final, a criança passa por varoas casas e prédios altos.

Podemos observa que a rua em estudo não foi identificada, mas lembrada por ela de maneira diferente talvez com intenção de mostra que esta é uma área residencial tranquila, com um trânsito bastante calmo e que apenas a sua escola é importante ali. Já na rua a onde mora, ela mostra o que mais importa de fato, como a sua casa, a do amigo que é vizinho e a igreja onde vai visitar com seus pais. Não mostrando outros locais do entorno talvez por ser muito movimentada.

A criança destaca em amarelo um prédio que ela chama de ‘loja de ajeitar carros’, que são as diversas lojas com enfoque automotivo presentes na rua em estudo, um elemento marcante pela sua grande quantidade nesse espaço, refletindo, portanto na leitura da Rua Feliciano Dourado. Ao continuar seu percurso, ela segue diretamente para a escola, sem enfatizar os demais elementos presentes na rua.

De acordo com os conhecimentos de Kevin Lynch (1999, pag. 57-73) sobre elementos urbanos podemos identificar Limite sendo a escola, o Marco que seria a igreja e o Percurso como a Avenida Nossa Senhora de Fátima.

Figura 44: Mapa mental feito por Ana Letícia, de 7 anos, estudante da Escola Infantil Fonte Vida.

Ao compararmos o seu desenho com o mapa original da área, localizamos o prédio alto na Avenida José Américo de Almeida, uma via movimentada, com ampla área comercial. Vemos também que a criança desenha grandes manchas verdes durante o percurso, que podemos julgar como áreas arborizadas, que provavelmente estão próximas de sua casa.

Por meio do conhecimento da aluna Itamara, percebemos que os pontos de maior destaque no seu desenho é o prédio alto e a oficina de carros, sendo esses os Marcos, seu percurso sendo a própria Avenida José Américo de Almeida, e o limite sendo sua escola.

Figura 45: Mapa mental feito por Itamara, de 6 anos, estudante da Escola Infantil Fonte Vida.

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O mapa produzido pela aluna Carollyne, de 6 anos, demostra o percurso realzado por ela, todos os dias. Se analisarmos o desenho, podemos perceber que a rua onde mora possui muitas casas, proximas umas das outras, e nenhuma arborização. Ao comparamos com o mapa original, localizamos como sendo a Otacilio de Albuquerque, uma rua curta e completamente residencial. Para chegar até a escola, ela caminha pelas ruas, até ver a Abenida José Américo de Almeida, que ela destacou como sendo uma ‘pista’ muito arborizada, quando questionada após entregar seu desenho. É uma avenida que chama a sua atenção, por ser asfaltada, a achando muito bonita por causa da grande quantidade de árvores. Após passar pela Avenida José Américo de Almeida, ela chega até a Feliciano Dourado, onde destaca apenas a escola, desenhada por ela como um grande prédio de portões amplos, nos deixando claro que o que mais a chama atenção, e o que mais gosta deste espaço é a sua escola. Ela desenha o calçamento da rua, com grandes paralelepipedos, mostrando como ele traz problemas para sua locomoção pelo trecho em frente da rua. Ao analisarmos as informações lidas neste mapa mental, podemos identificar, utilizando as teoria de Lynch (1999, 57-73), como Marco as árvores da Avenida Beira Rio, Percurso sendo a Rua Otacilio de Albuquerque e Limite sendo a Escola Infantil Fonte Viva.

Figura 46: Mapa mental feito por Carollyne, de 6 anos, estudante da Escola Infantil Fonte Vida.

O mapa mental feito pelo adolescente Valdir de 17 anos, filho da professora da Escola Infantil Fonte Viva, destaca uma situação muito recorrente na Rua Feliciano Dourado, que é a dos carros estacionados devido a grande quantidade de comércios, empresas e oficinas de carro na área. Esse foi um problema comentado repetidas vezes, e esse desenho nos mostra claramente como o problema influencia no dia a dia dos moradores da rua. No desenho, Valdir destaca os carros e caminhões estacionados nas calçadas, mesmo onde apresenta a sinalização contraria a essa ação. Ele nós disse, que essa situação trás muitos problemas principalmente nos horários de sai e entrada de crianças na escola, causando grande congestionamento e prejudicando o ir e vir das pessoas. Principalmente pelo fato da rua estudada estar localizada paralelamente a Avenida José Américo de Almeida, esses tomam conta da rua, já que todas as entradas de serviço das lojas estão localizadas ali. Essa situação é algo que muitos dos moradores reclamam, já que muitas vezes denunciam, mas o problema torna a acontecer. Podemos enfim, de acordo com os conhecimentos de Kevin Lynch (1999, 57-73), sobre elementos urbanos, podemos identificar o Marco sendo os carros estacionados na rua.

Figura 47: Mapa mental feito por Valdir, de 17 anos, filho da professora da Escola Infantil Fonte Vida.

36


Classificação dos elementos urbanos 2.1 Elementos a serem mantidos Após as analises feitas durante o período de pesquisas realizadas, podemos destacar dois principais elementos que trazem benefícios para toda a vizinhança da Rua Feliciano Dourado. O primeiro a ser destacado seguindo o critério acima é a arborização presente na maioria da extensão da rua, como apresentado anteriormente durante Morfologia Urbana. Alguns dos exemplares encontrados na rua estão inseridos dentro dos lotes, principalmente na área de recuo, porém em sua maioria vemos árvores nas calçadas, fazendo assim parte do ambiente urbano. Os portes das árvores vão de pequeno, médio, à grande, onde em conjunto criam uma interessante composição vegetal no cenário urbano, tornando o ambiente mais agradável. A importância da preservação das árvores já presentes na rua estudada é grande, onde muitas delas compõem as construções e suas fachadas, além de criar relação com os usuários deste espaço.

Outro elemento a ser mantido é o comércio, em principal o Mercado da Torre. Sendo esse componente urbano produtor da maior parte dos fluxos vindos das diversas vias que o circundam, por ser um ‘marco’ do bairro. São totalmente visíveis os benefícios que a sua presença traz, tanto pelo próprio movimento criado por ele, como também por trazer uma grande diversidade para a área. Como comentado anteriormente, o movimento é um ponto crucial para a vida de uma rua, por mais que o elemento a ser mantido cause problemas, a sua presença é indispensável para a manutenção de informações e renda da região. Sendo este o motivo de sua permanência: o movimento gerado pelo comércio.

Escala: 1:3500

1 e 2: Imagens dos arredores da área posterior do Mercado da Torre, na Rua Feliciano Dourado. Fonte 1: Débora Leal, dia 04/10/2013, às 14h46min. Fonte 2: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h39min.

3 e 4: Estudo cromático da arborização em alguns trechos da rua. Identificamos muitas árvores, de diversas espécies e portes. Fonte 3: Gabriella Barbalho, dia 11/10/2013, às 14h44min. Fonte 4: Gabriella Barbalho, dia 11/10/2013, às 14h54min.

Figura 48: Mapa identificando os elementos a serem mantidos na rua estudada. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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2.2 Elementos a serem introduzidos

Ao vivenciarmos a Rua Feliciano Dourado, podemos perceber a falta de certos espaços, já que encontramos algumas áreas onde as problemáticas causadas pelo grande desenvolvimento do local, causam grandes problemas para os moradores. Essas áreas aqui destacadas são problemas que podemos encontrar já que além de ser um ambiente urbano muito utilizado por comércios, é um área que não foi planejada para esse tamanho de uso, por se uma rua muito antiga do bairro. O principal elemento, muitas vezes citados pelos moradores e usuários com quem conversamos é a falta de áreas de convivência dos moradores, já que com a densidade de construções presentes na área não a espaços para uma área livre publica. Porém, durante todo o

todo o percurso realizado, foram encontrados no total 9 lotes que estão tanto vazios quanto com construções abandonadas. Muitos desses espaços apresentam potencialidades para intervenção, por estarem em áreas mais privilegiadas, ou por serem pontos comerciais. O razão de tantas construções abandonadas se dá por questões familiares de herança. Outro ponto destacado tanto pelos moradores, quanto percebidos por nós, foram as áreas para estacionamentos, carga e descarga, já que utilizam as calçadas para estacionar, causando problemas para a vizinhança. Muitas pessoas que trabalhos nas lojas das redondezas, se utilizam do espaço da rua para estacionar, muitas vezes na frente das casas dos moradores, que muitas vezes denunciam tal ato, já que os impedem de receber visitas, ou até de saírem da própria casa.

Escala: 1:3500

1 e 2: Terrenos vazios presentes na rua, com potencialidades para espaços de vivencia para a vizinhança. Fonte 1: Jacianny Rayanny, dia 20/09/2013, às 09h16min. Fonte 2: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11h33min.

Figura 49: Mapa identificando os elementos a serem introduzidos na rua estudada. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

3 e 4: Avenida Barão de Mamanguape, usada como área de carga e descarga dos produtos das lojas. Trecho da rua em estudo, sendo usada como estacionamento das lojas da redondeza. Fonte 1: Gabriella Barbalho, dia 11/10/2013, às 14h35min. Fonte 2: Gabriella Barbalho, 11/10/2013, às 14h42min.

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2.3 Elementos de melhoria Ao analisarmos a rua encontramos questões que apresentavam potencialidades, porém precisavam ser melhoradas. Em primeiro podemos mencionar a pavimentação que se encontra bastante danificada em algumas partes da rua, estando na maioria das vezes em manutenção realizado pela Prefeitura, sendo esse trabalho apenas de tapa buracos, que se danificam rapidamente pela chuva ou mesmo por caminhões de carga que estacionam nestes locais. Este elemento urbano precisa ser melhorado para disponibilizar melhor acesso aos comércios desta área, possibilitar conforto e comodidade para os moradores da rua e do próprio bairro, como também os clientes dos comércios da redondeza.

Outro elemento a ser melhorado é a iluminação pública em algumas partes da rua, para propiciar melhor segurança principalmente para aqueles que transitam a noite, afinal esse item é indispensável para a qualidade de um espaço urbano, permitindo que os usuários deste espaço desfrutem plenamente as atividades noturnas que acontecem. O último elemento a ser melhorado é o acesso ao Mercado da Torre, principalmente a rua em estudo, já que o acesso posterior se encontra interditado, pelo canteiro de obras do próprio estabelecimento.

Escala: 1:3500

1: Local interditado onde se tem um dos acessos ao mercado, se torno uma área de estacionamento bastante conturbada. Fonte: Gabriella Barbalho, 27/09/2013, às 11h16mim.

2: Manutenção na pavimentação danificada. Fonte: Maria Ariadny Oliveira, 11/10/2013, às 14h40mim.

3: Bar em funcionamento sendo prejudicado pela 4: Área escurecida resultante da falta de falta de iluminação publica de qualidade. Fonte: iluminação realizada pelo poste que estar com Maria Ariadny Oliveira, 17/10/2013, às 19h50mim. defeito na calçada. Fonte: Maria Ariadny Oliveira, 17/10/2013, 19h55mim.

Figura 50: Mapa identificando os elementos de melhoria da rua em estudo. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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2.4 Elemento de erradicação Estacionamento e comércio nas calçadas: Através de análise feita durante o período de estudo, vimos que a falta de estacionamento vem prejudicando moradores e usuários, vendo que o mesmo efetua-se praticamente nas vias e calçadas, visto que não se tem um local exclusivo para permanência desses veículos. Esses automóveis não ficam estacionados apenas nas ruas mais também nas calçadas impedindo o acesso das pessoas que cruzam o local, fazendo com que os usuários transitem pela rua. Ah ausência de um espaço para estacionamento ocasiona um vasto fluxo de veículos nas ruas, gerando em algumas áreas pequenos congestionamentos bloqueando a passagem de outros. Podemos dizer que 50% desses carros parados na rua são de oficinas locais que normalmente fazem a manutenção dos automoves na rua gerando um congestionamento de carros. As quadras próximas do mercado da torre são caracterizadas como áreas de grande circulação de veículos principalmente de caminhões que fazem entregas de mercadorias, especifi-

1 - Carros estacionados na rua, alguns são de oficinas que estão localizadas na rua em estudo. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h10min.

camente nessa local encontrarmos uma grande movimentação de carros que ocasionam congestionamento e dificultando a passagem de pessoas não só pela rua mais também pela calçada visto que nessa área quase todas as áreas de passeio foram ocupadas por comercio. Em algumas áreas da rua encontramos ocupações irregulares nas calçadas, onde moradores e comerciantes do local usaram a mesma para ampliar seu comercio, geralmente são barracas e lanchonetes, essa apropriação irregular acaba prejudicando os moradores da área, que são impedidos de transitar pelo local e são forçados a utilizarem a rua como passagem, colocando sua vida em risco em meio a tantos carros que ocupam as vias locais. Com tudo, falta de um espaço para abrigar esse comércio irregular prejudica toda à população que precisa de um espaço para percorrer, pois já sofre com o excesso de carros nas ruas.

2 - Calçada e rua ocupada s por produtos que estão à venda. Fonte: Débora Leal, 13/09/2013, às 10h25min.

3 - Carros e caminhões de carga e descarga estacionados na parte posterior do Mercado da Torre. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h37min.

Escala: 1:3500

4 - Carros estacionados próximo do Mercado público da Torre. Fonte: Gabriella Barbalho, 20/09/2013, às 14h39min.

5 - Escada de uma loja ocupando metade o espaço de passagem. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h54min.

11 - Calçada de uma floricultura, ocupada por vasos de plantas. Fonte: Débora Leal, 13/09/2013, às 10h55min.

Figura 51: Mapa identificando os elementos de erradicação da rua em estudo. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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Terrenos e casas abandonadas. O abandono de terrenos e casas acaba se tornando incômodos para a vizinhança, isso contribui para a poluição visual da cidade. Na Rua em estudo, existe um pequeno numero de terrenos e casas que não estão sendo usada, essa falta de ocupação acaba tornando o ambiente perigoso gerando desconforto aos que residem e trabalham nas proximidades do local. Por falta de ocupação alguns espaços abandonados acabam servindo para despejo de entulhos e atraindo delinquentes que utilizam o espaço para uso próprio ou pontos de venda de drogas, tornando o lugar perigoso especialmente à noite tendo em vista que o fluxo de pessoas que transitando pela rua se torna mínimo.

1 – Terreno abandonado que dá acesso a Avenida Beira Rio. Fonte: Débora Leal, 04/10 /2013, às 14h53min.

2 – Terreno abandonado, que antes servia de abrigo para dependentes de drogas. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09 /2013, às 09h31min.

A necessidade de apropriação desses terrenos por partes dos proprietários ou poder publico é importante, pois não só diminuiria a criminalidade no local mais beneficiariam as pessoas que residem nos arredores com novos estabelecimentos ou ate mesmo residências. Através de entrevista podemos compreender que essas áreas que não são ocupadas gera desconforto a população, pois esses espaços abertos atraem doenças por estar abandonado com muita vegetação e entulhos e ter acesso livre, não só os terrenos mais também as casas abandonadas traz risco aos usuários da rua visto que não se sabe que utiliza esse espaço. Existem também terreno e casas que são preservados por vizinhos que cuidam e não deixam abertos evitando a entrada de outras pessoas.

3 – Casa abandonada, na lateral do Mercado da Torre. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 09h35min.

4 – Ponto comercial abandonado, com entulhos na calçada. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/2013, às 10h08min.

Escala: 1:3500

5 – Terreno vazio protegido por tapumes, pra evitar o acesso de mal elementos. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/09/ 2013, às 10h10min.

10 – Ponto comercial abandonado, por quêstões de herança. Fonte: Jacianny Rayanny, 20/ 09/2013, às 10h28min.

Figura 52: Mapa identificando os elementos de erradicação da rua em estudo. Fonte: SEPLAN (PMJP). Editado pelo grupo.

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2 Linha de atuação 3.1 Melhorias das calçadas e criação de áreas de estacionamento

Logo nas primeiras visitas a Rua Feliciano Dourado, podemos perceber os problemas com o calçamento e estacionamento, tanto porque o bairro onde está localizada é bastante antigo, quanto pelos fluxos que ocorrem naquela área. Esses problemas tem afetado a população residente, trazendo problemas de locomoção e tranquilidade. É através da percepção desses problemas, percebemos que se precisa atuar nessa área para trazer de voltar aos moradores o que foi perdido com o tempo, propondo para a rua uma nova organização espacial, solucionando questões que incomoda muitos dos seus moradores. Com isso vamos propor para a rua, a revitalização de todas as calçadas, utilizando como principal material o piso intertravado, em conjunto elementos acessíveis, como rampas e pisos táteis, retirando qualquer elemento que impeça a locomoção de qualquer usuário. Nas calçadas que apresentam larguras mais acessíveis, pretendemos inserir canteiros com trabalho paisagístico, a fim de humanizar certos trechos da rua, que estão completamente deteriorados.

Para solucionar a organização do estacionamento, vamos inseri-lo de forma alternada nas áreas de maior fluxo, principalmente nas quadras próximas ao mercado público. Tais vagas serão em quantidade que não cause problemas para os moradores, já que muitos reclamam da quantidade de carros estacionados em toda a rua. Essa revitalização não irá beneficiar apenas os moradores, mas também todos aqueles que precisam usar a rua e encontram dificuldade. Outro elemento que será inserido em nova intervenção será áreas destinadas para a carga e descarga de caminhões de mercadorias, com locais e horários específicos. As áreas para tal atividade serão implantadas na lateral do Mercado da Torre, onde serão postas placas com horários pré-definidos para que tal operação ocorra, junto com o diferente tipo de pavimento: placas de concreto, que suportam cargas maiores que os paralelepípedos comuns. Como projetos correlatos (Figura 53), citamos principalmente a revitalização da área comercial da cidade de Maringá (PR), conduzido por Claudinei Alves, Marcelo Wolff e Mauro Fungaes, onde os próprios comerciantes se envolveram com a revitalização do espaço, a fim que atrair novos consumidores.

Figura 53: Projeto de revitalização da Rua Santos Dumont, Maringá (PR), um planejamento estratégico elaborado por empresários instalados na área, em conjunto com o SEBRAE/PR. Fonte: PR.GOV.

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3.2 Inserção de espaços públicos e associação dos moradores Ao conhecer a rua e ter contato com seus moradores, podemos perceber a necessidade que eles têm por espaços públicos, para o lazer e convívio social da população, tendo em vista que os as praças localizadas no bairro em questão, estão localizadas em regiões distantes da Rua Feliciano Dourado, como por exemplo, a Praça São Gonçalo, que segundo um morador entrevistado fica a 20 minutos da rua estudada, sendo bastante cansativo o deslocamento até esta área pública. Outra questão que tomamos conhecimento durante o período em que convivemos com os moradores, é a história do antigo campo de futebol do bairro da Torre: o Trigueirão, que era localizado onde hoje está o hospital da Unimed. Vários residentes da área nos informaram sobre este assunto, que sentem falta deste espaço onde possam compartilhar experiências com os seus amigos, que moram há muitos anos na rua. Tendo em vista as questões acima, vamos propor a criação de um espaço público no terreno onde hoje está localizada a escola particular Mundo Infantil, que segundo os moradores, está abandonada a mais de uma década. Em um terreno de aproximadamente 3,632m², pretendemos inserir um pequeno campo de futebol, a fim de tentar resgatar as memórias que os moradores têm do antigo campo, que foi demolido a mais de vinte anos.

Para o fortalecimento das fortes relações presentes na Rua Feliciano Dourado, já que, em sua maioria, seus moradores são antigos, vamos incluir uma associação dos moradores, a fim de resolver questões práticas, buscar melhorias junto à Prefeitura da cidade, e organizar eventos que tragam benefícios os cidadãos da região. Tal Associação será inserida em um lote onde está localizada uma casa antiga abandonada, que hoje é cuidada pelo senhor que mora ao lado. Apresenta aproximadamente 496,27m², tendo acesso também pela Avenida José Américo de Almeida. Pretendemos restaurar a edificação (Figura 34, Imagem 12), e inserir ali, a Associação, onde a população possa se reunir, fazer reuniões a fim de buscar a solução dos problemas da área. Esses espaços não irão beneficiar apenas aos moradores da Rua Feliciano Dourado, mas também a todo o bairro. O correlato pesquisado (Figura 54) para a intervenção foi o projeto paisagístico na região de Varjão, bairro de Brasília (DF), uma área marcada pela falta de planejamento, uma proposta que busca a criação de um espaço público que traga a dignidade para a população.

Figura 54: Croquis do projeto de intervenção paisagística para o concurso CNPE, para uma área pública do bairro de Varjão (DF), por Alexandre Sampaio. Fonte: Concursos de projeto.

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3.3 Inserção de equipamento de saúde (PSF), para a vizinhança

Apesar de o bairro dispor de um dos melhores hospitais particulares da cidade, que está localizado na Avenida José Américo de Almeida (Beira Rio), ao entrevistarmos os moradores, confirmamos uma compreensão que tínhamos desde o primeiro dia de visita: Os moradores não usufruem de tal hospital, já que não apresentam condições para arcar com tais serviços. Muitos nos informaram que utilizam os postos de saúde das redondezas, muitas vezes localizados em locais distantes da rua, como por exemplo, o Lactário da Torre, que fica na Avenida Rui Barbosa, Por mais que os moradores não reclamem dos serviços, notamos que muitos acham dificuldades em chegar até tais serviços, pois apresentam idade avança e dificuldades de locomoção.

O terreno onde propomos o Posto de Saúde da Família está localizado em um lote de esquina, na Avenida Rui Barbosa, onde antes era uma loja de veículos. A escolha deste terreno vazio se deu principalmente pela sua localização, em uma avenida que corta o bairro, que onde também estão implantados outros equipamentos de saúde. O lote apresenta aproximadamente 704,35m², onde pretendemos inserir o PSF, especializado nos cuidados dos idosos. O projeto está de acordo com a norma NBR 9050, a fim de torna-lo completamente acessível, por todos que queiram se consultar. Pretendemos projetar um equipamento de saúde que traga qualidade de vida e comodidade a população.

Com as entrevistas feitas com os moradores, percebemos que mais um posto de saúde será necessário, principalmente para o cuidado de pessoas mais velhas, que são maioria na rua em estudo. Ou seja, o projeto pensando, traria maior bem estar para aqueles que precisam de mais conforto.

O projeto correlato da UPA Norte, localizada em Juiz de Fora (MG), projetado pelo escritório Skylab, apresenta estrutura metálica simples, que concentra diversos leitos e salas, além ser uma construção acessível para todos os usuários, e apresenta capacidade de reaproveitamento de água, tratamento de esgoto e eficiência térmica, interessantes diretrizes projetuais.

Figura 55: Projeto de UPA, para a cidade de Minas Gerais, do escritório Skylab. Vemos a utilização de vigas metálicas, fazendo com que o projeto seja mais limpo, e com construção mais rápida.Fonte: Skylabarquitetos.com.br

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3.4 Remanejamentos dos comércios impróprios e inserção de Posto Policial

Comércios localizados em áreas impróprias é um problema que afeta diretamente o meio ao qual está inserido. E na Rua Feliciano Dourado podemos encontrar esse tipo de situação próximo ao mercado público da torre, onde esses comércios estão ocupando a calçada, causando uma interrupção da passagem para o pedestre. Algo muito mencionado pelos usuários da rua é a falta de policiamento, e a solução encontrada por muitos foi à contratação de segurança particular, já que não há nenhum posto policial nas proximidades da rua. Podemos destacar o Mercado da Torre como um dos locais que mais precisam de segurança, afinal por ser um local público e de comércio, a grande probabilidade de roubos e furtos nesta área, por ser um local de muita movimentação econômica.

casa abandonada, que fica por trás dos fiteiros. Tal terreno está em um local de fácil acesso e localização. O seguinte lote apresenta 243,34 m², onde serão feitos o remanejamento e organização desses comércios, além da propor a inserção de um posto policial, e pequena área de convivência. Além deste terreno, vamos utilizar outro lote, para inserir quiosques de alimentação, criando assim, uma nova área de passagem para os moradores. O projeto correlato pesquisado foi o de revitalização do calçadão de Canoas (RS), criado pelo escritório Mader Arquitetos Associados. Este projeto apresenta uma escala projetual maior da qual será trabalhada nos lotes citados, porém o espaço público criado valorizou os eixos de visualização, utilizando elemento como vegetação e equipamento, a fim de ressaltar o espaço público.

E para solucionar tais situações iremos usar o terreno de esquina, onde hoje a uma

Figura 56: Projeto de revitalização do calçadão de Canoas (RS), do escritório Mader Arquitetos Associados. Vemos a criação de praça com áreas convidativas, e espaços públicos de passagem. Fonte: Mader.com.

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4 Conclusão

É de amplo conhecimento que a cidade apresenta uma grande diversidade, que deve ser estudada, a fim de gerar informações que esclareçam seu desenvolvimento e decadência. E para compreender o espaço urbano estudado, utilizamos metodologias abordadas no livro “Introdução ao Desenho Urbano, de Vincente Del Rio (2004), analisando a paisagem urbana a partir do diagnostico dos elementos sociais, culturais e construídos, que nos deram base para reunir diversas informações adquiridas durante as visitas realizadas no período entre 13 de Setembro a 17 de Outubro de 2013, onde constatamos sua continua transformação. Durante essa etapa de pesquisa podemos presenciar um espaço urbano diferente do nosso cotidiano, que apresenta fluxos e usos diversos, que se relacionam entre si. Tal atividade foi enriquecedora para nosso conhecimento sobre as relações que ocorrem entre o homem e o espaço em que vive. Para adquirimos informações utilizamos métodos de analise através das Morfologias Urbanas e de Percepção Ambiental, que nos levaram a compreender a área. Tais considerações nos levaram a elaborar linhas de atuação efetivas, para intervir nos espaços públicos e trazer benefícios para todos os usuários deste meio urbano. Entendemos que é necessária que ocorra interferências do poder público neste espaço, no sentido de gerenciar e melhorar os usos dos espaços coletivos da rua em estudo, ficando evidente após a pesquisa realizada, a necessidade

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