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Espírito do Tempo memória afetiva da roupa gabriele prata

moda semiótica memória afetiva entrevistas processos criativos nov -dez 2017


TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Tal estudo não tem nenhum vínculo direto com a revista Serafina publicada pela Folha de São Paulo, tem como objetivo ser uma inspiração.


DEDICĂ TORIA Para minha famĂ­lia que fez o sonho de estudar moda ser realidade nesses quatro anos, me apoiando, incentivando e acreditando em cada passo que dava.


AGRADECIMENTOS Agradeço a minha família que acreditou em mim, e me apoiou a viver o sonho da graduação em Moda, que esteve ao meu lado em cada passo, em cada conquista e derrota. Aos meus amigos que me ajudaram a chegar aqui, e estiveram ao meu lado quando foi preciso um respiro fora dos livros. E agradeço aos amigos que fiz no caminho, vocês foram mais que essenciais!


EPÍGRAFE Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Oscar Wilde


Resumo memória afetiva 2017

O seguinte estudo comprova por meio de estudos a memória afetiva guardada em roupas, provando que moda é mais que cobrir um corpo, moda é sobre escrever uma história, é

sobre guardar momentos e ter objetos tangíveis como cápsulas do tempo para recordações. Palavras Chaves: 1. Moda. 2. Memória Afetiva. 3. Roupa. 4. Zeitgeist. 5. Semiótica..


The following study proves by means of studies of the aective memory kept in clothes, proving that fashion is more than c o v e r i n g a b o d y, fashion is about writing a story, it is

about kept moments and have tangible objects as time capsules for memories. Keywords: 1. Fashion. 2. Aective Memory. 3. Clothing. 4. Zeitgeist. 5. Semiotics.

Abstract afective memory 2017


8 10 11 12 13 14 15 16 20 21 24 26 28 28 30 31 32 33 34 35 36 47 47 47 48 48 49 49 50 50 51 51 52 53 54 54 55 56 70 72 74

introdução objetivo o que é a semiótica? mas o que é um signo? as ciências normativas os três elementos formais relação signo e objeto memória Afetiva cápsula do tempo objeto Cápsula a moda que marca projetos que trabalham a memória afetiva e afeto love project memoriando epokhé insecta shoes revivendo capas de discos corpo e moda: memória afetiva das roupas processo criativo entrevistas as repostas o estudo de projetos o estudo da semiótica memórias das décadas anos 20 anos 30 anos 40 anos 50 anos 60 anos 70 anos 80 anos 90 revista serafina peça confeccionada locação produto final conclusão editorial moda e memória fashion film referências agradecimento especial

Memória Afetiva Idealizadora do projeto Gabriele Prata Editora Gabriele Prata Edição de foto Gabriele Prata, Pamela Santos Produção de moda Gabriele Prata Produção de vídeo Funny Dog Films Edição de vídeo Funny Dog Films Fotógrafa Pamela Santos Modelo Vídeo Isabella Yogui Fotógrafa Editorial Natálya Almeida Modelo Editorial Marina Câmara Colaboradores Brechó Minha Avó Tinha

data 28 de novembro de 2017 número 1 tiragem única

&gabrieleprata@hotmail.com (behance.net/gabrielepra7e2 $gabrieleprata ffacebook.com/gabriele.prata


BRECHÓ MINHA AVÓ TINHA


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Introdução memória afetiva 2017

Este projeto visa mostrar de forma objetiva e clara a memória afetiva guardada nas roupas, por meio de entrevistas e estudos embasados no poder que as roupas

têm em absorver histórias e vivências, e provando que as peças são cápsulas do tempo para um passado saudosista.


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O trabalho a seguir visa mostrar a memória afetiva guardada nas roupas, por meio de longos estudos de décadas e entrevistas

que indicam a memória guardada nas roupas e como elas são facilmente reativadas pelas lembranças que a mente guarda.

Objetivo memória afetiva 2017


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O QUE É

SEMIÓTICA

A imagem ‘Isto não é um cachimbo’ é um dos casos mais famosos do estudo da semiótica, seu nome real é “A traição das imagens”, de René Magritte. A obra trata do objeto e sua representação, seu símbolo, questionando as percepções do ser sobre uma imagem, mos-trando que a representação de um objeto não pode ser con-fundida com algo real e tangível, porque ela só se assemelha ao seu objeto. A semiótica é uma das disciplinas que fazem parte da ampla arquitetura filosófica de Pierce. Essa arquitetura está alicerçada na fenomenologia, uma quase-ciência que investiga os modos

como aprendermos qualquer coisa que aparece à nossa mente, qualquer coisa de qualquer tipo, algo simples como um cheiro, uma formação de nuvens no céu, o ruído da chuva, uma imagem em uma revista etc., ou algo mais complexo como um conceito abstrato, a lembrança de um tempo vivido etc., enfim, tudo que se apresenta à mente [...] (Santaella, 2004, p.2)

De forma objetiva é a forma como interpretamos tudo que se apresenta à mente. No entanto de forma mais profunda e visando um entendimento melhor do que a semiótica estuda, podemos dizer que ela é um estudo das linguagens, dos signos, e da significação

pela comunicação verbal e não verbal. É um campo lógico que conduz uma análise sobre diferentes temas e aspectos. Em um âmbito mais pessoal a semiótica estuda o modo como o ser pode apreender, entender e compreender os signos, podendo despertar os cinco (5) sentidos, aguçar a imaginação de cada um e funcionar como uma cápsula do tempo para as lembranças do passado, como uma memória afetiva! O estudo é bem amplo, um campo lógico, no entanto o objetivo é o mesmo: interpretação, a semiótica visa entender os meios de compreensão de grandes grupos, através de uma análise que abranja um conhecimento geral sobre os modos de interpretação dos signos, já que o mesmo pode ter diferentes comunicações e passar diferentes sensações para cada indivíduo, sendo assim a semiótica é uma ciência que tem como base a mente e sua habilidade de leitura do mundo. A semiótica estuda como interpretamos e apreendemos tudo aquilo que vemos, desde uma propaganda aos modos de ver o mundo, como já dizia John Berger,


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,a forma como cada um interpreta algo, é única, no entanto por meio de estudos é possível achar uma base que passe um único sentimento e conhecimento a grande maioria, por isso a semiótica é a base de um trabalho imagético, onde a principal atração é passar algo por meio de imagens que sejam auto interpretativas. Ainda assim ela não dá respostas sobre os signos onde não há o menor conhecimento do interpretante, ela mostra e entende como as mensagens são passadas, nos dá o caminho para entender, mostrando seus elementos e respostas, sendo composto por diferentes caminhos que levam a um único entendimento dos signos, nos permitindo analisar o processo da mensagem que o signo passa, os recursos aplicados e todos os procedimentos que o levou a ter tal significado e alcançar tal representatividade. A semiótica não dá as respostas sobre o que é cada signo se não temos nenhum conhecimento no mesmo, ela nos dá o caminho para entendê-la através de do seu campo lógico que é composto por diversas linhas que

nos leva a um único caminho de entendimento.

significado claro seja ele bom ou ruim.

MAS O QUE É UM SIGNO?

[...] devem conter, no nível abstrato, os elementos que nos permitem descrever, analisar e avaliar todo e qualquer processo existente de signos verbais, nãoverbais e naturais: fala, escrita gestos, sons, comunicação dos animais, imagens fixas e em movimento, audiovisuais, hiper mídia etc. As diversas facet as que a análise semiótic a apresenta podem assim nos levar a compreender qual a natureza e quais são os poderes de referências dos signos, que informação transmitem, como eles se estruturam em sistemas, como funcionam, como são emitidos produzidos, utilizados e que tipos de efeitos são capazes de provocar no receptor. (Santaella, 2004, p.4)

Qualquer coisa que esteja presente à mente tem a natureza de um signo. Signo é aquilo que dá corpo ao pensamento, às emoções, reações, etc. Por isso mesmo, pensamentos, emoções e reações podem ser externalizados. Essas externalizações são traduções mais ou menos fiéis de signos internos para signos externos[...] (Santaella, 2004, p.10)

Um signo pode ser qualquer coisa que representa algo, o signo é o que deseja ser transmitido o objeto é o que faz ser possível essa transmissão, pela sua representação, e o efeito dessa transmissão. Os sentidos que ela irá aguçar e os sentimentos que ela irá causar é o interpretante e os efeitos interpretativos dependem diretamente do modo como o signo representa seu objeto. É a reprodução de algo, um símbolo, que atribuímos significado, valor ou sentidos, logo um signo pode ser qualquer coisa, pode ser tudo, afinal tudo que se liga a nossa mente está despertando qualquer um dos 5 sentidos onde atri-buímos um

Para os efeitos interpretativos não são necessários pensamentos bem formulados, porque eles podem ter como resultado uma reação física, causar uma emoção e aflorar sentimentos! Os processos para a realização das interpretações das mensagens partem de duas faces, que são: SIGNIFICANTE- Que desperta os aspectos sensoriais, é no significante onde o sensível é o foco, explorando as sensações que o signo causa no ser, podendo ser um signo verbal ou não verbal.


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SIGNIFICADO - Que é a face de compreensão onde assumimos esse posto, como receptores, podendo perceber, sentir, e entender as mensagens. Nós reagimos aos signos de forma sensível pelo significante, e no significado interpretamos o significante. SIGNIFICAÇÃO - É o resultado entre o despertar o sentido sensorial e a compre-ensão dos receptores, que é o estudo da semiótica, que explora os caminhos da mensagem até chegar no receptor. Pierce considerava o signo uma ‘natureza triádica’ onde para ser interpre-tado seria preciso passar por 3 fases: 1 - O signo é analisado pela sua capacidade de significar. 2 - É analisado por aquilo que ele indica, se refere ou representa. 3No que ela causa, e desperta nos receptores, a capacidade de despertar os sentimentos e sensações nos interpretantes.

AS CIÊNCIAS NORMATIVAS [...]Essa quase-ciência fornece as fundações para as três ciências normativas: estética, ética e lógica e, estas, por sua vez, fornecem as fundações para a metafísica. Todas elas são disciplinas muito abstratas e gerais que não confundem com ciências

práticas. A estética, ética e lógica são chamadas normativas porque elas têm por função estudar ideias, valores e normas. Que ideias guiam nossos sentimentos? Responder essa questão é tarefa da estética. A lógica, por fim, estuda os ideais e normas que conduzem o pensamento. (Santaella, 2004, p.2)

Agora para entender melhor a semiótica, vamos ver suas bases de estudo. Para a interpretação dos signos e das suas mensagens, são feitos vários estudos em várias fases para uma interpretação completa, entre elas há 3 ciências normativas: ESTÉTICA - Que guia os sentimentos, ela cuida da parte sensível, para onde a nossa sensibilidade nos leva, e sua capacidade de ativar sensações no ser ou de levar o mesmo para lembranças do passado. A estética do signo define o nosso sensível, comanda os nossos sentidos, logo a aparência desse signo irá guiar nossas emoções, definindo nossas reações sobre o mesmo. LÓGICA - Estuda as diretrizes que conduzem os pensamentos e as circunstâncias necessárias para atingir a verdade, o verdadeiro significado do signo, e sua real mensagem. Também interpreta

quais os diferentes significados que o mesmo signo passa de uma mente para a outra, assim conseguindo analisar suas múltiplas interpretações. ÉTICA - É nessa ciência que os comandos são estudados, assim sendo, a ética controla as ações seguidas das sensações passadas pelo signo. A estética está na base da ética assim como a ética está na base da lógica. A estética visa determinar o que deve ser o ideal último, o bem supremo para o qual nossa sensibilidade nos dirige. De acordo com o Pierce, esse ideal é o admirável em si, aquilo que é pura e simplesmente admirável e, por isso mesmo, nos chama para si. Pierce concluiu que aquilo que atrai a sensibilidade humana, em qualquer tempo e espaço, é o crescimento da razoabilidade concreta, ou seja, o crescimento da razão criativa corporificada no mundo. Não pode haver nada mais admirável do que encorajar, permitir e agir para que ideias, condutas e sentimentos razoáveis tenham a possibilidade de se realizar. É para esse admirável que nosso empenho ético e a força de nossa vontade devem ser conduzidos. Por ser o estudo do raciocínio correto, a lógica nos fornece os meios para agir razoavelmente, especialmente através do autocontrole crítico que o pensamento lógico nos ajuda a desenvolver [...] (Santaella, 2004, p.2)


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Para o trabalho que leva como tema a Memória Afetiva o estudo das ciências normativas foi usado, para isso as interpretações foram feitas de tais maneiras: ESTÉTICA - Por se tratar de um trabalho imagético a estética foi a primeira ciência a ser estudada, para trazer as lembranças do passado e os elementos que se-riam cápsulas do tempo. A estética para aguçar o senti-mental foi a locação usada para as fotos e vídeo, um brechó com clima aconchegante e cheio de história em araras divididas por décadas. Ainda nos elementos para aguçar o sentimental, foi trazido fotos polaroid com os acontecimentos de cada década, para uma contextualização das décadas para com a personagem do vídeo e para a modelo nas fotos. LÓGICA - O objetivo é ter uma única mensagem para todos os interpretantes, para isso foi realizado uma mensagem que pudesse ter essa interpretação única, ainda com um aspecto que ativa em cada interpretante algo diferente, referente às suas lembranças do passado, ativando suas lembranças e memórias guardadas em roupas.

ÉTICA - Para ter o controle das ações dos interpretantes foi passado mensagens claras e objetivas dos temas, trazendo elementos que remetesse ao antigo e à um passado afetivo, com polaroids e ícones de algumas décadas fazendo das histórias mais reais.

OS TRÊS ELEMENTOS FORMAIS Os estudos que empreendeu levaram Pierce à conclusão de que há três, e não mais do que três, elementos formais e universais em todos os fenômenos que se apresentam à percepção e à mente. Num nível de generalização máxima, esses elementos foram chamados de primeiridade, secundidade e terceiridade[...] (Santaella, 2004, p.7)

Para uma interpretação ampla e de conhecimento vasto de cada percepção das mensagens que os signos apresentam, os estudos são divididos em três partes, desse modo as compreensões ficam divididas cada uma em seu fenômeno, permitindo uma análise mais profunda de cada área das mensagens dos signos, sendo ele verbal ou não-verbal. Os estudos são chamados de: 1- Primeiridade, 2-Secundidade e 3- Terceiridade, e podemos inter-

pretá-las como descritas abaixo: PRIMEIRIDADE “a primeiridade aparece em tudo que estiver relacionado com acaso, possibilidade, qualidade, sentimento, originalidade, liberdade, mônada [...]” (Santanella, 2004, p.7)

Ou seja, a primeiridade é o sentir e não conseguir colocar em palavras, é a primeira percepção, o primeiro impacto, ela representa a parte mais rápida de leitura de u m s i g n o , q u e é o s e n t i r. SECUNDIDADE “a secundidade está ligada às ideias de dependência, determinação, dualidade, ação e reação, aqui e agora, conflito, surpresa, dúvida [...]” (Santanella, 2004, p7)

Ou seja, você agora interpreta o que aquela imagem realmente é, qual a sua existência e o que ela representa, entende qual a sua verdadeira forma, sem a parte sentimental da leitura, agora se vê o que ela é de forma racional. TERCEIRIDADE [...]a terceiridade diz a respeito à generalidade, continuidade, crescimento, inteligência. A forma mais simples da terceiridade, segundo Pierce, manifesta-se no signo, visto que o signo é um primeiro (algo que se apresenta à mente), ligando um segundo (aquilo que o signo indica, se refere ou representa) a um terceiro (o efeito que o signo irá provocar em um possível intérprete). (Santanella, 2004, p.7)

Ou seja, este está ligado mais ao sentimento e emocional que


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Ou seja, este está ligado mais ao sentimento e emocional que aquela imagem pode passar, a terceiridade é o efeito que a imagem causa como signo, o que ela pode passar para o seu intérprete. Para trabalhar a memória afetiva é preciso passar por todas essas fases, analisando quais são os signos que podem ser cápsulas do tempo e quais podem passar afeto de uma maneira que abranja várias pessoas atingindo uma única interpretação, para isso passamos pela primeiridade, onde o primeiro impacto será de algo que se trata de história, algo antigo, a sensação será de que se trata de algo que mexe com o tempo. A s ecundidade, vai mostrar o que a imagem realmente representa, e irá fazer o intérprete entender melhor do que se trata e quais são seus significados, que para este trabalho foi a locação, que por si já remete a memória, ao antigo, a uma cápsula do tempo. A terceiridade, é a maior parte de um trabalho que trata de sentimentos e emoções, ela trata das sensações que as imagens passam e o que o intérprete absorve de forma sensível,

já sabendo do que o trabalho trata, o intérprete se insere na história pensando nas suas memórias afetivas com a roupas, se questionando o tempo todo sobre sua própria cápsula do tempo. PRIMEIRIDADE O estudo para a primeira sensação do interpretante fundamentou nos elementos visuais que chamariam mais atenção de início. Logo a locação foi um ponto importante, já que a mesma carrega em si elementos que despertam sensações visuais e não visuais, um local cheio de araras, roupas, cores, histórias, remetendo ao antigo. E claro também a atitude da modelo, no poder de passar sensações por expressões. SECUNDIDADE Para uma leitura mais racional do signo, o interpretante agora percebe que se trata de um Brechó, um local que por si carrega o antigo, aquilo que já passou, mas ainda se faz presente. TERCEIRIDADE É a parte principal para o trabalho, onde o interprete já entende o que está sentindo. Para isso foi pensado em maneiras de passar de formas não-visuais a história que cada roupa pode ter, a história que

elas carregam e os sentimentos nelas guardados. Logo os elementos trazidos foram também anti-gos, como a foto polaroid que por si já carrega uma história, tem um peso afetivo imenso até mesmo pela sua revelação feita na hora, ela teve como dever amarrar a história entre o antigo e o afetivo.

RELAÇÃO ENTRE SIGNO E OBJETO Como são três os tipos de propriedades – qualidade, existente ou lei -, são também três os tipos de relação que o signo pode ter com o objeto a que se aplica ou que denota. Se o fundamento é um qualisigno, na sua relação com o objeto, o signo será um ícone; se for um existente, na sua relação com o objeto, ele será um índice; se for uma lei, será um símbolo [...] (Santaella, 2004, p.14)

Fazendo uma leitura do objeto do signo, em uma forma mais interpretativa, dividindo os signos por suas diferentes naturezas e relação com o objeto, foram feitos três diferentes grupos para diferenciá-los pelas suas características, tendo uma melhor interpretação dos signos por suas propriedades. São eles:


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ÍCONE - Remete a um objeto por similaridade, consegue remeter a algo pela sua semelhança que ligam uma qualidade a outra. Sugere através de associações o significado do signo. Por exemplo, o Memorial Nacional do Monte Rushmore são esculturas ícones de quatro presidentes americanos, que os representam pelas suas semelhanças. ÍNDICE - Indica e representa algo, ele estabelece uma associação com outra, uma experiência. Um bom exemplo é a fotografia que indica a existência daquilo que foi fotografado estabelecendo uma conexão entre a foto e o ‘objeto’ fotografado. Indica através de uma conexão de fato, existencial. As pegadas da foto por exemplo, indicam a passagem de alguém.

SÍMBOLO - Diferentes dos outros dois grupos, o símbolo não associa ou representa algum objeto, ele significa algo, logo sua representação equivale a algo que não o próprio signo, para entendê-lo é preciso saber o que ele significa, e só assim o objeto do signo conseguirá ser interpretado, por um conhecimento prévio. Um exemplo de símbolos são logos, que em sua maioria são representados por um objeto que não eles mesmo. Abaixo o símbolo que representa a marca Apple, é uma maçã, mas para um interpretante que tem um conhecimento prévio sobre a marca, sabe que esse símbolo na verdade representa a empresa e não faz referência a fruta.

EXEMPLOS DOS OBJETOS:

ÍCONE

ÍNDICE

SÍMBOLO

Para o trabalho de memória afetiva passar as sensações necessárias e o que era almejado, desde o início do projeto também foi estudado os seus objetos, para deixar de forma clara para o intérprete as memórias e o afetivo de cada elemento. Para isso os objetos estudados e apresentados foram:


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ÍCONE - Para abordar o objeto ícone de um projeto que visa passar a relação da memória afetiva guardada nas roupas, o estudo foi feito profundamente em cada década para descobrir seus acontecimentos, que refletiam no modo de se vestir, criando os ícones de cada década. Por exemplo, a melindrosa foi o ícone dos anos 20, assim como a calça boca de sino e as batas e coletes foram os ícones dos anos 70, cada década tem seu ícone que reflete nos comportamentos e acontecimentos do momento. ÍNDICE - Apresentando o objeto índice, a relação estudada foi com o objetivo de trazer ao intérprete o sentido de lembranças, de expor e indicar o porquê dos ícones de cada década, assim sendo o estudo foi embasado no objeto que seria a cápsula do tempo, sendo algo do passado que ainda está presente nos

dias de hoje, o vintage. O objeto escolhido para indicar as histórias foram as fotos polaroid, que mostravam os acontecimentos e comportamentos da época, contextualizando e amarrando o tema. SÍMBOLO - O objeto símbolo é a locação, pois para entender o que um brechó pode significar e simbolizar é preciso um conhecimento prévio da história não só da moda, como também da história do mundo. O brechó simboliza uma caixa de memórias, nele pode ser encontrado marcas, como uma blusa rasgada simbolizando uma briga, uma mancha simbolizando um encontro que envolvesse sorvete, nele é possível encontrar histórias, é possível imaginar histórias e até mesmo criá-las. Logo o brechó é o símbolo do zeitgeist, o espírito do tempo.

OS OBJETOS NO TRABALHO

ÍNDICE

ÍCONE

SÍMBOLO


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Outro objeto símbolo do projeto são as roupas, que para um interpretante com um conhecimento prévio da moda das décadas saberá os verdadeiros significados, entenderá suas histórias, e sentirá as

sensações que nelas estão guarda-das. Conseguirá entender sua representação, e terá lembranças, mesmo que sejam de memórias não vividas e sim de histórias estuda-das e vistas em filmes.


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MEMÓRIA

que nelas ficam, manchas, marcas do cabide rasgos todos os elementos que compõe uma peça contam uma parte da história. Assim sendo, as roupas carregam personalidades, sensações e sentimentos. Onde antes habitava apenas uma peça para o frio, um simples agasalho, o tempo pode transformar na representação de um abraço, uma sensação de aconchego, uma lembrança. A roupa tem o poder de ser a cápsula do tempo para memórias que ficaram no passado, mas nela se fazem presente diariamente. Elas são uma forma de refúgio, uma plataforma para alcançar sensações.

AFETIVA [...] a mágica da roupa está no fato de que ela nos recebe: recebe nosso cheiro, nosso suor, recebe até mesmo nossa forma. E quando nossos pais, os nossos amigos, e os nossos amantes morrem, as roupas ainda ficam lá penduradas em seus armários, sustentando seus gestos ao mesmo tempo confortadores e aterradores, tocando os vivos com os mortos. (STALLYBRASS, 2004, p.10)

Como dito acima, a roupa tem o poder de marcar pessoas, as fazendo presente mesmo quando por forças maiores elas não podem fazer o mesmo, elas carregam características do seu usuário, o cheiro, as marcas e as histórias que nelas ficam cravadas. Por meio de vivências, e simples hábitos como o de passar o perfume e espalhá-lo pelo corpo, deixando o cheiro também habitando a roupa, ou no hábito de deixar as mangas da blusa gastar de tanto apertá-las entre as mãos. Os hábitos do usuário determinam a história que será contada nas roupas, por meio das marcas

Segundo o antropólogo, nossas roupas, cabelos, calçados e maquiagem podem ser úteis para aquilo que o sociólogo Erving Goffman (1975) definiu como presentation of self (apresentação do eu) na coletividade [...] (FAÇANHA; MESQUITA, 2012, p.68)

A memória afetiva é conservada em tudo aquilo que possa remeter algo, à uma lembrança ou um momento, a roupa é uma cápsula do tempo, nem sempre de bons momentos, no entanto ainda sim ela tem o poder de escrever uma história mostrando e aguçando as

sensações e os sentimentos que nela já foram sentidos. A preservação das lembranças é mantida na mente de cada ser, sendo ativada pelos objetos que a simbolizam, como estudado na semiótica, o objeto símbolo não representa algum objeto, no entanto ele significa algo e o interpretante só irá entender esse simbolismo por um conhecimento prévio, no caso da memória guardada nas roupas o símbolo está na mente do interpretante, só o próprio interpretante irá saber o significado da roupa, o mesmo irá receber todos os sentimentos e sensações que estavam ali guarda-dos, já outro interpretante não irá receber tais lembranças e senti-mentos pois o mesmo não tem o ‘conhecimento’, a vivência que o dono da peça teve com a peça de roupa. As roupas guardam as histórias de uma vida, elas materializam os sentimentos dos momentos e os transformam em memórias palpáveis, os sentimentos vão para o externo e ficam nelas cravados, sendo um objeto símbolo da memória afetiva, elas simbolizam o que está guardado dentro do ser. Roupas marcam as pessoas diariamente, talvez essa seja uma


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justificativa para a demora ao escolher roupas logo ao acordar, o medo de não acertar na combinação para um novo dia, o medo dela não combinar com o resto do dia, se chover, se o humor tiver uma grande variação, se for acontecer uma festa incrível após o trabalho. O poder de ditar seu dia pode não estar inteiramente nas roupas, mas é nelas que ficarão as memórias do dia, são elas que passam uma mensagem errada na foto, são elas que serão vistas em dez anos e dirão quem era aquela pessoa de roupas estranhas para o grupo ao seu redor. Sempre haverá um novo dia, e novas roupas, no entanto as roupas ditam as características do seu usuário assim como marcam os dias vividos pelo mesmo. O poder de marcar as pessoas pode ser pelo fato de estarmos a maior parte do tempo vestidos para um propósito, há diversos segmentos que por si já passam uma mensagem e direcionamento que podem ativar uma sensação. Quando se fala moda praia, de modo automático já se pode lembrar de uma viagem onde havia praias e piscinas, e

quem sabe uma memória da infância de uma roupa de banho que estava presente em momentos como uma viagem em família. Ou então moda festa, podemos pensar em um casamento ou então numa formatura, o que estivermos passando pelo momento irá nos levar para uma memória diferente, uma nova sensação. Quando se trata de memória afetiva o foco são as roupas que estavam presentes em momentos como alguns citados acima, são roupas que foram marcadas pelos acontecimentos onde elas estavam presente, mesmo que pelo simples fato de não ter sido a roupa escolhida para tal, ela estava lá cumprindo seu dever de cobrir o corpo, fazendo parte dos momentos. Em primeiro lugar, as roupas têm uma vida própria: elas são presenças materiais e, ao mesmo tempo, servem de código para outras presenças materiais e imateriais[...] (STALLYBRASS, 2004, p.38)

LEMBRANÇA, CÁPSULA DO TEMPO [...]Hannah escreve para Margareth, dizendo que após sua avó ter morrido,

sua filha Rebecca, irá agora reunir os pedaços dos vestidos de sua avó para fazer uma colcha. Uma rede de roupas pode efetuar as conexões do amor através das fronteiras da ausência, da morte, porque a roupa é capaz de carregar o corpo ausente, a memória, a genealogia, bem como o valor material literal. (STALLYBRASS, 2004, p.34)

Na foto a neta surpreende a avó usando o vestido de noiva usado por ela no seu dia. Uma lembrança -um vestido- que guarda todos os sentimentos e emoções do seu casamento, como também carrega toda a história de amor que levou aquele momento, ao momento de usar o vestido que a representasse e contasse sua história, e que agora continua guardando memórias e sensações, escrevendo a nova história, a de sua neta.


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Preservar pessoas e momentos por meio de roupas, fazem de momentos passados presentes, esse é o objetivo deste trabalho, que visa mostrar o poder que a roupa tem, sendo uma cápsula do tempo, carregando lembranças e memórias afetivas onde há uma grande carga de sentimentos. Existem peças de roupas que viraram icónicas por serem peças marcadas por pessoas, um grande exemplo é o vestido branco usado por Marilyn Monroe, no filme ‘O Pecado mora ao lado’, mesmo com a atriz estando morta e o filme ter estreado há mais de sessenta anos, ele ainda preserva a memória da grande atriz viva, e sua estética guardada nas memórias, por exemplo, não foi preciso fotos para lembrar do vestido que está sendo retratado. O vestido é uma memória viva de Marilyn mesmo sem um conhecimento prévio sobre o filme, ou até mesmo sobre a própria atriz, o vestido continua sendo um marco; que já virou fantasia e há milhares de réplicas que nem precisam ser cópias idênticas, mas a mera semelhança já causa o efeito de recordação à Marilyn. Sendo uma peça que preserva seu

espírito vivo, sendo a cápsula do tempo para a lembrança da atriz no vestido. Outros grandes exemplos são peças de roupas que estão em museus amarrando histórias, contextualizando seus momentos, fazendo a narração ganhar vida, um simbolismo. A roupa tem o poder de ser o objeto tangível de diversos momentos, sendo uma maneira acessível de preservar o passado ou até mesmo preservar o presente para o futuro, contando uma história. Assim como fez Angelina Jolie ao colocar desenhos de deus filhos no véu que usou em seu casamento em 2014.

Fazendo momentos do passado presentes, também estão as roupas que carregam as primeiras experiências, que sempre marcam, sendo elas: a primeira palavra, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, o primeiro jogo de futebol, o primeiro machucado, a primeira prova, o primeiro melhor amigo, o primeiro beijo, a primeira graduação. Tudo que remete ao novo, à uma nova sensação, à uma nova experiência, à um novo aprendizado, marca e muito, as segundas tentativas não têm o mesmo peso pelo fato de não ser novidade, não ter o apelo que carrega uma nova descoberta. E assim se inicia as lembranças que as roupas carregam, por meio de marcas, as roupas são as memórias tangíveis do que um dia foi novidade, do que um dia foi o primeiro, mesmo a roupa sendo velha estando rasgada ou amarela pelo envelhecimento do tecido, a sensação e os sentimentos de novidade ficam ali guardadas como um lembrete, aquela sensação ainda se faz presente por meio do objeto tangível que a roupa se transformou as memórias e sensações do passado tornam-se eternas.


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[...] As roupas são, pois, na forma de memória,

mas elas são também postos sobre os quais nos apoiamos para nos distanciar de um presente insuportável: O presente da infância, por exemplo, quando somos protegidos pelos nossos pais. (STALLYBRASS, 2004, p.42)

A roupa cápsula do tempo também pode ser um refúgio, uma proteção daquilo que no presente se torna insuportável, uma realidade onde não se deseja viver, logo a roupa pode ser uma forma de resgate para uma época feliz, para uma boa lembrança, a roupa pode ser o meio de ligação entre dois pontos da história, ligando-as para um melhor momento no presente. Sendo assim guardar roupas de entes queridos, pode se transformar em algo como guardar uma companhia, onde se saberia que haveria um refúgio ou um alguém quando um alento se torna necessário. Como dito acima de diversas maneiras, a roupa é casa, é nela onde se está guardado diversas sensações, sentimentos e marcas deixadas na narrativa de uma vida, de forma não-verbal a roupa guarda e incorpora tudo que já foi vivido esperando as próximas memórias para deixar ali guardada, como um refúgio, um lar.


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OBJETO

CÁPSULA

[...] A moda se traduz exemplarmente pela amplitude da paixonite, pelo sucesso de massa visível nos gráficos de discos e livros mais vendidos, filmes e programas mais vistos. (LIPOVETSKY, 1987, p. 26) Diferentes décadas guardam diferentes histórias, diferentes acontecimentos e comportamentos, assim sendo cada década guarda o seu objeto cápsula, como podemos entender neste trabalho, realizando uma viagem

trabalho, realizando uma viagem no tempo e vivendo todos os seus tempos. Cada década desde 1910 teve sua marca na moda, tendo mudanças recorrentes, revelando o que acontecia no mundo por conse-

-quência. Suas alterações incluíam m a te r i a i s , fo r m a to s , c o re s , composições, sobreposições, acessórios e maquiagem, onde pela vestimenta se tornou possível compreender a pessoa que a vestia e o tempo vivido.


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Logo, até nos dias atuais quando é lançado um filme, uma série que envolva um tempo que não o presente, o figurino tem que ser bem estudado para transmitir exatamente o que o personagem estava passando, o tempo que estava vivendo, e o grupo perten-cente. As roupas usadas são os ícones da década vivida nos filmes, o ‘cliché’ da época, o estudo precisa ser embasado no mundo do personagem, mergulhando no seu ambiente para passar aos telespectadores os sentimentos e tempos vividos, sendo o objeto cápsula de transmissão da sensação de uma diferente data que a vivida atualmente.

O objeto cápsula carrega em si informações de outros tempos, onde o mesmo se fazia presente, a roupa tem o poder de ser esse objeto por ser um objeto viajante do tempo, pelas suas marcas características. Essas marcam podem ser passadas de forma visual e nãovisual, como em filmes e livros, onde há uma descrição dos looks dos persona-gens para uma maior aproximação dos personagens, de suas caracte-rísticas, e uma maior contex-tualização do tempo. Um filme vivido em outras décadas passa informações de vestimentas de diferentes grupos, fazendo da roupa uma cápsula do tempo para aquele contexto, aqueles personagens

[...] A produção cultural é explicada em termos de diferentes modos de vida (lifestyles) e com referência à constituição das identidades sociais culturais e individuais. Nesse sentido,

a criação de imagem está relacionada às manifestações observadas quando moda e indumentária são articuladas como linguagem não verbal. (FAÇANHA; MESQUITA, 2012, p.65)


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A MODA QUE MARCA [...] As roupas são preservadas; elas permanecem são os corpos que as habitam que mudam. (STALLYBRASS, 2004, p.38)

No decorrer de toda a nossa vida, nosso corpo armazena sensações que estão ligadas a sentimentos e vivências afetivas. Algumas dessas sensações irão desaparecer com o passar dos tempos; outras, irão se sedimentar, deixando uma impressão gravada em nosso corpo e em nossa mente, de forma consciente ou inconsciente. O corpo não esquece. Tudo o que foi vivido durante a infância, através de sensações, permanece registrado. (VOLPI, 2015) A roupa carrega um passado, abrange anos de vivência e marcas do dia a dia, nelas são marcadas o passado e presente, podendo passar por diferentes gerações, as marcando de d i fe re n te s fo r m a s , c o n te xtualizando diferentes vidas, ainda assim ela se preserva, e nela são preservadas todas as histórias vividas por todos os seus usuários. Compras feitas em brechó, roupas passadas de mãe para filha, roupas refeitas para um novo propósito enfim, todas as roupas que são repassadas guardam mais histórias, guardam um passado mais distante,

transformando uma peça de roupa num vintage autêntico. A moda é renovada todos os dias, mas há tendências que voltam de um passado não tão distante, fazendo a procura por peças autênticas que levavam tal tendência na sua época de lançamento, voltarem nos dias de hoje, carregando o seu c o m p o r t a m e n t o, o f a ze n d o ressurgir nos dias atuais. A ascensão de brechós é uma bela resposta para tal demonstração de preocupação com o vintage, com o que é autêntico, naquilo que já guarda a memória de tal tendência, de algo que já passou pelo que se está passando.

Em tempos atuais as vestimentas não tratam mais do luxo que marcas podem trazer, do preço que tais peças tiveram, e sim do valor sentimental e da carga de originalidade que elas trazem consigo. A busca pelo que é original e único é o que simboliza ter luxo, é se preocupar não só com o nome trazido na etiqueta, mas também com as sensações trazidas com o tempo, o simbolismo do vintage. As pessoas buscam roupas e objetos que sejam vintage, pela sua carga, pela sua história, por ser tratar de um objeto que vem com uma narrativa, vem de outros tempos, tendo sua própria história. E outro grupo procura o retrô por ser um ícone do antigo, por lembrar o passado mesmo que não vivido e sem uma narrativa prévia, ele faz uma viagem no tempo por se assemelhar ao antigo.


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LOOKS DOS ANOS 70 E 90 SENDO USADOS HOJE


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sensações para a imPROJETOS QUE TRABALHAM pre ss ora 3D, que materializa o sentimento de cada pessoa em algo palpável e único, fazendo aquele objeto carHá diversos projetos que objeregar em si a história de amor que tivam um envolvimento maior havia sido contada. No projeto, a com as memórias, que trabalham materialização é a memória afetio afeto do ser com o tempo, e a va, é uma história sendo eterninecessidade do humano em zada por meio da externalização de guardar suas memórias e um sentimento, é tornar visível o conseguir lembrá-las com afeto e que antes os olhos não podiam ver, carinho, como se fosse possível mas o coração podia sentir. E como congelar tal momento, tais diz os seus criadores - “O projeto projetos são: sugere um futuro em que produtos

MEMÓRIA E AFETO

LOVE PROJECT O projeto ministrado pelo arquiteto Guto Requena, do estúdio Guto Requena, tem como objetivo materializar uma história de amor, pegar as sensações e sentimentos de uma pessoa e transformá-los em algo tangível. Para isso o projeto iniciou convidando pessoas a contar suas histórias de amor, e enquanto contavam sensores captavam suas emoções, como os batimentos cardíacos, o tom da voz e a atividade cerebral, cada emoção que o corpo emitia era entendido por interfaces que enviavam as

únicos carregue histórias íntimas e pessoais, de modo que o seu ciclo de vida seja muito mais longo, num conceito de sustentabilidade afetiva. ” O projeto foi dividido em três experiências. EXPERIÊNCIA 1: A experiência contou com sensores que captavam as emoções dos convidados ao contarem suas histórias de amor e por meio da leitura de interfaces moldavam uma peça de design que era impressa na máquina 3D, sendo ali a história de amor materializada em um objeto tangível.


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EXPERIÊNCIA 2: Para a segunda experiência a ideia foi inserir o usuário no processo, aproximando cada vez mais o usuário do processo que materializa suas memórias antes imateriais. Enquanto contava sua história o público era convidado a usar a interface, resultando em mandalas que carregavam suas memórias.

EXPERIÊNCIA 3: A última experiência do projeto tem como intenção aumentar o seu público, agora sendo um aplicativo de celular que capta as emoções e as envia para a produção de uma jóia única, uma jóia que conta e guarda a sua história de amor com você.


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MEMORIANDO Este projeto é da Maibe Maroccolo dona da marca Mattricaria, que leva o conceito do slow fashion, uma grande preocupação com o mercado da moda e os efeitos que ela causa no meio ambiente, trabalhando com o tingimento natural e a estamparia botânica, em um processo afetivo pela troca que acontece entre as matérias primas e o tecido, é uma qualidade sendo passada a outra, uma casca de cebola se transforma em uma blusa de tonalidade única, a casca de árvores já não ficam mais no chão e sim gravadas em um tecido, o processo permite dar continuidade à algo que tinha tido um ponto final, que iria parar no lixo, ou se tornar algo degradável. Para fazer as estampas o necessário é um posicionamento correto das matérias primas usadas, como flores, folhas, cascas, pétalas, que depois de determinados são passadas para o tecido deixando ali suas cores, formatos e perfumes, fixando e memorizando cada detalhe. Foi a partir desses processos que por si contam uma história que Maine decidiu contar outras histórias, eternizando momentos por meio do seu trabalho. Nasceu assim o projeto Memoriando, que busca eternizar momentos ainda mais afetivos: o casamento ou até mesmo um batizado. Eternizando o momento por meio das flores, as transformando em roupas com seu tingimento natural ou estamparia botânica, deixando gravados nas roupas os momentos passados.


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EPOKHÉ INSECTA SHOES O projeto da marca Insecta e suas fundadoras Pamella, Bárbara e Laura, tem como objetivo abordar a memória, e a importância de saber a história de um lugar, de uma pessoa e de um objeto. Para isso o projeto trata do reaproveitamento do tecido de peças que são garimpadas em brechós ou achadas em depósitos de roupas, que passam por um processo de retirada dos aviamentos, e por diferentes processos para o tecido ganhar maior resistência, assim sendo possível sua transformação em sapato. O objetivo é deixar o tecido vivo, deixar suas histórias sem um ponto final, e dar continuidade a novas vivências e experiências, deixando ainda neles o passado que já foi vivido em outra função, o que antes cobria um corpo, agora cobre um pé, contudo as marcas de suas vivências não são apagadas só tem suas funções alteradas para uma nova história. Um trabalho cheio de memória afetiva e de marcas deixadas por experiências passadas. Sendo assim foi feito um editorial que mostra os dois tempos da peça, antes como roupa e depois como sapato, deixando viva a presença do antigo dono das peças. Uma forma inteligente e bonita de se olhar para as roupas, mostrando a continuação de uma história, o fim de uma fase para o início de uma nova, no entanto totalmente diferente. O intuito é mostrar que a peça pode continuar carregando seu ‘antigo proprietário’, preser-vando suas memórias, no entanto mudando sua forma, sua função, e deixando a história ser escrita pelo seu novo usuário.


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REVIVENDO CAPAS DE DISCOS CLASSÍCAS

Comemorando os nove anos de existência, a revista Serafina convidou sete artistas brasileiros para reviverem capas de discos icônicos internacionais. Relembrando as histórias e os momentos que tais discos proporcionaram em suas épocas, mostrando e recontando suas histórias.

Sophie Charlotte e Daniel de Oliveira interpretam Suze Rotolo e Bob Dylan no disco ‘The Freewheellin’ de 1963.

Taís Araújo posa como Donna Summer no disco ‘Four Seasons of Love’ de 1976.

Liniker revive Diana Ross no disco ‘Ross’ de 1978.


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CORPO E MODA:

MEMÓRIA AFETIVA DAS ROUPAS O projeto leva como objetivo tratar a memória afetiva da roupa mostrando a carga de afeto que a roupa pode ter e o poder que a peça tem em contar uma história, narrando os sentimentos nela guardados, no entanto o foco do trabalho é também falar dos corpos que as roupas habitam e a natureza íntima que é vivida entre eles. Para as fotos a mente criativa por trás do projeto fez as pessoas refletirem sobre quais roupas delas teriam mais memórias guardadas, e depois ela insere as roupas e o dono no cenário da fotografia, sem ser óbvia. Como diz o título do trabalho é estudar o corpo e a moda.


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PROCESSO CRIATIVO Iniciando o projeto, procurei por livros que falassem de memória afetiva visando ter um melhor entendimento do que a mesma poderia significar, além dos motivos que já haviam me feito escolher esse tema, assim iniciei minhas leituras com livros como “O casaco de Marx– Roupas, memórias, dor” e “O império do efêmero”, que pretendem como principal objetivo falar da relação moda e humano. O Casaco de Marx fala de uma forma mais afetiva, do casaco que guarda as histórias, memórias e eterniza as pessoas, passando as sensações de quem o vestia antes. Já O Império do Efêmero trata a moda como fenômeno e fala dela de modo antropológico, estudando o vestuário e suas distinções, se aprofundando nas mensagens que as roupas passam e no consumo exacerbado que existe sobre ela. A partir daí fui me aprofundando nos estudos da memória e como ela se relaciona com o ser, pude perceber que as roupas ajudam as pessoas a reviverem suas memórias sempre, e por isso

há um apego muito forte em cima das roupas e objetos, que nunca são tocados quando é feita uma renovação no guarda roupa, ou uma doação, há roupas que carregam tantas memórias e bons momentos que mesmo sem uso, permanecem enchendo os guarda roupas e casas por aí, com o intuito de serem o objeto cápsula para elas, por contextualizarem e tornarem a história viva, é por meio delas que as pessoas lembram do que já viveram. Procurei também como a memória é tratada no ramo imagético, posto que memória pode se tratar de áreas não-visuais, mesmo que lembranças sejam em sua maioria passadas como ‘filmes’ na cabeça, o retratar uma memória é mais sensível que apenas uma imagem, é conseguir se assemelhar a algo, é conseguir remeter uma qualidade a outra, reviver o passado com suas lembranças. “Entendendo a fotografia de moda como um objeto de significação que constrói uma mensagem por meio da articulação entre um plano da expressão, composto de formas, materialidade, cores, topologias, e um plano do conteúdo, que arti-

cula os significados mais abstratos, a semiótica tem dado contribuições para uma maior inteligibilidade na interpretação das imagens de moda. Essas contribuições proporcionam um olhar que ultrapassa a constatação dos modos de uso das roupas e permite enxergar mais longe, compreendendo os traços constituintes de nossa própria cultura e identidade.” (Façanha, Mesquita, 2012, 179)

Como visto acima a fotografia é tratada de diferentes formas, tornando possível uma semelhança com o passado, o remetendo de forma sensível, revivendo as lembranças. Para isso no projeto a realização das fotos abordaram de forma sensível as atitudes e expressões das épocas, remetendo quem eram as pessoas que vestiam tais roupas que eram os ícones de cada década. Em outras pesquisas sobre como as memórias das décadas são trabalhadas, foi achado o vídeo ‘100 years of beauty’ que mostra a vestimenta de cada década com sua maquiagem e cabelo compondo o visual da personagem, de forma rígida, onde a personagem fica parada e outras pessoas a vestem e mamaquiam, conforme as décadas. Me inspirando em antigas pesquisas e na forma de retratar a memória por forma de vídeo, decidi que o


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editorial conceitual seria um fashion film, retratando de forma delicada os detalhes de cada década, e inserindo a personagem em cada tempo que é retratado, passando as emoções e sentimentos pertencentes de cada época.

ENTREVISTAS Tendo em vista um aprofundamento no tema e uma maior compreensão do que a memória afetiva podia representar, fiz uma entrevista com mais de 80 pessoas, trazendo ao trabalho um comprovante de autenticidade, com perguntas que objetivavam um conhecimento entre memória e roupa de formas distintas, permitindo ao fim da entrevista uma percepção de como as melhores lembranças de cada um está ligada com a roupa que tem mais afeto, ou então como a roupa que usa com mais carinho e cuidado guarda a presença de alguém distante. Com a entrevista foi possível mostrar que as roupas estão ligadas com nossas melhores e piores memórias. As perguntas para esse estudo foram:

1-Qual sentido (audição, visão, tato, olfato, paladar) faz você ter mais lembranças? Explique 2-Qual é a sua maior lembrança? 3-Qual a melhor e a pior experiência que já viveu? 4-Tem alguma roupa que faz você lembrar de

alguém? Alguma te faz lembrar algum momento? Descreva 5-Por qual roupa você guarda mais afeto? Ela era sua ou de outra pessoa? Você pode descrevê-la? 6-Porque tem esse afeto por ela? O que ela te faz lembrar? Você guarda essa roupa? 7-Ela foi comprada ou você ganhou? 7.1-Se comprada foi difícil de compra-la, era uma peça cara? Onde foi? 7.2-Se presenteada, de quem foi e o que

representa para você?


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AS REPOSTAS Com as repostas e as conversas que derivam das entrevistas pude perceber a surpresa das pessoas ao perceber que as suas melhores e piores memórias estavam entrelaçadas com suas roupas. Grande parte das histórias que tive o prazer de escutar estavam relacionadas a viagens que marcaram muito a pessoas, por todas as primeiras experiências, surpresas, e novas histórias que foram vividas, logo para essas pessoas as roupas para qual guardavam grande carinho e afeto eram as roupas que lá foram adquiridas e guardavam as sensações, emoções e sentimentos que já passaram, mas nas roupas ficaram eternizados. Há também histórias que envolvem a saudade de alguém que hoje se faz distante ou que infelizmente já se foi, e nesses casos as roupas tiveram o poder de fazer essa saudade ser menor pela presença que as roupas eternizaram por meio do seu cheiro, da sua textura ou pela lembrança do outro com a mesma roupa. As roupas aqui tiveram um papel muito impor-tante em eternizar uma sensação de presença, em carregar um alguém e as sensações que era estar com tais pessoas, em fazer a saudade desaparecer por minutos onde a pessoa conseguia viajar nas boas memórias e sensações ali guardadas. Outras histórias foram sobre as memórias de quando se era mais jovem, e as memórias que aquela fase proporcionou, todas as roupas daquela época fazem acontecer um reencontro com um ‘eu’ do passado, trazendo memórias esquecidas e sensações já passadas. Também tiveram as histórias sobre as roupas que guardavam os momentos dos filhos, e as lembranças dos primeiros momentos deles, as roupas são guardadas até hoje, como se fossem uma cápsula do tempo para quando eles ainda eram pequenos e dependentes. Todas as histórias que tive o prazer de escutar me trouxeram um novo aprendizado, pude aprender mais sobre como a memória afetiva acontecia e entendê-la de forma abrangente. Com todos os relatos pude aprofundar meus estudos na área e assim comprovar meus estudos teóricos. Separei algumas partes das respostas, que aqui coloco de forma anônima mostrando a relação entre roupa e memória:


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“O fato de usar ela sempre em ocasiões marcantes, me traz um mix de

lembranças muito boas.” “Me faz lembrar minha infância, e os dias que dormia na minha vó que ela preparava a mamadeira com a fraldinha para passar no rosto. ”

“Tenho afeto por essa blusa porque comprei na melhor viagem da

minha vida e ela me lembra os momentos lá. Eu a uso, mas não pretendo dar nem me desfazer de outra maneira. ” “A roupa que usei no primeiro dia de trabalho na empresa atual. ”

“Me leva para perto da minha mãe. ” “As roupas da faculdade me lembram momentos gostosos e

nostálgicos, que estava com amigos que quase nunca consigo encontrar, então guardo com muito carinho. ” “Tenho afeto por esse casaco por ele ser quentinho e por eu ter passado

ótimos momentos quando eu usava ele. ” “Um vestido que eu usei no casamento da minha irmã, que eu fui madrinha. ”


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“Uma blusa de lã do meu avô, ele a usava muito, e quando ele faleceu foi única coisa dele que eu pedi para minha avó me dar. Uma blusa de lã cinza. ” “Uma camiseta com estampa do cantor Cartola. ” “Algumas roupas de fast fashion me marcaram por ser ‘roupa de viagem’ e

sempre que eu uso eu lembro do lugar e dos momentos que eu vi na viagem. ” “Um colete de seda florido de 22 anos, era da minha mãe. ” “Minha mãe guardou o vestido que usei na minha festa de 1 ano, claro que não me lembro daquele dia, mas as

fotos guardam momentos inesquecíveis, o vestido tão pequeno traz uma lembrança de um momento feliz para todos que estavam na foto comemorando. ” “Uma saia que eu mesma fiz no meu primeiro curso de corte e costura. ” “Essas roupas me lembram da minha adolescência, porque as usava elas muito para sair e encontrar meus amigos. Ambas deixo guardada até hoje. ”


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“Uma blusa da 4° serie onde meus amigos escreveram mensagens para mim, como muitas pessoas saiam nessa fase, resolvi pedir para

eles escrevem no meu uniforme e tem essa blusa guardada mostrando essa nossa fase juntas! ” “Uma saia lápis, ela foi importante para mim em uma fase de aceitação do corpo. ” “Me lembra do primeiro encontro que tive com um ex-namorado. ” “Uma camiseta de manga comprida azul marinho, ficava um pouco comprida para mim,

era do meu namorado e ela era muito confortável. E não sei descrever bem porque eu gostava tanto dela, mas acho que além do conforto, como a gente ficava muito tempo sem se ver, dava para matar a saudades e se sentir mais perto” “Comprei quando conheci pessoalmente um dos meus melhores amigos virtuais de adolescência. ” “uma camisa social xadrez que meu marido estava usando na

primeira vez que nos encontramos. ” “As roupas das minhas afilhadas que estão guardadas até hoje de quando elas eram bebês, que sempre que vejo

me faz lembrar o tempo de quando ainda eram pequenas. ”


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“Quando fui promovido de atendente para coordenador do Mcdonald's, meu primeiro uniforme de gerente. ” “Uma blusa me faz lembrar do meu primeiro dia de trabalho. ” “Ganhei de um amigo da família que tenho uma consideração enorme e para mim é uma honra usar as camisas que um dia foram dele e que com certeza carregam

grandes histórias que ele viveu. ” “Nunca senti afeto por nenhuma roupa. ” “Quando eu tinha 14 anos minha mãe comprou uma blusa de flanela verde quadriculada com azul, vermelho e preto bem fininhos. Na época passávamos por momentos bem difíceis. Essa blusa foi comprada de uma sacoleira, que parcelava as roupas. Usei essa blusa por muito tempo e todos os dias, por ser a única que eu tinha para ir para a escola, junto com uma calça jeans claro com risquinhos brancos e bolso costurado pelo lado de fora (essa calça tinha sido da minha mãe) ” “Uma camisa manga longa de botão xadrez preta e branca, que divido com meu

pai, porque temos o mesmo gosto. ” “Um colar, que minha mãe me deu,

tenho ele até hoje, mesmo quebrado. ”


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“Ela me faz lembrar vários momentos, principalmente meu intercâmbio. Estava sempre com ela. ” “Um vestido que estava usando quando meu namorado me pediu em

namoro. ” “Eu estava usando no dia que fui demitida do meu primeiro estágio. Ainda tenho essas roupas guardadas porque são novinhas, além de serem um presente da minha avó, não as uso e não gosto nem de olhá-las” “Me faz lembrar de bons momentos, e também deixa saudade, por isso não tenho usado desde então. ” “Sempre tem algumas peças que você bate o olho e vê certas pessoas dentro

da roupa. ” “A enfermeira pediu a menor roupa que tinha, e essa é a que tenho guardada para sempre comigo, a primeira roupa que ele vestiu. ” “Me faz lembrar a infância, me faz lembrar o como éramos inocentes. ” “Uma camisola da minha avó. Eu guardo ela com bastante cuidado e vou cuidar até o fim da minha vida. ”


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“Tenho uma camisa azul de botões, que eu usava muito durante o primeiro e o segundo ano da escola, que me lembram o início da fase que me levou a pessoa

que sou hoje. ” “Uma roupa meio fajuta que tinha nos meus vinte anos. Uma calça azul e uma camisa branca, era a única que eu tinha, comprei o tecido e mandei fazer. ” “Eu associo muitas memórias com as minhas roupas. Sempre que vou jogar algo fora porque não serve ou estragou, eu resisto porque lembro de

momentos que passei com a peça. Por exemplo, lembro da camisa com que passei o réveillon com meus amigos, do tênis que ficou sujo por causa de um show, do cheiro da camiseta com que disputei um campeonato na faculdade. ” “Acho que por ser tão colorida e infantil, era como se fosse um pedaço da minha

infância.” “Comprei-o a uns 8 anos atrás e ainda uso. ” “Meu vestido de formatura.” “tive uma roupa que me lembrou alguém, e foi minha ex namorada. Quando eu viajei para o intercâmbio eu levei uma camisa que ela tinha usado e eu dormia ao lado

dessa camisa todos os dias. ”


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“Uma blusa de seda com estampa étnica, que tenho a mais de 10 anos e pertencia à minha tia (já falecida). A blusa já rasgou na lateral, eu costurei e voltou a rasgar novamente, e mesmo assim eu ainda uso a blusa. Tenho a imagem da minha

tia usando essa blusa, e uso até hoje.” “foi usado por mim e todos meus irmãos quando éramos pequenos. ” “Lembro da roupa que o meu ex namorado usava no dia em que nos

conhecemos. ” “Uma camiseta do meu avô, que ele esqueceu quando veio me visitar, então a peguei para usar como pijama. ” “ela é muito confortável, me remete à casa dos meus pais e às

lembranças. ” “guardo o bordado para tentar costurar em outra roupa. ” “Meu vestido de formatura.” “Quando eu viajei para o intercâmbio eu levei uma camisa da minha ex, que ela tinha usado e eu dormia ao lado dessa camisa todos os dias. ”


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“Camisa unissex social, era da minha mãe, tenho a mesma há mais de 9 anos e até hoje a uso. Usei ela em Paris, quando fui no show do Moulin Rouge.” “Representa uma lembrança de uma amiga muito querida, como uma irmã... a cor me faz lembrar em como ela era alegre. ” “me faz lembrar o período em que morei no Japão. ” “Um moletom branco, que estava usando no dia do encontro com minha

amiga, está roupa me faz lembrar dela. ” “um moletom cinza de tecido bem mole, usei muito a blusa e hoje ela está aos

pedaços, mas guardo e durmo com ela todos os dias. Para onde vou, ela vai também. ” “Minhas roupas de futebol, os uniformes, que me lembram minha infância, quando eu jogava com os amigos todos os dias. ” “Uma camisa que era do meu pai, uma camisa de mangas curtas, na cor preta com umas frutas desenhadas, meu pai adorava usar. Tenho afeto pois me faz lembrar muito

dele usando com felicidade como se fosse a melhor peça de roupa que ele tinha, minha irmã a guarda. ”


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“Us top, onde comprei minha calça jeans era básico não tinha nada demais, mas foi a primeira, o que foi algo marcante. ” “um casaco super pesado, sempre fui muito elogiado usando ele. ” “eu pedia muito por essa blusa e um dia eu estava na casa dos meus avós, quando minha mãe trouxe essa blusa. Ela era de Soft, quentinha e cor de Rosa. ” “Me faz lembrar da minha tia, e o afeto é pela tia sempre ter estado presente na minha vida. ” “A roupa que meu marido usava quando nos conhecemos no sítio, um paletó cinza que fechava na frente. ” “Uma roupa chita que minha mãe mandava fazer,

só usávamos em ocasião especial e um sapato que chamávamos de tomara que caia, porque era só usar aquilo que caia. ” “Para trabalhar usávamos uma roupa feita de saca de farinha, reaproveitada da farinha usada em casa já que não tínhamos dinheiro para comprar. ” “Meu casaco da faculdade. ”


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“me trazem recordações da minha avó, faz com que eu sinta que ela está

por perto. ” “minha mãe que me deu e usei em uma data especial: casamento de um amigo/irmão. ” “Sou neta de costureira e todas as minhas roupas de bebês eram feitos pela minha

vó, uma das pessoas mais importantes na minha vida. ” “me lembra das pessoas que passaram na minha vida escolar. ” “Pessoas que gostam muito de um estilo específico de roupas, sempre me fazem lembrar delas ao ver certas peças. ” “sou muito apegada com minhas roupas, por eu achar que mesmo sem gostar tanto assim, em algum momento eu vou sentir falta delas. ” “Quando era menor minha mãe tinha um robe que ela não usava e ficava comigo, ficava com ele o tempo inteiro, e dei o nome de Bia! ” “Um colar que era da minha mãe, ela usava, mas estava guardado, um pingente com os signos, uso eles sempre!!”


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O ESTUDO DE PROJETOS Depois de fazer a pesquisa e mostrar por entrevistas a existência da memória nas roupas e o modo como as histórias se entrelaçam, estudei outros projetos que abordavam o tema Memória, pretendendo aprender como poderia ser passado aos intérpretes a memória de forma visual e de maneira que todos pudessem ter uma compreensão do tema. Alguns projetos que vi usavam a tecnologia como meio de dar forma a esses sentimentos, já outros tratavam a memória de uma forma mais delicada e manual, abordando a memória de outras formas. Vendo que a memória poderia ganhar formas de diversas maneiras, estudei como trabalhar a forma imagética das memórias com o objetivo de passar as sensações e mostrar as emoções das memórias de uma forma que ainda não havia sido retratado em nenhuma das minhas pesquisas e estudos.

O ESTUDO DA SEMIÓTICA A semiótica foi grande parte do projeto que pretende passar ao intérprete sensações, a semiótica estuda as formas que as mensagens são passadas a mente, e se baseando em seus estudos é possível entender cada fase do processo até chegar a uma mensagem concreta com conteúdo para um entendimento fácil dos intérpretes. Foi com o estudo da semiótica que iniciei meu processo de transformar a memória afetiva das roupas em algo concreto, materializando o interno em algo externo, e deixando visível aos olhos do intérprete o que a memória das roupas poderia guardar.

MEMÓRIA DAS DÉCADAS Para compreender a memória da moda fiz um estudo da sua história a partir da década de 20 até a década dos anos 90, embasando minha pesquisa no que acontecia no mundo para compreender melhor como tais acontecimentos refletiram na moda, tendo uma melhor compreensão das mudanças que ocorriam em cada década assim tendo uma interpretação visual mais rica dos elementos que constituem as épocas e os motivos de eles estarem ali. Ter esse estudo como base tornou o entendimento da moda mais compreensivo, me fazendo entender de forma abrangente suas mudanças, interpretando seus acontecimentos, assimilando as memórias que estavam guardadas nas roupas, quais eram as emoções e sentimentos que nelas estariam guardados. Desse modo consegui entender quais eram os sentimentos das décadas, pelos seus acontecimentos, apontando assim qual era o comportamento da década e quais eram as histórias que estavam sendo contadas em cada roupa. Com esse conhecimento sobre as histórias das décadas, definindo quais eram os ícones de cada época, as roupas usadas nos editoriais foram escolhidas, fazendo assim nascer a cronologia que guia a história passada no editorial, passando de forma imagética todo o estudo feito anteriormente, comunicando os acontecimentos e comportamentos.


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Grandes avanços tecnológicos acontecem, como avanços na eletricidade, na modernização de fábricas e também no surgimento do cinema falado, criando o contexto chamado de ‘American Way of Life’ que acabou rápido com a queda da bolsa de Nova York em 1929, levando diversos investidores a falência. Coco Chanel se firma como uma forte estilista, fazendo roupas femininas confortáveis se inspirando no guarda roupa masculino, trazendo peças feitas para os homens para o universo feminino, com

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ANOS

tecidos fluidos e em peças mais curtas, diferente das peças da época anterior. Os anos 20 foi marcado pela liberdade vinda da virada de século e a vestimenta livre de espartilhos de outras épocas, as Melindrosas são a marca dos anos 20, modernas elas estavam sempre produzidas, com um charme próprio, o modo de se vestir e seu comportamento eram consequências da Era do Jazz, onde era permitido mostrar a perna e ombros e ter uma maquiagem mais carregada.

Os anos seguintes a grande quebra da bolsa de Nova York são conhecidos como Grande depressão, marcados pela falta de empregos, falências e o desespero. O filme Tempos Modernos de Charles Chaplin é um sucesso no cinema, o filme mostrava a vida dos operários durante a revolução industrial, fazendo uma

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ANOS

crítica ao formato de produção das grandes fábricas que faziam de seus funcionários verdadeiras máquinas de produção, visando um lucro maior. A consequência dos anos 20 é uma enorme crise financeira, fazendo a moda perder o glamour que as melindrosas haviam trazido, a moda nos anos 30 é sóbria, transmite seriedade e praticidade com a temida chegada da segunda guerra mundial.


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Os anos 40 foi marcado por acontecimentos tristes e por grandes mortes na população mundial causadas pelo movimento nazista e pela segunda guerra mundial, que durou 6 anos tendo seu fim em 1945. A escassez de tecidos e matérias primas fez com que as roupas fossem reformadas e produzidas em casa para a diminuição de gastos, fazendo as mulheres terem menos roupas, com peças mais

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ANOS

versáteis e pensadas na sua ergonomia facilitando os movimentos, com cinturas marcadas e saias retas, pensadas para serem práticas no trabalho que antes eram exercidos pelos homens, que agora estavam em guerra. Uma prática que ficou famosa na época pela escassez de material, foi o leg-painting, que imitava as meias de nylon com um risco reto na parte de trás das pernas das mulheres, passando a ideia de que as mulheres ainda estavam usando as meias.

Os anos 50 também ficou conhecido como ‘Anos Dourados’ por ser a década do pós-guerra e ser uma época de grandes revoluções científicas e tecnológicas, como o início da transmissão televisiva, causando mudanças nos meios de comunicação, com diversas propagandas passando exemplos de estilos de vida. Nessa década as mulheres eram ‘esposas troféus’ e as propagandas da época explicavam como ser a esposa perfeita, como cuidar da casa, como cuidar dos filhos. As famílias eram compostas por mulheres que cuidavam da casa e homens que as

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ANOS

sustentavam trabalhando fora de casa, comportamentos que transmitiam uma família estável e feliz, para a época. A vestimenta das mulheres transmitia delicadeza e feminilidade, com roupas que marcavam a cintura, tinham a saia volumosa e cores claras compondo modos monocromáticos de se vestir. Foi a década de grandes ídolos como Elvis Presley que conquistou toda uma geração com sua música, transmitindo um sentimento bom depois de tudo que havia acontecido. E Marilyn Monroe que marcou a década com sua autenticidade e a liberdade que tinha em se expressar.


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Marcado por ter sido a época espacial, os anos 60 tiveram grandes acontecimentos nessa área, o homem consegue ir ao espaço ainda no começo da década, e chega a lua na missão Apollo 11 de 1969. É lançado o primeiro computador com disco rígido. Satélites começam a ser lançados e a transmissão da TV agora é feita por eles, a TV ganha cor, deixando as transmissões ainda mais interessantes. A moda é uma consequência dos avanços tecnológicos sendo

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marcada por roupas com um olhar futurístico, as roupas tinham materiais inusitados para a moda, como o plástico sendo aplicado em diversas peças, e as cores eram chamativas e várias vezes até mesmo metálicas para ter coerência com o mundo espacial. Mesmo em meio a tantas revoluções é construído o Muro de Berlim em 1961. Os Beatles se tornam uma febre mundial com o álbum Please, Please, Me; No Brasil o tropicalismo e a MPB estão em alta, e a cantora Elis Regina começa a fazer sucesso.

Época marcada por protestos em busca da liberdade de expressão e a não discriminação entre raças ou sexo. Logo nessa época os hippies que surgiram no final dos anos 60 com o festival de Woodstock em 1969, dominam com sua forma de se vestirem, roupas largas, leves e coloridas. Também surgem os punks com inspirações nas bandas Sex Pistols, The Machine e David Bowie que estouraram nos anos 70, levando um modo de se vestir mais rebelde, com

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ANOS

roupas rasgadas, cores escuras e acessórios inusitados como alfinetes. Ainda nos anos 70 teve a era disco, levados pelo seu ritmo e enchendo as discotecas da época com muito brilho. Mesmo com vários grupos sociais a moda se entrelaça com seus destaques como a calça boca de sino e os macacões que apareceu em todos os grupos, de diferentes formas, atendendo os gostos. Afinal todos os distintos grupos tinham o mesmo objetivo: liberdade de expressão.


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Enquanto acontecia o movimento Diretas Já no Brasil, no outro lado do mundo é derrubado o muro de Berlim. Os anos 80 foi marcado por uma geração que nasceu depois dos avanços tecnológicos então suas inspirações são pessoas que eles ouviam nas

80

ANOS

rádios e viam na TV, como Madonna que fez muito sucesso pelas suas músicas sem censuras e uma rebeldia que marcou a geração que seguia seu modo de se vestir, com várias sobreposições de peças e diferentes elementos para contextualizar a despreocupação com limites..

Os anos 90 foi uma década levada pelas músicas e séries que nela nasceram. Os Mamonas Assassinas eram sucesso entre todas as idades com seu humor, Legião Urbana, Kid Abelha, Caetano Veloso são todos músicos que marcaram os anos 90. Já as séries que guiaram os comportamentos e vestimentas da década

90

ANOS

são as americanas como Friends e Um Maluco no Pedaço que influenciaram milhares de pessoas a quererem ser como eles e terem suas vidas, mesmo que fosse só pela sensação de fazer parte daquela história. A moda ficou marcada com as roupas que estavam sendo mostradas na TV.


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SERAFINA A revista escolhida para a realização do projeto foi a Serafina, a revista do Jornal Folha de São Paulo, que tem sua propagação bimestralmente e existe desde 2008. Suas reportagens tratam de assuntos e de personalidades que envolvem o cenário sóciocultural do Brasil e exterior, tratando de temas como moda, arte, design, gastronomia, luxo, tecnologia e turismo. Com tamanha diversidade de assuntos ela atrai um público que não só aqueles que leem revistas de moda, mas também um público interessado em outros temas, ela consegue reunir em uma revista diferentes interesses. Trazendo reportagens para um público interessado em cultura, curioso por saber mais e uma preocupação com o tempo, em uma reportagem fixa na revista chamada ‘Vintage’, onde eles convidam uma personalidade para reviver uma foto sua de outras décadas, na mesma pose e mesma expressão, respondendo as mesmas perguntas em duas colunas, um lado com respostas da forma em que ela pensava na época que foi tirada a foto original e na outra coluna com respostas atuais, mostrando as mudanças que aconteceram nesse período. Por isso a revista foi escolhida pensando em um público geral que consome moda, não somente o público que segue e consome as novas tendências, mas sim o público que se veste diariamente, que escolhe suas roupas. Quero conseguir alcançar um público mais amplo e geral, que se identifica com o tema, sendo assim qualquer pessoa, sem ser necessário um público que entenda de moda e suas novidades, mas um público que tem interesse em histórias e gostaria de relembrá-las. O público da Serafina seria um público que se interessaria em saber sobre as memórias que as roupas contam, teria curiosidade em descobrir quais as memórias retratadas na revista e refletir sobre as suas próprias memórias, aquelas que estão guardadas no seu guarda-roupa. Eles estariam dispostos a reviver suas histórias e reviver as sensações antigas, tendo gosto em ver que a memória afetiva da moda está com eles todos os dias.


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PEÇA CONFECCIONADA Foi feita uma peça do zero como requisito da linha escolhida, o ano escolhido foi 1920, e com os estudos já prontos foi possível perceber quais eram os acontecimentos daquela década, o que as pessoas estavam fazendo, e como elas estavam vivendo. Acrescentando memória afetiva pessoal, a construção da roupa foi inspirada também em um livro que levo como preferido, “A menina de vinte” de Sophie Kinsella, onde a personagem uma jovem dançarina de Charleston dos anos 20 com grande senso de moda, fala com muitos detalhes sobre suas roupas e da importância de cada detalhe das peças que ela amava. No livro fica claro como a personagem guarda memória afetiva das suas roupas, e como ela pode contextualizar a história de sua família, mostrando o que cada peça pode representar e ativar na memória dos familiares. Logo para a confecção do vestido peguei relatos do livro onde era contado com grandes detalhes as peças usadas pela personagem, e transformei em uma memória tangível, fazendo assim do vestido uma memória da história que é passada para milhares de interpretantes. Esse foi o meu símbolo para remeter ao livro, o meu objeto cápsula do tempo para lembrar do que é contado.


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LOCAÇÃO Com o estudo da semiótica, resolvi abordar o tema com uma estética que por si trouxesse uma história e conseguisse passar um sentimento único a todos, que seria de algo antigo que ainda se faz presente, um lugar cheio de lembranças e tendências que vão e voltam. Para isso procurei parcerias com brechós que passassem essas sensações, encontrei o brechó Minha Avó Tinha, com quem fechei parceria e realizei os dois editoriais usando a locação, sendo eles as fotos comerciais e o fashion film conceitual. Com a locação que refletia os sentimentos guardados fiz os trabalhos pensando em como trabalhá-los para a revista, unindo os estudos da semiótica com os ícones, símbolos e estéticas, fazendo os trabalhos terem uma singularidade de abordagem.

PRODUTO FINAL Trabalhando a imagem de moda utilizei os estudos feitos até aqui para realizar dois projetos que relacionassem a memória afetiva, para isso realizei um fashion film conceitual, retratando as memórias de cada década. Trouxemos uma personagem que vai ao brechó e se encanta com as histórias que ali estão guardadas, se encanta observando cada detalhe do local, depois de suas andanças ela começa a entrar nas histórias, sendo a roupa um objeto cápsula, se sentindo parte daqueles momentos, tendo as sensações que aquelas roupas tinham guardadas, e no final do vídeo a personagem se insere nas histórias, agora mostrando que faz parte daquela história. E para as fotos comerciais, a abordagem foi direcionada para as atitudes que tais roupas representam, foi o resultado dos estudos sobre os comportamentos de cada década que resultaram no que cada roupa ali traduzia, as roupas são ícones de uma década, elas mostram quais eram os costumes, comportamentos e histórias que com elas foram vividas, elas indicam os acontecimentos. A ideia foi passar de forma objetiva e de rápida compreensão, os comportamentos e sensações que cada década passa e mantém vivo.


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CONCLUSÃO Passando por diversas áreas para comprovar a memória afetiva existente nas roupas, pode-se concluir que moda não se trata apenas de seguir tendências ou apenas de se vestir como dita padrões, moda também trata de se descrever, de contar a sua história, moda trata de representação, e de se vestir com o que te incorpora, te representa. Com os estudos foi percebido que a memória afetiva está no dia a dia, contando e recontando as memórias do passado, eternizando histórias, fazendo das roupas memórias tangíveis e objetos cápsulas para o momento presente. No presente projeto com abordagens nas pesquisas que visam tratar a memória afetiva, foi possível concluir e comprovar que as roupas têm funções maiores que cobrir um corpo, a moda como mostra o trabalho, conta histórias, traduz acontecimentos e grava na sua estética momentos, fazendo a memória afetiva presente em todos as partes da vida de todos os seus usuários.


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MODA Fotos Natálya Almeida, modelo Marina Câmara e styling Gabriele Prata

ESPÍRITO DO TEMPO

MEMÓRIA AFETIVA DA ROUPA


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AS HISTÓRIAS E SENSAÇÕES QUE AS ROUPAS GUARDAM


vestido e faixa com pena Gabriele Prata, colares e piteira brechรณ Minha Avรณ Tinha


vestido e faixa com pena Gabriele Prata, colares e piteira brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha, meias Porto das Festas


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha, meias Porto das Festas


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


look completo brechรณ Minha Avรณ Tinha


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MODA Vídeo por Funny Dog Films, modelo Isabella Yogui e styling Gabriele Prata

Fashion Film Moda X Lembrança Memória Afetiva da Roupa


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PARA SENTIR QR CODE PARA VÍDEO


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REFERÊNCIAS STALLYBRASS, Peter. O casaco de Marx: roupa, memória, dor. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004 LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. 6.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003 MENDES DIAS, Mauro. Moda divina decadência: ensaio psicanalítico. São Paulo: Hacker Editores, 1997 SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson, 2004 FAÇANHA, Astrid. MESQUITA, Cristiane. Styling e Criação de Imagem de Moda. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2012 OLIVEIRA, Erivam. VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: Uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009 MARTINS, Nelson. Fotografia da Analógica à Digital. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio de Janeiro, 2014 VEIGA, Patricia. Moda em Jornal. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2004 SANTAELLA, Lucia. O que é semiótica? São Paulo: Editora Brasiliense, 2002. REED, Paula. 50 Ícones Que Inspiraram A Moda - 1950. São Paulo:Publifolha, 2014 REED, Paula. 50 Ícones Que Inspiraram A Moda - 1960. São Paulo:Publifolha, 2014 REED, Paula. 50 Ícones Que Inspiraram A Moda - 1970. São Paulo:Publifolha, 2014 REED, Paula. 50 Ícones Que Inspiraram A Moda - 1980. São Paulo:Publifolha, 2014 REED, Paula. 50 Ícones Que Inspiraram A Moda - 1990. São Paulo:Publifolha, 2014 STEVENSON, Nj. Cronologia da Moda - de Maria Antonieta a Alexander Mcqueen. São Paulo: Zahar, 2012. LEVENTON, Melissa. História Ilustrada do Vestuário. São Paulo: Publifolha, 2009 KOHLER, Carl. História do Vestuário. São Paulo:Wmf Martins Fontes, 2001 REQUENA, Guto. Love Project. Disponível em: <http://www.gutorequena.com.br/site/work/objects/loveproject/29/>. Acessado em: 7/03/2017 As memórias que nossos cinco sentidos evocam. Disponível em: <https://amenteemaravilhosa.com.br/memoriasnossos-cinco-sentidos-evocam/>. Acessado em: 01/06/2017 Sentidos do corpo humano. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/sentidos-docorpo-humano/>. Acessado em: 01/06/2017 O resgate da memória afetiva.Disponível em: <http://www.portaldapsique.com.br/Artigos/Resgate_da_memoria_afetiva.htm>. Acessado em: 01/06/2017 Arte, representação e semiótica. Disponível em:<http://semioticaunicesp.blogspot.com.br/2011/02/arterepresentacao-e-semiotica.html>. Acessado em 03/11/2017


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Revista Serafina. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/serafina/vintage/>. Acessado em 14/10/2017 Monte Rushmore. Disponível em: <https://share.america.gov/pt-br/dakota-do-sul-monterushmore-vida-selvagemde-pradarias-e-patrimonio-do-oeste/>. Acessado em 03/11/2017 Personalidade de Marca. Disponível em: <https://brandtarget.wordpress.com/author/walttrick/page/83/>. Acessado em 03/11/2017 Ícone, Índice, Símbolo. Disponível em: <http://amandasmd.blogspot.com.br/2011/03/exemplos-de-icone-indicee-simbolo.html>. Acessado em 03/11/2017 Yes Wedding. Disponível em: <http://yeswedding.uol.com.br/pt/antena-yes/noivasurpreende-avo-com-vestido-denoiva-antigo>. Acessado em 03/11/2017 Angelina Jolie’s Wedding Dress. Disponível em: <https://www.theguardian.com/fashion/fashionblog/2014/sep/02/wedding-dress-classicangelina-jolie-gown>. Acessado em 03/11/2017 Ilustrações. Disponível em: <http://illustrate.soup.io/>. Acessado em 03/11/2017 100 years of beauty. Disponível em: <https://9gag.com/gag/ajnwWbQ>. Acessado em 03/11/2017 Memory Bear. Disponível em:<http://www.bing.com/images/search?view=detailV2&ccid=u4PfA64D&id=767308EE8 B66308A899F931468FF26FDCFB6F62D&thid=OIP.u4PfA64DObpnfejMD5nKZQEsDv&q =memory+bear+pattern+free&simid=607988794756237308&selectedindex=9&qpvt=memor y+bear+pattern+free&first=1>. Acessado em 03/11/2017 Look anos 90. Disponível em:<https://www.modices.com.br/page/2/>. Acessado em 03/11/2017 Tingimento Natural E Estamparia Botânica Com A Mattricaria. Disponível em:<http://www.modefica.com.br/tingimento-natural-e-estamparia-botanica-commattricaria/#.Wg40Y0qnHIV>. Acessado em 03/11/2017 Epokhé. Disponível em:<http://bloginsecta.mycool.com.br/carregue-a-memoria-por-tras-deuma-roupa-antiga-quese-transforma-em-sapato/>. Acessado em 03/11/2017 Artistas revivem capas de CDs clássicos. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2017/06/1881358-tais-araujo-elba-ramalho-eoutros-5-artistasrevivem-capas-de-cds-classicos.shtml>. Acessado em 03/11/2017 Corpo e Moda: Memória afetiva das roupas. Disponível em:<http://movimentohotspot.com/projeto/corpo-emoda-memoria-afetiva-das-roupas-1/>. Acessado em 03/11/2017 Esculpindo memória afetiva. Vídeo. Guto Requena. Blumenau: TEDx Talks, 20/02/2015, 17 min, 03 segs.


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AGRADECIMENTO ESPECIAL Quero agradecer uma pessoa de forma especial, a mulher que esteve comigo desde os primeiros passos na graduação, me acompanhando por onde fosse, e permaneceu, me apoiando, ajudando e sonhando comigo. Mãe, obrigada, obrigada pela vida, pelos sonhos que vivemos e pela parceria, por estarmos sempre juntas, por sermos sempre nós. Eu amo você!


Revista Moda x Lembrança: memória afetiva da roupa  

Resultado do trabalho de conclusão de curso em Moda, que teve como objetivo estudar a memória afetiva das roupas.

Revista Moda x Lembrança: memória afetiva da roupa  

Resultado do trabalho de conclusão de curso em Moda, que teve como objetivo estudar a memória afetiva das roupas.

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