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Junho 2014

BICICLETA:

De volta para a estrada ENTREVISTA:

CARLOS BURLE BICAMPEÃO MUNDIAL DE ONDAS GRANDES

O BRASIL NO

MOTOCROSS DAS NAÇÕES


6 13 18 24 45 49 56 66 75 89

Aventura De novo, na África!

Aventura Recorde de asa delta

Motocross O Brasil no motocross das nações

Viagem Na terra dos devoradores de arroz

Viagem Luxo sob as estrelas

Viagem Férias na ilha deserta

Duas rodas De volta para a estrada

Entrevista Carlos Burle, bicampeão mundial de ondas grandes

Treinamento Engula isso

Treinamento Hora do intervalo


GIRO D’ITALIA

DUAS RODAS

DE VOLTA para a estrada

Com o fim do inverno na Europa, começam as provas mais maravilhosas do ciclismo de estrada – veja aqui as novidades deste ano para as Grandes Voltas da modalidade. 9 de maio a 1º de junho

A PROVA Depois de uma edição épica em 2013, com muita neve e frio, a primeira grande volta ciclística do ano apresenta um percurso mais “humano” e um dia a mais de descanso (três, no total) ao longo de suas 21 etapas. A disputa da maglia rosa (camisa rosa de primeiro colocado) vai começar em uma sexta feira, com um contrarrelógio por equipes em Belfast, na Irlanda do Norte, e termina 3.450 quilômetros depois, em Trieste, no nordeste da Itália. O traçado atende a todo tipo de ciclista, com oito etapas planas para os velocistas, três contrarrelógios (um por equipes, um individual e uma crono-escalada) e nove chegadas em subida. Mesmo assim, o campeão será um grande escalador. O temido Monte Zoncolan, com trechos de 25% de inclinação, na penúltima etapa, será o auge da disputa.

OS CARAS O atual campeão Vincenzo Nibali (da equipe Astana) abdicou de defender o título para lutarpela camisa amarela do Tour de France (TdF). Assim a grande estrela do Giro deste ano é o escalador colombiano Nairo Quintana (da Movistar), vice-campeão do TdF e um dos mais empolgantes ciclistas da atualidade. Dois rivais na disputa pela camisa rosa são o colombiano Rigoberto Urán (da Omega Pharma Quick Step) e o australiano Richie Porte (do Team Sky), que lutarão em benefício próprio depois de anos trabalhando para a dupla de britânicos Bradley Wiggins e Chris Froome (ambos vencedores do TdF). Correm por fora os veteranos Joaquim Rodriguez (da Katusha), Cadel Evans (da BMC) e Ivan Basso (da Cannondale).


Onde assistir: ESPN,Gazzetta.it e RAI

POR QUE ASSISTIR Più bella, più dura. A linda paisagem italiana, favorecida pela época do ano, ainda com neve nas montanhas, torna o Giro d’Italia uma das Voltas mais interessantes de se acompanhar, mesmo para quem não entende nada de ciclismo. As duras montanhas garantem embates acirrados até o final. Não à toa, a organização define esta prova como a mais dura e mais bela da modalidade. Se você só tiver uma chance para confirmar isso, assista à 18ª etapa (dia 29 de maio), que percorrerá os míticos Passo di Gavia e Passo dello Stelvio, antes da escalada final, no Val Martello.

BAROLO A volta italiana possui inúmeras referências da cultura italiana, e poucas coisas revelam tanto do país quanto sua gastronomia. O decisivo contrarrelógio individual na 12ª etapa selecionará quem está apto ao título deste ano; o vencedor dessa etapa será recebido na cidade de Barolo com um belo brinde do vinho mundialmente reconhecido pelo mesmo nome.

MARCO PANTANI Este ano, a prova homenageia os dez anos da morte do ciclista Marco Pantani, o maior ídolo da história recente do país. O poderoso escalador será lembrado em duas montanhas duríssimas que brilhou: a Oropa (14ª etapa) e o Montecampione (15ª).

NOVO ÍDOLO Entre os melhores ciclistas do mundo, existem alguns ainda mais especiais. Um deles é Nairo Quintana. O jovem colombiano de 24 anos pode fazer história ao levar seu país ao topo do Giro pela primeira vez. Com uma grande equipe para ajudá-lo (a Movistar), Quintana pode surpreender. Um título em uma grande volta é um passo importante para ele se firmar como um dos grandes nomes do esporte – e, ele vencendo ou não, com Quintana o espetáculo é garantido. Por Leandro Bittar http://www.giroditalia.it


Tour de France

DUAS RODAS

A PROVA

PAVÉS

A mais famosa volta ciclística do planeta começa na Inglaterra, em Yorkshire, e roda pela Grã-Bretanha até a terceira etapa, que terá final em Londres. Depois do enorme sucesso de 2007, quando três milhões de espectadores acompanharam o Tour na terra da Rainha, espera-se novamente um grande público graças ao sucesso recente dos “locais” Bradley Wiggins e Chris Froome, campeões em 2012 e 2013, respectivamente. Froome, aliás, é o grande favorito. O percurso lhe favorece, principalmente o crono individual de 54 quilômetros, na penúltima etapa. A grande preocupação será sustentar esse favoritismo durante três semanas (3.656 quilômetros totais), incluindo alguns dias críticos, como o quinto, que percorrerá trechos de paralelepípedos da prova Paris-Roubaix, e a 18ª etapa, que passa pelo mítico Col du Tourmalet e termina na escalada do Hautacam, montanha famosa por ter decretado o fim do domínio do espanhol Miguel Indurain no Tour de France, no ano 1990.

Vários trechos de paralelepípedo do percurso da mítica prova Paris-Roubaix, como o Carrefour d’Arbre, estarão no traçado da 5ª etapa deste ano, somando 15,4 quilômetros de trepidações e pânico para os líderes. Eles sabem que esse tipo de terreno aumenta os riscos de queda e pode tirá-los da disputa pelo título, como aconteceu em 2010, quando o luxemburguês Frank Schleck quebrou a clavícula e Lance Armstrong teve um pneu furado.

MULHERES Atendendo aos pedidos das ciclistas profissionais, a organização do Tour realizará uma disputa feminina antes da última etapa da volta francesa, na avenida Champs-Élysées, em Paris. Uma grande conquista para elas e um aquecimento mais do que especial para o encerramento da competição.

OS CARAS O britânico Chris Froome (Team Sky) é o grande favorito, porém o Tour de France reúne sempre os melhores ciclistas da temporada, e neste ano não será diferente. A ausência mais sentida será do vice-campeão de 2013, o colombiano Nairo Quintana (da Movistar). Joaquim Rodriguez (da Katusha), que completou o pódio em 2013, também não estará na disputa. Campeão do Giro no ano passado, Vincenzo Nibali (da Astana) é considerado o principal rival, seguido dos espanhois Alberto Contador (da Tinkoff) e Alejandro Valverde (da Movistar). Há ainda novos nomes que rejuvenesceram a lista dos “top 10” do evento, como os norte-americanos TJ Van Garderen (da BMC) e Andrew Talansky (da Garmin), que correm por fora na disputa por um lugar entre os melhores.


Onde assistir: ESPN, TV5 e na internet (links em www.steephill.tv)

POR QUE ASSISTIR Não existe evento mais importante para ciclistas, equipes, patrocinadores ou qualquer outra pessoa ligada ao ciclismo de estrada. Só para se entender a dimensão desta volta, o campeão do Tour do ano passado recebeu da organização uma premiação cinco vezes maior do que o campeão do Giro (450 mil euros contra 90 mil euros), e todos os ganhos indiretos acompanharam aproximadamente a mesma proporção. O nível da disputa é altíssimo, o que, inevitavelmente, transforma a competição em um jogo de xadrez cheio de estratégias para ver quem é o melhor. De 5 a 27 de julho

http://www.letour.com


VUELTA A ESPAÑA A PROVA Última grande volta da temporada, a Vuelta é a “prima pobre” entre as três. Na maioria das vezes com menos estrelas e mais jovens promessas, a competição tem um menor nível técnico. Porém se trata de um evento repleto de surpresas, ataques e reviravoltas. A edição de 2014 será a mais curta das grandes voltas, com 3.181 quilômetros e toda disputada em solo espanhol, com largada no Sul, em Jerez de la Frontera, e final no norte, em Santiago de Compostela. Sua característica mais marcante na história recente são as duras montanhas. Neste ano, por exemplo, serão 40 escaladas categorizadas e oito finais em subida. A última etapa será um contrarrelógio individual com dez quilômetros de extensão. Talvez seja pouco para alterar algo na classificação geral, no entanto vale lembrar que o campeão de 2013, o norte-americano Chris Horner, tinha apenas três segundos de vantagem para o rival Vincenzo Nibali no último dia de disputa pela camisa vermelha. POR QUE ASSISTIR Por pura emoção. Nos três últimos anos, foi sem dúvida a grande volta mais emocionante na disputa pelo título, como o embate entre Froome e Cobo, em 2011, o ataque surreal de Contador em 2012 e a milimétrica guerra entre Nibali e Horner na última edição. ATAQUES Uma série de fatores torna a Vuelta menos tensa que suas co-irmãs. Algumas equipes já cumpriram seus principais objetivos, outras já estão fisicamente no limite e várias estão pensando na temporada seguinte. Jovens nomes, atletas que tiveram imprevistos durante o ano (um acidente, por exemplo) e veteranos em busca de um último contrato


Onde assistir: ESPN e na internet (links em www.steephill.tv)

disputam a competição de peito aberto, e o que se vê é uma briga mais acirrada do que nos demais eventos. REVELAÇÕES Leopold König, Warren Barguil e Kenny Elissonde foram alguns dos jovens que venceram etapas na última edição, mostrando que a Vuelta tem se tornado um palco de promissores talentos. ANCARES A Vuelta sempre reserva uma subida colossal para a penúltima etapa. Este ano será Ancares, uma montanha com 17 quilômetros de extensão e 7% de inclinação média. Porém, como sempre dá para apimentar um pouco mais, a subida final será precedida de outras seis (!) montanhas categorizadas (geralmente são quatro categorias de dificuldade, além das ‘hors catégorie’, as mais longas e difíceis de uma competição).

OS CARAS Com o percurso selecionado e a agenda dos rivais definida, o grande favorito para a Vuelta 2014 é Joaquim Rodriguez (da Katusha). Aos 35 anos, ele tem a melhor oportunidade de sua carreira para realizar o feito, que escapou de suas mãos em 2012. Os compatriotas Alejandro Valverde e Alberto Contador despontam como principais rivais, porém a briga pelo título da Vuelta sempre guarda surpresas, como ocorreram durante as vitórias recentes de Juan José Cobo (2011) e Chris Horner (2013). http://www.lavuelta.com


ENTREVISTA

E n t r ev i sta :

Carlos Burle, bicampeão

mundial de ondas grandes A revista OutSide se econtrou com o campeão mundial de ondas grandes, Carlos Burle. Ele contou um pouco da sua trajetória de sucesso, dentro e for a do mar. Maior expoente brasileiro do surfe em ondas grandes, o pernambucano Carlos Burle esteve em Florianópolis na semana passada para cumprir compromissos com patrocinadores. Aos 46 anos, o surfista profissional passou sua experiência para os acadêmicos da UFSC em palestra realizada no Centro Sócio Econômico da universidade e prestigiou coquetel da Loja Uber Store, representante da marca Redley, na Capital. Entre um compromisso e outro, Burle ainda achou tempo para remar de stand up paddle em Jurerê, e pagar ondas nas praias de Garopaba e no Pico do Riozinho, no Sul da Ilha. Conversei com ele na sexta-feira à tarde e falamos sobre vários assuntos, como a experiência e a repercussão da sessão de 28 de outubro em Nazaré e a expectativa para a indicação para o Billabong XXL, o oscar das ondas grandes. Por Laura O’Donnel


ENTREVISTA

Confira a primeira parte da entrevista: Outside - Como foi essa experiência em Nazaré e ao que você atribui o fato da Maya Gabeira ter caído (falta de experiência, azar) e como foi lidar com essa situação? Burle - O nosso esporte não é como o de quadra ou automobilístico, que você pode ter a melhor equipe, o melhor equipamento e treina na hora que quiser. Nós dependemos da natureza, e no caso de ondas gigantes, mais ainda. E você tem que estar no lugar certo, na hora certa para aproveitar, para evoluir. E o que aconteceu naquele momento foi justamente isso. Eu estava com aquele time, com idade média de 25 anos. Eles querem evoluir, precisam, então ficam se masturbando mentalmente, vou pegar uma onda de 100 pés, vou pegar uma onda gigante e aconteceu. Eles estavam lá, tinha um mar gigante e para evoluir você tem que se expor. E a Maya está evoluindo, tem treinado bastante, mas ainda não chegou no auge dela, não tem toda a técnica. Ela tem muito trabalho físico e psicológico. Ela caiu naquela onda e eu acho que outros surfistas poderiam ter caído naquela onda também. Agora, a melhor coisa que ela fez foi pegar aquela onda, porque vai demorar muito para ela pegar uma onda daquela, para passar por aquela situação, para aprender, para evoluir. O que aconteceu naquele dia foi justamente isso. Ela precisou se expor numa situação que não conhecia para evoluir e ajudar na evolução do esporte, não só na performance, como na segurança. Todo universo do surfe de ondas grandes parou para se perguntar “o que que uma mulher está fazendo ali dentro?”, “ela não tinha capacidade?”, vários comentários, mas ela mostrou que tem preparo físico, pois tomou duas ondas grandes na cabeça. Nunca ninguém havia passado aquilo e ela sobreviveu. Então, na realidade quem salvou a Maya foi a própria Maya. Eu estava ali, tive a atitude também para ajudar nesse resgate, as pessoas me ajudaram a leva-lá pra praia, mas basicamente isso, a gente precisa se expor. A condição podia ser melhor, poderia, se o investimento fosse maior, se tivesse helicóptero, um barco, mais jet skis, mais equipe, mas a condição perfeita não existe. Perfeito não existe. Acho que o mundo perfeito está no céu.

Ela precisou se expor numa situação que não conhecia para evoluir e ajudar na evolução do esporte.


Outside - A repercussão foi tão Outside - Na palestra você disse grande quanto a onda surfada em que a repercussão na comunidade do surfe foi muito negativa. Nazaré? Porque? É muita vaidade, ego? Burle - Eu acho que o ingrediente da Maya (Gabeira) fez o difer- Burle - É, eu acho que é muito ego, encial. Tudo que aconteceu fez mas é o normal. O ego é impordaquele dia um dia pra sempre, tante para a evolução do ser hucomo escreveu o Tulio Brandão mano. A competição vem do ego, (colunista do site Waves). Acho um quer ser melhor do que outro. que foi a história de surfe mais Agora, quando você coloca sua comentada no mundo porque ac- emoções e sentimentos acima do onteceu tudo, as ondas grandes, bem comum, acho que a coisa pero que a Maya fez, surfou aquela de um pouco do sentido. Noventa onda enorme, as pessoas tem que por cento ou até mais da comunise lembrar disso. Ela passou por dade não entendeu. A recepção foi aquela dificuldade porque ela sur- muito difícil, muitas críticas, muita fou a maior onda já conquistada inveja porque a gente explodiu. por uma mulher. Depois eu voltei Meu nome aqui no Brasil ficou para a água para ver o Gordo (Fe- fortalecido, o da Maya também. lipe Cesarano) e o (Pedro) Scooby Mas os surfistas infelizmente tem porque eu estava de olho neles, e uma mentalidade muito limitada, aconteceu aquilo. O Gordo pegou de tribo mesmo. Esse lance do loas ondas gigantes, o Scooby calismo, do meu pico. Então tudo também e eu consegui pegar uma de bonito que o esporte tem – onda boa. Então foi um momento relação com a natureza, seu corpo, histórico para gente, para o Bras- autoconhecimento saúde – que il e para o esporte. Então Nazaré está na hora de compartilhar, tudo trouxe tudo isso para minha vida, isso acaba. E você não compartilha mais responsabilidade, compro- só com surfistas, você compartilha metimento, mais prazer de fazer com bodyboarder, banhista, kitea coisa certa, mas também muita surfista, e o espaço é muito reduzicoisa ruim. Não é possível fugir do. E o surfista tem essa tendência dos seus obstáculos, do seu medo. de se proteger. A gente demorou Se eu fugir, ele vai aparecer de um tempo para entender o que novo ali na frente. Aconteceu tudo estava acontecendo. Você coaquilo com a Maya, eu vou pegar mentar e entender a situação de essa onda e acho que foi um pre- uma forma totalmente diferente sente que a natureza, que Deus é compreensível. Mas começaram me deu. Essa onda de Nazaré foi a inventar um bocado de coisas. Inventaram que eu havia pedium presente. do para a minha assessoria para falar que a minha onda era maior. Tinha 500 pessoas em cima do cliff (rochedo), tudo acontecendo ao vivo, e aconteceu isso.


Outside — Houve um comentário de que o tornozelo da Maya havia sido quebrado quando você passou com o jet ski por ela, no momento do resgate… Burle — Milhões de coisas aconteceram que não fazem parte daquele dia e eu sei que isso é muito da mente do ser humano. Eles tentam criar desculpas para justificar de alguma forma a falta de sucesso, não sei. Isso me tira um pouco de tesão, porque será que não dá para entender que seria melhor que a gente trabalhasse junto, remasse junto para um lugar só. No fundo, se o meu maior competidor ganhar mais, eu ganho mais. O que a galera do surfe parece não entender é que quanto mais medíocre o esporte, quando menor o pensamento, pior para tudo mundo. Na hora de renovar

contrato eu falo “olha você sabe quanto o Pato (Everaldo Teixeira) ganha, o Rodrigo (Resende), o Eraldo (Gueiros), o Danilo (Couto) ganha?. Se essa galera não ganhar bem, é ruim para mim. Eu não preciso apagar ninguém, para mim é o contrário, eu tenho que levantar todo mundo, entendeu. Se eu não tiver um paralelo de pessoas positivas, bem sucedidas, que eu possa me comparar, para mim é horrível. Agora minha maior felicidade é saber que a Maya está super bem, deu a volta por cima, apesar de ter recebido muitas críticas. Ela está sendo considerada uma super atleta, nomeada para prêmio e daqui a pouco você vão ver ela em várias campanhas na televisão e isso é bom para a gente. Isso é bom para o esporte da gente. O que eu faço tem tudo a ver com aquele pen-

samento de garoto quando saí de Recife, eu quero melhorar a imagem do esporte. O que eu faço em um quarto, diz respeito a mim. O nariz é meu eu faço o que eu quiser. Quando eu sou referência de um esporte eu tenho que ter cuidado o que eu falo, com as coisas que eu penso, com as minhas ações, quando eu estou no público. Eu estou representando meus patrocinadores, meu esporte e meu país. Essas coisas tem que ser levadas em consideração e parece que o surfe ainda tem aquele problema, geográfico, de localismo e tudo. Mas as coisas estão melhorando.

Se eu não tiver um paralelo de pessoas positivas, bem sucedidas, que eu possa me comparar, para mim é horrível.


Outside - A indicação para o prêmio Billabong XXL, o oscar das ondas gigantes, deve sair nos próximos dias. Qual a sua expectativa?

Burle - Eu acho que eles vão colocar a gente como concorrente, mas eu não acho que a gente vai ganhar. Teve (o swell provocado pela tempestade) Hércules, e depois teve aquela onda do Andrew Cotton (também em Nazaré), e na realidade, a comunidade não quer me dar nada. Já foi um ano muito bom para a gente. Já foi um ano onde a Maya teve uma outra oportunidade de vida, não quero pedir mais nada, acho muito egocentrismo e egoísmo eu sair pedindo mais alguma coisa.

Outside - O Felipe Cesarano, o Gordo, um dos seus pupilos, fez um desabafo via Facebook, de forma respeitosa, falando que a onda surfada por ele é maior do que a sua. Como você recebeu esse desabafo?

Burle - Totalmente natural. Eu acho que naquele dia tinha 10, 12 surfistas na água. Cada um vai achar que sua onda é melhor que a outra. Isso que é legal. O importante é que eu não falei que a minha onda era maior. Tinha 500 pessoas no cliff, no dia antes acho que tinha duas mil pessoas em um domingo de sol, só que o swell atrasou e bateu na segunda-feira, e as 500 pessoas que viram o que aconteceu falaram aquilo. O surfe é um esporte muito subjetivo e eu já estou meio velho para ficar com essa história. Mas está tranquilo, não muda a minha relação com ele. Acho até pior se ele achasse e não falasse e a coisa ficasse guardada. Ele foi verdadeiro.

Outside - Nesta temporada havaiana você teve a oportunidade de conversar com o havaiano Laird Hamilton, que o criticou via CNN pelo fato da Maya Gabeira ter surfado em Nazaré. Como foi esse encontro?

Burle - Foi na casa dele, no mar, em Jaws (ilha de Maui). E foi interessante porque ele se mostrou maduro também. As vezes as pessoas até brigam, brigam por coisas que nem acreditam. Ele foi conversar comigo e eu disse que o comentário dele havia sido muito profissional, cada um fala o que pensa. Mas em contrapartida eu estou indo em um caminho que eu tenho certeza que é o correto, o caminho que eu plantei lá atrás quando eu ainda era surfista em Recife. Eu não quero que o esporte tenha essa imagem atrelada a vagabundos que não sabem se expressar.


Por Maurício Arruda e Malu Souza

MOTOCROSS

Pilotos deixaram para trás resultado insatisfatório destacando o conhecimento trazido pela disputa. A equipe brasileira, que disputou o Motocross das Nações, este fim de semana, em Lommel, na Bélgica, retorna ao país sem um resultado expressivo, mas exaltando a oportunidade de participar da maior competição da modalidade. O jovem grupo formado pelos pilotos Gabriel Gentil, Marçal Müller e Rafael Faria partiu para o evento sem grandes pretensões, encarando a participação como uma chance de aprendizado. O grupo foi formado em cima da hora - substituindo os primeiros pilotos convocados (e depois o segundo grupo) - e realmente não tinha expectativa de classificação. Como esperado, foi eliminado na Final B, bateria de repescagem, sem conseguir avançar para a disputa principal. Na bateria de última chance, a dificuldade do time brasileiro com a pista, de areia pesada e considerada uma das mais exigentes do mundo, ficou clara. Os três atletas sofreram quedas durante a bateria e o sonho de competir no evento principal ficou ainda mais distante. Após começar a disputa entre os dez primeiros, Gabriel Gentil, que disputava a MX1, caiu algumas vezes e terminou com a 25ª colocação. Na MX2, Rafael Faria largou em 25º e, também após sofrer uma queda, teve que parar no pit stop e concluiu a bateria em 33º. Já Marçal Müller, que no sábado obteve o melhor resultado brasileiro com o 17º lugar nas classificatórias da MX Open, fechou a disputa em 27°, após ir ao chão, assim como seus companheiros. A somatória dos resultados deu à equipe a última posição na bateria de repescagem. A Nova Zelândia ficou com a vaga.


Gabriel Gentil, não lamentou o resultado, mas exaltou a experiência. “Fiz uma boa saída, mas acabei caindo por vezes seguidas no início da prova. Depois ainda consegui umas ultrapassagens, mas finalizei em 25º. Estou muito feliz em ter participado do Nações. Foi uma experiência única que todo piloto deveria passar, um aprendizado enorme. Agradeço a todos que fizeram esse projeto se realizar” Rafael Faria destacou a dificuldade da pista, com características bem diferentes das encontradas por aqui. “A pista estava muito difícil. Nunca havia andado em terreno desse estilo. Os pilotos muito rápidos e a prova marcada por quedas. Essa participação brasileira foi muito importante, não só por estarmos aqui trazendo o nome do país, mas por proporcionar a chance de pilotos brasileiros aprenderem e passarem por essa experiência tão engrandecedora para nossa carreira” Marçal Müller salientou a oportunidade. “Saí entre os dez, estava bem até que caí e tive que parar. De qualquer forma, o importante foi finalizar a prova. Estar aqui foi muito difícil, desde o início. Superamos muitas dificuldades e estou feliz com o resultado de sábado e com a experiência.Valeu Brasil”


A Bélgica foi também o país que recebeu a primeira equipe brasileira no Motocross das Nações, em 1997. Os pilotos Cristiano Lopes, Nuno Narezzi e Rogério Nogueira, representaram o país em nossa estreia no maior evento da modalidade, na cidade de Nismes. Depois, foram mais quatro participações consecutivas: 1988, em Foxhills, Inglaterra, com Cristiano Lopes, Paulo Stedile e Rogério Nogueira; 1989, aqui mesmo no Brasil, na cidade de Indaiatuba (SP), com Rafael Ramos, Paulo Stedile e Cristiano Lopes; 2000, em Saint Jean D’Angely, França, com Massoud Nassar, Roosevelt Assunção e Milton ‘Chumbinho’ Becker; e finalmente, em 2001, na histórica pista de Namur, novamente na Bélgica, com Paulo Stedile, Douglas Parise e Massoud Nassar. De 2002 até 2006 o país ficou sem representantes na prova. A primeira classificação nacional ocorreu somente em 2007, em Budds Creek, Estados Unidos. Através de uma vitória na Final B, a equipe formada por Wellington Garcia, Leandro Silva e Antônio Jorge Balbi Júnior retomou a participação verde-amarela com um resultado histórico e a 16ª colocação na fase final. No ano seguinte, em Donington Park, Inglaterra, os mesmos pilotos alcançaram o melhor resultado da história brasileira no evento, terminando na 14ª posição entre os principais países. Em 2009, em Franciacorta, Itália,

Swian Zanoni, Wellington Garcia e Jorge Balbi estiveram em mais uma final e repetiram a 14ª colocação do ano anterior. A competição voltou aos Estados Unidos no ano seguinte e o Brasil esteve entre os grandes novamente. Com os irmãos Anderson Cidade e Cristopher ‘Pipo’ Castro, ao lado de Balbi mais uma vez, chegamos à final conquistando a 18ª posição nas provas decisivas. Balbi acabou se tornando uma espécie de capitão do time na recente fase do Brasil na competição

dificuldades para viabilização do time nos últimos anos, estivemos presentes nas ‘Olimpíadas do Motocross’ pela sétima vez consecutiva. Independente do resultado, parabéns à equipe que salvou a participação do Brasil na última hora e não nos deixou de fora da competição. No entanto, garantir um resultado expressivo entre as grandes estrelas do esporte exige mais do que empenho e dedicação, o planejamento antecipado e a presença dos principais pilotos do país é indispensável. Para que isso aconteça é preciso que dirigentes, pilotos e patrocinadores debatam o quanto antes o caminho para a viabilização do projeto nas próximas edições. As principais equipes deveriam informar no início do ano se estariam dispostas a enviar, ou não, os seus pilotos caso selecionados. Um comprometimento firme com o esporte e com a representação do país, um compromisso que garanta na competição os nossos melhores pilotos conforme os critérios e prazos de seleção. Que o esporte esteja em primeiro plano, sem corporativismo, sem vaidades pessoais, sem brigas entre as marcas concorrentes. Que o patriotismo e a vontade em representar o Brasil falem mais alto e que o nosso país consiga, finalmente, montar sua melhor equipe e desenvolver todo seu potencial. Os amantes do esporte sonham com isso.

Estivemos na briga pela última vaga, mas apesar do esforço do grupo a sequência de finais foi quebrada. e fez sua quinta participação em 2011, novamente ao lado de dois irmãos, os paulistas Marcello ‘Ratinho’ e Dudu Lima. Saint Jean D’Angely, na França, voltou a sediar a competição e o Team Brasil voltou disputar a Final B. Estivemos na briga pela última vaga, mas apesar do esforço do grupo a sequência de finais foi quebrada. A edição deste ano marcou a 11ª participação do Brasil na competição. Em 2012 a equipe nacional contou com patrocínio de Grupo Geração, Brasil Racing, Circuit, Pirelli e Stocovich. Apesar das



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