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O mercado te chama a Ufmg, também!

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e dedicar aos estudos ou conquistar um lugar no mercado de trabalho o quanto antes? Este é o dilema de muitos universitários e a dúvida se manifesta já nos primeiros períodos do curso. Quando o estudante é de Comunicação Social, o mercado de trabalho disputado faz com que a pressão pelo espaço em redações, agências de publicidade ou na equipe de comunicação organizacional de um empresa seja ainda maior. A dúvida não é a única que assombra a mente dos estudantes. É mais vantajoso fazer estágio em um dos veículos de comunicação da UFMG ou se lançar de uma vez nas empresas privadas? Se a escolha for por estagiar dentro da UFMG, os alunos poderão contar com veículos como a Rádio UFMG Educativa, a TV UFMG, Assessoria de Imprensa, Boletim UFMG e a Revista Diversa, além dos departamentos de planejamento, produção gráfica e comunicação web da Universidade. Vantagens como estar dentro do campus, não precisar se locomover para chegar às aulas e contar com a compreensão dos gestores na hora de sair mais cedo para cuidar de atividades acadêmicas podem atrair os alunos para os veículos de comunicação da Universidade. As experiências de Patrícia Ester,

aluna do sétimo período de Publicidade e Propaganda da UFMG, permitem que ela fale com propriedade sobre o assunto. Patrícia é experiente em estágios dentro da Universidade – já passou pela TV UFMG, pela Assessoria de Comunicação da Pró Reitoria de Extensão (Proex) e pelo Núcleo Sudeste de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental (Nucase-UFMG). Atualmente, faz estágio semipresencial em um grupo de pesquisa da Escola de Engenharia. “(...) alguns estudantes de jornalismo [da TV UFMG] acreditavam que quem trabalhava em estúdio era pior que eles. Algumas meninas chegavam a pedir que eu servisse água a elas.” Patrícia Ester conta que os estágios por onde passou contribuíram bastante para sua formação. “Aprendi a filmar, dirigir imagens, escrever para site, jornal mural, entender a linguagem televisiva, fazer um projeto gráfico e diagramar um jornal mural. Me ajudou até a escolher entre publicidade e jornalismo”, detalha. Patrícia ressalta, ainda, que foi bem orientada pelos profissionais da TV UFMG, onde teve a oportunidade de aprender funções que contemplam a

Na balança de Patrícia, o saldo dos estágios na UFMG foi positivo parte técnica do funcionamento de um canal de televisão. Na Proex, a estudante produziu reportagens para o Boletim UFMG e para o site da Universidade, experiência que rendeu a ela aprendizado valioso na prática do jornalismo.

Insatisfação comum Mas nem tudo são flores. Patrícia Ester faz coro a reclamações comuns a quem faz estágio dentro da UFMG. Falta de bolsas, tratamento desigual dentro da equipe e falta de orientação adequada foram um dos desafios que a estudante teve que enfrentar. “Fui voluntária por 8 meses na TV UFMG


e, por ser uma estagiária de estúdio, tinha menos direitos que um estagiário de redação. Muitas vezes, pessoas de outras universidades conseguiam ganhar bolsa e eu não. Minha insatisfação foi tanta que levei o caso à diretoria do Cedecom. Neste período, alguns estudantes de jornalismo acreditavam que quem trabalhava em estúdio era pior que eles. Algumas meninas chegavam a pedir que eu servisse água a elas”, revela. No estágio atual, em que desenvolve peças gráficas para o Nucase UFMG, Patrícia também não encontra vida fácil. “Eles dizem que, pelo fato de eu ser bolsista do CNPQ, não sou estagiária e, portanto, não tenho direito a férias e feriados. Muitas das atividades propostas em cronogramas contemplam fins de semana e feria-

dos e a bolsa CNPQ não aumentou da mesma forma que a da Proex, continua R$ 360”, reclama. Patrícia Ester não está sozinha. Pesquisa realizada pela reportagem com 39 estagiários do Centro de Comunicação da UFMG mostrou que 49% deles dedicam mais tempo às atividades práticas do que o estipulado em contrato. A flexibilidade e compreensão esperada pelos alunos por parte dos gestores, muitas vezes, não acontece. Pelo menos um terço dos estudantes ouvidos tem dificuldades para realizar atividades acadêmicas no horário de estágio ou não contam com o apoio dos orientadores quando o tempo aperta no fim de semestre. Conheça os resultados completos da pesquisa nos infográficos.

Patrícia Ester dá dicas para quem quer se dar bem nos estágios.

É bom fazer estágio o mais rápido possível para conhecer como é a rotina de uma profissão e para saber se aquilo é realmente o que você quer. É interessante trabalhar nas várias áreas da comunicação, bem como estudar disciplinas relacionadas para ter maior reflexão e simbiose da teoria com a prática. Faça os primeiros estágios na UFMG, os funcionários têm disponibilidade e interesse em te ensinar, não existem as ameaças presentes no mercado de trabalho. Trabalhe em empresas de médio a grande porte para que você não seja sobrecarregado ou obrigado a fazer funções que não são de comunicação.


Entrevista: Valéria Raimundo

Coordenar uma equipe de 60 estagiários e 90 profissionais de diversas áreas exige tato e destreza. Manter o Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom) em plena atividade é o desafio de Valéria Raimundo, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e coordenadora do Cedecom.

O órgão reúne os veículos de comunicação e os departamentos responsáveis pela produção gráfica da Universidade em torno de diretrizes comuns que convergem para o chamado tripé da UFMG – ensino, pesquisa e extensão. Na entrevista a seguir, Valéria Raimundo revela que os estagiários não

podem funcionar como colunas na produção de conteúdo dos veículos de comunicação da UFMG e que é necessário ter sintonia entre as diretrizes curriculares do curso de Comunicação Social e a prática desenvolvida na Universidade.


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ida de estagiário: Como você posiciona o Cedecom na formação dos alunos de Comunicação Social da UFMG? Valéria Raimundo: Desde antes de ser diretora do Cedecom já o via como lugar importante para a formação dos alunos do curso de Comunicação. Ele tem um papel fundamental o qual chamamos de formação complementar. É o lugar na Universidade onde os alunos podem experimentar práticas de comunicação em rádio, TV, mídia impressa, assessoria de comunicação, planejamento gráfico e criação. Por isso, deve ser olhado com bastante atenção. Nesse sentido, o Cedecom deve ter uma aproximação mais estreita com o curso de comunicação e seu projeto pedagógico, uma vez que ele é responsável pelo programa de formação completar. As diretrizes curriculares do curso, tradicionalmente mais voltadas para a teoria, podem enxergar o Cedecom com um espaço de experimentação. É necessário ter sincronia entre curso e prática. VE: Que lugar os estagiários ocupam no organograma do Cedecom? VR: Era muito comum ouvir que muitas estruturas do Cedecom eram sustentadas por alunos. Eu até dizia que, se houver a revolta dos estagiários, algumas estruturas realmente deixariam de existir. Esta não é a situação ideal, uma vez que o aluno deve ter a oportunidade de desfrutar de um espaço laboratorial multiuso, onde o ele possa

refletir sobre suas práticas. O Cedecom é importante para a formação complementar dos alunos e eles são importantes para a continuidade do trabalho desenvolvido pelo Cedecom. Contudo, não podemos perder de vista que eles estão lá em processo de aprendizado e eles não podem ser a base de estruturas. Quem deve ter a responsabilidade de sustentar as bases do trabalho dos veículos de comunicação “O Cedecom é importante para a formação complementar dos alunos e eles são importantes para a continuidade do trabalho desenvolvido pelo Cedecom. Contudo, não podemos perder de vista que eles estão lá em processo de aprendizado e eles não podem ser a base de estruturas. da Universidade são os profissionais. Trabalhamos para inverter este quadro. Os alunos dão vida ao Cedecom, mas eles têm que estar ancorados por uma equipe de profissionais. Entendemos que o Cedecom tem o papel de criar condições para que o aluno não só desenvolva as práticas da comunicação, bem como tenha capacidade de refletir sobre as abordagens, a qualidade do debate e a comunicação que ele vai produzir. Nossa missão é desenvolver habilidades reflexivas e não somente práticas. Caso contrário, estaríamos repetindo as práticas de estágio que regem o mercado. VE: Como equilibrar as responsabilidades assumidas pelos estagiários do

Cedecom para que eles tenham espaço para a reflexão sobre a prática? VR: O aluno tem que lidar com a rotina da prática da comunicação e com o ritmo de produção do veículo onde ele se encaixa, apesar de reconhecermos que as mídias que constituem o Cedecom não competem com veículos convencionais. O propósito da experimentação faz parte da formação do aluno. Ele tem que desenvolver um produto. Isso não significa que os espaços não podem ser de experimentação de novas linguagens. Contudo, a experimentação está engajada em uma proposta editorial. Especialmente, a Rádio UFMG Educativa e a TV UFMG fazem isso muito bem. O que diferencia o Cedecom de uma estrutura de comunicação externa é a consonância com o tripé da Universidade – ensino, pesquisa e extensão. Pensando nisso, o aluno pode refletir de diversas maneiras a partir do que ele produz no Cedecom, seja na formação complementar, na pós graduação ou extensão. VE: Há diferenciação expressiva entre a oferta de estágio para Jornalismo, RP e Publicidade e Propaganda dentro da UFMG? VR: Na verdade, a formação do aluno no curso de Comunicação Social da UFMG não é muito compartimentada. É uma formação mais global da comunicação e que dá a oportunidade ao estudante de se aventurar pelos conhecimentos em Jornalismo, Relações


Públicas e Publicidade e Propaganda, de forma integrada. Isso acaba refletindo no Cedecom, onde os aluno podem transitar em várias áreas. O curso proporciona isso. Então, na minha avaliação, a concepção do curso permite uma inserção dos alunos das diversas habilidades em atividades mais ampliadas do curso de comunicação. VE: O que podemos esperar do futuro do Cedecom? Quais são os planos? VR: Estamos trabalhando na implantação de projetos de comunicação web, que contemplam, especialmente, a necessidade de reestruturação da co-

municação digital da Universidade. Estamos construindo parceria com o Instituto de Ciências Exatas (Icex-UFMG) para colocarmos no ar o observatório da UFMG, que monitora a repercussão das ações da Universidade nas redes sociais e em toda a web. Além disso, o Projeto Novas Ondas – da Rádio UFMG Educativa – contempla a cobertura de megaeventos esportivos que estão realizados no Brasil, como a Copa das Confederações, o Mundial de 2014 e as Olimpíadas do Rio, em 2016. A ideia é fazer uma cobertura com abordagem diferenciada e que proporcione aos estagiários a chance de trabalhar com um jornalismo esportivo que con-

sidere os pilares da Universidade. Para a TV UFMG, estamos trabalhando no projeto de implantação da TV digital. Esses projetos aumentam a visibilidade dos veículos de comunicação da Universidade e, consequentemente, faz com que nos voltemos para aquilo que estamos produzindo, com o objetivo de melhorar.

Vista aérea do prédio da Biblioteca Central, que abriga o Cedecom | Foto:Eber Faioli


Terra sem lei? Conheça as normas que regem a prática de estágio na UFMG

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olaborar com a regularização da prática de estágio, verificar as condições oferecidas pela parte concedente, acompanhar os alunos nas atividades que serão ou foram realizadas durante o período e mediar conflitos que possam surgir. Tudo isso está na lista de funções da Comissão de Estágio do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os professores/orientadores designados para desempenhá-las são: Carlos d’Andrea, responsável pelos estudantes de Jornalismo, André Melo, que orienta os futuros publicitários e Fábia Lima, que cuida dos alunos de Relações Públicas.

O primeiro passo para que o aluno comece o estágio é levar toda a documentação necessária à comissão (veja quadro abaixo). “Os documentos são a parte burocrática. É importantíssimo tê-los em mãos, pois são eles que garantem os direitos dos estagiários,” declara Carlos d’Andrea. O professor/orientador, então, avalia as condições em que o estudante vai realizar o estágio, como a bolsa (obrigatória nesse caso, pois o estágio no curso é não curricular), seguro contra acidentes pessoais (obrigatório), carga horária (máximo de 30 horas semanais) e tempo de duração (máximo de dois anos).

Porém, não é só da parte burocrática que os futuros estagiários sobrevivem. Carlos d’Andrea afirma acompanhar os alunos e alertá-los sobre possíveis problemas que possam surgir em suas atividades. “Eu tento conversar com o pessoal, saber como está sendo o aprendizado dentro da empresa, que tipo de experiência acumulou, como foi o contato com os profissionais da área. É um feedback mais informal, mas funciona bem,” acrescenta. E, como orientador, d’Andrea também tem o papel de auxiliar os estudantes no mercado. “Os alunos não devem antecipar a etapa de inserção no mercado, afinal, ele precisa adquirir co-

Burocracia necessária A prática de estágio na UFMG é regulamentada por uma série de normas, estabelecidas pela Lei Federal de Estágio (nº 11.788, de 25 de setembro de 2008), em acordo com as regras definidas pela Universidade (Resolução nº 02/2009, de 10 de março de 2009). Para fazer estágio dentro da UFMG, ou fora dela, os alunos devem estar atentos aos documentos que formalizam a prática. # matrícula e frequência regular do estudante e atestados pela instituição de ensino; # celebração de Termo de convênio entre a parte concedente (instituição/empresa que irá receber o estagiário) e a UFMG; # celebração de Termo de Compromisso entre o estudante, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; # Elaboração de plano de atividades (para aqueles Termos de compromisso, onde tal item não conste) assinado por professor orientador do curso e um supervisor (empresa/instituição), respectivamente, que deverão realizar o acompanhamento efetivo do estágio; # e compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo do compromisso.


nhecimentos dentro da academia. Por isso, sempre observo se o estagiário não cumpre uma carga horária pesada, se a empresa não abusa dele. Ele não deve fazer o trabalho de um profissional, pois, infelizmente, ao se formar, ele pode ser trocado por um outro que desempenhe as mesmas funções”, afirma. Atualmente, as burocracias relacionadas ao estágio são centralizadas nas Comissões de Estágio, criada a um ano. Mas a orientação nem sempre foi assim. Antes, os alunos iam à caça de um professor que estivesse disposto a fornecer sua assinatura para deli-

berar o estágio. “Eu sempre tive bastante dificuldade quando precisava de um professor para me orientar. Muitas vezes, não encontrava nenhum que tinha habilidades comuns com a área do meu estágio. Em outras ocasiões, precisava pedir para alguém que me orientasse sem eu nem conhecê-lo. Era uma situação bem constrangedora,” relembra Larissa Padron, aluna do sétimo período de Comunicação Social - Jornalismo. Larissa acrescenta que nunca recebeu retorno dos professores que a orientavam em seus estágios. Para ela, essa orientação poderia ter feito diferença. “Além de acrescentar

conhecimentos, o acompanhamento colaboraria para que eu conseguisse fazer relações entre a prática e a teoria apreendida no curso”, revela. Um dos problemas, citados também por d’Andrea, é a quantidade de alunos que fazem estágios dentro e fora da UFMG. “O acompanhamento de todos realmente se torna inviável”, reconhece Larissa. Com a missão de minimizar essas dificuldades, Carlos D’Andrea se mostra otimista com relação ao novo modelo de orientação. “Centralizar as funções de orientador para um só professor pode auxiliar o aluno nas suas escolhas. A partir do

Larissa Padron encontrou dificuldades para encontrar orientadores antes e após a assinatura do contrato.


momento que há somente uma pessoa responsável, existe a possibilidade de realizar comparações entre uma condição de estágio e outra, conhecer melhor os mecanismos adotados, além de um horário de atendimento aos alunos pré-definido”, assegura d’Andrea. Qual é tempo certo para dar início a um estágio? Existe tempo certo? De acordo com a Resolução 01 COLCOM/2009, que regulamenta os estágios do curso de Comunicação Social da UFMG, o aluno deve ter concluído, no mínimo, três semestres letivos e 68 créditos. Carlos d’Andrea acredita que o tempo estipulado é um bom parâmetro, mas não é o ideal. “Os alunos devem vivenciar, pelo menos no começo, a Universidade, assistir palestras e participar mais das discussões da academia. Acredito que a partir do quarto período os alunos estejam mais preparados para estagiar”, opina. Larissa, no entanto, revela que o estágio nunca a atrapalhou dentro da universidade. “Comecei a estagiar bem cedo, estava no segundo período. O Colegiado abriu essa exceção, pois eu já havia realizado matérias em outra universidade. Porém, nunca notei diferença no meu aprendizado, pelo contrário, o estágio agregou muitos conhecimentos e ainda me auxiliou a entender conceitos estudados nas aulas teóricas”, relatou Larissa. Pilar não, suporte! A lei federal que rege a prática de estágios assegura ao estagiário um supervisor para acompanhá-lo dentro da empresa. Cada organização pode ter, no máximo, 20% dos funcioná-

rios em regime de estágio. A proporção existe, mas, muitas vezes, não é respeitada. Carlos d’Andrea reconhece que esse é um dos critérios que precisa fazer parte da lista de observações da Comissão de Estágio daqui em diante. “É uma maneira de ter equilíbrio, de evitar abusos, além de garantir que os estagiários não substituam um profissional”. Dentro da UFMG, pudemos verificar que

Prof. Carlos D’Andrea - Coordenador da Comissão de Estágio em Jornalismo

esse artigo da lei realmente não funciona. Em entrevista concedida pela professora Valéria Raimundo, coordenadora do Cedecom (páginas 7 e 8), ela afirmou que no local há 90 profissionais e 60 estagiários, o que corresponde a 40% do quadro de funcionários. Para além das proporções, d’Andrea acredita que o caso do Cedecom é uma particulatidade e a proporção de estagiários pode não influenciar nas práticas desenvolvidas no órgão. “O local funciona como um laboratório, onde os alunos podem experimentar a prática da comunicação, é uma sala de aula expandida. Acredito que isso não atrapalhe tanto

os alunos que fazem estágio lá”. Futuro obrigatório Se hoje os estagiários já reclamam de bolsas de baixo valor, a situação no futuro pode piorar. “Uma nova diretriz curricular que torna o estágio obrigatório para o jornalismo está para ser aprovada,” contou d’Andrea. “Isso é péssimo! Como vou fazer estágio sem receber nada? Também preciso me manter. Principalmente para os alunos do curso noturno, que necessitam trabalhar, vai ser muito ruim”, foi a resposta da estudante Larissa Padron quando soube da novidade, que dá às empresas a opção de não remunerar os estudantes. O futuro do estagiário? Ninguém sabe ao certo.


Sustento ou ajuda de custo? A

mais popular das bolsas entre os alunos da graduação são as oferecidas pela Pró - reitoria de Extensão da UFMG (Proex), cujo valor é de R$ 400, 00. Apenas esse ano, foi orçado um total de 970 bolsas Proex para estudantes da graduação. Além disso, o órgão dispõe de outras 50 bolsas especiais, no valor de R$ 500, 00, para atender alunos assistidos pela Fump, envolvidos em projetos de extensão universitária. Mais de quatro mil ações de extensão, entre programas, projetos, eventos, cursos e prestação de serviços, estão registrados no Sistema de Informação da Extensão da UFMG (Siex/UFMG) desde 2009. São cerca de três mil professores e mais de 900 bolsas anuais de extensão para alunos envolvidos. Esses números ilustram a dimensão da UFMG, ao mesmo tempo em que apontam desafios enfrentados pela Pró - reitoria de Extensão. Para além da promoção à pesquisa, e a articulação entre ensino e pesquisa, um dos problemas atuais vivenciados pela Pró-Reitoria é o valor das bolsas e pagamento em dia de seus estudantes universitários. Paulo Silvestrini, estudante do sexto período de Jornalismo na UFMG, vivenciou esses problemas. Os atra-

sos no pagamento de bolsas da Proex eram constantes, o que prejudicava o estagiário no compromisso com as despesas básicas do mês. Paulo conta que já atrasou aluguel e ficou sem dinheiro para tirar xerox de textos do curso. “Em função destes problemas, resolvi fazer um abaixo-assinado no Cedecom, onde fazia estágio, para apresentar uma reclamação formal à Proex. Fui recebido pela Pró-reitoria, mas o problema não foi resolvido e as bolsas continuaram atrasando”, relata Paulo. Pagamentos e atrasos “Os alunos reclamam que a extensão universitária não paga em dia e que somos desorganizados. Mas é algo que foge da nossa competência”, assinalou a Professor Efigênia Ferreira, Pró – reitora de Extensão da UFMG, explicando que o dinheiro para saldar as bolsas é orçamentário, ou seja, a Universidade é quem efetiva o pagamento, mediante liberação da verba pelo MEC. “Às vezes o governo atrasa”, expôs a Pró – reitora, e acrescentou que não só os estudantes são vítimas, mas a Universidade é lesada de forma generalizada. “Pagamentos de bolsas em janeiro e fevereiro sempre são um problema,

Apesar da alegação de que bolsa não é salário, Paulo depende dela para se manter em Belo Horizonte, longe da família, que mora no interior de São Paulo. Com a bolsa de R$ 500 que ganha atualmente da Fump, ele precisa pagar: R$ 400 de um quarto que aluga no bairro Ouro Preto, próximo à universidade; R$ 250 de alimentação, apesar de almoçar no Bandejão da universidade;

so.

R$ 70 de xerox, com textos de leitura obrigatória no cur-

Paulo só consegue se manter com o auxílio moradia oferecido pela Fump, de R$ 500.


porque, no início do ano, ainda estamos montando o orçamento total de gastos da Universidade”, observou. A professora destaca, ainda, o caráter burocrático e político desses trâmites, e relembra que, “esse ano a câmera aprovou o orçamento anual para UFMG no mês abril.” Reajustes Em junho de 2012 a bolsa Proex teve aumento de 10%, deixando de ser R$360,00 e passando a ser de R$400,00. Os reajustes não são anuais e nem acompanham o aumento da inflação. A Pró – reitora de Extensão, Efigênia Ferreira, explica que o cálculo do reajuste da bolsa não é feito pela Universidade e, menos ainda, pela Proex. “Esses valores são nacionais. Seguimos apenas as orientações do MEC e do Ministério de Ciência e Tecnologia”, isentou-se. Efigênia é bolsista, porém do Cnpq (R$1.000,00 mensais) e alega: “Infelizmente a bolsa não é salário. A bolsa é uma ajuda de custo”.

Professora Efigênia Ferreira, Pró - reitora de Extensão | Foto: Proex


Convênios e financiamento: Sobre as bolsas de estágios da Fump Embora os benefícios dos alunos classificados socioeconômicamente nos níveis I, II ou III assistidos pela Fundação sejam diferentes, a remuneração de estágio é a mesma.

A

Fundação Mendes Pimentel, popularmente conhecida como Fump, é uma entidade de assistência estudantil da UFMG que possui sete programas de amparo ao estudante de graduação regularmente matriculado. Alimentação, moradia universitária, assistência à saúde e bolsas de auxílio financeiro, estão entre os programas básicos da instituição. Bolsas de estágio, de acesso a material acadêmico e por último, a de acesso ao livro Bernardo Álvares (uma espécie de benefício concedido com base nas notas semestrais do aluno), são os programas complementares oferecidos pela Fump. Embora no ano de 2012, segundo balanço anual da instituição, o número de alunos, apenas da graduação, beneficiados sejam de 5.283, número esse distribuido entre os níveis I, II e III da classificação socioeconômica, a quantidade de bolsas de estágio que a Fump dispõe são apenas 710. Um número quase oito vezes menor. “Nosso foco é manter o estudante na Universidade, seja pela bolsa permanência

ou alguma outra”, explica a Coordenadora Pedagógica da Fump, Jaqueline Caldeira Guerra, sobre os meios que a Fundação possui para auxiliar os discentes. Bolsas de estágio Sobre as bolsas de estágio, Jaqueline Caldeira explica que é a Pró-reitoria de Recursos Humanos que define quais projetos serão beneficiados. “O que a Fump faz é apenas a parte operacional: pagamentos, seleção de alunos, assinatura de termo de compromisso, entre outros”, exemplificou. São 300 bolsas de estágio oferecidas pela Pró-Reitoria de Recursos Humanos, mais 60 do Hospital das Clínicas que compõem a “Bolsa de Formação Profissional Complementar”, cujo valor mensal é de R$ 364,00 para carga horária de 20 horas semanais, e com auxílio transporte é R$ 132,00 mensais. A Fundação também desenvolve o Projeto Posso Ajudar? Amigos da Saúde, que é um convênio firmado entre a

UFMG, a Fump e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. O programa oferece 350 vagas de estágios para os alunos de cursos da área da saúde. As atividades são desenvolvidas em centros de saúde e unidades de referência secundária e de pronto atendimento. Os contratos são de 12 meses e o estagiário recebe bolsa de R$ 465 mensais (20 horas semanais), além de ajuda de custo de R$ 215 mensais para transporte e bolsa para aquisição de livros no valor de R$ 100, após os um ano de estágio. Diferentemente da Bolsa de Formação Profissional Complementar, que abarca todos os cursos da Universidade, o Projeto Posso Ajudar é voltado para estudantes dos períodos iniciais dos cursos de Medicina, Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gestão Pública, Gestão de Serviços de Saúde, Nutrição, Terapia Ocupacional, Ciências Biológicas, Educação Física, Odontologia, Gestão Hospitalar e Tecnologia em Radiologia.


Comparativos Indagada sobre o valor das bolsas de estágio serem menor que um salário mínimo, a Coordenadora frisou que tal comparação deve ser evitada, pois o que a Fump oferece é apenas uma ajuda de custo. “Os valores são adequados. O mercado oferece, em média, R$300 de bolsa aos alunos”, comparou. Quando questionada sobre o fato de alunos de cursos como cursos como Engenharia, por exemplo, recebem remuneração mais alta no mercado de trabalho em comparação a outras áreas, Jaqueline Caldeira olha esse dado como um caso a parte e chama atenção para a condição de pagamento de estagiários e bolsistas dos cursos de Ciências Humanas e para cursos em que o estágio é obrigatório e que o discente não é remunerado. E, mais uma vez, afirma que o objetivo da Fump é dar amparo ao aluno, e reforça: “o nosso foco é manter o estudante na universidade por meio dos nossos programas de assistência estudantil”.

Estágio final  
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