Page 1

Incentivos

Estudantes de jornalismo conhecem o mundo do agronegócio Foto:ABAG-RP

Estudantes de jornalismo na empresa Antoniosi,em Matão

Gilsimara Cardoso

landesa, uma espécie de cor branca com manchas pretas. Cada uma produz cerca de 35 litros de leiA estrada de terra ver- te por dia. Para manter a melha, de tão estreita, es- pureza da raça, a Agrinpremia os ônibus que le- dus faz inseminação arvavam 106 estudantes de tificial na reprodução na jornalismo à uma viagem espera de mais fêmeas de três dias ao universo para o rebanho. Quanrural, por iniciativa da do nasce um macho, é ABAG-Ribeirão Preto. logo colocado à venda. Uma porteira aberta de Os futuros jornalistas madeira deflagrou uma encantaram-se durante grande fazenda bovina. o trajeto que fazem para Começava a descoberta a retirada de leite. Como dos alunos de que a paz se fossem domesticadas, e a tranquilidade cam- as vacas caminham em pestres são na verdade os fila organizada, tomam aceleradores da econo- banho e se encaixam mia brasileira. A fazenda sozinhas nos comparAgrindus, localizada em timentos onde lhes são Descalvado, cria vaca ho- colocadas, manualmen-

te por um funcionário da fazenda, as bombas de leite nas tetas. Quando acaba a ordenha, a trava do compartimento se abre e novamente elas saem enfileiradas como soldados obedientes. Esse processo é realizado três vezes ao dia. Antes, porém da Agrindus, os estudantes já tinham visitado uma das 46 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, em São Carlos. Foi a oportunidade de assistir a uma palestra da presidente da Ibisa – Instituto Brasileiro para Inovação e Sustentabilidade no Agronegócio - Mônika

Bergamaschi. Ela revelou que o governo destina apenas 1% do PIB ao agronegócio, investimento baixo se comparado aos EUA que aplicam 5% dos recursos internos na área. O setor no ano passado foi responsável por 24% do PIB do Brasil e por 43% do valor total de exportação. A presidente da Ibisa apontou o principal fato do país vender apenas a matéria prima de produtos agrícolas sem industrialização. “ O país não tem uma exportação industrializada porque não possui uma boa negociação internacional”, afirmou. 1


Foto: http://nutricaojoyce.com.br/

Foto:Felipe Farto

Foto:Victor Rachel Pianta

Minirrebolos cortados em toletes contendo a gema

Mudas de canas prontas para o plantio- Usina São Martinho

Laranja Sanguínea usada em pesquisa no Fundecitrus

No segundo dia dessa viagem, os estudantes foram à Araraquara conhecer o Fundecitrus, Fundo de Defesa da Citricultura. Nos laboratórios de pesquisa, eles viram o processo de combate à praga, que transmite a doença Greening às laranjeiras. Uma palestra também explicou os projetos de pesquisa que estão sendo realizados, como o da laranja sanguínea. A denominação para esta laranja híbrida é por sua polpa ser vermelha como sangue. Foi esclarecido que ela tem sabor parecido com a da laranja pêra, mas com tamanho menor. Ela não é comum no Brasil porque o clima tropical não favorece o cultivo. Por isso, a 2

pesquisa está desenvolvendo maneiras de colocar dois fitos nutrientes dela na nossa laranja. O primeiro é o licopeno, pigmento vegetal encontrado também na melancia e no tomate, que tem ação antioxidante e anticancerígena. O segundo fito nutriente é a antocianina, que tem propriedades anti-inflamatórias e contra o envelhecimento precoce. Em seguida à essa visita, os alunos foram para Matão conhecer duas fábricas de implementos e máquinas agrícolas: a Baldan Implementos e a Antoniosi. A tecnologia vista é para lá de moderna como uma máquina alemã capaz de cortar metal tão facilmente como se fosse papel.

“Sua qualidade de corte é excepcional, fazendo com que as peças produzidas tenham um melhor acabamento”, afirmou o líder de produção da Antoniosi, Matheus Augusto Leite. Apreciar este trabalho aproximou os estudantes de nomes complicados de implementos, facilitando o entendimento no dia seguinte na produção da Usina São Martinho, em Pradópolis. O verde da cana parecia não ter fim, como a visão de um mar cor de jade que termina em outro continente. Em um galpão, a montanha de bagaço moído era como feita de areia e seu volume, para se ter uma ideia, correspondia a quatro prédios de dois

andares. Esse bagaço da cana, resto da produção de açúcar e etanol, é utilizado na geração de energia. Primeiro os funcionários, usando aventais, limpam a cana colhida, com as mãos bem protegidas com luvas de tecido. Eles retiram a palha e depois cortam a planta em gomos chamados de “minirrebolos”. Estes são colocados em bandejas higienizadas, um em cada tubete - recipiente pequeno em forma de tubo - e, em seguida, são cobertos por terra e substratos. Depois vão para uma estufa e ficam por cerca de 25 dias. São expostos, então, à chuva e sol por mais 25 dias. O objetivo é fortalecê-los para o plantio. Esse

sistema chama-se MPB – Muda pré brotada -e substitui o plantio tradicional de toletes (pedaço de cana que contém a gema) no sulco (buraco feito para o plantio). No campo usa-se uma transplantadora e, geralmente, são necessários dois funcionários para liberarem as mudas nos sulcos, feitos pela máquina a qual também os cobre de terra em seguida. A produção tem 100% de aproveitamento, ou seja, todas mudas vingam. Segundo, o pesquisador do Programa Cana do Instituto Agronômico de Ribeirão Preto, Mauro Alexandre Xavier, no sistema tradi-

cional utiliza-se 18 toneladas de cana para plantar um hectare e, com o sistema MPB, apenas de 1,5 a duas toneladas da planta. “Apesar de vantagens relevantes é importante que o MPB seja considerado como uma engrenagem dentro de um sistema de produção. Dessa forma é necessário considerar e qualificar constantemente todos os demais manejos fitotécnicos incluídos no sistema de produzir cana- de- açúcar”, esclareceu Xavier. Os alunos de jornalismo ainda passearam pela usina e lhes foi explicado o processo de fabricação de açúcar, eta-

nol e energia elétrica. A cana é colhida por uma máquina que, em seguida, joga-a diretamente no transbordo - grande reservatório de metal puxado por um trator. Por hora, conseguem-se colher até três caminhões bitrens. Toda cana utilizada na produção é vistoriada por um técnico que mede o teor de sacarose, pureza de caldo, fibra e impurezas. O próximo passo é a limpeza da cana, que pode ser lavada ou exposta a jatos de ar, para depois ser picada, o que facilita na moenda, o processo de extração de caldo e obtenção do bagaço. O caldo é peneirado e

passa por coagulação, flotação, precipitação, correção do PH, pasteurização, aquecimento, resfriamento, para enfim ser usado na fabricação de etanol ou de açúcar. Já o bagaço, após a moenda, vai para a parte debaixo da caldeira para ser queimado ao mesmo tempo em que aquece a água que está na parte de cima da mesma caldeira. O vapor produzido passa por uma tubulação e vai para turbinas que o converte em energia mecânica que faz funcionar o gerador de energia elétrica. Parte dessa energia é usada na usina e o excedente é vendido para a rede elétrica. 3


Foto:ABAG-RP

Curral de vaca holandesa na fazenda Agrindus , em Descalvado

Depois da Usina São Martinho, os estudantes seguiram para a Cocapec –Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas- em Franca. Lá souberam que os melhores grãos do nosso café são exportados, mas puderam experimentar um cafezinho especial feito na Cooperativa, chamado “ Senhor Café”, vendido somente no local. O sabor adocicado deixou os alunos surpresos pela falta de necessidade de açúcar, e o cheiro seduziu mesmo os que não são fãs da bebida. “O cheiro que me chamou a atenção. Eu não sou chegada em café, então eu experimentei do copo de um amigo. Era mesmo sem açúcar? Só sei que estava muito bom”, afirma a universitária Mariana Aparecida Lemos Valverde, uma 4

das estudantes de jornalismo que integrava essa viagem. Inovação As pesquisas da Embrapa fizeram com que o país deixasse de importar alimentos básicos e se tornasse o segundo maior exportador de grãos, perdendo apenas para os EUA. O Brasil também é o maior produtor de açúcar, etanol e laranja do mundo, sendo que mais de 60% do suco de laranja mundial são brasileiros. Do campo para o supermercado Quase não lemos os rótulos do que compramos no supermercado. Por isso, foi interessante para os estudantes saber que o suco néctar não é o melhor em qualidade, pois possui cerca de 60%

de água e açúcar e apenas 40% de suco. Os futuros jornalistas também chegaram à uma conclusão inevitável: que o que parecia ser fruto da indústria, nasce, na verdade, no campo. “Quando a gente compra iogurte e leite no mercado, não imaginamos como são produzidos e nem como as vacas são tratadas para nos alimentar”, relatou a universitária Gabriela Maulim Freitas.

das ao setor. Em 2011, em homenagem a um ícone do jornalismo, o prêmio passou a ter o nome José Hamilton Ribeiro, autor da primeira reportagem de capa da Revista Globo Rural e ganhador cinco vezes do Prêmio Esso. Há também o prêmio Categoria Jovem Talento. “A ideia é que os futuros jornalistas conheçam o setor e as diferentes editorias. De economia à saúde, de relações internacionais à ciência e tecnologia. Ao Iniciativa interessante invés de contar, mostramos”, afirma a assessora Com o objetivo de re- de imprensa da ABAG, conhecer trabalhos jor- Valéria Ribeiro. Este ano nalísticos voltados para participaram alunos das o agronegócio, a ABAG instituições: ECA/USP, –RP (Associação Bra- Cásper Líbero, PUC sileira do Agronegócio Campinas, Unimep, Meda Região de Ribeirão todista, Uniara, Imesb, Universitário Preto) criou, em 2008, Centro um prêmio jornalístico Barão de Mauá, Unesp, para reportagens volta- Unaerp e Unifran.

Abag edição 2015  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you