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Caminhos de SĂŁo Paulo organizado por Pe. Eduardo Peters


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Quem foi São Paulo?

Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Jul/2008, n. 79, p. 26 à 33 ! ! A vocação é um dom concedido liberalmente por Deus. E, por vezes, compraz-se o Senhor em chamar alguém aparentemente contrário à missão para a qual Ele o destina, a fim de manifestar com maior fulgor o poder de Sua Graça e a gratuidade do Seu chamado. Nesses casos, apesar dos aparentes paradoxos e à revelia do próprio interessado, cujas aspirações parecem entrar em choque com os desígnios Divinos, o Senhor vai preparando os caminhos, servindo-Se até dos próprios obstáculos para fazer cumprir sua Santa Vontade.

1. Jovem fariseu de Tarso  Nada parecia indicar que aquele jovem de rosto vivo e inteligente, de nome Saulo, viesse a transformar-se num intrépido defensor de Jesus Cristo. Nascido em Tarso, na Cilícia, no seio de uma família judaica, o pequeno Saulo esteve, desde muito cedo, sujeito a duas fortes influências 1


que pesariam grandemente na formação de seu caráter.  De um lado, as convicções religiosas que aprendera de seus pais não tardaram em fazer dele um autêntico fariseu, apegado às tradições, anelante pela chegada de um Messias vitorioso e libertador do povo eleito, então submetido ao jugo estrangeiro, e zeloso cumpridor da Lei até em suas mínimas prescrições.

destacados membros do Sinédrio. Também aqui podemos notar a mão de Deus intervindo em sua vida, pois o conhecimento dos Livros Sagrados, que adquiriu ao longo desses anos, servir-lhe-ia mais tarde para abrir seus horizontes a respeito da realidade messiânica de Jesus Cristo.  

 De outro lado, o ambiente de sua cidade natal marcou profundamente a personalidade do jovem fariseu. Tarso – metrópole grega, súdita do Império Romano – tornara-se, por sua localização privilegiada, um dos centros de comércio mais importantes daquele tempo. Regurgitava de gente, proveniente das nações mais diversas, cujas línguas e costumes misturavam-se sob o fator preponderante da cultura helênica. A Providência começava a preparar o jovem fariseu para sua futura missão de Apóstolo das Gentes.

2. Discípulo de Gamaliel  Apenas saído da adolescência, Saulo abandonou sua pátria para instalar-se na cidade-berço da religião de seus antepassados: Jerusalém. Ali tornou-se assíduo estudioso das Escrituras, instruído pelo douto Gamaliel, um dos mais 2

Entretanto, se Saulo progredia a passos rápidos nas doutrinas farisaicas, sob o olhar vigilante de Gamaliel, em nada pareceu assimilar a prudência que caracterizava seu mestre, sempre cauto em seus juízos e comedido nas apreciações. Pelo contrário, o jovem aluno dava mostras


de um exaltado fanatismo religioso, como ele mesmo confessaria em sua epístola aos Gálatas: “Avantajava-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl 1, 14).  No interior do discípulo de Gamaliel latejava um coração sincero, à procura da verdade. Buscava-a ardorosamente, desejoso de alcançar o pleno conhecimento dela. Não sabia que o termo desses seus anseios encontrava-se n’Aquele que, de Si mesmo, dissera: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14, 6).    Sim, Saulo não poderia chegar ao Pai, Suprema Verdade, sem passar por Jesus, o Mediador entre Deus e os homens. A afirmação proferida pelo Divino Mestre, momentos antes de Sua Paixão, ele a veria cumprir-se em sua vida, ainda que contra a sua vontade e apesar de suas relutâncias. E a ocasião se haveria de apresentar justamente quando as convicções de Saulo, chocadas ante o Cristianismo que surgia, haviam-se convertido em ódio profundo contra este.

3. Encontro de Saulo com o Cristianismo Saulo passara alguns anos fora de Jerusalém, que coincidiram com o período da vida pública de Jesus. Quando voltou, 3

verificou uma grande mudança. A Cidade Santa não era a mesma que ele conhecera em seus tempos de estudante: após a tragédia da Paixão, pesava sobre a consciência do povo e, sobretudo, das autoridades a figura ensangüentada da Vítima do Gólgota, que eles em vão procuravam lançar no esquecimento. E mais: os discípulos daquele Homem não temiam pregar sua doutrina no próprio Templo, proclamando que esse Jesus a quem haviam matado ressuscitara dos mortos (cf. At 3, 11ss.).  Tais acontecimentos não podiam deixar indiferente um fariseu convicto como Saulo. Não compreendia que aqueles simples galileus se levantassem impunemente contra a religião de seus antepassados, arrastando atrás de si tamanha multidão de seguidores. Sua irritação chegou ao auge quando, estando na sinagoga chamada dos Libertos, onde semanalmente se reuniam judeus de todas as comunidades da Diáspora, deparou- se com um jovem chamado Estêvão, que anunciava denodadamente as glórias do Crucificado.    Momentos mais tarde, tendo sido apresentado Estêvão ao tribunal do Grande Conselho, Saulo escutou atentamente o longo discurso no qual este demonstrou, por meio de exemplos


históricos e de profecias, ser Jesus o Messias esperado. O jovem fariseu sentia-se incomodado: as palavras de Estêvão eram tão inspiradas e convincentes, que não se lhe podia resistir (Cf. At 6, 10); de outro lado, a imagem desse Jesus Nazareno, que ele não conhecera, parecia persegui-lo, e constantemente via-se obrigado a ouvir falar a respeito, de tal modo os seus adeptos se espalhavam por Jerusalém. Duro lhe era recalcitrar contra o aguilhão (cf. At 26, 14). E, entretanto, Saulo recalcitrava!

morte (cf. At 8, 1) e considerou como uma honra a missão de custodiar os mantos dos apedrejadores, uma vez que sua idade não lhe permitia levantar a mão contra o condenado.

4. Surge o perseguidor dos cristãos  A partir daquele dia, o exaltado discípulo de Gamaliel não pôs mais freio à sua fúria. Acreditando “que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré” (At 26, 9), entrava nas casas dos fiéis e arrancava delas homens e mulheres para entregálos à prisão (cf. At 8, 3); chegava a maltratá-los para obrigá-los a blasfemar (cf. At 26, 11). Não contente com devastar apenas a Igreja de Jerusalém, foi apresentar-se ao príncipe dos sacerdotes, pedindo-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de prender, nessa cidade, todos os que se proclamassem seguidores da nova doutrina (cf. At 9, 2).    Mas, esse Jesus a quem ele teimava em perseguir (At 9, 5), viria a atravessar-se de novo em seu caminho, desta vez de modo definitivo e eficaz.

5. No caminho de Damasco

 Indignado diante da coragem de Estêvão, aprovou entusiasticamente sua 4

 Podemos imaginar a ânsia do jovem Saulo ao aproximar-se de Damasco, antegozando a hora de saciar sua cólera no cumprimento da missão que se propunha.


Mas eis que, subitamente, uma luz fulgurante vinda do Céu envolveu-o e a seus companheiros, derrubando-o. Ali, caído por terra e cegado pelo resplendor dos raios divinos, o orgulhoso fariseu não pôde mais resistir ao poder de Cristo e declarou-se vencido: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9, 6).

reconhecimento de sua derrota: “Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro. Se encontrei misericórdia, foi para que em mim primeiro Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade e eu servisse de exemplo para todos os que, a seguir, nEle crerem, para a vida eterna” (I Tm 1, 15-16).

6.Saulo converte-se em Paulo

! ! De perseguidor que era, poucos instantes antes, passava a servo fiel, pronto para obedecer aos mandatos do Divino Perseguido. Por um simples toque de Sua graça, transformara em Seu Apóstolo um dos mais ferventes discípulos daqueles que haviam sido seus principais contendores, durante sua vida pública.  Ajudado por seus companheiros, Saulo ergueu-se do chão. Entretanto, mais do que levantar-se do solo, surgiu em sua alma “o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4, 24). O blasfemador permaneceria para sempre prostrado num amoroso 5

 Com a mesma radicalidade com que outrora se apegara ao judaísmo, Saulo abraçava agora a Igreja de Cristo. A graça respeitara a natureza, conservando as características próprias de sua personalidade que viriam mais tarde a contribuir na formação da escola paulina de vida espiritual. A partir desse momento, o Saulo convertido, o novo Paulo, só se moveria por um único ideal, que tomava todas as fímbrias de sua alma e dava verdadeiro sentido à sua existência: “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6, 14).    Doravante essa Cruz – na qual Paulo não apenas considerava os sofrimentos do Salvador, mas via, sobretudo, os esplendores da Ressurreição – seria para ele o rumo de sua vida, a luz dos seus passos, a fortaleza de sua virtude, o seu


único motivo de glória. Esse amor, que num instante operara a sua transformação, o impelia agora a falar, a pregar, a percorrer os confins do mundo a fim de conquistar almas para Cristo, arrancando-lhe, do fundo do coração, este gemido: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (I Cor 9, 16).  Por esse amor estava disposto a enfrentar todas as tribulações, a suportar os piores tormentos, fossem de ordem natural, como também os de ordem moral: “Muitas vezes vi a morte de perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites, menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!” (II Cor 11, 23-28).    Ele havia se proposto, antes de tudo, à glorificação de Jesus Cristo e da Sua Igreja, e isto constituía para ele o suco essencial, o norte de sua vida. A este respeito comenta São João Crisóstomo: “Cada dia ele subia 6

mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. […] Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias, triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: ‘Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar’ (II Cor 2, 14).”

7. Apóstolo das Gentes  Assim, pouco a pouco, por meio de suas viagens apostólicas e das numerosas cartas através das quais sustentava na Fé seus filhos espirituais, Paulo ia assentando os fundamentos da Esposa Mística de Cristo. Nem mesmo internamente havia de lhe faltar adversários: por vezes, entre os próprios cristãos, surgiam conceitos errôneos, como o de querer obrigar os pagãos convertidos a praticar os costumes da Lei Mosaica. A esse respeito Paulo levou sua ousadia até o ponto de discutir com o próprio Apóstolo Pedro, “resistindo-lhe francamente, porque era censurável” (Gl 2, 11).    Pedro aceitou com humildade o ponto de vista de Paulo e apressou-se em colocá-lo em prática. Mas os cristãos que haviam espalhado suas idéias pelas igrejas


da Galácia não o imitaram, acrescentando ainda que a justificação provinha estritamente do cumprimento da Lei. Nada poderia ser tão nocivo para a Igreja nascente do que tais enganos, e Paulo logo o percebeu. Decidiu deixar por escrito toda a doutrina sobre esse ponto, e o fez com tanta segurança e clareza que deduz-se tê-la recebido dos lábios do próprio Jesus.  Assim, a epístola dirigida aos Gálatas é um escrito polêmico, sem receios de apresentar a verdade tal como ela é: “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? […] Todos os que se apóiam nas práticas legais estão sob um regime de maldição” (Gl 3, 1.10). E pouco antes, afirmava: “Nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei” (Gl 2, 16).

8. São Paulo e os gregos  Se Paulo teve de enfrentar oposições dentro de seu próprio povo, viuse também contestado pelos gregos, que apresentavam objeções de teor completamente diferente, mas não menos perigosas. A Grécia, principal centro da cultura naqueles tempos, orgulhava-se da fama de seus pensadores e de ser o berço da filosofia. Ora, a palavra e a pregação trazidas por 7

Paulo, “longe estavam da eloqüência persuasiva da sabedoria” (I Cor 2, 4), como ele mesmo afirmava. Assim, não raras vezes tornavase ele alvo do desprezo ou objeto de vergonha para os convertidos. Ele pouco se importava com as ofensas feitas à sua pessoa, mas receava que seus discípulos fizessem eco a idéias tão vãs ou viessem a sucumbir, por medo das humilhações. Por isso, escrevia ele aos fiéis de Corinto, cidade onde principalmente essas falsas doutrinas haviam encontrado aceitação: “A linguagem da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que foram salvos, para nós, é uma força divina” (I Cor 1, 18).


Não era esse, porém, o pior dos obstáculos encontrados por Paulo na Grécia. Afundados na devassidão e na desordem moral, os gregos haviam elaborado, ao longo dos tempos, uma justificativa para os seus maus costumes, negando a ressurreição dos mortos. Alguns mesmo, como Epicuro de Samos (†270 a.C.), chegaram a afirmar que a alma humana é material e mortal.
 ! ! No próprio Evangelho percebemos lampejos dessa candente temática quando os saduceus – que, por influência helênica, não acreditavam na ressurreição – se aproximaram de Jesus para pô-lo a prova, mediante uma pergunta capciosa (cf. Lc 20, 27-39). A discussão, como vemos, vinha de longa data e se erguia como principal empecilho para o desenvolvimento do apostolado paulino.  Talvez Paulo, em seus tempos de fervor fariseu, já tivera de enfrentar os mesmos saduceus a esse propósito. gora, porém, como cristão, possuía o argumento da Ressurreição de Cristo e contava com o poderoso auxílio da graça.

9. Grande Apóstolo da Ressurreição  As dúvidas expostas pelos gregos, quando não a oposição aberta, lhe serviriam de estímulo para aprofundar-se mais na doutrina da ressurreição e deixá-la 8

explicitada para os séculos futuros. Assim escreveu ele aos coríntios: “Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição? Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. […] Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima. Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos como primícias dos que morreram!” (I Cor 15, 12-14; 19-20).  Custoso era, para aqueles gregos de vida desregrada, ter de assimilar esses princípios. Aceitando a ressurreição da carne, ver-se-iam forçosamente convidados a uma mudança de costumes e a abraçarem um modo de pensar e de comportar-se condizente com essa esperança. Mas até mesmo suas relutâncias contribuiriam para o bem, como afirma o próprio Paulo: “Oportet et haereses inter vos esse” (I Cor 11, 19) – é necessário que haja partidos, ou heresias, entre vós. Impelido pelas circunstâncias, Paulo se transforma no grande Apóstolo da Ressurreição.

10. Cordeiro e leão ao mesmo tempo  Nem tudo, porém, eram combates para o incansável Paulo. Se face ao erro e à


falta de fé ele mostrava todo o seu ardor combativo e sua intransigência, em relação aos bons deixava entrever um fundo de alma extremamente afetuoso e compassivo, ordenado segundo a caridade de Cristo. Nesta admirável conjugação de virtudes, na aparência opostas, Paulo assemelhava-se ao Divino Mestre, sempre disposto a perdoar ou pronto a repreender, a ser Cordeiro e Leão ao mesmo tempo.  Em sua carta aos fiéis de Filipos, que se inquietavam por seus sofrimentos e suas necessidades, assim escreve: “Deus me é testemunha da ternura que vos consagro a todos, pelo entranhado amor de Jesus Cristo!” (Fil 1, 8). E ainda, aos mesmos gálatas, que antes invectivara a respeito de seus desvios, escrevia mais adiante: “Filhinhos meus, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vós, quem me dera estar agora convosco” (Gl 4, 19).

11. A prisão em Jerusalém  Sim, Roma, haveria de ouvir sua pregação e suas ruas calçadas de grandes pedras seriam pisadas pelos pés do Apóstolo. Esses pés, entretanto, arrastariam pesadas correntes que lhe tolheriam a liberdade dos movimentos. Acusado pelo ódio de seus concidadãos, por causa de sua fidelidade a Cristo, Paulo 9

fora entregue à justiça romana. Se seu corpo suportava as cadeias e os grilhões, sua alma sentia pesar sobre si o suave jugo de Cristo. Prisioneiro do Espírito (cf. At 20, 22), Paulo recebera, à noite, esta revelação: “Coragem! Deste testemunho de Mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em Roma” (At 23, 11).


Obediente à inspiração recebida, Paulo exclamará no tribunal do governador Festo: “Estou perante o tribunal de César. É lá que devo ser julgado. […] Apelo para César!” (At 25, 10-11). Querendo desfazer-se de caso tão complicado, que envolvia assuntos da religião judaica, Festo apressou- se em satisfazer o desejo do preso, mandando-o para Roma, algemado e sob a guarda do centurião Júlio.

12. O primeiro período de pregação em Roma  Durante a viagem, Paulo não perdia a oportunidade de anunciar o Evangelho em


todos os lugares por onde passava. Após várias dificuldades ao longo da travessia e enfrentar um naufrágio, fez escala em Siracusa, na Sicília, e dali foi conduzido a Reggio (cf. At 28, 12-13).  Uma vez chegado à capital do Império e instalado em prisão domiciliar, Paulo realizava um anseio que havia tempos acalentava no coração, como ele mesmo o expressara aos cristãos de Roma: “Daí o ardente desejo que eu sinto de vos anunciar o Evangelho também a vós, que habitais em Roma” (Rm 1, 15). Dois anos haveria de durar seu doloroso cativeiro, mas ele, como afirma São João Crisóstomo, “considerava como brinquedo de criança os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo”. Aproveitou o tempo para pregar o Reino de Deus (cf. At 28, 31), escrever numerosas cartas às comunidades da Grécia e da Ásia, as chamadas Epístolas do cativeiro.    Mas a Providência pedia de seu Apóstolo ainda mais alguns anos de abnegação e fadigas, a ele que suspirava pela morte, considerando-a um lucro para ganhar a Cristo (cf. Fl 1, 21).

13. Novas viagens e retorno à capital do Império  Libertado por um decreto jurídico, Paulo ainda visitaria Creta, Espanha e 10

novamente as conhecidas igrejas da Ásia Menor, pelas quais tanto se dedicara. Afinal voltaria a Roma para onde se sentia atraído, talvez por um secreto pressentimento da proximidade da “coroa da justiça” (II Tm 4, 8) que ali o aguardava.  Sobre o trono dos césares sentavase então o terrível Nero, cuja crueldade, aliada a um orgulho patológico, já fizera sua fama. Era conhecido o ódio que votava aos cristãos, e Paulo não passou despercebido à perspicácia dos espiões do tirano.    Acusado como chefe da seita, foi preso pela polícia imperial e lançado no Cárcere Mamertino, onde, segundo uma antiga tradição, já se encontrava Pedro. Nesse escuro subterrâneo, de estreitas dimensões e teto baixo, o Pontífice da Igreja de Cristo e o Apóstolo das Gentes estiveram acorrentados a uma mesma coluna. Assim, unidos numa mesma Fé e esperança, estavam ambos amarrados pelas cadeias do amor ao Rochedo, que é Cristo (cf. I Cor 10, 4).

14. O Martírio de São Paulo Chegou por fim o dia em que Paulo deveria “ser imolado” (II Tm 4, 6). Para ele a morte pouco significava, pois já se achava morto para o pecado e vivo para Deus (cf. Rm 6, 11). Uma entranhada e exclusiva


união o ligavam a seu Senhor. Não era ele mesmo que vivia, mas sim Cristo quem nele habitava (cf. Gl 2, 20) e operava. Condenado à morte, Paulo, por ser cidadão romano, não podia, como Pedro, sofrer a pena ignominiosa da crucifixão, mas sim a da decapitação, e esta devia dar-se fora dos muros da cidade. Conduzido por um grupo de soldados, o Apóstolo arrastou seus pesados grilhões ao longo da Via Ostiense e, depois, pela Via Laurentina, até alcançar um distante vale, conhecido pelo nome de Aquæ Salviæ. ! ! Ali, entre a vegetação daquela região pantanosa, o sublime imitador de Jesus Cristo selava seu testemunho com o próprio sangue. Sua cabeça, ao cair no solo sob o golpe fatal da espada, saltou três vezes, fazendo brotar em cada um dos pontos uma fonte de água borbulhante. Este fato, se não comprovado pela História, baseia- se numa piedosa tradição confirmada pelo nome de Tre Fontane, que ostenta o mosteiro trapista construído naquele local. 11

15. “Combati o bom combate”  Paulo morrera, mas sua monumental obra apostólica, fundamentada na caridade que consumira sua vida, continuava viva e produziria ao longo dos tempos abundantes frutos para a Igreja. Até o último alento, sua vida não fora senão uma grande luta. Luta de entusiasmo e de entrega, de desprendimento e de heroísmo; luta para levar o Evangelho a todas as gentes, confiando sempre na benevolência de Cristo.    Os piores vagalhões da vida não puderam atingir o seu tabernáculo interior. Sua firmeza, semelhante à imobilidade de um rochedo batido pelas ondas do mar, mantinha-se inalterável em meio às maiores angústias e agonias, certo de que nem a vida nem a morte o poderiam


separar do amor de Cristo (cf. Rm 8, 38-39).

carcereiros, convertidos pelo seu exemplo e pregação!

 E uma vez concluído o combate, percorrida toda a sua carreira e chegado ao termo de sua peregrinação terrena (cf. II Tm 4, 7), o Apóstolo apareceu ante o olhar admirado da humanidade, em toda a sua estatura de gigante da Fé, transmitindo para os séculos futuros esta mensagem: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade. A caridade jamais acabará!” (I Cor 13, 13.8).

 No final de sua heróica vida, pôde o Apóstolo das Gentes cantar este hino de triunfo do varão que sente a consciência limpa na hora do encontro com o Supremo Juiz: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (11).

 Estando preso em Roma, o incansável Apóstolo não deixou de pregar, e obteve a conversão de incontáveis almas. Posto em liberdade no início do ano 64, dirigiu-se à Espanha e à Ásia. Retornando a Roma, foi preso novamente, desta vez com São Pedro.

 Grandiosa foi sua vida, tal será também sua morte. Sendo cidadão romano, São Paulo não podia ser crucificado. Foi, assim, decapitado pela espada, no ano 67. Conta-nos a tradição que sua cabeça, rolando ao solo, saltou três vezes e fez brotar três fontes que podem ser vistas ainda hoje na Igreja de San Paolo alle Tre Fontane, na via d’Ostia, em Roma.

 Ficaram eles na prisão mais antiga de Roma, o Cárcere Mamertino, local impregnado de bênçãos, que comove a quantos por lá passam. Com efeito, como não se impressionar ao contemplar, logo nos primeiros degraus da estreita escada que leva ao calabouço, a marca do rosto do Príncipe dos Apóstolos, milagrosamente impressa na parede de pedra? E que emoção ao ver no canto da cela a fonte que brotou do solo, possibilitando aos Apóstolos batizarem os próprios 12


A Primeira viagem de São Paulo (Anos 46-48; At 13-14) Característica: Abertura aos Pagãos

! ! Nos Atos, relatam-se três viagens de Paulo: a primeira, liderada primeiro por Barnabé, levou Paulo de Antioquia até Chipre, passando depois pela Ásia Menor (Anatólia) e de volta a Antioquia. Em Chipre, Paulo enfrenta e cega Elimas, o mago, que estava criticando seus ensinamentos ao procônsul Sérgio Paulo. Deste ponto em diante, passa a ser chamado de Paulo e aparece como o líder do grupo. Quando chegaram em Perge, João Marcos, que acompanhava o grupo, voltou para Jerusalém e os dois foram para Antioquia na Pisídia, Paulo profere um longo discurso e converte muitos, mas o grupo acaba expulso da cidade (Atos 13). Em Icônio, foram novamente expulsos e seguiram para Listra, onde foram confundidos com os deuses romanos Júpiter e Mercúrio depois que Paulo curou um coxo. Por conta da intriga dos judeus, Paulo foi preso e apedrejado, mas sobreviveu e, com Barnabé, seguiu para Derbe. ! ! De lá, retornaram passando novamente pelas mesmas cidades para reforçar as comunidades recém-fundadas e terminaram a viagem em Antioquia (Atos 14).

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A Segunda Viagem de São Paulo (Anos 50-52; At 15,35-18,22) Característica: Entrada do Evangelho na Europa

! ! Paulo decide visitar as comunidades fundadas na primeira viagem, mas desentende-se com Barnabé e convida Silas (Silvano) a acompanha-lo. Visitam as regiões da Síria e da Silícia e voltam às comunidades de Derbe e Listra.Em Icônio, encontram Timóteo, passam por Antioquia da Psídia e por Trôade. Atravessam o mar Egeu e entram na Europa. O norte da Macedônia é cortado pela Via Ignátia, que vem de Roma e acaba no mar Negro, após a cidade de Filipos. Macedônia (Europa) Filipos - Fundam a comunidade em casa de Lídia. Paulo exorciza uma escrava e é açoitado e preso. Durante a noite a prisão se abre e Paulo e Silas são libertados. Ao saber que são cidadãos romanos, as autoridades se apavoram e pedem que deixem a cidade. Seguem viagem e passam por Anfípoles e Apolônia. Tessalônica - Paulo evangeliza na sinagoga e muitos crêem. É perseguido e sai da cidade. Beréia - Prega e é bem recebido pelos gregos, mas logo chegam os judeus de Tessalônica e ele parte para Atenas.

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Acaia Atenas - É convidado a falar no Areópago prega o kerigma cristão para os filósofos e é mal recebido. Corinto – Chega na cidade, vindo de Atenas. Conhece Priscila e Áquila, judeus tendeiros. Habita com eles durante um ano. Os judeus o acusam ao procônsul galeão, mas não são atendidos. Regresso da segunda viagem Sai de Corinto e segue pelo mar Egeu até Éfeso. Prossegue pelo Mediterrâneo para Cesaréia e de lá, para Antioquia da Síria.

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A Terceira Viagem de São Paulo (Anos 53 - 57; At 18,23-21,16) Característica: “Os habitantes da Ásia, judeus e gregos puderam ouvir a Palavra do Senhor.” (At 19,10b)

! ! Paulo parte mais uma vez de Antioquia da Síria e o retorno é pela Cesáreia e Jerusalém. Acompanhado de Silas, começa a viagem por terra, visitando as comunidades da Galácia e da Frígia. Jônia  Éfeso - Na comunidade já existente, Paulo encontra Apolo, Judeu convertido. Impõe as mãos e invoca o Espírito Santo sobre os irmãos. Permanece por dois anos evangelizando na escola de Tirano. Manda queimar livros de magia e é acusado pelos ourives da deusa Artêmis.  Macedônia  Volta a visitar Filipos, Tessalônica e Beréia. Acaia Passa três meses, certamente em Corinto.  Macedônia - volta e fica um tempo em Filipos, de onde começa o regresso da terceira viagem.  Regresso da terceira viagem 

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Parte de Filipos pelo mar Egeu, para a Frígia. Frígia  Trôade - Preside a fração do pão com a comunidade e faz uma longa homilia noite a dentro. Reanima o jovem que havia caído da janela.  Panfília Mileto - Reúne os líderes das comunidades e se despede. Segue pelo Mediterrâneo para o porto de Tiro.  Síria  Tiro – Permanece por sete dias com a comunidade depois continua viagem por terra rumo a Jerusalém. Tolemaida – Passa e descansa por um dia na comunidade.  Palestina  Cesaréia – Visita os irmãos. Todos recomendam que não vá a Jerusalém. Decide ir porque está pronto a morrer por Jesus Cristo.  Fim da terceira viagem – chegada a Jerusalém Permanência em Jerusalém e na prisão de Cesaréia (cap.21-26) Jerusalém – Ao chegar, procura os apóstolos. Entra no templo, é perseguido e preso. Fala ao povo e conta sua conversão. Os judeus começam a linchá-lo. É recolhido pelos soldados e levado para a fortaleza. Os romanos o apresentam ao Sinédrio para ser julgado. Mas nada se conclui. É enviado a Cesaréia, com escolta, por ser cidadão romano. É julgado pelo procurador Félix. Permanece na fortaleza com permissão para receber os amigos. É novamente julgado pelo procurador Festo, diante do rei Agripa. Para livrar-se das acusações dos judeus, apela a César.

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Quarta Viagem de São Paulo (Anos 52-62; At 15-28,23) Característica: o testemunho de Paulo chega até os confins do mundo.

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! ! É preso sob a guarda do centurião Júlio. Embarca por mar e o navio costeia a Palestina. Ao aportar no porto de Sidom, tem permissão de visitar a comunidade. Volta ao navio e a viagem segue rumo a Chipre. Lá, embarca no navio alexandrino que vai para a Itália. Passa pela ilha de Creta. Segue para a Itália e o navio naufraga na tempestade, perto da ilha de Malta. Passa o inverno em Malta. Na primavera, embarca no navio Dióscoro. Chega ao porto de Pusuoli, na cidade de Óstia, na Itália. Vai a pé para Roma. Aluga uma casa, onde habita e recebe judeus e gentios até ser julgado e condenado e receber o martírio entre os anos de 64 e 68.


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O acontecimento de Fátima

Fátima Fonte: santuario-fatima.pt

«Graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente» / Lc 1,78 ! ! Fátima acontece como uma irrupção da luz de Deus nas sombras da história humana. Na alvorada do século XX, ecoou, na aridez da Cova da Iria, a promessa da misericórdia, recordando a um mundo entrincheirado em conflitos e sôfrego de uma palavra de esperança a boa nova do evangelho, a boa notícia de um encontro prometido na esperança, como graça e misericórdia. «Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.» 19


! ! É com um convite à confiança que se inaugura o acontecimento de Fátima. Percursor da presença da luz de Deus que dissipa o medo, o Anjo anuncia-se por três vezes aos videntes, em 1916, com uma convocação à adoração, atitude fundamental que os há de predispor para acolher os desígnios da misericórdia do Altíssimo. É esta convocação ao silêncio habitado pela presença transbordante do Deus Vivo que se vê espelhada na oração que o Anjo ensina às três crianças: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. ! ! Prostrados por terra, em adoração, os pequenos pastores compreendem que ali se inaugura uma vida renovada. Da humildade da prostração de toda a sua existência em adoração há de brotar o dom confiante da fé de quem se faz discípulo, a esperança de quem se sabe acompanhado na intimidade da amizade com Deus, e o amor como resposta ao amor inaugural de Deus, que frutifica no cuidado pelos outros, particularmente pelos que se colocam à margem do amor, pelos que «não creem, não adoram, não esperam e não amam». ! ! Ao receberem do Anjo a Eucaristia, os pastorinhos veem confirmada a sua vocação a uma vida eucarística, a uma vida feita dom a Deus pelos demais. Acolhendo, pela adoração, a graça da amizade com 20

Deus, são comprometidos, pelo sacrifício eucarístico, com a oferta total das suas vidas.

«Quereis oferecer-vos a Deus?» ! ! Em maio de 1917, a Senhora cheia de graça anuncia-se transbordando a luz de Deus, na qual os videntes se reveem «mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos». Na experiência mistagógica da luz que emana das mãos da Senhora, os pequenos pastores são preenchidos por uma presença que se grava indelevelmente no seu íntimo e os sagra testemunhas proféticas da misericórdia de Deus que, desde o fim da história, ilumina o enredo do drama humano. ! ! O segredo que em Fátima se dá é precisamente revelação do mistério humano à luz de Deus. Nas imagens que se sucedem no olhar de Jacinta, Francisco e Lúcia, oferece-se a síntese do drama difícil da liberdade humana. A visão do inferno é memorial de que a história se abre sobre outros horizontes, mais definitivos do que o imediato, e que Deus anseia tanto por esse encontro escatológico em que a pessoa é recuperada para o amor quanto


preza a sua liberdade. Assim também, a visão da Igreja mártir – que, encabeçada pelo bispo vestido de branco, atravessa as ruínas da grande cidade, carregando o seu sofrimento e a sua oração, para se prostrar, por fim, diante da Cruz – evoca uma história humana sufocada nas ruínas dos seus confrontos e dos seus egoísmos, e uma Igreja que carrega essas ruínas, qual via crucis, para se entregar finalmente a Deus em dom total, diante da Cruz – símbolo do dom total do próprio Deus. Essa Igreja é semente de um outro jeito de vida cheio de graça, à imagem do Coração Imaculado de Maria. O coração daquele que se consagra a Deus é imaculado pela sua misericórdia e, por ela, ungido em missão. O segredo que em Fátima se dá é revelação da confiança de que, por fim, este Coração Imaculado cheio de graça triunfará. ! ! O jeito crente do Coração Imaculado oferece-se como oração e como sacrifício. ! ! A Senhora do Rosário convoca insistentemente os videntes à oração, esse lugar de encontro em que se enraizará a sua intimidade com Deus. Os traços concretos da oração pedida em Fátima são os do rosário, recordado pela Senhora em cada uma das seis aparições, sob o signo da urgência. Nesta pedagogia humilde da fé orante, o crente é convocado a acolher os 21

mistérios do dom maior do Cristo no seu coração e a deixar-se interpelar pelo seu amor que redime as feridas da liberdade humana. Que o rosário seja apontado como caminho para a paz é sinal de que o acolhimento do Verbo enche de graça o coração humano, cativo do egoísmo e da violência, e pacifica a história com a coragem dos humildes. ! ! A intimidade com Deus transforma a vida em sacrifício pelos irmãos, particularmente aqueles sobre quem recai o olhar compassivo de Deus. O dom de si, eis o que significa o sacrifício. Amado como filho, o coração humano renova-se à imagem do Pai e assume toda a sua paixão pela humanidade. Face aos dramas do mundo, a liberdade centrada em Deus implica-se nos seus desígnios de misericórdia que abarcam cada mulher, cada homem, na missão reconciliadora do Filho de reunir a todos num só redil (Jo 10,16). Na gramática difícil do sacrifício, a vida é corajosamente assumida na sua verdade e a liberdade é polida para o dom de si. ! ! Como que na transparência deste dom de si pelos outros, brota o convite à consolação do Deus de toda a consolação (2Cor 1,3). No desconcerto deste convite se manifesta a verdadeira amizade com Deus. O olhar do íntimo de Deus encontra a sua


tristeza face aos vazios de amor dos dramas da história e das liberdades humanas, e deixa-se comover, para logo desejar consolar o próprio Deus. ! ! No último encontro com a Senhora do Rosário, em outubro, a esperança na promessa do triunfo do Coração cheio de graça é selada com a bênção do Cristo.

horizonte aponta também o âmago do pedido da comunhão reparadora nos primeiros sábados. Esses sabath, dias consagrados ao encontro com Deus, são imagem de uma vida toda a ele consagrada.


 «Graça e Misericórdia.» ! ! O acontecimento de Fátima transborda as fronteiras da Cova da Iria. A palavra conclusiva deste acontecimento é oferecida em Pontevedra e Tuy à vidente Lúcia, entre 1925 e 1929. O Coração Imaculado de Maria, que se oferecera já como «refúgio e caminho que conduz até Deus», dá-se, ainda uma vez, como regaço materno disposto a acolher os dramas da história dos homens e dos homens da história que a ele se consagrem e para os confiar ao Coração misericordioso de Deus. O Coração da Imaculada figura a vocação de cada mulher, de cada homem, desde sempre sonhados para a graça. A consagração a este Coração cheio de graça afirma a certeza de que a vocação do homem é a vida plena em Deus. Para esse 22

! ! No final, tudo é «Graça e Misericórdia». O mistério da comunhão trinitária, luz que perpassa todo o acontecimento de Fátima, revela-se, ainda uma vez, para recordar que o Coração compassivo de Deus se faz dom. Que o testemunho frágil de três crianças de uma aldeia remota da Serra d’Aire promova, até aos confins da terra, o encontro com essa luz do coração misericordioso de Deus é apenas sinal, confirmado também na Cova da Iria, de que a história definitiva se constrói com a força de Deus operando na disponibilidade dos humildes.

Lugares das aparições


 Capelinha das Aparições ! ! A Capelinha das Aparições é o "coração" do Santuário de Fátima. ! ! Foi no local onde se encontra a Capelinha que Nossa Senhora falou aos pastorinhos. Das seis aparições da Virgem


Maria, cinco aconteceram neste local – maio, junho, julho, setembro e outubro – onde, por indicação da Senhora, haveria de ser construída uma capela em sua honra. Erigida entre 28 de abril e 15 de junho de 1919, foi posteriormente benzida, tendo-se aí celebrado missa pela primeira vez em 13 de outubro de 1921. Dinamitada na madrugada de 6 de março de 1922, foi restaurada e reinaugurada em 13 de janeiro de 1923. ! ! Embora sujeita a ligeiras alterações, a Capelinha das Aparições mantém os traços originais e característicos de uma ermida popular. O alpendre atual foi inaugurado aquando da primeira vinda de João Paulo II ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de maio de 1982. Em 1988, Ano Mariano, o teto foi forrado com madeira de pinho, proveniente do norte da Sibéria, madeira que foi escolhida pelas suas características de leveza e durabilidade. ! ! A peanha onde se encontra a Imagem de Nossa Senhora marca o sítio onde estava a pequena azinheira sobre a qual a Senhora do Rosário apareceu. ! ! O órgão da Capelinha foi construído pelo organeiro Gerhard Grenzing. Conta com doze registos e dispõe de dois manuais e pedaleira. Dedicado quase exclusivamente ao acompanhamento das celebrações, permite, graças aos seus 23

timbres particularmente cuidados, a interpretação de peças do repertório sacro num enquadramento litúrgico. A imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima ! ! A escultura de Nossa Senhora do Rosário de Fátima venerada na Capelinha das Aparições foi oferecida em 1920 por Gilberto Fernandes dos Santos, de Torres Novas, sendo benzida no dia 13 de maio desse mesmo ano, na Igreja Paroquial de Fátima, e trazida para a Capelinha um mês depois. Foi solenemente coroada em 13 de maio de 1946 pelo cardeal Aloisi Masella, legado pontifício. ! ! A coroa preciosa, que a imagem ostenta apenas nos dias das grandes peregrinações, foi oferecida pelas mulheres de Portugal, em 13 de outubro de 1942. É de ouro, pesa 1,2 quilogramas e tem 313 pérolas e 2679 pedras preciosas. É exemplar único e de alto valor artístico e estimativo. Em 1989, foi nela encastoada a bala extraída do corpo de João Paulo II após o atentado em Roma, no dia 13 de maio de 1981, e por ele oferecida ao Santuário, em 26 de março de 1984. ! ! Obra de José Ferreira Thedim, a escultura é de madeira (cedro do Brasil) e mede 1,04 metros. Foi restaurada pelo


autor em 1951 e, posteriormente, várias vezes retocada.

! ! As imagens aí existentes, do Anjo e dos pastorinhos, são obra da escultora Maria Irene Vilar.

Loca do Cabeço ! ! A Loca do Cabeço é o lugar onde, segundo as fontes fatimitas, se deram a primeira e a terceira aparições do Anjo aos videntes. ! ! As imagens que aí figuram o Anjo e as três crianças são da autoria de Maria Amélia Carvalheira da Silva. A grade, em ferro forjado, é obra de Domingos Soares Branco.

Valinhos ! ! Entre a 8.ª e a 9.ª estações da Via-sacra no Caminho dos Pastorinhos fica o local onde ocorreu a quarta aparição de Nossa Senhora, em 19 de agosto de 1917. ! ! O monumento que assinala o evento foi construído com ofertas dos católicos húngaros. A imagem foi esculpida por Maria Amélia Carvalheira da Silva e o nicho em que se encontra foi arquitetado por António Lino.

Poço do Arneiro ! ! Ao fundo do quintal da casa da Lúcia encontra-se o poço que se notabilizou pela segunda aparição angélica, no verão de 1916. Foi também aí que a Jacinta teve uma visão do santo padre a chorar e a rezar de joelhos numa grande casa.

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Orações de Fátima ! ! As diferentes orações aprendidas do Anjo e da Senhora do Rosário por Lúcia, Francisco e Jacinta fazem já parte de uma tradição orante que salienta a adoração a Deus, particularmente na sua presença eucarística, e a disponibilidade do crente


para o compromisso com a missão redentora de Cristo.

Orações ensinadas por Nossa Senhora do Rosário aos três videntes

Orações ensinadas pelo Anjo aos três videntes

! ! Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria!

! ! Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. ! ! Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

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! Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem. Oração comunicada aos videntes num impulso íntimo ! ! Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.


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Roma

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1. Um Passeio pelas vias e praças da Cidade Eterna! Uma noite caminhando pelas praças de Roma ! ! Passear pelas vias de Roma e por sua praças é uma das experiências mais agradáveis que alguém pode fazer ao visitar a cidade eterna. Tudo é convidativo! A Arquitetura que varia e se funde transpirando história; o movimento que mistura as avenidas congestionadas de uma grande metrópole moderna e a vielas que recordam cidades interioranas; grande massa de pessoas circulando com seus guias turísticos, ora olhando para eles ora olhando para a grandeza e nobreza da cidade monumental que os circunda. O vai-e-vêm de tantas culturas, de tantas histórias, de tanta gente diferente te faz sentir um cidadão do mundo e ao mesmo tempo em casa, pois Roma se revela casa de todos. História, Religião, Cultura, Gastronomia, a cada curva e cada quarteirão um universo de referências se mostra como possibilidade para quem se aventura em caminhas pelas praças romanas. E, então, vamos?


1. Nosso Itinerário 1.1. A Piazza del Popolo ! ! A Piazza del Popolo (em português: Praça do Povo) é uma das célebres praças de Roma. ! ! A igreja de Santa Maria del Popolo, ao lado da porta, foi erigida no século XI. Ela foi construída sobre o túmulo do imperador Nero, o sepulcro da família Domizi. A lembrança daquele que foi considerado o AntiCristo deveria ser apagada da história no modo de ver do Papa, que após a destruição do sepulcro mandou jogar as cinzas de Nero no Tibre.

Entre 1655 e 1660, o papa Alexandre VII decidiu restaurar a igreja, dando-lhe um aspecto brioso; para isso encarregou Gian Lorenzo Bernini, que restauraria a igreja, desta vez imprimindo-lhe uma expressão barroca que permaneceu até hoje. A igreja acolhe obras artísticas de grande relevo: de Caravaggio, a "Conversão de São Paulo" e a "Crucificação de São Pedro" (1601-1602), bem como vários afrescos de Pinturicchio, "Assunção da Virgem" de Annibale Carracci. No campo da arquitectura, está patente a marca de Rafael Sanzio e de Bramante, e algumas esculturas de Andrea Bregno e de Gian Lorenzo Bernini, como o magnífico órgão sobre dois anjos em bronze. ! ! Em 1572,o papa Gregório XIII mandou colocar no centro da praça uma fonte de Giacomo della Porta, uma das dezoito novas fontes projectadas após o restauro do aqueduto de Acqua Vergine. ! ! Em 1589, o papa Sixto V adornou a praça com um grande obelisco colocado no seu centro, o obelisco Flaminio de 24 metros de altura, construído no tempo dos faraós Ramsés II e Merneptá (1232-1220 a.C.), levado para Roma por Augusto e anteriormente colocado no Circo Máximo. Domenico Fontana encarregado da mudança de posição do obelisco, deslocou a fonte de Giacomo della Porta

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ligeiramente para sul, em direção à Via del Corso, para permitir a colocação central do mesmo.

! ! As duas igrejas gêmeas, como são chamadas Santa Maria in Montesanto (1675) e Santa Maria dei Miracoli (1678) por serem simétricas, foram construídas segundo o desejo de Alexandre VII, embora os trabalhos terminassem após o seu papado (1667), renovando profundamente o aspecto da praça e constituindo os dois pólos do "Tridente", formado pela Via del Corso, Via del Babuino e Via Ripetta. Os dois edifícios foram completados por Bernini, com a colaboração de Carlo Fontana.

A forma da praça assumiria a configuração atual apenas nos finais do século XVIII. Anteriormente era uma modesta praça de forma trapezoidal, alargando-se em direção ao Tridente. Com efeito, à época das ocupação napoleônica o aspecto arquitetônico e urbanístico da praça seria revisto por Giuseppe Valadier, autor da última transformação da praça. Graças à sua intervenção, a praça assumiu uma forma elíptica, na parte central, conjugada com uma dupla êxedra, e decorada com numerosas fontes e estátuas, que se estendem em direção ao rio Tibre. ! ! Em 1818, Valadier removeu a velha fonte de Giacomo della Porta que, em 1823, sob o pontificado de Leão XII (1822-1829) seria substituída por uma nova expressão arquitectónica com quatro leões em mármore que deitavam água em quatro vasos. ! ! Entre 1878 e 1879 foram demolidas as duas torres laterais que serviam para fortificar a porta. ! ! Depois da brecha na Porta Pia, foi construída uma nova estrada de acesso à praça. A última intervenção estrutural relevante ocorreu na época fascista, em 1936, com a inauguração do novo aqueduto Acqua Vergine.

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Atualmente, a Piazza del Popolo é uma ampla "zona pedonal" (área para pedestres, sem acesso de veículos) e local de eventos públicos, grandes manifestações importantes para a cidade. 1.2. Via del Corso ! ! A Via del Corso, antiga Via Lata, é o trecho urbano em Roma da Via Flamínia e uma das principais ruas no centro da cidade. É notável por ser absolutamente reta numa área caracterizada pelas sinuosas vielas e pequenas praças. O antigo nome de Via Lata (que significa "Caminho Largo") denota que a estrada era considerada larga. Mas, com seus aproximadamente 10 metros de largura, atualmente comporta apenas duas faixas de rolagem para automóveis e duas estreitas calçadas. Com um comprimento de aproximadamente 1,5 quilômetros, sua porção norte da via é restrita aos pedestres.

Ela corre na direção norte-sul. Ao norte, conecta-se com a Porta del Popolo, um dos antigos portões da cidade, e sua praça, a Piazza del Popolo, e corre para o sul até chegar ao coração da cidade, na Piazza Venezia, na base do Monte Capitolino. Na Piazza del Popolo, a Via del Corso é ladeada por duas igrejas barrocas, Santa Maria dei Miracoli e Santa Maria in Montesanto, e, ao longo de seu percurso estão San Carlo al Corso, San Giacomo in Augusta, Gesù e Maria, a Piazza Colonna com a antiga Coluna de Marco Aurélio, a Galleria Alberto Sordi, Santa Maria in Via Lata, o Oratório do Santissimo Crocifisso, San Marcello al Corso e o Palazzo Doria Pamphili. ! ! A partir do século XV, a rua passou a servir como pista de corridas durante o carnaval romano para um evento anual de cavalos sem cavaleiros chamado "corsa dei barberi", o que deu origem ao nome "Via del Corso". Atualmente, a via é bastante popular para a típica "passeggiata", o passeio noturno à pé da população. É também um importante centro de compras para romanos e turistas. 1.3. Piazza di Spagna ! ! Piazza di Spagna, conhecida até o século XVII como Piazza di Francia, com sua famosa escadaria até a igreja Trinità dei Monti, é uma das praças mais famosas de

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Roma, Itália, localizada no rione Campo Marzio. Seu nome é uma referência ao Palazzo di Spagna, sede da embaixada do Reino da Espanha à Santa Sé. ! ! No centro da praça está a famosa Fontana della Barcaccia, dos primeiros anos do barroco, esculpida por Pedro Bernini e seu filho, o célebre Gian Lorenzo Bernini. ! ! Do lado direito da escadaria está a antiga casa do poeta inglês John Keats, que viveu e morreu no local em 1821, hoje um museu dedicado à sua memória e à de seu amigo Percy Bysshe Shelley, repleta de livros e lembranças do romantismo inglês. Do lado esquerdo, está o famoso Salão de Chá Babington's, fundado em 1893. ! ! Ao lado da via Frattina está o Palazzo di Propaganda Fide, uma das propriedades da Santa Sé em Roma. Em frente à sua fachada, projetada por Bernini (mas realizada por Borromini), está a coluna mariana da Imaculada Conceição, inaugurada dois anos depois da proclamação do dogma (1856). ! ! A monumental escadaria, com 135 degraus, foi inaugurada pelo papa Bento XIII por ocasião do Jubileu de 1725. A obra foi realizada graças ao financiamento dos franceses (1721-1725) para interligar a embaixada da Espanha Bourbon à igreja no 30

alto do morro (Trinità dei Monti). Foi projetada por Alessandro Specchi e Francesco De Sanctis depois de gerações de acaloradas discussões sobre como a inclinação íngreme da encosta do Píncio devia ser urbanizada para ligar a praça à igreja. A solução final foi a de Sanctis: uma grandiosa escadaria decorada por diversos terraços-jardins que, na primavera, estariam decoradas por flores. A suntuosa escadaria aristocrática, na extremidade de uma via que levava até o Tibre, foi desenhada de forma a aumentar seu efeito dramático com a proximidade. Típico da grande arquitetura barroca foi, na realidade, a criação de longas e profundas perspectivas que culminavam em cenas ou fundos de caráter monumental.


1.4. A Coluna da Imaculada ! ! A Coluna Imaculada é um monumento em Roma, localizada na Piazza Mignanelli, junto à Praça de Espanha e do edifício Propaganda Fide, projetado pelo arquiteto Luigi Poletti. A coluna foi financiada por Fernando II das Duas Sicílias, como um ato simbólico que fechou a longa crise da "guerra" de Chinea. ! ! A coluna é dedicada à Imaculada Conceição, estabelecida pela Igreja Católica em 1854 sob o pontificado do Papa Pio IX e foi erguida na área em frente ao prédio da Embaixada da Espanha junto à Santa Sé, porque a Espanha foi o país que mais tinha trabalhado para a definição do dogma. A estrutura consiste em uma base de mármore, sobre a qual repousa uma coluna de mármore cipollino 11,81 metros de altura, que por sua vez suporta uma estátua de bronze representando a Madonna. ! ! A estátua é obra de Giuseppe Obici, enquanto a coluna vem das ruínas romanas: foi recuperada das escavações no mosteiro de Santa Maria da Imaculada Conceição, no Campo de Marte em 1777. Na base são colocados quatro outras estátuas de mármore, representando David (por Adamo Tadolini), Isaías (Salvatore Revelli), Ezequiel (Carlo Chelli) e Moisés (Ignazio Jacometti). 31

O monumento foi inaugurado no dia 8 de dezembro de 1857, graças aos esforços de 220 bombeiros vindos de Poletti. Diz a lenda que o povo considerava o Papa Pio IX um azarado e, portanto, foi considerado auspiciosa sua ausência neste dia. Desde 1923 a cada ano os bombeiros de Roma oferecem a ocasião da festa, uma coroa de flores a Nossa Senhora da coluna e desde 1953, os Papas freqüentam regularmente a esta cerimônia.


1.5. Fontana di Trevi !! A Fontana di Trevi (em português Fonte de Trevi) é a maior (cerca de 26 metros de altura e 20 metros de largura) e mais ambiciosa construção de fontes barrocas da Itália e está localizada no rione Trevi, em Roma. ! ! A origem da fonte remonta ao ano 19 a.C., época em que a Fontana constituía o final do aqueduto Acqua Vergine. A fonte, localizada a 22 Km de Roma, teria sido apontada por uma virgem aos sedentos soldados de Agripa que a chamaram de Acqua Vergine. A primeira fonte foi construída durante o Renascimento, sob as ordens do Papa Nicolau V. ! ! O aspecto final da Fontana di Trevi data de 1762 quando, depois de vários anos de obras promovidas por Nicola Salvi, foi finalizada por Giuseppe Pannini. O mito da Fontana di Trevi

! ! Por que sempre tem gente na Fontana jogando moedas na água e fazendo fotos? ! ! O mito nasceu com o filme “A Fonte dos Desejos” em 1954, que diz o seguinte: ! ! 1. Se você jogar uma moeda: voltará a Roma.  ! ! 2. Se jogar duas moedas: encontrarás o amor com uma bela italiana (ou italiano).  ! ! 3. Se jogar três moedas: irá se casar com a pessoa que conheceu.  ! ! Para que isso funcione é recomendável jogar a moeda com a mão direita sobre o ombro esquerdo.  ! ! Como dado curioso, a cada ano é retirado aproximadamente um milhão de euros da fonte. Desde 2007, esse dinheiro é usado com fins filantrópicos. 1.6. Pantheon ou Igreja de Santa Maria dos Mártires ! ! Encomendado por Marco Vespasiano Agripa durante o reinado do imperador

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Augusto (27 a.C.–14 d.C.) e reconstruído por Adriano (117–138) por volta de 126. ! ! Sua planta é circular com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito (oito na primeira fila e dois grupos de quatro na segunda) suportando um frontão. Um vestíbulo retangular liga o pórtico à rotunda, que está coberta por uma enorme cúpula de caixotões de concreto encimada por uma abertura central (óculo) descoberta. Quase dois mil anos depois de ter sido construído, esta cúpula é ainda hoje a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo. A altura até o óculo e o diâmetro da circunferência interior são idênticos, 43.3 metros. ! ! É uma das mais bem preservadas estruturas romanas antigas e permaneceu em uso por toda a sua história. Localizado na Piazza della Rotonda, o Panteão tem sido utilizado como uma igreja, dedicada à "Santa Maria e os Mártires" chamada oficialmente de Santa Maria dei Martiri (em latim: Sancta Maria ad Martyres) e informalmente de Santa Maria Rotonda desde o século VII. É uma basílica menor da Igreja Católica e foi uma diaconia até 1929. ! ! Desde o Renascimento, o Panteão tem sido utilizado como túmulo e entre os sepultados ali estão os pintores Rafael e 33

Annibale Carracci, o compositor Arcangelo Corelli e o arquiteto Baldassare Peruzzi. No século XV, muitas pinturas foram levadas para lá e a mais conhecida é uma "Anunciação" de Melozzo da Forlì. ! ! No início do século XVII, Urbano VIII Barberini (1623–1644) ordenou que o teto de bronze do pórtico do Panteão fosse derretido. A maior parte do bronze foi utilizado para fazer bombardas para defender o Castelo de Santo Ângelo e o resto, utilizado pela Câmara Apostólica para diversos fins. Diz-se também que o bronze foi utilizado por Bernini para criar seu famoso baldaquino sobre o altar-mor da Basílica de São Pedro, mas, de acordo com pelo menos um perito, o relato papal afirma que cerca de 90% do bronze foi de fato utilizado para fazer canhões e que o bronze para o baldaquino veio de Veneza. Esta espoliação resultou na famosa frase do satírico Pasquino: "Quod non fecerunt barbari fecerunt Barberini" ("O que os bárbaros não fizeram fez o Barberini"). ! ! Além disso, Urbano VIII substituiu o campanário medieval pelas famosas torres gêmeas (frequentemente atribuídas erroneamente a Bernini), chamadas de "as orelhas do jumento" e que só seriam removidas no final do século XIX. Além destas, a única outra perda foram as esculturas exteriores que adornavam o


frontão sobre a inscrição de Agripa. O interior em mármore sobreviveu em grande parte, mas somente através de sucessivas restaurações. ! ! Em 1747, o largo friso abaixo da cúpula, com suas janelas falsas, foi "restaurado", mas o resultado ficou muito diferente do original. Nas primeiras décadas do século XX, um pedaço do original, o melhor que se pôde reconstruir a partir de desenhos e pinturas medievais, foi recriado em um dos painéis. ! ! Dois reis da Itália estão enterrados no Panteão: Vitório Emanuelle II e Humberto I (e sua esposa, Margarida de Saboia). Embora a Itália seja uma república desde 1946, membros voluntários de organizações monarquistas mantém uma vigília permanente sobre os túmulos reais no Panteão, o que provoca protestos de republicanos de tempos em tempos. ! ! O Panteão continua sendo utilizado como igreja católica e missas são celebradas no local aos domingos e dias santos, assim como casamentos. 1.7. A Igreja de Santa Maria sopra Minerva ! ! Santa Maria sopra Minerva ou Basílica de Santa Maria sobre Minerva é uma igreja titular, basílica menor e uma das 34


principais igrejas dominicanas em Roma, Itália. Seu nome é uma referência à primeira igreja construída no local, diretamente sobre (em latim: supra) as ruínas ou fundações de um templo dedicado à deusa egípcia Ísis, incorretamente identificada com a deusa greco-romana Minerva. ! ! A basílica está localizada na Piazza della Minerva, um quarteirão atrás do Panteão, no rione Pigna dentro do antigo distrito conhecido como Campus Martius. O edifício atual e a disposição das estruturas vizinhas já é visível em detalhes no Mapa de Nolli de 1748. ! ! Enquanto quase todas as outras igrejas medievais de Roma foram reformadas na época do barroco e tiveram suas estruturas góticas recobertas, Santa Maria escapou e é atualmente a única igreja gótica original da cidade. Escondido pela contida fachada renascentista, o interior gótico conta com uma abóbada arcada que foi pintada de azul, decorada com estrelas douradas e riscada por nervuras em vermelho brilhante numa restauração neogótica do século XIX. ! ! Entre as mais importantes obras de arte da basílica estão a estátua "Cristo della Minerva" (1521), de Michelângelo, e o ciclo de afrescos do final do século XV (1488-93) na Capela Carafa, de Filippino 35

Lippi. Estão ali também muitos monumentos funerários, incluindo os túmulos da doutora da Igreja Santa Catarina de Siena (1347–1380), que era da Ordem Terceira de São Domingos, e do frade dominicano João da Fiesole (Fra Giovanni da Fiesole, nascido Guido di Piero), melhor conhecido como beato Fra Angelico (ca. 1395–1455).


1.8. Igreja de São Luís dos Franceses

1.9. Piazza Navona

! ! San Luigi dei Francesi ou Igreja de São Luís dos Franceses (em francês: Saint Louis des Français) é uma igreja titular de Roma, Itália, localizada perto da Piazza Navona, no rione Sant'Eustachio, e dedicada à Virgem Maria, a São Dênis, o Areopagita e a São Luís, rei da França. Foi projetada por Giacomo della Porta, construída por Domenico Fontana entre 1518 e 1589 e completada somente depois de uma intervenção pessoal de Catarina de Médici, que doou para a igreja algumas propriedades suas na região. É uma das igrejas nacionais da França em Roma.

! ! Dotada de um estilo barroco muito elegante, a Praça Navona é uma das praças mais bonitas e populares de Roma.

! ! A obra de arte mais famosa da igreja é o ciclo de pinturas da Capela Contarelli, pintado pelo mestre barroco Caravaggio entre 1599 e 1600 sobre a vida de São Mateus. Entre as telas, de renome mundial, estão "O Chamado de Mateus", "A Inspiração de São Mateus" e "O Martírio de São Mateus".

! ! No centro da Praça Navona está a “Fonte dos Quatros Rios”, construída por Bernini em 1651. As quatro estátuas da fonte representam os quatro rios mais importantes da época: o Nilo, o Danúbio, o Ganges e o Rio da Prata. No centro está instalado o obelisco de 16 metros de altura que pertenceu ao Circo de Maxêncio, que foi encontrado na Via Apia.

! ! A Praça Navona ocupa o lugar onde se situava o estádio de Domiciano (Circo Agonal) no ano 86, com espaço para mais de 30.000 espectadores, onde os cidadãos romanos assistiam aos jogos atléticos gregos. ! ! Sem dúvida, a maior atração da Piazza Navona são as três fontes construídas sob o mandato de Gregorio XIII Boncompagni:

! ! Criada por Giacomo della Porta e aperfeiçoada por Bernini, que posteriormente incluiu os golfinhos, a Fonte do Mouro foi conhecida no início como “Fonte do Caracol”. Esta fonte está localizada na área sul da praça. ! ! Assim como a Fonte do Mouro, a Fonte de Netuno foi criada por Giacomo 36


della Porta, mas permaneceu no abandono da sua criação até 1873, quando a obra foi finalizada por Zappalà e Della Bitta. ! ! Depois da guerra, muitos pintores e designers começaram a ir para a praça, armando cavaletes improvisados para pintar, expor e vender seus trabalhos. Nos últimos tempos a praça tornou-se um ponto de encontro e de performances de artistas de rua.

! ! Seguindo no sentido da Fonte dos mouros é possível encontrar o ponto de taxi, pois terminamos por aqui nossa caminhada pelas praças de Roma.

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Ponto de Taxi

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2. Uma quarta-feira em Roma Audiência com o Papa Francisco ! ! Não se pode ir a Roma e não ver o Papa. Ainda mais o Papa Francisco. Os Romanos costumam dizer que o povo ia à praça de São Pedro para ver o Papa João Paulo II, depois, para ouvir o Papa Bento XVI e agora vão para abraçar o Papa Francisco!

! ! O Papa gira toda a praça de São Pedro no Papamóvel saudando as pessoas que vieram para a audiência. Se lê um trecho da sagrada escritura nas diversas línguas e o Papa profere uma catequese sobre tema por ele definido. Depois disso, o Papa saúda em várias línguas os peregrinos presentes na praça. Este é um ponto alto da nossa peregrinação.

! ! A audiência com o Sumo Pontífice acontece sempre nas quartas-feiras quando o Papa está em Roma. É um evento que toma toda uma manhã. Chegar cedo é importante para alcançar uma boa posição na praça, sobre tudo em tempos de Papa Francisco, pois a praça lota a cada quarta-feira. ! ! É preciso ter o convite em mãos para ter acesso à praça. O convite é distribuído gratuitamente e previamente pela prefeitura da casa pontifícia. Na porta de São Pedro sob a Colunata de Bernini você pode solicitar o seu nos dias que antecedem a audiência. É possivel inclusive solicitá-los via internet para retirá-los lá no vaticano nos dias anteriores a audiência. Nosso grupo já tem os bilhetes providenciados pela agência de turismo. Portanto, fique tranquilo.

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Dica: Para fazer sua foto pertinho do Papa, fique próximo dos cavaletes que delimitam as vias por onde o Papamóvel costuma passar.


! ! Em seguida a audiência seguiremos para almoço nas proximidades de São Pedro.

3. Museus Vaticanos ! ! O correto é no plural mesmo? Sim! Isso porque o Vaticano possui vários museus organizados por acervos diversos. Nossa visita será reduzida em função do tempo que temos, pois nosso objetivo maior é ver o essencial e depois visitar a capela sistina, já saindo para a Basílica de São Pedro. !!

Vamos lá?

(Esta é a rota que eu faria, não necessariamente o guia fará o mesmo percurso) ! ! Tudo depende do tempo que você tem neste dia de visita ao museu e se esta visita está condicionada a visita da Basílica de São Pedro ou não e dos seu gostos em relação a arte e a história. ! ! Ao subir as escada rolantes após a entrada no Museu seguiria de imediato ao Padiglione delle Carrozze, que se pode acessa logo a direita da saída da escada rolante seguindo para o acesso à direita do acesso a Pinacoteca Vaticana, no andar inferior, no Jardim se encotrará uma acesso ao subsolo onde está o Pavilhão. 3.1. Padiglione delle Carrozze 40

! ! Inaugurado em 19 abril de 1973 por Paulo VI, o núcleo central da coleção é constituído pela magnífica Berlinda de Gala, construída em Roma em 1826 para Leão XII. Notáveis também são as nove berlindas cerimoniais pertencentes ao Pontífice ou Príncipes da Santa Romana Igreja, como aquela do Card. Luciano Luigi Bonaparte, que a recebeu de presente do primo Napoleão III, imperador da França. ! ! Além das Carroças "Protocolares", estão expostas também duas históricas berlindas de viagem, uma usada por Pio IX em seu retorno do exílio após os levantes revolucionários da República Romana, a outra para a última viagem do "Papa Rei". Todos estas carruagens, incluindo as mais portentosas, as vestes da coorte e os arreios para cavalos, são um testemunho da mobilidade papal. A coleção possui também alguns carros, que marcam o progresso. ! ! Se a entrada do Vaticano do primeiro carro, placa 404 Corpo Diplomático, veio logo após o início do pontificado de Pio XI, quando a Associação de Mulheres Católicas de Milão deu ao Papa um tipo Bianchi 15, é somente com a assinatura de Tratado de Latrão (1929) que os grandes fabricantes de automóveis internacionais vão competir para dar seus melhores


carros. É assim que veio o Graham Paige 837 e Citroën C6 Lictoria, especialmente projetado, além de o primeiro Mercedes, a limusine 460 Nurburg desenhada por Ferdinand Porsche. À "frota automobilística" dos Museus do Vaticano também pertencem a Mercedes 300 Sel, Fiat Campagnola ligada ao atentado sofrido em 1981 por João Paulo II na Praça de São Pedro, três Papamóveis (Land Rover, Toyota e Mercedes 230 GE), o último fusca produzido pela Volkswagen no México em 2003 e o Renault 4 presenteada em 2013 ao Papa Francisco. ! ! Os bustos dos Papas nos permitem também nos projetar nesse universo de histórias passadas e recentes vinculadas aos percursos realizados pelos Papas da Renascença até os dias presentes.

Dica: É uma boa hora para ir ao banheiro, pois depois de iniciado o percurso para a Capela Sistina será muito difícil fazê-lo. Os Banheiros se encontram próximos às 41

lanchonetes dos museus no piso térreo mesmo. 3.2. Pinacoteca Vaticana

! ! Em 27 de outubro de 1932 foi inaugurado o nova Pinacoteca Vaticana no edifício construído pelo arquiteto Luca Beltrami a mando e sob as orientações de Pio XI. Este surgiu em uma parte do jardim quadrado do século XVIII, isolado e completamente rodeado por vias, em um lugar considerado adequado para garantir as melhores condições de iluminação em relação seja para preservação correta das obras, seja em sua valorização estética ideal. Foi assim resolvido o problema de longa data da exposição das pinturas, movidas continuamente pelo Palácio Apostólico na ausência de lugar apropriado para a sua importância. A primeira coleção de apenas 118 pinturas preciosas foi criada pelo Papa Pio VI por volta de 1790: foi de curta duração, uma vez que, na sequência do Tratado de Tolentino (1797), algumas


das maiores obras-primas foram transferidos para Paris. A ideia de uma galeria de arte, no sentido moderno como uma exposição aberta ao público, nasceu apenas em 1817, após a queda de Napoleão e o retorno posterior à Igreja da maioria das obras que lhe pertencem, de acordo com as diretrizes do Congresso de Viena. A coleção tem continuado a aumentar ao longo dos anos através de doações e aquisições até alcançar o núcleo atual de

cerca de 460 pinturas, dispostas em dezoito salas, com base em critérios cronológicos e de escolas, dos chamados Primitivos (XII-XIII séculos) até o século XIX. A coleção inclui algumas 42

obras-primas dos maiores artistas da história da pintura italiana, de Giotto a Beato Angelico, de Melozzo da Forlì a Perugino e Rafael, de Leonardo a Tiziano, a Veronese, Caravaggio e Crespi. ! ! Sugiro uma olhadela em todas as salas, estando atento às obras de Rafael, Da Vinci e Caravaggio. Siga em frente pois a muito para se ver ainda... 3.3. O Museu Chiaramonti

O Museu Chiaramonti, alojado na galeria que ligava o Palácio de Belvedere com o conjunto dos Palácios Vaticanos, leva o nome do Papa Pio VII Chiaramonti (1800-1823) e marca um momento importante na história das coleções do Vaticano. Com o Tratado de Tolentino (1797), os Estados Pontifícios tiveram de ceder à França de Napoleão as maiores obras-primas do Museu Pio Clementino. Posteriormente o Congresso de Viena (1815) e a ação diplomática de Antonio


Canova permitiram a recuperação de quase todas as obras de escultura apreendidas. Através de uma vasta campanha de aquisições, realizada junto aos antiquários romanos e aos escavadores ativos nos Estados Pontifícios, se realizou o novo Museu à partir de 1806. ! ! Os critérios de classificação foram ditados pelo próprio Canova, que teve como objetivo apresentar juntos os "três artes irmãs": a escultura, nas antigas obras em exposição; a arquitetura, nas prateleiras obtidas por quadros arquitetônicos antigos e a pintura, nos afrescos. Estes últimos foram feitos por jovens artistas da época pagos pelo próprio Canova. O ciclo de pinturas ilustravam as benfeitorias do pontífice para as artes e monumentos de Roma; o retorno das obras de arte ao Vaticano da França é comemorado no arco da parede XXI. Composto por cerca de mil esculturas antigas, o Museu Chiaramonti apresenta uma das coleções mais notáveis de retratos romanos, mas também é rico em exemplos de esculturas ideais e funerárias. 3.4. Museu Pio Clementino ! ! O núcleo original das coleções papais de escultura clássica remonta ao "Pátio das Estátuas" (hoje o Pátio Octogonal) do Papa Júlio II (1503-1513). Na segunda metade do século XVIII, as coleções 43

papais foram aumentadas tanto por meio de escavações em Roma e no Lazio, quanto por meio de aquisições de colecionadores ou antiquários. Sob influência do pensamento iluminista o museu foi transformado em público, no sentido moderno, com a tarefa de proteger as obras de arte antiga e promover o seu estudo e conhecimento. Chamado Pio Clementino devido aos nomes de seus fundadores, Clemente XIV Ganganelli (1769-1774) e Pio VI Braschi (1775-1799), o museu consiste em salas de exposições, obtidas por adaptação de edifícios existentes e por construção de novas, seja dentro, seja nas adjacências do Palacete renascentista do Belvedere de Inocêncio VIII. Aqui foram colocadas esculturas antigas, muitas vezes amplamente complementadas pelos restauradores da época. As adaptações arquitetônicas neoclássicas foram realizadas sob a direção de Alessandro Dori, Michelangelo Simonetti, Giuseppe Camporese, e embelezadas pelo trabalho de um grande grupo de pintores e decoradores.


3.5. Galerias dos Candelabros, dos tapetes e das Cartas Geográficas.

! ! Os Palácios Vaticanos, o complexo dos Palácios Vaticanos, é o resultado da combinação de vários edifícios construídos em períodos diferentes, a partir do momento em que os Papas, que retornam do período transcorrido em Avinhão (1309-1377) decidiram transferir-se do Laterano, onde residiam desde os primeiros séculos da cristandade, para o Vaticano. No início do século XV Alexandre V construiu o ‘passetto’, conexão entre Castelo de Sant'Angelo e o Palácio do Vaticano, enquanto que durante o pontificado de Nicolau V (1447-1455) os Palácios começaram a assumir sua aparência atual. Sisto IV (1471-1484) construíu a Capela Sistina enquanto o seu sucessor, Inocêncio VIII (1484-1492), mudou a sua residência para um palácio que foi construído para isso na colina do Belvedere. Com Alexandre VI (1492-1503) os Papas voltaram a viver no palácio de 44

Nicolau V, reforçado pela construção da Torre Borgia. Bramante, durante o pontificado de Júlio II (1503-1513) construiu o jardim do Belvedere, ligação entre a vila de Inocêncio VIII e os palácios do Vaticano. O pátio grandioso e espetacular estruturado em três níveis é encerrado por um pórtico magnífico (que Pirro Ligorio transformará em 1560 no famoso ‘nicchione’). Bramante também ergueu os alpendres do ‘Cortile di San Damaso’, concluido e pintado por Raphael. Depois do desastroso saque de Roma (1527), com o pontificado de Paulo III (1534-1550) o complexo dos Palácios do Vaticano foi ampliado com a construção da Sala Regia, da Sala Ducal e da Capela Paulina (com afrescos de Michelangelo), projetadas por Antonio de Sangallo, o jovem. Domenico Fontana, sob o pontificado do Papa Sisto V (1585-1590) construiu uma nova residência papal (a atual) e cortou o bramantesco ‘Cortile del Belvedere’ com o edifício que abriga o Salão Sistino da Biblioteca. No século XVII, o complexo foi ampliado com a construção das Salas Paulinas, da Biblioteca e dos Arquivos, e com intervenções de Bernini: a Escada Régia e a renovação da Sala Ducal. Entre a segunda metade dos '700 e os primeiras décadas dos ‘800 começaram a construção sistemática das vastas coleções de arte e


arqueologia dos papas. A história da estruturação dos Museus apesar de uma primeira coleção de esculturas antigas, dispostas no ‘Cortile del Belvedere’, já datava do tempo de Júlio II, mas a ideia de um verdadeiro museu surgiu apenas com Clemente XIII (1758-1769), que por sua vontade abriu o Museu Profano, preparado com a ajuda de Winckelmann. Logo depois, com Clemente XIV (1769-1774) e Pio VI (1775-1799) foi fundado o Museu Pio-Clementino e entre 1807 e 1810 é configurado por Canova o Museu Chiaramonti. Em 1822 é aberta a Ala Nova, em 1837 o Museu Gregoriano Etrusco, em 1839 o Museu Gregoriano Egípcio, em 1844 o Latrão Profano (Gregoriano Profano) e depois também a Pio Cristão (ambos fundados em Latrão e só mais tarde transferidos para o Vaticano). Nas primeiras décadas do século XX foram criados o Museu Missionário Etnológico, o Museu Histórico e a Coleção de Arte Moderna. Em 1932, finalmente, foi aberta ao público a Pinacoteca. A Galeria dos Candelabros é dividida em seis seções e recolhe material arqueológico romano. Notável o grupo escultura de Ganimedes e da Águia (II sec. d.C.) e a estátua da Artémis Efesina (cópia romana da Kephisodotos original). A galeria de tapeçaria exibe tapeçarias flamencas (sec. XVI) e romanas (fabricação Barberini sec. 45

XVII). Finalmente, a Galeria dos mapas exibe 40 painéis dedicados ao território italiano realizado entre 1580 e 1583. A abóbada é decorada com afrescos do século XVI e detalhes.

3.6. A Capela Sistina ! ! Os afrescos que aqui contemplamos nos introduzem no mudo dos conteúdos da Revelação. As verdades da nossa fé nos falam aqui de todos os lados. Delas o gênio humano extraiu a sua inspiração empenhando-se em revesti-la de formas de inigualável beleza. Com estas palavras, pronunciadas a Homilia durante a Santa Missa celebrada em 8 de abril de 1994 por ocasião do fim da restauração do Juízo Final, O Papa João Paulo II quis colocar acento sobre a sacralidade do lugar no qual as pinturas, como as imagens de um livro,


servem para tornar mais compreensível as verdades expressas na Sagrada Escritura.

! ! A Capela Sistina toma seu nome do Papa Sisto IV della Rovere (pontífice de 1471 a 1484) que fez reestruturar a antiga Capela Magna entre 1477 e 1480. A decoração quatrocentesca das paredes compreende: as falsas cortinas, as histórias de Moisés (parede sul do ingresso) e de Cristo (parede norte do ingresso) e os retratos dos pontífices (paredes norte e sul). Essa foi executada por uma equipe de pintores inicialmente constituída por Pietro Perugino, Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio, Cosimo Rosseli, auxiliados de suas respectivas casas e de alguns colaboradores mais próximos entre os quais destacam-se Biaggio di Antonio, Bartolomeo della Gatta e Luca Signorelli. Pier Matteo d’Amelia, por sua vez, pintou o céu estrelado. A execução dos afrescos teve início em 1841 e foi concluída em 1482. Nesta época foram terminadas também as seguinte obras em mármore: a divisória, o coro (onde ficavam os cantores), e o Brasão Pontifício sobre a porta de ingresso. Em 15 de agosto de 1483 Sisto IV consagrou a nova capela a dedicando à Assunta. 46


Júlio II della Rovere (pontífice de 1503-1513), sobrinho de Sisto IV decidiu modificar em parte a decoração, confiando em 1508 o encargo a Michelangelo Buonarroti, que pintou a sua volta e na parte alta das paredes, as lunetas. Em outubro de 1512 o trabalho era concluído e no dia de Todos os Santos (1 de novembro) Júlio II inaugurou a Sistina com uma missa solene. Nos nove requadros centrais são representadas a história do Gênesis, da Criação do homem até a sua queda, do dilúvio até o renascer da humanidade com a família de Noé. ! ! É provável a referência à Primeira Carta de São Pedro (3, 20-22) onde a água do dilúvio é vista como sinal profético da água do batismo, da qual surge uma humanidade nova, dos que foram redimidos por Cristo. Nos espaços entre as velas aparecem, sentados em tronos monumentais, cinco Sibilas e sete Profetas. Nas quatro plumas angulares estão as Salvações milagrosas de Israel enquanto que nas velas e nas lunetas (paredes norte e sul do ingresso) figuram os antepassados de Cristo. Por volta do fim de 1533 Clemente VII de Medici (pontifice de 1523-1534) encarregou Michelangelo de modificar a decoração da Sistina pintando sobre a parede do altar o Juízo Universal. Isto causou a perda dos afrescos quatrocentescos, que era um retábulo da 47

Virgem Assunta entre os Apóstolos e os dois primeiros episódios das histórias de Moisés e de Cristo, pintados por Perugino. Neste afresco Michelangelo quis representar o retorno glorioso de Cristo à luz dos textos do Novo Testamento (cfr. Mt 24,30-31; 25, 31-46; 1Cor 15, 51-55). O artista iniciou a obra em 1536 durante o pontificado de Paulo III e a terminou em 1541. Michelangelo, servindo-se das suas extraordinárias capacidades artísticas, tratou de traduzir de modo visível a invisível beleza e majestade de Deus e guiado pela palavra do Gênesis fez da Capela Sistina “o santuário da teologia do corpo humano” (Homilia pronunciada por São João Paulo II em 8 de abril de 1994). na segunda metade do século dezesseis foram refeitos os afrescos da parede de ingresso: Hendrik van den Broeck repintou “a Ressurreição de Cristo” de Ghirlandaio, enquanto Matteo da Lecce refaz a “Disputa sobre o corpo de Moisés” de Signorelli que estavam gravemente danificados pela quebra da porta ocorrida em 1522. Os afrescos da Capela Sistina sofreram uma completa restauração entre 1979 e 1999. A intervenção restaurou também as partes de mármore, ou seja, o coro, a divisória e o brasão de Sisto IV. Na Capela ainda hoje ocorre Conclave para eleição do Sumo Pontífice. São ainda as palavras da Homilia de S. João Paulo II a


sublinhar a primária importância da Sistina na vida da Igreja: “A Capela Sistina é o lugar que, para cada Papa, recolhe a recordação de um dia particular na sua vida (...) Pois aqui, neste espaço sacro, se recolhem os cardeais, esperando a manifestação da vontade de Cristo a respeito da pessoa so Sucessor de São Pedro (...) E aqui, em espírito de obediência a Cristo e confiando-me a sua Mãe, aceitei a eleição resultada do Conclave, declarando (...) a minha disponibilidade de servir a Igreja. Assim, a Capela Sistina ainda uma vez tornou-se diante de toda a Comunidade Católica o lugar da ação do Espírito Santo que constitui na Igreja os Bispos, constitui de modo particular aquele que deve ser o Bispo de Roma e o Sucessor de Pedro.”

4. A Basílica de São Pedro (Fonte: Wikpedia) A Basílica de São Pedro é uma basílica no Estado do Vaticano. Trata-se do maior e mais importante edifício religioso do catolicismo e um dos locais cristãos mais visitados do mundo. Cobre uma área de 23.000 m² ou 2,3 hectares (5.7 acres) e pode acolher mais de 60 mil devotos (mais de cem vezes a população do Vaticano). É o edifício com o interior mais proeminente do Vaticano, sendo a sua cúpula uma característica dominante do horizonte de 48

Roma, adornado com 340 estátuas de santos, mártires e anjos. Situada na Praça de São Pedro, a sua construção recebeu contribuições de alguns dos maiores artistas da história da humanidade, tais como Bramante, Michelângelo, Rafael e Bernini. ! ! Especificamente classificada pela UNESCO, catalogada e preservada como Patrimônio Mundial da Humanidade, a Basílica de São Pedro foi considerada o maior projeto arquitetônico da sua época e continua a ser um dos monumentos mais visitados e celebrados do mundo. Foi provado que sob o altar da basílica está enterrado São Pedro (de onde provém o nome da basílica) um dos doze apóstolos de Jesus e o primeiro Papa e, portanto, o primeiro na linha da sucessão papal. Por esta razão, muitos Papas, começando com os primeiros, têm sido enterrados neste local. Sempre existiu um templo dedicado a São Pedro em seu túmulo, inicialmente extremamente simples, com o passar do tempo, os devotos foram aumentando o santuário, culminando na atual basílica. A construção do atual edifício, no local da antiga basílica erguida pelo imperador Constantino, começou em 18 de abril de 1506 e foi concluída em 18 de novembro de 1626, sendo consagrada imediatamente pelo Papa Urbano VIII. A basílica é um famoso local de peregrinação, pelas suas


funções litúrgicas e associações históricas e uma das sete igrejas de peregrinação de Roma. ! ! A Basílica de São Pedro é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, sendo as outras a Basílica de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros. Contrariamente à crença popular, São Pedro não é uma catedral, uma vez que não é a sede de um bispo. Embora a Basílica de São Pedro não seja a sede oficial do Papado (que fica na Basílica de São João de Latrão), certamente é a principal igreja que conta com a participação do Papa, pois a maioria das cerimônias papais são lá realizadas devido às suas dimensões, à proximidade com a residência do Papa, e a localização privilegiada no Vaticano.

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4.1. Localização e aspecto geral ! ! A Basílica de São Pedro é uma igreja do estilo renascentista localizada em Roma a oeste do Rio Tibre, perto da colina Janículo e do Mausoléu de Adriano. É através da Praça de São Pedro que a basílica é abordada, onde se destacam duas estátuas de 5,55 metros de altura dos apóstolos do século I, Pedro e Paulo. A sua cúpula domina o horizonte de Roma, elevando-se a uma altura de 136,57 metros. ! ! Apesar dos primeiros projetos desenvolvidos repercutirem para uma estrutura de planta centralizada, o que é ainda evidenciado na sua arquitetura, a basílica é cruciforme, com uma alongada nave de cruz latina. O espaço central é dominado tanto no interior como no exterior, por um dos maiores domos do mundo. A entrada é feita através de


um nártex, que se estende por toda a frente do edifício. ! ! O interior abarca dimensões descomunais quando comparado com outras igrejas. Um autor escreveu: "Gradualmente, a basílica alvorece sobre nós - enquanto observamos as pessoas aproximarem-se para este ou aquele monumento, estranhamente elas parecem encolher, pois elas são, evidentemente, ofuscadas pelo tamanho de toda a construção. Esta (basílica) por sua vez, esmaga-nos." ! ! A basílica em planta de cruz latina, possui três naves totalmente abobadadas, com pilares de apoio às abóbadas de berço. A nave principal é a mais alta de todas as igrejas. Estas são enquadradas por amplos corredores completados por um número de capelas a eles adjacentes. Em torno da cúpula existem também capelas, entre as quais fazem parte o Batistério, a capela da Apresentação de Nossa Senhora, a Capela Sistina, a capela do Papa Clemente I com o altar do Papa Gregório I, a Sacristia no transepto esquerdo com altares da Crucificação de São Pedro, São José e São Tomé, o altar do Sagrado Coração de Jesus, a capela de Madonna de Colona, o altar de São Pedro e o Paralítico, a abside com a cátedra de São Pedro, o altar de Miguel Arcanjo, o altar de La Navicella; no 50

transepto direito, com altares de Erasmo de Formia, Santos Processo e Martiniano, e de Venceslau I, o altar de São Basílio, a capela Gregoriana, com o altar de Nossa Senhora do Socorro, a capela maior do Santíssimo Sacramento, a capela de São Sebastião e a Capela de Pietà. No coração da basílica, sob o altar-mor, está a Capela da Confissão, em referência à confissão de fé de São Pedro, que levou ao seu martírio. Duas escadarias curvas em mármore conduzem-nos a esta capela subterrânea ao nível da igreja constantiniana, onde logo acima se situa o túmulo de São Pedro. ! ! Todo o interior da basílica está ricamente decorado com mármore, relevos, esculturas arquitetônicas, retábulos e ornamentos com acabamentos a ouro. A basílica contém um grande número de túmulos não só de papas como também de outras notáveis personalidades, muitos dos quais são considerados verdadeiras obras de arte reconhecidas mundialmente. Existem também uma série de esculturas em nichos e capelas, incluindo a Pietà de Michelângelo. No entanto, a característica central é o baldaquino sobre o Altar Papal, projetado por Gian Lorenzo Bernini. O santuário culmina num conjunto escultural, também de Bernini que contém a simbólica Cátedra de São Pedro.


4.2. História No Império Romano

Pedro), o apóstolo foi crucificado por volta do ano 65 d.C.. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo como gesto de humildade perante Cristo, uma vez que não se considerava digno de morrer como o Filho de Deus. No entanto, outra versão afirma que este gesto pode ter sido de uma crueldade adicional infligida deliberadamente pelos romanos. Túmulo de São Pedro

Planta do Circo de Nero, em comparação com a basílica de constantiniana e a basílica atual.

No início do Império Romano, pouco antes do nascimento de Jesus, o local era ocupado com algumas construções residenciais, erguidas em torno dos jardins imperiais da propriedade de Agripina Maior. O seu filho, Calígula (37-41 d.C.), construiu nesse local um circo privado, o Circo de Nero, cujo obelisco permanece ainda como um dos poucos monumentos comemorativos deixados daquela época. Neste circo e nos jardins a ele adjacentes, tiveram lugar os martírios de vários cristãos em Roma no templo do então imperador Nero (54-68). Um espaço imemorial que coloca o martírio do Apóstolo São Pedro personificado no recinto - entre os dois terminais (duas "metas") da "spina", onde no seu centro foi acrescentado o Obelisco do Vaticano. De acordo com a tradição católica, descrita nos livros apócrifos (como os Atos de ##

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! ! Depois da crucificação de Jesus, na segunda metade do primeiro século da era cristã, está registado no livro bíblico Atos dos Apóstolos, que um de seus doze discípulos, conhecido como Simão Pedro, um pescador da Galileia, assumiu a liderança entre os seguidores de Jesus, exercendo um papel importante na fundação da Igreja Cristã. O nome é Pedro, "Petrus" em latim e "Πέτρος" (Petros) em grego, decorrente de "petra", que significa "pedra" ou "rocha" em grego. Pedro depois de um ministério com cerca de trinta anos, viajou para Roma e evangelizou grande parte da população romana. Pedro foi executado no ano 64 d.C. durante o reinado do imperador romano Nero e crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, perto do obelisco no Circo de Nero. ! ! Os restos mortais de São Pedro foram enterrados fora do circo, na colina do


Vaticano, a menos de 150 metros do local da sua morte. O seu túmulo foi inicialmente marcado apenas com uma pedra vermelha, símbolo do seu nome. Um santuário foi construído neste local alguns anos mais tarde. Quase trezentos anos depois, a Antiga Basílica de São Pedro foi construída neste sítio. ! ! A partir dos anos 1950, intensificaram-se as escavações no subsolo da basílica, após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com a remoção de toneladas de terra correspondente do corte da colina Vaticana que serviu para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino. A equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a São Pedro, e inclusive uma parede onde foi inscrita a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa "Pedro está aqui".

! ! Também foram encontrados, num nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60 e 70 anos de 52

idade, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, pertencerem São Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 d.C. e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de São Pedro e São Paulo para a estada dos mesmos nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257. A Antiga Basílica de São Pedro ! ! O imperador Constantino entre 326 d.C. e 333 d.C. ordenou a construção da Antiga Basílica de São Pedro. Desta basílica nada restou, porém, através de descobertas arqueológicas, descrições de peregrinos e desenhos antigos os especialista obtiveram as noções básicas da sua estrutura. Como em quase todas as igrejas da antiguidade, seguiu-se o modelo da basílica cívica romana: um salão retangular, dividido em nave central e naves laterais, que oferecia espaço bastante para a congregação dos fiéis. As cerimónias no altar eram realizadas na abside ao fim da nave central, bem visíveis a todos. Um fresco do século XVI na igreja de San Martino ai Monti deu-nos uma ideia aproximada da aparência interior, com a sua cobertura em madeira, porém é


totalmente desconhecido quais estátuas ou pinturas que a ela pertenceram.

A Basílica em 1450

! ! A basílica atual, com um estilo renascentista e barroco, foi erguida sobre a antiga, o que exigiu que o edifício fosse orientado para oeste, mas também que a necrópole antiga fosse aterrada, sendo construídas muralhas de suporte para criar uma enorme base que servisse como alicerce. Na plataforma, construiu-se então a basílica, com nave central e quatro naves laterais, ricamente adornada com frescos e mosaicos, e um grande átrio dianteiro, demarcado com colunas. Várias vezes alterado e restaurado, o edifício de Constantino, conhecido por velha igreja de São Pedro, sobreviveu até ao início do século XVI. A nova Basílica ! ! No final do século XV, após o papado de Avignon, a basílica paleocristã encontrava-se bastante 53

deteriorada, com sérios riscos de desabar. O primeiro papa a considerar uma reconstrução ou pelo menos realizar radicais intervenções na estrutura, foi Nicolau V em 1452. Assim, o trabalho foi encomendado a Leon Battista Alberti e Bernardo Rossellino (ambos arquitetos), que se encarregaram de projetar as modificações mais importantes a cumprir. No seu projeto, Rossellino manteve o corpo longitudinal das cinco naves com cobertura abobadada e renovou o transepto, com a construção de uma abside mais ampla à qual acrescentou um coro. Esta nova intersecção entre o transepto e a abside seria coberta por uma cúpula. Tal configuração desenvolvida por Rossellino influenciou o projecto futuro de Donato Bramante. O trabalho foi interrompido três anos depois da morte do Papa, quando as paredes apenas haviam alcançado um metro de altura. Entretanto, o papa ordenou a demolição do Coliseu de Roma e, até ao momento da sua morte, 2.522 carradas de pedra tinham sido transportadas para uso do novo edifício. ! ! Cinquenta anos depois, em 1505, sob orientação do Papa Júlio II, as obras foram retomadas, com o propósito de que o novo edifício fosse um marco importante e apropriado para acomodar o seu túmulo. O papa pretendia com a obra "engrandecer-se a si mesmo nos ideais do povo". Foi então


celebrado um concurso para o projeto, existindo actualmente vários dos desenhos na época elaborados, na Galleria degli Uffizi, em Florença. No pontificado de Júlio II (1503 a 1513) decidiu-se afinal derrubar a igreja velha e em 18 de abril de 1506, Bramante recebeu o encargo de desenhar a nova basílica. Os seus planos eram de um edifício centralmente planificado, com um domo inscrito sobre o centro de cruz grega, forma que correspondia aos ideais da Renascença pela semelhante relação com um mausoléu da antiguidade. Uma sucessão de papas e arquitetos nos 120 anos seguintes participariam da construção que culminou no edifício atual. Iniciada por Júlio II, continuou através dos pontificados do Papa Leão X (1513-1521), Papa Adriano VI (1522-1523). Papa Clemente VII (1523-1534), Papa Paulo III (1534-1549), Papa Júlio III (1550-1555), Papa Marcelo II (1555), Paulo IV (1555-1559), Papa Pio IV (1559-1565), Papa Pio V (santo) (1565-1572), Papa Gregório XIII (1572-1585), Papa Sisto V (1585-1590), Papa Urbano VII(1590), Papa Gregório XIV (1590-1591), Papa Inocêncio IX (1591), Papa Clemente VIII (1592-1605), Papa Leão XI (1605), Papa Paulo V (1605-1621), Papa Gregório XV (1621-1623), Papa Urbano VIII (1623-1644) e Papa Inocêncio X (1644-1655).

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! ! A Basílica de São Pedro é um dos maiores edifícios católicos do mundo. Possui 218 metros de comprimento e 136 m de altura (incluindo a cúpula) e apresenta uma área total de 23.000 m². O edifício está ligado ao Palácio Apostólico por um corredor em direção à Scala Regia, construída por Sangallo, junto da fachada da Praça de São Pedro, e dois corredores que o ligam com a sacristia a ele adjacente. Esses viadutos foram projetados por Michelângelo, por forma a que a sua presença não perturbe o perímetro da basílica, permitindo a existência de ramificações no templo. O exterior foi construído com travertino, e caracteriza-se pelo uso da ordem colossal a partir do qual se assenta o ático. Esta configuração foi idealizada por Michelângelo e manteve-se no corpo longitudinal adicionado por Carlo Maderno. ! ! O interior da basílica abriga 45 capelas e 11 altares que abarcam obras de arte bastante valiosas, entre as quais algumas da antiga basílica, como a estátua de bronze de São Pedro, atribuída a Arnolfo di Lapo.

5. A Praça de São Pedro ! ! A leste da basílica situa-se a Piazza di San Pietro (Praça de São Pedro). A mais importante praça da cristandade é um exemplo das intervenções barrocas no espaço construído, tomado pelo casario


medieval, em Roma. Este espaço de inspiração barroca, construído entre 1656 e 1667 por Bernini, segue contudo um estilo clássico. No seu centro foi erguido o obelisco do Vaticano que remonta do século XIII, de Heliópolis, Antigo Egito. A peça foi assentada frente à fachada de Maderno. Este obelisco, conhecido como A Testemunha, possui 25 metros de altura, e todo o conjunto, incluindo a base e a cruz no topo, alcança os 40 metros, sendo o segundo maior obelisco existente, e o único a permanecer em pé, desde a transferência do Egito e recolocação no Circo de Nero em 37 d.C., onde se pensa testemunhar a outrora crucificação de São Pedro. Esta alternância de sítios foi ordenada pelo Papa Sisto V e projetada por Domenico Fontana a 28 de setembro de 1586. Esta foi uma difícil operação, perto de terminar em desastre quando as cordas que seguravam o obelisco começaram a 55

fumegar devido à fricção. Felizmente esse problema foi notado por um marinheiro, que pela sua rápida intervenção, foi-lhe outorgadas palmas como agradecimento, habitualmente realizadas na basílica a cada Domingo de Ramos. ! Outro conjunto característico da praça com o qual Bernini teve que lidar, foi a utilização das fontes projetadas por Maderno em 1613 e acrescentadas a cada um dos lados do obelisco, em paralelo com a fachada. O projeto de Bernini fez uso deste eixo horizontal como uma das principais características com o seu único, dinâmico e altamente simbólico design. As soluções a considerar seriam efetivamente, ou uma praça rectangular de grandes proporções projetada com relação ao obelisco no centro e a fonte a ele próximo, o que poderiam ser incluídos, ou uma praça trapezoidal que se desdobra-se a


partir da fachada principal tal como a frente do Palazzo Pubblico localizado em Siena. Os problemas da planta quadrada seriam causados pelo fato da largura necessária ao seu cumprimento, implicaria a demolição de várias construções, incluindo algumas do Vaticano, minimizando contudo o efeito da fachada. Por outro lado, planta trapezoidal iria aumentar a aparência da fachada, sendo portanto percebida como um erro a desconsiderar. ! ! A engenhosa solução de Bernini foi criar uma praça com duas secções. A parte mais próxima da basílica é trapezoidal, porém, ao invés de abrir a partir da fachada do edifício, esta se fecha, contrariando assim a perspectiva visual. O que significa que através da segunda parte da praça, a construção parece mais próxima do que o é, na verdade. Assim, a largura da fachada é minimizada transmitindo a sensação de uma maior altura e proporção com a sua largura. O segundo lado da praça é composto por um enorme círculo elíptico que estreita delicadamente para o centro, do obelisco. Estas duas distintas áreas estão ladeadas por uma imponente colunata formada por dois pares de colunas que suportam o entablamento da subtil Ordem toscana.

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! ! A colunata que delimita a elipse não a circunda por completo, estendendo-se em duas curvas, que simboliza os braços da "Igreja Católica Romana, que acolhem os seus seguidores". Com isto, Bernini equilibra o espaço com outra fonte em 1675. A abordagem à praça costumava ser através de um aglomerado de prédios antigos, o que acrescenta um elemento surpresa para a vista que se abre na passagem pela colunata. Hoje em dia, uma longa e larga rua, a Via della Conciliazione, construída por Mussolini após a conclusão dos Tratados de Latrão, estende-se desde o rio Tibre até à praça, proporcionando aos visitantes uma ampla e distante visão da Catedral de São Pedro. As alterações de Bernini foram concebidas totalmente ao estilo barroco. Enquanto que Bramante e Michelângelo conceberam uma obra "auto-suficientemente isolada", Bernini fez com que todo o complexo "se relaciona-se entusiasticamente com o seu meio ambiente. Banister Fletcher afirma: "Nenhuma outra cidade tem proporcionado uma abordagem tão ampla na aproximação da sua catedral, nenhum outro arquiteto poderia ter concebido um projeto de maior nobreza... (é) o maior de todos os átrios ante da maior de todas as igrejas da cristandade".


6. Arquibasílica de São João de Latrão Fonte: Wikipedia ! ! San Giovanni in Laterano ou Arquibasílica Papal de São João de Latrão (em latim: Archibasilica Sanctissimi Salvatoris et Sanctorum Iohannes Baptista et Evangelista in Laterano), chamada geralmente apenas de São João de Latrão ou Basílica de Latrão, é a catedral da Diocese de Roma e a sé episcopal oficial do bispo de Roma, o Papa. É sede da paróquia de Santissimo Salvatore e Santi Giovanni Battista ed Evangelista in Laterano. ! ! É a mais antiga e a primeira entre as cinco basílicas papais do mundo e entre as quatro basílicas maiores de Roma (todas elas basílicas papais também), sendo a mais antiga igreja no ocidente e 57

conhecida por abrigar a cátedra do bispo de Roma. Ela também tem o título de igreja mãe ecumênica entre os católicos romanos. O presidente da França é ex-officio o "primeiro e único cônego honorário" da arquibasílica, um título ostentado pelos chefes de estado franceses desde a época do rei Henrique IV. ! ! A enorme inscrição em latim na fachada diz: CLEMENS XII PONT MAX ANNO V CHRISTO SALVATORI IN HON SS IOAN BAPT ET EVANG. O texto, fortemente abreviado, pode ser traduzido como "Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista". San Giovanni foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi co-dedicada aos dois outros santos. Como catedral do


bispo de Roma, San Giovanni está acima de todas as demais igrejas da Igreja Católica, incluindo a Basílica de São Pedro. Por isto é chamada de "arquibasílica", uma honraria única. ! ! A arquibasílica está localizada dentro dos limites da cidade de Roma, mas fora das fronteiras do Vaticano propriamente dito. Apesar disso, ela e os edifícios vizinhos gozam de direitos extraterritoriais como uma das propriedades da Santa Sé de acordo com o Tratado de Latrão de 1929. Nele se realizaram cinco concílios ecumênicos. A arquibasílica foi rededicada duas vezes. O papa Sérgio III (r. 904–911) dedicou-a a São João Batista no século X em homenagem ao recém-consagrado batistério da arquibasílica. O papa Lúcio II (r. 1144–1145) dedicou-a a São João Evangelista no século XII. Por isso, os dois são considerados co-patronos, mas, como indica a inscrição na fachada, ela continua tendo como patrono principal Cristo Salvador. 6.1. Origens ! ! A arquibasílica foi construída sobre as ruínas doNovo Castro dos cavaleiros pessoais (Castra Nova equitum singularium), o "novo quartel" da guarda imperial de cavalaria construído por Sétimo Severo (r. 193–211) entre 193-197. Depois da vitória de Constantino I (r. 58

306–337) sobre o usurpador Maxêncio (por quem os cavaleiros pessoais do Augusto lutaram) na Batalha da Ponte Mílvia (312), a guarda imperial foi abolida e o forte, demolido. Ruínas importantes do forte ainda hoje estão abaixo do piso da nave. ! ! O restante do terreno foi ocupado durante os primeiros anos do Império Romano pelo palácio da gente Laterana (Laterani). Sêxtio Laterano foi o primeiro plebeu a alcançar a dignidade de cônsul e os Lateranos serviram como administradores para diversos imperadores. Um deles, o cônsul Pláucio Laterano, ficou famoso por ter sido acusado de conspirar contra o imperador Nero (r. 54–68), o que resultou no confisco e redistribuição de suas propriedades. ! ! O Palácio Laterano passou para o controle do imperador quando Constantino I casou-se com sua segunda esposa, Fausta, irmã de Maxêncio. Conhecido na época como "Casa de Fausta" (Domus Faustae), o Palácio Laterano acabou finalmente sendo entregue ao bispo de Roma por Constantino. A data da doação não é desconhecida, mas estudiosos especulam que teria sido durante o pontificado do papa Milcíades (r. 311–314), bem a tempo de celebrar um sínodo de bispos em 313, reunido para responder ao cisma donatista


e que terminou declarando o donatismo uma heresia. A basílica palacial foi então convertida e ampliada, tornando-se a residência do papa São Silvestre I (r. 314– 335). 6.2. Idade Média ! ! A dedicação oficial da arquibasílica e do vizinho Palácio Laterano foi presidida pelo papa São Silvestre I em 324, que declarou ambos "Casa de Deus" (Domus Dei). A cátedra papal foi colocada em seu interior, tornando San Giovanni a catedral do bispo de Roma. Um reflexo do status da arquibasílica como primaz do mundo ("igreja mãe"), as palavras "SACROSANCTA LATERANENSIS ECCLESIA OMNIUM URBIS ET ORBIS ECCLESIARUM MATER ET CAPUT" ("Santíssima Igreja Laterana, de todas as igrejas da cidade e do mundo, a 59

mãe e a cabeça") foram inscritas na parede frontal entre as duas portas principais. ! ! Um sem número de doações papais e de outros benfeitores à arquibasílica estão registradas no Liber Pontificalis e seu esplendor na época do edifício original era tanto que ela ficou conhecida como "Basílica Dourada" (Basilica Aurea), uma fama que provocou um ataque dos vândalos, que retiraram-lhe todos os tesouros. O papa Leão I (r. 440–461) restaurou-a por volta de 460 e o papa Adriano I (r. 772–795) novamente no século VIII. ! ! Em 897, o edifício foi quase totalmente destruído por um terremoto ("ruiu do altar até as portas"). O dano foi tamanho que é difícil hoje em dia discernir as linhas do antigo edifício, que foram bastante respeitadas durante a reconstrução.


! ! Todos os papas desde Milcíades ocuparam o Palácio Laterano até o pontificado do francês Clemente V, que, em 1309, decidiu transferir a sé oficial da Igreja Católica para Avinhão, um feudo papal que era um enclave dentro do Reino da França. Durante o período do papado de Avinhão, o Palácio Laterano e a arquibasílica começaram a se arruinar.

separada dos corredores duplos por fileiras de colunas e tendo à frente um peristilo rodeado por uma colunata e com uma fonte no meio, um formato antigo convencional que também podia ser visto na Antiga Basílica de São Pedro. A fachada tinha três janelas e estava decorada com um mosaico de "Cristo como Salvador do Mundo".

! ! Esta segunda basílica perdurou por 400 anos antes de ser queimada em 1308. Reconstruída pelos papas Clemente V (r. 1305–1314) e João XXII (r. 1316–1344), queimou novamente em 1360 e foi novamente reconstruída pelo papa Urbano V (r. 1362–1370).

6.3. Reconstrução

! ! Diversas tentativas foram feitas para reconstruir a arquibasílica antes do sucesso do papa Sisto V (r. 1585–1590), que contratou seu arquiteto favorito, Domenico Fontana, para supervisionar o projeto. O palácio original foi demolido e substituído por um novo edifício. Na praça em frente dele está o maior obelisco livre do mundo, conhecido como Obelisco Laterano, com um peso estimado de 455 toneladas. Encomendado pelo faraó egípcio Tutmósis III e erigido por Tutmósis IV perante o grande Templo de Carnaque em Tebas, foi levado para Roma por Constantino II e erigido primeiro no Circo Máximo (357). Em algum momento ele se partiu e acabou enterrado no local. Descoberto no século XVI, foi escavado e, por ordem de Sisto V, colocado sobre um pedestal de três metros de altura no presente local em 3 de agosto de 1588.

! ! Apesar dos percalços, a arquibasílica manteve sua forma antiga, com a nave

! ! Uma nova reforma do interior da arquibasílica foi encomendada pelo papa

! ! Quando o papado retornou para Roma em 1377, a arquibasílica e o Palácio Laterano foram considerados inadequados por conta das décadas de negligência e os papas passaram a residir primeiro em Santa Maria in Trastevere e depois em Santa Maria Maggiore. Finalmente, o Palácio Vaticano foi construído ao lado da Basílica de São Pedro, que já existia no Vaticano desde a época de Constantino I e os papas se mudaram para lá, a residência oficial do papa até hoje.

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Inocêncio X (r. 1644–1655) ao arquiteto Francesco Borromini. Os doze nichos criados pelo seu esquema arquitetônico foram finalmente preenchidos em 1718 com estátuas dos apóstolos esculpidas pelos mais famosos escultures rococó de Roma. ! ! A visão do Papa Clemente XII (r. 1730–1740) para uma reforma era ambiciosa e ele deu início a uma competição para definir o novo projeto para a fachada. Mais de 23 arquitetos competiram, a maior parte utilizando o então proeminente estilo barroco. Um juri supostamente imparcial foi liderado por Sebastiano Conca, presidente da Academia de São Lucas, e o vencedor foi Alessandro Galilei. ! ! A nova fachada neoclássica foi completada em 1735 e removeu todos os vestígios tradicionais, antigos ou basilicais do edifício. A fachada de Galilei, construída à frente da anterior, deu origem a um nártex e sua forma, uma sequência de arcos, dá indícios da planta de uma nave com corredores duplos da arquibasílica, o que requeria que a abertura central fosse mais larga que as demais. Galilei conseguiu manter as arcadas idênticas alargando a abertura central através de colunas laterais que apoiam o arco no familiar formato da janela paladiana. Ao projetar discretamente 61

a abertura central e encimá-la com um pedimento que avança pela balaustrada do telhado, Galilei criou uma porta de entrada em escala mais do que colossal, emoldurada por pilastras coríntias colossais que dão unidade à fachada no estilo introduzido por Michelangelo nos palácios do Monte Capitolino. ! ! Alguns poucos restos dos edifícios originais ainda podem ser encontrados nas muralhas da cidade, do lado de fora da Porta San Giovanni e uma grande parede decorada com pinturas foi descoberta no século XVIII dentro da arquibasílica, atrás da Capela Lancellotti. Traços também foram revelados durante as escavações de 1880 durante as obras de ampliação da abside. 6.4. Interior ! ! Os pórticos estavam pintados com afrescos, provavelmente posteriores ao século XII, comemorando a frota romana sob o comando de Vespasiano, a tomada de Jerusalém, o batismo de Constantino I e a lendária "Doação" dos Estados Pontifícios à Igreja Católica. Em uma das reconstruções, provavelmente na de Clemente V, um transepto foi construído. ! ! Uma abside decorada com Mosaicos ainda preserva a memória de um dos mais famosos salões do antigo palácio, o


"triclínio" do papa Leão III (r. 795–816), onde se realizavam os banquetes de estado. A estrutura existente não é antiga, mas partes dos mosaicos originais podem ter sobrevivido no mosaico triplo no nicho. No centro, Cristo dá aos apóstolos sua missão; à esquerda, Ele entrega as chaves do Reino de Deus ao papa São Silvestre I e o lábaro a Constantino I; à direita, São Pedro entrega a pálio papal ao papa Leão III e o cetro a Carlos Magno.

(1191–8) e Inocêncio V (1276).!

Túmulos papais ! ! Há seis túmulos papais na arquibasílica: Alexandre III (corredor direito), Sérgio IV (direito), Clemente XII Corsini (corredor esquerdo), Martinho V (na frente do confessio), Inocêncio III (braço direito do transepto) e Leão XIII (1907; braço esquerdo do transepto). Este último foi o último papa a não ser sepultado na Basílica de São Pedro. ! ! Outros doze foram construídos na arquibasílica a partir do século X, mas foram destruídos nos incêndios do século XIV. Os restos calcinados destes túmulos foram recolhidos e sepultados novamente num polyandrum. São eles: João X (914– 28), Agapito II (946–55), João XII (955–64), Pascoal II (1099–1118), Calisto II (1119–24), Honório II (1124–30), Celestino II (1143– 4), Lúcio II (1144–5), Anastácio IV (1153– 4), Clemente III (1187–91), Celestino III 62

! ! Além disso, há outros papas cujo pontificado se deu neste período, mas cujos túmulos são desconhecidos, mas provavelmente estavam na arquibasílica. Entre eles estão: papa João XVII (1003), papa João XVIII (1003–9) e papa Alexandre II (1061–73). O papa João X foi o primeiro papa a ser enterrado do lado de dentro dos muros de Roma e ele recebeu uma cerimônia pomposa por conta de rumores de que ele teria sido assassinado por Teodora durante a chamada "pornocracia". Os cardeais Vincenzo Santucci e Carlo Colonna também estão enterrados na arquibasílica. Claustro ! ! Entre a basílica e a Muralha Aureliana havia, em períodos anteriores, um grande


mosteiro, no qual habitava uma comunidade de monges da Ordem de São Bento que servia à igreja. Este mosteiro era o maior de Roma, com seus 36 metros na lateral. A única parte que restou desta edificação foi o claustro, circundado por graciosas colunas de mármore marchetado. Estas são de um período intermediário entre o estilo românico e o gótico: obra do estilo cosmatesco dos Vassaletto, célebre família de marmoristas romanos, datados do início do século XIII.

! ! O batistério de Latrão é, provavelmente, o mais antigo do cristianismo, considerado o protótipo dos batistérios. Muitíssimo bem preservado, registra, como um calendário, as intervenções ao longo dos séculos. Fica no lado sul da arquibasílica. ! ! Foi construído com forma de rotunda, possivelmente sobre uma base mais antiga ou um ninfeu do antigo palácio, por volta de 313 ou 315 por Constantino I, que teria sido ali batizado. A forma octogonal com a fonte no centro foi criada em 432, quando o papa Sisto III substituiu o edifício de Constantino pela nova estrutura. Apresenta ainda restos de antigos Mosaicos e colunas de pórfiro egípcio. A Escada Santa

Batistério

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! ! A Escada Santa (Scala Sancta) é uma escada com degraus de mármore emoldurado por madeira. De acordo com a tradição católica, seria a escadaria que levava ao pretório de Pôncio Pilatos em Jerusalém e que, portanto, teria sido santificada pelos passos de Jesus Cristo durante a Paixão. Os degraus de mármore podem ser vistos através de aberturas nas molduras de madeira. Eles foram transladados de Jerusalém para o Palácio Laterano no século IV por obra de Santa Helena, a mãe de Constantino. Em 1589, o papa Sisto V os realocou para a posição


atual, em frente à antiga capela palatina conhecida como Sancta Sanctorum. Parte dos afrescos da parede são de Ferraù Fenzoni.

!! 64

Fontes medievais sustentam que os

degraus foram levados de Jerusalém para Roma por volta de 326 por Santa Helena, a mãe do imperador romano Constantino I. Na Idade Média, eram conhecidos como Scala Pilati ("Degraus de Pilatos"). Pelo que se deduz de plantas antigas, eles levavam a um corredor do Palácio Laterano, perto da Capela de São Silvestre, e estavam cobertos por um teto especial. Em 1589, o papa Sisto V demoliu o antigo palácio papal, que estava em ruínas, para abrir espaço para a construção de um novo e ordenou que os Santos Degraus fossem reinstalados em sua posição atual, perante o Sancta Sanctorum ("Santo dos Santos"), que abriga muitas relíquias preciosas, incluindo um celebrado ícone chamado Santissimi Salvatore Acheiropoieton (um dos acheiropoieta, ou "não realizados por mãos humanas") que, em algumas ocasiões era levado em procissão através de Roma.


7. Basílica de santa Maria Maior

Internacional às embaixadas de agentes diplomáticos de estados estrangeiros.

! ! Santa Maria Maggiore ou Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas maiores, uma das sete igrejas de peregrinação e a maior igreja mariana de Roma — motivo pelo qual ela recebeu o epíteto de "Maior". Foi a primeira igreja do Ocidente dedicada ao culto de Maria, e tem uma celebração específica na liturgia católica rememorando o fato: a Dedicação de Basílica de Santa Maria Maior

7.1. Outros nomes

! ! Depois do Tratado de Latrão de 1929, firmado entre a Santa Sé e o Reino da Itália, Santa Maria Maggiore permaneceu como parte do território italiano e não do Vaticano. Porém, a Santa Sé é proprietária do edifício e do terreno onde ele está e o governo italiano é obrigado, legalmente, a reconhecer este fato e a conceder a ela a imunidade concedida pelo Direito 65

Nossa Senhora das Neves ! ! A basílica é por vezes chamada de "Nossa Senhora das Neves", seu nome no Missal Romano entre 1568 e 1969 e uma referência à festa litúrgica da dedicação do edifício a Nossa Senhora em 5 de agosto, que, na mesma época, era chamada de "Dedicatio Sanctae Mariae ad Nives" em latim. Este nome tornou-se popular no século XIV e é, por sua vez, uma referência a uma tradição lendária que a Enciclopédia Católica (1911) descreve assim: "Durante o pontificado de Libério, o patrício romano João e sua esposa, que não tinham filhos, fizeram um voto de que doariam todas as suas posses à Virgem Maria. Eles rezaram para que Ela lhes indicasse como eles


deveriam se desfazer de suas posses para homenageá-La. Em 5 de agosto, numa noite no auge do verão em Roma, nevou no alto do monte Esquilino. Obedecendo a uma visão da Virgem que tiveram na mesma noite, o casal construiu a basílica em homenagem a ela no local exato que estava coberto de neve. Baseado no fato de que não menção alguma a este suposto milagre até séculos depois, nem mesmo por Sisto III em sua inscrição dedicatória de oito linhas... é bastante provável que esta lenda não tenha nenhuma base histórica". ! ! A lenda só seria mencionada depois de 1000. O nome continuava a ser utilizado no século XV, como demonstra a pintura do "Milagre da Neve" de Masolino da Panicale. ! ! A festa da dedicação da igreja era celebrada apenas em Roma até ser incluída pela primeira vez no Calendário Geral Romano, já com o título "ad Nives". Uma congregação nomeada pelo papa Bento XIV em 1741 propôs que o título lendário fosse removido e que a voltasse a ser conhecida pelo seu nome original, mas nada foi feito até 1969, quando foi finalmente removido e a festa passou a ser chamada de "In dedicatione Basilicae S. Mariae". Porém, a lenda ainda é comemorada com o lançamento de pétalas 66

de rosas brancas do alto da cúpula durante a celebração da missa e na segunda véspera da festa. Basílica Liberiana ! ! A primeira igreja construída no local era conhecida como Basílica Liberiana ou Santa Maria Liberiana, uma homenagem ao papa Libério (r. 352–366). É provável que o nome tenha se originado na lenda do "Milagre da Neve", só que foi o papa e não João e sua esposa que teria sido avisado em sonho sobre uma vindoura queda de neve. Ele seguiu para o local em procissão e marcou o local onde a igreja seria construída. É possível inferir o nome implícito na descrição do "Liber Pontificalis" (século XIII) sobre o papa Libério: "Ele construiu a basílica que leva seu nome ["Basilica Liberiana"] perto do Macelo de Lívia. O título "Liberiana" ainda aparece em algumas versões do nome forma da basílica e "Basílica Liberiana" pode ser utilizado tanto como o nome atual quanto o histórico da basílica. ! ! É possível, contudo, que o nome "Basílica Liberiana" não tenha relação alguma com a lenda, pois, segundo Pius Parsch, o papa Libério transformou um palácio da família Sicinini em uma igreja e ela passou a ser conhecida como "Basílica Sicinini". Este edifício foi depois substituído pelo Sisto III (r. 432–440) pelo


edifício atual. Algumas fontes afirmam que esta transformação foi realizada na década de 420 pelo Celestino I, o antecessor de Sisto III. Santa Maria do Presépio ! ! Muito antes dos mais antigos vestígios da história do "Milagre da Neve", a basílica era conhecida como Santa Maria do Presépio (em latim: Sancta Maria ad Praesepe), uma referência às relíquias da "manjedoura de Jesus" abrigadas ali, quatro tábuas de sicômoro que, juntamente com uma quinta tábua, teriam sido levadas para lá na época do papa Teodoro I (r. 640– 649). O nome aparece nas edições tridentinas do Missal Romano como o local ("estação") da missa do papa na noite do Natal enquanto que o nome "Maria Maior" aparece como o nome da igreja onde está a estação da missa do Natal. 67

7.2. História ! ! É consenso de que a igreja atual foi construída durante o pontificado de Sisto III (r. 432–440), como se atesta pela inscrição dedicatória no arco triunfal: "Sixtus Episcopus plebi Dei" ("Sisto bispo ao povo de Deus"). Além desta igreja, no topo do monte Esquilino, Sisto III realizou diversas obras por toda cidade e que foram continuadas por seu sucessor, Leão Magno. ! ! O edifício atual ainda preserva a parte central de sua estrutura original, mesmo depois de diversas reformas e reconstruções e dos danos sofridos no terremoto de 1348. ! ! A construção de igrejas em Roma neste período era inspirada pela ideia de que Roma não era apenas o centro do


mundo romano, como no passado, mas o centro do novo mundo cristão. ! ! Santa Maria Maggiore, uma das primeiras igrejas dedicadas à Virgem Maria, foi erigida logo depois do Primeiro Concílio de Éfeso (431), que proclamou Maria como "Mãe de Deus". É certo que a atmosfera gerada pelo concílio também inspirou os mosaicos que adornam o interior da inscrição dedicatória: "..seja qual for a conexão precisa entre o concílio e igreja, é claro que os que projetaram a decoração pertencem a um período de concentrados debates sobre a natureza e o status da Virgem frente ao Cristo encarnado". A magnificência dos mosaicos da nave e do arco triunfal, vistos como "pedras angulares na representação da Virgem", mostram cenas da "Vida de Maria" e da "Vida de Cristo", além de cenas do Antigo Testamento, como Moisés abrindo o mar Vermelho e os egípcios se afogando. Mosaicos do Séc. V ! ! Os mosaicos de Santa Maria Maggiore não são apenas belas obras de arte paleocristã, constituem também algumas das mais antigas representações da Virgem Maria na antiguidade tardia cristã. A representação iconográfica da Virgem foi escolhida, pelo menos em parte, para celebrar a afirmação de Maria como a 68

Theotokos ("Mãe" ou "Portadora de Deus") no Primeiro Concílio de Éfeso (431). Tanto estes mosaicos como os que estão no arco triunfal foram a definição da arte impressionista no período e serviram de modelo para futuras representações da Virgem Maria, uma influência baseada no impressionismo antigo tardio que podia ser visto em afrescos e em muitos pisos em mosaico nas várias vilas romanas ainda existentes na época no norte da África, na Sìria e na Sicília durante o século V. ! ! Estes mosaicos deram aos historiadores uma amostra dos movimentos artísticos, sociais e religiosos da época. Eles tinham dois objetivos: primeiro glorificar a Virgem Maria como "Theotokos"; depois, nas palavras de um estudioso, "uma articulação sistemática e completa da relação entre a Bíblia hebraica e as Escrituras cristãs como sendo a de que a primeira prenuncia o cristianismo". Esta relação está explicada pelas imagens duais de eventos do Antigo na nave e do Novo Testamento no arco. Os mosaicos revelam ainda um amplo espectro de expertise artística e refutam a teoria de que a técnica nesta época estava calcada na cópia de modelos em livros. ! ! Em Santa Maria, o arco triunfal está decorado por magníficos mosaicos retratando diferentes cenas da "Vida de


Cristo" e da "Vida da Virgem". Contudo, Há uma diferença nos estilos utilizados entre os mosaicos do arco e os mosaicos da nave. Os primeiros são muito mais lineares e planos e não demonstram tanta ação, emoção e movimento quanto os mosaicos do Antigo Testamento da nave. ! ! Uma das primeiras cenas é um "Cristo em Majestade" rodeado pelos anjos de sua corte celestial, "um jovem imperador rodeado por quatro camareiros". Outro representa a Virgem, coroada e vestida de forma sutilmente similar a uma imperatriz romana, com Jesus andando consigo e com uma grupo de anjos em direção a José, pronto para recebê-la.

Cripta da Natividade ! ! Sob o altar-mor da basílica está a "Cripta da Natividade" ou "Cripta de Belém", que abriga um relicário de cristal projetado por Giuseppe Valadier construído para proteger a madeira da manjedoura onde nasceu Jesus. É ali também que está sepultado São Jerônimo, o Doutor da Igreja do século IV que traduziu a Bíblia para o latim (a Vulgata).

! ! ! Fragmentos do presépio que acredita-se ter sido esculpido no século XIII por Arnolfo di Cambio e que ficavam ali, foram transferidos para o oratório 69


abaixo do altar da grande "Capella Sistina", no braço direito do transepto. Salus Popoli Romani ! ! A Colonna della Pace na Piazza Santa Maria Maggiore celebra o famoso ícone da Virgem Maria que hoje está abrigado na "Capela Borguese" da basílica e conhecido como "Salus Populi Romani" ("Saúde do Povo Romano" ou "Salvação do Povo Romano") por ter evitado milagrosamente que uma epidemia de peste atingisse a cidade. O ícone tem pelo menos mil anos de idade e, de acordo com a tradição, teria sido pintado ainda em vida por São Lucas utilizando madeira da mesa da Sagrada Família em Nazaré.

!! ! O Salus Populi Romani era o ícone favorito de muitos papas e funcionou como um dos mais importantes símbolos mariológicos. O romano papa Pio XII celebrou sua primeira missa ali em 1 de abril de 1899. Em 1953, ele foi carregado em procissão através de Roma para festejar o primeiro ano mariano na história da Igreja Católica. No ano seguinte, o ícone foi coroado por Pio XII quando ele instituiu uma nova festa para a Virgem, a da Rainha dos Céus. Paulo VI, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco visitaram o ícone ou celebraram serviços na capela. Curiosidade Bernini morou em uma casa que fica de frente para a lateral esquerda da igreja. Existe uma placa na frente da casa, dizendo que ela morou ali com seu pai, o também escultor Pietro Bernini.

Após seu falecimento, o corpo foi enterrado em um jazigo no interior da basílica. 70


8. Basílica de São Paulo fora dos Muros Fonte: Vatican.va 8.1. História ! ! Com o fim das perseguições e a promulgação dos editos de tolerância ao cristianismo, no início do século IV, o imperador Constantino ordenou escavações nos lugares da cella memoriae, onde os cristãos veneravam a memória do apóstolo São Paulo, decapitado entre 65 e 67, sob o império de Nero. Foi sobre esse túmulo, situado na via Ostiense, aproximadamente 2 km fora dos muros aurelianos que cercam Roma, que mandou erguer uma Basílica, consagrada pelo papa Silvestre em 324. ! ! Reformada e ampliada entre 384 e 395, sob os impérios de Teodósio, Valentino II e Arcádio, e disposta num amplo plano em 71

cinco naves instalado além de um pórtico de quatro faces, a Basílica não cessaria de ser objeto de aprimoramentos e acréscimos executados pelos papas ao longo dos séculos. Entre eles, citamos a imponente cinta de fortificação elevada como proteção contra as invasões no final do século IX, o campanário e a admirável porta bizantina do século XI, e ainda os mosaicos da fachada, de Pietro Cavallini, o belo claustro dos Vassalletto, o célebre baldaquino gótico de Arnolfo di Cambio e o candelabro pascal de Nicola d’Angelo e Pietro Vassalletto, do século XIII. Essa foi a era de ouro da maior basílica de Roma, superada apenas com a consagração da nova Basílica de São Pedro, em 1626. Meta sagrada de peregrinações da cristandade, a Basílica de São Paulo Fora dos Muros é famosa por suas obras de arte.


! ! Na noite de 15 de julho de 1823, um incêndio destruiu esse testemunho único de épocas paleocristãs, bizantinas, do Renascimento e do Barroco. A basílica foi reconstruída idêntica ao que era antes, com a reutilização dos elementos poupados pelo fogo. Papa Gregório XVI, em 1840, consagraria o altar da Confissão e o transepto. ! ! E os aprimoramentos continuavam. Em 1928, foi acrescentado o pórtico da 150 colunas. Nos dias de hoje, foi a vez do túmulo do Apóstolo vir à luz, ao mesmo tempo em que uma série de importantes reformas se beneficiam, como no passado, da generosidade dos cristãos de todas as partes do mundo. ! ! A longa série de medalhões representa todos os papas da história, e foi iniciada sob o pontificado de Leão Magno, no século V, testemunhando de modo extraordinário o “primado reconhecido pelos fiéis de todos os lugares à grandíssima Igreja constituída em Roma pelos gloriosos apóstolos Pedro e Paulo” (Santo Irineu, século II). ! ! São Paulo Fora dos Muros é um vasto complexo extraterritorial (Motu propriodo papa Bento XVI, 30 de maio de 2005), administrado por um Arcipreste.

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! ! Além da Basílica papal, o conjunto compreende uma abadia beneditina muito antiga, restaurada por Odon de Cluny em 936, bastante atuante nos dias de hoje. Os monges beneditinos da antiquíssima abadia, edificada junto ao túmulo do Apóstolo pelo papa Gregório II (715-731), promovem o ministério da Reconciliação (ou Penitência) e a realização de eventos ecumênicos. ! ! É na Basílica que se conclui todos os anos solenemente, no dia da conversão de São Paulo, 25 de janeiro, a Semana pela Unidade dos Cristãos. ! ! O Santo Padre Bento XVI, em 28 de junho de 2007, esteve na Basílica para promulgar o “Ano Paulino”, com a finalidade de celebrar o Bimilenário do nascimento de São Paulo. O Ano Paulino foi realizado a partir de 28 de junho de 2008 a 29 de junho de 2009. 8.2 O Túmulo do Apóstolo ! ! Paulo chega a Roma em 61, para ai ser julgado. É decapitato entre 65 e 67. Seu corpo será depositado a pouco mais de três quilômetros do lugar do martírio, no sepulcro que a cristã Lucina possuía na via Ostiense, que fazia parte do cemitério que ali existia. Foi possível sepultar o apóstolo Paulo numa necrópole romana, mesmo sendo ele cristão, por ser também cidadão


romano. Seu túmulo logo se torna objeto de veneração, sobre ele se edifica uma cella memoriae ou tropaneum, memorial para onde, durante esses séculos de perseguição, se dirigem em oração os fiéis e os peregrinos, dele haurindo forças para prosseguir a evangelização empreendida pelo grande missionário.

! ! Foi sobre um sarcófago maciço de 2,55 m de comprimento por 1,25 m de largura e 0,97 m de altura que foram erguidos os “altares da Confissão” seguintes. Durante as reformas mais recentes, foi aberta uma grande janela sob o altar papal, para que os fiéis possam ver o túmulo do Apóstolo. Curiosidade AS CORRENTES DE SÃO PAULO: Nove elos das correntes que teriam usado para deter o Apóstolo São Paulo, antes que o mesmo fosse decapitado, estão conservados num relicário de bronze, e os fiéis podem ver. É uma importante relíquia Papal.

! ! A 1,37 m abaixo do atual altar papal, uma lápide de mármore (2,12 m x 1,27 m) traz a inscrição PAULO APOSTOLO MART. Ela é composta de diversas partes. A que traz o nome PAULO possui três orifícios um redondo e dois quadrados (O orifício redondo, que não altera a inscrição, é sem dúvida da mesma época em que ela foi feita; ele se liga a um pequeno escoadouro conectado ao túmulo, e lembra o costume romano, depois cristão, de derramar perfumes nos túmulos. Essa lápide dos séculos IV-V, muito provavelmente, é testemunha de um culto anterior à grande construção de 386.). 73


9. San Paolo alle tre fontane San Paolo alle Tre Fontane ("São Paulo nas Três Fontes") é uma igreja de Roma dedicada a São Paulo e construída no local onde supostamente se deu o seu martírio. Em latim, seu nome é Sancti Pauli ad Aquas Salvias. 9.1. A Abadia das três fontes ! ! A Abadia das Três Fontes (em latim: Abbatia trium fontium ad Aquas Salvias), também chamada de Abadia de São Vicente e Santo Anastácio, é uma abadia católica em Roma apontada como o local onde São Paulo foi decapitado por ordem do imperador Nero no ano 67 d.C. Segundo a tradição, a cabeça do santo, ao ser cortada, saltou e atingiu a Terra em três lugares, dos quais surgiram fontes. ! ! Atualmente é mantida pelos monges trapistas da ordem cisterciense. Ela é 74

conhecida por criar as ovelhas cuja lã é utilizada para tecer os pálios utilizados pelos arcebispos metropolitanos e abençoadas pelo Papa durante a festa de Santa Inês, em 21 de janeiro. Os pálios são depois entregues aos novos arcebispos na Festa de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho. ! ! Além da lã, os monges da Abadia das Três Fontes produzem diferentes meles (flores, acácia e eucalipto), além de azeite de oliva, chocolates, marmelada, licor e cerveja. 9.2. As Igrejas ! ! Três igrejas pertencem ao mosteiro. A primeira, San Paolo alle Tre Fontane, foi erguida no local onde tradicionalmente acredita-se que o apóstolo Paulo foi decapitado por ordem do imperador romano Nero.


localizado o altar chamado Scala Coeli ("Escada para o céu"), que empresta seu nome à igreja em si.

! ! A terceira foi, assim como o próprio mosteiro, dedicada à São Vicente e Santo Anastácio da Pérsia, construída pelo Papa Honório I em 626 d.C. e entregue à ordem dos beneditinos, que tomam conta também das outras duas igrejas. Coluna onde Paulo teria sido atado para execução

A lenda diz que, uma vez separada do corpo, a cabeça bateu no chão em três diferentes lugares, de onde nasceram as fontes que deram nome à abadia. Elas ainda estão lá. A igreja também guarda a coluna que teria sido aquela a que Paulo estava amarrado quando foi martizado. ! ! A segunda, Santa Maria Scala Coeli, dedicada à Virgem Maria sob o título de "Nossa Senhora dos Mártires", foi construída sobre as relíquias de São Zenão e seus 10.203 legionários, que foram martirizados durante a perseguição de Diocleciano, em 299 d.C. Nesta igreja está 75

Curiosidade ! ! Os monges da abadia são responsáveis pela frabricação da Cerveja trapista Tre Fontane Tripel, feita com eucaliptos plantados pelos próprios monges para combater um surto de malária no ano de


1870 e cultivados na abadia desde então. A cerveja é vendida apenas na abadia e em alguns restaurantes da região de Roma. Encorpada, tem alta carbonatação, final seco e possui teor alcoólico de 8,5%. ! ! Recentemente os monges receberam o selo Associação Internacional Trapista pela fabricação da cerveja. A certificação foi concedida aos monges após degustação realizada em maio de 2015 pela referida associação. ! ! A Tre Fontane é 11ª cervejaria no rol dos autorizados a usar o selo de autenticidade trapista, juntamente com as belgas Westmalle, Orval, Westvleteren, Achel, Chimay e Rochefort, as holandesas La Trappe e Zundert, a austríaca Stift Engelszell e a americana Spencer.

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República de Malta

1. Ilha de Malta ! ! Malta, oficialmente República de Malta, é um país desenvolvido no sul do continente europeu cujo território ocupa as Ilhas Maltesas, um arquipélago situado no Mar Mediterrâneo, 93 km ao sul da ilha da Sicília (Itália) e 288km a nordeste da Tunísia (África), 1826 km a leste de Gibraltar e 1510 Km a oeste de Alexandria. ! ! Malta abrange uma área terrestre de 316 km², tornando-se um dos menores países da Europa, possuindo também a maior densidade demográfica do continente. Sua capital é Valeta e a maior cidade é Birkirkara. O Maltês é a língua nacional e o inglês é a língua co-oficial. ! ! Ao longo da história, a localização de Malta deu-lhe grande importância estratégica e uma sucessão de potências, incluindo fenícios, romanos, árabes, normandos, aragoneses, a Espanha dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João, franceses e britânicos governaram a ilha. Malta ganhou a sua independência do Reino Unido em 1964 e

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tornou-se uma república em 1974, mantendo associação na Commonwealth. É um membro das Nações Unidas (desde 1º de dezembro de 1964) e um membro da União Europeia desde 1º de maio de 2004. Malta é também parte do Acordo de Schengen (desde 2007) e membro da Zona do Euro (desde 2008).

romanos (218 a.C.), quando receberam o nome Melita. Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, no ano 60 da era cristã, São Paulo naufragou e chegou à costa maltesa, onde promoveu a conversão de seus habitantes. A partir desta data, os malteses aderiram ao Cristianismo e permanecem-lhe fiéis até hoje.

História

! ! Com a divisão do Império Romano em 395 d.C., a zona leste da ilha foi cedida ao domínio de Constantinopla (Império do Oriente). O Império Bizantino controlou-a até 870, quando foi conquistada pelos árabes muçulmanos, que influenciaram o seu idioma e a sua cultura. Após a conquista árabe, Malta foi convertida ao islamismo. A influência árabe pode ser encontrada na moderna língua maltesa, uma língua fortemente romantizada que originalmente deriva do árabe vernacular.

! ! Malta está habitada desde cerca de 5200 a.C., durante o Neolítico (Ġgantija, Mnajdra). Os primeiros achados arqueológicos datam aproximadamente de 3800 a.C. Existiu nas ilhas uma civilização pré-histórica significativa antes da chegada dos fenícios, que batizaram a ilha principal de Malat, o que significa refúgio seguro. Os agricultores neolíticos viveram sobretudo em cavernas e produziram uma cerâmica similar à encontrada na Sicília. Entre 2400 e 2000 a.C., desenvolveu-se um elaborado culto aos mortos, possivelmente influenciado pelas culturas das ilhas Cíclades e de Micenas (idade do bronze). Essa cultura foi destruída por uma invasão, provavelmente vinda do sul da Itália. ! ! Por volta do ano 1000 a.C., as ilhas eram uma colônia fenícia. Em 736 a.C., foram ocupadas pelos gregos e posteriormente passaram a ser domínio dos cartagineses (400 a.C.) e depois dos 78

! ! Em 1090, o conde Rogério (ou Roger) da Sicília conquistou Malta e submeteu-a às suas leis até ao século XVI. Foi nesta época que foi criada a nobreza maltesa. Esta ainda permanece hoje em dia, e há 32 títulos que ainda são usados, sendo o mais antigo: Barões de Djar il Bniet e Buqana. Após a conquista pelos normandos da Sicília, Malta voltou a ser cristã. Depois de ser anexada ao reino da Sicília, Malta foi recuperada por forças muçulmanas. Em 1245, Federico II de Hohenstaufen


expulsou os árabes e em 1266 as ilhas, junto com a Sicília, passaram ao domínio de Carlos I de Anjou, que as cedeu em 1283 a Pedro III de Aragão. ! ! Caindo em mãos dos reinos espanhóis de Aragão e Castela, foi submetida então à Espanha. Em 1518, sob o império de Carlos V, foi concedida aos cavaleiros de Rodes. ! ! Em 1530, as ilhas foram cedidas pela Espanha à Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém - uma ordem religiosa e militar pertencente à Igreja Católica -, que tinham sido expulsos de Rodes pelo Império Otomano. Esta ordem monástica militante, hoje conhecida como "Ordem de Malta", foi sitiada pelos turcos otomanos em 1565, após o que acrescentaram as fortificações, especialmente na nova cidade de Valetta. Os Cavaleiros de São João de Jerusalém governaram as ilhas até o século XIX. 79

! ! Em 1798, Napoleão Bonaparte invadiu e tomou Malta. A Grã-Bretanha retomou seu controle em 1800, a partir da rendição do comandante francês, general Claude-Henri Belgrand de Vaubois. Dentre os interventores que contribuíram para o domínio britânico destaca-se Sir Alexander Ball, que veio a se tornar o primeiro governador inglês de Malta. ! ! Em 1814, como parte do Tratado de Paris, Malta tornou-se oficialmente parte do Império Britânico como colônia e passou a ser usada como porto de escala e quartel-general da frota até meados da década de 1930. Malta desempenhou um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial devido à sua proximidade às linhas de navegação do Eixo e a coragem do seu povo, que resistiu ao assédio de alemães e italianos durante o cerco do arquipélago, levou à atribuição da George


Cross, que hoje pode ser vista na bandeira do país. ! ! O arquipélago passou a ser autonomamente governado em 1947. Em 1955 Dom Mintoff (Dominic Mintoff), líder do Partido Trabalhista de Malta (PTM), tornou-se no primeiro-ministro. Em 1956 o PTM propôs uma nova integração no Reino Unido, proposta que viria a ser aceite em referendo, mas com a oposição do Partido Conservador, liderado por Giorgio Borg Olivier. Em 1959 revogaram a autonomia, mas voltaram a restaurá-la em 1962. Em 21 de setembro de 1964, Malta tornou-se totalmente independente e converteu-se em membro das Nações Unidas. Nessa altura, tornou-se membro da Commonwealth e celebrou uma aliança com o Reino Unido de ajuda económica e militar. Segundo a constituição de 1964, Malta manteve como 80

soberana a rainha Elizabeth II, e um governador-geral exercia a autoridade executiva em seu nome. De 1964 a 1971 Malta foi governada pelo Partido Nacionalista. Adotou, em 13 de dezembro de 1974, o regime republicano dentro da Commonwealth, com o presidente como chefe de estado. ! ! Embora Malta seja inteiramente independente desde 1964, os serviços britânicos permaneceram no país e mantiveram um controle total sobre os portos, aeroporto, correios, rádio e televisão. Em 1979, Malta rompeu a aliança com o Reino Unido e os britânicos evacuaram a sua base militar, pondo fim a 179 anos de presença na ilha. Isso aconteceu depois de o governo britânico se ter recusado a pagar uma renda mais elevada, o que era pretendido pelo governo maltês do tempo (trabalhista), para


permitir que as forças britânicas permanecessem no país. O primeiro-ministro era, então, Dominic Mintoff. Pela primeira vez na sua história, Malta ficou nesse momento livre de bases militares estrangeiras. Este acontecimento é hoje celebrado como o Dia da Liberdade. ! ! Em 1971, o Partido Trabalhista regressou ao Poder, mas com uma maioria reduzida sendo Dominic Mintoff o primeiro-ministro. Desenvolveu uma política de amizade com a China e com a Líbia. A década de 1970 caracterizou-se pelo enfraquecimento das relações com o Ocidente e pela aproximação com os regimes comunistas. Em 1984 Mintoff retirou-se e foi substituído por Mifsud Bonnici, novo líder do seu partido. A política de aproximação com os regimes comunistas sofreu mudança substancial em 1985, com o estabelecimento de um acordo com a Comunidade Econômica Europeia. ! ! Em 1987, o Partido Nacionalista, mais voltado para o Ocidente e com uma política de aproximação à União Europeia, venceu as eleições para a Câmara de Representantes, pondo fim a 16 anos de domínio do Partido Trabalhista. Edward Fenech Adami foi eleito primeiro-ministro. Em Dezembro de 1989, Malta foi o local escolhido para um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, George H. 81

W. Bush, e o presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Em Outubro de 1990, o país solicitou formalmente a adesão à União Europeia. Nas eleições de 1992, os nacionalistas derrotaram novamente os seus opositores. A política governamental continuou a ser de liberalização, e foram realizadas diversas reformas de ordem econômica, com vistas a tornar o país um membro da União Europeia. Divergências de fundo entre o Partido Nacionalista, no poder desde 1987, e o Partido Trabalhista quanto à adesão de Malta à União Europeia conduzem a eleições antecipadas em 1996, o Partido Trabalhista de Alfred Sant ganhou as eleições. Após entrar em funções o novo governo anuncia que Malta deixava de ser candidata à adesão. Em 1998 ocorrem novas eleições em que o Partido Nacionalista e o seu líder Edward Fenech Adami obtém uma grande vitória e retomam o caminho europeu, que culminaram com a entrada de Malta no dia 1 de maio de 2004 na União Europeia.


2. Ilha do Gozo ! ! Gozo é uma ilha no Mar Mediterrâneo, parte da República de Malta, e a segunda maior ilha em extensão territorial do arquipélago que forma aquele país. ! ! Tem área de 67 km² e população de 37.342 em março 2014. Sua principal cidade é Rabat, também chamada Victoria. É uma diocese católica independente. A ilha tornou-se despovoada em 1551 quando toda a população de aproximadamente 6.000 habitantes foi escravizada por soldados otomanos e piratas muçulmanos. Curiosidade ! ! A ilha do Gozo e Mosteiro Dominicano em Malta foram locações para a série Game of Thrones.

3. Santuário Nacional de N. Sra. “Ta’ Pinu” (fonte: malta-guide.net) ! ! O Santuário de Ta’ Pinu é uma obra-prima arquitetônica construída num local isolado na ilha de Gozo, num vale entre as povoações de Gharb e Ghammar. O santuário feito em honra da Nossa Senhora de Ta’ Pinu, acolhe todos os visitantes que queiram rezar ou simplesmente admirar as esplêndidas esculturas e trabalho artesanal nas pedras Maltesas dentro da igreja.

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! ! A Basílica de Ta’ Pinu é um dos locais mais visitados na ilha de Gozo, não só pelos habitantes de Malta mas também por muitos turistas. Lá dentro, é possível contemplar a maravilhosa arquitetura e testemunhar a devoção dos Malteses, expressa em artigos como capacetes, gessos, fotos ou lembranças de bebês pendurados nas paredes como oferendas de promessas atendidas pela Nossa Senhora de Ta’ Pinu. História ! ! O Santuário de Ta’ Pinu é bastante antigo e a sua origem é desconhecida mas os primeiros registos da capela datam de 1534. Este local de oração foi contruído pela família nobre Gentili (Os Gentis) em devoção à Nossa Senhora da Assunção. ! ! Em 1575, a igreja foi fechada pelo Monsenhor Pietro Duzina, um delegado 83

do Papa Gregório XII, porque estava em péssimo estado. Também foram dadas ordens para que o santuário fosse demolido mas, de acordo com a lenda, o primeiro golpe de picareta partiu o braço do trabalhador, o que foi entendido como mensagem divina. Por isso, a capela foi salva. ! ! Mais tarde, em 1598, a propriedade onde esta igreja se situa foi comprada por outra família. Isto fez com que o seu nome mudasse para Ta’ Pinu, que significa “de Filipe”, do novo procurador Pinu (Filipe) Gauci, que ofereceu dinheiro para que a igreja fosse restaurada e passasse a haver serviço litúrgico. Foi então erigido um novo altar, no qual a pintura da Assunção de Nossa Senhora foi feita por Amadeo Perugino, em 1619. ! ! Mas o episódio mais importante que tornou Ta’ Pinu no santuário que é hoje


aconteceu em 1883. A 22 de Junho, Karmela Grima, uma grande crente na Virgem Santíssima, ouviu alguém chamá-la enquanto caminhava perto da capela. Ela fugiu até que ouviu a voz novamente , dessa vez vinda claramente do interior da capela. Quando Karmela entrou, a voz que vinha da imagem da Virgem Santíssima pediu-lhe para rezar três Ave Marias em homenagem aos três dias que o seu corpo tinha ficado na sepultura antes da Ascensão aos Céus. ! ! Algum tempo depois, Karmela ficou de cama doente durante mais de um ano mas acabou por se curar. Só muito mais tarde viria a contar o que se tinha passado perto de Ta’ Pinu a um dos seus amigos, Francesco Portelli. Este revelou-lhe que o mesmo se tinha passado consigo e que, consequentemente, a sua mãe fora miraculosamente curada. Estes dois 84

acontecimentos foram mais do que suficientes para as pessoas em Gozo e nas ilhas próximas passarem a fazer peregrinações à Nossa Senhora de Ta’ Pinu. Depois de confirmação por parte da Santa Igreja que as histórias eram verdade, decidiram construir a bonita Basílica de Ta’ Pinu no estilo Romanesco, para receber os muitos peregrinos. A construção começou em 1920 e em 1932 a nova igreja abriu. Em 1990, o Papa João Paulo II foi à igreja de Ta’ Pinu, celebrou a missa no adro e decorou a imagem de Nossa Senhora com cinco estrelas douradas, que representam a devoção das pessoas da ilha de Gozo pela abençoada Virgem Maria.


4. Igreja do Naufrágio de São Paulo Fonte: (expedia.com.br/Naufragio-Da-ColegiataDe-Sao-Paulo-Rabat.d6062807.Guia-de-Vi agem) ! ! A Igreja do Naufrágio de São Paulo foi fundada em 1570 e é dedicada ao apóstolo que trouxe o cristianismo para as ilhas em torno de 60 d.C. Passeie pelo interior da igreja Católica Romana e admire as obras de arte e as relíquias religiosas. ! ! São Paulo costuma ser considerado o pai espiritual dos malteses e naufragou na ilha a caminho de Roma. O evento é considerado de grande importância nacional para as pessoas que vivem aqui. ! ! Veja o principal altar de Matteo Perez d'Aleccio, pintor italiano que estudou com Michelangelo. A linda obra de arte retrata 85

o naufrágio de São Paulo. Observe as cenas bíblicas que decoram o interior da cúpula. Aprecie os afrescos que registram os episódios de sua vida e admire a estátua magnífica do santo, entalhada pelo escultor Melchiorre Gafa em 1657. Todo mês de fevereiro, a estátua é levada pelas ruas de Malta para celebrar o naufrágio. Também vale a pena observar o loft do órgão suntuosamente decorado. ! ! A Igreja do Naufrágio de São Paulo abriga duas relíquias religiosas veneradas pelos católicos. Veja um dos ossos do pulso e parte da coluna do santo que dizem ser do apóstolo decapitado. Acima da relíquia está uma escultura de sua cabeça. ! ! Observe a rica coleção da igreja de objetos preciosos. O que inclui um cálice de ouro e estátuas dos apóstolos em ouro e prata. Ainda há um ostensório cravado de diamantes.


! ! A igreja fica aberta diariamente, durante todo o dia, com entrada grátis, mas doações são aceitas. O santuário é fechado por algumas horas no horário do almoço. ! ! A Igreja do Naufrágio de São Paulo fica na área de pedestres de Valletta, a aproximadamente 10 minutos a pé do terminal de ônibus. Se você estiver de carro, há um estacionamento com parquímetro nos arredores do Portão da Cidade, a principal entrada da cidade.

5. As Catacumbas de São Paulo ! ! As Catacumbas de São Paulo são um complexo típico de cemitérios romanos subterrâneos interligados que estavam em uso até o século IV dC. Elas estão localizadas nos arredores da antiga capital romana Melite (Mdina de hoje), uma vez 86

que o direito romano proibia enterros dentro da cidade. As catacumbas de São Paulo representam a evidência arqueológica mais antiga e maior do cristianismo em Malta. O sítio foi revelado e investigado em 1894 pelo Dr. A.A. Caruana, pioneiro da arqueologia da era cristã em Malta. ! ! As Catacumbas de São Paulo estão situadas na zona de Ħal Bajjada em Rabat, numa área que às vezes também é chamada de Tad-Dlam. O sítio consiste em duas grandes áreas chamadas São Paulo e São Paulo /Santa Agatha, e estão repletas de mais de 30 hypogea, das quais o complexo principal, situado no conjunto de São Paulo, compreende um complexo sistema de passagens e túmulos interligados que cobrem uma área De mais de 2.000 metros quadrados.


! ! O conjunto obtém o nome do mito de que uma vez foi conectado com a Gruta de São Paulo, que também foi parcialmente recortada em um hipogeo paleocristiano. A origem da catacumba principal, provavelmente, começou a partir de um conjunto de pequenas tumbas do tipo Púnico-Romano e hipogea que eventualmente foram ampliadas e ligadas ao acaso para criar o complexo sistema de passagens e túmulos usados no período romano tardio. Embora muito menores em comparação com as catacumbas de Roma e outros grandes centros romanos, as catacumbas de São Paulo são um bom exemplo da arquitetura subterrânea maltesa, que é o resultado de um desenvolvimento indígena pouco influenciado pelas tradições estrangeiras. ! ! A entrada do complexo principal das catacumbas de São Paulo leva a dois salões 87

consideravelmente grandes, adornados com pilares feitos para assemelhar-se a colunas doricas e emplastros pintados, a maioria dos quais já desapareceram. Ao manter-se com o que parece ter sido uma norma na maioria das catacumbas cristãs, estes salões principais estão equipados com duas mesas circulares colocadas em uma plataforma baixa com lados inclinados que se assemelham ao sofá reclinável (triclinium) presente nas casas romanas. Em todos os casos encontrados no complexo principal e nos muitos outros Hypogea Cristãs do sítio, tanto a mesa como o sofá são cortes de uma só peça, da rocha viva, formando uma unidade arquitetônica. Embora várias interpretações possam ser encontradas, essas tricliniae ou mesas para o Agape provavelmente foram usadas para realizar refeições comemorativas durante o festival


anual dos mortos, nos quais os ritos dos enterros eram renovados. ! ! O complexo provavelmente foi abandonado e, até certo ponto, despojado durante o período sarraceno, quando os costumes funerários mudaram dramaticamente de acordo com as práticas dos novos conquistadores. Parte das catacumbas foram usadas novamente durante a re-cristianização da Ilha ao redor do século 13, quando um espaço aberto foi recortado e usado como um santuário cristão decorado com murais. ! ! As catacumbas foram eventualmente abandonadas e o sítio caiu em ruínas. A entrada principal foi bloqueada, mas o acesso ainda era possível através de um hipogeo independente em Djar Ħanżira (agora Catacombs alley). Foi a partir daqui que G.F. Abela provavelmente acessou o sítio, que ele descreveu em sua Della 88

Descritione di Malta. O complexo, contudo, foi limpo de detritos apenas em 1894 por A.A. Caruana, que limpou todas as passagens de entulho e examinou o complexo, incluindo as áreas adquiridas por proprietários privados.

6. A Catedral de São Paulo ! ! Construída com camadas e mais camadas de história fascinante, este é um local magnífico de devoção em uma cidade antiga cativante. ! ! Conheça o interior luxuoso da Catedral de São Paulo, um ponto importante em qualquer passeio a pé guiado pela encantadora Mdina. Muitas vezes conhecida como Catedral de Mdina, a Catedral de São Paulo tem uma cúpula octogonal listrada que se destaca no horizonte.


! ! Caminhe pela ruas estreitas ao redor e admire a fachada tradicional e elegante da catedral. Cercada por ruelas charmosas, uma praça e jardins do bairro, a catedral tem um exterior belíssimo. Entretanto, a grande magia está na parte de dentro. O interior da catedral é muito bem enfeitado, com detalhes lindos por todos os lados. Ele é decorado com alvenaria, ouro e mármore complexos ou ilustrações delicadas. Observe os detalhes de tecidos vermelhos ao redor dos arcos. Ao caminhar pela catedral, procure os túmulos decorados com os emblemas dos clérigos mais importantes no piso de mármore xadrez colorido. ! ! O valor histórico da Catedral de São Paulo é impressionante. De acordo com a lenda, o governador local Publius recebeu São Paulo quando o santo naufragou na costa leste maltesa. Publius foi convertido 89

ao Cristianismo por São Paulo em sua casa, que ficava nesse local. ! ! A igreja atual foi construída no século XVII para substituir estruturas anteriores, sob as instruções do arquiteto Lorenzo Gafa. Sua construção foi um grande evento para Mdina e diversas ruelas foram demolidas para abrir espaço para a catedral. Pequenos detalhes da igreja antiga permanecem na construção mais nova: afrescos, a porta da sacristia e a pia batismal. A porta guarda muitas memórias de Mdina, pois sua madeira tem cerca de 900 anos. ! ! Olhe para cima para ver afrescos e obras de arte incríveis por todas as paredes da catedral, incluindo os painéis do teto. A pintura imensa atrás do altar, que retrata a conversão de São Paulo, foi feita por Mattia Preti, artista renomado que decorou muitas das mais belas catedrais de


Malta. Preti também criou a obra de arte da cúpula, que celebra o naufrágio de São Paulo.

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Istambul

Fonte: Wikipedia ! ! Istambul (em turco: İstanbul), a antiga Bizâncio e Constantinopla (nome ainda usado em várias línguas, como no grego Κωνσταντινούπολις, Konstantinúpolis), é a maior cidade da Turquia, a quarta maior do mundo, rivalizando com Londres como a mais populosa da Europa, com 13.120.596 habitantes na sua área metropolitana (2010). A grande maioria da população é muçulmana, mas também há um grande número de laicos e uma ínfima minoria de cristãos e judeus. ! ! É a capital da área metropolitana (büyükşehir) e da província de Istambul, a qual faz parte da região de Mármara. No passado foi a capital administrativa da Província de Istambul, na chamada Rumélia ou Trácia Oriental. Foi denominada Bizâncio até 330 d.C., e Constantinopla até 1453, nome bastante difundido no Ocidente até 1930. Durante o período otomano, os turcos chamavam-na de Istambul, nome oficialmente adotado em 28 de março de 1930.

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! ! Foi a capital do Império Romano do Oriente e do Império Otomano até 1923, cujo governante máximo, o sultão, foi durante séculos reconhecido como califa, o chefe supremo de todos os muçulmanos, o que fazia da cidade uma das mais importantes de todo o Islão. Atualmente, embora a capital do país seja Ancara, Istambul continua a ser o principal polo industrial, comercial, cultural e universitário (aí estão sediadas mais de uma dezena de universidades) do país. É a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, sede da Igreja Ortodoxa. ! ! A cidade ocupa ambas as margens do estreito do Bósforo e do norte do mar de Mármara, os quais separam a Ásia da Europa no sentido norte-sul, uma situação que faz de Istambul a única cidade que ocupa dois continentes. A parte central da parte europeia é por sua vez dividida pelo estuário do Chifre de Ouro. É usual dizer-se que a cidade tem dois ou três centros, conforme se considere ou não que na parte asiática também existe um centro. No lado europeu há duas zonas com mais destaque em termos de movimento de pessoas e património cultural: o mais antigo, onde se situava o núcleo da antiga Bizâncio e Constantinopla, correspondente ao atual distrito de Fatih, fica a sul do Corno de Ouro, enquanto que Beyoğlu, a antiga Pera e onde se situava o 92

bairro europeu medieval de Gálata, fica a norte. O centro da parte asiática tem contornos menos precisos, e ocupa parte dos distritos de Üsküdar e Kadıköy. Algumas zonas históricas da parte europeia de Istambul foram declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1985. Em 2010, a cidade foi a Capital Europeia da Cultura. Devido à sua dimensão e importância, Istambul é considerada uma megalópole e uma cidade global. História Pré-história ! ! Em 2008, durante as obras de construção da estação de Yenikapı, foi descoberto um assentamento neolítico até então desconhecido, datado de cerca de 6.500 a.C., quando o Bósforo ainda não se tinha formado e o mar de Mármara era pouco mais que um lago interior. Entre os séculos XIII e XI a.C., tribos trácias estabeleceram dois assentamentos — Lygos e Semistra — em Sarayburnu (cabo do Serralho), perto do local onde se ergue atualmente o Palácio de Topkapı. ! ! O primeiro povoamento no lado anatólio (oriental) foi encontrado no monte Fikirtepe, no que é hoje o distrito de Kadıköy. Data da Idade do Cobre e nele foram encontrados artefatos que datam de


5.500 a 3.500 a.C. Não longe dali, foi descoberto um entreposto comercial fenício que existiu no início do 1º milénio a.C. Calcedônia, a primeira colônia grega na área, foi fundada por dóricos da cidade de Mégara que se estabeleceram no cabo de Moda, cerca de 685 a.C. (675 a.C. ou 639 a.C. segundo outras fontes), onde hoje se situa o distrito de Kadıköy. Bizâncio ! ! Bizâncio foi igualmente fundada por colonos de Mégara, que se estabeleceram nos antigos povoados trácios de Lygos e Semistra, no lado ocidental (europeu) do Bósforo, na margem sul do Corno de Ouro 17 anos depois de fundarem Calcedônia, ou seja, 667 a.C., 659 a.C. ou 619 a.C. No final do século VII a.C. foi fundada uma acrópole no cimo do cabo do Serralho, no local onde hoje se encontra o Palácio de Topkapı. 93

! ! Segundo a lenda, a localização da nova cidade foi indicada ao rei de Mégara, Bizas, de onde provém o nome Bizâncio, pelo Oráculo de Delfos, quando o rei lhe foi pedir conselho sobre uma nova terra para se estabelecer com a sua família e seguidores. O oráculo aconselhou-o a procurar a "terra dos cegos" e fundar a cidade no lado oposto àquele onde essa se encontrava. Bizas percebeu a importância estratégica do Cabo do Serralho, rodeado de água por três lados (o mar de Mármara a sul e sudoeste, o Bósforo a leste e nordeste e o Corno de Ouro a norte), na importante rota marítima que liga o Mediterrâneo ao mar Negro através do mar de Mármara e do Bósforo, pelo que assumiu que o oráculo se referia aos calcedônios como "cegos" por não terem sido capazes de ver que era ali, e não no lado oriental, o local ideal para construir uma cidade.


! ! Apesar da sua situação privilegiada, a cidade não se desenvolveu significativamente durante os primeiros tempos. Foi muito afetada durante as Guerras Médas (greco-persas), tendo sido ocupada por Dario I em 512 a.C. Segundo algumas fontes, a cidade esteve sob o domínio do Império Aquemênida, entre 479 e 444 a.C., depois da expulsão do general espartano Pausânias. Outras fontes referem que nesse período a cidade estava sob domínio ateniense, fazendo parte da Liga de Delos a partir de 478 a.C., contra a qual se revoltou em 440, para ser submetida pouco depois. Bizâncio viu-se depois envolvida nas guerras entre Atenas e Esparta (Guerra do Peloponeso) e o seu controle (direto ou através de alianças) foi disputado por ambos os lados durante os dois séculos seguintes. ! ! Em 340 a.C., Filipe II da Macedônia cobiça Bizâncio, entretanto já independente de novo, mas não consegue ocupá-la. O seu filho Alexandre, o Grande passa junto à cidade quando se dirige para a Ásia, atravessando os Dardanelos, mas curiosamente Bizâncio fica de fora do imenso império conquistado por Alexandre, apesar de ser seu vizinho muito próximo. Durante as Guerras dos Diádocos pela partilha do império de Alexandre, a cidade conseguiu manter-se neutral, continuando a ser um mercado 94

importante de bens alimentares provenientes da Trácia, Macedônia, Anatólia e do Cáucaso. As alianças que estabelece com outras cidades marítimas, como Rodes, permitem-lhe conservar a sua independência até à chegada dos romanos, apesar de algumas fontes referirem que em 179 a.C. foi conquistada por uma aliança entre Rodes e os reinos de Pérgamo e da Bitínia. Domínio Romano ! ! A partir de 191 a.C. ou 146 a.C., Bizâncio aliou-se a Roma que a reconheceu como "cidade livre e federada". No século I a.C. foi integrada na República, apesar de terem sido mantidas algumas estruturas de governo democrático local e a sua autonomia só ter sido suprimida em 73 d.C. por Vespasiano. Supõe-se que nesse tempo a cidade não ocupasse muito mais do que é hoje área do Palácio de Topkapı e da Basílica de Santa Sofia. ! ! Em 194 d.C., Bizâncio viu-se envolta numa disputa entre o imperador romano Septímio Severo e o usurpador Pescênio Níger. Após tomar partido pelo último, a cidade foi sitiada pelas forças leais a Septímio em 196 d.C. e sofreu extensos danos, tendo sido arrasadas as muralhas e os monumentos. Cinco anos depois, o mesmo Septímio Severo ordenou a reconstrução da cidade, que rapidamente


alcançou sua antiga prosperidade, chegando a ser rebatizada como Augusta Antonina pelo imperador, em homenagem a seu filho. Em 262 d.C. Bizâncio foi desvastada pelas tropas do imperador romano Galiano, mas foi rapidamente reconstruída. ! ! Durante a primeira divisão do Império Romano, Bizâncio foi uma cidade fronteiriça, pois os impérios ocidental e oriental tinham como fronteira o Bósforo. Durante a guerra civil entre Licínio e Constantino, o Grande, Bizâncio tomou o partido do primeiro, mas submeteu-se ao último após a sua vitória na batalha de Crisópolis (24 de setembro de 324), a qual teve lugar no que é atualmente Üsküdar. A posição estratégica de Bizâncio atraiu Constantino, que a rebatizou de Nova Roma. Em 330 tornou-se oficialmente a nova capital do Império Romano, quando 95

também já era conhecida pelo nome que haveria de perdurar — Constantinopla. Segundo uma lenda, Constantino começou por ordenar que a nova capital fosse edificada em Calcedônia, mas um bando de águias levou as ferramentas dos pedreiros para o outro lado do mar de Mármara, o que levou Constantino a decidir que a sua capital ficasse na margem ocidental. ! ! A refundação da cidade ficaria na História como um dos feitos mais duradouros de Constantino. O seu novo estatuto de capital imperial deslocou o poder romano para oriente e a cidade tornou-se o centro da cultura grega e do Cristianismo durante os séculos seguintes. Império Bizantino ! ! Em 395 o império tornou a ser dividido e Constantinopla passou a ser a capital do Império Romano do Oriente,


que ficaria conhecido como Império Bizantino. Foram construídas numerosas igrejas em toda a cidade, incluindo aquela que durante praticamente mil anos foi a maior catedral do mundo, a Basílica de Santa Sofia. O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla desenvolveu-se na cidade e ainda hoje o seu líder é uma das figuras mais destacadas na Igreja Ortodoxa Grega. A localização de Constantinopla ajudou a assegurar que a sua existência resistiria ao teste do tempo — durante muitos séculos as suas lendárias muralhas protegeram a Europa de invasores vindos de leste e do avanço do Islão. O estatuto de capital imperial e a posição estratégica, na encruzilhada entre a Europa e a Ásia e entre o Mediterrâneo e o mar Negro, contribuíram para tornar a cidade um importante centro de comércio, cultura e diplomacia. Enquanto o Império Romano do Ocidente mergulhava numa crise 96

econômica, política e demográfica, Constantinopla continuou a prosperar e durante a maior parte da Idade Média e nos últimos séculos do Império Bizantino foi a maior e mais próspera cidade do continente europeu, sendo em alguns períodos a maior metrópole do mundo. ! ! Um dos períodos de maior esplendor de Constantinopla foi o reinado de Justiniano I, que mandou ampliar Santa Sofia no século VI. Tendo conhecido algum declínio nos séculos VII e VIII, o império retomaria o seu esplendor nos séculos IX e X. ! ! O grande declínio do império foi marcado com a derrota na Batalha de Manziquerta (1071) frente aos turcos do Império Seljúcida, na sequência da qual grande parte da Anatólia deixou de estar sob o domínio bizantino para passar a constituir o Sultanato de Rum. O declínio


da capital chegou um século depois com a Quarta Cruzada, durante a qual foi saqueada, pilhada e ocupada, ironicamente por forças cristãs. Constantinopla passou então a ser a capital do Império Latino, um estado criado pelos cruzados católico que duraria 55 anos. Em 1261, Miguel VIII Paleólogo reconquistou a cidade e restaurou o Império Bizantino. Constantinopla encontrava-se então em grande decadência, com muitos dos edifícios, serviços básicos e defesas em ruínas, tendo a sua população diminuído de cerca de meio milhão no século IX para 40 000. ! ! Apesar de todas as turbulências e da constante ameaça turca, que perdurou para além do fim dos estados cruzados, a cidade manteve a sua importância como centro cultural e comercial do Mediterrâneo, onde a maior parte das potências 97

comerciais dessa parte do mundo mantiveram consulados e colônias de mercadores. ! ! No século XIV várias das reformas econômicas e militares de Andrônico II, como a redução das forças militares, enfraqueceram o império e deixaram-no mais vulnerável a ataques. Em meados desse século, os otomanos, sucessores dos seljúcidas, começaram a por em prática a estratégia de tomar cidades mais pequenas, cortando as rotas de abastecimento de Constantinopla e estrangulando-a lentamente. Finalmente, depois de oito semanas de cerco durante o qual é morto o último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo, o sultão Mehmed II, que ficará conhecido como "o Conquistador" (Fatih), conquistou a cidade a 29 de maio de 1453 e declarou-a imediatamente a nova capital do seu Império Otomano. Horas


depois de entrar na cidade, Mehmed foi a Santa Sofia e convocou um imã para proclamar a fé islâmica, convertendo um dos símbolos maiores do cristianismo numa mesquita imperial. A Queda de Constantinopla, nome pelo qual é conhecida a conquista da cidade pelos otomanos, é frequentemente apontada como uma das datas que marca do fim da Idade Média. Domínio Turco ! ! Depois de conquistar a cidade, Mehmed II empenhou-se em revitalizá-la, nomeadamente convidando e forçando a nela se fixarem muitos muçulmanos, judeus e cristãos de outras partes da Anatólia, criando uma sociedade cosmopolita que perdurou praticamente durante todo o período otomano. No fim do século XV a população tinha crescido para 200.000, fazendo de Istambul a segunda maior 98

cidade da Europa. Mehmed mandou reparar as infraestruturas danificadas, iniciou a construção do Grande Bazar e sobre as ruínas da antiga acrópole construiu o Palácio de Topkapı, que serviu de residência imperial oficial durante 400 anos. Ordenou também a construção da primeira mesquita imperial de construção otomana, a Mesquita de Fatih, para o que foi demolida a Igreja dos Santos Apóstolos, a maior da cidade a seguir a Santa Sofia. ! ! Os otomanos transformaram rapidamente Constantinopla, até então um bastião do cristianismo, num símbolo da cultura islâmica. Foram criadas fundações religiosas para financiar a construção de grandes mesquitas imperiais, as quais, além de serem um local de oração, tinham estruturas de apoio social anexas, como escolas, hospitais e balneários públicos. O reinado de Solimão, o Magnífico


(1494-1566) foi um período de feitos artísticos e arquitetônicos especialmente grandiosos. São deste período as mesquitas da autoria do arquiteto principal da corte, Mimar Sinan, cuja genialidade o fez ser conhecido no Ocidente como "o Michelângelo otomano". A maior mesquita de Istambul (não considerando Santa Sofia) é a mesquita imperial de Solimão, uma das inúmeras obras de Sinan. Outras formas de arte florescentes foram a cerâmica, a caligrafia e a miniatura. No final do século XVIII residiam na cidade 570.000 pessoas. ! ! Uma série de rebeliões no início do século XIX levou à subida ao poder do sultão progressista Mahmud II e ao chamado período reformista Tanzimat (reorganização em turco otomano), que alinhou o império com alguns dos padrões europeus ocidentais em termos 99

econômicos, políticos e culturais. Durante este período foram construídas pontes sobre o Corno de Ouro e Istambul foi ligada à rede ferroviária europeia na década de 1880. O Túnel, uma das linhas ferroviárias urbanas subterrâneas mais antigas do mundo, foi inaugurada em 1875 na encosta sul de Gálata. Ao longo das décadas seguintes foram também gradualmente criadas outras infraestruturas modernas, como uma rede estável de distribuição de água, eletricidade, telefones e elétricos, embora com algum atraso em relação a outras capitais europeias. ! ! Os esforços de modernização não foram suficientes para evitar o declínio do regime imperial. No início do século XX assistiu-se à Revolução dos Jovens Turcos, herdeiros políticos dos "Jovens Otomanos" de meados do século anterior. Os "Jovens


Turcos" depuseram o sultão Abdul-Hamid II em 1909 e estalaram várias guerras que fustigaram a decadente capital imperial. A última destas guerras foi a Primeira Guerra Mundial, que se saldou numa derrota e subsequente ocupação de Istambul por tropas britânicas, francesas e italianas. O último sultão otomano, Mehmed VI foi deposto e exilado em novembro de 1922 e a família imperial foi expulsa a 3 de março de 1924. Em 1923, terminou a ocupação de Istambul com a assinatura do Tratado de Lousane, no qual também era reconhecida a República da Turquia, a qual foi oficialmente declarada em 29 de outubro de 1923. ! ! Os revolucionários nacionalistas liderados por Atatürk tinham estabelecido a sede do seu governo em Ancara, que foi declarada a capital da nova república. Nos primeiros anos do regime republicano, Istambul foi algo descurada a favor da nova capital, mas a partir dos anos 1940 e início dos anos 1950, a cidade sofreu grandes mudanças estruturais, nomeadamente urbanísticas. Foram construídas novas praças (como a Praça Taksim, o centro da cidade moderna), avenidas e edifícios, por vezes derrubando construções históricas. Em 1955 ocorreu o Pogrom de Istambul, uma série de motins dirigidos principalmente à então ainda numerosa comunidade grega da cidade, mas que 100

também afetou outras minorias, como os arménios, judeus e inclusivamente muitos muçulmanos, e acelerou a fuga para a Grécia da população etnicamente grega de Istambul. O crescimento da população de Istambul começou a acelerar rapidamente nos anos 1970, com o afluxo de pessoas da Anatólia para trabalharem nas muitas novas fábricas que foram construídas nos subúrbios da metrópole em expansão. Este súbito aumento populacional provocou uma grande procura de habitação e muitas das aldeias e florestas que rodeavam a cidade foram absorvidas pela grande área metropolitana de Istambul.

1. Mesquita Azul Fonte: expedia.com.br ! ! O apelido dado a esta estrutura do século XVII é uma referência à cor viva dos azulejos de seu interior. ! ! A Mesquita do Sultão Ahmed, um dos elementos que mais de destacam na silhueta de Istambul, é impressionante por seu tamanho e seu alcance. Mais conhecida como Mesquita Azul, ela foi construída durante o reinado do Sultão Ahmed I, do Império Otomano, e concluída em 1616. A visão original do arquiteto era criar um grande edifício religioso de características claramente islâmicas.


! ! Caminhe do Hipódromo em direção à mesquita para vê-la de um ângulo cativante. Observe os seis altos minaretes e os domos geminados que se avultam em direção ao centro do edifício, e verá que o arquiteto se saiu muito bem na tentativa de impressionar. ! ! Passe pelo muro de pedra que cerca a mesquita e entre no pátio. Durante o jejum do ramadã, esse pátio fica lotado após o pôr do sol. No interior está a tumba do fundador da mesquita, morto um ano após a conclusão de sua obra-prima. Conheça a madrasa, usada como escola de teologia, e o abrigo. Porém, o que mais impressiona é o interior: cerca de 20.000 azulejos cerâmicos azuis com mais de 50 diferentes padrões de tulipas dão à mesquita o nome pelo qual ela é mais conhecida. ! ! As partes mais altas do edifício são pintadas de azul, e a luz do sol é filtrada por centenas de vitrais, criando uma visão hipnotizante.
 ! ! A entrada é franca, mas, como em qualquer templo religioso, exigem-se respeito e discrição a todos os visitantes. Mantenha-se em silêncio, tire os sapatos e coloque-os no saco plástico fornecido na entrada. Como as mulheres devem cobrir a cabeça, lenços são oferecidos na entrada. É proibido fotografar com flash. Se desejar,

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ao sair faça uma doação para ajudar na manutenção da mesquita. ! ! Como a Mesquita Azul ainda funciona como local de adoração, suas portas são fechadas aos que não praticam o islamismo durante as cinco preces diárias. Nas noites de verão, há uma apresentação histórica e um espetacular show de luzes no local. Confira no site oficial os melhores horários para uma visita.


2. Hipódromo Romano Fonte: Wikipedia ! ! O Hipódromo de Constantinopla foi o centro esportivo e social de Constantinopla, a capital do Império Bizantino que no século V chegou a ser a maior cidade do mundo. Atualmente é uma praça chamada Sultanahmet Meydanı (Praça Sultão Ahmet) na cidade turca de Istambul, sobrevivendo unicamente alguns fragmentos da estrutura original.

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! ! A palavra hipódromo vem do grego hippos ('ιππος), que significa cavalo, e dromos (δρομος), que significa caminho. A hípica e as corrida de bigas eram passatempos muito populares no mundo antigo e os hipódromos foram bastante comuns nas cidades gregas durante os períodos helenístico, romano e bizantino. História ! ! O hipódromo pode ser associado aos dias de glória de Constantinopla quando era a capital imperial, no entanto, o monumento é anterior a essa época. O primeiro hipódromo foi construído quando a cidade ainda se chamava Bizâncio, sendo uma cidade provincial de moderada importância. No ano 203, O imperador Septímio Severo reconstruiu a cidade, aumentou suas muralhas e a dotou de um hipódromo.


! ! No ano 324, o imperador Constantino, o Grande decidiu transferir o governo de Roma para Bizâncio, renomeando a cidade como Nova Roma. O nome não impressionou, porque começou a ser conhecida como Constantinopla, a cidade de Constantino. Constantino ampliou-a em grande medida a cidade, sendo a renovação do hipódromo um de seus objetivos mais importantes. Estima-se que o hipódromo tinha cerca de 450m de comprimento e 130m de largura. Tinha uma capacidade de 100.000 espectadores. ! ! A pista de corridas tinha forma de U, e o kathisma (o palco do imperador) estava situado no extremo leste da pista. Ao kathisma se podia acender diretamente desde o Grande Palácio de Constantinopla através de um corredor que apenas o imperador e outros membros da família imperial podiam utilizar. Sobre os edifícios do hipódromo havia quatro estátuas de cavalos construídos em bronze puxando uma quadriga, colocadas no extremo norte. Estes quatro cavalos de bronze, chamados atualmente de Cavalos de São Marcos, foram saqueados em 1204, durante a Quarta Cruzada, e colocados na fachada da Catedral de São Marcos, em Veneza. A pista foi decorada com outras estátuas de bronze de cavalos e condutores famosos, das quais nenhuma sobrevive. 103

! ! Durante o Império Bizantino, o hipódromo foi o centro da vida social da cidade. Nas corridas de bigas e quadrigas se apostavam grandes quantidades de dinheiro, e toda a cidade se dividia entre os seguidores da equipe dos Azuis (Venetii) e dos Verdes (Prasinoi). As outras duas equipes de corridas, os Roxos (Rousioi) e os Brancos (Leukoi), foram-se debilitando gradualmente e foram absorvidos pelas duas equipes principais. A rivalidade entre Azuis e Verdes foi usada para instigar as rivalidades políticas ou religiosas, e em algumas ocasiões os atritos acabavam em guerra civil. Os mais graves foram chamados de Revolta de Nika ocorridos no ano de 532, durante os quais a Basílica de Santa Sofia foi incendiada supostamente terão morrido 30.000 pessoas. ! ! Após o saque realizado durante a Quarta Cruzada, Constantinopla não voltou a se recuperar, apesar de que o Império Bizantino sobreviveu até o ano de 1453, o hipódromo não foi reconstruído. Os turcos otomanos, que em 1453 conquistaram a cidade e convertendo-se na capital do Império Otomano, não estavam interessados pelas corridas pelo que o hipódromo foi gradualmente caindo em esquecimento, nunca tendo sido destruído.


Monumentos no Hipódromo ! ! Para melhorar a imagem de sua nova capital, Constantino e seus sucessores, sobretudo Teodósio, o Grande, trouxeram obras de arte de todos os cantos do império para adorná-lo. Entre elas estava o Tripode de Plateias, conhecido atualmente como a Coluna Serpentina,

construída para celebrar a vitória dos gregos sobre os persas durante as Guerras Médicas no século V a. C. Constantino ordenou que fosse transportada até ao hipódromo desde o Templo de Apolo em Delfos, e a colocou no centro do hipódromo. A parte superior da coluna estava adornada com uma bola dourada sustentadas por três cabeças de serpente. A bola foi destruída ou roubada durante a Quarta Cruzada. As cabeças de serpente foram destruídas mais tarde no final do século XVII (diz-se que por um nobre polaco embriagado). Muitas miniaturas otomanas mostram que nos primeiros 104

séculos que seguiram à conquista turca da cidade as cabeças estavam intactas. Algumas peças das cabeças se recuperaram e se exibem no Museu Arqueológico de Istambul. Atualmente, todo o que sobrou do Trípode de Delfos é sua base, conhecida como coluna serpentina. ! ! Outro imperador que adornou o hipódromo foi Teodósio, o Grande, que no ano de 390 trouxe o obelisco desde Egito e o ergueu dentro da pista.

Talhado em granito rosa, foi erguido originalmente no Templo de Karnak, em Luxor por volta do ano 1490 a. C., durante o reinado de Tutmés III. Para mover o obelisco até Constantinopla, Teodósio teve


que dividi-lo em três peças. Sobrevive apenas a parte superior, erguida atualmente no lugar onde Teodósio o colocou, sobre um pedestal de mármore. O obelisco tem sobrevivido quase 3.500 anos em condições assombrosamente boas e ficou conhecido como Obelisco de Teodósio. ! ! No século X, o imperador Constantino VII construiu outro obelisco no outro extremo do hipódromo. Originalmente estava coberto com placas de bronze douradas, mas foram roubadas durante a Quarta Cruzada, sobrando à vista do interior do obelisco construído com blocos de pedra.

O Hipódromo na atualidade ! ! Atualmente, a área que abriga o hipódromo recebeu o nome de Praça Sultão Ahmet. A vista da antiga pista de corridas foi soterrada, sendo que a pista original se encontra 2 metros mais abaixo da vista atual. A spina, os dois obeliscos e a 105

coluna serpentina estão colocados em buracos paisagísticos, mantendo os edifícios sobre a superfície original do hipódromo. ! ! A fonte alemã, uma construção octogonal abobadada de estilo neo-bizantino, foi construída pelo governo alemão em 1900 para comemorar a visita a Istambul do imperador alemão Guilherme II em 1898. Se encontra na entrada norte do área do hipódromo, em frente da Mesquita Azul. ! ! O hipódromo nunca foi sistematicamente escavado pelos arqueólogos. Uma parte das subestruturas do sphendone (a curva de um dos extremos) chegou a ser mais visível nos anos 1980, quando foram demolidas algumas casas da zona. Em 1993 uma zona perto da Mesquita do Sultão Ahmed (Mesquita Azul) foi demolida para aí serem instalados alguns serviços público, deixando ao descoberto varias filas de assentos e algumas colunas do hipódromo. A investigação não foi muito aprofundada, mas os assentos e colunas foram retirados e movidos para vários museus de Istambul. Possivelmente, muitos restos do hipódromo permanecem ainda sob os jardins da mesquita.


3. Santa Sofia ! ! A Basílica de Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia (em grego: Άγια Σοφία; transl.: Agia Sophia, que significa "Sagrada Sabedoria"; em turco: Ayasofya) é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla. Da data em que foi dedicada em 360 até 1453, ela serviu nesta função, com exceção do período entre 1204 e 1261, quando ela foi convertida para uma catedral católica romana durante o Patriarcado Latino de Constantinopla que se seguiu ao saque da capital imperial pela Quarta Cruzada. O edifício foi uma mesquita entre 29 de maio de 1453 e 1931, quando foi secularizada. Ela reabriu como um museu em 1 de fevereiro de 1935. ! ! A igreja foi dedicada ao Logos, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, 106

com a festa de dedicação tendo sido realizada em 25 de dezembro, a data em que se comemora o Nascimento de Jesus, a encarnação do Logos em Cristo. Embora ela seja chamada de "Santa Sofia" (como se tivesse sido dedicada em homenagem a Santa Sofia), sophia é a transliteração fonética em latim da palavra grega para "sabedoria" — o nome completo da igreja em grego é Ναός τῆς Ἁγίας τοῦ Θεοῦ Σοφίας, "Igreja da Santa Sabedoria de Deus". ! ! Famosa principalmente por sua enorme cúpula (ou domo), ela é considerada a epítome da arquitetura bizantina e é tida como tendo "mudado a história da arquitetura". Ela foi a maior catedral do mundo por quase mil anos, até que a Catedral de Sevilha fosse completada em 1520. O edifício atual foi construído originalmente como uma igreja entre 532 e


537 por ordem do imperador bizantino Justiniano I e foi a terceira igreja de Santa Sofia a ocupar o local, as duas anteriores tendo sido destruídas em revoltas civis. Ela foi projetada pelos cientistas gregos Isidoro de Mileto, um médico, e Antêmio de Trales, um matemático. ! ! A igreja continha uma grande coleção de relíquias e tinha, entre outras coisas, uma iconóstase de 15 metros de altura em prata. Ela era a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e o ponto central da Igreja Ortodoxa por quase mil anos. Foi ali que o Cardeal Humberto, em 1054, excomungou o patriarca Miguel I Cerulário, iniciando o Grande Cisma do Oriente, que perdura até hoje. ! ! Em 1453, Constantinopla foi conquistada pelo Império Otomano sob o sultão Mehmed II, que subsequentemente ordenou que o edifício fosse convertido numa mesquita. Os sinos, o altar, a iconóstase e os vasos sagrados foram removidos e diversos mosaicos foram cobertos por emplastro e só foram restaurados em 1931 na conversão da igreja em um museu secular. Diversas características islâmicas — como o mihrab, o mimbar e os quatro minaretes — foram adicionados durante esse período. Ela permaneceu como mesquita até 1931, quando Kemal Atatürk ordenou que ela 107

fosse secularizada. Ela permaneceu fechada ao público por quatro anos e reabriu em 1935 já como um museu da recém-criada República da Turquia. Não obstante, os mosaicos coloridos remanesceram emplastrados na maior parte, e o edifício deteriorou-se. Uma missão da UNESCO em 1993 notou queda do emplastro, revestimentos de mármore sujos, janelas quebradas, pinturas decorativas danificadas pela umidade e falta de manutenção na ligação dos telhados. Desde então a limpeza, os telhados e a restauração têm sido empreendidas. Os excepcionais mosaicos do assoalho e da parede que estavam cimentados desde 1453 agora são escavados e recriados gradualmente. ! ! Por quase 500 anos, a principal mesquita de Istambul, Santa Sofia serviu como modelo para diversas mesquitas otomanas, principalmente a chamada Mesquita Azul, que fica em frente a Santa Sofia, a Mesquita Şehzade, a Mesquita Süleymaniye, a Mesquita de Rüstem Pasha e a Mesquita de Kılıç Ali Paşa. História Primeira igreja A primeira igreja era conhecida como Μεγάλη Ἐκκλησία (em grego: Megálē Ekklēsíā — "A Grande Igreja"; em latim:


Magna Ecclesia) por causa de sua grande dimensão quando comparada com outras igrejas contemporâneas em Constantinopla. Escrevendo em 440 d.C., Sócrates de Constantinopla afirmou que a igreja foi construída por Constâncio II, que já trabalhava nela em 346. Inaugurada em 15 de fevereiro de 360 pelo bispo ariano Eudóxio de Antioquia, ela foi construída próxima da região onde o palácio imperial estava sendo construído. A igreja chamada Hagia Irene ("Santa Paz") foi completada antes e serviu como catedral até que Santa Sofia estivesse completada. As duas foram as principais igrejas do Império Bizantino. ! ! Uma tradição, cuja origem não é mais antiga que o século VII ou VIII, relata que o edifício fora construído por Constantino. O historiador Zonaras reconcilia as duas opiniões, escrevendo que 108

Constâncio havia restaurado o edifício consagrado por Eusébio de Nicomédia após ele ter desabado. Como Eusébio fora bispo de Constantinopla entre 339 e 341 e Constantino morrera em 337, é possível que a primeira igreja tenha sido mesmo erigida por este. ! ! O edifício foi construído como uma basílica latina colunada, com galerias e um teto de madeira. Ela tinha ainda um átrio. O patriarca de Constantinopla João Crisóstomo entrou em conflito com a imperatriz Élia Eudóxia, esposa do imperador Arcádio, e foi enviado para o exílio em 404. Na rebelião que se seguiu, esta primeira igreja foi quase que completamente incendiada e nada resta dela atualmente.


Segunda igreja ! ! A segunda igreja foi encomendada por Teodósio II, que a inaugurou em 10 de outubro de 415. A basílica com teto de madeira foi construída pelo arquiteto Rufino. Um incêndio iniciado durante a Revolta de Nika destruiu completamente a segunda Santa Sofia em 13-14 de janeiro de 532. ! ! Diversos blocos de mármore da segunda igreja ainda existem. Num deles está um alto-relevo mostrando 12 cordeiros representando os doze apóstolos. Originalmente parte de uma entrada monumental, eles agora estão preservados nas escavações ao lado da entrada do museu. Estes fragmentos foram descobertos em 1935 abaixo do pátio ocidental por A. M. Schneider, que não pôde continuar com as escavações por medo de comprometer a integridade da Basílica de Santa Sofia. Terceira igreja (estrutura atual) ! ! Em 23 de fevereiro de 532, apenas alguns dias depois da destruição da segunda basílica, o imperador Justiniano I decidiu construir uma terceira — e completamente diferente — basílica, maior e muito mais majestosa que as suas antecessoras.

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! ! Justiniano escolheu o médico Isidoro de Mileto e o matemático Antêmio de Trales como arquitetos, mas Antêmio morreu ainda no primeiro ano da empreitada. A construção foi descrita na obra "Sobre Edifícios" (em grego: Peri ktismatōn; em latim: De aedificiis) do historiador bizantino Procópio. O imperador mandou buscar materiais de construção de todo o império — colunas helênicas retiradas do Templo de Ártemis, em Éfeso (uma das Sete Maravilhas do Mundo), grandes blocos de pórfiro de pedreiras no Egito, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelos da Síria. Mais de dez mil pessoas foram empregadas na construção. Esta nova igreja foi, ainda na época, reconhecida como um grande feito de engenharia e arquitetura. O imperador, juntamente com o patriarca Eutíquio de Constantinopla, inauguraram a nova basílica em 27 de dezembro de 537 com pompa e circunstância. Contudo, os mosaicos internos só foram completados sob o reinado de Justiniano II (r. 565–578). ! ! Santa Sofia se tornou então a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e o local preferido para realização de cerimônias oficiais do Império Bizantino, como coroações.


! ! Terremotos em agosto de 553 e em 14 de dezembro de 557 racharam o domo prinicipal e o semidomo oriental, sendo que o primeiro veio a desabar completamente no terremoto seguinte, em 7 de maio de 558, destruindo o ambão, o altar e o cibório. O colapso foi causado principalmente pelo peso da estrutura, grande demais, e pela enorme carga de cisalhamento do domo, que era plano demais. Estes problemas levaram à deformação das colunas que sustentavam o domo. O imperador ordenou que a igreja fosse imediatamente restaurada e confiou a tarefa a Isidoro, o Moço, sobrinho de Isidoro de Mileto, que se utilizou de materiais mais leves e elevou o domo "por volta de 6,5 metros" — dando ao edifício a sua altura interior atual de 55,6 metros. Além disso, Isidoro trocou o tipo de domo, erigindo uma abóbada em cruzaria como pendículos com diâmetro entre 32,7 e 33,5 metros. Esta reconstrução foi completada no ano de 562 e o poeta bizantino Paulo Silenciário compôs um longo poema (ainda existente), conhecido como Ekphrasis, onde ele a comparou a um "campo de mármore", tantas as cores utilizadas. A reabertura foi presidida novamente pelo patriarca Eutíquio de Constantinopla no dia 23 de dezembro de 562. A riqueza e o nível artístico da basílica

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teria levado Justiniano a dizer Νενίκηκά σε Σολομών ("Salomão, eu te superei!").

São João Batista

! ! Em 726, o imperador Leão III, o Isauro emitiu uma série de éditos contra a veneração de imagens, ordenando que o exército destruísse todos os ícones — iniciando o conturbado período conhecido como Iconoclasmo. Na época, todas as pinturas e estátuas religiosas foram removidas de Santa Sofia. Após um breve período de paz sob a imperatriz Irene (r. 797–802), os iconoclastas voltaram sob a liderança do imperador Teófilo, que


mandou colocar uma grande porta de folha dupla em bronze com o seu monograma na entrada sul da igreja. ! ! A basílica foi danificada, primeiro num grande incêndio em 859 e, novamente, num terremoto em 8 de janeiro de 869, que causou o colapso de um semidomo. O imperador Basílio I, o Macedônio ordenou que a igreja fosse restaurada mais uma vez. ! ! Após o grande terremoto de 25 de outubro de 989, que arruinou o grande domo, o imperador Basílio II Bulgaróctone pediu ao arquiteto armênio Tirídates, criador das grandes igrejas de Ani e Argina, que restaurasse o domo. Seu trabalho maior foi no arco ocidental e numa parte do domo e a extensão dos danos requereram seis anos de trabalho. A igreja foi reaberta em 13 de maio de 994. Além dos reparos, Basílio II também renovou a decoração da basílica. Nos pendículos, ele mandou pintar quatro enormes querubins, no domo, uma representação de Cristo, e na abside, a Virgem e o Menino entre os apóstolos Pedro e Paulo. Nos grandes arcos laterais foram pintados os profetas e os doutores da Igreja. ! ! Em seu livro De caerimoniis aulae Byzantinae ("Livro das Cerimônias"), o imperador Constantino VII (r. 913–919) 111

escreveu um relato detalhado das cerimônias realizadas em Santa Sofia pelo imperador e pelo patriarca.

Moeda de Constantino VII

! ! O historiador bizantino Nicetas Coniates descreveu a captura de Constantinopla durante a Quarta Cruzada, quando a basílica foi saqueada e profanada pelos cristãos latinos. Muitas das mais famosas relíquias da igreja — como a pedra do túmulo de Jesus, o leite da Virgem Maria, o sudário de Jesus e diversos ossos de vários santos — foram enviados para igrejas no ocidente e hoje estão preservados em vários museus. Durante o Império Latino (1204–1261), a cidade foi ocupada e a basílica se transformou numa catedral da Igreja Católica Romana. Balduíno I foi coroado imperador em 16 de maio de 1204 em Santa Sofia, numa cerimônia muito parecida com o ritual bizantino. ! ! Após a recaptura da cidade em 1261 pelos bizantinos, a igreja estava já num estado deplorável. Em 1317, o imperador Andrônico II Paleólogo ordenou que


quatro novos contrafortes (em grego: Πυραμὶδας — "Piramídas") fossem construídos nas partes norte e leste da igreja, financiando-os com a herança de sua recém-falecida esposa, Irene. Novas rachaduras apareceram no domo após o terremoto de outubro de 1344 e diversas partes do edifício desabaram em 19 de maio de 1346. Por isso, a igreja permaneceu fechada até 1354, quando novos reparos foram realizados pelos arquitetos Astras e Peralta. Mosaicos ! ! A igreja foi ricamente decorada com mosaicos ao longo dos séculos. Eles geralmente representam a Virgem Maria, Jesus, santos ou imperadores e imperatrizes. Outras partes foram decoradas num estilo puramente decorativo, com padrões geométricos.

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! ! Durante o Saque de Constantinopla (1204), os cruzados latinos vandalizaram itens valiosos em todas as estruturas bizantinas mais importantes da cidade, incluindo os mosaicos dourados de Santa Sofia. Muitos destes itens foram enviados para Veneza, cujo Doge, Enrico Dandolo, fora o organizador da invasão e do saque. ! ! Após a conversão do edifício para uma mesquita, em 1453, muitos dos mosaicos foram cobertos com emplastro por conta da proibição islâmica às imagens. Este processo não se completou de uma vez e existem reportes do século XVII em que viajantes notam que ainda era possível ver imagens cristãs na antiga igreja. Em 1847–1849, o edifício foi restaurado por dois irmãos suíço-italianos, Gaspare e Giuseppe Fossati, e o sultão Abdülmecid permitiu que eles documentassem quaisquer mosaicos que eles descobrissem no processo. Este trabalho não incluía restaurá-los e, após


preservar os detalhes sobre a imagem, os Fossati pintavam sobre eles novamente. Este trabalhou incluiu cobrir as até então descobertas faces dos dois mosaicos de serafins localizados no centro do edifício. Atualmente, a igreja tem quatro dessas imagens, sendo duas delas restaurações à tinta criadas pelos Fossati para substituir as duas que eles não conseguiram encontrar vestígios. Em outros casos, os Fossati recriaram os padrões de mosaicos danificados com tinta, por vezes redesenhando-os no processo. Os registros dos Fossati são as fontes principais para diversos mosaicos que se acredita terem sido totalmente ou parcialmente destruídos no terremoto de 1894, incluindo o grande mosaico do Cristo Pantocrator no domo, um mosaico que estaria sobre um local não identificado chamado de "Porta dos Pobres", uma grande imagem de uma cruz cravejada de jóias e um grande número de imagens de santos, anjos, patriarcas e padres da Igreja.

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! ! A maior parte das imagens perdidas estavam localizadas nos dois tímpanos do edifício. Os Fossati também acrescentaram um mimbar (púlpito) e os quatro grandes medalhões nas paredes da nave com os nomes de Maomé e dos primeiros califas do Islã.


4. Igreja de São Salvador em Chora ! ! A Igreja de São Salvador em Chora, Mesquita Kariye, Museu de Chora ou Museu Kariye (em turco: Kariye Müzesi, Kariye Camii, ou Kariye Kilisesi) é considerada um dos mais belos exemplos de uma igreja bizantina. A igreja está situada no oeste, no distrito de Edirnekapı, em Istanbul. No século XVI, a igreja foi convertida em uma mesquita belo Império Otomano e tornou-se um museu em 1948. O interior da construção é coberto por mosaicos e afrescos. ! ! A igreja foi inicialmente construída fora dos muros de Constantinopla, ao sul do Corno de Ouro. Contudo, quando Teodósio II construiu suas Muralhas, a Igreja se tornou parte da cidade.

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! ! Após sobre pequenos danos devido a um terremoto, no começo do século XII, a Igreja foi reconstruída por Isaac Comnenus, terceiro filho de Aleixo I Comneno. Apenas dois séculos mais tarde a Igreja foi finalmente finalizada. O poderoso governante bizantino Teodoro Metoquita decorou a Igreja com muitos de seus mosaicos e afrescos, entre 1315 e 1321. Os mosaicos são os exemplos mais brilhantes da Renascença dos paleólogos. Teodoro foi enviado para o exílio por Andrônico III Paleólogo, mas voltou dois anos mais tarde e viveu o resto de sua vida na Igreja como um monge. Durante a última Queda de Constantinopla, em 1453, o ícone da Theotokos Hodegetria ("Nossa Senhora do Caminho"), considerado o protetor da cidade, foi levado para a Igreja para defender a cidade do ataque dos


Otomanos. Cinquenta anos depois, a igreja foi convertida em uma mesquita por Atık Ali Paşa, Grão-Vizir do Sultão Bayezid II. Devido a iconoclastia do Islã, os mosaicos e afrescos foram cobertos com gesso. ! ! Em 1948, Thomas Whittemore e Paul A. Underwood, do Instituto Bizantino da América e do Centro Dumbarton Oaks, patrocinaram um programa de restauração. Em 1958, a Igreja se transformou em um museu: o Kariye Müzesi.

5. O estreito de Bósforo ! ! O Bósforo (em turco: İstanbul Boğazı, em grego antigo: Βόσπορος) é um estreito que liga o mar Negro ao mar de Mármara e marca o limite dos continentes asiático e europeu na Turquia. Tem um comprimento de aproximadamente 30km e uma largura de 550 a 3.000m. Sua profundidade varia de 36 a 124m no meio do estreito. ! ! Seu nome significa "passagem do boi" (de Βοῦς (boi) e πόρος (passagem) e se refere à história de Io, jovem amada por Zeus, transformada por ele em boi, e perseguida por uma mosca sugadora de sangue enviada por Hera, que ficou ciumenta ao saber que Zeus amava outras pessoas. ! ! As margens do estreito são densamente povoadas, como exemplifica a cidade de Istambul. 115

! ! Duas pontes atravessam o estreito de Bósforo. A primeira, Ponte do Bósforo, tem 1.074m e foi terminada em 1973. A segunda, Ponte Fatih Sultão Mehmet, tem 1.090m e foi terminada em 1988, mais ou menos a 5km ao norte da primeira ponte. Marmaray, um túnel ferroviário de 13,7km foi inaugurado em 29 de outubro de 2013. Aproximadamente 1.400m de túnel passam sob o estreito, a uma profundidade de 55m.


6. Palácio Topkapi Fonte: turismogrecia.info ! ! O famoso Museu Palacio de Topkapi é um complexo enorme de edifícios que cobrem 700 mil m2, composto por grandes patios, por uma seção para o harém do sultão e pelo palácio. Como uma cidade dentro da cidade de Istambul, foi fortificado com um muro de 2 km de comprimento do lado do mar que data da época bizantina, enquanto os turcos construíram um outro muro de 1,400 km de longo para o lado do continente ,que faz de fronteira entre o complexo e a cidade. Ele está localizado na área do Cabo do Serralho(Sarayburnu em turco), numa posição estratégica de facil acesso tanto à parte Europeia bem como a parte asiática de Istambul.

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! ! Foi construído em 1467 e o sultão Mehmet que havia conquistado em Istambul, usou-a como sua residência em vez de viver no antigo palácio, devido à conveniência de sua localização. No início, Topkapi foi utilizado para assuntos oficiais e eventos enquanto o harém estava no antigo palácio do século 16 dC, quando o sultão mudou também o acompanhou o harém para o novo palácio. ! ! Entrava se no Palácio de Topkapi através da Porta Imperial (Bab-I Humayun) situada atrás Agia Sophia Igreja. Uma inscrição sobre o portão informa os visitantes que foi erguido em 1478, embora alguns documentos que datam do século XV, indicam a construção dum pavilhão com uma torre por cima dos portões, ainda que não tenha subsistido até aos dias de hoje. As pessoas tinham de passar o portão só a pé e nunca montando, exceto para os


ministros e vizires. A primeira chamada da manhã para rezar significava também a abertura da porta que se fechava com o ultimo rezar da noite. ! ! Após entrar pela Portão Imperial, chegava se ao Primeiro Patio utilizado para o alojamento dos Janízaros, e também para armazenar madeira e carvão em barris para aquecimento. A igreja de Santa Irene, uma das mais antigas do mundo, está localizada nesse mesmo Patio, servindo como um local de exposições hoje em dia. O Primeiro Patio é o lugar onde hoje em dia estacionam carros e ônibus, a fim de deixar as pessoas entrar nas outras áreas do Palácio de Topkapi. O portão ao lado, no final do patio, é conhecido como a Porta da Saudação (Bab-us Salem). Foi erguida em 1542 quando as suas duas torre foram adicionados no século XVI.

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! ! Assim como o Portão Imperial, vizires só e funcionários importantes foram autorizados a passar pelo Porta da Saudação de cavalo. Esta permitia o acesso ao Segundo Patio onde os eventos mais importantes do Império Otomano, como festivais, festas religiosas, coroações de sultões etc, foram realizados. Estas cerimónias podiam receber até 10.000 pessoas. No Segundo Patio habitavam vários animais (caprinos, veados, gazelas e outros) em suas florestas de ciprestes. ! ! Do lado esquerdo, há um caminho que leva ao Salão de Reuniões do Conselho (Kubbealyi), que o Conselho Divan utilizava às terças-feiras. Decisões da administração foram tomadas naquele lugar: encomendas, taxas feudais, entregas, audição de queixas, assinatura de decretos, negociações com autoridades estrangeiras, etc.. Havia uma sala de conselho, um


escritório de registos públicos e um escritório para o Grão-Vizir. A sala do conselho era uma sala rectangular com sofás baixos ("divã" em turco) e tapetes grossos. Nesse salão existe uma janela atrás de grelhados onde o sultão escutava secretamente as discussões. As duas grandes torres acima do Salão eram usadas para observar os arredores durante as reuniões do Conselho. No escritório de registos guardavam se todos os documentos relativos às sessões. O terceiro quarto era usado como o escritório do Grão-Vizir. ! ! Do Portão da Saudação, existia um caminho para os estábulos dos sultões (Has Ahirlar), onde havia cerca de 30 cavalos de alta qualidade de corrida. Na mesma área, havia duas salas utilizadas como residência do gerente dos estábulos (Imrahor). Um terceiro caminho levava à cozinha do 118

palácio, com cerca de 800 fogões, onde eram cozinhadas diariamente refeições para quase 4.000 pessoas. O edifício que consiste em dez salas abobadadas, foi reconstruído em 1574 após ter sido danificado devido a um incêndio. ! ! O amplo caminho do meio, a partir do Portão da Saudação, leva para outro portão do Palácio de Topkapi, o Portão de da Felicidade e Portão dos Eunucos Brancos (Bab-us Saadet). Datando do século XV, com um tecto largo e leva ao terceiro Patio. Sob o teto deste impressionante Portão sustentado por quatro colunas, o trono do sultão foi colocado, para ele receber visitantes importantes (hóspedes estrangeiros, embaixadores). ! ! Passando por esta porta se segue o Terceiro Patio, onde está localizado o


Enderun. O Enderun é o lugar onde os sultões viviam a sua vida de todos os dias. ! ! O grande edifício da Biblioteca de Ahmet III pode ser visto deste Patio. Foi erguido no século XVIII e constitui um excelente exemplo da arquitetura turca. ! ! O Quarto Patio abriga os apartamentos privados dos sultões. Além disso, tambem é onde se encontar a Mesquita Imperial Sofa construída em 1809. No centro do patio, é a residência do Médico-Chefe do palácio (Hekimbasi odası), habitada pelo químico do palácio, que controlava a preparação de medicamentos. Depois da Residência do Médico-Chefe, uma escada leva ao Pavilhão Terraço (Sofa Kosk), uma casa de madeira constituído por duas salas, erguida em 1703, e servindo como uma sala de repouso. Subindo mais uma escada, é o Pavilhão Revan (Revan Kosk), que é 119

caracterizado por uma decoração impressionante. À direita, pode ver o Pavilhão de Bagdá (Bagdat Kosk), que foi usado como uma biblioteca. ! ! Uma bela lareira decora o espaço interno deste Pavilhão. Uma pequena casa em frente ao Kosk Bagdat, servia para a circuncisão dos príncipes. Há uma varanda entre o Kosk Bagdat e a Casa da Circuncisão, conhecido como o Pórtico Iftar e situado à beira do terraço. Durante o mês do Ramadão, os sultões costumava ir lá para quebrar o jejum.

7. O Grande Bazar ! ! O Grande Bazar, também chamado Bazar Coberto ou Mercado Coberto (do turco Kapalıçarşı), é provavelmente o maior e dos mais antigos mercados cobertos do mundo, situado no bairro histórico de Eminönü, distrito de Fatih, da


cidade de Istambul, Turquia. Aberto em 1461, é muito conhecido principalmente pela joalharia, cerâmica, especiarias e tapetes. Tem mais de 60 ruas cobertas e centenas ou milhares de lojas (1.200 segundo uns, mais de 4.000 segundo outros), é frequentado por 250.000 a 400.000 pessoas diariamente. Calcula-se que cerca de 20.000 aí trabalhem. A maior parte das lojas está agrupada por tipos de mercadorias, havendo áreas especiais para produtos de pele, joalharia de ouro, etc.

! ! Eski Bedesten foi construído entre 1455 e 1461 por ordem do sultão Mehmed, o Conquistador, pouco depois de ter conquistado a cidade. Como era usual com muitos mercados otomanos, parte das taxas cobradas sobre o comércio destinavam-se a gerar receitas para uma mesquita, que no caso do Grande Bazar era a recém convertida Santa Sofia. Além de angariar fundos para a mesquita, Mehmed pretendia reavivar o comércio na cidade conquistada.

História

! ! O mercado expandiu-se rapidamente à volta do primeiro bedesten, estimando-se que no final do reinado de Mehmed II, em 1481, já ocuparia cerca de um terço da área que ocupa atualmente. No século XVI, durante o reinado de Solimão, o Magnífico, o mercado foi bastante aumentado.

! ! Embora se saiba que a antiga Constantinopla tinha um grande mercado com uma estrutura semelhante ao Grande Bazar otomano, isto é, um espaço misto de comércio e pequena indústria, mas não se sabe onde ele se situava. Também não se sabe o que existiria no lugar antes da recosntrução otomana. 120


! ! Como o resto da cidade, o Grande Bazar foi fustigado por vários incêndios e terramotos ao longo da sua existência, após o que era reconstruído e expandido de uma forma algo caótica. Os mercados à volta dos bedestens foram destruídos por fogos em 1546, 1589 e 1618. Em 1652 houve um incêndio no Eski Bedesten e em 1660, um enorme incêndio destruíu praticamente toda a cidade. Em 1695 e 1701 voltaram a ocorrer incêndios no Eski Bedesten, após o qual as coberturas em madeira das ruas vizinhas foram substituídas por alvenaria. Em 1750 houve outro incêndio, o qual foi seguido de uma pilhagem dos janízaros, as tropas de elite imperiais otomanas. Em 1766 houve um terramoto e em 1791 e 1826 houve novamente fogos. Um terramoto em 1894 danificou as estruturas e coberturas, após o que o ministro das Obras Públicas do sultão Abd-ul-Hamid II, Mahmud Celaleddin Paşa dirigiu uma grande reestruturação do Grande Bazar, reduzindo-lhe a área coberta removendo arcadas, isolando os núcleos de oficinas e instalando portões ao longo das ruas principais. Além disso, a estrutura foi reforçada com ferro e as arcadas foram decoradas com arabescos. Em 1954 houve outro terramoto que obrigou a mais restauros. O interior foi completamente repintado em 1980.

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! ! Embora a estrutura do bazar se mantenha como antigamente, a sua função, o modo como é gerido, a natureza do comércio aí desenvolvido e a arquitetura dos interiores mudaram significativamente a partir da segunda metade do século XIX. Na década de 1960, as mudanças na indústria e economia da Turquia, bem como na demografia de Istambul, determinaram a substituição da maior parte das oficinas tradicionais de artesanato por lojas de tipo ocidental e para turistas, as quais constituem atualmente o maior negócio do lugar. As lojas tradicionais tinham mostruários abertos, separados por cortinas ou finos tabiques de madeira e eram fechados à noite com persianas verticais. Atualmente, muitas lojas são fechadas com portas e montras de vidro iluminadas. A gestão, que antes era feita por uma guilda (em turco: longa), que tinha a seu cargo não só a manutenção dos espaços, mas também o controlo apertado da concorrência e preços, é atualmente feito de forma algo deficiente por uma série de associações de lojistas.


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Ásia Menor

1. Capadócia ! ! A Capadócia (em turco: Kapadokya, em grego: Καππαδοκία; transl.: Kappadokía) é uma região histórica e turística da Anatólia central, na Turquia. ! ! A noção de "Capadócia" é tanto geográfica como histórica, tendo os seus contornos variado consideravelmente, conforme as épocas e pontos de vista. O geógrafo e historiador grego Heródoto considerava que a Capadócia estava delimitada pelos Montes Tauro a sul, pelo Lago Tuz (em turco: Tuz Gölü) a oeste, pelo rio Eufrates a leste, e pelo mar Negro a norte, uma área que, com algumas variações, foi sucessivamente uma satrapia (província) persa, satrapia do Império Macedônio, Reino da Capadócia e província romana. ! ! Atualmente, o termo Capadócia tanto pode referir-se a uma área de aproximadamente 15.000 km² entre Aksaray, Hacıbektaş, Kayseri e Niğde, cuja população total não chega ao milhão de habitantes, como a uma área muito mais

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restrita, o triângulo com aproximadamente 20 km de lado delimitado por Nevşehir, Avanos e Mustafapaşa, a sul de Ürgüp, sendo esta última zona a mais conhecida em termos turísticos. Em muitos mapas, o nome da Capadócia não é mencionado, já que não corresponde a qualquer demarcação política. ! ! Em alguns contextos, principalmente na Antiguidade, o termo Capadócia designa uma região ainda mais vasta que a descrita por Heródoto, estendendo-se à costa mediterrânea a sul e quase até o que é hoje a Armenia a norte. O historiador grego Estrabão chama Cilícia à zona administrativa do que é hoje Kayseri, a antiga Cesareia e Mázaca, um termo que é mais usualmente aplicado, pelo menos em registos mais recentes, à região costeira do sul/sudeste da Anatólia. Quanto à região mais a norte, historicamente é usualmente mais associada com o Ponto. ! ! As características mais distintivas da região são as formações geológicas únicas, resultado de fenômenos vulcânicos e da erosão, e o seu rico patrimônio histórico e cultural, nomeadamente cidades subterrâneas e inúmeras habitações e igrejas escavadas em rocha, muitas destas com admiráveis frescos. Em 1985, o Parque Nacional de Göreme, uma das áreas mais famosas da região, com 9.576 ha, foi

declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. Introdução ! ! A região é habitada há milhares de anos continuamente. Algumas civilizações antigas floresceram aqui, como a dos Hititas, tendo a região sido ocupada e sofrido influências de outras civilizações originárias da Europa e da Ásia Menor, tendo todas elas deixado a suas marcas. ! ! As características geológicas deram origem a paisagens que são frequentemente descritas como lunares, se bem que a região não seja desértica. As rochas da região, principalmente tufo calcário, adquiriram formas caprichosas ao longo de milhões de anos de erosão, e são suficientemente macios para permitir que os humanos construam as suas habitações escavando-as, em vez de erigir edifícios, o que faz com que nessas paisagens lunares abundem cavernas naturais e artificiais, algumas delas ainda habitadas.

Habitações trogloditas 123


! ! A situação geográfica da Capadócia, tornou-a encruzilhada de rotas comerciais importantes ao longo dos séculos e tornou-a alvo de contínuas invasões. Para se refugiarem durante as invasões e razias, os habitantes construíram refúgios subterrâneos, por vezes verdadeiras cidades, supondo-se que as mais antigas podem remontar ao tempo dos Hititas, há mais de 3.000 anos, e que muitas ainda estarão por descobrir. Algumas podem ser visitadas, como é o caso das de Derinkuyu, Kaymakli, Özkonak e Mazi. Estas cidades têm vários níveis — a de Kaymakli, por exemplo, tem nove, embora apenas quatro estejam abertos ao público, estando as 124

outras reservadas para investigação arqueológica e antropológica, — e dispõem de canais de ventilação, cavalariças, padarias, poços de água e tudo o mais necessário para que os seus ocupantes, cujo número podia alcançar os 20.000, pudessem resistir durante vários meses sem que fossem detectados pelos invasores. Durante o período bizantino, algumas destas construções subterrâneas foram transformadas em igrejas e decoradas com frescos nas paredes e tetos. Origem e significado do nome ! ! Crê-se que o nome Capadócia provém do vocábulo hitita Katpadukya (terra de


cavalos de raça). Outras fontes apontam a origem do nome nos persas, que chamaram à região Katpatuka (igualmente "terra de cavalos de raça" ou de "terra de belos cavalos"). No entanto, o termo Katpatuka não é de origem persa, embora Heródoto referisse na sua descrição da conquista da Lídia pelos Hititas que era esse o nome dado à região pelos persas. Os gregos chamavam à região Leucosyri (Λευκόσυροι, sírios brancos). ! ! A fama dos cavalos da região remonta, pelo menos, ao tempo dos assírios. Há registros dos reis Assurbanípal (século VII a.C.), da Assíria, Dario I (521–485 a.C.) e o seu filho Xerxes I (519–465 a.C.), da Pérsia, terem recebido como presente cavalos da Capadócia, e Estrabão relata que os cavalos faziam parte do tributo da região aos persas.

História ! ! Entre o 6º e o 5º milénios a.C., a Capadócia tinha vários principados independentes. A cidade mais importante desse período era Puruscanda. No século XXIII a.C., 17 destes principados uniram-se para lutar contra o rei acádio Naram-Sin, no que foi a primeira de muitas alianças na história da Anatólia e Capadócia. ! ! Os primeiros habitantes conhecidos da Capadócia foram os hatitas, cuja capital, Hatusa, situada a aproximadamente 200 km a norte de Nevşehir, seria posteriormente a capital dos Hititas. A civilização hatita remonta ao 4º milênio a. C., época dos achados mais antigos de Alacahöyük, o sítio arqueológico mais importante dessa civilização, situada a pouco mais de 20 km a norte de Hatusa. Colônias comerciais assírias

Detalhe Assírio no museu das civilizações da Anatólia, Ancara

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! ! No início do 2º milénio a.C., a Anatólia viveu um período florescente, tendo atraído numerosos habitantes. Os assírios, célebres pelas suas qualidades comerciais, instalaram-se na região, atraídos pelas suas riquezas, principalmente minerais, organizando bazares chamados kârum. O kârum mais importante foi o da cidadela de Canexe


(hoje Kültepe), a Nexa dos hititas. Os assírios vendiam estanho, têxteis e perfumes, e compravam ouro, prata e cobre. ! ! Este tipo de comércio durou aproximadamente 150 anos, tendo acabado devido a guerras entre reinos da região. Em 1925, uma equipa de arqueólogos descobriu em Kültepe as Tábuas da Capadócia, que descrevem a colónia mercantil dos tempos assírios e que são o documento escrito mais antigo sobre a história da Capadócia.

Ríton (Vaso Ritual) sec. XVIII-XIX a.C.

Império Hitita ! ! Há poucas certezas quanto à origem da civilização hitita, embora alguns acreditem que são originários precisamente da Capadócia, mas é certo que ela floresceu na Anatólia central, com a Capadócia incluída, no 2º milênio a.C. tendo Hatusa (perto da atual Boğazkale, até recentemente, Boğazköy) como capital. 126

! ! Os hititas fundaram vários povoados em conjunto com os habitantes locais e constituíram um império que se estendia até à Babilónia. O império durou cerca de 600 ou 700 anos, e pôs fim à dinastia semita de Hamurabina Babilônia. Os séculos XV e XVI a.C. foram especialmente importantes na história hitita, marcando o apogeu da civilização. Alguns séculos mais tarde, as guerras com o Antigo Egito, que culminariam no célebre tratado de paz de Cadexe, de 1.286 a.C., desgastaram o império, que acabaria por desmoronar-se cerca de 1.200 a.C., com a chegada de invasores provenientes da Europa oriental, os povos do mar e os frígios. ! ! Após a queda do império hitita, e até ao século VII a.C., a Capadócia atravessou o período mais obscuro da sua história. Cerca de 1.100 a.C. foi invadida pelo rei assírio Tiglate-Pileser I, sendo reconquistada pelos frígios no século IX a.C. e pela Lídia, em 696 a.C. Os Medos ocupam parte do território alguns anos mais tarde, e os Cimérios fazem algumas incursões entre 650 e 630 a.C. Império Persa Aquemênida ! ! A Capadócia foi conquistada pelos persas aquemênidas em 546 a.C., durante o reinado de Ciro II, tendo-se mantido


nessa situação até à conquista por Alexandre Magno, dois séculos mais tarde. ! ! Os persas dividiram a Anatólia em províncias (satrapias) cuja administração estava a cargo de governadores (sátrapa) nomeados pelo imperador. Desde o reinado de Dario I que a Capadócia integrou a terceira satrapia. Embora formalmente fazendo parte do Império Aquemênida, a Capadócia mantém uma grande autonomia, sendo dirigida por uma aristocracia local de tipo feudal. ! ! As províncias estavam ligadas ao porto de Éfeso (perto da atual cidade de Selçuk, na província de Esmirna [em turco:Izmir]) pela Estrada Real Persa, que começava nessa cidade e passava pelas cidades de Sardes (antiga capital do Reino da Lídia, em turco: Sart) e Mázaca 127

(atualmente Kayseri), chegando até à Mesopotâmia e Susa, a capital do império. Os sátrapas enviavam para a Pérsia os impostos que cobravam em forma de ouro, carneiros, burros e os famosos cavalos da Capadócia Capadócia Helênica ! ! Durante as campanhas de Alexandre, o Grande contra os Aquemênidas, os sátrapas da Capadócia combateram pelos estes últimos. Coube a Antígono Monoftalmo, general de Alexandre, lutar na Capadócia para manter as estradas que passavam pelo território. ! ! Após a morte de Alexandre em 323 a.C. e a partilha do seu império, a Capadócia tornou-se satrapia de Eumenes de Cardia, um dos aliados do regente Pérdicas. Ariarate, que havia lutado por


Dario III em Gaugamela, foi derrotado e executado por Pérdicas. Após várias lutas (as Guerras dos Diádocos), a Capadócia foi incorporada no reino de Seleuco Nicator. ! ! Um sobrinho do antigo sátrapa Ariarate, também chamado Ariarate, tomou posse de parte da Capadócia, que foi aceito por Seleuco como um reino semi-dependente, e conseguiu a independência de fato durante o reinado do sucessor de Seleuco, Antíoco Sóter, pois este estava mais preocupado com a guerra contra o Egito Ptolemaico. Período Romano Reino da Capadócia ! ! Antes de ser anexada pelo Império Romano, o Reino da Capadócia era um dos muitos reinos sucessores do grande Império Macedônico de Alexandre, o Grande. A região foi governada pela dinastia Ariarátida de 331 a 95 a.C. O primeiro contato com a República Romana aconteceu no reinado de Ariarate IV, quando os capadócios se aliaram ao rei selêucida Antíoco, o Grande, durante a Guerra romano-síria de 192-188 a.C. ! ! Depois da vitória romana sobre Antíoco, Ariarate iniciou uma relação amistosa com a República ao entregar a mão de sua filha ao rei de Pérgamo, um aliado romano. Os reis ariarátidas 128

passaram, a partir daí, a ser grandes aliados de Roma no oriente, agindo como um estado-tampão contra o Império Selêucida, que reivindicava o domínio sobre a região. O Reino da Capadócia também apoiou Roma na Terceira Guerra Macedônica contra Perseu da Macedônia entre 171 e 166 a.C. A vitória de Roma sobre ambos ajudou a estabelecer a República como uma das grandes potências do Mediterrâneo Oriental. ! ! Quando o rei Átalo III (r. 138–133 a.C.) morreu sem filhos em 133 a.C., ele deixou o Reino de Pérgamo para Roma. Eumenes III reivindicou o trono, ocupando a região. Em 130 a.C., o rei capadócio Ariarate V apoiou o cônsul romano Públio Licínio Crasso Dives Muciano em sua fracassada tentativa de depor Eumenes III e ambos morreram na batalha contra ele. A morte do rei resultou na ascensão de seu filho, ainda menor, Ariarate VI. ! ! Mitrídates V, do Reino do Ponto, aproveitou-se da situação e passou a controlar o trono capadócio ao casar sua filha, Laódice com jovem rei. Mitrídates em seguida invadiu a Capadócia e transformando a região num protetorado do Ponto. Embora ainda nominalmente independente, a influência pôntica sobre a


Capadócia continuou no reinado do filho de Mitrídates V, Mitrídates VI.

oito anos, no trono como um rei-fantoche. Apenas uma criança, Ariarate IX não conseguiu manter o controle do reino e seus nobres se revoltaram em 97 a.C., escolhendo Ariarate VIII, filho de Ariarate VII como rei. Mitrídates novamente agiu rapidamente e esmagou a revolta, exilando Ariarate VIII e restaurando seu filho ao trono. Guerras civis em Roma

Mitrídates VI

! ! Em 116 a.C., Ariarate VI foi assassinado pelo nobre capadócio Górdio por ordem de Mitrídates VI, que então instalou Laódice, sua irmã e viúva de Ariarate IV, como regênte para o jovem Ariarate VII, seu sobrinho, solidificando ainda mais o controle do Ponto sobre o reino. Depois de casar-se com Laódice, o rei Nicomedes III da Bitínia tentou anexar a Capadócia ao Reino da Bitínia e depôs Ariarate VII. Mitrídates VI não esperou muito e invadiu a Capadócia, expulsando Nicomedes III e restaurando Ariarate VII. A Capadócia voltou novamente para a esfera de influência do Ponto. ! ! Anos depois, em 101 a.C., o rei pôntico mandou assassinar Ariarate VII e instalou Ariarate IX, seu filho de apenas 129

! ! A Capadócia aumentou muito a sua importância durante as guerras civis romanas. Quando Júlio César cruzou o Rubicão em 49 a.C. e começou a sua guerra civil, muitos membros do senado, liderados por Pompeu, fugiram para o oriente. O rei capadócio Ariobarzanes III apoiou Pompeu contra César como retribuição pelo apoio dele ao seu pai anos antes. Porém, depois da vitória de César na Batalha de Farsalo e o subsequente assassinato de Pompeu em 48 a.C., Ariobarzanes mudou de lado e declarou sua lealdade a César, que nomeou Cneu Domício Calvino como governador da Ásia com poderes para agir em seu nome na região enquanto ele lidava com seus adversários no Egito. ! ! Com os romanos distraídos pela guerra civil, Fárnaces II, o rei cliente do Reino do Bósforo e filho mais novo de Mitrídates VI, decidiu aproveitar a


oportunidade e conquistou a Cólquida e a Armênia Menor, territórios que estavam subordinados à província romana do Ponto. Os monarcas da Capadócia e da Galácia, Ariobarzanes III e Deiótaro, respectivamente, pediram proteção a Calvino e logo as forças romanas se envolveram na disputa com Fárnaces II. Os dois exércitos finalmente se encontraram na Batalha de Nicópolis, na Anatólia oriental, na qual Fárnaces derrotou o exército romano e conquistou a maior parte da Capadócia, do Ponto e da Bitínia. ! ! Depois de derrotar as forças ptolemaicas na Batalha do Nilo, César deixou o Egito em 47 a.C. e marchou através da Síria, Cilícia e Capadócia para enfrentar Fárnaces. Quando ele soube da chegada das forças veteranas de César, Fárnaces enviou emissários para tentar a paz, mas César não os recebeu. Os dois se encontraram na Batalha de Zela e César conseguiu derrotar Fárnaces de forma decisiva, reafirmando o poder romano na Ásia Menor. Quando voltou para o seu reino no Bósforo, Fárnaces II foi assassinado pelo genro, Asandro. Como retribuição, César nomeou-o o novo rei cliente do Bósforo. César então incorporou a Armênia Menor à Capadócia para servir como estado-tampão contra

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futuras agressões vindas das potências orientais, como os partas. ! ! César foi assassinado em 15 de março de 44 a.C. pelos senadores liderados por Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino. Os "Libertadores" então fugiram da Itália e assumiram o comando das províncias e reinos clientes orientais , incluindo a Capadócia, em 43 a.C.Quando Ariobarzanes III reclamou contra a elevada interferência romana em seu reino, Cássio mandou matá-lo e instalou seu irmão mais novo, Ariarate X no lugar em 42 a.C. Ainda no mesmo ano, depois da derrota de Bruto e Cássio pelo Segundo Triunvirato na Batalha de Filipos, o triúnviro Marco Antônio assumiu o comando das províncias e dos reinos cliente orientais. Em 36 a.C., Marco Antônio executou Ariarate X e instalou Arquelau como novo rei da Capadócia. ! ! O Segundo Triunvirato expirou em 33 a.C., encerrando também o direito legal de Marco Antônio de governar a metade oriental da República. Sem ele, também se intensificaram as lutas entre Marco Antônio e Otaviano pelo poder. Este construiu sua base de apoio no ocidente enquanto Antônio se aproximou da rainha egípcia Cleópatra. Quando Otaviano declarou guerra ao Egito, Marco Antônio, apoiado pelos reinos clientes orientais


(inclusive a Capadócia), marchou para lá para enfrentá-lo. A derrota de Marco Antônio na Batalha de Ácio em 31 a.C. assegurou a posição de Otaviano como único senhor do mundo romano. Arquelau declarou sua lealdade e conseguiu manter-se no trono. ! ! Quando Otaviano tornou-se "Augusto", o primeiro imperador romano, em 27 a.C., a Capadócia tornou-se um importante e confiável estado cliente e manteve a sua independência sob o reorganizado Império Romano. Augusto considerava Arquelau um monarca confiável e se comprometeu a não converter a Capadócia uma província. Como recompensa por sua lealdade, Augusto premiou-o ainda com os territórios da Cilícia ao longo do Mediterrâneo e a Armênia Menor na costa do Mar Negro em 25 a.C., encarregando-o da missão de eliminar a pirataria que grassava nas duas regiões e para formar um estado-tampão entre Roma e o Império Parta. Província Romana da Capadócia ! ! Província da Capadócia foi de uma província romana localizada antiga região da Capadócia na Ásia Menor, a área centro-oriental da Anatólia na moderna Turquia. Ao longo dos séculos de dominação romana e bizantina da região, a 131

província teve diversas configurações e só desapareceu definitivamente depois da conquista seljúcida no século XI, depois da desastrosa Batalha de Manziquerta (1081). ! ! Ela foi criada inicialmente em 17 d.C. pelo imperador Tibério (r. 14–37) depois da morte do último rei da Capadócia, Arquelau, e sua capital sempre foi Cesareia. Província de Tibério ! ! A política leniente de Roma em relação ao Reino da Capadócia mudou depois da morte de Augusto em 14 d.C. no reinado Tibério. Anos antes, ele havia sido ofendido por Arquelau, que declarou sua preferência por Caio César, um dos netos de Augusto e seu herdeiro aparente. Quando Tibério estava em seu retiro na ilha de Rodes, entre 6 a.C. e 2 d.C., embora ainda fosse o comandante nominal da metade oriental do império, em 1 a.C. Arquelau reconheceu Caio César, na época um general subordinado a Tibério, como o legítimo representante de Augusto. Embora ele fosse de fato o herdeiro preferido de Augusto, sua morte em 4 d.C. numa campanha militar na Armênia forçou o imperador a adotar Tibério e nomeá-lo seu sucessor. ! ! Assumindo o trono em 14 d.C., Tibério imediatamente alterou a política


externa imperial no oriente. Desejando se apossar dos recursos naturais da Capadócia e reduzir o poder de Arquelau, Tibério convocou-o a Roma em 17 d.C. Na época, ele já governava a Capadócia como cliente de Roma por mais de cinquenta anos. Ao chegar, Tibério acusou-o de tramar contra Roma e prendeu-o, mas ele morreu de causas naturais logo em seguida.

Artaxias III, como monarca do Reino da Armênia e o filho dele, Arquelau II rei da Cilícia. Chegando ao oriente em 18 d.C., Germânico consolidou o poder romano na Capadócia e nas regiões vizinhas. Sob ordens do imperador, ele também anexou o vizinho da Capadócia para o sudeste, o Reino de Comagena e anexou seu território à província da Síria.

! ! Tibério anexou a Capadócia e reduziu-a a uma província romana, enviando seu filho adotivo, Germânico, para supervisionar o oriente. O imperador também nomeou o enteado de Arquelau,

! ! Durante boa parte do século I, Polemão II do Ponto governou como um rei cliente sobre o que restava do antigo Reino do Ponto (a Armênia Menor e a Cólquida). Porém, em 62 d.C., Nero o

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depôs e anexou seu reino, incorporando o território à província da Capadócia.

Gordiano durante o reinado de Marco Aurélio, em meados do século II.

! ! Com o Eufrates como fronteira no leste, a Capadócia era a mais oriental das províncias romanas. Sua capital, Cesareia (Caesarea, a moderna Kayseri), estava localizada na região central da Anatólia, longe da fronteira parta. Com a anexação, a província passou a ser governada por um governador da ordem equestre com o título de procurador. Eles comandavam apenas forças auxiliares e recebiam orientações do legado imperial propretor (legatus augusti pro praetore), de estatuto senatorial.

Tetrarquia

! ! Depois da guerra civil romana de 69, o imperador Vespasiano promoveu a província ao estatuto senatorial, tornando seu governador de mesmo nível que o da Síria. Como província senatorial por todo o segundo século, a Capadócia foi guarnecida por três legiões e diversas forças auxiliares, totalizando mais de 28.000 soldados. A presença militar na Capadócia servia principalmente como força de reação contra as invasões do Império Parta e permitia que os romanos interviessem rapidamente nos assuntos internos da Armênia. ! ! O primeiro capadócio a ser admitido no senado romano foi Tibério Cláudio

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! ! Depois da reorganização das províncias de Diocleciano (r. 284–305), os territórios pônticos e armênios foram separados da Capadócia e a província foi reduzida ao tamanho da região da Capadócia propriamente dita. Ela passou a ser governada por um consular (consularis) e foi subordinada à Diocese do Ponto, na Prefeitura pretoriana do Oriente. Ali localizavam muitas propriedades imperiais, como atesta a legislação da época. ! ! O Cristianismo expande-se principalmente nos séculos III e IV, apesar das perseguições de Diocleciano em 303 e 304, testemunhadas por Eusébio de Cesareia. ! ! No fim da década de 330, a metade oriental da província foi destacada para formar as novas províncias da Armênia Prima e Armênia Secunda. ! ! Na segunda metade do século IV, numerosas comunidades monásticas são estabelecidas na região, impulsionadas pelo bispo de Cesareia (atual Kayseri), Basílio (São Basílio), influência dos mosteiros da Palestina e do Egito. Basílio opunha-se ao arianismo, então no seu auge, e que era favorecido pelo imperador Valente. Para


enfraquecer a autoridade de Basílio, Valente separou a região noroeste à volta de Tiana, que tornou-se a Capadócia Secunda (ou Capadócia II), que era governada por um praeses e foi entregue a um bispo ariano, enquanto que o resto tornou-se a Capadócia Prima (ou Capadócia I), ainda governada por um consular. Império Bizantino ! ! No período entre 535 e 553, no reinado de Justiniano I, as duas províncias foram reunidas numa única unidade administrativa governada por um procônsul. ! ! Em 536, o imperador Justiniano cria a diocese de Mocisso (atualmente Kırşehir). Nesse período as basílicas e outras igrejas multiplicam-se. É nesta época que surgem as primeiras igrejas rupestres. Como a maioria das casas da região, estas eram escavadas na rocha, sendo estas cavernas 134

artificiais depois decoradas e acondicionadas. Atualmente ainda existem centenas de igrejas na região. ! ! No ano 613, a província foi temporariamente conquistada pelos Sassânidas. Entretanto, o imperador Heráclio conseguiu recuperá-la em 629. ! ! Em 647, Moawiya, governador da Síria, entra na Capadócia e apodera-se de Cesareia, um episódio que marca o início de um período de frequentes razias árabes que se prolongariam até ao século IX. Este estado de coisas motivou o reaproveitamento e expansão das infraestruturas subterrâneas já existentes para servirem de vastos refúgios de pessoas e bens. A região então tornou-se uma zona fronteiriça quando o novo sistema temático foi adotado e a ela foi dividida entre os temas Anatólico e Armeno.


! ! Professada desde o início do século VIII, a iconoclastia repudia as imagens de figuras sagradas, para evitar a idolatria. Leão III, o Isauro adere a essa corrente em 726, iniciando o chamado período iconoclasta bizantino, durante o qual muitas obras de arte, nomeadamente pinturas, são danificadas ou destruídas, algo que também afetou grandemente as igrejas da Capadócia. O sucessores de Leão seguem-lhe as pisadas, vendo nisso uma forma eficaz de limitar o poder crescente dos mosteiros. A proibição de imagens só terminaria em 843.

Igrejas rupestres

! ! Após um período sombrio, as vitórias do imperador Nicéforo II Focas, na segunda metade do século X restabelece a paz na Capadócia, de onde a sua família era originária. As cidades e aldeias prosperam e atraem novas populações, na maior parte de cultura grega, mas de diversas origens. Também aí se instalam muitos armênios, aliados dos bizantinos na 135

defesa das fronteiras orientais. A emigração armênia acentuou-se após a invasão seljúcida da Armênia. A presença arménia na Capadócia era tal no tempo das Cruzadas que os Cruzados chamavam à região "Terra Hermeniorum (terra dos armênios). Datam desta época, chamada de Renascença macedônica, grande parte das igrejas rupestres ainda existentes. Império Sejúlcida ! ! Os seljúcidas, considerados os antepassados diretos dos turcos ocidentais, começaram a chegar à Capadócia após a Batalha de Manziquerta, em 1071, na qual as forças de Alp Arslan derrotaram o exército bizantino de Romano IV Diógenes, tendo conquistado aos poucos toda a região. Depois da conquista de Kayseri em 1082, os seljúcidas promoveram uma grande expansão urbanística, construindo mesquitas em Kayseri, Aksaray, Niğde e outras cidades, e uma escola de medicina em 1206. Construíram também inúmeros caravançarais (literalmente palácios de caravanas), estalagens fortificadas para uso dos mercadores viajantes da Rota da Seda, que aí podiam pernoitar e descansar e segurança. Alguns caravançarais tinham outros serviços para além dos de hotelaria, como enfermarias, cavalariças e mesquitas. Em toda a Turquia se encontram


caravançarais, distanciando aproximadamente 30 km uns dos outros. Em tempos de guerra serviam como postos de defesa do território. Entre eles, destacam-se o de Agzikarahan, também chamado de Hoca Mesud, que se encontra a 13 km de Aksaray e foi construído no século XIII, e o de Sultanhanı, a 40 km da mesma cidade. ! ! Nos séculos seguintes, a Anatólia em geral e a Capadócia foram palco de inúmeros conflitos entre seljúcidas, bizantinos e cruzados. Estes últimos tomaram a capital seljúcida de Iznik (antiga Niceia), obrigando os vencidos a fugir para Konya. Os seljúcidas criaram as bases para o Império Otomano, que se formou no século XV — os otomanos procediam de um dos sultanatos seljúcidas, tendo-se revoltado e ganho a independência sob a liderança de Osman I "Gazi" (triunfador ou combatente da fé). O termo otomano, em turco: osmanli, provém do seu nome. Império Otomano ! ! A Capadócia cai sob o domínio otomano no século XIV. Lentamente, uma parte considerável da sua população passa a ser muçulmana e adota a língua turca. Desenvolve-se uma língua intermédia, o capadócio, que sobrevive até à saída das populações gregas (cristãs) em 1923, na 136

sequência do Tratado de Lausanne, que pôs fim à guerra greco-turca e determinou a troca de populações entre a Grécia e a Turquia com base na religião. ! ! No século XVIII são abandonados os últimos mosteiros trogloditas. No mesmo século, o grão-vizir Ibrahim Paxá faz da sua pequena aldeia natal Nevşehir a capital regional que ainda hoje é e que é por vezes apontada como a comunidade mais rica de toda a Turquia apesar da sua aparência relativamente modesta. Século XX e atualidade ! ! A Capadócia é uma região turística importante, atraindo visitantes tanto da Turquia, como de países vizinhos desde há muito. A sua popularidade na Europa e do resto do mundo foi muito impulsionada nas décadas de 1930 e 1940 com a publicação dos trabalhos do sacerdote francês Guillaume de Jerphanion sobre as igrejas da região. Na segunda metade do século XX assistiu-se a um grande crescimento da procura turística na Capadócia. Nos anos 1970 e 1980 a vintena de hotéis existentes então não satisfazia a grande procura, tendo os locais começado a arrendar quartos e transformar as suas propriedade para poder acolher visitantes, ao mesmo tempo que novos hotéis eram construídos. Em grande parte, as novas construções respeitam a paisagem e não


chocam com as construções tradicionais. Segundo dados oficiais de 2005, a região recebeu 850 mil turistas estrangeiros e 1 milhão de nacionais.

A "Igreja com Sandálias" em turco: Çarikli Kilise), em Göreme

Cristianismo na Capadócia ! ! A região tem um papel muito especial na tradição cristã. Durante os primeiros anos do cristianismo, a Capadócia foi um terreno fértil para a expansão da nova religião, em parte pela sua proximidade das Sete igrejas da Ásia, mencionadas no livro do Apocalipse do Novo Testamento, e de Antioquia (atual Antakya), onde São Pedro fundou a primeira comunidade cristã. ! ! São Paulo efetuou três viagens à Capadócia entre 44 e 58. Muitos dos primeiros cristãos habitavam a região, tendo as cidades subterrâneas sido usadas como refúgio pelos primeiros cristãos durante as perseguições de que foram alvo durante os séculos II, III e IV. Aí nasceram nessa época pelo menos os seguintes santos e teólogos: ! ! São Mamede, São Basílio Magno e Gregório de Níssa, de Cesareia (atual Kayseri).

Afresco na Igreja das Maçãs de Göreme

! ! Esta procura revitalizou a economia regional, pois a indústria turística não é a única a ser beneficiada; os produtores de cerâmica, têxteis e outro tipo de artesanato viram também o seu mercado muito alargado. 137

! ! Cesário de Nazianzo, Gregório de Nazianzo, o Velho e Gregório de Nazianzo, o Novo, de Nazianzo, uma antiga cidade onde agora se encontra a pequena aldeia de Berkalar (também chamada de Nenizi) e Gülagaç, entre Aksaray e Nevşehir. ! ! Basílio, Gregório de Níssa e Gregório de Nazianzo, o Novo, são chamados os


Padres ou Filósofos Capadócios na literatura cristã, sendo apontados como importantes teólogos, tendo desenvolvido, por exemplo a doutrina da Trindade.

de São Jorge ainda hoje está presente nas bandeiras da Geórgia, Inglaterra, Sardenha, Barcelona e Aragão e nos brasões de Gênova e Pádua. ! ! Existem entre 400 e 600 igrejas na região, muitas delas escavadas em rochas, das quais largas dezenas são interessantes de visitar. As mais antigas datam provavelmente do século VI, embora a maior parte date dos séculos X e XI, o período que vai desde o fim das incursões árabes, até à chegada dos seljúcidas.

Interior de igreja troglodita em Göreme

! ! Outro clérigo famoso originário da região foi João II da Capadócia, patriarca de Constantinopla entre 518 e 520, que, apesar do seu curto patriarcado, ficou famoso por ter marcado o fim de um cisma de 34 anos entre as igrejas orientais e ocidentais, originado no Concílio de Calcedônia. ! ! Apesar do assunto ser controverso, segundo a lenda, São Jorge também teria nascido na região, embora tenha ido para a Palestina, de onde a mãe era originária, ainda em criança. A lenda de São Jorge e do dragão tomou forma na Idade Média, sendo o santo convertido em padroeiro de muitos estados e coroas da Europa, nomeadamente de Aragão, Portugal, Inglaterra e Gênova, entre outros. A Cruz 138

2. Parque Nacional do Göreme ! ! O Parque Nacional de Göreme (em turco: Göreme Milli Parklar) ocupa uma série de vales em volta da aldeia de Göreme, a poucos quilómetros a nordeste de Nevşehir, na Região da Anatólia Central da Turquia. ! ! O parque é provavelmente a mais famosa área da pitoresca e popular região da Capadócia e apresenta a maior concentração de construções religiosas trogloditas de toda a região já de si muito pródiga nesse tipo de património. A área foi classificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1985, juntamente com os chamados Sítios Rupestres da Capadócia.


! ! A totalidade do parque encontra-se na província de Nevşehir, estendendo-se os seus limites até aos arrabaldes de Üçhisar, a sudoeste, de Ortahisar, a sudeste, e de Cavuşin a norte, não distando muito de Ürgüp, a leste, e de Avanos a norte. A vila de Göreme, cujo nome foi mudado de Avcilar quando se decidiu promover a região, encontra-se sensivelmente no centro do parque, a um par de quilômetros do Museu ao Ar Livre de Göreme, a atração turística principal do parque, pelo menos no que toca a património histórico. ! ! As atrações do parque são tanto as paisagens esculpidas pela erosão do vento e da água nas rochas calcárias e vulcânicas, como as inúmeras igrejas e mosteiros bizantinos que testemunham uma intensa atividade monástica entre os séculos V e XII, como ainda as habitações trogloditas que, ao contrário doutros locais, muitas delas ainda são habitadas nas zonas à volta do parque. Mais recentemente, essas construções têm vindo a ser aproveitadas para hotéis e pensões. Principais igrejas dentro do Museu ao Ar Livre Tokali Kilise ! ! Construída no início do século X sobre uma igreja mais antiga, mas renovada diversas vezes posteriormente, a Tokalı 139

Kilise (igreja da fivela) é a maior, mais bem conservada, e, para muitos, a igreja mais fascinante de Göreme, tanto pela originalidade da sua planta, quer pelos afrescos. Foi completamente restaurada durante a década de 1980.

! ! É comum falar-se em duas partes distintas da igreja, as quais, embora datadas ambas do século X, são denominadas "igreja velha" e "igreja nova". A primeira tinha apenas uma nave com uma abóbada de berço, cuja abside foi demolida quando a "igreja nova" foi acrescentada no fim do século X ou início do século XI, escavando a parede oriental. A "igreja velha" é praticamente o átrio da "igreja nova", a qual apresenta uma decoração arquitetônica de arcos de estilo oriental e uma série de arcadas. Além das "igrejas" velha e nova, há ainda um paraclésio (em grego: παρεκκλήσιον, transl.: Parecclesion, nome dado a um tipo de capela lateral típico das igrejas bizantinas) no lado esquerdo da igreja


nova, com uma nave abobadada única, e uma cripta, ou igreja inferior. Esta tem três naves e uma área de sepulturas. ! ! Os afrescos da igreja velha, datados da segunda década do século X, são exemplos clássicos da pintura arcaica da Capadócia, que representam o retorno às formas usadas nos melhores trabalhos dos séculos IV, V e VI, anteriores ao período iconoclasta. O estilo é linear, mas à semelhança dos mosaicos da Basílica de Santa Sofia de Istambul, as faces são modeladas usando sombras e diferentes intensidades de cor. As pinturas representam cenas do Novo Testamento e os retratos de alguns santos. A cores são pálidas, dominando os vermelhos e verdes. ! ! Os frescos da "igreja nova" são igualmente do século X, mas mais tardios, talvez mesmo do início do século XI, e o seu estilo é igualmente arcaico. O fundo é em tons de azul, obtidos a partir de índigo e lápis-lazúli. A nave central tem um fresco do século IX de estilo "provinciano". As três absides têm afrescos dos séculos X e XI de estilo "metropolitano" com figuras altas e elegantes, que usam os nichos das paredes para dar um efeito de profundidade e volume. As pinturas estão organizadas de forma a que dar ideia que a abside representa o sepulcro de Jesus e o altar a sua tumba. A cruz situa-se na 140

concha da abside e as pinturas da parede semicircular que a rodeiam representam as quatro cenas da Paixão e Ressurreição de Cristo. Outras pinturas representam os apóstolos, os primeiros diáconos, numerosas cenas da vida de Jesus, outras cenas evangélicas e episódios da vida de Basílio de Cesareia. Elmali Kilise ! ! A Elmalı Kilise (igreja da maçã), é a mais pequena das igrejas mais importantes do parque. Foi construída em 1050, tem quatro pilares irregulares que formam uma cruz grega e que suportam a abóbada central. A restauração levada a cabo em 1991 revelou pinturas anteriores aos frescos do século XII atualmente visíveis, os quais representam santos, bispos e mártires. À direita do altar, encontra-se uma representação da Última Ceia com o símbolo de um peixe — em grego, peixe escreve-se "ΙΧΘΥΣ", acrónimo de "Ἰήσος Χρίστος Θεοῦ Ὑίος Σῶτηρ" (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador). ! ! Uma das características notáveis de muitas igrejas da Capadócia, particularmente evidentes e bem exploradas nesta igreja é o modo como a forma e movimento aparente das figuras se adapta às superfícies que cobrem. As figuras vestem mantos que seguem os contornos dos seus corpos e as suas faces


são suavemente modeladas com contornos cuidadosos nos olhos.

! ! O nome da igreja parece derivar de um globo avermelhado que o arcanjo Miguel segura numa das mãos, mas também pode provir de uma macieira que existiu nas proximidades. Azize Barbara Kilisesi A Azize Barbara Kilisesi (igreja de Santa Bárbara) data do final do século XI. A planta desta igreja é semelhante à Çarikli Kilise, com uma cúpula cruzada, uma absides central, duas laterais e duas colunas. A abóbada tem uma pintura aplicada diretamente sobre a rocha, representando Cristo num trono com desenhos geométricos de cor ocre. Há um afresco pelo qual a igreja é famosa, representando um gafanhoto ladeado por duas cruzes. Embora a interpretação não seja unânime, muitos afirmam simbolizar o Mal mantido em respeito pelas cruzes. A 141

parede norte apresenta um fresco de Santa Bárbara e outro de São Jorge e São Teodoro lutando a cavalo contra um dragão e uma serpente, com linhas a ocre pretendendo dar a impressão que a parede foi construída com pedras talhadas e não escavada na rocha.

! ! Santa Bárbara foi uma mártir que foi encarcerada pelo pai para evitar que fosse influenciada pelo Cristianismo. Apesar disso, recusou renunciar à prática da sua fé e o pai submete-a a tortura, acabando por matá-la. Yilanli Kilise ! ! A Yilanlı Kilise (igreja da serpente) tem apenas uma nave abobadada, longa e baixa. O seu nome provém de um fresco com São Jorge e São Teodoro abatendo uma serpente. Como noutras igrejas, as paredes têm linhas para dar a ilusão de que as paredes são de pedras talhadas. Num outro fresco encontra-se o imperador Constantino e a sua mãe Santa Helena, esta segurando a Vera Cruz.


Afresco de Santo Onofre.

! ! Segundo a lenda, Helena teria descoberto a cruz depois de ter tido um sonho que a levou a ir procurá-la à Terra Santa quando tinha 80 anos de idade. A autenticidade da cruz teria sido atestada pela ressurreição de um bebê morto cujo caixão foi posto em cima dela. Ainda segundo a lenda, a maior parte da Vera Cruz encontra-se enterrada nas fundações da Basílica de Santa Sofia de Istambul. ! ! Outra pintura pela qual a igreja é conhecida é um retrato de Santo Onofre que se encontra perto da entrada. O santo levou uma vida de eremita no deserto egípcio perto de Tebas e é geralmente representado com uma longa barba e segurando uma folha de figueira. A acreditar nas histórias contadas pelos guias e literatura turística da Capadócia, o santo foi uma mulher de grande beleza e de moral duvidosa, que, arrependida da sua conduta, apelou a Deus para que conseguisse livrar-se dos desejos dos 142

homens. Atendendo as suas preces, Deus tornou-a feia e deu-lhe uma barba. Esta história explicaria porque Santo Onofre é usualmente representado como meio-homem meio-mulher. Há quem atribua a origem desta história aos peitos algo proeminentes da figura de Santo Onofre nesta igreja e ao fato de usar da vegetação do deserto que cobrem as suas partes íntimas lembrarem roupa roupa interior feminina. Karanlik Kilise ! ! A Karanlik Kilise (igreja escura) foi um complexo monástico construído no século XI. É uma igreja com uma cúpula, uma nave principal, duas pequenas absides e quatro colunas. Está decorada com cenas do Novo Testamento: o Cristo Pantocrator, a Natividade, a Adoração dos Magos, o Primeiro Banho, a Última Ceia, a Traição de Judas, a Crucificação e a Ressurreição (em grego: ανάστασις, transl.: anástasis) e Ascensão de Jesus. ! ! Após ter sido abandonada, foi usada como pombal até 1950. Depois de 14 anos limpando das paredes os excrementos de pombo acumulados ao longo de séculos, os frescos desta igreja são os mais bem preservados de toda a Capadócia e um belo exemplo da arte bizantina do século XI. Já depois dos primeiros restauros, parte do nártex (entrada) colapsou, abrindo um


buraco no teto e causando estragos principalmente no fresco da Ascensão e no da Bendição dos Santos.

entrada, por baixo do fresco da Ascensão, que lembram pegadas.

Refeitório ! ! O nome da igreja deriva provavelmente de um pequeno óculo do nártex que deixa passar muito pouca luz, o que tem contribuído para preservar os pigmentos das pinturas e a riqueza das suas cores. Çarikli Kilise ! ! A Çarıklı Kilise (igreja com sandálias) foi escavada no mesmo rochedo que a Karanlik Kilise e tem quatro naves abobadadas em cruz e três absides. Um dos frescos representa a Ascensão, o qual supostamente é uma cópia exata do que se encontrava na igreja da Ascensão de Jerusalém. Há ainda frescos do século XIII que mostram os quatro evangelistas e cenas do Novo Testamento também representadas na Karanlik Kilise. O nome da igreja deve-se a formas na rocha junto à 143

! ! Situado entre a Yilanlı Kilise e a Karanlik Kilise encontra-se um refeitório, onde, não só a sala como as mesas e bancos, com capacidade para 50 comensais, são escavados na rocha.

3. As cidades subterrâneas da Capadócia Fonte: turismogrecia.info ! ! Ainda não se sabe quando a construção das cidades subterrâneas da Capadócia começou, mas com certeza datam de volta do quinto século antes do Cristo, porque o grego Xenofonte (430-355 AC) fez referência a estas cidades em seu livro "Anavasis". Em particular, ele falou sobre aldeias subterrâneas, com entradas muito estreitas que pareciam ser uma abertura de poço. Ele também diz que os quartos estavam abertos e que os animais


(ovelhas, cabras), também eram mantidas no subsolo e saiam por meio de túneis especiais. As entradas para estes túneis eram escondidas e as pessoas usavam escadas para chegar às salas dos animais. De acordo com Xenofonte, os habitantes das vilas subterrâneas, produziam cerveja feita de cevada e vinho, de muito boa qualidade. ! ! Posteriormente, o geógrafo Estrabão (84 a.C. - 17 d.C.), indicou uma área de expansão da Licaônia para Cesaréia, onde ele viu os poços mais profundos do mundo. ! ! Na verdade, o povo da região da Capadócia costumavam mover-se entre as cavernas subterrâneas, levando os seus animais domésticos com eles, quando estavam em perigo. As entradas para as cavernas eram escondidas e as cidades estavam conectadas com as casas. É possível que as cidades também eram ligadas umas as outras, 36 cidades subterrâneas foram descobertas no total. As inúmeras salas das cidades eram ligadas por longos túneis estreitos e corredores. Grandes mós nas extremidades dos túneis eram utilizados para evitar alguém de entrar. Pequenos buracos nas pedras permitiam as pessoas verem os atacantes e eles usavam lanças para matá-los. ! ! Os estábulos dos animais estavam no primeiro andar das cavernas, perto da 144

entrada. Salas de jantar, cozinha com fogões de pedra, quartos, banheiros, poços sépticos, capelas, salões para colocar os mortos temporariamente, antes de enterrá-los, e as adegas foram construídos ainda mais profundos. Os quartos eram climatizados através de longas chaminés que também permitiam o acesso de um nível para outro. As lâmpadas de óleo eram utilizadas para a iluminação e falsos poços foram construídos para evitar o envenenamento de água pelos inimigos. Eles também costumavam derramar óleo fervido para os inimigos que tentavam passar pelos corredores. A cidade subterrânea de Kaymakli ! ! Esta é uma das maiores cidades subterrâneas da Capadócia. É composto de quatro pisos e é 15-25 m de profundidade. Está localizada na bacia ao longo da estrada de Nevsehir para Nigde. Há uma grande quantidade de poços e de rios subterrâneos que flui nessa área, cercada pelas montanhas de Hasan e Melendiz. Mesmo que se encontra muito perto de Derinkuyu, é muito diferente do que isso. ! ! Por exemplo, Kaymakli consiste em corredores estreitos inclinados e tetos baixos. Os quartos cercam os túneis verticais que lhes proporcionavam ar fresco. Há um estábulo e algumas áreas de vida, bem como um pequeno corredor com


uma pedra parafuso no primeiro andar. A igreja e algumas salas ainda estão no segundo andar, enquanto o terceiro andar abrigava as salas mais importantes, como os locais de armazenamento. Há uma adega e uma área de armazenamento no quarto andar junto com uma cozinha. As áreas de repouso da cidade não foram ainda exploradas. O grande número de salas de armazenamento, indica que este lugar era habitado por um grande número de pessoas. A cidade subterrânea de Derinkuyu ! ! É possível que a cidade de Kaymaki estava conectada com a cidade de 145

Derinkuyu que está localizada a 25 km de Nevsehir e era conhecida no passado como Malahopea ou Melegop. Derinkuyu tem quase 85 m de profundidade e 52 túneis de ar verticais foram encontrados em sua área. Visitantes podem entrar os primeiros níveis que tem 40 metros de profundidade. Poços secundários que não atingem a superfície conduzem aos restantes níveis, mais profundos. A cidade é uma das maiores cidades subterrâneas, composta por onze andares e podia ser habitada por cerca de 10.000 pessoas. O primeiro andar abriga uma adega, algumas salas de estar, uma igreja, um estábulo e uma escola missionária.


! ! Uma cozinha, uma outra adega e áreas de vida foram encontrados no segundo andar. As arrecadações eram alojadas no terceiro andar e mais salas de estar com armazenamento foram encontradas no quarto andar. O quinto e o sexto andar eram compostos por um túnel de ar, enquanto duas pedras de parafuso eram mantidas lá. O sétimo andar é composto por uma igreja, uma sala de túmulo e um auditório com três colunas. O oitavo nível consiste em uma pequena sala e um túnel de ar.

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4. Konya ! ! A bacia de Konya era um lago 18 mil anos atrás e depois de ter sido drenado, tornou se num vale fértil com uma grande floresta. Os Romanos chamavam-lhe Icônio, que significa "a cidade de ícones ". Hoje em dia, é uma província famosa por ser um local de peregrinação, sendo que esta hospeda o túmulo de Mevlana, o fundador da ordem dervixe. ! ! Hititas, Frígios e Lykians haviam habitado Konya no 1,400-1,300 AC. Alexandre, o Grande, deu à cidade ao seu oficial Lisímaco e após os Seljucidas e os reis de Pérgamo, a cidade estava sob a autorização Romana no século II. O Cristianismo se espalhou em Konya, que foi visitada pelo Apóstolo Paulo e Barnabé. Os árabes saquearam na nos séculos VII e IX e os Seljúcidas tomaram o controle da cidade em 1081 tornando-a na sua capital 147

no século XII. O Sultão Seljuk Alaettin Keykobat levou Konya a um período próspero. Ele reuniu artistas, matemáticos e teólogos na sua corte, incluindo o famoso Celaleddin Mevlana Rumi, o fundador da ordem dervixe. Particularmente, na primeira metade do século XIII, os seljúcidas Rum patrocinaram um programa de construção de grande porte que incluía a construção de mesquitas, hospitais, fortificações e outros edifícios públicos que contribuíram para a prosperidade de Konya. ! ! Os mongóis conquistaram a cidade no século XIII d.C., depois foi governada pelo Karamans até que foi ocupada pelos Otomanos (1397 d.C.). Konya teve um grande desenvolvimento com o passar dos anos e tem sido uma das cidades mais importantes da Turquia desde então. !


A Dança dos Dervixes ! ! A dança rodopiante também é conhecida como a Ordem Mevlevi e deriva da teoria da Celaleddin Rumi, segundo a qual os seres humanos com a ajuda de música e dança podem alcançar um estado de êxtase que os liberta da dor da vida diária, purificando sua alma e enchendo os com amor. Apesar do fato de que Celaleddin Rumi é mundialmente conhecido como o fundador dos dervixes rodopiantes da dança (Sema), foram os seus seguidores que a estabeleceram. Mevlana tambem não fundou a irmandade dos dervixes. Os companheiros que acreditavam em suas idéias criaram o grupo inspirado na teoria mística de Mevlana. Os dervixes levam uma maneira disciplinada de viver combinando a espiritualidade e o amor com a música e a dança.

! ! O Sema consistia em um rito que era realizado no Semahane. Havia um Xeke que representava Mevlana. Ele estava vestido com uma roupa feita de pele 148

animal. Os dervixes usavam uma longa saia branca e um casaco branco que simbolizava o seu pano sepultural. Eles também colocavam um casaco preto que simbolizava o seu túmulo e o seu chapéu cônico simbolizava a sua pedra tumular. Inicialmente, há uma recitação comum seguida de um recital de flauta. Depois, os dervixes curvam-se ao Xeque e beijavam sua mão e deixavam seu casaco preto cair no chão. Isto simboliza a saída do túmulo. Continuamente, eles estendem suas mãos, a palma da mão direita virada para cima (para obter a graça de Deus) e a palma da mão esquerda voltada para baixo (para passar esta graça para o mundo). Enquanto os músicos estão tocando os seus instrumentos, eles giram cada vez mais rápido. Durante o giro, os dervixes experiênciam uma dança extática e atingem o sentimento chamado de "final ".


5. Pamukkale ! ! Pamukkale é também conhecida como Hierapolis e é mundialmente famosa graças às suas águas termais que formam um dos cenários naturais mais impressionantes jamais vistos. Em épocas anteriores, acreditava-se que esses tinham poderes de cura e isso fez com que a cidade se tornasse incrivelmente popular. Durante o período Romano, a cidade atingiu o seu auge de desenvolvimento graças às fontes termais. ! ! Hierapolis era o nome da antiga cidade que foi, possivelmente, fundada pelo rei de Pérgamo, Eumenes, no segundo século a.C. Seu nome antigo significa "cidade santa", em grego, mas também é possível que foi nomeada após Hiera, mulher de Télefo ancestrais do rei Príamo.

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! ! Pamukkale depois de Pérgamo foi adicionada ao território do Império Romano em 133 AC. ! ! A cidade sofreu uma série de terremotos e foi reconstruída várias vezes. O imperador Nero a reconstruiu inteiramente no primeiro século d.C. ! ! De acordo com os científicos, os terraços de água, aos quais Pamukkale deve a sua popularidade, foram formados 14 mil anos atrás, sendo que o caudal de água era o mesmo que em séculos passados. A temperatura da água quente é de 35˚ C e contem bicarbonato de cálcio. Como a água perde o seu dióxido de carbono, o que resta é a acumulação de calcário, que tem várias cores e formações de forma peculiar. Há alguns quilômetros de Pamukkale, há mais uma fonte quente, localizada na vila Karahayit. Foi nomeada como Kirmizi Su (Água Vermelha), por causa da cor de suas


águas, que é mais quente e contém menos gás dióxido de carbono.

com mármore. A cripta, no meio desse espaço, acredita se que era para conter o corpo de São Filipe. As câmaras laterais eram delimitadas por uma moldura quadrada que consistia de salas de entrada que serviam de alojamento.

Sítios antigos de Pamukkale O antigo local de Pamukkale inclui o maior cemitério da antiga Anatólia, com mais de mil sepulturas. Sarcófagos, túmulos redondos e grandes recintos com vasos dentro delas, podem ser vistos entre os restos da antiga necrópole. No entanto, os ladrões retiraram uma grande parte dos itens de funerais e de decoração dos túmulos. A presença de sepulturas Cristãs na Necrópole é devido ao fato de que São Filipe foi torturado e morreu ali, assim, seus seguidores desejavam ser enterrados junto dele ! ! São Filipe foi apedrejado até a morte (80 d.C.) e o seu túmulo está no ponto em que ele morreu. É conhecido como o Martyrium e é uma estrutura em forma octogonal, construída no século V d.C. O túmulo, composto de oito câmaras laterais, separadas por salas poligonais que cercavam uma sala octogonal pavimentada 150

! ! Um sítio de atração próximo da cidade antiga é o banho romano, construído no segundo ou no terceiro século d.C. É possível que o Banho Romano foi convertido em uma Basílica durante o período dos primeiros Cristãos. ! ! O portão norte da cidade é composto por um arco triplo, que foi construído no primeiro século d.C. por Júlio Frontino, a fim de prestar as honras ao imperador


Domiciano. Os restos de duas torres redondas podem ser vistos em ambos os lados do portão. O lugar do museu arqueológico é nas ruínas de um grande banho romano datado do século II d.C. ! ! Esta piscina Sagrada, além da água, contém também restos de colunas antigas. É possível que pertenciam ao Templo de Apolo durante a ancestralidade. A água jaz da terra e fluí para a piscina. Canais transferem a água para o precipício e como fica mais fresca, o cálcio é dissolvido nela e formações travertinas são produzidas.

! ! O teatro romano da cidade foi preservado em uma boa condição até hoje em dia, mesmo que inicialmente foi construído no segundo século d.C. É possível que o teatro foi restaurado durante o reinado de Sétimo Severo (século III d.C.). As estruturas adicionais foram colocadas sobre a orquestra, no século IV, o que permitia exibições de água. O cena do teatro é de 4 m de altura e 151

provavelmente foi decorada com três fileiras de colunas. As bases das colunas eram decoradas com esculturas e inspiradas de representações de cenas mitológicas. Ainda hoje, podemos ver o nascimento de Dioniso por Semele e as mulheres que lavavam o bebê recém-nascido com água que fluida pedra. Uma outra cena mostra Dionísio andando de carruagem com cavalos, leopardos e uma terceira representa o deus no colo de uma mulher.

! ! O Templo de Apolo foi erguido no século 3 d.C. com 20m de comprimento e 15m de largura. Sob o templo, havia uma fonte de onde eram libertados gases tóxicos. Nesta área, acreditava-se que a gruta de Plutão, o rei do submundo, era localizado, acessível através de uma passagem estreita. A caverna foi chamada de Plutônia e o geógrafo Grego Estrabão descreveu-a como segue: "Plutônia é uma abertura de profundidade sob uma colina inclinada, com tais vapores densos que era


impossível ver o seu fundo. Os animais que entravam, morriam na hora. Até os pássaros, que voavam por cima da caverna, caiam no chão mortos. "

De acordo com estudos etimológicos sobre Esmirna, a palavra Smyrne, em grego significa uma especiaria que em língua portuguesa se traduz como mirra. ! ! De acordo com Estrabão, Esmirna era o nome antigo de Éfeso, e o nome deriva de uma amazona que conquistou Éfeso. Outros autores, porém, mencionam Esmirna como a mãe de Adonis: sua mãe teria dito que ela era mais bela que Afrodite, e a deusa a amaldiçoou, fazendo com que ela se apaixonasse pelo próprio pai; desta união nasceu Adonis. História

6. Esmirna ! ! Esmirna (em turco: İzmir; em grego: Σμύρνη; transl.: Smýrni; também conhecida noutras línguas como Smyrna e Smirne) é uma cidade do sudoeste da Turquia situada na Região do Egeu. É capital da área metropolitana (büyükşehir belediyesi) e da província homônima. Em 2012, a população da área metropolitana era 3.366.947 habitantes, o que faz dela a terceira maior cidade da Turquia, depois de Istambul e Ancara. No mesmo ano, o distrito de İzmir propriamente dito tinha 76.598 habitantes, dos quais 59.214 no que é considerado o centro urbano (merkez). A altitude média da cidade é de 30 m.

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! ! A cidade de cinco mil anos é uma das cidades mais antigas da bacia de Mediterrâneo. A cidade original foi estabelecida por volta do 3º milênio a.C., quando compartilhou com Tróia a cultura mais importante da Anatólia. Por volta de 1.500 a.C. tinha caído na influência do Império Hitita da Anatólia Central. ! ! De acordo com historiadores e mitógrafos gregos, as cidades da costa asiática do Mar Egeu, Mirina, Cime, Esmirna e Éfeso, haviam sido conquistadas pelas amazonas; Archibald Henry Sayce interpreta este mito como se estas amazonas fossem as sacerdotisas das deusas asiáticas, cujo culto se espalhou a


partir de Carquemis com as conquistas hititas. ! ! Segundo o historiador grego Heródoto de Halicarnasso, a cidade foi primeiro estabelecida pelos Eólios, mas foi logo depois tomada pelos Jônicos, que a tornaram um dos maiores centros culturais e comerciais do mundo na época. No 1º milênio a.C., Esmirna era uma das cidades mais importantes da Federação Jônica. Acredita-se que Homero lá residiu durante este período.

! ! A conquista da cidade pelos Lídios por volta de 600 a.C. trouxe fim a este período. Esmirna permaneceu como pouco mais que uma aldeia da Lídia e depois caiu sob o domínio persa. Antes do século IV a.C., uma nova cidade foi construída nas encostas do monte Pagos (Kadifekale), durante o reino de Alexandre, o Grande. O período romano de Esmirna, que começa antes do século I a.C., foi a sua segunda grande era. Esmirna ficou depois 153

conhecida como uma das Sete Igrejas da Ásia, à qual o Livro da Revelação (Apocalipse) foi enviado pelo apóstolo João. O domínio bizantino chegou no século IV d.C. e durou até à conquista seljúcida no século XI. ! ! Em 1415, sob o poder do sultão Mehmed Çelebi, Esmirna tornou-se parte do Império Otomano. A cidade ficou conhecida como um dos portos mais importantes do mundo entre os séculos XVII e XIX, quando os comerciantes de várias origens (especialmente Franceses, Italianos, Neozelandeses, Armênios, Judeus e Gregos) transformaram a cidade em um centro de comércio cosmopolita. Durante este período, a cidade foi famosa pela sua própria música (Smyrneika) bem como pela sua larga variedade de produtos que exportou para a Europa (passas de Esmirna, figos secos, tapetes, etc.).

! ! A cidade era conhecida até ao princípio do século XX por ser uma das cidades mais cosmopolitas no mundo, com uma grande população de Gregos e


Armênios. Com 2.500 pessoas, a comunidade judia de Esmirna é a segunda maior comunidade da Turquia, superada só por Istambul. Depois da Guerra de Independência turca a população grega moveu-se para a Grécia. A população atual é predominantemente turca.

! ! Esmirna é muitas vezes chamada "a pérola do Egeu". É considerada a cidade mais ocidentalizada da Turquia quanto a valores, ideologia, estilo de vida, e papéis de gênero.

7. Éfeso ! ! Éfeso (em grego clássico: Ἔφεσος; em latim: Ephesus; em turco: Efes) foi uma cidade grega antiga na costa de Jônia, três 154

quilômetros a sudoeste de Selçuk, atual em província de Esmirna, Turquia. Foi construída no século X a.C. no local da capital anterior de Arzawa por colonos gregos jônicos. Durante a era grega clássica foi uma das doze cidades da Liga Jônica. A cidade floresceu depois que veio sob o controle da República de Roma em 129 a.C. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano, apenas atrás de Roma, a capital do império. Tinha uma população de 250.000 habitantes no século I a.C., o que também fazia dela a segunda maior cidade do mundo na época. ! ! A cidade era famosa pelo Templo de Ártemis (terminado ao redor 550 a.C.), uma das sete maravilhas do mundo antigo. Entre muitos outros edifícios monumentais estão a Biblioteca de Celso e um teatro capaz de abrigar cerca de 25.000 espectadores. Éfeso era uma das Sete Congregações da Ásia Menor que são citadas no Livro de Apocalipse. O Evangelho de João pode ter sido escrito aqui. A cidade foi o local de vários concílios cristãos do século V. ! ! A cidade foi destruída em 263 pelos godos, uma tribo germânica e, apesar de ter sido reconstruída, a importância da cidade como um centro comercial declinou conforme o porto foi lentamente


assentado acima pelo rio Caístro. A cidade foi parcialmente destruída por um terremoto no ano de 614. ! ! As ruínas de Éfeso são uma atração turística internacional e local, em parte devido ao seu fácil acesso a partir do Aeroporto Adnan Menderes ou do porto de cruzeiros de Kuşadası, cerca de 30 km ao sul. Em 2015, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) integrou Éfeso na lista do Patrimônio da Humanidade. História ! ! A cidade era célebre pelo Templo de Ártemis, construído por volta de 550 a.C., uma das sete maravilhas do mundo. O templo foi destruído, juntamente com muitos outros edifícios, em 401 d.C. por uma multidão liderada por São João Crisóstomo. O imperador Constantino I 155

reconstruiu boa parte da cidade e ergueu novos banhos públicos, porém a cidade foi novamente destruída parcialmente por um terremoto, em 614. A importância da cidade como centro comercial diminuiu à medida que o seu porto começou a ser assoreado pelo rio Caístro (Küçük Menderes, em turco). Éfeso foi uma das Sete Igrejas da Ásia citadas no livro bíblico do Apocalipse. O Evangelho de João pode ter sido escrito na cidade, onde também se encontra um grande cemitério de gladiadores. ! ! Em Éfeso existia um dos maiores teatros do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 mil a 500 mil habitantes. Era a quinta mais populosa cidade do império. Também em Éfeso surgiram as condições para uma mudança fundamental no pensamento do Ocidente,


durante os séculos VII e I a.C. Éfeso e Mileto, também na Ásia Menor, são berços da filosofia. Em 133 a.C., Éfeso foi declarada capital da província romana da Ásia, mas pesquisas arqueológicas revelam que Éfeso já era um centro urbano antes de 1.000 a.C., quando era ocupada pelos jônios.

! ! Sua riqueza, contudo, não era apenas material. Nela se destacavam iniciativas culturais como escolas filosóficas; escola de magos e muitas manifestações religiosas, sendo a mais significativa em torno de Ártemis; a deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da fertilidade. É dedicado a Ártemis o maior templo nela encontrado por arqueólogos austríacos. Ao lado do templo de Ártemis, com 80m de comprimento e 50m de largura, foram encontrados suntuosos palácios romanos. Outras descobertas incluem uma bela casa de banho, de mármore, com muitos quartos, a magnífica Biblioteca de Celso, a 156

"Catacumba dos Sete Adormecidos", onde foram encontrados centenas de locais de sepultura, e um templo dedicado à adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador que exilou João Evangelista na ilha de Patmos e perseguiu os cristãos. Como é comum em praticamente todas as cidades ao redor do Mediterrâneo, também Éfeso acumulava em sua tradição traços religiosos orientais, egípcios, gregos, romanos e judaicos. ! ! O antigo geógrafo Estrabão, que viveu de 64 a.C. a 25 d.C., descreveu-a como "o maior centro de comércio exterior que havia na Ásia". Os arqueólogos encontraram uma inscrição em pedra (talvez erigida por ordem do imperador), que premiava Éfeso como a "mais ilustre de todas as cidades" da Ásia. ! ! Nos tempos apostólicos, Éfeso foi uma das cidades do Império Romano onde o cristianismo mais se difundiu. Paulo de Tarso e João Evangelista pregaram na cidade. A igreja que havia em Éfeso no fim do século I d.C. foi uma das sete igrejas mencionadas no Apocalipse, juntamente com Esmirna, Pérgamo, Sardes, Tiatira, Filadélfia (atual Alaşehir) e Laodiceia no Licos. A cidade também foi sede de dois concílios (o Primeiro e o Segundo Concílio de Éfeso). Nela se localizam ruínas da basílica de São João, o Teólogo.


8. Casa de Maria em Éfeso ! ! A Casa da Virgem Maria (em turco: Meryem Ana ou Meryem Ana Evi - "Casa de Mãe Maria") é um santuário católico e muçulmano localizado no monte Koressos (em turco: Bülbüldağı - "monte Rouxinol"), próximo da cidade de Éfeso (sete quilômetros de Selçuk, na Turquia). ! ! A casa foi descoberta no século XIX através da descrição obtida através das visões da beata Ana Catarina Emmerich (1774 - 1824), uma freira católica, que foi publicada como um livro por Clemens Brentano após a sua morte. A Igreja Católica jamais se pronunciou sobre a autenticidade da casa por conta da falta de evidências aceitáveis, porém tem demonstrado, principalmente após as bençãos da primeira peregrinação pelo papa Leão XIII em 1896, uma atitude positiva em relação ao local. O papa Pio 157

XII, em 1951, seguindo a definição do dogma da Assunção, do ano anterior, elevou a casa ao status de Local Sagrado, um privilégio que posteriormente foi eternizado pelo papa João XXIII. ! ! Além das já visitas papais já citadas, o Paulo VI esteve no santuário em 26 de julho de 1967, João Paulo II, em 30 de novembro de 1979, e Bento XVI, em 29 de novembro de 2006.


! ! Os peregrinos cristãos visitam a casa baseados na crença de que Maria foi levada para esta casa de pedra por São João e ali eles viveram até a Assunção de Maria (de acordo com a doutrina católica) ou até a Dormição (de acordo com a doutrina ortodoxa). ! ! O templo em si não é grande e pode ser descrito como uma modesta capela. As pedras preservadas e a construção em si datam da Era Apostólica e são consistentes com outros edifícios da época, mas com pequenas adições posteriores como jardins e itens devocionais no exterior do edifício. Ao entrar na capela, o visitante encontra uma único grande recinto com um altar e uma grande estátua da Virgem Maria no centro.

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! ! No lado direito está um recinto menor - tradicionalmente associado com o verdadeiro quarto onde Maria dormia. A tradição mariana defende que alguma forma de água corrente costumava correr como um canal nesta sala menor, o "quarto de Maria", e que teria dado origem à atual fonte de água potável localizada do lado de fora da estrutura. ! ! Fora do santuário está localizada um "Muro de Pedidos" que os fieis utilizam para deixar suas mensagens e pedidos na forma de pequenos bilhetes de papel ou pano. Diversos tipos de flores e frutas crescem no local, que também recebeu iluminação artificial para auxiliar na defesa e no monitoramento do santuário. Uma fonte de água potável existe nas proximidades e alguns fiéis acreditam que água dali tem poderes milagrosos de cura ou de fertilidade.


História ! ! No começo do século XIX, Ana Catarina Emmerich, uma freira agostiniana alemã, acamada por enfermidades, relatou uma série de visões da vida de Jesus e detalhes da de Maria. Ela já estava adoentada havia muito tempo na comunidade rural de Dülmen e era reconhecida na Alemanha como uma mística, recebendo visitas de diversas figuras notáveis. ! ! Um destes foi o autor Clemens Brentano que, após uma primeira visita, permaneceu em Dülmen por cinco anos, visitando Emmerich diariamente e transcrevendo suas visões conforme ela as descrevia. Após a morte da freira, Brentano publicou um livro baseado nestes relatos. Uma segunda obra, baseada em suas notas, foi publicado após a sua própria morte.

! ! Um dos relatos de Emmerich era a descrição da casa que o apóstolo João havia construído em Éfeso para Maria, a mãe de Jesus, e onde ela teria vivido até o fim de sua vida. Emmerich providenciou uma série de detalhes sobre a localização da casa e sobre a topografia da região à volta: “Maria não vivia em Éfeso, mas não região rural nas redondezas... A residência de Maria estava num monte à esquerda da estrada que vinha de Jerusalém, a umas três horas e meia de Éfeso. Este monte se inclina abruptamente em direção a Éfeso; a cidade, conforme nos aproximamos dela pelo sudeste parece estar em terreno em elevação... Caminhos estreitos levam para o sul em direção a um morro no topo do qual está um platô desigual, a uma meia hora de viagem.” ! ! Emmerich também descreveu os detalhes da casa: que ela fora construída com pedras retangulares, que as janelas eram altas, próximas do teto plano, e que ela consistia de duas partes, com uma lareira ao centro. Ela descreveu ainda a localização das portas, o formato da chaminé e diversos outros detalhes. ! ! O livro com estas descrições foi publicado em 1852 em Munique, na Alemanha.

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! ! Em 18 de outubro de 1881, baseando-se nas descrições do livro de


Brentano sobre as visões de Emmerich, um padre francês, o abade Julien Gouyet descobriu um pequeno edifício em pedra numa montanha com vista para o mar Egeu e para as ruínas da antiga Éfeso na Turquia. Ele acreditava que ele era a casa descrita por Emmerich e onde Maria teria vivido seus últimos dias. ! ! A descoberta do abade Gouyet não foi levada a sério por muitas pessoas, mas, dez anos depois, instigado pela irmã Marie de Mandat-Grancey, dois missionários lazaristas, os padres Poulin e Jung, de Izmir (antiga cidade de Esmirna), redescobriram o local em 29 de julho de 1891 utilizando-se da mesma fonte como guia. Eles ficaram sabendo que a pequena ruína com quatro paredes e já sem o teto vinha sendo venerada por um longo tempo pela população de uma pequena e distante vila de descendentes dos cristãos de Éfeso. A casa era chamada de "Panaya Kapulu" ("Portal para a Virgem"). Todos os anos, peregrinos iam até o local no dia 15 de agosto, a data na qual a maior parte do mundo cristão celebra a Dormição / Assunção. ! ! A irmã Marie de Mandat-Grancey foi nomeada a fundadora da Casa de Maria pela Igreja Católica e ficou responsável por adquirir, restaurar e preservar o local e as redondezas de 1891 até a sua morte em 160

1915. A descoberta reviveu e fortaleceu a tradição cristã, que vinha desde o século XII, chamada "tradição de Éfeso", que competia com a mais antiga "tradição de Jerusalém", sobre o local da Dormição de Maria. Por conta dos relatos do papa Leão XIII em 1896 e de João XXIII em 1961, a Igreja Católica primeiro removeu a indulgência plenária da Casa da Dormição em Jerusalém e a concedeu aos peregrinos da Casa de Maria em Éfeso. ! ! A porção restaurada da estrutura se distingue dos restos originais por uma linha pintada em vermelho no edifício. Alguns expressaram dúvidas sobre o local, pois a tradição da associação de Maria com Éfeso somente apareceu no século XII, enquanto que a tradição universal entre os padres da Igreja era de que Maria vivera em Jerusalém. Defensores do novo local basearam sua crença na presença da Igreja de Maria, do século V, a primeira basílica do mundo dedicada à Virgem, em Éfeso.


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Grécia

Grécia (em grego: Ελλάδα; transl.: Elláda pronunciado: [e ˈlaða] ( ouvir)), oficialmente República Helênica (português brasileiro) ou Helénica (português europeu)(em grego: Ελληνική Δημοκρατία; transl.: Ellīnikī́ Dīmokratía pronunciado: [eliniˈci ðimokraˈti.a]) e conhecida desde a antiguidade como Hélade (em grego: Ἑλλάς; transl.: Hellás), é um país localizado no sul da Europa. De acordo com dados do censo de 2011, a população grega é de cerca de 11 milhões de pessoas. Atenas é a capital e a maior cidade do país. ! ! O país está estrategicamente localizado no cruzamento entre a Europa, a Ásia, o Oriente Médio e a África. Tem fronteiras terrestres com a Albânia a noroeste, com a República da Macedônia e a Bulgária ao norte e com a Turquia no nordeste. O país é composto por nove regiões geográficas: Macedônia, Grécia Central, Peloponeso, Tessália, Épiro, Ilhas Egeias (incluindo o Dodecaneso e Cíclades), Trácia, Creta e Ilhas Jônicas. O Mar Egeu fica a leste do continente, o Mar Jônico a oeste e o Mar

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Mediterrâneo ao sul. A Grécia tem a 11ª maior costa do mundo, com 13.676 quilômetros de comprimento, com um grande número de ilhas (cerca de 1.400, das quais 227 são habitadas). Oitenta por cento do país é composto por montanhas, das quais o Monte Olimpo é a mais elevada, a 2.917 metros de altitude. ! ! A Grécia moderna tem suas raízes na civilização da Grécia Antiga, considerada o berço de toda a civilização ocidental. Como tal, é o local de origem da democracia, da filosofia ocidental, dos Jogos Olímpicos, da literatura ocidental, da historiografia, da ciência política, de grandes princípios científicos e matemáticos, das artes cênicas ocidentais, incluindo a tragédia e a comédia. As conquistas culturais e tecnológicas gregas influenciaram grandemente o mundo, sendo que muitos aspectos da civilização grega foram transmitidos para o Oriente através de campanhas de Alexandre, o Grande, e para o Ocidente, através do Império Romano. Este rico legado é parcialmente refletido nos 17 locais considerados pela UNESCO como Patrimônio Mundial no território grego, o sétimo maior número da Europa e o 13º do mundo. O Estado grego moderno, que engloba a maior parte do núcleo histórico da civilização grega antiga, foi criado em

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1830, após a Guerra da Independência Grega contra o antigo Império Otomano. ! ! Atualmente, a Grécia é um país democrático e desenvolvido com uma economia avançada e de alta renda, um alto padrão de vida e um índice de desenvolvimento humano (IDH) considerado muito alto pelas Nações Unidas. A Grécia é um membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), é membro do que é hoje a União Europeia desde 1981 (e da Zona Euro desde 2001), além de ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) desde 1952. A economia grega é também a maior dos Balcãs, onde a Grécia é um importante investidor regional.

1. Patmos ! ! Patmos (em grego, Πάτμος) é uma pequena ilha grega do Dodecaneso, no Egeu Meridional, situada a 55 km da costa Sudoeste da Turquia, no Mar Egeu. Tem uma área total de 45km² e uma população de 3.047 habitantes (2011). ! ! Patmos é uma municipalidade integrante da unidade regional de Calímnos com capital em Hora (ou Chora), que às vezes é chamada, erroneamente, de Patmos. Skala é o único porto.


! ! A ilha é dividida em duas partes quase iguais, uma do norte e outra do sul, unidas por um istmo. A vegetação é escassa, e o relevo é formado por montes relativamente baixos, cujo ponto mais alto chama-se Profeta Elias (em grego, Προφήτη Ηλία; transl. Profíti Ilía) e tem 269 m) de altitude. ! ! Conhecida por ser o local para onde o apóstolo João foi exilado — conforme consta na introdução do livro de Apocalipse —, Patmos foi usada como um lugar de banimento do Império Romano. Segundo uma tradição preservada por Ireneu, Eusébio, Jerônimo e outros, o exílio de João aconteceu em 91 ou 96 d.C., no décimo quarto ano do reinado de Domiciano. A tradição local ainda aponta a caverna onde João teria recebido a revelação para escrever o livro.

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! ! A partir de 1522, a ilha foi, por diversas vezes, ocupada pelos turcos. Em 1912 foi capturada pelos italianos e, após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, passou definitivamente a integrar o território grego. ! ! Em 1999, o centro histórico de Chora, o Mosteiro de São João, o Teólogo e a Caverna do Apocalipse foram incluídos no Patrimônio Mundial pela UNESCO. A Caverna do Apocalipse e João de Patmos ! ! A Caverna do Apocalipse encontra-se no meio de uma montanha, na ilha grega de Patmos, próxima à estrada que liga as cidades de Chora e Skala. Acredita-se que esta caverna marca o lugar em que João de Patmos recebeu suas visões às quais escreveu o livro do Novo Testamento, o Apocalipse.


! ! Em 1999, a UNESCO declarou a caverna junto com o Mosteiro de São João o Teólogo Patrimônio Mundial. ! ! João de Patmos é o nome dado, no Apocalipse, ao autor do texto que é parte do Novo Testamento. De acordo com a citação, João estava vivendo na Ilha de Patmos onde, de acordo com alguns, ele estaria exilado. ! ! Na maior parte das denominações cristãs, João de Patmos é considerado como um profeta , recebedor de uma revelação divina. Ele também já foi referido como "João, o Divino", "João, o Revelador", "João, o Teólogo" e "Águia de Patmos" e "João, o Visionário". ! ! De acordo com o texto no Apocalipse, João de Patmos recebeu instruções para escrever para as sete igrejas da Ásia. Tradicionalmente, acredita-se que 164

este João seja também João, o apóstolo de Jesus, e João, o autor do quarto Evangelho. O escritor do início do século II, Justino Mártir, foi o primeiro a identificar o autor do Apocalipse com "João, o Apóstolo". Porém, alguns acadêmicos bíblicos atualmente defendem que os três são, na verdade, três pessoas distintas.


! ! João, o Presbítero, um personagem obscuro da Igreja antiga, também já foi identificado como sendo o autor do Apocalipse por autores como Eusébio de Cesareia e Jerônimo de Estridão. ! ! Considera-se que João estivesse exilado em Patmos, vítima de um período de perseguição aos cristãos durante o Império Romano. Em Apocalipse 1, 9 ele afirma: "Eu João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na paciência em Jesus, estive na ilha que se chama Pátmos, por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de Jesus." Adela Collins, uma teóloga na Universidade de Notre Dame, escreveu: ! ! “A tradição mais primitiva afirma que João foi banido para Patmos pelas autoridades romanas. Esta tradição é crível por que o banimento era uma punição comum durante o período imperial para diversos tipos de ofensas. Entre elas estavam a prática da magia e da astrologia. A profecia era vista pelos romanos como estando nesta mesma categoria, seja ela pagã, judaica ou cristã. A profecia com implicações políticas, como a expressada no Apocalipse, seria percebida como uma ameaça à ordem e ao poder político romano. Três das ilhas nas Espórades eram o destino dos perseguidos políticos (segundo a História Natural, de Plínio, 4.69-70; e os "Anais", de Tácito 4.30)”

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— Adela Collins, Verbete "Patmos", no Harper's Bible Dictionary.

O Mosteiro de São João, o teólogo ! ! O Mosteiro de São João o Teólogo (em grego: Μονή Αγίου Ιωάννου του Θεολόγου) é um mosteiro ortodoxo situado na ilha de Patmos na Grécia. ! ! Em 1088 o imperador bizantino Aleixo I Comneno deu a ilha de Patmos ao soldado-pastor João Cristódulo. A maior parte do mosteiro foi completada por Cristódulo três anos depois; ele fortificou muito o exterior por causa das ameaças de pirataria e de dos turcos. 330 raros manuscritos encontram-se na biblioteca, sendo 82 do Novo Testamento. ! ! Em 2012, moravam 40 monges neste mosteiro. O que ver no mosteiro de São João?


! ! O mosteiro consiste em pátios, capelas, escadas, galerias, galerias cobertas de interligação. Expostos nas paredes estão fragmentos de um antigo templo de Artemis que foi destruído no século 11. A capela principal é adorável, assim como a Capela adjacente da Theotokos (Mãe de Deus), cujos afrescos datam do século XII. ! ! O Tesouro tem uma impressionante variedade de arte religiosa, principalmente composta de ícones da escola cretense. As peças mais importantes da exposição são um ícone de mosaico incomum de Agios Nikolaos (São Nicolau) e o pergaminho do século 11 que concede a ilha a Khristodhoulos (João Cristódulo). ! ! Descendo do mosteiro, à metade do caminho, está entrada do caminho que leva á Caverna do Apocalipse, o lugar em que se acredita que São João recebeu suas revelações.

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2. Creta (Heraklion) Fonte: https://oglobo.globo.com/boa-viagem/a-ma ior-ilha-da-grecia-creta-reune-praias-famos as-excelente-cozinha-13253141 ! ! Creta, a maior e uma das mais famosas ilhas da Grécia, guarda imensuráveis riquezas do Mediterrâneo. Está entre os destinos de maior importância cultural do arquipélago grego. É em Creta, ao sul do Mar Egeu, que você poderá apreciar a beleza dos mares da


Líbia, Mirtoico, de Cárpatos; terá a chance de andar por ruínas de sítios arqueológicos minoicos, pequenas ruas em labirínticos centros históricos que parecem cópias do Palácio de Knossos (o do labirinto do minotauro), portos venezianos, e verá vilas, igrejas, mosteiros ortodoxos e desfiladeiros impressionantes. Também será possível admirar campos de oliveiras, aproveitar praias lindas e experimentar pratos da cozinha mediterrânea que marcam o papel central da culinária na filosofia e no estilo de vida do berço da civilização europeia. ! ! Com mais de mil quilômetros de extensão de litoral, para conhecer as principais cidades cretenses — Héraclion, Chania e Rethymno, as mais bonitas e centrais para hospedagem — e ainda outras — como Ierápetra, Agios Nikolaos e Siteía — será necessário ao menos cinco dias. A diversidade da ilha com a sexta 167

maior população da Grécia combina turismo cultural, gastronômico e praiano. O agroturismo também virou negócio local e mostra o papel significativo da olivicultura e da viticultura na região. Enquanto pequenos agricultores mantêm a tradição cuidando de rebanhos que incluem os cabritos selvagens, empresas produtoras de azeite, mel e queijo exportam freneticamente para Brasil, China e Rússia. ! ! Tão conhecida quanto Santorini e Mikonos, Creta se destaca por ser a única ilha da Grécia que seria capaz de sobreviver sem a economia do turismo devido à potência de sua agricultura, pecuária, indústria alimentícia e comercial. A quinta maior ilha do Mediterrâneo tem três aeroportos. O de Rethymno, depois do de Atenas, é o mais movimentado da Grécia.


! O Ministério do Turismo grego diz que Creta recebe anualmente cerca de um quarto dos turistas da Grécia, sendo a ilha mais visitada de todo o país. Dados fornecidos pelo Banco da Grécia ao site DiscoverGreece.com, informam que Creta recebeu 3,3 milhões de turistas em 2013. O guia “Lonely Planet” classifica a ilha como um dos destino de férias mais populares da Europa. Creta tem belas paisagens e ao longo delas você vai se deparar com aldeias tradicionais, cavernas — como a de Zeus, que segundo a mitologia grega nasceu e viveu na ilha — e montanhas espetaculares, como as Montanhas Brancas, que alcançam 2.453 metros de altitude, na região de Chania, onde também se encontra o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa. ! ! Os melhores meses para conhecer Creta são entre maio e outubro. Nessa 168

época, a temperatura da água do mar pode ser superior aos 20°C, em agosto chega na casa dos 25°C. A ilha é um destino ideal para quem deseja tranquilidade. Mesmo no auge do verão europeu, em julho e agosto, os preços são acessíveis devido a variedade que Creta oferece aos seus visitantes. ! ! Só de praias, são mais de 350. Algumas com areia branca, outras cor-de-rosa, ou dourada, cheias de pedrinhas coloridas, ou ainda, com milhares de conchas quebradas. Essas inúmeras praias com paisagem diversificada têm águas de tonalidades azul-turquesa que lembram o Caribe. ! ! Nos dois lados da ilha, a tarefa difícil será escolher a sua praia entre as mais bonitas. Há praias badaladas, isoladas, familiares, calmas, agitadas, organizadas e de nudismo. Listamos seis consideradas imperdíveis.


! ! Elafonisi. Majestosa e protegida pela Rede Natura 2000 — áreas de proteção ambiental estabelecidas pela União Europeia — tem paisagem serena, dunas de areia branca, águas cristalinas e rasas. A praia é excelente para crianças. Por ser área protegida, é estritamente proibido cortar plantas ou levar uma garrafa de areia para casa. Os leitores do site TripAdvisor consideraram Elafonisi uma das 20 praias mais bonitas do mundo em 2014. Fica a cerca de 74 quilômetros da cidade de Chania. ! ! Balos. Impressiona com as cores da areia vermelha dourada em combinação com o azul-turquesa das águas. Tem menos turistas. Melhor chegar de barco a partir de Kissamos — de carro a estrada é bastante difícil Balos fica em Gramvousa, a 52 quilômetros de Chania. ! ! Falasarna. Provavelmente a praia mais famosa e encantadora de Creta. Todo ano recebe prêmios de guias de turismo e da imprensa internacional como a praia mais bonita da Grécia e uma das dez melhores da Europa. De cenário espetacular, tem areia quase rosa, águas cristalinas de cor azul-turquesa e montanhas. A praia é organizada, mas com espaço livre o suficiente para aqueles que querem ficar em contato direto com o sol e a areia. Fica em Kissamos, a 54 quilômetros de Chania. 169

Matala. A pequena vila de pescadores foi paraíso de hippies nos anos 1970. Entre suas características atraentes estão areia fina, rochas brancas e águas azuis cristalinas. As pequenas grutas artificiais aumentaram o turismo na região. A praia é organizada e cercada por tavernas. Está a 68 quilômetros de Heráclion. Vai. Tem palmeiras exuberantes, areia fina, com algumas pedras, e águas azul-turquesa. A praia está em harmonia com a paisagem natural e deslumbrante do Mediterrâneo. Vai está ocalizada a 25 quilômetros de Agios Nikolaos. Preveli. Pequeno paraíso onde mar e rio se unem. O visual surpreende com a faixa de areia cortada em diagonal por um rio, de mesmo nome. Uma floresta de palmeiras cerca o local. Isolada, bonita e romântica, depois do banho no mar, vale tirar o sal nas águas doces e límpidas do riacho. A 40 quilômetros de Rethymno, Preveli pode ser alcançada por uma estrada de terra seguida de uma longa escadaria ou por barco. CIDADES. LABIRINTO E CAFÉ HISTÓRICO ! ! A importância cultural de Creta é grande. A ilha é berço da civilização minoica, uma mais antigas do mundo, na Idade do Bronze (3 mil anos a.C.),


considerada mais avançada que a contemporânea civilização da Grécia continental. ! ! O Palácio de Knossos, em Héraclion, é o sítio mais importante e visitado da ilha. Embora não existam provas contundentes, é o endereço conhecido do labirinto do Minotauro. A fila de entrada é longa. Reserve ao menos duas horas para visitação e use um calçado confortável para andar no chão de terra e pequenas pedras. Considerado o maior sítio arqueológico da Idade de Bronze de Creta e um dos mais antigos da Europa, a grandeza da história do palácio impressiona. Depois da visita, o Museu Arqueológico de Héraclion complementa o passeio, com objetos pré-históricos e coleções da civilização minoica. E o Museu Lychnostatis, em 170

Hersonissos (a 25 km de Héraclion), erguido a céu aberto exibe uma rica exposição de cultura folclórica.

! ! No trajeto entre Héraclion e Chania (140 km), aldeias tradicionais de Creta são lugares com visual de cartão-postal. Archanes, em Héraclion, é uma pitoresca vila rural com uma história de cinco mil anos, onde a passagem do tempo não alterou a arquitetura tradicional — a


recuperação da aldeia ganhou o Prêmio Europeu de Restauração de Vilas. Anogia, a meio caminho, no distrito de Rethymno, a 700 metros de altitude, tem 2.500 moradores. Os habitantes mantêm inalterado o dialeto peculiar, que inclui palavras do grego antigo. ! ! Entre os mais bonitos desses povoados está Sfakiá (Hóra Sfakíon), vila de Creta na região de Chania onde os moradores não foram afetados pelas invasões estrangeiras. Lé se vive ainda da agricultura e da pesca. De relevo acidentado e montanhoso, o local tem belas colinas. A 12 km a leste de Sfakiá, o castelo medieval Frangokastello, na costa sul, é famoso pelo fenômeno Drosoulites. Diz a lenda que nas manhãs de maio e junho, sombras de guerreiros fantasmas que morreram na batalha de maio de 1828 rondam o castelo. Explicações científicas atribuem o fenômeno à miragem ou à ilusão. ! ! Outra vila interessante é Therissos (a 16 km de Chania), cercada pela vegetação do desfiladeiro de Theriso, com belas águas e árvores densas. Therissos fica aos pés das Montanhas Brancas, a 580 metros de altitude. Na região, pode-se também atravessar o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa. O percurso de 18 km de extensão leva de cinco a sete horas, 171

dependendo do ritmo do visitante. É recomendável para pessoas com certo grau de resistência física. Fica em um parque com excelente infraestrutura com banheiros por todo o caminho e fontes de água. Perto dali, em Akrotiri, está o túmulo do ex-primeiro-ministro da Grécia, Eleftherios Venizelos — que duplicou as terras gregas durante as guerras mundiais e é considerado pelos cretenses como pai da Grécia moderna. O local tem bela vista panorâmica de Chania. ! ! Em Chania, vale visitar o Museu Arqueológico; a Catedral da Apresentação da Virgem Maria, com pinturas religiosas em bom estado, e o Mosteiro ortodoxo de Agia Triada, conhecido por sua capela dedicada aos 12 apóstolos. Construído em 1634, o mosteiro oferece degustação de vinhos e uma pequena loja com produtos artesanais. O Museu de Tipografia exibe livros, jornais raros e prensas de ferro fundido. ! ! Em Chania se toma o melhor café grego da ilha, no Café Kipos, no jardim nacional. Aberto desde 1870, o local serve vários tipos de doces e faz parte da Associação de Cafés Históricos da Europa.


GASTRONOMIA. PESCADOS, ERVAS, CARACÓIS E RAKI ! ! Creta é acolhedora e está repleta de tavernas, restaurantes, bares e clubes. A ilha fica na região com a melhor gastronomia da Grécia e a fama de ser um dos melhores lugares para comer na Europa. A comida é temperada com especialidades como erva-doce, manjericão, orégano, limão e azeite. E os melhores azeites da Grécia vêm de Creta. Graças às condições climáticas, posição geográfica e geologia, a ilha é também um paraíso botânico, com 1.742 espécies registradas de plantas, 159 das quais 172

endêmicas. O aroma das ervas é percebido por toda parte, principalmente na primavera, entre março e junho. Nas tavernas, vasos de orégano e manjericão decoram os ambientes. ! ! As tavernas são ideais para provar as especialidades de Creta, pois servem variados tipos de mezzes (porções fartas em pratos de sobremesa). E tudo vem ao mesmo tempo: os quentes, os frios, as entradas e os principais. Belisque das diferentes porções em vez de se servir individualmente. Nas tavernas, a comida é compartilhada. ! ! Entre as especialidades, experimente tortas e pastéis de queijo e espinafre; stáka (ovo frito coberto por uma espécie de mingau de queijo); dakos (pão regado ao azeite e coberto por queijo branco e tomate); haniotiko boureki


(bolo salgado recheado de queijo branco, batata e abobrinha); pilafe de zigouri (parecido com risoto, servido com carne cozida de cabrito), e os queijos myzithra, anthotyros, graviera e feta. Creta fabrica vários tipos de queijos e os mantêm como produto básico e tradicional. Aproveite como aperitivo, acompanhamento, lanche ou sobremesa. ! ! Peixes ou frutos do mar podem vir cozidos, fritos, assados. Para saborear os pescados fresquinhos, peça os do dia. A maioria das tavernas de peixes estão próximas ao mar e são chamadas de psarotavernas. Perto das montanhas, são servidas carnes, principalmente as de carneiro. Outra especialidade são os caracóis — particularmente saborosos por 173

se alimentarem de ervas aromáticas, que junto ao alho temperam os moluscos. ! Já os doces, a maioria tem como ingredientes principais o mel e o queijo. Prove as kalitsounias, pastel doce com recheio de queijo e mel. Os iogurtes são deliciosos. No verão, a preferência é por frutas frescas, como melancia, melão, figo e uvas. ! Na maioria das vezes, as tavernas oferecem de graça sobremesas como queijos e iogurtes com mel ou frutas. A cortesia é acompanhada de um copinho de raki — bebida típica, parecida com licor, derivada de uva e com 40% a 45% de álcool. Muitas vezes, quando o visitante pede um café ou copo d’água, o garçom traz o raki com a desculpa de que em Creta a hospitalidade é brindada de forma clássica. Em qualquer lugar da ilha, de mosteiros


aos restaurantes mais luxuosos, esta será a bebida servida para brindar ao visitante. Contudo, se o gosto forte não agradar, opte pelo rakomelo, que vem misturado com mel.

3. Santorini ! ! Santorini (Σαντορίνη), chamada oficialmente Tira (em grego: Θήρα) e Tera na Antiguidade, é uma ilha no sul do mar Egeu, a cerca de 200 quilômetros a sudeste da Grécia continental. É a maior ilha de um pequeno arquipélago circular que leva o mesmo nome e é o resto de uma caldeira vulcânica. O conjunto de ilhas forma o membro mais ao sul do grupo de ilhas Cíclades, com uma área de aproximadamente 73 quilômetros quadrados e uma população estimada em 2011 em 15 550 habitantes. O município de Santorini compreende as ilhas habitadas de Santorini e Terásia e as ilhas desabitadas de Nova Caméni, Velha Caméni, Aspronisi e Cristiana. O arquipélago tem uma área total de 90,623 km² e é parte da unidade periférica grega de Tira. 174

! ! O arquipélago de Santorini é essencialmente o que restou depois de uma gigantesca erupção vulcânica que destruiu os primeiros assentamentos humanos que existiam na antiga ilha e que criou a caldeira geológica atual. A enorme lagoa central retangular, que mede cerca de 12 por 7 km, é cercada por íngremes penhascos com até 300 metros de altura, em três dos seus lados. A ilha principal é inclinada em direção ao mar Egeu. No quarto lado, uma lagoa é separada do mar por uma outra ilha menor chamada Terásia. A lagoa está ligada ao mar em dois lugares, a noroeste e sudoeste. A profundidade de 400 metros da cratera torna possível que todos os maiores navios de cruzeiro ancorem em qualquer lugar da baía protegida, há também uma marina recém-construído em Vlichada, na costa sudoeste. O principal porto da ilha é Atínias. A capital, Fira, localiza-se no topo de um penhasco, de frente para a lagoa da caldeira. As rochas vulcânicas presentes de erupções anteriores apresentam olivina e têm uma pequena presença de hornblenda.


! ! Santorini é o centro vulcânico mais ativo no arco vulcânico do sul do mar Egeu, embora o que permaneça até hoje seja principalmente uma caldeira cheia de água. O arco vulcânico tem aproximadamente 500 km de comprimento e de 20 a 40 quilômetros de largura. A região registrou sua primeira atividade vulcânica cerca de 3-4 milhões de anos atrás, apesar de vulcanismo em Tera ter começado há aproximadamente 2 milhões de anos.

de profundidade e pode ter levado, indiretamente, ao colapso da civilização minoica na ilha de Creta, 110 km ao sul, através da formação de um gigantesco tsunami. Outra teoria popular diz que a erupção de Tera é a fonte da lenda de Atlântida. ! ! A ilha deve o seu nome a Santa Irene, nome pelo qual os venezianos a denominavam. Era anteriormente conhecida por Kallístē (em grego clássico: Καλλίστη, "a mais bela"), Strongýlē (Στρογγύλη), "a circular") ou Tera(Θήρα), nome que ainda hoje ostenta em grego. ! ! Para além da ilha principal, Santorini tem nas suas proximidades diversos ilhéus, formando um grupo quase circular de ilhas, vestígio da grande erupção que despedaçou a ilha. O grupo de ilhas é também conhecido por Tira (em grego: Θήρα).

! ! A ilha é o local de uma das maiores erupções vulcânicas já registradas na história humana: a erupção minoica (às vezes chamada de erupção de Tera), ocorreu cerca de 3600 anos atrás, no auge da civilização minoica. A erupção deixou uma grande cratera rodeada por depósitos de cinzas vulcânicas a centenas de metros 175

! ! Santorini é o vulcão mais ativo do denominado Arco Egeu, sendo constituída por uma grande caldeira submersa, rodeada pelos restos dos seus flancos. Esta forma actual da ilha deve-se, em grande parte, à erupção que há aproximadamente 3.500 anos (cerca de 1680 a.C) atrás destroçou o seu território. Aquela erupção, de grande explosividade, criou a actual caldeira e produziu depósitos piroclásticos com algumas centenas de metros de


espessura que recobriram tudo o que restou da ilha e ainda atingiram grandes áreas do Egeu e dos territórios vizinhos. ! ! O impacto daquela erupção fez-se sentir em toda a Terra, mas com particular intensidade na bacia do Mediterrâneo. A erupção parece estar ligada ao colapso da Civilização Minóica na ilha de Creta, distante de Santorini 110 km ao sul. Acredita-se que tal cataclismo tenha inspirado as posteriores lendas acerca de Atlântida.

itálica. Além disso, desempenhou um papel importante no trabalho missionário do apóstolo Paulo, que lá viveu por dezoito meses. Hoje é a segunda maior cidade do Peloponeso, com vários locais de interesse para os peregrinos e turistas.

4. Corinto Fonte: http://www.infoescola.com/grecia-antiga/co rinto/ ! ! Corinto (em grego, Kórinthos) é o nome de uma antiga pólis grega (cidade-estado) e também do istmo próximo, cerca de 48 km a oeste de Atenas, que emprestou seu nome para a um conjunto de jogos pan-helênicos, uma guerra, e um estilo de arquitetura. A moderna cidade de Corinto está localizada cerca de 5 km a nordeste das ruínas antigas. ! ! Corinto era um rico centro comercial, abrigando uma população cosmopolita graças ao seu porto, que realizava um lucrativo comércio com a Ásia, além de ser um ponto de comunicação com a península 176

! ! O local da antiga cidade era habitado já no período neolítico(5.000-3.000 a.C.), e floresceu como um importante centro no século VIII a.C., permanecendo assim até sua destruição pelos romanos, em 146 a.C. Tinha o status de potência naval, o que permitiu à antiga Corinto estabelecer colônias em Siracusa, (na ilha da Sicília) e em Corcyra (atual Corfu, próximo à Albânia). Estas colônias serviam como entrepostos comerciais para as peças ornamentais de bronze, produtos têxteis e cerâmica produzidos na metrópole.


! ! À partir de 582 a.C., Corinto passou a abrigar os Jogos Ístmicos, celebrados em honra do deus do mar Poseidon. O templo dórico de Apolo, um dos principais marcos históricos da cidade foi construído em 550 a.C., no auge da riqueza da pólis. ! ! A antiga cidade foi parcialmente destruída pelos romanos em 146 a.C., mas em 44 a.C., foi reconstruída como uma cidade romana. A nova Corinto prosperou mais do que nunca, estima-se que tinha cerca de 800 mil habitantes no tempo de Paulo. Foi a capital da Grécia romana, habitada principalmente por homens livres e judeus. ! ! Alarico, em sua invasão à Grécia, em 395-396, destruiu Corinto e vendeu muitos de seus cidadãos como escravos. Ainda assim, a cidade permaneceu habitada por muitos séculos, suportando sucessivas invasões, destruições e pragas. 177

! ! Corinto foi capturada pelos turcos, em 1458, e pelos Cavaleiros de Malta em 1612. Por volta de 1687 até 1715, os venezianos controlaram a cidade, que novamente caiu na mão dos turcos. Finalmente, com a independência grega em 1822, a cidade passou a fazer parte do novo país. ! ! Desde 1896 foram iniciadas sistemáticas escavações arqueológicas na área da antiga polis, e ainda se encontram em andamento, trazendo à tona a ágora, templos, fontes, lojas, pórticos, banheiros e vários outros monumentos.

5. Atenas ! ! Atenas (em grego: Αθήνα; transl.: Athína; em grego antigo: Ἀθῆναι, transl.: Athēnai) é a capital e a maior cidade da Grécia. A cidade domina a região da Ática e é uma das cidades mais antigas do


mundo, sendo que seu território está continuamente habitado há 3.400 anos. A Atenas Clássica, do período da Grécia Antiga, foi uma poderosa pólis (cidade-Estado) que surgiu em conjunto com o desenvolvimento do porto de Pireu. Um centro artístico, estudantil e filosófico desde a Antiguidade, a cidade sediou a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, além de ser amplamente considerada como o berço da civilização ocidental e da democracia, em grande parte devido ao impacto de suas realizações culturais e políticas durante os séculos IV e V a.C. no resto do continente europeu. Atualmente, é uma metrópole cosmopolita e o centro econômico, financeiro, industrial, político e cultural da Grécia. Em 2012, Atenas foi classificada como a 39ª cidade mais rica do mundo por paridade do poder de compra (PPC) e a 77ª mais cara em um estudo do UBS AG. 178

! ! A cidade é reconhecida como uma cidade global devido à sua localização geo-estratégica e sua importância em finanças, comércio, mídia, entretenimento, artes, comércio internacional, cultura, educação e turismo. É um dos maiores centros econômicos no sul da Europa, com um grande setor financeiro e o maior porto de passageiros na Europa. O município de Atenas tem uma população de 664.046 (em 2011) dentro de seus limites administrativos e uma área de 39 quilômetros quadrados. A grande área urbana de Atenas (Grande Atenas e Grande Piraeus) estende-se para além de seus limites administrativos municipais e compõe uma população de 3.074.160 pessoas (em 2011) em uma área de 412 km². Em 2004, de acordo com o Eurostat, Atenas era a sétima área urbana mais populosa da União Europeia (a quinta capital mais populosa da UE), com uma


população de 4.013.368 habitantes. A cidade também é a capital mais ao sul do continente europeu. ! ! A herança da era clássica ainda é evidente na cidade, representado por antigos monumentos e obras de arte, sendo o Partenon o mais famoso de todos, considerado um marco fundamental do início da civilização ocidental. A cidade também mantém monumentos romanos e bizantinos, bem como um menor número de monumentos otomanos. Atenas tem dois Patrimônios Mundiais da UNESCO: a Acrópole e o Mosteiro de Dafne. Entre os 179

marcos da era moderna, que remontam ao estabelecimento de Atenas como a capital do Estado grego independente e soberano em 1834, estão o Parlamento Helênico (século XIX), a Biblioteca Nacional da Grécia, a Universidade de Atenas e a Academia de Atenas. A cidade foi a anfitriã dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, e 108 anos depois, foi a sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004. Em Atenas situa-se o Museu Arqueológico Nacional, que possui a maior coleção do mundo de antiguidades gregas, bem como o novo Museu da Acrópole.


! ! Atenas foi uma das principais cidade-estado na Grécia Antiga durante o grande período da civilização grega, no primeiro milênio a.C., durante a "Idade do Ouro" da Grécia (aproximadamente 500 a.C. até 300 a.C.) ela era o principal centro cultural e intelectual do Ocidente, e certamente é nas ideias e práticas da Antiga Atenas que o que nós chamamos de "civilização ocidental" tem sua origem. Após seus dias de grandiosidade, Atenas continuou a ser uma cidade próspera e um centro de estudos até o período tardio do Império Romano. As escolas de filosofia foram fechadas em 529 depois que o Império Bizantino foi convertido para o cristianismo. Atenas perdeu bastante o seu status e se tornou uma cidade provinciana. ! ! Entre o século XIII e o século XV foi combatida pelos bizantinos e cavaleiros franceses/italianos do Império Latino. Em 1458, caiu em poder do Império Otomano e a população começou a diminuir e as condições pioraram quando o Império Otomano declinou. Partes da cidade (incluindo muitos de seus edifícios) foram destruídos no século XVII, século XVIII e século XIX, por diferentes facções que tentaram controlar a cidade. ! ! Ficou virtualmente inabitada na época em que se tornou a capital do recentemente estabelecido Reino da 180

Grécia, em 1833. Durante as próximas poucas décadas foi reconstruída e se transformou em uma cidade moderna. ! ! A última grande expansão ocorreu na década de 1920, quando os subúrbios foram criados para acomodar os refugiados gregos da Ásia Menor. ! ! Durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupada pela Alemanha Nazi e esteve mal nos últimos anos da guerra. Depois da guerra começou a crescer novamente. ! ! A Grécia entrou para a União Europeia em 1981, trazendo novos investimentos para Atenas, acompanhados de problemas de congestionamento e poluição do ar. Pontos turísticos importantes A Acrópole de Atenas ! ! A colina da Acrópole é a atração mais importante da cidade. Durante a Idade de Ouro de Péricles, a civilização Grega antiga foi representada de uma forma ideal sobre a colina e algumas das obras arquitetônicas do período foram erguidas por este motivo: o Parthenon, o Erechtheion e o Templo de Nike. Além do Museu da Acrópole aqui você vai encontrar as Propylea, que é a entrada monumental para a área sagrada também construída no mesmo período.


O Partenon ! ! O Partenon é o monumento mais importante característico da antiga civilização Grega e continua a ser seu símbolo internacional.

uma das mais significativas coleções do museu.

! •! Foi dedicado a Athena Parthenos, deusa padroeira de Atenas. ! •! Foi construído entre 447 e 438 aC por Pheidias, o famoso escultor de Atenas, enquanto Iktinos e Kalikartes foram os arquitetos do edifício. ! •! O templo foi construído com colunas dóricas e quase exclusivamente de mármore de Pentelic. ! •! A parte central do templo chamado de Cela, abrigou a famosa estátua Criselefantina de cultos de Atena, feita por Pheidias. ! ! Durante a ocupação turca uma bomba Veneziana caiu no Parthenon e causou uma tremenda explosão que destruiu uma grande parte do monumento que tinha sido preservado em bom estado até então. O desastre foi concluído no início do século XIX, quando o embaixador Britânico em Constantinopla, Lord Elgin, roubou a maior parte da decoração escultórica do monumento (frisos, métopas, frontões) transferindo-os para a Inglaterra e os vendeu para o Museu Inglês, onde ainda estão expostos, sendo 181

O Erechtheion ! ! O Erechtheion foi construído em 420 a.C. de ordem Jônica. Tem uma prostasis no lado leste, uma propylon monumental a norte, e o alpendre famoso de Cariátides ao lado.


O templo de Athena Nike ! ! O Templo de Athena Nike foi construído em 420 a.C. pelo arquiteto Kallikrates. Um parapeito de mármore decorado com a representação em relevo da Nike (vitória), protegido pela borda do Bastião em que o templo foi erguido. A antiga Ágora de Atenas

! ! A Ágora era o coração da antiga Atenas, o foco da atividade política, 182

comercial, administrativa e social, foi o centro religioso e cultural, bem como a sede de justiça. É aqui que palavras como "democracia", "ciência"e "alma" nasceram. O Templo de Hephestos ! ! O templo, conhecido como "Theseion" foi dedicado a dois deuses, Hephestos e Atena, cujo estátuas de bronze de culto ficavam no interior. A construção do Templo começou em 449 a.C.


Pórtico de Zeus Eleutheros

O Odeion de Agripa

! ! O pórtico foi erguido no final do século 5, em honra daqueles que lutaram pela liberdade e pela segurança da cidade.

! ! Foi construído por Agripa em 15 aC e é composto de um auditório para cerca de 1000 pessoas.

Diz-se Sócrates que conheceu seus amigos no pórtico.

O portico Real (Stoa Vassileus)

Monumento dos Heróis Eponymous ! ! Restos de um oblongo pedestal delimitados por uma cerca. Apoiava as estátuas de bronze dos lendários heróis que deram seus nomes para as dez tribos da Ática. 183

! ! Construído por volta de 460 aC, foi a sede do Archon Real (Archon Vassileus). Neste portico, as leis de Sólon foram exibidas, e o Concil Aerus Pagus realizava as suas reuniões.


O Parlamento grego (Palácio Velho) ! ! Uma amostra representativa do período inicial do neoclassicismo na Grécia, o prédio é uma obra moderada de geometria rigorosa em sua massa. Foi construído entre 1836 e 1840 e servia originalmente como um palácio de Otto, o primeiro rei da Grécia após o fim da ocupação Turca. Em 1884 e 1909 o edifício sofreu danos de fogo e em 1910 foi abandonado pela família real. Foi então remodelado para abrigar o Parlamento grego em 1930. Hoje, serve ainda como sede do Parlamento Grego e abriga escritórios, a sala da Assembléia Nacional, o escritório do presidente da Assembléia, os arquivos e outros serviços. A Universidade Nacional e Kapodistrian de Atenas ! ! A Universidade de Atenas faz parte da chamada "trilogia neoclássica"da cidade de Atenas: Academia, Universidade, Biblioteca. É constituída por um grupo de massas construídas que formam que um duplo "T ", com dois pátios simétricos. A construção segue as regras básicas estéticas do neoclassicismo, enquanto ao mesmo tempo é adaptado ao clima Mediterrânico Grego. Foi construída entre 1839 e 1864 e hoje serve como sede da Universidade de Atenas.

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A Academia de Atenas ! ! A Academia de Atenas, a segunda da construção da trilogia, é composta por peças esteticamente distintas, que formam um conjunto harmônico de massas construídas. Foi construída em duas fases, em 1859-1863 e 1868-1885.

A Biblioteca Nacional ! ! O terceiro edifício da trilogia foi construído entre 1887 e 1902, e abriga a mais completa Biblioteca Pública da Grécia.


O Antigo edifício do Parlamento ! ! O Antigo Prédio do Parlamento está localizado na praça onde a estátua de Theodoros Kolokotronis, comandante-em-chefe da Revolução de 1821, também está situada. O edificio é uma jóia arquitetônica no centro de Atenas e um dos edifícios mais históricos da cidade. Foi nesse que a Primeira Democracia Helénica foi proclamada em 1924. Após a transferência do Parlamento para o Palácio Velho (hoje edifício do Parlamento), este foi designado para ser a casa do Museu Histórico Nacional. Olympeion (Templo de Zeus Olimpico) ! ! Em 515 a.C., Pisistratos o mais novo, começou a construção de um templo monumental em honra a Zeus, que originalmente tinha 104 colunas, mas nunca foi concluído por causa da queda da tirania em Atenas. Muito mais tarde, em 174 a.C,. Antíoco IV Epífanes, rei da Síria, tentou prosseguir a construção do templo que foi finalmente concluída pelo imperador romano Adriano, em 124/125 d.C. Dentro do templo havia uma estátua colossal criselefantino (ouro e marfim) de Zeus. Muitas partes da parede do circuito do santuário foram reconstruídas. Seções da antiga muralha foram preservadas apenas no canto do sudeste e do lado norte. 185

Arco de Adriano ! ! O arco triunfal encontra-se em uma rua antiga que levava da cidade velha de Atenas para a nova seção romana, construída por Adriano. Foi construído pelos atenienses em 131 dC em honra do seu imperador benfeitor. Duas inscrições são esculpidas na arquitrave, um de cada lado: a primeira, do lado em direção à Acrópole está escrito "Esta é Atenas, a cidade antiga de Teseu": a segunda, do outro lado, de frente para a nova cidade diz: "Este é a cidade de Adriano e não de Teseu ". Plaka ! ! O bairro de Plaka é um gloriosamente exótico labirinto de vielas , sinuosas ruas e escadas revestidas com casas do século


XIX neo-clássica e palacetes, decorados com telhados que representam a cabeça de Medusa, deusas ou folhagem. Este é o antigo bairro operário de Atenas, mas agora é uma das áreas mais gratificantes da cidade para explorar. ! ! Bairro de Plaka é quase totalmente pedonal e contém o famoso mercado das pulgas em torno da Praça Monastiraki, sítios arqueológicos e pequenos museus de cultura tradicional e popular. As ouzeries em Plaka são uma forma alternativa de entretenimento dos jovens Gregos e estrangeiros aventureiros. 186

! ! Existem alguns clubes e restaurantes na rua Misicleous, onde você pode ver Rembetika e estrelas do Laiko durante o inverno, como no Clube de musica Misikleous, na esquina de Lysiou. Há um grande Clube Rembetika no Mercado Central chamado Stoa Ton Athanaton onde você pode ver alguns heróis dos velhos tempos de Rembetika como Takis Benes.


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A nossa peregrinação no Livro Sagrado

1. As viagens de Paulo em citações Fonte: catequisar.com.br 1ª viagem missionária: At 13-14 Anos: 46 a 48 Equipe: Paulo, Barnabé e João Marcos (que volta antes de concluir a viagem). Itinerário: - Saem de Antioquia da Síria. Viajam de navio até Salamina, na ilha de Chipre (13,4-5). - Atravessam a ilha e param em Pafos: conflito com um mago (13,6-12).  - Sobem até Antioquia da Pisídia: discurso, conflito (13,13-52).  - Seguem para Icônio na Licaônia: conflito com os judeus (14,1-5). 

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- Vão para Listra onde continuam anunciando a Boa Notícia (14,6-7).

- Passam por Derbe e Listra, e levam consigo Timóteo (16,1-5).

- Cura de um homem aleijado e conflito com gentios e judeus (14,8-20).

- Entram na Frígia. Não conseguem ir até a Ásia. Passam pela Galácia (16,6).

- Chegam a Derbe e depois retornam, passam por Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, animando os discípulos a permanecerem firmes: “É preciso passar por muitas tribulações...” (14,20-23).

- Impedidos de ir até Bitínia, seguem para Mísia e Trôade (16,7-8).

- Atravessam a Pisídia, chegam em Panfília, depois em Perge e Atalia (14,24-25). - Navegam para Antioquia da Síria onde reúnem a Comunidade para partilhar e avaliar os resultados da viagem (14,26-28). No ano 49: Assembléia de Jerusalém (At 15).

2ª viagem missionária: At 15,35-18,22 Anos: 50-52 Equipe: Paulo e Barnabé se desentendem;  Barnabé e João Marcos vão para Chipre e Paulo escolhe Silas como companheiro missionário (15,36-40). Itinerário: - Saem de Antioquia da Síria e percorrem Síria e Cilícia confirmando as Comunidades organizadas na 1ª viagem (At 15,41). 188

- Um sonho leva Paulo e sua equipe até a Macedônia (At 16,9-10). - Chegam a Filipos: a Comunidade se forma a partir de um grupo de mulheres (At 16,11-15). - Em Filipos: libertação de uma escrava e conflito com seus patrões: prisão e libertação da equipe missionária (At 16,16-40). - Expulsos de Filipos, seguem para Tessalônica: conflito com os judeus (17,1-9). - Expulsos de Tessalônica, chegam a Beréia: conflito com os judeus (17,10-13). - Paulo se separa de Timóteo e Silas e com alguns acompanhantes vai a Atenas. Manda avisar Timóteo e Silas para encontrá-lo lá (17,14-15). - Em Atenas, Paulo faz um discurso aos intelectuais no Areópago: conflito (17,16-34). - De lá, viaja para Corinto, encontra-se com o casal Priscila e Áquila e


permanece por lá durante 18 meses: trabalho manual e evangelização (18,1-18). - De Corinto, embarca para Éfeso, onde decide voltar (18,19-21). - Embarca para Cesaréia e Jerusalém – “a Igreja” -, e depois volta para Antioquia da Síria (18,22).

3ª viagem missionária: At 18,23-21,16

- Paulo decide voltar a Jerusalém, passando por Macedônia e Acaia. Envia à sua frente Timóteo e Erasto (19,21-22). - Ainda em Éfeso: conflito com os ourives (19,23-40). - Expulso de lá, segue para Macedônia e anima os discípulos (20,1-6). - A equipe viaja até Trôade onde Paulo ressuscita um jovem (20,7-12).

Anos: 53-57

- De Trôade dirigem-se a Mileto em dois grupos (20,13-16).

Equipe: Paulo, Timóteo e outros vão se juntando: Erasto, Sópatro, Aristarco, Segundo, Gaio...

- Em Mileto: discurso de despedida dos animadores de Éfeso (20,17-38).

Itinerário:

- A viagem segue de navio até Tiro, na Síria: visita a Comunidade (21,1-6).

- De Antioquia da Síria percorrem a Galácia e a Frígia, confirmando as Comunidades (18,23).

- Continua até Ptolomaida e Cesaréia: visita as Comunidades (21,7-14).

- Em Éfeso, três discípulos missionários: Apolo, Priscila e Áquila. Apolo é instruído pelo casal e viaja para Acaia (At 18,24-28). - Paulo chega a Éfeso, onde fica três anos: encontra os seguidores de João Batista (19,1-7). - Ensina na Sinagoga e numa escola particular (19,8-10). - Conflito com os exorcistas judeus (19,11-20).

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- Sobe até Jerusalém, onde é preso na praça do Templo (21-15-36). Ao redor do ano 60: Processo de julgamento de Paulo e viagem como prisioneiro para Roma, onde anuncia a Palavra com liberdade e ousadia (At 21,37-28,31).

2. Roma At. 28, 16-30 16 Quando entramos em Roma, Paulo recebeu permissão para morar em casa


particular, com um soldado que o vigiava. 17 Três dias depois, Paulo convocou os líderes dos judeus. Quando estavam reunidos, falou-lhes: “Irmãos, eu não fiz nada contra o nosso povo, nem contra as tradições de nossos pais. No entanto, vim de Jerusalém como prisioneiro e, assim, fui entregue às mãos dos romanos. 18 Interrogado por eles no tribunal e não havendo nada em mim que merecesse a morte, eles queriam me soltar. 19 Mas os judeus se opuseram e eu fui obrigado a apelar para César, sem nenhuma intenção de acusar minha nação. 20 É por isso que eu pedi para ver-vos e falar a vós, pois estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel”. 21 Então eles disseram a Paulo: “Nós não recebemos nenhuma carta da Judéia a teu respeito, e nenhum dos irmãos que aqui chegaram relatou qualquer coisa de mal contra ti. 22 No entanto, gostaríamos de ouvir de tua própria boca o que pensas, pois sabemos que essa tua seita encontra oposição por toda parte”. 23 Então marcaram um dia e foram com mais gente para se encontrar com ele no seu alojamento. Desde o amanhecer até a tarde, Paulo fez uma exposição baseada na Lei de Moisés e nos Profetas, dando testemunho do Reino de Deus e procurando convencê-los a respeito de Jesus. 24 Alguns aceitaram o que ele dizia, 190

mas outros não quiseram acreditar. 25 Assim discordando entre si, eles se foram, enquanto Paulo só dizia uma coisa: “Bem que o Espírito Santo falou aos vossos pais por meio do profeta Isaías: 26 ‘Vai ter com esse povo e dize-lhe: com o ouvido ouvireis, e não compreendereis; com a vista vereis, e não enxergareis. 27 O coração desse povo se endureceu: com os ouvidos ouviram mal e seus olhos, eles os fecharam, para que não enxerguem com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração e se convertam, e eu os cure’. 28 Ficai, pois, sabendo: esta salvação de Deus é enviada aos pagãos, e eles escutarão”. 29 Paulo morou dois anos numa casa alugada. 30 Ele recebia todos os que o procuravam. Fl 1, 12-19 12 Irmãos, faço questão de que saibais o seguinte: o que me aconteceu tem antes contribuído para o progresso do Evangelho. 13 Com efeito, em todo o pretório e em toda a parte, se ficou sabendo que eu estou na prisão por causa de Cristo. 14 E a maioria dos irmãos, encorajada no Senhor pela minha prisão, redobra de audácia, proclamando sem medo a Palavra. 15 Alguns, é verdade, o fazem por inveja e rivalidade, mas outros proclamam a Cristo com boa intenção. 16 Estes agem por amor, sabendo que tenho a


missão de defender o Evangelho. 17 Aqueles, porém, não anunciam Cristo com honestidade, mas por ambição, visando agravar meu sofrimento na prisão. 18 Mas, que importa? De qualquer maneira, com segundas intenções ou com sinceridade, Cristo está sendo anunciado, e com isso eu me alegro. Mais: sempre me alegrarei, 19 pois sei que isto contribuirá para minha salvação, graças às vossas preces e à assistência do Espírito de Jesus Cristo. Fl 2, 19-30 19 Espero, no Senhor Jesus, que eu em breve possa enviar-vos Timóteo, para que eu também me reconforte com as notícias que tiver de vós. 20 Não tenho nenhum outro com iguais disposições a vosso respeito e que tão sinceramente como ele se interesse por vós. 21 Os outros buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. 22 Mas ele, vós sabeis que prova deu: como um filho junto do pai, ele se pôs comigo ao serviço do evangelho. 23 Por isso, é ele que espero enviar-vos, logo que eu veja claro acerca do meu destino. 24 Aliás, tenho a convicção, no Senhor, de que eu também irei, em breve, até vós. 25 Quanto a Epafrodito – que é para mim irmão e companheiro de trabalho e de luta, e que foi enviado por vós para me atender nas minhas necessidades – julguei que devia mandá-lo de volta a vós. 26 Ele 191

estava com saudades de todos vós e andava muito preocupado, porque ficastes sabendo de sua doença. 27 Realmente, ele esteve às portas da morte, mas Deus compadeceu-se dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. 28 Apressei-me, pois, em vo-lo enviar, para que tenhais a alegria de revê-lo e eu fique mais aliviado. 29 Recebei-o, no Senhor, com muita alegria, e tende em grande estima pessoas como ele. Fp 4, 10-23 10 Muito me alegrei no Senhor, porque, afinal, refloresceu vossa solicitude por mim. Na verdade, tínheis essa solicitude, mas não tínheis ocasião de manifestá-la. 11 Não digo isso por estar passando necessidade. Pois aprendi a me bastar em qualquer situação. 12 Sei viver na penúria e sei viver na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando falta. 13 Tudo posso naquele que me dá força. 14 No entanto, fizestes bem em querer compartilhar as minhas dificuldades. 15 Filipenses, bem sabeis que, nos começos da pregação do Evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja, a não ser a vossa, quis movimentar comigo uma conta de débitos e créditos. 16 Estando eu em Tessalônica, mais de uma


vez me enviastes o de que eu tinha necessidade. 17 Não que eu esteja desejando os vossos donativos; ao contrário, eu desejo o fruto que aumente o vosso haver. 18 Agora, tenho tudo em abundância. Tenho até demais, depois que recebi de Epafrodito as vossas ofertas. Elas são como um suave perfume, um sacrifício aceito e agradável a Deus. 19 O meu Deus proverá magnificamente, segundo a sua riqueza, no Cristo Jesus, a todas as vossas necessidades. 20 Ao nosso Deus e Pai, a glória pelos séculos dos séculos. Amém. 21 Saudai todos e cada um dos santos, em Jesus Cristo. Os irmãos que estão comigo vos saúdam. 22 Todos os santos vos saúdam, sobretudo os que são da casa imperial. Hb 13, 20-24 20 Aquele que se tornou, pelo sangue de uma aliança eterna, o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus, o Deus da paz o reconduziu dentre os mortos. 21 Que o mesmo Deus vos torne aptos para todo bem, a fim de fazerdes a sua vontade. Que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém! 22 Exorto-vos, irmãos, para que recebais com paciência este discurso de exortação. Aliás, foram poucas palavras que vos escrevi. 23 Ficai sabendo que foi posto em liberdade 192

nosso irmão Timóteo. Se ele vier depressa, irei com ele fazer-vos uma visita. 24 Saudai todos os vossos dirigentes e todos os santos. Saúdam-vos os da Itália. Flm 1, 21-24 21 Escrevo-te, contando com a tua obediência e sabendo que farás ainda mais do que peço. 22 Ao mesmo tempo, prepara-me também um alojamento, pois espero que, graças às vossas orações, vos serei restituído. 23 Epafras, meu companheiro de prisão, em Cristo Jesus, te saúda; 24 igualmente, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. Cl 4, 2-17 2 Perseverai na oração, mantendo-vos, por ela, vigilantes na ação de graças. 3 Ao mesmo tempo, orai também por nós, pedindo a Deus que abra uma porta para a nossa pregação, a fim de podermos anunciar o mistério de Cristo. Por causa dele, aliás, fui lançado na prisão. 4 Obtende-me que eu o manifeste, falando dele como devo. 5 Tratai com sabedoria os que não são da comunidade, aproveitando bem o momento. 6 Que vossa conversa seja sempre agradável, com uma pitada de sal, de modo que saibais responder a cada um como convém. 7 Sobre a minha situação vos informará Tíquico, o amado irmão e fiel servidor, meu companheiro de


serviço no Senhor. 8 Eu vo-lo envio expressamente para vos dar notícias e para vos reconfortar. 9 Vai com ele Onésimo, o irmão amado e fiel, que é da vossa comunidade. Os dois vos informarão de tudo o que se passa por aqui. 10 Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé. A respeito de Marcos recebestes instruções. Se ele for ter convosco, acolhei-o. 11 Também Jesus, chamado Justo, vos saúda. Dentre os judeus, somente estes três trabalham comigo pelo reino de Deus. Eles têm sido para mim motivo de consolo. 12 Saúda-vos Epafras, que é da vossa comunidade, servo do Cristo Jesus sempre a lutar por vós, em suas orações, para que estejais firmes na perfeição e inteiramente dedicados a toda a vontade de Deus. 13 Dou testemunho de que ele muito se afadiga por vós e pelos irmãos de Laodicéia e pelos de Hierápolis. 14 Saúdam-vos, enfim, Lucas, o querido médico, e Demas. 15 Saudai, por mim, os irmãos de Laodicéia, especialmente Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa. 16 E assim que esta carta for lida na vossa comunidade, fazei que seja lida também na igreja de Laodicéia; e vós também, fazei a leitura da carta vinda de Laodicéia. 17 Por fim, dizei a Arquipo: “Considera atentamente o ministério que recebeste no Senhor, a fim de o desempenhares bem 2Tm 4, 1-21 193

1 Diante de Deus e do Cristo Jesus que vai julgar os vivos e os mortos, eu te peço com insistência, pela manifestação de Cristo e por seu reinado: 2 proclama a Palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, convence, repreende, exorta, com toda a paciência e com a preocupação de ensinar. 3 Pois vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas conforme seu gosto se cercarão de uma série de mestres que só atiçam o ouvido. 4 E assim, deixando de ouvir a verdade, eles se desviarão para as fábulas. 5 Tu, porém, vigia em tudo, suporta as provações, faze o trabalho de um evangelizador, desempenha bem o teu ministério. 6 Quanto a mim, já estou sendo oferecido em libação, pois chegou o tempo da minha partida. 7 Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. 8 Desde agora, está reservado para mim a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, me dará naquele dia, não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação. 9 Apressa-te a vir ter comigo. 10 Pois Demas me abandonou por amor do mundo presente e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia; Tito, para a Dalmácia. 11 Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque é prestativo para ajudar-me. 12 Enviei Tíquico a Éfeso. 13 Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade,


na casa de Carpo, e os livros, sobretudo os pergaminhos. 14 Alexandre, o ferreiro, mostrou-se muito mau para mim. O Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras. 15 Também tu, toma cuidado com ele, pois se opôs demais às nossas palavras. 16 Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja levado em conta. 17 Mas o Senhor veio em meu auxílio e me deu forças. Assim, pude completar a proclamação da mensagem, para todas as nações a ouvirem. E eu fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me livrará de todo o mal que me queiram fazer e me salvará, admitindo-me em seu reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. 19 Minhas saudações a Prisca, a Áquila e à família de Onesíforo. 20 Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, tive de deixá-lo, doente, em Mileto. 21 Faze o possível para vir antes do inverno. Eubulo, Pudente, Lino, Cláudia e todos os irmãos te saúdam.

3. Malta At 28, 1-15 1 Uma vez que estávamos fora de perigo, soubemos que a ilha se chamava Malta. 2 Os nativos mostraram extraordinária gentileza para conosco. Acolheram a nós todos, não sem acender uma fogueira, por causa da chuva que caía e do frio. 3 Paulo, 194

entretanto, saiu para recolher uma braçada de gravetos a fim de os lançar no fogo. Por causa do calor, saiu uma víbora que se enrolou na sua mão. 4 Os nativos viram a cobra venenosa pendurada na mão e diziam entre si: “Este homem é mesmo um criminoso. Apenas escapado do naufrágio, a justiça divina não lhe permite viver.” 5 Paulo, porém, sacudiu a cobra dentro do fogo, sem sofrer nenhum mal. 6 Eles achavam que ele fosse ficar inchado e cair morto imediatamente. Esperaram muito tempo e, vendo que nada de anormal lhe acontecia, mudaram de idéia e começaram a dizer que ele era um deus. 7 Nos arredores daquele lugar, ficava a propriedade do chefe da ilha, chamado Públio. Ele nos acolheu durante três dias, mostrando muita gentileza. 8 O pai de Públio estava de cama, com febre e disenteria. Paulo entrou no quarto dele, orou, impôs as mãos sobre ele e curou-o. 9 Em vista disto, os demais doentes apresentavam-se a Paulo e eram curados.10 Eles demonstraram muitos sinais de estima para conosco, e, quando nós partimos, deram-nos tudo o que precisávamos para a viagem. 11 Depois de três meses, embarcamos num navio alexandrino, que tinha passado o inverno na ilha de Malta e levava como emblema os Dióscuros. 12 Fizemos escala em Siracusa e aí permanecemos três dias. 13 Depois,


costeando, chegamos a Régio. No dia seguinte, levantou- se o vento sul e, em dois dias, chegamos a Putéoli. 14 Aí encontramos alguns irmãos que nos pediram para ficar sete dias com eles. Em seguida, fomos para Roma. 15 Os irmãos de Roma, informados a nosso respeito, vieram ao nosso encontro até o Foro de Ápio e Três Tabernas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se animado.

4. Konya At 14, 1-7 (primeira viagem) 1 Em Icônio, igualmente, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga dos judeus. E falaram de tal modo que uma grande multidão de judeus e de gregos abraçou a fé. 2 Contudo, os judeus que se negaram a acreditar incitaram os não-judeus e os indispuseram contra os irmãos. 3 Apesar disso, Paulo e Barnabé permaneceram longo tempo em Icônio. Tendo eles plena confiança no Senhor, este atestava a pregação a respeito de sua graça, fazendo acontecer sinais e prodígios pelas mãos deles. 4 A população da cidade se dividiu. Uns estavam do lado dos judeus, outros do lado dos apóstolos. 5 Judeus e não-judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6 Percebendo isso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e seus 195

arredores. 7 E aí anunciavam a Boa-Nova. 8 Em Listra, havia um homem com as pernas paralisadas; era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar.9 Ele escutava o discurso de Paulo; e este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10 disse em alta voz: “Levanta-te, põe-te de pé”. O homem deu um salto e começou a caminhar. 11 Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: “Os deuses desceram entre nós em forma humana!” 12 Chamavam Barnabé de Júpiter e Paulo de Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13 Um dos sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte da cidade, levou à porta touros ornados de grinaldas e queria, com a multidão,oferecer sacrifícios. 14 Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as veste-se foram para o meio da multidão, gritando: 15 “Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando a Boa- Nova. Abandonai esses ídolos inúteis, para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16 Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem seu próprio caminho. 17 No entanto, não deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos


corações”. 18 E assim falando, com muito custo conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício. 19 Chegaram, porém, de Antioquia e Icônio, alguns judeus que incitaram a multidão. Apedrejaram, pois, a Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que estivesse morto. 20 Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe, com Barnabé.Volta para Antioquia da Síria 21 Depois de terem anunciado a Boa-Nova naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, 22 encorajando os discípulos. Exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: “É necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. 23 Os apóstolos designaram presbíteros para cada Igreja e, com orações e jejuns, os confiavam ao Senhor em quem haviam acreditado. 24 Em seguida, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília. 25 Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26 Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado. 27 Chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram tudo o que Deus fizera por meio deles e como ele havia aberto a porta da fé

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para os pagãos. 28 Passaram depois algum tempo com os discípulos. At 16, 1-5 (segunda viagem) 1 Paulo foi para Derbe e Listra. Havia em Listra um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia que abraçara a fé, e de pai grego. 2 Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho dele. 3 Paulo quis então que Timóteo partisse com ele. Tomou-o consigo e circuncidou-o, por causa dos judeus que se encontravam nessas regiões, pois todos sabiam que o pai dele era grego. 4 Percorrendo as cidades, Paulo e Timóteo transmitiam as decisões que os apóstolos e anciãos de Jerusalém haviam tomado e recomendavam que fossem observadas. 5 As Igrejas fortaleciam-se na fé e, de dia para dia, cresciam em número. 2Tm 3, 10-12 10 Tu, porém, me tens seguido cuidadosamente no ensino, na maneira de proceder e agir, nos propósitos, na fé, na paciência, no amor, na constância, 11 nas perseguições e sofrimentos que me sobrevieram em Antioquia, Icônio e Listra. Que perseguições suportei! Mas de todas elas o Senhor me livrou. 12 Aliás, todos os que quiserem viver piedosamente no Cristo Jesus serão perseguidos.


5. Esmirna

6. Éfeso

Ap 1, 9-12

At 18, 19-21 (segunda viagem)

9 Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na constância em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10 No dia do Senhor, entrei em êxtase, no Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11 a qual dizia: “O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete Igrejas, a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

19 Quando chegaram a Éfeso, Paulo os deixou e entrou sozinho na sinagoga, onde começou a discutir com os judeus. 20 Estes pediam que permanecesse mais tempo, mas Paulo recusou. 21 Todavia, ao despedir-se falou: “Voltarei de novo para junto de vós, se Deus quiser”. E partiu de Éfeso.

Ap 2, 8-11 8 “Ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: ‘Assim fala o Primeiro e o Último, aquele que esteve morto, mas voltou à vida: 9 – Conheço tua tribulação e tua pobreza. Contudo, és rico. Conheço também a blasfêmia da parte dos que se dizem judeus, mas na realidade não são judeus, e sim, uma sinagoga de Satanás. 10 Não tenhas medo dos sofrimentos que vais passar. O diabo lançará alguns dentre vós na prisão. Assim sereis colocados à prova. Tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida. 11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor não será atingido pela segunda morte’.

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At 19, 1-41 (terceira viagem) 1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou o planalto e chegou a Éfeso. Aí encontrou alguns discípulos e perguntou-lhes: 2 “Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” Eles responderam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe Espírito Santo!” 3 Então Paulo perguntou: “Que batismo então recebestes?” Eles responderam: “O batismo de João.” 4 Paulo disse-lhes: “João administrava um batismo de conversão, dizendo ao povo que acreditasse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus”. 5 Tendo ouvido isso, eles foram batizados no nome do Senhor Jesus. 6 Paulo impôs-lhes as mãos, e o Espírito Santo desceu sobre eles. Começaram então a falar em línguas e a profetizar. 7 Ao todo, eram uns doze homens. 8 Paulo foi então à sinagoga e, durante três meses, falava com toda


liberdade, discutindo e persuadindo os ouvintes acerca do Reino de Deus. 9 Todavia, como alguns se obstinavam na incredulidade e falavam mal do Caminho diante da multidão, Paulo rompeu com eles, tomou os discípulos à parte e, diariamente, ensinava-lhes na escola de um homem chamado Tiranos. 10 Isso durou dois anos, de modo que todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, puderam ouvir a palavra do Senhor. 11 Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo, 12 a tal ponto que pegavam lenços e aventais que tivessem tocado sua pele, para aplicá-los sobre os doentes, e as doenças os deixavam e os espíritos maus se retiravam. 13 Alguns exorcistas judeus itinerantes começaram igualmente a invocar o nome do “Senhor Jesus” sobre os que tinham espíritos maus. Diziam: “Por esse Jesus que Paulo está pregando, eu vos ordeno: saí!” 14 Os que faziam isso eram os sete filhos de Ceva, um sumo sacerdote judeu. 15 Mas o espírito mau reagiu, dizendo: “Eu conheço Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” 16 E o homem que tinha o espírito mau lançou-se sobre eles e os dominou a uns e outros com tanta violência que fugiram daquela casa, sem roupa e cobertos de ferimentos. 17 E toda a população de Éfeso, judeus e gregos, ficou sabendo do fato. O temor se apossou de todos. 198

Louvava-se a grandeza do nome do Senhor Jesus. 18 Muitos fiéis acorriam para acusarse em voz alta de suas práticas mágicas, 19 e um bom número dos que praticavam magia amontoaram seus livros e os queimaram em praça pública. O valor desses livros foi calculado em cinqüenta mil moedas de prata. 20 Assim, a palavra do Senhor crescia e se firmava com grande poder. 21 Depois desses acontecimentos, Paulo resolveu, no Espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia. Ele dizia: “Depois de ir até lá, eu devo ver também Roma”. 22 Paulo enviou à Macedônia dois de seus ajudantes, Timóteo e Erasto, e ficou ainda por algum tempo na Ásia. 23 Foi nessa época que estourou um grave tumulto a respeito do Caminho. 24 Um ourives chamado Demétrio fabricava miniaturas em prata do templo de Diana, proporcionando considerável lucro aos artesãos. 25 Ele reuniu esses artesãos, juntamente com outros que trabalhavam no ramo, e lhes disse: “Amigos, sabeis que o nosso bem-estar provém dessa nossa atividade. 26 Ora, como podeis ver e como ouvis dizer, esse tal de Paulo, com a sua propaganda, desencaminha muita gente, não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia. Ele afirma que não são deuses os produtos de mãos humanas. 27 Não é só a


nossa profissão que corre o risco de cair em descrédito, mas também o templo da grande deusa Diana acabará sendo desacreditado, e assim ficará despojada de majestade aquela que toda a Ásia e o mundo inteiro adoram”. 28 Ao ouvir isso, ficaram furiosos e não paravam de gritar: “Grande é a Diana dos efésios!” 29 O tumulto se espalhou pela cidade toda. A multidão se dirigiu em massa ao teatro, arrastando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo na viagem.30 Paulo queria ir até a assembléia, mas os discípulos não o deixaram. 31 Também algumas pessoas importantes da província, que eram seus amigos, mandaram pedir que ele não se arriscasse a comparecer ao teatro. 32 Enquanto isso, um gritava uma coisa, outro o contrário, e a confusão era geral na assembléia. A maioria nem mesmo sabia por que estava reunida. 33 Ora, algumas pessoas da multidão convenceram um homem chamado Alexandre a falar; os judeus o empurravam para a frente. Com um sinal da mão, pediu silêncio, para dar explicações à assembléia. 34 Mas, quando perceberam que era judeu, todos se puseram a gritar numa só voz, por quase duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!” 35 Por fim, o secretário conseguiu acalmar a multidão e disse: “Cidadãos de Éfeso, qual é a pessoa que não sabe que a cidade 199

de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e de sua estátua, que Júpiter mandou do céu? 36 Isso ninguém pode negar. Portanto, é bom que fiqueis calmos e nada façais de precipitado. 37 Estes homens que trouxestes até aqui não profanaram o templo, nem blasfemaram contra a nossa deusa. 38 Portanto, se Demétrio e os artesãos que estão com ele têm acusações para fazer contra alguém, sejam feitas audiências. Os procônsules estão à disposição. Que as partes apresentem suas acusações recíprocas. 39 E se houver qualquer outra questão, será resolvida em assembléia legal. 40 Do contrário, corremos o risco de sermos acusados de revolta por causa do que hoje aconteceu, pois não existe nenhum motivo para justificarmos esta aglomeração”. 41 Com estas palavras, ele dissolveu a assembléia. 2Tm 4, 9-12 9 Apressa-te a vir ter comigo. 10 Pois Demas me abandonou por amor do mundo presente e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia; Tito, para a Dalmácia. 11 Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque é prestativo para ajudar-me. 12 Enviei Tíquico a Éfeso. 1Cor 16, 5-10


5 Chegarei entre vós, passando pela Macedônia, pois pretendo atravessá- la. 6 Possivelmente, ficarei convosco algum tempo ou, mesmo, passarei o inverno aí entre vós: assim podereis prover-me do necessário para prosseguir viagem. 7 Desta vez, não quero ver-vos apenas de passagem. Espero poder ficar algum tempo convosco, se o Senhor o permitir. 8 Permanecerei em Éfeso até Pentecostes, 9 pois aqui se abriu para mim uma porta larga e promissora, e os adversários são muitos. 10 Se Timóteo chegar aí, cuidai que ele esteja entre vós sem nada a temer, pois, como eu, ele trabalha na obra do Senhor. Ap 1, 9-12 9 Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na constância em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10 No dia do Senhor, entrei em êxtase, no Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11 a qual dizia: “O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete Igrejas, a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”. Ap 2, 1-7 1 “Ao anjo da igreja que está em Éfeso, escreve: ‘Assim fala aquele que segura na mão direita as sete estrelas, aquele que está 200

andando no meio dos sete candelabros de ouro: 2 Conheço a tua conduta, o teu esforço e a tua constância. Sei que não suportas os maus. Puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e descobriste que são mentirosos. 3 És perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste. 4 Mas tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. 5 Lembra-te de onde caíste! Converte-te e volta à tua prática inicial. Se, pelo contrário, não te converteres, virei e removerei o teu candelabro do seu lugar. 6 Mas em teu favor tens isto: detestas a prática dos nicolaítas, a qual também eu detesto. 7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei como prêmio comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus’.

7. Patmos Ap 1, 9-11 9 Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na constância em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10 No dia do Senhor, entrei em êxtase, no Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11 a qual dizia: “O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete


Igrejas, a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

8. Creta At 27, 7-26 7 Durante vários dias navegamos lentamente e chegamos com dificuldade à altura de Cnido. Como o vento era contrário, passamos pela costa de Creta, junto ao cabo Salmone, 8 e depois de tê-lo dobrado com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto da cidade de Lasaia. 9 Passou bastante tempo, e a viagem se tornou perigosa, pois o outono já estava chegando. Paulo então advertiu: 10 “Amigos, vejo que a viagem começa a acarretar prejuízo e grande dano, não só para a carga e o navio, mas também para nossas vidas”. 11 Mas o centurião acreditou mais no piloto e no armador do que nas palavras de Paulo. 12 Aliás, o porto não era propício para passar o inverno. A maioria foi de opinião que se devia partir daí e tentar passar o inverno em Fênix, um porto de Creta aberto ao sudoeste e ao noroeste. 13 Quando começou a soprar uma brisa do sul, eles julgaram poder executar esse projeto.Levantaram âncoras e foram costeando Creta mais de perto. 14 Pouco depois, desencadeou-se do lado da ilha o furacão conhecido como euraquilão. 15 Incapaz de resistir ao vento, o navio foi arrastado violentamente, e ficamos à 201

mercê dos ventos. 16 Passando rente a uma pequena ilha, chamada Cauda, com dificuldade conseguimos recolher o bote. 17 Após tê-lo içado, os tripulantes usaram expedientes de emergência: cingiram o navio com cordas de segurança e, temendo encalhar em Sirte, desceram a âncora flutuante e ficaram à deriva. 18 Quando, no dia seguinte, fomos violentamente sacudidos pela tempestade, começaram a jogar a carga no mar. 19 No terceiro dia, com as próprias mãos lançaram ao mar o equipamento do navio. 20 Por vários dias, não vimos nem o sol, nem as estrelas, e a violenta tempestade continuava a nos ameaçar. Já tínhamos perdido toda a esperança de salvação. 21 Estávamos muito tempo sem comer nada. Então Paulo se pôs de pé no meio deles e disse: “Amigos, se me tivésseis escutado e não tivésseis saído de Creta, teríamos evitado este perigo e prejuízo. 22 Apesar disso, aconselho que sejais corajosos, porque ninguém de vós vai morrer. Só perdereis o navio. 23 Esta noite apareceu-me um anjo do Senhor ao qual pertenço e a quem adoro. 24 O anjo me disse: ‘Não tenhas medo, Paulo. Deves comparecer diante de César, e Deus concede a ti a vida de todos os teus companheiros de viagem’. 25 Portanto, coragem, amigos! Tenho confiança em Deus de que as coisas acontecerão como me foi dito. 26


Entretanto vamos encalhar em alguma ilha”. Tt 1, 5-9 5 Eu te deixei em Creta para organizares o que ainda falta e constituíres presbíteros em cada cidade, conforme as instruções que te dei, a saber: 6 o candidato seja isento de acusação, casado uma só vez, tenha filhos crentes que não se possa acusar de devassidão, nem sejam rebeldes. 7 Pois é preciso que o bispo, como administrador de Deus, seja isento de acusação, não seja arrogante, nem colérico, nem dado ao vinho, nem violento, nem avarento; 8 seja, pelo contrário, hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, disciplinado, 9 apegado à palavra digna de fé segundo o ensinamento, a fim de ser capaz, tanto de exortar na sã doutrina, como de refutar os que a contradizem.

9. Corinto At 18, 1-18 (segunda viagem) 1 Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2 Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, com sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3 Como tinham a mesma profissão – eram 202

fabricantes de tendas – passou a morar com eles e trabalhar ali. 4 Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5 Desde que Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Cristo. 6 Mas, por causa de sua resistência e blasfêmias, ele sacudiu as vestes e disse: “O vosso sangue caia sobre vossas cabeças. Eu não tenho culpa. De agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. 7 Então, saindo dali, Paulo foi para a casa de um homem chamado Tício Justo, adorador de Deus, que morava ao lado da sinagoga. 8 Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios que escutavam Paulo abraçavam a fé e recebiam o batismo. 9 Certa noite, numa visão, o Senhor disse a Paulo: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, 10 porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence”. 11 Assim Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando-lhes a palavra de Deus. 12 Então, sendo Galião procônsul na Acaia, os judeus uniram-se num protesto contra Paulo e o levaram diante do tribunal. 13 Diziam: “Este homem induz o povo a adorar a Deus num modo contrário à lei”. 14 Paulo ia tomar a palavra, quando Galião


falou aos judeus: “Se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a vossa queixa. 15 Mas, como é questão de palavras, de nomes e da vossa lei, tratai disso vós mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas”. 16 Galião mandou-os sair do tribunal. 17 Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e espancaram-no diante do tribunal. E Galião absolutamente não interveio. 18 Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Despedindo-se dos irmãos, embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencréia, Paulo cortou os cabelos, pois tinha feito uma promessa. 2Cor 1, 12-23 12 Nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência. De fato, temos procedido em todo o mundo, e principalmente em relação a vós, com a simplicidade e a retidão que vêm de Deus, guiados não por cálculos humanos, mas pela graça de Deus. 13 Aliás, não vos estamos escrevendo algo diverso daquilo que estais acostumados a ler ou que já conheceis muito bem. Espero que compreendais perfeitamente, 14 como em parte já compreendestes, que nós somos motivo de glória para vós, como o sois para nós, no dia de nosso Senhor, Jesus. 15 Com 203

essa confiança, eu pretendia, primeiro, ir ter convosco, a fim de receberdes uma segunda graça: 16 seguiria daí para a Macedônia e, da Macedônia, retornaria à vossa comunidade, para ser, por vós, provido do necessário para seguir viagem até a Judéia. 17 Será que fui leviano, por ter esse propósito? Ou acaso meus planos se inspiram em razões humanas e, por isso, ficam oscilando entre o “sim” e o “não”? 18 Pela fidelidade de Deus, eu vos asseguro: a nossa palavra junto de vós não é “sim e não”. 19 Pois o Filho de Deus, proclamado entre vós por mim, por Silvano e Timóteo, nunca foi “sim e não”, mas somente“ sim”. 20 Ao contrário, é nele que todas as promessas de Deus têm o “sim” garantido. Por isso, também, é por ele que dizemos “amém” a Deus, para sua glória. 21 É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu. 22 Foi ele que imprimiu em nós a sua marca e nos deu como garantia o Espírito derramado em nossos corações. 23 Por minha vida, tomo a Deus como testemunha: foi para vos poupar que não voltei a Corinto. 2Tm 4, 16-21 16 Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja levado em conta. 17 Mas o Senhor veio em meu auxílio e me deu


forças. Assim, pude completar a proclamação da mensagem, para todas as nações a ouvirem. E eu fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me livrará de todo o mal que me queiram fazer e me salvará, admitindo-me em seu reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. 19 Minhas saudações a Prisca, a Áquila e à família de Onesíforo. 20 Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, tive de deixá-lo, doente, e, Mileto. 21 Faze o possível para vir antes do inverno. Eubulo, Pudente, Lino, Cláudia e todos os irmãos te saúdam.

10. Atenas At 17, 15-34 (segunda viagem) 15 Os que acompanhavam Paulo o conduziram até Atenas. Depois voltaram, com instruções para que Silas e Timóteo se juntassem a ele o mais depressa possível. 16 Enquanto esperava Silas e Timóteo, em Atenas, Paulo ficou revoltado ao ver aquela cidade entregue à idolatria. 17 Por isso, discutia na sinagoga com os judeus e com os que adoravam Deus. E todos os dias discutia em praça pública com os que lá se encontravam. 18 Também alguns filósofos epicureus e estóicos começaram a conversar com ele. Alguns diziam: “Que estará querendo dizer esse tagarela?” Outros diziam: “Parece ser um pregador de divindades estrangeiras”. Isso, porque 204

Paulo, no anúncio, falava de “Jesus” e da “Ressurreição”. 19 Tomando Paulo consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: “Podemos saber qual é a nova doutrina que estás expondo? 20 De fato, as coisas que dizes soam estranhas para nós. Queremos saber o que significam”. 21 Com efeito, todos os atenienses e os estrangeiros residentes passavam o tempo a contar ou a ouvir as últimas novidades. 22 De pé, no meio do Areópago, Paulo tomou a palavra: “Atenienses, em tudo eu vejo que sois extremamente religiosos. 23 Com efeito, observando, ao passar, as vossas imagens sagradas, encontrei até um altar com esta inscrição: ‘A um deus desconhecido’. Pois bem, aquilo que adorais sem conhecer, eu vos anuncio. 24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mão humana. 25 Também não é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa; pois é ele que dá a todos vida, respiração e tudo mais. 26 De um só homem ele fez toda a espécie humana, para habitar sobre toda a face da terra, tendo estabelecido o ritmo dos tempos e os limites de sua habitação. 27 Assim fez, para que buscassem a Deus e, talvez às apalpadelas, o encontrassem, a ele que na realidade não está longe de cada um de nós; 28 pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dentre


vossos poetas: ‘Também nós somos a sua linhagem’. 29 Sendo, pois, a linhagem de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante a ouro, prata ou pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. 30 Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora faz saber à humanidade que todos, em todo lugar, devem converter-se. 31 Pois ele estabeleceu um dia para julgar o mundo com justiça, pelo homem a quem designou. Mostrou a todos que ele é digno de fé, ressuscitando-o dos mortos”. 32 Quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, alguns caçoavam. Outros diziam: “A respeito disso te ouviremos ainda uma outra vez”. 33 Assim, Paulo saiu do meio deles. 34 Alguns, porém, aderiram a ele e abraçaram a fé, entre os quais Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Damaris e outros com eles. 1Ts 3, 1-8 1 Afinal, não mais suportando a falta de notícias vossas, resolvemos ficar sozinhos em Atenas, 2 e enviamos Timóteo, irmão nosso e colaborador de Deus na pregação do evangelho de Cristo, para vos confirmar e encorajar na vossa fé. 3 E isto, para que ninguém fique abalado em meio às tribulações presentes. Aliás, vós mesmos sabeis que somos destinados a esses sofrimentos 4 e, quando estávamos entre 205

vós, vos predizíamos que iríamos ter dificuldades, como de fato aconteceu, bem o sabeis. 5 É por isso que, não mais suportando a demora, mandei colher notícias da vossa fé, receando que o Tentador vos tivesse tentado e que o nosso trabalho tivesse sido em vão. 6 Agora, Timóteo acaba de chegar daí, da vossa comunidade, trazendo boas novas sobre vossa fé e vosso amor, e dizendo também que guardais sempre de nós uma boa lembrança e que tendes um vivo desejo de nos rever, do mesmo modo que nós desejamos muito rever-vos. 7 Assim, irmãos, em razão da vossa fé, ficamos reconfortados a vosso respeito, em toda a nossa angústia e tribulação. 8 Agora revivemos, já que estais firmes no Senhor.


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Orações

1. ORAÇÃO DO PEREGRINO T: Senhor, Deus, Pai de infinita ternura, estamos sempre a caminho. Conceda-nos a tua proteção ao longo de toda a viagem que estamos realizando. Não nos deixes caminhar sozinhos. Sê para nós a sombra que protege o sol, o agasalho que defende do frio, o abrigo que resguarda da chuva e da intempérie. Livra-nos de todos os perigos. Ensina-nos a sair do egoísmo para fazer comunidade, a ver-te na beleza do mundo, a amar-te em nossos irmãos. Guiados por ti atingiremos o nosso fim e reconfortados por tua graça regressaremos sãos e salvos aos nossos lares e ao nosso trabalho. Que a Virgem Maria, cubra com seu manto materno, cada um dos nossos familiares. Os Anjos e os Arcanjos nos guiem e nos conduzam sempre. Os Santos Apóstolos administrem nossos bens e Os Santos Evangelistas, fortifiquem nossa fé. A Cruz de Cristo cubra cada um de nós peregrinos e A Coroa de Cristo seja nossa fortaleza. T. Amém.

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2. ORAÇÃO DE LOUVOR Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam.

bendizei o Senhor! Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor! Brisas e ventos, bendizei o Senhor! Fogo e calor, bendizei o Senhor! Frio e ardor, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim.

3. ORAÇÃO DO ÂNGELUS S: O anjo do Senhor anunciou a Maria. T: E ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria... S: Eis aqui a serva do Senhor. T: Faça-se em mim segundo a vossa Palavra. Ave Maria... S: E o Verbo se fez carne. T: E habitou entre nós. Ave Maria... S: Oremos: Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo, o mistério da encarnação do vosso Filho cheguemos por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. T: Glória ao Pai... S: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus T: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

4. LOUVOR DAS CRIATURAS AO SENHOR S: Obras do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim! Céus, bendizei o Senhor! Anjos do Senhor, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim. M: Águas do alto céu, bendizei o Senhor! Potências do Senhor, bendizei o Senhor! Lua e sol, bendizei o Senhor! Astros e estrelas 207

S: Orvalhos e garoas, bendizei o Senhor! Geada e frio, bendizei o Senhor! Gelos e neves, bendizei o Senhor! Noites e dias, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim. M: Luzes e trevas, bendizei o Senhor! Raios e nuvens, bendizei o Senhor! Ilhas e terra, bendizei o Senhor! Montes e colinas, bendizei o Senhor! Plantas da terra, bendizei o Senhor! Mares e rios, bendizei o Senhor! Fontes e nascentes, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim. S: Baleias e peixes, bendizei o Senhor! Pássaros do céu, bendizei o Senhor! Feras e rebanhos, bendizei o Senhor! Filhos dos homens, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim M: Filhos de Israel, bendizei o Senhor! Sacerdotes do Senhor, bendizei o Senhor! Servos do Senhor, bendizei o Senhor! T: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim.

5. ORAÇÃO DA MANHÃ I S: Agradeçamos a Cristo, que nos concede hoje a luz deste dia e lhe roguemos: Dá-nos Senhor, a tua bênção e santidade!


H: Tu, que te ofereceste como vítima por nossos pecados, recebe hoje aquilo que para hoje foi planejado e iniciado. T: Dá-nos Senhor, a tua bênção e santidade! M: Tu que alegras nossos olhos com o dom da nova luz que surge como astro luminoso em nossos corações. T: Dá-nos Senhor, a tua bênção e santidade! H: Concede que sejamos hoje, pacientes uns com os outros, a fim de podermos imitar-te. T: Dá-nos Senhor, a tua bênção e santidade! M: Faze-nos ouvir hoje pela manhã, Senhor a tua misericórdia, e que tua alegria seja nossa força. T: Dá-nos Senhor, a tua bênção e santidade!

6. ORAÇÃO DA MANHÃ II T: Senhor, no silêncio deste dia que nasce, venho pedir-te paz, sabedoria e força. Hoje quero olhar o mundo com olhos cheios de amor. Ser paciente, compreensivo, humilde, suave e bom. Ver teus filhos por trás das aparências, como Tu mesmo os vês, para, assim, poder apreciar a bondade de cada um. Fecha meus ouvidos a toda murmuração, guarda minha língua de toda maledicência, que só os pensamentos que bendigam, permaneçam em mim. Quero ser tão bem-intencionado e justo que todos os que se aproximarem de mim, sintam tua presença. Reveste-me de tua bondade, Senhor, e faze que durante este dia eu te revele. Amém.

7. ORAÇÃO DO PODER (para ser feita de manhã) T: Deus de toda força e poder, dá-me a segurança de teu amor e a certeza de que estás comigo. Peço-te ajuda e proteção para o dia de hoje, porque preciso de tua assistência e de tua misericórdia. Esclarece o meu espírito com a Luz que iluminou o caminho do teu Divino Filho aqui na terra. Que eu possa, Senhor, perceber toda tua grandeza e tua presença em mim. Sopras o teu Espírito dentro de minha alma para que eu sinta o meu interior fortalecido com a tua presença. Que eu sinta o teu maravilhoso poder através da força da oração acalmando o meu espírito e aumentando a minha fé. Ajuda-me a seguir-te sem vacilar e sem olhar para trás. Entrego-te neste dia toda a minha vida e da minha família. Livra-nos de todo mal. Dá-me o poder de aceitar que se cumpra em mim a Tua vontade e não a minha. Amém!

8. ORAÇÃO DA NOITE I T: Salvai-nos Senhor, quando velamos! Guardai-nos também, quando dormimos!Nossa mente vigie com Cristo. E nosso corpo, repouse em paz. Concede, Senhor, aos nossos corpos um sono restaurador e faze germinar para a messe eterna as sementes do Reino, que hoje lançamos em nosso peregrinar. Por N.S.J.C. O Senhor nos conceda uma noite tranquila e uma morte feliz! Amém

9. ORAÇÃO DA NOITE II T: Meu pai, a findar esse dia minha alma se eleva a Ti para dizer: creio em Ti, espero em

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Ti, amo-te com todas as minhas forças. Glória a Ti, Senhor. Deposito em tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás. Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram, se dei lugar ao rancor ou à tristeza, se fui infiel, perdão, Senhor! Tem piedade de mim. Nesta noite, não quero me entregar ao sono sem sentir sobre a minha alma a segurança de tua misericórdia. Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia, porque invisível e carinhoso, cuidaste de mim como uma mãe, em todas estas horas. Senhor, nesta noite inunda meu ser de serenidade. Vela por mim, Pai querido. Em teu nome, Senhor, descansarei tranquilo. Assim Seja.

10. PERMANECEI, SENHOR (para ser feita no final do dia ou à noite) M: Permanecei conosco Senhor, porque é necessária a vossa presença para não vos esquecermos. Sabeis quão facilmente vos abandonamos. Somos fracos e precisamos da vossa força para não cairmos na tentação. H: Permanecei conosco Senhor, porque vós sois a nossa luz e sem vós estamos nas trevas. Sem vós esmorecemos no fervor. M: Permanecei conosco Senhor, e nos dê a conhecer a vossa vontade, para que ouvindo a vossa voz vos sigamos fielmente. H: Permanecei conosco Senhor, pois desejamos amar-vos cada vez mais e estar sempre em vossa companhia.

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M: Permanecei conosco Senhor, pois é tarde e o dia declina... isto é, a vida passa, a morte, o juízo, a eternidade se aproximam e é preciso refazer nossas forças para não nos demorarmos no caminho. S: Fazei Senhor, que como vossos discípulos, vos reconheçamos na fração do pão, isto é, que a comunhão eucarística seja a luz que dissipe as trevas, a força que nos sustenta e a única alegria do nosso coração. Que possamos com um amor firme e sincero amar-vos de todo o nosso coração aqui na terra para um dia amá-lo perfeitamente na eternidade. T: Amém.

11. ORAÇÃO DE ABANDONO T: Pai, em tuas mãos eu me entrego. Faça de mim o que quiseres. Por tudo que fizeres de mim, eu te agradeço. Estou disposto a tudo, aceito tudo, contanto que tua vontade seja feita em mim e em todas as tuas criaturas. Não desejo mais nada, meu Deus. Ponho minha alma em tuas mãos, entrego-a a Ti, meu Deus, com todo ardor de meu coração, porque te amo, e é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me em tuas mãos sem medida, com infinita confiança, porque Tu és meu Pai. Amém.


12. Oração para o Ano Paulino (Dom Gilberto, Bispo de Setúbal, Portugal)

Senhor Jesus Cristo, iluminando o Teu rosto na estrada de Damasco: curaste Saulo de Tarso da sua cegueira espiritual; o apaixonaste por Ti; o chamaste a evangelizar todos os povos; o animaste a combater o bom combate de fé até dar a vida por Ti, na firme esperança de gozar um dia da Tua glória. A nós, pequeno rebanho do Pai, Tua Igreja que vive em Brasília; animada pelo Espírito, concede, pela intercessão do mesmo santo Apostolo Paulo: escutar-Te, fielmente, cada dia, na leitura orante da Bíblia e na obediência ao ensino de nossos Pastores, por que és o Caminho; celebrar bem o Teu mistério pascal pela participação consciente, piedosa e ativa na missa de domingo, porque és a Verdade; ser um só coração e levar o Evangelho aos pobres de fé e de pão, com imensa solicitude fraterna, porque és a Vida. A Tua e nossa Santa Mãe, Maria, nos inspire a caminhar com humildade e confiança. Amém.

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Músicas para Peregrinar

1 - CANÇÃO DO ESPÍRITO 1. Busca em Jesus a plenitude/ Do Santo Espírito e do seu amor. Deixa que ele te envolva em seu calor /Deixa Jesus cuidar das coisas, que atormentam seu Viver /Qual luz do alto ele Virá sobre o teu ser! Oh! Oh! Cristo, meu Cristo,/Vem em mim morar. 2. Oh, vem cantar com alegria encher de paz teu coração, ergue o braço e louva a Deus em oração. A Ele dá tuas tristezas, desilusões e tua cruz, Então terás a Vida em nome de Jesus.

02 - CANTAI A DEUS COM ALEGRIA Cantai a Deus com alegria./Exultai em seu santuário. Povos todos aplaudi /Ao Deus que nos criou. Rejubilai em Sua presença /Cantando louvores ao Senhor. Louvai... Dançai...

03 - TUDO É DO PAI 1. Eu pensei que podia viver, por mim mesmo / Eu pensei que as coisas do mundo não iriam me derrubar / O orgulho tomou conta do meu ser e o pecado devastou o meu viver/Fui embora, disse: ó pai, dá-me o que é meu! Dá-me a parte que me cabe da herança/Fui pro mundo/Gastei tudo me restou só o pecado/Hoje sei que nada é meu/Tudo é do pai.

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2. Tudo é do pai/Toda honra e toda glória / É d’Ele a vitória/Alcançada em minha vida. / Tudo é do pai/Se sou fraco e pecador bem mais forte é o meu Senhor/Que me cura por amor.

04 - QUÃO GRANDE ÉS TU 1. Senhor meu Deus, quando eu maravilhado / Fico a pensar nas obras de Tuas mãos. / O céu azul de estrelas pontilhado/ O Seu poder mostrando a criação. Então minh’alma canta a Ti, Senhor/ Quão grande és Tu / Quão grande és Tu/ Então minh’alma canta a Ti, Senhor /Quão grande és Tu/ Quão grande és Tu. 2. Quando a vagar nas matas e florestas/ O passaredo alegre ouço a cantar /Cruzando os montes, vales e florestas/ O Teu poder mostrando a criação.

05 - DEIXA A LUZ DO CÉU ENTRAR 1. Tu anseias, eu bem sei , por salvação , tens desejo de banir a escuridão abre , pois de par em par teu coração e deixa a luz do céu entrar Deixa a luz do céu entrar (bis) abre bem as portas do teu coração e deixa a luz do céu entrar. 2. Cristo a luz do céu, em ti quer habitar para as trevas do pecado dissipar, teu caminho e coração iluminar e deixa a luz do céu entrar.

06 - FAZ UM MILAGRE EM MIM Como Zaqueu, Eu quero subir, o mais alto que eu puder só pra te ver/Olhar para Ti e chamar sua atenção para mim./ Eu preciso de Ti, Senhor, eu preciso de Ti, Oh! Pai. /Sou pequeno demais, me dá a Tua Paz / Largo 212

tudo pra te seguir./Entra na minha casa. Entra na minha vida, mexe com minha estrutura/ Sara todas as feridas, me ensina a ter santidade. / Quero amar somente a Ti, porque o Senhor é o meu bem maior, /faz um Milagre em mim.

07 - TU ME CONHECES 1. Tu me conheces quando estou sentado/Tu me conheces quando estou de pé. / Vês claramente quando estou andando/Quando repouso tu também me vês. / Se pelas costas sinto que me abranges/Também de frente si que me percebes. / Para ficar longe do seu Espírito, o que farei, aonde irei não sei. Para onde irei? Para onde fugirei?/Se subo ao céu ou se me prostro no abismo eu te encontro lá. / Para onde irei? Para onde fugirei, se estás no alto das montanhas verdejantes ou nos confins do mar. 2. Se eu disser que as trevas me escondam, e que não haja luz onde eu passar. / Pra ti a noite é clara como o dia, nada se oculta a teu divino olhar. / Tu me teceste no seio materno, e definiste todo meu viver. / As tuas mãos são maravilhosas, que maravilha meu Senhor sou eu.

08 – ESTÁS ENTRE NÓS 1. Tu és minha vida outro Deus não há. Tu és minha estrada, a minha verdade. Em tua palavra eu caminharei, enquanto eu viver e até quando tu quiseres./ Já não sentirei temor, pois estás aqui, tu estás no meio de nós. 2. Creio em ti Senhor, vindo de Maria, filho eterno e Santo, homem como nós. / Tu morreste por amor, vivo estás em nós. Unidade trina com o Espírito e o Pai./ E um dia eu bem sei, tu retornarás e abrirás o reino dos céus.


3. Tu és minha força outro Deus não há. Tu és minha paz, minha liberdade./ Nada nesta vida nos separará, em tuas mãos seguras minha vida guardarás. /Eu não temerei o mal, tu me livrarás, e no teu perdão viverei.

Te agradeço ainda, porque na alegria ou na dor de cada dia posso te encontrar. Quando a dor me consome eu murmuro o teu nome e mesmo sofrendo eu posso cantar. Escondio tu estás...

4. Ó Senhor da vida, creio sempre em ti. Filho salvador eu espero em ti. Santo Espírito de amor desce sobre nós, tu de mil caminhos nos conduzes a uma fé. E por mil estradas onde andarmos nós, qual semente nos levarás.

Obrigado Senhor (2x)

09 – NINGÉM TE AMA COMO EU 1. Tenho esperado este momento, tenho esperado que viesses a mim. /Tenho esperado que me fales, tenho esperado que estivesses assim. /Eu sei bem o que tens vivido, sei também que tens chorado. /Eu sei bem que tens sofrido, pois permaneço ao teu lado. Ninguém te ama como eu (2x). Olhe pra cruz esta é a minha grande prova. Ninguém te ama como eu. Ninguém te ama como eu (2x). Olhe pra cruz, foi por ti, porque te amo ninguém te ama como eu. 2.Eu sei bem o que me dizes, ainda que nunca me fales. Eu sei bem o que tens sentido ainda que nunca me reveles. Tenho andado ao teu lado, junto a ti permanecido. Eu te levo em meus braços, pois sou teu melhor amigo.

10 – OBRIGADO SENHOR Obrigado Senhor, porque és meu amigo, porque sempre comigo tu estás a falar. No perfume das flores, na harmonia das cores e no mar que murmura o teu nome a rezar. Escondido tu estás nos verdes das florestas, nas aves em festa, no sol a brilhar. Nas sombras que abrigam, na brisa amiga na fonte que corre ligeiro a cantar. 213

11 – ORAÇÃO PELA FAMÍLIA 1. Que nenhuma família comece em qualquer de repente, que nenhuma família termine por falta de amor. Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente, e que nada no mundo separe um casal sonhador. Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte, que ninguém interfira no lar e na vida dos dois. Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte, que eles vivam do ontem, do hoje e em função de um depois. Que a família comece e termine sabendo onde vai, e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor, e que os filhos conheçam a força que brota do amor. Abençoa, Senhor, as famílias! Amém! Abençoa, Senhor, a minha também. (bis) 2. Que marido e mulher tenham força de amar sem medida, que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão. Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida, que a família celebre a partilha do abraço e do pão. Que marido e mulher não se traiam, nem traiam seus filhos, que o ciúme não mate a certeza do amor entre os dois. Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho, seja a firme esperança de um céu aqui mesmo e depois.


12 – TE AMAREI 1. Me chamaste para caminhar na vida contigo, decidi para sempre seguir-te, não voltar atrás. Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma, é difícil agora viver sem lembrar-me de ti. Te amarei, Senhor. Te amarei Senhor. Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti. (2x) 2. Eu pensei muitas vezes calar-me e não dar nem resposta, eu pensei na fuga esconder-me, ir longe de Ti. Mas tua força venceu e ao final eu fiquei seduzido, é difícil agora viver sem saudades de ti. 3. Ó Jesus, não me deixes jamais caminhar solitário, pois conheces a minha fraqueza e o meu coração. Vem ensina-me a viver a vida na Tua presença, no amor dos irmãos, na alegria, na paz, na união.

2.Eu vim depressa, eu não vim de caminhão. /Eu vim a jato neste asfalto e nesse chão. /Achei difícil a viagem até aqui, mas eu cheguei, mas eu cheguei. 3.Eu vim por causa daquilo que não se vê. /Vim nu, descalço, sem dinheiro e o pior, Achei difícil a viagem até aqui, mas eu cheguei, mas eu cheguei. 4.Eu tive ajuda de quem você não acredita. /Tive a esperança de chegar até aqui. Vim caminhando, aqui estou, me decidi: Eu vou ficar, eu vou ficar.

15 - VIVA A MÃE DE DEUS E NOSSA Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida. Viva a Virgem Imaculada, a senhora Aparecida!

13 - VOCAÇÃO

1. Aqui estão vossos devotos, cheios de fé incendida, de conforto e de esperança, ó Senhora Aparecida.

1. Se ouvires a voz do vento, chamando sem cessar... Se ouvires a voz do tempo, mandando esperar...

2. Protegei a Santa Igreja, Mãe terna e compadecida. Protegei a nossa Pátria, ó senhora Aparecida.

A decisão é tua (2x). São muitos os convidados (2x). Quase ninguém tem tempo (2x).

3. Oh! Velai por nossos lares, pela infância desvalida, pelo povo brasileiro, ó senhora Aparecida.

2. Se ouvires a voz de Deus, chamando sem cessar... Se ouvires a voz do mundo, querendo te enganar...

16 - UMA ENTRE TODAS

3.O trigo já se perdeu, cresceu ninguém colheu... E o mundo passando fome, passando fome de Deus...

14 – A VIAGEM 1. Eu vim de longe pra encontrar o meu caminho, /Tinha um sorriso e o sorriso ainda valia./ Achei difícil a viagem até aqui, mas eu cheguei, mas eu cheguei. 214

1. Uma entre todas foi a escolhida:/ foste tu, Maria, serva preferida,/ Mãe do meu Senhor,/ Mãe do meu Salvador! Maria, cheia de graça e consolo,/ venha caminhar com teu povo./ Nossa mãe e sempre serás!(bis) 2. Roga pelos pecadores desta terra./ Roga pelo povo que em seu Deus espera,/ Mãe do meu Senhor, Mãe do meu Salvador!


Reproduzir no cristão as feições de teu filho. Como ela fez em Caná, nos convida a te obedecer: eis aqui os teus servos Senhor!

17 - SOBE A JERUSALÉM 1. Sobe a Jerusalém, Virgem oferente sem igual. Vai apresenta ao Pai teu Menino: Luz que chegou ao Natal. E, junto à sua cruz, quando Deus morrer fica de pé. Sim, Ele te salvou, mas o ofereceste por nós com toda fé. 2. Nós vamos renovar este Sacrifício de Jesus: Morte e Ressurreição; vida que brotou de sua oferta na Cruz. Mãe, vem nos ensinar a fazer da vida uma oblação. Culto agradável a Deus é fazer a oferta do próprio coração.

CANÇÕES POPULARES 1.FICA SENHOR COMIGO – Celina Borges Fica Senhor comigo, preciso da Tua presença para não te ofender. Sabes quão facilmente sou fraco e te abandono preciso de Ti para não cair/Fica Senhor comigo, se queres que eu Te seja fiel. Seja-me aquele abrigo pois embora minh'alma, muito pobrezinha, deseja ser pra Ti/ Lugar de consolação, carinho e adoração. Um ninho de amor então
 quietude e profunda oração.
 Não peço o que não mereço, mas tua presença ó Deus quero ter. Fica Senhor comigo, para que eu ouça a Tua voz...
 Fica Senhor comigo, fica meu grande amigo (2x)
 Não peço o que não mereço, mas tua presença ó Deus quero ter.Fica Senhor comigo, para que eu ouça a Tua voz...
 Tu és minha luz, sem Ti ando nas trevas...
 Fica Senhor, para me dar a conhecer a Tua vontade.


18 - QUANDO TEU PAI REVELOU O SEGREDO A MARIA 1. Quando teu Pai revelou o segredo a Maria que, pela força do Espírito, conceberia a ti Jesus, ela não hesitou logo em responder: Faça-se em mim, pobre serva o que a Deus aprouver! / Hoje imitando a Maria que é imagem da Igreja, nossa família outra vez te recebe e deseja, cheia de fé, de esperança e de amor, dizer sim a Deus. Eis aqui os teus servos Senhor! Que a graça de Deus, cresça em nós sem cessar! E de ti nosso Pai venha o Espírito Santo de amor, pra gerar e formar Cristo em nós. 2. Por um decreto do Pai ela foi escolhida para gerar-te, ó Senhor que és origem da vida; Cheia do Espírito Santo no corpo e no coração foi quem melhor cooperou com a tua missão. Na comunhão recebemos o Espírito Santo e vem contigo Jesus o teu Pai sacrossanto; vamos agora ajudar-te no plano da salvação: eis aqui os teus servos Senhor! 3. No coração de Maria, no olhar doce e terno, sempre tiveste na vida um apoio materno. Desde Belém, Nazaré, só viveu para te servir; quando morrias na cruz tua mãe estava ali. / Mãe amorosa da Igreja quer ser nosso auxílio. 215


 Fica Senhor comigo, fica meu grande amigo.
 Minh'alma é tão pobrezinha, seja meu único abrigo.
 Quero sua companhia, muito preciso ouvir-te Senhor,
 Tanto desejo amar-te, fica meu grande amor.

2.O HOMEM – Roberto Carlos Um certo dia um homem esteve aqui, tinha o olhar mais belo que já existiu. Tinha no cantar uma oração e no falar a mais linda canção


que já se ouviu. Sua voz falava só de amor, todo gesto seu era de amor e paz, Ele trazia no coração. Ele pelos campos caminhou, subiu as montanhas e falou do amor maior.
 Fez a luz brilhar na escuridão, o sol nascer em cada coração que compreendeu...
 Que além da vida que se tem. existe uma outra vida além e assim...
 O renascer, morrer não é o fim.

Simão. Naquela relva, no entardecer o mundo viu nascer a paz de uma esperança. Seu jeito puro de perdoar, fazia o coração voltar a ser criança
 


Tudo que aqui Ele deixou
 Não passou e vai sempre existir
 Flores nos lugares que pisou
 E o caminho certo pra seguir


3. Um certo dia, ao tribunal alguém levou o jovem Galileu. Ninguém sabia qual foi o mal e o crime que ele fez; quais foram seus pecados. Seu jeito honesto de denunciar. mexeu na posição de alguns privilegiados. E mataram a Jesus de Nazaré e no meio de ladrões puseram sua cruz. Mas o mundo ainda tem medo de Jesus que tinha tanto amor
 


Eu sei que Ele um dia vai voltar, e nos mesmos campos procurar o que plantou.
 E colher o que de bom nasceu, chorar pela semente que morreu sem florescer.
 Mas ainda é tempo de plantar, fazer dentro de si a flor do bem crescer Pra lhe entregar quando Ele aqui chegar

4. Vitorioso! Ressuscitou! Após três dias à vida Ele voltou. Ressuscitado, não morre mais, está junto do Pai, pois Ele é o Filho Eterno. Mas ele vive em cada lar e onde se encontrar um coração fraterno. Proclamamos que Jesus de Nazaré, glorioso e Triunfante,
 Deus Conosco está! Ele é o Cristo e a razão da nossa fé, e um dia voltará!

3. UM CERTO GALILEU – Pe. Zezinho

4. POVO DE DEUS – Pe. Zezinho

1. Um certo dia, a beira mar, apareceu um jovem Galileu. Ninguém podia imaginar que alguém pudesse amar do jeito que ele amava. Seu jeito simples de conversar, tocava o coração de quem o escutava
 E seu nome era Jesus de Nazaré, sua fama se espalhou e todos vinham ver o fenômeno do jovem pregador que tinha tanto amor
 
 2. Naquelas praias, naquele mar, naquele rio, em casa de Zaqueu. Naquela estrada, naquele sol e o povo a escutar histórias tão bonitas
 Seu jeito amigo de se expressar enchia o coração de paz tão infinita. Em plena rua, naquele chão, naquele poço e em casa de 216

1. O povo de Deus no deserto andava, mas à sua frente Alguém caminhava. O povo de Deus era rico de nada, Só tinha a esperança e o pó da estrada. Também sou teu povo, Senhor, e estou nessa estrada, somente a Tua graça me basta e mais nada. (2x)
 
 2. O povo de Deus também vacilava; à vezes custava a crer no amor. O povo de Deus, chorando, rezava, pedia perdão e recomeçava. Também sou teu povo Senhor, e estou nessa estrada, perdoa se às vezes não creio em mais nada. (2x) 3. O povo de Deus também teve fome e Tu lhe mandaste o pão lá do céu. O povo de Deus, cantado deu graças, Provou Teu amor, Teu amor que não passa. Também sou teu povo Senhor, e estou nessa estrada. Tu és alimento na longa jornada. (2x) 



4. O povo de Deus ao longe avistou a Terra querida que o amor preparou. O povo de Deus corria e cantava e nos seus louvores Teu poder proclamava. Também sou teu povo Senhor, e estou nessa estrada, cada dia mais perto da terra esperada. (2x)

5. A BARCA – Pe. Zezinho 1.Tu te abeiraste na praia, não buscastes nem sábios, nem ricos somente queres que eu te siga... Senhor, Tu me olhaste nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome Lá na praia, eu deixei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar 2.Tu sabes bem que em meu barco, eu não tenho nem ouro nem espadas Somente redes e o meu trabalho... 3. Tu minhas mãos solicitas, meu cansaço, que a outros descansem, Amor que almeja seguir amando... 4. Tu, pescador de outros lagos, ânsia eterna de almas que esperam/ Bondoso amigo, assim me chamas...

6. HÁ UM BARCO ESQUECIDO – Pe. Zezinho 1. Há um barco esquecido na praia, já não leva ninguém a pescar É o barco de André e de Pedro Que partiram pra não mais voltar, quantas vezes partiram seguros enfrentando os perigos do mar Era chuva, era noite, era escuro, mas os dois precisavam pescar De repente aparece Jesus, pouco a pouco se acende uma luz
 É preciso pescar diferente que o povo já sente que o tempo chegou E partiram sem mesmo pensar nos perigos de profetizar
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Há um barco esquecido na praia Um barco esquecido na praia Um barco esquecido na praia
 
 2. Há um barco esquecido na praia, já não leva ninguém a pescar É o barco de João e Tiago que partiram pra não mais voltar Quantas vezes em tempos sombrios, enfrentando os perigos do mar Barco e rede voltavam vazios, mas os dois precisavam pescar 3. Quantos barcos deixados na praia, entre eles o meu deve estar Era o barco dos sonhos que eu tinha, mas eu nunca deixei de sonhar Quanta vez enfrentei o perigo no meu barco de sonho a singrar Jesus Cristo remava comigo, eu no leme, Jesus a remar De repente me envolve uma luz, e eu entrego o meu leme a Jesus É preciso pescar diferente que o povo já sente que o tempo chegou E partimos pra onde ele quis, tenho cruzes mas vivo feliz Há um barco esquecido na praia Um barco esquecido na praia Um barco esquecido na praia

7. PELAS ESTRADAS DA VIDA 1. Pelas estradas da vida, nunca sozinho estás. Contigo pelo caminho, Santa Maria vai. Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem ! (2x) 2. Se pelo mundo os homens, sem conhecer-se vão. Não negues nunca a tua mão, a quem te encontrar Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem ! (2x)


3. Mesmo que digam os homens, tu nada podes mudar. Luta por um mundo novo de unidade e paz Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem! (2x) 4. Se parecer tua vida, inútil caminhar, lembra que abres caminho, outros te seguirão Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem ! (2x)

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Caminhos de São Paulo 2017  
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