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ZERO HORA

CAMPO & LAVOURA

PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 2010 – Nº 1.311 Edição: Adriana Langon > (51) 3218-4709 > E-mail: adriana.langon@zerohora.com.br > Diagramação: Ana Cristina Machado e Juliana Borba

PERFIL

Toque fashion no agronegócio ANDERSON PETROCELI, ESPECIAL

O marketing de Fabíola Lopes à frente da Pitangueira Itaqui MARINA LOPES

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PROGRAMA NA RÁDIO LOCAL Até a timidez aguda da infância foi vencida com a volta à Itaqui. Fabíola tem um programa, todos os domingos, na rádio Pitangueira, também de propriedade da família.

Produtora é o braço direito do pai na gestão do segmento de arroz, com 4,6 mil hectares, e de pecuária, com 20 mil animais várias frentes de trabalho e conquistar novos mercados. A adaptação não foi fácil. Passou por vários estágios dentro da empresa e atribui o que aprendeu não só ao acompanhamento direto do pai, mas de um de seus funcionários mais antigos, José Humberto Braccini. – Temos o único arroz certificado pela Emater no Estado, com o mínimo de agrotóxico. Estamos abrindo mercados internacionais. Na área da pecuária, também estamos levantando asas rumo ao Exterior, temos que aproveitar o fato de termos sido oito vezes campeões no ranking braford. Queremos exportar sêmen e gado em pé. Em maio, estamos indo para Rússia fazer negociações – conta. O pai, orgulhoso e satisfeito com o

trabalho realizado por sua caçula, ficou mais tranquilo quanto à continuidade de seu trabalho depois do retorno de Fabíola: – Com ela aqui e a outra filha cuidando de outro braço da empresa em Mato Grosso, fico tranquilo. Sou fã das mulheres, a maioria dos cargos de chefia da empresa são ocupados por elas – diz Pedro Lopes. Para a moça inquieta, que fez psicologia e desistiu, tentou relações públicas e parou para finalmente se encontrar no marketing, o fato de a técnica ser aplicada com roupas de marca ou nas grifes de arroz e gado, hoje, é indiferente. Importantes são as lições que suas andanças pelo mundo lhe ofereceram.

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Tinha pânico de falar em público. Hoje, o desafio é o comum a maioria das mulheres: conciliar a vida familiar com o trabalho.

– Como sempre tive uma facilidade enorme para arrumar as malas e esse ofício que o pai estava me designando era de muitas viagens, aceitei – recorda. Mas o estabelecimento total em Itaqui se deu após Fabíola casar-se com o também produtor de arroz Nestor Jardim, com quem teve os filhos Catarina, cinco anos, e Pedro, quatro anos. A volta a Itaqui também a aproximou dos pais, com quem não convivia diariamente desde a infância: – Sempre fui durona, sentia saudade, mais não admitia. Hoje, sou muito mais próxima dos meu pais – comenta. Hoje, Fabíola é diretora da Pitangueira e conseguiu, junto com a equipe de trabalho já formada por seu pai, abrir

SE

INDUS

e aos 10 anos não faltou coragem à menina franzina e tímida para deixar os pais e o conforto da casa em Itaqui em busca de seus prematuros ideais, também foi a ousadia que esteve presente na vida de Fabíola Rhode Lopes, 37 anos, na hora de deixar Nova York para voltar à cidade de 36 mil habitantes da Fronteira Oeste. Mulher feita, em 2004 Fabíola retornou a Itaqui, depois de ter se formado em marketing de moda, pela Parsons School of Design, e tornou-se o braço direito de seu pai, Pedro Monteiro Lopes, na Pitangueira, tradicional empresa do ramo de arroz e pecuária. Trocou a aplicação dos conhecimentos no ramo fashion para empregá-los na diversificação da agropecuária no mercado nacional e internacional do arroz. – Nunca imaginei que aquela criança que queria ir embora e abrir uma butique em Paris, mesmo sem nem saber onde ficava Paris, iria voltar para se estabelecer logo de onde saiu tão cedo. Mas não me arrependo, casei, tive filhos e me adaptei ao local outra vez que eu vivi quando pequena – conta Fabíola. A queda das torres gêmeas, em 2001, estremeceu não só os Estados Unidos, mas a vida de Fabíola também. Terminou um noivado em Nova York, o emprego não estava sendo satisfatório financeiramente e o Green Card que deveria chegar em breve não viria tão cedo. Foi nesse momento que Fabíola aceitou o convite do pai para expandir a marca Pitangueira no ramo de arroz pelo Centro-Oeste e Sudeste do país.


Pitangueira e a força das mulheres