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Trabalho de Graduação Interdisciplinar Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Vídeo Direção Mariana Naomi Kubota Roberto P. B. Castro Roteiro Mariana Naomi Kubota Roberto P. B. Castro Textos Isabela Ruffino Mariana Naomi Kubota Richard Rücker Verônica Bertacchini

Filmagem Mariana Naomi Kubota Roberto P. B. Castro Atuação Isabela Ruffino Mariana Naomi Kubota Richard Rücker Roberto P. B. Castro Verônica Bertacchini Vó Lina Pombas

Ilustrações Richard Rücker Verônica Bertacchini Isabela Ruffino Capa Richard Rückerz Revisão de textos Barbara Stocker Matheus Mafra Diagramação Isabela Ruffino

Animação Roberto P. B. Castro Colorização Mariana Naomi Kubota Roberto P. B. Castro Edição Mariana Naomi Kubota Roberto P. B. Castro Sonorização Guilherme Fernandes(Otto) Música Matheus Mafra Créditos Mariana Naomi Kubota

Orientação Henrique Sobral

2012

Agradecemos à Belas Artes, a todos os professores que tivemos durante o curso, ao nosso querido orientador Henrique Sobral, às participações especiais de Otto, Vó Lina, Marcos, Barbara, Matheus e ao Rocks Studio. Obrigado por nos ajudarem a concluir esse projeto. Agradecemos também ao Chico, que sempre nos abrigou em sua Fênix Dourada.


Agradeço aos meus pais Barbara e Ruffino; às minhas irmãs Rafaela e Ana Luisa; aos meus companheiros de grupo Nami, Richard, Roberto e Verônica e ao meu namorado Beto. Obrigada pelo carinho, pelo apoio e por não deixarem eu me sentir solitária. Isabela Ruffino

Agradeço aos meus pais, que investiram sempre na minha educação, por mais imbecil que tenham sido as mensalidades! Aos meus irmãos, por serem os melhores do mundo! Aos membros do grupo: Roberto, Richard, Isabela e Verônica, por serem o gás que me moveu nesse trabalho e por terem se tornado minha segunda família. A todos que ajudaram e colocaram o coração da mesma forma que nós nesse projeto (Matheus, Otto, Barbara) e ao Henrique Sobral, não só por nos orientar, mas também por sempre ouvir meus choros e lamentações (hahaha). Agradeço também à todas as amizades que fiz nesses quatro anos de faculdade (vocês sabem quem são!). Ao Rominho, que em tão pouco tempo já me ajudou de tantas formas e me traz um bem que ninguém mais consegue. E por fim, à Fênix Dourada e seus funcionários pelas tardes/noites memoráveis. Mariana Naomi Kubota

Agradeço à minha mãe por ser chata, mas pagar minhas contas e cuidar de mim. Ao meu namorado, Henrique Alves, por ser chato, mas ser bonito, cuidar de mim e me amar. Aos meus amigos por serem chatos... e é só isso que eles são. Agradeço principalmente aos Amendobobos por serem o máximo, e meio chatos. Agradeço também aos professores que me ensinaram a desenhar (Klayton, Luiz, Denise, Anderson, Latorre, Coutinho, Fernando). E às lasanhas congeladas por me darem “sustança”. Richard Rücker

Aos Amendobobos, por realizarem a difícil tarefa de ser BOBO. À Isa (Bela) que, apesar de não ser boba, cuida, vigia e assume a responsabilidade de trabalhar com bobos, afinal seria uma grande bobagem ter um grupo formado apenas por bobos. À Isa (Bela) de novo, que namora e cuida do bobo mais teimoso e megalomaniaco, mantendo sua sanidade no devido lugar. O clássico e indispensável agradecimento à família, que muitas vezes tem que suportar o fardo de sustentar e conviver com um marmanjo barbado que quer ser designer/artista quando crescer. Pretendo fazer essa aposta valer a pena! Obrigado Pai, Mãe, Julia Pontes, Tia Ju, Vó Leila e Mel Pontes. Roberto Pontes Bonach de Castro

Antes de qualquer coisa agradeço de coração à Isa, Nami, Richard e Roberto: durante estes anos de BA aprendi muito com vocês e vocês foram compreensivos, companheiros e acabaram se tornando grandes amigos. Não posso deixar de agradecer aos meus pais por terem me dado suporte em tudo o que precisei e foram as pessoas mais atenciosas e generosas do mundo. Obrigada Gui, por ser meu amigo do peito e ter tido todo este empenho gigantesco pelo trabalho. Marcão, muito obrigada pelo seu papel no trabalho, fico até sem jeito de te agradecer! Fábio, por ter cedido o estúdio. Dona Lina, por ter sido a estrela do vídeo! Matheus, companheiro de todas as horas, por ter tido uma dedicação absurda no trabalho. Bárbara: sem você estaríamos perdidos! Cello, Fran, Dhi, Ca e Leo: agradeço as ideias que me deram. Julia e Davi, que estão sempre ao meu lado: obrigada por terem me ensinado e incentivado tanto. Ju, obrigada pela paciência em ajudar. Latorre e Luis Bagno, agradeço as aulas de desenho e ilustração. Obrigada Adobe porque sem você não existiria Photoshop nem Illustrator. E finalmente, obrigada fadas e duendes, por existirem de verdade. Verônica Bertacchini


Apresentação A cidade de São Paulo cresce. Cresce economicamente, cresce em número de pessoas e cresce no espaço por elas ocupado. Os meios de condução se tornam fundamentais para garantir o dinamismo dos serviços e o deslocamento de gentes que se movem pela metrópole e a fazem se mover. Mas essa dependência de transporte tem um preço.. Nas ruas, cada vez mais carros e um transporte público que deixa muito a desejar. Fumaça, congestionamento, lotação, atrasos... um caos com o qual milhões de transeuntes são obrigados a lidar todo dia. Segundo pesquisas do IBGE, a média de tempo gasto em locomoção pelos paulistanos, diariamente, é de 2 horas e 23 minutos e cerca de 80% deles consideram a situação do trânsito ruim ou péssima. Há também dados da CET que mostram que a média de velocidade dos carros é de 15Km/h. Tal índice se assemelha ao dos primeiros automóveis que aqui chegaram por volta da década de 1900, estes pela sua potência – ou falta dela – e os de hoje pela quantidade de veículos com os quais disputam o mesmo espaço nas ruas e avenidas. Para driblar o estresse, os transeuntes se utilizam de suas melhores escapatórias: leem, conversam, escutam música, dormem, pensam na vida... ou observam o cotidiano. Dentre os que observam, há os que criam. Tom Zé, por exemplo, em seu disco Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) (2000), criou o buzinório, um instrumento musical constituído por buzinas. O artista plástico Eduardo Srur, em uma de suas intervenções urbanas, organizou uma competição que comparava a velocidade de um carro de corrida com a de uma carruagem conduzida por ele mesmo e carregada por apenas um cavalo. Como resultado, obteve um empate técnico. O grafiteiro Mundano criou o projeto Pimp my Carroça, no qual grafita em carroças de catadores de lixo frases como “não buzine, agente ambiental trabalhando” ou “meu carro não polui”, buscando atenção e respeito a estes importantes trabalhadores, comumente tão subestimados. Há também outros tantos que se juntam a esses grandes nomes, como os artistas que fazem dos muros seu museu – e dos transeuntes, seu público – e os poetas anônimos que por meio de lambe-lambes distribuem suas poesias em muros, pontos de ônibus e postes. O Fuscazu foi concebido da mesma forma: a partir da observação do dia a dia dos pedestres e motoristas paulistanos. Nele, mostramos uma coletânea de olhares, pensamentos e sentimentos surgidos de situações cotidianas frequentemente banalizadas pela rotina no trânsito de São Paulo. Desfrute!


8- Ouvi alguém dizer 1- O menino na grade Ilustração Richard Rücker

2- Tchauzinho

5- Super Jovem Cidadão

4- Columba Livia

Quando você está numa Sempre que um idiota rua deserta, achando colava na traseira do que o máximo que pode carro da minha mãe, ela pedia para eu me levantar te acontecer é ser assaltado, ou sofrer do banco (eu aos sete anos de idade, sempre com estupro, ou ser torturado sono), olhar pela janela ou morto, você está muito enganado. Porque o e dar um “tchauzinho” pior dos seus inimigos para o dito motorista. está por toda a cidade, Nunca entendia o porquê até perguntar à minha mãe vigiando e esperando o e ela explicar que dessa momento oportuno para forma o motorista idiota atacar. Por todas as partes, porque na verdade perceberia que havia não é um, mas milhares: uma criança no carro As POMBAS. Talvez você e, talvez, por alguns minutos, ele deixaria de pense que são indefesas. Talvez pense que elas só ser idiota. sabem fazer cocô, ou que Texto Richard Rücker só estão ali para comer Ilustração Verônica a sujeira da calcada. Bertacchini Mas quando uma delas te encontrar andando sozinho, CUIDADO. Pode ser sua última ida à padaria. 3- Fomigas Às vezes, formigas aparentam ser extremamente estúpidas, principalmente em se tratando de escolher o melhor caminho para seguir. Vendo-as de cima podemos observálas fazer curvas desnecessárias, subir onde havia descidas, descer onde não há espaço e, sumariamente, gastar tempo com caminhos mais longos do que o óbvio. São Paulo gosta muito de formigar. Texto e Ilustração Richard Rücker

Relatos dizem que seu olhar profundo e malvado nos deixa petrificado e só os mais fortes conseguem enfrentá-las. Quando ela te olha, a câmera fica lenta e a música de velho oeste começa a tocar. Se isso acontecer com você um dia, prepare-se para o duelo. Tenha sempre a mão suas pistolas. Texto e Ilustração Verônica Bertacchini

Todo dia a mesma coisa, não consigo parar de pensar: afinal, quem é o jovem cidadão? O que ele faz? Não sei, só sei que faz eu me sentir muito mais segura. Ele é tipo um super-herói, ninguém sabe muito bem sobre sua vida, só se sabe que anda pelo metrô ajudando pessoas e que sempre é chamado na SSO. Ta aí outra dúvida minha, o que eles fazem tanto na SSO? Vejo uma cabine com vários botões e muito trabalho. Acho que é a central na qual tudo pode ser visto e controlado, o lugar em que o jovem cidadão pode ser chamado para resolver qualquer tipo de problema! Ninguém pode com ele. Agora as pessoas estão seguras e podem circular tranquilamente pelas estações. Nunca se viu tanta segurança nas linhas de metrô. Vejo paz, alegria e sorrisos nos rostos de crianças, adultos e idosos. Ah... esse é o jovem cidadão, cuidando das pessoas da cidade de São Paulo! É isso ou então é apenas um jovem de 18 anos no seu primeiro emprego, ganhando R$ 1,89/hora. Mas pensar assim acabaria com toda a minha alegria ao vê-lo. Texto Mariana Naomi Kubota Ilustração Richard Rücker

6- Mal-Educado Conversando no ônibus após uma noite cansativa, vejo que um vendedor ambulante entrou no transporte. Ele passa por entre os passageiros e deixa em seus colos doces com um bilhete que, presumo, contam uma história triste. Quando ele se aproxima de mim, digo com um gesto que não estou interessado no doce nem no bilhete. Nesse momento o homem se irrita e diz “não precisa ser mal-educado, é só pegar o bilhete”. Não faz sentido pegar o bilhete e o doce se não vou dar nenhuma esmola. Então, digo que não os quero e agradeço mesmo assim. Bufante, ele continua perambulando pelo corredor do ônibus. Quando decide descer em um ponto, grita “obrigado a todos...” – vira na minha direção e continua – “...que foram educados. Boa noite”. Texto Richard Rücker Ilustração Verônica Bertacchini

Perdi o meu ipod. Não ouço mais Kupek nas manhãs cinzas, nem Descendents em 7- Deus dias agitados e muito menos Quando criança, eu pegava Gorillaz nos fins de tarde. ônibus em um ponto perto Comecei a ouvir as músicas da escola. Infelizmente, abafadas que escapam o ônibus que se dirigia dos fones vagabundos das a minha casa não passava pessoas do metrô. Tem com certa frequência. E, forró, funk, sertanejo por graças do universo universitário... Ah, que era frequente acontecer saudades do meu ipod! de ver na distância, antes Mas algo de bom veio de eu chegar ao ponto, o nisso. Passei a ouvir a dito ônibus chegando, eu cidade, passei a ouvir as ainda não no ponto, ele pessoas. Observo melhor as indo embora, eu correndo, situações ao meu redor. frustrado por ter que Conversas alheias sobre esperar mais 40 minutos alguma mulher que é pelo próximo, universo realmente uma cachorra, a rindo da minha cara. barra da calça de outra Dado dia estava chegando que ficou curta ou sobre a perto do ponto quando doença de algum senhor. vi que meu querido nãoNuma noite, voltando tão-frequente ônibus para casa e pensando na estava chegando e corri vida, ouvi uma mulher desesperadamente para falando no celular e, por chegar a tempo. Muitas incrível que pareça, o pessoas estavam no ponto, que ela dizia fazia todo meio-dia. Enquanto corria, o sentido com o que eu o ônibus chegava cada estava pensando na hora. vez mais perto. Com tanta Foram os conselhos que gente ocupando a calçada, precisava ouvir. tive que andar na beirada. Naquela hora, eu não Eis que aconteceu. A precisava do meu ipod. calçada em más condições Texto Mariana Naomi quebrou, eu acabei por Kubota cair na rua e meu ônibus Ilustração Verônica chegou no ponto – e em Bertacchini mim. A roda parou a alguns centímetros da 9- Velha Louca minha cabeça. Levantei-me assustado, todos no ponto Idosa, pode passar na frente. Velha louca. olhando pálidos para mim, Senta sempre na frente, eu era um fantasma. Um até nas cadeiras que ficam gritou “Deus te salvou, de costas. Velha louca. agradeça a ele” – aham. Leva um saco preto nas Fiz rapidamente o sinal e costas, sempre. Velha entrei no ônibus. Afinal, Louca. Tem um odor forte eu não ia esperar mais 40 e nauseante. Velha louca. Fala com todos, mas minutos pelo próximo. ninguém fala com ela. Texto e Ilustração Velha Louca. Dorme nos Richard Rücker pontos. Velha louca. Nunca mais apareceu. Texto e Ilustração Richard Rücker

10- Passarinhos Ilustração Verônica Bertacchini

11- Cuspe

12- As pessoas que conheci Gosto de observar as pessoas enquanto caminho ou quando pego transportes públicos. Lembro de quando eu morava em São Bernardo e pegava trólebus diariamente. Conheci todos os pedintes: a tia do um real – ela não parava de falar até a pessoa dar um real a ela –, o cara de muletas – que pedia uma moeda ou uma casa na praia – e a ilustre velha louca. Também havia os amores platônicos, como o advogado – de segunda a sexta, 18h40 na plataforma – e o oriental de terno. Quando me mudei para São Paulo conheci outras pessoas, como a tia que tentava me vender chapéu toda manhã – fizesse chuva ou fizesse sol –, o tiozinho cego, a tiazona que pede esmolas em um pote vazio de paçoca e a mulher chinesa, que sempre está acompanhada de um cachorro que veste um suéter de humano. Agora, estagiando e saindo 8h20 de casa, raramente os vejo. Na rotina atual ainda não conheci muitas pessoas, mas sei que elas vão surgir mais cedo ou mais tarde. Houve grandes mudanças nesses últimos 4 anos. E pensar que todas essas pessoas “conhecidas” estão espalhadas por aí sem saber que eu dou apelido e invento histórias para cada uma delas.

“São Paulo é assim: se alguém cuspir no chão, o trânsito para”. Típica frase da minha mãe e de muitos outros paulistanos. Com a situação dos transportes em São Paulo, saturada como está, a cidade fica no limite todos os dias, e qualquer elemento extra pode levá-la ao caos. É o que ocorre constantemente com as chuvas paulistanas. Basta surgir nuvens negras no céu e o asfalto fica completamente cheio de carros estáticos. Buzinas achando que existe passagem, vidros embaçados e a eventual notícia de que há mais de 100 km de congestionamento na cidade, quem sabe chegando até ao próximo recorde. Mas não são só as ruas e avenidas que sofrem com essa situação. Chuva cai e a lata de sardinhas que é o metrô ganha muitos peixes novos, todos em conserva no ar abafado da umidade trazida pelas pessoas com cheiro de cachorro molhado e guarda-chuvas ensopados. Chega a ter dias que nem consigo ir a algum lugar, se ia sair não saio mais, se saio só volto depois de 5 horas do planejado, preso em uma das ilhas da península São Paulo. Um cuspe e todo o Texto Mariana Naomi sistema cai. Kubota Texto e Ilustração Ilustração Verônica Richard Rücker Bertacchini


13- Tapetada A brincadeira consiste em: 1 - Enrolar um tapete até formar um rolo; 2 - Segurar esse tapete como se fosse uma clava; 3 - Sentar-se na cadeira de passageiro de um carro; 4 - Enquanto o carro estiver em movimento, bater com o tapete nas pessoas que estão na calçada.

16- Hidra insustentavel Dentro de um ônibus lotado nunca é possível ver alguém por inteiro. Aquela pessoa é só um braço segurando uma haste sebenta, um rosto em perfil, uma mão flutuante segurando outra haste perto de um banco. Aquele, coitado, é só uma cabeça – outros, nem cabeça têm. No fim tudo parece ser um corpo disforme, muitas cabeças, muitos braços e poucas pernas. Hidra insustentável, não se contém, sempre jogando partes de si mesma a cada ponto. Texto e Ilustração Richard Rücker

25- A Carta 21- Ensopado

Não acredito que vim parar nessa situação, andando para casa, com Música é a salvação para água até as minhas coxas, esse ambiente hostil. debaixo dessa chuva Grunge me mantém são ao torrencial. Isso tudo longo de todos os dias porque queria chegar que teimo em passar mais cedo em casa para dentro de um trem. jogar algo no computador. Shoegaze protege minha E óbvio que chuva e Um amigo meu costumava anti-sociabilidade inundação não iriam “brincar” de tapetada quando caminho pelas me impedir. Cheguei no e, apesar de eu gostar calçadas paulistanas. ponto e vi o dito ônibus muito do cara, algo Britpop evita que eu à distância, mas ele me diz que esta não é morra asfixiado dentro dos estava parado, talvez uma brincadeira muito metrôs cheios de rostos com medo de ficar preso simpática. desconhecidos. Indie Rock na inundação. Motorista 17- Parada solicitada Texto e Ilustração faz as noites passadas em idiota, se eu, só com Richard Rücker um ônibus terem sentido. Fotografia Verônica minhas pernas, consegui Bertacchini Rock clássico entende passar pela água, você todas as tardes cansadas também pode passar. Agora 18Circo vermelho 14- Pixo encostado no vidro de estou a pé, cinquenta Respeitável público! um carro no banco de Fotografia Verônica minutos andando na água, Temos a honra de passageiro. Eu e meus Bertacchini provavelmente cheia de apresentar o fabuloso fones contra o Mundo. urina de rato e outras CIRCO VERMELHO! 15- Riminha sem vergonha Texto e Ilustração coisas que não quero nem Viemos dali e viemos de Richard Rücker O ônibus tá cheio saber; um ensopado de lá, donde a vida é mais E o motorista não liga pelo circo do que o circo dejetos. para o freio é pela vida. Texto Richard Rücker A velhinha ta de pé no Vejam todos, vejam todos! Ilustração Verônica meio da muvuca Para o seu Bertacchini E o jovem não ta nem aí, entretenimento, trazemos: é um filho da mula Os EQUILIBRISTAS Oh, meu Deus; oh, meu PINTADOS! Pintam-se com Deus, cadê meu celular? um grande sorriso que no fim do dia ainda não se Não devia ter deixado no apagou. bolso de trás Os MALABARISTAS MIRINS! O que é que é aquilo lá Com suas mãos ligeiras, atrás? driblam seus próprios Não consigo enxergar, pesinhos. Talvez seja coisa do 20- Tacos de bilhete A PEQUENA PIROFAGISTA Satanás CEGA! Tem olhos de Foto colagem Isabela Tô com o braço na barriga criança que não vê, mas Ruffino do cara da frente 22- O menino em cima do bem que enxerga. Começo a sentir algo lixo Todos juntos, pela vindo de baixo, crescente Ilustração Richard Rücker sua gentil atenção, Ainda não andamos nem uma agradecemos com uma estação pitada de alegria. Um idiota segurou as E ao sinal de luz portas do vagão vermelha nosso show vai Texto Mariana Naomi começar. Kubota Texto e Ilustração Verônica Bertacchini

19- Volume 83%

Minha família é consideravelmente 23- Qual a estação? adepta a carros. Meu avô tem vários jipes, Esse é fácil, tá de minha tia troca de uniforme, é estudante, deve estar no ensino médio carro todo ano, meu tio é caminhoneiro, meus e vai descer na Ana Rosa. primos participaram de Aquela de saia tulipa, rallies, um outro primo camisa e scarpin de salto tem uma transportadora e baixo deve ser secretária de algum escritório grande, a minha mãe trabalha para a Mercedez-Bens. Assim, vai descer na Paraiso. naturalmente, a partir Moderninha demais, vai descer na Consolação para dos meus catorze anos fazer compras na Augusta, começaram a cobrar de mim que aprendesse a dirigir. lógico! Como um bom adolescente, Terno e gravata, gerente eu era contra qualquer de algum desses bancos da coisa que minha família Paulista, Trianon-Masp. fosse a favor, porém, O de jeans, camisa polo, sempre respondi com calma tênis e envelope na mão é estagiário, metrô Clinicas que não tinha muitas intenções de tirar uma (e pelo jeito de acabado carteira de motorista. foi para a balada ontem). Fiz 16 e minha mãe Agora, o menino com a tentou me ensinar a mochila só pode descer dirigir. Embreagem. na... Ih! Minha estação Acelerador. Marcha. passou. Freio. Não fiz questão Texto Isabela Ruffino de entender. Continuei Ilustração Verônica dizendo, calmamente, que Bertacchini não queria tirar carta de motorista. E minha família começou a ficar impaciente: minhas tias bradavam que isso era um sinal óbvio de que eu era mimado demais e queria que outros me dessem carona – o que não fazia muito sentido, visto que eu sempre usei 24- Estampas banco de metrô, ônibus ou mesmo ônibus meus pés para chegar Ilustração Verônica onde queria. Mas existem Bertacchini conversas, principalmente as familiares, que são mais monólogos do que realmente diálogos. E então, a chuva de possíveis cenários em

que dirigir me seria útil começou a cair torrencialmente em meus ouvidos, algo próximo de uma lavagem cerebral produzida pela TV: “Mas e se sua mãe ficar doente? Quem vai levá-la ao hospital?”; “Para ir a uma festa não seria mais fácil você ir de carro?”; “Quando ingressar no mercado de trabalho, como você pretende ir para o seu emprego?”... Taxi. Ônibus. Ô-ni-bus! E durante um bom tempo não tive vontade alguma de explicar o real porquê de eu não querer aprender a dirigir, até que, após muitos anos respondendo calmamente que eu não queria dirigir, minha mãe tenta me convencer: “Pense na liberdade que você pode ter”. E, não muito calmamente, respondi: “Liberdade para fazer o quê? Liberdade para morrer em um dos milhares de acidentes que ocorrem nessa cidade?! Liberdade para gastar o pouco dinheiro que a minha família tem em uma carteira de motorista, em um carro, em gasolina, em seguro, em manutenção, em multas...?! Liberdade de me estressar com a irresponsabilidade de outros motoristas?! Liberdade de ser obrigado a fazer o que todos os outros fazem? Obrigado, realmente, muito obrigado! Mas não é do meu feitio ser livre”. Texto e Ilustração Richard Rücker

26- Pressa carro rua faixaverde placaponto não enxergo, não é esse, nem é esse... chegou sinalsobe não tem lugar pra sentar gentegentegentegente gente... desce carrua placonto faixerde... cheguei atrasado Texto e Ilustração Verônica Bertacchini

27- Era do fogo Civilizados sim, porém conheço poucos que não dão no mínimo uma espiadela, lentamente parando o trânsito, desejando ver talvez um pouco de sangue e toda a tragédia em metal retorcido que um acidente de carro bem feito pode proporcionar. Vinte e cinco minutos adicionados a uma viagem estúpida de carro até o mercado. Andem logo, pessoas idiotas. Homens da caverna, assombrados com o espetáculo das faíscas. Texto e Ilustração Richard Rücker


31- Tempo perdido

assaltante ficar nervoso, gritando, acreditando que estávamos rindo dele. Achei que era apenas mais Assim como uma um desses loucos, figuras considerável parte dos comuns na cidade. Abracei pedestres de Sampa, eu minha amiga e caminhei já fui assaltado – mais rapidamente até uma de uma vez. Porém, devo banca de jornal próxima. dizer que todas as vezes Depois, nos perguntamos se trataram mais de se isso foi realmente fracas tentativas do que um assalto, e nossos de atos bem-sucedidos. Sempre esperei um escroto questionamentos chegaram ao fim quando descobrimos escondido em algum lugar que esse mesmo rapaz que ninguém mais passa, foi preso 15 minutos apontando uma arma em depois, pego em flagrante minha direção e falando assaltando uma mulher nas “Passa a grana!”. Mas proximidades. todas as vezes havia outras pessoas à minha Trânsito Interrompido #2 volta e nunca sequer me apontaram uma arma. Reagi Fui encontrar com amigos em todas as vezes e não em um fliperama, local que tive nenhuma consequência minha mãe constantemente negativa. Me venderam me dizia ser perigoso. uma ideia errada sobre Eu sabia, mas fui tantas o que é um assalto, mas vezes ao lugar, me só me sobraram esses acostumei. assaltantes que não sabem Escutando música bem alto assaltar. Mesmo assim nos meus headphones, essas interrupções são no quase chegando ao mínimo um estorvo – além fliperama, senti um puxão de chocarem muito, afinal pela minha mochila. Virei ainda são assaltos (mesmo sorrindo, achando que que idiotas). É o que eu era algum amigo meu, mas ganho por querer andar me decepcionei ao ver um para tudo que é lugar. desconhecido falando algo É o que eu ganho por que eu não entendia por colocar o pé na calçada causa da música. Tirei dessa cidade. os fones e escutei “...Tô com uma arma, moleque!”. Trânsito Interrompido #1 Olhei para a mão dele, que estava dentro do Nem parecia assalto. bolso insinuando que Conversava com minha ele estava armado. “Me amiga quando um homem segue”. “Me larga”; surgiu dos canteiros de puxei o meu braço até uma praça próxima. Ele ele soltar. “Tô com uma se aproximou e ordenou faca, cara, melhor se me “encosta ae!”. Nesse seguir”. exato momento estávamos Contradição: arma ou rindo de uma piada faca? Se bem que uma aleatória, o que fez o 29 e 30- Trânsito Interrompido

Será que aconteceu alguma coisa? Problemas na linha 8h38 da manhã, estação do metrô? Estou muito Paraíso. atrasada? Esqueci o suco É incrível a quantidade fora da geladeira. de pessoas querendo ir A pessoa de trás tenta para uma mesma direção. se mexer para ficar em Já passaram dois outra posição mais metrôs lotados e ainda confortável, mas quem fica não consegui entrar. na pior sou eu. Baixinha Terceiro metrô, finalmente que sou, fico embaixo entrei. Próxima estação: de todas as axilas e Brigadeiro. na altura de todas as É mesmo incrível a mochilas. É sério que quantidade de pessoas ainda estamos na Paraíso? querendo ir para uma Não cabe mais ninguém, mesma direção. Já não parem de tentar entrar! se vê mais espaço vazio Hoje preciso ligar para entre elas. As portas o Roberto, tive uma não conseguem mais se ideia massa para o nosso fechar porque o vagão vídeo! Quem sabe hoje está lotado. Parece janto um parmegiana na que nunca mais vamos Fênix. Queria que fosse sair do lugar. Fecho os 16h agora. Queria estar olhos e finjo estar em dormindo, queria acordar outro lugar. Esqueço o só às dez da manhã, tomar aperto, esqueço o sono, banho e almoçar no Espaço esqueço o cansaço. Mas é 23. No almoço encontrar impossível, graças a uma por acaso a Isa e o bunda gorda suando perto Roberto, ir para a aula, do meu braço. Os fones falar besteiras a tarde caem dos meus ouvidos, deixando a situação muito toda com meus amigos e, finalmente, fazer um pior – estava tocando a minha música preferida do lanchinho na Fenix. Quem sabe a turma da noite Weezer. Não consigo nem não aparece hoje também? mover meus braços para Finalmente, as portas se colocá-los de volta. Oh, fecham. Próxima estação: que tortura! Brigadeiro. “1, 2, 3...” – começo a contar pra ver se consigo Texto Mariana Naomi Kubota acelerar o tempo, mas é Ilustração Verônica inútil. O calor no vagão Bertacchini começa a me sufocar. 28- Metro lotado

faca pode ser qualificada como uma arma branca... mesmo assim, achei que ele quis dizer arma de fogo e me arrisquei: “Vai tomar no cu, seu filho da puta, vai à merda!”, gritei enquanto mostrava o dedo do meio para ele e caminhava em direção a um estacionamento próximo para fugir. Ele ficou parado, acho que chocado por eu ter reagido. Ainda virei para trás uma última vez para vê-lo parado, cruzei meus braços em um gesto ofensivo na direção dele, e fui embora. Confesso que cerca de um minuto depois, quando a adrenalina passou, meu corpo tremia. Trânsito Interrompido #3

xingar uma arte. Trânsito Interrompido #4 Caminhava calmamente até o meu dentista. Recentemente fiz um checkup e descobri que tinha mais de treze cáries em meus dentes – canais, sisos completamente careados, coroas, e tudo mais que tinha direito. Por isso tenho feito o mesmo caminho diversas e diversas vezes. E foi nele que um dia, passando por debaixo da ponte, perto de uma revendedora de carros, vi de longe um rapaz caminhando em minha direção. Tentei desviar o olhar quando ele chegou perto, mas o menino chegou perto de mim e disse “e aê, colega”. Respondi “Hoje não”. Então, ele deixou claro que era um assalto com um “Isto é um assalto”. Falta de originalidade é uma merda. Disse que não ia dar nada não, nem arma o cara carregava, a única coisa intimidadora que ele tinha eram os movimentos de um viciado. Ele tentou me socar e desviei (os seis meses que fiz de boxe serviram para algo). Segurei o braço dele com força e torci, ele agachou e pediu que eu parasse por causa da dor. Soltei-o com um empurrão leve e continuei andando. Depois de uns trinta passos minhas mãos começaram a tremer e comecei a suar frio. Afe.

Saí do ônibus e fui em direção a minha casa, que ficava a dois blocos de distância do ponto, em uma subida. Vi dois caras falando com uma mulher, que rapidamente os ignorou e continuou andando. Eles olharam em minha direção e sorriram um para o outro. Chegaram perto de mim e um deles disse, vagarosamente, “boa noite”. Respondi “hoje não, cara.”. Me segurou pelo braço e pude sentir um cheiro forte de bebida. “Isso aqui é um assalto, fica quieto”. Me soltei rapidamente. “Vai a merda!”. Segui reto. Acho que preciso variar mais os meus xingamentos. Preciso pedir ajuda aos meus amigos cariocas, Texto e Ilustração eles fazem do ato de Richard Rücker

Mudei-me de São Bernardo do Campo para morar em São Paulo e ganhei cerca de 4 horas a mais no meu dia. Não preciso mais pegar ônibus, trólebus e metrô diariamente. Mas num lugar bem profundo – e apertado – do meu coração, devo dizer que sinto falta do tempo que passava na volta do trólebus. Observava as pessoas nas ruas, nos transportes, olhava as luzes da cidade e, de cima da avenida, chegando em São Bernardo, aquelas luzes de faróis amarelas e vermelhas dos carros que iam e voltavam. Passava muito tempo pensando. Pensava em tudo e ouvia música. E a primeira coisa que me veio a cabeça quando me dei conta de que não usaria mais transporte público foi: Onde vou pensar agora? Texto Mariana Naomi Kubota Ilustração Verônica Bertacchini 32- Não olhe

33- Estação Brigadeiro Costume meu, andar com a cabeça abaixada, olhando sorrateiramente para os lados, passos rápidos, apressados de irem embora. A cabeça abaixada para evitar que talvez você me veja – espero que isto nunca tenha acontecido ou venha a acontecer. O olhar sorrateiro para que talvez eu veja você, o que já ocorreu mais vezes do que eu admitiria. E, por fim, os passos apressados, fingindo que não fui visto e não vi; para que tudo continue como está. Texto Richard Rücker Ilustração Verônica Bertacchini

34- Chatiado SÃOPAULO SROPAULO SRÃPAULO SRÃPAILO SRÃNAILO TRÃNAITO TRANSITO TRÃNSITO THÃNSITO THÃNTITO CHANTITO CHAATITO CHAATIDO #CHATIADO

Dentre as diversas etiquetas do metrô está a de não olhar diretamente pra ninguém. Fico tentando procurar lugares neutros, como o chão ou a porta, mas meu pescoço dói muito. Sempre alguém entra na frente. Olho pro vidro, alguém aparece no reflexo e me olha de volta pela imagem refletida. Logo imagino: “essa Texto e Ilustração pessoa acha que estou Richard Rücker olhando pra ela pelo reflexo, merda!”. Olho em todas as direções. Tortura por vergonha. Texto e Ilustração Richard Rücker


36- Menos a mais Saí, bebi, cantei, pulei, Ter o transporte público na sua rotina é dancei. Corpo doendo, desconstrução. Você acaba distraído pelo excesso não se tornando,não sendo. de sono, respiração É só uma passagem, é inconstante. Momento de meio, não fim, e tem toda voltar pra casa pela minha atenção por 3 horas longa viagem metrôdiárias. Horas inúteis, busão. Nas catracas, o onde o metrô, o trem e o moço falou de novidade, ônibus devoram parte de greve das latas de mim. Sempre que os adentro sardinha, não posso mais mergulho nesse ambiente chegar em casa. Tenho abafado, desconfortável que perambular com sono e desagradável. Limbo. pela cidade. A pé, sol no Emergindo menos eu e mais rosto acabado, cansado nada. mais e mais. Casa de Texto e Ilustração amigos mais cansados, Richard Rücker atrapalhando descanso alheio. Esperando 37- Mendigo louco notícias de que o metrô Estes mendigos loucos são volte a funcionar. A assim porque moram na rua internet diz muitas ou moram na rua porque são coisas, a TV diz muitas loucos? outras, ninguém sabe São suas famílias que os abandonam ou perdem-se ao certo. São apenas 5 sozinhos? estações funcionando? Será que eles choram à A linha verde voltou a noite? funcionar? E a Sé, dá Será que eles tentaram para passar? E eu ainda para depois desistir? com sono. Como foram suas vidas Greves no transporte são antes de se acharem assim? sempre assim, alguns Texto e Ilustração acreditam e ficam em Verônica Bertacchini casa, outros sem fé vão 35- Greve de sono

41- Maneiras de... Maneiras de evitar dar esmolas aos mendigos

39- Conversa de ponto de ônibus Não sei do que esses motoristas tanto reclamam de estresse... Eles ficam lá no bem bom, sem aperto, ligam um sonzinho... e a gente tem que ficar aqui esperando, para depois sacudir tudo apertado dentro do ônibus e ainda tem que ficar cheirosa e bonita. Texto Isabela Ruffino Ilustração Verônica Bertacchini

40- Plataforma Perco muito tempo no transporte e, dado a esquisitices como sou, tenho uma brincadeira na coragem e se dão para passar o tempo. 38Bucolismo na Cidade mal, e muitos outros Na paisagem os prédios A Avenida República do até entendem que vai ter formam fases de jogo Líbano tem cheiro de greve, mas, mesmo assim, plataforma enquanto minha Avenida República do não é porque o transporte mente cria o personagem Líbano - e esse cheiro público parou que os que pula e desvia dos vem das árvores. Elas chefes não queiram que são as responsáveis por obstáculos criados com o seus empregados deixem de tornar a avenida mais constante movimento do trabalhar. O transporte tranquila, mais gostosa e transporte. Já joguei para, a cidade não. mais confortável. O vento diversos cenários, de Texto Richard Rücker sopra mais frio (daqueles dias azuis a literais que arrepiam a nuca um Ilustração Verônica fases d’água, até porpouquinho) e quando bate Bertacchini de-sóis cinematográficos, sol o chão fica com textura dignos do mais cult de renda. Se parar para western dos anos 70. escutar, dá até para ouvir Texto e Ilustração o sussurro das folhas. Richard Rücker Texto Verônica Bertacchini Ilustração Verônica Bertacchini e Isabela Ruffino

43- Da tempo

1: Ande na mesma velocidade que outra pessoa, deixando-a passar ao lado do mendigo. Assim, o mendigo só irá pedir esmola para ela;

Sinal de pedestre em vermelho piscante. Quatro filas para carros, cruzamento. Falei para o meu amigo “dá tempo!”. Corri, corri, não deu tempo, fiquei em meio a 2: Ande com fones de carros que começaram a ouvido. Mesmo que eles passar muito rápido por sejam bem vagabundos, mim. Desviei, desviei, finja que a música esta cheguei ao outro lado. muito alta e você não consegue ouvir o mendigo; Da calçada em que eu estava antes, um homem 3: Peça esmola ao mendigo idoso falava com meu antes que ele peça a amigo, que não se atreveu você; a atravessar. Depois de 4: Pergunte se ele aceita chegar onde eu estava, Visa Vale. ele me contou o que foi dito por aquele senhor: Maneiras de não dar “um dia o meu melhor assento aos idosos amigo também achou que dava tempo, mas não deu; 1. Finja que esta e hoje tempo não é mais dormindo; problema para ele”. 2. Fantasie-se de idoso; Texto e Ilustração 3. Diga que você tem uma Richard Rücker doença muito rara que faz com que você pareça muito jovem, mas na verdade é 44- Non duco ducor muito velhinho; Ilustração Verônica 4. Diga que está Bertacchini guardando lugar para a sua avó que já está chegando; 45- As placas 5. Diga que este é um Personagem caminhando na país livre. calçada observando as Texto Mariana Naomi placas dos carros que Kubota estão estacionados na rua Ilustração Richard Rücker e fica pensando: 42- Primeira vista Todo dia me apaixono por alguém no metrô. É rápido, mas juro que acontece, real como cinema, real como vontade, real como baladas de rock. E toda vez cada um vai pro seu lado. Me sinto um idiota. Texto Richard Rücker Ilustração Verônica Bertacchini

1- “Belém... nossa, essa veio de longe!” 2- “São Paulo mesmo..” 3- “Olha! Um carro da minha cid...” 4- Personagem dá de cara com uma placa de trânsito. Texto Isabela Ruffino Ilustração Verônica Bertacchini

46- Office boy Ele não teve culpa. Se gostava ou não do trabalho eu não sei, mas dormia pouco (e ganhava pouco também). Quando ele acordava me dava bom-dia, mesmo sem a mínima vontade de falar com alguém. Depois de um tempo ele começava a falar, acho que o problema era mais a barriga vazia do que o sono. Saía logo. E eu só o via de novo no fim do dia, quando já me achava exausta e a casa mais ou menos limpa. Era aí que ele tomava seu copinho de cachaça e vira e mexe reclamava do chefe. Bem de praxe, né? Eu nem escutava mais aquele papo, se você quer saber. Ficava meio assim por causa da bebedeira dele. O que eu sei é que ele era obrigado a fazer muita asneira que o chefe pedia. Aposto que não era por livre e espontânea vontade que ele corria a 120km/h. De jeito nenhum. A moto dele foi pro saco também. Só o que sobrou foi o capacete. Resistentes mesmo, esses capacetes. No dia em que ele não voltou pra casa quem tomou o copo de cachaça fui eu. Quem diria. Texto e Ilustração Verônica Bertacchini

47- O menino dentro do lixo Ilustração Richard


Fuscazu  
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