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Como Pegar Mulheres Sutilezas da vida social e sexual moderna Frederico Furst Bittencourt

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Sobre Frederico Furst Bittencourt O Fred bloga em Series of Cool Letters, vloga em A schizophrenic out for a walk, publica livros como este e uma letter.ly.

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Agradecimentos A todas mulheres que viram em mim algo que eu não conseguia ver. A todos os amigos que me viram mudar, e não projetaram o seu próprio medo em minhas ações. A meus pais e meu irmão. A você, leitor ou leitora.

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Prefácio O objetivo aqui é ignorar o que não importa e ir direto ao que interessa: pegar mulher. O ponto de vista de um homem sobre o que funciona e o que não funciona para viver uma vida em que os aspectos social e sexual não são mais uma preocupação, mas sim um tempero extra. Uma coleção de momentos que podem ser aproveitados sempre que a oportunidade se apresentar. Relacionamentos, amizades e sexo não são fontes de problemas e sofrimento, mas sim atividades divertidas e leves. Momentos a serem saboreados. Assim sendo, a leitura de cabo a rabo deste livro não é de forma alguma necessária, apesar de ser pertinente. Este livro nasceu de uma conjunção de idéias, como parece haver se tornado a norma na literatura atual. Minha motivação principal é bastante egoísta: dar ao Henrique, que agora começa a entrar na pré-adolescência, a possibilidade de construir sua vida conscientemente, em vez de estar ao sabor do vento, que sopra tanto a Norte quanto a Sul. A primeira reação de amigos quando anunciei que estava a escrever um livro sobre “pegá muié” foi um olhar de surpresa. A segunda costumava ser uma expressão de dúvida e desconfiança, como que querendo adivinhar qual é a “essência” dos “ensinamentos”, para que se possa logo concordar ou discordar do que vai ser dito. Portanto, entrego a “essência” sem mais delongas: independência e ação. Numa linguagem mais acessível: Como Pegar Mulheres ~ 4


ficar de boa mas fazer acontecer. A palavra essência tem o defeito de sintetizar algo que não se presta a tais simplificações. Tal como quando se estuda História, a síntese não serve de nada sem as nuanças e a multiplicidade de manifestações. Por isso as aspas. Ao invés de adotar uma escrita de defesa de opiniões, esta é uma escrita que supõe seu leitor. Não podendo se dar ao luxo de argumentar e contra-argumentar, as idéias e palavras são oferecidas sem garantia, autoridade ou discurso para defendê-las. O leitor não deve aceitá-las cegamente, mas sim aproveitar o que lhe for útil e interessante. O campo de atenção não funciona da mesma forma para todos, e o mais importante é testar as idéias que saltarem à percepção de cada um, e forçá-las do mundo mental para o mundo físico. Persistência não é opcional. Este livro não tem como foco uma audiência feminina, mas fiz questão que ele também fosse lido por meninas e mulheres. Muito do que se encontra aqui fala simplesmente do universo dos relacionamentos sob um ponto de vista masculino, algo que várias mulheres podem achar bastante interessante.

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Introdução O mundo é um lugar estranho, mas não é o mundo que define o que somos? O primeiro olhar sobre si mesmo acontece na infância, e para ele há um nome técnico inventado por psicólogos. Esse primeiro olhar, que é um momento fantástico, jamais poderia ser explicado. Cada criança então aprende seu nome. Um problema que o ser humano enfrenta é esse engano básico: “se eu sei o nome, então sei o que é, e sei quem eu sou”. Um nome é simplesmente um rótulo ou um símbolo que aponta para uma realidade. A palavra cadeira não é uma cadeira. Um livro se escreve com palavras. Palavras podem ser muito potentes, mas isso é apenas secundário. O que mais importa é aquilo que as palavras indicam, e o que se pode fazer com aquilo que é indicado. A pergunta a se fazer a cada palavra é a seguinte: esta palavra me potencializa ou me enfraquece? Porém o engano mais fundamental é aquele que se originou com o primeiro olhar que cada pequeno ser humano jogou sobre si mesmo. Esse primeiro olhar acontece no momento em que uma imagem no espelho passa a ser “eu”, e “eu” tenho um nome. No decorrer deste livro, esse “eu” adquirido vai ser chamado de ego. O ego é um amontoado de pensamentos, como tantos outros que temos todos os dias, mas o ego é especialmente importante quando o assunto é ter sucesso com mulheres. Para o masculino, o ego é a Como Pegar Mulheres ~ 6


maior barreira para o sucesso com mulheres. Uma das coisas mais importantes a se entender sobre mulheres é a seguinte: se você acha que não a merece, ela não vai ficar com você. O impulso que o ego tem de encontrar alguma razão ou culpado externo para isso é muito forte. Algumas das mais comuns: • • • • • • • • • • •

“Não tenho carro” “Não tenho dinheiro” “Sou feio” “Sou velho demais” “Sou novo demais” “Sou baixinho” “Não sou bom de papo” “Tenho pinto pequeno” “Tenho as costas cabeludas” “Tenho barriga” “Sou gordo”

Encontrar um bode expiatório externo pode ser bom como um alívio psicológico temporário, mas ao longo do tempo esse alívio temporário se transforma em um hábito cujas conseqüências são invariavelmente negativas. Pais fazem isso o tempo todo com seus filhos, por exemplo, dizendo: “árvore boba!” O problema é que utilizar este alívio psicológico temporário tende a se transformar em um comportamento automático. Ao menor sinal de problema, o primeiro passo é encontrar um motivo para colocar a culpa fora do ego. Um mecanismo para proteger o ego. Não trata-se de negar ou destruir o ego, mas sim de entender o que o ego é. Mais importante que entender o ego – ou como ele Como Pegar Mulheres ~ 7


funciona – é entender como navegar com o ego na direção das mulheres. Pegar mulher não é algo cujo objetivo é engrandecer o ego de meninos e homens por aí, e mulheres não se sentem bem ao serem tratadas como um troféu cujo objetivo é inchar o ego alheio. Mulheres sentem e expressam a falta de homens de verdade constantemente, e este livro é também uma resposta a estes apelos. Sessenta anos atrás cada homem deveria cumprir o papel de machão inabalável que mantinha uma esposa e filhos em casa e uma amante escondida em um apartamento obscuro. Há algumas décadas o machão deixou de ser suficiente, e surgiram homens menos babacas e mais dispostos a uma relação mais igualitária. Os anos 60 vieram. Hoje pode-se ver os problemas destes modos de relacionamento desde uma perspectiva melhor informada. O problema principal do machão é que ele só se importa consigo mesmo, ou seja, ele é um babaca. O problema do homem igualitário dos anos 60 é que ele não tem polaridade sexual, ou seja, ele é um frouxo. O problema não é a igualdade, mas sim a perda de polaridade. A terceira alternativa é um homem que, como o machão, sente uma atração irresistível pelo feminino, mas que, como o homem igualitário, sabe que o prazer da sua mulher é tão ou mais importante que o seu próprio. A atração entre o masculino e o feminino é algo que não faz parte do ego. Ainda assim, o ego tenta se apoderar do impulso sexual, e isso cria paixonites. O ego escolhe uma pessoa cujas características ele considera aceitável e transforma aquela pessoa em um objeto de desejo. O desejo sexual não é pessoal, e vai se manifestar em várias situações, mesmo que as pessoas estejam em Como Pegar Mulheres ~ 8


um relacionamento monogâmico. A jogada do ego é fazer parecer que somente aquela pessoa (que vai invariavelmente ser colocada em um pedestal) pode satisfazer seus caprichos. Exemplos comerciais de como essas paixonites são criadas e mantidas são Justin Bieber, Backstreet Boys, Spice Girls e tantos outros. Mesmo em relacionamentos entre dois homens ou duas mulheres, existe polarização para que haja atração. Todo ser humano tem acesso a ambas polaridades, mas para que haja atração um dos parceiros atua como masculino e o outro como feminino. O machão prefere ignorar seu lado feminino. O homem igualitário desenvolveu seu lado feminino. A terceira alternativa é desenvolver seu lado feminino, mas entender que atração e inspiração sexuais existem na polaridade entre masculino e feminino. Quanto ao sistema capitalista, ele reconhece o ego e tenta se posicionar como o possuidor da pílula mágica. A pílula mágica é simplesmente uma fórmula de propaganda em que um produto promete ser a solução de todos seus problemas. Muito embora isso seja óbvio nos emails que vendem Viagra e Cialis, o mesmo se aplica a propagandas de tênis, carros ou até mesmo políticos. O terreno no mundo ocidental é mais fértil para esse tipo de abuso da sexualidade, talvez por conta dos séculos de repressão da Igreja em uma sociedade patriarcal. Até hoje, em pleno ano de 2010 do Nosso Senhor, o rapaz que tem várias moças é bem-visto, mas a moça que tem vários rapazes publicamente é mal-vista. Estas pequenas bobagens a que todos acabamos nos acostumando não são nenhuma espécie de conspiração, apesar de às vezes realmente se parecerem com uma. De fato, elas parecem vir de Como Pegar Mulheres ~ 9


todos os lados: um comentário de uma professora, uma risadinha desagradável de um colega, um sermão na Igreja que parece se dirigir somente a moças. O mundo parece agir em consonância, como se não houvesse outra forma de se tratar daquilo. É o chamado condicionamento social. Talvez por isso seja tão importante mudar o mundo em que se vive, isto é, viajar. Quando se vive em um pequeno vilarejo de 200 pessoas, é muito difícil mudar sua perspectiva de mundo. Felizmente, estamos no ano do Senhor de 2010, e viajar é possível, seguro e bem menos caro do que parece. Viajar muda não só a visão de mundo do viajante, mas também o transforma. Os reality shows da atualidade são apenas mais uma moda, mas há um exemplo de algo fantástico em uma das primeiras temporadas de Real Life MTV. Dentre os malhadões e as gostosonas havia um garoto do interior que, pela primeira vez, iria morar fora de sua cidade natal. Ele havia escrito um monólogo, e não se destacou muito no reality show. No entanto, no fim do programa ele retornou a sua cidade e representou seu monólogo. Seu comentário mais marcante foi (referindo-se a sua cidade natal): tudo aquilo parecia tão grande, importante e ameaçador... mas é só uma cidadezinha. O difícil é perceber que sofrimento é quase sempre auto-imposto, e não uma realidade. Além disso, ainda há outra barreira entre a percepção e a implementação, porque a primeira percepção que se tem é a do erro. Perceber o próprio erro é dolorido, mas não é motivo para cair no erro novamente. Quando o assunto é sexo, é mais fácil perceber que os erros são mais numerosos que os acertos. O primeiro é a importância Como Pegar Mulheres ~ 10


excessiva que esta atividade tão pequena acaba recebendo. Um segundo erro, e talvez mais fundamental, é o quanto o sexo influencia a forma como cada pessoa enxerga a si mesma e ao outro. Sexo é uma agradável atividade física e íntima normalmente feita a dois, e que não deveria ter o poder de definir a identidade de um ser humano. Ainda assim, é comum que pessoas se definam em termos sexuais. Fato simples: um sujeito que condena mulheres por fazerem sexo no primeiro encontro dificilmente vai ter chances de fazer sexo no primeiro encontro, mesmo que ele queira muito. Além disso, o rapaz que condena uma mulher por ter feito algo que ele também teria feito é simplesmente ignorante. Mais comum, mas igualmente insalubre, é o hábito que algumas pessoas têm de se definir em termos de suas relações: “eu sou um homem casado”, “eu preciso de um namorado”. As relações não são o problema, mas identificar-se com uma relação é. Relações normalmente passam por altos e baixos, apesar das pessoas nelas envolvidas continuarem as mesmas. Reconhecer relações amorosas como algo insalubre é mais fácil nos pontos baixos, porque estes costumam ser acompanhados por brigas, choradeira, depressão e todos os problemas de que os apaixonados sofrem. No entanto, mesmo nos pontos altos não há uma certa obsessão doentia com o ser amado? O mito do amor romântico faz parte da história do mundo moderno, e o capitalismo nunca deixou de aproveitar mais esta isca. Como se fosse um botão instalado nas costas de cada cidadão, somente esperando para ser pressionado. Enfim... Um livro sobre como pegar mulher. Tomar as atitudes necessárias para não ter que se preocupar mais Como Pegar Mulheres ~ 11


com isso. Mudar as crenças que não servem mais, e cuidar das crenças que potencializam. Viver em um mundo de namoros e casamentos, mas sem precisar acreditar tanto nestas muletas. Conectar-se com suas emoções sem chafurdar em dramalhão. Viver uma vida mais suave.

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Conhece-te a ti mesmo [ficar de boa] O primeiro passo para pegar mulher é estar de bem consigo mesmo. Mas o que é necessário para se estar de bem consigo mesmo? Revistas de amenidades – tais como Capricho, Marie Claire e tantas outras – costumam ter testes de personalidade. Não é disso que se trata aqui. Em Clube da Luta, o personagem Tyler Durden afirma em um discurso que: vocês não são seus empregos, vocês não são sua conta bancária, vocês não são suas calças de marca. De onde vem a identidade que cada pessoa carrega consigo? Ela vem de pequenas coisas que parecem dizer tudo sobre o que uma pessoa é, como em um perfil do Orkut ou do Facebook. Tímido ou extrovertido? Aventureiro ou medroso? Gosta de rock ou de axé? Essas pequenas escolhas são feitas quase que inconscientemente, e muitas vezes são feitas por outra pessoa em vez daquela a quem a escolha se refere. Por exemplo, o time de futebol para o qual você torce. A escolha de muitos garotos muito provavelmente foi feita por seus pais, mas esse exemplo bobo pode se repetir em situações Como Pegar Mulheres ~ 13


muito mais sérias. Em vez de escolher um time de futebol, os pais podem, inconscientemente ou não, determinar qual vai ser a profissão que seu filho seguirá, e a criança adota aquela escolha como se fosse dela. A título de exemplo, imagine um garoto que descobre aos 15 anos de idade que precisa de óculos. Ele já se acostumou a ser um dos valentões briguentos do bairro, e sabe que usar óculos vai atrapalhar sua imagem. Mesmo que ele não enxergue nada, ele prefere esconder seus óculos a maior parte do tempo. Espera-se que ele os use pelo menos durante suas aulas. Sua imagem de valentão tão arduamente cultivada tem óbvias vantagens e desvantagens. Ser popular com as moças e botar medo nos outros garotos são vantagens óbvias. Não poder usar óculos e achar que escola não é importante são desvantagens menos óbvias, especialmente do ponto de vista do próprio garoto que acredita estar no topo por ser um dos valentões. Perceber estas identificações estúpidas em outras pessoas é mais fácil que em si mesmo. O olhar para si mesmo implica uma capacidade de olhar sem rotular, e – mais importante – de perceber que há uma identificação. Identificação é um ato em que alguém tenta colar-se a alguma idéia ou conceito mental. No caso do garoto do exemplo anterior, a identificação é o que ele decide fazer a cada momento, tomando atitudes que ele acredita que um valentão tomaria. Nenhum ser humano é um “aluno”, por exemplo. Mas em algum momento de sua vida quase todo mundo já se tornou um aluno, sentou quieto e copiou do quadro negro. O único critério para decidir quais identificações são boas ou ruins é o resultado a que elas podem levar. Luiz Alberto Mendes descreveu brilhantemente Como Pegar Mulheres ~ 14


em seu Memórias de Um Sobrevivente o processo que o levou a se identificar como um criminoso. “Eu sou malandro” é uma identidade muito pesada de se carregar. Como regra simples: se é algo que pode ser explicado em palavras, não é você, mas você está se identificando com isso. Mas, se eu não sou nada disso, o que ou quem sou eu? Vários bons filmes tomaram a temática da vida como sonho ou vida como ilusão. Inception e Waking Life falam da vida como um sonho. The Matrix parte da premissa de que a grande maioria das pessoas vive em um mundo de fantasia, e toma vários temas emprestados de simbologias religiosas. Em Inception, há um jogo de velocidades: em sonhos mais profundos o tempo passa mais devagar. Em Waking Life, o sonhador passeia de sonho em sonho e começa a achar que nunca mais vai acordar. Em The Matrix, o mundo em que a maioria da população vive é um mundo de fazde-conta criado por computadores. Sob o ponto de vista de um homem e de pegar mulher, 99% do mundo é uma ilusão construída de pequenos eventos que deixaram uma marca mental duradoura. The Matrix tem um personagem principal que tem o poder de modificar o mundo ilusório a seu bel-prazer. O mundo ilusório – a “Matrix” social metafórica – em que se vive hoje também pode ser manipulada por qualquer pessoa consciente de sua existência. O único obstáculo para a obtenção dessa consciência é o ego, que prefere estar aprisionado em uma jaula imaginária, porque se sente mais seguro. O ego precisa de passado e futuro para manter-se estável. O ego quer se tornar alguém importante, legal, que tem dinheiro e que Como Pegar Mulheres ~ 15


venceu na vida, e o ego se agarra fortemente a acontecimentos marcantes do passado. O ego que existe em cada pessoa vai argumentar, brigar, espernear e racionalizar de todas as formas possĂ­veis para evitar o momento presente, o agora.

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