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Boas Prรกticas de Green Business & Investment


Ficha Técnica

Guia de Boas Práticas de Green Business and Investment Fundo de Maneio – Consultoria, Recursos Humanos e Investimentos, Lda. Rua Bento José Morais, n.º 23 – 1.º Norte Esquerdo 9500-772 Ponta Delgada www.fundodemaneio.com

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto NaTOUReza, ACORES-01-0247-FEDER-00004, cofinanciado

pelo

AÇORES

2020.

Disponível

www.fundodemaneio.com/natoureza.

2

para

download

gratuito

em


Boas Práticas Green Business Índice ÍNDICE

3

APRESENTAÇÃO

5

TURISMO SUSTENTÁVEL 2030

7

1. CRESCIMENTO ECONÓMICO SUSTENTÁVEL

11

2. INCLUSÃO SOCIAL, EMPREGO E REDUÇÃO DA POBREZA

15

3. EFICIÊNCIA DE RECURSOS, PROTEÇÃO AMBIENTAL E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

19

4. VALORES CULTURAIS, DIVERSIDADE E PATRIMÓNIO

25

5. ENTENDIMENTO MÚTUO, PAZ E SEGURANÇA

29

\ 3


Boas Prรกticas Green Business

4


Boas Práticas Green Business Apresentação Há alguns anos, perspetivando a evolução do setor do

Paralelamente, 2017 foi proclamado como o Ano

turismo na Região Autónoma dos Açores, a FUNDO DE

Internacional do Turismo Sustentável pelas Nações

MANEIO

Unidas, reforçando a importância deste setor na

iniciou

um

projeto

de

Investigação

e

Desenvolvimento em contexto empresarial. O projeto

prossecução

NaTOUReza foi implementado com o foco de reforçar e

Sustentável 2030. Na sequência do trabalho realizado

consolidar a competitividade da empresa através do

durante aquele ano, a Organização Mundial do Turismo

incremento

questões

(UNWTO) publicou em 2018 o manual “Tourism for

relacionadas com o desenvolvimento turístico sustentável

Development “, repartido em dois volumes “Volume I -

de negócios, empresas e destinos de natureza e aventura.

Key areas for Action” e “Volume II - Success Stories”. Estes

Este guia de Boas Práticas de Green Business &

documentos apresentaram uma nova visão do trabalho a

Investment

projeto,

realizar para atingir o turismo sustentável, incluindo

posicionando-se como um instrumento de trabalho para

orientações específicas para governantes, empresas e

os vários stakeholders do setor.

comunidades locais.

do

é

know-how

um

dos

interno

outputs

nas

desse

dos

Objetivos

de

Desenvolvimento

Inicialmente, o documento foi idealizado para focar

O guia Boas Práticas de Green Business & Investment

apenas a atividade de animação turística, dada a sua

foi fundamentalmente inspirado nesta publicação da

relação direta e diária com os ativos naturais da Região.

UNWTO, refletindo uma transposição das orientações ao

Contudo, com o decorrer do projeto, na sequência de

setor empresarial para a realidade regional. É, assim, um

contactos e interações com variadíssimos intervenientes

instrumento para orientar os atuais e os potenciais

do setor do turismo, tanto dos Açores como do exterior,

investidores privados do turismo, demonstrando, de

ganhou-se

da

forma simples, os princípios que devem estar subjacentes

necessidade de conceber o documento o mais abrangente

a práticas sustentáveis neste setor. Numa fase de grande

possível, favorecendo uma base conceptual extensível a

crescimento da atividade turística dos Açores é

todas as atividades da cadeia de valor. Este é, também, o

fundamental ter em atenção as principais ameaças das

reconhecimento dos desafios e das limitações que todos

diferentes etapas do ciclo de vida de um destino,

os stakeholders do setor enfrentam diariamente num

conforme explanadas por Buhalis (1999). O papel deste

contexto onde necessitam estimular a sua própria

documento é exatamente procurar que se evitem

capacidade competitiva e, em simultâneo, contribuir para

algumas decisões nefastas ou, pelo menos, que se

o desenvolvimento sustentável do destino. Repare-se que

mitiguem alguns efeitos perniciosos decorrentes do

o conceito de turismo sustentável, embora já seja

crescimento do turismo na Região. É um instrumento de

debatido há vários anos, ainda permanece, muitas vezes,

trabalho para os gestores e para os investidores, mas

difuso e de difícil compreensão, chegando a ser

também serve de matriz orientadora a decisores e a

interpretado como contraditório ao desenvolvimento

consultores. Internamente, será, sem dúvida, uma

empresarial.

ferramenta muito importante para o trabalho diário da

uma

consciencialização

crescente

\ 5


Boas Práticas Green Business equipa da FUNDO DE MANEIO, servindo para adequar as

in Sustainable Nature and Adventure-based Tourism in

práticas de consultoria e de aconselhamento às empresas

Coral Triangle” (2iis Consulting, 2017) e “Tourism and

do setor. São recorrentes as questões debatidas em torno

Visitor Management in Protected Areas” (Leung et al.,

deste tema, tanto com investidores estrangeiros como

2018). O objetivo foi também identificar e apresentar

com investidores locais, os quais reconhecem a

boas práticas internacionais que possam servir de casos

importância da sustentabilidade para o posicionamento,

inspiradores e exemplificativos para os stakeholders

para a marca e para a própria experiência turística nos

regionais.

Açores.

O documento, vocacionado essencialmente para uma

Para além da inspiração fundamental decorrente das

visão empresarial, contém uma apresentação inicial do

mais recentes guidelines da UNWTO, o trabalho foi

conceito de turismo sustentável, à qual se seguem cinco

também complementado com: orientações do World

divisões de recomendações, estruturadas segundo os

Wildlife Fund (WWF); boas práticas da International Union

pilares definidos pela UNWTO. Cada uma destas divisões

for Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN);

incorpora, também, um caso de estudo concreto. No final

princípios do Global Sustainable Tourisim Council (GSTC);

do documento, estão listados documentos considerados

e outros documentos orientadores da própria UNWTO.

como relevantes para uma mais detalhada compreensão

Destaquem-se, por exemplo, os documentos “Towards

do tema do turismo sustentável na perspetiva das

Sustainable Tourism Investment” (WWF, 2009), “Investing

empresas e dos investidores.

6


Boas Práticas Green Business TURISMO SUSTENTÁVEL 2030 A UNWTO definiu 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável até 2030.

O Turismo Sustentável está no centro dessas metas e diretamente mencionado em três dos objetivos (8, 12 e 14).

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Boas Práticas Green Business

Respeito pela

Benefícios económicos de

autenticidade e

longo prazo distribuídos

diversidade sociocultural

equitativamente

Conservação da Natureza e otimização da utilização dos recursos ambientais

Conciliar as necessidades e Salvaguardar o presente e

limitações do destino com os

garantir o futuro

desejos dos turistas e viajantes

Responsabilização e

Competitividade e

Qualidade e excelência

exigência crescente

atratividade de destinos

da experiência

Tendência com influência direta nas decisões das novas gerações de viajantes

8


Boas Práticas Green Business Os Açores têm um grande compromisso com a sustentabilidade…

… várias iniciativas

públicas e privadas…

… medidas de gestão e de proteção do território…

23 Áreas de Preservação Especial 15 Áreas de Proteção Especial 2 Locais de Importância Comunitária 12 sítios de proteção do

ambiente marinho 13 sítios Reservas da Biosfera (Graciosa, Flores, Corvo)

(zonas húmidas)

Património Mundial (Terceira e Pico)

… e um amplo reconhecimento internacional. 2nd Best Islands in the World for Sustainable Tourism

Best Atlantic 2013*

Destination

2014-2016 2017 +30 zonas balneares

2018

\ 9


Boas Prรกticas Green Business

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Boas Práticas Green Business 1. CRESCIMENTO ECONÓMICO SUSTENTÁVEL O turismo é um dos setores mais importantes na economia. As empresas deste setor devem assumir essa importância e estimular o desenvolvimento local, distribuindo riqueza, criando emprego, inovando, investindo e induzindo efeitos multiplicadores.

Estimular a criação de parcerias e relações comerciais com produtores locais, adquirindo produtos de origem local (ex.: hortícolas) e estimulando atividades tradicionais (ex.: artesanato).

Reforçar as ligações com setores tradicionais, como a agricultura e a pesca, para criar novas experiências turísticas, sinergias ou relações comerciais.

Investir em práticas inovadoras e novas tecnologias para aumentar a eficiência de processos e de consumo de recursos, bem como para responder às tendências do mercado e promover decisões baseadas em evidências e informação (ex.: big data).

Facilitar a transferência de tecnologia e de conhecimento para agentes e parceiros locais.

11


Boas Práticas Green Business

Desenvolver uma abordagem de marketing e um branding que valorize as práticas sustentáveis e permita a criação de valor para a marca com base nessa premissa.

Seguir a legislação em vigor, de forma cuidada, estimulando, se necessário, o seu aprimoramento.

Melhorar as competências técnicas do staff, incluindo em hospitalidade, tecnologias, marketing, higiene, segurança e ambiente.

Criar oportunidades para que os locais possam ocupar cargos de elevado valor na estrutura empresarial.

Consolidar o turismo doméstico para mitigar os efeitos de potenciais reduções nas chegadas internacionais.

12


Boas Práticas Green Business Desenvolver

soluções

para

salvaguardar

os

direitos

dos

consumidores, manter padrões de qualidade e garantir a competitividade do negócio.

Diversificar as atividades e os produtos oferecidos aos visitantes, quer em termos da sua tipologia como do local onde ocorrem, permitindo maior diversidade à oferta e contribuindo, simultaneamente, para a redução da pressão turística sobre locais e atrações.

Explorar práticas, segmentos de mercado e modelos de negócio que atenuem a sazonalidade.

Reinvestir em atividades e novos negócios na comunidade local.

Evitar a canalização da riqueza gerada para outros locais, países ou regiões, favorecendo a aquisição de produtos locais, o recrutamento local e o reinvestimento na comunidade local.

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Boas Práticas Green Business Case Study Empresas

Azooree A Azooree é uma startup sedeada na ilha de São Jorge, autodefinindo-se como agência de viagens. Desde a sua génese que se posicionado como uma empresa próxima do povo local e que proporciona experiências autênticas, alternativas aos produtos turísticos cuja oferta está mais generalizada. Na sua missão, apresenta-se como uma empresa que existe não só para oferecer viagens inesquecíveis, mas também para contribuir diretamente e indiretamente para a melhoria da vida daqueles que habitam as ilhas dos Açores durante todo o ano. No seu portfolio de produtos, surgem várias iniciativas inéditas, que levam os turistas a experienciar, de forma muito personalizada, vivências genuínas (ex.: plantar uma árvore) e locais marcantes para a identidade regional. Pequenas comunidades, habitantes locais e pequenos negócios tradicionais são privilegiados, permitindo uma criação de valor biunívoca, quer para o turista quer para estes stakeholders locais. Este modelo de operação permite impulsionar o efeito multiplicador da atividade turística e propagar a criação de valor no destino, em particular junto da base económica local.

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Boas Práticas Green Business 2. Inclusão Social, Emprego e Redução da Pobreza O crescimento proporcionado pelo turismo deve ser acompanhado de oportunidades com base no conceito de equidade, protegendo cada comunidade. A proteção social e a redução da pobreza devem ser preocupações centrais na qualificação do destino.

Promover a criação de oportunidades de emprego para os locais.

Oferecer condições de trabalho adequadas e um bom ambiente de trabalho, com estímulos à retenção, à formação contínua, à progressão e à satisfação dos colaboradores.

Atribuir

aos

colaboradores

tempo

livre

remunerado

para

frequentarem ações de formação com o intuito de melhorarem as suas competências profissionais.

Assegurar a igualdade de género para oportunidades de emprego, progressão, formação e condições salariais.

15


Boas Práticas Green Business

Implementar políticas de apoio à parentalidade, incluindo flexibilidade de horários para apoio à família e a crianças.

Subscrever um código de conduta e ética, por exemplo o Código Mundial de Ética do Turismo da UNWTO.

Incorporar na política de responsabilidade social empresarial a proteção de jovens e crianças.

Adotar práticas inclusivas e desenvolver experiências acessíveis para pessoas com necessidades especiais (permanentes ou temporárias).

Facilitar a participação de colaboradores e/ou da comunidade local em processos de tomada de decisão que possam ter impactos nas suas vidas.

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Boas Práticas Green Business

Apoiar e/ou investir e/ou estabelecer parcerias em iniciativas da comunidade local.

Case Study Inclusão

Cresaçor – Azores For All Em 2005, a Cresaçor tornou-se pioneira na implementação e promoção de uma oferta de turismo social e inclusivo nos Açores. Em 2014 criou a marca Azores for All, que é a face visível de um projeto de prestação de informação, serviços e atividades adaptadas e amigas do ambiente a residentes e a turistas com ou sem necessidades especiais. Entre os seus objetivos inclui-se a superação das barreiras físicas e comunicacionais para potenciar a acessibilidade e a promoção do acesso a atividades de turismo e lazer a pessoas com necessidades especiais e/ou em risco de exclusão social. Este projeto meritório tem vindo a ganhar importância e já proporcionou experiências a mais de 20.000 clientes, figurando como uma das histórias de sucesso na página All for All, do Turismo de Portugal. A Cresaçor, por via deste projeto, foi também selecionada, pela Vodafone Portugal, Accessible Portugal e Turismo de Portugal, para operacionalizar nos Açores a primeira Plataforma Ibérica de Turismo Acessível (TUR4All). Baseando a sua operação em princípios de acessibilidade universal, a Cresaçor é membro da ENAT European Network for Accessible Tourism, entidade estabelecida com o apoio da Comissão Europeia.

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Boas Prรกticas Green Business

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Boas Práticas Green Business 3. Eficiência de Recursos, Proteção Ambiental e Alterações Climáticas A atividade turística depende muito da natureza. Não obstante, produz, também, muitos impactos ambientais nefastos, exigindo a responsabilização e o compromisso pela minimização desses efeitos, de acordo com óticas de curto e de longo prazo.

Liderar processos de redução do consumo de recursos naturais, como a água, recorrendo, eventualmente, a novas tecnologias.

Reduzir o consumo de energia, principalmente de fonte não renovável, bem como a emissão de gases com efeito de estufa e a produção de resíduos.

Monitorizar a pegada ecológica de negócios e empreendimentos.

Educar e sensibilizar os colaboradores, os fornecedores, os clientes e a comunidade local para uma maior consciencialização face às boas práticas de proteção ambiental e consumo de recursos.

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Boas Práticas Green Business

Promover ações informativas sobre a natureza e a biodiversidade, bem como sobre as suas características específicas, dirigidas a colaboradores, fornecedores, clientes e comunidade local.

Utilizar materiais orgânicos, sem químicos tóxicos, em todas as etapas de desenvolvimento do negócio.

Apresentar padrões elevados de produção e gestão sustentável, levando os viajantes a exigir pelo menos o mesmo de outros negócios.

Promover boas práticas de gestão de resíduos, com base na política dos “3 R”: reduzir; reutilizar; reciclar.

Cumprir escrupulosamente a legislação ambiental.

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Boas Práticas Green Business

Implementar sistemas de gestão ambiental, eventualmente certificados.

Evitar ou, no limite, minimizar impactes no ambiente em resultado das atividades económicas exploradas.

Respeitar e defender ativamente os princípios de proteção, conservação e preservação da natureza.

Participar em ações de proteção e conservação ambiental (ex.: ações de limpeza de praias, plantação de árvores).

Adotar um papel proativo de informação e pressão sobre as entidades governativas, alertando para situações não conformes ou necessidades de intervenção operacional ou legislativa.

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Boas Práticas Green Business

Respeitar as regras de fruição dos espaços naturais e ecossistemas frágeis, em particular de zonas protegidas, nomeadamente no que diz respeito a acessos, atividades e capacidade de carga.

Implementar iniciativas de adaptação às novas condições climáticas (ex.: regulação da temperatura; aproveitamento e águas pluviais; produção de energia renovável, etc.).

Estabelecer governativos,

parcerias

com

organizações

outras não

empresas,

governamentais

organismos e

com

a

comunidade local para aprimorar práticas empresariais e a intervenção em meios naturais.

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Boas Práticas Green Business Case Study Inclusão

Futurismo A Futurismo é atualmente, porventura, a maior empresa de turismo ativo dos Açores, incorporando atividades económicas de operador turístico e de animação turística. Começou a sua atividade em 1990, disponibilizando a atividade de whale watching, como forma de converter a caça à baleia tradicional açoriana [que terminou em 1987] numa atividade mais sustentável. Através desta forma de atuar, a empresa acredita que é assim possível desfrutar destes animais no seu próprio habitat natural, ou seja, o mar, bem como preservar a memória das antigas tradições baleeiras açorianas. A Futurismo cresceu significativamente deste a sua entrada no mercado e atualmente desenvolve diversas iniciativas de promoção da sustentabilidade ambiental e turística, onde se incluem ações educativas nas suas experiências turísticas. Destaca-se, também, a participação na WCA - World Cetacean Alliace, uma aliança internacional dedicada à conservação e proteção dos cetáceos e dos seus habitats naturais para assegurar a sua boa saúde e sobrevivência, que define critérios de observação e de comportamento perante estes animais. A Futurismo contribui, ainda, significativamente para a investigação e ciência, procedendo a registos específicos (técnicos e fotográficos) sobre o avistamento de espécies e compartilhando-os com universidades e cientistas.

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Boas Prรกticas Green Business

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Boas Práticas Green Business 4. Valores Culturais, Diversidade e Património O contacto e a compreensão de outras realidades culturais é um dos grandes motivos para viajar. Num mundo globalizado, é fundamental preservar a diferença cultural e, ao mesmo tempo, fomentar o encontro entre culturas de forma inovadora e inclusiva.

Promover uma relação estreita com todos os stakeholders da cadeia de valor, nomeadamente a comunidade local.

Consultar os líderes locais relativamente à possibilidade de conflitos entre a cultura local e as atividades, eventos, iniciativas, etc., que se pretendem desenvolver.

Adequar as práticas comerciais aos costumes, tradições e valores locais.

Respeitar a capacidade de carga de locais culturais.

25


Boas Práticas Green Business

Respeitar regras, valores, rituais e códigos de conduta de locais culturais, religiosos e com significado especial para a comunidade local.

Evitar a aculturação e a menorização da cultura local.

Investir e contribuir para a conservação do património cultural local.

Promover a formação dos colaboradores e a educação dos clientes sobre a cultura local e formas de a respeitar e interpretar.

Facilitar a partilha de conhecimento e de dados entre o setor turístico e o setor cultural, de modo a agilizar boas práticas e formas de adaptação aos padrões de visitação.

26


Boas Práticas Green Business

Estimular e formar a comunidade local para desenvolver produtos e serviços turísticos e de valorização cultural, incluindo guias, contadores

de

histórias,

produtos

artesanais,

experiências

gastronómicas, etc.

Evitar a replicação de práticas culturais ou de produtos locais, sem o devido consentimento da comunidade local, a correta preparação e o respeito pelas práticas tradicionais.

Estimular as artes tradicionais (ex.: música, dança, pinturas, vestuário, etc.).

Desenvolver experiências genuínas e diversificadas, se possível com base em sítios icónicos e com elementos da comunidade local, bem como promovendo produtos tradicionais (incluindo rotas temáticas, restaurantes especializados, visita a unidades produtivas e centros artesanais, etc.).

Apoiar o desenvolvimento de iniciativas artísticas e criativas que se relacionem com a identidade cultural da comunidade local.

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Boas Práticas Green Business Case Study Património

Ilha a Pé Ilha a Pé é uma das mais interessantes e diferenciadoras iniciativas no setor turístico dos Açores nos últimos anos. Perante a definição da Grande Rota de Santa Maria, um grupo de empreendedores procedeu à reconversão de quatro antigos palheiros em abrigos para dar apoio a todos aqueles que procuram percorrer este trilho na totalidade (cerca de 78 km). Com o foco nos amantes de hiking e trekking, esta solução permite uma experiência única para a estadia, pernoita e descanso, posicionando-se no segmento de turismo de aventura e sustentável. Para além de agilizar a componente de estadia, os promotores do projeto pretenderam, também, potenciar a interação dos viajantes com a população locais e dar a conhecer um pouco da cultura, das tradições e dos costumes das comunidades recetoras. Os palheiros reconvertidos mantiveram a sua traça original e foram recuperados através de métodos tradicionais e com materiais ecológicos, exteriorizando o espírito mariense. A localização estratégica dos quatro abrigos está definida de modo a favorecer uma experiência de, no mínimo, cinco dias na ilha, o que permite uma maior estada média e um melhor conhecimento da comunidade local. A preservação de património através de uma reconversão original é uma das grandes

mais-valias

desta

simultaneamente a cultural local.

28

iniciativa,

valorizando,


Boas Práticas Green Business 5. Entendimento Mútuo, Paz e Segurança O grande desenvolvimento do turismo foi possibilitado pela existência de paz e segurança. O turismo moderno é um símbolo da reconciliação entre povos, de tolerância e respeito pela diferença, que deve zelar pela hospitalidade acolhedora.

Adotar um comportamento responsável, ético e de envolvimento das comunidades locais nos processos de tomada de decisão.

Desenvolver experiências turísticas que contenham o contacto com nativos, de forma espontânea ou organizada, envolvendo níveis significativos de interação, envolvimento mútuo em atividades (ex.: ida ao mercado tradicional) e uma interpretação adequada de comportamentos e dessas interações.

Realizar visitas interpretativas a locais históricos, relacionados com conflitos ou paz, que tenham influenciado de forma crítica a cultural e o progresso do destino.

Promover e valorizar experiências genuínas de turismo religioso, espiritual ou baseado na fé.

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Boas Práticas Green Business

Estimular a cidadania global e o pluralismo cultural, através de uma abordagem educativa, de compreensão, aceitação e respeito mútuos.

Participar em iniciativas de educação e qualificação da população, sensibilizando para a importância do turismo, da tolerância e da segurança.

Adequar o ritmo de investimento e de desenvolvimento dos negócios ao estado de maturidade do destino, de modo a não despoletar conflitos latentes ou a destabilizar equilíbrios sociais frágeis.

Desenvolver e encorajar iniciativas de intercâmbio cultural dentro da organização, de modo a que os colaboradores possam conhecer outras pessoas e outras realidades.

Implementar sistemas de segurança adequados ao contexto social, que garantam a proteção de turistas e que respeitem a comunidade local.

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Boas Práticas Green Business

Adotar uma relação de parceria e cooperação com as entidades locais, nomeadamente forças de segurança e vigilância, agilizando trocas de informação, preparação de planos de contingência e realização de formações e simulacros conjuntos.

Case Study Partilha

Wal & Talk Azores – Festival de Artes Começou em 2011 e atualmente é uma das mais relevantes e reconhecidas iniciativas de produção artística e cultural dos Açores. O Walk & Talk é um festival anual de artes que tem cimentando a projeção internacional em virtude da abordagem multicultural, integradora e de aproximação entre a comunidade local e os migrantes. Tem ganho, assim, um papel de atrativo turístico, nomeadamente no segmento do turismo criativo, assumindo um caráter experimental e participativo, que motiva a criação de objetos inéditos em diálogo com o território e as especificidades socioculturais da região dos Açores. A natureza cosmopolita e inovadora desta iniciativa assume a ambição de envolver comunidades de todo o mundo, criando um ambiente favorável ao intercâmbio e à cocriação de conteúdos universais, gerados a partir dos Açores para serem partilhados com o mundo. O festival abrange um campo alargado de artes, estimulando uma abordagem integrada da arte, dança, performance, teatro, arquitetura, design, cinema e música. A valorização da criação humana, desde a componente criativa até à dimensão emocional, promove o pluralismo cultural, o entendimento mútuo, a aceitação e a tolerância que valoriza a vivência turística.

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