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Cartilha Matriz

Insumo-Produto Belo Horizonte, 2020


Você sabe como acontece a produção do que você consome? Sabe como as pessoas e as empresas se organizam para produzirem e venderem seus produtos e serviços? Imagine o mercado de automóveis. Você sabe a origem da sua produção? O que é necessário para se produzir um automóvel? A partir de sua produção, ainda é necessário transporte até onde ele é vendido. Você sabe quanto isso representa no custo total de produção desse automóvel? Afinal, não basta produzi-lo. É preciso levá-lo até onde ele é vendido. E os impostos? Quanto, afinal, foi pago para produzir e colocar esses automóveis à venda? Onde e por quem foram comprados? E a remuneração dos trabalhadores, empresários, fabricantes de peças, acessórios etc. envolvidos nesse processo? 1


E os impostos? Quanto, afinal, foi pago para produzir e colocar esses automóveis à venda? Onde e por quem foram comprados? E a remuneração dos trabalhadores, empresários, fabricantes de peças, acessórios e outros envolvidos nesse processo?

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Essas e outras informações são sistematizadas numa tabela chamada Tabela de Recursos e Usos (TRU). Como o próprio nome sugere, ela apresenta tanto a produção (recursos) quanto o consumo (usos) de um produto ou serviço. Ela pode, todavia, ser utilizada para representar toda a cadeia produtiva da economia. No caso do nosso exemplo, toda a cadeia produtiva de um automóvel.

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A TRU apresenta, portanto, os fluxos de oferta e demanda dos bens e serviços transacionados na economia. Na TRU apresentam-se, de um lado, os recursos utilizados no processo de produção e, do outro, os usos que tiveram tais recursos. Recursos e usos se equiparam em valor, ou seja, todos os bens e serviços produzidos e ofertados na economia são, em contrapartida, colocados à disposição para serem demandados e consumidos.

recursos

usos

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RECURSOS

Os recursos representam a origem da oferta total disponível de bens e serviços na economia e têm dois componentes: produção a preços de mercado e importações.

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1) Produção Constitui toda a produção local de bens e serviços. O valor da produção a preços de mercado significa a produção com o preço final oferecido para os consumidores. Dito de outra maneira, além do custo gasto com a produção, inclui a soma das margens de comercialização e de transporte e os impostos sobre a produção, mas desconta os subsídios (quando houver). Subsídios são estímulos oferecidos pelos governos para reduzir os custos para o produtor. Desse modo, os automóveis produzidos nas fábricas locais e também os importados fazem parte dos recursos/oferta. O preço pago pelo consumidor final inclui os custos da produção, o transporte até as concessionárias e os serviços de comercialização entre a indústria e o atacadista e dele para o varejo. E os impostos, é claro.

Produção a preços básicos

+

Margem do comércio/transporte e impostos sobre produtos

=

Produção a preços de mercado 6


2) Importações

Representam os bens/produtos adquiridos do exterior e complementam a oferta total de bens. No caso da TRU por estados, as compras de outros estados também são consideradas importações .

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Usos

A contrapartida dos recursos (tudo que ĂŠ ofertado) sĂŁo os usos. Eles

representam

a

demanda

total

da

economia, ou seja, o destino dos bens e serviços ofertados. Fazem parte dos usos: a demanda final e o consumo intermediårio.

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No caso dos automóveis ofertados, a contrapartida em usos pode ser o consumo pelo governo, pelas famílias ou pelas organizações sem fins lucrativos; pode ser a exportação

ou,

ainda,

pode

representar

um

investimento (Formação Bruta de Capital - FBC, como será explicado à frente) se utilizado em uma atividade para a geração de outros bens e serviços, como nos serviços de transporte e distribuição, por exemplo.

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1) A demanda final é composta: A) Consumo de bens e serviços das famílias, dos governos e das instituições sem fins lucrativos a serviço das famílias (ISFL). As instituições sem fins lucrativos são aquelas que aplicam todos os seus lucros na própria instituição e têm como objetivo realizar mudanças sociais. Assim, o consumo das famílias pode ser, por exemplo, a compra de eletrodomésticos, alimentos, roupas etc. O consumo do governo pode ser a compra medicamentos, papel, entre outros. As ISFL compram serviços de segurança, serviços de saúde etc.

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B) Exportações ou bens vendidos para o exterior. No caso da TRU, a venda do que um estado produz para outros estados também é considerada exportação.

C) Formação bruta de capital (FBC): é o valor destinado pelas empresas a aumentar os bens de capital (como máquinas e equipamentos, por exemplo, também chamada formação bruta de capital fixo (FBCF) e a variação de estoque. A variação de estoque pode ser positiva ou negativa. Quando a variação de estoque é positiva, significa que parte da produção gerada no período não foi consumida; quando essa variação é negativa, consumiu-se mais do que foi produzido naquele período, e é necessário utilizar um estoque pré-existente para atender a essa demanda. A FBC é também chamada de investimento.

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2) Consumo Intermediário (CI) Refere-se à parte da produção de bens e serviços utilizada por outras atividades como insumo em sua própria produção. Exemplo: peças utilizadas na produção de automóveis são consideradas itens de consumo intermediário para a produção final do automóvel.

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A TRU também torna disponíveis os valores dos demais custos envolvidos na produção para cada atividade. São eles: remuneração do trabalho, excedente operacional bruto e rendimento misto bruto.

1) Remuneração do trabalho: inclui salários e contribuições sociais (efetivas e imputadas). • Salários e ordenados são recebidos em contrapartida ao trabalho. • Contribuições sociais efetivas são os pagamentos realizados pelo empregador em nome de seus empregados aos institutos oficiais de previdência e às previdências privadas. • Contribuições sociais imputadas são pagamentos aos empregados, ex-empregados ou dependentes para garantir benefícios além daqueles ligados diretamente à previdência social (previdência oficial, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), previdência privada). 2) Excedente operacional bruto (EOB) é a remuneração do capital das empresas.; eEm outras palavras, pode ser considerado o lucro das empresas. 3) Rendimento misto (RM) é a remuneração recebida pelos trabalhadores autônomos na qual é impossível separar a parcela relativa ao trabalho (salário) da relativa ao lucro (capital). 13


você sabe o que é o PIB?

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por uma localidade (município, estado, país) durante um período (geralmente um ano).

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E COMO O PIB É CALCULADO? Por meio da TRU é possível calcular o PIB de três formas diferentes: Oferta Despesa Renda

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E COMO O PIB É CALCULADO?

1) Sob a ótica da oferta, o PIB tem como base a produção de bens e serviços de todas as atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços).

O PIB equivale ao valor adicionado da produção mais impostos menos subsídios.

Por sua vez, o valor adicionado resulta do valor da produção (VP) dessas atividades menos o consumo intermediário (CI). 16


Vejamos cada indicador

• No caso do PIB total, o valor da produção correspondente a toda a produção local da agropecuária, da indústria e dos serviços. • O consumo intermediário é o valor de todos os insumos utilizados na produção local. No exemplo da produção de automóveis, as autopeças fazem parte dos insumos. Outro exemplo bastante utilizado é a produção de pão. A farinha de trigo é um ingrediente muito importante nesse processo produtivo. Por ser um ingrediente/insumo utilizado para a produção de um produto final, neste caso, o pão, é classificada como um consumo intermediário nesse processo produtivo. • O VA resulta do VP menos o CI.

Representa o valor efetivamente agregado à produção. O valor das autopeças, por exemplo, já foi incluído no valor do automóvel. O mesmo ocorre para valor do trigo, já incluído no valor do pão. Haveria dupla contagem caso o valor desses insumos fosse mantido no valor final da produção.

E COMO O PIB É CALCULADO?

Os impostos sobre a produção representam custos e são incluídos no PIB. Como mostrado anteriormente, por um lado, acrescentam-se os impostos ao VA; por outro lado, devem ser excluídos os subsídios, que correspondem a incentivos fiscais ou auxílios financeiros à produção concedidos pelo governo e que, portanto, reduzem os custos da produção.

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E COMO O PIB É CALCULADO?

2) Sob a ótica da despesa, o cálculo do PIB corresponde à demanda/utilização dos bens e serviços e tem por componentes:

Investimentos ou formação

Consumo do governo, das famílias e das IFSF.

bruta de capital (FBC). Neste caso, as máquinas e os equipamentos destinados à produção, à construção de infraestrutura e até os

Exportações menos as importações.

estoques que poderão ser utilizados no futuro.

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E COMO O PIB É CALCULADO? Remuneração dos empregados

3) Sob a ótica da renda, o PIB consiste na repartição da renda entre capital e trabalho para cada atividade. Equivalem aos rendimentos dos fatores de produção utilizados no processo produtivo, inclusive os impostos líquidos de subsídios sobre a produção e importação.

Rendimento misto bruto.

Excedente operacional bruto.

Impostos sobre a produção e importação menos os subsídios destinados à produção e à importação.

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A Matriz Insumo-Produto Você sabia que é possível medir as relações de compra e venda entre os setores? Para isso, utiliza-se a Matriz Insumo-Produto (MIP). Ela retrata os fluxos de bens e serviços entre os setores de uma economia. Ela é construída a partir das informações de fluxos entre os setores disponibilizados pela Tabela de Recursos e Usos, a TRU, explicada na seção anterior.

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Para chegar à matriz insumo-produto, a TRU passa por um processo de transformação matemática que torna possível captar as relações técnicas de produção entre os setores produtivos da economia .

A MIP permite responder às seguintes perguntas:

• Quais os setores mais

• Quais as cadeias

• Quais os setores com

afetados em caso de

produtivas locais de

maior capacidade de

mudanças

determinado produto ou

geração de crescimento

econômicas?

segmento de atividade

econômico?

econômica? 21


A MIP permite identificar a interdependência e interação entre os diferentes setores produtivos da economia. Algumas atividades estabelecem relações de compra e venda com muitos outros setores. Outras podem se relacionar apenas com um grupo menor. Seja direta ou indiretamente, os efeitos de um setor podem repercutir em toda a cadeia produtiva de forma mais ou menos intensas.

A cadeia produtiva consiste em etapas consecutivas. Ao longo delas, os insumos sofrem transformação até chegarem a um produto final (bem ou serviço) 22

e sua colocação no mercado.


Como funcionam as cadeias produtivas?

Bem, no exemplo da produção de automóveis, os principais insumos são as autopeças. Como demandantes, as montadoras estabelecem ligação direta de aquisição com os fabricantes de autopeças para então produzir automóveis. A produção de autopeças é setor ofertante nessa cadeia.

Para mais detalhes sobre o processo de transformação, veja o relatório metodológico da TRU e MIP de Minas Gerais. 23


Na cadeia da produção siderúrgica, são necessários insumos que vêm do setor da mineração para produzir, por exemplo, o aço. Nesse caso, a siderurgia é demandante de minério de ferro para produzir seus produtos. Por outro lado, ao vender produtos para a construção civil, aços longos por exemplo, a siderurgia é a ofertante e mantém relações diretas com a construção civil. As atividades que ofertam bens e serviços para a mineração ou que os demandam da construção civil formam elos indiretos com a siderurgia. Assim, a partir da matriz insumo-produto, pode-se visualizar como esses pares de setores atuam para que a demanda final de um seja atendida pela produção do outro.

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Para que se possa medir os níveis de interligação setorial, são desenvolvidas medidas sintéticas da força de ligação entre os setores (elos) da economia, ou seja, entre os setores que, direta ou indiretamente, participam da produção de um setor específico.

Os índices de interligação para trás (efeitos a montante) mostram o quanto um setor demanda dos outros com os quais ele apresenta algum tipo de conexão. No exemplo anterior, quando a construção civil demanda insumos da siderurgia e ela, por sua vez, demanda outros insumos (por exemplo, mineração), é possível calcular o quão fortes são tais elos a partir da construção civil em 25

relação ao resto da economia.


Os índices de interligação para frente (efeitos a jusante) apontam o quanto esse mesmo setor é demandado pelos demais. No exemplo dado, a produção siderúrgica é demandada pela construção civil e, consequentemente, pelo comércio e por outros setores. Assim, calcula-se a força de tais elos a partir do resto da economia em relação à siderurgia.

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Os setores com potencial de estimular a economia são chamados setores-chave, uma vez que possuem as ligações mais fortes (maiores efeitos multiplicadores e/ou encadeamentos) para frente e para trás. Esses são setores que se destacam e têm maior peso e influência na atividade econômica de alguma região específica podem ser vistos como determinantes para impulsionar a atividade econômica da referida localidade. Um potencial expressivo de utilização da Matriz Insumo-Produto é o de se entender e caracterizar melhor tanto as políticas públicas e de investimento quanto a capacidade de atratividade do setor privado para determinada atividade e localidade.

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Cartilha que explica o funcionamento da matriz insumo produto

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