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AS REGRAS E AS ASSEMBLEIAS NA ESCOLA: POSSIBILIDADES DE REFLEXÃO E O DESENVOLVIMENTO DA AUTORREGULAÇÃO Soraia Campos


INTERAÇÃO COM ADULTOS E PARES COMPREENSÃO – NECESSIDADE DAS REGRAS E VALORES

APRENDER SOBRE AS REGRAS E VALORES

APRENDER A CONVIVER


ADULTOS DESENVOLVIMENTO DA MORALIDADE

QUALIDADE DAS INTERAÇÕES SOCIAIS

PARES


REGRAS: POSSIBILIDADES DE REFLEXÃO


PARA PENSAR... Quais as regras que tínhamos na escola? O que elas “regulavam”? Todos as cumpriam? Alguém questionava alguma delas?


REGRAS • São formulações verbais precisas e claras, que nos dizem exatamente COMO AGIR. Finalidade – regular a convivência. • São mapas – indicam claramente o caminho

PRINCÍPIOS • São o espírito das regras, não se referem a como agir e sim, em nome DO QUE AGIR. • São bússolas – orientam o caminho


No que acreditamos? MORAL – simples interiorização de modelos impostos - leva à relação social de coerção. OU MORAL - construção do sujeito. Há duas morais e possibilidade de evolução. Relação social é a cooperação.


Para refletir... Pensem nas regras existentes na escola. O que elas favorecem????

HETERONOMIA

AUTONOMIA


Reflexão e análise de regras escolares Filme: Regras da vida As regras: são convencionais ou morais? são negociáveis ou não negociáveis? já vêm com a sanção prevista? propiciam um ambiente democrático ou autocrático na escola?


CONVENCIONAIS

• NORMAS OBRIGATÓRIAS PARA UM GRUPO • NÃO SÃO UNIVERSALIZÁVEIS (CONVENÇÃO SOCIAL)

• PRINCÍPIOS MORAIS

MORAIS

• UNIVERSALMENTE DESEJÁVEIS


As regras não-negociáveis ◦ Boa saúde ◦ Bom estudo ◦ Boa convivência social

DIZEM RESPEITO A NÃO CAUSAR DANOS A SI MESMO OU AOS OUTROS


De acordo com Vinha (2003, p.254) (...) A escola deve possuir princípios gerais (não negociáveis) que servirão de parâmetro para a elaboração de regras.

PRINCÍPIOS SÃO

FLEXIBILIDADE

EXPLICADOS, PORÉM NUNCA DEBATIDOS


A regra não pode ferir a lei Binômio: liberdade e responsabilidade Quanto mais liberdade, maior a responsabilidade! Exemplo: fumar na escola, 200 dias letivos. Exemplo: A liberdade de combinar, dar opção - vale enquanto ele demonstra responsabilidade. Liberdade implica escolha: fazer uma coisa em detrimento de outra.


Regra para evitar conflitos oNem sempre tem que virar regra Exemplo dos cards– proibição – o problema não está nos cards, mas no jogar e brincar durante a aula - de trocar o estudo pela brincadeira em momento inadequado – “legislar (discutir) os cards e não proibir”.


As regras nĂŁo devem se referir ao bem-estar de uma minoria, mas sim de uma maioria.

oEvitar regras de respeito unilateral Exemplo: obedecer o professor, respeitar o funcionĂĄrio.


Excesso de regras: “as pessoas fazem regras para não terem que tomar decisões”.


Responsabilidade sempre do aluno – isenta o professor de qualquer revisão – não precisa pensar. Quanto mais regras menos autonomia - Quanto menor a criança, mais específica deve ser a regra.


QUANDO A REGRA FOR DESRESPEITADA... Ser firme, direto e breve

Limitação às ações, e não aos sentimentos

Autoridade, não insulto

Não se deixar levar numa discussão


SANÇÕES ➢Sanção expiatória Caracteriza-se pelo sofrimento imposto ao infrator, sem que haja uma relação entre o castigo e a falta cometida. A desobediência a norma acarreta a punição, o castigo, o sofrimento cujo objetivo é expiar o corpo. ➢Sanção por reciprocidade

Caracteriza-se por possuir uma relação naturalmente lógica entre o ato e a sanção.


Uma sanção: reparação e reiteração da justiça ➢O que quer dizer ser justo? ◦ Para os pequenos: ser justo é punir um culpado ou premiar um ato correto justiça retributiva. ◦ Para os maiores: ideia de igualdade ou equidade no tratamento. - justiça distributiva. ◦ Adultos que pensam como crianças. As sanções derivam da justiça retributiva – porque indicam uma “correção”. Mas a sua aplicação DEVE permitir o desenvolvimento, e portanto, permitir a igualdade ou a equidade.


PORTANTO, SANÇÃO POR RECIPROCIDADE NÃO É BRANDA! Dar ao sujeito todas as oportunidades de reconstruir e reparar. Em algumas situações será necessário interditar o sujeito, já que várias formas já foram tentadas. Menino que agride:

➢1ª conversa; 2ª exclusão temporária; 3ª exclusão definitiva – NÃO PARA QUIETO ➢4ª Interdito: Agora não tem mais jeito. Chegar a suspensão... Necessidade de ver o ato repreensível. É preciso garantir que esse menino tenha essa aprendizagem.


Uma nova forma de se pensar a construção das regras... Quem deve criá-las? Quando? A partir de uma NECESSIDADE Ela é estática e imutável?


Toda discussão vira norma? Devemos combinar a sanção ? Tudo é negociável?


Algumas diretrizes para a condução de discussões de estabelecimento de regras (DeVries e Zan, 1998) 1. Evite a palavra regra logo de início – podem associar apenas às proibições do adulto. 2. Conduza as discussões e o estabelecimento de regras como uma resposta a uma necessidade ou problema específico – apresentar o problema e buscar soluções. 3. Guie os alunos para as regras sem “nãos”- pensar em coisas que podem

fazer.


4. Não dite as regras para os alunos – o professor pode dizer o que percebeu e indagar o que podem fazer a respeito.

5. Cultive a atitude de que as regras podem ser mudadas.

6. Responder com persuasão quando sugerem regras inaceitáveis e explicar o motivo de ser rejeitada.


Enfim, é preciso: Refletir sobre o princípio que rege a regra (valores morais) Criá-las ou repensá-las sempre a partir de uma necessidade Elaboração de regras negociáveis e reflexão das inegociáveis


Uma possibilidade de reflexão sobre as regras na escola...

ASSEMBLEIA

AVANÇOS

AVALIAÇÕES


• REGRAS MORAIS

DIFERENCIAR

ANALISAR

• PRINCÍPIOS

• SITUAÇÕES E REGRAS

REFLETIR

• VALIDADE • PERTINÊNCIA COMPREENDER


REGRAS

QUERER AGIR

SABER AGIR

COERÊNCIA

PRÍNCIPIOS

AUTORREGULAÇÃO


CONVÍVIO SOCIAL

REGRAS

ESCOLA VALORES

REFLEXÃO


ASSEMBLEIAS: DESENVOLVIMENTO DA AUTORREGULAÇÃO


O QUE SÃO AFINAL AS ASSEMBLEIAS?

MOMENTO ESCOLAR ORGANIZADO PARA QUE OS MEMBROS DA ESCOLA POSSAM FALAR, COM O OBJETIVO DE MELHORAR A CONVIVÊNCIA. Puig (2000)


Assuntos: bem-estar de todos Solução de problemas cotidianos

Pensar em conjunto sobre as ocorrências Refletir sobre o porquê da regra e os princípios Reafirmar o Projeto Político Pedagógico


Tipos de assembleias de classe (quinzenais) de nĂ­vel ou segmento (mensais) de escola

(mensais ou bimestrais)

de docentes

(mensais ou bimestrais)


A implantação PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO ✓ESTUDO PRÉVIO; ✓ESCOLHA DO ESPAÇO ✓ESCOLA DOS ALUNOS COORDENADORES;

✓ORGANIZAÇÃO DA PAUTA; ✓ATA;


AO DISCUTIR COM OS ALUNOS... CAUSAS

SOLUÇÕES

VERIFICAR (PRINCÍPIOS)

ANALISAR


ASSEMBLEIA DE CLASSE ◦ É um momento escolar organizado para que os membros da escola possam falar de tudo que lhes pareça pertinente para melhorar a convivência e o trabalho escolar.

◦ As assembleias são o momento institucional da palavra e do diálogo. Momento em que o coletivo se reúne para refletir, tomar consciência de si mesmo e transformar o que seus membros consideram oportuno, de forma a melhorar os trabalhos e a convivência. (PUIG et al, 2000)


◦ Temáticas envolvendo o espaço específico de cada sala de aula.

◦ Periodicidade - sugestão: encontros semanais de 50’ – Fund I ou quinzenais de 100’ - Fund II e Médio (incluir previamente no horário).

◦ Condução

adulta:

professor-conselheiro,

coordenador da assembleia.

orientador,

tutor,


Na assembleia... ◦ É oportunidade para que os professores conheçam melhor seus alunos.

◦É

colocar em atividade a democracia e validar o respeito mútuo

como princípio norteador das relações interpessoais.


Para quê? ➢Solucionar problemas do cotidiano;

➢Reafirmar os princípios do PPP;

➢Oportunizar participação dos alunos na tomada de decisões.


Possibilita ações voltadas para: ➢

o diálogo;

o direito à fala;

a reflexão sobre diferentes questões;

a elaboração de propostas;

o respeito à diversidade de opiniões.


Os Desafios: ➢Formação em círculo. ➢O exercício da fala e da escuta. ➢Encaminhamento das questões para serem resolvidas. ➢Evitar atribuição de juízo de valor.

➢Receber críticas dos alunos e refletir sobre elas.


Sistematizar a reflexão sobre o que é uma assembleia, como organizar, etc. Trabalhar com

Respeitar a periodicidade combinada –

os alunos os

IMPORTANTE

sentimentos de quem é

Incluir no

exposto.

calendário NÃO agendar assembleia somente

quando tem algum problema para resolver com o grupo


Temas

Relacionadas ao convívio escolar (limpeza, ruídos, organização do espaço, alimentos da cantina, livros da biblioteca...) Relações Interpessoais (assédio, brigas, bullying...)

Temas Negociável Negociável

Particular

Não se negocia o que não é passível de ser modificado, o que não significa que não se deva conversar sobre eles num momento de apropriação racional.

Não se levam para as assembleias problemas muito particulares ou que já tenham sido discutidos, analisados e acordados.


PAUTA ➢

É construída coletivamente durante a semana.

➢ Qualquer

membro

da

comunidade

escolar

pode

apresentar

sugestão de temas para a pauta. ➢ Na primeira vez em que for conversado com os alunos sobre a assembleia, trabalhar o significado da pauta e elaborar os enunciados de cada coluna.


Observações a serem consideradas ao realizar a pauta: ➢Anonimato;

➢Visibilidade; ➢Cuidado com a forma de redação – linguagem descritiva; ➢Devem ser impessoais – referir a temas (retomar combinados); ➢Garantem a discussão de um princípio (cuidado: João bateu em Gustavo – o que estará em pauta é a agressividade e não a punição).


➢Não se organiza a pauta no espaço da assembleia devido ao tempo.

➢Propõe-se uma reunião prévia para a organização definitiva da pauta. ✓Sugestão: reunião entre professor e dois alunos (representantes – rodízio).

➢Considerar: ✓O estabelecimento de uma hierarquia nas temáticas por ordem de importância (violência, temas coletivos, temas mais individuais).

✓Agrupar temas semelhantes e explicar os critérios. ✓Garantir que todos os temas propostos estejam na pauta definitiva.


SUGESTÃO DE CARTAZ PARA A PAUTA: Eu critico...

Eu felicito...

Quero falar sobre...

Coisas positivas...

Não gostei...

Gostei de...

Que pena que...

Que bom que...


Como conduzir:


ATA – Deve conter:

Cabeçalho com data e local.

Cada tema constante da pauta e as regras elaboradas ou decisões tomadas.

Os encaminhamentos sugeridos para o enfrentamento do conflito ou para o cumprimento da regra.

Identificação da equipe que coordenou e assinatura de todos.


A condução: Organizar as manifestações – Levantar as mãos Auxiliar o aluno a abandonar os exemplos pessoais e relatar o problema em termos gerais. Controlar o tempo. Ajudar os alunos a não repetirem ideias já apresentadas.


Estimular, mas não impor, a participação de todos. Incentivar a apresentação de perspectivas diferentes Dirigir as intervenções de forma que não se “desvie” do tema


AS FELICITAÇÕES:

◦Reservar pelo menos 10 minutos finais para as felicitações.

◦O coordenador pode ler individualmente cada item da pauta e perguntar se o autor da mesma gostaria de explicar as razões que lhe levaram àquela proposição. ◦Questionar se mais alguém gostaria de se manifestar.

◦Evitar empregar recompensas ou elogios valorativos.


Encerrando as assembleias: ◦Organizar

as

ações

a

serem

tomadas

para

executar

os

encaminhamentos dados . Ex: montar uma comissão para verificar determinada solicitação; ver

o grupo que irá escrever os cartazes; etc. ◦Realizar a ata com os itens da pauta discutidos, as regras aprovadas e

os encaminhamentos e as soluções propostas.


Pode-se ainda fixar um cartaz Problema...

Acordo...

Encaminhamento...


O caminho... “Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Isso depende muito de para onde queres ir -

respondeu o gato. Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice. Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas replicou o gato� (Lewis Carroll) 56


REFERÊNCIAS ◦ MENIN, M.S.S. Escola e educação moral. In: Contribuições, J.G. (org.). Autoridade e autonomia na escola: Alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1999. ◦ TOGNETTA, L. P.; VINHA, T.P. Quando a escola é democrática – um olhar sobre a prática das regras e assembléias na escola. Campinas, SP:Mercado de Letras, 2007. (capt. 1 e 2) ◦ TOGNETTA, L. P.; VINHA, T.P. É possível superar a violência na escola?: construindo caminhos pela formação moral. São Paulo, SP: Editora do Brasil, 2012. (capt. 3) ◦ PARRAT-DAYAN, S. Como enfrentar a indisciplina na escola. São Paulo: Contexto, 2008. (p. 31 a 53 e p. 86 a 88) LA TAILLE, Y. Ética para meus pais. Campinas, SP: Campinas, 2011. (p.26-34) ◦ TOGNETTA, L.R.; VINHA, T. P. Quando a escola é democrática – um olhar sobre a prática das regras e assembléias na escola. Campinas, SP:Mercado de Letras, 2007. (capt. 3) ◦ VINHA, T.P.; SILVA, F.A.; MAIA, K.; CARNEIRO, K.C.F.; SCARAZZATTI, M.J.S. A implantação da justiça restaurativa como um processo de resolução de conflitos na escola: uma realidade a ser construída. In: TOGNETTA, L.R.; VINHA, T.P. (orgs.) Os conflitos na instituição educativa – perigo ou oportunidade? Campinas, SP: Mercado de Letras, 2011.

03.10_Soraya_As regras e as assembleias na escola_possibilidades de reflexão e desenvolvimento da au  
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