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COMUNICAÇÃO CONSTRUTIVA


Olรก! Eu sou Danila Di Pietro Zambianco danila@usp.br


Nossos objetivos: Reconhecer a importância que a linguagem tem na convivência e na construção do desenvolvimento dos alunos. Desenvolver habilidades de comunicação para uma boa convivência.

Aprender técnicas de escuta ativa, linguagem descritiva, mensagem-eu e comunicação não verbal. Compreender sentimentos envolvidos na comunicação.

Desenvolver a assertividade.


LINGUAGEM


“ ■ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1:1-3


Linguagem

Língua


“ ■ Linguagem como uma capacidade simbólica de expressar sentimentos, sensações, transmitir informações, opiniões ou mesmo expressar desejos - humanos ou não: linguagem da dança, do cinema, da música, das formigas, do trânsito... ■ABSTRATO-UNIVERSAL


■A língua, por sua vez, consiste num conjunto específico de códigos e palavras diversas, usados sob regras e leis de combinação que, na verdade, é o que permite que a mensagem seja passada de maneira compreensível: português, libras, francês, inglês, chinês etc... ■CONCRETA-LOCAL


Concepções de linguagem:

pensamen to

Interação

comunicação


“Todos os enunciados no processo de comunicação, independentemente de sua dimensão, são dialógicos. Neles existem uma dialogização interna da palavra, que é perpassada sempre pela palavra do outro. É sempre e inevitavelmente também a palavra do outro. Isso quer dizer que também o enunciador, para constituir um discurso, leva em conta o discurso de outrem, que está presente no seu. Por isso, todo discurso é inevitavelmente ocupado, atravessado pelo discurso alheio.” Mikhail Bakhtin


Emissor

Mensagem

Receptor


São 18h45 e Mariana está em frente ao cinema à espera de seu namorado, Vinícius. Tinham combinado de se encontrarem às 19h para comemorar o primeiro ano de namoro assistindo a um filme e saindo para jantar em seguida. Mariana, ansiosa como era, chegou mais cedo. Aproveita para olhar os filmes que estão em cartaz e adianta a compra dos ingressos para a sessão das 20h. Assim, daria ainda um tempinho para namorar um pouco. Olha de novo para o relógio do celular, são 19h. Ele deve chegar a qualquer momento, pensa. 19h15. Um atraso normal, afinal o trânsito... 19h30... 19h45... 20h. Até que às 20h20, surge Vinícius na entrada do cinema: - Oi, amor, que saudade! - Vinícius, meu amorzinho, você sabe que horas são? Ele responde: - 20h22, Mari... Ela nem espera o final da frase, vira as costas e vai embora soltando fogo pelas ventas.


As perguntas que ficam são as seguintes:

■Mariana realmente gostaria de saber que horas eram? Ou será que todo o contexto instaurado revela que a linguagem é muito mais do que mero instrumento de comunicação?

■Havia ali apenas uma situação de comunicação em que o emissor traz uma mensagem que é decodificada pelo receptor, o qual, por sua vez, também apenas transmite uma mensagem?

Se pudéssemos ver essa cena, como estaria Mariana? E seu namorado?


Constru ção do outro Constru ção de si

Interação = alteridade


intencionalidade

aceitabilidade


Ariano Suassuna

â– https://www.youtube.com/watch?v=oWp1lBZiGXo


Por que falar de forma apropriada? Antes de pensar no COMO FALAR, pensar no PARA QUE FALAR

Evita desgaste do próprio educador Quebra a resistência dos alunos quando refere-se a necessidade da mudança

Favorece a construção do valor de si e do autorrespeito


■A linguagem do professor contribui para a formação da autoimagem do aluno.


Procure imaginar o que sente a pessoa que recebe as mensagens a seguir...


Na escola... Quantas vezes terei que pedir? É sempre você! Parece que tem prazer em atrapalhar seus colegas! Vai conseguir controlar a boca ou prefere que eu feche ela?”

“Como você é chorão! Não pode esperar um pouco? Tudo tem que ser feito na hora que você quer!”

“Você é lerdo e não vai entender mesmo... Faz favor de copiar da lousa e decorar a matéria!”

“Até um aluno do quarto ano faz isso melhor que você!”

“Como você é chatinha! Não vai parar da falar, não?!”

“Não vou repetir explicação para o ‘língua afiada’!”


Ou fora dela... “Não foi assim! Deixa eu contar, porque você é burro e nunca conta a história direito”

“Esqueceu de pagar de novo essa conta? Tem a cabeça em cima do pescoço só pra enfeite?!”

“Ih, esqueci! Nossa que novidade...É a única coisa que você sabe dizer?”

“Quantas vezes eu vou ter que dizer pra não falar assim comigo? Parece que não escuta...”

“Que bicho te mordeu hoje? Está de TPM?”

“Engordou hein?!”


Por que falamos ASSIM? - Manutenção da autoridade - Misturamos de forma desequilibrada as emoções com a comunicação - São formas de falar que convivemos há anos... - Conteúdo moral em jogo (desrespeito)


“ “Intencionalmente ou não, não deveríamos diminuir a importância de uma criança aos seus próprios olhos e aos de seus companheiros”


Como falar sem atacar a dignidade de uma crianรงa, quando se faz necessรกrio usar a autoridade?

Ser breve, firme e objetivo


Algumas constataçþes... Só aprende a respeitar quem se sentiu respeitado

SĂł aprende a reconhecer o sentimento do outro quem teve o seu reconhecido Apesar do aluno pensar diferente do adulto, ele tem os mesmos sentimentos...


Dois tipos de linguagem

descritiva valorativa


Linguagem Valorativa

É uma linguagem que emite julgamento de valores. Ex: Você é terrível; Você não faz nada certo, quer me enlouquecer?; Ah! Eu não aguento mais você!; Tinha que ser você... 


LINGUAGEM VALORATIVA...

■Essa linguagem está presente no nosso dia a dia ■São discursos que convivemos há tempos... ■Essa maneira de falar: 1. Ataca 2. Está revestida de juízo de valor: rótulos 3. Autoimagem negativa (sujeito)


VITIMIZAR-SE E ESTABELECER COMPARAÇÃO

• Parem de falar agora! Vocês querem que eu fique doente? Querem que eu tenha um enfarte? • E você, Gabriel, ouviu o que eu disse? Por que não faz como seu irmão, ele só fala na hora certa!

LIÇÃO DE MORAL

• Você acha bonito bater numa pessoa? O que há com você? Seu pai não te deu educação? Vou falar com sua professora de religião para lhe dar umas aulas de boa educação.

SARCASMO

• Como você é responsável! Esqueceu seu caderno na casa da avó!?! Que espertinho, não? Você é realmente muito inteligente para inventar uma história assim.


REPROVAÇÕES E ACUSAÇÕES

• As suas impressões digitais estão sempre em todas as páginas do seu caderno. Por que você tem que sujá-las sempre? • O que acontece com você? Você não sabe fazer nada direito? O problema é que você não me escuta!!!!

AMEAÇAS

• Se vocês não pararem com o barulho agora mesmo vou dar uma prova surpresa, é isso que querem?

ORDENS E INSULTOS

• A aula já acabou e olhe só essa bagunça, vocês são porcos? Eu não sei e nem quero saber quem foi, podem ir recolhendo o lixo do chão, das mesas!


Reações dos alunos Deixam de falar

Sentem-se incompreendi dos

Sentem que seus sentimentos não são importantes

Se colocam em posição defensiva

Sentem que não são dignos de confiança

Sentem-se frustrados/ridi cularizados

Discutem, contraatacam

Sentem-se inferiores

Sentem-se acusados

Sentem que não são aceitos como são

Sentem-se culpados ou “maus”

Sentem raiva


Linguagem Descritiva É uma linguagem que descreve os fatos sem rotular o outro. Ex: Você mordeu o Pedro e está doendo muito; Turma, estou vendo brinquedos jogados pela sala (o que precisa ser feito?); Já disse que não se bate nas pessoas e você se comprometeu a não fazer isto e bateu novamente.


O princípio básico da linguagem descritiva “FALE COM A SITUAÇÃO, NÃO COM A PERSONALIDADE E O CARÁTER”

Este princípio é válido para todos os contatos entre o educador e a família/criança/jovem.


Mensagem descritiva atrai a cooperação Enquanto a valorativa gera resistência

Ao invés de...

Prefira...

“Todo mundo deixou a sala suja!”

“Vejo lápis e pedaços de papeis no chão!”

“Vocês não tem educação? Estão me interrompendo!”

“Gostaria de terminar a minha explicação.”

“Precisava bater para resolver o problema? Já falei tantas vezes e você não entende.”

“Eu tô vendo o quanto você ficou nervoso com o Mateus, mas pode mostrar sua raiva sem bater.”


Apresentar os fatos como são, procurando interpretar os sentimentos, desejos, e o que está vendo...

... NÃO SIGNIFICA QUE A PESSOA VAI DEIXAR FAZER O QUE QUISER.


Evite sarcasmo ou ironia Comentários cáusticos esvaziam o amorpróprio e bloqueiam a aprendizagem. “Você fica enrolando de propósito ou é por que é lerdo mesmo?” “Você é sempre burra assim ou anda se esforçando para isso?”

Bom humor (estado de espírito) é diferente de insulto velado.


Uso de uma linguagem adequada faz a diferença nas relações estabelecidas na escola...

Conflitos

• “Estou vendo que você está bravo, João! Mas, não se bate nas pessoas!”

Aprendizadopositivo

• “Marcela, você se mostrou muita atenta ao fazer essa atividade e conseguiu chegar na resposta!”

Aprendizadomudança

• “Vejo você despreocupado com as atividades de matemática. Precisa de ajuda?”


Na comunicação para a família

• Professor precisa ter consciência do poder de suas palavras • Não cabe ao professor diminuir o aluno aos olhos do pai (não é mentir) • Antes de levar o ocorrido, buscar soluções


Ah... mas e os elogios? Tudo bem?


o elogio valorativo

elogio descritivo


O problema dos elogios valorativos... ➢Emite um julgamento de valor; ➢Tira-se do sujeito a confiança em si mesmo – insegurança; ➢Necessidade da aprovação do outro - Depende do julgamento externo para ser aprovado ou estabelecer seu valor ➢Causam uma relação de dependência – aluno faz atividade ou tem comportamento visando ser elogiada. ➢Pessoa que se acostuma a ser muito elogiada pode ter medo de enfrentar novos desafios para não decepcionar os que a cercam. *Inteligência X esforço


Elogios DESCRITIVOS OU apreciativos Cria-se a possibilidade do sujeito tirar suas prĂłprias conclusĂľes:


Relacionar o elogio...

■... Ao esforço ou com o ato específico e não com suas características individuais ou trações de caráter.


Elogios valorativos não são considerados produtivos pois:

* implicam em

NÃO SERVEM PARA AJUDAR NA AUTORREGULAÇÃO DO ALUNO, NA CONSTRUÇÃO DE SUA AUTONOMIA!


ESCUTA ATIVA


MĂŁo na massa! â– Vamos pensar um pouco como estamos escutando ultimamente...


Temos tempo para ouvir os outros hoje em dia? Como me sinto quando falo com alguém e a pessoa está olhando para o celular? Conversando com outros, enquanto falo com ela? Como me sinto quando as pessoas não prestam atenção quando falo?


A diferença entre... ESCUTAR

AUDIÇÃOOUVIR

Exige atenção àquele que fala, é Condição fisiológica buscar nas palavras ligada aos órgãos de quem fala um sensoriais significado próprio e singular


Escuta ativa Usada quando o outro tem algum problema.

Permite reconhecer os sentimentos que não são observáveis diretos na ação e a pessoa perceberá que eles são importantes.

Verbalizar por meio de uma sentença afirmativa o que seu interlocutor está sentindo. É reconhecimento de sentimentos. “Imagino o quanto esta situação lhe deixou irritado...”

Para isso, é preciso sujeitos evoluídos – que saiam de si e dediquem a escutar o outro.


Demonstrar INTERESSE

REFLETIR

RESUMIR

CLAREAR

PARAFRASEAR


Mas... COMO DEVO FALAR?

Técnica

Descrição da técnica

Exemplos

Mostrar interesse

Não estar de acordo ou desacordo, usar palavras neutras

“Você pode me falar mais sobre isso?”

Esclarecer

Perguntar, pedir que se esclareça algo não compreendido

“E o que você fez nessa hora? Desde quando isso está acontecendo?”

Parafrasear

Repetir as ideias ou ações básicas

“Veja se entendi o que acabou de dizer...” “Se entendi bem, você disse...” “Corrija-me se estiver errado, o que você quer...”

Refletir

Refletir sobre os sentimentos de quem está falando

“O que te chateia é...” “Poxa, isso te deixou chateado...”


Técnica

Descrição da técnica

Exemplos

Resumir

Repetir as ações e ideias principais

“Você está me dizendo que o Pedro brigou com o Diego e o Felipe ficou do lado do Pedro e disse ao professor! É isso?”

Reformular

Aceitar os sentimentos e ideias e expressá-los de uma maneira mais neutra: - evitando personalizar o problema - usando linguagem positiva - minimizando o negativo

“Entendo que isso que você sente pode realmente chatear qualquer um” “O que você está dizendo é muito importante!”

Usar Sorrir, mostrar-se disponível linguagem não Dar sinais de que está escutando, acenando com a cabeça ou reforçadores de discurso: verbal sei, entendo, sim, hã hã... Manter contato visual Proximidade (distância adequada)


Elementos que devem ser evitados:

Distrações

Contar a sua história quando é o outro que precisa falar e ser escutado.

Interromper quem está falando

Menosprezar o que o outro está sentindo, ir contra os sentimentos

Julgar/Culpabilizar

“Síndrome do vidente”: já ter as respostas para o que o outro está falando, mesmo que este nem tenha chegado na metade


MENSAGEM EU


Consiste em verbalizar o que sinto

Permite-nos mudar o foco do problema

Dá ao interlocutor a possibilidade de tomar consciência sem ter que se defender, pois não se sente “atacado”.


Eu sinto... Eu vejo...

Exemplos:

(especificando o sentimento)

Quando vocĂŞ... (identificando o comportamento especĂ­fico)

Porque... (relatando o efeito que este comportamento tem na sua vida)

E eu gostaria... (falando sobre sua necessidade)


Mensagem-eu também deve ser utilizada com sentido positivo.

Auxilia a compreender o ponto de vista do outro.

Resultado: O aluno também constrói uma outra maneira de se comunicar.

Expressão dos sentimentos – legitimidade - não usar para manipular os alunos (*coração).


SENTIMENTOS


IMPORTANTE

Conversar no momento que os ânimos estão alterados geralmente não é produtivo...

Os sentimentos são permitidos, as limitações são para as ações.


E a nossa irritação???

Acredite que... As crianças e os adolescentes inevitavelmente vão nos fazer sentir constrangidos, irritados, aborrecidos, furiosos.

Estas emoções não devem provocar vergonha, arrependimento ou remorso.

Temos o direito de expressar nosso sentimento desde que não ofendamos a dignidade e personalidade de nossos alunos.


E se a raiva explodir...

Analise... O que vĂŞ e o que sente

O que precisa ser feito

NĂŁo ataque a pessoa do seu aluno


Nada pior, para perder a autoridade...


›A sabedoria é saber respeitar a dignidade do outro mesmo quando ele “apronta” ou está errando – autocontrole do professor- favorece a construção da identidade do aluno.

›As reprimendas ou castigos verbais não contribuem para melhorar a conduta, nem a personalidade de um indivíduo. Incitam sentimentos de raiva, revolta, querer dar o troco...


› A criança que geralmente é agredida, aprende a resolver seus problemas com agressões. Para Samalin (1995), os educadores...

“acreditam que podem fazer uma criança melhorar apontando o que há de errado com ela, mas a triste realidade é que a crítica reforça o próprio comportamento que está se tentando corrigir”.


Nenhum ser humano é paciente o tempo todo – buscar maneiras de exprimir a raiva sem causar danos (instrumento valioso, quando bem canalizado) - mensagem-eu

“Isso é demais! Não se bate nas pessoas! Sei que você está com raiva, mas vai ter que achar um outro jeito de me dizer isso! Só que agora não posso conversar com você até que eu esteja mais calmo.”


COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL


Use um tom de voz cordial, confiante, uniforme, relaxado, calmo, seguro, modulado

Adote uma postura física (de pé ou sentado), descontraído, relaxado, sem estar com braços ou pernas cruzadas

Tom de voz

Expressão facial

Postura corporal

Proximidade do outro

• Expressões faciais receptivas, diretas, autênticas • Olhe para a outra pessoa

• Coloque a sua mão no ombro do outro para dizer olá ou adeus • Coloque-se a 1 metro de distância do outro


assertivo

agressivo

passivo


■Vídeo – https://www.youtube.com/watch?v=rd1 mCZVNnxE


Enfim...


Elementos não verbais Linguagem descritiva

Sentimentos

Escuta ativa

Comunicação Construtiva

Mensagem eu


Stengel (1982/1994) O uso dessas técnicas de linguagem ao invés de colocarem os adultos e as crianças/adolescentes em lados opostos, favorecem que estejam do mesmo lado do problema. • promovem confiança, empatia e ajudam o sujeito a fazer exatamente aquilo que precisa para desenvolver o raciocínio moral


“Aprender um novo idioma não é fácil. Por alguma razão, você sempre vai falar com um sotaque... Mas para seus filhos será sua língua materna!”

■Faber, A. & Mazlish (2003). Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho

falar. São Paulo: Summus Editorial.


“ ■As palavras que usamos transformam a comunicação e pode definir como as pessoas “respondem” à determinada situação.


Potência do uso adequado da linguagem

■https://www.youtube.com/watch?v=4rIbkIfekD0


Obrigada!

03.10_Danila_Comunicação construtiva_como falar em favor do desenvolvimento  
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